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DESCRIÇÃO

Classificações de escoamentos, cálculo da vazão, energia e perda de carga.

PROPÓSITO
Apresentar as características que diferenciam os diversos tipos de escoamentos e os conceitos de vazão e conservação da massa, além do efeito da
perda de carga, bombas e turbinas no comportamento da energia ao longo de tubulações.

PREPARAÇÃO
Antes de iniciar este conteúdo, tenha em mãos: papel, caneta e uma calculadora, ou use a calculadora de seu smartphone/computador.

OBJETIVOS

MÓDULO 1

Classificar os escoamentos

MÓDULO 2

Aplicar os conceitos de vazão

MÓDULO 3

Calcular a pressão ao longo de tubulações


DINÂMICA DOS FLUIDOS
O especialista Gabriel de Carvalho Nascimento fala sobre a dinâmica dos fluidos.

MÓDULO 1

 Classificar os escoamentos

OS TIPOS DE ESCOAMENTO
O especialista Gabriel de Carvalho Nascimento fala sobre os tipos de escoamento
INTRODUÇÃO
Quando precisamos resolver um problema de fluidodinâmica é fundamental classificar o escoamento corretamente para selecionar a estratégia mais
adequada para sua solução, buscando a metodologia mais simples que contemple os efeitos relevantes.

Os escoamentos podem se diferenciar quanto a diversos aspectos, entre eles:

REGIME TEMPORAL

VARIAÇÃO NO ESPAÇO

INFLUÊNCIA DA VISCOSIDADE

TURBULÊNCIA

COMPRESSIBILIDADE

CONTORNOS

Neste módulo, veremos detalhes sobre cada uma das classificações mais relevantes.

CLASSIFICAÇÃO DOS ESCOAMENTOS

REGIME TEMPORAL

Regime temporal é o escoamento de uma massa fluida que pode ser avaliado com base no campo de velocidade, definido por:
→ → → ˆ → ˆ → ˆ
V = V ( X , Y , Z , T ) = U ( X , Y , Z , T )   I + V ( X , Y , Z , T )   J + W ( X , Y , Z , T )  K


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Em que


u


v


w

são as componentes do vetor velocidade nas direções

, respectivamente.

Uma das avaliações que devemos fazer é se o escoamento varia ou não ao longo do tempo, ou seja, se as grandezas físicas (ex.: velocidade, pressão
e temperatura) dependem da variável tempo. Sendo assim, é possível classificá-lo em:

Permanente ou estacionário (steady)

Quando as grandezas não variam ao longo do tempo, ou seja, ∂ η / ∂ t = 0  para qualquer grandeza


η( V ,p,T,ρ. . . )

Transiente ou transitório (transient)

Quando há variação de grandezas ao longo do tempo, ou seja, ∂ η / ∂ t ≠ 0

 DICA

Apesar de ser necessário que todas as grandezas se mantenham constantes para determinar se o escoamento é permanente, para maioria dos
escoamentos, basta avaliar a velocidade.

EXERCÍCIO RESOLVIDO 1
Classifique os escoamentos definidos pelos campos abaixo entre permanente (estacionário) e transiente (transitório):

a)

→ ˆ
V = ( aye − bt ) i

b)

→ ( y2 + z2 ) 2 ˆ
V = i
a
c)

→ ˆ ˆ ˆ
V = ax2 i + bxy  j + cy k

d)

→ ˆ ˆ
V = ( ae − by ) i + bx2 j

e)

→ ˆ ˆ
V = ( ax + t ) i + bx2 j

RESOLUÇÃO
Conforme vimos, a classificação quanto ao regime temporal é feita com base na influência do tempo nas grandezas físicas. Isso significa que, se
houver a variável tempo

(t)

na expressão que fornece o campo de velocidades, o escoamento é transiente, caso contrário, permanente. Sendo assim:

a) Transiente, pois há a variável tempo em

→ ˆ
V = ( aye − bt ) i

b) Permanente

c) Permanente

d) Permanente

e) Transiente, pois há a variável tempo em

→ ˆ ˆ
V = ( ax + t ) i + bx2 j

VARIAÇÃO NO ESPAÇO

Todos os escoamentos ocorrem nas três direções (x, y e z). No entanto, quando representamos matematicamente as grandezas físicas, é possível que
uma ou duas direções sejam desconsideradas. Essa simplificação facilita o modelo matemático e a sua solução, além da visualização do escoamento
através de gráficos, como as linhas de corrente.

Imagem: Atif Masood/Wikimedia commons/licença (CC BY 3.0)

 Linhas de corrente em um escoamento – simulação CFD

Para determinar qual a dimensionalidade do problema, basta avaliar quantas direções têm influência nas grandezas físicas (ex.:


V
,

):

UNIDIMENSIONAL (1D)

Há variação apenas ao longo de um eixo (ex.: x), então dois eixos podem ser desconsiderados (ex.: y e z).

BIDIMENSIONAL (2D)

Há variação apenas ao longo de dois eixos (ex.: x e y), então apenas um pode ser desconsiderado (ex.: z).

TRIDIMENSIONAL (3D)

Há variação ao longo de todos os eixos, então todos devem ser considerados.

Assim como no regime temporal, normalmente basta avaliar o campo de velocidades para definir a dimensionalidade do problema.

 ATENÇÃO

A classificação da dimensionalidade é feita com base na quantidade de variáveis espaciais (x, y e z) de que


V

depende.

 EXEMPLO

O campo de velocidade definido por

→ ˆ
V = (x+y) k

tem apenas uma componente (em z, conforme o vetor unitário


k

), porém ele varia ao longo de dois eixos (x e y). Portanto, trata-se de um escoamento bidimensional.

EXERCÍCIO RESOLVIDO 2
Classifique a dimensionalidade dos escoamentos definidos pelos campos do exemplo anterior:

a)

→ ˆ
V = ( aye − bt ) i
b)

→ ( y2 + z2 ) 2 ˆ
V = i
a

c)

→ ˆ ˆ ˆ
V = ax2 i + bxy  j + cy k

d)

→ ˆ ˆ
V = ( ae − by ) i + bx2 j

e)

→ ˆ ˆ
V = ( ax + t ) i + bx2 j

RESOLUÇÃO
Sendo a dimensionalidade avaliada com base na quantidade de variáveis dimensionais que influenciam na velocidade, então:

→ ˆ
a) V = ( aye - bt ) i → 1D   ( y )

→ ( y2 + z2 ) 2 ˆ
b) V = i → 2D   ( y   e   z )
a

→ ˆ ˆ ˆ
c) V = ax2 i + bxy   j + cy k → 2D   ( x   e   y )

→ ˆ ˆ
d) V = ( ae - by ) i + bx2 j → 2D   ( x   e   y )

→ ˆ ˆ
e) V = ( ax + t ) i + bx2 j → 1D   ( x )

INFLUÊNCIA DA VISCOSIDADE

Um dos principais objetivos de se classificar os escoamentos é verificar quais aspectos não são relevantes e quais simplificações são aceitáveis. Entre
esses aspectos está a influência das tensões viscosas, o que classifica o escoamento em:

Viscoso

A viscosidade

tem influência significativa, logo a tensão cisalhante

deve ser considerada.

Não viscoso ou invíscido

A viscosidade é desprezível, assim a tensão cisalhante pode ser desconsiderada, ou seja,

τ=0

. Nesse caso, o fluido é chamado de ideal.

TENSÃO CISALHANTE

É um tipo de tensão gerado por forças aplicadas em sentidos iguais ou opostos, em direções semelhantes, mas com intensidades diferentes no
material analisado.
O número de Reynolds é um adimensional que mede a razão entre forças inerciais, representadas pela quantidade de movimento (produto de massa
pela velocidade), e forças viscosas, representadas pela viscosidade:

ΡVL
RE =
Μ


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Na qual:

: (kg/m³) massa específica

: (m/s) velocidade da corrente livre

: (m) comprimento (ou largura) de referência

: (kg/m.s) viscosidade

Como a viscosidade

(μ)

está no denominador, quando a influência dela for significativa, o valor de

Re

será baixo. Em escoamento ao redor de esfera, por exemplo, isso ocorre para Re < 1. No entanto, um valor elevado de

Re

não necessariamente indicará escoamento invíscido

(τ=0)

, pois mesmo sendo relativamente baixa, a tensão cisalhante pode ter uma influência importante.

O maior exemplo do efeito secundário da tensão cisalhante baixa é o desprendimento das linhas de corrente, o que é caracterizado pela esteira
formada atrás de um corpo no caminho do escoamento. Na figura seguinte, a esteira é evidenciada pela ausência das linhas de corrente ao lado direito
da esfera (após o vento passar por ela).

Imagem shutterstock.com

 Esteira do escoamento após passar por uma esfera

Em aerofólios (ex.: asa de avião), a geometria é propositalmente desenhada para reduzir ao máximo a esteira. Veja:

Imagem: Orion 8/Wikimedia commons/licença (CC BY 3.0)

 Linhas de corrente ao redor de uma asa

Quando a esteira é desprezível, o escoamento pode ser calculado com

τ=0

, o que simplifica a solução matemática do problema. Posteriormente, a tensão cisalhante junto à superfície sólida pode ser adicionada para obter a
força de arrasto causada pelo “atrito”.

 RESUMINDO

Se o número de Reynolds for baixo (ex.: para esfera, Re < 1), o escoamento é classificado como viscoso.

Se

Re

é elevado, a viscosidade pode ser desconsiderada para o cálculo do campo de velocidade apenas se não houver esteira. Porém, a tensão cisalhante
deverá ser avaliada junto à superfície sólida.

TURBULÊNCIA

No número de Reynolds,

ρVL
Re =
μ

, a força inercial, proporcional a

ρVL
, representa a tendência que o fluido tem de manter sua velocidade, enquanto a força viscosa, proporcional a

, representa o que procura resistir ao escoamento. Portanto, quanto menor o denominador (viscosidade), menos “controlado” é o escoamento e maior
é o valor de

Re

. Esse é o caso dos escoamentos turbulentos, ao contrário dos laminares.

Para que valor de

Re

, então, há uma mudança no comportamento do escoamento?

Depende do tipo de escoamento ao qual estamos nos referindo. A seguir, ilustraremos dois casos: escoamento no interior e no exterior de tubulações.

O escoamento no interior de tubulações é um dos fenômenos de maior interesse na engenharia.

Re Classificação Imagem

Re < 2300 Laminar

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

2300 < Re < 4000 Transição

4000 < Re Turbulento

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento


Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal

 Classificação de escoamento no interior de tubulações

Fluidos passando ao redor de cilindro, por sua vez, podem ser exemplificados por correntes marinhas em dutos submarinos, corrente de rios em
pilares de pontes e vento em edifícios.

Re Classificação Imagem

Re < 40 Esteira laminar e permanente

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

40 < Re < 150 Esteira laminar e periódica


Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

150 < Re < 300 Transição

300 < Re Esteira turbulenta

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento


Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal

 Classificação de escoamento ao redor de cilindros

Mesmo para outros formatos de corpos, os valores indicados na tabela podem servir como referência para ordem de grandeza que indica
escoamentos laminares ou turbulentos.

