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Visibilidade Lésbica:

Respeito à Liberdade de Expressão Sexual


No âmbito de sua sidade humana.
atuação na de- O movimento de
fesa da ética e mulheres lésbi-
dos direitos hu- cas e bissexuais
manos, o CFESS organizadas no
defende a liber- Brasil conside-
dade como valor ra há mais de
ético central e uma década o
foi a partir deste mês de Agosto
entendimento e, como um mês
em sintonia com especial para
os princípios do dar visibilidade
Código de Ética política à livre
Profissional do/a expressão se-
Assistente Social, xual entre mu-
que foi realizada, lheres. Durante
durante a ges- este mês, em
tão 2005/2008, todo o Brasil, o
a Campanha Na- movimento re-
cional pela Li- aliza inúmeras
vre Orientação ações político-
e Expressão Se- culturais de re-
xual “O Amor fala todas as Línguas: Assisten- sistência para romper com a imposição da invi-
te Social na luta contra o preconceito”. Um sibilidade e, conseqüentemente, a negação de
dos resultados fundamentais dessa Campa- direitos e a impunidade nos casos de homofo-
nha foi a aprovação da Resolução CFESS n° bia/lesbofobia/transfobia. Duas datas ganham
489/2006, que “estabelece normas vedando relevo para simbolizar a luta pela liberdade de
condutas discriminatórias ou preconceituosas, expressão sexual das mulheres lésbicas: 19 e 29
por orientação e expressão sexual por pessoas de agosto. O fundamento de ambas é o mesmo,
do mesmo sexo no exercício profissional do/ mas sua gênese difere. 19 de agosto é nomea-
a Assistente Social, regulamentando princí- do pelo movimento como Dia do Orgulho Lésbi-
pios inscritos no Código de Ética Profissional”. co, assim determinado em função da primeira
O capitalismo como sistema de exploração que manifestação lésbica contra o preconceito e
reproduz desigualdade social, violência e de- discriminação ocorrida no Ferro’s Bar, em São
semprego se articula a um triplo sistema de Paulo, quando militantes do Grupo Ação Lésbi-
opressão: patriarcado – racismo – heterossexua- ca Feminista (GALF) foram proibidas de vender
lidade obrigatória que, cotidianamente dizima a materiais educativos sobre visibilidade lésbica
vida de mulheres e homens, negando-lhes o de- naquele estabelecimento em 1983. O dia 29 de
senvolvimento de suas potencialidades e diver- agosto – Dia Nacional da Visibilidade Lésbica ad-
veio, em 1996, da necessidade coletiva de tor- ficativo para a organização lésbica brasileira
nar público um segmento que, historicamente, foi a construção do I SENALE – Seminário Na-
ocupou o espaço da invisibilidade. Entre 29 de cional de Lésbicas em 1996, no Rio de Janeiro.
agosto e 01 de setembro de 1996, no Rio de Ja- De 1996 a 2006 foram realizados seis SENALE’s,
neiro, o Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro - espaço construído por e para lésbicas que visa
COLERJ e o Centro de Documentação e Informa- dar visibilidade e fortalecer a organização po-
ção Coisa de Mulher (RJ) realizaram o I SENALE lítica, debatendo temas de interesse como se-
(Seminário Nacional de Lésbicas), evento que xualidade, saúde, gênero, combate à violência,
teve como tema central “Saúde, Visibilidade e diversidade, conjuntura entre outros. No âm-
Organização”. Por reunir, pela primeira vez no bito das lutas para enfrentar o sexismo, o ma-
Brasil, aproximadamente, 100 mulheres lésbi- chismo, enquanto expressões do patriarcado, o
cas foi escolhido, no I SENALE, o 29 de agosto, movimento feminista teve um papel fundamen-
como Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. O tal seguindo uma trajetória de superação de de-


