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TREINAMENTO INTENSIVO

PCRJ INSPETOR DE POLÍCIA


DIREITO ADMINISTRATIVO
PROFESSOR GUSTAVO BRÍGIDO
Direito Administrativo: conceito, fontes, princípios. Conceito de Estado,
elementos, poderes e organização. Governo e Administração Pública:
conceitos. Administração Pública: natureza, elementos, poderes e organização,
natureza, fins e princípios; Administração direta e indireta; planejamento,
coordenação, descentralização, delegação de competência e controle. Regime
jurídico-administrativo. Conceito. Princípios expressos e implícitos da
administração pública. Poderes administrativos: poder vinculado, poder
discricionário, poder hierárquico, poder disciplinar, poder regulamentar, poder
de polícia. Do uso e do abuso do poder. Atos administrativos: conceito e
requisitos; atributos; invalidação; classificação; espécies. Agentes públicos:
espécies e classificação; direitos, deveres e prerrogativas; cargo, emprego e
funções públicas; regime jurídico único: provimento, vacância, remoção,
redistribuição e substituição; diretos e vantagens; regime disciplinar;
responsabilidade civil, criminal e administrativa. Serviços públicos: conceito,
classificação, regulamentação e controle; forma, meios e requisitos; Delegação:
concessão, permissão, autorização.
Controle e responsabilização da administração: controle administrativo;
controle judicial; controle legislativo. Responsabilidade civil do Estado.
Responsabilidade civil do Estado no direito brasileiro. Responsabilidade por ato
comissivo do Estado. Responsabilidade por omissão do Estado. Licitação.
Princípios. Contratação direta: dispensa e inexigibilidade. Modalidades.
Critérios de julgamento. Procedimento. Mandado de Segurança (Lei nº
12.016/2009). Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992). Regime
jurídico peculiar aos funcionários civis do serviço policial do Poder Executivo do
Estado do Rio de Janeiro (Decreto-Lei nº 218/1975). Regulamento do Estatuto
dos Policiais Civis do estado do Rio de Janeiro (aprovado pelo Decreto nº
3.044/1980. Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Poder Executivo do
Estado do Rio de Janeiro (Decreto-Lei nº 220/1975). Regulamento do Estatuto
dos Funcionários Públicos Civis do Estado do Rio de Janeiro (aprovado pelo
Decreto nº 2.479/1979).
01. (FGV 2021 TCE AM) A Lei nº 11.079/2004 prevê que parceria público-
privada é o contrato administrativo de concessão, na modalidade patrocinada
ou administrativa. De acordo com a mencionada lei, é vedada a celebração de
contrato de parceria público-privada:
(A) cujo valor do contrato seja superior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de
reais);
(B) cujo valor do contrato seja inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais);
(C) cujo período de prestação do serviço seja inferior a 10 (dez) anos;
(D) em que a Administração Pública seja a usuária direta ou indireta, ainda que
envolva execução de obra ou fornecimento e instalação de bens;
(E) que tenha como objeto único o fornecimento de mão de obra, o
fornecimento e instalação de equipamentos ou a execução de obra pública.
LEI Nº 11.079, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2004.
Art. 2º Parceria público-privada é o contrato administrativo de concessão, na modalidade
patrocinada ou administrativa.
§ 1º Concessão patrocinada é a concessão de serviços públicos ou de obras públicas de
que trata a Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando envolver, adicionalmente à
tarifa cobrada dos usuários contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro
privado.
§ 2º Concessão administrativa é o contrato de prestação de serviços de que a
Administração Pública seja a usuária direta ou indireta, ainda que envolva execução de obra
ou fornecimento e instalação de bens.
§ 3º Não constitui parceria público-privada a concessão comum, assim entendida a
concessão de serviços públicos ou de obras públicas de que trata a Lei nº 8.987, de 13 de
fevereiro de 1995, quando não envolver contraprestação pecuniária do parceiro público ao
parceiro privado.
