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Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

Centro de Ciências Jurídicas - CCJ


Departamento de Direito – DIR
Disciplina: História do Direito
Professor: Arno Dal Ri Júnior
Aluna: Isabela Fernandes da Silva
Turma: 01303
Resenha crítica do livro “O Estado e seus inimigos: a repressão política na história
do direito penal” de Arno Dal Ri Júnior.

1 – O AUTOR
Formou-se em Ciências Jurídicas pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI)
no ano de 1997; obteve o título de Mestre em Direito e Política da União Europeia pela
Universidade de Pádua em 1999 e o título de Doutor em Direito Internacional pela
Universidade Luigi Bocconi de Milão em 2003; já o Pós-Doutorado obteve pela
Universidade De Paris I (Panthéon-Sorbonne) no ano de 2004. Atualmente é Professor
efetivo na Universidade Federal de Santa Catarina, sendo responsável pelas matérias de
‘História do Direito’ e ‘Direito Internacional’ no Curso de Graduação e ‘Teoria e História
do Direito Internacional’ nos Programas de Mestrado e Doutorado em Direito. É também
Professor de Mestrado em ‘Integração Europeia’ na Universidade de Pádua, Itália, e de
‘Relações Internacionais’ na Universidade da República de Montevidéu, Uruguai; e nos
Programas de Doutorado em ‘História do Estado’ na Universidade de Alcalá, Espanha,
em ‘Teoria e História do Direito’ na Universidade de Florença, Itália, e em ‘História do
Direito’ na Universidade de Milão, Itália. Tem experiência na área de Direito, com ênfase
em Direito Internacional e História do Direito.
Nas suas obras de História do Direito tem grande influência de Paolo Grossi e
António Manuel Hespanha; já nas obras sobre Direito Internacional, são nomes como
Dionisio Anzilotti, Santi Romano, Roberto Ago e Piero Ziccard que mais influenciam.

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2 – A OBRA
A obra “O Estado e seus inimigos” é, sem dúvida, uma das mais influentes do
autor. Tem como proposta analisar e trazer a construção doutrinal dos crimes políticos na
história da cultura jurídica.
Inicia-se com uma breve apresentação seguida de uma contextualização
romantizada da França revolucionária de Robespierre. Divide-se em três partes principais,
que são subdivididas, sendo que a primeira trata da construção da noção do crime contra
o Estado, a segunda da transfiguração dessa noção e a terceira da sua ressignificação. O
livro termina com uma “(in)conclusão”.

3 - CONSTRUINDO A NOÇÃO DE UM DELITO


A construção da noção de um delito é um processo; um processo que leva séculos
de paciente elaboração, rupturas e contradições. Essa construção é influenciada pelo
costume de cada época e de cada região, é o “(...) cotidiano cultural, social, político e
econômico (...) que (...) constroem as bases do delito (...) ” (DAL RI JÚNIOR, Arno,
p.25). Portanto, a análise do direito penal, dos delitos de uma sociedade, é uma forma de
compreender como ela se organiza, quais são suas relações de poder, no que ela se baseia.
“ (...) o direito penal reflete (...) os conflitos que num determinado momento estruturam
uma formação social. ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p. 28).
Essa primeira parte se propõe, segundo o autor, a analisar como as
descontinuidades e rupturas entre as noções de crimes de caráter político levaram a uma
ampliação de condutas criminalizadas.

3.1 – O CRIME CONTRA O ESTADO NA EXPERIÊNCIA PENAL


GREGA
O crime contra o Estado, na cultura penal grega antiga, tem um forte caráter
religioso, uma vez que o atentado contra o monarca era considerado um atentado aos
deuses que o tinham sob proteção e graças. Como a pena tinha um caráter negativo, era
quase que uma vingança legalizada, o condenado desse crime perdia seus direitos – sua
proteção divina e sua tutela jurídica. A condenação ao ostracismo – ameaça à democracia
–, banimento, tinha alguns elementos que viriam a caracterizar, posteriormente, a noção
de crime contra o Estado; como a própria condenação em si, banimento, a perda de
direitos e o caráter religioso. Para que que a punição ocorresse mais de seis mil pessoas

