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DOUTRINA DA
RESSURREIÇÃO
DOS MORTOS
ANDRÉ PEREIRA SOARES

2018
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DOUTRINA DA RESSURREIÇÃO DOS MORTOS

André Pereira Soares1

RESUMO

Este artigo, tem por objetivo abordar uma análise bíblica e exegética da
doutrina da ressurreição dos mortos, visto que é uma das 6 doutrinas elementares de
Cristo, conforme o escritor da epístola aos Hebreus exorta os seus destinatários. Eles
deveriam ser mestres de outros, porém, deixaram de crescer na fé por negligência,
não desejando aprender mais e ainda necessitavam de leite (Hb. 5:11-14). Desta
forma, o autor os instrui nos rudimentos dessas doutrinas (Hb. 6:1-3), a saber:

1 – Arrependimento das obras mortas;


2 – Fé em Deus;
3 – Doutrina dos Batismos;
4 – Imposição das mãos;
5 – Ressurreição dos mortos e
6 – Juízo eterno.
O foco, portanto, será na 5° doutrina que é a ressurreição dos mortos (em
outro momento as demais doutrinas poderão ser explanadas). Vale ressaltar que,
estas doutrinas devem fazer parte dos nossos esboços de mensagens e ensino, pois
são elementares às nossas bases, elas precisam estar bem claras e definidas em
nosso entendimento e dos demais membros da igreja.

1
Bacharel em Teologia - FACETEN, Licenciado em Letras – FAEL, Pós-graduado em:
Aconselhamento Pastoral – FACEL; Ciências da Religião – Faculdade KURIOS;
Língua Portuguesa: Redação e Oratória – São Luis.
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SUMÁRIO

I. INTRODUÇÃO................................................................................................04

CAPÍTULO I

1. RESSURREIÇÃO E RESSUSCITAMENTO........................................................05
1.1 RESSURREIÇÃO – ANASTÊSETAI.......................................................06
1.2 RESSURREIÇÃO – ANASTASIS...........................................................07
1.3 RESSURREIÇÃO – EGEIRO E EGERSIS.............................................08

CAPÍTULO 2

1. COMO SERÁ A RESSURREIÇÃO?...................................................................11


1.1 O ENSINO SOBRE A RESSURREIÇÃO PARA CORINTO...................12
1.2 O ENSINO SOBRE A RESSURREIÇÃO PARA TESSALÔNICA..........14
1.3 ENSINO DE JOÃO SOBRE A RESSURREIÇÃO..................................16

CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................21

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................22
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1. INTRODUÇÃO

A importância desta pesquisa dá-se pela necessidade de se conhecer,


profunda e adequadamente, sobre a ressurreição dos mortos, pois, no período bíblico,
até mesmo os gregos, que eram extremamente intelectuais, herdeiros de uma cultura
filosófica, muito conceituada até os dias de hoje, tinham dificuldades em compreender
esta doutrina, sendo necessário que Paulo lhes ensinasse os rudimentos básicos da
fé.

Desta forma, neste trabalho será analisado a diferença entre uma


ressurreição, como um milagre, (onde a pessoa volta à vida, porém, no próprio corpo
mortal), com a ressurreição em um corpo imortal, incorruptível e eterno. E esta é a
doutrina que o escritor de Hebreus tem em mente, a partir das palavras originais em
grego, pode-se notar esta diferença.

Este artigo, portanto, tem o cunho exegético, exatamente para extrair o


pensamento original do escritor, ou seja, o que ele queria expressar aos seus
destinatários diretos e o conceito que ele tinha sobre esta doutrina.

Também será relatado como se dará quando esta doutrina se cumprir, pois
analisando os textos bíblicos, dentro dos seus respectivos contextos, temos um
parecer bem profundo sobre a mesma e quando se analisa, independente de linhas
de pensamentos teológicas, temos o privilégio de entender o que o autor realmente
quis ensinar. Então vamos começar.
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CAPÍTULO 1

1. RESSURREIÇÃO E RESSUSCITAMENTO

Primeiramente, é preciso deixar definido que a partir de agora será usada


duas palavras: Ressurreição e Ressuscitamento. Ambas as palavras me fizeram
analisar, ao ouvi-las em um curso realizado com o Pastor Napoleão Falcão, e
recentemente o Espírito Santo direcionou-me a buscar entender melhor esta doutrina,
que é tão importante no Cristianismo, a qual a mesma era considerada loucura para
os gregos, sendo que Paulo necessitou orientá-los de forma minuciosa, pois, eles não
compreendiam.

Quando usamos a palavra Ressuscitamento, nos referimos a uma


ressurreição em um corpo mortal, ou seja, a pessoa volta a passar pela morte
novamente. Exemplos deste tipo de ressurreição:

- O filho da viúva (1 Reis 17:17-24);


- O filho da Sunamita (2 Reis 4:32-37);
- Um homem lançado na sepultura de Eliseu (2 Reis 13: 20-21);
- O filho da viúva de Naim (Lc 7:11-15);
- O Lázaro (Jo. 11:38-45);
- Tabita/Dorcas (At. 9:36-40)
- Êutico (At. 20: 9-12).
Todos esses voltaram a provar à morte novamente, pois ressuscitaram no
próprio corpo mortal.
Já a Palavra Ressurreição usaremos para referir-se à ressurreição em um
corpo imortal, incorruptível. Conforme a análise que faremos, é possível observar que
este corpo ressurreto é superior, pode-se dizer que ele é um corpo glorioso, superando
as leis da física.

