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A RTIGO

neurocientista, palestrante, fundadora da Inédita Cursos e professora da Santa Casa

ESTADO DA ARTE
Há um ano e meio, inaugurei esta coluna mensal propondo a inserção da neurociência no
ambiente corporativo. De lá para cá, procurei mostrar mensalmente como o pensamento neuro-
científico podia auxiliar a gestão de pessoas e as práticas de desenvolvimento humano dentro
das empresas. Também estive em diferentes eventos palestrando sobre essa inserção e quero
fazer um balanço sobre como tenho visto as aplicações nessa área, quais são os desafios a serem
enfrentados e como tenho concretizado as ideias que veiculo por aqui.
ILUSTRAÇÃO: LOVATTO

Primeiro, uma impressão ruim: vários gestores e consultores de RH dizem que as palestras
e textos sobre neurociência e desenvolvimento humano a que tiveram acesso não parecem con-
ter reais novidades. Na verdade, a impressão que dividiram comigo é que ainda não há apli-
cações reais que diferenciem a neurociência de outras práticas já consagradas, como a progra-
mação neurolinguística, hipnose ou até mesmo a psicologia positiva. Um importante consultor
me confidenciou que já não tem mais interesse na neurociência porque quase sempre as
palestras versam sobre tomada de decisão e abordam como o cérebro usa o conteúdo emocional
como subsídio para esse processo. Depois de me ouvir, disse que eu tinha aberto uma nova pos-
sibilidade. Para quem costuma ler meus textos aqui, não é novidade que avanço sobre muitas
searas do comportamento humano e proponho várias interfaces de discussão distintas dessa,
apesar de também falar de como o estudo das emoções é necessário e de que forma ele pode
potencializar o desenvolvimento de lideranças e times de alta performance.
Agora uma proposta: no meu entendimento, a aplicação mais promissora da neurociência
“A aplicação mais está justamente na investigação de tipos psicológicos e como os diferentes tipos devem ser
promissora da estimulados para atingirem o máximo do seu potencial. Em especial, estou trabalhando na
construção de uma interface entre as tipologias psicológicas consagradas como eneagrama,
neurociência está MBTI e DISC e o entendimento do funcionamento cerebral que é predominante em cada um
justamente na desses tipos. A partir dessa investigação, pretendo desenvolver metodologias com resultados
muito mais expressivos para o desenvolvimento do potencial humano e organizacional.
investigação de tipos E por último, uma novidade: a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
autorizou a abertura da primeira turma de especialização em Neurociência e o Futuro Sustentado
psicológicos e como
de Pessoas e Organizações. Sob minha coordenação, um corpo docente incrível composto por
os diferentes tipos acadêmicos da neurociência e profissionais de gestão e desenvolvimento humano está junto para
enfrentar o desafio de fornecer uma formação em neurociência que permita que os conhecimen-
devem ser
tos sobre a ciência do cérebro possam ser realmente aplicados na sua potencialidade máxima no
estimulados para ambiente corporativo. Esse curso vem preencher a lacuna que o mercado já sentiu que existe na
formação dos profissionais que estão procurando levar a neurociência para o cotidiano das
atingirem o máximo empresas. Esse é o estado da arte da neurociência nas corporações: uma esperança de mudança
do seu potencial.” real e tangível compatível com os desafios do século XXI. Quem viver verá!

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