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ESCOLA SECUNDÁRIA DE SANTIAGO DO CACÉM

Apontamentos de
Electrónica
Ensino Secundário Unificado
1981 a 1983
Área Vocacional – Cientifico-Tecnológicos: Electrónica

O aluno Manuel Cândido Calado


Transcrição na íntegra de textos dos autores ou adaptação dos mesmos. O trabalho
apresenta-se “tal como está” e aconselha-se discernimento por parte do leitor, bem como
consulta de outras fontes.
Alguns dos autores originais poderão não ser mencionados por se ter perdido a referência
aos mesmos – com pena minha.
Utilizei algumas imagens disponíveis na Net... Se alguma parte deste trabalho se mantiver
sob direitos de autor, comuniquem-me para que a retire – veja contacto abaixo - ou caso seja o
detentor desses direitos pode simplesmente optar por manter o trabalho como está devido á
natureza puramente didáctica do mesmo.
De igual forma, agradeço a comunicação de falhas e erros para que possam ser corrigidos.

Apontamentos e Sebentas Individuais – Manuel Cândido Calado


Calado15@hotmail.com

1
ESCOLA SECUNDÁRIA DE FONSECA DE BENEVIDES

ELECTRICIDADE GERAL

9.º Ano Unificado – Electrotecnia


Cursos Gerais de Electricidade

1.ª e 2.ª partes


1979
Por: Eng.º. João Reis

2
Índice

FICHA 1 – PERIGOS DA ELECTRICIDADE .................................................................... 1


FICHA 2 – A CONSTITUIÇÃO DA MATÉRIA E A ELECTRICIDADE ................................. 3
2.1 Constituição da matéria................................................................................. 3
2.2 Constituição do átomo. .................................................................................. 3
2.3 Ionização ........................................................................................................ 4
2.4 Geração de corrente eléctrica ....................................................................... 5
2.5 Electrostática ................................................................................................. 5
FICHA 3 – O CIRCUITO ELÉCTRICO ........................................................................... 8
3.A – Geradores ................................................................................................... 9
3.B – Condutores ................................................................................................. 9
3.C – Receptores ................................................................................................ 10
3.D – Órgãos de manobra ................................................................................. 10
3.E – Órgãos de protecção ................................................................................ 11
3.F – Aparelhos de medida ................................................................................ 12
FICHA 4 – O POTENCIAL OU TENSÃO ELÉCTRICA ................................................... 13
4.1 Unidades ...................................................................................................... 14
4.2 Aparelho de medida ..................................................................................... 14
FICHA 5 – A CORRENTE ELÉCTRICA ....................................................................... 15
5.1 Efeitos da corrente eléctrica ........................................................................ 15
5.2 Aparelho de medida ..................................................................................... 16
5.3 Unidade industrial de carga eléctrica ......................................................... 17
FICHA 6 – RESISTÊNCIA ELÉCTRICA ........................................................................ 18
6.a) Noção de resistência................................................................................... 18
6.b) Factores de que depende a resistência ....................................................... 18
6.c) Noção de condutividade ............................................................................. 19
6.d) Variação da resistência com a temperatura .............................................. 20
6.e) Aparelho de medida .................................................................................... 21
6.f) Tipos de resistências ................................................................................... 21
FICHA 7 – LEI DE OHM APLICADA A UMA RESISTÊNCIA ........................................... 22
7.1 Noção de queda de tensão ........................................................................... 22

iii
7.2 Lei de Ohm generalizada ............................................................................. 23
FICHA 8 – LEIS DA ASSOCIAÇÃO DE RESISTÊNCIAS .................................................. 26
8.1 Associação série: ......................................................................................... 26
8.2 Associação em paralelo: .............................................................................. 26
8.3 Associação mista: ........................................................................................ 27
FICHA 9 – LEIS DE KIRCHOFF .................................................................................. 28
9.1 Lei das malhas ............................................................................................. 29
9.2 Lei dos nós ................................................................................................... 29
9.3 Convenções a respeitar para escrita das equações ..................................... 29
FICHA 10 – PILHAS ELÉCTRICAS .............................................................................. 31
10.1 Polarização da pilha .................................................................................. 31
10.2 Princípio de funcionamento da pilha......................................................... 31
10.3 Constantes de uma pilha ............................................................................ 32
10.4 Pilha de Leclanché..................................................................................... 33
10.5 Pilha de líquido imobilizado ou pilha seca ............................................... 34
10.6 Associação de pilhas .................................................................................. 34
FICHA 11 – ACUMULADORES .................................................................................. 37
11.1 Acumuladores ácidos – acumuladores de chumbo ................................ 37
11.2 Acumuladores alcalinos – acumulador de níquel-cádmio (NiCad). ...... 40
FICHA 12 – ENERGIA E POTÊNCIA ELÉCTRICA ......................................................... 44
12.1 Noção geral de força, energia e potência.................................................. 44
12.2 Momento de uma força .............................................................................. 44
12.3 Rendimento ................................................................................................ 45
12.4 Energia e potência eléctricas .................................................................... 45
121.5 Efeito térmico da corrente eléctrica. Lei de Joule................................... 46
12.6 Unidades práticas de energia eléctrica ..................................................... 47
12.7 Aplicações práticas do efeito de Joule ...................................................... 47
12.8 Protecção dos circuitos contra o efeito de Joule ....................................... 48
FICHA N.º 13 – MAGNETISMO .................................................................................. 53
13.1 Ímanes ........................................................................................................ 53
13.2 Pólos magnéticos ....................................................................................... 53
13.3 Magnetismo terrestre ................................................................................. 53
13.4 Lei da atracção e repulsão magnéticas – Lei de Coulomb........................ 54

iv
13.5 Campo magnético. Linhas de força. Espectro magnético. Intensidade do
campo magnético. Força magnetomotriz. .............................................................. 54
13.6 Indução magnética. Permeabilidade magnética. Fluxo magnético.
Unidades. ................................................................................................................ 55
13.7 Magnetização por influência. Magnetismo remanescente ........................ 56
13.8 Teoria molecular do magnetismo .............................................................. 57
FICHA 14 – ELECTROMAGNETISMO. ........................................................................ 58
14.1. Campo magnético produzido por uma corrente ....................................... 58
14.2. Solenóides. Características do seu campo magnético. ............................. 59
14.3. Curva de magnetização do ferro .............................................................. 59
14.4. Electroímans – constituição e aplicações ................................................. 60
14.5. Forças electromagnéticas ......................................................................... 60
14.6. Relés .......................................................................................................... 61
14.7. Campainhas .............................................................................................. 63
14.8. Aparelhagem de comando ........................................................................ 64
14.9. Noções gerais sobre circuitos magnéticos................................................ 64
FICHA 15 – INDUÇÃO ELECTROMAGNÉTICA ............................................................ 68
15.1. Lei de Faraday ou lei fundamental da indução ........................................ 68
15.2. Sentido da f.e.m. induzida. Lei de Lenz. Expressão da f.e.m. induzida .... 68
15.3. Lei da indução .......................................................................................... 69
15.4. Correntes de Foucault .............................................................................. 70
15.5. Auto-indução ............................................................................................ 71
15.6. Coeficiente de auto-indução ..................................................................... 72
15.7. Utilização das correntes de Foucault. ...................................................... 72
FICHA 16 – ESTUDO DAS FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS ........................................... 73
FICHA 17 – INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE GRANDEZAS ALTERNADAS SINUSOIDAIS 75
17.1. Geração de uma corrente alternada .................................................. 75
17.2. Período ou ciclo. Frequência. ............................................................ 77
17.3. Representação gráfica de uma grandeza alternada. .......................... 77
17.4. Valor eficaz da tensão e corrente ....................................................... 78
17.5. Comparação dos efeitos da corrente continua e da corrente alterna 79
17.6. Estudo dos condensadores. ....................................................................... 80
17.6.1 – Construção de um condensador. ......................................................... 80

v
17.6.2 – Fundamentos de um condensador. ...................................................... 80
17.6.2.1 – Comportamento em corrente contínua. ............................................ 80
17.6.2.2 – Intensidade de campo eléctrico e tensão de disrupção. Rigidez
dieléctrica. .............................................................................................................. 81
17.6.2.3 – Capacidade de um condensador ....................................................... 82
17.6.2.4 – Capacidade de um condensador de armaduras planas .................... 82
17.6.3 – Carga e descarga de um condensador. Constante de tempo ............... 83
17.6.4 – Associação de condensadores ............................................................. 85
17.6.5 – Unidades de capacidade (S.I.) e submúltiplos ..................................... 86
17.6.6 – Tipos de condensadores industriais mais usuais ................................. 86
17.7. Noção de impedância................................................................................ 88
17.8. Desfasagem entre tensão e corrente ......................................................... 88
17.9. Estudo de um circuito só com resistência óhmica pura em c.a. ............... 89
17.10. Estudo de um circuito contendo só uma bobina (circuito indutivo puro)
................................................................................................................................ 90
17.11. Estudo de um circuito capacitivo puro ................................................... 91
17.12. Estudo do circuito R-L série ................................................................... 92
17.13. Estudo do circuito R-C série ................................................................... 94
17.14. Estudo do circuito R-L-C série ............................................................... 95
17.15. Considerações gerais sobre circuitos em derivação. ............................. 97
17.16. Potência em corrente alterna ................................................................. 99
FICHA 18 – TRANSFORMADORES ........................................................................... 102
18.1 – Função dos transformadores ................................................................ 102
18.2 Construção e funcionamento dos transformadores ................................. 104
18.3 Relação U-I-N de um transformador. Relação de transformação. ......... 105
18.4 Reversibilidade dos transformadores ...................................................... 106
18.5 Perdas de um transformador ................................................................... 106
18.6 Rendimento de um transformador ........................................................... 107
FICHA 19 – GENERALIDADES SOBRE APARELHOS DE MEDIDA ............................... 108
19.1 Tipos de aparelhos de medida quanto à construção ............................... 108
19.2 Diferença entre amperímetros e voltímetros ........................................... 112
19.3 Resistências adicionais ou shunts ............................................................ 113
19.3.1 Factor multiplicativo do shunt .............................................................. 113

vi
19.4 Classe de precisão de um instrumento de medida ................................... 115
19.5 Tensão de prova de um instrumento de medida ...................................... 116
19.6 Zona de leitura e precisão de medida ...................................................... 116
19.7 Diferença entre precisão de medida e precisão de leitura ...................... 117
19.8 Ohmímetros .............................................................................................. 117
19.9 Wattímetros .............................................................................................. 118
Simbologia dos aparelhos de medida .............................................................. 119
1. Tipos de aparelhos quanto à construção.................................................. 119
2. Simbolos de classe .................................................................................... 119
3. Tipos de corrente ...................................................................................... 119
4. Posição dos aparelhos .............................................................................. 120
5. Tensão de prova ....................................................................................... 120
Bibliografia ...................................................................................................... 121
Nota final do autor........................................................................................... 121

vii
Electrotecnia – 9.º Ano Unificado

Ficha 1 – Perigos da Electricidade


A Electricidade é, como sabemos uma forma de energia extremamente importante.
No entanto, dadas as suas características ela envolve perigos para o Homem, a maior
parte o quais comporta riscos mortais.
Se analisarmos os efeitos da corrente eléctrica sobre o corpo humano verificamos
que uma corrente de 20 mA pode provocar a morte por asfixia ao fim de 3 a 4 minutos
de contacto, se entretanto não for cortada. Uma corrente de 80 mA pode provocar a
morte por fibrilação ventricular (destruição do músculo cardíaco).
Para prover à protecção das pessoas contra choques eléctricos existem Normas de
Segurança que devem ser escrupulosamente respeitadas, mesmo que, à primeira vista
nos possam parecer excessivas. O caso é que nunca ninguém morre de precauções
excessivas, mas sim de falta de cuidado.
A protecção Contra choque eléctricos envolve duas situações diferentes:
1) Contactos directos – em que a pessoa (ou mesmo qualquer animal) toca numa
peça metálica (condutor eléctrico) que está sob tensão.
2) Contactos indirectos – em que há contactos com peças metálicas que deviam estar
sem tensão mas que, por defeito de isolamento ou qualquer contacto acidental estão sob
tensão.
Os principais meios de protecção contra contactos acidentais são:
- Duplo isolamento – que se representa pelo símbolo que encontramos nos
pequenos electrodomésticos de uso em meios húmidos (batedeiras, máquinas
de barbear, etc.).
- Baixa tensão de funcionamento – por exemplo em instalações de navios e em locais
permanentemente húmidos.
- Ligação à Terra de todas as carcaças metálicas – máquinas eléctricas, máquinas-
ferramentas, etc.
Voltando ao problema dos efeitos da corrente eléctrica no corpo humano, devemos
constatar os seguintes:
A pele humana, quando bem seca oferece uma resistência extremamente elevada à
passagem da corrente entre uma mão e outra (cerca de 5000Ω). No entanto quando

1
temos as mãos molhadas a sua resistência pode anular-se completamente e fica apenas a
resistência do corpo a opor-se à passagem da corrente (cerca de 750Ω).
Outro facto de que depende o efeito do choque eléctrico diz respeito ao estado de
espírito ou humor momentâneo do indivíduo (alegria, tristeza, depressão, etc.).

2
Ficha 2 – A constituição da Matéria e a Electricidade

2.1 Constituição da matéria


A matéria, embora pareça á primeira vista compacta, não o é. Com efeito se
tomarmos uma porção de uma determinada substância (por exemplo de água – H2O) e a
formos dividindo em partes cada vez mais pequenas, chegaremos a uma porção
extremamente pequena que é a molécula. Esta é a mais pequena porção em que se pode
dividir uma substância e na qual ainda se verificam as propriedades da mesma.
Entre as várias moléculas da substância existe um espaço chamado espaço inter-
molecular.
Por sua vez as moléculas são constituídas por um ou mais átomos. No caso da
molécula de água verifica-se que ela tem três átomos, dois de hidrogénio e um de
oxigénio.

2.2 Constituição do átomo.


Os átomos são quimicamente indestrutíveis e constituídos da seguinte forma:

 Neutrões - carga eléctrica neutra


Núcleo central 




Protões - carga eléctrica positiva
Note-se que o átomo pode ser dividido por métodos físicos
nas chamadas reacções atómicas.
Os electrões giram em órbitas elípticas à volta do núcleo,
como mostra a figura seguinte:
Os electrões distribuem-se por camadas que têm a
nomenclatura indicada no quadro que se segue. O número de
electrões por camada determina-se pela expressão: 2.n2 em que
n é a ordem da camada (1.ª camada, n=1, etc.)
1.ª Camada K n=1 2 Electrões
2.ª Camada L n=2 8 Electrões
3.ª Camada M n=3 18 Electrões
4.ª Camada N n=4 32 Electrões
... ... ... ...

3
Como será estudado mais tarde em química verifica-se ainda uma condição que é a
seguinte: a última camada do átomo nunca pode apresentar mais de 8 electrões, pelo
que, se feita a distribuição dos electrões por várias camadas isso acontecer, a camada vai
desdobrar-se em várias sub-camadas.
Exemplo: o potássio (K), no estado neutro apresenta 19 electrões. Façamos a
distribuição electrónica por camadas: K (2) – L (8) – M (9).
Então, seguindo o que foi exposto será: K (2) – L (8) – M (8-1).
No que diz respeito ao peso dos constituintes dos átomos deve salientar-se que a
massa de uma partícula do núcleo é cerca de duas mil vezes a massa de um electrão.

2.3 Ionização
Na maior parte dos casos os átomos das várias substâncias não têm a última camada
completamente preenchida. Com efeito duas situações podem ocorrer:

1.ª) Existem poucos electrões na última camada, como é o caso dos metais e os
átomos perdem-nos com facilidade.
2.ª) Existem muitos electrões na última camada, ou seja, ela está quase completa
(faltam 1 ou 2 electrões) e os átomos tendem a capturar os que lhes faltam para
completá-la.
As substâncias que estão no primeiro caso são boas condutoras de electricidade; as
que estão no segundo caso são más condutoras ou isolantes.
Quando um átomo perde um ou mais electrões da última camada (1.º caso), deixa de
ser neutro e passa a ficar com carga eléctrica positiva (excesso de protões). Obtém-se
assim um ião positivo ou catião.
Quando ganha um ou mais electrões (2.º caso), passa a ficar com carga negativa
(excesso de electrões). Obtém-se assim um ião negativo ou anião.
Um exemplo comum da ionização é o que acontece nas lâmpadas de néon, em que as
moléculas do gás são bombardeadas por cargas eléctricas que se deslocam no tubo a alta
velocidade e libertam electrões periféricos ficando o gás ionizado.
Devemos notar ainda que nos metais, mesmo sem influência eléctrica, devido á
pequena força eléctrica de atracção que prende os electrões da última camada ao átomo,
esses electrões encontram-se já soltos e vagueiam desordenadamente no seio do
material. Constituem a chamada nuvem electrónica.

4
2.4 Geração de corrente eléctrica
Os processos mais importantes de produção de corrente eléctrica são:
a) Fricção
b) Aquecimento
c) Químicos
d) Indução
e) Luminoso
f) Piezoeléctrico
Mais tarde desenvolveremos em pormenor o estudo destes
processos. Para já abordaremos apenas o primeiro, ao estudar o ponto +
+
+
seguinte que é a electrostática. + +
+
+

2.5 Electrostática Vidro

Se friccionarmos duas barras de matérias isolantes


diferentes (por exemplo vidro e ebonite) num pano de
lã vemos que elas ficam com cargas eléctricas
+
diferentes (a primeira positivas e a segunda +
+ -
+
negativas). Façamos então as experiências que as + -
+
- +
-
figuras seguintes ilustram: -
-
Vidro -
Se aproximarmos (sem tocar) a barra de vidro do
Ebonite

pêndulo carregado positivamente, há repulsão.


Se aproximarmos a mesma barra do pêndulo carregado
negativamente há atracção.
Se aproximarmos agora a vara de ebonite do pêndulo carregado
-
-
positivamente há atracção. -
- -
-
-
Se a carga do pêndulo for negativa vai haver repulsão.
Ebonite
A conclusão óbvia a tirar deste ensaio é a seguinte:
Cargas do mesmo sinal repelem-se.
Cargas de sinal contrário atraem-se.
Para além do pêndulo eléctrico utiliza-se também o duplo pêndulo e o electroscópio
para averiguar se um corpo está electrizado ou não.

5
O primeiro, como a figura ao lado mostra, é constituído por
duas bolas de sabugueiro suspensas de dois fios de seda.
Quando se toca num deles com uma barra carregada, as bolas
afastam-se (e tanto mais quanto maior for a carga da barra).
O segundo (electroscópio de folhas) é constituído por duas
folhas muito finas de ouro, prata ou estanho presas na
extremidade inferior por uma vara condutora, a qual termina
superiormente por um botão. Todo o sistema está metido num Em repouso Carregado

frasco e vidro.
Por exemplo, se tocarmos no botão com uma barra carregada
positivamente, as cargas comunicam-se às folhas e estas repelem-se e
afastam-se.

Lei de Coulomb (de atracção ou repulsão entre cargas eléctricas)


A força de atracção ou repulsão entre duas cargas eléctricas depende dos seguintes
factores:
- Distância entre as cargas
- Valor das mesmas
- Meio dieléctrico em que se encontram as mesmas
Através da expressão:
1 Q1  Q2
F 
4 d2

As grandezas e respectivas unidades são, no S.I.:


 - Constante dieléctrica do meio (Farad/metro)
Q1 ,Q2 - Cargas eléctricas (Coulomb)
d - Distância (m)

A constante dieléctrica de um meio representa a maior ou menor facilidade com que


os meios se deixam atravessar pelas linhas de força dos campos eléctricos criados pelas
cargas. No caso do ar (ou do vazio), é  0  8,87  10 12 F / m

6
O Poder das Pontas
Este efeito electrostático consiste na
acumulação de cargas eléctricas à
superfície dos condutores e muito
principalmente nas arestas e pontas Vidro

salientes dos mesmos. Então, se


carregarmos o condutor que a figura
mostra e colocarmos à sua frente uma vela acesa verificamos que a chama se inclina,
como se estivesse a ser soprada. Considera-se então que a forte acumulação de cargas
na extremidade aguçada do condutor provoca a saída de algumas e a formação de uma
espécie de “vento eléctrico”.
Uma aplicação deste efeito é o
pára-raios. Com efeito esta atracção
que as cargas têm pelas pontas ou
saliências dos condutores é
aproveitada, colocando nos telhados
das casas varas metálicas com a ponta
afilada e ligadas à terra por condutores
grossos, as quais atraem as faíscas
eléctricas. O condutor de ligação à
terra tem de ser suficientemente grosso
para descarregar com segurança as
fortes correntes transportadas pela
faísca.