§ 4º É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada:
I - cujo valor do contrato seja inferior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de
reais); (Redação dada pela Lei nº 13.529, de 2017)
II – cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 (cinco) anos; ou
III – que tenha como objeto único o fornecimento de mão-de-obra, o
fornecimento e instalação de equipamentos ou a execução de obra pública.
Art. 10. A contratação de parceria público-privada será precedida de licitação
na modalidade concorrência ou diálogo competitivo, estando a abertura do
processo licitatório condicionada a: (Redação dada pela Lei nº 14.133, de
2021)
02. (FGV 2021 TCE AM) No ano de 2020, o Município Alfa no Estado do Amazonas
contratou, sem prévia licitação, sociedade empresária de notória especialização para
prestação de serviços técnicos de assessoria e consultoria técnica e auditoria
financeira, de natureza singular. O corpo instrutivo do Tribunal de Contas do Estado
verificou que a contratação realizada teve valor total de duzentos mil reais e atendeu
ao princípio da economicidade. No caso em tela, de acordo com a Lei nº 8.666/1993,
em tese, a contratação é:
(A) legal, caso tenha sido realizada com dispensa de licitação, por expressa previsão
legal;
(B) legal, caso tenha sido realizada com inexigibilidade de licitação, por expressa
previsão legal;
(C) ilegal, pois deveria ter sido precedida de licitação, na modalidade concorrência,
pelo valor estimado do contrato;
(D) ilegal, pois deveria ter sido precedida de licitação, na modalidade convite, pelo
valor estimado do contrato;
(E) ilegal, pois deveria ter sido precedida de licitação, na modalidade tomada de
preços, pelo valor estimado do contrato.
8.666/1993 14.133/2021
Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos
em especial: casos de:
I - para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam I - aquisição de materiais, de equipamentos ou de gêneros ou
ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo, contratação de serviços que só possam ser fornecidos por produtor, empresa
vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de exclusividade ser ou representante comercial exclusivos;
feita através de atestado fornecido pelo órgão de registro do comércio do local
em que se realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação
ou Confederação Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes;

II - para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 desta Lei, III - contratação dos seguintes serviços técnicos especializados de
de natureza singular, com profissionais ou empresas de notória especialização, natureza predominantemente intelectual com profissionais ou empresas de
vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação; notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e
divulgação:

III - para contratação de profissional de qualquer setor artístico, II - contratação de profissional do setor artístico, diretamente ou por
diretamente ou através de empresário exclusivo, desde que consagrado pela meio de empresário exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada
crítica especializada ou pela opinião pública. ou pela opinião pública;

IV - objetos que devam ou possam ser contratados por meio de


credenciamento;
V - aquisição ou locação de imóvel cujas características de
instalações e de localização tornem necessária sua escolha. (24,X, 8666)
03. (FGV 2021 TCE AM) Os procedimentos licitatórios devem observar os princípios
expressos e implícitos da Administração Pública. Além disso, a nova Lei de Licitações (Lei nº
14.133/2021) trouxe princípios que devem ser aplicados de forma direta às licitações
públicas, como o princípio:
(A) da segregação de funções, com a separação das competências e das atividades de cada
servidor ao longo do procedimento licitatório e de suas fases, para evitar equívocos, fraudes
e utilização irregular de verba pública;
(B) da vinculação ao edital, que estabelece normas que obrigam os interessados em
participar da licitação, mas não a Administração Pública, que tem discricionariedade para
alterar o edital, a qualquer tempo;
(C) do julgamento objetivo, devendo a Administração contratante julgar e escolher o
vencedor de acordo com o critério previsto no edital, que não pode, em qualquer hipótese,
indicar modelo ou marca;
(D) da vedação ao sigilo da proposta, segundo o qual todas as propostas feitas pelos
interessados devem ser imediatamente publicadas, sob pena de nulidade do certame e
realização de nova licitação;
(E) do planejamento, que estabelece que os procedimentos licitatórios devem estar
compatíveis com o planejamento estratégico do órgão contratante e ser previamente
autorizados pelos órgãos de controle interno e externo.
