Você está na página 1de 380

f"

1

Pre11tice
Hall < '

PAULOAN~ONIOMARIOl 10
..
;

ANALISE DE
CIRCUITOS ;

ELETRICOS

Paulo Antonio Mariotto

Prentice
Hall

São Paulo - 2003

Brasil Argentina Colômbia Costa Rica Chile Espanha


Guatemala México Porto Rico Venezuela
© 2003 by Paulo Antonio Mariotto
Todos os direitos reseNados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio,
eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de
sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização,
por escrito, da Pearson Education do Brasil.
Diretor Editorial: José Martins Braga
Editor: Roger Trimer
Produtora Editorial: Renatha Prado
Capa: Marcelo da Silva Françozo
Editoração Eletrônica: ERJ Composição Editorial e Artes Gráficas Ltda.
Impressão: São Paulo - SP

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Mariotto, Paulo Antonio


Análise de circuitos elétricos / Paulo Antonio
Mariotto. -- São Paulo : Prentice Hall, 2003.

ISBN 85-87918-06-0

1. Circuitos elétricos 2. Circuitos elétricos -


Análise 3. Circuitos elétricos - Estudo e ensino
4 . Circuitos elétricos - Problemas, exercícios
etc. 1. Título.

02-3181 CDD-621 .319207


lndices para catálogo sistemático:

1. Análise de circuitos : Estudo e ensino


621.319207
2. Circuitos : Análise : Estudo e ensino
621.319207

2003
Direitos exclusivos para a língua portuguesa cedidos à
Pearson Education do Brasil,
uma empresa do grupo Pearson Education
Rua Emílio Goeldi, 747, Lapa
CEP 05065-11 O, São Paulo - SP, Brasil
Fone (11) 3613-1222 Fax (11) 3611-0444
e-mail: vendas@pearsoned.com.br
Sumário

Prefácio ... . .... . .. ... ... .. .. . .... .. .. . ... .. ... ....... .. .... .. . .. . ..... .. . .... .... . . .. .. ...... ...... . ... 1X

Capitulo1 Elementos de Circuitos ......................................................................... 1


1.1 Introduçã.o................................................................................................................... 1
1.2 Carga, corrente elétrica, trabalho, tensão e potência .................................................... 2
1.3 Bipolos elétricos.......................................................................................................... 4
1.4 Elementos receptores ideais......................................................................................... 5
1.5 Elementos ativos ideais ............................................................................................... 9
P·roblemas propostos ...... .......................... ................... ........... ............. ............. .................... 11

Capit ulo 2 Leis de Kirchhoff e Associações de Bipolos .......................................... 13


2.1 lntroduçã.o................................................................................................................. 13
2.2 Leis de Kirchhofl~ ...................................................................................................... 14
2.3 Associação série e paralela de elementos da mesma espécie....................................... 17
2.4 Divisores de tensão e de corrente com ele1nentos da mes1na espécie .......................... 18
2.5 Geradores reais e geradores equivalentes ................................................................... 20
2.6 Deslocamento de fontes ideais ................................................................................... 23
2.7 Indutância mútua ...................................................................................................... 24
2.8 A.mplificado1· operacio.nal .......................................................................................... 27
2. 9 Dual id.ade ................................................................................................................. 29
Problemas propostos ............................................................................................................ 31

Capitulo 3 Funções de Excitação e Formas de Onda ............................................. 33


3.1 Introdução........ .......................... ....... .......................... .......................... .................... 33
3.2 Ex.citação C·Ontín11a ............................................................................................... ..... 33
3.3 Excitação degrat1 ...................... ........................................................................... ...... 34
3.4 Excitação rampa ·unitária ..... ........................................................ ............................ . 35
3.5 Excitação pulso unitário e excitação i1npulsiva .......................................................... 35
VI Análise de Circuitos Elétricos

3.6 Excitação exponencial ................... ................... ............ .............. ............ ............. ..... . 37
3.7 Excitaçã.o co-senoida]............... .............................. ......................................... ......... . 39
3.8 . - pert.ód.,ca
Exc,taçao . e series
' . de Four,er . ..................................................................... . 4·1
3.9 Valor n1édio de uma fonna de onda periódica ........................................................... 44
3.10 Valor eficaz de uma função periódica ........................................................................ 44
Problemas propostos ............................................................................................................ 47

Capít ulo 4 M ét odos de Aná lise de Circuitos .............. ........................... ................ 5 1


4. 1 Introdução......................................... .......................... ............... ........... .................... 51
4.2 Análise de malhas ···································································································· 54
4.3 Análise de laços ....................................................................................................... . 60
4.4 Análise nodal .... .......................... ........................... .... .......................... ..................... 62
4 .5 Análise nodal modificada ........... ....... ............... ........... ............... ............ .................. . 66
4.6 Retrospectiva ........................................................................................................... . 70
4.7 Partição da rede: Teoretnas de Thévenin e de Norton ................................................ 72
4.8 Considerações finais ................................................................................................ . 82
Problemas propostos ........................................................................................................... . 82

Capít ulo 5 Redes Resistivas ....... ............. ......... ..... ......... ......... ............. ......... ...... 89

5.1 Introdução........... .......................... ... ................ ............ ............ ................................. 89


5.2 Quadripolos resistivos; atenuadores ........................................................................... 92
Problemas propostos ...... ......... ................. .............. ... .............. ......... ... ............. ................... l 03

Capítulo 6 Redes de Pr imeira Ordem ................................................................ 107


6.1 Inti·odução....... ........................................................................................................ . 107
6.2 Redes com comutações .................................... ................................................... ..... . 112
6.3 Redes com excitação co-senoidal; filtros elétricos ..................................................... 117
Problemas ·propostos ...... .......................... ................. ............. ............. ............. ................... 123

Capitulo 7 Redes de Segunda Ordem e d e Ordens Superiores ............................ 1 2 7


7. 1 lntrodução........ ....................................................... ................................................ . 127
7.2 Redes de segunda orde,n .......................................................................................... 128
7.3 Redes de segunda orde,n com excitação co-senoidal ................................................. 141
7.4 Equações diferenciais de ordens superiores ............................................................. . 147
·Problemas propostos .............. ..................................... ........... ............... ............................. . 150

Capitulo 8 Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal. ..................................... 153


8.1 I ntroduçã.o ........ ...................................................................................................... 153
8.2 Os tàsores e sua aplicação a equações di teTenciais .................................................... 156
8.3 Os fasores e sua aplicação a redes elétricas ............................................................... 161
8.4 Técnicas de simplificação de redes ........................................................................... 167
8.5 Diagrama de fasores ................................................................................................. 171
8.6 Perda de inserção ..................................................................................................... 175
Sumário VII

8. 7 Uso dos fasores com freqüências diversas ................................................................ 179


Problemas propostos ........................................................................................................... 182

Capítulo 9 A Transformada de Laplace e Aplicações ........................................... 187


9.1 Introdução........... .......................... .. .. ............. ............. ............... ........... ................... 187
9.2 A transfor_
n,ada de Laplace ........................................ ............................................. . 187
9.3 Propriedades básicas da transformada de Laplace ..................................................... 189
9.4 Aplicação da transforn1ada a equações diferenciais .................................................. 192
9.5 Aplicação da transformada a redes elétricas ............................................................. 194
9.6 Outras propriedades da transformada de Laplace...................................................... 198
9.7 Técnicas de expansão em fi·ações parciais .... ...... ................................ .................... ..202
9.8 Teore1nas do valor inicial e do valor final. .... ......................................... ................. ..209
9. 9 Tabela de transformadas ......................................................................................... .212
9.1O Comparação dos métodos de solução de equações d iferencia is ..................................214
Problemas propostos ...... .......................... ............... ............... .......................... ...................2 J8

Capítulo 1O Noções sobre Gráficos e Análise Numérica ........................................ 223


10.1 Introdução................................................................................................................223
10.2 Gráficos de rede e topologia .....................................................................................224
10.3 Descrição matricial de gráficos orientados ................................................................226
10.4 As matrizes de gráficos e os métodos de análise .......................................................233
10.5 Introdução à anál ise nun,érica .. .............................. ... .... ...... ........... ..... .............. .... ...240
P1·oblemas propostos .................................................................. .........................................242

Capítulo 11 Funções de Rede e Resposta em Freqüência ..................................... 245


11. l Int·rodução... ......................................................................................................... ....245
11.2 Tipos de funções de ·rede ..........................................................................................246
11 .3 Propriedades gerais das funções de rede ...................................................................247
l l .4,Resposta em tirequenc1a e t'1pos de representaçao
" A • - gra'fi1ca............ ... .......... ..................25?_
11 .5 Função de rede como produto de funções mais sfrnples ............................................254
11.6 .Diagramas de Bode-................ ....... ............. .............. ..... ............... ........... ............... ..262
Problemas propostos ...... .......................... ................. .......... ................ ...... ...................... ... .269

Capítulo 12 Potência e Energia em Regime Senoidal ............................................ 271


12.l Introdução................................................................................................................271
12.2 Potência reativa e potência complexa .......................................................................277
12.3 Correção do tàtor de potência ................. ... ........................................................... ....281
12.4 Transferência de potência em regime senoidal .........................................................283
12.5 Potência em sinais periódicos não senoidais ....... .................................. ....................296
Problemas propostos .................................................................. .... ............. ....... .................299
VIII Análise de Circuitos Elétricos

Capítulo 13 Redes Polifásicas ............................................................................. 303


13 .1 lnh·odução......... ....................................................................................................... 303
13.2 Monofásico a três fios ........ ......................................................... .......................... ... 310
13 .3 S1.ste1nas tr11as1cos
·c.• . . ' .
s11netr1cos ..... ................. .............................................................31?_
13.4 Análise de circuitos trifásicos simétricos ..................................................................317
13.5 Cálculo da potência en1 circuitos trifásicos ............................................................... 330
13.6 Medida de potência en1 siste1nas trifásicos ................................................................ 334
Problemas propostos ...........................................................................................................337

Capítulo 14 Quadripolos .... ...... ...................... .......................... ...................... .... 341


14. l
Int1·odução................................. ........................................................................... .... 341
14.2 Matrizes de adm itância e de impedância .................................................................. 343
14.3 Outras matrizes de parâmetros de quadripolos ..........................................................352
14.4 Relações entre matrizes de quadripolos .................................................................... 357
14.5 Quadripolos recíprocos e quadripolos si,nétricos ......................................................358
14.6 Associações de quadripo]os ...................................................... ................................ 361
14.7 Perda de inserção ..................................................................................................... 367
Problemas propostos ...........................................................................................................369

índice ............................................................................................................. 373


Prefácio

Este livro destina-se à apresentação dos princípios da análise das redes elétricas e é voltado aos
alunos do 22 ano do curso de engenharia elétrica. Os capítulos foram organizados de modo
que primeiramente são apresentados os fundamentos e os objetivos da análise e posterior-
1nente são 1nostradas as aplicações julgadas 1nais itnportantes na fonnação de u1n engenheiro
eletricista.

Apresentação

Ao se defrontar co1n este livro, você provavehnente perguntará: por que tnais uni livro so-
bre análise de circuitos elétricos se já existem tantos? Ao que eu argumentaria: por que cada
casa te1n projeto diferente se todas elas têm dormitórios, banheiros, cozinhas, salas de estar e
outros cômodos?
As respostas para as duas perguntas são essenciahnente análogas. Se, no projeto de urna
casa, a disposição, o número e o tamanho dos cômodos têm co1no objetivo atender ao confor-
to e à disponibilidade de orça1nento da família que vai habitá-la, ta1nbé1n neste livro a dispo-
sição, o número e o tamanho dos assuntos abordados visam atender ao embasa,nento que se
deseja dar a u1n aluno de engenharia elétrica e ao te1npo de que se dispõe dentro da estrutura
curricular.
Co1n essa diretriz, optei por arquitetar este livro, entre inumeráveis modos possíveis de
apresentação, de modo que organizasse o conteúdo expondo primeiramente os fundamentos
da análise de circuitos elétricos e incluindo depois aplicações julgadas relevantes na formação
de u1n engenheiro eletricista.
Nos capítulos iniciais, tão logo são definidos os ele1nentos de circuitos lineares, as leis de
Kirchboff e os tipos mais co1nuns de sinais são apresentados também os métodos de análise
de redes lineares, que constituem. a meta essencial da matéria, 1nostrando ao aluno a perspec-
tiva exata do propósito do livro.
Optei por essa abordagem pois em poucas lições será possível dizer: "Eu sei como analisar
qualquer circuito linear; a solução final eu deixo para um matemático". Isso não deixa de ser
verdade, mas ao cliente interessa a solução final e é essencial ao engenheiro saber como obtê-la,
X Análise de Circuitos Elétricos

não só para não depender dos outros como também para perceber ilnediatamente falhas na
análise. Por isso o texto continua.
Dado que todos esses métodos de análise produzem equações integro-diferenciais, os capí-
tulos seguintes são destinados às técnicas de solução dessas equações no domínio de tempo e
no don1ínio de freqüências e a noções sobre técnicas de solução numérica.
Para o acompanhamento dessa parte é esperado que o aluno saiba derivar e integrar fun-
ções de uma variável , tenha noções elementares de operações com vetores e matrizes e saiba
realizar operações arit1néticas com nú,neros co,nplexos. Detalhes ,nais específicos que envol-
ve1n esses conceitos são oferecidos na ocasião oportuna, com exemplos apropriados.
Como aplicação da parte funda,nental, escolhi alguns empregos possíveis da teoria apre-
sentada, solicitados por disciplinas 1nais avançadas do curso de engenharia elétrica. Entre os
tópicos escolhidos estão as funções de rede e resposta em freqüência, potência e energia em
regime senoidal, redes polifásicas e quadripolos. Nessa parte do livro, ao contrário do que
ocorre na parte inicial, não há necessidade de que os tópicos sejam 1ninistrados na ordem pro-
posta, podendo até alguns deles ser omitidos, se não forem do seu interesse.
Para co,npletar, no fim de cada capítulo há u,na série de problemas propostos, com as res-
pectivas respostas, para que você possa praticar os ensinamentos adquiridos.

Agradecimentos
O conteúdo deste livro prové1n da conciliação de 1nuitas das sugestões trazidas por profes-
sores responsáveis por disciplinas que aplica,n essa matéria e,n seus programas. Sem a cola-
boração e o incentivo desses colegas este livro não existiria, razão pela qual lhes sou
i1nensamente grato. Enquadram-se nesta categoria os professores doutores José Carlos Teixeira
de Barros Moraes, José Roberto Castilho Piqueira, Luiz Natal Rossi, Luiz Lebensztajn, Edison
Spina e André Fábio .Kohn.
Eu agradeço, também, a todos que colaboraram na revisão das versões anteriores e, espe-
cialmente, ao professor doutor Luiz Natal Rossi pela sua dedicação e pelo seu cuidado na re-
visão geral do livro e, de modo 1nuito especial, dos capítulos sobre o regime senoidal.

Paulo Antonio Mariotto


CAPÍTULO

Elementos de Circuitos

N este capítulo, são introduzidos os princípios básicos da Teoria dos


Circuitos, apresentada co,no um caso particular da Teoria Eletromagnética,
que ocorre quando os efeitos dos can1pos se encontram confinados a pequenos
e]e1nentos individualizados que podem ser associados. O resultado da associação
desses elementos é chamado de circuito ou rede elétrica. São, então, destacados
os conceitos de carga elétrica, corrente, tensão, energia e potência em elementos
fundamentais chamados de bipolos elétricos. Finalmente, são introduzidos
bipolos ideais, tanto passivos como ativos.

1 .1 Introdução
O estudo de Física nos ensina que todos os problemas de origem eletromagnética podem
ser genericamente analisados através das equações de campos de Max"vell, integradas sob
condições de contorno apropriadas.
U,na grande classe de problemas eletrodinâ,nicos, porém, pode ser abordada se,n envolver
explicitamente o conceito de ca1npos e condições de contorno. Ela engloba os proble,nas nos
quais os campos estão confinados a elementos de espaço suficiente1nente pequenos tais que as
propagações eletromagnéticas neles sejam consideradas instantâneas e os valores das integrais
espaciais de ca,npo possam ser esti1nados (ou ,nedidos) em cada um desses ele1nentos inde-
pendentemente. Nesse caso, a solução do proble,na global será baseada no efeito da associa-
ção desses elementos fundamentais numa chamada rede elétrica.
Dessa conceituação de rede elétrica, deduz-se que esta só depende da topologia do siste-
1na, isto é, da ,naneira como estão associados os elementos fundamentais (e não de disposi-
ções e tamanhos fisicos). Por essa razão, uma rede pode ser convenientemente representada
simplesmente através de um desenho esquemático (ou diagrama) no qual apareça1n, através
de sÍJnbolos apropriados, os elen1entos da rede e o modo como estes estão associados.
Exemplos de redes são encontrados em sistemas de geração e utilização de energia elétri-
ca, sistemas de telecomunicações, sistemas de controle, entre outros.
2 Análise de Circuitos Elétricos

Existe uma ampla teoria relativa às redes elétricas, também cha1nada de Teoria dos Cir-
cuitos Elétricos, que se subdivide em duas partes: análise e síntese.
A análise consiste em equacionar matematicamente uma dada rede ou circuito e descobrir
o que está acontecendo lá. Já a síntese consiste num processo de descobrir uma rede ou circui-
to que produza uma resposta prescrita para uma dada excitação.
Este livro é apenas um texto introdutório à 1natéria e procura 1nostrar a um estudante de
engenharia elétrica conceitos e técnicas básicas da análise de circuitos.

1 .2 Carga, corrente elétrica, trabalho, tensão e potência


Ao contrário do que ocorre nu1n problema de ca1npos, numa rede elétrica o 1novilnento de
carga deixa de ser uma função de ponto no espaço e é considerado so1nente como função de
cada elemento fundrunental.
E1n outras palavras, o que i1nporta num elemento é o efeito integral das cargas elétricas
q(t) que fluem por unidade de te1npo através de qualquer secção ortogonal ao elemento; esse
fluxo é conhecido por corrente elétrica ou simplesmente corrente e simbolizado, e1n geral,
por i(t). Matematicamente

'(t )-
l - dq(t) ,
dt
q(t) = J1
-oo
i(r)d-r = fto i(-r)d-r + q(t
I 0) .
(1.1)

As correntes elétricas são expressas em amperes (símbolo A) e as cargas elétricas são ex-
pressas em coulo,nbs (símbolo C).
Por outro lado, sabe-se do estudo de Física que, quando uma carga elementar dq(t) se des-
loca sob a ação de u1na tensão elétrica v(t) entre dois pontos, u1n trabalho ele1nentar dw(t) é
realizado por ela
d11l(t) = v(t)dq(t) (1.2)

ou, inversamente,

v(t) = d,v(t) . (1.3)


dq(t)

Se, nas relações acima, multiplica-se ( 1.1) por ( 1.3) resulta


div(t) (1.4)
v(l)i(t) = = p(I),
dt

onde p(t) representa a potência associada ao trabalho de deslocar cargas por unidade de te1npo.
Inversamente, pode-se obter o trabalho realizado ou energia transferida com o 1novilnento
de cargas para qualquer instante t:

W(f) = f
I p('f)d 'f = fI p('f)d'f + lV(fo), (1.5)
-O<> 'º
Elementos de Circuitos 3

onde w(t0) é a energia armazenada no elemento nurn instante t0 , anterior a t.


As tensões elétricas são expressas em volts (sítnbolo V), os trabalhos são expressos em
;oules (símbolo J) e as potências são expressas em watts (símbolo W).

liJJ. Neste texto, as funções temporais serão designadas com letras m. 1úsculas e estará
entre parênteses a variável t: por exemplo, i(tl, w(t), p(t). Quando , ão há perigo de
confusão, pode-se deixar de explicitar o tempo escrevendo somer te i, w, p.
liJJ. Letras maiúsculas são reservadas a parâmetros independentes do tempo, sejam
valores constantes, sejam valores médios. Por exemplo, í(t) = I sig 1ifica que, para
qualquer tempo t, a corrente i é uma constante igual a I ou Pméd s gnifica a potência
média num intervalo de tempo T, isto é,

1 Jt0 +r (1.6)
P,néd =- 1 p(t)dt'
T 0

e assim por diante.

Exemplo 1.1
Numa posição x de um fio condutor, um observador conta um fluxo de 3 coulombs de
carga negativa da esquerda para a direita por segundo e 5 coulombs de carga positiva
da direita para a esquerda por segundo.
(a) Qual é a corrente i(t) no condutor, indicada na Figura 1.1?
(b) Qual seria a corrente i(t) se o fluxo da direita para a esquerda fosse de 5 coulombs
de carga negativa por segundo?
X

++ ~ ~
+

i( t)
>
Figura 1.1 Exemplo 1.1.

Solução:
(a) O fluxo líquido (saldo de jlur:o), no sentido indicado na Figura 1.1 , é de 8 C/s de
carga negativa e, portanto, i(t) = -8 A.
(b) Neste caso, o.fluxo líquido de carga negativa é de 2 C/s da direita para a esquerda
e, portanto, no sentido indicado, i(t) = 2 A.

- Exemplo 1 .2
Um terminal é ligado à placa de um capacitor onde a carga elétrica é annazenada se-
gundo q(t) =5 cos 3t C. Ache a expressão da corrente que entra pelo terminal.
4 Análise de Circuitos Elétricos

Solução:
i(t) = dq(t) = 15 sin 3! A.
dt

Exemplo 1 .3
Um elétron se move de u1n ponto P a u1n ponto Q, havendo entre eles uma tensão 1
vPQ = 6 V. Determine a quantidade de energia gasta ou ganha por ele.

Solução:
Neste caso, sendo e= -1,602 x 10- 19 C a carga do elétron, o trabalho realizado por este é
lV =e. \IPQ =(6)(-1,602 X 10- 19) =-9,612 X l0-19 J
ou, visto por outro ângulo, o elétron adquire 9,612 x 10- 19 J.

1.3 Bipolos elétricos


Por representar efeitos integrados de campos, um elemento fundamental de uma rede elé-
trica deve estar conectado a ela por meio de dois terminais pelos quais, a cada instante, a taxa
de cargas por unidade de tempo [isto é, corrente i(t)] que entra por um deles sai pelo outro e
entre os quais está associada urna tensão v(t).
Por essa propriedade de concentrar os efeitos dos campos entre seus dois ter,ninais (não
irnporta qual s~ja a natureza interna do elemento), o elemento é conhecido como bipolo elétri-
~o ou simplesmente bipolo.
A Figura 1.2 mostra a representação esque111ática de um bipolo genérico. A seta que
aco1npanha o símbolo da corrente indica o sentido do fluxo de cargas positivas. A seta que a-
co1npanha o símbolo da tensão indica a diferença de tensão entre a ponta e a base da seta. (A
polaridade de tensão pode també1n ser indicada pelos sinais + e-, correspondentes, respecti-
vamente, à ponta e à base da seta.)
A representação dada pela Figura 1.2a é charnada de convenção do receptor, pois, quando
o produto i(t)v(t) é positivo, a potência p(t) recebida pelo bipolo é positiva. No entanto, a re-
presentação dada pela Figura 1.2b é chamada de convenção do gerador, pois, quando o pro-
duto i(t)v(t) é positivo, a potência p(t)fornecida pelo bipolo é positiva.
i(t) i(t)
<

v(t) v(t)

(a) Convenção do receptor (b) Convenção do gerador

Figura 1.2 Bipolos elétricos.

1. vPQ significa a tensão no ponto P n1edida e1n referência a Q.


Elementos de Circuitos 5

ti,. Correntes e tensões têm sinais associados, portanto nem sempre is terminais de
um bipolo são intercambiáveis.

ti,. A polaridade de tensão no bipolo pode também ser indicada pelo! sinais + e-,
correspondendo à ponta e à base da seta, respectivamente. Deve-se, í orém, ressaltar
nesse caso que esses sinais são referências e que a tensão no terr 1inal + em
relação ao terminal - pode ser negativa.
ti,. Se, para um dado bipolo para o qual foi usada a convenção do rei eptor, resultar
uma potência p(t) negativa, então o bipolo é fisicamente um gerao ,r.
ti,. Se, para um bipolo para o qual foi usada a convenção do gerador, resultar uma
potência p(t) negativa, então o bipolo é fisicamente um receptor.
ti,. Elementos em que as correntes nos dois terminais não são iguais 3 cada instante,
não são bipolos e a eles não se aplica a Teoria dos Circuitos. Elem :ntos desse tipo
são chamados de distribuídos e são exemplos deles linhas de trar smissão, guias de
onda, antenas etc.

1 .4 Elementos receptores ideais


Bipolos passivos, lineares e fixos
Elementos importantes na Teoria dos Circuitos são os bipolos passivos, lineares e inva-
riantes no tempo.
São considerados passivos os bipolos nos quais a potência média absorvida é 1naior ou
igual a zero; são lineares aqueles nos quais tensão e corrente estão interligadas por relações
lineares; são fixos se nessas relações lineares os coeficientes fore1n independentes do tempo.
Resistores, capacitores e indutores ideais enquadram-se nessa categoria.
Num resistor ideal valem as relações:

. 1 (1.7)
v(t) = Ri(t), t(t) =-v(t)
R

conhecidas co,no lei de Ohm. O parâ1netro Ré chamado de resistência e é expresso em ohms


(shnbolo .Q). Seu inverso, designado com o parâ1netro G, é cha1nado de condutância e é me-
dido em siernens (símbolo S).
Nu1n resistor ideal, a potência instantânea recebida por ele segundo (1.4) é

p(t) = Ri 2 (t) = Gv 2 (t) , (1.8)

onde G = 1/R. Observe que essa potência nunca é negativa. Por isso, o resistor é eletrica1nente dis-
~·ipativo, uma vez que toda a energia elétrica recebida é transformada en1 calor.
Dadas as propriedades exibidas em (1 .7) e ( 1.8), os resistores têm a1npla aplicação na rea-
lização de circuitos elétricos e eletrônicos, seja con10 elementos de proporcionalidade entre
tensão e corrente, seja como elementos básicos de equipamentos termoelétricos (aquecedores
em geral, ferros de passar etc.).
6 Análise de Circuitos Elétricos

Nu1n capacitor ideal, carga e tensão estão relacionadas por


1
q(t) =Cv(t), v(t) =-q(t). (1.9)
e
O parâmetro C é chamado de capacitância e é expresso emfarads (símbolo F). Seu inver-
so, designado com o parâmetro S, é chamado de elastância.
A combinação de ( 1.1) e ( 1.9), co1n C constante, resulta em

i(t) = dq(t) = e dv(t) ' v(t) = _!_ ffo i(i')d-r + v(t0 ),


1
(1.10)
dt dt e
onde v(t0 ) = q(t0 )/C.
Num capacitor ideal, o acréscimo de energia dl,;(.t), relacionado ao acréscimo de carga
dq(t), segundo ( 1.2), pode ser reescrito substituindo-se dq(t) por Cdv(t), relação esta prove-
niente de (1.9). Obtém-se, assim:

dw(t) = Cv(t)dv(t) = d [ %v (t)J,


2

para C constante. Daí, por integração, obtém-se a energia armazenada .no capacitor etn cada
instante:
e 2 1
w(t) =-v (t) = - q (t).
2
(1.11)
2 2C
Observe que, num capacitor, a energia armazenada nunca é negativa, enquanto a potência
recebida pode ser positiva ou negativa (dependendo de a energia arn1azenada estar aumentan-
do ou diminuindo). Por isso, o capacitor ideal é eletricamente não-dissipativo, ou seja, arma-
.
zena energia.
Dadas as propriedades exibidas em (1.1 O) e (1.11 ), os capacitores são amplamente usados
na realização de circuitos elétricos e eletrônicos, seja aproveitando as relações de derivada e
integral entre tensão e corrente (como em circuitos integradores e diferenciadores, em altera-
dores de fase entre tensões e correntes em regime senoidal etc.), seja como elementos arma-
zenadores de energia (em fontes elétricas e eletrônicas etc.).
Ntun indutor ideal, é importante a noção de fluxo concatenado (/í.J). Por definição, fluxo
concatenado e corrente estão relacionados por
. l
</)(t) = Li(t), 1(t) = -</)(t) . (1.12)
L
O parâmetro L é chamado de indutância e é expresso em hen,ys (shnbolo H). Seu inverso
é designado pelo parâmetro r.
Recordando do curso de Física que a tensão nos terminais de u1n indutor ideal é igual à de-
rivada, em relação ao te1npo, do fluxo concatenado, resultam de ( 1.12) com L constante

v(t) = d</)(t) = L di(t) '


dt dt L
f
i(t) = _!_
10
1
v(-r)d'f + i(t0 ) , (1.13)

onde i(t0) = (/í._t0)!L.


Elementos de Circuitos 1

Visto que, na expressão da potência recebida por um indutor dada por ( l .4), v(t) pode ser
expresso por ( 1.13), resulta

p(t)=v(t)i(t)=L di(t) i(t)=-


dt
d -i2 (t) ] ,
dt 2
[L
para L constante. Daí, por integração, obtém-se a energia armazenada no indutor no instante t:
L .2 1 2 (1.'14)
tv(t) == - i (t) == - </J (t).
2 2L
Observe que a energia armazenada num indutor ideal nunca é negativa. Então, tal co1no num ca-
pacitor, o indutor ideal é eletrica1nente não-dissipati.vo, ou seja, armazena energia.
Dadas as propriedades exibidas e1n ( 1.13) e (1.14), os indutores são ampla,nente usados na
realização de circuitos elétricos e eletrônicos, seja aproveitando as relações de derivada e in-
tegral entre tensão e corrente (como e,n circuitos integradores e diferenciadores, e,n alterado-
res de fase entre tensões e correntes e1n regime senoidal etc.), seja co1no elementos annazena-
dores de energia (em fontes elétricas e eletrônicas etc.).
A Figura l .3 apresenta modelos de resistor, capacitor e indutor 00111 a convenção do receptor.
l i(t) l i(t)

v(t) v(t) v(t) L

i(t) = e dv(t) v(t) = L di(t)


v(t) = Ri(t) dt dt
(a) Resistor ideal ( b) Capacitar ideal (e) Indutor ideal

Figura 1.3 Bipolos passivos lineares e fixos.

Bipolos passivos variantes no tempo


Se C e L forem função do tempo, as relações entre i(t) e v(t) nos capacitores e indutores
passam a ser, respectivamente,

"( ) _ dq(t) _ dC(t)v(t) _ C( ) dv(t) ( ) dC(t) ( 1.15)


it- - - I +vi-"'"'-'-
~ & & ~

o
....

v(t) = d</J(t) = dl(t)i(t) = L(t) di(t) + i(t) dL(t) . (1.16)


dt dt dt dt
8 Análise de Circuitos Elétricos

~ Os elementos definidos são ideais porque cada um deles só envolve L TI tipo de


parâmetro. Qualquer modelo mais preciso de um indutor físico, por e> 3mplo, deve
representar também a resistência do fio do enrolamento e a capacitân, ia entre espiras.

~ Em muitos casos reais, as relações v-i nos resistores, q-v nos ca )acitores e ifJ - i
nos indutores são não-lineares. Este curso, como primeira aborda 1em à Teoria dos
Circuitos, não analisará problemas não-lineares.

Exemplo 1.4
Para os três bipolos ideais da Figura 1.4:
(a) Na Figura 1.4a suponha que i(t) = l = 3 A. Determine v(t).
(b) Se para o 1nesmo resistor a corrente for alterada para i(t) = I = -6 A, deter1nine v(t).
Qual será a polaridade real da tensão no resistor?
(c) Se a corrente no indutor da Figura 1.4b for i(t) = 3t A, detennine v(t).
(d) Se no 1nes1no indutor a corrente for i(t) =1 = -3 A, determjne v(t).
(e) Se ainda no mesmo indutor a tensão for v(t) =V= -6 V, a corrente estará au1nen-
tando ou diminuindo? A que taxa?
(f) Dado v(t) = 5e1 V na Figura 1.4c, qual é o sentido da corrente i(t) no capacitor?
(g) Se no 1nes1no capacitor for v(t) =2 sin t V, a carga no tenninal superior do capaci-
tor em t =O estará au,nentando ou diminuindo?

i( t)
> ---,

v(t) 311 v(t) v(t) ~5F

(a l (b) ( e)

Figura 1.4 Exemplo 1.4.

Solução:
Antes de tudo, para facilitar a notação, a variável t será tornada itnplícita.
Desse modo, dado que nas três partes da Figura 1.4 é usada a convenção do receptor,
têtn-se:
(a) Nun1 resistor, v = Ri. Então, v =(3)(3) = 9 V.
(b) Nesse caso, v =(3)(-6) = -18 V. O valor negativo significa que a tensão no termi-
nal superior está continua1nente 18 V abaixo daquela no tenninal inferior.
(e) Nu,n indutor, v = Ldi/dt. Então, v = (4)(3) = 12 V.
(d) Nesse caso, v = O V, pois dildt = O.
(e) Sendo no indutor v = Ldildt, então, se v = -6 e L = 4, resulta que dildt = -1,5.
Assim, a corrente diminui à taxa de 1,5 Ns.
Elementos de Circuitos 9

(f) Nurn capacitor, i = Cdvldt. Nesse caso, a corrente é positiva, isto é, o sentido indi-
cado pela seta é o sentido real.
(g) Neste caso, i = 5 x 4 cos 2t = 20 cos 2t A. Para t = O, i(O) = 20 = dq(O)ldt. Assim, a
carga no terminal superior está aumentando nesse instante.

1 .5 Elementos ativos ideais


Bipolos ativos, ta1nbém chamados de geradores ou fontes, são aqueles cuja potência mé-
diafornecida, através de seus terminais, é maior que zero.
A potência fornecida pelas fontes provém da transformação de alguma outra forma de
energia. Essa origem, porém, não é geralmente explicitada num circuito.

Fontes independentes
Urna fonte independente ideal de tensão, ou apenas fonte de tensão, é aquela que rnantém
,
nos seus terminais wna tensão l's(t), qualquer que seja o circuito ao qual está conectada. E re-
presentada pelo símbolo da Figura 1.5a.
Uma fonte independente ideal de corrente, ou apenas fonte de corrente, é aquela que
mantém nos seus terminais uma corrente is(t), qualquer que seja o circuito ao qual está conec-
tada. É representada pelo símbolo da Figura I .Sb.
Como representações práticas aproximadas de fontes de tensão podem ser citados baterias,
alternadores etc. E como representações práticas aproximadas de fontes de corrente podem-se
citar as fontes de alimentação de cadeias de lârnpadas ern série (corno aquelas usadas ern de-
corações natalinas).

~ Fontes de excitação constante, sejam de tensão ou de corrente, p >dem ser, e


muitas vezes são, representadas pelos símbolos da Figura 1.5, sut ,tituindo-se vs(t)
;s(t) por parâmetros constantes, por exemplo, E e!. Outro modo c ,mum de
representação de fontes constantes é através dos símbolos da Fig, ,ra 1.6.
~ Um curto-circuito é o caso-limite de uma fonte de tensão constante ql e mantém a
tensão nos seus terminais igual a zero, independentemente da corrent, que o atravessa.
~ Um circuito aberto é o caso-limite de uma fonte de corrente const ,nte que mantém
a corrente nos seus terminais igual a zero, independentemente da tensão ao qual
está submetido.

i( t)
>

e,(t) +
-~
i(t, ) 1 t v(t)

(a) Fonte ideal de tensão (b) Fonte ideal de corrente

Figura 1.5 Fontes independentes.


1O Análise de Circuitos Elétricos

I
>

E
+ I V

(a) Fonte de tensão constante ( b) Fonte de corrente constante

Figura 1.6 Fontes de excitação constante.

Fontes controladas ou geradores vinculados


Numa fonte de tensão controlada ou gerador vinculado de tensão, a tensão nos seus ter-
1ninais é uma dada função (além do tempo t) de algu,na variável x, co,numente un1a corrente
ou tensão, em outro elemento qualquer do circuito. Será uma fonte ideal se mantiver nos seus
tenninais uma tensão vs == vs(x), qualquer que seja o circuito ao qual está conectada. Fontes
desse tipo estão representadas nas figuras 1.7a e b.
Analogamente, numa fonte de corrente controlada ou gerador vinculado de corrente, a
corrente nos seus terminais é u,na dada função de alguma variável x, comumente u1na corren-
te ou tensão, em outro elemento qualquer do circuito. Será u1na fonte ideal se mantiver nos
seus terminais uma corrente is== is(x), qualquer que seja o circuito ao qual está conectada.
Fontes desse tipo (co1n a variável t implícita) estão representadas nas figuras 1.7c e d.
Exemplos típicos de uso de fonte controlada encontram-se na modelagem de elementos
eletrônicos ativos (transistores etc.) e de transformadores.

+ +

µ = ganho de tensão r111 = transresistência


(a) Fonte de tensão controlada por tensão (b) Fonte de tensão controlada por
(FVCV) corrente (FVCI)

Figura 1.7 Fontes controladas ou geradores vinculados.


Elementos de Circuitos 11

t /J ic

gm = transcondutância /J = ganho de corrente


(e) Fonte de corrente controlada por (d) Fonte de corrente controlada por corrente
tensão (FICV) (FICI)

Figura 1.7 Fontes controladas ou geradores vinculados (continuação).

Problemas propostos
Pl.1 A corrente que entra por um terminal de u1n bipolo elétrico é dada por
i = 3t 2 - 2t mC .
Calcule o valor da carga q acu1nulada no intervalo O< t < 2 s.
Resposta: 4 1nA.
Pl.2 Uma corrente i(t) =2 sin 3t é introduzida nu1n indutor de 4 H. Determine as expressões da
tensão v(t) nos terminais do indutor com a convenção do receptor e da potência instantânea
recebida.
Respostas: v(t) =24 cos 3t; p(t) =24 sin 61.
Pl.3 Se a corrente i(t) que entra pelo terminal positivo de um capacitor de capacitância C for da-
da por
1 sinmt A, para t>O
i(t) = {
O, para t >0,

mostre que a energia fornecida ao elemento é dada por


/2
lv(t) = 2
(1-cos mt)2 J, para t > O.
2Cm
Pl.4 Num capacitor de 4 Fé aplicada uma tensão v(t), variável no tempo segundo o gráfico da
Figura 1.8a.
Determine a corrente i(t) introduzida no capacitor, com a convenção do gerador. (Note que
essa convenção não é a usual para capacitores.)
12 Análise de Circuitos Elétricos

i(t)
v(t)

30 V
6A ------- .
1
1
1
. .
~

1
1
20 s 40 s t
1
1
20s t 1
1
-12 A

- 30 V
(a) (b)

Figura 1.8 Problema P1 .4.

Resposta: Co1n a convenção do gerador, a corrente i(t) é dada segundo o gráfico da


Figura 1.8b.
f>l .5 Uma bateria cuja tensão é 11 = 12 V está e1n processo de carga co1n uma corrente 1 = 0,5 A
entrando pelo seu terminal positivo.
Calcule:
(a) A energia fornecida à bateria após 2 horas de carga.
(b) A carga total entregue à bateria nesse período.
Respostas: (a) W = 43.200 J.
(b) Q = 3.600 e.
Pt.6 No circuito da Figura l .9, o resistor de 3 Q é atravessado por u1na corrente de 2 A. Deter-
mine a tensão fornecida pela fonte controlada.
ic= 2A

3Q

Figura 1.9 Problema P1 .6.

Resposta: 24 V.
CAPÍTULO

,.
Leis de Kirchhoff e
Associações de Bipolos

N o capítulo anterior, fora1n apresentadas características de elementos


isolados de circuitos. Neste capítulo, serão apresentadas as relações
decorrentes da conexão dos ete,nentos nu1n circuito. Essas relações são as
chamadas leis de Kirchhoff. Após a introdução dessas leis, são apresentados
alguns exemplos e aplicações delas a associações simples.