 EXEMPLO

Se o escoamento ao redor de um duto submarino tem

Re ≅ 50.000

(muito maior que 40), você pode ter certeza de que o escoamento é turbulento.


SAIBA MAIS

Normalmente, o engenheiro não tem dúvida se o escoamento é laminar ou turbulento, pois as condições mais comuns resultam em

Re

muito elevados.

Faça um teste, calculando o valor de Reynolds para escoamentos que venham à sua mente.

Saiba que o cálculo de

Re

remete muito mais à ordem de grandeza do que a um valor exato. Assim, não se preocupe em fazer estimativas grosseiras para os parâmetros
necessários (velocidade e dimensão de referência).

COMPRESSIBILIDADE
A influência da compressibilidade no escoamento pode ser medida pelo número de Mach:

V
MA =
C


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Em que

é a velocidade de referência do escoamento e

é a velocidade do som no fluido.

Quanto maior o valor de

Ma

, maiores são os efeitos da compressibilidade. Quando o número de Mach é muito menor que 1

( Ma ≪ 1 )

, o escoamento pode ser classificado como incompressível, ou seja, com massa específica

constante. Na prática, é comumente aceito considerar que Ma ≪ 1   ↔   Ma < 0 , 3 .

Ma Classificação

Ma < 0 , 3 Incompressível

Ma > 0 , 3 Compressível


Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal

 Classificação de escoamento no interior de tubulações

Avaliando-se a condição limite

( Ma = 0 , 3 → V = 0 , 3c )

, temos:

Para a água

V = 0 , 3 · 1000 = 300m / s = 1 . 080km / h .


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Para o ar, nas CNTP

V = 0 , 3 · 340 = 102m / s = 367km / h .


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

De maneira geral, líquidos resultam em escoamentos incompressíveis; enquanto gases, compressíveis, o que ocorre para o escoamento no interior de
tubulações de abastecimento de água e do ar ao redor de aviões, respectivamente.

Imagem: Shutterstock.com

Imagem: Pixabay.com

 Escoamento de água em tubulações (incompressível) e do ar ao redor de aviões (compressível)

Há exceções que valem ser citadas, como o corte de materiais com jatos de água a altíssima velocidade (cerca de 1400km/h) e a refrigeração de ar
por dutos (velocidade de 10 m/s). Veja:

Imagem: Shutterstock.com

Imagem: Shutterstock.com

 Corte de materiais com jatos d’água e dutos de ar-condicionado

LEIS BÁSICAS PARA SISTEMAS E VOLUMES DE CONTROLE


Antes de iniciar o equacionamento dos problemas, é importante definir qual é o tipo de domínio de análise — sistema ou volume de controle:

Sistema

É constituído por determinada quantidade de matéria (massa), assim deve acompanhá-la ao longo do tempo.

Volume de controle

Compreende determinada região do espaço, por onde o fluido pode entrar e sair em diferentes aberturas, sendo delimitado pela superfície de
controle.

 EXEMPLO

Qual é o melhor domínio para análise de um bloco em um plano inclinado? Em se tratando de sólido, a massa do bloco é bem definida e se desloca
como um todo. Portanto, o equacionamento com base no sistema é o mais adequado.

E para avaliar o escoamento em determinado trecho de tubulação?

Nesse caso, a massa (matéria) de interesse é um fluido cujas partículas entram e saem da região de interesse (trecho de tubulação), o que inviabiliza
o equacionamento do sistema. Então, o volume de controle passa a ser a melhor opção.

A seguir, listaremos as leis da Física que servem como base para o desenvolvimento das equações abordadas na mecânica dos fluidos. Essas leis são
definidas, inicialmente, com aplicação num sistema.

PRINCÍPIO DA CONSERVAÇÃO DA MASSA


Também chamada de princípio da continuidade, estabelece que a massa do sistema se mantém constante, ou seja:

dm
msistema =  cte →   ( ) sistema  = 0 
dt


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

PRINCÍPIO DA QUANTIDADE DE MOVIMENTO LINEAR (MOMENTUM)


A partir da definição da quantidade de movimento linear

num sistema

→ →
P sistema  =   ∫ M V dm

Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

O princípio correspondente se refere à 2º Lei de Newton:



→ dP
F = ( ) sistema
dt


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

PRINCÍPIO DA QUANTIDADE DE MOVIMENTO ANGULAR


Definindo a quantidade de movimento angular

no sistema por:

→ → →
H sistema  = ∫ M r   ×   V dm 


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

De maneira análoga ao princípio anterior, teremos:



→ dH
M= ( ) sistema
dt


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

PRINCÍPIO DA ENERGIA
Definindo-se a energia do sistema por:

Esistema  = ∫ Me dm


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Esse princípio se refere à 1ª e à 2ª Lei da Termodinâmica:

˙ ˙ dE
1ª Lei da Termodinâmica: Q -  W = ( ) sistema 
dt

δQ
2ª Lei da Termodinâmica: δS  ≥
T

Adicionalmente, vale citar as relações de estado, que complementam as leis básicas fornecendo a pressão e energia do fluido em função da massa
específica e temperatura, ou seja:

P=P(Ρ,T)
{
E=E(Ρ,T)


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Um exemplo de relação de estado é a Lei dos Gases Ideais,

pV = mRT

, que pode ser reescrita como

m
p= RT = ρRT
V

, ou seja, uma expressão que fornece

em função de

e
T

MÃO NA MASSA

1. QUAL É A CLASSIFICAÇÃO DO ESCOAMENTO DE ÁGUA NO INTERIOR DE UMA ADUTORA COM GRANDE


COMPRIMENTO?

A) Invíscido, incompressível e interno.

B) Viscoso, turbulento, incompressível e interno.

C) Viscoso, laminar, compressível e interno.

D) Invíscido, compressível e externo.

E) Viscoso, laminar, incompressível e externo.

2. QUAL É A CLASSIFICAÇÃO DO ESCOAMENTO DE AR AO REDOR DE UM AVIÃO DE GRANDE PORTE?

A) Invíscido, compressível e interno.

B) Viscoso, turbulento, incompressível e externo.

C) Viscoso, laminar, compressível e externo.

D) Invíscido, incompressível e externo.

E) Viscoso, turbulento, compressível e externo.

3. DUAS PLACAS PLANAS HORIZONTAIS A UMA DISTÂNCIA H UMA DA OUTRA SÃO SEPARADAS POR UM FLUIDO
DE VISCOSIDADE Μ E MASSA ESPECÍFICA Ρ. A PLACA INFERIOR ESTÁ FIXA E A SUPERIOR SE MOVE
LATERALMENTE COM VELOCIDADE V CONSTANTE. SE O FLUIDO EM QUESTÃO SE TRATA DA ÁGUA
(Μ = 10-3 KG/M.S E Ρ ≅ 1000KG/M³), V = 0,5M/S E H = 1,0MM, CLASSIFIQUE O REGIME DE ESCOAMENTO QUANTO
AO NÍVEL DE INFLUÊNCIA DAS TENSÕES VISCOSAS.

A) Turbulento

B) Permanente

C) Transiente

D) Incompressível

E) Laminar

4. EM UM DUTO ESCOA GÁS SOB CONDIÇÕES PARA AS QUAIS A VELOCIDADE DO SOM É DE 500M/S. QUAL É O
VALOR MÁXIMO DA VELOCIDADE PARA QUE O ESCOAMENTO SEJA CONSIDERADO INCOMPRESSÍVEL?

A) 500m/s

B) 0,3m/s

C) 50m/s

D) 150m/s
E) 104m/s

5. QUAL É A CLASSIFICAÇÃO DO ESCOAMENTO DEFINIDO PELO CAMPO DE VELOCIDADE:

V→=XY2 I^-X2Y J^+A K^


ATENÇÃO! PARA VISUALIZAÇÃO COMPLETA DA EQUAÇÃO UTILIZE A ROLAGEM HORIZONTAL

A) 1D e permanente

B) 2D e permanente

C) 3D e permanente

D) 1D e transiente

E) 2D e transiente

6. A FIGURA A SEGUIR REPRESENTA UM TRECHO DE UMA TUBULAÇÃO DE ÁGUA ONDE HÁ UM TÊ.

ESPECIFIQUE O QUE MELHOR REPRESENTA UM SISTEMA, UM VOLUME DE CONTROLE E UMA SUPERFÍCIE DE


CONTROLE, RESPECTIVAMENTE.

A) I, III e II

B) II, III e I

C) I, II e III

D) II, I e III

E) III, I e II

GABARITO

1. Qual é a classificação do escoamento de água no interior de uma adutora com grande comprimento?

A alternativa "B " está correta.

Viscoso: no interior de uma tubulação de grande comprimento, as tensões cisalhantes acabam contribuindo significativamente, como uma força de
resistência ao escoamento. Dessa forma, a viscosidade, que está diretamente associada à tensão cisalhante (viscosa), deve ser considerada.

Turbulento: conforme quase a totalidade dos escoamentos de interesse econômico, como gasodutos e oleodutos, as velocidades no interior de
adutoras são elevadas o suficiente para resultar num número de Reynolds muito acima do limite entre laminar e turbulento.

Incompressível: para escoamentos muito abaixo da velocidade do som, a compressibilidade do fluido pode ser desprezada.

Interno: As paredes internas da tubulação representam uma condição de contorno que impacta, significativamente, na distribuição de velocidades.

2. Qual é a classificação do escoamento de ar ao redor de um avião de grande porte?


A alternativa "B " está correta.

Viscoso: as tensões viscosas (cisalhantes) tem um papel relevante em aviões, pois além de contribuírem diretamente para a força de arrasto
(resistência) pelo “atrito” ao longo da fuselagem, provocam vórtices (recirculações) na esteira das asas e na cauda.

Turbulento: as elevadas velocidades dos aviões, além da baixa viscosidade do ar, provocam um comportamento turbulento, o que pode ser facilmente
constatado pelo número de Reynolds (Re=ρVL/μ).

Incompressível: tratando-se de ar e elevadas velocidades, a compressibilidade tem impactos relevantes no escoamento, por isso deve ser
considerada.

Externo: a partir da superfície externa dos aviões, não há limites para interferir na distribuição de velocidades, o que caracteriza um escoamento
externo.

3. Duas placas planas horizontais a uma distância h uma da outra são separadas por um fluido de viscosidade μ e massa específica ρ. A
placa inferior está fixa e a superior se move lateralmente com velocidade V constante. Se o fluido em questão se trata da água

(μ = 10-3 kg/m.s e ρ ≅ 1000kg/m³), V = 0,5m/s e h = 1,0mm, classifique o regime de escoamento quanto ao nível de influência das tensões
viscosas.

A alternativa "E " está correta.

O adimensional que mede a influência das tensões viscosas é o número de Reynolds, calculado por:

Re=ρVL μ=1000⋅0,5⋅1⋅10-310-3=500


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Em se tratando de escoamento interno (entre duas placas), comparando-se com o limite até laminar conhecido para escoamento em tubulações
(Re < 2300), conclui-se que se trata de um escoamento laminar.

