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AVALIAÇÃO DE IMPACTOS

AMBIENTAIS
2021-1

Engenharia Ambiental e Sanitária


IFG – Campus Goiânia

Prof. Dra. Rosângela Mendanha da Veiga


Olá pessoal!
Eu sou a professora Rosângela, responsável pela disciplina
“Avaliação de Impactos Ambientais”. Sejam bem-vindos!
O conteúdo programático da disciplina encontra-se dividido em 10
módulos. Este é o primeiro módulo e nele vamos conhecer os
principais conceitos e definições, empregados na Avaliação de
Impactos Ambientais.
As referências bibliográficas a serem consultadas encontram-se
indicadas ao longo desta apresentação de slides.
Bom estudo!
Módulo I

Conceitos e definições
“Ambiente” é o primeiro conceito a ser apresentado e
compreendido.
Muito se discute a respeito do que vem a ser Ambiente. Mas vamos
nos concentrar nas referências básicas da área de Planejamento e
Gestão Ambiental.
A primeira e mais importante referência, é a Lei Federal nº 6.938, de
31 de agosto de 1981. No seu artigo 3º, inciso I, apresenta-se o
conceito de Meio Ambiente. Veja no slide seguinte.
E, para compreender melhor o conceito do ponto de vista legal,
consulte a referência indicada na sequência.
AMBIENTE

Segundo a Lei Federal nº 6938 de 31 de


agosto de 1981, artigo 3º, inciso I
entende-se por meio ambiente:

“o conjunto de condições, leis, influências e


interações de ordem física, química e
biológica, que permite, abriga e rege a vida
em todas as suas formas”
Consulte:

BRASIL. Lei Federal nº 6938 de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a


Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação
e aplicação, e dá outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm> Acesso em 10 set.
2020.
Basicamente, existem três concepções de ambiente:

Objetiva
O ambiente é uma coleção de objetos naturais em diferentes escalas (do
pontual ao global) e níveis de organização (do organismo à biosfera) e as
relações entre eles (ciclos, fluxos redes, cadeias tróficas). Considera que
nenhuma espécie tem mais importância que outra (visão biocêntrica).

Subjetiva
O ambiente é encarado como um sistema de relações entre o homem e o
meio entre “sujeitos” e “objetos”. Cada individuo, cada grupo social, cada
sociedade seleciona, entre os elementos do meio e entre os tipos de
relação, aquelas que lhe importam (visão antropocêntrica).

Tecnocêntrica
A relação das sociedades contemporâneas com seu ambiente é medida
pelo emprego de técnicas cada vez mais sofisticadas. A sociedade
gerencia o meio ambiente, ordenando e reordenando constantemente a
relação entre a sociedade e o mundo natural.
Nos estudos ambientais, os conteúdos relacionados ao ambiente são abordados e
organizados segundo três grandes grupos ou eixos temáticos: meio físico, meio
biótico e meio antrópico. Cada um destes grupos reúne o conhecimento de diversas
disciplinas afins.
Os conteúdos referentes ao meio físico ou abiótico referem-se ao estudo e à
descrição de dados e informações sobre tudo aquilo que dá suporte à vida e, de cuja
a integridade, depende a manutenção de funções ecológicas essenciais. Estamos
falando dos recursos ambientais tais como: a atmosfera; os diversos tipos de solo e
subsolo, que constituem a litosfera; e a água em seus diferentes estados (a
hidrosfera). Este é o campo de estudo da Geologia e da Geografia Física, por
exemplo.
Os conteúdos referentes ao meio biótico referem-se ao estudo e à descrição de
dados e informações sobre os seres vivos: a fauna e a flora. Neste campo de estudo
atuam, por exemplo, os biólogos.
Os conteúdos referentes ao meio antrópico abordam o mundo humano, naquilo que
se refere ao campo da Economia, Sociedade e Cultura. Por exemplo: os diversos
tipos de assentamentos, principalmente as cidades e sua socioeconomia; as
atividades rurais; e as industriais. Este é campo de estudo das Ciências Sociais
(Economia, Sociologia, Geografia Humana, Urbanismo, dentre outros).
MEIO
FÍSICO