2.1 Introdução
U1na rede elétrica (ou circuito) é formada por um conjunto de bipolos (ativos e passivos)
cujos terminais estão interligados por condutores per.feitos.
Os pontos de u1na rede onde tenninais de dois ou 1nais bipolos são interconectados são de-
signados nós (oujunções). Qualquer bipolo interco.nectando dois nós é designado ramo.
Deve-se ressaltar que os condutores perfeitos numa rede agem como curto-circuitos e só
têm por função interligar bipolos. Portanto, eles não se constituem ramos da rede e seus ex-
treinos formam u,n único nó. A Figura 2. 1 ilustra essa situação.
e

Figura 2.1 Nós e ramos de uma rede.

U1n laço (e1n inglês loop) é qualquer percurso.fechado nurna rede. São laços no circuito da
Figura 2.1: es', R e L; es, R e C; L e C.

1. Funções temporais como es(I) são, neste texto, freqüentemente grafàdas com a variável t implícita. por
simplicidade.
14 Análise de Circuitos Elétricos

U1n laço que não contenha nenhum ramo em seu interior é chamado de malha. No circuito
da Figura 2.1 são 1nalbas: es, R e L; L e C.
Se dois ou mais bipolos tivere1n um de seus tenninais ligado num 1nesmo nó e o outro li-
gado em outro único nó, diz-se que constituem uma associação em paralelo. Nesse caso, a
tensão v(t) é comum a todos os elementos da associação. A Figura 2.2a ilustra isso.
Se dois ou mais bipolos estivere1n ligados de modo que nos nós da associação só se juntem
dois ra1nos, diz-se que constituem wna associação em série. Nesse caso, a corrente i(t) é co-
1num a todos os elen1entos da associação. A Figura 2.2b ilustra isso.

--
-

(a) Em paralelo
J
(b) Em série

Figura 2.2 Associações elementares de bipolos .

.,. O conceito de malha está intrinsecamente ligado ao desenho esquem, tico do circuito e
não à topologia deste. Por exemplo, se no desenho da Figura 2.1 e capacitor C e o
indutor L forem permutados entre si (mantendo a associação em J aralelo), então as
malhas no esquema passam a ser: e 5 , R e C; L e C.

2.2 Leis de Kirchhoff


1" lei de Kirchhoff ou lei das correntes
A soma algébrica das correntes incidentes em cada nó é igual a zero e1n qualquer instante
li

I:t1 <t) =o . (2.1)


j =l

Exemplo 2.1
Aplique a Jª lei de Kirchhoff ao nó da Figura 2.3, adotando a convenção do receptor
como referência de i2 e i 4 •
Leis de Kirchhoff e Associações de Bipolos 15

Figura 2.3 Exemplo 2.1.

Solução:
Usando-se a convenção do receptor, resulta i 2 positivo para fora do nó e i 4 positivo para
dentro do nó. Assim, so1nando-se algebrica1nente as correntes que saem do nó
- i 1 + i 2 + í3 - í4 = O,
ou, sornando-se as correntes que entram no nó,
+ li - i2 - i3 + i4 = o.

- Exemplo 2.2
Escreva a 1ª lei de Kirchhoff para o nó da Figura 2.4. Extraia da equação iL e determine
vL dado que vc = 2 cos 2t V, iR= 6 A e is = 10t A.

~
"li
2Q

Figura 2.4 Exemplo 2.2.

Solução:
Adotando-se a convenção do receptor para o capacitor e o indutor e son1ando-se alge-
bricamente as correntes que saem do nó

onde
dvc d
ic =C =3-(2cos2t)=-12sin2t .
dt dt
Substituindo-se as correntes conhecidas
1Ot + iL + 6 - (- 12 sin 2t) = O,
resultarn
+ i L = - l Ot - 6 - 12 sin 2t
16 Análise de Circuitos Elétricos

e
dil
Vl = 2 . = -20 - 48 COS 2t .
- dt

2ª lei de Kirchhoff ou lei das tensões


A soma algébrica das tensões 1nedidas ordenada1nente ao longo de qualquer laço é igual a
zero em qualquer instante
li

í: vk(t) =o. (2.2)


k=I

Exemplo 2.3
Escreva a 211 lei de Kirchhoff (lei das tensões) para o laço da Figura 2.5.

Figura 2.5 Exemplo 2.3.

Solução:
Usando-se a convenção do receptor, resulta que os terminais à esquerda dos bipolos 2 e
4 são positivos. Assim, percorrendo-se o laço no sentido horário e somando-se algebri-
camente as tensões, das quais são consideradas positivas aquelas cujo sentido de refe-
rência é contrário ao sentido de percurso, obté1n-se
+ VI + V2 + V3 - v4 - v5 = Ü
ou, percorrendo-se o laço no sentido anti-horário e somando-se algebrica1nente as ten-
sões, das quais são consideradas positivas aquelas cujo sentido de referência é contrário
ao sentido de percurso, obtétn-se
- v, - V2 - V3 + V4 + V5 = O.

Exemplo 2.4
Na Figura 2.6, iR = 3t A, il = 3 cos 2t A e i8 = Se-t A. Adotando a convenção do recep-
tor para os bipolos passivos (L e R) e a convenção do gerador para o bipolo ativo i.~, de-
termine a tensão nos terminais da fonte de corrente.
Leis de Kirchhoff e Associações de Bipolos 17

Is'--..,

30

Figura 2.6 Exemplo 2.4.

Solução:
Usando-se as convenções do enunciado, resulta para a soma algébrica no sentido horário
- Vs + VL + VR = Ü,
onde

vl = d (3 cos 2t) =-1 2 stn


L di1, = 2- . 2t
, dt dt
Daí
vs = 9t - 12 sin 2t V.

... A 1ª lei de Kirchhoff trata-se de um caso particular da equação da :ontinuidade


da Teoria Eletromagnética à Teoria dos Circuitos, pois, além de só haver fluxo de
cargas (correntes) nos elementos da rede, não há também acumu ição de cargas
nos nós.
... A 21 lei de Kirchhoff é um caso particular da 11 equação de Maxwt li da Teoria
Eletromagnética à Teoria dos Circuitos, aplicada a condutores filifc rmes.

2. 3 Associação série e paralela de elementos da mesma


espécie
Uma aplicação imediata das duas leis de Kirchhoff é permitir a substituição de vários ele-
1nentos da mesma espécie, ligados em série ou paralelo, por um único elemento equivalente.

Bipolos em série
A 1ª lei de Kirchhoff (lei das correntes) garante que numa associação série todos os bipo-
los são atravessados pela rnes1na corrente, e a 2il lei (lei das tensões) garante que a tensão nos
extre1nos da associação é a sotna das tensões e1n todos os bipolos. Assim, para elementos pas-
sivos, lineares e fixos, obtêm-se sem dificuldade os seguintes elementos equivalentes:
18 Análise de Circuitos Elétricos

(2.3)

1 1 1 (2.4)
--=-+-+···
Ceq C1 C2

(2.5)

Bipolos em paralelo
A 2ª lei de Kirchhoff (lei das tensões) garante que numa associação paralela todos os bipo-
los são submetidos à mesma tensão, e a 1ª lei (lei das correntes) garante que a corrente nos
extremos da associação é a so1na das correntes e1n todos os bipolos. Assim, para elementos
passivos, lineares e fixos, obtêtn-se sem dificuldade os seguintes ele1nentos equivalentes:
J 1 l (2.6)
--=-+-+···
Req R1 R2

eeq =e, +e?+


- ... (2.7)

1 1 1 (2.8)
-=-+-+···
Leq L1 li

2 .4 Divisores de tensão e de corrente com elementos da


mesma espécie
Outra aplicação simples das duas leis de Kirchhoff é a obtenção de divisores de tensão e
de corrente com elementos da mesma espécie.

Divisores de tensão
U1na vez que, pela 1ª lei de Kirchhoff, todos os bipolos de u1na associação série são atra-
vessados pela mesma corrente e, pela 2n lei, a tensão nos extreinos da associação é a soma das
tensões nos bipolos associados, obtêm-se se1n dificuldade para ele1nentos passivos, lineares e
fixos da mesma espécie as relações a seguir.
Leis de Kirchhoff e Associações de Bipolos 19


lc 1

v.

Ic2 i V2

(a) Divisor resistivo (b) Divisor indutivo


•(e) Divisor capacitivo

Figura 2.7 Divisores de tensão com elementos da mesma espécie.

Para o divisor resistivo da figura 2.7a


R2
V2 (t) == Vs (t) ; (2.9)
Ri +R2
para o divisor indutivo da Figura 2.7b

v2 (t)== Li V5 (t) ; (2.10)


Li+ Li
e para o divisor capacitivo da Figura 2.7c

V
2
(t) = IIC2 V (t) = C1 V (t) (2.11)
l/C1 + l/C2 s C2 + C1 s .

Divisores de corrente
U1na vez que, pela 2ª lei de Kirchhoff, todos os bipolos de uma associação em paralelo são
submetidos à mesma tensão e, pela lª lei, a corrente nos extremos da associação é a so1na das
correntes nos bipolos associados, obtê1n-se se1n dificuldade para ele1nentos passivos, lineares
e fixos da mesma espécie as relações a seguir.
l
.• ), Is
), ....
-.-----,

(a) Divisor resistivo (b) Divisor indutivo


•(e) Divisor capacitivo
Figura 2.8 Divisores de corrente com elementos da mesma espécie.

Para o divisor resistivo da Figura 2.8a

1/R2 R (2.12)
i 2 (t) - i (t) - J i (t) .
- IIR1 + IIR2 s - R2 + R1 s '
20 Análise de Circuitos Elétricos

para o divisor indutivo da Figura 2.8b,

.
z2(t)=
l !L2 .
l8 (t)=
li . (t);
l8
(2.13)
1/Li + 1/Li li + li
e para o divisor capacitivo da Figura 2.8c,

(2.] 4)

2.5 Geradores reais e geradores equivalentes


No capítulo anterior, os geradores ideais de tensão e de corrente foram apresentados como
bipolos cujas tensões ou correntes se 1nantêm nos seus terminais independente1nente do que
esteja ligado a eles.
E1n problemas reais, um gerador que exibe em seus terminais un1a tensão es(t) em vazio
(isto é, sem ligações externas), também charnada de força eletromotriz (fem), apresenta, ao
fornecer corrente, uma queda de tensão através desses terminais que aumenta coin a intensi-
dade da corrente. Não é difícil imaginar um gerador desse tipo, representado por uma fonte
ideal em série co,n um ele1nento que produza urna queda de tensão, devido à corrente forneci-
da. Por exemplo, numa bateria a queda de tensão, devido à dissipação interna, seria 1nodelada
por um resistor e1n série; num alternador, a queda de tensão seria 1nodelada por u1n resistor
em série corn indutor, e assim por diante. Essa fonna de representação, entretanto, não é única
e existe outra fonna equivalente, como mostrado a seguir.
Considere un1 gerador real indutivo representado por uma fonte de tensão ideal e8 (t) e1n sé-
rie com um indutor L, como indicado na Figura 2.9a, e que apresente nos seus tertnioais em
operação uma tensão v(t) e uma corrente i(t).

L 1
l >
>

es + V
/t , ~
...,
L
V
\. _,

(a) (b)

Figura 2.9 Modelos equivalentes de geradores reais indutivos.

Das leis de Kirchhoff, pode-se escrever


d1'(t) (2.15)
v(t) = es (t) - L - -
dt
Leis de Kirchhoff e Associações de Bipolos 21

e daí extrair i(t):

i(t) =l f' es(r)d-r -_!_f' v(-r)d-r, (2.16)


L ~ L ~
que te1n a forma
1
i(t) = is (t) - -J'
L-
v( -r)d-r, (2. 17)

isto é, exatamente a corrente fornecida nos terminais do circuito da Figura 2.9b se

ou (2.18)

onde i 8 (t) é a corrente de curto-circuito do gerador.


Os 1nodelos de representação do gerador, através das figuras 2.9a e b, são, portanto, equi-
valentes para efeito externo. O modelo da Figura 2.9a com afeni es(t) em série com o ele1nen-
to passivo é chamado de gerador na forma de Thévenin ou, si1nplesmente, gerador de
Thévenin e o da Figura 2.9b com a corrente de curto-circuito is(t) e1n paralelo com o elemento
passivo é chamado de gerador na forma de Norton ou, simplesmente, gerador de Norton .
A equivalência só não é possível em casos ideais. Se L =O, somente é possível representar
o gerador na forma de Thévenin, pois na forma de Norton deveria haver um gerador de cor-
rente is(t) infinita, tal que, atravessando um indutor em paralelo de indutância nula, provocas-
se nos seus tenninais uma tensão e8 (t) preestabelecida, independentemente da corrente de
carga. Analoga,nente, se L = oo, son1ente é possível representar o gerador na fonna de Norton,
pois na forma de Thévenin deveria haver um gerador de fern es(t) infinita, tal que fornecesse,
através de um indutor em série de indutância infinita, uma corrente i5 (t) preestabelecida, inde-
oendentemente da tensão de carga.
Equacionados de maneira semelhante, os geradores reais resistivos das figuras 2.1 Oa e b
são equivalentes se

ou es (t) = Ri8 (t) . (2.19)

R .
j
> l >

e, + V i, i: t :, -- R V

(a) (b)

Figura 2.10 Modelos equivalentes de geradores reais resistivos.

Da mesma forma, os geradores reais capacitivos das figuras 2.1 la e b são equivalentes se

ou . (t )-- e des (t) .


ls (2.20)
dt
22 Análise de Circuitos Elétricos

e
~
' •'
e, +1
-~
'-
V .
1, (' t'
'- ,/
e V

(8) (b)

Figura 2.11 Modelos equivalentes de geradores reais capacitivos .

.., Na Teoria dos Circuitos chama-se carga (em inglês load) o bipolo onde a energia elét rica é
utilizada. Dada a conceituação bem diversa, o termo não deve ser confundido com carga
elétrica (em inglês charge), de cujo movimento provém a corrente elétrica.
Na prática, um gerador real é chamado de gerador de tensão se a corrente de carga
provocar uma redução insignificante na tensão em seus terminais em relação à tensão
em aberto; e um gerador real é chamado de gerador de corrente se a tensão em carga
provocar uma redução insignificante na corrente em seus terminais em relação à corrente
de curto-circuito, independentemente de o gerador real (de tensão ou de corrente) ser
representado na fo rma de Thévenin ou de Norton .
.., Por serem casos-limite, um gerador ideal de tensão só pode ser representado na forma
de Thévenin (sem elementos em série) e um gerador ideal de corrente só pode ser
representado na forma de Norton (sem elementos em paralelo).

Exemplo 2.5
No circuito da Figura 2. 12a, calcule a corrente!, usando a técnica de fontes equivalen-
tes e associações série e paralela.
20 I 20 10 20 10
I

+ 20 20
4 V--'-- 3A 2A
...........+.;... 6V

(a) (b)

1 sn 1n 1
sn

+ + +
2A - ''--6 V 2V 6V

(e) (d)

Figura 2.12 Exemplo 2.5.


Leis de Kirchhoff e Associações de Bipolos 23

Solução:
Transformando-se o gerador de Thévenin na forma de gerador de No1ton e o gerador
de .Norton na forma de gerador de Thévenin, na Figura 2.12a, obtém-se o circuito da
Figura 2.12b. Substituem-se os resistores em paralelo por um único equivalente e faz-
se o mesmo co1n os resistores em série (mantendo-se inviolada a corrente/), obtendo-
se o circuito da Figura 2.12c. Transforma-se o gerador de Norton na forma de gerador
de Thévenin e chega-se finahnente ao circuito da Figura 2.12d.
No circuito da Figura 2. 12d escreve-se a 23 lei de Kirchhoff, isto é,
- 2 + (1 + 5)/ + 6 = O,
donde
I =- 4/6 =- 0,666 A.

2.6 Deslocamento de fontes ideais


Etn certas situações especiais de análise, pode ocorrer a necessidade de representar numa
rede todos os geradores na mes1na forma (ou Thévenin ou Norton). Se, nesse contexto, algu1n
dos geradores da rede for ideal de fonna não apropriada, a adaptação dele à fonna desejada
não pode ser feita somente com base nas transformações apresentadas na Seção 2.5, sendo ne-
cessário recorrer a um artificio adicional.
Um modo de enfrentar uma situação desse tipo é através de um deslocamento de .fonte ideal,
por 1neio do qual são obtidos geradores reais, nos quais as transfonnações referidas são possíveis.

Deslocamento de fonte ideal de tensão


Considere, como ilustrado na Figura 2.13a, que entre os nós a e a' de uma ceita rede exista
so1nente um gerador ideal de tensão e que ao nó a' convirja1n outros ramos co,n apenas ele-
1nentos passivos.

b e, R .
'1
1+ b
L
.
e, es 12

a I+ e a I+ e
a'
e
es 13
d 1+ 1
(
.d
(a) (b)

Figura 2. 13 Modelos equivalentes de deslocamento de fonte ideal de tensão.


24 Análise de Circuitos Elétricos

De acordo com a 2ª lei de Kirchhoff, representada por (2.2) decorrem

vha =es + Ri1


(2.21)

Essas mesmas equações são obtidas no esquema da Figura 2.13b. Além disso, a corrente
que chega ao nó a nos dois casos é t1 + i 2 + t3. Assim as duas forn1as são equivalentes para o
resto da rede.

Deslocamento de fonte ideal de corrente


Considere que o ramo entre os nós a e d de u1na certa rede seja constituído por apenas um
gerador ideal de corrente e que entre estes mesmos nós exista u,n outro percurso fonnado por
apenas ramos passivos, como mostrado na Figura 2.14a.

a d
a d
....-'t"----t (

e
b e
(a) (b)

Figura 2.14 Modelos equivalentes de deslocamento de fonte ideal de corrente.

Se,n diticuldades, verifica-se que para o resto da rede o esque,na 1nostrado na Figura 2. 14b
é equivalente ao esquema dado, já que continua saindo corrente is do nó d e chegando corrente
is ao nó a e nos de,nais nós as correntes de fontes se anulam, não interferindo no resto da rede.

2. 7 Indutância mútua
Até aqui só foram vistos casos em que o par tensão-corrente nos terminais de um bipolo
era suficiente para caracterizá-lo. Isso ocorreu para os elementos concentrados. Existem, po-
rém, situações e,n

que dois bipolos interagem entre si e podem ainda ser tratadas pela Teoria
dos Circuitos. E o caso, por exemplo, de dois enrola1nentos acoplados magneticamente: uma
variação de corrente num deles induz uma tensão no outro (lei de Faraday). As polaridades
corretas, que dependem de for,nas geométricas e relações entre os enrolamentos, são indica-
das num desenho esquemático por meio de convenções. Assitn, uma marca (em geral um
ponto) é colocada em um terrninal de cada enrola,nento de tal maneira que u,n auniento da
Leis de Kirchhoff e Associações de Bipolos 25

corrente que entra num termjnal marcado induz uma tensão positiva no outro tern1inal 1narca-
do. A Figura 2.15a ilustra essa situação.
Nessa figura, supondo linearidade e invariância no tempo, afeni que aparece nos tenninais
da direita representada pela tensão eni vazio ou em aberto es2(t) é dada por

di1 (t) (2.22)


e5?(t)=+M ,
- dt
onde M representa a indutância mútua (ou rnútua indutância) e e1n 1neios lineares é tal que
M
2
= k li L2
2
corn lkl < l, (2.23)
onde k representa o coeficiente de acoplamento.
i1(t) ~ i2(t) i1(t) es,(t) e. 2(t)
~~> ' ' +<~ -~>.-<B>- .--<-+ >-e<
• • ,

(a) Modelo com marcas de polaridade (b) Modelo com geradores vinculados

Figura 2.15 Enrolamentos com indutância mútua.

Se aos terminais da direita for ligada uma carga requerendo corrente, a tensão v 2(t) nesses
tenninais será inferior a e52(t) pois essa corrente provocará urna queda de tensão em L2. Al.ém
disso, a tensão nos terminais da esquerda estará sujeita à ação de uma/em e51 (t)

di2 (t) (2.24)


esl (!) = +M '
dt
em adição algébrica àquela do gerador. Nesse caso, a representação co1n geradores vinculados
da Figura 2.15b pode ser 1nuito conveniente para a análise.

Exemplo 2.6
No circuito da Figura 2.16, dados L1 = 4 H, M = 2 H, is(t) = 5t, ache:
(a) v 1(t);
(b) v2 (t).
26 Análise de Circuitos Elétricos

M
{'\

• ,,. '
1,
t vi L, r

.....
~L2
~
Vz


Figura 2.16 Exemplo 2.6.

Solução:

( a) v1 = Li -dis = 4 x 5 = 20 V. ;
dt

(b) v., = -M dis = -2 x 5 = -1 O V .


- dt

Transformador ideal
Considere novamente as indutâncias acopladas 1nagneticamente confor1ne ilustrado na Fi-
gura 2. 15.
Se o coeficiente de acopla1nento for unitário, isto é, se lvf = ~ L1Li , o 1nodelo co1n gera-
dores vinculados passa a ser aquele mostrado na Figura 2.17a, do qual se obtê1n através das
leis de Kirchhoff, sen1 dificuldade,

(2.25)

- ~r
V2 -
r di,
'1 ""2 -
dt
r -di2 -Jt2
+ ""2
dt
- -
L1
[r
1-
di1 + '\JVL
dt
.1.,I .1.,2 -
di2] •
dt
(2.26)

E1n consequência, a comparação de (2.26) com (2.25) dá a relação entre as tensões nos
dois indutores com acoplamento unitário, isto é,

(2.27)
Leis de Kirchhoff e Associações de Bipolos 27

~L 1L1di/dt ~L 1L 1di1/dt
il '1 11 Í2
), +- -+ < ), <

v, Li L2 Vl
Jf·1
11 Vl

(a) Modelo com geradores de Thévenin (b) Modelo com geradores de Norton

Figura 2. 17 Indutores com acoplamento unitário.

Por outro lado, combinando-se as equações (2.18), (2.22) e (2.24), pode-se representar o
mesmo acoplamento através de geradores vinculados na forma de Norton, confor1ne ilustrado
na Figura 2.17b.
De modo geral, a relação entre as correntes i 1(t) e i2(t) depende das respectivas tensões
v 1(t) e v2(t). Entretanto, se l 1 e L2 tenderem a infinito mantendo a respectiva relação entre
eles, l I e l 2 na Figura 2. 17 b são substituídos por circuitos abertos e vale a relação

i1 ~ (2.28)
- = - -=-a.
l2 li
Diz-se, então, que os enrolamentos constituem um transformador ideal, representado na
Figura 2.18.
'1 ideal '2
> <

VI
• • V2
v=a
1
v2

'1
-. = - a
'2

1:a
Figura 2.18 Transformador ideal.

E1n síntese, un1 transformador ideal é um caso-limite de interação entre dois enrola1nentos
acoplados magneticamente co1n coeficiente de acoplamento unitário e Cltjas indutâncias ten-
dem a infinito, co1n a relação entre elas sendo mantida.
Para concluir, deve-se registrar uma observação importante: num transformador ideal a po-
tência instantânea recebida por este é nula (ou, e1n outras palavras, a potência inserida a cada
instante num acesso sai ao mesmo tempo pelo outro), pois
P, (/) + P2 (t) = v, (t)i, (t) + V2 (t)i2 (t) = Ü . (2.29)

2.8 Amplificador operacional


Os geradores vinculados são usados extensamente no modelamento de componentes ele-
trônicos ativos lineares. Não cabe, neste ponto, detalhar esses modelos (alguns dos quais so-
28 Análise de Circuitos Elétricos

fisticados). Vale a pena, no entanto, apresentar o amplificador operacional, designado popu-


larmente como amp-op, já que sua representação é extreman1ente si1nples e o leitor poderá
ver nele uma aplicação prática de fonte controlada.
O amplificador operacional é representado em termos esquemáticos pelo simbolo da Figu-
ra 2.19a e funcionahnente equivale ao gerador vinculado da Figura 2.19b .


+ µv•

-- •
(a) Símbolo esquemático (b) Gerador vinculado

Figura 2.19 Amplificador operacional.

Exemplo 2.7
No circuito da Figura 2.20a, o amp-op é ideal (µ, = oo). Mostre que nessa condição v 0 (t)
é uma integral do sinal vs(t).

e R CD e
R
Vs v. v.,
+
.-..+ i Vo

--
_l_
-- -- ...t
-- -- ...t
--
(a) (b)

Figura 2.20 Exemplo 2.7.

Solução:
A análise é feita sobre a Figura 2.20b.
A aplicação da 1ª lei de Kirchhoff ao nó 1 dá

Sendo ve = - vJµ, então


Leis de Kirchhoff e Associações de Bipolos 29

Quando µ =oo ( na prática l 04 a 105) e v O se mantêtn dentro de ordern de grandeza


aproximada à de vs, resulta

ou

e o circuito age como um integrador.

..,. Visto que, quandoµ== resulta ve = O, a presença de um amp-op i :leal num


circuito pode ser tratada de acordo com as regras práticas:
Regra 1. A diferença de tensão entre os terminais de entrada de ur 1 amp-op ideal é
zero;
Regra 2. Não há corrente para dentro do amp-op através de seus term nais de entrada .

..,. Com essas regras, a aplicação da 1ª lei de Kirchhoff ao terminal (- do amp-op no


Exemplo 2.7 daria diretamente

(vs - 0) +C d(v0 -0) =O


R dt '
simplificando a análise.
..,. Os amplificadores operacionais, assim como outros dispositivos e etrônicos,
saturam e cortam, isto é, o sinal de saída não ultrapassa, respecth amente, níveis
máximo e mínimo, independentemente do sinal de entrada. O cor ,portamento do
dispositivo nessas regiões é então não-linear. Assim, no exemplo lo integrador
apresentado, para um sinal contínuo na entrada, a tensão de saídé não crescerá
(negativa ou positivamente) com taxa constante indefinidamente, nas tende ao
corte ou à saturação.

2.9 Dualidade
O leitor atento certamente já percebeu, e1n algumas das expressões 1nate1náticas apresen-
tadas, que a identidade de formalismo entre certos pares de expressões é muito grande, apesar
de os símbolos envolvidos serem diferentes.
A propriedade pela qual configurações diferentes são equacionadas através de procedimen-
to fonnal semelhante é chamada de dualidade, e os termos que são correspondentes são cha-
1nados de duais.
30 Análise de Circuitos Elétricos

Dos conceitos já definidos, percebe-se que são termos duais:

tensão <=} corrente


carga elétrica <=} fluxo concatenado
resistência <=} condutância
indutância <=} capacitância
circuito aberto <=} curto-circuito
' .
serie <=} paralelo
nó <=} laço

Oportunamente, outras relações duais serão definidas.


Como exemplo de configurações duais, co1npare a aplicação das leis de Kirchhoff às Figu-
ras 2.2 la e b.

'1-;
e,

(a) (b)

Figura 2.21 Configurações duais.

A 2ª lei aplicada à Figura 2.21a conduz a


dil .
v=e -L -Rzp
s dt '
e a 1ª lei aplicada à Figura 2.21 b conduz a
. . dvc
z = is - C - Gva .
dt
Está claro que de uma equação passa-se à outra, aplicando-se as regras acima, co1n a ma-
nutenção dos rnesnios valores e expressões numéricos, somente havendo troca de unidades.
Por exemplo, se e5 = 10 cos 3t V e R =4 Q, numa equação, então is= 10 cos 3t A e G =4 S,
na outra, e assim por diante.
Leis de Kirchhoff e Associações de Bipolos 31

Problemas propostos
P2. I A Figura 2.22 representa um.a parte de uma rede elétrica. Num dado instante, o an1perô1netro A e
o voltômetro2 V1 indicam 3 A e -4 V, respectivamente. Quanto indica o voltômetro V1?
20
A
+

+ +

Figura 2.22 Problema P2.1.

Resposta: 2 V.
P2.2 Detennine o gerador equivalente de Norton ao circuito da Figura 2.23. (Sugestão: Faça ini-
cialmente un1 deslocamento da fonte ideal de tensão.)
20

12V

+ -

Figura 2.23 Problema P2.2.

Resposta: U1na fonte ideal de corrente de 0,6 A (orientada para baixo) e1n paralelo com
uma condutância de O, 15 S.
P2.3 No circuito da Figura 2.24, aplique as leis de Kirchhoff e escreva a equação que relaciona ia v.

....
V '+"
- .,
'-
10 o
e;;.
0,05F

Figura 2.24 Problema P2.3.

Resposta: O, 1v + O, 05dvldt =i.

2. Amperômetro (ou amperímetro) é um aparelho destinado à medida de correntes em amperes, e o


voltômetro (ou voltí1netro) mede tensões em volts.
32 Análise de Circuitos Elétricos

P2.4 No circuito da Figura 2.25, cotn es (t) = 4 cos 2t V, sabe-se que a potência instantânea re-
cebida pelo bipolo é dada por
p(t) = 6(cos2t)(sin2t)+3sin2 2t W.
Pede-se:
(a) A corrente ib(t) através do bipolo;
(b) Um modelo para o bipolo co1n os valores dos elementos.
i(t) ib(t)

e,(t) t'+"'
-,
2F
i l. i(t)
8
bipolo
'-

Figura 2.25 Problema P2.4.

Respostas: (a) i6 (t) = 2 sin 2t.


(b) Dado que a tensão resultante no bipolo é v6 (t) = 3 cos 2t + 1, 5 sin 2t, isto
é, com uma parcela proporcional à corrente e outra parcela proporcional à deri-
vada da corrente no bipolo, isso sugere a associação e1n série de um resistor de
0,75 Q e um indutor de 0,75 H.
P2.5 No circuito da Figura 2.26, co1n M = L1L2 , determ ine: J
(a) A taxa de variação da corrente i 2(t) con1 o secundário em curto [ou seja, com v2(t) = O].
(b) A tensão v2 (t) com o secundário em aberto [ou seja, cotn i 2(t) =O].
R1 i 1(t) M i2(t)
.-..J 1, - - - - , i - - , í"\ ~<-
• •
e(t) j

Figura 2.26 Problema P2.5.

Respostas:

(b) V 1.
2 '2 =0
=N2 E!!_.
R1 dt
CAPITULO

r
Funções de Excitação
' e Formas de Onda

este capítulo, são apresentadas as principais funções temporais ou formas


N de onda de excitações utilizadas na análise de circuitos lineares. Também
é mostrado co1no uma função tetnporal periódica genérica pode ser desenvolvida
etn série de Fourier.

3.1 Introdução
Até aqui, os circuitos fora,n tratados de forn,a geral, tanto na fonnulação dos problemas
co1no na apresentação dos rnétodos de análise. Mestno em aplicações apresentadas e1n exem-
plos, foram usadas as mais diversas formas de expressões .matemáticas de tensões e correntes,
procurando-se deixar claro que os métodos de análise e soluções obtidas independem do tipo
de excitação.
Nos capítulos que se segue1n, será mostrado, e1n uma série de aplicações, que detennina-
dos tipos de excitação implicam simplificação da análise.
Como preân,bulo a esse escopo, será feita neste capítulo uma apresentação sistemática de
diversos tipos de excitação, com suas descrições mate1náticas e respectivas formas de onda.

3.2 Excitação contínua


Geradores com.fen1 es(t) ou corrente de curto-circuito is(t) constantes, em qualquer instan-
te (-oo < t < +oo), são chamados geradores de excitação contínua, isto é, geradores de tensão
~antinua ou de corrente contínua.
Nutn circuito excitado por geradores desse tipo, todas as tensões e correntes serão constan-
tes e diz-se que ele está em regime estacionário.
34 Análise de Circuitos Elétricos

3. 3 Excitação degrau
São excitações degrau aquelas representadas .matematicamente por meio da função de-
grau unitário u(•), onde o argumento(•) representa uma função temporal. [O shnbolo H(• ),
em homenagem ao seu introdutor, O. Heaviside, também é utilizado muitas vezes, mas tem a
desvantagem de desobedecer à convenção adotada de simbolizar funções te,nporais co,n le-
tras 1ninúsculas.] Por definição, ela é nula para argumento negativo e assume valor constante
para argumento positivo:
para /(t) < O
u[f(t)] = {~ (3.1)
para /'(t) > O.
Para t =O, a função degrau não é definida (ou é definida de várias 1naneiras).
Alguns exemplos de função degrau podem ser vistos na Figura 3.1.

3
l
2
2 t
1 2 3 l
-1
1 2 3 t
l 2 3 4 t
(a) 211(1) (b) - 11(t - 2) (e) 311(4 - t)
Figura 3.1 Funções degrau com amplitudes e argumentos diferentes.

li- A função u(t) é adimensional. Portanto, o fator multiplicador tem é s dimensões da


grandeza a ser representada.
li- Um degrau de tensão pode ser realizado através da montagem da Figura 3.2a. A
comutação em t = t0 é realizada por uma chave BBM (do inglês bn ak-before-make),
que desconecta a carga do curto-circuito antes de ligá-la ao gerad >r ideal de tensão.
li- Um degrau de corrente pode ser realizado através da montagem e a Figura 3.2b. A
comutação em t = t0 é realizada por uma chave MBB (do inglês make- 'Jefore-break), que
conecta o gerador ideal de corrente à carga antes de desligá-lo do , urto-circuito.

t=to

E+ ---
1 · ',, ~ •

(a) Eu(t - to) (b) Ju(t - t0)

Figura 3.2 Realizações físicas de excitações degrau.


Funções de Excitação e Formas de Onda 35

- Exemplo 3.1
Utilizando funções degrau unitário, represente 1natematica1nente:
(a) Um pulso de amplitude 3 dentro do intervalo -2 < t < 4 e nulo fora do intervalo.
(b) Uma função permanentemente unitária, exceto no intervalo -2 < t < 4.
(c) Uma escada que sobe Yi unidade a cada acréscimo de 2 unidades no tempo, partin-
do de t = O.
Solução:
(a) 3[u(t + 2) - u(t- 4)).
(b) l[u(-2- t) + u(t-4)].
(c) Yi[u(t) + u(t- 2) + ... + u(t - 2i) + ...).

3.4 Excitação rampa unitária


Esse tipo de excitação é representado por rneio do emprego de uma função rampa unitá-
ria r(t- t 0) definida por

para < t0
r(t-t0 )={t -Ot para
l
l > t0 .
(3.2)
0

A Figura 3.3 ilustra uma rampa unitária.

Figura 3.3 Rampa unitária r(t - t 0 ).

3.5 Excitação pulso unitário e excitação impulsiva


O pulso unitário ou pulso de área unitária p"(t - t 0) é detinido por

o para t < t0
(3.3)
p 0 (l-l0 )= l i a para lo < t < lo + a
O para l > t0 + a.

A Figura 3.4a ilustra um pulso unitário.


36 Análise de Circuitos Elétricos

Se num pulso unitário a tender a zero, é obtido no limite u1n impulso unitário ou função
delta unitária Ó(t - t0). Isto é,

ó(t-t0 )= {
o para t cJ; t0 (3.4)
indefinido para t = t 0

rto+;ó(t-to)dt = 1
J,o-.,
para qualquer ; > O. (3.5)

onde (3.5) significa que a área compreendida pela curva é unitária. Uma vez que no limite a
amplitude da função delta tende a infinito, o gráfico da função é sitnbolicamente representado
por uma flecha, ladeada por um número ou parâmetro igual à sua área.
A Figura 3.4b ilustra uma função delta unitária.

lia. -----....,....-- 1

to 'º +a. t
o t

(a) Pulso unitário Pa. (t - t0) (b) Impulso unitário ó(t - t0)

Figura 3.4 Pulso e impulso unitários .

..,. As funções pulso e impulso unitários têm dimensão de inverso de tempo ao passo
que a função rampa unitária tem dimensão de tempo. (A função d igrau unitário,
como já observado, é adimensional.)
IIJ- Embora uma prova rigorosa seja difícil, é fácil compreender intuiti ,amente que a
seqüência das funções r(t -t0), u(t -t0) e ~t -t0) apresenta cada una delas como a
derivada da anterior ou, inversamente, cada uma das funções é a ntegral da que a
segue.
..,. A função delta permite a amostragem de uma função f(t) num ins· :1nte de tempo t 0 ,
isto é, permite obter o valor f(t0). De fato, através de (3.5) pode-se :alcular

J: f(t)ó(t - t0 )dt = f(t0 ) f:::: ó(t - t0 )dt = f(t 0 ) , (3.6)

pois ô(t - t 0) = O, para t:;, t0. Essa propriedade é conhecida como t, orema da
amostragem.
Funções de Excitação e Formas de Onda 37

Exemplo 3.2
No capacitor inicialmente descarregado da Figura 3.5a é aplicada a tensão v(t) mostra-
da na Figura 3.5b. Calcule e esboce a corrente i(t).

i(t)
v(t)
> i(t)

E-+----, CE
v(t) +

'º t
-CE
(8) (b) (e)

Figura 3.5 Exemplo 3.2.

Solução:
Dado que a tensão pode ser representada por
v(t) = E[u(t) - u(t- to)]

e a corrente i(t) no capacitor é C vezes a derivada da tensão, resulta a expressão

i(t) = CE[~t) - ~t- to)],

representada na Figura 3.5c.


Fisicamente, isso significa que no instante t = O é jogada instantaneame.nte u1na carga
elétrica Q = CE no terminal (+) do capacitor [e uma carga -Q no tern1inal (-)] e em
t = 10 a mesma carga é retirada, também instantaneamente.

3.6 Excitação exponencial


U1na excitação exponencial e(t) é definida por
e(t) = Eest (3.7)

onde E e s são constantes. Se E e s forem reais e s = - o; com O'> O, então a exponencial é de-
~rescente do tipo 1nostrado na Figura 3.6a. Neste caso, O'é chamada deji·eqüência neperiana

e o seu inverso,

r = l ia, (3.8)

é a constante de tempo da exponencial.


38 Análise de Circuitos Elétricos

U1n dado curioso, obtido através da interpretação geo1nétrica da derivada, é que a tangente
a qualquer ponto da curva representativa da função intercepta o eixo t num instante posterior
t + ~ como ilustra a Figura 3.6a.
Observa-se também que no fim de qualquer intervalo de tempo igual a -ra exponencial de-
crescente reduz-se a 1/e ou 36,8% do valor no início deste. Assim, após um intervalo de 4-r a
exponencial reduz-se a 1,8% do valor inicial.
e(t)

E
1
1
1
1
1
1

t
o 2,: 3t
t

(a) Função exponencial e(t)


Figura 3.6 Exponenciais decrescentes.

Por questões de realidade física, restringe-se a exponencial a valores finitos, isto é, come-
çando a exponencial decrescente em algum instante de tempo 10 > -oo.
A representação matemática, neste caso, é
f{t) = e(t - t0 )u(t - t0 ) = Ee-qt - to)u(t - 1 ) (3.9)
0
e a representação gráfica está ilustrada na Figura 3.6b.

~ A função exponencial leva a unidade de sua amplitude E. Já as constantes s e a têm


dimensão de inverso de tempo.

Exemplo 3.3
O indutor da Figura 3.7a é percorrido pela corrente i(t) mostrada na Figura 3.7b. Calcu-
le e esboce a tensão v(t).
i(t) i(t)
> e---, v(t)

l -+--,
v(t) t

1
to t
- a LI
(a) (b) (e)

Figura 3.7 Exemplo 3.3.