4. Em um duto escoa gás sob condições para as quais a velocidade do som é de 500m/s. Qual é o valor máximo da velocidade para que o
escoamento seja considerado incompressível?

A alternativa "D " está correta.

Para ser considerado incompressível, o número de Mach (Ma) deve ser Ma < 0,3. No caso em questão:

Ma=Vc<0,3→  V<0,3⋅c=0,3⋅500

→V<150 m/s


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

5. Qual é a classificação do escoamento definido pelo campo de velocidade:

V→=xy2 i^-x2y j^+a k^


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

A alternativa "B " está correta.

Observando-se o campo de velocidade informado pelo anunciado, verifica-se que $$\vec{V}$$ é função de x e y, ou seja, varia ao longo de dois eixos,
o que o classifica como 2D. A variável tempo não aparece na expressão de $$\vec{V}$$ (a velocidade não varia no tempo), logo o escoamento é
permanente.

6. A figura a seguir representa um trecho de uma tubulação de água onde há um tê.


Especifique o que melhor representa um sistema, um volume de controle e uma superfície de controle, respectivamente.

A alternativa "D " está correta.

SISTEMA VERSUS VOLUME DE CONTROLE


O especialista Gabriel de Carvalho Nascimento fala sobre o Sistema versus Volume de Controle.

GABARITO

TEORIA NA PRÁTICA
Desde as primeiras civilizações, ficou evidente a necessidade do fornecimento de água para as aglomerações urbanas. Exemplos antigos de
construções de aquedutos são encontrados desde o século III a.C. em diversas cidades romanas, com quilômetros de extensão e, em maior parte,
subterrâneos.

Imagem: Shutterstock.com

A prática comum da engenharia para o dimensionamento de dutovias é considerar uma única velocidade média ao longo da seção transversal do duto
e vazão constante, facilitando o cálculo das grandezas físicas ao longo da linha. Velocidades típicas giram em torno de 1,5m/s, e os diâmetros usuais
para abastecimento vão desde 2” e podem chegar até 2 metros.

Para que seja possível iniciar o equacionamento (que será feito nos próximos módulos), vejamos a classificação do referido escoamento, de forma que
seja considerado o mais simples possível.

RESOLUÇÃO

CLASSIFICAÇÃO DO ESCOAMENTO EM DUTOVIAS

O especialista Gabriel de Carvalho Nascimento fala sobre classificação do escoamento em dutovias.


VERIFICANDO O APRENDIZADO

1. SEJA O ESCOAMENTO DE ÁGUA NO INTERIOR DE UMA TUBULAÇÃO CUJO CAMPO DE VELOCIDADES É DADO
POR UR=K(R2-R2), EM QUE $$K$$ É UMA CONSTANTE, $$R$$ É O RAIO DA TUBULAÇÃO E $$R$$ É A POSIÇÃO
MEDIDA A PARTIR DO EIXO (CENTRO). SE A VELOCIDADE MÉDIA É DE 0,01M/S E O RAIO É DE 1MM, QUAL É A
CLASSIFICAÇÃO DESSE ESCOAMENTO?

A) Permanente, 2D, viscoso, turbulento.

B) Permanente, 1D, viscoso, laminar.

C) Transiente, 2D, invíscido, laminar.

D) Permanente, 1D, invíscido, turbulento.

E) Permanente, 1D, viscoso, turbulento.

2. CLASSIFIQUE O ESCOAMENTO DECORRENTE DO CHUTE FORTE APLICADO EM UMA BOLA DE FUTEBOL DE


CAMPO EM COBRANÇA DE FALTA DIRETA PARA O GOL.

A) 3D, transiente, viscoso, turbulento, incompressível.

B) 1D, permanente, viscoso, laminar, incompressível.

C) 3D, transiente, invíscido, turbulento, compressível.

D) 2D, transiente, invíscido, laminar, incompressível.

E) 2D, permanente, viscoso, turbulento, compressível.

GABARITO

1. Seja o escoamento de água no interior de uma tubulação cujo campo de velocidades é dado por ur=K(R2-r2), em que $$K$$ é uma
constante, $$R$$ é o raio da tubulação e $$r$$ é a posição medida a partir do eixo (centro). Se a velocidade média é de 0,01m/s e o raio é de
1mm, qual é a classificação desse escoamento?

A alternativa "B " está correta.

Para melhor visualização, podemos fazer um esboço do perfil de velocidades com base na expressão ur=K(R2-r2).
Tanto pela expressão quanto pela imagem, percebemos que se trata de um escoamento 1D, pois só varia ao longo do raio.

Como não há a variável tempo do campo de velocidades, trata-se de regime permanente (não varia no tempo).

Calculando-se o número de Reynolds:

Re=ρVDμ=1000⋅0,01⋅10-310-3=100


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

O que indica um escoamento laminar, portanto viscoso.

2. Classifique o escoamento decorrente do chute forte aplicado em uma bola de futebol de campo em cobrança de falta direta para o gol.

A alternativa "A " está correta.

Numa rápida pesquisa na internet, obtemos que o diâmetro da bola de futebol é de, aproximadamente, $$D=20cm$$. A velocidade de um chute forte,
por sua vez, V=100kmh≅28m/s. A massa específica e viscosidade do ar, nas CNPT são ρ= 1,2kg/m³ e μ=1,8·10-5kg/m.s, respectivamente. Então:

Re=ρVDμ=1,2⋅28⋅0,21,8⋅10-5=3,7⋅105


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Trata-se de um escoamento turbulento. Isso significa que as tensões cisalhantes são relativamente baixas. Porém, para termos certeza de que elas
podem ser desprezadas, devemos avaliar se há a formação de vórtices. Para isso, veja a figura a seguir, resultado de teste com bola em um túnel de
vento.

Observe que há sim formação de vórtices, que são causados, indiretamente, por ação das tensões cisalhantes (viscosas ou “atrito”), dessa maneira
elas não podem ser desprezadas nesse tipo de escoamento, sendo classificado como viscoso. 

Quanto à compressibilidade, devemos avaliar o número de Mach dividindo-se a velocidade da bola pela velocidade do som no ar:

Ma=Vc=28340=0,082


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Como Ma<0,3, o escoamento pode ser considerado incompressível.

O escoamento ao redor da bola (esfera) varia nas três direções (tridimensional) e no tempo (transiente).
MÓDULO 2

 Aplicar os conceitos de vazão

ANÁLISE DE ESCOAMENTO COM VOLUME DE CONTROLE


O especialista Gabriel de Carvalho Nascimento fala sobre análise de escoamento com volume de controle.

INTRODUÇÃO
Um dos métodos mais práticos para resolver problemas de fluidodinâmica, quando possível, é a solução em volume de controle (VC). Para isso,
primeiramente, são listados os princípios da mecânica dos fluidos, baseados em leis da Física e, posteriormente, adaptadas para um VC. Com esse
método, problemas como o cálculo da força resultante de um jato atingindo uma placa podem ser resolvidos em poucas linhas.

VAZÃO VOLUMÉTRICA E VAZÃO MÁSSICA


Conforme aprendemos no módulo 1, o tipo de domínio de análise mais apropriado para o estudo de fluidos é o volume de controle (VC). O VC é
delimitado por uma superfície de controle (SC) ao longo da qual pode haver entrada ou saída de fluido. Logo, é fundamental sabermos quantificar o
fluido que passa por essas aberturas.

Essa quantificação é feita através da vazão definida pela quantidade de fluido que atravessa uma superfície S ao longo do tempo.

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

 Vazão em uma superfície S

VAZÃO VOLUMÉTRICA,

:
É a quantidade de volume por tempo que atravessa

, ou seja,

Q = dV / dt

, calculada pela integral

→ →
Q= ∫S V .d A

. Considerando-se uma velocidade média (único valor constante)

Vm

e perpendicular à superfície, essa integral é simplificada para

Q =  VmA


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

No S.I. (Sistema Internacional de Unidades ) , a vazão volumétrica é medida em m³/s, porém o mais usual para tubulações é L/s ou m³/h.

˙
VAZÃO MÁSSICA, M
É a quantidade de volume por tempo que atravessa

, ou seja,

Q = dm / dt

. Como

dm = ρ dV

, basta multiplicar a expressão anterior por

˙
m =  ρVmA


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

No S.I., a unidade adotada para a vazão mássica é kg/s.



SAIBA MAIS

Vazão volumétrica, ou simplesmente vazão, é a quantificação mais utilizada para fluidos incompressíveis, ou seja, líquidos. Em se tratando de gases,
como o volume sofre grande variação com as condições de pressão e temperatura, é mais comum medir o escoamento pela vazão mássica.

EXERCÍCIO RESOLVIDO 3
Qual é a velocidade média de escoamento numa tubulação de 4” onde escoam 12 L/s?

RESOLUÇÃO
A vazão pode ser volumétrica ou mássica. Pela unidade informada no enunciado (L/s), vemos que se trata de Q (vazão volumétrica), calculada por:
Q
Q = VmA  →    Vm =
A


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

A área interna da tubulação (superfície por onde há o escoamento) será:


πD2 π ( 4 ⋅ 0,0254 ) 2
A= = = 0,0081 m ²
4 4


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

A vazão, no S.I. é:
12
Q = 12L / s = 1000 m3 / s = 0,012  m3 / s


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Então:
Q 0,012
Vm = = = 1,5  m / s
A 0,0081


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CONVERSÃO DAS LEIS BÁSICAS DE SISTEMA PARA VOLUME DE


CONTROLE
A seguir, faremos a conversão das leis básicas (Módulo 1), a partir de um sistema, para um volume de controle (VC). Matematicamente, isso pode ser
feito pelo Teorema do Transporte de Reynolds, que equaciona uma grandeza

qualquer (ex.: massa) por:

DN D → →
( ) SISTEMA = ∫ VCΗ Ρ DV + ∫ SCΗ Ρ  V ⋅ D A
DT DT


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Na qual

é definido como a quantidade da grandeza

N
por unidade de massa, ou seja,

η = dN / dm

Apesar de parecer uma equação complexa, ela estabelece algo muito simples e intuitivo: a variação da grandeza N do sistema é igual ao que varia
internamente no VC somado ao que é trocado ao longo de SC (superfície de controle).

Uma primeira simplificação que adotaremos daqui em diante, é considerar apenas escoamento permanente. De acordo com o que vimos
(Classificação dos escoamentos) isso significa que as grandezas físicas não variam ao longo do tempo, ou seja, a derivada temporal é igual a zero, o
que ocorre na primeira parcela do lado direito da equação.

A outra simplificação é considerar aberturas (entrada ou saída de fluido) uniformes ou com valores médios, o que significa que


V

não variam ao longo de SC, consequentemente podem ser retiradas da integral.