7
Ficha 3 – O Circuito Eléctrico

Quando analisamos a expressão “circuito


eléctrico” temos a noção de que se trata de um
Diferença de
Bomba Turbina
caminho fechado percorrido pela corrente Potencial ou
nível
eléctrica.
Um esquema que nos permite compreender
o funcionamento de um circuito eléctrico é o
circuito hidráulico seguinte:
Pela análise deste circuito verifica-se que a bomba aspira água de um reservatório
inferior, fazendo-a passar para um reservatório superior.
É evidente que a água no reservatório superior fica com mais energia do que quando
estava a um nível mais baixo.
Acontece que a água aspirada sai pelo tubo lateral e na sua queda, acciona a turbina
comunicando-lhe uma parte da sua energia. Concluímos assim que, em qualquer
circuito há sempre trocas de energia entre os seus componentes.
Debrucemo-nos agora sobre os componentes do circuito hidráulico: existe uma
bomba ou gerador de energia, um caminho ou suporte (constituído pelos encanamentos)
para a circulação de água e um receptor para a energia transportada, durante a sua
circulação, que é a turbina. Estes são os elementos fundamentais de qualquer tipo de
circuito.
Vejamos então o que se passa num circuito eléctrico simples:
Verifica-se que, de modo
análogo ao que se passava no
circuito hidráulico, existe um
+
gerador, (que provoca uma Diferença de
nível eléctrico G Lampada
ou Potencial
diferença de potencial ou de -

nível eléctrico aos terminais do


circuito), um suporte material
para a circulação da corrente eléctrica, que é constituído por condutores eléctricos e um
receptor que é a lâmpada.
O paralelo entre os dois tipos de circuitos pode resumir-se no quadro seguinte:

8
Circuito Hidráulico Bomba Canos Turbina
Circuito Eléctrico Gerador Condutores Lâmpada

Para além destes elementos, que são os constituintes fundamentais e um circuito


eléctrico, existem outros também de grande importância que são os órgãos de manobra
(interruptores, contactores, etc.), órgãos de protecção (fusíveis, disjuntores, etc.) e
instrumentos de medida (amperímetros, voltímetros, etc.).
Analisemos agora muito resumidamente os constituintes fundamentais dos circuitos
eléctricos:

3.A – Geradores
Gerador é todo o sistema capaz de pôr as cargas eléctricas em movimento através de
um circuito. Para tal o gerador cria no seu interior uma força eléctrica denominada força
electromotriz que faz aparecer aos seus terminais uma tensão ou diferença de potencial.
Os geradores dividem-se em dois grupos:
1. Estáticos – em que não há quaisquer peças em movimento (como é o caso das
pilhas e dos acumuladores, que transformam energia química em eléctrica).
2. Girantes – assim chamados porque no seu interior existem peças em
permanente movimento de rotação (como é o caso dos dínamos e alternadores
que transformam energia mecânica em eléctrica).

3.B – Condutores
Os condutores mais vulgarmente utilizados são constituídos por um ou mais fios de
cobre macio, ou de alumínio, isolados com uma camada de PVC (designação da liga
plástica quimicamente constituída por policloreto de vinilo).
As secções fabricadas são normalizadas e os cabos eléctricos têm nomenclaturas de
acordo com as suas principais características. (número de condutores, flexibilidade,
material, isolamentos, etc.).
Dado que as designações dos cabos foram alteradas há relativamente pouco tempo
apresenta-se a seguir um quadro comparativo das duas nomenclaturas.

Nova nomenclatura PU V VVD FV FVD FVV

Antiga Nomenclatura PBT PBC PCT PCP PCN

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Segue-se a explicação do significado das letras para as novas designações:

Rígido Sem letra


Grau de flexibilidade:
Flexível F
Cobre macio Sem letra
Material condutor:
Alumínio L
Papel P
Material de isolamento: PVC V
Borracha B
Chumbo C
Material da bainha: Neopreno N
PVC V
Condutores torcidos Sem letra
Formas de agrupamento:
Condutores paralelos V
Caracteres numéricos: Número de condutores x Secção
Exemplo:
FVV – 2 x 1,5 mm2
Trata-se de um cabo com dois condutores em cobre, flexíveis, com isolamento
individual em PVC e bainha de PVC. Cada condutor tem 1,5 mm2 de secção.

3.C – Receptores
Os receptores são aparelhos que consomem energia eléctrica produzida pelos
geradores (tais como lâmpadas, caloríficos resistências em
geral, campainhas, etc.).
Contactor

3.D – Órgãos de manobra I2


B Mola
São aparelhos que nos permitem abrir e fechar circuitos.
I1
Com tensões relativamente baixas (e potências baixas) os
órgãos de manobra são de configuração reduzida e bastante M

simples; quando o consumo é elevado e a tensão também


elevada surgem, porém faíscas entre os contactos ao abrir e
AC
fechar os circuitos. Dado que as faíscas podem danificar os F N

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aparelhos de manobra muito rapidamente (em muitos casos logo à primeira manobra) e
os próprios circuitos, torna-se necessário arranjar dispositivos que efectuem as
manobras com velocidades bastante elevadas e que, por consequência “cortem” a faísca
quando ela ainda não é perigosa.
Muitas vezes é mesmo necessário recorrer a um circuito eléctrico auxiliar, como
mostra o esquema simplificado da figura.
Existe portanto um motor M, que funciona com corrente alternada (símbolo ~) e tem
consumo eléctrico relativamente elevado. Se o motor arrancasse por ligação manual do
interruptor I2, provavelmente os contactos do interruptor fundiriam e ele seria destruído
(podendo mesmo ocorrer a sua explosão).
Para o evitar utiliza-se o circuito eléctrico auxiliar que está à esquerda da linha a
tracejado, de modo que para arrancar o motor se manobra, não I2 mas o interruptor I1.
Imediatamente se dá a magnetização da bobina B e a barra de ferro macio que está à sua
direita é atraída, mergulhando na bobina com uma velocidade elevada (há como que um
“disparo” da barra para dentro da bobina).
Quando abrimos o interruptor I1 a mola que é bastante forte, puxa a barra para a
posição inicial também com velocidade elevada, abrindo o interruptor I2.
Ao sistema descrito chama-se contactor, embora estes, na prática sejam de
constituição mais complicada. No entanto o sistema de funcionamento é o mesmo.
Os tipos de interruptores mais importantes que analisaremos mais detalhadamente na
prática são os seguintes: Interruptor de Facas; Interruptor Rotativo; Interruptor
Trembler; Interruptor Simples de Pêra; Interruptor de Pêra de Passagem; Botão de
Pressão.

3.E – Órgãos de protecção


Os órgãos de protecção são aparelhos introduzidos nos circuitos de modo a protegê-
los contra valores excessivos de corrente ou tensão em relação aos seus valores
nominais de funcionamento. Os principais sistemas de protecção utilizados são os
fusíveis e os disjuntores.
Os primeiros são um ponto fraco introduzido deliberadamente no circuito (fio fino ou
chapas muito delgadas de material fusível, previamente calibrados) de modo que,
quando a intensidade da corrente atinge valores que começam a ser perigosos para a
segurança das instalações, fundem interrompendo o circuito.

11
Os disjuntores são sistemas de “disparo” automático dos circuitos que, quando os
valores de corrente ou tensão começam a exceder os valores para os quais estão
regulados, desligam os mesmos.
A diferença fundamental entre um sistema e outro está em que no primeiro caso há
destruição da protecção e no segundo caso apenas um disparo automático.

3.F – Aparelhos de medida


Sobre estes debruçar-nos-emos mais tarde, estudando não só a sua constituição e
funcionamento, mas também os métodos de medida e os erros cometidos nas medições.

12
Ficha 4 – O Potencial ou Tensão Eléctrica
Sabemos já da análise dos circuitos eléctricos que, se ligarmos uma bateria a um
circuito eléctrico simples se dá um movimento orientado de cargas de um pólo para
outro da bateria, através do circuito. Isto acontece
porque se estabeleceu aos terminais do mesmo uma
diferença de nível ou potencial eléctrico entre os dois R
pólos da bateria. É evidente que, se a bateria estivesse
completamente descarregada não haveria qualquer
movimento de cargas uma vez que não haveria
diferença de potencial entre os extremos do circuito para
“empurrar” as cargas de um pólo para o outro.
Vejamos agora o que acontece na situação das
R
montagens seguintes:
No primeiro caso associaram-se duas baterias do A B

modo que a figura mostra. Como entre os pólos positivos


A e B das duas baterias a d.d.p. é nula (1,5-1,5=0V), a
lâmpada não acende porque não há circulação de
corrente eléctrica. No segundo caso há uma d.d.p. de
1,5 V entre A e B e por sua vez uma d.d.p. entre B e C.
R
Há como que uma soma de patamares, como se indica
no terceiro diagrama.
A B C
Suponhamos ainda que dispúnhamos dos seguintes 3
pontos com níveis de tensão diferentes em relação a um
quarto de tensão nula.
A... +50V
B... +30V
C... +10V
D... 0V
A partir da noção de tensão eléctrica ou diferença de 1,5V + 1,5V

potencial, vejamos os valores de tensão que poderíamos 3V


obter a partir destes pontos. Para tal vamos fazer um quadro
com todas as possibilidades de ligação entre cada dois daqueles pontos.

13
Ligação entre: Valor da tensão
Ae0 +50V (50-0)
Be0 +30V (30-0)
Ce0 +10V (10-0)
AeB +20V (50-30)
AeC +40V (50-10)
BeC +20V (30-10)

4.1 Unidades
A unidade fundamental de tensão ou d.d.p. no Sistema Internacional de Unidades,
que é o que usaremos ao longo do nosso estudo, é o Volt; representa-se abreviadamente
pela letra V. Em geral a tensão eléctrica representa-se pela letra U ou pela letra V, não
sendo muito de aconselhar esta última para não se confundir com a respectiva unidade
fundamental.

4.2 Aparelho de medida


O aparelho utilizado para medir a tensão
chama-se voltímetro. Este liga-se sempre em
paralelo com a parte do circuito a cujos V R1
terminais se quer medir a d.d.p., como mostra a
figura ao lado.
Neste caso estamos interessados em medir a
tensão aos terminais da resistência R1 ou, o que é o mesmo, a queda de tensão entre os
seus extremos.
Como veremos mais tarde, um voltímetro é tanto melhor quanto maior for a sua
resistência interna.

14
Ficha 5 – A Corrente Eléctrica
Já vimos na prática que os electrões da última camada se encontram já livres no seio
dos condutores. Quando aplicamos uma d.d.p.
aos terminais de um condutor, ela limita-se a
“empurrar” os electrões no sentido que vai do
pólo negativo para o positivo; este é o sentido R1
real, ou electrónico da corrente eléctrica.
Os electrões são atraídos para o pólo positivo
Sentido Real
segundo a lei de atracção e repulsão mencionada
na electrostática.
Durante muito tempo e enquanto não foi
descoberta a estrutura do átomo, admitia-se que
R1
as cargas eléctricas circulavam do pólo positivo
para o negativo, no interior dos circuitos. A este
sentido, que é o que vamos utilizar Sentido Convencional

habitualmente ao longo do nosso curso chama-se sentido convencional.


Definição
Define-se intensidade de corrente como a quantidade de carga eléctrica que passa
numa secção do circuito, por unidade de tempo.
Q
I Em que as unidades no S.I. são:
t
Q – quantidade de carga – Coulomb (C);
I – intensidade de corrente – Ampere (A)
t – tempo – segundo (s)
5.1 Efeitos da corrente eléctrica
Os principais efeitos da corrente eléctrica são:
1) Químicos; 2) Térmicos ou caloríficos; 3) Magnéticos; 4) Luminosos
Suponhamos então o esquema da montagem seguinte:
Nele são incorporados: uma tina de água acidulada com ácido sulfúrico, na qual
estão mergulhadas duas placas metálicas (uma de cobre e outra de zinco); uma
resistência; um gerador de energia eléctrica; um interruptor. Perto do condutor coloca-se
uma agulha magnética, paralelamente a este. Existe ainda uma lâmpada L.

15
Quando se fecha o circuito, observam-se os seguintes fenómenos referentes aos
efeitos atrás apontados:
1) Dá-se a electrólise da água, libertando-se hidrogénio junto da placa de
zinco e oxigénio junto da placa
de cobre.
I
2) A resistência R aquece
3) A agulha magnética
Cobre Zinco
desloca-se, ficando oblíqua em R

relação ao fio.
4) A lâmpada acende. L

O primeiro efeito aplica-se em


galvanoplastia para provocar depósitos de um determinado metal sobre outro
(cromagem, niquelagem, etc.).
O segundo efeito, que é nocivo para o funcionamento da maior parte dos circuitos,
desde o transporte de energia até às suas sucessivas transformações ou aplicações. No
entanto, se utilizarmos ligas resistivas apropriadas é possível acentuar ainda mais o
efeito térmico e aproveitá-lo depois como benefício. São exemplo disto os aquecedores,
fogões eléctricos, ar condicionado, etc.
Mais tarde estudar-se-á em detalhe o efeito térmico.
Os efeitos magnéticos são utilizados em transformadores, aparelhos de medida,
propagação de ondas electromagnéticas através do espaço, etc.

5.2 Aparelho de medida


Os aparelhos de medida utilizados para medir a intensidade da corrente são os
amperímetros. Quando se pretendem medir quantidades de corrente muito pequenas
utilizam-se aparelhos mais sensíveis que são os miliamperímetros.
Quando se pretende medir a intensidade de corrente de um dado circuito liga-se o
amperímetro em série, de modo que ele seja atravessado pela corrente que se pretende
medir (à semelhança do que se passa por exemplo no contador da água). Deste dado se
pode concluir que a resistência interna do amperímetro deve ser muito pequena, ao
contrário do que acontecia nos voltímetros.

16
5.3 Unidade industrial de carga eléctrica

Q
Da expressão I  pode deduzir-se que Q  I .t . Ora no caso por exemplo das
t
baterias torna-se necessário conhecer a capacidade de carga de cada uma delas, por
questão de segurança de funcionamento e durabilidade da carga.
Suponhamos então o seguinte exemplo concreto:
Dispomos de uma bateria que pode fornecer uma corrente de 4A durante 10h. Quer-
se saber a carga que ela fornece durante esse tempo. Utilizando o S.I. de Unidades e
como a hora tem 3 600 segundos,
I = 4A
Q = 4 × 3 600 = 144 000 C
Uma conclusão a tirar deste exemplo é a de que o resultado, para além de ser um n.º
bastante elevado, não diz muito no aspecto prático.
Utiliza-se por isso uma unidade industrial de carga que é o Ampere-hora (A.h) se
uma bateria debita 1A durante 1h, fica
Q = I.t = 1 × 1 = 1 A.h
Se tivéssemos seguido o S.I. era
Q = I.t = 1 × 3 600 = 3 600 C
Conclui-se assim que
1 A.h = 3 600 C
Normalmente nas baterias vêm indicados: a tensão de serviço, intensidade de
corrente nominal, capacidade de carga (em A.h).
NOTA FINAL
Não se devem confundir as unidades do S.I. com algumas unidades industriais que
são usadas apenas para meia dúzia de grandezas. Com efeito o S.I., conforme o próprio
nome indica, é um sistema de unidade internacionalmente acordado e usado de modo a
evitar que se utilizassem várias unidades diferentes para a mesma grandeza, o que só
lançava a confusão. As unidades industriais utilizam-se apenas nos casos em que as do
S.I. são de valor muito pequeno comparadas com os valores vulgares da Indústria.

17
Ficha 6 – Resistência Eléctrica

6.a) Noção de resistência


Como vimos já, a corrente eléctrica é devida a um movimento ordenado de electrões.
Os diversos materiais oferecem maior ou menos dificuldade à passagem dos electrões
em movimento. A esta noção chama-se resistência eléctrica da substância, que se
representa pela letra R.
A resistência mede-se em Ohm (Ω) no S.I.
Ao inverso da resistência chama-se condutância, a qual se representa pela letra G e se
mede em Siemen (S) no S.I.
1
G
R

6.b) Factores de que depende a resistência


A resistência de um troço de fio condutor depende fundamentalmente dos seguintes
factores:
- Natureza do material
- Comprimento do condutor
- Secção
- Temperatura
Com respeito ao 1.º factor é fácil verificar que a resistência depende do tipo de
material. Ou seja da estrutura interna dos seus átomos.
Quanto ao segundo factor temos intuitivamente a noção de que quanto maior for o
caminho a percorrer pela corrente maior será a resistência que ela vai encontrar.
No que diz respeito á secção, verifica-se por exemplo que é mais rápido o
escoamento de uma certa quantidade de água através de um cano de secção elevada do
que através de uma pequena secção. Ora como a corrente é a quantidade de cargas que
se escoa através da secção do condutor, por unidade de tempo, fácil é concluir que,
quando aumenta a secção dos condutores diminui a sua resistência.
Podemos resumir o segundo e o terceiro tipos de proporcionalidade analisados em
dois quadros:
l R s R
Proporc. Proporc.
↑ ↑ ↑ ↓
directa Inversa
↓ ↓ ↓ ↑

18
Em que
l – Comprimento
s – Secção
R – Resistência
↑ - Aumento
↓ - Diminuição
A partir destes dois tipos de proporcionalidade podemos deduzir a seguinte
expressão:
l
R
s
Em que a proporcionalidade entre R, l e s está claramente representada.
A letra ρ (pronuncia-se ró) representa o coeficiente de resistividade eléctrica ou
resistência específica da substância, o qual é característico de cada material.
As unidades utilizadas são
R – Ω (Ohm)
l – m (metro)
s – mm2 ou cm2
ρ – Ω.mm2/m ou Ω.cm2/m
A aparente incoerência das unidades indicadas por se não respeitar totalmente o S.I. é
apenas aparente. Se substituirmos as unidades na expressão geral deduzida para R e
fizermos as necessárias simplificações obtemos para um e outro caso:
.mm2 m
  Donde fica Ω=Ω
m mm2

.cm 2 m
  2 Donde fica Ω=Ω
m cm
Como ficou provado, desde que se afinem as unidades de secção pelas de
resistividade não há incoerência de unidades.

6.c) Noção de condutividade


Do mesmo modo que se definiu condutância eléctrica como o inverso da resistência,
define-se condutividade como o inverso da resistividade.
Representa-se pela letra γ (gama) e as suas unidades habituais são:
S m S m
2
ou Em que S = Siemen.
mm cm 2
19
Estas unidades, como se pode verificar são inversas das de resistividade, dado que a
relação entre ambas se exprime por:
1


6.d) Variação da resistência com a temperatura


Está experimentalmente provado que a resistência eléctrica de um condutor varia
com a temperatura. Se tivermos um condutor que a uma temperatura inicial ti apresenta
uma resistência de valor Ri, quando a temperatura variar para tf a resistência passa para
um valor Rf.
Podemos definir assim duas situações diferentes:
ti 
t f
Sit. inicial  sit. final 
 Ri 
R f
e a partir daqui concluir que a resistência final Rf será igual à soma da resistência inicial
com um determinado acréscimo que se representa por ΔR (a letra Δ utiliza-se em geral
para representar acréscimos e lê-se “delta”). Logo:
Rf = Ri + ΔR
Verifica-se na prática que o acréscimo de resistência depende dos seguintes factores:
- Resistência inicial - Ri
- Variação de temperatura - t f - t i

- Coeficiente de temperatura – α
O coeficiente de temperatura é uma característica de cada substância e é um valor
dado por tabelas. Desenvolvendo então a expressão indicada fica:
Rf = Ri + α Ri ( t f - t i )

ou ainda :
Rf = Ri [1+ α ( t f - t i )]

NOTA :
É fácil ver que, quanto maior for o valor de α maior é a variação da resistência com a
temperatura. Há posto isto que distinguir três tipos de substâncias fundamentais.
1.º Tipo) Que são as mais vulgares, aumentam de resistência com a temperatura
(valor de α positivo)

20
Substâncias Valor de α Utilização
Cobre +0,0038 Condutor e eléctrodos
Alumínio +0,0040 Condutor e eléctrodos
Aço +0,0045 Condutor (pouco frequente)
Prata +0,0045 Eléctrodos
Tungsténio +0,0041 Lâmpadas

2.º Tipo) A resistência diminui com a temperatura (valor de α negativo)


Carbono -0,00040 Eléctrodos e escovas
Vidro ? Isolante

3.º Tipo) Nestas, embora a resistência aumente ou diminua com a temperatura, o


valor de α é tão pequeno que, dentro das variações de temperatura normais dos circuitos
em que estão integradas a variação de resistência é praticamente desprezável.
Constantan -0,000005 Resistências de precisão
Manganina -0,000010 Resistências de precisão

Existem duas designações PTC e NTC (que em inglês significam “coeficiente de


temperatura positivo” e “coeficiente de temperatura negativo”) mas que se costumam
atribuir a resistências não óhmicas, ou seja, em que não há proporcionalidade de
natureza linear entre a variação de resistência e a variação de temperatura.

6.e) Aparelho de medida


O aparelho de medida utilizado para medir a resistência de um condutor denomina-se
Ohmímetro. Deve ligar-se aos terminais do circuito ou troço do circuito, desligando
todas as fontes de alimentação do mesmo.
O Ohmímetro tem no seu interior uma pequena pilha que constitui a sua fonte de
alimentação característica.

6.f) Tipos de resistências


Fixas – de valor bem determinado
de maneira contínua : reóstatos
Variáveis 
de maneira descontínua : caixas de resistências
O valor das resistências, ou vem numericamente mencionado nas mesmas pelo
fabricante (reóstatos e caixas de resistências) ou através de um código de cores.

21
Ficha 7 – Lei de Ohm aplicada a uma resistência
Esta lei também chamada “lei de Ohm em circuito aberto” diz que, quando aos
terminais de uma resistência R se aplica uma d.d.p. U, a corrente que a percorre é
directamente proporcional à tensão e inversamente proporcional ao valor da resistência.
U
I
R

ou sob a forma de quadros:


U I R I
↑ ↑ ↑ ↓
R fixo U fixo
↓ ↓ ↓ ↑

Como sabemos, as unidades respectivas no S.I. são:


U – Volt
I – Ampere
R – Ohm
É fácil concluir que da expressão acima se podem deduzir estas outras expressões
para alei de Ohm:
U
U  I R e R 
I
Podemos concluir da lei que uma maneira de determinar o valor aproximado de uma
resistência é a que corresponde à montagem
I
R
da figura.
Este método é o chamado método do
A voltímetro-amperímetro e permite portanto
V
Rede
através da leitura da tensão e da intensidade
de corrente determinar pela lei de Ohm o
valor da resistência.
R1 R2 R3
7.1 Noção de queda de tensão
U1=120V U2=50V U3=30V
Sempre que se liga o interruptor de um dado circuito, a
passagem da corrente ao longo do mesmo vai fazer com U = 200V

que a tensão aplicada aos terminais se vá distribuir em


120V 50V 30V
quedas de tensão por todos os seus elementos.
200V

22
Este fenómeno que foi abordado acima só para resistências tem de se levar em linha
de conta também para os condutores, principalmente quando estes são bastante
compridos. Com efeito, se alimentarmos uma resistência por um gerador que tenha
100V de tensão aos terminais e os condutores de alimentação forem muito compridos e
de secção reduzida, pode acontecer que a tensão aos terminais da resistência seja
bastante inferior a 100V (80V por exemplo).