Funções de Excitação e Formas de Onda 39

Solução:
Dado que a corrente pode ser representada por

i(t) = J[u(t0 - t) + e-<Xt - to)u(t - t0 ) ]

e a tensão v(t) no indutor é L vezes a deridada da corrente que o atravessa, resulta

ou

v(t) = --<J'Lfe-fÁ..t - to)u(t- t0 ),


.
pois

dado que e-<Xt- to)= 1 em t = t0 e /i..t-10 ) [que é igual a /i..t0 - t)] só é diferente de zero
em t = t0 .
O gráfico da resposta está representado na Figura 3.7c.

llo- As funções impulsivas apareceram nas derivadas pois a corrente , le excitação foi
aqui composta matematicamente como a soma de duas funções t uncadas. O
resultado seria o mesmo se fosse observado diretamente na Figur 1 3.7b que a
corrente é contínua e sua derivada para t < t0 é nula e para t > t 0 é igua a -o e-o(t - tol.

3. 7 Excitação co-senoidal
As excitações co-senoidais (ou senoidais) são extensa1nente utilizadas nos circuitos elétri-
cos, seja por praticidade operacional nos siste,nas de potência, seja pela possibilidade de sin-
tetizar excitações periódicas não convencionais através de séries de Fourier. Dado o grande
interesse nelas, vários capítulos deste texto serão dedicados ao assunto e técnicas especiais de
tratamento matemático das equações de análise serão desenvolvidas.
Por enquanto é suficiente dizer que as excitações co-senoidais pode1n ser descritas por
e(t) = E111 cos (wt + fJ), (3.10)

onde E,n (real e positivo) é a a,nplitude da co-senóide, w(real) é afi·eqüência angular 1nedida
em radianos por segundo (rad/s), &(real) é a/ase 1nedida em radianos.
Valem, também, as relações:

W= 21tf= 21t/T, (3.11)

onde j' (real) é a .freqüência medida em hertz (Hz) e T é o período da co-senóide 1nedido em
segundos.
40 Análise de Circuitos Elétricos

A Figura 3.8 apresenta co-senóides com tàses diferentes.

t t

- Em

(a) Fase f) = n/4 (bl Fase f) = - n/2


Figura 3.8 Excitações co-senoidais.

Exemplo 3.4
O circuito RL da Figura 3.9a é percorrido há ,nuito tempo pela corrente
i(t) = 4 cos (31 + 7d3) mostrada na f igura 3.9b. Calcule e esboce a tensão v(t) nos ex-
tremos da associação.
v(t)
i(t)
) i(t)
4 30
R=3!l
v(t)

- n/6 t - TC/6 t
L = 2H
-4 - 30
(a) (b) (e)

Figura 3.9 Exemplo 3.4.

Solução:
A tensão v(t) é a soma das tensões em R e e,n L, isto é,
. di(t)
V(t) = Ri(t) + L '
dt
que, com os dados do proble1na, resulta
v(t) = (3 x 4) cos (31 + Jd3) - (2 x 4 x 3) sin (3t + Jd3).

Essa é a solução do problerna, ,nas, desejando-se uma forma n1ais compacta, escreve-se

1 2
v(t) = 12-J1 + 22 cos (3t + n/3) - sin (3t + 1Z"l 3)
-J1+22 -J1+22
Funções de Excitação e Formas de Onda 41

e daí

v(t) = 12.Js cos (3t + n-/3 + ~),

onde

1 2
=sin- =tan- 1 2=1,JJrad .
,,/1 + 22
Assim,
v(t) = 26,83 cos (3t + Jd3 + 1, 11) = 26,83 cos (3t + 2,16).

O gráfico da resposta está representado na Figura 3.9c.

..,. Num circuito excitado por uma fonte co-senoidal (ou senoidal), a resp ,stapermanente
(isto é, aquela que ocorre devido a uma excitação existente há mu to tempo) tem a
mesma freqüência que a excitação .
..,. Num circuito indutivo, diz-se que a corrente está atrasada em rela, ão à tensão, pois
a primeira repete, instantes depois (com amplitude apropriada), a· orma de onda
co-senoidal da tensão.

3 .8 Excitação periódica e séries de Fourier


Na Teoria dos Circuitos é bastante freqüente o e1nprego de excitações periódicas, nem
setnpre co-senoidais (ou senoidais). A Figura 3.10 ilustra alguns exemplos de funções perió-
dicas onde T representa o período da função.

1- T -i

~ T -j

t
o rr.12 1t t

(a) Co-senóide (b) "Dente-de-serra"

Figura 3.10 Excitações periódicas.

Com exceção da co-senóide, que possui urna expressão maternática 1nuito simples, outras
funções periódicas requerem um fonnalismo rnatemático mais sofisticado.
U1na maneira formalmente sin1ples de representar uma função e(t), definida no intervalo
O< t < T, que se repete continua1nente é compô-la como um somatório de funções
e(t- iT){u(t- iT)- u[t- (i + l)T ]}, (3.12)
42 Análise de Circuitos Elétricos

que são não-nulas so1nente no intervalo iT < t < (i + l)T, com i inteiro. Cada intervalo se ooinporta,
então, como uma janela no ten1po através das quais o sinal é sucessivan1ente repetido.
O inconveniente desse modo de representação é que as descontinuidades nos extre1nos dos inter-
valos de um período precisam ser cuidadosamente interpretadas, como foi feito no Exemplo 3.3.
Outro modo de representação de funções periódicas é através das séries de Fourier, apre-
sentadas a seguir.

Séries de Fourier
As séries de Fourier, apesar de terem um fundamento teórico tnais complicado que o mo-
delo citado, apresentam a vantagem de serem funções facilmente diferenciáveis e integráveis,
termo a termo, e de serem computáveis com calculadoras programáveis.
Fourier demonstrou que u,na função periódica e(t) de período T pode ser representada co-
1no uma série de termos em seno e co-seno, como
A oo oo
L
e(t) = .....Q.. + Ak cos kOJol + L Bk sin kOJ0t ,
(3.13)
2 k=l k=l

onde

0
Ak = -2 f.11 + r e(t) cos kOJ0 t dt (k = 0,1,2, ...) (3.14)
T o

2 f.10+ 7' .
(k = 1,2,...) , (3.15)
Bk = - e(t) s1n kOJol dt
T to

onde Ak e Bk são chamados de coeficientes de Fourier.


Nessas expressões, % = 27lfT é chamada de fi·eqüência fi1nda111ental da for1na de onda pe-
riódica e(t) de período T, enquanto kq, é a sua k-ésilna harmônica.

Exemplo 3.5
Desenvolva em série de Fourier a função periódica e(t) representada na Figura 3.11.

e(t)
E

-T O T/6 T t

Figura 3.11 Exemplo 3.5.


Funções de Excitação e Formas de Onda 43

Solução:
Fazendo-se uso de (3 .14) e (3 .15), obtêm-se
_ 2 rTl 6E
Ak - -J1 cos k21C _2E
- / d /- - T rT/6 k21! d(k21!
J1 cos - t - t)
T o T T 2nk o T T '
donde
r=T/ 6 E
. k-
s1n 21!
1
. k. -1!
==- Sln
T r=O
,rk 3

e, do mesrno modo,

Bk ==--
E
cosk - t
21& t=T/ 6 E [
== 1&k 1-cos kf .
J
1&k T ,-o
O valor de Ao pode ser calculado diretamente a partir de (3.14), dando
A 0 == E/3.

Note que Ao é o caso-limite de Ak com k ~ O, dado que

. A • E . k1& E • sin k1&13 E


11m k == 111n -s1n- ==- 1nn --
k"'O k"'O 1&k 3 3 k"'O k1&/ 3 3 '

. • s1nx
pois 11m == 1.
x"'O X
Finalmente, tàzendo-se uso de (3.13)

e(t)==E -+-
1
l . k1& l ""
21! l ""
L
-s1n-cos k - t +- - L l(1- cos-
k1&) s1n
. k-
27&t .
6 1& k=I k 3 T 1& k=I k 3 T

..,. O " dente-de-serra" da Figura 3.10b, usando o desenvolvimento ac ma, pode ser
expresso por

E E"" 1. 21&
" dente-de-serra" = - --I: - sm k - t.
2 1& k=l k T
O " seno retificado", ou EmIsin 2t J, da Figura 3.10c pode ser expre ;so por

E111 .
1 S111 2t I = 1 f,
4E111 [ -- ,L., 1 COS 4kt ] .
1& 2 k=I 4k 2 -1
..,. Muitos manuais apresentam funções periódicas desenvolvidas en séries de Fourier.
Um deles é de GIACOLETIO, L. J . Electronics designers' handbool '. 2! ed. New York:
McGraw-Hill, 1977. Sec. 1.4.
44 Análise de Circuitos Elétricos

.,. As integrações deAk e Bk nem sempre são fáceis de ser calculadas a1 aliticamente.
Contudo, sempre pode-se recorrer a integrações numéricas realizé jas por
computador.

3.9 Valor médio de uma forma de onda periódica


O valor 1nédio de uma função periódica e(t) no intervalo de um período T é dado por

Eméd = -l J,'º+ T e(t)dt (3.16)


T 'º
e independe do valor de t0 .
Esse valor é igual àquele de Aof2 obtido através do desenvolvi1nento da função e(t) e1n sé-
rie de Fourier e é, 1nuitas vezes, chamado de componente contínuo da forma de onda.
O conhecimento do valor médio ou componente contínuo de u1na fonna de onda periódica
é importante em retificadores de tensão, ern certos aparelhos de rnedida, nas correntes de
magnetização de transformadores etc.
Por exemplo, para uma onda senoidal retificada de amplitude Em, como aquela da Figura
3.10c, o valor médio vale

2 (3.17)
Eméd =- Em ·
1t

3.1 O Valor eficaz de uma função periódica


O valor eficaz de urna função periódica e(t) no intervalo de um período T é dado por

(3.18)
E .r = -1 f to+T e2(I )d.l
eJ T to

e independe do valor de t0 •
O conhecitnento do valor eficaz é importante em sistemas de potência. De fato, suponha
que um resistor R submetido a urna tensão v(t) seja percorrido por uma corrente i(t) [entre os
quais são válidas as relações (1.7)] e cuja potência instantânea recebida seja, segundo (1.8),

2 2 (1.8)
p(t) = Ri (t) = ..!_ v (t).
R
Sendo as funções periódicas, a potência média num período T é

P _ 1 J,t0 +T p ( t )dt -_ R -1 J,t0 +T l.2(t )dt -_ -


'd - -
1 J,t0 +T V 2(t )dt
l -
me T to T to RT to
Funções de Excitação e Formas de Onda 45

e assi1n, segundo (3.18), resulta

2
Pméd = RIef l v2
= - ef '
R
que é igual à potência dissipada no resistor R por grandezas contínuas de mesmo valor nu1né-
rico, ou seja, por uma tensão contínua V= Vele uma corrente contínua I = lef·

.,. O valor eficaz é também chamado, impropriamente, de valor rms do inglês


root-mean-square - raiz da média dos quadrados).

Valor eficaz de uma forma de onda em função dos coeficientes de


Fourier
Nu1n desenvolvimento de urna fonna de onda (função temporal) e(t) em série de Fourier,
aparecem termos e1n seno e em co-seno. Assim, ao elevar-se essa série ao quadrado para cal-
cular-se o valor eficaz, aparece1n termos em cos-cos, cos-sin, sin-cos e sin-sin, que são

1[ .
cos J. -1
2JC 2,c
cos k-1 2,c . 2,c ]
= - cos (; - k ) - t + cos (j + k )-1 ,
T T 2 T T

. . 27C
Stn J-1
. T
2JC
cos k -
T
t=-
2
. <J- k) -t+sin
1 [ s1n 2JC
T
.
0. + k) -
2JCt ]
T

. k -2JC t=-
. . -2JC t s,n
s1n; . k) -2JC t-cos (j + k) -2,r t ] .
1 [ cos (;-
T T 2 T T

Se j "# k, é evidente que todos os termos acima voltam a assumir o mesmo valor depois de
decorrido um lapso de tempo igual a Te, portanto, a integral desses tennos efetuada sobre um
período é igual a zero.
Se j = k, as três possibilidades acÍlna passam a ser, respectiva,nente,
2
COS
2 2
k " t = _!. [ } + COS 2k JC
T 2 T
t] ,
. k-
s1n 2JCt cos k21& 1 [ s1n
- t =- 21& ]
• 2k-l
T T 2 T

e
46 Análise de Circuitos Elétricos

Nesse caso, a presença das parcelas constantes faz com que son1ente sobrem, na integral
da função desenvolvida em série, parcelas do tipo

-1 f.'o+T A2k cos2k - l J,'o+T-Ai [l +cos


2trt. dt=- 2k -
2trt] dt =Ai
-
T 10 T T 10 2 T 2

1 f.io+T 8 k2 SJO
-
7' 10 T
1 f.'o+T -B} .. -
. 2 k -2tr t. dt_- -
T 10 2
[i COS 2tr! ] d ! -
2k -
T
_ Bi
-.
2

Assitn, em decorrência de (3 .18), o valor eficaz de uma forma de onda expandida em série
co1no em (3.13) é

(3.19)

No caso de uma forma de onda co-senoidal (ou senoidal) de amplitude Em, o valor eficaz é
dado por

(3.20)

Exemplo 3.6
Calcule o valor eficaz da forma de onda representada na Figura 3.11 através dos coefi-
cientes de Fourier.
Solução:
Aplicando-se em (3.19) os coeficientes de Fourier calculados no Exemplo 3.5, tem-se
2 2 -
Eef = -·
1 (E/3)
+ -
(E) L°" 1 . 2 .í'i °"
2k s,n k- +
2"

L _!_(1 - cos k .í'3i ) ,


2 2 í'i k=I 3 k=I k 2
- "

Os somatórios internos podem ser 1nanipulados, dando


00 00 2 00 00 00
1
--L'. 1 ,.) .
L'. 1 . 2 7< L'. l ( 1-cosk-
2k s1n k-+ 2
,.) = L'. 2 ( 1-cosk-
2
,.) =2 ( L'.
2
-cosk-
2
k=I 3 k=J k 3 k=I k 3 k= I k k =I k 3

Os últitnos somatórios são séries clássicas encontradas e1n tnanuais como, por exem-
plo, MANGULIS, V. Handbook of series for scientists and engineers. Nev, York:
Academic Press, 1965:
Funções de Excitação e Formas de Onda 47

A partir daí, chega-se sem dificuldade a

E .J6E
Ee.r = .J6 6

• Neste caso em que a função só assume valores constantes, E e O, § muito mais


simples o cálculo direto da definição, ou seja,

_
Eef -
1 rTl 6E2 _, _
T Jo ut -
1 E2
T t 116

o
=t= ~E.

• A comparação analítica do valor eficaz entre os dois métodos de e !llculo só foi


possível, neste caso, porque já havia expressões analíticas dos co, ,ficientes de
Fourier (e e(t) era uma função simples]. Para funções temporais (fc rmas de onda)
não convencionais, as soluções numéricas são preferíveis (ou talv iz sejam as únicas
possíveis).

Problemas propostos
P3.1 A função f(t) representada na Figura 3 .12 é dada por um trecho de co-senóide no intervalo
O::; t $ T/2 e nula fora dele.
Escreva uma expressão analítica para a função.
f(t)

T/2
t

Figura 3.12 Problema P3.1.

Resposta: .f(t) = [u(t)-u(t-T/2)] cos t/ T.


P3.2 Fazendo uso das funções apresentadas neste capítulo:
(a) Escreva uma expressão analítica para a função f(t), indicada na Figura 3.13.
(b) Determine a expressão analítica de sua derivada.
48 Análise de Circuitos Elétricos

f(t)
3 -------...-----.

o l 2 t

Figura 3.13 Problema P3.2.

Respostas: (a) /(t) = t[u(t)-u(t-1)] + 3u(t- l)-3u(t-2);


(b) df (t)!dt = u(t)-u(t-1) + 2(1 -1)- 3(t- 2).
P3.3 A tensão nos tenninais de u1n capacitor de 3 F é dada por
o para t < O
v= 5cos21lt para O< t < O, 25
5 cos(21lt + 7!) para t ;?: O, 25
conforme representação gráfica mostrada na Figura 3.14.
Determine:
(a) Uma expressão analítica para v.
(b) A corrente através do capacitor, usando a convenção do receptor.
V

0,25 t

Figura 3.14 Problema P3.3.

Respostas: (a) v = 5 cos 21lt ·[u(t)- 2u(t - O, 25)];


(b) i = -30nsin 21lt ·[u(t) - 2u(t -0, 25)] + 15ô(t).
P3.4 A tensão num indutor de 2 H é dada por
v(t) = 2 cos 2t [u(t -1ll 4)- u(t - n')] + ô(t - ,ri4).
Determine a corrente nesse indutor supondo-o inicialmente desenergizado.
. {º'
Resposta: , =
O
5 sin 21 para n/4 < t < 1l
para os outros t
Funções de Excitação e Formas de Onda 49

P3.5 Deterrnine a expressão analítica em série de Fourier da função "dente-de-serra" ilustrada na


Figura 3.15.

j{t)

/i
••• 1
1
1
•••
1
1

o T t

Figura 3.15 Problema P3.5.

Resposta: f(t) = E [..!..-


2
f
k=I kK
2
....!....sin k " ,] .
T
P3.6 Para a função e(t) = E111 lsin 2tl , ilustrada na Figura 3.16:
(a) Ache sua expressão ern desenvolvimento em série de Fourier;
(b) Determine seu valor eficaz.

e(t)

••• •••
o TC/2 1C t
Figura 3.16 Problema P3.6.

00

Respostas: (a) e(t) = 4E [ -J -


111
L : COS k4Kt] ;
1C 2 k =I 4k -1
(b) Ecf =FlE 111 l 2.
Página em branco
CAPÍTULO

~ . Métodos de Análise
-J de Circuitos

este capítulo, são apresentados métodos que, aplicados às leis de


N Kirchhoff, racionalizam a análise de circuitos. São vistas a análise
de 1nalhas, a análise de laços, a análise nodal e a análise nodal 1nodificada,
além de técnicas de partição de redes pelo uso dos teore1nas de Thévenin e
de Norton. O resultado da análise é a obtenção de uma equação
i11tegro-diferencial relacionando variáveis incógnitas (chamadas de
respostas) a funções dadas (chatnadas de excitações).

4.1 Introdução
A análise de um circuito consiste e1n determinar (ou obter equações que pennita1n deter-
1ninar) as correntes e tensões em todos os ramos deste. As leis de Kirchhoff, apresentadas no
capítulo anterior, aliadas às relações entre tensão e corrente nos bipolos do circuito consti-
tuem-se em ferramentas essenciais à análise desejada. Entretanto, se escrever todas essas rela-
ções resulta num esforço desnecessário dada a redundância de infonnações, por outro lado a
omissão de algu1nas equações pode implicar a impossibi lidade de resolver o problema.
Neste capítulo serão apresentados métodos que, aplicados a equações específicas resultan-
tes das leis de Kirchhoff e das características dos bipolos, permitem, de torma siste1nática, ob-
terem-se equações (etn geral integro-diferenciais) relacionando tensões e correntes incógnitas
nos ra1nos (chamadas de respostas) a tensões e correntes de geradores independentes (chama-
das de excitações).
A fim de tornar o formalis1no das equações mais simples, a apresentação desses métodos
será precedida pela introdução de alguns operadores úteis a esse propósito.

O operador p
O uso da si1nbologia tradicional para representar as operações de derivação e de integração
1nostra-se bastante inconveniente na escrita de u1n conjunto de equações integro-diferenciais,
por ser difícil não só a composição gráfica como també1n a manipulação dessas equações para
sua resolução.
52 Análise de Circuitos Elétricos

A notação fica consideravelmente 1nais simples se for adotado o operador p (para alguns
autores, D) para representar a operação de derivada em relação ao tempo, isto é,
d
p=-
dt
ou px(t) = dt ·dx(t) (4.1)

e
11
d" ( ) _d x(t) (4.2)
p/1 =dt" ou p 11
X l =
dt"
.

De modo análogo,

1 p -1 -=
-=-
p
f' d 'f ou 1
-x(t)
p =f' -oo
x( r)di:.
-<X>
(4.3)
Evidentemente, as leis de u1na álgebra operacional baseada nessa notação devem respeitar
as regras do cálculo diferencial e integral. Por exemplo,
2
p[JJx(t)]=-p x(t), p(~x(t))=-x(t) e pK=-0, (4.4)

onde K é uma constante.

Impedância e admitância operacionais


A aplicação do operador p às relações de tensão e corrente em resistores, capacitores e in-
dutores detinidas e1n (1.7), (1.9) e (1.11) resulta, respectivamente, nas equações (4.5), (4.6) e
(4.7), abaixo

(4.5)

1 (4.6)
vc (t) =- - ic (t) ic (t) =- Cpvc (t) ,
Cp

vl (t) =- Lpil (t) il (t) =--};vl (t), (4.7)

ou, em geral,
v(t) =- Z(p)i(t) i(t) =- Y(p)v(t). (4.8)

estas últimas referidas como lei de Ohm generalizada.


As grandezas R, l/Cp e Lp são as chamadas iJnpedâncias operacionais de R, C e L, respec-
tivamente, e 1/R, Cp e 1/Lp, suas admitâncias operacionais. O símbolo Z(p) representa uma
impedância genérica e Y( p) representa uma admitância genérica.
Métodos de Análise de Circuitos 53

Assi1n,

(4.9)

1 (4.10)
Zc (p)= - Yc (P) =Cp,
Cp

1 (4.11)
Zt (P) =Lp YL(p)=-.
Lp

Exemplo 4.1
Suponha que um gerador de/em e,,(t), u,n indutor L, um resistor R e um capacitor C es-
tejam ligados em série forn1ando um laço percorrido pela corrente i(t). Escreva as
equações do laço:
(a) Com a notação tradicional.
(b) Com o operador p.
(c) Co1n as impedâncias operacionais.
Solução:
(a) A aplicação da 2ª Jei de Kirchhoff à associação resulta em:
1
L di(t) +Ri(t)+_!_f i('r)d'r=es(t).
dt e~
(b) O uso do operador p na equação acima resulta em:

Lpi(t) + Ri(t) + ~ i(t) = es (t) .


Cp

(c) Finalmente, com as impedâncias operacionais

ou

Z(p)i(t) = es (t) ,

onde Z(p) = Zt (p) + ZR (p) + Zc (p) = Lp + R + 1/Cp.


54 Análise de Circuitos Elétricos

4.2 Análise de malhas


O método de análise de malhas será o primeiro método de análise apresentado. Ele tem
co1no limitação o fato de que as malhas só são totalmente definidas em desenhos esquemáti-
cos planares, isto é, desenhos que não apresentam cruzamento de ra1nos (ou, pelo 1nenos, que
possrun ser redesenhados sem cruzamento de ramos). Por outro lado, por fazer uso de gerado-
res de tensão (de co,npreensão tisica muito acessível) e permitir que indutâncias co,n acopla-
1nento 1nútuo seja,n tratadas diretamente, esse 1nétodo é ,nuito usado e,n certas aplicações.
A análise de ,nalhas, como qualquer outra 1netodologia, deve seguir algumas regras para
se tornar exeqüível. Os passos indicados a seguir são gerais, mas para que possam ser mais
bem acompanhados serão aplicados ao circuito exe1nplificado na Figura 4.1 a, na qual só cons-
ta1n fontes independentes de tensão (ou transformáveis nesse tipo de fonte). Com pequenas
adaptações, as regras aplicam-se ta1nbém a fontes ideais de corrente e a geradores vinculados,
como será explicado gradualmente e1n destaques especiais.

. Z1is1
'si '-X
,li

~ js 'z
Zs Zs
z6
'-.X

~
z6 es4

(a) Esquema original (b) Esquema adaptado à análise

Figura 4.1 Aplicação de análise de malhas a um circuito.

Passo 1: Len1bre-se de que u1na malha é u,n percurso fechado que não conté1n ra,nos em
seu interior. Verifique, pois, se o desenho não contém superposições de ran1os. Se houver
superposições (Figura 4. la), tente outra disposição dos elementos para eliminá-las (Figura
4.lb); se isso não for possível o 1nétodo não é aplicável.
Passo 2: Coloque todos os geradores na forma equivalente de Thévenin, usando as rela-
ções apropriadas da Seção 2.5. Seguindo essa orientação, acompanhe as transformações da
Figura 4.1 a para a Figura 4.1 b.
Passo 3: Para todos os elementos passivos atribua u1na corrente de ramo jk(t) e uma tensão
de ramo vk(t), relacionadas entre si pela impedância operacional do ra1no, isto é,

vk (t) = zk (p)jk (t) . (4.12)


Métodos de Análise de Circuitos 55

Passo 4: Aplique a 2ª lei de Kirchho:ff (lei das tensões) a todas as 1nalhas do desenho, so-
mando as quedas de tensão co1n 1nesmo sentido de percurso e1n todas as 1nalhas (por
exemplo, o sentido horário). As fem dos geradores equivalentes podem ser computadas no
membro da direita (com o sinal trocado). No esquema da Figura 4.1 b isso daria:

malha 1:

malha 2:
malha 3:

Passo 5: Atribua a cada malha uma corrente fictícia 0(t), co1n 1nesmo sentido de percurso
do passo 4. Assim, as correntes de ramo jk(t) serão genericamente expressas con10 a dife-
rença de duas corrente de malha, ou seja,Jk(t) = i;(t) - 0(t), e as tensões de cada ramo k po-
dem, então, ser escritas (co1n notação compactada)

Nos ramos internos do desenho i; e 0são não-nulos; nos ramos externos i; ou ~ são nulos.
Assim, no esque1na da Figura 4. lb têm-se

malha l: -21(O-i1) + Z 2(i1 -i2 )-Z5 (i3 -i1) = Z1is 1,

malha 2 : -Z2(i1 -i2)-Z6(0 - i2) + Z4(i2 - i3) =es4'


malha 3: +Z3(i3 - 0)+Z5 (i3 - i 1) - Z4 (i2 - i3 )= - es 4 ·

Passo 6: Reordene as equações de malha de 1nodo que seja1n colocadas en1 evidência as
correntes fictícias. No mes1no exemplo:

1nalha l :
malha 2 :
malha 3:

ou, em notação matricial,

Z1 +Z2 + Zs -Z2 -Zs 11 z, isl


.
-Z2 Z2 +Z4 +z6 -Z4 12 es4
. '
-Zs -Z4 Z3 +Z4 + Zs 13 -es4
56 Análise de Circuitos Elétricos

que te.m a forma


Z(p)i(t) = es(t), (4.13)

onde Z(p) é a niatriz das impedâncias operacionais de malha, i(ü é o vetor das correntes
de malha e es(t) é o vetor das /em dos geradores equivalentes.
Sumário: Na ausência de geradores vinculados e fontes ideais de corrente, as equações de
malha pode1n ser escritas e1n fonna matricial da seguinte maneira:
• Os termos da diagonal principal da matriz das impedâncias operacionais de malha
Z;;(P) correspondem à so1na das impedâncias operacionais de todos os bipolos passi-
vos pertencentes à malhai.
• Os termos fora da diagonal Zü(p) correspondem ao negativo da impedância opera-
cional do bipolo comu1n às malhas i e j .
• O vetor das correntes de malha conté1n todas as correntes de malha definidas no
mes,no sentido de percurso.
• Os elementos do vetor das /em dos geradores equivalentes e8 ; corresponde1n à soma
algébrica das /em encontradas ao longo da malha i, tendo sinal positivo aquelas nas
quais a corrente de malha correspondente sai pelo terminal positivo do gerador e ten-
do sinal negativo aquelas nas quais essa corrente entra pelo terminal positivo.

Exemplo 4.2
Para o circuito da Figura 4.2a:
(a) Escreva as equações de análise de malhas em forma matricial.
(b) Reduza o sistema para u,na equação integro-diferencial emj1(t).
R C A ZR Zc A ZL2

jl )1
es . . i2
+ Lz 1' '• e, + '• + Zl2is
Li Zr.•

B B
(a) Esquema original (b) Esquema adaptado à análise

Figura 4.2 Exemplo 4.2.

Solução:
(a) O esque1na original é adaptado à análise na Figura 4.2b. Usando-se aí o caminho
indicado no sumário anterior, escreven1-se as equações 1natriciais
Métodos de Análise de Circuitos 57

(b) Resolvendo-se por regra de Cramer, resulta

- ZLi ZR + ZLi
. . . -Zriis Zr1 + Zr 2 + Zc -Zr1
li =li -12 =-------------------
ZR + zll -Zri

ou

Explicitando-se nas impedâncias operacionais o operador p , resulta

que, em termos da simbologia do cálculo diferencial e integral, resulta


2
L 1.L2d ji(t)
., + 1n(L 1+ L .,)dji(t) +-11
Li . () Rf, li. (7:)d7:-
t +- -L ., de_r(t) +-
1 f' e. (7:)di-+ RL ., d~v(t) ·
d,-
' '
- dt e e- - d1 e - ·- - dt
... Essa equação permite o cálculo dej1(t) em função das excitações. Sua resolução,
no entanto, depende de técnicas que serão apresentadas mais tan e e também do
conhecimento explícito das funções de excitação.
... A corrente que atravessa o capacitor C nas Figuras 4.2a e b é a mesm, , ou seja, i2. Já a
corrente que atravessa o indutor L2 é diferente nas duas figuras; a equ valência dos
geradores só assegura a igualdade do par tensão-corrente entre os te111inaisA-B.

Análise de malhas com fontes controladas e indutâncias mútuas


Os passos descritos para escrever as equações de malhas aplicam-se também a fontes de
tensão controladas por corrente [ou que possa1n ser assim apresentadas através das relações
( 4.8)], estendendo as regras resu,nidas apresentadas no sumário anterior.
Para tanto, basta no passo 6 incluir provisoria,nente a fonte controlada por correntes de
malha dentro do vetor das jé,n das fontes independentes. Como o tenno com a fonte controla-
da depende das correntes de ,nalha, ele deve depois ser levado para dentro da matriz das im-
pedâncias operacionais. Observe que najàse provisória a matriz das impedâncias é simétrica
quando construída de acordo com as regras práticas do sumário, 1nas, depois de incluir o efei-
to da fonte controlada, a matriz não é mais necessariamente simétrica.
58 Análise de Circuitos Elétricos

O efeito de indutâncias mútuas é naturalmente levado em conta através de fontes controla-


das equivalentes.

Exemplo 4.3
No circuito representado na Figura 4.3a:
(a) Escreva as equações de análise de 1nalha.
(b) Expresse a correntejc no capacitor C e1n fw,ção das correntes de malha.

lc •
Z1.,2
~-e


(a) Esquema original (b) Esquema adaptado à análise

Figura 4.3 Exemplo 4.3.

Solução:
(a) No esquema adaptado da Figura 4.3b, escrevem-se pri1neiro as equações e1n forma
matricial de acordo co1n o sumário anterior, juntando-se provisoriamente as fem
das fontes controladas co1n as das fontes independentes, isto é,

Trazendo-se os tennos incógnitos da direita para dentro da matriz das impedâncias operacio-
nais, resulta

Zc + ZR1 + ZL1+ /JZc


[ ZM
(b) Da Figura 4.3a,
Jc = /3.jRl - i1 =/J(-i1 )- Ít =-(/J + })i1 ·

Malhas com geradores ideais de corrente


Corno já foi observado, os geradores ideais de corrente apresentam uma i1npedância ope-
racional infinita (ou adrnitância operacional nula) e, portanto, não apresentam gerador equiva-
lente na forma de Thévenin. Desse modo, o roteiro acitna apresentado não se presta diretamente
a essa situação e são necessárias adaptações.
Métodos de Análise de Circuitos 59

Se o gerador ideal de corrente pertencer a um ramo externo, a corrente do ramo é uma cor-
rente de malha e esta deixa de ser incógnita, simplificando o proble1na.
Se o gerador ideal de corrente pertencer a u1n ramo interno, a corrente do gerador é a dife-
rença de duas correntes de malha, o que nos traz u1n dado a mais. Por outro lado, a tensão vg
nos terminais desse gerador é desconhecida, o que nos traz uma incógnita a mais. Nesse caso,
também se podem adotar as regras do sumário anterior, com as seguintes adaptações:
• Inclui-se provisoriamente a tensão (incógnita) da fonte ideal de corrente dentro do vetor
das fern das fontes independentes. Remanejam-se depois as equações para levar essa
tensão para junto das outras incógnitas.
• Inclui-se mais uma equação expressando a corrente do gerador ideal como a diferença de
duas correntes de malha.

Exemplo 4.4
No circuito representado na Figura 4.4, escreva as equações de análise de n1alhas.

e,1 + ,, t + es2

Figura 4.4 Exemplo 4.4.

Solução:
Escrevem-se primeiramente as equações de malha como se a tensão vg (incógnita) do
gerador de corrente fosse dada, isto é,

Reescrevendo-se esse sistema com vg levado à esquerda e acrescentando-se is como


diferença de i2 e i 1, obtém-se
.
R, o l li es,
.
o R2 - l 12 - es2

-1 1 o Vg

Is

Observe que, depois do remanejamento, a matriz quadrada deixa de ter todos os seus
termos com a mesma dimensão.
60 Análise de Circuitos Elétricos

4.3 Análise de laços


O método de análise de laços é uma generalização da análise de .malhas e pode apresentar
vantagens e desvantagens em relação a esta última.
Para que o leitor possa acompanhar melhor as diferenças, o roteiro de análise será baseado
na Figura 4.5a, que apresenta o mesmo esque1na original da Figura 4.1 a.

e
'I

(a) Esquema original (b) Esquema adaptado à análise

Figura 4.5 Aplicação de análise de laços.

Passo 1: Coloque todos os geradores na forma equivalente de Thévenin, usando as rela-


ções apropriadas da Seção 2.5. Seguindo essa orientação, aco1npanhe as transfonnações da
Figura 4.Sa para a Figura 4.Sb.
Passo 2: Para todos os elementos passivos atribua uma corrente de ramo jk(t) e uma tensão
de ramo vk(t), relacionadas entre si pela impedância operacional do ra1no, isto é,

vk (t):;:: z k (p)jk (t) .

Passo 3: Defina os laços do circuito em seqüência, de modo que cada novo laço escolhido
inclua pelo menos um ramo do circuito não incluído nos laços já definidos. Na Figura
4.5b, o laço 1 inclui os elementos externos no desenho, o laço 2 inclui o ramo novo 5
(além dos ramos 1 e 2, já incluídos) e o laço 3 inclui o ramo novo 6 (além dos ramos 2 e 4,
já incluídos).
Passo 4: Oriente os laços e aplique a 2ª lei de Kirchhoff (lei das tensões) a todos os laços
do desenho, somando as quedas de tensão com 1nes1no sentido de orientação dos laços. As
/em dos geradores equivalentes podem ser computadas no rne1nbro da direita (com o sinal
trocado).
Métodos de Análise de Circuitos 61

No esquema da Figura 4.Sb isso daria

laço 1:

laço 2:

laço 3:

Passo 5: Atribua a cada laço un1a corrente fictícia ~1(t), com 1nesn10 sentido de orientação
do passo 4. Assim, as correntes de ramo jk(t) serão genericamente expressas como uma
soma algébrica de correntes fictícias de laço (segundo a Iª lei de Kirchhoft). Então, no es-
quema da Figura 4.Sb têm-se

laço 1: +Z1(i1 -i2)-Z3(-i1)+Z4(i1-i3)-Z2(-i1 +i2 +i3)=-Z1is1 +es4,


laço 2: - Z1(i1 - i 2 )+Z2 (- i1+i2 +i3 ) - Z5 (- i2 )=Z1is 1,
laço 3: +Z2 (-i1 + i 2 + i3)- Z4 (i1 -iJ) + Z6(i3) = -es4 •

Passo 6: Reordene as equações de laço de ,nodo que seja1n colocadas em evidência as cor-
rentes fictícias. No 1nesmo exe1nplo

laço 1:

laço 2: -(Z1 + Z 2 )i1 +(Z1 +Z2 +Z5 )i2 +Z2i3 = Z 1i81,


laço 3: -(Z2 + Z4)i1 +Z2 i2 +(Z2 + Z4 + Z6 )i3 = - es 4,

ou, e1n notação 1natricial,


Z1+Z2 +Z3 +Z4 -(Z1 + Z2) - (Z2 + Z4) l1 - Z1is1 + es4
.
- (Z1 + Z2) Z1 +Z2 +Z5 Z2 '2 - Z1is1
. '
- (Z2 +Z4) Z2 Z2 +Z4 +Z6 l3 - es4

que tem a forma

Z(p )i(t) = es (t ),

onde Z( p) é a matriz das bnpedâncias operacionais de laços, i(t) é o vetor das correntes
de laços e es(t) é o vetor das feni dos geradores equivalentes.
62 Análise de Circuitos Elétricos

Sumário: Na ausência de geradores vinculados e fontes ideais de corrente, as equações de


laços podem ser escritas na forn1a 1natricial da seguinte maneira:
• Os termos da diagonal principal da matriz das impedâncias operacionais de laços
Zu(P) correspondem à so1na das impedâncias operacionais de todos os bipolos passi-
vos pertencentes ao laço i.
• Os termos fora da diagonal ZiJ(p) correspondem à so1na das i1npedâncias operacio-
nais dos bipolos comu1n aos laços i e j levada à matriz com sinal positivo se as cor-
rentes fictícias tiverem sentidos concordantes nos ramos, e co1n sinal negativo em
caso contrário.
• O vetor das correntes de 1nalha contém todas as correntes de laços.
• Os elementos do vetor das /em dos geradores equivalentes es; corresponde1n à soma
algébrica das /em encontradas ao longo do laço i, tendo sinal positivo aquelas nas
quais a corrente de laço correspondente sai pelo terminal positivo do gerador e tendo
sinal negativo aquelas nas quais essa corrente entra pelo tenninal positivo.

._. Por receitas semelhantes à análise de malhas, a análise de laços i: )de ser aplicada
também a circuitos com geradores vinculados e geradores ideais , le corrente.
._. Pela explicação acima, é evidente que a análise de laços tem grau de I berdade maior
que a análise de malhas e se, por um lado, presta-se até a esquerr 35 elétricos não
planares, por outro lado, tem aplicação prática mais complicada (é menos que possa
recair numa análise de malhas). Dadas suas limitações práticas, a 1nálise de laços é
pouco usada em sua plenitude e para circuitos não planares tem-f :i preferido a
análise nodal, introduzida a seguir.

4.4 Análise nodal


Ao contrário da análise de 1nalhas, o método da análise nodal é bastante geral e aplica-se
ta1nbém a desenhos esquemáticos não planares.
Para a análise nodal será seguida u1na seqüência de passos que, co1.no será visto, guardam
um paralelis1.no ,nuito grande com aqueles vistos na Seção 4.2. Para acompanhá-los o leitor
pode usar o circuito exemplificado na Figura 4.6a. Nessa ilustração, não consta1n fontes ideais
de tensão nem geradores vinculados (ou controlados), cuja inclusão será feita, aqui também
gradualmente, e,n destaques especiais.
Métodos de Análise de Circuitos 63

e2
'.a l.a
~ ~
Y1
j6

e1 Ys
e3
X y6
es3 '/

(a) Esquema original (b) Esquema adaptado à análise

Figura 4.6 Aplicação de análise nodal a um circuito.