A simplificação do lado direito da equação anterior se resumirá a

∑ ( η ρ VA ) i
, que é o somatório de cada abertura i. Observando a definição de vazão mássica

˙
m

, teremos:

DN ˙ SAÍDA : +
( ) SISTEMA = ∑ ( ± Η M ) I             {
DT ENTRADA : -

˙
MI = ΡI VI A I

(1)


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

A vazão mássica vem do produto escalar entre a velocidade


V

e o vetor normal à área


dA

. Desse modo, se ambos tiverem o mesmo sentido (saída de fluido pela superfície), o produto será positivo, mas se tiverem sentido contrário (entrada
de fluido), será negativo. Veja:

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

 Vazão como produto escalar entre velocidade e área

 ATENÇÃO

Se VC está em movimento, a velocidade utilizada no cálculo de

˙
m

ou

deve ser a relativa a SC, ou seja,

→ → →
V r = V − V SC

Isso se faz necessário para considerar a quantidade de fluido que, efetivamente, entra ou sai no VC.

EQUAÇÃO DA CONTINUIDADE
Substituindo a grandeza genérica

da Equação (1) pela massa, em que η = dN / dm = dm / dm = 1, teremos:

DM ˙
( ) SISTEMA = ∑ ±  MI
DT


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

De acordo com o princípio da continuidade (módulo 1), a massa do sistema é constante, logo, ( dm / dt ) sistema = 0 e

˙ SAÍDA : +
∑ ±  MI = 0        {
ENTRADA : -
˙
MI = ΡI A I VI = ΡI Q I

(2)


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Essa é a equação da continuidade, na versão válida para escoamento permanente em um VC com aberturas uniformes.

EXERCÍCIO RESOLVIDO 4
Numa mangueira de 20mm de diâmetro, onde escoa água a 1,0m/s, se sua saída é parcialmente bloqueada, reduzindo a área interna pela metade,
qual será a velocidade do jato?

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

RESOLUÇÃO
O primeiro passo é definir qual será o volume de controle (VC). Devemos optar por uma superfície de controle (SC) cujas aberturas envolvem dados
conhecidos ou que desejamos calcular. Então, é intuitivo optar pela região delimitada na figura a seguir.

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

 Figura 2: Formação de uma treliça


simples a partir do elemento básico ABC / Fonte: Autor

Aplicando o Princípio da Continuidade, (equação 2), considerando a entrada 1 (negativo) e saída 2 (positivo):

˙ ˙
-  m1 + m2 = 0      →        - ρ1V1A1 + ρ1V2A2 = 0


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Como o fluido é incompressível (água), a massa específica é constante

( ρ1 = ρ2 )

A1
V2 = A2 V1


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Como a abertura bloqueada (2) tem a metade da área, A1 / A2 = 2:

V2 = 2 · 1 = 2 , 0m / s


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal
Esse exemplo nos mostra que, se reduzirmos a área de saída (2), haverá um aumento da velocidade, o que nós já aplicamos, intuitivamente, quando
colocamos o dedo na saída da mangueira com o objetivo de obter um jato com maior alcance.

EQUAÇÃO DA QUANTIDADE DE MOVIMENTO LINEAR (MOMENTUM)


Seguindo para o próximo princípio ou lei básica da mecânica dos fluidos, vamos agora substituir a grandeza genérica

da Equação (1) pela quantidade de movimento linear (momentum)


P =   ∫ V dm

→ →
, sendo η = dN / dm = d P / dm = V :


DP → ˙
( ) SISTEMA = ∑ ( ± V  M ) I
DT


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

dP →
Lembrando que, de acordo com a 2ª Lei de Newton, ( ) sistema = F :
dt

→ → ˙ SAÍDA : +
F = ∑ ( ± V  M ) I       {
ENTRADA : -

˙
MI = ΡI VI A I = ΡI Q I

(3)


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Essa é a equação da quantidade de movimento linear que permite calcular a força atuando num VC.

EXERCÍCIO RESOLVIDO 5
Calcule a força necessária para manter imóvel uma placa onde incide, perpendicularmente, um jato d’água com área transversal de 2,0cm² a 10m/s.

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

RESOLUÇÃO
Primeiramente, devemos delimitar o VC escolhido para solucionar o problema. Devemos escolher uma SC que tenha aberturas que envolvam dados
conhecidos ou que desejamos calcular.

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

Em seguida, aplicaremos a equação que permite obter a força aplicada num VC (equação 3). Por se tratar de uma equação vetorial, vamos separar a
análise em eixos (x, y e z). Observa-se que o único eixo de interesse é aquele orientado com a direção do jato. Nessa direção, há apenas uma
abertura (entrada do jato). Portanto:

˙ 2
Fx = - Vj mj = - Vj ( ρVjAj ) = - ρV j Aj


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

A área do jato é:

Aj = 2 cm2 = 2 ⋅ ( 10 - 2 ) 2 m2 = 0,0002 m ²


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Então:

F = - 1000 ⋅ ( 10 ) 2 ⋅ ( 0,0002 ) = - 20 N


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

O sinal negativo indica que a força é contrária ao sentido do jato. É importante ressaltar que a força calculada pela equação 3 é a aplicada no VC, ou
seja, no fluido. Por isso, a força que o fluido exerce na placa será a reação (sentido contrário) da calculada.

MÃO NA MASSA
1. O MANUAL DO FILTRO DE ÁGUA DA UMA RESIDÊNCIA ESPECÍFICA QUE A VAZÃO DE SERVIÇO DEVE ESTAR
ENTRE 45 E 55 L/H. PARA ENCHER UMA GARRAFA DE 2L, FORAM NECESSÁRIOS 2MIN E 24S. QUAL É A VAZÃO DO
FILTRO?

A) 0,01388 L/h

B) 50 L/h

C) 50 L/s

D) 60 L/h

E) 40 L/s

2. EM UM ÓLEO DUTO COM 20” DE DIÂMETRO INTERNO, SÃO ESCOADOS 120.000 BBD (BARRIS POR DIA) DE
PETRÓLEO. QUAL A VELOCIDADE MÉDIA DE ESCOAMENTO, EM M/S, SE 1BARRIL≅159L?

A) 1,09m/s

B) 0,54m/s

C) 0,27m/s

D) 0,22m/s

E) 4,12m/s

3. QUAL É A VAZÃO MÁSSICA EM UM GASODUTO DE 12” QUE ESCOA UM GÁS COM MASSA ESPECÍFICA
Ρ=0,8 KG/M³ NUMA VELOCIDADE MÉDIA DE 6M/S?

A) 4,8kg/s

B) 0,437kg/s

C) 0,350kg/s

D) 57,6kg/s

E) 1,15kg/s

4. PARA MOLHAR AS PLANTAS DE UM JARDIM, É COMUM TAPARMOS A SAÍDA D’ÁGUA, PARCIALMENTE, COM O
DEDO. ESSE PROCEDIMENTO REDUZ A ÁREA DE SAÍDA E, DE ACORDO COM A EQUAÇÃO DA CONTINUIDADE,
AUMENTA A VELOCIDADE, ALCANÇANDO DISTÂNCIAS MAIORES. SE A VELOCIDADE NO INTERIOR DA
MANGUEIRA É DE 1,5M/S E 80% DA ÁREA É OBSTRUÍDA COM O DEDO, QUAL A VELOCIDADE DO JATO D’ÁGUA?

A) 1,9m/s

B) 1,5m/s

C) 7,5m/s

D) 1,2m/s

E) 3,0m/s

5. A CAIXA D’ÁGUA DE UMA RESIDÊNCIA É ENCHIDA POR BOMBEAMENTO A 2.000L/H, QUANDO A ÁGUA ATINGE
A ALTURA MÁXIMA DE SERVIÇO E PASSA A HAVER SAÍDA PELO EXTRAVASOR, COMUMENTE CHAMADO DE
“LADRÃO”. SE O CONSUMO TOTAL DE ÁGUA NESSE INSTANTE É DE 0,30L/S, QUAL SERÁ A VAZÃO NO “LADRÃO”
EM M³/H?

A) 0,92m³/s

B) 1,08m³/s

C) 2,00m³/s

D) 920m³/s

E) 0,20m³/s

6. UM JATO DE ÁGUA HORIZONTAL A 20°C COM VELOCIDADE VJ=5,0M/S E ÁREA DE SEÇÃO TRANSVERSAL AJ
IGUAL A 1,0CM² ATINGE, PERPENDICULARMENTE, A PLACA REPRESENTADA NA FIGURA A SEGUIR, DIVIDINDO-
SE EM DOIS JATOS VERTICAIS.

CALCULE O MÓDULO DA FORÇA REQUERIDA PARA MANTER A PLACA IMÓVEL.

A) 0,5N

B) 2,5N

C) 25N

D) 5N

E) 10N

GABARITO

1. O manual do filtro de água da uma residência específica que a vazão de serviço deve estar entre 45 e 55 L/h. Para encher uma garrafa de
2L, foram necessários 2min e 24s. Qual é a vazão do filtro?

A alternativa "B " está correta.

A definição de vazão é a razão entre o volume escoado pelo intervalo de tempo, que neste caso foi Δt=2min24s=144s. Então:

Q=VΔt=2 L144 s=2144Ls=21443600 L3600 s⏟h=50 L/h 


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Obs.: Aqui, V é utilizado para distinguir volume de velocidade.

2. Em um óleo duto com 20” de diâmetro interno, são escoados 120.000 bbd (barris por dia) de petróleo. Qual a velocidade média de
escoamento, em m/s, se 1barril≅159L?

A alternativa "A " está correta.

Primeiramente, é conveniente passar as medidas fornecidas para o S.I.:


D=20"=20⋅0,0254m=0,508m

Q=120.000barrildia=120.0000,159 L24⋅60⋅60 s=0,221 m3/s


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

A velocidade média é obtida através da vazão, pela relação Q=V·A. Sendo A=πD2/4:

V=QA=4QπD2=4⋅0,221π⋅0,5082=1,09 m/s


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

3. Qual é a vazão mássica em um gasoduto de 12” que escoa um gás com massa específica ρ=0,8 kg/m³ numa velocidade média de 6m/s?

A alternativa "C " está correta.

Vazão mássica é definida por m˙=ρVA, sendo A a área da seção reta de escoamento:

A=πD24=π12⋅0,025424=0,0729 m²


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Logo:

m˙=0,8⋅6⋅0,0729=0,350 kg/s


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

4. Para molhar as plantas de um jardim, é comum taparmos a saída d’água, parcialmente, com o dedo. Esse procedimento reduz a área de
saída e, de acordo com a equação da continuidade, aumenta a velocidade, alcançando distâncias maiores. Se a velocidade no interior da
mangueira é de 1,5m/s e 80% da área é obstruída com o dedo, qual a velocidade do jato d’água?

A alternativa "C " está correta.

De acordo com a equação da continuidade para um problema permanente (a vazão não varia):

m˙entrada=m˙saída


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Lembrando-se da definição de vazão mássica m˙i=ρiViAi e denotando-se a entrada como abertura 1 e a saída de 2:

ρ1V1A1=ρ2V2A2


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Por se tratar de um fluido incompressível (água), a massa específica é constante e ρ1=ρ2:

V1A1=V2A2        →              V2=A1A2V1


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Se houve obstrução de 80% da área, restaram apenas 20% (A2=0,2·A1). Então:

V2=A10,2⋅A11,5=7,5 m/s


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

5. A caixa d’água de uma residência é enchida por bombeamento a 2.000L/h, quando a água atinge a altura máxima de serviço e passa a
haver saída pelo extravasor, comumente chamado de “ladrão”. Se o consumo total de água nesse instante é de 0,30L/s, qual será a vazão no
“ladrão” em m³/h?