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deveriam votar, em assembleia popular, a favor dela. Pelo fato de ser uma assembleia
popular e o nível de analfabetismo ser bem elevado, era bastante fácil para que a “mesa
diretora” manipulasse a massa.
Essa necessidade de aprovação popular para a punição e a manipulação feita para
que isso ocorra é outra característica que se perpetuou e que pode ser muito observada na
atualidade. O papel que a mídia exerce é grandioso.
No Brasil, durante o governo PT, ocorreram vários escândalos envolvendo
corrupção que culminaram na investigação denominada “Lava Jato” e, indiretamente, no
“impeachment” da presidenta Dilma Rousseff. Durante ambos os fatos se observa na
mídia e demonização de um exclusivo partido político, o PT, criando no imaginário
popular que todos os problemas da nação são fruto, exclusivamente, da má administração
e corrupção desse partido. Para legitimar as atitudes tomadas durante ambos os processos,
foi preciso criar essa figura antagonista – que continuam a relacionar com o antigo arqui-
inimigo, o comunismo - para que o povo lhes concedesse essa legitimação tão necessária.
Essa atitude de manobra da massa à procura de apoio que já se tem registro desde a
Antiguidade Clássica ainda continua, no século XXI, a ser usada amplamente.
Como forma de elucidar como e porque ocorria esses julgamentos, DAL RI
JÚNIOR faz uso de diversos exemplos, como o julgamento de Sócrates.

3.2 – O DELITO CONTRA A AUTORIDADE DIVINA NAS TRADIÇÕES


BÍBLICA E CORÂNICA
3.2.1 – Tradição bíblica
Esse delito tinha duas categorias: o que atenta de forma direta contra a autoridade
e soberania divina e aquele que atenta contra a autoridade derivada da divina, a temporal.
No judaísmo do velho testamento, todo descumprimento da lei era um atentado à
soberania de Deus, uma vez que a lei terrestre derivava das escrituras sagrados e, portanto,
do próprio Deus. “(...) a transgressão identificava-se diretamente com a blasfêmia, e a
ilegalidade com o atentado contra a pessoa espiritual do Deus vivo. ” (DAL RI JÚNIOR,
Arno, p.45). É dessa forma que a pena de morte era justificada nos casos de feitiçaria e
sacrifícios a outros deuses.
Portanto, todos os hebreus estavam submetidos à Deus e a Sua lei, inclusive os
governantes. A soberania de Israel dependia diretamente dessa obediência aos
mandamentos. Quando, porém, o governante não respeitava as leis divinas, o povo, se
Deus de algum modo autorizou, pode questionar sua autoridade.

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Já no novo testamento, Jesus Cristo ressalta algumas vezes a necessidade de dar
apoio às autoridades seculares. É esse o pensamento que prevaleceu, ainda que com uma
pequena ressalva: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens” (Atos dos
Apóstolos, 5:29).
A noção de que o povo pode se voltar contra o soberano, desde que este não
estivesse cumprindo os mandamentos e aquele estiver agindo de acordo com ordens
divinas, é bastante diferente da de outros povos e de tempos diferentes. Normalmente, a
desobediência civil não é bem vista e nem justificada. Um dos primeiros pensadores a
tentar elaborar uma teoria que legitimasse esse comportamento foi Locke, porém ele
excluiu o elemento religioso, tão marcante do direito bíblico. Nas últimas décadas do
século XX e no início do XXI, a desobediência civil foi, aos poucos, tendo uma noção de
dever cívico, em determinadas situações. Porém, isso pode ser usado desde para uma
tentativa de livrar o seu país de uma ditadura, a exemplo do Brasil no seu período de
ditadura militar, até para legitimar no imaginário coletivo a manobra de massa. É nessa
nova noção de desobediência que se baseia a justificativa dada para os processos cheios
de ilegalidades resultantes da caça aos corruptos, como é o caso do já dito “impeachment”
– que ocorreu sem bases legais – e dos vários processos da operação Lava Jato – com
áudios vazados de forma ilegal, juízes seguindo a jurisprudência dos EUA ao invés da
brasileira, etc. O apoio da mídia é o que decide o que é dever civil e o que atentado contra
o Estado, visto que o tratamento dado pela população àqueles que lutaram contra um
regime autoritário é completamente diferente, ainda nos dias de hoje, ao dado a esses
juízes e parlamentares.

3.2.2 – Tradição corânica


Essa tradição também é rígida quanto aos delitos contra a autoridade divina ou a
autoridade temporal dela derivada. A obediência à autoridade temporal se dá pelo fato de,
na tradição islâmica, o Estado recebe sua legitimação por Allah.
O direito penal por essa tradição apresentado não faz uma distinção entre delito e
pecado. As penas se dividem em duas correntes: vingança privada e sanções aos crimes
contra a religião e a disciplina militar. Os delitos mais graves são aqueles “(...) que têm
por sujeito passivo Allah e a sua autoridade (...) ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p.60). O medo
tem uma função preventiva nessa cultura, fazendo com que a ira divina esteja sempre
presente no imaginário coletivo. Por esses motivos, o crime contra o Estado pode ser

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classificado como um delito de lesa-majestade divina e por isso passível de punições
severas, inclusive pena de morte.