Esta análise exegética faz-se necessário, pois no português existe apenas


uma palavra para se referir a voltar à vida, que é ressuscitar, porém, no grego, existem
outras palavras e as mesmas carregam significados muito interessantes e peculiares.
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Desta forma, é preciso analisar quatro palavras no grego que se referem à


ressurreição. Vale ressaltar que essas mesmas foram alvos da minha pesquisa para
preparar este estudo.
As palavras são:
ἀνίστημι (Anistemi) na construção da frase será escrita anναστήσεται
(anastēsetai);
ἀνάστασις (Anastasis) na construção da frase será ἀναστάσει (Anastasei) e
ἀναστήσονται (anastôesontai).
ἐγείρω (Egeiro) na construção da frase será ἠγέρθησαν (Êgerthêsan).
ἔγερσις (Egersis) na construção da frase será ἔγερσιν (Egersin)

A tabela acima será importante sempre recorrer a ela, pois, a partir de agora
usaremos sempre a transliteração para ficar melhor o entendimento (as palavras
transliteradas são as que estão entre parênteses).

Percebe-se, portanto, que o grupo dos dois primeiros vocábulos têm a mesma
raiz e os dois seguintes da mesma forma.

1.1 RESSURREIÇÃO – ANASTÊSETAI

Esta palavra significa: Fazer subir, levante de derrubar, levante dos mortos,
entre outros significados, porém, destacaremos aqui só com os que se referem à
ressurreição. Anastêsetai nesta análise terá o sentido de ressuscitar em um
corpo mortal, pois, o seu sentido é “levantar alguém que estava caído, e o mesmo
pode voltar a cair”.

Este vocábulo é usado nos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas),


quando se refere à ressurreição de Cristo, porém, o evangelista João que escreve
seus escritos cerca de 20 a 30 anos depois, irá usar esta palavra contraponto
Anastasis (anastasei). Embora se saiba que Jesus ressuscitou em um corpo imortal,
quando analisado o vocábulo Anastasis, nota-se que no escrito de João já está
formulado dentro de um pensamento teológico mais avançado que os sinóticos, por
conta da época da escrita.

Então pode-se dizer que Anastêsetai está ligado ao Ressuscitamento como


já comentado até o momento.
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1.2 RESSURREIÇÃO – ANASTASIS

Esta palavra significa: Uma ressurreição dos mortos “como a de Cristo”, “de
todos os homens no final da era atual”. Observa-se que este vocábulo estará ligado a
ressurreição em um corpo imortal, de glória.

A palavra Anastasei é a que se encontra no capítulo 6 vers. 2 de Hebreus,


quando se refere à “Doutrina da Ressurreição dos mortos”, então, o significado desta
palavra será o centro da nossa análise. O escritor dos Hebreus ensina que essa
doutrina tem o significado da ressurreição dos mortos em Cristo, no Período da Graça,
a mesma ressurreição, os santos do Antigo Testamento (AT) provarão e os Santos da
Grande Tribulação também.

Paulo usará a palavra Anastôesontai em 1° Tessalonicensses 4:16: “Porque


o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta
de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro”, referindo-se à
ressurreição dos mortos em Cristo no momento do arrebatamento.

Agora que já apresentamos os sentidos destes vocábulos, vamos analisar os


escritos Joaninos nos vocábulos originais.

Destaca-se aqui a passagem da ressurreição de Lázaro, pois, é ali que


compreendemos melhor a doutrina, mas isto só é possível no grego. Jesus enquanto
conversa com Marta disse “teu irmão há de ressuscitar (Anastêsetai)” João 11:23.
A resposta de Marta é bem interessante, pois, será usado dois vocábulos, vejamos:
“Eu sei que há de ressuscitar (Anastêsetai) na Ressurreição (Anastasei) do último
dia” João 11:24. E Jesus responde “Eu sou a Ressurreição (Anastasis) e a vida” João
11:25.

É bem provável que você já percebeu, que João usou a palavra Anastêsetai
para se referir à ressurreição de Lázaro, como foi visto outrora, que ressuscitou em
um corpo mortal ou Ressuscitamento, pois, o mesmo voltou a provar da morte. Na
resposta de Marta também pode-se perceber, que ela até então tinha a mesma ideia
dos evangelistas dos escritos sinóticos, porém, é possível observar a diferença nas
duas palavras, pois, Jesus não disse que é a Anastêsetai e sim a Anastasis. Cristo
estava orientando que a ressurreição do último dia é Ele, e que Lázaro iria provar o
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Ressuscitamento e não aguardar a plenitude dos tempos (que privilégio teve Lázaro,
pois, provou o Ressuscitamento (Anastêsetai) e provará a Ressurreição (Anastasis).

A Palavra Anastasis João também usará para se referir a 1° Ressurreição em


Apocalipse 20:5-6, quando fala da ressurreição dos salvos.

1.3 RESSURREIÇÃO – EGEIRO E EGERSIS

Estas duas palavras estão associadas a ressurreição dos mortos em um


corpo de incorruptível, de glória.