A alternativa "A " está correta.

SOLUÇÃO DE PROBLEMAS COM A EQUAÇÃO DA CONTINUIDADE


O especialista Gabriel de Carvalho Nascimento fala sobre solução de problemas com a equação da continuidade.
6. Um jato de água horizontal a 20°C com velocidade Vj=5,0m/s e área de seção transversal Aj igual a 1,0cm² atinge, perpendicularmente, a
placa representada na figura a seguir, dividindo-se em dois jatos verticais.

Calcule o módulo da força requerida para manter a placa imóvel.

A alternativa "B " está correta.

O primeiro passo é definir a superfície de controle (SC) e assim o volume de controle (VC), que deve conter as aberturas ao longo das quais são
conhecidas as vazões e a superfície em que a força é aplicada. Dessa maneira, é natural escolher uma SC semelhante à da figura a seguir.

A equação integral do momentum na direção x se reduz a:

Fx=∑i=1N± u ρViAi


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Na qual as parcelas correspondem a cada i-ésima abertura, somada para saída e subtraída para entrada.

A única abertura que possui velocidade na direção $$x (u)$$ é a da entrada, em que a velocidade é $$V_j$$ e área $$A_j$$. Sendo assim:

Fx=-VjρVjAj=-ρVj2Aj

→    Fx=-1000⋅52⋅1⋅10-4=-2,5 N


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

O sinal negativo indica que o sentido da força é para esquerda, conforme esperado.
GABARITO

TEORIA NA PRÁTICA
As estações de tratamento de esgoto (ETEs) são de grande importância, principalmente em áreas urbanas, pois reduzem o impacto ambiental
causado pela concentração de habitantes. Nessas instalações, processos físicos, químicos e biológicos removem a carga de poluentes do esgoto,
reestabelecendo um nível adequado para ser devolvido ao ambiente (ex.: rios, lagoas e mares). Em uma ETE, normalmente, há diversos tanques,
utilizados em etapas como decantação, aeração e filtração. Para que o tratamento seja adequado, é importante controlar o volume e, como resultado,
a vazão de enchimento de cada tanque.

Foto: Shutterstock.com

Suponha uma estação de tratamento de esgotos (ETE) que receba efluentes no momento de pico com a vazão total de 140L/s. Após a chegada em
um barrilete, essa vazão é distribuída, através de um barrilete, para quatro tanques.

Apenas o medidor do tanque 1 está funcionando, que marca uma vazão de 72m³/h.

No tanque 2, foi montado um dispositivo improvisado, com um tubo horizontal de D_i=6" e uma régua abaixo de sua extremidade h=1m (figura
seguinte), que mede a distância alcançada pelo jato.

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

A velocidade pode ser obtida com um simples cálculo cinemático, considerando L = 90cm. 

No tanque 3, que tem uma área de 100m², um medidor do nível d’água mostra que houve um aumento de 30cm em 10min.

Assumindo regime permanente, calcule qual é a vazão que chega no tanque 4.

RESOLUÇÃO

O PRINCÍPIO DA CONSERVAÇÃO DA MASSA NA PRÁTICA

O especialista Gabriel de Carvalho Nascimento fala sobre o princípio da conservação da massa na prática
VERIFICANDO O APRENDIZADO

1. UM TRECHO DE TUBULAÇÃO, ONDE ESCOA ÁGUA E HÁ REDUÇÃO DE DIÂMETRO DE 100MM PARA 50MM, É
REPRESENTADO NA FIGURA.

SE A VELOCIDADE NA SEÇÃO 1 É 0,50M/S, QUAL É O VALOR DA VAZÃO NA SEÇÃO 2, EM L/S ?

A) 3,9

B) 2,0

C) 0,12

D) 3,9.10-3

E) 16

2. DURANTE A INSPEÇÃO DE UMA REDE DE ÁGUA FRIA UTILIZADA PARA REFRIGERAÇÃO NUM SHOPPING, FOI
VERIFICADO QUE HAVIA UM VAZAMENTO NO TÊ ILUSTRADO NA FIGURA. PORÉM, O LOCAL ERA DE DIFÍCIL
ACESSO, IMPOSSIBILITANDO UMA MEDIÇÃO DIRETA DESSA VAZÃO.

ANALISANDO AS INDICAÇÕES DE DIFERENTES TIPOS DE MEDIDORES, FORAM OBTIDOS OS VALORES


REPRESENTADOS NA FIGURA. QUANTO ESTÁ VAZANDO, EM L/S?

A) 7,85 L/s

B) 0,00 L/s
C) 8,39 L/s

D) 1,54 L/s

E) 0,54 L/s

GABARITO

1. Um trecho de tubulação, onde escoa água e há redução de diâmetro de 100mm para 50mm, é representado na figura.

Se a velocidade na seção 1 é 0,50m/s, qual é o valor da vazão na seção 2, em L/s ?

A alternativa "A " está correta.

Tratando-se de escoamento incompressível ($$\rho $$constante), a equação da continuidade pode ser simplificada para:

∑i=1N±Vi⋅Ai=0


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Na qual a parcela Vi⋅Ai deve ser somada (+) em saídas e subtraída (-) em entradas.

Definindo-se a SC da figura, obtém-se um volume de controle (VC) com uma entrada (1) e uma saída (2) de fluido.

Assim, a aplicação da equação da continuidade será:

-V1A1+V2A2=0        →        V2A2=V1A1


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

O produto entre a velocidade média e a área da seção é igual à vazão volumétrica $$(V_2A_2=Q_2)$$, então

Q2=V1A1=V1πD124=0,5⋅π0,124=3,9⋅10-3m3/s=3,9 L/s


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2. Durante a inspeção de uma rede de água fria utilizada para refrigeração num shopping, foi verificado que havia um vazamento no tê
ilustrado na figura. Porém, o local era de difícil acesso, impossibilitando uma medição direta dessa vazão.
Analisando as indicações de diferentes tipos de medidores, foram obtidos os valores representados na figura. Quanto está vazando, em
L/s?

A alternativa "E " está correta.

De acordo com a equação da continuidade para um problema permanente (as vazões não variam):

m˙entrada=m˙saída


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Como entrada, há a abertura 1 e a saída ocorre em 2, 3 e 4. Portanto:

m˙1=m˙2+m˙3+m˙4


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A vazão mássica é calculada por:

m˙i=ρiViAi=ρiQi


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A escolha de qual das duas relações utilizar (velocidade vezes área ou vazão volumétrica) deve ser feita de acordo com os dados fornecidos e
resultado solicitado. Por isso:

ρ1Q1=ρ2V2A2+m˙3+ρ4Q4


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Tratando-se de fluido incompressível (água), a massa específica será constante (ρ1=ρ2=ρ4=ρ):

ρQ1=ρV2A2+m˙3+ρQ4           →             Q4=Q1-V2A2-m˙31000


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Antes de substituir os valores na equação anterior, é importante garantir a compatibilidade de unidades. Para isso, a vazão de entrada será
Q1=9,4L/s=0,0094 m3/s.

Q4=0,0094-1⋅π0,124-11000=0,00054m3s=0,54 L/s


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MÓDULO 3

 Calcular a pressão ao longo de tubulações


ENERGIA AO LONGO DE TUBULAÇÕES
O especialista Gabriel de Carvalho Nascimento fala sobre energia ao longo de tubulações.

INTRODUÇÃO
A equação de Bernoulli é uma das mais conhecidas na mecânica dos fluidos. Com ela, é possível explicar e prever diversos fenômenos de interesse
para a Engenharia de maneira prática e intuitiva.

Adicionando-se o efeito da perda de energia, obtém-se uma equação de grande importância para o projeto de tubulações, pois permite calcular a
pressão em qualquer ponto de uma rede.

EQUAÇÃO DE BERNOULLI – INTERPRETAÇÃO MECÂNICA


Para a próxima dedução, vamos considerar escoamento com as seguintes simplificações:

PERMANENTE

(não varia no tempo)

INCOMPRESSÍVEL

(\rho constante)

INVÍSCIDO

(tensão cisalhante nula)

Seja o escoamento representado pelas linhas de corrente da figura (a), onde atua a gravidade \vec{g} e o sistema de coordenadas cartesiano tem o
eixo x na direção horizontal e z na vertical.

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

 Partícula de um fluido ideal ao longo de uma linha de corrente

Analisando detalhadamente a partícula da figura (b), vamos definir um outro sistema de coordenadas, com a componente s na direção do caminho
percorrido pela partícula e n na direção normal.

Ampliando ainda mais a partícula (figura (c)), podemos representá-la no plano da imagem como um retângulo com dimensões ds e dn, cujo centro
encontra-se na coordenada (s,n).

Definindo-se a pressão na linha de corrente analisada como função da posição s, as pressões nas faces perpendiculares à direção do caminho são as
apresentadas na figura (c). As forças decorrentes da pressão e do peso são as únicas atuantes, tendo em vista que não há tensão viscosa (fluido ideal
– escoamento invíscido). A resultante de pressão na direção s será obtida pelo produto com as respectivas áreas:

∑DFP=PS-DS2DN DY-PS+DS2DN DY=-PS+DS2-PS-DS2DN DY

=-PS+DS2-PS-DS2DSDS DN DY⏞DV=-LIMΔS→0PS+ΔS2-PS-ΔS2ΔSDV


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Que, de acordo com a definição de derivada é:

∑DFP=-∂P∂SDV


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Para obter a soma de todas as forças, resta somar a projeção do peso dFgsenβ=dm gsenβ=dVρgsenβ=dVρg∂z/∂s:

∑DF=-∂P∂SDV-DVΡ G∂Z∂S 

(4)


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De acordo com a 2ª Lei de Newton, essa soma deve ser igual a:

∑DF=DM A=DVΡDVDT 
(5)


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A velocidade é função também do espaço, ou seja, V=V\left(s,t\right), assim, pela regra da cadeia, a derivada em relação ao tempo será \frac{dV}
{dt}=\frac{\partial V}{\partial s}\frac{\partial s}{\partial t}+\frac{\partial V}{\partial t}.

Como estamos assumindo escoamento permanente, \frac{\partial V}{\partial t}=0. Além disso, a derivada \frac{\partial s}{\partial t} corresponde à
velocidade V (variação da posição no tempo). Substituindo essas informações na equação 5:

∑DF=DVΡ ∂V∂SV=DVΡ2∂V2∂S

(6)


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Igualando as equações 4 e 6:

-∂P∂SDV-DVΡ G∂Z∂S=DVΡ2∂V2∂S

∂P∂S+ΡG∂Z∂S+Ρ2∂V2∂S=0


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Integrando-se essa expressão de um ponto 1 a um ponto 2 ao longo de s:

∫P1P2∂P∂SDS+ΡG∫Z1Z2∂Z∂SDS+Ρ2∫V1V2∂V2∂SDS =0

P2-P1+ΡGZ2-Z1+Ρ2V22-V12=0


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Dividindo-se essa expressão por \rho g e separando os pontos:

P1ΡG+V122G+ Z1= P2ΡG+V222G+ Z2 

(7)


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

ESSA É CONHECIDA COMO A EQUAÇÃO DE BERNOULLI, QUE RELACIONA A


ENERGIA (OU CARGA) DO FLUIDO H_I EM DOIS PONTOS. ELA PODE SER
INTERPRETADA COMO A SOMA DE TRÊS ENERGIAS MECÂNICAS: CARGA DE
PRESSÃO, CARGA CINÉTICA E POTENCIAL GRAVITACIONAL.