LEI Nº 8.666/1993 LEI Nº 14.133/2021
Art. 3o A licitação destina-se a garantir a observância do Art. 5º Na aplicação desta Lei, serão observados os
princípio constitucional da isonomia, a seleção da princípios da legalidade, da impessoalidade, da
proposta mais vantajosa para a administração e a moralidade, da publicidade, da eficiência, do interesse
promoção do desenvolvimento nacional sustentável e público, da probidade administrativa, da igualdade, do
será processada e julgada em estrita conformidade com planejamento, da transparência, da eficácia, da
os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, segregação de funções, da motivação, da vinculação ao
edital, do julgamento objetivo, da segurança jurídica, da
da moralidade, da igualdade, da publicidade, da
razoabilidade, da competitividade, da
probidade administrativa, da vinculação ao
proporcionalidade, da celeridade, da economicidade e
instrumento convocatório, do julgamento objetivo e do desenvolvimento nacional sustentável, assim como
dos que lhes são correlatos. as disposições do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de
setembro de 1942 (Lei de Introdução às Normas do
Direito Brasileiro).
04. (FGV 2021 TCE AM) O Estado do Amazonas foi condenado a indenizar a
contribuinte Maria, que sofreu danos materiais decorrentes de ato ilícito praticado,
no exercício da função, pelo Auditor Fiscal de tributos estaduais Antônio. A
Procuradoria Geral do Estado pretende ingressar com ação de regresso em face do
Auditor Antônio, visando ao ressarcimento do prejuízo causado ao Estado. De acordo
com o texto constitucional e com a doutrina de Direito Administrativo, a ação
indenizatória ajuizada por Maria contra o Estado está lastreada na responsabilidade
civil:
(A) objetiva, assim como a ação regressiva do Estado contra o Auditor Antônio, não
havendo que se perquirir acerca do dolo ou culpa do agente, eis que ambos os
processos têm os mesmos fatos como causa de pedir;
(B) subjetiva, assim como a ação regressiva do Estado contra o Auditor Antônio,
havendo que se comprovar a existência do dolo ou culpa do agente, eis que ambos
os processos têm os mesmos fatos como causa de pedir;
(C) subjetiva do ente público, em que há necessidade de se demonstrar o dolo ou
culpa do Auditor Antônio, mas é inviável a ação de regresso do Estado contra o
agente público, pois agiu no exercício das funções, exceto se tiver cometido algum
crime;
(D) subjetiva do ente público, em que não há necessidade de se demonstrar o
dolo ou culpa do Auditor Antônio, mas a ação de regresso do Estado contra o
agente público está baseada na responsabilidade civil objetiva, sendo
imprescindível a demonstração do elemento subjetivo do agente;
(E) objetiva do ente público, em que não há necessidade de se demonstrar o
dolo ou culpa do Auditor Antônio, mas a ação de regresso do Estado contra o
agente público está baseada na responsabilidade civil subjetiva, sendo
imprescindível a demonstração do elemento subjetivo do agente.
Art. 37. § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado
prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes,
nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra
o responsável nos casos de dolo ou culpa.
Estado não tem responsabilidade civil por atos praticados por presos foragidos 14
09 2020
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que, no caso de danos decorrentes de
crime praticado por pessoa foragida do sistema prisional, só é caracterizada a
responsabilidade civil objetiva do Estado (artigo 37, parágrafo 6º, da Constituição
Federal) quando for demonstrado o nexo causal entre o momento da fuga e o delito.
A decisão foi proferida no Recurso Extraordinário (RE) 608880, com repercussão geral
(Tema 362), que servirá orientará a resolução de casos semelhantes sobrestados em
outras instâncias. O julgamento foi realizado na sessão virtual encerrada em 4/9.