- Egeiro: Despertar do sono da morte, recordar os mortos à vida;

-Egersis: Ressurreição dos mortos

Vejamos onde elas aparecem.

Mateus é o único dos evangelistas a relatar que no momento da Morte de


Cristo, alguns santos foram vistos e depois ressuscitaram. Muitos pensam que esta
ressurreição foi na verdade um Ressuscitamento, ou seja, eles voltaram a morrer,
analisando o grego poderemos perceber que não foi desta forma. Vejamos o que o
evangelista realmente está nos dizendo, junto com alguns comentários.

“Os sepulcros se abriram, e muitos corpos de santos que


tinham dormido foram ressuscitados (Êgerthêsan); e, saindo
dos sepulcros depois da ressurreição (Egersin) dele (Cristo),
entraram na cidade Santa e apareceram a muitos”. (Mateus
27:52-53.)

Observe que ambas as palavras têm a mesma raiz, e o evangelista não faz
distinção entre as duas e nem do evento (como João faz com Anastasis e Anastêsetai)
ou seja, esses santos que são alguns dos justos do AT(provavelmente os santos de
do período de Adão a Moisés, que viveram antes da lei), que ressuscitaram, para
provar que no momento da morte de Jesus, ele tomou a chave (autoridade), da Morte
e do Hades (Ap. 1:18). Podemos entender que o evangelista usa essas palavras para
relatar um evento semelhante, com uma ressalva, os santos ressuscitaram, pelo poder
de Cristo, e ficam nos sepulcros até à Ressurreição de Cristo, pois Ele é as Primícias
e primogênito dos mortos.
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Sobre este evento Jamieson, Fausset e Brown Comentam:

E as sepulturas foram abertas; e muitos corpos dos santos que


dormiam surgiram - Esses santos que dormem (ver 1 Tessalonicenses
4:14.) foram os crentes do Antigo Testamento, que - de acordo com a
pontuação usual em nossa versão - foram estimulados à vida de
ressurreição no momento da morte de seu Senhor, mas jazem em seus
sepulcros até a ressurreição, quando saíram. Mas é muito mais natural,
como pensamos, e em consonância com outras Escrituras, entender que
somente as sepulturas foram abertas, provavelmente pelo terremoto, na
morte de nosso Senhor, e isto apenas em preparação para a saída
subsequente daqueles que dormiam neles, quando o Espírito da vida
deveria entrar neles de seu Senhor ressurreto, e junto com Ele eles
deveriam sair, troféus de Sua vitória sobre a sepultura. Assim, na abertura
das sepulturas no momento da expiração do Redentor, houve uma gloriosa
proclamação simbólica de que a morte que acabara de acontecer tinha
“engolido a morte na vitória”; o primeiro que deve ressuscitar dos mortos
”( Atos 26:23 ; 1 Coríntios 15:20 , 1 Coríntios 15:23 ; Colossenses
1:18 ; Apocalipse 1: 5 ).
E foi para a cidade santa - aquela cidade onde Ele, em virtude de cuja
ressurreição eles estavam vivos agora, havia sido condenado.
E apareceu a muitos - para que houvesse evidência inegável de sua
própria ressurreição primeiro, e através dela, do próprio Senhor. Assim,
embora não fosse apropriado que Ele mesmo aparecesse novamente em
Jerusalém, salvo para os discípulos, foi providenciado que o fato de Sua
ressurreição não deveria ser deixado em dúvida. Deve-se observar, no
entanto, que a ressurreição desses santos que dormem não era como a da
viúva do filho de Naim, da filha de Jairo, de Lázaro e do homem que
"ressuscitou e pôs-se de pé" em seus mortos, quando tocando os ossos de
Eliseu ( 2 Reis 13:21 ) - que eram meros recordações temporárias do
espírito morto para o corpo mortal , a ser seguido por uma partida final do
mesmo "até a trombeta soar". Mas esta foi uma ressurreição de uma vez
por todas, para a vida eterna; e assim não há espaço para duvidar que eles
foram para a glória com o seu Senhor, como troféus brilhantes de Sua
vitória sobre a morte. (Robert Jamieson, AR Fausset e David Brown -
Comentário Crítico e Explicativo sobre a Bíblia Inteira – 1871)

Concordando com o pensamento que estamos desenvolvendo nesta


pesquisa, podemos observar que esses santos foram levados para o Paraíso, no
terceiro céu e provaram o que muitos crentes provarão no momento do
arrebatamento.
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Para fortalecer este pensamento, Paulo ao ensinar os Coríntios sobre a


ressurreição, dedicou um capítulo inteiro para falar sobre o tema. Assim, ele escreve:
“[...] e os mortos ressuscitarão (Egerthêsontai) incorruptíveis” 1° Co. 15:52. Observe
que Paulo fala que esta ressurreição é em um corpo incorruptível e é a mesma raiz
da palavra Egeiro, usada por Mateus para se referir a ressurreição dos santos no
momento da morte e ressurreição de Cristo. Podemos perceber que é o mesmo tipo
de experiência. A ressurreição em um corpo imortal.
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CAPÍTULO 2

1. COMO SERÁ A RESSURREIÇÃO?

Nos textos sagrados, pode-se observar um desenvolvimento desta doutrina,


porém, em cada tempo, Deus deu um certo entendimento para alguns sobre esse
evento que precisam ser analisados.