Passo 1: Na análise nodal todas as tensões incógnitas tê1n co,no referência o 1nes1no nó,
chamado de nó de referência. O primeiro passo da análise, portanto, é escolher esse nó.
Passo 2: Coloque todos os geradores na forma equivalente de Norton, usando as relações
apropriadas da Seção 2.5. Seguindo essa orientação, acompanhe as transforn1ações da Fi-
gura 4.6a para a Figura 4.6b.
Passo 3: Para todos os elementos passivos atribua uma tensão de rruno vk(t) e u,na corrente
de ramojk(t), relacionadas entre si pela admitância operacional do ra,no, isto é,
(4.1 4)

Passo 4: Aplique a 1ª lei de Kirchhoff (lei das correntes) a todos os nós do desenho (exce-
to o nó de referência), considerando positivas as correntes que saem do nó. As correntes
dos geradores equivalentes pode1n ser computadas no membro da direita com o sinal tro-
cado, isto é, considere positivas as fontes que inserem corrente no nó. No esquema da Fi-
gura 4.6b isso daria
nó 1: j1 - j3 - j 5 =l';e5 3 ,
nó 2: - j1+j2 - j 6 = -is2 ,

nó 3: - j 2 + j 4 + j 5 = is 2 .

Passo 5: Designe como eJ(t) a tensão em cada nó (exceto o de referência) e,n relação ao nó
de referência. Assim, as tensões de ramo vk(t) serão generica,nente expressas co,no a dife-
rença de duas tensões de nó, ou seja, vk(t) = e;(t) - eJ(t), e as correntes de cada ramo k po-
dem, então, ser escritas (com notação compactada)
64 Análise de Circuitos Elétricos

Nos ramos que não converge,n ao nó de referência, e; e eJ são não-nulos; nos ramos que con-
vergem ao nó de referência, e; e eJ são nulos. Assitn, no esquema da Figura 4.6b têm-se:

nó 1: +Jí(e1 -~)-Y:;(O-e1)-Ys(e:,-e1)=Y:ies3 ,

nó 2: -Jí(e1 -e2 ) + Y2 (e1 - e3 ) - ~(O-e2 ) =-is2 ,

nó 3: -Y2(e2 -e3) + Y4 (e3 -0) + Y5(e3 -e1) = i82 .

Passo 6: Reordene as equações de modo que sejam colocadas e,n evidência as tensões no-
dais. No mesmo exemplo

nó 1: (lí + Y:i + Ys )e1 -Jíe2 -Y5e3 = Y3e s3,


nó 2: -Jíe, +(lí + Y2 + ~ )e2 -Y?e-
- .)
= -is 2'
nó 3: -Yse1 -Y2e2 +(Y2 + Y4 + Ys)e3 = is2,

ou, em notação 1natricial,

}í+Y3+Y5 -ií -Y-:, e, Y3es3


-lí fi+Y2+~ -Y2 e2 -- -ls2

. '
-Y, -Y, e:,
)
- Y2+Y4+fs ls2

que tem a forma


Y(JJ)e(t) = is(t), (4.15)

onde Y ( p) é a ,natriz das admitâncias operacionais nodais, e(t) é o vetor das tensões no-
dais e is(t) é o vetor das correntes dos geradores equivalentes.
Sumário: Na ausência de geradores vinculados e fontes ideais de tensão, as equações no-
dais podem ser escritas em forma matricial da seguinte maneira:
• Os tennos da diagonal principal da matriz das admitâncias operacionais nodais Y;;( p)
correspondem à soma das admitâncias operacionais de todos os bipolos passivos que
converge,n ao no' 1..
• Os tennos fora da diagonal YiJ(p) correspondem ao negativo da ad,nitância opera-
cional do bipolo comu1n aos nós i e j.
• O vetor das tensões nodais contém todas as tensões dos nós em relação ao nó de re-
ferência.
Métodos de Análise de Circuitos 65

• Os elementos do vetor das correntes dos geradores equivaJentes is; correspondem à


soma algébrica das correntes dos geradores que converge1n ao nó i, levando sinal po-
sitivo aquelas que entra,n no nó e levando sinal negativo aquelas que sae,n dele.

Exemplo 4.5
Para o circuito da Figura 4.7a:
(a) Escreva as equações de análise nodal na forma matricial.
(b) Reduza o sistema para uma equação integro-diferencial emj 1(t).

R e

J1

e, + t is
1 t) YR YLI yl2
t i,

--
(a) Esquem a original (b) Esquema adaptado à análise

Figura 4.7 Exemplo 4.5.

Solução:
(a) O esque1na original é adaptado à análise na Figura 4.7b. Usando-se aí o ca1ninho
indicado no sumário anterior, escreve1n-se as equações matriciais

(b) Resolvendo-se por regra de Cramer, resulta

YRes -Yc
yll .
ls YL2 +Yc
YR +YL, +Yc -Yc
- Yc YL2 +Yc

ou

. _ Yl1 (Yl2 + Yc )Ynes + Yll Ycis


Ji - YnYL2 + YnYc + 1rl, YL2 + Yl,Yc + 1rl2 Yc

Explicitando-se nas admitâncias operacionais o operador p, obtém-se


66 Análise de Circuitos Elétricos

.
J1 =

que, multiplicando-se nu1nerador e deno1ninador por L1L2Rp/C, dá

que, em tennos da simbologia do cálculo diferencial e integral, resulta


2
L l'-2 d J12(t) + R(L 1+'-2
1_ li . ()l +-Rf, lt. (T)d.T-- L2 de.. (t) + - 1 f, es('í)dT+ Rl 2d~,(t) ·
' -)dj1(t) + -J1
dt dt e e -00 dJ e - oo dt

li- Este exemplo é idêntico ao Exemplo 4.2. Não deve surpreender, p >is, que a solução
seja a mesma, apesar de o método de análise ser outro.

4.5 Análise nodal modificada


Problemas com a inclusão de indutâncias mútuas - que é algo 1nuito natural de ser feito
na análise de 1nalhas (ou de laços) pois expressa-se esse efeito em tennos de geradores de ten-
são controlados por correntes de malha (ou de laços) - tornam-se complicados na análise
nodal clássica, não só por ter-se que transformar previamente os geradores de tensão à forma
de Norton, mas principalmente porque os vínculos de corrente precisam ser transformados,
ta1nbém previamente, em vínculos de tensões nodais.
U1na maneira de administrar os problemas é considerar incógnitas não só as tensões nodais
co1no também correntes em certos ramos particulares. A seqüência de passos a seguir ilustra a
técnica que o leitor poderá acompanhar no circuito exen1plificado na Figura 4.8.
e.,
M
r---,.. , - - - ,

-'-- C


(a) Esquema original (b) Esquema adaptado à análise

Figura 4.8 Aplicação de análise nodal modificada a um circuito.


Métodos de Análise de Circuitos 67

Passo 1: Os geradores na fonna de Thévenin não precisa,n ser convertidos e1n geradores
na forma de Norton. Num único ramo k associe o ele1nento passivo de impedância opera-
cional Zk( p) com a/em esk(t) em série. Coro wna convenção coerente (por exemplo, a con-
venção do receptor), atribua à associação uma corrente de ramo ik(t) e uma tensão de ramo
vk(t) relacionadas entre si através de
(4.16)

Ra1nos desse tipo são chamados de ramos de Thévenin ou ra,nos de impedância e as cor-
rentes ik(t) serão incógnitas do sistema.
Passo 2: Para todos os elementos passivos não associados afe111 atribua uma tensão dera-
mo vk(t) e u1na corrente de ra1no jk(t), relacionadas entre si pela admitância operacional do
ramo, isto é,
(4.17)

Ramos desse tipo são chamados de ramos de Norton ou rarnos de admitância.


Passo 3: O efeito de indutâncias mútuas é naturalmente levado em conta através de fontes
controladas equivalentes. Nessas e em outras fontes controladas, expresse os vínculos de
controle em função das tensões nodais ou das correntes incógnitas. O esquema da Figura
4.8a é redesenhado na Figura 4.8b atendendo aos passos anteriores.
Passo 4: Aplique a 1" lei de Kirchhoff (lei das correntes) a todos os nós do desenho (exce-
to o nó de referência), considerando positivas as correntes que sae,n do nó, seja,n correntes
de ramos de impedância, de ra,nos de adm.itância ou de geradores de corrente (independentes
ou controlados), e negativas em caso contrário. No esquema da Figura 4.8b isso daria

Passo 5: Escolha um nó de referência e designe como e1(t) a tensão de cada um dos outros
nós (convergência de ramos definidos nos passos 1 e 2) em relação a essa referência. As-
sitn, as tensões de ramo vk(t) serão genericamente expressas como a diferença de duas ten-
sões de nó, ou seja vk(t) = e;(t) - e1(t). Dessa forma, as correntes dos ramos k de
ad1nitância, definidos no passo 2, podem então ser escritas (co,n notação compactada):
68 Análise de Circuitos Elétricos

Nos ramos que não converge,n ao nó de referência, e; e eJ são não-nulos; nos ramos que con-
vergem ao nó de referência, e; e eJ são nulos. Assiln, no esquema da Figura 4.8b têm-se

nó 1:

nó 2:
nó 3:

Passo 6: Acrescente a esse conjunto as tensões de ramos de Thévenin, definidas no passo 1,


expressando essas tensões vk(t) como a diferença da duas tensões nodais incógnitas, isto é,
ramo 1:
ramo 2:
ramo 3:

Passo 7: R.eordene as equações de modo que sejam colocadas em evidência as tensões no-
dais e as correntes dos ramos de Thévenin. No exemplo

Yc o o i• -1 - ,8 o o e, o
o o o ' 1 1
1
1 o e2 o
1
o o YR2 o 1 o -1 e3 o
---------~-----------------
-1 l
1

o •• - ZRI o o .
1 li es
'•• .
o 1 o 1
••
o -Zi 1 - z1\,f li o
.
o o -1 ••
o -ZAf -Zr 2 13 o
ou, em tennos dos operadores p ,

Cp o o ! - 1- ,8 1
o o e, o
o o o •• l 1


1 o e2 o
o o 1/ R2 •• o •• o -l ~ o
---------
- l l
--y-----------------
O : -R1 O O • (4. 18)

l1 es
.
o 1 o •' o -Lip -Mp
1
l2 o
.
o o -1 o - 1Vfp -Lzp 13 o

~ As três primeiras linhas de (4.18) correspondem às equações nod, is tradicionais,


interpretadas como se as correntes ik(t) (dos ramos de Thévenin 0 1 de impedância)
fossem provisoriamente consideradas dadas e depois transferidas :>ara o lado das
incógnitas. Já as últimas linhas são relações constitutivas dos ram )S .
Métodos de Análise de Circuitos 69

.,_ No passo 1 foi adotada a convenção do receptor quando a idéia in cial era aplicar
esse modelo a geradores. Na Teoria dos Circuitos é comum adota a convenção do
receptor em especificações genéricas. Nesse caso, por exemplo, s 1 e5 k(t) = O, o
elemento fica totalmente passivo e a convenção permanece válidé .

.,_ Pelo fato de todos os indutores terem sido considerados em ramo ; de Thévenin
ou de impedância, resulta que em (4.18) só aparecem operadores le derivação
(nenhum operador 1/p). Isso é uma vantagem em soluções numér cas, como será
visto adiante.

Exemplo 4.6
Para o circuito da Figura 4.9a:
(a) .Escreva as equações de análise nodal ,nodificada na fonna ,natricial.
(b) Reduza o sistema para u,na equação integro-diferencial en1 i 1(t).

R e

e, + i /+'
\.-
yll y l2
/i '
i 1' 12 '

(a) Esquema original (b) Esquema adaptado à análise

Figura 4.9 Exemplo 4.6.

Solução:
(a) O esque1na original é adaptado à análise na Figura 4.9b. Nessa figura e1nprega1n-se
os passos para a análise e escrevem-se as equações e1n fonna matricial

Yc - Yc 1 o 1 e, o
.
-Yc Yc o 1 o e2 ls

l o - ZL1 o o ,,. o
o 1 o - Z L2 o i2 o
.
1 o o o - ZR l3 es
70 Análise de Circuitos Elétricos

(b) Resolvendo-se por regra de Cramer, resulta

Yc -Yc o o l
.
-Yc Yc ls 1 o
1 o o o o
o 1 o -ZL2 o
l o o -ZR
es
Yc -Yc lo 1
- Yc Yc o 1 o
1 o - Zlt o o
o l o -Zi2 o
l o o o -z,l
ou

Multiplicando-se numerador e denominador por (-1) e explicitando-se nas impedâncias


e admitâncias operacionais o operador p , resulta

. (CJ:.i p 2 + l)es + RCJ:.ip 2is


11 2 2 3
= RClip + R + RCL.ip + CL, l-iP + liP'

que, em tennos da simbologia do cálculo diferencial e integral, dá

..,_ Este exemplo é uma repetição dos exemplos 4.2 e 4.5. Repare qut a divisão por C,
seguida de uma integração, leva à mesma forma deles.

4. 6 Retrospectiva
Nas seções anteriores fora1n apresentados os principais métodos de análise de redes, sobre
os quais cabem algumas apreciações.

Escolha do método
De modo geral, pode-se dizer que a escolha do método depende muito da experiência do
analista, que deverá considerar os pontos positivos e negativos de cada método e saber levá-
los e1n conta no problema proposto. Por exemplo, se uma rede tiver poucos nós e 1nuitas ma.-
lhas, a análise nodal deve, em princípio, ser a escolhida; se, poré1n, houver indutâncias mú-
Métodos de Análise de Circuitos 71

tuas, a análise nodal deverá ser preterida, em favor da análise de malhas ou da análise nodal
1nodificada, e assiln por diante.
Observa-se ta1nbé1n que, alén1 desses métodos básicos, outras técnicas de abordage1n ao
problema de análise (apresentadas, ainda neste capítulo), tais como partição de redes, subs-
tituição de parte da rede por geradores equivalentes de Thévenin ou de Norton, são recursos
que possibilitam tnaior versatilidade ao analista.

Excitações e respostas
Nos exemplos 4.2, 4.5 e 4.6, os geradores independentes es(t) e is(t) são excitações do cir-
cuito. Já a corrente j 1(t) [i 1(t) no Exe1nplo 4.6] é un1a resposta do circuito. Con1 essa concei-
tuação seriam também respostas qualquer tensão e qualquer corrente nos ramos, resultantes
da aplicação dessas excitações ao circuito.
Dado que os modelos utilizados nos exernplos e1npregam bipolos lineares e fixos, as equa-
ções integro-diferenciais, relacionando respostas a excitações, serão tatnbém lineares e fixas.
Aplica-se, então, a elas o princípio da superposição.
Por exemplo, considere desativado o citado gerador es(t), signjficando tornar sua tensão
permanentemente nula, ou seja, substituí-lo por utn curto-circuito. Assi1n, a resposta dj{(t),
que ocorre devjdo somente ao gerador de corrente is(t), seria
2
L 1L ') d J;(t)
') + R(L ,+ L ')) dj((t) +-11
L1 ·"(t ) + -R f' }1·"(-r)d'r -_ RL ') dis (t) .
- d1- - d, e e -00 - dt
Desativando-se o gerador is(t), isto é, substituindo-o por u,n circuito abe,10, a resposta
j((t) , que ocorre devido somente ao gerador de corrente es(t), seria

+
2
L 1L2 d J;(t)R(L L2 ) dJ:(t) +-11
L 1 ·"(t) +-
R f' J·"(1 r)ei.rl -_ L2 des (t) +1-f' es (r)dr.
c1t 2
1+
dt e e -oo dl e -oo

Verifica-se se,n djficuldade que a soma dessas duas equações (dada a linearidade das ope-
rações de derivação e derivação) dá
2
d U; +J~)
dr dU; +1;) L1 ., ., Rft ., ., eles 1
+-U,+11 )+- ()1 +11)d-r=L2---"-+-
J' dis
L1L 2 +R(L 1+L 2)
dt e c -oo dt e _,esd-r+RLi.-,
dt
o que mostra que a resposta a uma soma de excitações é a so,na das respostas às excitações
individuais.

~ Geradores vinculados não podem ser desativados na aplicação de ;te princípio,


pois contribuem para a formação da matriz do sistema (matrizes d 1s impedãncias
operacionais de malha, das admitâncias operacionais nodais etc.).
~ O principio da superposição em circuitos lineares (isto é, formado. por bipolos
lineares) também se aplica a excitações formadas por parcelas mL ltiplicadas por
constantes. A resposta, neste caso, é a soma das respostas a cadê parcela com o
respectivo fator, como pode ser verificado sem dificuldade. Esta o >servação é
particularmente importante no caso de excitações expressas em s. ;ries de Fourier.
72 Análise de Circuitos Elétricos

Dualidade
Cabe também observar que, em decorrência das discussões deste capítulo e da Seção 2.9,
no Capítulo 2, os seguintes termos duais podem ser adicionados à relação apresentada na Se-
ção 2.9:

análise de 1nalhas {=> análise nodal


malha {=> no'
malha (ou laço) externa {=> nó de referência
impedância {=> admitância.

Essa extensão da dualidade é importante, pois, sendo a análise de malhas e a análise nodal
processos duais, alguma observação específica feita para uma dessas técnicas de análise pode
ser automaticamente estendida, por dualidade, para a outra, sem que toda a teoria seja nova-
mente justificada.

4. 7 Partição da rede: Teoremas de Thévenin e de Norton


Se uma rede linear tiver um número de malhas ou nós relativamente grande, pode-se
reparti-la em duas ou mais partes, desde que entre elas não exista outro acoplamento que não
seja um par tensão-corrente, co1no mostrado na Figura 4.10.

_l
-
RedeT
jv Rede2

Figura 4.10 Rede repartida em duas.

O princípio do 1nétodo de partição é simples:


1. Analisa-se a Rede 1, expressando-se i em função de v (se for feita uma análise de 1na-
lhas) ouvem função dei (se for feita uma análise nodal);
2. Analisa-se a Rede 2 da mesma forma e obtém-se um outro vínculo entre i e v;
3. Resolve-se o sistema de equações em v e i;
4. Entra-se co1n os valores obtidos de v e i nas equações da Rede 1 e da Rede 2, que são
resolvidas, então, independente1nente.
O inconveniente desse método é que qualquer alteração numa das redes altera o respectivo vín-
culo entre v e i. Assim, a cada alteração, os itens 3 e 4 precisa1n ser totalmente recalculados.
Se, porém, uma das partes da rede original per1nanecer inalterada pode-se fazer uso do
teorema de Thévenin ou de seu corolário, o teorema de Norton (demonstrados a seguir), e
substituí-la por um gerador equivalente, que se acopla operacionalmente ao resto da rede co-
1no as outras fontes já apresentadas.
Métodos de Análise de Circuitos 73

Teorema de Thévenin
O teorema de Thévenin pode ser assim enunciado:
"Uma rede linear N que, exceto através de dois terminais acessíveis, não tem outros vincu-
los e acoplamentos com o meio externo a ela é equivalente, para efeitos externos, à associação
série de uma rede N0 com uma.fe111 e0 (t), onde N0 é a rede obtida de N inativando-se todos os
seus geradores independentes e e0 (1) é a tensão 1nedida entre os tenninais acessíveis sem liga-
ções externas (em aberto), conforme ilustrado na Figura 4. 1 I ."

Figura 4.11 Circuito equivalente de Thévenin a uma rede linear.

Prova
Para que os circuitos da Figura 4.11 sejam equivalentes para efeito externo, é necessário
que os vínculos tensã~orrente seja1n os mesmos nos dois modelos, quaisquer que sejam as
tensões ou as correntes.
Acompanhe, então, o desdobra1nento da rede ilustrada na Figura 4.12a, que fornece na
saída corrente i(t) [vinculada à tensão v(t)], co,no a so,na das três redes ilustradas nas 'Figuras
4.12b, e e d.

N vj i N je0 + No jov - e0 j+ Nº v'=v i l

eº eº
(a) Rede original (b) (e) (d)

Figura 4.12 Teorema de Thévenin.

As fontes internas estão todas contidas na rede da Figura 4.12b, que apresenta uma tensão
e,n aberto ( ou e,n vazio) igual a e 0 (t).
Na rede da Figura 4.12c, todas as fontes independentes da rede original estão desativadas e
lhe é acrescentada, em série, uma/em e0 (t), co,n a polaridade indicada. Observe que, pelo fato
de não haver corrente através dessa associação, não há queda de tensão na rede N0 e a tensão
que se apresenta nos terminais externos é igual a - e0 (t) .
Para fins externos, os efeitos da superposição das redes das Figuras 4.12a e b se cancelam entre
si, pois essa superposição não fornece corrente (os tern1i.nais estão e1n aberto) e apresenta tensão
nula entre seus terminais [ e0 (t) - e0 (t) ==O]. Seu efeito global pode então ser ignorado.
74 Análise de Circuitos Elétricos

Resta a análise da rede da Figura 4. 12d. Ela inclui: a rede N 0 (pois as fontes independentes
já foram incluídas na Figura 4.12a); um gerador de/em e0 (t) (que compensa aquele incluído
na Figura 4.12b); o gerador de corrente i(t) externo (para igualar-se aos dados originais). A
tensão resultante na sua saída deve ser igual a v(t), já que o efeito global das parcelas anterio-
res não contribui para a tensão entre os terminais externos.
A conclusão é de que para efeito externo, qualquer que seja o par tensão-corrente entre
seus terminais acessíveis, os esque,nas das Figuras 4.12a e d são equivalentes, o que prova o
teore1na.

Exemplo 4.7
Para o circuito da Figura 4.13 :
(a) Substitua toda a rede conectada aos terminais do indutor L1 por um gerador de
Thévenin equivalente a ela.
(b) Acrescente o indutor l 1 ao circuito e resolva-o obtendo lnna equação integro-
diferencial em i 1(t).

R C e, e e2

es + i z.,
es + L2 t is

(a) Esquema original (b) Rede conectada a Ll

Figura 4.1 3 Exemplo 4. 7.

Solução:
(a) No esque,na da rede conectada Li, a tensão nodal e 1 é igual àjem e0 (t) do gerador
equivalente de Thévenin. Das equações nodais do circuito, obté1n-se

1
-+Cp -Cp
R
1
-Cp Cp + - -
liP
Métodos de Análise de Circuitos 75

que, resolvida, dá

es
-Cp
R
• 1
ls Cp+
L2P (Li_Cp 2 + l)es + RL2Cp2is
e0 = e1 = .,...-------------....,. - ')
_1 + Cp - Cp Li.Cp- + RCJJ + 1
R
1
- Cp Cp+ - -,
Li_p

Isso significa, em termos, que e0 (t) deve satisfazer a equação integro-diferencial

Por outro lado, a rede da Figura 4. 13b co,n seus geradores inativados é equivalente ao
esquema da Figura 4.14a, que apresenta uma impedância operacional
-1

1 1 RLi_Cp2 +R
-+----
R lip+ _!_ Li_ Cp2 + RCp + 1 .
Cp

Zeq
e

'> ....
R
- .,.


(a) Rede com geradores inativados (b) Gerador de Thévenin e carga

Figura 4.14 Exemplo 4. 7 (continuação).

Assim, para o gerador de Thévenin equivalente à rede conectada L1 (representado na


Figura 4.14b), tem-se
76 Análise de Circuitos Elétricos

Substituindo-se ai os valores de Zeq(p) e de e0 (t) resulta

de onde se obté1n uma equação diferencial em i 1(t) .

Este exemplo é uma repetição dos Exemplos 4.2, 4.5 e 4.6.

Teorema de Norton
O teorema de Norton é na verdade u1n corolário do teorema de Thévenin e pode ser enun-
ciado do seguinte 1nodo:
" Uma rede linear N que, exceto através de dois terminais acessíveis, não tem outros víncu-
los e acoplamentos com o meio externo a ela é equivalente, para efeitos externos, à associação
paralela de uma rede N0 com um gerador de corrente i0 (t), onde l\70 é a rede obtida de N inati-
vando-se todos os seus geradores independentes e i0 (t) é a corrente medida através de seus
tenninais acessíveis ligados entre si (em curto-circuito), conforme ilustrado na Figura 4.15."

'1 1
No
N t i0 (t) ~
1
1
I
J

Figura 4.15 Circuito equivalente de Norton a uma rede linear.

Prova
A prova deste teorema é feita de modo semelhante, por dualidade, à do teorema de Théve-
nin sem dificuldades.

Exemplo 4.8
Para o circuito da Figura 4.16:
(a) Substitua toda a rede conectada ao indutor L1 por um gerador de Norton equivalen-
te a ela.
(b) Acrescente o indutor L 1 ao circuito e resolva-o obtendo u1na equação integro-
diferencial em j 1(t).
Métodos de Análise de Circuitos 77

R e

e,+
t

(a) Esquema original (b) Rede conectada a L1

Figura 4.16 Exemplo 4.8.

Solução:
(a) No esquema da rede conectada a L1, a diferença das correntes de 1nalha i 1 - i 2 é
igual à corrente de curto-circuito i0 (t) do gerador equiva.lente de No1ion. Das equa-
ções de ,nalha do circuito, obtém-se

que, resolvida, dá

Por outro lado, a rede da Figura 4.16b com seus geradores inativados é equivalente ao
esquema da Figura 4.17a, que apresenta un1a admitância operacional

e
.
• ' 11

R
..._ .....
/i' Yeq
- ,..., ' /

--
(a) Rede com geradores inativados (b) Gerador de Norton e carga

Figura 4.17 Exemplo 4.8 (continuação).


78 Análise de Circuitos Elétricos

Assim, para o gerador de Norton equivalente à rede conectada a L1 (representado na


Figura 4.17b), tem-se

Substituindo-se aí os valores de Yeq(p) e de i 0 (t) resulta

. (Zc+ZL2)es+ZRZL2is
11U)=~~U)= ,
1 Zc + zL2 + zR Y
- ZR (Zc + ZL2) + Ll
YL1 ZR (Zc +ZL2) .

de onde se obté1n

Explicitando-se nas impedâncias operacionais o operador p , obtém-se

que, em tennos da simbologia do cálculo diferencial e integral, resulta


2
DfL L )dj1(t) 4 .() Rft .( :,,,,1 _ , des(t) 1
L 1L 2d J12(t) +n, ,+ 2 + - 11 t +- )1 'r]U:r -LI) +-
J' es ('r')d-r+ RL2dis(t) ·
c1t c1t e c-oo - d, c- 00
dt

"" Este exemplo é uma repetição dos Exemplos 4.2, 4.5, 4.6 e 4.7.

Equivalência entre os geradores de Thévenin e de Norton


Da aplicação do teorema de Thévenin a uma rede linear co1n dois terminais acessíveis re-
sulta o modelo operacional ilustrado na Figura 4. l 8a,, onde Zeq(P) representa a itnpedância
operacional da rede com seus geradores independentes desativados.
Métodos de Análise de Circuitos 79

i(t)
> i(t)
>
' ''
1 ±) v(t)
l>c t Y,p(p) v(t)

(a) Forma de Thévenin (b) Forma de Norton

Figura 4.18 Vínculos externos de geradores equivalentes de Thévenin e de Norton.

Das leis de Kircbhoff generalizadas tem-se

v(t) = e0 (t) - Z eq (p )i(t) . (4.19)

Por outro lado, da aplicação do teorema de Norton à 1nesma rede linear co1n dois terminais
acessíveis resulta o 1nodelo operacional ilustrado na Figura 4.18b, onde Yeq(p) representa a
admitâ.ncia operacional da rede com seus geradores independentes desativados.
Das leis de Kirchhoff generalizadas tem-se

i(t) = i 0 (t) - ~q (p )v(t) . (4.20)

Procedendo-se co1no na Seção 2.5, conclui-se que a equivalência dos 1nodelos i1nplica que

ou (4.21)

pois Yeq(P) e Zeq(P) são operadores recíprocos.


Essas inter-relações permitem que, por exemplo, Yeq(P) ou Zeq(P) sejam calculados não
através de associações de i1npedâncias e admitâncias operacionais, mas, si1n, como um
quociente de correntes de curto-circuito e tensões em aberto (ou vice-versa). Essa
possibilidade pode ser atraente caso a rede substituída possua geradores vinculados.

Exemplo 4.9
Determine os seguintes ele1nentos dos geradores de Théve1ún e Norton equivalentes ao
bipolo da Figura 4.19a:
(a) A corrente de curto-circuito i0 (t).
(b) A tensão em abe1to e0 (t).
(c) A capacitância interna Ceq·
80 Análise de Circuitos Elétricos

11 e1 e
e ;1.(t) e
.
~ ~ \
\
1

e '
Cpe, i'
e .
e.(t) '+'
-,
e t) f3i.(t) F

" ,, iJ f3i. ~1 'º


1
' J
I
1
I
I

(a) Esquema o riginal (b) Cálculo de i 0 (t)

e E1i
'• e•
~
. 1.
. ~

Cpe_, F

'-
i ,,' e e
(J )/3i e e
f3i.

(e) Cálculo de e0 (t) (d) Cálculo de Ceq

Figura 4.19 Exemplo 4.9.

Solução:
(a) A corrente de curto-circuito i 0 (t) é calculada através da tensão nodal e 1 no esquema
da Figura 4.19b, isto é, através do sistema

3Cp

que, resolvido, dá

Cpes /3
Cp 1
es -
Cp (1- f})Cpes
- •
3Cp /3 (3 - /3)
1
I -
Cp

(b) A tensão em aberto e0 (t) é calculada através da tensão nodal e 1 no esquema da Fi-
gura 4.19c, isto é, através do sistema
Métodos de Análise de Circuitos 81

2Cp /3
1 [ ~1 ] =[Cpes] ,
1 l1 es
Cp

que, resolvido, dá

Cpes /3
l
es -Cp
(1- f))es
e0 =e1 = 2Cp - •
/3 (2-/3)
1
1
Cp

(c) Finalmente, a capacitância equivalente Ceq pode ser calculada injetando-se uma
corrente i no nó e 1, no esquema da Figura 4. 19d (que resulta do esque,na original
com os geradores independentes inativados), e calculando-se a admitâJ1cia opera-
cional do bipolo, isto é, através do siste1na

3Cp - Cp /3 e1 o
- Cp Cp o e2 -

l
'
.
l o -l l1 o
Cp

que, resolvido, dá

3Cp o /3
- Cp •
I o
1
1 o
Cp (3 - f))i
ei = -
(2-f))Cp
3Cp -C'p /3
- Cp Cp o
1
l o -
Cp

Daí, a capacitância equivalente


l (2 -/J)C
Ceq = --
pe? (3 -/3)
-
82 Análise de Circuitos Elétricos

Note que este mesmo resultado poderia ter sido obtido relacionando-se direta1nente
i 0 (L) e e0 (l).

4.8 Considerações finais


Com este capítulo encerra-se a parte fundamental da análise, que é relacionar, através de
uma equação integro-diferencial, tensões e correntes e1n detenninados pontos da rede (as
cha1nadas respostas) às fontes de excitação (as chamadas excitações).
O passo seguinte, evidentemente, diz respeito à solução das equações obtidas.
Existem várias técnicas de solução de equações integro-diferenciais, cada u.1na das quais
apresentando vantagens e desvantagens relativas. Os próximos capítulos serão dedicados à
introdução dessas técnicas, o que será feito de 1nodo gradativo de acordo com o grau de com-
plexidade das equações.

Problemas propostos
P4. l No esque1na da Figura 4.20:
(a) Escreva as equações de 1nalha em forma matricial.
(b) Escreva a equação diferencial para i 2.

e l

e,1 + '2

Figura 4.20 Problema P4.1.

Respostas: (a) [(R~;:2) (R2 +R3 +ip+l/Cp)J[::J=[~-J.


(b) [(l+R1/R2 )Lp+(R1 +R3 +R1R3/R2 )+(l+R1/R2 )/C.',o] i2 =es .
P4.2 Dado o circuito da Figura 4.21, escreva as equações de análise de malhas.

'
Ri
~.
'1
e ~
1,

L
0
Figura 4.21 Problema P4.2.
Métodos de Análise de Circuitos 83

(1/Cp+ R1 +Ri) -R1 - Ri o 1, o


Resposta:
-R, (Ri+ R3) o l 12
- o
.
-R2 o (R2 +Lp) -l 13 1, '
o -1 l o V;s o
onde vis é a tensão (com convenção de gerador) no gerador de corrente is-
P4.3 No circuito da Figura 4.22, escreva as equações nodais em fonna matricial.
2A

) ---~
o,5 n

o,o5 n 0,1 n 0,50

--
Figura 4.22 Problema P4.3.

24 -4 O e1 -2
Resposta: -4 J6 -2 e2 - O
O -2 4 e3 2
P4.4 Num circuito com dois nós de tensão, e1 e e2, representado parcialmente na Figura 4 .23, foi
feita uma análise nodal da qual resultaram as seguintes equações:
(4p+5) -(p+S)
- (p+S) (p+l5+2p- 1)
[e, ][ 3]
e2 - O .

Complete o circuito co,n os valores dos ele,nentos.

3A i

Figura 4.23 Problema P4.4.


84 Análise de Circuitos Elétricos

Resposta: Estão faltando no esquema:


l. um capacitor de 1 f entre os nós e 1 e e2, e1n paralelo com o resistor R1;
2. um capacitor de 3 f entre o nó e 1 e o nó de referência;
3. um indutor de 0,5 H entre o nó e 2 e o nó de referência, e1n paralelo com o resistor R2_
P4.5 No circuito da Figura 4.24, considere o amp-op ideal e dete1mine:
(a) As equações nodais.
(b) A equação diferencial da saí.da v2.

_l_ _l_
-- --
Figura 4.24 Problema P4.5.

Respostas: (a) No nó do terminal(-) do amp-op e oo nó 3, têm-se, respectivamente,

_ _!_VI _J_V2 -CI pv3 =Ü


R1 R2

e - C2 pv2 + [ * e·,
+ ( + C2 ) p] v3 = o

ou, etn fonna matricial,


1
Métodos de Análise de Circuitos 85

P4.6 No circuito da Figura 4.25, escreva as equações de análise nodal modificada.


e
,. /Ji
\,--e-~-.--< ~ e2

e., +

--
Figura 4.25 Problema P4.6.

(e'. -es)IR1 +~p(e1 -e2 )+i=O


Resposta: nó 1 ~
{- , + e IR - /31 = O
1 2
nó2 ~Cp(e2 - e1)+/3i +e2!R3 =0
ou, etn fonna matricial,
(l/ R1 +Cp ) - C'p l e, e1/R1
l /R2 o - (1+ /3) e2 - o
.
- Cp (l/R3 +Cp) /3 1 o
P4. 7 Escreva as equações de análise nodal modificada para o circuito da Figura 4.26, onde os !vf;j
representam as indutâncias 1nútuas entre os indutores l i e LJ, respectivamente, co1n as mar-
cas de polaridade indicadas. (Sugestão: substitua inicialtnente as indutâncias mútuas por
fontes controladas.)

11 LI


.
Mr: li ~
M23
D
~M13

L .
e1
12 • 6 e2 6 3 D J3
e3

i,(t) t

--
Figura 4.26 Problema P4. 7.
86 Análise de Circuitos Elétricos

o o o 1 1 o e1 's
o IIR1 o o -1 1 e2 o
o o l /R2 -] o -1 e3 o
Resposta:
1 o -l Li 1\tf12 M1 3 }1 o
1 -1 o M12 L2 -M23 }2 o
o 1 - l M13 -M23 l3 }3 o

P4.8 Determine a tensão V, no circuito da Figura 4.27, por superposição. (Lembrete: o gerador
vinculado não pode ser desativado.)

Resposta: Vl 1=0 = f E; 1
VIE=O= RI assim V = Vl 1=0 VIE=O= E + f +1 RI .

2R

E_+......._
2R
V

Figura 4.27 Problema P4.8.

P4.9 Fazendo uso do teorema de Thévenin (ou de Norton), mostre que os circuitos das Figuras
4.28a e 4.28b são equivalentes para efeito externo.

2F
_ _ ___, 1 - - - - - , r - - - - - - , - - - -----e < 1

1F 1F 4n t 3il V 1F 1n V

'•
(a) (b)

Fi9ura 4.28 Problema P4.9.


Métodos de Análise de Circuitos 87

P4. l O Detenn ine os seguintes ele1nentos dos geradores de Tbévenin e de Norton equivalentes ao
bipolo da Figura 4.29:
(a) A tensão etn aberto.
(b) A corrente de curto-circuito.
(c) A indutância interna.
L ,,

L L
es(t) +
L L

Figura 4.29 Problema P4.1 O.

Respostas: (a) e(tberl(i (t) = e_.12.


. (t) = L1
(b) lcc J'
-<>Q es ( 't')d't'.

(c) L;,, = L/ 2.
Página em branco
CAPÍTULO

,.J

Redes Resistivas

N este capítulo, são ressaltados dois a_sp~ctos _das redes resi.stivas. Um de!es
explora o fato de que, em redes resistivas lineares, os metodos de análise
de redes, apresentados no capítulo anterior, produzem equações algébricas (sem
derivações ou integrações) e, assim, as respostas no circuito são co1nbinações
li11.eares das excitações. O outro refere-se à essência dissipativa da rede,
considerada co1no associação de coJ1versores de energia elétrica enJ calor.
Seguem-se alguns exemplos e aplicações desse tipo de rede.

5.1 Introdução
As redes resistivas lineares são aquelas cujos ramos passivos são constituídos de resistores
lineares e cujas fontes controladas possuem por vínculos parâmetros constantes.
Nessas condições, os métodos de análise do capítulo anterior aplicados a tais redes produ-
zen1 equações algébricas que, resolvidas, apresentatn respostas que são combinações lineares
das excitações.
E1n conseqüência, as redes resistivas encontra1n aplicações não só em circuitos cujas exci-
tações são tensões ou correntes contínuas co1no tatnbém em circuitos CLUas excitações variam
co1n o tempo, mas cujo vínculo de resposta-excitação deve ser u1na constante.

Exemplo 5 . 1
Para o circuito da Figura 5. la:
(a) Escreva as equações de análise de circuitos que seja1n as 1nais si1nples possíveis.
(b) Calcule v(t) e i 1(t).
90 Análise de Circuitos Elétricos

R 2R R 2R R

e,(t) ± +
R t i..(t) e.(t + + Ri.(t)
3v

(a) Esquema original (b) Esquema adaptado à análise

Figura 5.1 Exemplo 5.1.

Solução:
(a) O problema pode ser reduzido a 2 nós [com as transformações de es(t) mais Rede
3v mais R na forma de Norton] ou a 2 1nalhas [com a transformação de is(t) 1nais R
na forma de Thévenin]. E1n face dos dados pedidos, é melhor adaptar o esque1na à
análise de 1nalhas como na Figura 5. lb. Usando aí as regras mostradas no capítulo
anterior, escrevem-se as equações matriciais

ou

[-R -RJ[i
2R 4R
1
i2
]
-
[ es ]
-Ris .

(b) Resolvendo por regra de Cramer, resulta

es -R
. -Ris 4R 4Res-R2 is 2 is
11 = '-----,-c. - =--e . + -
-R -R -4R2 +2R2 R s 2
2R 4R

e daí

IJI. Nas redes resistivas lineares, excitações e respostas estão relacior adas por
constantes. A constante é adimensional se excitação e resposta s~ :> de mesma
natureza. Se a excitação é uma tensão e a resposta é uma corrent, , a constante que
as relaciona tem dimensão de condutância. Se a excitação é uma :orrente e a
resposta é uma tensão, a constante que as relaciona tem dimensã > de resistência.
Redes Resistivas 91

Superposição de efeitos: conversores D/A


U1n bom exen1plo de aplicação de princípio da superposição e1n redes resistivas lineares
são os conversores digital-analógicos (ou conversores DIA), dos quais GJACOLEITO, L. J.
Electronics designers' handbook. 2ª ed. New York: McGraw-Hill, 1977. Sec. 20.12, apre-
senta vários esquemas.
O objetivo de tal conversor é transformar um conjunto de n bits a11 _ 1, an _2, ..., a0 , com ª"
cr; = O ou 1 (i = O, 1, ..., n - 1), representando uma amostra de um número binário

(5. 1)

nu1na tensão proporcional ao número decimal


(5.2)

Considere então o esquema 1nostrado na Figura 5.2a.