“Delito por excelência, a falta de fé na autoridade espiritual comporta como


punição divina os piores males possíveis e, como punição temporal, a pena de
morte. (...) o fato de Allah, e sua autoridade, ser expressamente considerado como
um sujeito passivo de um determinado delito faz com que este último possa ser
utilizado não somente como instrumento para a opressão de não-mulçumanos,
mas também, paradoxalmente, como uma máquina repressiva contra os adeptos
da própria religião islâmica. ” (DAL RI JÙNIOR, Arno, p. 64-65)

3.3 – SURGIMENTO E CONSOLIDAÇÃO DO CRIMEN LAESAE S NO


DIREITO PENAL ROMANO
Para os juristas romanos, todo crime poderia ser considerado um dano à
comunidade, contudo é o crime contra o Estado aquele que fere a comunidade
diretamente. Esse delito, tão grave para o direito romano, era dividido em seis categorias:

“a) relações com os inimigos do Estado; b) atentados à constituição do Estado; c)


violação das obrigações dos magistrados e dos sacerdotes; d) violação das
obrigações políticas dos cidadãos; e) violação das obrigações religiosas dos
cidadãos; f) ofensas pessoais aos magistrados. ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p. 66).

É interessante observar que crime contra o Estado poderia ser cometido tanto pelo
povo quanto pelos magistrados e sacerdotes, algo que só tinha sido visto no direito judeu
do antigo testamento, porém dessa vez não contém o caráter religioso nesse determinado
elemento. Na atualidade, essa nuance ainda se faz presente, em certos momentos. Quando
se fala de patriotismo, se estende essa qualidade a todos os cidadãos; entretanto, a punição
dada é claramente diferente. No imaginário popular, a caça às bruxas realizada no Brasil
tem um certo caráter punitivo àqueles que feriram a pátria de algum modo –
descumpriram com o seu dever como cidadãos -, porém esses indivíduos, que já sofrem
uma triagem para ver quem será punido, não o são da mesma maneira que aqueles menos
afortunados financeiramente que são acusados de algum modo impedirem o país de “ir
para frente”. Portanto, nessa característica também fica claro como a interpretação da lei
e como a questão financeira influenciam na punição. A partir da expressão tão utilizada
– fazer o Brasil ir para frente – e a forma como ela é utilizada para culpar todos os tipos

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de criminosos, nota-se que a característica romana de que todo o delito é um dano à
comunidade também prevaleceu através dos séculos.
Com o passar do tempo o delito contra o Estado passou a ser definido no crime de
lesa-majestade – “ todos os atos que atentassem contra a dignidade ou a segurança do
povo romano, primordialmente ligada à pessoa do príncipe. ” (DAL RI JÚNIOR, Arno,
p. 68).
O machismo presente nessa sociedade também é notável na legislação sobre esse
delito – “Em questões de lesa-majestade até mesmo mulheres podem ser ouvidas nos
tribunais. ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p.72) – como se vê na clara depreciação das
mulheres nesse trecho da Responsa. O tratamento diferenciado e depreciativo ao feminino
registrado na legislação é um reflexo de como funciona a sociedade, da mesma forma que
é possível fazer essa análise através dos delitos contra o Estado, conforme se propõe o
livro. Uma interessante comparação é possível ser feita com a legislação da Grécia
Antiga, que teve considerável influência no Império Romano: nesse sistema punitivo a
traição feminina ao matrimônio era tratada com a mesma gravidade do mais severo crime
masculino cometido contra à polis, traição, sendo ambos punidos com a lapidação. Nessas
duas sociedades percebe-se a função secular da mulher, em uma tendo seu depoimento
levado em conta somente na mais grave das situações e em outra vista apenas como um
apêndice e propriedade do marido e sendo a traição contra ele o mais grave de seus delitos.
É em Roma que a sedição passa a ser considerada uma extensão do delito de lesa-
majestade. É também aqui qualquer tentativa de “(...) diminuir a grandeza do povo
romano(...) ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p.79) é vista como motivo suficiente para censura
política. A tortura também começa a ser utilizada como uma maneira legítima de se obter
uma confissão ou delação, algo que infelizmente irá rondar, até os dias atuais, o
imaginário coletivo.

3.4 – A EVOLUÇÃO DAS DOUTRINAS PENAIS DA IDADE MÉDIA


A Idade Média foi marcada profundamente pelo pluralismo jurídico o que,
consequentemente, acarretou em diversas noções dos mesmos delitos. Porém, o conceito
de traição do direito romano foi, de uma maneira geral, na Alta Idade Média, considerado
como a principal maneira de introdução de inimigos no território do reino.
Nos reinos germânicos, as leis forma marcadas por uma tentativa de organizar
minimamente o direito. Nessa cultura, o costume era visto como uma moldura na qual o
rei se inseria, dando a ele a titulação de “(...) um poder independente e arbitrário a ponto