Tese: “Nos termos do artigo 37 §6º da Constituição Federal, não se caracteriza a
responsabilidade civil objetiva do Estado por danos decorrentes de crime praticado
por pessoa foragida do sistema prisional, quando não demonstrado o nexo causal
direto entre o momento da fuga e a conduta praticada”.
05. (FGV 2021 TCE AM) João, Auditor Técnico de Controle Externo do Tribunal de Contas do
Estado do Amazonas, deixou de praticar, indevidamente, ato de ofício, na medida em que,
dolosamente, ignorando determinação exarada pelo Presidente da Corte, deixou de fazer
publicar no Diário Oficial determinado ato administrativo, negando publicidade aos atos
oficiais. Consoante dispõe a Lei nº 8.429/1992, em tese, João:
(A) não praticou ato de improbidade administrativa, pois se trata de conduta omissiva, que
apresenta repercussão nas esferas criminal e administrativa;
(B) não praticou ato de improbidade administrativa, pois não houve dano ao erário, mas
deve ser responsabilizado nas esferas funcional e penal;
(C) praticou ato de improbidade administrativa, razão pela qual está sujeito a sanções, como
cassação dos direitos políticos e pagamento de multa civil de até cem vezes o valor de sua
remuneração;
(D) praticou ato de improbidade administrativa, razão pela qual está sujeito a sanções, como
perda da função pública e suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos;
(E) praticou ato de improbidade administrativa, razão pela qual está sujeito a sanções, como
pagamento de multa penal de até vinte salários mínimos e proibição de contratar com o
poder público pelo prazo de três anos.
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os
princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os
deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições,
e notadamente:
I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso
daquele previsto, na regra de competência;
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições
e que deva permanecer em segredo;
IV - negar publicidade aos atos oficiais;
V - frustrar a licitude de concurso público;
VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;
VII - revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da
respectiva divulgação oficial, teor de medida política ou econômica capaz de
afetar o preço de mercadoria, bem ou serviço.
VIII - descumprir as normas relativas à celebração, fiscalização e aprovação
de contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades
privadas.
IX - deixar de cumprir a exigência de requisitos de acessibilidade previstos na
legislação.
X - transferir recurso a entidade privada, em razão da prestação de serviços
na área de saúde sem a prévia celebração de contrato, convênio ou
instrumento congênere, nos termos do parágrafo único do art. 24 da Lei nº
8.080, de 19 de setembro de 1990. (Incluído pela Lei nº 13.650, de
2018)
Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas
previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade
sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou
cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato:
I - na hipótese do art. 9°, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente
ao patrimônio, ressarcimento integral do dano, quando houver, perda da
função pública, suspensão dos direitos políticos de oito a dez
anos, pagamento de multa civil de até três vezes o valor do
acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Público ou
receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente,
ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário,
pelo prazo de dez anos;
II - na hipótese do art. 10, ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou
valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância,
perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco
a oito anos, pagamento de multa civil de até duas vezes o valor
do dano e proibição de contratar com o Poder Público ou
receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta
ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja
sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos;
III - na hipótese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver, perda
da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a
cinco anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o valor
da remuneração percebida pelo agente e proibição de
contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que
por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo
de três anos.