R R
ª•- 1 ª·-· eoi

..!. -a,
1
1
-::- ª•-2 1

1
2R RL Vo 1
2• - • - ;R '

v+
..!.
-
-
ªo
1 Req
-- v+
R1 T
1
R,q=R

R1 2• - 1R 1
2•- 1R
ªo
--
..!.
-- -
2•-IR
- 2• - 1R

--
(a) Esquema original (b) Contribuição do bit a1 na saída

Figura 5.2 Conversor D/A.

As chaves 1nostradas são co1nandadas através de u1n processador eletrônico e estão ligadas
ou à fonte de tensão VR ou à rnassa (ou tensão de referência do siste1na), conforme o bit a; da
amostra digital seja, respectivamente, l ou O.
Na Figura 5.2b é mostrada a contribuição isolada do bit a; à tensão de saída do conversor.
O gerador de Thévenin equivalente desse esque1na apresenta u1na resistência interna Req igual
à associação paralela de todos os resistores 2;R, mais o resistor de terminação zn- 1R, isto é,

1 1 l 1 1 1 2 (5.3)
--=-+-+-+···+ +---
Req R 2R 4R 2" - IR 2n - IR R
92 Análise de Circuitos Elétricos

Por outro lado, esse esquema apresenta uma tensão em vazio correspondente a u1n divisor
de tensão, como en1 (2.9), onde R 1 é igual a 211 - 1 - iR e R 2 é a associação de todos os resistores
(como em Req) co1n exceção de R 1, isto é,
l I l 2 l
--------. (5.4)
R2 Req R1 R R1
Então, fazendo-se uso de (2.9), te,n-se
R, I l 2R a;VR
e .= -
(a.Vn)=- (a .V,,)=-(a.VR)= ..
OI R +R I . R 1 1 I " R, I 211 - 2 - 1 (5.5)
J 2 1- +-
R2 R1
Para cada bit a;, o acionamento da chave correspondente fornece na saída do conversor um
gerador de Thévenin equivalente co,n resistência interna R e tensão em aberto e0 ;. Por super-
posição de efeitos, a ação conjunta de vários bits não-nulos equivale a u,n gerador de resistên-
cia interna R e/em e0 , ou seja,
11 - I 11 - I.
a-
eº ="'
;':o eoi-=V"' '
R ;':'"o 211- 2-i
onde a;= O ou 1. (5.6)

Levando-se em conta uma eventual resistência de carga RL, a tensão v0 que se apresenta na
saída do conversor é, então,

_ VR RL ) ( 2 11 - (5.7)
vº -
2 11 -
' R+RL
a,, - ' + 211 - 2 a,, - 2 + ... + 2' a, + 2º ªo ) ,
1

isto é, proporcional a N10 como desejado em (5.2).

5.2 Ouadripolos resistivos; atenuadores


Considere wna rede com um único gerador na qual se deseje conhecer a tensão ou a cor-
rente (ou ambas) nu1n determinado bipolo, como, por exernplo, na Figura 5.3a.
Essa rede pode ser redesenhada de modo a colocar-se de um lado o gerador, do outro lado
a carga e entre eles todo o "resto da rede", corno mostrado na Figura 5.3b. Esse "resto da re-
de" é chamado de quadripolo ou rede com dois acessos, sendo um dos acessos (o de entra-
da) os dois pólos ligados ao gerador e o outro acesso (o de saída) os dois pólos ligados à
carga.
Redes Resistivas 93

r-------------,
1 R4 1
1
1
R3 R3 RI R6 1
RI Rs R1 1 Rs
V 1 V
1
e, + e, + Ri R, 1
1
1
1 quadripolo 1
L---- - - -------1
(a) Esquema original (b) Gerador- quadripolo-carga

Figura 5.3 Ouadripolo resistivo.

Dependendo do enfoque, o quadripolo pode ser:


1. um elo entre o gerador e a carga (Figura 5.4a);
2. associado ao gerador, cujo conjunto se apresenta à carga co,no um novo gerador equi-
valente (Figura 5.4b);
3. associado à carga, cujo conjunto se apresenta ao gerador con10 u,n novo bipolo de car-
ga (Figura 5.4c).

r-----1 r----,
+-_J 1......-,
r 1 r 1"""11111--'
1 í1 ..
-,
e.? 1 1
~
"f
1
1
1
1 1
1 1
1 ~
L
..........
t -+·)
1
1
1
1 +
1 1 "f
\-;, 1 1 1 1 I
-e.._; 1-+e--' 1 1
1,._ _____ ,1
'-ill--1
1.__ ____ 1-.. ...J
__,1

(a) Ouadripolo como elo entre (b) Ouadripolo incorporado ao gerador (e) Ouadripolo incorporado à carga
o gerador e a carga

Figura 5.4 Posições relativas de um quadripolo.

O enfoque aos quadripolos como elos entre geradores e cargas os torna objeto de estudos
1nuito amplos na Teoria dos Circuitos, tanto na análise como na síntese, como será visto em
capítulos posteriores. O objetivo do estudo deste capítulo é muito mais limitado, restringindo-
se a algumas propriedades de quadripolos resistivos.
Nu1n quadripolo resistivo, por natureza dissipativo, a potência que é fornecida à carga, na
saída do quadripolo (Figura 5.4b), é menor que aquela fornecida pelo gerador, na entrada do
quadripolo (Figura 5.4c). O quadripolo funciona, então, como u1n atenuador.
Esta seqüência: geração de potência, perda por transferência e dissipação na carga, 1nerece
ser detalhada, o que é feito no ite1n seguinte.
94 Análise de Circuitos Elétricos

Potências disponível e transferida


Dentro de um esquema gerador-carga ou eventuahnente gerador-quadripolo-carga, o ge-
rador fornece uma determinada potência que depende tanto de características do gerador co-
1no do que está ligado a ele.
Para tornar explícito o problema, considere um gerador representado na forma equivalente
de Thévenin, consistindo e1n u1na .fe,n e0 (t) em série co1n u1na resistência Req• tal co1no na Fi-
gura 5.5, alimentando u1na resistência de carga Rl.

Figura 5.5 Gerador resistivo de Thévenin e carga.

Na malha do esquema, tem-se diretamente

(5.8)

(5.9)

e, daí, a potência instantânea transferida à carga (e dissipada nela)

(5.10)

Sem dificuldade, verifica-se que PL(t) é 1náxima para RL = Req· Nessa condição

e JJL
e;
(t)=4Req
--
(t) (5.11)

Se RL <Req: i1,(t) aumenta; v1,(t) diminui; e p 1,(t) diminui. Se R1, > Re(,: iL(t) di1ninui; vl (t);
aumenta; e PL(t) diJninui. Por essa razão, a potência fornecida à carga na condição RL = Req é
chamada de potência disponível (em inglês available po1ver) do gerador.
De forma análoga, pode-se representar o gerador na forma equivalente de No1ton, consis-
tindo em um gerador de corrente i0 (t) em paralelo com uma resistência Req• tal co1no na Figu-
ra 5.6, alimentando uma resistência de carga RL.
Redes Resistivas 95

Figura 5.6 Gerador resistivo de Norton e carga.

Entre os nós do esquema, têm-se diretamente

(5.12)

(5.13)

e, daí, a potência instantânea transferida à carga (e dissipada nela)

(5.14)

Sem dificuldade, verifica-se que pl(t) é máxima para RL = Req· Nessa condição,

. ()
ll I
i0 (t)
=....a,_2_ e ( ) - R
Pi t - eq
i;(t) · (5.15)
4

Esses resultados poderiam ter sido previstos com a equivalência e0 (t) = Req i0 (t), já que os
1nodelos de Thévenin e de Norton são equivalentes para efeito externo. Assi1n, se RL < Req:
il(t) aumenta; vl(t) diminui; e pl(t) diminui. Se RL > Req: il(t) diminui; vl(t) au1nenta; e PL(t)
diminui.
Já o cálculo da potência dissipada dentro do gerador depende do arranjo físico dos elemen-
tos resistivos (e não de uma resistência equivalente co1n as fontes independentes inativadas) e
é igual à soma dos produtos tensão-corrente em todos os elementos resistivos. Dessa forma,
os 1nodelos de Thévenin e de Norton podem levar a resultados diferentes dos calculados a par-
tir do esquema completo.
96 Análise de Circuitos Elétricos

Exemplo 5.2
Para o circuito da Figura 5. 7a:
(a) Escreva as equações de análise nodal.
(b) Calcule e0 (t), i0 (t) e Req dos geradores equivalentes de Thévenin e Norton à resis-
tência Ri.
(c) Calcule a potência Pi.(t) dissipada e,n Ri através do produto da tensão e corrente
obtidos através do item (a) e depois usando os geradores de Thévenin e Norton
calculados no item (b).
(d) Calcule a potência PG(t) dissipada no circuito ligado aos terminais de RL ·

R
2
t ,, i., t

--
(ai Esquema original (b) Gerador de Thévenin e RL (e) Gerador de Norton e RL

Figura 5.7 Exemplo 5.2.

Solução:
(a) Do esquema da Figura 5.7a te.m-se

Daí,

1
( i+_I
R RL
J
e
Redes Resistivas 97

(b) Sem dificuldades obtêm-se os parâmetros dos geradores de Thévenin e Norton


R . R . 2R .
eo = (e1 - e2 )aberto =- 2i
2 s
--1 = - i
3 S 3 s'

R = R + R = SR
eq 2 3 6

(c) A potência na carga, calculada através das tensões obtidas no item (a) é

O mes1no valor é obtido através do modelo de Thévenin da Figura S.7b, que é

2R.
. ___ 3_'_s- - 4Ris
onde lL - '
RL + Req 6RL + SR

ou através do 1nodelo de Norton da Figura S.7c, que é

onde
98 Análise de Circuitos Elétricos

(d) A potência dissipada no circuito ligado aos terminai.s do resistor RL é a soma das
potências pR/2 e pRJ3, que representarn as potências nos resistores R/2 e R/3, e são
expressas por
2
_ e1 2 _ (
~ 6RL + 3R Ri )2 e ef 3 2RL + 3R Ri )
PRJ 2 - R/2 - R 6RL +SR s Pni 3 = R/3 = R 6Rl +SR s

E' fácil verificar que

ou seja, os modelos de Thévenin e de Norton substituern o circuito original dado para


efeito externo, mas não para efeito interno.

Atenuadores de resistência característica constante


Os atenuadores de resistência característica constante apresentados a seguir são quadri-
polos particulares interessantes utilizados na manipulação de sinais de informação.
Tome como exemplo um quadripolo resistivo " ern TI" entre o gerador, de resistência inter-
na R, e a carga, de resistência também de valor R, co1no mostrado na Figura 5.8.
r---------,

es +
L---------J
Figura 5.8 Quadripolo atenuador.

A análise nodal dá, imediatamente,

l 1 l l
-+-+- -- es (5.16)
R RP Rs Rs
[:: ] = R
I I I I
-- -+-+- o
Rs R RP Rs

Nessa equação matricial, composta por duas equações algébricas, confonne os valores
atribuídos a RP e Rs, resultam diferentes relações entre v2 e v I e entre es e v1 ( ou v2) .
Redes Resistivas 99

Inversamente, RP e Rs pode,n ser calculados de forma que satisfaça,n relações pré-fixadas


entre v2 , v1e e5 • Isso é feito algebrica1nente multiplicando-se essas equações algébricas, coinpo-
nentes da equação matricial, por R, dividindo-as por v1e rearranjando-as, obtendo-se facilmente

V2 R
1 1-- 2-1
v, RP v,
(5.17)
V2 V2 R V2
-)+- --
v, v, Rs v,
Considere, então que seja fixada a relação

com k < l. (5.18)

Alé,n disso, suponha que RP e Rs devam ser calculados de tal forma que o acesso de entra-
da do quadripolo, terminado pela resistência R, se apresente ao gerador como u1n bipolo de
resistência R (isto é, de modo que o gerador 'veja' 1 uma resistência R), como ilustrado na Fi-
gura 5.9.

R
\,----..----+--,
1
1
<"> R
<.">
-,
_>

1
1
' - - - - - - - - e - - - +---

Figura 5.9 Ouadripolo terminado, equivalente a um resistor R.

E1n decorrência, te,n-se ta1nbé1n

(5.19)

Aplicando-se os valores de (5.18) e (5.19) e1n (5.17), resultam

R 1-k R 2k
e - (5.20)
1+k l -k2 .

O passo seguinte é verificar co1no o acesso de saída do quadripolo, construído co,n esses
valores, se apresenta para a carga, como ilustrado na Figura 5.1 O.

1. Ver ... no jargão do analista de redes significa ter ligado a ele um bipolo equivalente a ....
1 00 Análise de Circuitos Elétricos

r---
R,J>
<? ..ç
v'2 =kes <í R

_L_,,____
•"-t·,
ke .... "
\--

(a) Em aberto (b) Terminado

Figura 5.10 Acesso de saída do quadripolo.

A tensão em aberto v;
da Figura 5.10a é calculada através da equação nodal do sistema
se1n a resistência R de carga, de 1nodo semelhante a (5.16), isto é,

1 1 1 1
-+-+- -- es
R RP Rs Rs

--1
-+-
1 l [:i]= R
o
'
Rs RP Rs

que, resolvida com os vínculos de (5 .20), fornece

v~ = kes. (5.21)

Dado que, quando ligada a carga (de resistência R), a tensão na saída do quadripolo é
v2 = kes/2 , isto é, a metade da tensão em aberto, conclui-se que o quadripolo se apresenta à
carga como um gerador equivalente na forma de Thévenin comfe,n e; (t) = kes (t) e resistência
interna igual a R.
A relação k é chamada, nesse caso, de atenuação e o quadripolo é chamado de atenuador.
A resistência R, nesse caso, recebe o nome de resistência característica, pois é u1na ca-
racterística do gerador, da carga e do quadripolo.
A configuração adotada pertnite que vários quadripolos de mes1na resistência característi-
ca sejam associados e1n cadeia ou em cascata (isto é, um em seguida ao outro), cada um deles
se apresentando ao seguinte como um gerador na fonna de Thévenin com resistência interna
igual a R e se apresentando ao anterior como u1na carga de resistência igual a R. Dessa forma,
a atenuação total k, de u1na associação de n quadripolos é o produto das atenuações k; de cada
quadripolo, isto é,
li

k, = TI k;.
i =I

._ A forma equivalente como se apresenta a saída do quadripolo à c 1rga é nada mais


que um caso particular do teorema de Thévenin, demonstrado no :apítulo anterior.
Redes Resistivas 1 O1

Perda de inserção
U1na generalização do proble1na do quadripolo de resistência característica constante, ter-
1ninado e alimentado por gerador com resistências desse mesmo valor, é apresentada a seguir.
Considere um gerador com.fe111. e0 e com resistência interna R1 e uma carga de resistência
R2 interligados através de um quadripolo (não necessariamente resistivo), como mostrado na Figu-
ra 5.1 la. E que seja v1 a tensão no acesso do quadripolo ligado ao gerador e v2 a tensão na carga.
Nu1na nova situação, o mesmo gerador é ligado à 1.nes1na carga diretamente, corno mostra-
do na Figura 5..1lb, e estabelece-se u1na tensão v20 entre seus termjnais.

V2o

(a) Quadripolo entre gerador e carga (b) Gerador ligado diretamente à carga

Figura 5.11 Perda de inserção.

No esque1na da Figura 5.11 a, tê1n-se imediata1nente a potência instantânea na carga

(5.22)

e a potência instantânea disponível do gerador


?
(5.23)
(t) = eõ(I)
Po 4R1

Por outro lado, no esquema da Figura 5.11 b, tê,n-se

(5.24)
e

Por definição, taxa de potência de inserção (e,n inglês, insertion power ratio) é o quo-
ciente G entre os valores médios de p 20(t) e p 2 (t), respectivamente P20 e P2, isto é,

G= P20. (5.25)
P2
102 Análise de Circuitos Elétricos

Define-se ta,nbéin perda de inserção em decibels2 (símbolo dB) por

(5.26)

e daí x será positivo se a potência média dissipada na carga após a inserção do quadripolo for 1ne-
nor que aquela dissipada na carga se,n a inserção deste, correspondendo, portanto, a u1na perda
fisica. (Contrariamente, Lnna perda algebricamente negativa corresponde a um ganho físico.)
De modo alternativo, a expressão (5.25) pode ser multiplicada e dividida por P0 , a potên-
cia 1nédia disponível do gerador, e ser escrita na fonna

ou (5.27)

e;
pois P20 e P2 são ambas proporcionais ao valor 1nédio de (t) com coeficiente.s dados por
(5.24) e (5.23), respectivamente.
A definição de taxa de potência de inserção, seja na forrna de (5.25), seja na forma de
(5.26), é absolutamente geral e é particularmente importante para quadripolos passivos (isto é,
quadripolos com resistores, indutores, capacitores e indutâncias n1útuas), constituindo-se 1nui-
tas vezes em especificação de síntese, ou seja, quando se deseja achar um quadripolo que, in-
serido entre um gerador resistivo e uma carga resistiva, apresente u1na taxa de potência de
inserção especificada.
No caso particular de redes resistivas, dada a proporcionalidade entre excitação e resposta
e, por conseqüência, a proporcionalidade entre p 0 (t) e p 2(t), em cada instante, constata-se sem
dificuldade que
G= 4R1R2 p 0 (t)_ 4R1R2 P0 (5.28)
2 2
(R1 + R2 ) P2 (t) ( R1 + R2 ) P2

é u1na constante.
O conceito de taxa de potência de inserção aplicado ao quadripolo atenuador do item ante-
rior dá
vf (t)
G = P2o(t) = R2 =_!_ (5.29)
P2 (t) V~ (t) k2 '

R2
pois v2 (t) l v1(t) =k , segundo (5. 18). Sendo k < 1, resultam G > 1 ex (e,n dB) > O.
Nem sempre, porém, a inserção de um quadripolo passivo produz na carga uma potência
1nenor que aquela sem a inserção. Esse é o caso em que o quadripolo é um transformador ideal
de relação de transformação 1 : a, com a=~R2 /R1 , conforme ilustra a Figura 5.12.

2. O plural de unidades segue convenções internacionais, que foram adotadas no Brasil através do Decreto
n11 81.621 , de 3 de rnaio de 1978.
Redes Resistivas 103

ideal

• •
eº +

Figura 5.12 Transformador ideal entre gerador e carga.

Fazendo-se uso de (2.27) e (2.28), verifica-se sem dificuldade que


Vilii = Ri (5.30)

e, desse modo,
.,
eõ (t) (5.31)
P2(t) = Pi (t) = Po (t) = Ri ·
4
Sendo p 20(1) dado por (5.24), resulta

G= P20 = P2o(t) = 4R,Rz ,, <l. (5.32)


P2 P2 (t) ( Ri + R2 )-

Nesse caso, a perda de inserção é negativa, representando, na realidade, u1n ganho de in-
serção. Em linguagem técnica, diz-se então que o transformador fez o casamento ou a adap-
tação (em inglês, niatching) da carga ao gerador.

Problemas propostos
PS.1 No circuito da Figura 5.13, calcule a tensão nodal e2 e a corrente i.
e,

1 A {, 3Q
4Q l

--
3 !1 2n

Figura 5.13 Problema P5.1.

Respostas: e2 =4/ 9 V e i = 1/ 9 A.
1 04 Análise de Circuitos Elétricos

PS.2 No circuito da Figura 5.14, calcule a tensão nodal e2 e a corrente i, por superposição de
efeitos.

37,5 n

10n 1

E=65V~ 20n
+

--
Figura 5.14 Problema P5.2.

Respostas: Co.1n o gerador I desativado, tê1n-se


ilt=0 =0, 4A e e2 11=0 =-50V.
Com o gerador E desativado, têm-se
e2 le=0 =15 V e iLI=O= -0, 9 A .
Finalmente,
e i = - 0,5 A.
PS.3 Considere que u1n gerador de .fe m eg, co1n resistência interna Rg = 2 Q , e uma carga de
resistência R0 = 5 Q seja1n interligados através de um transformador ideal, cotn relação de
transformação 1 : a, e uma linha de transtn issão com resistência R1 =1 Q , co1no mostra a
Figura 5.15.
(a) Qual deve ser o valor de a na relação de transfomação de modo que maximize a potên-
cia p e na carga? Nesse caso, determine o valor dessa potência.
(b) Qual deve ser o valor de a de modo que rnaxirnize a potência Pg fornecida pelo gerador?
Nesse caso, determ ine o valor dessa potência.
Rg =2n RI =ln
ideal


1

• 1
1
1
1
1 Re = 5n
1
1
1
1
1

gerador l :a linha carga

Figura 5.15 Problema P5.3.


Redes Resistivas 105

Respostas: (a) a= J2. e Pc = e;110.


(b) a=JJ e Pg =e;1s.
PS.4 Na "célula T" da Figura 5.16a, têm-se R1 = 61,36 Q e R2 = 15,15 Q.
(a) Supondo que a célula seja terminada no acesso da direita por uma resistência de 75 Q ,
determine a resistência de entrada que se apresenta no acesso da esquerda da célula e are-
lação k =v2 /v1 •
(b) Supondo que duas células seja1n associadas em cascata, co,no mostra a Figura 5.16b, e a
associação seja terminada no acesso da direita por uma resistência de 75 n, qual a relação
V3/V1?

R2

(a) (b)

Figura 5.16 Problema P5.4.

Respostas: (a) Re111r(Uk1 =75, 00 n e k =O, 1.


(b) V3/V1 =0, 0} .
(>5.5 Deter1nine a perda de inserção (em dB) referente ao quadripolo da Figura 5. 17.

r-------------------:
1 10 Q l
5Q

1
quadripolo 1
1
L-------------------'
Figura 5.17 Problema P5.5.

Resposta: x =2,04 dB.


Página em branco
CAPÍTULO

r
Redes de Primeira Ordem

edes de primeira ordem são aquelas que, submetidas a um n1étodo de


R análise, produze,n equações diferenciais de primeira orde,n (com uma
derivada ou uma integral de prirneira ordem na variável incógnita). Neste
capítulo são vistas soluções para esse tipo de equação. Alguns exen1plos e
aplicações desse tipo de rede são taro bém apresentados.

6. 1 Introdução
As redes lineares que contêm, no máximo, uni elemento armazenador de energia (ou vá-
rios de mesma espécie que, por associações série e paralelo, possa,n ser reduzidos a um único)
levam, através dos 1nétodos de análise apresentados no Capítulo 4, a equações diferenciais
ordinárias de prilneira ordem, lineares e a coeficientes constantes da forma

dx(t) (6.1 )
a0 + a1x(t) = f(t),
dt

onde os a; são constantes.


Uma vez que essa equação pode ser escrita co,no
dx(t)
dt + - a, =-f'(t)
-- ou ~[ln x(t)] = f(t)
(6.2)

x(t) ªº a0 x (t) dt a0 x(t) '


resulta, por integração da últirna expressão

lnx(t) = J' /(r) dr-.:1_1 +const. (6.3)


-00 aox(r) ªo
1 08 Análise de Circuitos Elétricos

donde, fazendo
,
k(t) =ef
f(-r) dr +const
-aoX(r) ,

surge a forma geral da solução


- ª1 I

x(t) = k(t) e ª0 ,
(6.4)

onde k(t) é uma função a determinar.


Para determiná-la, considere que x(t), dada por (6.4), e sua derivada
ª1 ª1
(6.5)
dx(t) _ dk(t) ~ /
--- - e -ª1
- k(t ) e~/
dt dt ªº
sejrun inseridas na equação diferencial (6.1 ), resultando

a, a,
1
a0 dk ( I) e-:: -a-
1k ( t ) e- =~ 1 -1

+ a1k(1) e ª 0 = f(t) ou a
dk(1) --/
o dt
e ª 0 =f'(t) (6.6)
dt ªº
e daí

ª1
1 1 +-r (6.7)
k(t)=k(t0 )+-í e ª0 f(-r)d-r,
ªo J,o
onde k(t0 ) depende da condição inicial do problen1a x(t0 ).
Aplicando-se com (6.7) em (6.4), obtém-se, finalmente,
_:!l., 1 _:!1.(1 - 'T) -ª1
-(1 - lo) } ª1 -'!")
----1(1
x(t)=k(t0 ')e ao +-f I
e ao /(r)d-r ou x(t) =x(t0 ')e (-IJ +-f'to e (-IJ /(r)dr (6.8)
~ 'º ~

pois, segundo (6.4), tem-se


ª1
- - 10 +!i,o (6.9)
x(t0 ) = k(t0 ) e 0ª ou k(t0 ) = x(t0 ) e ª 0 •

A primeira parcela de (6.8), isto é,


_!!!..(, - to)
x(t0 ) e ª0 ,

é chamada de resposta em entrada zero (ou re5posta livre), enquanto a segunda parcela de
(6.8), isto é,

1 -ª1
-(1- r )
-ªo f' e
lo
ªo .f(-r)d-r'
Redes de Primeira Ordem 109

é chamada de resposta em estado zero (ou resposta.forçada).


U1na outra maneira de encarar o problema é supondo a solução x(t) como a so1na de duas
parcelas: x,,(t), solução de

(6.10)

cha1nada de equação homogênea, e xP(t), uma solução particular da equação co1npleta

(6.11)

Se assim for, então x(t) = x,, (t) + xP (t) será uma solução da equação

a0
d[X1, (t) + Xp
dt
(!)]
+ a1
[ J
x,, (t) + xp(t) = f(t).

O problema é, então, resolvido em etapas. Verifica-se, inicialmente, que a solução da


equação homogênea é um caso particular de (6.4) com k(t) = K, pois.f{t) = Oem (6.3). Assi1n,
_,
ª1
(6.12)
x1, (t) = K e ª0
,

que apresenta uma fonna simples.


A solução final fica sujeita à obtenção de u1na solução particular da equação co1npleta,
que, dependendo da forma de onda da excitação (senoidal, contínua, degrau, exponencial
etc.), pode ser estimada através de regras específicas ou mesmo do bom senso.
U1na vez obtido xp(t), a solução geral terá a fonna

__!!i_, (6.13)
x(t) = K e ª + xp (t) .
0

Adotando aí t = t0 , resulta

(6.14)
donde

Assim, em função dos valores iniciais tem-se, finalmente,

(6.15)

No jargão da Teoria dos Circuitos a resposta é decomposta numa parte transitória (que
decai exponencialmente com o tempo) e numa outra parte permanente.
Note que (6. 15) pode ser reescrita como
11 O Análise de Circuitos Elétricos

ª'
- -( 1 - 10 )
(6.16)
x(t) = x(t0 ) e ª0
+

Nesse caso, como e1n (6.8), a primeira parcela corresponde à resposta em entrada zero e a
segunda parcela é a resposta e1n estado zero. Observa-se, contudo, que em (6.8) a resposta em
estado zero é (pelo menos teoricamente) calculável por 1neio de uma fórmula geral, ao passo
que e1n (6.16) o cálculo dessa resposta depende de recursos engenhosos.

.,.. Uma vez que já se saiba, a priori, que a solução da equação homc ;iênea tem a
forma exponencial, isto é

x (t)= K eP1
" '
pode-se inseri-la na equação homogênea dada, resultando

ou

Sendo K-,;; O e a exponencial diferente de zero para t finito, resulta

ª0P+a1 = O (6.17)

expressão chamada de equação característica da equação homog ~nea, através da


qual se calcula o coeficiente p da variável tempo na exponencial.
O inverso da raiz p da equação característica, isto é:

i-=Jlp,

é a constante de tempo da resposta livre, cujo significado é o mes1no já detalhado


na Seção 3.6 .
.,.. Na prática, a equação característica é obtida da equação homogênea 1 •ela substituição
do operador derivada por uma incógnita algébrica p .
.,.. Resolver (6.17) nesse ponto é redundância. Entretanto, para encontrar 1m-se soluções
de uma equação homogênea de ordem mais elevada, a resolução je sua equação
característica como ponto inicial é fundamental.

Exemplo 6.1
Considere o circuito da Figura 6.1 a, no qual a tensão no capacitor no instante t = O é
igual a 3 V.
Calcule a corrente i(t) nele, sendo es(t) = 2u(t):
(a) através de (6.8);
(b) através de (6.16).
Redes de Primeira Ordem 111

R i(t)

RC
t
e + vc(O) = 3 o
2u(t) + i(t)

- 1/R

(a) Circuito RC (b) Forma de onda da corrente

Figura 6. 1 Exemplo 6.1.

Solução:
Escrevendo-se a equação da malha, tem-se

Ri(t) + _!_fr i(-r)d-r = 2u(t)


e -00

e daí

di(t)
R- - + - 1 1'(t ) = 2Ô( t.) .
dt e
A condição inicial da corrente i(O+), esti1nada logo após a aplicação da excitação de-
grau (designado o instante t0 = O+), é obtida da equação de malha, isto é,

Ri(O+) + J_fo+ i(-r)d-r = 2, onde


e -=
é a tensão inicial no capacitor, ou seja,
- 1
ou i(O+)=-.
R
(a) Através de (6.8) tem-se

i(t) = i(O+)e_R_C
t

+iJ~+ t- T

e RC 2ô(-r)d-r,

onde se verifica imediatamente que a integral da direita é nula, já que em seu inter-
valo de definição 4t) =O.Daí,
(

ou para t >o.
112 Análise de Circuitos Elétricos

(b) Dado que a excitação de tensão é constante, a corrente per,nanente ip(t) tende a ze-
ro à 1nedida que a tensão no capacitor tende a igualar-se à tensão da fonte. Assim,
através de (6.16) tem-se
I /
1 --
ou i(t) == --e RC para t >O.
R
A forma de onda da corrente i(t) é ilustrada na Figura 6.1 b.

~ A tensão e a carga no capacitor não variam entre t = O_ e t = O+ (is o é, entre antes e


depois do instante em que é aplicada a excitação}, pois não há co1rente impulsiva
aplicada a esse capacitor.
~ Nesse exemplo, a solução através de (6.8) foi facilmente estimada já que se resumiu
à resposta em entrada zero, e a solução através de (6.16) foi imedi ,ta, pois ip(t) = O.
Nem sempre as soluções são obtidas com essa facilidade.

6.2 Redes com comutações


Entende-se por comutações em redes as manobras de chaves que modificam as excitações
aplicadas ou mes1no parte das próprias redes.
Algumas 1nanobras não altera1n as equações diferenciais, somente modificando as excita-
ções e condições iniciais; outras chegam a modificar a rede, dando origem a outras equações.

Exemplo 6.2
Considere a rede da Figura 6.2a, onde a chave, estando na posição A há muito te1npo,
passa à posição B em t == O, aí permanece até o instante t == t0, quando retorna à posição
A, aí perinanecendo. Calcule a tensão vL(t), no indutor.

R B
EIR

+
E--'-- L

t
'o L/R

(a) Circuito dado (b) Forma de onda de iL (t)

Figura 6.2 Exemplo 6.2.


Redes de Primeira Ordem 113

Solução:
Estando a chave na posição A há muito ten1po (isto é, te1npo muito grande e1n relação à
constante de tempo -r= LIR), o indutor está desenergizado e a corrente i L(t) = O.
Quando a chave passa à posição B, tem-se a equação

com

Dado que, quando t ~ oo, a corrente tende a estabilizar-se e a tensão no indutor


LdJL(t)!dt decai a zero, deduz-se que a corrente permanente (ou solução particular da
equação completa) é EIR.
Assim, a solução completa da equação diferencial tem a for,na
R
--1 E
i1- (t)= K e L +-
R'
donde resulta K = -EIR, para que iL(O) = O.
Daí

1- e
R
--to
L e vl (t) -- L dir (t) -- E e
; dt
1, para o< t < t 0 .

Quando a chave retorna à posição A, tem-se a equação


R
--to
L di1- (t) +Ri (t)=O co,n . (to. ) = -E 1-e
lL l
dt L R

Neste caso, a equação diferencial reduz-se a uma equação ho1nogênea cuja solução tem
a forma

com il(t0) dado acima. Daí, resulta


R
E - t-o
K=- 1 -e L
R '

donde se obtê1n soluções finais


li li R R
. E - -10 - (1-10 ) - - 10 - - (1-10 )
il (t) = - 1- e L e L e vL (l) = - E 1- e L e L para t > t0 •
R
114 Análise de Circuitos Elétricos

A Figura 6.2b representa a forma de onda da tensão iL(t) .

.,.. A chave empregada na comutação deve ser do tipo MBB (make-b, ofore-break) para
que seja dada continuidade à corrente no indutor. Se, ao contráric . fosse usada uma
chave BBM (break-before-make), a corrente tenderia a ser interrorr pida rapidamente
e a tensão (proporcional à derivada da corrente) tenderia a valore~ muito altos,
provocando um arco voltaico entre os terminais da chave, que far 3, então, escoar a
corrente e a energia armazenada no indutor, mudando a condição inicial da nova
situação.

Comutação na rede
Certos tipos de manobra alteram a estrutura da rede e, portanto, também a equação dife-
rencial que a descreve matematica1nente. As condições iniciais, após a 1nanobra, são obtidas
através dos princípios fisicos da conservação de cargas e da conservação de fluxos.
A seguir, são ilustrados alguns exe1nplos de manobras ocorrentes no instante t = t0 . Nas
fórn1ulas relativas, t0_ designa o instante imediatamente anterior à n1anobra e to+ designa o
instante imediatamente posterior a ela.

Exemplo 6.3
No exernplo da Figura 6.3a, a chave, há 1nuito tempo na posição 1, passa no instante
t = t0 à posição 2, estando o capacitor C2 nesse instante descarregado.
Processo resolutivo:
Imediatamente após a manobra, os capacitores ficam ern paralelo e a condição inicial
da tensão v(t0+) é estimada através da conservação da soma algébrica das cargas nos
capacitores, isto é,

ou, em tennos das tensões,

A Figura 6.3b apresenta a respectiva equação diferencial e a Figura 6.3c, sua condição
inicial.
Redes de Primeira Ordem 115

l 1

(e1 + e) 1 ()-O
Dv(t) +-vt -
'' ' lo 2
dt R
':.::..
2 (b) Equação diferencial para t > to+
E
+ e. R v(t)
Cz

(a) Circuito dado (e) Condição inicial para t = to+

Figura 6.3 Exemplo 6.3.

Exemplo 6 .4
No exemplo da Figura 6.4a, a chave, há 1nuito tempo na posição 1, passa no instante
t = t0 à posição 2, estando o capacitor C2 nesse instante descarregado.
Processo resolutivo:
Imediatamente após a manobra, os capacitores ficam em série através do resistor e não
há troca de carga instantânea, daí conservando-se as cargas e as tensões respectivas ne-
les, isto é,

vc1(to+) =vc1(to_ )= E e vc 2 (t0+) = vc 2 (t0_ ) =O .

A condição inicial da corrente i(lo+) é esti1nada através da 2ª lei de Kirchhoff para a


1nalha, isto é,
donde

A Figura 6.4b apresenta a respectiva equação diferencial e a Figura 6.4c, sua condição
inicial.

1 1
e.
<', \
• 1 ( _!_ _!_)f' i('t )d-r + Ri(t) = - vc (t
+
C1 C2
1 0_ )
' ':.::,.'º
10

2 (b) Equação diferencial para t > to+

E
+ i(t) R
c2
i(lo+) = -~
R
(a) Circuito dado (e) Condição inicial p ara t = to+

Figura 6.4 Exemplo 6.4.


116 Análise de Circuitos Elétricos

Exemplo 6.5
No exemplo da Figura 6.5a, a chave, há 1nuito tempo na posição 1, passa no instante
t = t0 à posição 2, estando o indutor L2 nesse instante se1n corrente.
Processo resolutivo:
lmediatamente após a manobra, os indutores ficam em série e a condição inicial da cor-
rente i(lo+) é estimada através da conservação da soma algébrica dos fluxos concatena-
dos nos indutores, isto é,

<Pi (to+)+ <P2 (lo+)= <Pi (to_ )

ou, em termos das correntes,

A Figura 6.5b apresenta a respectiva equação diferencial e a Figura 6.5c, sua condição
inicial.
.1 Li
1
(L 1 + li) di(t) + Ri(t) = O
' ... to
'~> dt
(b) Equação diferencial para t > to+
2
+ R
E L2
i(t)
.( ) Li E
i to+ = (.li +L2) R
(a) Circuito dado (e) Condição inicial para t = to+
Figura 6.5 Exemplo 6.5.

Exemplo 6.6
No exe1nplo da Figura 6.6a, a chave, há 1nuito tempo na posição 1, passa no instante
t = t0 à posição 2, estando o indutor L2 nesse instante sem corrente.
Processo resolutivo:
Imediata1nente após a manobra, os indutores ficam em paralelo com o resistor e não há
troca de fluxo concatenado instantâneo, daí conservando-se neles os fluxos e as corren-
tes respectivos, isto é,
e

A condição inicial da corrente v(t0+) é estimada através da 1ª lei de Kirchhoff para o


par de nós, isto é,

il 1 (lo+ )+ i l 2 (to+)+ iR (to+ )= O donde v(to+) = R [-ili (10- )].


Redes de Primeira Ordem 117

A Figura 6.6b apresenta a respectiva equação diferencial e a Figura 6.6c, sua condição
inicial.

( ..!_ + _!_)f1
I
v(,: )dt + ..!_ v(t) = - iLI (to_)
I,. Li. 0 R
I R v(t) (b) Equação diferencial para t > to+

(a) Circuito dado (e) Condição inicial para t = t 0 +

Figura 6.6 Exemplo 6.6 .

.,. No exemplo da Figura 6.3, as condições iniciais após a manobra s io estimadas


através da conservação da carga elétrica nos capacitores. Não se trata :le conservação
de energia, pois, ao acomodarem-se as tensões, uma corrente im1- ulsiva (isto é, uma
carga finita deslocando-se num intervalo de tempo infinitésimo) p, ·rcorre a ligação
sem resistência entre os capacitores, dissipando uma energia indt 'erminada. Esta
só pode ser conhecida por meio de diferença entre as energias no ; capacitores,
antes e depois da manobra, isto é,

e, ,
111(1 _) = - E- e
0
2

.,. No exemplo da Figura 6.5, as condições iniciais após a manobra s io estimadas


através da conservação do fluxo concatenado nos indutores. Não ;e trata de
conservação de energia, pois, ao acomodarem-se as correntes, uma t1 nsão impulsiva
(isto é, um fluxo concatenado finito variando num intervalo de ten po infinitésimo)
estabelece-se no circuito aberto (de resistência infinita) entre os induto es, dissipando
uma energia indeterminada. Esta só pode ser conhecida por meio da diferença
entre as energias nos indutores, antes e depois da manobra, isto É .

6.3 Redes com excitação co-senoidal; filtros elétricos


Considere que seja dada a rede da Figura 6.7, cujo gerador co-senoidal apresenta tensão na
fonna
es = E111 cos wt .

Considere també1n que seja conhecida a tensão v2(0+) = O.


118 Análise de Circuitos Elétricos

e, + 2C~= R

Figura 6. 7 Rede com excitação co-senoidal.

Nesse circuito, a tensão v2 deve satisfazer a equação diferencial

(6.18)

para cuja solução devem ser seguidos os passos da Seção 6.1.


Daí, tem-se i,nediatamente a solução da equação homogênea respectiva, que é
I
(6.19)
l ' 2h =Ke RC ·

Por outro lado, ainda segundo a Seção 6.l, já que a resposta forçada deve ser tal a acom-
panhar co-senoidalroente a mesma freqüência do gerador, a solução particular da equação
-:ompleta deve ter a forma

V2p = V2 111 COS(áJ! + (/>i), (6.20)

coin amplitude e fase a deterrninar.