Observações sobre a equação de Bernoulli:


É VÁLIDA APENAS PARA ESCOAMENTO PERMANENTE, INCOMPRESSÍVEL E
INVÍSCIDO.

COMO SE TRATA DE ESCOAMENTO INVÍSCIDO (FLUIDO IDEAL), NÃO HÁ TENSÃO


CISALHANTE (“ATRITO”), LOGO, NÃO SÃO CONSIDERADAS PERDAS DE ENERGIA.

NÃO SÃO CONSIDERADOS EVENTUAIS GANHOS DE ENERGIA, COMO OCORRE COM


BOMBAS.

NO FORMATO APRESENTADO PELA EQUAÇÃO 7 (HÁ OUTROS NA LITERATURA), TEM


COMO DIMENSÃO O COMPRIMENTO (UNIDADE METRO, NO S.I.).

FOI DEDUZIDA PARA DOIS PONTOS AO LONGO DE UMA LINHA DE CORRENTE.

TAMBÉM PODE SER UTILIZADA NUM VOLUME DE CONTROLE COM APENAS UMA
ENTRADA (PONTO 1) E UMA SAÍDA (PONTO 2).

EXERCÍCIO RESOLVIDO 6
Considere o escoamento do ar ao redor de uma asa de avião:

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

Esse tipo de escoamento pode ser considerado invíscido, exceto na esteira formada após a passagem pelo corpo. Desse modo, assumindo regime
permanente e escoamento incompressível, calcule a pressão no ponto 2, onde ocorre estagnação (velocidade nula).

RESOLUÇÃO
O escoamento em questão reúne as condições necessárias para validade da equação de Bernoulli (permanente, incompressível e invíscido).

p1ρg+V122g+ z1= p2ρg+V222g+ z2


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Como V_1=V, z_1=z_2 e V_2=0:


p1ρg+V22g=p2ρg      →     p2=p1+ρV22


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Portanto, a pressão no ponto 2 será maior que em 1.

Com base no que vimos no exercício anterior, outra interpretação que pode ser dada aos termos da equação de Bernoulli num ponto i é:

\frac{p_i}{\rho g}, carga de pressão estática: é que está aplicada na partícula fluida.

p_i+\frac{\rho V_i^2}{2}, carga de pressão de estagnação: é a que ocorre num ponto mais adiante com estagnação (velocidade nula).

\frac{V_i^2}{2g}, carga de pressão dinâmica: é a carga somada à estática para obtenção da carga de estagnação.


SAIBA MAIS

O termo “caga de pressão estática” é questionável, pois ocorre num fluido com escoamento (não é estático!). No entanto, é comumente utilizado na
literatura.

ANÁLISE GEOMÉTRICA DA ENERGIA: LINHA DE ENERGIA,


PIEZOMÉTRICA E TOPOGRÁFICA
A análise geométrica da energia é um método que pode facilitar bastante a análise do escoamento ao longo de tubulações. Para isso, são definidas:

LE – LINHA DE ENERGIA
Corresponde à altura obtida com a soma de todas as parcelas da equação de Bernoulli (equação 7), ou seja, num ponto i será:

LEI=PIΡG+VI22G+ZI 

(8)


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

LP – LINHA PIEZOMÉTRICA
Corresponde à altura obtida com a soma da carga de pressão e potencial (cota topográfica):

LPI=PIΡG+ZI 

(9)


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Observe que a diferença entre as duas corresponde à carga cinética, V_i^2/2g.

Para aplicar a análise gráfica, vamos considerar o escoamento invíscido (sem “atrito”) que parte de um reservatório com nível constante numa
tubulação que tem seu diâmetro gradualmente reduzido da seção 2 para 3.

Imagem: Introdução à mecânica dos fluidos, FOX, R. W.; MCDONALD, A. T.; PRITCHARD, P. J, 2014

 Linha de energia e linha piezométrica em escoamento invíscido

Como o escoamento é invíscido, não há perda de carga, então a LE se mantém constante. No entanto, ao entrar na tubulação (sair do reservatório), o
fluido ganha velocidade V_2, o que passa a distanciar LP de LE.

Quando um tubo vertical é colocado num furo junto à parede do tubo, ele medirá a carga de pressão, então o nível d’água se elevará além de z_i (cota
no tubo do escoamento), à altura p_i/\rho g, totalizando LP (equação 9). Por isso, esse tubo é chamado de piezômetro.

Quando a extremidade inferior do tubo vertical é posicionada no centro do tubo onde há escoamento, ocorrerá a pressão de estagnação (\frac{p_i}{\rho
g}+\frac{V_i^2}{2g}), que somada à cota z_i, totalizará LE (equação 8).

Da seção 2 para 3, ocorre uma redução da área interna do duto. De acordo com a equação da continuidade, isso acarreta o aumento da velocidade.
Assim, LP se afastará ainda mais de LE.

EXERCÍCIO RESOLVIDO 7
Antes e após um pequeno trecho com redução gradual de diâmetro, ilustrada na figura, foram instalados piezômetros que marcaram uma diferença de
altura \Delta h = 10,0cm. Se foi medida uma vazão constante Q = 0,6 L/s de água e D_1 = 1”, qual é o diâmetro D_2?

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

RESOLUÇÃO
Por se tratar de uma redução gradual e um pequeno trecho de tubulação, podemos considerar escoamento invíscido (sem “atrito”). Além disso, o fluido
é incompressível (água) e escoamento permanente (vazão constante). Essas condições são suficientes para validade da equação de Bernoulli.

p1ρg+V122g+ z1= p2ρg+V222g+ z2


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

A soma da carga de pressão com cota topográfica é definida como LP (Linha Piezométrica), cuja altura é medida pelos piezômetros:

LP1+V122g=LP2+V222g     →   V222g=V122g+LP1-LP2 

Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

A velocidade V_1 é obtida através da definição da vazão:

Q=VA→ V1=QA1=0,6⋅10-3π1⋅0,025424=0,6⋅10-35,06⋅10-4=1,18 m/s


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Continuando a equação anterior:

V2=V12+2gLP1-LP2=1,182+2⋅9,8⋅0,1=1,83 m/s


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Aplicando-se a equação da continuidade entre os pontos 1 e 2:

m˙1=m˙2    →       ρV1A1=ρV2A2      →      A2=V1V2A1

→     πD224=V1V2πD124

→    D2=V1V2D1=1,181,83⋅0,0254≅20mm


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

PERDA DE CARGA EM TUBULAÇÕES


Consideramos até aqui apenas escoamentos invíscidos, ou seja, sem tensão cisalhante (“atrito”), consequentemente sem perda de energia. Na análise
de tubulações, essa simplificação só é válida para trechos muito curtos e transições (ex.: redução de diâmetro) graduais. Porém, na maioria dos
projetos de tubulações, essa simplificação não é válida e devemos considerar a perda de energia (carga), que é dividida em dois tipos:

Perda distribuída

Ocorre pelo “atrito” com as paredes do duto ao longo do comprimento.

Perda localizada

Se deve às recirculações e intensificação da turbulência causada pela mudança da direção de fluxo em acessórios como curvas, tês, válvulas e
reduções.

Após o desenvolvimento feito para a equação de Bernoulli, observamos que a carga hidráulica em um ponto i do escoamento ao longo de uma linha de
corrente é calculada por:

HI=PIΓI+ΑIV2I2G+ ZI

Α:FATOR DE CORREÇÃO  ESCOAMENTO LAMINAR: Α=2ESCOAMENTOS TURBULENTOS:1,0

(10)


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Para utilizar a mesma formulação em uma tubulação, é necessário considerar V_i como a velocidade média ao longo da seção i, ao invés da
velocidade em determinado ponto. Por conta dessa aproximação, faz-se necessário a inclusão do fator de correção \alpha. Para escoamentos
turbulentos, comumente se considera \alpha=1.

Em relação ao que foi desenvolvido até o tópico anterior, agora precisamos incluir a perda de carga. Portanto, a carga no ponto 1 será igual à carga no
ponto 2 mais a perda h_p:

H1=H2+HP
P1ΡG+V122G+ Z1=P2ΡG+V222G+ Z2+HP 

(11)


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Nessa equação, observa-se a importância da perda de carga, pois seu valor é necessário para calcular a pressão no ponto 2. O engenheiro deve ser
capaz de calcular a pressão na tubulação para verificar se está acima do mínimo necessário para operação e abaixo do máximo admissível pelo
material.

A maneira mais conhecida de se calcular a perda distribuída é através da fórmula universal da perda de carga (ou de Darcy-Weisbach):

HP=LFDV22G

(12)


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Na qual:

L (m): comprimento entre o ponto 1 e 2.

D (m): diâmetro interno da tubulação.

f (adimensional): fator de atrito, função de Re e \varepsilon/D, sendo \varepsilon (em metros) a rugosidade do material do tubo.

V (m/s): velocidade média do escoamento.

Em caso de escoamento laminar, Re <2300, o fator de atrito é dado por:

f=64Re


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Para escoamentos turbulentos, a equação teórica mais precisa para o cálculo do fator de atrito f é a equação de Colebrook-White:

1F=-2,0LOGΕ/D3,7+2,51REF


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Porém, devido à dificuldade de se utilizá-la, pois f está implícito (dentro e fora do logaritmo), há formulações aproximadas, como a de Swamee-Jain:

F=0,25LOGΕ/D3,7+5,74RE0,92


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

O método mais prático de se obter f, sem fazer muita conta, é pelo diagrama de Moody:

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

 Diagrama de Moody

A perda de carga localizada, por sua vez, pode ser calculada por:

HPLOC=KV22G


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Onde K é uma constante adimensional que depende do tipo de acessório. Em caso de acessórios com redução ou alargamento de diâmetro, o valor
de V deve ser referente ao menor diâmetro (maior V).

Acessório K

Cotovelo de 90° raio curto (joelho) 0,9

Curva de 90° 0,4

Válvula de gaveta aberta 0,2

Entrada na tubulação (saída do reservatório) 0,8

Saída da tubulação (entrada no reservatório) 1


Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal

 Exemplos de valores de K para cálculo da perda localizada

EXERCÍCIO RESOLVIDO 8
No ponto A de uma tubulação horizontal de 50mm de diâmetro interno em PVC (\varepsilon = 0,04mm), um manômetro registra 5bar de pressão.
Quando ocorre escoamento permanente de 4 L/s, qual será a pressão no ponto B, situado a 122m após o ponto A?