IV - na hipótese prevista no art. 10-A, perda da função pública, suspensão
dos direitos políticos de 5 (cinco) a 8 (oito) anos e multa civil
de até 3 (três) vezes o valor do benefício financeiro ou
tributário concedido. (Incluído pela Lei Complementar nº 157, de 2016)
06. (FGV 2021 TCE AM) O servidor público estadual do Amazonas João, insatisfeito
com a decisão do Diretor do Departamento de Recursos Humanos que lhe negou um
benefício a que entendia ter direito, ingressou com recurso administrativo. O
servidor Antônio, autoridade competente para julgamento do recurso, não deu
provimento ao recurso interposto por João, mas não motivou seu ato, deixando de
indicar os fatos e os fundamentos jurídicos de sua decisão. Levando em consideração
que, à luz das normas de regência e da situação fática, João realmente não tinha
direito subjetivo ao benefício pleiteado, o ato administrativo de desprovimento do
recurso praticado por Antônio:
(A) está viciado, por ilegalidade no elemento motivo;
(B) está viciado, por ilegalidade no elemento forma;
(C) está viciado, por ilegalidade no elemento finalidade;
(D) não está viciado, pela teoria dos motivos determinantes;
(E) não está viciado, pois o motivo do ato existe e é válido.
Lei 9784/1999. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com
indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:
I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;
III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;
IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório;
V - decidam recursos administrativos;
VI - decorram de reexame de ofício;
VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de
pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais;
VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato
administrativo.
07. (FGV 2021 TCE AM) Imagine as duas situações hipotéticas a seguir ocorridas no
ano de 2019.
I. O Estado do Amazonas publicou regularmente edital de licitação para realização de
procedimento licitatório para prestação de determinados serviços, mas todos os
licitantes foram inabilitados.
II. O Estado do Amazonas publicou regularmente edital de licitação para realização de
procedimento licitatório para aquisição de determinados bens, mas nenhum
interessado compareceu para participar do certame.
De acordo com a doutrina de Direito Administrativo e a Lei nº 8.666/1993, os casos
narrados representam, respectivamente, licitações:
(A) perdida e frustrada, sendo que aquela primeira pode dar azo à inexigibilidade de
licitação, quando justificadamente não puder ser repetida a licitação sem prejuízo
para a Administração, mantidas todas as condições preestabelecidas;
(B) frustrada e deserta, sendo que esta segunda pode dar azo à inexigibilidade de
licitação, quando justificadamente não puder ser repetida a licitação sem prejuízo
para a Administração, mantidas todas as condições preestabelecidas;
(C) fracassada e deserta, sendo que esta segunda pode dar azo à dispensa de
licitação, quando justificadamente não puder ser repetida a licitação sem
prejuízo para a Administração, mantidas todas as condições preestabelecidas;
(D) deserta e perdida, sendo que esta segunda pode dar azo à dispensa de
licitação, quando justificadamente não puder ser repetida a licitação sem
prejuízo para a Administração, mantidas todas as condições preestabelecidas;
(E) deserta e fracassada, sendo que aquela primeira pode dar azo à
inexigibilidade de licitação, quando justificadamente não puder ser repetida a
licitação sem prejuízo para a Administração, mantidas todas as condições
preestabelecidas.
LEI Nº 8.666/1993 LEI Nº 14.133/2021
Art. 24. É dispensável a licitação: Art. 75. É dispensável a licitação:
I - para obras e serviços de engenharia de valor até 10% I - para contratação que envolva valores inferiores a
(dez por cento) do limite previsto na alínea "a", do inciso I do R$ 100.000,00 (cem mil reais), no caso de obras e serviços de
artigo anterior, desde que não se refiram a parcelas de uma engenharia ou de serviços de manutenção de veículos
mesma obra ou serviço ou ainda para obras e serviços da automotores;
mesma natureza e no mesmo local que possam ser realizadas
conjunta e concomitantemente; II - para contratação que envolva valores inferiores a
II - para outros serviços e compras de valor até 10% (dez R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), no caso de outros serviços
por cento) do limite previsto na alínea "a", do inciso II do e compras;
artigo anterior e para alienações, nos casos previstos nesta Lei, § 2º Os valores referidos nos incisos I e II do caput
desde que não se refiram a parcelas de um mesmo serviço, deste artigo serão duplicados para compras, obras e serviços
compra ou alienação de maior vulto que possa ser realizada contratados por consórcio público ou por autarquia ou
de uma só vez; fundação qualificadas como agências executivas na forma da
§ 1o Os percentuais referidos nos incisos I e II lei.
do caput deste artigo serão 20% (vinte por cento) para
compras, obras e serviços contratados por consórcios
públicos, sociedade de economia mista, empresa pública e por
autarquia ou fundação qualificadas, na forma da lei, como
Agências Executivas.