10V

1oo = (10 + 10) + 80


100 = 20 + 80
100V G 80V
Segundo a lei de Ohm pode escrever-se:
U=r·I
10V Portanto:
Ug = Ur + ΔU  100 = 80 + 20 Sendo:
U – queda de tensão nas linhas ou condutores
r - resistência total das linhas
I – corrente debitada pelo gerador
Ug – tensão aos terminais do gerador
Ur – tensão aos terminais da resistência

7.2 Lei de Ohm generalizada


(para circuitos fechados)
Quando analisarmos um circuito fechado, vamos encontrar nessa análise dois novos
conceitos que ainda não conhecíamos; o conceito de força electromotriz e o de
resistência interna do gerador. Vejamos o que se passa no circuito simples da figura e
porque é que a forma da lei de Ohm dada não é válida para este caso.
Se encararmos o circuito tal como ele está, de
R
acordo com o que vimos escrever-se-ia:
U=RI I
U
Em que U é a tensão aos terminais da bateria e
R a resistência inserida no circuito.
Reparemos no entanto no seguinte pormenor
muito importante: será a resistência oferecida à passagem da corrente ao longo do
circuito apenas R?

23
É evidente que não. Isto porque a corrente eléctrica não está constantemente a fluir
no circuito, atravessa também o gerador, e aí vai haver com certeza uma certa
resistência ou oposição a essa travessia.
Fácil é concluir, por outro lado, que cada gerador tem uma resistência característica.
A esta resistência chama-se resistência interna do gerador.
Façamos agora a seguinte experiência: tomemos por exemplo uma bateria e meça-se
a d.d.p. aos seus terminais. Ligue-se agora o circuito simples seguinte com a bateria, um
reóstato, um amperímetro e um voltímetro.
1.ª Conclusão: a tensão aos terminais da
bateria, quando ela não estava integrada no
A
circuito era maior do que quando integrada
R
nele.
2.ª Conclusão: À medida que a corrente
V
consumida pelo circuito for aumentando
(porque se baixa a resistência no reóstato)
verifica-se que a tensão aos terminais da
bateria vai baixando. Este raciocínio
encadeado pode resumir-se no seguinte quadro:
Reóstato Intensidade da corrente Tensão da bateria
↓ ↑ ↓

NOTA:
Este tipo de raciocínio encadeado deve ser feito permanentemente pelos alunos na
análise das várias grandezas dos circuitos para melhor entendimento das leis que regem
o seu funcionamento.
Podemos então definir a F.E.M. de um gerador (que se representa
pela letra E, como sendo a tensão aos terminais do gerador quando V’
G
este se encontra em vazio, isto é, desligado de qualquer circuito
externo que não seja o voltímetro).
A f.e.m. mede-se, tal como a tensão, em Volt.
A situação descrita no início desta página pode ser realizada pelos esquemas de
montagem seguintes:
Conclui-se pois que no segundo esquema, desde que o interruptor esteja aberto, o
resto do circuito não está em funcionamento, portanto é como se não existisse.
24
Vejamos agora o que se passa na
aplicação da lei de Ohm ao circuito atrás
mencionado.
R
1.º) Quando se vai ligar a bateria ao
circuito conclui-se que vamos aplicar ao
V’ = E
mesmo, no instante inicial uma f.e.m. G V’

igual a E.
2.º) A resistência total Rt que deve
Interruptor Aberto
figurar na lei não deverá ser apenas a
A
resistência exterior R, mas também a
resistência interna do gerador, Ri.
Posto isto a lei de Ohm generalizada terá então a forma: E= Rt  I
Se atendermos agora a que Rt = R + Ri, pode escrever-se E = (Ri + R)  I e aplicando a
propriedade distributiva da multiplicação em relação á adição fica: E = Ri  I + R  I
No entanto, como vimos na lei de Ohm aplicada a uma resistência, o produto R  I é a
tensão aplicada à entrada do circuito (que se mede no voltímetro) pelo que fica ainda
E = Ri  I + U.
Pela análise desta expressão vê-se porque é que, quando a corrente começa a
aumentar a tensão aos terminais do gerador também baixa.
A f.e.m. (E) tem um valor constante, bem como (em primeira aproximação), a R i do
gerador. É evidente que, sendo o primeiro membro da igualdade constante, quando a
corrente I cresce, o termo Ri  I também vai crescer. Então tem que baixar o valor de U
para que a soma se mantenha constante. Resumindo estas considerações num quadro
fica:
E I Ri  I U
Fixo ↑ ↑ ↓

25
Ficha 8 – Leis da associação de resistências
Os três processos fundamentais de associar resistências são:
1.º) Série 2.º) Paralelo 3.º) Misto

R1 R2
8.1 Associação série: I

Neste caso, como facilmente se conclui, a


corrente que atravessa as resistências é a mesma
V
e a tensão aplicada aos terminais da associação
vai-se distribuir em duas quedas de tensão, uma em cada resistência.
Supondo que o voltímetro lê uma tensão U, podemos escrever: U = Rt  I. Em que Rt
é a resistência equivalente da associação. Vejamos como se calculava a queda de tensão
aos terminais de cada resistência, (chamadas U1 e U2).
U1 = R1  I e U2 = R2  I
Está claro que a tensão registada pelo voltímetro é igual á soma das duas quedas de
tensão. Logo: U = U1 + U2. Substituindo fica: Rt  I = R1 I + R2  I.
Ou ainda: Rt  I = (R1 + R2)  I.
E finalmente: Rt = R1 + R2.
Conclui-se assim que a resistência equivalente a uma associação em série de várias
resistências é igual á soma dos valores dessas resistências.

8.2 Associação em paralelo:


Verificamos neste caso que é a tensão aos terminais das duas resistências que é igual
e a corrente que percorre cada uma delas é
R1 diferente.

It I1 Da análise do esquema conclui-se que a

I2 R2 soma das duas correntes que percorrem as


duas resistências tem que ser igual é
V corrente total:
(1) It = I1 + I2
Vamos agora ver como se pode calcular I1 e I2, aplicando a lei de Ohm:
U U
(2) I1  (3) I2  . Por outro lado, a corrente total será ainda
R1 R2

U
dada por: (4) It  . Então substituindo (2), (3) e (4) em (1) fica:
Rt
26
U U U 1  1 1 
  Ou U  U     . Finalmente vem:
Rt R1 R2 Rt  R1 R2 
1 1 1
  . Conclui-se assim que o inverso da resistência equivalente à
Rt R1 R2

associação em paralelo de duas resistências é igual à soma dos inversos das resistências.
No caso de serem apenas duas resistências pode utilizar-se a expressão:
R1  R2
Rt  .
R1  R2

8.3 Associação mista:


Verifica-se que o circuito misto da figura R2

é uma associação em série de R1 com o R1

paralelo R2 // R3. R3

Então temos, do que foi dito em (1) e (2):


R2  R3
Rt  R1  R2 // R3   R1  .
R1  R3

27
Ficha 9 – Leis de Kirchoff
As leis de Kirchoff servem para estudar a distribuição de correntes em circuitos com
mais de uma malha.
Suponhamos então o circuito da figura seguinte onde vamos verificar o número de
malhas e nós que existem no circuito. Para isso precisamos de saber o que são malhas e
nós.
Definição – Chama-se malha a qualquer caminho fechado que se pode definir num
circuito.
R1 R2 Definição – Chama-se nó ao ponto
A C E
de encontro de 3 ou mais ramos do
circuito.
R3
E1 E2
Conclui-se destas definições que o
circuito dado tem 3 malhas – ABDCA;
CDFEC; ABFEA e dois nós – C e D.
B F
D
R4 R5 Definição – Designa-se por ramo
qualquer troço de circuito que liga dois nós diferentes. Daqui se conclui que o circuito
dado tem três ramos.
R1 R2
A aplicação das leis de Kirchoff vai A C C E

permitir-nos calcular precisamente a


corrente que circula em cada um dos
R3
Ramo 3
ramos. Note-se que o número de E1 Ramo 1 E2

correntes a determinar é igual ao número Ramo 2

de ramos. B F
D D
R4 R5
Vamos pois enunciar as duas leis,
apresentando a seguir as convenções que é necessário utilizar para que a sua escrita seja
correcta. Convém porém notar o seguinte: só nos interessa considerar para a escrita da
lei das malhas, as malhas independentes, ou seja, as malhas que não sejam totalmente
formadas por troços de outras malhas já referenciadas.
No nosso caso só nos interessam duas das três malhas possíveis.
Para a escrita da lei dos nós só nos interessam n-1 nós, sendo n o número total de nós
que se encontram no circuito.
No caso presente é n=2, logo só nos interessam n-1= 2-1=1 nó.

28
9.1 Lei das malhas
A soma algébrica das forças electromotrizes com as quedas de tensão, ao longo de
uma malha é igual a zero: Σ E + Σ R · I = 0.
Σ – é um sinal que indica somatório ou soma

9.2 Lei dos nós


A soma das correntes que entram num nó é igual á soma das correntes que saem do
nó: Σ I entr. = Σ I saem.

9.3 Convenções a respeitar para escrita das equações


1- O sentido das f.e.m. marca-se do polo positivo para o negativo.
2- O sentido da corrente que se utiliza é o convencional, isto é, a sair do pólo
positivo dos geradores.
3- Escolhe-se para cada malha um sentido de circulação qualquer, que se tem de
respeitar quando escrevermos as equações referentes à lei das malhas.
4- Quando o sentido da circulação coincide com o sentido da corrente ou da f.e.m. o
sinal do termo que vamos escrever é positivo. Quando o sentido da seta de
circulação é contrário ao sentido da corrente ou f.e.m., o sinal do termo é
negativo. R1 R2
A C E
Aplicando estas convenções à escrita das equações I1
I3 I2

para o circuito da página anterior fica:


R3
malha ABDCA: -E1 + R1 · I1 + R3 · I3 + R4 · I1 = 0; E1 E2

malha CDFEC: -E2 + R2 · I2 + R3 · I3 + R5 · I2 = 0


B F
D
R4 R5

Deve analisar-se sempre qual é a corrente que passa em cada resistência, para
escrever as respectivas quedas de tensão na lei das malhas.
Dado que conhecemos o valor das resistências do circuito e das respectivas f.e.m.,
ficámos com um sistema de equações em que as incógnitas são as correntes I1, I2 e I3.
Porém como sabemos, só podemos resolver sistemas em que o número de equações seja
igual ao número de incógnitas.
Como no caso presente só temos duas equações, vamos recorrer á lei dos nós para
arranjar a terceira equação que nos falta.
No nó C fica então: I3 = I1 + I2.

29
Substituindo então I3 no sistema anterior, ficamos com um sistema de duas equações
e duas incógnitas, que já sabemos resolver.

30
Ficha 10 – Pilhas eléctricas
A pilha de Volta (1800) foi uma das primeiras pilhas a ser
inventada e era constituída por rodelas empilhadas em coluna (daí a
designação de pilha).
Tinha alternadamente uma rodela de zinco, uma de pano
impregnado de ácido sulfúrico e uma rodela de cobre, como mostra
a figura.
Este conjunto de três rodelas formava um elemento de pilha.
Obviamente quanto mais elementos se sobrepuserem, maior será a
f.e.m.
Podemos reconstruir a pilha de Volta de forma prática se num
recipiente de cristal deitarmos uma solução de ácido sulfúrico a
10% e mergulharmos dentro dela uma lâmina de zinco e uma
lâmina de cobre.
Um voltímetro ligado entre as duas lâminas
indicará uma d.d.p. de aproximadamente 1 V.
Desprezando a corrente absorvida pelo voltímetro,
esta d.d.p. é igual à f.e.m. da pilha.
Note-se que o pólo positivo do voltímetro deve ser
ligado à placa de cobre e o negativo à placa de zinco.
Temos assim um gerador elementar de electricidade.

10.1 Polarização da pilha


Fechando o circuito aos terminais da pilha com uma resistência de alguns Ohm,
deixando o voltímetro ligado irá observar-se que a indicação do voltímetro diminui até
se anular.
Ter-se-á já gasto a pilha? Não.
Se a deixarmos com o circuito aberto durante 15 ou 20 minutos constatamos que ela
recupera, pelo menos em parte, a sua f.e.m.. Diz-se então que a pilha estava polarizada,
ou que se tinha dado a sua polarização. Para percebermos este fenómeno vamos estudar
o funcionamento da pilha.

10.2 Princípio de funcionamento da pilha


a) Aparecimento da f.e.m.
31
O ácido sulfúrico dissocia-se em iões segundo a seguinte fórmula:
SO4 H 2  2H   SO4 

Os iões SO4  que estão em contacto com o zinco puro, atacam-no formando sulfato
de zinco a abandonam no eléctrodo as suas cargas negativas:

Zn  SO4  SO4 Zn  2 electrões

O zinco carrega-se pouco a pouco e acaba por rejeitar os iões SO4  . O ataque do
zinco é então parado.
Estando o eléctrodo de zinco carregado negativamente, a pilha possui uma certa
f.e.m.
b) Estabelecimento de uma corrente
Se aos terminais da pilha se liga um circuito, os electrões passam do zinco para o
cobre. Tendo perdido as suas cargas o zinco é de novo atacado e o cobre, que recebeu as
cargas negativas, atrai os iões H+ e descarrega-os. Parece portanto poder circular
indefinidamente uma corrente através do circuito eléctrico.
c) Polarização
Os iões H+, uma vez descarregados, formam em redor do cobre um invólucro de
hidrogénio gasoso, que é isolante. Por consequência a f.e.m. anula-se ao fim de certo
tempo, uma vez que já não há contacto eléctrico entre o cobre e o electrólito. A pilha
polarizou-se.

d) Despolarização
Para pôr a pilha de novo a funcionar é necessário despolarizá-la, eliminado o
hidrogénio que rodeia o cobre. Para tal podemos utilizar os seguintes processos:
1 – Tirar o eléctrodo de cobre e enxugá-lo
2- Recorrer á destruição do hidrogénio, à medida que este se vai formando, com a
1
ajuda de um oxidante: H 2  O2  H 2O .
2

10.3 Constantes de uma pilha


Cada pilha é caracterizada por um certo número de grandezas sensivelmente
independentes das suas condições de funcionamento, por este motivo chamadas
constantes da pilha. Essas constantes são: força electromotriz, resistência interna,
regime de funcionamento e capacidade.
32
a) A f.e.m. de uma pilha impolarizável é constante e não depende nem das suas
dimensões nem da forma dos seus elementos.
Varia com a natureza das substâncias e com as reacções químicas que lhe dão
origem.
Como na prática a despolarização não é completamente realizada, a f.e.m. pode
diminuir um pouco, principalmente se a pilha debita uma corrente exagerada.
b) A resistência interna de uma pilha é a resistência do conjunto dos elementos
sólidos e líquidos que a formam. Depende essencialmente do seu tamanho (é tanto
maior quanto menor for a pilha).
A resistência interna de uma pilha é devida principalmente à resistência do
electrólito. No caso dos eléctrodos (placas positiva e negativa) serem placas de metal, a
resistência do electrólito é à da “caixa “ que a
figura mostra e que é formada pelo volume
S prismático de líquido, limitado lateralmente
pelas duas placas.
Podemos para o efeito aplicar a fórmula já
l
l
conhecida R  
s
A resistividade dos electrólitos depende da natureza dos mesmos e da sua
concentração. Em ordem de grandeza varia normalmente entre 0,01 e 1Ω.
c) Define-se regímen como a corrente máxima que a pilha pode debitar sem se
polarizar. Se a corrente ultrapassar este valor, a produção de hidrogénio é tão rápida que
o despolarizante não pode evitar que ele se fixe sobre o eléctrodo positivo, baixando por
consequência a f.e.m..
O regímen depende da natureza das substâncias que formam a pilha e das suas
dimensões. Para um mesmo tipo de pilha é tanto maior quanto maior forem as suas
dimensões.
d) Define-se como capacidade de uma pilha a quantidade de electricidade que a
mesma pode produzir, desde que se monta até que se consome. A capacidade depende
da natureza das substâncias que a formam e das suas dimensões.
Como já vimos, é dada em Ampere-hora.

10.4 Pilha de Leclanché


É a pilha de despolarizante sólido mais vulgar.
33
O electrólito é, neste caso uma solução aquosa de
cloreto de amónio, vulgarmente conhecida como sal
amoníaco. Como despolarizante utiliza-se o bióxido de
manganês, misturado com carvão triturado.
Com respeito aos eléctrodos, o negativo é uma vareta
de zinco amalgamado e o positivo um prisma de carvão
de retortas. Nos modelos mais antigos o carvão estava colocado dentro de um vaso de
porcelana porosa.
As principais grandezas deste modelo eram:
f.e.m. = 1,46V;
Ri = 1 Ω (aproximadamente)
Nos modelos mais recentes substituiu-se
o vaso de porcelana por um pequeno saco
de lona (pilhas de saco), para diminuir a sua
resistência interna.
Finalmente o ultimo modelo a que se
chegou não tem nem vaso nem saco. O
despolarizante é empregue sob a forma de prisma apertado contra o eléctrodo de carvão
– pilha de aglomerados.

10.5 Pilha de líquido imobilizado ou pilha seca


Estas pilhas, impropriamente conhecidas como pilhas secas, são, em geral do tipo
Leclanché. O líquido activo é imobilizado por substâncias absorventes, tais como
serradura, gelatina, etc. que não são atacadas pelo sal amoníaco.
O eléctrodo negativo é um vaso de zinco e o positivo uma barra de carvão de
retortas, envolvida pelo despolarizante, mistura de bióxido de magnésio e carvão.
A sua f.e.m. ronda os 1,4V e despolariza-se um pouco melhor do que as de tipo
antigo. Tem no entanto a desvantagem de durar pouco tempo, quando em inactividade.

10.6 Associação de pilhas


Quando necessitamos de uma tensão mais elevada do que as que um elemento dos
que estudámos até agora pode fornecer, há a necessidade de fazer associações desses
elementos.
Vamos então estudar os vários tipos de associações possíveis:
34
a) Associação em série.
As principais propriedades da associação em série são:
I) A f.e.m. do conjunto é igual é soma das f.e.m. do conjunto: E = n · e.
II) A resistência interna do grupo é igual á soma das resistências internas
dos elementos: Ri = n · ri.
III) A corrente debitada pelo grupo é a mesma que cada elemento debitava
isoladamente. Se ligarmos a associação a uma resistência de carga R, a
intensidade da corrente que percorre o circuito exterior será:
E ne
I  .
R  Ri R  n  ri

IV) A tensão do agrupamento é portanto mais elevada, mas a corrente


debitada é a mesma.
b) Associação em paralelo.
As principais propriedades desta associação são:
I) A f.e.m. do grupo é igual á de cada um dos elementos:
E = e.
II) A resistência interna do grupo é igual à resistência de cada um dos
ri
elementos dividido pelo número dos mesmos: R i  .
n
III) A intensidade da corrente debitada no circuito exterior que é formado
e
pela resistência R é dada por: I  .
r
R i
n
IV) Este tipo de circuito emprega-se quando se pretende uma grande
intensidade com uma pequena tensão de funcionamento.
c) Associação mista.
As principais propriedades da associação mista são:
I) A f.e.m. é igual à soma das f.e.m. de cada
elemento, ou seja: E = n · e.
II) A resistência interna do grupo é igual ao quociente da resistência
interna de cada ramo do paralelo, pelo número de ramos.

35
n  ri
Ri 
m
n número de elementos de cada ramo .
m número de ramos do paralelo

III) A intensidade de corrente debitada pelo grupo sobre uma resistência R


é igual à soma das intensidade debitadas por cada ramo do paralelo.
E ne
I 
R  Ri n  ri
R
m
IV) A associação mista emprega-se em casos particulares, quando se
necessita de uma corrente elevada mas uma tensão também elevada.