Substituindo-se (6.20) na equação diferencial co,npleta, resulta

-2CãJV2m sin(ãJl+1J2)+f v2111 cos(ãJ!+t;ói)= E~, COSáJ/.

Desenvolvendo-se o seno e o co-seno da so,na dos arcos e agrupando-se os termos em


sin 01 ecos 01, resulta,n duas equações

(-2Cwsin1)2 + ! )v
cost;ói 2m coswt =~' coswt

(-2Cwcost;ói-!sint;ói )v 2111 sinwt=O,

que devem ser satisfeitas para qualquer t. Assim, da segunda delas obtém-se

donde <h, = - tan- 1 wCR (6.21)


Redes de Primeira Ordem 119

e ta1nbé1n

sec <Pi = ~1 + tan 2 </)2 = ~1 + (o;CR) 2 .

Da primeira das equações obté1n-se

Em
(-OJCR tan </J-i + 1)V2m = sec </>2 ,
2
donde

Em (6.22)

Assi1n, (6.20) pode ser, finalmente, escrita como

v2 P = Em cos(OJt - tan - 1 W\..,


/·'"R) • (6.23)
2
2~1 + (OJCR)

A solução co1npleta
1
-- E111 1 (6.24)
v? (t) = K e RC + cos(o;t - tan- OJCR)
- ~I + (OJCR)2

assume em t = O, o valor

v2 (O) = O= K + Em I donde K=- Em .


2
. 2~1 + (mCR) 2 ~l + (OJCR) 2 2(1 + (OJCR) ]

Finalinente,
t
e RC (6.25)
- + cos(OJt - tan _, OJCR) .
2
~l +(OJCR)

..,. A amplitude V2m e a fase i/)i da solução particular da equação corr pleta, dadas
respectivamente por (6.22) e (6.21), podem também ser calculada~ através do
método dos fasores, que será visto no estudo geral de redes em rE 7ime permanente
senoidal, no Capítulo 8.
120 Análise de Circuitos Elétricos

Filtros de primeira ordem


Considere novamente o circuito da Figura 6.7.
Observe que depois da fase transitória, isto é, depois de decorridas algumas constantes de
tempo r= RC, a tensão v2(t) reduz-se à forma co-senoida/ (ou senoidal) per,nanente v2P(t),
dada por (6.23), co1n amplitude dada por (6.22), ou seja,
Em

e fase dada por (6.21), ou seja,

Para freqüências tais que uCR << 1, a a1nplitude V2,,, conserva-se pratica1nente igual a
E11 /2 e a fase ~ é praticamente nula. Já, para fi·eqüências tais que uCR >> 1, a a1nplitude V2,,,
passa a ser inversarnente proporcional à freqüência e a fase ~ passa a ser próxima de -nt2.
Diz-se, então, que esse circuito é u1n filtro passa-baixas, pois não altera a a1nplitude de
sinais senoidais de freqüência baixa e atenua os sinais senoidais de freqüência alta. A fre-
qüência de transição, isto é, aquela na qual uCR = 1, é chamada de freqüência de corte. Nessa
freqüência a arnplitude de saída é .fi, menor que aquela nas freqüências próximas de zero e a
fase aí é -Jt/4.
Por um outro ponto de vista, esse circuito age como um integrador em.freqüências altas,
já que aí transforrna a entrada

es (t) = E111 cos wt na saída v2 (t) = E111 cos(wt - n / 2) = E,,, s1n


. wt .
2wCR 2wCR
As Figuras 6.8a e 6.8b representrun, respectivamente, as relações saída/entrada de a1npli-
tude e de fase, e,n escala linear de freqüência.

1/(RC)
l/2t---- (J)

(J)
1/(RC)
-90°
(a) Amplitude (b) Fase

Figura 6.8 Relações saída/entrada versus freqüência em filtro passa-baixas.

A Figura 6.9 mostra um outro tipo de filtro passa-baixas, agora com um indutor 2L.
Redes de Primeira Ordem 1 21

R 2L

e, + R

Figura 6.9 Filtro passa-baixas com indutor.

Procedendo como acima, obtém-se a solução JJermanente senoidal v2p(t), cttja ainplitude é
Em
V2m = ~ 2 '
21 + (a>L IR)

co1n fase dada por


</)2 =-tan- 1 a>L IR,

e aplica-se a ela u,n raciocínio análogo ao anterior.


Trocando-se, nos exemplos acima, os indutores por capacitores e vice-versa, co1no ilustra-
do na Figura 6. 1O, obtêm-se filtros passa-altas de primeira orde,n.

R C/2
R

e, + L/2 R e, +
- R

(a) Com indutor (b) Com capacitar

Figura 6.10 Filtros passa-altas de primeira ordem.

Nesses casos, as amplitudes das saídas (ou respostas) pernianentes senoidais são,
respectivamente, dadas por

Em Em
e

e as fases respectivas são dadas por

</)2 = JC/2 - tan- 1 wLIR </), =JC/ 2- tan- 1 coCR.


e
-
As Figuras 6.1 la e 6.11 b representam, respectivamente, as relações saída/entrada de am-
plitude e de fase, em escala linear de freqüência.
122 Análise de Circuitos Elétricos

V2m!Em 'P2
90°+--...
1/2

~.[i.!4 45°

(J)
RIL (J) RIL
(a) Amplitude (b) Fase

Figura 6.11 Relações saída/entrada versus freqüência em filtro passa-altas.

Perda de inserção
O conceito de taxa de potência de inserção (definido no capítulo anterior) pode ser aplica-
do aos filtros apresentados anteriormente.
Para o quadripolo capacitivo da Figura 6.7, conectado entre o gerador (de resistência R) e
a carga (de resistência R), tem-se em regime pernianente senoidal Uá que P20 = P0 )

l
.,
TE- .,
G = pº =
-I
T o 4R
III
cos· OJt dt
2
=1+(áJCR) ,
P2 1 Ír E,;1 2
COS ( OJt + r/>2) dt
2
T o 4R[l+(OJRC) ]

o que caracteriza utna perda de inserção passa-baixas

Para o quadripolo indutivo da Figura 6.9 tem-se, por desenvolvimento análogo, a perda de
inserção passa-baixas
.,
x = 10 log 10 G = IOlog[l + (OJLI R)·] .
Já para os quadripolos passa-altas da Figura 6.1 O têm-se, respectivamente,

As Figuras 6. 12a e 6.12b representam as perdas de inserção e,n dB para quadripolos pas-
sa-baixas e passa-altas, respectiva1nente, em escala logarítmica de freqüência.
Redes de Primeira Ordem 123

X X

3dB 3dB

1/RC (J) 1/RC (J)

(a) Em filtro passa-baixas (b) Em filtro passa-altas

Figura 6.12 Perdas de inserção versus freqüência .

..,. No cálculo da perda de inserção, a fase da resposta {ou defasager 1 entre excitação
e resposta) não intervém. Nos casos, porém, em que o conhecime ,to da fase for
importante, ela deverá ser levada em conta através de expressões do tipo de {6.21).

Problemas propostos
P6. I No circuito da Figura 6.13, determine a tensão v(t) em estado zero, para t > O, sabendo que
es(t) = 1Ou(t) volts.

200 1F

e, + v(t)

Figura 6.13 Problema P6.1.

Resposta: v(t)=2,5 (l-e- 1115 ) V para t > O.


P6.2 No circuito da Figura 6.14, determine:
(a) A constante de tempo i-do circuito.
(b) A tensão v(t) para t > Oem estado zero.

2F::::::::=

12ó(t) A j
lF ::::::::= 5 n v(t)

Figura 6.14 Problema P6.2.


124 Análise de Circuitos Elétricos

Respostas: (a) No modelo equivalente de Norton, o capacitor de 2 Fé ignorado, logo


-r = 1 F X 5 Q = 5 s.
(b) Após a ocorrência do impulso, v(O+) = 12 C x l F= 12 V. Então,
v(t) = 12 e- 0 ,21 V para t > o.
P6.3 No circuito mostrado na Figura 6.1 5, pede-se:
(a) Aplique as leis de Kirchhoff e obtenha a equação relacionando ia e.
(b) Sendo e = 5t u (t), e estando o capacitor inicialtnente descarregado, deter1n ine i(t)
para t > O.
1

10 Q 0,05 F

Figura 6.15 Problema P6.3.

de e
Respostas: (a) i =O, 05 -+-.
· dt 10
(b) i(t) = O, 25 u(t) + O, 2 t u(t) para t > O.
P6.4 No circuito da Figura 6.16, a chave S, que estava há muito tempo na posição 1, foi transfe-
rida em t = O para a posição 2. Sendo /_. 1 =51nA e i., 2 = 10 e- 21 mA, pede-se:
(a) A tensão v(O+) no capacitor.
(b) A equação diferencial, para t > O(chave na posição 2), envolvendo a tensão v(t).
(c) A resposta livre (resposta em entrada zero) v/t) e a resposta forçada (resposta e.1n estado
zero) l'f(t) de v(t) para t > O.
(d) A corrente i(t).

1 kQ
s i(t)

.---.-.1 í 2
' '--7t=O
1 kQ 1,2 t 1 kQ 100 µF =!= v(t)

Figura 6.16 Problema P6.4.

Respostas: (a) v(O+) = v(O_) = / 81 x I kQ =5 V.


(b) (0,2p+ l)v(t)=10 e-21 •
e
(d) i(t) =[-1 0 e-21 +17,5 e- 51 ]/ 3 mA.
Redes de Primeira Ordem 1 25

P6.5 A Figura 6.17 representa um circuito no qual a chave S, que estava há muito te1npo ligada
na posição l, passa no instante t = O à posição 2. Sendo es, = 10 cos 20t V e
es2 = 10 cos (20t - 90º) V, determine:
(a) A co1nponente pennanente ip(t) da corrente i(t), para t > O [len1brete: a solução tem a
forma iP(t) = 1111 cos (20t + ~].
(b) A componente transitória i,(t) da corrente i(t), também para t > O.

s i(t) so
so 1 2 so

esl + es2 + 0,5 H

Figura 6.17 Problema P6.5.

Respostas: (a) iP(t) = 0,7071 cos (20t - 135º) A.


(b) i1 (t)=2e- 2 º1 A.
P6.6 No circuito da Figura 6.18, a chave está ligada há muito tempo na posição I e, no instante
t =O, passa bruscamente à posição 2. Detern1ine:
(a) A corrente t,, no indutor e a tensão vc no capacitar logo após a 1nanobra.
(b) A tensão vc(t) para t > O.
(c) A tensão vf.J) que aparece na chave para t > O.

lH

'~ t = O
2
+
6V 30 0,1 F =:=
60

Figura 6.18 Problema P6.6.

Respostas:(a) i1,(0+)=i1, (0_) =2A e


(b) vc (t) = 6 e-,io,G V.
º·
(c) vs (t) =6(e- 3' -e- 11 6 ) V.
P6. 7 No circuito da Figura 6.19, a chave está há 1nuito tempo na posição l. Em t =Oela passa à
posição 2, onde fica durante 1O segundos. Em seguida passa à posição 3, onde permanece
definitiva1nente. Deter1nine:
(a) v(O) e as constantes de tempo com a chave nas posições 2 e 3.
(b) Os valores de v(lO), v(l5), v(20) e v(oo).
126 Análise de Circuitos Elétricos

100 lill 2 3 50 lill

'' ,,
,, ' ,
,J(' ..... - ~


20V
+
5V
~r 1

v(t) 10-4F +
5V

Figura 6.19 Problema P6.7.

Respostas: (a) v(O) = 15 V, t 2 = 10 se t3 =5 s.


(b) v(lO) = 14,48 V, v(I5) = 0,33 V, v(20) = -3,04 V e v(oo) = -5 V.
P6.8 Um quadripolo é inserido entre um gerador resistivo de fen1 co-senoidal de freqüência an-
gular we u1na carga també1n resistiva, co1no 1nostra a Figura 6.20. Determine a taxa de po-
tência de inserção referente a e le.

r--------------1
100 n 1 10 n 1
,--.-;,, --J, 1

e, + 100 µF ---.-- 1 lill 2000

quadripolo
'---------------'
Figura 6.20 Problema P6.8.

Resposta: G(@)= l, 22+0,54x10-4 w2 •


CAPITULO

Redes de Segunda Ordem


e de Ordens Superiores

edes de segunda ordem e de ordens superiores são aquelas que, submetidas


R a um método de análise, produze1n equações diferenciais de segunda ordem
e de ordens superiores. Neste capítulo são vistas soluções para esses tipos de
equações. Alguns exemplos e aplicações desses tipos de redes são ta1nbé1n
apresentados.

7 .1 Introdução
As redes lineares que contêrn dois ou mais ele.1nentos arrnazenadores de energia Gá efetua-
das todas as possíveis associações série e paralelo) levam, através dos métodos de análise
apresentados no Capítulo 4, a equações diferenciais ordinárias (de ordens superiores à primei-
1·a), lineares e a coeficientes constantes da for1na

d 11 x(t) d 11 - 1x(t) (7.1)


ªo ,, +a1 d/1 - 1 + · ··+ a,,x(t) = '/(t) ,
dt .t

onde os coeficientes a; (i = 1, 2, ... , n) são constantes.


Para encarar-se o problema, tal co1no visto em redes de primeira ordem, supõe-se a solu-
ção x(t) como a soma de duas parcelas: x 11(t), solução de

d 11 x (t) d 11 - 1x11 (t) (7.2)


' " + aI dn - 1 + .. · + a11h
aO · d" x (t) = O,
t t
cha1nada de equação homogénea, e xp(t), uma solução particular da equação cornpleta

d 11 xp(t) d 11 - 1xp(t) . (7.3)


ªo +a1 ·
1
+···+a11 xp(t)=f(t) .
dt" dt 11 -
128 Análise de Circuitos Elétricos

Se assim for, então x(t) = x1,(t) + xP(t) será uma solução da equação

(7.4)

Por conveniência didática, este capítulo seguirá a abordagem de tratar iniciahnente as re-
des de segunda orde1n, sendo, então, os resultados obtidos generalizados para redes de ordens

superiores.

7.2 Redes de segunda ordem


Considere a equação diferencial ordinária de segunda ordem, linear e a coeficientes cons-
tantes da forma
?
d- x(t) d"(t) (7.5)
a
o dt2 + a1 dt + a2 x(t) = f (t),

onde os a; (i = l, 2, ..., n) são constantes.


Como indicado na Seção 7.1 , o problema é resolvido em etapas, procurando-se u1na solu-
ção particular xp(t) para a equação completa e soluções x 11(t) para a equação ho1nogênea.
A obtenção de soluções particulares xp(t) para a equação co1npleta depende 1nuito da expe-
riência do analista, 1nas deve seguir algu1nas regras gerais ditadas por considerações mate1ná-
ticas ou pelo bo1n senso.
Se a excitação tender a um valor assintoticamente contínuo, a solução particular xp(t) para
a equação completa também será contínua e pode ser estimada levando-se em conta que o
comportamento assintótico do indutor é um curto-circuito, pois vL(t) = Ldil(t)ldt ~ O, e que
o de um capacitor é um circuito aberto, já que ic(!) = Cdv c(t)/dt ~ O.
Se a excitação for co-senoidal de freqüência angular ~ a solução particular xp(t) para a
equação completa também será co-senoidal de freqüência angular ~ pois só assirn é possível
satisfazer relações trigonométricas envolvendo os dois membros da equação diferencial com-
pleta ou, fisica1nente, pensar que a resposta forçada deve seguir a pulsação da excitação.
Se a excitação for exponencial com constante de tempo i; a solução particular xp(t) para a
equação completa, por raciocínio semelhante, também será exponencial, com constante de
tempo -r. E assim por diante.
Já a busca de soluções para a equação diferencial homogênea segue princípios mais bem
definidos, conforme detalhado a seguir.
Devido ao fato de a função exponencial ter se 1nostrado solução de uma equação diferen-
cial homogênea de primeira ordem, aqui ta1nbé1n se tentará u1na solução desse tipo. Assim,
experimenta-se

x1,(t)= KeP' (7.6)

na equação homogênea de (7.5), resultando


Redes de Segunda Ordem e de Ordens Superiores 129

(7.7)

Sendo K * Oe a exponencial diferente de zero para t finito, resulta


(7.8)

cha1nada de equação característica da equação hornogênea, cujas duas raízes fornecerão os


coeficientes p da variável ternpo em duas exponenciais-solução possíveis, K1e"'' e K2 e"21 ,
chamadas de modos naturais da resposta.

Estudo dos modos naturais


A fim de proceder-se a um estudo geral desses modos naturais, é conveniente nonnalizar
os coeficientes da equação diferencial ern relação a a0, definindo

e (7.9)

e escrevendo a equação característica na forma


(7.10)

cujas soluções são

(7.11)

O parâmetro %, chamado de freqüência natural ou freqüência não amortecida da res-


ç,
posta, é um parâmetro real e positivo medido em rad/s; o parâ1netro chamado de fator de
amortecimento, é um parâmetro real e adimensional.
Dependendo de ser rnenor, igual ou rnaior que l, o comportamento dos modos naturais se-
rá diferente, corno detalhado nos casos a seguir.
Casal
Se (> 1, caso chamado de superamortecido, haverá duas raízes reais e diferentes e a solução
da equação homogênea será uma combinação linear dos dois modos naturais, K 1e"'1 e K 2 eP21 ,
daí resultando para a solução completa
(7.12)

As duas constantes K1 e K2 são determinadas através de urn siste1na de duas equações ob-
tido da equação (7 .12) e sua derivada, em função de valores dados x(t0 ) e dx(t0 )/dt, isto é,
130 Análise de Circuitos Elétricos

(7.13)
e

Caso II
Se ( < 1, caso chamado de subamortecido, o radicando em (7.11) é negativo, de 1nodo
que as ra1zes
'
serao-
onde (7.14)

havendo, então, duas raízes complexas conjugadas 1•


A solução da equação hornogênea será uma combinação linear dos dois modos naturais,
K 1eP•' e K2ePil , daí resultando para a solução corupleta

(7.15)
ou

Considerando-se a fórmula de Euler, isto é,


21
e±JOJo~I ( = COSOJo~l - ( 2 t + jsin %~1- ( 2 t,

a solução (7.15) pode ser reescrita co1no


2 2
J
x(t) = x,,(t) + xp(t) =e- <q,Çt [ K 3 cos0>0 ~1-Ç t + K 4 sinw0 ~1-Ç t +xp(t) ,
(7.16)

onde K3 = K1 + K2 e K4 = j(K1 - K2).


As duas constantes K3 e K 4 ou (K1 e K 2 ) são determinadas por 1neio de u1n sistema de
duas equações obtido da equação (7.16) e sua derivada, em função de valores dados x(t0 ) e
dx(t0 )/dt, isto é,

(7.17)

1. Por razões históricas, na Teoria dos Circuitos a unidade i1naginária (raiz quadrada de -1 ) é designada pela
letraj.
Redes de Segunda Ordem e de Ordens Superiores 131

-K3W;e-f1-0(to[çcos %~1 Ç2 t0 +~1 Ç2 sin %~1 Ç2 t0 ]+


+K4{qJe-aliro [-Çsin %~1 ç210 +~l ç2 cos %~1 Ç2to ]= dá.!o) _ dxp(to).
dt dt
U1na maneira alternativa de escrever (7.16) é

(7.18)

Neste caso, (7.1 7) deve ser convenientemente modificada para que seja1n calculados K5 e (j).
Caso III
Se (= 1, caso em que se diz que há amortecimento crítico, as raízes da equação caracte-
rística são iguais e o procedimento acima não é suficiente para a detenninação dos modos na-
turais, pois a soma das duas exponenciais-solução resume-se nutna única exponencial com
um único coeficiente. Dessa for,na, não há grau de liberdade suficiente para satisfazer simul-
taneamente os dois valores dados x(t0 ) e dx:(t0 )/dt.
Neste caso, as duas soluções possíveis pode1n ser estimadas através de u,n caso-limite de
duas soluções diferentes Pi e p 2 = Pi + tip que se aproximam uma da outra quando tip "-7 O.
Então, considere que seja

expressão que pode ser reescrita fazendo-se K3 = Ki + K2 e K4 = K2!!,.p, ou seja,

Conhecido o desenvolvimento em série da exponencial, pode-se escrever

etipt -1
,, .
t2 2 t3
1 iJpt (iJpt)- (iJpt)' ·1
1+ + +"·+ +,,._ =t+iJp-+iJ p-+"·
iJp iJp 1 2 '• l. .' 2! 3!

e daí, quando as raízes se aproxi1nam uma da outra, o termo que multiplica K4 tende a teP11 ,
resultando

ou
1 32 Análise de Circuitos Elétricos

já que p 1 tende a -(J)oS·


Daí obtém-se para a solução co1npleta

x(t) =x11 (t) + xp(t) = K3 e- mo(, + K4 te-(4)Çt + xp(t), (7.19)

sendo as duas constantes K3 e K4 determinadas através de um siste1na nas equações (7.19) e


sua derivada, igualadas a valores dados x(t0 ) e dx(t0 )/dt, isto é,

K3e-<4J(to + K40
t e-OJo(to - x(t ) - x
- O p
(tO)
(7.20)

Sumário: Os modos naturais para vários valores do fator de a,nortecimento são sintetizados
na tabela abaixo e ilustrados nas figuras nela referidas.

( Raízes características Descrição Figura


( > 1. reais, negativas e diferentes superamortecido 7.1
(= 1 reais, negativas e iguais com a1nortec. crítico
O< ( < 1 co,nplexas conjugadas; partes reais negativas subamortecido 7.2
( =O conjugadas imaginárias não a1nortecido 7.3
- l<Ç<O co1nplexas conjugadas; partes reais positivas instabilidade oscilatória 7.3
Ç<-1 reais e positivas instabilidade divergente 7.5

Note nas figuras referidas que o valor de dx(t0)!dt muda, em parte, a f< rma das curvas.

O caso de Ç= 1 é um caso-limite e, como esboço, se parece com o ca: o da Figura 7.1.

x(t) x(t) x(t)

--+-----..:::::::::~ t t t

Figura 7. 1 Resposta superamortecida: Ç> 1 (com condições iniciais diferentes).


Redes de Segunda Ordem e de Ordens Superiores 133

x(t) x(t)

t
t

Figura 7.2 Resposta subamortecida: O< Ç < 1.

x(t) x(t)

t t

Figura 7.3 Resposta não amortecida: Ç= O.

x(t) x(t)

t
t

Figura 7.4 Instabilidade oscilatória: - 1 <Ç < O.

x(t) x(t)

t t

Figura 7.5 Instabilidade divergente: Çs; -1.


134 Análise de Circuitos Elétricos

Exemplo 7.1
Considere o circuito da Figura 7 .6, cuja tensão no capacitor no instante t = O é igual a
2 V e a corrente no indutor nesse mesmo instante é igual a 3 A.
Calcule a tensão v(t), para is(t) = Ju(t), adotando os valores nu1néricos:
(a) C = 0,5 F, L = 2 H, R = 4 Q e I = 4 A;
(b) C = 0,5 F, L = 2 H, R = 8 Q e 1 = 4 A;
(c) C=O,SF,L=2H,R=2Qe1=4A.

L
lu(t) t +
C-.-- V

Figura 7 .6 Exemplo 7 .1.

Solução:
Em termos do operador p =d/dt são escritas as equações nodais em forma 1natricial
1
--
pL [ v(t) ] =[Ju (t)]
_!_ + _!_) VR (t) 0
pL ( pL R

e daí

I (__!_ + _!_) u(t)


pL R
v(t) = , , ,
l )- 1 C pC ( 1 )-
( pL + pLR + L + R - pL

donde a equação diferencial

2 1
( p +!!...p+
L LC
)v(t)=J(l!...+ R ) u(t).
C LC

A condição inicial da tensão v(O+), estimada Jogo após a aplicação da excitação degrau,
é um dado do problema, isto é, v(O+) = v(Oj = 2 V. Já a condição inicial da derivada da
tensão dv(O+)ldt é obtida indiretamente através da corrente no capacitor e da aplicação
da l ª lei de Kirchhoff ao nó de cüna da figura, isto é,
Redes de Segunda Ordem e de Ordens Superiores 135

e dv(t) = ic = lu(t) - il (t) donde dv(O+) =.l[r -i (O )] =2


dt dt e L + '

pois u(O+) = 1 e il(O+) = il(O_) = 3 A.


Uma solução particular da equação completa pode ser esti1nada tendo ein vista que o
comportamento assintótico do indutor é u1n curto-circuito, pois vL(t) = Ldil(t)ldt ~ O, e
o de um capacitor é u1n circuito aberto, já que ic(t) = Cdvc(t)ldt ~ O. Daí,

Por outro lado, as raízes da equação característica são

R
- -+
L
P1 ,2 =
2

ou

onde

a>o = /1
'Jic
e

(a) Com os dados do problema obtêm-se

a>o = 1 e ç =l.
Este é um caso típico de amortecimento crítico donde

P1,2= - I (raiz dupla)

e daí

Por outro lado, a solução particular da equação completa é

A solução completa tem, então, a forma


1 36 Análise de Circuitos Elétricos

Daí,

dv(0+)_2-
--- - - -
K 1 + K? ou K ?_ = K 1 + 2 = - 12 .
dt -
Finalmente, resulta

v(t)=-I4e- 1 -I2te- 1 +16 V.

.,.. Raízes iguais numa equação característica têm, na prática, probab, idade nula
de ocorrência, justificando-se seu estudo apenas sob o aspecto ac 1dêmico de
caso-limite de duas raízes de valores muito próximos. No caso ant erior, por
exemplo, é necessário que o vínculo R
2
=
2../L/C seja exatamen. e verificado.
Assim, mesmo que teoricamente o vínculo se verifique, na prática ~uaisquer
alterações nos valores de R, L ou C devido a umidade, temperatura ou envelhecimento
destroem o vínculo anterior e, em conseqüência, a igualdade das r iízes.

(b) Com os dados do problema obtêm-se

Wo = 1 e Ç= 2.
Tem-se u,n caso de supera,nortecimento e, então,

Pi 2 =-2+../3 donde Pi =-0,268 e p 2 = -3, 732 ,


'

e daí
v1,(t) = K1 e-0,268t + K2 e - 3,7321.

Por outro lado, a solução particular da equação co1npleta é

A solução completa tem, então, a forma


v(t) = Ki e-0,268, + K2 e-3,7321 + 32.

Daí,

dv(O+) =2=-0, 268K1 -3, 732K2·


dt
Redes de Segunda Ordem e de Ordens Superiores 137

Donde
K 1 =-31,74 e K 2 = 1, 74.

Finalmente, resulta

v(t)=-31,74e0 ,268' +1,74e- 3•732' +32 V.

(c) Com os dados do proble,na obtêm-se


w0 =1 e Ç=0,5.
Tem-se um caso de subamortecimento e, então,

Pi,2 = - 0,5 + j.JO, 75 donde p 1 =-0,5+j0, 866 e p 2 =-0,5 - J0,866,

e daí

v11 (t) = e-0,s, [K1 cos O, 866t + K2 sin O, 866t].

Por outro lado, a solução particular da equação co1npleta é

A solução completa tem, então, a forma

v(t) = e-o,s, [K1 cos O, 866t + K 2 sin O, 866t] + 8 .

Daí
donde

donde K 2 =-1, 155.

Finalmente, resulta

v(t) = - e--0,s, [6 cos O, 8661 + 1, 155 sin O, 866t] + 8 V.

Condições iniciais
A solução matemática de equações diferenciais, representando redes resultantes de 1nano-
bras ou comutações, depende do conhecimento dos valores da função resposta e de sua deri-
vada no instante Lo+• imediatamente posterior à chamada manobra, isto é, x(t0 +) e dº-ç(t0+)ldt.
Estes, por sua vez, devem ser expressos em função dos valores das correntes (ou fluxos con-
138 Análise de Circuitos Elétricos

catenados) nos indutores e das tensões (ou cargas elétricas) nos capacitores, no referido ins-
tante.
O problema aqui apresenta dois aspectos distintos, o primeiro referindo-se à determinação
das correntes nos indutores e da tensão nos capacitores logo após a manobra e o segundo refe-
rindo-se à detemlinação de x(t0 +) e dx(t0+)ldt em função das referidas correntes e tensões.
O primeiro aspecto é resolvido com as regras apresentadas nos exemplos de comutação da
Seção 6.2. Antes e depois da n1anobra: capacitores associados e,n paralelo conservan, a soma
de suas cargas; capacitores associados em série conservam suas cargas individuais; indutores
associados em série conservam a sonia de seus fluxos concatenados; indutores associados em
vara/e/o conservam seus fluxos co.ncatenados individuais.
Além disso, pode ser útil le1nbrar que, sob excitação contínua, o indutor comporta-se as-
s·intoticamente co1no um curto-circuito, pois vl(t) = Ldil(t)ldt ~ O, e o capacitor, como um
~ircuito aberto, já que ic(t) = Cdvc(t)ldt ~ O.
Já para o segundo aspecto, não há receitas prontas. Em muitos casos, as condições iniciais
da rede são especificadas de modo 1nuito diverso que x(t0+) e dx(t0+)ldt, de maneira que não
deve surpreender se essa especificação tornar-se um verdadeiro quebra-cabeça. Os exe1nplos
seguintes ilustran1 algu1nas situações.

Exemplo 7.2
No exen1plo da Figura 7.7a, deseja-se calcular as condições iniciais de v(t0+) e
dv(t0 +)ldt, conhecendo-se os valores de iL(t0 _) e vc(t0_).
Solução:
Tem-se imediatamente, aplicando-se a l ª lei de Kircbhoff ao nó A,

e, daí,

dv(to+) = R [dis(lo+) _ di1,(to+ )] onde


dt dt dt

proveniente esta última da soma das tensões no ramo LC.


Assim,

A Figura 7. 7b apresenta essas condições iniciais.


Redes de Segunda Ordem e de Ordens Superiores 139

.
IL

L
.
z,
t R V v(to+) = R [is (to+) - iL (t 0 _ )]

Vc
+ e 2
dv(t0 +) _ R d(.(t0+) R r· ( ) . ( )] R ( )
dt - dt -Ll!s lo+ -zL to- + L Vc to-

(a) Circuito dado (b) Condições iniciais para t = to+


Figura 7.7 Exemplo 7.2.

Exemplo 7.3
No exe1nplo da Figura 7.8a, deseja-se calcular as condições iniciais de v(t0+) e
dv(t0 +)/dt, conhecendo-se os valores de iL(t0 _) e vç(t0 _ ).

Solução:
Aplicando-se a 1ª lei de Kirchhoff ao nó A, tem-se

Rearranjando-se e explicitando-se os instantes de tempo, obtétn-se

Daí,

proveniente esta última da so,na das tensões no ramo LC.


Assiin,

dv(to+) R des(fo+ )
- - -2- - - - -
dt R1 + R2 dt

A Figura 7.8b apresenta essas condições iniciais.


1 40 Análise de Circuitos Elétricos

R, A
.
IL

L
es + Rz V

Vc
+ e

(a) Circuito dado (b) Condições iniciais para t = to+

Figura 7.8 Exemplo 7.3.

Exemplo 7 .4
No exemplo da Figura 7.9a, deseja-se calcular as condições iniciais de i(lo+) e
di(t0+)fdt, conhecendo-se os valores de il (t0_) e vc(t0 _).
Solução:
Aplicando-se a 2ª lei de Kirchhoff à malha, te1n-se
di(t) l f/
L + Ri(t) +- i(-r)d,z: = <l>ô(t).
dt e -
Para que essa equação seja satisfeita para qualquer tempo t é necessário que a função
i(t) apresente wna descontinuidade em degrau na origem. Daí,

L[i(O+) - i(O_)] + Rfi+i(r)dr+_.!_fi +


- f~
e - - i(-r)dr= <I> ,

donde

pois, de O_ a O+, vc sofre descontinuidade e1n sua derivada (proporcional à corrente i),
,nas não e,n seu valor.
A Figura 7.9b apresenta essas condições iniciais.
Redes de Segunda Ordem e de Ordens Superiores 141

L R

<l>Ô (t) + i(O+) = i + i(O_)

di(O+) = - R i(O ) - _!_vc(O )


dt L + L +

(a) Circuito dado (b) Condições iniciais para t = O+

Figura 7.9 Exemplo 7.4.

7. 3 Redes de segunda ordem com excitação co-senoidal


Considere dada a rede da Figura 7.1 O, cujo gerador co-senoidal apresenta tensão na fonna

es =E111 cos (J)t •

Sendo també1n conhecidas a tensão v2(0+) = O e sua derivada dv2(0+)ldt = O.

R A
.
iL
2C
e,
-+ L/2 V2 R

T
Figura 7.10 Rede com excitação co-senoidal.

Nesse circuito, a tensão v2 deve satisfazer a equação diferencial

2 fl V2 ('r)d'r + 2c dv2(t) + -2 V2 (f )-
- -
es(t) , (7.21)
L _.., dt R R

para cuja solução devem ser seguidos os passos da Seção 7.2.


Segundo a Seção 7.2, já que a resposta forçada deve ser tal que acompanhe co-senoidal-
1nente a mesma freqüência do gerador, a solução particular da equação completa deve ter a
for1na
v2 P = V2 m cos((J)t + f/>i), (7.22)

co1n amplitude e fase a deter,ninar.


Substituindo-se (7.22) na equação diferencial co1npleta, resulta

2
V2111 sin( wt + </)2 ) - 2CwV2111 sin(OJt +<Pi.) + 3_ V2m cos(OJt +<Pi.) = Em cos wt .
LOJ R R
1 42 Análise de Circuitos Elétricos

Desenvolvendo-se o seno e o co-seno da soma dos arcos e agrupando-se os termos em


sin 01 e cos 01, resultam duas equações

2
[( LOJ - 2COJ) sin (/)i + 3_
R
cos </J2 ] V2m cos OJt = Em cos OJI
. R

que devem ser satisfeitas para qualquer t. Assim, da segunda delas obté1n-se

1 1 1 (7.23)
( LOJ -COJ)cos"',
'f/..
_ _!_sin"', =0
R 'f/.. donde <h_ = tan- R(
- LOJ
-COJ)

e ta1nbé1n

Da primeira das equações obté1n-se

donde
Em (7.24)
V2m = ---:;::=======
2
2 1+ R-, ( l(I)
f - wC)

Asshn, (7.22) pode ser finalmente escrita como

v2 p= Em cos[ OJt+tan- • R(L~ -COJ)]· (7.25)


2
2
2 1+ R ( L~ - OJC)
A solução da equação homogênea respectiva é obtida a partir da equação característica
2 2 , l 1
-+2Cp+ -= 0 ou p- + JJ+-=0
Lp R RC LC
Redes de Segunda Ordem e de Ordens Superiores 143

ou ainda

p2 + 2(áJoP + áJ2 = O onde e (7.26)

com cujas raízes obtém-se a solução da equação homogênea

<'\}[-ç-~ç2_,} <'\)[-ç+Jç2_,J, (7.27)


v211 (t) = K1 e + K2 e
A solução co1npleta

v2 (t ) -- K•1e
%[-(~} +K·2ellll[-ç+fçCi} + ?
E,,,
cos
[
M
l
+tan- 1 1~ ( Lm -
C )]
m (7.28)
2
1
2 l+R- (~ -me)

vale ero t =O

donde

2rl) 0 .Jç- -1 l+R-(--(J)c)


L(J)

Esses valores, calculados co1n os valores dos co1nponentes e substituídos en1 (7 .27), com-
pletam o problen1a.
1 44 Análise de Circuitos Elétricos

~ A amplitude V2 m e a fase fP2, da solução particular da equação corr pleta, dadas


respectivamente por (7.24) e (7.23), são mais facilmente calculada: através do
método dos fasores, que será visto no estudo geral de redes em rE gime permanente
senoidal, no Capítulo 8.

~ As exponenciais com expoentes em m0 [-Ç - ~( 2 - 1)t e m0 [ - Ç + ~( 2 - 1]L


decrescem com o tempo e correspondem à parte transitória da re: posta. Assim,
os inversos de (JJ
0 [-Ç-~Ç 2 - 1) e {J)o[-Ç+~Ç 2 - 1) comportar,-secomoas
constantes de tempo, discutidas nos sistemas de primeira ordem.

Filtros de segunda ordem


Considere novamente o circuito da Figura 7 .1 O.
Observe que, depois da fase transitória, isto é, depois de decorrido um te,npo suficiente-
1nente maior que o inverso de w0t,, a tensão v2(t) reduz-se à fonna co-senoidal (ou senoidal)
permanente v2P(t), dada por (7.25), com amplitude dada por (7.24), ou seja,

e fase dada por (7.23), ou seja,

</>, =tan-
1 1
R( -c(J)).
- L(J)

Para freqüências próximas de (J) =li .fie , a amplitude V2111 conserva-se praticamente
igual a E11/2 e a fase r/Ji é praticamente nula. Já, para freqüências muito diferentes de
(J) = 1/.JLC, a a,nplitude V2111 decai à ,nedida que au,nenta o afasta,nento dessa fi·eqüência e a
fase r/Ji passa a ser próxima de !d2 para (J) << 1/ JTc e ser próxima de -7t/2 para
(J)>> 11JTE.
Diz-se, então, que esse circuito é um filtro passa-banda, pois não altera a amplitude de
sinais senoidais de freqüência angular próxima a 1/ JTc
e atenua os sinais senoidais de fre-
qüências muito diferentes (superiores ou inferiores) desta.
As Figuras 7.11 a e 7 .11 b representam, respectiva1nente, as relações saída/entrada de am-
plitude e de fase, em escala linear de freqüência.
Redes de Segunda Ordem e de Ordens Superiores 145

90º
1 /2

ú)

90º
ú)
11fic
(a) Amplitude (b) Fase

Figura 7.11 Relações saída/entrada versus freqüência em filtro passa-banda.

A Figura 7.12 1nostra um filtro passa-baixas de segunda orde1n.

R 2L

e=::= R

Figura 7.12 Filtro passa-baixas de segunda ordem .

Procedendo-se co,no acima, obté1n-se a solução per,nanente senoidal v2p(t), cuja a,nplitude é

que evidentemente é um filtro passa-baixas, já que a amplitude da saída decai co,n o au,nento
da fi·eqi.iência.
Nesse caso, a fase de saída <Pi é dada por

(
-+L CR) {J)

r/J2 =-tan- • e 2 2 •
1- LCm

Para freqüências muito menores que {J) =1/ .fie, a amplitude V2111 conserva-se pratica-
mente igual a E11/2 e a fase <Pi é praticamente nula. Já para freqüências muito maiores que
m = 1/.fie , a amplitude V2111 decai à medida que aumenta o afasta1nento dessa fi·eqüência e a
1 46 Análise de Circuitos Elétricos

fase t/Ji_ passa a ser próxi1na de-n. Para freqüências próximas de w= II.fie a fase t/Ji_ passa a
ser próxima de -Jd2 e a amplitude V2111 próxima de

Em
~/L+Rfc.
RVc v-z
As Figuras 7.13a e 7. L3b representa1n, respectiva,nente, as relações saída/entrada de am-
plitude e de fase, em escala linear de freqüência.

</>2
11.fic
1/2 1--......... Q)

Q)
11.fic - 180"
(a) Amplitude (b) Fase

Figura 7.13 Relações saída/entrada versus freqüência em filtro passa-baixas.

Outros exernplos de filtros poderiarn ser mostrados, mas é preferível deixar para estudá-los
,nais adiante, depois da introdução de outras ferran1entas matemáticas.