LEI Nº 8.666/1993 LEI Nº 14.133/2021
Art. 24. É dispensável a licitação: Art. 75. É dispensável a licitação:
III - nos casos de guerra ou grave perturbação da ordem; VII - nos casos de guerra, estado de defesa, estado de
IV - nos casos de emergência ou de calamidade pública, sítio, intervenção federal ou de grave perturbação da ordem;
quando caracterizada urgência de atendimento de situação
que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de VIII - nos casos de emergência ou de calamidade
pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, pública, quando caracterizada urgência de atendimento de
públicos ou particulares, e somente para os bens necessários situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a
ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para continuidade dos serviços públicos ou a segurança de pessoas,
as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou
prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos e particulares, e somente para aquisição dos bens necessários
ininterruptos, contados da ocorrência da emergência ou ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para
calamidade, vedada a prorrogação dos respectivos contratos; as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no
prazo máximo de 1 (um) ano, contado da data de ocorrência
da emergência ou da calamidade, vedadas a prorrogação dos
respectivos contratos e a recontratação de empresa já
contratada com base no disposto neste inciso;
08. (FGV 2021 TCE AM) Em relação aos tipos de licitação, que se vinculam aos
critérios de julgamento da licitação, a nova Lei de Licitações (Lei Federal nº
14.133/2021) estabelece que o julgamento por:
(A) maior desconto terá como referência o preço parcial para cada espécie de bens
ou serviços fixada no edital de licitação, e o desconto não será obrigatoriamente
estendido aos eventuais termos aditivos, exceto se houver acordo entre as partes
contratantes;
(B) melhor técnica ou conteúdo artístico considerará as propostas técnicas ou
produções artísticas disponíveis no mercado, e o edital deverá definir o prêmio ou a
remuneração que será atribuída aos vencedores, considerando os princípios da
legalidade e da economicidade;
(C) maior retorno econômico, utilizado exclusivamente para a celebração de contrato
de eficiência, considerará a maior economia para a Administração, e a remuneração
deverá ser fixada em percentual que incidirá de forma proporcional à economia
efetivamente obtida na execução do contrato;
(D) técnica e preço considerará a maior pontuação obtida a partir da
ponderação, segundo fatores objetivos previstos no edital, das notas atribuídas
aos aspectos de técnica e de preço da proposta, sendo que o requisito de
preço deverá ter valoração de, ao menos, o dobro do de técnica;
(E) menor preço considerará o menor dispêndio para a Administração,
atendidos os parâmetros mínimos de qualidade existentes no mercado, e os
custos indiretos, relacionados com as despesas de manutenção e impacto
ambiental do objeto licitado, não poderão ser considerados para a definição do
menor dispêndio.
LEI Nº 8.666/1993 LEI Nº 14.133/2021
Art. 45. § 1o Para os efeitos deste artigo, Art. 33. O julgamento das propostas
constituem tipos de licitação, exceto na será realizado de acordo com os seguintes
modalidade concurso: critérios:
I - a de menor preço - quando o critério de I - menor preço;
seleção da proposta mais vantajosa para a
II - maior desconto;
Administração determinar que será vencedor
o licitante que apresentar a proposta de III - melhor técnica ou conteúdo
acordo com as especificações do edital ou artístico;
convite e ofertar o menor preço; IV - técnica e preço;
II - a de melhor técnica; V - maior lance, no caso de leilão;
III - a de técnica e preço.
IV - a de maior lance ou oferta - nos casos VI - maior retorno econômico.
de alienação de bens ou concessão de direito
real de uso.