Para Daniel, Deus revela que terá duas ressurreições, “uma para salvação e
outra para condenação” (Dn. 12:2), porém não vemos detalhes e nem explicações e
acrescenta “encerra esta palavra e sela este livro, até o fim dos tempos” (Dn12:4), em
outras palavras isto não é para o seu tempo, por isso não requer explicações sobre o
evento e sim relatar que acontecerão. A partir daí, observa-se que no período
chamado Inter bíblico, dois grupos religiosos se dividiram sobre o tema, pois, não
houve muita clareza sobre o assunto no Antigo Testamento (AT). Os Fariseus
acreditavam na ressurreição e os Saduceus não acreditavam. No meio Judaico, o
posicionamento dos fariseus era mais popular, pois, já vimos que Marta acreditava na
Ressurreição do último dia.

Já no Novo Testamento (NT), essa doutrina se torna mais clara, iniciando com
a frase que Jesus disse para Marta: “Eu sou a Ressurreição (Anastasis) e a Vida,
quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 11:25). Ensinando que a
partir de Cristo muitos ressuscitarão, pois Cristo venceria a morte, tendo toda
autoridade no céu e na terra.

Dois apóstolos, posteriormente, terão da parte de Cristo, revelações sobre esta


doutrina, Paulo e João. Ambos foram arrebatados ao terceiro céu e viram coisas lindas
e tiveram revelações sublimes, como Paulo diz “coisas inefáveis”. Algumas destas
coisas, foram orientados a escrever ou pregar para algumas igrejas. O que Daniel não
teve a oportunidade de entender algumas de suas visões, Jesus revela a estes dois
apóstolos.

Iniciaremos por Paulo, pois, recebeu a revelação antes de João. Ele escreverá
para duas igrejas sobre esta doutrina: a primeira ele envia para a igreja de Tessalônica
(50-51 d.C) e a segunda para Corinto (57 d.C). Ambas igrejas tinham dúvidas e
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ignorâncias sobre algumas questões práticas e teológicas. E para melhor


compreensão, é necessário ter sensibilidade para entender essas dúvidas e a partir
de então fazer a hermenêutica dos textos. Isso é imprescindível, principalmente
quando vamos fazer uma Exegese (extrair do original o significado da palavra) e então
aplicar as regras da Hermenêutica (ciência que tem por objeto a interpretação do
texto).

Embora são temas semelhantes, as dúvidas eram diferentes. Esta


sensibilidade na interpretação se faz necessária, pois, muitas vezes, no mesmo
capítulo de um livro, o autor muda o foco do que escreve, precisando, portanto, estar
atento. Aqui teremos cartas diferentes, com objetivos de explicações peculiares.

Começaremos com a igreja de Corinto, pois, tem uma explicação mais


extensa sobre a ressurreição, e fecharemos o raciocínio de Paulo com Tessalônica.

1.1 O ENSINO SOBRE A RESSURREIÇÃO PARA CORINTO

A igreja de Corinto, tinha certa dificuldade de compreender esta doutrina,


pois, herdaram a filosofia helenista, que não via essa possibilidade, antes, ensinavam
que precisaria realizar grandes feitos históricos, para que seu nome perpetuasse de
geração em geração.

Paulo dedica o capítulo 15 de sua primeira carta para tratar esse tema,
inclusive, alguns nem acreditavam na ressurreição e muito menos na de Cristo. O
apóstolo usará os dois vocábulos que se referem a ressurreição no corpo imortal,
“Anastasis” e “Egeiro” e nunca “Anastêsetai” ressurreição em um corpo mortal,
como já vimos acima. A partir do versículo 35 ele começará a explicar como será:
“Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?” (1°Co.
15:35). Entre os versículos 36 ao 41, Paulo ensina que há diferente tipos de corpos,
desde as sementes que muda depois de germinar, nosso corpo com os corpos de
diversos animais e os diferentes corpos celestes, com suas respectivas glórias. Isto
ele faz para ilustrar sobre a ressurreição e deixar mais didático.

A partir de agora para entender perfeitamente o que está na mente de Paulo,


precisamos redobrar à atenção, pois, desde o versículo 35 ele trás esse raciocínio, e
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neste momento ele irá aprofundar, e não podemos fazer uma leitura rápida e sim
minuciosa e analítica do tema em questão, para não deturpar o seu pensamento.

Ele diz “Assim também é a ressurreição (Anastasis) dos mortos” (1°Co.


15:42). Vamos mostrar nos versículos seguintes dois paralelos para compreendermos
até aonde o apóstolo quer nos levar com a revelação desta doutrina.

CORPO NATURAL CORPO ESPIRITUAL


Semeia o Corpo em Desonra Ressuscitará em Glória;
Semeia o Corpo em Debilidade Ressuscitará em Poder;
Semeia o Corpo Animal Ressuscitará em Corpo Espiritual;
Primeiro homem Adão, Alma vivente Último Adão (Cristo) é Espírito Vivificante;
O primeiro é Natural O último é Espiritual;
O primeiro homem é terreno O segundo (Cristo) é Celestial.