AMBIENTE
MEIO MEIO
BIÓTICO ANTRÓPICO
MEIO FÍSICO

Cordilheira dos Andes Deserto da Arábia


Chile Sub-região asiática do Oriente Médio

Falésias Cânion Itaimbezinho


Escócia Brasil, divisa SC e RS
MEIO BIÓTICO
MEIO ANTRÓPICO
Nos estudos ambientais, os conteúdos relacionados ao ambiente
são agrupados para possibilitar a coleta e a interpretação dos dados
e informações.
Entretanto, é preciso ter em mente que a natureza não é
fragmentada. Os meios físico, biótico e antrópico estão interligados
e interagem a todo momento.
Logo, é preciso ter uma visão ampliada, segundo a qual o
conceito de ambiente engloba todos os meios e suas inter-relações.
Portanto, expressando o conceito graficamente, observamos que
ele se localiza em uma área de união e interseção, conforme pode
ser observado no próximo slide.
MEIO FÍSICO

AMBIENTE

MEIO BIÓTICO MEIO ANTRÓPICO


Com relação às concepções de ambiente e aos eixos
temáticos, o profissional que atua no campo do
Planejamento e da Gestão Ambiental precisa ser capaz
de compreender e interpretar os diversos pontos de vista
de seus interlocutores.

Sobretudo, deve ser capaz de dialogar. Porque para


o campo do Planejamento e Gestão Ambiental,
deve-se buscar entender o ambiente sob múltiplas
acepções, como um conjunto de condições e limites
que deve ser conhecido, mapeado, interpretado,
definido coletivamente e dentro do qual evolui a
sociedade (SANCHEZ, 2008, p. 28).
Compreender o conceito de ambiente, segundo uma visão
ampliada, é necessário para determinar o alcance de:

• políticas públicas;
• ações empresariais e de iniciativa da sociedade civil.

No âmbito da Avaliação de Impactos Ambientais (AIA), o


entendimento do conceito de ambiente define:

• abrangência dos estudos ambientais;


• medidas mitigadoras ou compensatórias;
• planos e programas de Gestão Ambiental.

Portanto, é determinante na definição do alcance dos


instrumentos de planejamento e gestão ambiental.
Dois outros conceitos, “Cultura e Patrimônio”, são importantes na
Avaliação de Impactos Ambientais porque as implicações de um projeto
podem ir além de suas consequências ecológicas. Estes conceitos estão
relacionados ao meio antrópico, ou seja, às realizações humanas. Eles
englobam :
(I) os bens imateriais ou intangíveis, que se referem às produções
coletivas tais como: a linguagem, as lendas, os mitos, as danças e
festividades;
(II) os bens materiais móveis que são suscetíveis de movimento próprio,
ou de remoção por força alheia, sem que isso altere a sua substância
ou destinação econômica, por exemplo: obras de arte, mobiliários,
veículos. Como bens materiais imóveis podemos citar: os sítios
arqueológicos, históricos, religiosos e naturais,
(III) o Patrimônio Genético é o conjunto de informações genéticas
contidas nas plantas, nos animais e nos microrganismos, estejam eles
vivos ou mortos, no todo ou em suas partes (cascas, folhas, raízes,
ossos, pelos, penas e peles). Embora o Patrimônio Genético seja
representado pela biodiversidade, também deve ser considerado como
Patrimônio Cultural, visto que pressupõe conhecimento tradicional ou
científico.
CULTURA E PATRIMÔNIO

I. Bens imateriais ou intangíveis;


II. Bens materiais móveis e imóveis;
III. Patrimônio Genético.
Para compreender melhor estes conceitos do ponto de vista legal,
veja o artigo 216 da Constituição da República Federativa do Brasil
de 1988:

Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de


natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em
conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à
memória dos diferentes grupos formadores da sociedade
brasileira, nos quais se incluem:
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais
espaços destinados às manifestações artístico-culturais;
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico,
paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico
e científico.
As imagens no próximo slide se referem àquilo que é considerado como
Cultura e Patrimônio.
São exemplos de bens materiais móveis: as doze esculturas em pedra
sabão, denominadas os Profetas, feitas pelo artista Antônio Francisco
Lisboa, conhecido como Aleijadinho, localizadas no Santuário do Bom
Jesus de Matosinhos, no Município de Congonhas (MG); e o documento
original da Lei Áurea, oficialmente Lei n.º 3.353 de 13 de maio de 1888,
diploma legal que extinguiu a escravidão no Brasil.
São exemplos de bens materiais imóveis: o conjunto arquitetônico e
urbanístico do Centro Histórico da Cidade de Goiás (GO); o Cristo redentor
e o Pão de Açúcar no Rio de Janeiro (RJ); bem como os diversos sítios
arqueológicos encontrados em todo o território nacional.
As manifestações artístico-culturais, tais como o Frevo e as Baianas, são
bens imateriais ou intangíveis.
A culinária brasileira é um exemplo de um bem tanto material quanto
imaterial, porque envolve componentes físicos, como os alimentos em si, os
artefatos e utensílios culinários; e também componentes culturais, como as
práticas, os saberes e as representações.
Um bom exemplo do patrimônio genético é o Pequi, alimento tradicional dos
Povos do Cerrado.
Consulte:

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil.


Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Acesso em 29 ago. 2020

Leitura complementar:

SANTILLI, Juliana. O reconhecimento de comidas, saberes e práticas alimentares


como patrimônio cultural imaterial. Demetra: alimentação, nutrição & saúde ; 2015;
v. 10, n. 3, p. 585-606. DOI: 10.12957/demetra.2015.16054. Disponivel
em:https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/demetra/article/view/16054
Acesso em 29 ago. 2020
Na sequência, vamos conhecer dois conceitos encontrados na
literatura técnica, que erroneamente são empregados como
sinônimos: “Poluição” e “Degradação Ambiental”.
O primeiro (Poluição) é referente à introdução no meio ambiente de
qualquer forma de matéria ou energia que possa afetar
negativamente o homem ou outros organismos. Observe, no
próximo slide, que a palavra “introdução” está ressaltada, porque
relaciona-se à causa da “Degradação Ambiental”, conceito
apresentado no slide seguinte.
A Degradação Ambiental, por sua vez, é qualquer alteração adversa
dos processos, funções, ou componentes ambientais; ou alteração
adversa da qualidade ambiental. Note que a palavra “alteração” está
ressaltada no slide para lembrar a relação com o conceito anterior. A
Poluição é a causa de um resultado negativo, denominado
“Degradação Ambiental”. Logo, esta última é a consequência de
uma ação humana que poluiu.
POLUIÇÃO

Introdução no meio ambiente de


qualquer forma de matéria ou energia
que possa afetar negativamente o
homem ou outros organismos.
DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

Qualquer alteração adversa dos


processos, funções, ou componentes
ambientais; ou alteração adversa da
qualidade ambiental.
Para ilustrar a diferença, e ao mesmo tempo a
relação entre os dois conceitos, observe a figura
no próximo slide. O despejo de efluentes em um
curso d'água qualquer é uma ação humana.
Esta ação, denominada Poluição, será a causa
das alterações adversas na qualidade ambiental
do curso d'água. As alterações adversas,
portanto, são o resultado, ou a consequência, do
ato de despejar efluentes no curso d'água. Logo,
a consequência é a Degradação Ambiental.
Poluição Degradação ambiental
(causa) (consequência)

ação humana
(poluição)

resultado da ação humana


(degradação ambiental)
Alguns pontos precisam ser ressaltados, para que haja
uma melhor compreensão e aplicação do conceito na
Avaliação de Impactos Ambientais, a saber:

