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Instituto de Física da UFBA

Departamento de Física do Estado Sólido


Disciplina: Física Geral e Experimental II (FIS 122)
Professor: Ossamu Nakamura

Oscilações Amortecidas

[
x(t ) = (a + i b)(cos ωt + i sen ωt) + (c + i d)(cos ωt − i sen ωt) e − αt]
I. A equação de movimento
x(t ) = {[(a + c) cos ωt + (d − b) sen ωt ] + i[(b + d) cos ωt + (a − c) sen ωt ]}e − αt

Suponha que um oscilador harmônico, como o estudado


Como x(t) é real, devemos ter necessariamente Im[x(t)] = 0, o
anteriormente, esteja submetido a uma força dissipativa proporcional
que nos leva a: (b + d) = 0 e (a – c) = 0
à velocidade. Esse tipo de força é comum em fluidos devido à
Assim A = B* e a solução será:
viscosidade do meio. Todos já experimentaram a sensação de que a
força do vento, quando estamos em um carro em movimento,
x( t) = [C1 cos ωo t + C 2 sen ωo t ] e − αt (4)

aumenta na medida em que a velocidade cresce. Naturalmente esta onde C1 e C2 são duas constantes a serem determinadas a partir das
força também depende da nossa “aerodinâmica” e pode aumentar ou condições iniciais.
diminuir dependendo como nos posicionamos e da forma que
tomamos em relação ao vento. Uma maior área perpendicular à a. Caso b = 0. MHS
velocidade provoca uma maior resistência ao nosso movimento e Para este caso equação diferencial (1) fica

vice-versa. Podemos escrever esta força como Fres = −b v , onde d2 x


m +k x=0 (5)
dt 2
dx
v= é a velocidade e b é aquela constante de proporcionalidade e a solução será:
dt
que depende da geometria do corpo. O sinal negativo é indicativo de x( t) = C1 cos ωo t + C 2 sen ωo t (6)
oposição ao movimento, ou seja indica que o vetor força aponta
k
sempre na direção contrária ao vetor velocidade. A força total que ω = ωo = e α=0
m
atua sobre o oscilador será portanto FT = F + Fres . Como a força
Denominamos ωo como freqüência (angular) natural do
de restauração vale F = -k x e, de acordo com a lei de Newton, a
sistema. A solução acima pode ser reescrita como:
força total é a massa vezes a aceleração , podemos escrever então a
x ( t ) = A cos( ωo t + ϕ) (7)
equação:

m
d2 x
+b
dx
+k x = 0 (1)
(
x(t) = A cos ωo t cos ϕ − sen ωo t sen ϕ ) (8)
2
dt dt
comparando com (6), obtemos
Esta é uma equação diferencial de 2a ordem, linear, homogênea e
A cos ϕ =C1 e A sen ϕ =C 2
a coeficientes constantes, cuja solução já estudamos e vale:
(
x( t) = A e iωt + B e iωt e − αt ) (2)
o que nos conduz a:
C2
onde A e B são constantes complexas e A = C12 + C 22 e tan ϕ = (9)
C2
k b2 b
ω= − e α= (3) Assim tanto (6) quanto (7) representam a mesma solução para o
m 4m 2 2m oscilador simples, onde as constantes C1, C2, A e ϕ estão
Observe que a solução para x(t) deve ser uma solução real e irá, relacionadas por (9). Estas constantes devem ser encontradas a partir
portanto, depender das relações que as constantes m, k e b terão entre das condições iniciais do problema.
si. Vamos assim estudar 3 casos.

b. Caso b ≠ 0. Amortecimento sub-crítico


2
k b A solução é dada por (4) ou, como vimos no parágrafo anterior,
1. >
m 4m 2 podemos reescrevê-la como:
Neste caso ω é real ( α é sempre real). Para que x(t) seja real é x(t) = A e − αt cos(ωt + ϕ) (10)
necessário que A e B sejam complexos, ou seja, A=a+ib e
Usando as definições (3) e (6), teremos
B = c + i d.
b
Lembrando que e ± iω = cos ωt ± i. sen ωt , a equação (2) fica:
t ω = ωo2 − α 2 e α= (11)
2m

1
Para determinarmos as constantes iniciais A e ϕ devemos 1 1
E= m v2 + k x2
determinar antes a velocidade. Assim, 2 2
[
v(t) = − A α cos(ωt + ϕ) + ω sen(ωt + ϕ) e − αt ] (12) Tomando as expressões (15) teremos:
m − 2 αt 2 2 k
Suponha que no instante inicial x(0) = xo e v(0) = vo. Usando E= e A ω o sen 2 (ω o t + ϕ) + e − 2αt A 2 cos 2 (ω o t + ϕ)
2 2
(10) e (12), teremos:
Contudo, sabemos que k = m ωo2 , o que nos conduz a:
x o = A cos ϕ e v 0 = − A (α cos ϕ + ω sen ϕ) ,
1 
E =  m ωo A2  e−2αt = Eo e−2αt
2
o que nos leva a:
 2 
2
 vo + α xo  α vo  Esta expressão nos mostra claramente que, para amortecimento
A =   + x o2 e tgϕ = − +  (13)
ω   
   ω ω xo  fraco, a energia do oscilador decai exponencialmente com o tempo.