RESOLUÇÃO
As condições de pressão em dois pontos de uma tubulação podem ser relacionadas pela equação 11, que requer a perda de carga h_P, calculada
pela equação 12:

hP=LfDV22g


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal
Onde f=f\left(Re,\frac{\varepsilon}{D}\right) é o fator de atrito. O número de Reynolds para esse escoamento será:

Re=ρVDμ


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

A velocidade de escoamento é:

V=QA=4⋅10-3π50⋅10-34=2,0 m/s


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Então:

Re=1000⋅2,0⋅50⋅10-30,001=105


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

A rugosidade relativa é:

εD=0,0450=0,0008


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Com os valores de Re e \varepsilon/D calculados, podemos obter no diagrama de Moody ()

f≅0,0215


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Substituindo na Fórmula de Darcy-Weisbach (equação 12):

hP=1220,021550⋅10-3⋅222⋅9,8=11m


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Agora, a pressão no ponto B pode ser obtida pela equação da energia (equação 11):

pAρg+VA22g+ zA=pBρg+VB22g+ zB+hp


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Como z_A=z_B (tubulação horizontal) e V_A=V_B (mesmo diâmetro):

pAρg=pBρg+hp

→   pB=pA-ρghP=5⋅100⋅103-1000⋅9,8⋅11=392 kPa≅4bar


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

ENERGIA FORNECIDA POR BOMBAS E RETIRADA POR TURBINAS


Bombas fornecem energia para o fluido, enquanto turbinas fazem o contrário.

Foto: Shutterstock.com

Foto: Shutterstock.com

 Bomba d’água (esq.) e turbina hidráulica (dir.)

A energia provida por uma bomba h_B e retirada por uma turbina h_T, então podem ser adicionadas na equação 13:

P1ΡG+V122G+ Z1=P2ΡG+V222G+ Z2+HP-HB+HT

(13)


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Observe que h_B é subtraído, pois os valores de h nessa equação se referem à energia perdida.

Os parâmetros h_B e h_T são denominados carga da bomba e turbina, respectivamente. Porém, no dimensionamento desses equipamentos
precisamos especificar suas respectivas potências \dot{W_B} e {\dot{W}}_T, o que é feito por:

W˙B=Ρ QG HBΗB

(14)


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

para bombas e por:

W˙T=ΗT Ρ QG HT 

(15)


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

para turbinas. Devem ser levadas em conta as eficiências de ambas, \eta_B e \eta_T.

EXERCÍCIO RESOLVIDO 9
Uma bomba deve ser dimensionada para recalcar água através de uma tubulação com diâmetro constante, partindo do reservatório A, no nível do mar
e sob pressão atmosférica, até o reservatório B, 25m acima e com pressão manométrica de 10m.c.a. Se a vazão é de 54m³/h, a perda de carga na
tubulação é de 4m e a eficiência da bomba é de 70%, qual a potência necessária em cv?

RESOLUÇÃO
A equação da energia mais completa que vimos aqui (equação 13) permite calcular a carga de bomba:

p1ρg+V122g+ z1=p2ρg+V222g+ z2+hp-hB+hT


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Como a tubulação tem diâmetro constante, V_1=V_2. Além disso, não há turbinas, então:

hB=p2ρg-p1ρg+z2- z1+hp=10-0+25+4=39m


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

A potência da bomba é obtida pela equação 14:

W˙B=ρ Qg hBηB=1000⋅543600⋅9,8⋅390,7=8190 W=8190735 cv≅11 cv


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

MÃO NA MASSA

1. CALCULANDO-SE A CARGA (ENERGIA) DO FLUIDO EM DETERMINADO PONTO I POR HI=PIΓ+VI22G+ZI CADA


UMA DAS PARCELAS REPRESENTA, RESPECTIVAMENTE:

A) Energia potencial, energia piezométrica e energia elástica.

B) Energia potencial, energia cinética e energia gravitacional.

C) Energia de pressão, energia cinética e energia potencial gravitacional.

D) Energia de pressão, energia cinética e energia elástica.

E) Energia total, energia potencial e energia cinética.

2. A FIGURA REPRESENTA O PROBLEMA CLÁSSICO DO RECIPIENTE COM UM FURO NA PROFUNDIDADE $$H$$.


CONSIDERANDO-SE QUE NÃO HÁ PERDA DE CARGA, QUAL A EXPRESSÃO QUE FORNECE O VALOR DA
VELOCIDADE DO JATO D’ÁGUA E QUAL O NOME DA EQUAÇÃO QUE PODE SER UTILIZADA PARA SUA DEDUÇÃO?

A) gh e Navier-Stokes

B) 2gh e Reynolds

C) 2patm/ρ e Pascal

D) 2gh+2patm/ρ e Stevin
E) 2gh e Bernoulli

3. UMA DAS FORMAS DE SE REPRESENTAR A EQUAÇÃO DE BERNOULLI É

P1+ΡV122+ΓZ1=P2+ΡV222+ΓZ2


ATENÇÃO! PARA VISUALIZAÇÃO COMPLETA DA EQUAÇÃO UTILIZE A ROLAGEM HORIZONTAL

O QUE REPRESENTA CADA UM DOS TERMOS, RESPECTIVAMENTE?

A) Pressão hidrostática, energia potencial e carga cinética.

B) Pressão estática, pressão dinâmica e pressão hidrostática.

C) Pressão total, pressão estática e poro pressão.

D) Pressão hidrostática, pressão estática e pressão de coluna.

E) Pressão dinâmica, pressão total e pressão hidrostática.

4. EM ESCOAMENTOS PRÓXIMOS A SUPERFÍCIES SÓLIDAS, É COMUM HAVER REGIÕES ONDE A VELOCIDADE É


MUITO BAIXA. TEORICAMENTE, HÁ PONTOS LOCALIZADOS NO ENCONTRO DAS LINHAS E CORRENTE COM A
SUPERFÍCIE, CONSEQUENTEMENTE, COM VELOCIDADE NULA, DENOMINADOS PONTOS DE ESTAGNAÇÃO. A
FIGURA S SEGUIR ILUSTRA UM EXEMPLO CLÁSSICO DESSA SITUAÇÃO.

CONSIDERANDO ESCOAMENTO INVÍSCIDO, INCOMPRESSÍVEL E PERMANENTE, QUAL DAS ALTERNATIVAS


ABAIXO CONTÉM A EXPRESSÃO PARA PRESSÃO MANOMÉTRICA NO PONTO DE ESTAGNAÇÃO DA FIGURA?
CONSIDERE QUE, DISTANTE DA ESFERA, A VELOCIDADE É UNIFORME E COM MÓDULO V E A PRESSÃO É
ATMOSFÉRICA.

A) ρV22

B) patm+ρV22

C) patm

D) 0

E) V222g

5. NUMA TUBULAÇÃO DE 20M DE COMPRIMENTO E 20MM DE DIÂMETRO INTERNO FEITA DE FERRO FUNDIDO
(Ε=0,1MM), ESCOA ÁGUA A 1,5M/S. QUAL A PERDA DE CARGA NESSA TUBULAÇÃO, EM METROS?

A) 3,8

B) 37
C) 0,2

D) 2,3

E) 1,0

6. NUM TRECHO DE TUBULAÇÃO DE DIÂMETRO CONSTANTE QUE VAI DO PONTO A, NA COTA 123M, AO PONTO B,
NA COTA 135M, A PERDA DE CARGA É DE 3,8M. SE A PRESSÃO NO PONTO A É DE 12KGF/CM², QUAL É A
PRESSÃO NO PONTO B, EM KGF/CM²?

A) 102

B) 10,4

C) 9,1

D) 14

E) 5

GABARITO

1. Calculando-se a carga (energia) do fluido em determinado ponto i por hi=piγ+Vi22g+zi cada uma das parcelas representa,
respectivamente:

A alternativa "C " está correta.

Analisando-se cada uma das parcelas:

piγ: Corresponde à energia que a pressão $$(p_i)$$ confere ao fluido, tendo em vista que energia pode ser associada ao produto entre força
(pressão vezes área) e distância (movimento do fluido).

Vi2/2g: Corresponde à energia cinética, que é relacionada à velocidade que o fluido possui.

zi: Corresponde à energia potencial gravitacional, pois quanto mais alto estiver, mais energia terá.

2. A figura representa o problema clássico do recipiente com um furo na profundidade $$h$$. Considerando-se que não há perda de carga,
qual a expressão que fornece o valor da velocidade do jato d’água e qual o nome da equação que pode ser utilizada para sua dedução?

A alternativa "E " está correta.

Como a variação do nível d’água é muito lenta, podemos considerar que o regime de escoamento é permanente. Além disso, conforme o enunciado,
não há perdas e o fluido é incompressível, o que forma as condições necessárias para aplicação da equação de Bernoulli:

p1γ+V122g+z1=p2γ+V222g+z2


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal
Essa equação consiste, basicamente, na igualdade entre a energia total num ponto 1 e no ponto 2. Dessa forma, em seguida, é necessário escolher
esses pontos, que devem estar posicionados em locais onde se tenha informações ou se deseje calcular algum resultado. Sendo assim, são
escolhidos os pontos representados na figura:

Ressaltando-se que, no ponto 2, a pressão é a mesma que no ponto 1 (pressão atmosférica) e que a velocidade em 1 é muito baixa (desprezível):

patmγ+0+z1=patmγ+V222g+z2

→    V222g=z1-z2=h

→   V2=2gh


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

3. Uma das formas de se representar a equação de Bernoulli é

p1+ρV122+γz1=p2+ρV222+γz2


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

O que representa cada um dos termos, respectivamente?

A alternativa "B " está correta.

Essa forma de representação da equação de Bernoulli tem seus termos equivalente à grandeza de pressão (força por área). Analisando-se cada um
dos termos:

– pi: No desenvolvimento da equação de Bernoulli, esse termo é oriundo da parcela de energia de pressão. Corresponde à pressão que, efetivamente,
seria medida naquele ponto (1 ou 2). É comumente chamado de pressão estática, pois não contempla a parcela cinética (dinâmica), embora seja
contraditório com o fato de o fluido ter velocidade.

– ρVi2/2: Corresponde à energia cinética do fluido naquele ponto (1 ou 2). Por isso, é chamada de pressão dinâmica.

– γzi: Corresponde à energia potencial gravitacional. É semelhante à fórmula da pressão hidrostática (ρgh), em tão recebe o mesmo nome.

4. Em escoamentos próximos a superfícies sólidas, é comum haver regiões onde a velocidade é muito baixa. Teoricamente, há pontos
localizados no encontro das linhas e corrente com a superfície, consequentemente, com velocidade nula, denominados pontos de
estagnação. A figura s seguir ilustra um exemplo clássico dessa situação.

Considerando escoamento invíscido, incompressível e permanente, qual das alternativas abaixo contém a expressão para pressão
manométrica no ponto de estagnação da figura? Considere que, distante da esfera, a velocidade é uniforme e com módulo V e a pressão é
atmosférica.
A alternativa "A " está correta.