Neste momento Paulo desenvolverá o raciocínio dizendo, “qual o terreno, tais


também o terreno”, “qual o celestial, assim também os celestiais”. Somos orientados
que trouxemos a imagem do terreno, porém, com a ressurreição traremos a imagem
do celestial, e que carne e sangue, não herdarão o Reino de Deus, nem a corrupção
herdará a incorrupção.

O que Paulo está nos ensinando é que se faz necessário uma mudança de
natureza, porque nada que é terreno, corrompido e o mortal herdarão o Reino. Então
o que vai acontecer no momento da ressurreição é uma transformação em nossa
natureza. Assim como o nosso espírito foi aperfeiçoado, a nossa alma regenerada,
agora, o nosso corpo será transformado em um corpo de glória para trazermos a
imagem do espiritual (Cristo).

A partir do versículo 51, precisamos observar que o apóstolo trará uma


revelação muito importante, pois, ele escreve que vai dizer um “Mistério”. Este mistério
é que nem todos dormiremos (morreremos), porém, todos seremos transformados,
quer os mortos em Cristo ou os vivos no momento do Arrebatamento.

Observe que no vers. 52 ele falará como será a ressurreição e a


transformação. Será em um momento, em um abrir e fechar de olhos, ao som última
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trombeta, a trombeta sorará com o objetivo de despertar (Egerthêsontai) os mortos


e a transformação dos vivos.

“Porque é necessário que este ser corruptível se revista de


incorruptibilidade e que este ser mortal se revista de
imortalidade. E quando este ser corruptível se revestir de
incorruptibilidade, e este ser mortal se revestir de imortalidade,
então se cumprirá a palavra que está escrita: ‘sorvida foi a morte
na vitória’.” (1° Co. 15:52-53 VDN).

Lembre-se que o objetivo de Paulo para os Corintos é sanar as dúvidas


concernente a ressurreição dos mortos, de como será o corpo Celestial. Desta forma,
em nenhum momento deste texto ele faz alusão ao arrebatamento e sim sobre a
transformação dos corpos, tanto de vivos quanto dos mortos. Então é incoerente dizer
que o arrebatamento será em um abrir e fechar de olhos, como geralmente,
costumamos ouvir e sim que a ressurreição e a transformação será, em um momento
e em um abrir e fechar de olhos como Paulo escreveu.

Este é o pensamento do apóstolo sobre a ressurreição, interpretar diferente


seria uma EISEGESE (Interpretação em que os pontos de vista do leitor são
incorporados ao texto; inserir). Isto temos muito em nosso meio, pessoas que querem
interpretar as escrituras a partir da sua própria cultura, gerando grandes erros.

Vale, portanto, ressaltar, que o objetivo deste artigo não é provar uma tese, a
fim de que o leitor concorde com o que eu penso e sim mostrar a partir do original o
que estava na mente do autor, quando escreveu sobre o assunto.

1.2 O ENSINO SOBRE A RESSURREIÇÃO PARA TESSALÔNICA

Agora, vamos para o texto de Tessalonicenses, e aqui sim o objetivo de Paulo


é explicar como será o arrebatamento, tanto é, que ele desenvolve mais esse tema
no livro, pois, os crentes de Tessalônica tinham dúvidas de como seria, e pensavam
que os mortos em Cristo não participariam deste evento, para não nos assemelhar
aos que não têm esperança, pois, se Cristo ressuscitou, eles também ressuscitarão.
(1°Tss. 4:13-14).
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O mesmo vai dizer que estas palavras são palavras do Senhor e não fruto do
entendimento de Paulo, ou seja, que os vivos no momento da vinda do Senhor, “de
modo algum seremos transladados sem que, antes, os que dormem ressuscitem”
(1ºTss. 4:15, grifo do autor).

Observe, portanto, que segundo o autor, essas são palavras de Jesus, e


conforme estas palavras, podemos compreender que o encontro dos ressuscitados
com os transformados, NÃO será nos ares, pois ele diz que não seremos
transladados, sem antes haver a ressurreição, este é o grande sinal e último do
arrebatamento, a saber, a ressurreição dos mortos.

“Porque o mesmo Senhor descerá do Céu, com alarido, e com


voz de arcanjo e com a trombeta de Deus, e os mortos em Cristo
ressuscitarão primeiro; e depois, nós, os que estivermos
vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens,
ao encontro de nosso Senhor nos ares, e, desta maneira,
estaremos para sempre com o Senhor.” (1° Tss. 4:16-17 VDN,
grifo do autor).

Observe que conforme as palavras do Senhor, acontecerá a ressurreição dos


mortos e a transformação dos vivos como Paulo ensina em 1° Coríntios 15. O foco
aqui é o arrebatamento, que só acontecerá depois da mudança da nossa natureza, e,
seremos arrebatados juntos, leia atentamente o texto, seremos arrebatados
juntamente com os que ressuscitaram.

Desta forma, podemos dizer que o que Paulo ensina é que os mortos em
Cristo voltarão para a terra para Buscar o seu corpo, a exemplo de Cristo, pois o
mesmo sempre será a melhor chave hermenêutica. Cristo não ressuscitou na Galileia
ou no céu, e sim onde o seu corpo foi colocado, os santos que ressuscitaram, no
momento da ressurreição de Cristo, foi onde seus corpos estavam, nos sepulcros.