36
Ficha 11 – Acumuladores

11.1Acumuladores ácidos – acumuladores de chumbo


11.1.1 – Constituição.
Placa positiva: é fundida em chumbo, no estado puro, com as duas faces estriadas, o
que lhe permite ter uma superfície activa oito vezes maior do que a superfície aparente.
O chumbo da placa oxida-se, passando a peróxido de chumbo – PbO2.
Obtém-se assim uma placa positiva de cor castanha, correspondente ao acumulador
carregado.
Placa negativa: Contém entre as duas faces chumbo esponjoso, alojado em
compartimentos. Isto corresponde ao acumulador carregado.
Electrólito: é ácido
sulfúrico diluído em água pura.
A densidade do electrólito
varia entre 1,18 e 1,20 à
temperatura de 20ºC.
Descrição de um elemento:
Para manter separadas as
placas de polaridade diferente
coloca-se entre elas uma
prancha de madeira.
A fim de obter uma maior
capacidade, sem ter uma
aglomeração excessiva de
elementos, cada elemento leva
vários pares de placas,
ligando-se entre si, como é
evidente todas as placas
positivas e todas as negativas.
Reacções químicas principais:
 Pólo : PbO 2  H 2  H 2 SO4  PbSO4  2OH 2
Descarga: 
 Pólo- : Pb  SO 4  PbSO4

37
Conclui-se daqui que na descarga há consumo de ácido e produção de água, logo há
diminuição da concentração de ácido.

 Pólo : PbSO 4  SO4  2 H 2O  PbO2  2 H 2 SO4


Carga: 
 Pólo- : PbSO 4  H 2  Pb  H 2 SO4
Observa-se portanto que na carga se restitui o ácido anteriormente consumido e se
consome a água anteriormente produzida. Note-se ainda que uma porção de chumbo
das placas havia sido “dissolvida” e agora é recuperada.
11.1.2 – Estudo prático da descarga.
A – Condições de descarga:
Suponhamos que a bateria está totalmente carregada e que a descarga completa se
realiza em 10 horas com uma
3
corrente constante.
2,5
B – F.E.M.: 2
E(V)

Diminui muito rapidamente ao 1,5

começar a descarga, depois 1


0,5
lentamente, de 2V até 1,9V à nona
0
hora. Volta a decrescer de novo 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
rapidamente no final da descarga. t(h)

Como a descarga consome ácido,


a concentração do mesmo diminui durante todo o tempo da descarga.
C – Índices do fim de descarga:
- f.e.m. = 1,8V
- Densidade do electrólito = 1,125 (mede-se com um pesa-ácidos – areómetro para
medir a densidade das soluções ácidas).
- Cor das placas: positiva: - castanha clara; negativa: branca
11.1.3 – Estudo prático da carga:
A – Condições de carga
A bateria acaba de ser descarregada segundo as condições indicadas
anteriormente. A carga efectua-se em dez horas com uma corrente constante igual a
115% da corrente de descarga.
B – F.E.M.:

38
Aumenta muito rapidamente a 1,8V a 2,1V e depois lentamente de 2,1 a 2,2V até
à nona hora. A partir daqui aumenta de novo rapidamente até final da carga.
A carga, ao reconstituir o ácido, faz aumentar a concentração deste durante todo o
tempo que dura o fenómeno.
3
C – Índices do fim de carga: 2,5
- f.e.m. = superior a 2,5V 2

E(V)
1,5
- Densidade do electrólito = 1,200
1
- Cor das placas: 0,5
0
- Positiva: castanha; 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
- Negativa: cinzenta. t(h)

- O final da carga caracteriza-se por um borbulhar considerável á volta das placas.


11.1.4 – Características
A – f.e.m. – Sabemos que varia consoante o estado de carga. Podemos tomar o
valor médio de 2V. (não esquecer que se trata de um só elemento).
B – Resistência interna – É muito pequena e muitas vezes pode desprezar-se. É de
1/100 para acumuladores menores e inferior a este valor para os maiores.
C – Capacidade – Define-se como capacidade de um acumulador a quantidade
total de electricidade que ele pode fornecer desde o estado de carregado até ao estado
de descarregado.
A capacidade de um elemento depende da forma da sua utilização. É tanto mais
pequena quanto mais rápida for a descarga (veja-se o quadro que se segue).
A capacidade nominal corresponde a uma descarga em 10 horas.
Duração da descarga (h) Capacidade (A.h) Intensidade (A)
20 114 5,7
10 100 10,0
5 86 17,2
3 75 25,0
2 66 33,0
1 50 50,0

D- Intensidade da descarga – Depende da sua duração. Para um uso normal


(descarga em 10 horas), é igual a
Q
I
10h
Em que Q é a capacidade nominal.

39
11.1.5 – Rendimento.
A – Rendimento em quantidade – é o seguinte quociente:
Q fornecida na descarga Q útil
q  
Q fornecida na carga Q absorvida

Para uma utilização normal o rendimento foi de 90%.


B – Rendimento em energia – recordem que a energia é dada pela fórmula:
W = Q·V
Seja V a tensão média durante a descarga; a energia útil é: Wu = Qu·V.
Seja V’ a tensão média durante a carga: a energia absorvida é: Wa = Qa·V’.
Wu Qu V V
O rendimento energético é então: w   ou seja: w  q .
Wa Qa V ' V'

Como V<V’, o rendimento em energia é menor do que o rendimento em


quantidade. É da ordem dos 75%.
11.1.6 – Qualidades e cuidados de manutenção.
A – Vantagens – f.e.m. sensivelmente constante; resistência interna muito baixa;
bons rendimentos.
B – Inconvenientes – peso considerável; fragilidade das placas; não suporta curto-
circuitos; a sulfatação das placas deixa fora de serviço o acumulador em caso de
abandono prolongado; electrólito perigoso; não suporta sobrecargas; manutenção
meticulosa.
C – Manutenção – controlar os níveis do electrólito e reposição de água destilada;
parar a carga quando se verifica o borbulhar; manutenção dos acumuladores em
estado de carga.
Um acumulador descarregado, em repouso, deteriora-se rapidamente e fica fora de
serviço depois de algumas semanas.

11.2 Acumuladores alcalinos – acumulador de níquel-cádmio (NiCad).


11.2.1 – Constituição.
A – Placa positiva – compõe-se de tubos de aço finamente perfurado que contêm a
matéria activa, o hidróxido de níquel.
B – Placa negativa – Compõem-se de bolsas perfuradas que contêm a matéria activa,
o hidróxido de cádmio.
As placas tanto positiva como negativa podem ser igualmente de suporte
aglomerado.
40
C – Electrólito – é uma solução de potassa a 20%. A sua densidade é de 1,200.
D – Descrição de um elemento – Para manter a separação e evitar o contacto entre as
placas de polaridade diferente, coloca-se entre elas uma placa de matéria plástica.
Para obter maior capacidade sem ter uma aglomeração excessiva de elementos, cada
um deles leva vários pares de placas. As placas positivas ligam-se entre si, bem como as
negativas.
 Pólo : 2N i ( H 2O)  2 HO " N i ( HO) 3
E – Reacções químicas – carga: 
 Pólo- : Cd  2(HO)2  Cd  2 HO
Tudo se passa como se houvesse transferência de radicais (oxidrilos) do pólo (-) para
o pólo (+).
A concentração do electrólito é sempre a mesma.
11.2.2 – Estudo prático da descarga.
A – Condições da descarga –
suponhamos que a bateria está 1,6
totalmente carregada de início e que a 1,4
1,2
descarga completa se efectua em 5 1
E(V)

0,8
horas, com uma corrente constante.
0,6
B – F.E.M. – Decresce bastante 0,4
0,2
regularmente de 1,35V até cerca de
0
1V; depois decresce bruscamente. 0 1 2 3 4 5 6
t(h)
Esta queda rápida de tensão é o
único indício do fim da descarga.
11.2.3 – Estudo prático da carga.
A – Condição de carga – A carga realiza-se em sete horas com uma corrente idêntica
à da descarga.
B – F.E.M. – Para os acumuladores de placas aglomeradas cresce lentamente de 1,5 a
1,7V.

41
Para os acumuladores de placas perfuradas apresenta dois saltos de crescimento
rápido no decurso da carga.

2
1,8
1,6
1,4
1,2
E(V)

1
0,8
0,6
0,4
0,2
0
0 1 2 3 4 5 6 7

t(h) Placas aglomeradas


Placas perfuradas

C – Índices de fim de carga – Somente o valor da f.e.m. indica se a carga terminou.


O melhor é cumprir as condições de carga expostas anteriormente e terminar a carga ao
fim se sete horas.
No fim da carga aparece um borbulhar na cuba.
11.2.4 Características
A – F.E.M. – O valor médio na descarga é de 1,2V. Fazem falta pois 5 elementos
para se obter uma tensão de 6V (em vez de 3 como nos acumuladores de chumbo).
B – Resistência interna – É bastante elevada com as placas perfuradas e muito fraca
com as placas aglomeradas. É comparável à dos acumuladores de chumbo com a mesma
capacidade: menos de 0,001 para um acumulador de 100Ah.
C – Capacidade
- Nominal – corresponde a uma descarga total em 5 horas.
- Variação da capacidade – a capacidade útil diminui com a duração da descarga,
mas relativamente pouco.
Para uma descarga em duas horas a capacidade útil é igual a 90% da nominal.
- Ordem de grandeza – de 0,1Ah a vários milhares de Ah.
- Intensidade da descarga – é sensivelmente igual à capacidade nominal dividida
pela duração da descarga, posto que a capacidade é praticamente invariável.

42
11.2.5 – Rendimentos
A – Rendimento em quantidade:
Qu
q 
Qa

Posto que para uma mesma corrente a carga dura 7 horas e a descarga 5 horas, o
rendimento é de 5/7, ou seja, 0,714 = 71,4%.
B – Rendimento em energia:
Qu  V
w 
Qa  V '

Tensão média da descarga: V = 1,2V aproximadamente.


Tensão média na carga: V’ = 1,6V.
Posto isto, o valor médio de
1,2
 w  0,714   0,535  53,5% Aproximadamente
1,6

11.2.6 – Qualidades e manutenção


A – Vantagens: robusto; peso ligeiro; electrólito menos perigoso que o ácido
sulfúrico; capacidade sensivelmente constante; pode estar descarregado durante meses
sem inconveniente; grande longevidade; manutenção reduzida.
B – Inconvenientes: Preço elevado; f.e.m. débil e bastante variável; rendimentos
médios.
Nota final – Uso de acumuladores:
Esta nota refere-se tanto aos acumuladores ácidos como aos alcalinos.
Os acumuladores utilizam-se para:
Centrais telefónicas, estações emissoras de rádio, dispositivos de segurança,
iluminação de emergência (fábricas, hospitais, centrais telefónicas), etc..
Por outro lado sabemos que cada automóvel possui uma bateria de acumuladores
para ignição e iluminação.

43
Ficha 12 – Energia e potência eléctrica

12.1 Noção geral de força, energia e potência


a) Força - é toda a causa capaz de produzir ou alterar o movimento de um corpo
ou de lhe causar deformação. Por outras palavras é toda a causa física que
pode produzir trabalho.
b) Energia - quando se aplica uma força F a um corpo e ele se desloca, por exemplo
de um ponto A para um ponto B diz-se que se realizou um determinado
trabalho, ou seja que se despendeu uma certa energia.
c) Potência - Define-se como a energia gasta ou trabalho efectuado por unidade de
tempo.
Deduzem-se destas definições as seguintes expressões fundamentais:
W=Fl
A B
W
P
t l

Em que as unidades no S.I. são: W – Joule (J)


F – Newton (N)
l – metro (m)
t – segundo (s)
P – Watt (W) ou Joule/seg.
Os tipos de energia mais frequentes são:
Mecânica – Eléctrica – Térmica – Luminosa – Química – Atómica ou nuclear

12.2 Momento de uma força F

Sabemos por intuição que para desapertar um


parafuso da maneira que a figura mostra, o
fazemos tanto mais facilmente quanto mais b
comprido for o braço da chave-inglesa. Isto deve-se a que é necessário despender uma
certa “energia” para desapertar o parafuso.
Define-se momento de uma força (em relação a um ponto) como o produto da força
pelo seu braço em relação ao ponto.
M=Fb
Ora se é preciso uma certa energia para desapertar o parafuso (ou momento) é fácil
verificar na expressão que, se o comprimento aumentar obtemos o mesmo momento
44
com uma força menor. É por este motivo que, para abrir uma porta sem efectuar grande
força se empurra a sua extremidade e não perto das dobradiças.

12.3 Rendimento
Temos a noção de que, quando queremos transformar um determinado tipo de
energia noutro, há sempre uma certa quantidade de energia que se perde. Por exemplo,
se analisarmos o diagrama seguinte em
que temos um motor eléctrico a Energia Motor Energia
funcionar, verificamos que uma parte da eléctrica eléctrico mecânica
1000 J 800 J
energia eléctrica que o alimenta se perde
não se transformando em energia mecânica.
Fácil se torna verificar que a energia de perdas é dada por: Wp = Wa - Wu ou seja, é a
diferença entre a energia absorvida Wa (à entrada do sistema e a energia útil Wu
verdadeiramente aproveitada. Fica Wp = 1000 – 800 = 200 J.
Então define-se como rendimento de um sistema qualquer como a razão:
Wu

Wa

Note-se que este valor é sempre inferior á unidade; com efeito, no caso presente é
800
  0,8  80%
1000
Conclui-se assim que, quanto maiores são as perdas menor é o rendimento.
Indicam-se a seguir os rendimentos aproximados de alguns sistemas.
Motor de explosão – 30% a 40%
Motor eléctrico – 70% a 90%
Lâmpada incandescente – 1,5%
Transformador – 95% a 99%

12.4 Energia e potência eléctricas


Define-se potência eléctrica fornecida por um gerador a um dado circuito como o
produto: P = UI; em que: P – Watt; U – Volt; I – Ampere
U – tensão de alimentação do circuito; I – intensidade da corrente debitada pelo
gerador.
A energia eléctrica é por sua vez dada por:

45
W
W=Pt (porque era P  ) logo:
t

W=UIt
É evidente que, a partir da lei de Ohm podemos exprimir a potência por:
P = U  I = R  I  I = R  I2 ou ainda
U U2
P U I U  
R R

121.5 Efeito térmico da corrente eléctrica. Lei de Joule


Sabemos que, por exemplo em centrais térmicas se queimam combustíveis para obter
energia eléctrica, segundo o diagrama muito simplificado da figura.
Conclui-se portanto que uma dada
Energia Energia Energia
quantidade de calor Q será equivalente a
térmica mecânica eléctrica
uma dada quantidade de energia
mecânica Wm, que se obtém a partir da
expressão: Wm = KJQ em que: Wm – Joule; Q – caloria; KJ – 4,17 J/cal.
e KJ é uma constante que se chama equivalente mecânico da caloria.
Logo: KJ = 4,17  Q
A partir desta noção podemos analisar agora o fenómeno seguinte: quando uma
resistência é percorrida por uma corrente eléctrica provoca, na mesma, a libertação de
uma certa quantidade de calor. Este fenómeno é conhecido como o efeito de Joule.
Vejamos agora a dedução de uma expressão que nos permite calcular a quantidade de
calor libertada na resistência R, quando percorrida por uma corrente de intensidade I.
Vimos que: P = RI2 então: W = Pt = RI2t
W W
Como Q   0,24  W  0,24  R  I 2  t
K J 4,17

Esta expressão exprime a Lei de Joule – a quantidade de calor libertada numa


resistência R, percorrida por uma corrente I, durante uma quantidade de tempo t, é
directamente proporcional à resistência, ao quadrado da intensidade da corrente e ao
tempo.

46
12.6 Unidades práticas de energia eléctrica
A unidade prática de energia, que é por exemplo aquela em que se exprime a leitura
dos contadores de energia eléctrica é o Watt-hora (Wh), de que se usa com muita
frequência o múltiplo que é o kilowatt-hora (Kwh).
O Wh é a energia produzida (ou consumida) por um gerador (ou receptor) de 1W de
potência, durante 1hora. Em unidades fundamentais do S.I. fica:
1Wh = 1W 1h = 1W3600s = 1J/s3600s = 3600J

12.7 Aplicações práticas do efeito de Joule


O efeito de Joule tem, como já foi mencionado, várias aplicações:
12.2.1 Sistemas de protecção (disjuntores com relés térmicos)
12.2.2 Sistemas de aquecimento
12.2.3 Fornos eléctricos
12.2.4 Produção de corrente eléctrica (por aquecimento de pares
termoeléctricos)
Etc.
Define-se par termoeléctrico como uma junção, por soldadura de dois metais
diferentes (por exemplo ferro e constantan). Ao aquecermos a junção verifica-se que se
estabelece uma diferença de potencial entre os dois metais.
Um problema prático que se põe é, ao calcularmos resistências para aquecimento, o
da temperatura até à qual se quer aquecer o sistema (por exemplo estufas, fornos
eléctricos, cilindros de água, etc.).
Suponhamos então que se pretende aquecer água num cilindro a 80ºC. Sabe-se que a
quantidade de calor libertada numa resistência é dada por:
Q = 0,24 RI2t
À primeira vista a conclusão a que se chegaria era de que quando se ligasse o circuito
a água começava a aquecer e nunca mais parava. No entanto, como há perdas de calor
para o meio ambiente, ao fim de um certo tempo a temperatura da água estabiliza,
atingindo aquilo a que se chama a temperatura de equilíbrio. No entanto só por uma
grande coincidência é que essa temperatura seria de 80ºC.
Na prática o que se faz então é estabelecer um limite superior (por exemplo 90ºC) e
um limite inferior (por exemplo 70ºC) e arranja-se um dispositivo que desliga a corrente

47
quando a temperatura chega a 90ºC voltando a ligá-la quando a temperatura descer a
70ºC.
Para calcular a quantidade de calor necessária para aquecer uma certa massa de água
m utiliza-se a expressão:
Q = mct
em que : Q – quantidade de calor em caloria
m – massa do elemento a aquecer em grama
c – calor específico do elemento em caloria/g.ºC (= cal./g.ºC)
t - variação da temperatura em ºC
Nota: Definição: Chama-se calor específico de uma substância à quantidade de calor
necessária para elevar de 1ºC a temperatura de 1g da substância.

12.8 Protecção dos circuitos contra o efeito de Joule


A – Fusíveis
A passagem de corrente eléctrica num circuito provoca nos condutores do mesmo,
como já vimos, libertação de calor. Por sua vez o aumento de temperatura dos
condutores provoca, embora em pequena escala, um aumento da sua resistência o que
agrava ainda mais as condições de funcionamento.
Torna-se necessário, dado que a intensidade da corrente influencia fortemente o
efeito de Joule, proteger os circuitos contra esse efeito. Uma protecção eficaz são os
corta-circuitos fusíveis ou simplesmente fusíveis. Estes são pontos fracos introduzidos
propositadamente nos circuitos, “à entrada” dos mesmos, devidamente calibrados para
fundirem com uma determinada intensidade de corrente e interromperem assim a sua
passagem.
À medida que o poder de corte dos fusíveis aumenta estes tornam-se mais perigosos
para o homem porque, ao dar-se a fusão do fio (ou chapa delgada, para altas potências)
podem ocorrer projecções de pedaços de fio incandescentes.
Neste caso opta-se por envolver o fio fusível por invólucros contendo uma matéria
inerte (porcelana, gás, areia siliciosa, etc.).
Chama-se poder de corte de um fusível ou disjuntor à maior quantidade de corrente
que o aparelho pode cortar com segurança, isto é, dentro do tempo previamente
considerado para que não ocorram danos no circuito protegido.
Tipos de fusíveis

48
Sob o ponto de vista de construção existem três tipos fundamentais de fusíveis, como
mostra a figura seguinte.

1. Tipo Gardy 2.Fus. de Rolo 3. Fus. Cilíndrico 4. Fus. APC de cartucho


O fusível de cartucho é colocado na instalação através de um punho de porcelana que
se engata previamente nas duas saliências em T que aquele tem
superiormente.
No que diz respeito ao condutor fusível, este pode ser um fio ou
uma lâmina delgada de prata, cobre, chumbo, alumínio, etc. Para
cada calibra do fusível, (ou seja, a cada poder de corte)
corresponde uma dimensão diferente das várias partes do fusível,
aumentando ainda a distância entre os seus terminais, não só com o poder de corte mas
também com a tensão de serviço.
Calibre dos fusíveis
Cada fusível tem obrigatoriamente a indicação do seu calibre. Normalmente o fio
funde com uma corrente que varia entre 1,6 a 5,1 vezes a sua intensidade nominal.
Deve ter-se particular cuidado na instalação de fusíveis dado que o seu
funcionamento correcto depende de factores como sejam o aperto dos terminais,
arejamento do local, comprimento do fio, etc.
Na instalação a dois fios é obrigatória a protecção do condutor de fase e do neutro
quando a mesma é feita por fusíveis.