I. O ambiente construído degrada-se tanto quanto os


ambientes naturais;
II. tanto o patrimônio natural quanto o cultural, podem
ser degradados, descaracterizados e até destruídos;
III. Pode ser percebida em diferentes graus de
perturbação;
IV. A expressão área degradada sintetiza os resultados
da degradação do solo, da vegetação e das águas.
Dando prosseguimento, vejamos outro conceito importante, oriundo
dos estudos da Ecologia, realizados no início dos anos de 1970:

RESILIÊNCIA

É a capacidade que um sistema natural possui de se recuperar de uma


perturbação imposta por um agente externo (ação humana ou
processo natural) (SÁNCHEZ, 2008, p. 28).

É o grau, maneira e ritmo de restauração da estrutura e função iniciais


de um ecossistema após uma perturbação (WESTMAN apud
SÁNCHEZ, 2008, p. 28).

É a capacidade de absorver mudanças e ainda assim persistir


(HOLLING apud SÁNCHEZ, 2008, p. 28).
Na imagem ao lado, publicada em 8
de abril de 2020, um exemplo de
resiliência.

Temperaturas acima da média, poucas


chuvas, umidade baixa e
consequentemente, a vegetação muito
seca, foram o estopim para uma série
de incêndios florestais que se
propagaram no Pantanal.

Mas meses depois, a natureza volta a


mostrar toda sua exuberância e seu
poder único de recuperação.

Fonte: CAMARGO, Suzana. A natureza mostra sua força e poder de recuperação no Pantanal, meses após incêndios
destruírem vegetação. Disponível em:
<https://conexaoplaneta.com.br/blog/a-natureza-mostra-sua-forca-e-poder-de-recuperacao-no-pantanal-meses-apos-incendi
os-destruirem-vegetacao/#fechar> Acesso em: 06 set. 2020.
A compreensão da relação entre causa e efeito, exposta
nos slides anteriores, possibilita o entendimento de
outros dois conceitos: Aspecto e Impacto Ambiental, que
são distintos entre si, porém, estreitamente relacionados.
Vejamos!
Aspectos Ambientais são elementos das atividades,
produtos ou serviços de uma organização, que podem
interagir com o meio ambiente. Ou seja, são elementos
capazes de causar alterações na qualidade ambiental,
portanto, estão relacionados às causas.
Os Impactos Ambientais são quaisquer modificações do
meio ambiente, adversas ou benéficas, que resultem, no
todo ou em parte, das atividades, produtos ou serviços
de uma organização. Ou seja, os impactos são
decorrentes dos aspectos, portanto, são consequências.
ASPECTOS AMBIENTAIS

Segundo a ISO 14001:2004:

Elementos das atividades, produtos ou serviços de uma organização


que podem interagir com o meio ambiente.

IMPACTOS AMBIENTAIS

Segundo a ISO 14001:2004:

Qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica, que


resulte, no todo ou em parte, das atividades, produtos ou serviços de
uma organização.

Segundo Sánchez (2008, p. 42):

Alteração da qualidade ambiental que resulta da modificação de


processos naturais ou sociais provocada por ação humana.
ASPECTO AMBIENTAL
(causa)