De acordo com o enunciado, o escoamento reúne as condições necessárias para que a equação de Bernoulli seja válida.

p1γ+V122g+z1=p2γ+V222g+z2


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

O próximo passo, é escolher onde estarão os pontos 1 e 2. Para isso, recomenda-se locais onde se tenha informações e onde se deseje calcular
algum resultado. Dessa forma, são definidos os pontos indicados na figura:

Substituindo na equação:

patmγ+V22g+z1=p2γ+0+z2⏞=z1

→     p2=patm+ρV22


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

A pressão manométrica $$(p_{2_m})$$ é definida como a pressão absoluta subtraída da pressão ambiente $$(p_{atm})$$. Então:

p2atm=ρV22


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

5. Numa tubulação de 20m de comprimento e 20mm de diâmetro interno feita de ferro fundido (ε=0,1mm), escoa água a 1,5m/s. Qual a perda
de carga nessa tubulação, em metros?

A alternativa "C " está correta.

O número de Reynolds para esse escoamento é:

Re=ρVDμ=1000⋅1,5⋅0,020,001=30.000


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

E a rugosidade relativa é:

εD=0,120=0,005


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal
Com esses valores, obtemos o fator de atrito através do diagrama de Moody:

f=0,033


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

Conforme a fórmula universal da perda de carga:

hP=LfDV22g=200,0330,02(1,5)22⋅9,8=3,8 m.


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

6. Num trecho de tubulação de diâmetro constante que vai do ponto A, na cota 123m, ao ponto B, na cota 135m, a perda de carga é de 3,8m.
Se a pressão no ponto A é de 12kgf/cm², qual é a pressão no ponto B, em kgf/cm²?

A alternativa "B " está correta.

A INFLUÊNCIA DA PERDA DE CARGA EM TUBULAÇÕES


O especialista Gabriel de Carvalho Nascimento fala sobre a influência da perda de carga em tubulações.

GABARITO

TEORIA NA PRÁTICA
O tubo de Pitot é um dispositivo utilizado para medição da velocidade de um fluido. Ele é empregado em aviões, para medição da velocidade do ar, e
em embarcações, para velocidade da água.

Foto: Shutterstock.com

Foto: Shutterstock.com

Apesar de ser relativamente simples e bastante eficiente, a utilização do tubo de Pitot não é totalmente à prova de falhas. Um dos casos mais
conhecidos de falha é o do voo 447 da Air France, que caiu no Oceano Atlântico na noite entre 31 de maio e 1º de junho de 2009, com 228 pessoas a
bordo.

Segundo o relatório do BEA (Bureau d’Enquêtes et d’Analyses), um dos medidores Pitot do avião registrou uma queda de velocidade de 274 nós
(507km/h) para 52 nós (96km/h) em apenas 2 segundos, o que seria fisicamente improvável. Essa inconsistência, além de divergência entre a medição
dos diferentes medidores instalados no avião, levou o piloto automático a se desativar, retornando o controle para a tripulação. Isso é apontado como a
causa do que desencadeou uma série de eventos e, por fim, a queda do avião.

A hipótese mais provável levantada por todas as investigações, tendo em vista as condições atmosféricas, é que houve um depósito de cristais de gelo
no tubo de Pitot, causando sua obstrução, ocasionando erro de leitura.

Na figura, é feita uma representação simplificada do tubo de Pitot. A velocidade é medida, indiretamente, pela diferença de pressão p_1-p_2.

Imagem: Gabriel de Carvalho Nascimento

Baseando-se na equação de Bernoulli, explique por que a velocidade pode ser obtida através de p_1-p_2.

Calcule qual era a diferença de pressão correspondente à medição de velocidade de 274 nós e 52 nós, considerando que o avião voava a uma
altitude de 10600m.

RESOLUÇÃO

O TUBO DE PITOT

O especialista Gabriel de Carvalho Nascimento fala sobre o tubo de Pitot


VERIFICANDO O APRENDIZADO

1. UMA SEÇÃO ESTRANGULADA NO FLUXO DE UM TUBO, CHAMADA VENTURI, FORMA UMA REGIÃO DE BAIXA
PRESSÃO QUE PODE ASPIRAR FLUIDO DE UM RESERVATÓRIO, CONFORME A FIGURA. CONSIDERANDO UM
ESCOAMENTO SEM PERDAS, DEDUZA UMA EXPRESSÃO PARA VELOCIDADE V1 SUFICIENTE PARA TRAZER O
FLUIDO DO RESERVATÓRIO PARA SEÇÃO ESTRANGULADA.

A) 2gh

B) 2ghD14D24

C) gh

D) 2gh1-D24D14

E) 2gh1-D14D24

2. UM AGRICULTOR DESEJA INSTALAR UMA PEQUENA CENTRAL HIDRELÉTRICA (PCH) NO RIO QUE PASSA EM
SUA PROPRIEDADE. PARA OBTER UMA MAIOR QUEDA D’ÁGUA, ELE PRECISARÁ REALIZAR A CAPTAÇÃO POR
TUBULAÇÃO NUM PONTO MAIS DISTANTE, O QUE TAMBÉM INTRODUZIRÁ UMA PERDA DE CARGA. DADOS DO
SISTEMA:

VAZÃO MÉDIA DO RIO: 100 L/S.

PERDA DE CARGA NA TUBULAÇÃO: 1,0M.

COTA DO N.A. NA CAPTAÇÃO: $$Z_1 = 25M$$.


COTA DO N.A. NA SAÍDA DO SISTEMA: $$Z_2 = 22M$$.

EFICIÊNCIA DA TURBINA: $$\ETA = 60%$$.

TUBULAÇÃO DE CAPTAÇÃO COM MESMO DIÂMETRO DA SAÍDA.

COM UM DESENVOLVIMENTO ANÁLOGO AO FEITO NO ENUNCIADO DA QUESTÃO ANTERIOR PARA POTÊNCIA DE


BOMBA, A POTÊNCIA DE TURBINA É OBTIDA POR W˙T=Η Ρ Q G HT.
QUAL É A POTÊNCIA MÉDIA A SER GERADA?

A) 0,1kW

B) 1,2kW

C) 1,8kW

D) 1.000W

E) 1.200kW

GABARITO

1. Uma seção estrangulada no fluxo de um tubo, chamada Venturi, forma uma região de baixa pressão que pode aspirar fluido de um
reservatório, conforme a figura. Considerando um escoamento sem perdas, deduza uma expressão para velocidade V1 suficiente para trazer

o fluido do reservatório para seção estrangulada.

A alternativa "E " está correta.

Em se tratando de escoamento sem perdas, podemos utilizar a equação de Bernoulli entre o ponto 1 e 2:
p1ρg+V122g+z1=p2ρg+V222g+z2


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

A pressão em 2 é atmosférica (pressão manométrica nula) enquanto a pressão em 1, na condição estática (iminência do movimento), deve ser p1=pa-
ρgh=-ρgh. Além disso, a altura da linha de centro é a mesma (z1=z2), então:

-ρghρg+V122g=V222g

V12 - 2gh =V22


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Pela equação da continuidade:

m˙1=m˙2→  ρV1A1=ρV2A2 →  V2=V1D12D22


Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal

que substituído na equação anterior:

V12 - 2gh =V1D12D222

→2gh1-D14D24


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2. Um agricultor deseja instalar uma pequena central hidrelétrica (PCH) no rio que passa em sua propriedade. Para obter uma maior queda
d’água, ele precisará realizar a captação por tubulação num ponto mais distante, o que também introduzirá uma perda de carga. Dados do
sistema:

Vazão média do rio: 100 L/s.

Perda de carga na tubulação: 1,0m.

Cota do N.A. na captação: $$z_1 = 25m$$.

Cota do N.A. na saída do sistema: $$z_2 = 22m$$.

Eficiência da turbina: $$\eta = 60%$$.

Tubulação de captação com mesmo diâmetro da saída.

Com um desenvolvimento análogo ao feito no enunciado da questão anterior para potência de bomba, a potência de turbina é obtida por
W˙T=η ρ Q g hT.
Qual é a potência média a ser gerada?

A alternativa "B " está correta.

Conforme o enunciado da questão anterior, a expressão da energia que considera perda e ganho de energia é:

p1ρg+V122g+z1=p2ρg+V222g+z2+hp+hT-hB


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Considerando-se como 1 o ponto de captação e 2 o de saída do sistema, tem-se p1=p2=patm e V1=V2=V, pois os diâmetros são iguais. Assim:

patmρg+V22g+z1=patmρg+V22g+z2+hp+hT-hB⏞=0

hT=z1-z2-hp=25-22-1=2,0m


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A potência gerada pela turbina então será:

W˙T=η ρ Q g hT=0,60⋅1000⋅1001000⋅9,8⋅2=1176 W≅ 1,2kW


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CONCLUSÃO

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Abordamos diversos aspectos sob os quais os escoamentos podem ser classificados. Saber classificar adequadamente o problema é fundamental
para escolher o melhor método de solução.

Vimos que quando passamos de um sistema, cujas formulações são vistas na Física, para um volume de controle, mais adequado para fluidos,
obtemos expressões simples que permitem a solução de diversos problemas em poucas linhas; por fim, enfatizamos a utilidade da análise energética
em tubulações e o efeito da perda de carga. 

Com este conteúdo, você tem agora o conhecimento necessário para a análise de escoamentos incompressíveis e permanentes, que são os mais
comuns na Engenharia.

AVALIAÇÃO DO TEMA:

REFERÊNCIAS
BEA. Final Report. Accident to the Airbus A330-203 registered F-GZCP. Air France flight AF 447 Rio de Janeiro – Paris. In: BEA. Consultado em
meio eletrônico em: 10 fev.2021.

BRAGA W. F. Fenômenos de Transporte para Engenharia, 2 ed. Grupo GEN, 2012.

FOX, R. W.; MCDONALD, A. T.; PRITCHARD, P. J. Introdução à mecânica dos fluidos. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2014.

LIVI, C. P.  Fundamentos de Fenômenos de Transporte - Um Texto para Cursos Básicos, 2 ed. LTC, 2012.

WELTY, J. R.; RORRER, G. L.; FOSTER, D. Fundamentos de Transferência de Momento, de Calor e de Massa, 6 ed. LTC, 2017.

WHITE, F. M. Fluid Mechanics. 7 ed. New York: McGraw-Hill, 2010.

EXPLORE+
Para saber mais sobre os assuntos tratados neste conteúdo, pesquise: 

Abordando a dinâmica de fluidos por uma via intuitiva, embora de validade restrita: princípio da superposição, de Marcus V. Ramalho e Marcus B.
L Santos.

Dependence of flow classification on the Reynolds number for a two-cylinder wake, por W. Wong, Y. Zhou e M. M. Alam. Journal of Fluids and
Structures. Elsevier, 2014.
Fluid dynamic performance of a vertical axis turbine for tidal currents. Renewable Energy. Elsevier, 2011.

Hydraulic and rotor-dynamic interaction for performance evaluation on a Francis turbine. Garcia, M. et al. International Journal on Interactive
Design and Manufacturing. In: Springer, 2016.

CONTEUDISTA
Gabriel de Carvalho Nascimento

 CURRÍCULO LATTES

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