49
Intensidade Permanente Admissível em Condutores de Cobre Isolados e Calibres
dos Fusíveis nas Instalações de Utilização
Secção Nominal do Intensidade Máxima Intens. Nominal do Fusível
Condutor (mm2) (Ampere) de Protecção (Ampere)
0.75 9 6
1 11 6
1.5 14 10
2.5 20 15
4 25 20
6 31 25
10 43 35
16 75 60
25 100 80
35 125 100
50 160 125
70 200 160
95 240 190
120 280 225
150 325 260
185 380 300
240 450 360
310 540 430
400 640 500
500 760 600
625 880 700
800 1050 850
1000 1250 1000
Classificação de locais
Os locais de instalações eléctricas de utilização são classificados, para efeitos de
precauções especiais na elaboração do respectivo projecto e execução do mesmo,
quanto ao ambiente e quanto à natureza da utilização que vier a ser dada às referidas
instalações.
1. Quanto ao ambiente: - Abreviatura:
Sem riscos especiais (secos) - SER
Temporariamente húmidos - THU
Húmidos - HUM
Molhados - MOL
Expostos - EPT
Submersos - SUB
Poeirentos - POE
De ambiente corrosivo - ACO
Sujeito a altas temperaturas - ATP
Sujeito a baixas temperaturas - BTP
Sujeito a acções mecânicas intensas - AMI
Com risco de incêndio - RIN
Com risco de explosão - REX
50
2. Quanto à utilização:
Residenciais ou de uso profissional (casa de habitação, escritórios, etc.)
Estabelecimentos recebendo público (casa de espectáculo, hospitais,
estabelecimentos de ensino e comerciais, etc.)
Estabelecimentos industriais (fábricas, oficinas, garagens, etc.)
Estabelecimentos agrícolas ou pecuários (incluindo estábulos, armazéns, etc.)
Locais afectos a serviços técnicos (onde existem equipamentos, etc.)
Tipos de canalizações utilizadas e respectivo material.
1. Canalização à vista
2. Canalização embebida
3. Canalização enterrada
4. Canalizações subaquáticas
5. Canalizações amovíveis
1.º Tipo – Neste caso os condutores podem seleccionar-se dos seguintes modos:
a) Condutores isolados rígidos, estabelecidos sobre isoladores.
b) Condutores isolados rígidos protegidos por tubos.
c) Cabos rígidos com uma bainha ligeira.
d) Cabos rígidos, de duas bainhas ou bainha reforçada.
e) Cabos com armadura.
f) Cabos flexíveis.
2.º Tipo – Neste caso são abertos roços nas paredes nos quais se introduzem os tubos
(onde se vão enfiar os condutores) e as caixas de derivação, de modo a que se não
deteriorem ou amolguem.
3.º Tipo – Neste caso são abertas valas, no fundo das quais vão assentar os cabos. As
caixas de derivação são estanques e, quando os cabos não forem enfiados em condutas
devem ser envolvidos em areia ou terra fina para resistirem melhor á pressão ou ao
abatimento de terras.
4.º Tipo – Os cabos podem simplesmente assentar sobre o fundo dos locais
submersos mas devem levar lastros para não se afastarem facilmente da posição de
assentamento.
5.º Tipo – Devem ser feitas de condutores isolados protegidos por tubos flexíveis, ou
cabos. Os condutores destas instalações não devem ser emendados; em caso de ser

51
necessário acrescentá-los ou derivá-los deve-se fazer essa operação com aparelhos
próprios.
Nota final: os tubos mencionados em 1. e 2., para enfiamento dos condutores são os
chamados tubos VD. Existem diversos diâmetros disponíveis consoante o número de
condutores que vão ser enfiados. O diâmetro apropriado para cada caso escolhe-se a
partir de tabelas.
Para canalizações embebidas, por exemplo, a tabela a utilizar é a seguinte:
Secção Diâmetro nominal dos tubos em mm
nominal dos Número de condutores
condutores 1 2 3 4 5
(mm2)
1,5 12 16 16 16 20
2,5 12 16 20 20 25
4 12 20 20 20 25
6 12 20 20 25 32
10 16 32 32 32 40
16 16 32 32 40 40
25 20 40 40 50 50
35 25 50 50 50 63

52
Ficha n.º 13 – Magnetismo

13.1 Ímanes
Desde tempo remoto que se conhece a existência, na Natureza, de elementos com
propriedades magnéticas, ou seja, que atraem o ferro, o aço, o níquel, etc.. O mineral
que fundamentalmente constitui esses elementos é a magnetite, que na sua variedade
mais pura se designa por pedra-íman ou pedra magnética.
Dado que as propriedades magnéticas se podem comunicar temporariamente ao ferro
e permanentemente ao aço, classificam-se por isso os ímans de magnetite como naturais
e os segundos como artificiais.
Visto que é possível graduar o magnetismo dos ímans artificiais, concluímos que eles
têm vantagem em relação aos naturais, para certas aplicações.

13.2 Pólos magnéticos


Quando mergulhamos um íman em limalha de ferro, verificamos que se dá uma
grande concentração de limalha junto das extremidades do íman e que na zona central
praticamente não há limalha. Chamam-se então pólos magnéticos a essas extremidades
do íman. Um é o pólo norte e o outro o pólo sul, assim designados porque se
suspendermos um íman bastante leve ele toma aproximadamente a direcção norte-sul
geográfica.

13.3 Magnetismo terrestre


Constata-se que a Terra se comporta como se tivesse no seu interior um enorme íman
(como se vê na figura), o que
faz que existam além dos pólos
norte e sul geográficos, um pólo
norte e sul magnéticos.
O ângulo formado pela
direcção norte-sul geográfica
com a direcção norte-sul
magnética mede cerca de 17º,
em Portugal continental.
A existência do campo
magnético terrestre faz com que

53
qualquer agulha magnética vire o seu norte magnético para o ponto A, o que mostra a
possibilidade de orientação através da agulha magnética.
Chama-se declinação magnética de um local ao ângulo formado
pelo meridiano magnético e o meridiano geográfico do local.

13.4 Lei da atracção e repulsão magnéticas – Lei de Coulomb


À semelhança do que acontecia com cargas eléctricas, também
no magnetismo há atracção entre pólos magnéticos de sinal
contrário e repulsão entre pólos do mesmo sinal.
Lei de Coulomb – A força de atracção ou repulsão entre dois
pólos magnéticos (ou duas massas magnéticas) é directamente
proporcional às massas magnética e inversamente proporcional ao
quadrado da distância entre elas.

13.5 Campo magnético. Linhas de força. Espectro magnético. Intensidade do campo


magnético. Força magnetomotriz.
Suponhamos que colocamos um íman sobre uma mesa como mostra a figura. Se
colocarmos várias agulhas magnéticas á volta do íman, verificamos que todas elas vão
adquirir uma orientação própria, de acordo com a lei de atracção e repulsão. Isto
significa que o íman cria á sua volta um campo de influências magnéticas que se chama
campo magnético do íman.
Se colocarmos agora uma placa de vidro sobre um íman e a polvilharmos com
limalha de ferro, verifica-se que a
limalha se distribui segundo linhas
curvas, a maior parte das quais vai
de um pólo ao outro do íman. Essas
linhas chamam-se linhas de força
do campo magnético e o seu sentido
vai do pólo norte para o sul.
À imagem final, tal como a
figura mostra, chama-se espectro
magnético.
Em cada ponto do espectro o campo magnético tem um valor bem determinado, ou
seja, tem uma certa intensidade, direcção e sentido.
54
A intensidade do campo magnético representa-se pela letra H e a sua unidade no S.I.
é o Ampere-espira por metro ( ).
Recordemos agora que, quando falamos na Lei de Ohm generalizada, definimos o
conceito de f.e.m..
Em magnetismo, quando temos uma bobina percorrida por uma certa intensidade de
corrente, constatamos que a bobina cria um certo campo magnético à sua volta, tal como
um íman. Define-se então força magnetomotriz como uma medida do “poder
magnetizante” de uma bobina. Representa-se pela letra F e é dada pela expressão:

A unidade fundamental no S.I. é o Ampere-espira ( )

13.6 Indução magnética. Permeabilidade magnética. Fluxo magnético. Unidades.


Se tivermos um íman em ferradura nas duas
situações que as figuras seguintes ilustram P

N
verificamos que ele cria entre os seus pólos um S

certo campo magnético. N S

Se entre os dois pólos colocarmos uma peça


de ferro macio como mostra a segunda figura
verificamos que as linhas de força, que a
princípio estavam mais dispersas, se vão
concentrar através da peça de ferro macio. Isto significa que no ponto P passou a haver
uma maior indução magnética, quando se introduz a peça de ferro naquela região do
espaço.
A indução é por consequência uma medida da concentração das linhas de força do
campo, dependendo das propriedades magnéticas dos meios que têm de atravessar (no
primeiro caso o ar e no segundo caso o ferro); representa-se pela letra B.
A medida da maior ou menor facilidade com que os meios se deixam atravessar pelas
linhas de força é a permeabilidade magnética. Representa-se pela letra μ.
A relação entre a indução e a intensidade do campo magnético é:
As unidades S.I. de permeabilidade e indução são respectivamente:
μ – Henry/metro (H/m)
B – Tesla (T)
A permeabilidade absoluta ou simplesmente permeabilidade é igual ao produto da
permeabilidade relativa pela permeabilidade do vazio: .
55
Voltando agora à segunda figura, reparemos que a secção da barra de ferro não é
indiferente. Com efeito a concentração de linhas de força na barra depende dessa
secção. Surge assim uma nova grandeza que é o fluxo magnético; representa-se pela
letra Ø e é dada pela expressão: .
Em que as unidades S.I. são: Ø – Fluxo magnético em Webber
S – Secção em m2
O fluxo é pois uma medida da quantidade total de linhas de força que atravessa uma
dada secção.
Diamagnéticas - μ<1
Classificação das substâncias magnéticas
Paramagnéticas – μ>1
quanto ao valor da sua permeabilidade
Ferromagnéticas - μ>>1

13.7 Magnetização por influência. Magnetismo remanescente


Se fixarmos um íman e aproximarmos deste uma barra de ferro macio, sem contudo
tocar no íman, verificamos que a própria barra atrai a limalha de ferro como acontece
com o íman. Uma vez retirado o íman verifica-se que deixa de haver atracção da
limalha. Este fenómeno deve-se a que houve uma magnetização da barra por influência
do íman.
Se magnetizarmos agora a barra por contacto com o íman e depois afastarmos o íman
constatamos que a barra, embora não exerça uma atracção magnética tão grande como
quando estava atraída pelo íman, sobre a limalha de ferro, conserva ainda uma parte do
magnetismo inicial. Chama-se essa porção de magnetismo, magnetismo remanescente.
Este varia consoante o tipo de material que foi magnetizado.
Vejamos o que se passa com alguns materiais:
a) Ferro macio – magnetiza-se facilmente mas perde quase todo o magnetismo,
tanto mais quanto mais puro for o ferro.
b) Aço macio – magnetiza-se menos facilmente mas conserva mais magnetismo
remanescente do que o ferro.
c) Aço duro – Magnetiza-se mais dificilmente mas mantém depois quase todo o
magnetismo.
A força que os materiais ferro magnéticos opõem á magnetização ou
desmagnetização chama-se força
coerciva. N S

N S N S N S N S N S N S

56 N S N S N S N S N S N S
13.8 Teoria molecular do magnetismo
Sabemos que, se partirmos um íman em duas partes, obtemos dois novos ímans e
que, se repetirmos a operação indefinidamente vamos
sempre obtendo novos ímans. Isto acontece porque
cada átomo de uma substância ferromagnética é um
pequeno dipolo magnético, ou seja, um pequeno íman,
como a figura mostra.
Portanto, mesmo que fraccionássemos o íman até
chegar à dimensão dos átomos obteríamos sempre
ímans cada vez mais pequenos visto que essa
orientação dos dipolos se mantém em cada uma das
partes.

57
Ficha 14 – Electromagnetismo.

14.1. Campo magnético produzido por uma corrente


O electromagnetismo estuda as relações entre corrente eléctrica e o campo magnético
que ela produz. Com efeito, quando um condutor é percorrido por uma corrente, cria à
sua volta um campo magnético cujas linhas de força são circulares, como mostra a
figura.
A existência do campo magnético pode ser comprovada com a experiência a que
corresponde a figura, dispondo limalha de ferro sobre uma cartolina. Verificamos que
ela se dispõe segundo os círculos mostrados.
Vamos ver agora as regras que permitem
determinar o sentido das linhas de força do
campo magnético:
Regra de Ampere:
Um observador imaginário, colocado
paralelamente ao longo de um fio, com a face
voltada para uma agulha magnética, olhando o
ponto A, de modo a que a corrente lhe entre
pelos pés e saia pela cabeça, vê o pólo Norte da agulha desviar-se para a esquerda. Esse
é o sentido do campo no ponto A.
Regra do saca-rolhas de Maxwell:
O sentido das linhas de força do campo
magnético é tal que corresponde ao sentido de
rotação de um saca-rolhas que progride
segundo o sentido da corrente.
Regra da mão direita:
Envolvendo o condutor com a mão direita
(como se vê numa das figuras acima), de
maneira que o polegar aponte no sentido da
corrente, o sentido das linhas de força é o sentido
indicado pelos restantes dedos.
O que foi dito para correntes rectilíneas aplica-se
do mesmo, modo a correntes circulares: num

58
condutor curvilíneo, imagine os quatro dedos da mão direita acompanhando o sentido
da corrente; então o polegar esticado indica o sentido do campo.

14.2. Solenóides. Características do seu campo magnético.


Por definição, solenóide é um conjunto de correntes circulares, todas iguais,
dispostas lado a lado segundo o mesmo eixo.
Como na prática não é fácil realizá-lo precisamente como a definição indica,
consegue-se uma boa aproximação com uma bobina ou enrolamento.
A cada volta do condutor chama-se espira.
O fio com que se constroem as bobinas, como facilmente se compreende terá de ser
esmaltado, envernizado ou isolado a algodão ou seda, de modo a que a corrente não
escolha o caminha mais curto e circule efectivamente ao longo de todo o condutor das
espiras. Se tivermos de sobrepor várias camadas, para a bobina não ficar muito longa,
devem separar-se as várias camadas por meio de papel parafinado, tela, etc..
Como já referimos, uma bobina comporta-se magneticamente como se fosse um
íman. Os pólos magnéticos da bobina acham-se aplicando qualquer das regras
mencionadas anteriormente, sendo a mais fácil a última.
Para uma bobina longa, isto é, em que o comprimento é muito maior do que o
diâmetro. O campo magnético no seu interior é dado por:
N I
H
l
em que: H – intensidade do campo em A·e/m
N – número de espiras
I – intensidade da corrente em Ampere
l – Comprimento da bobina em metro

14.3. Curva de magnetização do ferro


Se magnetizarmos um solenóide verificamos que a evolução da indução, em função
da intensidade do campo magnético (ou da corrente de excitação da bobina) apresenta
como gráfico uma recta. Isto significa que, na relação B = μH a permeabilidade é
constante.
Como neste caso o meio é o ar
T
   0  1,25 10 6 ou H/m
A e / m

59
Se introduzirmos no interior da bobina uma barra de ferro verificamos que, para
valores relativamente baixos do campo magnético se obtém uma indução elevada.
Contudo, quando a excitação ultrapassa um determinado valor verificamos que por
muito que se aumente a corrente, a indução aumenta muito pouco.
Diz-se então que se atingiu a saturação magnética, que é devida á presença do
núcleo de ferro.
Se tentarmos agora traçar experimentalmente
a curva de magnetização de uma bobina com
núcleo de ferro, entre um máximo positivo e um
máximo negativo de corrente, obtemos a
seguinte curva fechada que a figura seguinte nos
mostra e que se chama o ciclo de histerese.
Analisando a curva de magnetização obtida conclui-se que a histerese conduz a
perdas de energia uma vez que, a partir de certa
altura, o aumento de corrente não conduz a um
aumento de indução.

14.4. Electroímans – constituição e aplicações


Um electroíman é uma bobina contendo no seu
interior um núcleo de ferro. O enrolamento do
electroíman chama-se bobina de excitação e a
corrente que a percorre é a corrente de excitação.
Quando a corrente percorre o circuito dá-se a magnetização do núcleo de ferro;
interrompendo a corrente o núcleo desmagnetiza-se. A magnetização atrai a peça de
ferro móvel chamada armadura.
Normalmente o núcleo de ferro suporta mais magnetização do que a que se
conseguiria com um íman permanente.
As principais aplicações dos electroímans são: relés e disjuntores, campainhas,
aparelhos de medida, telégrafo, telefone, gruas e freios magnéticos, etc.. Mais adiante
descrevem-se em pormenor alguns destes elementos, relés e campainhas.

14.5. Forças electromagnéticas


Vamos agora verificar a influência que o campo magnético exerce sobre uma
corrente eléctrica. Fazendo a experiência da figura
60
verifica-se que o condutor vai ficar sujeito a uma força F que é dada pela expressão: F
= B · I · l.
O condutor desloca-se num sentido que é dado pela regra da mão esquerda:
“entrando o fluxo pela palma da mão e saindo a corrente pela ponta dos dedos, o
polegar indica o sentido do deslocamento do condutor”.
No que diz respeito à atracção entre correntes eléctricas, provocada pelos respectivos
campos magnéticos, verifica-se que:
- Correntes do mesmo sentido atraem-se.
- Correntes de sentidos contrários repelem-se
Uma aplicação deste fenómeno está no sopro magnético, que é aplicado para
extinguir o arco que se forma entre os
terminais de um interruptor de alto poder
de corte, quando se interrompe a corrente.
Tal como no caso da figura anterior,
aqui é o próprio arco (que no fundo é
equivalente a um condutor percorrido por
uma corrente eléctrica), que sofre o efeito
de uma força magnética e portanto é
submetido a uma espécie de sopro que o
apaga.

14.6. Relés
O relé é um dispositivo eléctrico destinado a provocar uma determinada modificação
de funcionamento de um circuito, quando no mesmo se verificam determinadas
condições.
Existem dois tipos fundamentais de relés: electromagnético e térmico.
O primeiro baseia-se no funcionamento
do electroíman e utiliza-se para proteger as
instalações contra curto-circuitos. Com
efeito, quando a corrente atinge um valor
excessivo a armadura é atraída visto que a
força magnetizante do electroíman
ultrapassa a força da mola. Isto faz com

61
que o interruptor se abra e interrompa o circuito.
O relé térmico (bimetálico) baseia-se no efeito de Joule e protege os circuitos contra
sobrecargas. O elemento fundamental da sua constituição é uma lâmina bimetálica,
constituída por duas lâminas de metais diferentes, justapostas. Dado que cada um dos
metais tem um coeficiente de dilatação diferente, quando são atravessados pela corrente
eléctrica e se produz o efeito de Joule, a lâmina encurva e solta o disparador, desligando
o circuito.
Quando se prime o botão de armar o disjuntor (liga-desliga), o mecanismo fecha o
contacto e fica preso, completando o circuito.
Em alguns disjuntores existe um botão regulador exterior à caixa do disjuntor que
permite regular a intensidade da corrente que dispara o sistema (normalmente de 0,6 In
até In (In – valor nominal da corrente do disjuntor).
O aquecimento do relé pode ser directo (se toda a corrente passa através do
bimetálico), indirecto (se a corrente passa por um fio que é enrolado á sua volta), ou
misto (se passa uma parte da corrente pela lâmina e outra parte pelo fio). O primeiro
tipo é o de actuação mais rápida de todos.
Aplicações:
O relé serve, como já vimos, para sistemas de protecção, mas também para
automação do funcionamento de determinados sistemas, por consequência a intervenção
humana directa (como é o caso das ligações telefónicas directas)

Símbolos habituais:

Relé térmico de aquecimento indirecto (bimetálico frio)

Relé térmico de aquecimento directo (bimetálico quente)

Disparador térmico

Relé electromagnético

62
Relé temporizador

14.7. Campainhas
Os tipos de campainhas mais usuais são as de campânula, cujo 1 2 3
esquema se encontra na figura ao lado, e a do tipo besouro.
Nesta última não existe campânula metálica, mas uma palheta
I
metálica que vibra em ressonância com a frequência do núcleo da
L
bobina, produzindo um zumbido que é amplificado pela caixa
plástica em que o conjunto está inserido. A

No que respeita á campainha representada na figura, se a


E
ligação se fizer entre os terminais 1 e 2, o martelo só dá uma
M
pancada na campânula (usada em hospitais ou residências
C
particulares para chamamento interno). Ligando entre os terminais
1 e 3 a campainha toca continuamente enquanto se premir o botão.
O seu modo de funcionamento é o seguinte: quando se prime o botão a armadura A é
atraída e o martelo dá uma pancada na campânula. Assim que o martelo se afasta da
espera E, é cortada a corrente de alimentação à bobina, pelo que, por acção da lâmina de
aço L, o martelo volta á posição inicial. Restabelece-se assim a corrente e todo o
processo se repete.
A alimentação é feita por pilhas ou pequenos transformadores de campainha (com
tensões de 3,5 a 8V no secundário).
Existe uma campainha muito semelhante a esta na constituição e funcionamento, a
campainha antiparasita, a qual, pelo facto de não haver interrupção de corrente no seu
funcionamento, não provoca ruídos parasitas na recepção de TSF. A sua alimentação é
feita com corrente alterna, aproveitando a mudança de sentido da corrente para o seu
funcionamento.
Existem ainda outros tipos de campainhas que se utilizam na indústria, as
campainhas e cornetas industriais, em que, sendo os processos de funcionamento
baseados nos mesmos que foram descritos, se obtém por melhoria de construção um
grau de sonoridade muito mais elevado.
14.7.1 – Aplicações

63
Como se constitui do exposto, as campainhas utilizam-se na sinalização sonora em
vários campos da actividade humana: chamamento ou aviso, alarmes industriais (contra
roubo, mau funcionamento de aparelhos ou sistemas industriais, para sinalizar
determinadas manobras, nos comboios, passagens de nível, etc.).
14.7.2 – Simbologia
A representação esquemática de uma campainha é a que se encontra na
figura ao lado: campainha de alarme.
14.7.3 – Normas de utilização
Ao instalar uma campainha há que ter em conta certas normas prescritas pelo
regulamento de segurança, tais como:
a) Protecção eléctrica de acordo com as características da campainha.
b) Protecção contra a penetração de líquidos, poeiras ou corpos sólidos.
c) Protecção contra riscos de incêndio.

14.8. Aparelhagem de comando


Este assunto já foi abordado resumidamente na ficha 3, quando falamos de
contactores e interruptores.
Chama-se agora a atenção para um pormenor da descrição do funcionamento do
contactor. Com efeito ele é comandado à distância por um simples interruptor. A este
sistema de comando à distância chama-se telecomando.
Outro aparelho de comando à distância utilizado, pelo menos no caso da campainha é
o botão de pressão, cujo símbolo se apresenta a seguir: botão de pressão.

14.9. Noções gerais sobre circuitos magnéticos


Os circuitos magnéticos são definidos por três grandezas fundamentais:
a) Fluxo magnético – Ø
b) Força magnetomotriz – F
c) Relutância magnética – Rm
A primeira e a segunda grandeza já foram abordadas no nosso estudo. Convém no
entanto acrescentar que, à semelhança do que acontece para o circuito eléctrico com a
f.e.m., nos circuitos magnéticos a f.m.m. é a causa que provoca e mantém o fluxo de
linhas de força do campo magnético.