Por isso somos únicos, nosso espírito humano, está em nós, para nos
identificar diante do julgamento (os salvos, no Tribunal de Cristo e os ímpios, no Juízo
Final do Grande Trono Branco), nosso DNA é a identificação da nossa alma, para que
no momento da ressurreição ela volte para o nosso corpo, onde quer que ele esteja e
as impressões digitais e ossos, podemos dizer que é a identificação do nosso corpo.
Cada uma dessas partes citadas é única, justamente por conta deste evento.
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Talvez neste momento você esteja perguntando? Mas os mortos


ressuscitarão aqui!!! Se você estive conversando com Paulo agora, ele diria: “Sim,
eles ressuscitarão e nós seremos transformados, ambos, teremos o mesmo corpo de
glória, corpo semelhante ao do nosso Senhor, incorruptível, que não está subordinado
as leis da física, que sai da terra e vai ao céu, sai de uma região como a Judeia e
aparece na Galileia, que pode desaparecer de um ambiente como o nosso Senhor,
no partir do pão” (parafraseando os escritos de Paulo).

E qual é o objetivo desta doutrina? Paulo esclarece: “Portanto, confortai-vos


(consolai-vos) uns aos outros com estas palavras” (1°Tss 4:18 VDN). A doutrina da
ressurreição é um consolo para nós, pois como Cristo afirmou, ainda que esteja morto
viverá.

Quando os salvos ressuscitados e transformados estiverem juntos,


entoaremos um cântico, antes do arrebatamento:

“Onde está, ó morte(tenatos), o teu aguilhão? Onde está, ó


Hades (morada dos mortos), a tua Vitória? Tragada foi a morte
na vitória e esta vitória foi Cristo que venceu com a sua vida e
ressurreição, por isso ele nos Deus nos dará vitória por meio de
nosso Senhor Jesus Cristo (1° Co. 15:55,57 VDN).

Esta foi a revelação desta doutrina que Cristo entregou a Paulo, para ensinar
a igreja.

1.3 ENSINO DE JOÃO SOBRE A RESSURREIÇÃO

Por fim, analisaremos o que João escreve sobre esta doutrina.

Já vimos que ele faz distinção da palavra Anastasei e Anastêsetai, para o


apóstolo a primeira está ligada a ressurreição em um corpo de glória, incorruptível e
a segunda em um corpo mortal, um Ressuscitamento como o de Lázaro.

No capítulo 20 de Apocalipse, ele escreverá sobre duas ressurreições, a


primeira dos justos e neste momento ele usa a palavra Anastasei, em todo o capítulo.
Ele diz “Bem-aventurado os que participam da primeira ressurreição, pois sobre eles
a segunda morte não tem poder”. Visto que ele afirma, através da revelação de Cristo,
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que esta primeira ressurreição é para salvação, podemos incluir, todos os salvos neste
evento, só que em tempos diferentes.

Comparemos a Ressurreição dos justos como a colheita nos tempos bíblicos.,


que se dava em três partes: as primícias (entregue a Deus), a colheita (a benção para
quem plantou) e os rabiscos (frutos que deixavam em suas árvores, para os pobres e
estrangeiros).

➢ As Primícias: quem faz parte desta colheita que foi apresentada a


Deus? Primeiro, é Cristo, pois, ele é preeminente em tudo, foi o único
capaz, de vencer a morte, por si mesmo, pelo fato de nunca ter
participado do pecado de nossa natureza caída. No AT temos um
personagem que segundo alguns teólogos (e ao meu ver com muita
coerência) eles afirmam que Moisés foi ressuscitado dos mortos.

Talvez você indague agora, mas como Moisés foi ressuscitado? Me prove isto
agora? Pois bem, vamos lá, entender o porquê este pensamento é coerente. Moisés
é o tipo perfeito de Cristo, por isso havia uma profecia que o messias seria um profeta
semelhante a Moisés. Através do mesmo foi dada a Lei (Ex. 20), através de Cristo,
ele amplia o entendimento da lei (Mt. 5 ao 7).

“Mas eu li na bíblia que Deus fez o sepultamento de Moisés e por isso Satanás
estava discutindo sobre o corpo de Moisés com Miguel, e Deus escondeu o corpo de
Moisés para o povo não idolatrar”. Isso é uma incoerência e cometer a eisegese, pois
o povo tinha o corpo (ossos) de Abraão, Isaque, Jacó e José, e até hoje há o de Davi,
que tiveram grande significado para a nação e nunca idolatraram eles, isto não estava
na concepção do povo e sim imagens de deuses egípcios e posteriormente cananeus.

Vamos entender a narrativa, Moisés está no monte Nebo com Deus, e o Senhor
mostra Canaã para ele, e diz você verá a terra, mas não entrará (pois Deus tinha
preparado uma terra muito superior para ele pisar, a Sião Celeste). Porém o fato de
Deus mostrar a Cidade era um consolo para Moisés, como se Deus dissesse, seu
trabalho não foi vão, você cumpriu sua missão, e Moisés morre.