Uma situação particular de interesse é quando temos um caso de


amortecimento fraco, ou seja, uma situação onde coeficiente da força k b2
2. Caso < . Amortecimento supercrítico
de amortecimento é muito pequeno (b<<1), o que nos leva a m 4m 2
α Voltemos à expressão (3) da freqüência ω. Observe que ela pode
≈ 0 . Assim, de acordo com (13) devemos ter
ω ser reescrita como:

v 
2
 v   b2 k
A =  o  + x 2o e tgϕ = − o  (14) ω = ( −1) −  = i α 2 − ω o2
 ω   ω xo   4m
2 m
 

Mais ainda: de (11) podemos aproximar ω ≈ ωo , de forma ω = i β onde β = α 2 − ωo2 ∈ R


que as expressões (10) e (12) ficam:
A solução (2) ficará:
x( t ) = A e − αt cos(ωo t + ϕ) (15) (
x(t) = A e βt + B e −βt e − αt ) (16)
− αt
v( t ) = − A ωo e sen(ωo t + ϕ)
( ) (
v(t) = − α A e βt + B e −βt e − αt + βA e βt − βB e −βt e − αt )
A figura abaixo mostra a evolução temporal da posição x(t).
Note que a função co-seno é modulada pela função exponencial, ou
[ βt
v(t) = A(β − α) e − B(β + α) e − βt
] (17)

seja pela função amortecimento. Para a construção desta figura, Sejam as condições iniciais x(0) = xo e v(0) = vo. Assim,

usamos as expressões (10) e (14) tomando


α
= 0.01 . Se de (16) ⇒ x(0) = x o = A + B
ω
de (17) ⇒ v(0) = v o = A(β − α) − B(β + α)
usássemos a expressão (15), a figura seria praticamente a mesma.
Resolvendo este sistema, encontramos:
x(t) -α t x o (β + α) v o x o (β − α) v o
e A= + e B= −
2β 2β 2β 2β
Para o caso especial onde xo = xm e vo = 0, teremos:
xm xm
A= (β + α) e B= (β − α) ,
2β 2β
0
t o que nos leva à solução:

x( t ) =
xm

[
(β + α) eβt + (β − α) e −βt e −αt ] (18)

k b2
3. Caso = . Amortecimento crítico
c. Considerações sobre a energia. Amortecimento fraco m 4m 2
A energia mecânica total do sistema não deve se conservar, uma Neste caso, β = 0 , o que nos leva a um decaimento exponencial
vez que há dissipação de energia, em forma de calor, devido à força −α
simples, x(t) = x m e
t
. Contudo, é interessante observar o que
de atrito. A energia mecânica deve, naturalmente, diminuir com o
tempo. Analisemos esta situação para o caso de amortecimento fraco sucede quando temos um amortecimento super crítico ( β > 0 ), mas

apenas. A energia total será a soma das energias cinética e potencial, tendendo para um amortecimento crítico (isto é, β << 1 ).
isto é: Na expressão (16), tomamos o termo em primeira ordem em β
na exponencial, isto é, fazemos:

2
e ±βt ≈ 1 ± βt . Assim x( t ) =
xm
[β(1 + βt + 1 − βt ) + α(1 + βt − 1 + βt )] e −αt

x(t) = [A(1 + βt) + B(1 − βt)].e − αt
x( t) = x m (1 + αt ) e − αt (20)
x( t) = (C1 + C 2 t ).e − αt (19)
Na figura abaixo comparamos o comportamento temporal dos
onde C1 = A + B e C 2 = ( A − B).β são duas constantes a serem amortecimentos crítico, sub crítico e supercrítico para a condição xo =
determinadas a partir das condições iniciais. xm e vo = 0 . Note que o amortecimento crítico é o que mais
A figura abaixo mostra evolução temporal da posição do corpo na rapidamente decai com o tempo, ou seja é o que mais rapidamente
condição de amortecimento crítico. chega ao equilíbrio.

x(t) x(t) Super crítico


Sub crítico
Crítico

0 t

Para a condição xo = xm e vo = 0, podemos usar a equação (18) e


a aproximação da exponenical acima