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Ex-sócio pode ser executado por dívida mesmo após dois anos 11/10/21 12:43

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DECISÃO

11/10/2021 07:00

Ex-sócio que assinou como devedor solidário


responde por dívida mesmo após o prazo de dois an
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o entendimento de que a assinatura
sócio como devedor solidário em Cédula de Crédito Bancário (CCB) representa uma obrigação de
subjetivo e pode levar à sua responsabilização pelo pagamento da respectiva dívida, mesmo após
de dois anos contado da data em que deixou a sociedade empresarial.

Por unanimidade, o colegiado acolheu recurso especial interposto por um banco e manteve a inclu
ex-sócia de uma empresa de materiais de construção no polo passivo da ação de execução d
extrajudicial.

Relatora do recurso, a ministra Nancy Andrighi afirmou que, como a assinatura da CCB é uma ob
decorrente da manifestação de livre vontade, e não uma obrigação derivada da condição de s
responsabilidade pelo pagamento da dívida se sujeita às normas ordinárias da legislação civil s
solidariedade – principalmente os artigos 264, 265 e 275 do Código Civil.

A empresa emitiu CCB que contou com a assinatura da ex-sócia e de outro na condição de dev
solidários. Como as prestações deixaram de ser pagas, o banco credor moveu ação de execução
eles.

A ex-sócia requereu sua exclusão do polo passivo, o que foi negado em primeiro grau. Porém, o T
de Justiça do Paraná (TJPR) reconheceu a ilegitimidade passiva da executada, em razão
transcorrido o prazo de dois anos previsto no artigo 1.003, parágrafo único, do Código Civil

Proteção dos interesses sociais e dos credores


A relatora explicou que o artigo 1.003 do Código Civil estabelece que o cedente de cotas re
solidariamente com o cessionário, perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha
sócio, até dois anos depois de averbada a modificação do contrato social.

Segundo a ministra, essa hipótese de responsabilidade solidária, entre o antigo e o novo sócio,
objetivo de proteger tanto os interesses sociais como os dos credores da pessoa jurídica.

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Ex-sócio pode ser executado por dívida mesmo após dois anos 11/10/21 12:43

No entanto, a magistrada afirmou que o prazo de dois anos se restringe às obrigações que o cede
cotas possuía na qualidade de sócio, decorrentes do contrato social e transmitidas ao cessionár
estando compreendidas na hipótese as obrigações de caráter subjetivo do sócio, resultantes do ex
de sua autonomia privada ou da prática de ato ilícito.

Obrigação desvinculada das cotas sociais


Segundo Nancy Andrighi, no caso dos autos, é incontroverso que a obrigação não paga – ca
ajuizamento da ação executiva pelo banco – foi assumida pela ex-sócia como mera devedora so
como reconheceu o TJPR.

A ministra indicou precedentes do STJ segundo os quais o limite temporal de responsabilização i


pelos artigos 1.003 e 1.032 do Código Civil incide exclusivamente sobre obrigações decorren
eventos sociais ordinários, como a não integralização do capital social (REsp 1.312.591
1.269.897).

"Pode-se concluir que figurar como devedor solidário de valores estampados em cédulas de
bancário, no caso dos autos, não se enquadra em qualquer obrigação vinculada às cotas sociais
pela ex-sócia. Tampouco se pode cogitar que tal obrigação por ela assumida decorra de estip
prevista no contrato social, haja vista que sequer foi deduzida alegação nesse sentido", afir
relatora.

Leia o acórdão no REsp 1.901.918.

Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):

REsp 1901918

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