Posteriormente, Deus fala a Josué “Moisés meu servo é morto” (Js.1:2), é bem
provável, que Josué, enviou pessoas para buscar o corpo de Moisés, porém não
encontraram, quando Josué concluíra o livro de Deuteronômio (como se crê que
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provavelmente ele escreveu o último capítulo), irá relatar aquilo que ele entendeu que
aconteceu, que Deus sepultou o corpo de Moisés em algum vale de Moabe, visto que
o Monte Nebo, fica em Moabe. Lembra que no AT eles não compreendiam essa
doutrina, pois, não foi revelada a eles. Sabemos que o Corpo de Moisés não está na
terra, porque na carta de Judas temos a revelação que Satanás chega até a morada
dos anjos, com palavras de Blasfêmias, inquerindo sobre o corpo de Moisés.

Sobre este versículo Jamieson, Fausset e Brown Comentam:

Sobre o corpo de Moisés - seu corpo literal. Satanás, como


tendo o poder da morte, opôs-se a ressuscitá-lo novamente, com
base no pecado de Moisés em Meribá e no assassinato do
egípcio. Que o corpo de Moisés foi ressuscitado, aparece de sua
presença com Elias e Jesus (que estavam no corpo) na
Transfiguração: a amostra e penhor do vindouro reino da
ressurreição, a ser introduzido por Miguel em pé para o povo de
Deus. Assim, em cada dispensação, foi dada uma amostra e
penhor da futura ressurreição: Enoque na dispensação
patriarcal, Moisés no Levítico (na lei, grifo do autor), Elias no
profético. É digno de nota que a mesma repreensão é registrada
aqui como foi usada pelo Anjo do Senhor, ou Jeová, a Segunda
Pessoa, em suplicar por Josué, o representante da Igreja
Judaica, contra Satanás, em Zacarias 3: 2 ; de onde alguns têm
pensado que também aqui “o corpo de Moisés” significa a Igreja
Judaica acusada por Satanás, diante de Deus, por sua
imundícia, sobre a qual ele exige que a justiça divina siga seu
curso contra Israel, mas é repreendida pelo Senhor que
"escolheu Jerusalém": assim, como "o corpo de Cristo" é a Igreja
Cristã, então "o corpo de Moisés" é a Igreja Judaica. Mas o
corpo literal é evidentemente aqui entendido (embora,
secundariamente, a Igreja Judaica seja tipificada pelo corpo de
Moisés, como estava ali representado por Josué, o sumo
sacerdote); e Miguel, cuja conexão parece estar tão próxima do
Messias de Jeová, por um lado, e de Israel, por outro, usa
naturalmente a mesma linguagem do seu Senhor. Como
Satanás (adversário no tribunal) ou o diabo (acusador) acusa
igualmente a Igreja coletivamente e “os irmãos” individualmente,
então Cristo suplica a nós como nosso Advogado. A plena
justificação de Israel, e de todos os crentes, e o acusador ser
repreendido por fim, ainda é futuro. Josefo [Antiguidades, 4.8],
afirma que Deus escondeu o corpo de Moisés, para que, se
tivesse sido exposto à vista, ele teria sido feito um ídolo. Judas,
nesse relato, ou o adota da “suposição de Moisés” apócrifa
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(como pensa Orígenes [Concerning Principies, 3.2]), ou então


da antiga tradição na qual essa obra foi fundada. Judas, como
inspirado, poderia distinguir quanto da tradição era verdadeira, e
o quanto era falsa. Nós não possuímos meios de distinguir e,
portanto, não podemos ter certeza de nenhuma tradição, exceto
a que está na palavra escrita. (Robert Jamieson, AR Fausset e
David Brown - Comentário Crítico e Explicativo sobre a Bíblia
Inteira – 1871)
Observe que segundo estes comentaristas, Moisés foi ressuscitado, isto é
muito coerente, pois na Transfiguração de Jesus, aparecem Moisés e Elias. Bom
sabemos que Elias foi levado vivo para o Céu, e segundo este estudo, também temos
o conhecimento, agora, que foi necessário ele passar pela transformação, pois, carne
e sangue não herdam o céu, e Moisés aparece também, ora, se Moisés não
ressuscitou, Jesus conversou com o espírito de Moisés, e isto, à luz das Escrituras é
uma heresia, hoje difundida pelo espiritismo. Então não resta dúvidas da Ressurreição
de Moisés, caso contrário ele não poderia ter aparecido na Transfiguração.

Talvez você esteja indagando, mas como ele pode provar a ressurreição na
antiga aliança? Os comentaristas acima, acrescentam um ponto muito interessante,
quando coloca que em cada período Deus provou o seu poder sobre todas as coisas,
e dando ao homem também esta esperança de estar com o Senhor, Enoque no
período Patriarcal, Moisés no período da Lei e Elias no Período dos Profetas.

Isto está de acordo com as Escrituras e esses homens e alguns outros


provaram dos “bens vindouros” (Hb.10:1).