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de ter autonomia para criar um novo direito. ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p. 85). A punição
para o crime de lesa-majestade era a morte.
No direito franco esse delito delimitava-se quase que exclusivamente a traição ao
soberano. Nas fases iniciais o delito era mais contra o príncipe do que contra o Estado,
tinha uma conotação moral. Esse delito passou a ser delineado no imaginário coletivo
como o mais odioso de todos e por isso sua punição não era apenas a morte, mas sim o
esquartejamento do culpado ainda vivo, a exposição das partes do corpo em lugares
públicos, e a infâmia e o confisco de bens se entenderia também aos filhos.
As garantias processuais eram completamente desconsideradas quando se tratava
do crime de lesa-majestade, com indícios frágeis para se iniciar o processo, a forte
presença de tortura e de falsos delatores, e a incapacidade do acusado de se defender.
Essa falha processual é algo recorrente na sociedade brasileira. Baseando-se na
proteção dos “cidadãos de bem” e do Estado, é comum o caminho legal ser
desconsiderado nos mais diversos julgamentos, a exemplo de casos em que a se extrapolo
o máximo de dias que um acusado pode ficar prese sem ir a julgamento – algo recorrente
no sistema punitivo brasileiro ainda mais quando o indivíduo é de classe baixa – e da
Lava Jato onde áudios são vazados ilegalmente e as leis e jurisprudência do Brasil são
sistematicamente ignorados a ponto do TFR da 4° Região decidiu que a Lava Jato não
precisa seguir as regras dos “processos comuns”.
Os glosadores e comentadores decidiram que o crime de lesa-majestade, assim
como os outros, deveria passar por um processo de ressignificação para se adequar a
realidade medieval. A primeira mudança foi o consenso de que ele só poderia ser
cometido de baixo para cima na hierarquia, anulando aqui a característica romana de que
os magistrados e sacerdotes também o podem cometer.
Bartolo de Saxoferrato, um comentador, tentou criar um quadro em que as penas
para esse crime também fossem aplicadas aos tiranos, que ele considerava como
usurpadores do Estado, e por esse motivo mereceriam pena de morte.
Tomás de Aquino considera, por sua vez, a sedição contra um tirano legítima pois
não se trata de uma verdadeira sedição. Nessa situação quem verdadeiramente comete
esse crime é o tirano que oprime o povo para manter sua dominação.
Durante esse período poucos foram os desenvolvimentos na legislação. As
maiores foram feitas por Afonso X, El Sábio, que com o Fuero Real começou a
centralização dos poderes políticos na mão do rei e com a Partida Segunda criminalizou
a difamação do monarca.

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Na Inglaterra ocorreu um aumento no núcleo conceitual do crime de “alta traição”
o que implicou na necessidade de uma maior interpretação na hora de aplicar a punição,
o que apenas demostrou que ela nem sempre é “(...) compatível com os interesses da
segurança individual dos súditos de Sua Majestade. ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p.103).
No direito canônico a lesa-majestade divina passou a ter grande influência no
direito temporal a ponto de, por meio de um decreto papal – Vergentis in senium – a
blasfêmia, o sacrilégio e outras opiniões consideradas heréticas pelos tribunais do Santo
Ofício passaram a ser consideradas como crime de lesa-majestade.

3.5 – A CONCLUSÃO DE UM ITINERÁRIO NO ANCIEN RÉGIME


No alvorecer da Idade Moderna, o crime de lesa-majestade ainda era uma figura
dividida entre o divino – heresia, magia e sacrilégio – e o humano – crimes contra a pessoa
do soberano – sendo a última subdividida em atentado direto e indireto.
A França com a sua monarquia absolutista procurou legitimar o rei como soberano
por graça e vontade divina. Essa estratégia provou-se eficaz e o atentado ao corpo do rei
passou a ser considerado sacrilégio sendo a punição para tal crime a pena de morte. O
direito a resistência passa por uma fase obscura na qual os cidadãos são aconselhados a
usar a paciência e não a força contra qualquer que seja a conduta do soberano.
As doutrinas absolutistas tiveram grande influência sobre o crime de lesa-
majestade, acarretando em um progressivo alargamento na definição desse delito. Jean
Dumat resolve “nadar contra a maré” e passa a afirmar que a definição deve ser mais
restrita e crimes como organização de assembleias ilícitas, monopólio, falsificação de
dinheiro não devem mais se enquadrar em tal delito. Porém, Dumat foi uma exceção à
regra.
O processo continuou sendo fragilizado e a tortura continuou legalizada, sendo
que ela poderia ser utilizada em qualquer tipo de pessoa, “(...) independentemente de
idade e condição (...) ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p. 127).
A legalização, mais uma vez, de tal comportamento deixou profundas marcas na
história do direito penal e consequentemente no imaginário coletivo. Ainda hoje, a tortura
continua sendo utilizada como método legítimo de obtenção de informações, ainda que
na maioria das vezes de forma subjetiva, porém é de conhecimento comum. A Prisão de
Guantánamo é um grande exemplo tanto da legalização da tortura quanto do
conhecimento geral dela. Já no Brasil, a legitimação muitas vezes ocorre de forma
subjetiva. A polícia brasileira tem forte influência do período de ditadura militar, de tal