Perda de inserção
O conceito de taxa de potência de inserção (visto nos capítulos anteriores) pode ser apJi-
cado aos filtros apresentados acirna.
Para o quadripolo da Figura 7.12, conectado entre o gerador (de resistência R) e a carga
(de resistência R), tem-se em regime permanente senoidal Gá que P20 = P0 )
2
1 TE
G=P,_, =
-I
To 4R
cos
....!!!...
2
(J){ dt

P2 _!_Ir E;,
T o 4R. I+ ( -RC - - L) (J)-+LCúJ
2
, 4
2 e

o que caracteriza uma perda de inserção passa-baixas

x=10log10 G=101og L+ ( RC' -C L) 2


w2 +LCw4
2
Redes de Segunda Ordem e de Ordens Superiores 147

Já para o quadripolo da Figura 7.1 O tem-se, por desenvolvimento análogo, a perda de in-
serção passa-banda
2
2
x=10 log10 G=10Iog I+R (L~ -COJ) .

Nu1n filtro passa-banda define1n-se como limites da banda as freqüências nas quais a
perda de inserção atinge um valor pré-especificado (e1n geral 3 dB) acima da perda 1nínitna.
No caso, então, os li1nites da banda são as freqüências nas quais

sendo esta uma equação de quarto grau, cujas raízes são

OJ1,2,3,4 =+
-
2
1 + ( 2~R)2
CR +(l~)2
ou, fazendo uso das relações (7.9),

As raízes negativas não serão consideradas neste caso, resultando para as freqüências limi-
tes da banda
(7.29)

A banda ou faixa de freqüências contida entre esses limites é chamada de banda-passante


(e1n inglês band-ividth) e é igual a

ou flOJ=Cl)o IQ' (7.30)

onde Q = l/(2Ç) é chamado de índice de mérito ou fator de qualidade. Note ainda que a
banda-passante é igual ao coeficiente do termo de primeiro grau normalizado da equação di-
ferencial de segunda ordem.

7 .4 Equações diferenciais de ordens superiores


A solução de equações diferenciais ordinárias, lineares, a coeficientes constantes, de or-
de1n genérica n, como apresentado na Seção 7.1 , segue os mesmos princípios já apresentados
para as redes de prin1eira e de segunda ordens, sendo aqui, também, o problema resolvido em
etapas, procurando-se uma solução particular xP(t) para a equação completa e soluções x 11(t)
para a equação ho,nogênea.
148 Análise de Circuitos Elétricos

Aqui, tarnbé1n, a obtenção de soluções particulares xP(t) para a equação cornpleta depende
1nuito da experiência do analista, continuando válidas todas as observações citadas na Seção
7.2.
Para encontrare1n-se soluções da equação homogênea, pode-se tentar as funções exponen-
ciais que já se rnostraram soluções de equações diferenciais de pri1neira e de segunda ordens.
Assim, experimenta-se

(7.31)

em (7.2), resultando
(7.32)

Sendo K-:;:. Oe a exponencial diferente de zero para t finito, resulta a equação característica
(7.33)

cujas raízes fornecerão os coeficientes Pi de n exponenciais-solução ou modos naturais da


forma de (7.31).
Se as n raízes de (7.33) forem diferentes, a solução da equação ho1nogênea será u1na com-
binação linear dos n 1nodos naturais, daí resultando para a solução co1npleta
(7.34)

As n constantes K1, K2 , ... , K,, são, então, determinadas através de u1n siste,na de n equa-
ções obtido da equação (7 .34) e suas derivadas até a ordem n - 1, e1n função de valores dados
x(t0), dx(t0 )!dt, ... , dn - 1x(t0)/dt' 1 - 1, isto é,

K1eP''º + K2 eP210 + · ·· + Kn eP,lo =x(t'0 ) - x p (tO)

K p ePito + K p epzto + ... + K p eP,lo = dx(to) - _d_-x:P_(_to_)


1 1 2 2 n ,, dt dt
(7.35)

• • • • • •• • • • • • • •• • • • • • •

dn - 1 ( )
Xµ lo
K1P111 - I e Pito + K2P2n - 1e P2to + ... + K nPnn-1 e P,lo -- dndtn
- lx(to)
-1

Se algumas das raízes da equação característica forem iguais entre si (com multiplicidade
,n), o procedimento acima não é suficiente para a solução do proble1na, pois a so1na das m ex-
ponenciais-solução resume-se numa única exponencial com um único coeficiente. Dessa for-
1na, não haveria grau de liberdade suficiente para satisfazer simultaneamente os n valores
dados x(t0) e dx(t0)!dt, .. . , d 11 - 1x(t0 )!dt11...c1.
Redes de Segunda Ordem e de Ordens Superiores 149

Do mesmo modo que já visto quando m = 2, as ,n soluções possíveis, nesse caso, podem
ser estimadas através de um caso-limite de rn soluções diferentes p 1, p 2 = p 1 + D.p, ... ,
vm = p 1 + (m - 1).1.p, que se aproximam entre si quando D.p ~ O.
Considere, por exemplo, que 111. = 3, para o qual a equação homogênea

x,, (t) -- K1e Pi' + K2 e(P, + Áp) 1 + K3e(P, + 2Ap) 1

pode ser escrita co1no

que, por sua vez, pode ser reescrita fazendo-se K4 = K1 + K2 + K3, K5 = (K2 + 2K3 ).1.p e K6 =
. 2 .
K3.1. p, ou seJa,

Daí, quando as raízes se aproximam uma da outra, o termo que multiplica K5 tende a tePi1
e o termo que multiplica K6 tende a t2 eP11 , resultando

Prosseguindo-se nesse raciocínio, tem-se para ,n genérico


m
1
x,, (t) = K 1ePi + K2 teP (7.36)
· ' + · ··+ K /li t'" - J eP = ""'
11 11
L.., K 1t; - JeP
1

i= l

Se m < n e se há outras n - ,n raízes da equação característica diferentes entre si, resulta


para a solução completa
Ili ,,

x(t)=x11 (t)+xp(t)= í:K;ti- leP11 + L K;ep;t +xp(t), (7.37)


i= I i=m+I

sendo as constantes K; determinadas através de um sistema de n equações obtido da equação


(7 .37) e suas derivadas até a ordem n - 1, e1n função de valores dados x(t0 ), dx(t0)!dt, .. . ,
d 11 - 1x(t0)!dt11 - 1•
150 Análise de Circuitos Elétricos

Problemas propostos
P7. I Dada a equação diferencial
p y(t)+4py(t)+4y(t) =8ô(t),
2

determine:
(a) As soluções da equação característica.
(b) Os modos naturais da resposta.
(c) A solução y(t) para t > O, supondo que o sistema esteja inicialtnente em repouso.
Respostas: (a) p 1,2 = -2 (raiz dupla).
(b) K 1 e-21 e K2 te-21 •

(c) y(t) = 8 te- 21 u(t).


P7.2 Dado o sistema de equações diferenciais

2p
[ -1
1] [ee2(I)(t) ] =[2u(t)]
2p
1
0
comas condições e1 (0_)= e2 (0_)=0 e pe1 (0_)=pei(O_)=O,determine:
(a) A equação diferencial envolvendo e 1(t).
(b) Os valores de e 1(0.~) e pe 1(0+).
(c) A função e 1(t), para t > O.
Respostas: (a) (4 p 2 + l)e1(t) =4ô(t) .
(b)e 1(0+)=0 e pe 1(0.~)= 1.
(c) e1 (t) =2 sin(t/ 2) u(t) .
P7.3 Dada a equação diferencial
?
(p- + 5 p + 4)y(t) = 4u(t)
com y(O+) = 1 e py(O+) = - 1, determine para t;::: O:
(a) A solução da equação hon1ogênea.
(b) Uma solução particular da equação co1npleta.
(c) A solução completa.
Respostas: (a) y 11 (t) = A1e- 1 + A2 e-41 •
(b)yp = I.
(c) y(t)=(-e- , +e-41 )/3+1.
P7.4 Para o circuito da Figura 7.14, em estado zero, pede-se:
(a) Os valores de ç, % e as raízes da equação característica.
(b) v(O+) e a expressão de v(t).
Redes de Segunda Ordem e de Ordens Superiores 151

10n

2ó(t)V + 10n 0,1 H 10-3 F v(t)

Figura 7.14 Problema P7.4.

Respostas: (a) Ç = l 00, w0 = 100 e p1,2 = -100 (raiz dupla).


(b)v(0)=200V e v(t) =200e-1001 (J-lOOt)u(t) V.
P7.5 No circuito da Figura 7.15, a chave, que estava há muito ten1po na posição 1, muda brus-
camente para a posição 2, estando o capacitor inicialmente desenergizado. Detennine:
(a) A função v(t).
(b) A son1a das energias arn1azenadas e1n l e C, w(t) = w1, (t) + lVc (t).

24n

1 2

+ 12 mH 3nF =:= v(t)


12V

Figura 7.15 Problema P7.5.

Respostas: (a) v(t) = -103 s in(I06 / 6)t u(t) V.


(b) 1t{t) = l,5 1nJ (constante).
P7.6 A chave S na Figura 7.16, há muito tempo na posição 1, passa e1n t = Oà posição 2. Pede-se:
(a) As soluções permanentes de i(t) para t < Oe para t > O.
(b) Os modos naturais da resposta para t > O.
(c) Os valores de i(O) e v(O), antes e depois da 1nanobra.
(d) A corrente i(t) para t > O.
152 Análise de Circuitos Elétricos

0,5 H
s i(t)

2,5 n 1 2 2,5 Q

v(t)

10 cos 6t V + 10 cos 6t V +

Figura 7.16 Problema P7.6.

Respostas: (a) i(t) = 2./i. cos(6t-45º) A para t <O


e i(t) = 2./i. cos(6t + 135°) A para t > O.
(b) K 1 e- 2, e K2 e-3,.
(e) i(O_)=i(0+)=2A e v(O_)=v(0+)=- 1 V.
(d) i(t)=-6e-21 +Joe-31 +2.fi.cos(6t+l35°) A.
P7. 7 Na equação diferencial
(p3 + 5p2 + 12p+8)y(t) =-4

sabe-se que K 1e-1 é um 1nodo natural da solução e y(0+)=0,5 , py(0+)=-1 e


p 2 y(O+) = - 1 são as condições desta. Determine:
(a) Os outros modos naturais da solução.
(b) A solução completa.
Respostas: (a) K 2 eC-2 - i 2 )1 e K 3 e<-2 + i 2)1 •
(b) y (t)=0,6e_, +(0,2+ JO, l)e<- 2 - i 2)1 +(0,2+ JO,l)e<'"'2 +i2 )r - 4
ou y(t) =0,6e- , + e- 2' (0,4cos2t+0, 2sin2t)-4.
CAPÍTULO

(
Os Fasores e as Redes
{ em Regime Senoidal

N este capítulo, são apresentados os tàsores co1no instrumentos 1uuito


poderosos na resolução de redes e1n regirne pennanente senoidal.
São vistas técnicas baseadas nesse novo instrumento co1n alguns exe1nplos e
aplicações a redes com esse tipo de excitação.

8. 1 Introdução
Nos capítulos anteriores foram mostrados exe1nplos e aplicações envolvendo excitações
co-senoidais (ou senoidais).
No processo seguido nesses capítulos, considerava-se que a solução tinha a forma

A111 cos(mt + </J) , (8.1)

onde A 111 e </J eram incógnitas. Nas equações diferenciais, as derivadas sucessivas da suposta
função resposta davam origem alternadamente a terrnos e1n sin ecos no argu1nento (mt + </)).
Esse argumento era desdobrado, através de relações trigonométricas, e depois se identifica-
van1 os termos e1n cos OI e ta1nbé1n os termos e,n sin OI, de onde se obtinha,n duas equações
em A 111 e </J. Esse processo, co1no visto nos exemplos, é simples, n1as requer ,nuita atenção, já
que envolve relações trigonométricas.
O método dos fasores, apresentado neste capítulo, é conceitualmente ,nais artificioso,
pois opera com grandezas co,nplexas, porém operacionalmente muito mais simples na resolu-
ção de redes em regi1ne permanente senoidal.
Dado que esse método opera co,n grandexas co1nplexas, é então de todo conveniente, an-
tes da introdução dele, uma recapitulação de propriedades básicas das grandezas complexas,
sintetizadas a seguir.
154 Análise de Circuitos Elétricos

Grandezas complexas nas formas polar e cartesiana


O método dos fasores, para representar funções co-senoidais, utiliza propriedades dos
números complexos, fazendo uso, como po.nto de partida, da relação de Euler

e1x =cosx+ jsinx onde (8.2)

cujo 1nódulo é igual à unidade.


Através dessa relação, uma grandeza complexa A genérica (isto é, seja urna constante ou
u111a função) pode ser expressa nas forinas

A=Keix =Kcosx+ jKsinx=A,. + jA;, (8.3)

onde
A= Ke1x (8.4)
é chamada de.for,na polar da grandeza complexa e

A= A,.+ jA; (8.5)

é a sua correspondente forma cartesiana ou retangular.


Na forma polar, dada por (8.4), K é uma grandeza real e positiva chamada de ,nódulo do
complexo ex é uma grandeza real chamada de argumento do complexo, ou em símbolos
e x= argA. (8.6)

Na forma cartesiana, dada por (8.5), A,. e A; são grandezas reais chamadas respectivainente
de "parte real de A" e "parte imaginária de A", que em símbolos são escritas como
A,. = Re(A) e A;= Im(A). (8.7)

Então, de (8.4) escreve-se

Re(A) = Re( KeJx) = K cosx e Im(A) = lm ( Keit) = K sin x (8.8)

e também se verifica sem dificuldade que

K=~Ar2 +A12 e x = tan - t A;IA,. . (8.9)

Com essas relações, passa-se de u1na forma polar a u1na cartesiana e vice-versa.
Observe que a forma cartesiana é particular1nente apropriada à so1na algébrica de duas
grandezas complexas A =A,.+ jA; e B = B,. +jB;, já que

(8.10)
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 155

Já produtos e quocientes são preferivelmente efetuados na fonna polar, pois, dados


A= Kaefxa e B = Kbefxb, resulta

(8.11)

Exemplo 8.1
Dados os núrneros complexos
A =-3 +JS
e
B = 4eillf2
determine:
(a) A diferença A - B.
(b) O quocienteA/B.
Solução:
(a) Transfonna-se primeira1nente Bem for1na cartesiana, isto é,
B=4(cos 7íl 2+ Jsin 7íl2)=J4.
Assim,
A - B = -3 + JS - j4 = -3 + JI .
(b) Transforrna-se primeira1nente A em forma polar, isto é,
IAI = .J9 + 25 e arg A= 1í + tan- 1 (-5/ 3) = O, 6727í = 2, 111 ,
ou seja 1,
A = 5, 83e/2,I I I .
Assim,
A 5' 83e/2,111 = l, 46eJ0,54 .
B 4e11,s11

.,. O expoente imaginário é um argumento natural expresso em radi. ·nos. Alguns


autores, entretanto, dada a maior familiaridade com a representaç ío dos ângulos
em graus, representam-no nessa forma não-ortodoxa.
.,. Neste exemplo, sendo o número Bum imaginário puro igual aj4, ) quociente A/8
poderia ser efetuado usando-se formas cartesianas, isto é,

A -3+}5 .
-= =1,25+10.15.
B J4 ,

1. 2, 111 rad corresponden1 a 120° 58'.


156 Análise de Circuitos Elétricos

8.2 Os fasores e sua aplicação a equações diferenciais


Considere u1na função co-senoidal do tempo como aquela etn (8.1 ), com amplitude A 111 e
fase tp.
Segundo (8.8) ela pode ser escrita como

Am cos(wt + </J) = Re[ A,,,ej(<l)I + ~> J. (8.12)

Por outro lado, dada a importância do valor eficaz de uma grandeza em siste1nas de potên-
cja, conforme apresentado na Seção 3.10, pode-se exprimir (8.12) através desse conceito2.
Considere que seja A o valor eficaz da grandeza co-senoidal acima relacionado à atnplitu-
deA111 segundo (3.17), isto é,

(8.13)

Assim,

A,,, cos( wt + </J) = .J2A cos( wt + </J) = .J2 Re ( Âei(J)( ) (8.14)

onde

(8.15)

é chrunado de fasor da grandeza co-senoidal (8.1 ), ta1nbé1n representado pela notação shnbólica
~

A=A l</J. (8.16)

Exemplo 8.2
Dada a tensão
es (t)=-4sin(5t-20º) V,
calcule seu fasor.
Solução:
Inicialmente, escreve-se a expressão na forma padrão, isto é,
es(t) = 4cos(5t + 90°- 20°) = 2,828.J2 cos(St + 70°).
Daí decorre i1nediatamente
'
Es = 2, 828 I 70° V.

2. Os l 10 (ou 220) volts nas ton1adas residenciais são valores eficazes de unia forma de onda co-senoidal
11o'12 cos ( ai + tfJ) [ou 220 '12 cos ( ca + tfJ)].
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 157

,
..,. E relativamente comum expressar a fase do fasor em graus, se be TI que um
argumento híbrido em função co-senoidal (misturando radianos e ;iraus) não se
presta ao cálculo numérico .
..,. É uma prática recomendada representar o fasor e a função tempo ai pela mesma
letra, utilizando caracteres maiúsculos, com acento circunflexo, pé ·a os fasores e
caracteres minúsculos para a função temporal, como na tabela:

l .1nção co-senoidal
J

Representação gráfica de fasores e fasores girantes


Um fasor, conforme definido e.1n (8.15), isto é,

 = Aej,p = Acosrp + jA sin rp ,

pode ser representado graficamente como na Figura 8.1, seja através de suas coordenadas car-
tesianas, seja através de suas coordenadas polares.
Se esse fasor for 1nultiplicado por e j<tJt resulta, e1n vista de (8.2) e (8.15), outro chamado
de fasor girante
~ .
AeJ<tJI = A cos(á>t + rp) + jA sin(wt + rp) , (8.17)

cuja representação gráfica é mostrada na Figura 8.2, ou seja, um fasor que gira no sentido an-
ti-horário com 01 (com áJ expresso em rad/s).
Verifica-se se1n dificuldade que a projeção desse jàsor girante sobre o eixo real, 1nultipli-
cada por .Ji, representa, a cada instante, o valor da grandeza co-senoidal, confonne se verifi-
ca na Figura 8.2.

lm(•) j
Im(•)

1
I sin (wt + tP)

I sin tP

l'--.,,r---" Re(•)
Re(•)
I cos q, I cos (wt +q,)
Figura 8.1 Gráfico de um fasor. Figura 8.2 Gráfico de um fasor girante.
1 58 Análise de Circuitos Elétricos

Dado que esse tipo de representação aplica-se a qualquer fasor girante, considere então
dois fasores girantes de uma 1nes1na rede (alimentada por geradores que mantêm a mes1na
freqüência e a ,n.esma fase relativa), conforme representado oa figura 8.3a.
lm Im
• •
I V

V


J
wt

Re Re
(a) Em tempo genérico (b) Em tempo "congelado" (t = O)

Figura 8.3 Gráfico de dois fasores girantes.

Sendo a freqüência dos dois fasores girantes a 1nesma, estes movimentam-se solidariamente
corn velocidade angular m Assi1n, a imagem "congelada" deles em t = O, representada na Figura
8.3b, é suficiente para definir as respectivas funções co-senoidais em qualquer instante.
A representação gráfica de fasores, com seus n1ódulos e fases relativas, mostra-se útil não
só na ilustração de tensão e corrente nos próprios bipolos, como ta1nbém na ilustração dos fa-
sores referentes a bipolos diferentes e até mesmo e1n cálculos gráficos, como será visto mais
adiante, através dos diagramas de /as ores.

Propriedades do operador Re(•)


Para que a notação fasorial possa ser empregada em equações diferenciais é necessário
ressaltar antes algu1nas propriedades do operador Re(• ), que seleciona a parte real de uma
grandeza complexa.
Considere, então, as grandezas complexas A = A,. +JA;, B = B,. + jB;, sendo A,,. A;, B,., B; e
ta1nbé1n K grandezas reais. Verifica-se imediatamente que
Re(A + B) = Re(A) + Re(B) , (8.18)
.
po,s
Re(A + B) = Re(A,. +)A;+ B,. + .iB;) = A,. + B,. = Re(A) + Re(B);
também
Re(KA) = K Re(A), (8. 19)
.
pois
Re(KA) =Re ( KA,. + JKA;) = KA,. = K Re(A) ;
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 159

ta1nbé1n

Re(dA) = !!:_ Re(A), (8.20)


dt d!
.
pois
Re(dA) = Re(dA,. + j
dt dt dt
dA;) = dA,.
dt
= !!:_ Re(A),
dt
e fina lmente

Re(f Adi)= f Re(A)dt, (8.21)

.
pois

Re ( f Adt) = Re ( f A,.dt + j f A;dt) = f A,.dt = f Re(A)dt .

Além dessas propriedades é também importante o teorema a seguir.


Teorema

"Se A e B forem grandezas complexas e Re ( Aej(J)t ) = Re ( Bej<út) para qualquer t, então


A= B".
Isso é facilmente provado fazendo-se t = O, donde Re(A) = Re(B), e depois fazendo-se
01 = -Jl/2, donde bn(A) = .lm(B), resultando A = B.

Aplicação dos fasores a equações diferenciais


Considere uma equação diferencial ordinária, linear e a coeficientes constantes do tipo

d"x(t) d 11 - 1x(t) dme(t) d 111 - 1e(t)


a0 + a1 11 1 + .. ·+ a,,x(t) = b0 + b1 111 1 + .. ·+ b111 e(t),
dt 11 dt - dt"' dt -
onde e(t) representa genericamente a excitação ou sinal de entrada e x(t) representa a respos-
ta ou sinal de saída.
Se o sinal de entrada for per1nanentemente co-senoidal do tipo

e(t) = Em cos(OJI + t/Je) = hE cos(OJI + t/Je) = .J2 Re {Êej<i». ) , (8.22)

onde
' 1.IP.
E=Ee ·• (8.23)
160 Análise de Circuitos Elétricos

é o fasor de e(t), então a saída será permanente1nente co-senoidal de 1nesma freqüência da


fonna

x(t) = x,11 cos({()/ + t/Jx) = hx cos({()/ + t/Jx) = .fi, Re ( Xej(l}f) , (8.24)

onde

(8.25)

é o fasor de x(t), sendo E e X os respectivos valores eficazes dessas grandezas.


Sendo

(8.26)

e de forma se1nelhante as derivadas de x(t), obtém-se da equação diferencial, fazendo-se uso


das propriedades dadas por (8.19) e (8.20)

J2 Re J
{ [ a0 (Jm) 11 + a1(Jm)11 - 1 + .. ·+ a11 XejM} =
(8.27)
=hRe { [b0 (Jm) 111 +b1(Jm)111 - • + .. ·+b111 ] Êej@r}

Segundo o teore1na do item anterior, para que essa expressão valha para qualquer t é ne-
' .
cessano que

(8.28)

e daí se obtém a relação entre os fasores da saída (ou resposta) e da entrada (ou excitação)

X b ( . )li/ h ( • )/11 - I
A b
HUm)=-;;-= o ;m +vi ;m +···+ m ' (8.29)
E a (;m . )11-I + .. ·+a
. )n +a, ( ;m
0 11
cha1nada de função de sistema.
U1na vez achada H(j~' pode-se escrever
A A

X=H(Jm)E (8.30)

e a saída ou resposta do circuito será

J2 Re[H(jm)Êej<,x]
x(t) =
(8.31)
= J2 1 H(ja>) 1 E cos[mt + t/Je + arg H(jm)]

onde I H(Jm) 1 representa o módulo de H(J~ e arg H(j~ representa sua fase.
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 161

.,. A função de sistema quando aplicada a circuitos elétricos é cham, da de função de


rede.

.,. O conceito de função de sistema aplica-se não só a circuitos linea es mas também
a sistemas lineares em geral, encontrados em sistemas de telecorr unicação, em
sistemas de controle (ou até mesmo em sistemas não elétricos, cc no, por exemplo,
estruturas vibrantes) etc., nos quais a relação saída/entrada é funç ioda freqüência.
Este conceito será revisto com mais detalhes em um capítulo post irior.
• A função de sistema é uma grandeza complexa, mas não é um fa~ :ir.

8.3 Os fasores e sua aplicação a redes elétricas


Como vem sendo enfatizado desde o início deste livro, o resultado final de uina análise
consiste na determinação de tensões e correntes e,n pontos da rede, conhecidas as excitações,
e foi 1nostrado que nas redes em regi,ne permanente senoidal essa ,neta é obtida através das
funções de rede.
Como visto na seção anterior, a determinação dessas funções consiste praticamente na
substituição do operador p pela freqüência complexajme das funções co-senoidais pelos res-
pectivos fasores.
Essa substituição pode ser feita em qualquer estágio da análise. Em circuitos sub1netidos a
excitações co-senoidais de freqüências variáveis, a substituição referida é mais apropriada no
fim, já que a notação com o operador p é mais simples de ser carregada ao longo de todo o
processo de análise. Já em circuitos elétricos excitados com freqüência fixa (por exemplo,
60 Hz) e com elementos com valores conhecidos, a substituição de p por jme das funções co-
senoidais pelos respectivos fasores é mais apropriada no início, já que o proble1na pode ser
tratado numerican1ente desde o princípio.
Os itens seguintes aplicam a notação fasorial a conceitos vistos anteriormente, para ade-
quar a análise a essa notação e possibilitar ao analista fazer uso dela na si1nplificação do pro-
blema.

As equações de Kirchhoff em forma fasorial


Jª lei de Kirchho_ff ou lei das correntes
Considere u,n nó numa rede elétrica ao qual incidam somente correntes co-senoidais de
tnesma freqüência, todas elas da forma

com (8.32)

A aplicação da 1ª lei de Kirchhoff (2. l) ao nó, seguida da aplicação das propriedades


(8.18) e (8.19), leva a

-o
- .
162 Análise de Circuitos Elétricos

Finalmente, da aplicação do teore1na da seção anterior, resulta


n A

L Ik =O, (8.33)
k =l

ou seja, a soma algébrica dos /asares de correntes co-senoidais de mes,na freqüência


incidentes nu,n nó é igual a zero.
Z1 lei de Kirchhoffou lei das tensões
Considere u1n laço numa rede elétrica ao longo do qual existam somente tensões co-
senoidais de mesma freqüência, todas elas da forma

com T7 - T? eÍ~k .
Yk-Yk (8.34)

A aplicação da 2ª lei de Kirchhoff (2.2) ao laço, seguida da aplicação das propriedades


(8. 18) e (8.19), leva a

-o
- .

Finalmente, da aplicação do teorema da seção anterior, resulta

(8.35)

ou seja, a sorna algébrica dos /asares de tensões co-senoidais de mesma ft·eqüência rnedidas
ordenada,nente ao longo de um laço é igual a zero.

Impedância e admitância em regime permanente senoidal


Considere u,n capacitor de capacitância C, sobre cttjos terminais se estabelece a relação de
tensão e corrente dada por ( 1.1 O), isto é,

z.c (t )-- e dvc (t) .


dt
Sendo i(t) e v(t) co-senóides de mesma freqüência, podendo ser escritas através de seus fa-
sares como
e

faz-se uso de (8.20) e do teorema da seção anterior, resultando


A A A I -j
A A

Ic =jmCVc e V.e= lc =
jmC . OJC
Ic. (8.36)
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 163

A Figura 8.4a ilustra grafica1nente os fasores de tensão e corrente num capacitor. To1nada
A

a fase do fasor de tensão co.1no referência ( Vc real puro positivo), resulta que o fasor da cor-
rente é um imaginário puro positivo.
De maneira semelhante, num resistor de resistência R chega-se às relações

e (8.37)

e n.u1n indutor de indutância L chega-se a

e (8.38)

As Figuras 8.4b e 8.4c representa1n, respectivamente, posições relativas dos fasores de


tensão e correntes e1n resistores e indutores.

Im Im lm
j •
V
Re

j
Re Re
(a) Em capacitar (b) Em resistor (e) Em indutor

Figura 8.4 Fasores de tensão e correntes.

As Equações (8.36) a (8.38), por relacionarem fasores de tensão e de corre.nte nu1n bipolo,
constituem-se na lei de Ohm generalizada e pode1n ser expressas na forma geral
A A A A

V =Z(júJ)I e I = Y(júJ)V . (8.39)

As grandezas R, 1/(ja;C) ejã)L são as chamadas ilnpedâncias de R, C e L, respectivamen-


te, e 1/R,jáJC e 1/(jã)L), suas admitâncias. O sÍlnbolo Z(jã)) e1n (8.39) representa u1na impe-
dância genérica e Y(jã)) representa uma admitância genérica. Assi1n,

ZR(júJ)=R (8.40)

. 1 -j
Zc (;úJ) = júJC = úJC Yc (júJ) = júJC (8.41)

. 1 -j
Zi (júJ) = júJL Yi (JúJ) = . =- (8.42)
JúJL úJL
164 Análise de Circuitos Elétricos

ll>- A impedância é uma função de rede onde a excitação é a correntE e a resposta é a


tensão nos terminais do bipolo. Inversamente, a admitância é um, função de rede
onde a excitação é a tensão e a resposta é a corrente nos terminai ; do bipolo. Com
essa conceituação, as expressões de (8.39) a (8.41) poderiam ter s :lo deduzidas
diretamente a partir das expressões de (4.9) a (4.11 ).
ll>- Do mesmo modo, as expressões de {8.36) a (8.39) poderiam ter si, lo obtidas
diretamente das expressões de (4.5) a (4.8), substituindo-se nestas o operador p pela
freqüência complexajá>e as funções co-senoidais pelos respectiv< s fasores.

A unidade imaginária j interpretada como um operador


No item anterior foram mostrados fasores que se relacionam a outros através da unidade
i1naginária J. Por exemplo, num indutor os fasores da tensão e da corrente nos seus tenninais
estão relacionados através de (8.38), isto é,

ou

Nu,n caso con10 esse, as respectivas funções co-senoidais seriam

iL (t) = .fi.1L cos(wt + </))

vL (t) = .fi.wLIL cos ( wt + </) + n/ 2) = -.fi.wLIL sin ( wt + </)) ,

ou seja, a forma da tensão é se,nelhante àquela da corrente, mas ocorre um quarto de período
antes.
Assim, a unidade imaginária j age, ao multiplicar um fasor, como um operador que adian-
ta a função co-senoidal respectiva de 90° ou 7d2 rad.
Do mesmo modo, seu negativo -j age, ao multiplicar um fasor, como um operador que
atrasa a função co-senoidal respectiva de 90º ou 7i/2 rad.
Nas representações gráficas de fasores, como aquelas da Figura 8.4, a multiplicação de um
fasor por j o faz girar de 90° ou 1i/2 rad no sentido anti-horário (sentido positivo das fases) e a
1nultiplicação de um fasor por -J o faz girar de 90° ou 7i/2 rad no sentido horário. Através
dessa imagem, é fácil constatar que o fasor girante multiplicado por j projeta no seu
1novimento sobre o eixo de referência uma senóide ocorrente um quarto de período antes da
senóide projetada pelo fasor original. Assim, também, o fasor girante multiplicado por -j pro-
jeta no seu movi,nento sobre o eixo de referência uma senóide ocorrente um quarto de período
depois da senóide projetada pelo fasor original.

Os métodos de análise de redes


Uma vez adaptadas as leis de Kirchhoff à notação fasorial, co,no em (8.33) e (8.35), e da-
das as definições de impedâncias e admitâncias, como em (8.40) a (8.42), os métodos de aná-
lise de redes apresentados no Capítulo 4 são todos estendidos sem dificuldades à notação
fasorial.
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 165

Os passos apresentados nos 1nétodos de análise do Capítulo 4 pode1n ser parafi·aseados tro-
cando-se tensões e correntes co-senoidais (de 1nesma freqüência) pelos respectivos fasores,
aplicando-se, então, as leis de Kirchhoff em suas correspondentes fonnas fasoriais e trocando-
se as impedâncias e admitâncias operacionais pelas suas correspondentes impedâncias e admi-
tâncias.

Exemplo 8.3

No circuito da Figura 8.5a, com es(t) = 2 cos (21 + 45°), is(t) = 2,fi. cos (2t - 30°),
R = 0,5 Q , L 1 = 1 H, L2 = 0,5 H e C = l ,5 F:
(a) Adapte o circuito para a análise nodal com fasores desenhando um esquema com os
fasores das tensões e correntes e com as admitâncias no lugar dos componentes.
(b) Escreva as equações de análise nodal em forma matricial.
A

(c) Determinej 1(t) através do cálculo de seu fasor J 1 •

• •
e E1 j3S E2

J,
11

-. +
"
LI L2 t i, 28 -- js
2
- j!S t 3/- 30° A

--
(a) Esquema original (b) Esquema adaptado à análise

Figura 8.5 Exemplo 8.3.

Solução:
(a) A fi1n de adaptar-se o circuito à análise nodal com fasores, são obtidos iniciahnente
os fasores de es(t) e is(t) segundo:
es(t) = J2 Re[ hej
450
ej 21 J donde Ês =h ej
450
= 1+ jl V
e

is(t) = J2 Re[3e-jJOº ej21 J donde J = 3e- J3o• = 3.J3 - ;· i A .


s 2 2
Em seguida, têm-se as admitâncias segundo a correspondência3 :

R Y1?=2S
1
YL·,=
j(J)Li
=-,·!s
. 2

3. A unidade de adn1itância é siemens (shnbolo S).


166 Análise de Circuitos Elétricos

YL2 = . Ili =-jl S


. JW

e Yc =jWC=j3 S

Finalmente, a transformação do gerador de tensão com es(t) e L1 na forma de Norton dá


a corrente de curto-circuito

cujo fasor é

A Figura 8.5b mostra o esquema adaptado à análise nodal fasorial, cotn geradores em
forma de Norton fasorial e os bipolos passivos representados pelas respectivas admi-
tâncias.
(b) Substituindo-se nas equações nodais

seus valores numéricos, resulta

2+ j2, 5 -j3] :1 [ 2 + j2 ]A

[ -}3 }2 E?- - 2,6- jl, 5


ou

~I = [2+ j2, 5 -j3]- 2+ }2 l [ ].


E2 - j3 }2 2, 6 - jl, 5

Após a inversão na matriz indicada e a realização do produto 1natricial, resulta

~I =[l, 5366+}1, 4118 ] ·


E2 1, 5552+ J0,8186

(e) Sendo
A ~

J 1 = YL 1E1 = - j0,5 (1, 5366 + jI, 4118) = O, 7058 - JO, 7683


= ~o, 4983 + o,5903 e1 1ª0 -l (- l,OS&4) ;:; 1, 043 e- 147 ,43º
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 167

resulta

J, (t) =1, 043h cos (2t - 47, 43º).

• Este exemplo é idêntico ao Exemplo 4.5. Daí, o resultado fina l poc eria ser calculado
através da determinação da função de transferência na equação d ferencial lá obtida,
com a posterior substituição dos valores numéricos.

8.4 Técnicas de simplificação de redes


Além de poder analisar genericamente uma rede e fazer substituições numéricas na função
de transferência determinada ou poder substituir os valores numéricos das impedâncias (ou
admitâncias) e fasores no início e, então, proceder à análise numérica, o analista pode também
simplificar a rede antes de analisá-Ia.
As regras de associações de bipolos, introduzidas no Capítulo 2, são facilmente adaptadas
ao regime senoidal.
De fato, numa associação série de bipolos passivos, lineares e fixos, dado que estes são
percorridos pela mesma corrente, resulta, da aplicação da 2ª lei de Kircbhoff (lei das tensões)
em forma fasorial e em vista de (8.39), que a impedância equivalente da associação é igual à
so1na das impedâncias dos bipolos constituintes, isto é,

Zeq (j(J)) = 2 1(j(J)) + 2 2 (j(J)) + ·· ·. (8.43)

Da mesma forn1a, numa associação paralela de bipolos passivos, lineares e fixos, dado que
estes são submetidos à mesma tensão, resulta, da aplicação da Iil lei de Kircbhoff (lei das cor-
rentes) em forma fasorial e em vista de (8.39), que a admitância equivalente da associação é
igual à soma das admitâncias dos bipolos constituintes, isto é,

~q (j(J)) = Jí (j(J)) + 1í (j(J)) + .... (8.44)

Com a aplicação sucessiva de (8.43) e (8.44), chega-se a concluir que qualquer bipolo
constituído internamente por u1na rede de elernentos passivos, lineares e fixos, quando subrne-
tido a excitações senoidais de mesma freqüência, pode ser expresso para efeitos externos por
sua impedância (ou admitância) equivalente.
Esse fato, além de sua importância genérica, é particularmente importante na aplicação dos
teore1nas de Thévenin e de Norton, enunciados em itens seguintes.
Vale tambérn observar que, e,n conseqüência de associações, un1a impedância equivalente
resulta, em geral, nu1na função co1nplexa da forma
(8.45)

onde Req(J ~ e Xeq(J ~ são funções reais de j m chamadas, respectivamente, de parte resisti-
va e parte reativa da impedância, ambas expressas em ohms (símbolo Q).
1 68 Análise de Circuitos Elétricos

De modo semelhante, em conseqüência de associações, uma admitância equivalente resul-


ta, em geral, nun1a função complexa da forma

Yeq (jOJ) = Geq (jOJ) + jBeq (jOJ) , (8.46)

onde Geq<J oJ) e Beq<J o1J são funções reais de j l4 cha1nadas, respectivamente, de parte condu-
tiva e parte susceptiva da admitância, ambas expressas em siemens (sí1nbolo S).

Divisores de tensão e de corrente


As regras de divisão de tensão e corrente aplicadas para eler.nentos passivos, lineares e fi-
xos de mesma espécie, no Capítulo 2, são agora generalizadas em regime permanente senoidal
para quaisquer ele1nentos passivos, lineares e fixos.
Divisor de tensão
U1na vez que, pela Iª lei de Kirchhoff em forma fasorial, o fasor da corrente ern todos os
bipolos de uma associação série é o 1nesmo e, pela 2ª lei, o fasor da tensão nos extremos da
associação é a so1na dos fasores das tensões nos bipolos associados, obtém-se setn dificuldade
a seguinte relação, envolvendo as impedâncias e fasores de tensão, ilustrados na Figura 8.6a:

(8.47)


1.
>-
z. •
' 12

vs
Yi

1
Y2
Z2
V2 -

(a) Divisor de tensão (b) Divisor de corrente

Figura 8.6 Divisores de tensão e de corrente.

Divisor de corrente
De forma dual, uma vez que, pela 2ª lei de Kirchhoff em forma fasorial, o fasor da tensão
em todos os bipolos de uma associação paralela é o mesmo e, pela 1ª lei, o fasor da corrente
nos extremos da associação é a sorna dos fasores das correntes nos bipolos associados, obtém-
se se1n dificuldade a seguinte relação, envolvendo as admitâncias e fasores de corrente, ilus-
trados na Figura 8.6b:

(8.48)
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 169

Teorema de Thévenin
"Uma rede linear N que, exceto através de dois terrninais acessíveis, não ten1 outros víncu-
los e acoplamentos com o meio externo a ela, operando em regime permanente senoidal, é
equivalente, para efeitos externos, à associação série de uma impedância Z0 (j<0 com u1na.fem
de fasor E' 0 onde Z 0 (joJ) é a impedância equivalente obtida da rede N inativando-se todos os
seus geradores e onde Ê0 é o fasor da tensão rnedida entre os terrninais acessíveis ern aberto
(sem ligações externas)."

