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A professora Adriana Fauth do curso Estratégia Concursos inicia sua fala colocando

como estão organizados direitos e garantias fundamentais dentro da Constituição. A


Constituição é dividida em títulos. No título I estabelece os princípios da República
Federativa do Brasil. A partir do título II, estão previstos os direitos e garantias fundamentais,
que estão divididos em capítulos sendo eles o Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, que
são aqueles direitos previstos no artigo 5º da Constituição Federal onde estão estabelecidos os
principais direitos do cidadão; direitos sociais que estão entre os artigos 6º ao 11; os direitos
de nacionalidade nos artigos 12 e 13; os direitos políticos do artigo 14 ao 16;  os partidos
políticos no artigo 17. Tudo isso forma o núcleo de direitos e garantias fundamentais. As
garantias fundamentais são um gênero que têm espécies de direitos individuais, direitos
sociais, direito nacionalidade, direitos políticos e partidos políticos.
Os direitos fundamentais foram alcançados com muita luta histórica e foram
construídos ao longo da história. Para entender o surgimento dos direitos fundamentais é
importante analisar as chamadas gerações de direitos fundamentais. Todos esses direitos ainda
estão em constante evolução, pois é uma construção histórica e com o passar do tempo novos
direitos surgem a cada nova geração. Assim vão sendo divididos em gerações ou dimensões
de direitos fundamentais. Assim, quando surgir um novo direito não exclui os direitos
anteriores, são cumulativos. São classificados conforme cada momento histórico em que eles
foram aparecendo.
A primeira geração são os direitos de primeira geração ou primeira dimensão. Eles são
chamados de direitos civis e os direitos políticos. Esses direitos se referem a um valor
chamado liberdade, pois a são chamados de direitos negativos ou ainda liberdades negativas
que se relacionam a uma ideia de não fazer do Estado. Esses direitos de primeira geração
surgem como o fim do chamado estado absolutista, onde o monarca concentra todas as
funções do estado. As funções do estado são a representativa, governativa (tomar as decisões
políticas), administrativa (colocar as decisões do governo em prática), legislativa (criar
direitos e obrigações) e a função jurisdicional (julgar conflitos). No modelo de estado
absolutista, todas essas funções ficavam nas mãos do rei. 
Nesse período se iniciam as revoluções liberais, também chamadas de revoluções
burguesas, quando há um cenário de burguesia crescente que exige que alguns direitos sejam
assegurados. Então surge os direitos de primeira geração, que são direitos de reação, direitos
contra o estado de direito que visa assegurar às pessoas o que é liberdade. São direitos que
dizem que o estado não faça, não pegue, não tome de mim e que me assegure e garantias. Eles
implicam no estado de não fazer. Então temos direito a liberdade de locomoção, direito como
a liberdade religiosa, liberdade de associação e liberdade de reunião, enfim, todas as
liberdades que asseguram a nós indivíduos que o estado não pode violar meus direitos. As
revoluções liberais ocorrem por volta do século XVIII quando se tem a Declaração Americana
de Direitos em 1776 e também a Declaração Francesa de 1789. Esses são alguns documentos
históricos que marcam o surgimento dos direitos de primeira geração.
Os direitos de segunda geração são direitos sociais, direitos econômicos e culturais.
Estão relacionados com o valor igualdade. Diferente do direito de primeira geração, são
direitos de caráter positivo, em prestações positivas do estado. Nesses direitos não é o não
fazer do estado, mas, sim tem caráter prestacional. Surgem no final do século IX e início do
século XX revoluções trabalhistas, grevistas, industrial, êxodo rural, pois as pessoas começam
a se rebelar. Então surgem os direitos sociais: educação, moradia, saúde, trabalho, lazer. 
Os direitos de segunda geração não são voltados à ideia de liberdade, mas, sim, para
uma ideia de igualdade. Esses direitos de segunda geração estão relacionados à ideia social, à
ideia econômica. Então o estado começa a regular as questões econômicas e direitos de
natureza, cultural voltadas a ideia de igualdade material de fazer com que as pessoas fiquem

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em situação de igualdade, evitando desequilíbrio. Documentos que marcam esses direitos são
a constituição mexicana (1917) e a constituição alemã de Weimar (1919).
Nos direitos de terceira geração temos os direitos difusos ou direitos transindividuais.
Estão relacionados ao valor da solidariedade ou fraternidade. São aqueles direitos assegurados
a todos, que não são possíveis de individualizar. Como direito ao meio ambiente, consumidor,
autodeterminação dos povos e também o direito a paz (com alguma divergência). 
Os direitos de quarta geração são voltados especialmente para a questão do patrimônio
genético, bioética, biomedicina. Algumas doutrinas incluem o direito à comunicação, ao
pluralismo político e a globalização política. No direito de quinta geração a doutrina mais
moderna coloca o direito à paz, no sentido de paz mundial.
As principais características dos direitos fundamentais são a historicidade (são uma
construção histórica, não surge do direito natural, não é estático, classificados de acordo com
o surgimento do momento histórico que eles surgiram, estão em constante evolução, mudam e
se alteram de acordo com o momento histórico)
Outra característica é a universalidade onde deve ser assegurados a todos, significa
que os direitos devem ser assegurados a todas as pessoas, a todos os seres humanos mas nem
todo direito fundamental é de todo mundo, por exemplo, a proteção à maternidade e da
infância não são todas as pessoas que tem esse direito, somente a um grupo.
Já a característica da limitabilidade ou relatividade significa que os direitos
fundamentais não são absolutos, por exemplo: o direito de uma pessoa termina quando
começa o direito do outro. Todos os direitos encontram limites, são relativos. Esses limites
podem ser estabelecidos pela Constituição Federal, por Emendas Constitucionais, por Leis e
por um Juiz através de um juízo de ponderação, visando a máxima efetividade dos direitos
fundamentais com a mínima restrição. Com relação a essa característica temos a teoria do
limite dos limites, que diz que não se pode estabelecer limites a ponto de abolir o direito, ou
seja, atingindo o núcleo essencial. Para o núcleo essencial, foram criadas 2 teorias: a absoluta
e a relativa. Na teoria absoluta o núcleo essencial de um determinado direito está na própria
constituição. A teoria relativa vai dizer que o núcleo essencial varia de acordo com o caso
concreto, tem que ser analisado, a teoria relativa vai dizer se a relativização atinge ou não esse
núcleo essencial e varia de acordo com o caso concreto. Nós adotamos a teoria relativa. 
A característica da irrenunciabilidade diz que os direitos fundamentais não podem ser
renunciados, são direitos que não são direitos materiais disponíveis, são direitos de
personalidade e não se pode abrir mão deles. É possível deixar de exercer, porém não se pode
renunciar ao direito, por exemplo, o direito de greve.
A inalienabilidade também é uma característica dos direitos fundamentais e significa
que esses direitos não podem ser comercializados, não estão à venda. Também como
característica a imprescritibilidade dos direitos fundamentais que não prescrevem com o
decurso do tempo. Essa é a regra, porém há exceções. A proibição do retrocesso é uma
característica e significa que uma vez que os direitos fundamentais são assegurados, não se
pode retirá-los. Finalizando, as principais características, temos a não taxatividade significa
que os direitos fundamentais não constam do rol taxativo e sim de um rol exemplificativo.
Não são somente os direitos do artigo 5 que são fundamentais, é possível, também tê-los em
outros artigos da Constituição Federal, princípios ou tratados internacionais que o Brasil faça
parte. Essa possibilidade de ter outros direitos é chamada de cláusula de abertura material.

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