IMPACTO AMBIENTAL
(Consequência)
Os impactos podem ser benéficos (positivos) ou adversos (negativos).
Os impactos ambientais negativos reais e significativos são aqueles que com certeza
ocorrerão em decorrência das mais diversas atividades humanas, caso não sejam
adotadas medidas de controle. Por exemplo, na produção de carne em frigoríficos
muita água é consumida na entrada do processo produtivo, resultando em uma
quantidade expressiva de efluente. Então, alguma medida deve ser adotada para
evitar uma eventual degradação ambiental, resultante do lançamento irregular do
efluente. Nesta situação hipotética, a geração de efluentes é o aspecto, ou a causa
de um impacto ambiental adverso, real e significativo, caso o efluente não seja
encaminhado para uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), a fim de ser
tratado e, posteriormente, lançado de acordo com os padrões ambientais
estabelecidos. Ou seja, existe uma certeza de que o impacto ambiental ocorrerá.
Sabe-se que ele é expressivo e que só pode ser evitado mediante a adoção de
medidas de controle, no caso a ETE.
Os Impactos ambientais potenciais, por sua vez, são riscos. Ou seja, não existe a
certeza de que ocorrerão, mas é sabido que podem ocorrer. Portanto, requerem
medidas emergenciais. Voltando ao exemplo do frigorífico, muitos deles utilizam
amônia nos seus sistemas de resfriamento. O sistema é projetado, construído e
mantido para funcionar adequadamente. Não se espera que vá ocorrer um
vazamento. Porém sabe-se que pode ocorrer uma falha qualquer que resulte em um
vazamento e, dependendo da gravidade da situação, em uma explosão. Logo, existe
um risco. Por isso é preciso que haja também um Plano de Atendimento de
Emergência (PAE), que é uma medida emergencial.
Os impactos podem ser:

BENÉFICOS OU ADVERSOS

REAIS E NÃO SIGNIFICATIVOS


(não requerem medidas de controle)

REAIS E SIGNIFICATIVOS
(requerem medidas de controle)

POTENCIAIS
(requerem medidas emergenciais)
É preciso que fique claro que “Impacto Ambiental” não é sinônimo de
“Poluição”. Para tanto, vejamos:

Impacto Ambiental X Poluição

I. impacto ambiental é um conceito mais amplo e


substancialmente distinto de poluição;
II. enquanto poluição tem somente conotação negativa, impacto
ambiental pode ser benéfico ou adverso (positivo ou
negativo);
III. poluição refere-se a matéria ou energia, ou seja, grandezas
físicas que podem ser medidas e para as quais podem-se
estabelecer padrões (níveis admissíveis de emissão ou de
concentração ou intensidade).
Impacto Ambiental X Poluição

IV. várias ações humanas causam significativo impacto


ambiental sem que estejam fundamentalmente
associadas à emissão de poluentes (por exemplo, a
construção de barragens ou a instalação de um
parque de geradores eólicos);
V. a poluição é uma das causas de impacto ambiental,
mas os impactos podem ser ocasionados por outras
ações além do ato de poluir;
VI. toda poluição (emissão de matéria ou energia além
da capacidade assimilativa do meio) causa impacto
ambiental, mas nem todo impacto ambiental tem a
poluição como causa.
Os impactos ambientais podem ser causados por uma
ação humana que implique em supressão, inserção ou
sobrecarga.
A supressão ocorre sempre que se elimina algum
elemento do meio, por exemplo: no desmatamento, no
aterramento de um manguezal, na escavação do solo e
subsolo, na eliminação de referências culturais de uma
determinada comunidade, dentre outras.
A introdução de espécies exóticas de plantas e animais
são exemplos de inserção de elementos no meio.
A sobrecarga pode ser exemplificada pelo aumento da
demanda por água e energia em função da implantação
de um novo empreendimento.
Impacto Ambiental pode ser causado por uma ação humana que implique em:

SUPRESSÃO

INSERÇÃO

SOBRECARGA
No próximo slide vamos conhecer e diferenciar outros dois
conceitos: Processo e Efeito Ambiental.
Processos Ambientais são fluxos de energia e matéria, teias de
relações intra e interespecíficas que ocorrem em qualquer
ecossistema natural, alterado ou degradado.
Enquanto Efeito Ambiental é a alteração de um processo natural ou
social, decorrente de uma ação humana.
Exemplificando: a erosão é um Processo Ambiental natural. Porém,
a interferência humana nos ambientes onde está em curso este
processo induzirá o Efeito Ambiental, podendo resultar, dentre
outras coisas, em escorregamentos de massa.
PROCESSOS AMBIENTAIS

São fluxos de energia e matéria, teias de relações intra


e interespecíficas, que ocorrem em qualquer
ecossistema natural, alterado ou degradado.

