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EXCELENTÍSSIMO DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSITÇA DO

ESTADO DE SÃO PAULO.

EDITORA BOOK, pessoa jurídica de direito privado, devidamente


inscrita no CNPJ/MF sob n°..., estabelecida na ... n°...., bairro..., CEP..., na cidade de...,
São Paulo, por intermédio de sua advogada (proc. Anexa) que esta subscreve, interpor:
RECURSO DE AGRAVO
na modalidade por instrumento, com fulcro nos artigos 1.015 do Código de Processo
Civil, objetivando atacar a decisão proferida nos autos do processo n°..., em trâmite na
1° Vara Cível da Capital do Estado de São Paulo, que lhe é movida por MARCELA, já
qualificada na exordial dos autos retro citados, alicerçada nas razões e motivos fáticos e
de direito alinhados a seguir:
Em respeito a sistemática vigente, o agravante informa ainda nessa
oportunidade o nome e o endereço da advogada que atuam em primeiro grau:
ADVOGADO DA AGRAVANTE
ADVOGADO DA AGRAVADA
A Agravante informa que, nos moldes do que preceitua a legislação
processual em vigor, o presente instrumento é formado pelos documentos obrigatórios
e facultativos, posto que acostou aos autos cópia integral do processo.
Nestes termos,
pede e espera deferimento.
Local e Data.
ADVOGADA
OAB N°...
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO.
NOBRE DESEMBARGADOR RELATOR
DAS RAZÕES DO AGRAVO

I – PRIMEIRAMENTE
A) CABIMENTO
Dispõe o artigo 1.015, inciso I, CPC, que “caberá agravo de
instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre tutelas
provisórias”.
In casu, verifica-se que a decisão guerreada é interlocutória e
concessiva de tutela provisória, sendo, portanto, perfeitamente cabível a busca pela sua
reforma por meio do presente recurso de Agravo de Instrumento.
B) TEMPESTIVIDADE
Dispõe o artigo 1.003, §5° do CPC ser de 15 (quinze) dias – úteis (Art.
219, CPC) – o prazo interpor recurso de agravo, começando a fluir da intimação das
partes.
Nestes autos, a intimação da decisão ora vergastada deu-se no dia de
hoje, com a juntada dos autos do mandado de intimação; manifesta, portanto, a
tempestividade deste recurso, nos termos do artigo 231, inciso II, CPC.
D) DO PREPARO
Encontram-se anexas aos autos as guias de custas, devidamente
recolhidas, atinentes ao preparo e ao porte de remessa e de retorno, nos termos do
artigo 1.007, CPC.
II – SÍNTESE FÁTICA
Trata-se, Excelências, de ação de indenização por danos morais
cumulada com obrigação de fazer proposta pela ora Agravada “Marcela” em face da
aqui Agravante “Editora Book”.
Importa frisar, a bem do justo entendimento dos fatos narrados, que
a Agravante foi uma cantora que fez grande sucesso nas décadas de 1980/1990, sendo
que, por conta da conta do consumo exagerado de drogas, dentre outros excessos,
acabou por se afastar da vida artística, vivendo reclusa em uma chácara no interior de
Goiás, há quase vinte anos, fatos estes constantes da biografia lançada pela Editora-
Agravante, cerne da questão sub judice.
A agravada alega que a obra revela fatos da sua imagem e da sua vida
privada, sem que tenha havido sua autorização prévia, o que lesionaria sua
personalidade, causando-lhe dano moral, e que, sem a imediata interrupção da
divulgação da biografia, essa lesão se ampliaria e se consumaria de forma definitiva,
aduzindo então o perigo de dano irreparável e o risco ao resultado útil do processo.
O D. Juízo “a quo” acatou a argumentação da Agravada e concedeu-
lhe a antecipação de tutela para a Agravante a não mais vender exemplares da biografia,
bem a recolher todos aqueles que já tivessem sido remetidos a pontos de venda e ainda
não tivessem sido comprados, no prazo de setenta e duas horas, sob pena de multa
diária de cinquenta mil reais.
Em síntese, eis os fatos.
III – DAS RAZÕES PARA REFORMA DA DECISÃO
A) DA AUSÊNCIA DE PROBABILIDADE DO DIREITO
Julgadores, à luz do Direito pátrio, é nula a probabilidade de êxito da
Agravada em conseguir obstar definitivamente a venda de sua biografia, sob a alegação
de que não autorizou sua publicação, posto que absolutamente dispensável, no caso em
tela.
Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de
constitucionalidade, no julgamento da ADI n° 4815, impôs a interpretação conforme a
constituição aos artigos 20 e 21, do Código Civil, declarando ser inexigível a autorização
prévia para a publicação de biografias, em consonância com os direitos fundamentais à
liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,
independentemente de censura ou licença de pessoa biografada, relativamente a obras
biográficas literárias ou audiovisuais (ou de seus familiares, em caso de pessoa
falecidas).
Oras, no caso em tela, temos que a Agravante agiu no regular exercício
da liberdade de expressão, nos exatos termos do entendimento da Suprema Corte, que
invocou o artigo 5°, inciso IX, da Constituição Federal, para decretar a inexigibilidade de
autorização da pessoa biografada, ainda mais considerando-se que se tratam de fatos
verdadeiros e que Macela é pessoa pública, já que artística de grande expressão no
cenário artístico nacional.
Por esta razão, é medida de rigor a reforma da r. decisão de primeira
instância, para permitir a venda da publicação.
B) DA ATRIBUIÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO
É de meridiana obviedade que a manutenção da r. decisão de piso
acarretará graves danos, de dificílima reparação, à Agravante, dada a dimensão da
sanção econômica e logística que impôs à Editora Book.
Por ter fundamento constitucional (liberdade de expressão)
reconhecida pelo STF, o presente recurso tem indiscutível probabilidade de provimento,
a ensejar para este Agravo de Instrumento a imediata concessão de efeito suspensivo,
na forma do artigo 995, parágrafo único, do CPC.
IV – DOS PEDIDOS
Ante o exposto, requer a Agravante que Vossas Excelências se dignem
a atribuir efeito suspensivo imediato ao presente recurso, provendo-o, ao final, de modo
a revogar a tutela concedida em primeiro grau, autorizando a livre venda das biografias,
por ser medida de Justiça.
Nestes termos,
pede e espera deferimento.
Local e Data.

ADVOGADA
OAB N°...

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