64
Relutância magnética – Também se designa muitas vezes por “resistência
magnética” do circuito e é a “resistência” que o circuito magnético oferece à passagem
das linhas de força do campo.
 l  Comprimento do circuito (m)
S
l  Secção (m 2 )
A sua expressão é: Rm  em que: 
 S    Permeabili dade magnética (H/m)
 Rm  Relutância magnética (H -1 )

Note-se que quando a permeabilidade magnética do circuito aumenta, diminui a


relutância, o que significa que o fluxo através do circuito vai aumentar. O quadro
seguinte resume estas conclusões:
Μ Rm Ø

↑ ↓ ↑
Com base nestas deduções e nas considerações feitas anteriormente obtém-se a
F
seguinte expressão: Ø 
Rm

14.9.1 – Circuitos magnéticos heterogéneos de elementos em série


Nestes circuitos, de que a figura ao lado é um exemplo,
existem partes distintas de secção diferente, unidas entre si e
através das quais o fluxo é constante (embora havendo
induções diferentes em cada troço do circuito).

a) F.m.m. total
A f.m.m. total é igual á soma das f.m.ms. parciais dos enrolamentos em série
produzindo fluxos do mesmo sentido.
Note-se que no caso dos vários enrolamentos produzirem fluxos de sentidos
diferentes, convenciona-se um sentido de f.m.m. para positivo e faz-se a soma
algébrica (com sinais + e -) das f.m.ms. tal como nas f.e.ms. dos circuitos
eléctricos (de acordo com a lei de Lenz). Ft=F1+F2+…

Exemplo: Ft=200-130=70Ae I1 Ø1 Ø2

I2

65
É evidente que o fluxo 2 contraria o fluxo 1 e vai portanto anular uma parte do seu
efeito. Se as f.m.ms. fossem iguais e de sinal contrário (sentido contrário), a f.m.m.
resultante era nula.
b) Relutância total
A relutância magnética total de um agrupamento de elementos em série é igual á
soma das relutâncias parciais: Rt = R1 + R2 + …
c) Fluxo magnético
Para um circuito que tenha várias f.m.ms. e várias relutâncias, o fluxo e dado por:
Ft
Ø
Rt

14.9.2 – Circuitos magnéticos heterogéneos de elementos em paralelo


a) Relutância total
Tal como para os circuitos eléctricos, para os circuitos magnéticos é:
1 1 1
   ... I Ø Ø2
R R1 R2

b) Fluxo Ø1

Como se verifica pela figura, o fluxo


criado pela bobina vai dividir-se em
dois ou mais fluxos parciais, ao encontrar uma derivação no circuito magnético.
14.9.3. Circuitos magnéticos com entreferro

Entreferro
Quando o circuito magnético apresenta uma interrupção na sua
configuração, que obriga o fluxo a atravessar o ar,
chama-se a essa zona o entreferro. Nesta zona, dado que
a permeabilidade magnética é muito menor, há uma
maior dispersão magnética, como se vê na figura.

66
14.9.4. Quadro comparativo dos circuitos eléctricos e magnéticos

I Ø

Fonte de tensão magnética (F.m.m.):


Fonte de tensão eléctrica: gerador
bobina percorrida por corrente
Tensão eléctrica: U em Volt Tensão magnética (f.m.m.): F=N·I (em Ae)
Intens. da corrente eléctrica: I em Ampere Fluxo do campo magnético: Ф em Webber
Resistência eléctrica: R em Ohm Relutância magnética: Rm em H-1
Expressão da resistência:
l
l l Expressão da relutância: Rm 
R   ou R   S
s  s
1
Condutividade eléctrica:   Permeabilidade magnética: μ em H/m

Lei de Ohm no circuito magnético:
U
Lei de Ohm no circuito eléctrico: I  Ø
F
R Rm

67
Ficha 15 – Indução electromagnética

15.1. Lei de Faraday ou lei fundamental da indução


- Toda a variação de fluxo magnético através de um circuito ou troço de condutor
eléctrico provoca nesse circuito uma f.e.m. que se chama f.e.m. de indução ou
induzida.
A variação de fluxo mencionada pode fazer-se por dois processos fundamentais:
a – Movimento da espira ou troço de condutor em relação ao
I) Movimento
campo magnético.
relativo
b – Movimento do campo magnético (íman) em relação à espira.
II) Variação do
c – Aumento ou diminuição da intensidade do campo magnético.
fluxo

A B C

Note-se que a f.e.m. induzida só dura enquanto dura a variação do fluxo indutor.
O primeiro processo acima indicado aplica-se em geradores rotativos e o segundo
nos transformadores estáticos.
Na figura C, Que ilustra o segundo processo, o indutor é alimentado por corrente
alternada. Esta cria na bobina um fluxo variável, o qual induz no enrolamento induzido
uma corrente também alternada.
Se numa bobina mergulhada num campo magnético introduzirmos ou retirarmos uma
barra de ferro, dado que há uma variação da relutância magnética da bobina, há
consequentemente uma variação de fluxo que induz uma corrente na bobina.

15.2. Sentido da f.e.m. induzida. Lei de Lenz. Expressão da f.e.m. induzida


Lei de Lenz – O sentido da corrente induzida é tal que tende sempre a opor-se à causa
que lhe deu origem.
Para determinar o sentido da corrente induzida em bobinas utiliza-se a regra do saca-
rolhas de Maxwell.

68
A – O saca-rolhas roda recuando, uma vez que algumas linhas de força como que
“recuam e desaparecem”. Então o sentido da corrente induzida é tal que contraria esse
efeito.
B – Neste caso dá-se precisamente o inverso.
Regra da mão esquerda
Esta regra está ilustrada na figura seguinte:
O fluxo segue a direcção do dedo indicador, a
corrente no condutor á a indicada pelo dedo médio e o
deslocamento do condutor no seio do campo
magnético é indicado pelo polegar da mão esquerda.
Também se pode enunciar da seguinte forma:
O fluxo entra pela palma da mão e o polegar indica a direcção e sentido do
movimento do condutor. Então os restantes dedos indicam o sentido convencional da
corrente induzida. É fácil verificar que cm a mão aberta esta descrição é em tudo
semelhante á anterior.

15.3. Lei da indução


O valor da f.e.m. induzida depende dos seguintes factores:
1) Amplitude da variação do fluxo (ou da indução magnética,
que no mesmo é dizer, do número de linhas de força cortadas
pelo condutor no seu movimento).
2) Velocidade com que se move o condutor.
3) Número de espiras do condutor.
4) Comprimento do condutor.
A expressão da f.e.m. é a seguinte (S.I.):
E = -NBlv
em que:
N – número de condutores
B – indução
l – comprimento do condutor cortado pelas linhas de força
v – velocidade do movimento do condutor
O sinal negativo que aparece na expressão traduz a oposição de causa-efeito
assinalada na lei de Lenz.
69
Esta expressão só é válida quando o eixo do condutor, a velocidade e a indução
forem perpendiculares entre si.
Quando o deslocamento do condutor se faz segundo uma direcção que forma um
ângulo α com as linhas de força, ou quando o próprio
condutor forma um ângulo com a direcção do
deslocamento, a f.e.m. é dada por:
l a
E = -NBlv . senα
Este caso está ilustrado na figura ao lado.
Nota: os círculos com pontos representam linhas de força
perpendiculares ao plano de leitura.
Utilizações:
As principais utilizações da indução electromagnética consistem na produção de
energia eléctrica (geradores) e na construção de motores eléctricos.

15.4. Correntes de Foucault


No interior das massas metálicas sujeitas a
magnetização alternada, aparecem correntes que circulam
If
(em circuitos fechados) em planos perpendiculares às I (ac)
linhas de força do campo magnético. Como a resistência
eléctrica da massa metálica é baixa, estas correntes,
denominadas correntes de Foucault, têm uma intensidade
bastante forte, que vai provocar um aquecimento
excessivo do núcleo. Este facto pode ser analisado na
prática, verificando que um transformador aquece quando
está em funcionamento.
Para obviar este inconveniente, lamina-se o núcleo de ferro dos transformadores e
isola-se cada lâmina das adjacentes, aplicando nas
I1 I2 I3 I4
suas faces uma camada de verniz, para evitar o
contacto metálico entre as várias lâminas.
Verifica-se então que a soma das correntes de
Foucault induzidas em cada lâmina é muito
menor do que a corrente que seria induzida no

70
núcleo, se este fosse constituído por uma peça única.

15.5. Auto-indução
Quando se liga ou desliga um circuito eléctrico que L

contém uma bobina, aparecem extracorrentes de ligação Ilig


(1.º caso) e extracorrentes de ruptura (2.º caso). No I

primeiro caso a corrente vai variar de zero até um valor


final I, o que faz com que o fluxo da bobina varie de zero
até um valor final Φ. Pela lei de Lenz, a variação do fluxo
L
provoca o aparecimento de uma corrente induzida Ilig que
Irup
contraria essa variação e tem sentido contrário ao da I
corrente principal.
No segundo caso a corrente varia de I até zero e o fluxo
acompanha essa variação (de Φ até zero). A extracorrente de ruptura, Irup tende então a
impedir essa variação e tem o mesmo sentido que a corrente principal.
Este fenómeno tem como principal efeito o de danificar os contactos do interruptor,
por aparecerem faíscas nos mesmos. Para obviar a estes inconvenientes procura-se que a
manobra dos interruptores se faça o mais rapidamente possível. Nalguns casos, como no
interruptor de facas, além doa contactos principais, existem contactos secundários que
só desligam quando os primeiros já estão desligados e sob a acção de uma mola que age
rapidamente.
A variação da corrente com o tempo, numa bobina tem a seguinte forma:
O valor ς que figura no gráfico I

I=
U ς
chama-se constante de tempo da bobina R

e é dada por:
Funcionamento
   seg.
Ligar Desligar
estável
L 
  em que  L  Henry
R  R  Ohm

ς t
ς Lê-se “tau”

71
15.6. Coeficiente de auto-indução

Verifica-se na prática que, em diferentes bobinas, quanto maior é o fluxo para o


mesmo valor de corrente, maior é o efeito de auto-indução. A partir desta análise
podemos caracterizar as bobinas pelo seu coeficiente de auto-indução L, que é dado pela
expressão:


L em que (S.I.): L – Henry; ϕ – Webber; I – Ampere.

15.7. Utilização das correntes de Foucault.


Podem ser utilizadas para fusão de metais que são colocados dentro de um cadinho
de barro refractário, no interior de uma bobina, onde se faz passar uma corrente que
varia rapidamente. Em aplicações industriais a bobina é feita em tubo de cobre, o qual é
refrigerado por água em permanente circulação.
Outra aplicação importante é o travão eléctrico do
automóvel. Neste existe um disco metálico que está acoplado
à roda por um eixo (a tracejado).
Quando se acciona o travão, a bobina é percorrida por
uma corrente I. Como o disco está em movimento, pela lei de
Lenz, são induzidas no disco correntes de Foucault que se
opões ao movimento, e portanto travam o disco até o
obrigarem a parar.

72
Ficha 16 – estudo das funções trigonométricas
As funções trigonométricas permitem, num triângulo rectângulo qualquer, relacionar
as medidas dos ângulos internos do triângulo com as medidas dos lados. Vamos abordar
neste ponto apenas as funções trigonométricas directas, que são: Seno; Coseno e
Tangente.
Recorrendo ao triângulo rectângulo de lados R, X e Z, estas funções definem-se do
seguinte modo:

Note-se que entre as três funções se define a relação

Fazendo a substituição, fica

Como se pode concluir as funções seno e coseno variam entre (-1, +1) e a função
tangente entre ).

73
Nota Final:
Das definições das funções dadas tiram-se ainda as seguintes conclusões
importantes:
1) Num triângulo rectângulo, qualquer cateto é igual ao produto da hipotenusa pelo
seno do ângulo oposto (##) ou pelo coseno do ângulo adjacente (##)

2) Qualquer cateto é igual ao produto do outro cateto pela tangente do ângulo


oposto (###).

74
Ficha 17 – Introdução ao Estudo de Grandezas Alternadas Sinusoidais

17.1. Geração de uma corrente alternada


Suponhamos uma espira que gira em torno do
seu eixo, colocada sob a influência do campo
magnético criado por um íman permanente,
como mostra a figura.
A corrente que vai circular na espira
depende dos seguintes factores:
1) Posição relativa, em cada instante, da espira em relação às linhas do campo
magnético.
2) Velocidade de rotação da espira.
3) Intensidade do campo magnético.
4) Sentido em que se faz a rotação.
Analisando o que foi dito em 1), podemos traduzir a frase por “número de linhas de
força cortadas pela espira, na sua rotação em torno do eixo”.
Vamos agora comparar a evolução da corrente eléctrica com as quatro posições
principais, 0º, 90º, 180º e 270º da espira, representadas na figura seguinte:

75
Posição 0º:
Nesta posição a espira está a deslocar-se paralelamente em relação às linhas de força
do campo magnético. Portanto não corta essas mesmas linhas de força e não há corrente
induzida na espira.
Evolução da posição 0º para a de 90º:
Durante esta evolução da espira, esta vai cortando um número cada vez maior de
linhas de força, até que atinge o máximo na posição de 90º. Portanto a corrente cresce
de zero (0º) até um valor
máximo (90º).
Evolução da posição
de 90º para a posição de
180º:
A espira começa a
partir de 90º a cortar um
número cada vez maior
de linhas de força, até
que, no ponto de 180º
deixa novamente de
cortas as linhas de força.
Portanto a corrente diminui entre os 90º e os 180º, até se anular completamente nesta
ultima posição.
Evolução da posição de 180º para a posição de 270º:
A partir da posição de 180º volta a dar-se um aumento do número de linhas de força
cortadas pela espira, desde zero até um valor máximo. Simplesmente houve uma
inversão do sentido em que se faz esse corte. Por exemplo, o troço da espira a cheio faz
agora o corte das linhas de força de baixo para cima, enquanto antes o tinha feito de
cima para baixo.
O sentido da corrente (ou seja, a sua polaridade) inverteu-se e cresce agora de zero
até um máximo negativo.
Evolução da posição de 270º até 360º (ou 0º):
Entre estas duas posições diminui novamente o número de linhas do campo cortadas
pela espira, (desde um máximo negativo até zero, no que respeita à intensidade da
corrente).

76
17.2. Período ou ciclo. Frequência.
Define-se período como o tempo necessário para que qualquer movimento volte a
assumir as mesmas características (por exemplo, o tempo que distam dois máximos
positivos ou dois máximos negativos, na curva da força electromotriz (Efem) atrás
apresentada).
Ao inverso do período chama-se frequência, que se mede em Hertz (Hz) ou ciclos
por segundo (c/s), no S.I.

A frequência da corrente que consumimos em nossas casas é de 50 Hz, embora haja


países em que se utilizam 60 Hz. Em electrónica trabalha-se com uma gama muito
variada de frequências.
A relação da frequência de um movimento circular com a velocidade angular da
espira, relação essa que vai ser muito importante no nosso estudo, é dada por:

17.3.Representação gráfica de uma grandeza alternada.

Suponhamos um vector a girar sobre uma circunferência, no sentido indicado na


figura e façamos a representação da sua projecção sobre o diâmetro vertical (figura à
esquerda). Façamos agora a representação dessa projecção em função do tempo (figura
à direita). Verificamos que a curva obtida unindo todas as pontas das projecções tem
uma forma característica a que se chama sinusóide.
Uma sinusoide consta de uma alternância positiva (0, 1, 2, 3, 4) e uma alternância
negativa (4, 5, 6, 7, 8).
A representação da grandeza na figura à esquerda é a sua representação vectorial,
cujo significado é o de que, num dado instante, o vector (de comprimento Am) tem
uma inclinação α em relação à origem do movimento.

77
A esta representação equivale ainda a que se encontra à direita, chamada
representação temporal e em que se representam os valores da projecção de , em
função do tempo, durante um período completo.

2 2

3 1 1 3

Am
Ā

α 4 8
4
0(=8) 0 T/4 T/2 3T/4 t

5 5 7
7

6 6

17.4.Valor eficaz da tensão e corrente


Voltando ao gráfico que representa uma grandeza alternada sinusoidal (por exemplo,
a intensidade de corrente ou tensão), suponhamos que nos propomos medir com um
aparelho de medida adequado a corrente ou a tensão alternadas, o valor efectivo da
corrente ou da tensão num dado
circuito. I
Verificamos que os valores obtidos +IM
+Ief
nessa leitura são inferiores aos valores
máximos da oscilação (assinalados na
figura ao lado). A esses valores lidos
t
pelo amperímetro ou pelo voltímetro
chama-se então valores eficazes e são
-Ief
os valores que efectivamente actuam
-IM
sobre os circuitos.

Na sucessão de curvas da figura seguinte apresentam-se sucessivamente, as variações


reais da tensão (A), as variações que o aparelho “vê” (B) e a tensão indicada pelo
ponteiro do aparelho, depois de ter havido uma rectificação da tensão (C).

78
V

+Vef

t
A relação de grandeza entre
-Vef os valores eficazes e os valores
máximos é dada por:

V
1 2
+Vef
e
B

t Fazendo as contas, e visto que


, fica:
3 4
-Vef

V
1 2= 3 4
+Vef

17.5.Comparação dos efeitos da corrente continua e da corrente alterna


Sabemos que os principais efeitos da corrente contínua eram:
a) Químicos
b) Térmicos
c) Electromagnéticos
d) Luminosos
79
Vejamos qual a consequência da constante inversão de polaridade da corrente
alternada, sobre estes fenómenos:
a) Químico – neste caso a inversão anula sistematicamente os efeitos, alternância
após alternância.
b) Térmico – como por definição a passagem de corrente num circuito provoca um
efeito calorífico (lei de Joule), conclui-se facilmente que não interessa o sentido
que a corrente tem no circuito.
c) Electromagnético – o campo magnético de uma corrente alternada não exerce
influência sobre agulhas magnéticas ou ímanes móveis, uma vez que, se estes
numa alternância são atraídos, na imediatamente a seguir são repelidos (isto 50
vezes por segundo). Como o fenómeno é muito rápido a agulha ou o íman não
têm tempo de reagir (quando muito observar-se-á uma leve vibração).
d) Luminoso – como a inversão de polaridade é muito rápida a vista humana não se
apercebe das flutuações da intensidade luminosa.
e) Efeitos electrodinâmicos – as acções atractivas e repulsivas entre duas bobinas
mantêm-se também em c. a. porque há inversão simultânea de polaridade nas
duas bobinas. Este fenómeno faz com que se utilizam aparelhos electrodinâmicos
para medida em corrente alternada.

17.6. Estudo dos condensadores.

17.6.1 – Construção de um condensador.


Um condensador eléctrico é um aparelho formado por duas superfícies metálicas,
separadas por uma substância isolante (ar, vidro, papel, mica, etc.).
As duas folhas metálicas chamam-se armaduras e o isolante é o dieléctrico.

17.6.2 – Fundamentos de um condensador.

17.6.2.1 – Comportamento em corrente contínua. Dieléctrico

Uma vez que as placas estão separadas por um


isolante, um condensador ideal opõe uma resistência Armaduras

infinita à passagem de corrente contínua. Deve contudo notar-se que ao ligarmos uma
fonte de corrente contínua a um condensador, num pequeno período de tempo
imediatamente após a ligação (tempo que varia de condensador para condensador), se
80
observa uma passagem de corrente no circuito. Esta corrente chama-se corrente de carga
do condensador. Assim que a carga estiver completa cessa a passagem de corrente.
De modo análogo, ao curto-circuitarmos as placas de um condensador previamente
carregado, aparece uma corrente no circuito, de curta duração, que se chama corrente de
descarga. Mais adiante analisaremos estes fenómenos em pormenor.
Note-se ainda que a carga Q que o condensador acumula é directamente proporcional
à corrente de carga I e ao tempo de carga t.

17.6.2.2 – Intensidade de campo eléctrico e tensão de disrupção. Rigidez dieléctrica.


Na prática a intensidade do campo eléctrico é dada pela fórmula:

Em relação à tensão entre as placas do condensador, esta não pode ultrapassar um


valor determinado (que varia de condensador para condensador). Com efeito verifica-se
que se formos progressivamente aumentando a tensão aplicada aos terminais de um
condensador, chegará o momento em que se dá uma descarga através do isolante, a qual
destrói o condensador. Ao valor mínimo de tensão que provoca a perfuração do
dieléctrico chama-se tensão de disrupção ou tensão de ruptura. Este valor depende da
qualidade e espessura do dieléctrico e da temperatura, de acordo com o quadro seguinte:

Temperatura Espessura do dieléctrico

Tensão de disrupção

A partir da noção de tensão de disrupção, referente ao condensador, define-se a


noção de rigidez dieléctrica do dieléctrico:
- é a tensão de disrupção, por unidade de espessura do isolante.
Mede-se em KV/cm.
A rigidez dieléctrica é maior nos isolantes sólidos e líquidos do que nos gases (e
nestes aumenta com a compressão).

81
Rigidez dieléctrica de alguns isolantes
Ar 30 KV/cm
Óleo mineral 100 ″
Papel parafinado 400 ″
Parafina 50 ″
Porcelana 100 ″
Mica 450 ″
Vidro 180 ″

17.6.2.3 – Capacidade de um condensador


A capacidade de um condensador é dada pela expressão:

A expressão anterior ainda pode escrever-se na seguinte forma:

Para um condensador com uma certa capacidade, de valor C, verifica-se a partir da


expressão anterior que a carga armazenada nas suas armaduras aumenta com a tensão
aplicada aos seus terminais (que não deve todavia aproximar-se da tensão de disrupção).