As ações humanas afetam os processos naturais:


• Tornando-os mais intensos;
• Retardando-os;
• Induzindo-os ou deflagrando-os;
• Alterando-os de forma complexa.

EFEITO AMBIENTAL

Alteração de um processo natural ou social decorrente


de uma ação humana.
Diagnóstico Ambiental é um conceito muito importante na Avaliação de
Impactos Ambientais, porque é através dele que se obtém o
conhecimento de uma determinada porção territorial, não raro, alvo da
implantação dos empreendimentos. O segundo conceito, Recuperação
Ambiental, relaciona-se aos planos, projetos e ações desenvolvidos
para aplicação em áreas degradadas.

DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
É a descrição das condições ambientais existentes em determinada
área no momento presente.

RECUPERAÇÃO AMBIENTAL
É a aplicação de técnicas de manejo visando tornar um ambiente
degradado apto para um novo uso produtivo, desde que sustentável.
No que diz respeito às técnicas de Recuperação
Ambiental, elas podem ser agrupadas em dois grandes
grupos: as ações corretivas e o abandono, sendo a
atuação natural comum a ambos os grupos.
A condição inicial é a situação encontrada antes de
ocorrer qualquer tipo de interferência humana.
A condição atual é a situação após a interferência
humana e é também o cenário a partir do qual, e para o
qual, serão determinadas as técnicas de Recuperação
Ambiental.
Tempo

CONDIÇÃO RECUPERAÇÃO QUE


INICIAL SUPERA A CONDIÇÃO
INICIAL

RESTAURAÇÃO

AÇÃO CORRETIVA REABILITAÇÃO

REMEDIAÇÃO
CONDIÇÃO
ATUAL
ATUAÇÃO NATURAL

RECUPERAÇÃO
ABANDONO
ESPONTÂNEA

CONTINUIDADE DA
Grau de perturbação DEGRADAÇÃO
Neste slide, um exemplo de um local no Brasil onde foram empregadas técnicas de Recuperação
Ambiental. À esquerda, o cenário em 2001 (condição atual); e à direita, o cenário após a aplicação de
técnicas de recuperação ambiental.

Recuperação Ambiental

Trabalho realizado pelo casal Sebastião Salgado e Lélia Wanick: Fazenda Bulcão, antes (2001), e depois de ser
transformada em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e passar por reflorestamento com plantas nativas da
Mata Atlântica (2019).

Fonte: https://institutoterra.org/?fbclid=IwAR2bR9dbwfk6LNAun4WKnIyKB8IKApOWC4P7cw_LBzu-7gFOAnbJ1KlFsvs
O Fresh Kills Landfill tem uma área que corresponde a três vezes o Central Park. Foi criado em 1946, situado no distrito
de Staten Island, na cidade de Nova Iorque – EUA, para ser um aterro sanitário provisório. Porém, com o passar dos anos,
recebeu mais de dez mil toneladas de lixo todos os dias e se tornou o principal lixão da cidade. Em 2001, com um plano de
revitalização da prefeitura, deu lugar ao Fresh Kills Park. Fonte: https://freshkillspark.org/
Consulte:

SÁNCHEZ, Luis Enrique. Avaliação de impactos ambientais: conceitos e métodos.


São Paulo: Oficina de Textos, 2008.

Capítulo 1, páginas: 17 a 43

Imagem do slide inicial e final:

Imagem de <a
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els</a> por <a
href="https://pixabay.com/pt/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral
&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1867212">Pixabay</a>

Observação:

Todos os módulos foram elaborados com o apoio da bibliografia básica e


complementar indicada na ementa da disciplina, no Projeto Pedagógico do Curso.
Foram acrescentados também conteúdos digitais diversos, indicados nos slides e
disponibilizados na sala virtual da nossa disciplina, na Plataforma Moodle, com o
objetivo de enriquecer o aprendizado.
AGRADEÇO A PRESENÇA E A ATENÇÃO!

Prof. Dra. Rosângela Mendanha da Veiga


e-mail: rosangela.veiga@ifg.edu.br

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