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forma que ela é extremamente violenta e a população, na sua grande maioria, só enxerga
esse modelo como o possível. Devido ao seu caráter violento, a tortura psicológica e física
é usada diversas vezes, e é tão de conhecimento geral que um dos filmes de maior sucesso
nacional, “Tropa de Elite” (2007), aborda esse assunto baseando-se num relato
bibliográfico e de forma bem clara. Em ambos os casos, há uma grande parcela da
população dos dois países, que legitima e “aplaude” tal atitude.
A punição nesse período se estendia ao cadáver, à mãe, aos filhos. Michel
Foucault descreve quase com uma satisfação doentia, quais as penas corporais que
deveriam ser infringidas.
O crime de lesa-majestade foi utilizado como um grande e importante instrumento
para manter a ordem e a hierarquia do Antigo Regime.

3.6 – O CRIMEN LAESAE MAIESTATIS NAS ORDENAÇÕES


PORTUGUESAS ENTRE MEDIEVO E MODERNIDADE
O sistema punitivo português era um confuso emaranhado de regras severas e
punições cruéis que na maioria das vezes não eram aplicadas. O grande objetivo era usar
o terror como prevenção, característica que influenciou grandemente a cultura penal luso-
brasileira.
O crime de lesa-majestade foi comparado com a lepra no imaginário popular,
fazendo com que o infrator fosse isolado da comunidade, a exemplo da Grécia Antiga.
Era separado em primeira cabeça – atentado direto contra o rei, cuja punição era a
execução pública por meio de tortura – e em segunda cabeça – afronta à imagem do rei,
com castigos corporais mais leves como punição.
A Inconfidência Mineira, que foi tratada severamente pela Coroa Portuguesa, é
um exemplo da manipulação do governo. A fim de criar um sentimento patriota, o
Governo Vargas procurou mitificar tal revolta para criar heróis nacionais.
Essa necessidade de criar símbolos nacionais através da manipulação histórica,
com o passar do tempo cria apenas uma inconstância e um sentimento de instabilidade
histórica, uma vez que os heróis nacionais mudam a cada governo.
A política penal de punição severa como exemplo e agilidade nos processos
quando se trata de crime contra o Estado, tem um histórico de erro maior do que de acerto
no Brasil, a exemplo do caso do Domingo da Silva Lisboa, detido e morto por ter uma
caligrafia semelhante com o culpado. Aqueles culpados durante determinado governo

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passam por um processo de anulação de culpa com o fim do governo, sendo mais uma
peça da manipulação exercida por ele.

4 – A TRANSFIGURAÇÃO DE UM DELITO
4.1 – CONTESTAÇÕES ILUMINISTAS: MONTESQUIEU, BACCARIA,
MARAT
O Iluminismo questiona tanto o caráter divido dado ao rei quanto a repressão
exercida por ele. Devido essa contestação a noção e a punição de determinado delito
sofrem um considerado recuo.
Para Mostesquieu era necessário uma pena moderada mas certa para uma maior
eficiência. Critica o abuso do conceito realizado pelos governantes, a punição do
“pensamento” desconexo com o ato, tenta resgatar o direito a crítica do cidadão ao
soberano. Beccaria prefere a prevenção à punição. A crítica principal de Beccaria ao
creme de lesa-majestade se concentra no fato desse delito ser instituído por “(...) governos
tirânicos e regidos pela ignorância. ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p. 168); e a punição para
tais crimes deve ser a pena de morte.
Já Marat “(...) legitima os indivíduos ‘(...) que não obtêm da sociedade mais do
que desvantagens’ a não se submeter às leis. ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p. 172). Faz um
feroz ataque ao Antigo Regime e sua estratégia de utilizar o crime contra a pátria como
forma de retirada de liberdade. Tinha seis categorias de crimes que considerava que
deveriam ser regulados pela legislação comum:

“(...) A primeira categoria (...) ‘os escritos contra o príncipe’ (...). A segunda
categoria (...) ‘reclamações contra o príncipe e a resistência às suas ordens’ (...).
A terceira (...) ‘atentados contra a vida do príncipe’ (...). A quarta (...) ‘à alteração
de moedas’ (...). A quinta (...) ‘a fabricação de moedas falsas’ (...). A sexta (...) ‘à
deserção’ (...). ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p. 175-176-177-178-179-180)

A sua estratégia era esvaziar o conceito desse delito para que ele se desmanchasse
sobre si mesmo.

4.2 – A RÉVOLUTION QUE FAZ A TRANSFIGURAÇÃO


“O tempo de puni-los deve ser somente aquele de reconhece-los: trata-se menos
de julgá-los e mais de destruí-los. ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p. 198).