SENALE tem se constituí- mandas/necessidades repro-
do como um instrumento dutivas, abordadas no campo
para o fortalecimento po- Afirmar-se como lésbica é exclusivo da heterossexuali-
lítico das mulheres que se uma identidade política que dade para a incorporação à
relacionam com mulheres, transcende a “identidade sexu- sua agenda de lutas as ques-
sendo muitas delas, víti- tões referentes às particulari-
mas de violência psicológi- al” e, portanto, constitui uma dades das mulheres lésbicas.
ca, física e sexual em ra- ação política para descons- Um grande desafio tem sido
zão da discriminação e do trução da heterossexualidade ampliar a rede de alianças
preconceito quanto à sua do movimento de mulheres
orientação e expressão se- compulsória e da heteronor- lésbicas com outros sujeitos
xual. Nesse horizonte, a matividade que se manifestam, coletivos como movimento de
expressão pública despon- por exemplo, na imposição da mulheres e homens negros/
ta como uma das estraté- as, MST, Movimento Nacional
gias centrais para romper maternidade como obrigação e de Direitos Humanos (MNDH),
com a violação de direitos não como opção” Movimento das Pessoas com
e fortalecer as mulheres Deficiência, dentre outros.
lésbicas e bissexuais como Sem explicitação dos sujeitos
sujeitos políticos e coletivos. O movimento poli- políticos e coletivos como visibilizar as opressões
tizado em torno da homossexualidade surge, no e violências vivenciadas no cotidiano? Como ga-
Brasil, no final dos anos 1970, no período pós- rantir a luta por suas reivindicações e exigir po-
ditadura. A organização lésbica marca os idos líticas públicas? Como provocar o debate sobre
dos anos 1979, quando lésbicas, predominante- a necessidade de enfrentar a banalização/na-
mente feministas, começam a marcar presença turalização da heterossexualidade compulsória?
e visibilidade no primeiro grupo de afirmação Como criar estratégias para o enfrentamento às
homossexual do país, o Somos em São Paulo. múltiplas expressões da homofobia/lesbofobia/
Mas foi nos idos dos anos 2000 com a criação de transfobia que comparecem, muitas vezes, de
articulações nacionais de lésbicas como a Liga forma silenciosa, sutil marcada pela omissão do
Brasileira de Lésbicas (LBL/2003) e a Articula- próprio Estado? Nas situações de preconceito e
ção Brasileira de Lésbicas (ABL/2005) que o mo- discriminação são interditados o respeito, a dig-
vimento ganhou mais visibilidade e expressão nidade e a liberdade como valor ético central. E
na sociedade brasileira. Dessa forma, no Brasil, o que fundamenta esta lógica opressora e fun-
os grupos de lésbicas vão se multiplicando e, damentalista é o moralismo como julgamento
aos poucos, conquistando visibilidade na cena de valor que reproduz princípios, regras e nor-
pública, politizando a questão da livre orien- mas preconceituosas que não são racionalmen-
tação e expressão sexual e, ao mesmo tempo, te sustentáveis. O moralismo atua como uma
convocando, juntamente com gays, travestis, “moral deturpada”. No entanto, no horizonte
transexuais e transgêneros, a sociedade e o Es- da emancipação humana é possível ter como
tado para rever seus parâmetros homofóbicos/ referência uma moral como modo de valora-
lesbofóbicos/transfóbicos. Um momento signi- ção que se baseia na reflexão racional e crítica.
Este cenário indica a necessidade da organiza- por pares homoafetivos e na negação do direi-
ção do movimento LGBTT na perspectiva de po- to à adoção em nome de pares lésbicos e gays.
litização da sexualidade humana, no sentido de A heterossexualidade obrigatória afirma-se co-
compreendê-la numa dupla e intrínseca dimen- tidiana e sutilmente em diferentes dimensões
são. A dimensão privada e a dimensão pública. da vida social naturalizando a invisibilidade e a
Sabemos que os movimentos sociais se orga- vivência da lesbianidade em quatro paredes. a
nizam em torno da vivência da exploração e partir do que se convencionou chamar de “dupla
opressão, da partilha de necessidades em co- vida”. É importante destacar que quando homens
mum e da construção coletiva de formas de re- e mulheres que vivenciam práticas homoafeti-
sistência... Afirmar-se como lésbica é uma iden- vas não publicizam sua orientação sexual não
tidade política que transcende a “identidade podem ser responsabilizados como se a questão
sexual” e, portanto, constitui uma ação política fosse de natureza individual. Não é a orientação
para desconstrução da heterossexualidade com- sexual diferente do padrão dominante (heteros-
pulsória e da heteronormatividade que se ma- sexual) que é a problemática a ser enfrenta-
nifestam, por exemplo, na imposição da mater- da, mas sim a naturalizaçao e banalização do
nidade como obrigação e não como opção; na preconceito, da discriminação materializadas
rejeição cultural e legal da família constituída na forma de homofobia/lesbofobia/transfobia.
O CFESS MANIFESTA seu compromisso ético-político em defesa organização e consolidação do mo-
vimento de mulheres lésbicas brasileiro, bem como da liberdade de orientação e expressão sexual e
identidade de gênero e conclama a categoria de Assistentes Sociais a implementar a Resolução 489/2006
no cotidiano profissional. Seguimos na luta contra todas as formas de exploração e opressão vigentes.

DIVAS Descasque-se, vire esse mundo,


rompa couraças, se desabroche,
Deixe a menina aparecer, pois é hora de ir à forra,
se colorir, se revirar e extenuar-se de avessos, deixar os guetos, sair dos quartos.
loucuras, orgasmos e mistérios (...) Te expõe, se mostra,
ela e a vida te esperam lá fora...
Vai menina, ser nítida, (...)
palavras, fogo e arco-íris na vida! no alvorecer da diversidade.
Vai amar a poesia, a alma feminina,
vai ser essa escrita que se fabrica na luta, Menina, pega Maria pela mão
na dor, na lida, nos beijos e desejos seus. e vai amá-la com liberdade,
Tornar-se fel e depois se derramar de doçuras, no clarão de um dia de sol,
viver o que tem vontade de ser. no alvorecer da diversidade.

Andréa Lima

Conselho Federal de Serviço Social - CFESS - Gestão 2008-2011 Atitude Crítica Para Avançar na Luta
Presidente: Ivanete Salete Boschetti Conselheiros (as) Suplentes: Conteúdo:
Vice-Presidente: Sâmbara Paula Ribeiro Edval Bernardino Campos Marylucia Mesquita Palmeira
1ª. Secretária: Tânia Maria Ramos de Godoi Diniz Rodriane de Oliveira Souza (Aprovado pela Diretoria do CFESS)
2ª. Secretária: Neile d’Oran Pinhero Marinete Cordeiro Moreira
1ª. Tesoureira: Rosa Helena Stein Kênia Augusta Figueiredo Criação:
2ª. Tesoureira: Telma Ferraz da Silva Erivã Garcia Velasco Marcela Mattos
Conselho Fiscal: Marcelo Sitcovsky Santos Pereira
Silvana Mara de Morais dos Santos Maria Elisa dos Santos Braga Assessor de Comunicação:
Pedro Alves Fernandes Maria Bernadette de Moraes Medeiros Bruno Costa e Silva
Kátia Regina Madeira Marylucia Mesquita Palmeira comunicacao@cfess.org.br

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