17.6.2.4 – Capacidade de um condensador de armaduras planas


Para este caso é possível calcular a capacidade a partir das características
geométricas do condensador. A expressão é então:

Note-se ainda que:

82
Constante dieléctrica relativa de algumas substâncias
Substância εo
Ar 1
Papel 1,8 a 2,5
Parafina 2 a 2,7
Óleo isolante 2,2 a 2,7
Papel parafinado prensado 2,5 a 4,5
Papel endurecido 4a7
Porcelana e vidro 5a7
Mica 5a8
Cerâmica 5 a 3000

17.6.3 – Carga e descarga de um condensador. Constante de tempo


Suponhamos então o circuito da figura
I carga
para análise da carga e descarga de um
+ mA
condensador.
I descarga
Carga (posição 2 do interruptor) R

Ligando ao circuito uma tensão de


U
alimentação continua U, verifica-se que a +
C
-
corrente de carga tem nesse instante um valor 1
máximo I’, que é limitado pela resistência R -
2
incorporada no circuito, bem como pela
resistência dos próprios fios condutores e do material das placas do condensador. A
partir desse instante e à medida que o condensador se vai carregando, o valor da
corrente vai diminuindo, até se anular quando a carga estiver completa.
Constante de tempo do circuito (tempo de carga)
O tempo que leva a efectuar-se a carga completa pode ser medido na prática e
calculado teoricamente. Para tal é necessário conhecer os valores de R e C.
Define-se então a constante de tempo do circuito dado, que se representa pela letra τ
(tau), como o produto:

83
Em geral a carga completa de um condensador termina ao fim de 5 constantes de
tempo.
Descarga (posição 1 do interruptor)
Quando o condensador é descarregado (curto-circuitando os terminais do circuito),
verifica-se que a corrente toma um valor máximo I’, mas flui agora em sentido
contrário, até se anular ao fim de aproximadamente 5 constantes de tempo.
Gráfico da carga e descarga de um condensador

I
I’
carga

descarga
-I’

Nota final:
Note-se que a introdução de uma resistência R no circuito vai fazer com que o tempo
de carga e descarga aumente e esse aumento é tanto maior, quanto maior for o valor de
R (visto que ).
Por outro lado, se a resistência total do circuito fosse nula, o tempo de carga e
descarga seria nulo, ou seja, elas seriam instantâneas. Na prática isso nunca
acontece, uma vez que, mesmo com R=0 existe uma pequena resistência
associada aos condutores e ao próprio condensador.
Para com seguirmos portanto observar o fluir das correntes indicadas,
devemos utilizar uma resistência R de valor bastante elevado e tanto mais
elevado quanto menor for o valor do condensador.

84
17.6.4 – Associação de condensadores
U1 U2 U3
Associação em série:
+ - + - + -
Ao ligarmos a tensão de alimentação vão + - + - + -
C1 C2 C3
haver sucessivas quedas de tensão em cada
condensador.
Pela 2.ª lei de Kirchoff, fica: U

Por outro lado, a distribuição de cargas nas placas dos condensadores vai ser tal que,
como se observa na montagem, cada condensador fica com a mesma carga Q (isto
porque, quando na placa positiva do primeiro condensador aparecem n cargas positivas,
existirão n cargas negativas na placa negativa; por outro lado, se n cargas negativas se
deslocaram para a placa negativa do primeiro condensador então ficaram n cargas
positivas na placa positiva do segundo condensador, e assim sucessivamente).
Da expressão da capacidade tira-se que:

Substituindo na expressão da lei de Kirchoff fica:

Ou seja,

No caso de termos n condensadores com a mesma capacidade C1, a expressão


anterior transforma-se na seguinte expressão mais simplificada:

Associação em paralelo: + -
+ -
Neste caso verifica-se que, aos terminais de cada condensador está Q 1 C1
aplicada a mesma tensão U, o que provoca uma distribuição de cargas + -
+ -
Q1, Q2 e Q3 em cada um, concluindo-se que: Q 2 C2

+ -
+ -
Q 3 C3

85 U
Note-se ainda que a carga total Q, debitada pla bateria é igual à soma das três cargas
indicadas:

Logo fica, substituindo-se os valores das cargas nesta expressão:

No caso de os condensadores terem todos a mesma capacidade C1 e serem em


número de n fica:

17.6.5 – Unidades de capacidade (S.I.) e submúltiplos


Dadas as pequenas dimensões dos condensadores e apouca carga que nesse caso é
possível armazenar nos mesmos, As suas capacidades são geralmente muito
pequenas,pelo que é habitual usar os seguintes submúltiplos:

17.6.6 – Tipos de condensadores industriais mais usuais


A – Condensador de papel com placas metálicas.
São condensadores para uso com correntes elevadas, constituídos por vários
elementos ligados entre si e metidos num tanque de chapa de ferro. Cada elemento é
constituído por duas placas metálicas separadas por papel parafinado. Antes de encerrar
o tanque, que é à prova de ar, elimina-se o ar e a humidade a vácuo a fim de diminuir o
perigo de disrupção.
B – Condensador de metal-papel (MP)
As placas são uma fina camada de zinco, depositada sobre as duas faces do papel.
Estes condensadores têm a propriedade de se autorrepararem quando há uma
pequena perfuração sem perdas sensíveis na sua capacidade e na sua energia
armazenada.

86
C – Condensador metal-laca (ML) Alumínio
São constituídos por uma placa de alumínio que é revestida em
ambos os lados por uma fina camada de laca (verniz), que é o
dieléctrico. Sobre as faces exteriores da laca deposita-se a vácuo, uma
fina camada de zinco.
Têm também a propriedade de se autorrepararem e têm a vantagem
de ocuparem penas 1/3 do volume dos MP. Laca

D – Condensador de plástico Zinco

São também do tipo enrolado, em que o dieléctrico é uma camada plástica. As suas
vantagens são o menor factor de perdas e a capacidade praticamente constante com a
temperatura.
E – Condensadores cerâmicos
Têm a forma de placas, tubos e copos. As armaduras são constituídas por uma
camada de prata e o dieléctrico é a cerâmica. Têm factor de perdas muito baixo.
F – Condensadores electrolíticos
São constituídos por duas folhas de alumínio e papel
de celulose com carbonato de sódio, que é empregue Alumínio
Óxido de
Electrólito
como electrólito. Geralmente como segunda placa usa-se alumínio
Alumínio
um invólucro de alumínio. O dieléctrico é uma finíssima
camada de óxido de alumínio, o que Faz com que se consigam elevados valores de
capacidade num espaço pequeno.
G – Condensadores variáveis
São constituídos por duas séries de placas isoladas entre si, cujo dieléctrico é o ar.
Uma série de placas é fixa e a outra é móvel, pelo que, pela rotação da parte móvel é
possível variar a capacidade do condensador.

87
17.7. Noção de impedância
A noção de impedância de um circuito em c.a. corresponde à noção de resistência em
c.c. Como consequência disso, a lei de Ohm, que se escrevia em c.c.:

Escreve-se agora:

Em que Z é o símbolo da impedância e se exprime também em Ohm.


A diferença entre um conceito e outro está em que, enquanto em c.c. se fala de
resistência pura, em c.a. a impedância é constituída por um termo puramente resistivo e
por um termo denominado reactância, termo esse que não é mais do que a “resistência”
(não do ponto de vista puramente óhmico), , oferecida à passagem da c.a. através de
bobinas e condensadores. A reactância representa-se pela letra X.
A expressão da impedância, em função da resistência e da reactância é:

Da expressão anterior tira-se esta outra expressão:

que nos faz recordar a forma do teorema de Pitágoras para um triângulo rectângulo
em que os catetos sejam R e X e a hipotenusa seja Z.

Z
X
φ
R

Tem particular interesse no nosso estudo o ângulo φ que está assinalado na figura.
Esta letra representa a desfasagem entre a tensão e a corrente num dado circuito, que
estudaremos mais adiante.

17.8. Desfasagem entre tensão e corrente


A introdução num circuito puramente resistivo de um condensador ou de uma bobina
(ou de uma associação de condensadores e bobinas) provoca, além da diminuição da
intensidade da corrente, o aparecimento de uma desfasagem entre tensão e corrente.
A desfasagem é normalmente representada pela letra φ, como já vimos. Na figura
seguinte representam-se, em diagrama vectorial e temporal, a desfasagem.

88
V I
ω
V
φ

φ
Diagrama vectorial Diagrama temporal

A curva da tensão é fixa (pois quando se liga um circuito à rede, sabemos que a
tensão é fixa e a corrente é que vai variar). A curva da corrente vai então aparecer
desfasada da curva da tensão, sendo essa desfasagem dependente das características do
próprio circuito.
Da análise do diagrama vectorial conclui-se que a desfasagem representa também o
ângulo entre a resistência e a impedância.

17.9. Estudo de um circuito só com resistência óhmica pura em c.a.


Neste tipo de circuito verifica-se que a tensão e a corrente estão sempre em fase. A
impedância, neste caso particular é então dada por:

Note-se que na prática, ao falar-se em valores de tensão e corrente, se está a falar em


valores eficazes, pelo que se escreve habitualmente

VAC Z=R

E os respectivos diagramas vectorial e temporal são:

89
V

I V

Diagrama vectorial Diagrama temporal

Como V e I estão em fase, então a desfasagem é nula. Repare-se que este facto era
previsível antes mesmo de se construir o diagrama vectorial da impedância – como não
há condensadores nem bobinas no circuito, então a reactância é nula (X=0) e o diagrama
fica:
V=Z.I
e φ=0
VR=R.I

17.10. Estudo de um circuito contendo só uma bobina (circuito indutivo puro)


Neste caso R=0 (o que deve ser tomado como aproximação porque na prática não é
axactamente assim). Então a impedância tem um valor que é igual à reactância indutiva.
Na expressão

Por outro lado a reactância de uma bobina é dada por:

90
Na bobina a desfasagem da corrente em relação à tensão é de 90º, dizendo-se que a
corrente está em quadratura e atraso em relação à tensão. Os respectivos diagramas
vectorial e temporal são:

V, I φ=π/2

V ω

φ=90º
V I

I t

Diagrama vectorial Diagrama temporal

17.11. Estudo de um circuito capacitivo puro


Admite-se que do mesmo modo que no caso anterior, R=0. A expressão da
impedância fica então:

A relação entre a reactância capacitiva ou capacitância e a capacidade é:

Verifica-se neste caso que a corrente está em quadratura e avanço em relação à


tensão.
Os respectivos diagramas vetorial e temporal são:

V, I

V I
π/2 π 3π/2 2π
I t
φ=-90º
ω

V
φ

Diagrama vectorial Diagrama temporal

91
17.12. Estudo do circuito R-L série
17.12.1 - A configuração deste circuito é a seguinte:
R L

VR VL

VAC

Em que a impedância, como já sabemos, é dada por:

Pelo que a corrente é dada por:

E verificamos portanto que a corrente, no circuito de c.a. diminui quando nele se


introduz uma bobina.
No que respeita à desfasagem entre tensão e corrente neste circuito, verifica-se que a
corrente está em atraso em relação à tensão como se pode ver pelos diagramas vectorial
e temporal seguintes.

V, I
V

V
I

ω
φ

φ<90º

I t

Diagrama vectorial Diagrama temporal

92
O diagrama de impedância é o que se segue, de acordo com o que foi dito no ponto
7.

Z
X

φ
R

Do diagrama vectorial tensão-corrente facilmente se conclui que, no caso de a


resistência ser nula (em aproximação, como já foi dito), a desfasagem será de 90º,
situação abordada no ponto 10.
17.12.2 – Construção do diagrama vectorial tensão-corrente
Antes de mais é preciso esclarecer que as leis de kirchoff são aplicáveis aos circuitos
de c.a., desde que se considerem somas vectoriais das grandezas consideradas.
Analisando o circuito que estamos a estudar podemos escrever pela lei das malhas:

Suponhamos que é conhecida a corrente Ī que percorre o circuito. A partir das


relações

Podemos traçar agora o diagrama vectorial:

VL
I
Z.
V=

φ I

VR

93
17.13. Estudo do circuito R-C série
17.13.1 – Este circuito tem a configuração seguinte:
R C

VR Vc

VAC

A impedância é dada pela expressão:

Como no caso do circuito R-L, também aqui a introdução de um condensador no


circuito provoca a diminuição do valor da corrente.
No que diz respeito à desfasagem, neste caso a corrente está em avanço em relação à
tensão, como se pode ver pelos diagramas vectorial e temporal seguintes:

V, I

V
φ

I
φ ω t
V

Diagrama vectorial Diagrama temporal

17.13.2 – Construção do diagrama vectorial tensão-corrente


Aplicando do mesmo modo que no caso anterior a lei das malhas conclui-se que:

94
O diagrama fica então:

I VR=R.I
φ ω
VC=XC.I V=Z.I

sendo:

Paralelamente o diagrama de impedâncias é o que se segue:

Z
XC
φ
R

17.14. Estudo do circuito R-L-C série


17.14.1 – Este circuito tem a configuração seguinte:
R L C

VR VL Vc

VAC

A impedância será então dada por:

O facto de a reactância ser dada por deve-se a que os vectores relativos


à indutância e à capacitância têm sentidos contrários.
17.14.2 – Construção do diagrama vectorial tensão-corrente.
Como sabemos, pela aplicação da lei das malhas vem:

95
e como e têm a mesma direcção e sinais contrários, podemos passar à
construção do diagrama vectorial.

VC

VL
V ω

φ I

VR

Se pretendermos escrever uma relação entre os módulos daa tenções, a partir do


diagrama anterior obtemos a expressão:

Repare-se que na situação do diagrama anterior há uma preponderância da reactância


indutiva em relação à capacitiva, pelo que o circuito apresenta características indutivas.
Pode contudo acontecer o caso contrário (devido é claro aos valores relativos da
capacidade e da indutância), que se ilustra no esquema vectorial seguinte. O mesmo
pode acontecer atuando sobre a frequência.

VL

I ω

φ VR
VC

O circuito apresenta neste caso características capacitivas.


17.14.3 – Estudo da ressonância
Analisemos agora o caso particular em que V L= VC. Pela observação dos diagramas
vectoriais anteriores conclui-se que φ = 0 e portanto a tensão está em fase com a
corrente, situação esta que é equivalente àquela em que o circuito era resistivo puro.
Diz-se então que o circuito está em ressonância.
A reactância é portanto nula.
Como então .
96
Tem particular interesse o facto de estudar a possibilidade de, num circuito qualquer,
variar a frequência da corrente, de modo a provocar a ressonância. Então, como
,

A esta frequência chama-se frequência de ressonância. Portanto, dada uma bobina e


um condensador, quaisquer que sejam os seus valores, é sempre possível determinar o
valor da frequência que provoca a ressonância do circuito.

17.15. Considerações gerais sobre circuitos em derivação.


A partir do foi dito anteriormente é possível fazer a análise de qualquer circuito
contendo resistências, bobines e condensadores, desde que se tenha em mente que as
leis de Kirchoff (lei das malhas e lei dos nós) só podem aplicar-se em c.a. sob a forma
vectorial.
Suponhamos a título de exemplo o circuito seguinte:
I IL R
A

IC
VR

V(AC) VL L
Vc C

Comecemos por escrever as leis de Kirchoff, aplicadas ao circuito dado.


no nó A:

malha esquerda:

malha direita:

Vamos agora determinar cada uma das grandezas do circuito (supondo dada a tensão
de alimentação Vac).

97
Expressão Desfasagem

Soma vectorial de VL com VR

Quadratura e avanço em relação a V

(ângulo cujo cos é )

I Soma vectorial de IL com IC


Quadratura e avanço em relação a
Em fase com IL

Estamos agora em posição de traçar o respectivo diagrama vectorial. As várias fases


de traçagem seguem a ordem indicada no quadro anterior.
1) Traça-se o vector (igual a )
2) Traça-se o vector (em quadratura e avanço em relação a )
3) A partir do cálculo de φ1 traça-se , em atraso em relação a .
4) Traça-se uma perpendicular na origem e marca-se em quadratura e avanço em
relação a .
5) Traça-se , em fase com , tendo em conta que
6) Soma-se vectorialmente com e obten-se .
7) Obtém-se da figura a desfasagem φ entre .

IC

VL

I
φ V=VC
φ1
VC IL

90º

VR

98
17.16. Potência em corrente alterna
Façamos um paralelo com a noção de trabalho aprendida na mecânica:
- Seja uma força , cujo ponto de aplicação sofre um deslocamento d, sendo φ o
ângulo entre a força e o deslocamento. Sabemos que o trabalho realizado pela força é
dado por:

F’ d
φ

Em que o produto é a projecção da força sobre o deslocamento.


Para sermos mais precisos, F’ é a componente activa da força, o que equivale a dizer
que dado um certo ângulo φ, entre F e d, nem toda a força F vai ser aproveitada para
produzir trabalho.
Limitemos a variação do ângulo ao intervalo (0º, 90º). Note-se então que, quando
φ=0, a componente activa da força coincide com a própria força (F = F’) e toda a força
é aproveitada.
À medida que φ aumenta, a projecção F’ vai-se ornando cada vez menor até que se
anula para φ=90º e F não produz trabalho.
Com efeito se analisarmos a expressão , vemos que, como

Suponhamos agora o seguinte diagrama vectorial em c.a.:

Ir
I

φ Ia
V

Se decompusermos o vector em duas componentes , uma assente sobre e outra


sobre um eixo perpendicular, podemos considerar a componente sobre como a
componente activa da corrente, e a componente perpendicular como a componente
reactiva, . Aplicando a definição de potência eléctrica escreveremos para a potência
activa:
99
Se atendermos a que
Fica:

Chama-se ao cosφ factor de potência em c.a.


Notemos ainda que . Então designaremos por potencia reactiva o
produto:

Analisemos agora as consequências da variação de φ no intervalo (0o, 90o).

Definiremos ainda a noção de potência aparente pela expressão:

Pelo que as expressões das outras potências se podem escrever da seguinte forma:

Podemos, baseados na trigonometria, construir o chamado triângulo das potências:

S
Q

φ
P

Pela aplicação do teorema de Pitágoras deduz-se a seguinte relação:

A mesma relação podia ser obtida por via trigonométrica:


100
e como (relação fundamental da trigonometria), obtém-se a
expressão indicada.
No quadro que se segue resumem-se as expressões das várias potências e as
respectivas unidades:
Potência Expressão Unidades
Activa
Reactiva
ou:
Aparente

101
Ficha 18 – transformadores

18.1 – Função dos transformadores


A fundamental função dos transformadores é a de transformar tensões elevadas em
tensões mais baixas (transformadores abaixadores de tensão) ou vice-versa
(transformadores elevadores de tensão). Existem ainda outros tipos de transformadores
que estão fora do âmbito deste curso.
Em geral as centrais geradoras de energia eléctrica encontram-se colocadas longe dos
grandes centros consumidores. Nas centrais, por razões de construção dos geradores, a
tensão a que a energia eléctrica é produzida não ultrapassa em geral os 10.000V. Dado
que as correntes geradas têm valor muito elevado e dado que a potência de Joule
dissipada nos cabos condutores depende fortemente da intensidade da corrente que os
percorre, torna-se necessário fazaer o transporte de energia a tensões muito elevadas e
correntes baixas.
Por sua vez nos locais de consumo utilizam-se tensões muito baixas (220 / 380V) e
valores de corrente elevados. O diagrama seguinte resume a situação.

Consum.

Transf. Transf.
Gerador Consum.
elevador abaixador
V baixa V alta V baixa
I elevada I baixa I alta
Consum.
Central

Nota:
Deve tomar-se em consideração que a resistência dos cabos condutores, dado o seu
elevado comprimento não pode desprezar-se. Os construtores dos cabos de alta tensão
têm que indicar sempre, para cada cabo, o valor da resistência do mesmo, por
quilómetro de comprimento.
Exemplo:
Suponhamos o caso de um cabo condutor que tem uma resistência de 1,8Ω/km.
Então se utilizarmos um cabo de 100 km de comprimento, percorrido por uma
corrente de 50 A, será:
Resistência total do cabo:

Potência de Joule dissipada no cabo:


102
Verifica-se pois que não se trata de valores tão desprezáveis como poderia parecer à
primeira vista.
Vamos agora ver um esquema simplificado de uma rede de distribuição de energia
eléctrica.

6kV/0,4kV Agricultura

Central

Indústria

6kV/0,4kV

25kV/6kV 100kV/25kV

Rectificador 25kV/6kV 6kV/0,4kV

Cabo subterrâneo

Da análise do esquema podemos tirar as seguintes conclusões:


1) Ao longo da rede há vários transformadores abaixadores, em que a tensão do
secundário está adaptada à utilização particular em vista.
2) O transporte de energia até aos grandes centros é feito por cabos aéreos.
3) O abastecimento de energia dentro dos grandes centros urbanos é feito através de
cabos subterrâneos.
4) Cada transformador tem indicadas as tensões do primário e do secundário.
5) Os transportes colectivos são normalmente alimentados por tensão contínua.

103
18.2 Construção e funcionamento dos transformadores
Um transformador é basicamente constituído por um núcleo de ferro, sobre o qual
estão montadas duas bobinas (monofásico) isoladas entre si e isoladas do núcleo.

Campo magnético Φ1

Núcleo:
O núcleo de ferro é constituído por várias chapas isoladas entre si. O material das
chapas é usualmente ferro com uma pequena percentagem de silício.
A laminagem destina-se, como já vimos a diminuir o efeito das correntes de
Foucault. Note-se que para correntes de alta frequência a laminação é insuficiente e
usam-se então outros materiais, como a ferrite que é um isolante eléctrico.
A introdução do silício em pequenas quantidades (que não podem ultrapassar os
valores previamente fixados sob pena de tornar as chapas de ferro demasiado
quebradiças) destina-se a diminuir a área do ciclo de histerese do material, ou seja, a
diminuir as perdas por histerese.
Enrolamentos:
O enrolamento de entrada ou enrolamento primário, recebe a corrente eléctrica. Esta
cria um fluxo magnético no núcleo, cuja variação vai induzir no enrolamento de saída,
ou enrolamento secundário, uma f.e.m. Como já sabemos, de acordo com a lei de Lenz,
a f.e.m. induzida no secundário tem sentido contrário à f.e.m. que lhe deu origem.
Na prática os dois enrolamentos não se encontram em braços distintos do núcleo,
mas um sobre o outro, no mesmo braço, a fim de diminuir a dispersão magnética.
Num transformador abaixador de tensão, o enrolamento primário, ou de A.T. tem
maior número de espiras, de fio fino. O enrolamento secundário ou de B.T. tem menor
número de espiras de fio grosso.