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A Revolução Francesa foi um laboratório de testes para soluções viáveis. O
regime do Terror criou u novo delito: crime contra a segurança do Estado. Através da
criação do Comitê de Vigilância Geral e do Tribunal Criminal Extraordinário foi
instituído um regime de exceção em que eles eram os mecanismos de repressão política.
No Tribunal as sentenças eram opostos estremos: absolvição ou guilhotina. Foram
cometidos crimes terríveis em nome da liberdade e da Revolução.
A Lei dos Suspeitos, que agilizou os processos judiciário e ampliou a noção do
delito, tinha presente a noção de Rousseau de o cidadão tinha que ter papel ativo na
comunidade, porém o descumprimento tinha consequências extremas. Limitava cada vez
mais os direitos dos acusados e acabava com a presunção de inocência.
O decreto “Definição oficial do suspeito”, além de cumprir com o que propõe seu
título também lança as bases para a burocracia do controle dos ditos suspeitos. Tudo
passou a ser permitido para aqueles que agiam em nome da Revolução.
Em nome da liberdade e da Revolução, foram cometidos crimes tão cruéis quanto
os do Antigo Regime. É esse o perigo do poder absoluto: ele pode facilmente deturpar o
objetivo principal. Os revolucionários estavam tão cegos de desejo de acabar com o
absolutismo e seus abusos que tomaram atitudes tão cruéis quanto o regime antigo. Isso
também pode ser observado tanto nas revoluções comunistas, como a cubana e a russa,
que ficaram iguais aos regimes que lutaram contra, como nas ditaduras militares latino-
americanas do século XX que lutaram contra o comunismo e seus horrores e acabaram
por cometer atrocidades eles próprios.
Os filhos passaram a ter o dever de delatar os pais, assim como os amigos tinham
esse dever entre si. Essa característica prevalece na atualidade no patriotismo norte-
americano que coloca, assim como a França revolucionária, a pátria antes do sangue.
O Estado passou por uma santificação, era ele o novo deus que precisava ser
protegido a todo custo e que estava acima de todos. Na negação constante da interferência
da Igreja fez-se a política a nova religião.
A exigência da escolha entre a “liberdade” e a morte tem semelhança com o slogan
ditatorial “Brasil: ame-o ou deixe-o” numa escala, a princípio, não tão drástica, porém se
o exílio voluntário não ocorresse a pena era a perseguição, tortura e possivelmente a
morte.
A justificativa de que quando os casos eram julgados “revolucionariamente” as
regras do direito comum não precisariam ser respeitadas faz-se presente, como dito
anteriormente, nos processos da Lava Jato, em que a revolução é a “limpeza política”.

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O crime de lesa-majestade é substituído pelo de lesa-república.

5 – O SINUOSO PERCURSO NA RESSIGNIFICAÇÃO DE UM


DELITO
5.1 – O CODE PÉNAL DE NAPOLEÃO
Napoleão tinha objetivos precisos, alinhados tanto com as necessidades do país
quanto com suas ambições pessoais. O código penal de 1810 é um marco das políticas
penais com matriz liberal. A nova legislação era extremamente severa e a pena era usada
como forma de intimidação era dada através de um impressionante ritual. A pena de morte
era vista como a única maneira de intimidar “almas duras”. Os delitos contra a segurança
do Estado eram considerados os mais graves e a legislação tanto ampliou a noção desse
delito quanto aumentou a severidade das penas, reapareceu a “morte civil” e o confisco
de bens.

5.2 – A ESCOLA CLÁSSICA E A REJEIÇÃO DE FRANCESCO


CARRARA
Ambas as escolas “(...) desconsideraram a conotação criminosa e a periculosidade
de atos assim configurados. ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p. 211).
Francesco Carrara orientava a sempre questionar e negar a conotação “criminal”
e a periculosidade atribuída às lutas políticas. Ele ajudou a formar, no imaginário coletivo,
que o indivíduo que comete tal crime é revestido de responsabilidades com a vida política.
Essa característica é especialmente atribuída para o descumprimento interno das leis, e
não quando um estrangeiro ameaça o Estado. Porém, o indivíduo só é assim reconhecido
pelas camadas mais esclarecidas da população interna e irá encontrar tal reconhecimento
principalmente fora do seu país, a exemplo dos militantes brasileiros que resistiram à
ditadura militar.

5.3 – A ESCOLA POSITIVA E O DELITO POLÍTICO: ENTRE CESARE


LOMBROSO E RAFFAELE GAROFALO
A Escola Positiva propõe uma alternativa à Escola Clássica, ela não romantiza tal
delito. Sugere que o foco do direito penal deve ser o indivíduo e não o delito. As
características do indivíduo que o fariam cometer crimes seriam congênitas, é o
determinismo biológico.