➢ Enoque - provou o que era andar com Deus e foi Arrebatado (a maior
promessa para a igreja).
➢ Moisés - prova a Ressurreição dos mortos (Consolo para os que dormem
em Cristo) e torna-se um tipo da pessoa de Cristo.
➢ Elias - prova o que é ser levado ao céu, isto, era algo conhecido dos filhos
dos profetas, que ele seria tomado (o arrebatamento é uma promessa que
a igreja já anuncia a 2 mil anos, ou seja, todos sabem que isso vai ocorrer,
como no caso de Elias).
➢ Eliseu - provou o multiforme agir do Espírito Santo, pois os milagres
operados por ele sempre tinham algo peculiar e inusitado na execução
(isto é tipo da diversidade dos dons dado à igreja).
➢ Isaías - prova o que é ter o pecado purificado quando um Serafim toca os
seus lábios com uma brasa do altar (fala dos nossos pecados purificados
por Cristo), isto nos mostra que Deus tinha outro meio para purificar-nos
do pecado, além do sangue de Cristo, como o escritor aos Hebreus
registra no Cap. 2 versículos 14 ao 18, “Deus não usou para isto os anjos,
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mas a Semente de Abraão, que é Cristo, vindo e morrendo em nosso


lugar”. Glórias a Deus! Por este amor maravilhoso que derramou sobre
nós.
Ainda fazem partes das primícias desta colheita chamada ressurreição os
mortos que no momento da morte e ressurreição de Cristo ressuscitam, como
comentado anteriormente e foi registrado este fato pelo evangelista Mateus.

➢ A Colheita: esta se dará antes do arrebatamento, e é a maior parte da


colheita, ou seja, os ressuscitados serão incontáveis, pois como já fizemos
à análise, os mortos ressuscitarão e os vivos serão transformados, e juntos
seremos arrebatados para o encontro com o Senhor (1°Co. 15:51-53, 1°
Tss. 4:16-17). Bem provável que neste momento também os santos do AT
sejam ressuscitados, aqueles, que outrora foram tirados do cativeiro do
hades, com a ressurreição de Cristo como Paulo registra em Efésios 4:8-
10.
➢ Os Rabiscos: esta parte final da colheita, fala dos santos da Grande
Tribulação, que serão mortos por testemunho da sua fé no Deus criador
dos céus e Terra e no Cordeiro.

Na primeira parte da G.T, os santos serão perseguidos por não aceitar a falsa
igreja (ecumênica), nem sua pregação, por isso serão degolados, como João registra
na abertura do 5° selo em apocalipse 6:9-11, estes foram mortos pelo governo do
anticristo, por ordem desta falsa igreja.

Na segunda parte da G.T, o falso profeta vai edificar uma imagem do anticristo
e ordenar à adoração e implantação da marca do mesmo. Os que não o adorarem
serão mortos, então, entendemos que os que mantiverem sua fé firme no senhor,
neste momento serão perseguidos e mortos, como os da primeira parte.

Também as duas testemunhas serão mortas. Estes três grupos citados do


período da G.T serão ressuscitados, pouco antes da vinda em glória de Cristo, e
reinarão com ele, no reino milenar.

Estes grupos de salvos, que serão ressuscitados, fazem parte da primeira


ressurreição, pois esta é para a salvação, por isso João escreve “bem-aventurados e
santos são aqueles que participam na primeira ressurreição; sobre eles não tem poder
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a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele
durante mil anos” (Ap. 20:6 VDN).

E entre esta ressurreição conhecida como a primeira e a segunda que é para


a condenação, há um período de mil anos de diferença. Vale lembrar que a Daniel,
Deus revela sobre essas duas ressurreições (Dn. 12:2), porém, não mostra para ele
separação, ele só sabe que há uma para a salvação e outra, para condenação. É a
João que será revelado o tempo das duas, por isso entendemos que o conhecimento
sobre esta doutrina, foi revelado de forma gradativa e progressiva.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através deste artigo, observa-se a importância de conhecer de forma mais
profunda, as doutrinas registradas nas escrituras, pois, muitas vezes, pensamos que
já as conhecemos, mas elas são muito amplas.

Neste texto só foi analisado uma doutrina, e como o leitor pode observar,
utilizando o método teológico e exegético, elas ficam mais claras e coadunam com
toda a Escritura.

Portanto, observou-se que a doutrina da ressurreição, a partir do grego, difere


de apenas um Ressuscitamento, que é um milagre operado por Deus. Na doutrina da
ressurreição, os ressuscitados, terão os seus corpos transformados, em um corpo
glorioso, superior a esta natureza corrompida e mortal. Esta ressurreição é a
semelhança da ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo, e esta doutrina só existe
mediante a ele, porque para ele são feitas todas as coisas e por meio dele, e o mesmo
é antes de todas as coisas.
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REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

JAMIESON-FAUSSET-BROWN. Bible Commentary. Editora: Hendrickson Pub;


Edição: New edition (1 de fevereiro de 1996). Idioma: Inglês Edição: 1 - 1996.

Bíblias:

American Standard Version (ASV; 1901);


Bíblia Hebraica / Antigo Testamento (AT; Texto Massorético);
Brenton's English of the Greek Septuagint (com as helenizações restauradas);
Etheridge & Murdock Paralelo Inglês do aramaico NT (1849/1852)
King James Version (Red-Letter KJV; 1769);
Novo Testamento Grego (NT; Westcott & Hort) com Tradução de Inglês Literal
Interlinear;
Santa Bíblia: Antigo e Novo Testamento. Aldery Nelson Rocha, 2012.

Lexicos:

Strong's Hebrew / Chaldee & Greek dicionários (AT / NT);


Brown-Driver-Briggs Hebraico e Léxico Aramaico AT);
Léxico grego de Thayer (NT)

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