104
Nos transformadores pequenos, o calor desenvolvido internamente é dissipado pela
circulação de ar. Em transformadores de potências elevadas, todo o conjunto (núcleo +
enrolamentos) está mergulhado em óleo de características especiais e dentro de uma
carcaça metálica. O óleo, além de servir para arrefecimento, tem ainda a vantagem de
tornar muito mais difícil a formação de faíscas internas.
F.E.M. Induzida:
A f.e.m. induzida no secundário de um transformador é dada pela expressão:

A mesma relação é válida para o primário, com a forma:

18.3 Relação U-I-N de um transformador. Relação de transformação.


Se admitirmos em primeira aproximação que as quedas de tensão nos enrolamentos
primário e secundário podem desprezar-se e que as perdas no transformador são nulas
(o que está próximo da verdade), podemos escrever para as potências que:

ou seja,

que pode tomar a forma:

expressão esta que confirma o que ficou dito acerca do modo de funcionamento dos
transformadores, no ponto 1: se elevarmos a tensão no primário= a corrente baixa na
mesma proporção.
Por outro lado, da expressão já estudada no ponto 2, verifica-se
que, para um mesmo valor do fluxo e da frequência, a f.e.m. induzida é directamente
proporcional ao número de espiras. Então podemos escrever a relação:

Conjugando esta expressão com a que relaciona E e I obtém-se:

105
logo,

Define-se como relação de transformação de um transformador a relação entre a


tensão do enrolamento com maior número de espiras e a tensão do enrolamento com
menor número de espiras (segundo as normas VDE 0532).

18.4 Reversibilidade dos transformadores


Do que ficou dito até aqui se pode concluir que qualquer transformador pode ser
utilizado de dois modos diferentes:
a) Para obter umas f.e.m. maior a partir de uma f.e.m. dada.
b) Para obter uma f.e.m. menor a partir de uma f.e.m. dada.
O mesmo pode ser dito em relação às correntes. Conclui-se assim que estamos em
presença de uma máquina eléctrica reversível. Deve contudo notar-se que só é de
considerar a reversibilidade perfeita para o vazio de funcionamento.
No funcionamento em carga, devido à moior queda de tensão no enrolamento de fio
mais fino, para além de uma alteração no valor da tensão, há uma grande diminuição do
rendimento do transformador.

18.5 Perdas de um transformador


As relações E-I-N que deduzimos anteriormente foram obtidas admitindo-se que o
transformador não tinha perdas, o que não é exactamente verdade. Se bem que um
transformador bem construído tenha perdas reduzidas, existem contudo dois tipos
fundamentais de perdas a ter em conta:
1º) Perdas no ferro – que são as perdas por histerese e por correntes de Foucault.
2º) Perdas no cobre – que são as perdas nos enrolamentos por efeito de Joule.
Ensaio em vazio:
As perdas no ferro não dependem da carga, mas apenas da tensão aplicada, podendo
ser determinadas com o auxílio de um wattímetro, a partir do que se chama o ensaio em
vazio.

106
Liga-se o wattímetro no
circuito primário de acordo
com o esquema da figura e
coloca-se a tensão de
alimentação do primário no
seu valor nominal A potência indicada pelo wattímetro corresponde à potência de
perdas no ferro.
Ensaio em curto-circuito:
As perdas no cobre não dependem da tensão, mas da carga (ou, o que é o mesmo, da
intensidade da corrente debitada pelo secundário) e podem ser determinadas a partir do
ensaio em curto-circuito. Liga-se o wattímetro como no ensaio anterior e cuto-circuita-
se o secundário.

I2 nominal

Secundário em
curto-circuito

Deve começar-se por alimentar o transformador gradualmente a partir de uma tensão


de zero Volt, tendo o cuidado de observar o valor da corrente do secundário indicado
pelo amperímetro, de maneira a que ela não ultrapasse o valor nominal da corrente para
o secundário, previamente conhecido. Quando a corrente secundária atingir esse valor, o
valor da potência lido pelo wattímetro corresponde às perdas no cobre.
Note-se que a tensão de alimentação do transformador é, nesta situação muito
inferior ao respectivo valor nominal.

18.6 Rendimento de um transformador


O rendimento de um transformador é dado pela expressão:

107
Dado que há perdas no transformador, a potência do secundário é inferior à do
primário, pelo que o rendimento é menor do que 100% (normalmente variando de 95 a
99%).Conhecida a potência de perdas Pp é:
pelo que a expressão do rendimento pode escrever-se:

Normalmente o rendimento de um transformador é tento maior quanto maior for a


potência nominal do mesmo.

Ficha 19 – Generalidades sobre aparelhos de medida

19.1 Tipos de aparelhos de medida quanto à construção


Os mais usuais são:
a) De quadro móvel
b) De ferro móvel
c) Electrodinâmicos
d) Térmicos

a) De quadro móvel:
São constituídos por uma
parte fixa que é um íman curvo,
com uma zona de entre-ferro.
Neste entre-ferro é colocado um
quadro móvel de fio de cobre
isolado. Aos extremos do eixo
do quadro móvel estão fixas
duas molas em hélice
(geralmente de bronze) que
mantêm o quadro móvel na posição de repouso (agulha, ou ponteiro, no zero) quando
não passa corrente no enrolamento.
O acesso ao enrolamento faz-se através de dois terminais exteriores à caixa do
aparelho, os quais devem ter a indicação da respectiva polaridade.
Quando uma dada intensidade de corrente percorre o enrolamento (ou seja, ao liga-lo
no circuito) o quadro sofre o efeito de uma força electromagnética e roda até que essa

108
força seja igualada pela tensão elástica da mola, altura em que a agulha pára. A fim de
que a agulha não oscile durante muito tempo em torno do ponto de equilíbrio, existe um
sistema de amortecimento por correntes de Foucault induzidas no próprio quadro.
Dado que (como já vimos) o sentido da força electromagnética depende do sentido
da corrente, estes aparelhos só servem para corrente contínua.
Existem aparelhos deste tipo, designados por galvanómetros, em que o zero da escala
está ao centro.
b) De ferro móvel:
Os aparelhos de ferro
móvel são constituídos por
uma bobina fixa e um
núcleo móvel de ferro
macio. Este núcleo está
montado no extremo de
uma alavanca articulada ao
meio de um eixo, existindo
no outro extremo da
alavanca contrapesos (ou
uma mola) para levarem o ponteiro a zero quando se desliga o aparelho.
Quando a bobina é percorrida por uma
corrente ou sujeita a uma d.d.p., o núcleo de
ferro é atraído, mergulhando na bobina. Para
amortecer as oscilações do ponteiro, o
aparelho está munido de um freio de ar que
consiste de uma lâmina acoplada ao ponteiro,
lâmina essa que se desloca dentro de uma
pequena caixa de ar.
Outro tipo de aparelho de ferro móvel, que
a figura ao lado ilustra, é o aparelho de
palhetas. Este é formado por uma bobina fixa
e duas palhetas de ferro macio, uma fixa e
outra móvel.

109
Quando uma corrente percorre a bobina (ou a esta é aplicada uma d.d.p.) dá-se uma
magnetização das duas lâminas de ferro, de tal modo que as suas extremidades
(próximas quando em repouso) ficam com pólos magnéticos do mesmo nome. Dá-se
então uma repulsão magnética, tanto mais forte quanto maiores forem os valores
aplicados à bobina.
Do mesmo modo que já vimos, o amortecimento do movimento da agulha é feito por
uma mola em hélice ou por contrapesos.
Nota:
Nos aparelhos de ferro móvel, o sentido do
2
movimento da agulha é independente da 1 3

polaridade da corrente (ou d.d.p.) aplicada à 0 4

bobina, pelo que estes aparelhos servem tanto


para c.c como para c.a.
Os aparelhos de ferro móvel são mais
robustos e mais baratos do que os de quadro
móvel, embora sejam menos precisos na
leitura. Para atenuar este inconveniente, a
leitura deve fazer-se tanto quanto possível no 1/3 final da escala. Analisaremos este
ponto mais adiante, matematicamente.
c) Electrodinâmicos
Os aparelhos electrodinâmicos são constituídos por uma bobina fixa de fio grosso e
uma bobina móvel (à qual está acoplado o ponteiro), de fio mais fino, mergulhada
dentro da primeira.

110
Repare-se que, nestas circunstâncias, a bobina móvel é percorrida por uma corrente
muito fraca, ou antes, só pode ser percorrida por uma corrente muito fraca, dado o
calibre do fio de que é constituída. Há portanto necessidade de utilizar um shunt entre as
duas bobinas, que desvie a maior parte da corrente para a bobina de maior calibre.
Quando as bobinas são percorridas por uma corrente (ou aos seus terminais se aplica
uma d.d.p.), cria-se no seu interior um campo magnético, de tal modo que os pólos
próximos das bobinas vão ter a mesma polaridade. Dá-se então uma repulsão e a bobina
móvel roda.
Dado que o sentido da rotação do ponteiro é independente da polaridade da corrente
(visto que, quando se inverte a polaridade de numa bobina há também inversão na outra
e os pólos próximos continuam com igual polaridade), este tipo de aparelhos pode ser
utilizado tanto em c.c. como em c.a.
O amortecimento é feito do mesmo modo que nos aparelhos anteriormente descritos.
d) Térmicos:
Os aparelhos térmicos fundamentam-se na dilatação de fios ou palhetas metálicas por
efeito de Joule. Na figura seguinte mostra-se o funcionamento de um aparelho deste
tipo, por dilatação de um fio condutor (liga de prata e platina) ab, o qual é esticado
por um fio de cobre ou latão cd e este por sua vez por um fio de seda ef, preso a uma
mola m. O fio de seda está enrolado no tambor que suporta o ponteiro.

111
Quando a corrente a

passa no fio condutor b

ab, este aquece e dilata- 2


1 3
c
se, folgando o fio cd; a 4
0

mola puxa então o fio de Tambor

seda, o qual faz rodar o


tambor e
m e
f
consequentemente, o
ponteiro. Note-se que o
desvio do ponteiro vai
Fio de seda
d
ser proporcional, não à
intensidade da corrente, mas ao quadrado da intensidade, pelo que a escala não é
uniforme, ou seja, as divisões da escala não são iguais.
Dado que o efeito de Joule não depende do sentido da corrente, estes aparelhos
servem tanto para c.c. como para c.a.

19.2 Diferença entre amperímetros e voltímetros


No que diz respeito à construção e funcionamento, os dois tipos de aparelhos são
muito semelhantes. A diferença fundamental está em que, como os amperímetros se
ligam em série e os voltímetros em paralelo, os primeiros devem ser constituídos por
bobinas de fio grosso e poucas espiras (para terem a menor resistência e portanto a
menor queda de tensão possível) e os segundos devem ser constituídos por bobinas de
fio fino e muitas espiras (de modo a apresentarem resistência muito elevada e portanto
não deixarem passar senão uma corrente muito pequena através da sua bobina).
É fácil entender agora a razão pela qual se mede a f.e.m. de um gerador ligando aos
seus terminais, em vazio, um voltímetro: como a resistência do voltímetro é muito
elevada (200 ou mais Ω/Volt) a corrente que vai percorrer o aparelho é muito pequena e
portanto é desprezável a queda de tensão no interior do gerador. Um voltímetro de
grande precisão chega a ter uma resistência interna de 100kΩ/V, ou seja, um consumo
interno extremamente baixo:

112
19.3 Resistências adicionais ou shunts
Os shunts são resistências que se introduzem nos aparelhos de medida, para permitir
que um aparelho tenha várias escalas de medida (tantas quantos os shunts).
Nos amperímetros os shunts ligam-se em paralelo.
Nos voltímetros ligam-se em série.

19.3.1 Factor multiplicativo do shunt


Amperímetros:
Suponhamos que queremos calcular um shunt para um amperímetro que inicialmente
está preparado para ler uma corrente máxima IA, de modo a que ele possa ler uma
corrente I, maior do que a anterior.
I IA R
A
RA
IS

RS

Depois de termos o shunt calculado e instalado, a nova corrente I está relacionada


com IA por um factor multiplicador K, denominado factor multiplicador do shunt, tal
que:

Vamos determinar o valor de K.


Do esquema anterior tiraram-se duas relações que nos permitem escrever o seguinte
sistema de equações (em que as incógnitas são IA e IS):

Como queremos exprimir I em função de IA, vamos, na segunda equação resolver IS


em ordem a IA e substituir IS na primeira equação. Fica:

ou seja:

113
Conclui-se assim que o factor multiplicador do shunt é dado por:

Exemplo de cálculo:
Se tivermos um amperímetro com uma escala máxima de 1 A (RA = 1,8 Ω) e
quisermos utilizá-lo para uma escala de 10 A, o factor multiplicador da escala será:

Podemos agora calcular a resistência do shunt RS. Substituindo os valores de K e RA


na expressão acima, fica:

Voltímetros:
Vamos calcular o valor do shunt para um voltímetro que tem uma escala máxima V,
de modo que este possa medir uma tensão V’, maior do que a anterior.
A corrente de consumo do aparelho é dada inicialmente por:

Como se pretende que o voltímetro passe a ler uma tensão V’ (V’ > V), introduz-se,
em série com o voltímetro, uma resistência adicional ou shunt, RS, de modo a que haja
nesta uma queda de tensão V’ – V, e o aparelho continue a ter aos seus terminais apenas
uma d.d.p. V (visto que V + (V’ – V) = V’).

V’ - V V
RS
V
IV
V’
Aplicando a lei de Ohm ao circuito dado, conclui-se que a resistência do shunt é dada
por:

Substituindo IV pela sua expressão atrás deduzida, vem:

114
Como sabemos o factor multiplicador do shunt é, em termos de escalas de tensões (e
note-se que ele é sempre um dado do problema prático),

Da expressão tira-se a seguinte:

19.4 Classe de precisão de um instrumento de medida


É um valor indicativo do grau de precisão com que o instrumento efectua as
medições, traduzindo o erro de leitura, em percentagem do valor final de escala.
Tomemos como exemplo um amperímetro de classe 1, com 5 A de valor final de
escala. Então o erro de leitura é 1% desse valor, ou seja:

No caso dos galvanómetros, para calcular o erro de medida, deve considerar-se a


amplitude total da escala.
Seja, por exemplo um voltímetro de zero ao centro (-5 V, 0, +5 V) de classe 2,5.
Então o erro de leitura é:

115
19.5 Tensão de prova de um instrumento de medida

2
1 3

0 4

V prova

É a tensão que deve ser aplicada entre a carcaça e os bornes do instrumento a fim de
testar o grau de isolamento do mesmo. Se ao efectuarmos o teste de isolamento (por
exemplo no amperímetro da figura seguinte), observarmos um desvio da agulha, isso
significa que há uma falha no isolamento o que pode causar acidentes ou falsear os
valores medidos, em certas circunstâncias.

19.6 Zona de leitura e precisão de medida


Como já vimos, o erro de leitura é dado em percentagem do valor final da escala,
sendo portanto um valor constante.
Atendendo a que o erro relativo de uma medida é o quociente entre o erro absoluto
da leitura (a que nos referimos anteriormente) e o valar medido:

Torna-se evidente que, quanto mais perto se estiver do final da escala, ao efectuar
uma leitura, menor é o seu erro relativo.
Suponhamos, por exemplo, que pretendemos ler uma corrente de 0,7 A, com um
amperímetro de classe 2,5. O aparelho possui duas escalas: 0~5 A e 0~1 A.
Façamos o cálculo do erro da medida (erro absoluto) para cada escala:
Escala 0~5 A:

Escala 0~1 A:

116
Note-se portanto que no primeiro caso, em que o ponteiro está próximo do início da
escala o erro é cinco vezes maior do que no segundo caso, no qual o ponteiro está
próximo do final da escala.

19.7 Diferença entre precisão de medida e precisão de leitura


Precisão de medida e precisão de leitura são coisas diferentes.
A primeira de pende de factores de construção do aparelho e do seu funcionamento.
A segunda depende do erro humano, ao efectuar a leitura.
Entre estes últimos os mais importantes são os erros de paralaxe que consistem em
efectuar a leitura sem que o raio visual esteja perpendicular ao plano da escala. Para
evitar os erros de paralaxe os aparelhos mais aperfeiçoados possuem um espelho por
detrás do ponteiro e próximo da escala, devendo a leitura correcta ser feita quando o
ponteiro e a sua imagem na escala sejam coincidentes.

19.8 Ohmímetros
O ohmímetro é um aparelho que serve para avaliar resistências eléctricas.
Têm incorporada uma pequena pilha, pelo que, quando vamos ligar o aparelho a uma
resistência incluída num circuito, devemos assegurar-nos de que todas as fontes de
alimentação do circuito estão desligadas.
Como se verifica na prática, a escala do ohmímetro não tem as divisões todas iguais.
Este facto é consequência do seguinte:
O desvio do ponteiro vai depender do valor de corrente que atravessa a resistência.
Ora como a corrente é inversamente proporcional à resistência (lei de ohm), à medida
que a resistência aumenta, a corrente diminui, pelo que as divisões vão diminuindo de
tamanho, desde R = 0 (corrente máxima) até R = ∞ (corrente nula).
Repare-se que num multímetro, a escala de ohmímetro está da direita para a
esquerda, enquanto a escala de amperímetro está da esquerda para a direita; isto é
consequência do que ficou dito no parágrafo anterior.
Conclui-se do exposto que este aparelho não serve para medir exactamente o valor de
uma resistência. Para isso utiliza-se habitualmente a ponte de Weatstone ou o método
do voltímetro-amperímetro.

117
19.9 Wattímetros
O wattímetro é um instrumento electrodinâmico que serve para medir a potência
eléctrica, tanto em c.a. como em c.c.
A bobina de corrente fixa, é percorrida por uma corrente que cria um campo
magnético proporcional à corrente total. Através da bobina de tensão, móvel, flui uma
corrente que cria um campo magnético proporcional à tensão. Obtém-se assim um efeito
repulsivo entre as bobinas que corresponde à potência activa a ser medida.
A bobina de tensão roda (e com ela o ponteiro), até ao ponto em que o momento
magnético é equilibrado pelo momento mecânico das duas molas de restituição, em
espiral, acopladas ao eixo da bobina móvel.
O amortecimento é feito, como já vimos, por meio de uma caixa de ar.
Nos wattímetros de precisão, não não existem peças de ferro, pelo que as indicações
de c.c e c.a. são praticamente coincidentes (não há perturbações causadas pela
magnetização do ferro em c.a.).
Em série com o enrolamento de tensão existe (interiormente no aparelho), uma
resistência de valor elevado, devidamente calibrada, de modo a que o valor da corrente
que percorre este enrolamento seja extremamente baixo.

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Simbologia dos aparelhos de medida

1. Tipos de aparelhos quanto à construção

Aparelho de bobina móvel, com íman permanente

Aparelho semelhante ao anterior, mas com rectificador

Aparelho de bobina móvel, com íman permanente, medidor de quociente

Aparelho de ferro móvel

Aparelho electrodinâmico, sem ferro

Aparelho electrodinâmico, encerrado em ferro

2. Simbolos de classe

Classe Significado
0,1 – 0,2 – 0,5 Aparelho de medida de precisão
1 – 1,5 – 2,5 – 5 Aparelho de medida industrial

3. Tipos de corrente

Corrente contínua

Corrente alterna

Corrente contínua e alterna

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4. Posição dos aparelhos

Vertical

Horizontal

60º
Oblíqua a 60º de inclinação

5. Tensão de prova

500 V

2 2 kV

5 5 kV

Exemplos

Aparelho de c.c., de quadro móvel, classe 0,5


0,5 2 (precisão), de uso em posição horizontal, tensão de
prova de 2 kV.

Aparelho de c.a., de ferro móvel, classe 1,5


1,5 2 (industrial) de uso em posição vertical, tensão de
prova de 2 kV.

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Bibliografia
6. Fundamentos de Electrotécnia – Arnold
7. Curso de Electricidade Práctica – Rogério de Castro e Silva
8. Electrotecnia – Engº Horta Santos
9. Curso de Electricidade – J. Nirad
10. Física – Campo Electromagnético – Luis G. da Silva / Jorge Valadares
11. Elementos de Electricidade – Simões Morais
12. Fórmulas e Tabelas do Electrotécnico – Engº Armando Cardoso

Nota final do autor


Estes apontamentos foram elaborados na intenção de servirem de guia para o estudo
teórico das disciplinas de Electrotecnia (9º ano-Unificado) e Electricidade (C.G.E.).
Terão com certeza defeitos, pelo que desde já se agradecem todas as críticas e sugestões
que permitam melhorar o seu contexto e porventura acrescentar alguns pontos que os
colegas pensem constituir lacunas importantes, nos mesmos.
De qualquer modo, a electricidade tem um âmbito tão vasto, que não cabe no
objectivo da presente obra uma muito maior ampliação.
Faz-se notar ainda que o seu autor é professor provisório, com todas as implicações
que daí se deduzem, em termos de estabilidade de emprego, devendo-se a elaboração
destes apontamentos, apenas a um dever de consciência para com os alunos. Há com
certeza professores muito mais abalizados, com larga e efectiva experiência de ensino,
que poderiam efectuar um trabalho mais perfeito.

Engº João Reis.


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