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Apesar de tal teoria já ter sido refutada, a polícia brasileira ainda se utilizada dela.
O determinismo biológico está intimamente ligado ao preconceito, algo muito presente
na sociedade brasileira e consequentemente na sua polícia. Fatos como a abordagem,
numa situação de risco, de negros primeiro deriva desse tipo de teoria que por sua vez
deriva do racismo. Cesare Lombroso era um grande defensor de tal pensamento.
A causa dos crimes seria a fragilidade da moral dos indivíduos.
A forma como o Estado se relaciona com a sociedade deveria ser analisada para
compreender os delitos, segundo tal escola. A falta de nacionalidade também seria uma
das causas / agravante para o crime de lesa-república.

5.4 – CÓDIGOS E LEGISLAÇÕES PENAIS DE TRADIÇÃO


AUTORITÁRIA: A ITÁLIA FASCISTA E A ALEMANHÃ NAZISTA
5.4.1 – A Itália Fascista
O Estado foi colocado acima de qualquer indivíduo ou interesse pessoal, e é
apresentado como um organismo vivo, como suas próprias necessidades e fins. Portanto,
o direito de punis do fascismo, segundo Rocco, se baseia no direito de conservação e de
defesa do Estado, que está acima de todo e qualquer direito dos indivíduos.
Foram instituídos tribunais de exceção, nos quais não havia o direito de apelação
e a pena de morte se fazia presente. O Código de Rocco foi vigente na Itália mesmo anos
após a queda do fascismo e implantou “(...) um binômio inseparável entre soberania do
Estado e liberdade dos cidadãos (...) ” (DAL RI JÚNIOR, Arno, p. 240) no imaginário
coletivo, que se pode perceber presente nos dias de hoje em que Estados fortes são vistos
como a solução para que sempre haja liberdade.
O Código de Rocco também passou a interferir em questões mais particulares,
como o aborto por considerar dever do Estado garantir a continuidade da “estirpe”. Tal
noção continua presente apesar de agora cercado por outros conceitos como o de defesa
do feto. A intervenção na escolha da mulher mostra como o Estado exigia controle sobre
todos os aspectos da vida de seus cidadãos, e como ainda exige.

5.4.2 – A Alemanha Nazista


A Escola de Kiel pregava que o direito penal deveria ser o sentimento do Führer,
enquanto que o direito antigo servia apenas para proteger delinquentes. Autoriza o recurso
do “são sentimento do povo” para criar leis e justificar condenações.

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Essa característica, surpreendentemente, se faz presente no Brasil atual. Quando,
no processo de “impeachment” da presidenta Dilma Rousseff os parlamentares
justificaram seus votos “por Deus, pela família brasileira, pela moral” eles colocaram o
“são sentimento do povo” acima da lei posta.
A fidelidade do povo era extremamente importante e o crime de lesa-república
violava essa fidelidade e o indivíduo que o comete, por essa violação, sai da comunidade.
Aqui, também, o interesse da comunidade é colocado acima do interesse individual. A
questão judaica foi extremamente forte na Alemanha nazista, chegando a ser afirmado
que “(...) a contaminação racial é um crime pior do que o assassinato. ” (DAL RI JÚNIOR,
Arno, p. 260). Os judeus passaram a ser pessoas sem o status de sujeito de direito e,
portanto, sem direitos e apenas obrigações.

5.5 – O SISTEMA PENAL BRASILEIRO: O CÓDIGO PENAL DE


NELSON HUNGRIA E A LEI DE SEGURANÇA NACIONAL
Da proclamação da República até 1935, os crimes contra a segurança do estado
eram regulamentados pela mesma legislação que os crimes comuns, e não havia casos em
que a pena de morte era prevista.
Com a ascensão de Vargas, o Código Penal de 1940 de Nelson Hungria, que tinha
uma forte influência fascista e nazista, e a Lei de Segurança Nacional esses delitos foram
transferidos à outra legislação com o abandono das garantias processuais. Foi instituído,
como todo período de repressão, um tribunal de exceção (Tribunal de Segurança
Nacional) encarregado dos crimes políticos. A pena de morte reaparece como punição
legalizada.
Há um grande controle dos estrangeiros por serem considerados ameaças em
potencial, chegando ao ponto deles serem proibidos de usar a língua materna. O governo
Vargas deu ao inimigo externo um novo perfil: todo homem e mulher de Estados inimigos
e que estão aqui estabelecidos. Esse medo de imigrantes está voltando para a sociedade
brasileira devido ao medo constante de terrorismo que é constantemente relacionado com
os mulçumanos. Tal medo se faz presente em vários outros países. Nos EUA, o receio
aos imigrantes, principalmente aos latino-americanos, é anterior à “ameaça islâmica”. O
medo norte-americano é fundado no receio de “perder” o emprego para essas pessoas e
de vê-las “lotando” seus serviços. Esse medo atingiu grande manifestação com a recente
vitória de Donald Trump para a presidência dos EUA que tem como proposta a construção
de um muro na fronteira com o México.