Art. 39. O julgamento por maior retorno econômico, utilizado exclusivamente
para a celebração de contrato de eficiência, considerará a maior economia para
a Administração, e a remuneração deverá ser fixada em percentual que incidirá
de forma proporcional à economia efetivamente obtida na execução do
contrato.
09 (FGV 2021 TCE AM) O Estado Alfa firmou contrato de gestão com a Organização
Social (OS) Gama para o gerenciamento, operacionalização e execução de ações e
serviços de saúde no Hospital Estadual Beta. No caso em tela, na busca do
cumprimento dos objetivos comuns indicados pelas partes no contrato de gestão, de
acordo com as disposições legais aplicáveis:
(A) à OS Gama se aplica o controle externo exercido pela Secretaria Estadual de
Saúde, mediante seu poder hierárquico, pois integra a Administração indireta;
(B) ao Poder Executivo do Estado Alfa é facultada a cessão especial de servidor para a
OS Gama, com ônus para a origem;
(C) a OS Gama não se submete diretamente à lei de improbidade administrativa, nem
se sujeita a controle financeiro e contábil pelo Tribunal de Contas, por ostentar
personalidade jurídica de direito privado;
(D) o conselho de administração da OS Gama deve estar estruturado nos termos em
que dispuser o seu respectivo estatuto, permitindo o controle social e vedada a
participação de representantes do poder público;
(E) a OS Gama deve possuir finalidade não lucrativa, com a obrigatoriedade de
investimento de metade de seus excedentes financeiros no desenvolvimento das
próprias atividades, facultada a divisão de lucros da outra metade aos associados.
LEI Nº 9.637, DE 15 DE MAIO DE 1998.
Art. 1o O Poder Executivo poderá qualificar como organizações sociais pessoas
jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas
ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e
preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde, atendidos aos requisitos
previstos nesta Lei.
Do Contrato de Gestão
Art. 5o Para os efeitos desta Lei, entende-se por contrato de gestão o
instrumento firmado entre o Poder Público e a entidade qualificada como
organização social, com vistas à formação de parceria entre as partes para
fomento e execução de atividades relativas às áreas relacionadas no art. 1o.
Art. 14. É facultado ao Poder Executivo a cessão especial de servidor
para as organizações sociais, com ônus para a origem.
§ 1o Não será incorporada aos vencimentos ou à remuneração de origem
do servidor cedido qualquer vantagem pecuniária que vier a ser paga pela
organização social.
§ 2o Não será permitido o pagamento de vantagem pecuniária
permanente por organização social a servidor cedido com recursos
provenientes do contrato de gestão, ressalvada a hipótese de adicional relativo
ao exercício de função temporária de direção e assessoria.
10. (FGV 2021 TCE AM) A doutrina de Direito Administrativo classifica o controle da
administração pública, quanto à extensão do controle, como interno e externo. É
exemplo de controle externo quando:
(A) o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas aprecia as contas prestadas
semestralmente pelo Governador do Estado, mediante parecer prévio;
(B) o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas aprecia, para fins de registro, a
legalidade dos atos de nomeações para cargo de provimento em comissão praticados
pelo Executivo;
(C) o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas instala omissão Parlamentar de
inquérito, para a apuração de fato determinado e por prazo certo;
(D) a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas elege sua Mesa e constitui suas
omissões, com representação proporcional dos partidos ou dos blocos
parlamentares;
(E) a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas susta determinado ato
normativo do Poder Executivo que exorbite do poder regulamentar.
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder
regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;
XVIII - decretar o estado de calamidade pública de âmbito nacional previsto
nos arts. 167-B, 167-C, 167-D, 167-E, 167-F e 167-G desta
Constituição. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)
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" Caiam mil homens à tua esquerda e dez mil à tua direita: tu não serás
atingido. Salmos, 90/91

O Senhor o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida. O Senhor protegerá


a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre.
Salmos, 121

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