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No regime militar a Escola Superior de Guerra se inspirou na doutrina
estadunidense pós-guerra, que era baseado no combate ao comunismo. A doutrina de
segurança nacional exigia um Estado forte para garantir a segurança interna. A lacuna
nessa doutrina está na imprecisão do conceito de “segurança nacional”, o que permite
uma grande manipulação de governos ditatoriais, que foi exatamente o que aconteceu.
Após a flexibilização dos anos 80, uma nova Lei de Segurança Nacional foi feita
seguindo a flexibilização da época e é bem diferente da velha, que “(...) fazia constante a
confusão entre criminalidade comum e criminalidade política. ” (DAL RI JÚNIOR, Arno,
p. 294).

5.6 – O SÉCULO XXI E OS NOVOS INIMIGOS DA SEGURANÇA DO


ESTADO
O terrorismo internacional é o inimigo político desse século. O processo de
construção dessa imagem no imaginário coletivo ocorreu, de maneira mais intensa, após
o 11 de setembro. Os ataques mais a manipulação midiática construíram uma sensação
de medo constante ideal para que leis severas e de exceção sejam feitas.
O Patriot Act dos EUA impõe regras severíssimas aos estrangeiros, colocando-os
em uma situação que podem perder a qualquer momento seus mais fundamentais direitos.
Ele acaba com a presunção de inocência.
No Brasil, percebe-se um movimento que aniquila essa presunção em seus
próprios cidadãos. No sistema punitivo, cabe ao cidadão provar sua inocência,
principalmente aqueles vítimas do determinismo biológico da polícia e do judiciário
brasileiro.
O Military Order estabelece tribunais de exceção reservados aos estrangeiros. Já
o Patriot Act II é um projeto de lei que “vazou” e que era mais rígido do que as outras
duas leis. Os opositores questionam se essas leis não agem de forma selecionada com a
intenção de “(...) aniquilação individual desses na condição de sujeitos de direito. ” (DAL
RI JÚNIOR, Arno, p. 320).
A tortura e o tratamento ilegal são de conhecimento do público, entretanto muitos
indivíduos consideram essas atitudes necessárias a segurança de seu país.
Na Europa, foi, também, a partir do 11 de setembro que as políticas públicas contra
o terrorismo começaram a se desenvolver, com uma diferença essencial dos EUA: o
terrorismo continua a ser regulamentado na legislação penal comum.

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A União Europeia desenvolveu uma estratégia comum, a Posição Comum
“Política Exterior e de Segurança Comum”. O problema para a implantação de tal medida
em totós os países é que ela precisa ser aprovada por cada parlamento. Nos Estados-
membro, devido a presença de grupos terroristas internos, há a relativização do terrorista
ser exclusivamente islâmico. Em países como a França em que grande parcela da
população é mulçumana, medidas extremas não conseguem ser aprovadas.
Porém, tal situação parece estar mudando devido à recentes ataques ao país por
grupos fundamentalistas islâmicos. A xenofobia está crescendo e partidos que pregam
medidas radicais estão ganhando força entre a população.
A Inglaterra aprovou o Prevention of Terrorism Act, o qual dá autorização para o
governo deter cidadãos britânicos e estrangeiros por tempo determinado e sem que aja
acusação formal.
A Itália esteve durante um período sobre o governo de Silvio Berlusconi, que tem
coalizão com partidos xenofóbicos e neonazistas, que estava tentando criar um clima de
terror para aprovar medidas extremas.
A Rússia, apesar de ser um contexto diferente, teve o mesmo êxito que os Estados
Unidos na criação do terrorista-islâmico no imaginário popular.

6 – ALGUMAS NOTAS (IN-)CONCLUSIVAS SOBRE UM


FENÔMENO EM CONTÍNUA TRASFIGURAÇÃO
O autor conclui a obra de uma maneira que ela continua em aberto devido ao fato
desse delito estar em constante transfiguração e ressignificação.

7 – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Foi possível perceber a constante presença da pena de morte como punição aos
crimes contra o Estado. Esse delito é considerado por toda a história do direito penal como
um dos mais graves, se não o mais grave de todos, porém ele é utilizado quase sempre
como instrumento de manipulação das massas e de manutenção do poder. O respaldo
legal para punições desse delito, é sempre um caminho para os abusos de poder.
Com uma obra bem estruturada, o autor cumpre a sua proposta básica de analisar
e trazer a construção doutrinal dos crimes políticos na história da cultura jurídica através
do crime contra o Estado. O Autor faz grande uso de exemplos que ajudam a ilustrar as

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épocas analisada. De um modo geral, é um excelente livro para uma análise histórica do
direito através do direito penal.

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