Teorema de Norton
"Uma rede linear N que, exceto através de dois terminais acessíveis, não tem outros víncu-
los e acoplamentos com o meio externo a ela, operando em regitne permanente senoidal, é
equivalente, para efeitos externos, à associação paralela de uma ad1nitância Y0 (j<0 co1n um
gerador de corrente de fasor !0 , onde Y0 (joJ) é a ad1nitância equivalente obtida da rede Nina-
tivando-se todos os seus geradores e onde 10 é o fasor da corrente rnedida entre os terminais
acessíveis em curto-circuito (ligados entre si)."

~ Parafraseando-se a dedução feita no Capítulo 4, pode-se mostrar, om a notação


fasorial que os modelos de Thévenin e Norton são equivalentes se
" .,.. ,.. ,..
/0 = Y0 (ja>)E0 ou E0 = Z0 (ja>)l0 conl Y0 (ja>) =l/Z0 (ja>) (8.49)

Exemplo 8.4
No circuito da Figura 8.7a, com es(t) = 2 cos (2! + 45°), is(t) = 2 .fi. cos (2t- 30°),
R = 0,5 Q, L 1 = l H, L2 = 0,5 H e C = 1,5 F:
(a) Ache o gerador de Norton em forma fasoria l equivalente à rede ligada ao indutor
Li·
A

(b) Acrescente o indutor L1 ao circuito e detern1inej1(t) através do cálculo de seu fasor J 1 •

R e o,s n -J 113 n
' '

-
~
(3-Ji - }3)
e, + '· t (1 + jl) V 1,±) JI n ti ----A
2

(a) Esquema original (b) Rede ligada a L 1

Figura 8.7 Exemplo 8.4.


170 Análise de Circuitos Elétricos

Solução:
(a) A Figura 8.7b representa a rede ligada a L1, onde os fasores Ês e Ís, respectivamente
de es(t) e is(t), são obtidos como no exe,nplo anterior, isto é,
es (t) = J2 Re [ J2ej 450 ej 2t J donde Ês = J2ej 450 = l + jl V
e

is (t) =J2 Re [ 3e- j)Oº ej 2' J donde I s = 3e- j30º = 3Jj - J-


A .3 A
2
·
2
Além disso, têm-se as impedâncias segundo a correspondência:

R ZR=0,5 Q

zl, = JwL1= J2 n
Zl 2 = JwL2 = j l Q

e Zc = }~=-}; Q

Em vez de serem calculadas a corrente de curto-circuito e a admitância interna do ge-


rador de Norton equivalente usando-se técnicas de análise de redes, será adotada aqui a
técnica de fontes equivalentes e associações série e paralelo, de ,nodo análogo ao utili-
zado na Seção 2.5.
Transfonna-se, inicialmente, o gerador de corrente com is(t) e L2 na forma de Théve-
nin, dando o fasor dafe,n equivalente

O circuito equivalente com os geradores na fonna de Thévenin e os ete,nentos passivos


expressos por suas impedâncias está representado na Figura 8.8a.
o,s n -jl/3 n jl n

(9 Ji - j9) A
:1 + jl) V (2+j2)A t 2s - j3/2S
,rC""',.

t 4

(a) (b)

Figura 8.8 Exemplo 8.4 (continuação).

Na Figura 8.8b os geradores são transformados em geradores na forma de Norton e os


elementos, expressos por suas ad1nitâncias.
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 1 71

Finalmente, associando-se e,n paralelo os geradores de corrente (somando-se algebri-


camente seus fasores) e as ad,nitâncias, resulta o gerador equivalente de Norton que es-
tá ligado ao indutor li, conforme representado na Figura 8.9a.
A

(b) O cálculo do fasor J 1 é realizado acrescentando-se ao gerador de Norton a admi-


tância de L1 e utilizando-se a técnica de divisão de corrente. Um ,nodo de cálculo
alternativo é transformar primeiramente o gerador equivalente na forma de Théve-
nin, representado na Figura 8.9b, calculando, então, a corrente da malha.

o,32 - J0,24 n

(5,90-J0,25) A (t 2-1312 s (1,95 + jl,34) V + j2Q

(a) Gerador equivalente de Norton


(b) Gerador de Thévenin com ZLI

Figura 8.9 Exemplo 8.4 (continuação).

Com os dados da Figura 8.9b obtém-se

34
JI = l, 95 + jl, = O, 708- jO,769
0,32+ j0, 24+ j2
=.J0,501 +0, 591 ejtan- i (- l .0&6 ) = 1,045 e - j 47,36º

e daí resulta
j 1(t) =1, 045.J'i. cos (2t - 47, 36º) A.

Este exemplo é idêntico ao Exemplo 8.3.

8.5 Diagrama de fasores


Uma representação gráfica dos fasores de uma rede ou pa11e dela, confonne introdução
feita na Seção 8.2, é chamada de diagrama de fasores.
U,n diagrama de .fasores mostra-se importante não só pelo fato de exibir as posições rela-
tivas dos fasores, ,nas principalmente pelo fato de poder ser usado como uma ferramenta de
cálculo gráfico das leis de Kirchhoff.
Com essa ,neta, verifica-se, preliminarmente, que os fasores pode,n ser so,nados (ou sub-
traídos) com a 1nes1na técnica usada para a soma de vetores nu1n plano.
172 Análise de Circuitos Elétricos

De fato, considere que

11 = 11ej'PJ = 11 cos 9>J + j11 sin 9)i e

são dois fasores dois quais se deseja a soma


• • •
1 = 11 + 12 = ( 11 cos 9>J + 12 cos {b2 ) + j ( 11 sin 9>J + 12 sin ~2 )

ou a diferença

Sem dificuldades, verifica-se que a soma é obtida graficamente como na Figura 8.1 Oa e a
diferença é obtida como na Figura 8.10b.
lm(•) lm(•)

-- -- ---
--1
...
!l ----
---
I •
I -J2 Re(•)
A

Re(•) 1
A A A

(a) Soma j J
= j1 + 2 (b) Diferença I =11 - 12

Figura 8.10 Representação gráfica da soma e da diferença de fasores.

Deve-se ressaltar, co.mo já observado na Seção 8.3, que um fasor 1nultiplicado pela unida-
de imagináriaj é girado no diagra1na de um ângulo de 90° (ou 1d2 rad) no sentido anti-horário
ou multiplicado por -j é girado de u1n ângulo de 90° ( ou 1d2 rad) no sentido horário.
Dadas as premissas acima, considere o circuito RLC-série, 1nostrado na Figura 8.11 a.

• jwL Im(•),,
I
) . . . .__J


RI
V
• . r-----~~
R jwLT,f' - j(llwC)]
-' '.
V

Re(•)
(a) Circuito RLC-série (b) Diagrama de fasores

Figura 8.11 Circuito RLC-série e seu diagrama de fasores .



Nesse circuito, a corrente é co1num e seu fasor 1 é tomado como referência.
Já que
A A 1 A A

RI+ j(J)Ll - j 1 =V ,
(J)Ç
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 173

o fasor da tensão é a soma de três fasores: um proporcional a R e e1n fase com a corrente, ou-
tro proporcional a oi, e adiantado de 90° em relação à corrente e, fmal1nente, outro proporcjo-
nal a 1/ OL' e atrasado de 90° em relação à corrente. O resultado é mostrado na Figura 8.1 lb.

""" Dado que um diagrama de fasores é uma imagem congelada dos 'asores girantes de
uma rede que se movem em conjunto com velocidade a>, a fase de qualquer tensão ou
corrente em elemento da rede pode ser arbitrada sem alterar a po. ição
relativa dos fasores no diagrama.

Exemplo 8.5
No circuito da Figura 8. 12a, sabe-se, pela leitura do amperô1netro4 A, que o módulo do
fasor Í 2 vale 2 A.
A A

Determine Es, através de um diagrama de fasores, tomando a fase de 12 como referência.

A
so 120 ' 1m lOV
I 12 1 1
' 1A
~
'
~
h
'
Vi. 1 1

A
VR 11
A
VR2 Vi. j160
E.,
20 0
' A
Vai
1' 2 VR2
h
Re

(a) Circuito dado (b) Diagrama de fasores

Figura 8.12 Exemplo 8.5.

Solução:
Referindo-se à Figura 8. 12b, torna-se a fase de 12 como referência (eixo real) e têm-se
A A A

irnediata1nente os fasores VR2 e VL , o primeiro em fase com 12 e o segundo adiantado



de 90° em relação a / 2•
.A ,.. "' ....

Da soma de VR 2 e VL obté1n-se VR 1 e daí / 1, que está em fase com esse fasor de tensão.
,.. .À. A A A

Da sorna de / 1 e /2 resulta/. Obtém-se, então, VR, que está em fase com!.


A A A

Finalmente, da soma de VR 1 e VR resulta Es. [Numericamente, obtém-se do diagrama


'
Es =40+ j40 V.]

4. Ta1nbém chamado de a1nperímetro.


174 Análise de Circuitos Elétricos

Exemplo 8.6
Considere o circuito da Figura 8.13, no qual as tensões e correntes são representadas
pelos respectivos fasores e os elementos são representados pelas respectivas impedân-
cias em ohms.
A A

Dado Es =1O / 20° volts, calcule E2 através de um diagrama de fasores .

• •

I j1 E1 0,5 j2 12


1,
• -jl •
Es 0,5 E2
1

Figura 8.13 Exemplo 8.6.

Solução:
Dado que um diagrama de fasores é constituído pela adição progressiva de fasores, de-

ve-se iniciá-Jo pelo fim da rede, tomando-se 12 como referência e somando-se, pouco a

pouco, os fasores de tensão e corrente até chegar-se a Es, obtendo-se, então, u1n vínculo
• • •
fasorial entre Es e 12. Não sendo o valor de Es, assim obtido, igual àquele dado, recalcu-
la-se por regra de três o fasor Í 2 com base no Ês dado.
A A

Suponha, então, que / 2 = 1 / 0°, daí decorrendo E1 =1+ j2 , como mostra a Figura
8. 14a.


lA • •
E1 11 (arbitrário) = 1/1
j2
1 lV
1
1
1
jl 1
1
1
1•
112

---------- E1
1 2
• • •
(a) Diagrama do fasor E1 relativo a I 2 (b) Fasores no ramo / 1

Figura 8.14 Exemplo 8.6 (continuação).

Sendo Ê 1 responsável pela corrente Í 1 desconhecida, atribui-se inicialmente à corrente


o valor de referência arbitrário e através das quedas de tensão provocadas por ela no re-
• •
sistor e no capacitor do ra1no obtém-se E 1, co1no mostra a Figura 8.14b. Claramente, E 1
está atrasado de 45º em relação a Í 1 e tem 1nódulo (nas unidades adotadas) .Jz vezes

1naior, ou seja, a corrente / 1, antes desconhecida, pode ser juntada ao diagrama da Figu-
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 175

,
ra 8.14a, co1n avanço de 45° em relação ao fasor ai i determinado de E1 e co1n 1nódulo
.J2 vezes menor. Tal adição é mostrada na Figura 8.15a.
IA
IA Ês -- }2--- -- E ,
• 1 IV
}2 ------- E1 IV I
I

• I li
1, I
I
I 1
I 1
A
I 1
I
\
Ei A 1
1
• 1 A Ez \ 12 A

Ei •12
-1 1 2
1 2


(a) Diagrama de fasores até 11 (b) Diagrama de fasores completo

Figura 8.15 Exemplo 8.6 (continuação).

A A A

Na Figura 8.15b, são representadas sucessivamente a corrente I = 11 + 12 , a queda de


tensão ÊL emj 1 (adiantada de 90° em relação a Í e com mesmo 1nódulo que este) e, fi-
A A ,

nalmente, a soma de E1 e EL , da qual resulta Es, medido aproximada1nente como


2, 5 I 100° volts. (Como todo método gráfico, este valor não é o exato; por método
numérico ele seria 2, 55 / 1O1, 3° .)
A

A solução do problema é obtida respondendo-se à questão: se E8 = 2, 5 / I 00° V na


A

entrada corresponde a / 2 = 1 / 0° A sobre uma resistência de 0,5 .Q na saída, qual a


A A

saída E 2 correspondente a E8 = 1O / 20° V na entrada?


Tratando-se de um sistema linear,

Ê2 = O, 5 x I ~ x 1O / 20º
A

ou E2 =2 /-80° V.
2 5 / 100°
'

8.6 Perda de inserção


O conceito de perda de inserção, introduzido no Capítulo 5 para quadripolos resistivos, é
aqui generalizado para um quadripolo contendo um número qualquer de elementos reativos,
lineares e fixos, em regime permanente senoidal.

Considere u1n gerador co1n.fe111. e0 co-senoidal de freqüência cq representada pelo fasor E0 ,
e resistência interna R1 e uma carga de resistência R2 interligados através de um quadripolo
constituído de elementos lineares e fixos, como mostrado na Figura 8.16a. Além disso, consi-
A

dere que v1 é a tensão co-senoidal de 1nesma freqüência, representada pelo fasor Vj, medida
176 Análise de Circuitos Elétricos

no acesso do quadripolo ligado ao gerador e v2 é a tensão co-senoidal, representada pelo fasor


h

V2 , medida na carga.
Numa nova situação, o mesmo gerador é ligado à mesma carga diretamente, como mostra-
do na Figura 8.16b, e se estabelece uma tensão v20 co-senoidal de 1nesma freqüência, repre-
sentada pelo fasor V' 20 , entre seus tenninais.

(a) Ouadripolo entre gerador e carga (b) Gerador ligado diretamente à carga

Figura 8.16 Perda de inserção.

No esque1na da Figura 8.16a, te1n-se, imediatan1ente, a potência instantânea na carga

v;(t)
P2(t) = R2 ,

cujo valor médio é:

(8.50)

e a potência instantânea disponível do gerador

_ e;(t)
Po(1)- 4R '
1

cujo valor médio é:


, 2
J,'
l + r [.JiEo cos(0)/ + (/)o )]2 E2 Eo
P, =- o
0
dt = o (8.51)
T 10 4R1 4R1 4R1 '

onde T (período da co-senóide) é igual a 2:rc/w.


Por outro lado, no esquema da Figura 8.16b, tem-se na carga u1na tensão v20 co1n fasor
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 177

dissipando uma potência média

R') ~ 2
--=---1E0 • (8.52)
(R, +R2)2

Por definição, taxa de potência de inserção ( em inglês insertion power ratio) é o quociente
G entre as potências 1nédias P20 e P2 , isto é,

(8.53)

de que, tendo em vista (8.50) e (8.52), obtém-se

Definida a função de transferência5 T(jw) = V2 (jm) / Ê 0


, resul.ta

(8.54)

Nessa expressão, está clararnente explícito o vínculo entre a taxa de potência de inserção e
o quadrado do rnódulo da função de transferência entre a tensão de saída do quadripolo e a
fe111. de um gerador co-senoidal.
Note que, por envolver o módulo ao quadrado de uma função de ~ G( aj é urna função par de
a (isto é, não possui termos em j aj e daí o porquê da variável adotada para representá-lo.
Aplica-se também aqui a definição de perda de inserção (em decibels6) , como ern (5.29),
dada por

1 1
x( m) = 1Olog 10 G( m) = l OJog10 p20 = 1Olog10 ') dB. (8.55)
2
Pz(m) (1 +R1 I R2 )- IT(Jw)I

Vê-se, nesse caso, que a perda de inserção causada por um quadripolo corn elementos rea-
tivos, inserido entre um gerador comjem co-senoidal de freqüência we resistência interna R 1
e uma carga de resistência R2 , depende claramente da freqüência.
Essa discriminação em freqüências (sinais de algumas freqüências sofrem rnenos perdas
que sinais de outras) constitui o princípio da filtragem elétrica.
Como já observado no Capítulo 5, a ta.xa de potência de inserção, na forrna de (8.54), é
particularrnente importante para quadripolos passivos (isto é, quadripolos corn resistores, in-
dutores, capacitores e indutâncias n1útuas), constituindo-se muitas vezes em especificação de

5. A função de transferência é u,naji,nção de rede.


6. Atenção à forn1ação do plural de unidades, como já observado no Capítulo 5.
178 Análise de Circuitos Elétricos

síntese, ou seja, quando se deseja achar um quadripolo que, inserido entre um gerador resisti-
vo e uma carga resistiva, apresente uma taxa de potência de inserção especificada.

Exemplo 8.7
No circuito da Figura 8. 17a, o quadripolo, constituído pelo indutor L e capacitor C, é
inserido entre um gerador, de fem co-senoidal e resistência R, e uma carga, de resistên-
cia tambérn igual a R.
Determine a taxa de potência de inserção resultante da presença do quadripolo.

R L e R j(J)L -j/((J)C)
-1C:::::~:::::J--c=:J-+--,
'
es + R R

(a) Quadripolo entre gerador e carga (b) Esquema com impedâncias

Figura 8.17 Exemplo 8.7.

Solução:
Na Figura 8.17b, observa-se que, pelo fato de todas as impedâncias serem atravessadas
A A

pela mesma corrente, V2 está em proporção com R assim como Es está corn a so1na de
todas as impedâncias da malha. Então,
A

. V2 R
T(JOJ) =-;;- = 1 .
Es 2R+ jOJL- j -
(J)C

Daí, a taxa de potência de inserção


,.. 2 ,
IE
G(OJ)= - + =l+
4 V2 4R2
OJL -
OJC
1( 1)- .

Vê-se, então, que o quadripolo inserido entre o gerador e a carga se comporta como um
.filtro passa-banda, pois, para OJ~ O e OJ~ oo, G( ~ ~ oo e, nas vizinhanças de
OJ = I / .fie , G( ~ .:: 1.
Fisicarnente, isso poderia ter sido intuído, já que para (J)~ Oa irnpedância do capacitor
tende a infinito, não circula corrente na rnalha e não há tensão na carga. O mestno ocor-
re para (J)~ oo, já que, nesse caso, é a impedância do indutor que tende a infmito. Em
freqüências intermediárias, nas vizinhanças de OJ = 11.[ic , as reatâncias têm efeitos
compensatórios e a corrente na carga avizinha-se de seu valor máximo, tendendo a per-
da a zero.
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 179

Ili> O conceito de banda-passante, introduzido na Seção 7.3 e formali :ado em (7.30),


aplica-se igualmente neste exemplo.

8. 7 Uso dos fasores com freqüências diversas


As aplicações dadas nas seções anteriores ao método dos fasores envolvera1n ou uma úni-
ca freqüência explicita ou uma freqüência paramétrica supostamente também única.
Nesta seção é mostrado como se podem encontrar soluções particulares para equações di-
ferenciais (soluções permanentes, no jargão de Circuitos) e1n regime per1nanente senoidal,
1nesmo no caso de o processo envolver um gerador com sinal composto de várias freqüências
ou de vários geradores de freqüências diversas.

Gerador com várias freqüências


Considere o caso e1n que se deseja a solução permanente de um sistema com um único ge-
rador cuja excitação seja composta de sinais co-senoidais de várias freqüências, isto é,
e(t) = e1(áJit) + e2 (a>it) + · · ·. (8.56)

Essa situação aplica-se, em princípio, a sinais co-senoidais genéricos, 1nas é


particularmente útil às excitações periódicas desenvolvidas em série de Fourier.
Dada a linearidade do sistema, a resposta permanente será a so1na de sinais co-senoidais
X(I) = X1 (áJil) + X2 (@it) + · ··, (8.57)

onde x;(OJ;t) é a resposta referente somente à excitação e;(OJ;t) , e assim por diante.
Nesse caso, conforme demonstrado na Seção 4.6, pode-se resolver cada uma das equações
diferenciais da forma

dnx .(OJ.f) d"- 1x -(OJ.f)


a
Q
' '
dt"
+a J
' , + ... +a
d{" - ) ti
X · (w-t)
I I
=
(8.58)
d me; ( OJ;t ) b dm
. -1 e; ( OJ;t ) b ( )
= bo m + 1 dm-1 + · · · + e OJ.t, •
111,
dt t

Sendo os e;(OJ;t) funções co-senoidais de fasores E;(OJ;), as respostas x;(OJ;t), aí procu-


A

radas, de fasores X; (OJ1 ) , serão obtidas das equações

para cada freqüência cq.


180 Análise de Circuitos Elétricos

A solução final de (8.57) será, então, dada por

. )Ili + "l
bo ( JáJ; JáJ; )f/1 - 1 + ... + bIli
h ( .
• }üJ;f
x(t) = L X;(áJ;f) = ../2 Reí: 1
E;(áJ;)e (8.60)
ªo (jáJ; )n + ª• (jáJ; )n - + ... +a,,

Exemplo 8.8
Considere o circuito RL da Figura 8.18a, ali1nentado por u1n gerador com/em e(t) re-
presentada pela forma de onda ilustrada na Figura 8. 18b.
Dê uma expressão para a tensão v(t) no resistor R.
L
e(t)

,--, E ,--,
1 1 1 1
e(t) + R v(t)
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1 1 1 1

-T T/6 T t

(a) Circuito dado (b) Forma de onda da excitação

Figura 8.18 Exemplo 8.8.

Solução:
Foi mostrado no Exemplo 3.5, no Capítulo 3, que e(t) da Figura 8.18b é desenvolvida
em série de Fourier como

e(t.) = E -1 +-I ~ I . iJC . 21& t+ -1 ~


L.., -;-s1n-cos z-
1( i1&) . . 27!
L.., -:- 1-cos- s1n 1 - t ,
6 1! i= I i 3 T ,c i=I 1 3 T

a qual, segundo as noções apresentadas na Seção 8.1 , pode ser reescrita como
• l1f
E = stn-6 ( 2 . )
e(t)=-+2EL . cos i~t-!E. .
6 ; = 1 i,r T 6

Além disso, definindo-se as freqüências áJ; = i21C IT e os fasores

. ÍJC .
stn - ,1,r
• 6 .-16
EI (áJI ) = .fi. •
e '
l1C
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 181

podem-se escrever as formas co-senoidais segundo (8.12), resultando


E ~
e(t) = - + v2 Re L E;(W;) eJ(J);t .
oo • .

6 i=I

. ~

Para cada freqüência W; , os fasores E; (W;) dão origem a fasores V; (W;) corresponden-
tes, através da função de rede

V:(co)= Ê;(m;) = Ê;(«>;) e-jtan- 1 <o;UR


, , l + ja>;L I R ~l + (a>;LIR)2

Assim, a tensão v(t) pode ser obtida através de uma forma equivalente a (8.60). Então,
- .
notando que V0 (O)= E0 (O)= E/6, obtém-se

~ Re
v(t) = -E +v2 L1
00
Ê·(«>·)
1
1
e-J·1 an - (J); v' 'R e j(J);t
6 i=t~l+(a>;LIR) 2
~

Aí, introduzindo-se as expressões de E;(«>;) e W;, resulta, finahnente,

. ilr
E 00
s1n- E
v(t) =-+ L 2 6 --;:::=====COS
6 i =1
;1r I + (·121r- - L)2
T R

Se L IR<< T , então v(t) - e(t). Se, porém, L IR > T , os componentes bar1nôni.cos de


ordens mais altas se atrasa1n e se atenuam e a tensão v(t) se assemelha a "rampas" de
subida e de descida que se alternam, como 1nostra a Figura 8.19. O circuito, assim, in-
tegra o sinal de excitação.
e(t)
E- -.
••• •••
-T O T/6 T t

V (t)

••• •••
t
Figura 8.19 Exemplo 8.8 (continuação).
182 Análise de Circuitos Elétricos

Geradores de freqüências diferentes em ramos diferentes


A técnica de abordagem, aqui, assemeiba-se à do caso anterior com algumas diferenças.
Conforme visto no Capítulo 4, a análise de uma rede linear conduz a uma solução x(t) da-
da (segundo a regra de Cramer) pelo quociente de dois determinantes.
O determinante do denominador envolve os parâmetros dos elementos da rede e o opera-
dor derivada p. O determinante do numerador envolve, além dos parâmetros dos ele,nentos da
rede e do operador derivada p , ta1nbé1n as várias excitações, no caso e; ( (J);t) .
Através de propriedades dos detenninantes, o determinante do numerador pode ser de-
composto em um nútnero k de detenninantes, cada wn. deles contendo somente uma das k ex-
citações e; ((J);f) .
Após o desenvolvimento desses determinantes, obtém-se a equação

(8.61)

e, assim, cada uma dessas parcelas do somatório dá origem a wna resposta permanente
x; ( (J);t) [que depende somente de e; ( (J);t)]. A so1na desses X; ( (J);t) é a resposta total deseja-
da, tal como em (8.57).
A

Sendo os e; ((J);t) funções co-senoidais de fasores E; ((J);) , as respostas X; ( (J);l), aí procu-


A

radas, de fasores X; ((J); ), serão obtidas das equações

. )" + a, (JOJ;
[ªo ( JOJ; . )1111 + bli (JCO,
. )" - ' + ... + ª" ] /\,,i (co, ) = [1.uoí (JCO, . )1111 - 1 + ... + bmi ]E'i (co, ) (8.62)

para cada freqüência cu,.


A solução particular de (8.61) (solução permanente) será, então, dada por

(8.63)

• Esteja atento para o fato de que, assim como em (8.60), a superpc ,ição em (8.63) é
feita somente nas soluções temporais e não nos fasores.

Problemas propostos
P8. I Dadas as grandezas co1nplexas
A =-3 + JS
B = 4einf2
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 183

determine nas formas cartesianas e polares:


(a) A + B ;
(b)AxB.
Respostas: (a) A+ B = -0, 464 - j2 = 2, 05 e-.iJ,so;
(b) AxB = 20 d 1•69 = - 2,39+jl9,86.
P8.2 Determine os respectivos fasores das seguintes grandezas te1nporais, representando-os na
notação si1nbólica:
(a) v(t) = 4, 5cos(3t +45°);
(b) i(t)=-7,8sin(2t-30°);
(c) i(t) = 3sin20t + 2cos(20t+n/3);
(d) v(t) = 5 sin(2t + 20º )- 5 cos(2t- 30º) .
A

.Respostas: (a) V= 3, 18 / 45° ;


(b) f = 5,52 / 60°;
(c) i = L, 142 /-5 1, 74°;
A

(d) V= 2, 42 / 220º .
P8.3 No cir cuito da Figura 8.20:
(a) Escreva as equações de 1nalba.
(b) Calcule o fasor É em módulo e fase.

j40. 40.

2 o.
A

3 o. =:= - j40. - j20.=:= E


± 1/ 90" V

Figura 8.20 Problema P8.3 .


3 -j4 o 1, o
Respostas: (a) -j4 2- j2 -2 Í2 - - 1 / 90° .
• '
o -2 6-)2 /3 1 /90º

(b) E=0, 40 / 9, 77ºV.
184 Análise de Circuitos Elétricos

P8.4 Dado o circuito da Figura 8.21, em regin1e permanente senoidal:


(a) Escreva as equações nodais.
(b) Calcule i(t) para w= 100 rad/s.

sn I

20 n
10/30" A t

--
Figura 8.21 Problema P8.4.

l 1 1
- +- - -
4 5- jlO 5 - j lO
Respostas: (a)
1 1 1 1
- -+- +-
5- j lO 5- jlO j8 20
(b) i(t)=2, 5 1cos(100t+ l 30º) A.
P8.5 No circuito da Figura 8.22, eç(t) = 10 cos (JOOt- 45°) V, L = 10 H, R = l kQ e C = 10 µ F.
Determine para os geradores de T hévenin e de Norton equivalentes entre os pontos A e B,
em regime permanente senoidal :
(a) A impedância equivalente Z0 .
(b) O tàsor da/em equivalente Ê0 .
(c) O fasor da corrente de curto-circuito equivalente Í 0 •

L R

e=:=

Figura 8.22 Problema P8.5.

Respostas: (a) Z0 = ( 1000 - j l OOO) Q.


(b) Ê0 =5.fi. /- 135° V.
(c) /~ = 5x10- 3 /- 90° A.
Os Fasores e as Redes em Regime Senoidal 185

P8.6 O amperô1netro de valor eficaz da Figura 8.23 indica 2 A. Pede-se:


(a) Um diagrama de fasores incluindo todos os fasores indicados na figura.
(b) O valor eficaz da fe1n Êç
(c) A defasagem entre És e Í 2•

\,..--..-~---< A - ~

· +
E, - j5 n:::;:: V

(3 + j4) n

Figura 8.23 Problema P8.6.

Respostas: (a) Tomando-se 1; como referência, têm-se em forma cartesiana: i 2 = 2 A,



V =6+ j8 V,
l~=-l, 6+jl,2A, Í=0,4+j1,2A e ~ t =8+j14V.
(b) Ês =16,1 V.
. • l
(c) arg(E5 ,12 )=tan- 7/4:::60°.
PS. 7 No circuito da Figura 8.24, o voltômetro V e o a1nperômetro A indicam, respectivamente,
os valores eficazes V e l da tensão e da corrente na carga capacitiva Zc. Nu1na segunda
situação, a carga é desligada e o voltômetro indica a leitura V'. Pede-se:
(a) O ,nódulo de Zc·
(b) Faça um diagrama de fasores e determine a expressão da fase ç,de Zc.

R
.---r--1. A ---.

-+ V

Figura 8.24 Problema P8. 7.

Respostas: (a) IZc 1=VII.


(b) ef,=-cos- 1[2VR//(V' 2 -R2 / 2 - V2 )] .
186 Análise de Circuitos Elétricos

P8.8 Fazendo uso do princípio da superposição de efeitos, deterrnine no circuito da Figura 8.25:
'
(a) O fasor VL 1 da tensão no iJ1dutor que ocorre devido somente ao gerador es1(t) .
'
(b) O fasor VL 2 da tensão no indutor que ocorre devido so,nente ao gerador es2(t).
(c) A tensão vi (t) devida à ação simultânea dos dois geradores.

4.Q 2.Q

es1(t) = 6 COS 2t V + 0,5 H + e,2 (t) = 9 cos 31 V

Figura 8.25 Problema P8.8.

Respostas: (a) V1, 1. =0,6.fi. /53,13° V.


(b) VL2 =2,5.fi. /33,69° V.
(e) vL (t) = 1, 2 cos2t+5 cos 3t V.
CAPÍTULO

A Transformada de
Laplace e Aplicações

A ~r~nsformada de Laplace_é aqui introduz.ida_ como uma ferr~~enta muito


ut1l à resolução de equaçoes de redes, pr1nc1palmente na analise de
transitórios. Além das técnicas teóricas baseadas neste novo instrumento,
são vistos alguns exe1nplos e aplicações a redes elétricas lineares.

9.1 Introdução
Etn capítulos anteriores foi 1nostrado como obter soluções no domínio do te1npo para
as equações integro-diferenciais resultantes de uma análise de rede. Essas soluções consistiram es-
sencialmente na so1na de soluções da equação ho1nogênea e uma solução particular da equação
co1npleta que era1n encontradas independentemente e depois conforn1adas às condições iniciais.
Neste capítulo é introduzida a transformada de Laplace como uma técnica literal alternati-
va de resolução de equações de rede, particularmente útil na solução de transitórios, uma vez
que leva em conta, desde o início do processo, as condições iniciais do probletna, dando, nu-
ma única operação, as respostas naturais e forçadas.
A técnica, que será desenvolvida, permite transfonnar equações diferenciais no do111ínio de
te,npo t em equações algébricas no domínio de freqüência s, sendo depois estas últiinas resol-
vidas com regras clássicas de álgebra elementar. Uma transfonnação inversa permite, por fitn,
obter-se a solução temporal desejada.

9.2 A transformada de Laplace


A transformada de Laplace de uma função.f(t), representada por i[f(t)] ou F(s), é de-
finida por
.f[f.(t)]=F(s)= f~ .f(t)e- s dt,
1
(9.1)
188 Análise de Circuitos Elétricos

onde s é uma váriavel de freqüência complexa


s =o+ j(J) (9.2)
e O_ é o limite à esquerda da origem t = O.
Essa transfonnada existe desde que satisfeita a condição

Joo l/(t)I e-ao, dt < oo (9.3)


º-
para um a0 real e positivo, chamado de abscissa de convergência.

Transformadas básicas
Através da definição (9.1), a transformada de algu1nas funções é obtida de 1nodo 1nuito
simples, servindo, e1n alguns casos, de base para a obtenção de transformadas de funções mais
co1nplexas.
Transformada da/unção-impulso: ó(t)
Considere que.f(t) = c(t). Através de (9.1) tem-se

f[ ó(t)] = f ó(t)e-st dt =e-sO f0+ Ó(t)dt = l.


00

(9.4)
º- º-
Transformada da/unção exponencial: eª1u(t)
Considere quef (t) = eª1u(t). Através de (9.1) te,n-se
00
- (s - a)t
r[eª1u(t)] = J0 aª'u(t)e- stdt =l"°0 e-(s-a)t dt =__e___, - -l -
00

(9.5)
- - s-a s-a
º-

Transformada inversa
Através do cálculo diferencial-integral de funções complexas de variáveis complexas é
possível mostrar que, desde que exista a transformada de Laplace F(s) de uma função, a inte-
gral seguinte representa sua transformada inversa ou antitransfor,nada

f -)[ F(s) ] =f(t)=. } fª1 +joo


. F(s)e SI ds, (9.6)
.12~ a,-100

onde a 1 é urna freqüência real e positiva, maior que a abscissa de convergência a 0 definida
en1 (9.3). Em decorrência, uma vez que a condição (9.3) seja satisfeita, para cada funçãoj{t) e
a respectiva transfonnada F(s) fonna-se um par univocamente detenninado.
Por outro lado, já que a experiência mostra que, para a maioria das funções encontradas na
análise de redes, (9.1) é mais fácil de ser efetuada que (9.6), neste texto só serão calculadas
transformações diretas, organizando-se uma tabela com os pares fit) {:::} F(s) assim obtidos,
co,no, por exemplo, os de (9.4) e (9.5)
A Transformada de Laplace e Aplicações 189

j(t) F(s)
1 1 1

8-_t) 1

eª1u(t) 1/(s - a)

A transformação inversa é, então, obtida através de técnicas que identificatn F(s) com uma
fonna tabelada, de onde se obtém o/(t) correspondente.

~ Um quadro mais amplo de transformadas é apresentado na Tabel 1 9.1 (p. 213).

9.3 Propriedades básicas da transformada de Laplace


Algumas propriedades de (9. l) tornam a transfonnada de Laplace particularmente adequa-
da à solução de equações integro-diferenciais. São elas a linearidade da transformação e as
fonnas algébricas das transformadas das derivadas e da integral, apresentadas a seguir.

Linearidade da transformação
U1na propriedade básica da transformada é sua linearidade, isto é,

(9.7)
onde e I e c2 são constantes, pois, de acordo com a definição (9 .1 ),

Tran~formada da função seno: sin ó1 u(t)


Como aplicação elementar da propriedade da linearidade da transfonnação pode-se calcu-
lar a transformada de Laplace da função seno, dado que, através da identidade de Euler (8.2),
tem-se

( ej(J){ - e-j<iJI) = j2sin OJt.

Então, em vista de (9.7), resulta

f[sinúJt u(t)]=t [~(ej(t)I - e-j(J)f )


;2
u(t)]=~(
;2 s -
1
JOJ
. -
1
s + JúJ
. )= s 2
úJ
+ OJ2
. (9.8)
190 Análise de Circuitos Elétricos

Transformada das derivadas


Outra propriedade importante diz respeito à transformada da derivada de uma função
temporal, isto é,

.r[df(t) ]= sF(s)- / '(O_ ), (9.9)


dt .

onde F(s) é a transformada de Laplace de f{t) e /{O_) representa a condição inicial, pois, de
acordo com a definição (9. l) e u,na integração por partes, tem-se
00

I oodf(t) e- stdt=f(t)e- st oo +sf f(t)e - s1 dt=-f(O_)+sF(s),


0
- dt º- 0
-

já que e -sr~ O ef(t) < oo quando t ~ oo.


Por indução, te1n-se sem dificuldades para as derivadas de ordem superior

d" f(t)
.f-- =s" F(s) - s"-1 j'(O_) - s11-2 c/f(O_) - ... - s dn- 2 f (O_) - f (O_) .
d11- 1 (9.10)
11
dt dt d, 11 - 2 dt/1-)

Transformada da função co-seno: cos 01 u(i)


Como aplicação da propriedade da transformação de u,na derivada pode-se calcular a
transformada de Laplace da função co-seno, conhecida a transformada da função
f(_t) = sin 01 u(t), dado que

d .
- Sln (J}/ = (J} COS (J}[ •
dt
Então, em vista de (9 .9), resulta

.f [ COS(J}t u(t) ] =.f [ -


1 d sin (J}t J
u(t) =-
s (J}
-0=
s
,
(9.11)
(J} dt (J} s 2 + (J}2 s 2 + (J}2

já que./(0_) = sin a.O_ u(O_) = O.

Transformada da integral
Alé1n dessas, é ta1nbém importante a transforniada da integral de uma função te,nporal
</J(t) = f~ /('r)d-r , isto é,
(9.12)
A Transformada de Laplace e Aplicações 191

onde F(s) é a transfonnada de Laplace de_t{t) e 1/J(O_) = f~: f ('t)d't é o valor inicial da integral.
De fato, de acordo com a definição (9.1) e u1na integração por pa1ies, tem-se

J~ e-st ft oof(i-~i- =-~e-si {J~oof('r~i-) ~- +; f~f(t) e-s1 dt = ~ J:f(i-) di-+; F(s)'

já que e -si ~ Oe f~f('t~'l"< oo quando t ~ oo,

... A integral f~ .. f(i-)dT restringe-se a valores finitos por razões de ·ealidade física.
De fato, tensões e correntes em redes elétricas reais não podem tE r seus valores
aumentados indefinidamente, sob pena de a potência dissipada, e n razão dessas
tensões e correntes aumentadas, levar à " queima" de componentE s, destruindo aí a
configuração em análise.

Transformada da função degrau: u(t)


Dado que, conforme observação na Seção 3.5, a função degrau é a integral da função im-
pulso, isto é, u(t) = f~ ô(i-)d't , então a aplicação de (9.12) conduz a
00

1
i[u(t)]=![f ô(i-)d't]= f[ô(t)] +o=.!.. (9.13)
- oo s s

Exemplo 9.1
Como aplicação das propriedades anteriores, calcule a transfonnada da função
f(t) = A 111 cos ( 01 + (/J).
Solução:
Desenvolvendo-se o co-seno da soma de arcos, te1n-se:
A111 cos( wt + </)) = A111 cos 1/J cos OJt - A111 sin 1/J sin wt
e daí, graças à propriedade da linearidade (9.7), obtém-se
.f[ A111 cos(wt + </J)] = A111 cos </) i[ coswt] - A,,, sin (/) i[sin cot]
e, finahnente, tendo em vista as transfonnadas do seno e do co-seno, dadas por (9.8) e
(9. 11), respectivamente, resulta
s cos </J - wsin </J
.f[ A111 cos(wt + </J)] = A111 2 2
.
s +OJ
192 Análise de Circuitos Elétricos

9 .4 Aplicação da transformada a equações diferenciais


Considere que seja dada uma equação diferencial ordinária, linear a coeficiente.s constan-
tes na forma

(9. 14)

sendo x(t) a função incógnita e e(t) a função de excitação. São supostamente conhecidos os
valores da função incógnita e de suas derivadas até a ordem n - 1 no instante de tempo t =O_,
. .
simbolizados por ;i = d' x(O _ )/dt' , com i = O, 1, 2, ... , (n - 1), da tnesma forma que são su-
postamente conhecidos os valores da função de excitação e de suas derivadas até a ordem m - l
. .
1 1
no instante de tempo t = O_, representados por ê; = d e(O_)ldt , comi= O, l, 2, ... , (111- 1).
Chamando de X(s) e E(s) as respectivas transforrnadas de Laplace de x(t) e e(t), aplica-se a
propriedade da transformada das derivadas a cada u,na das parcelas de (9.14) e, dada aproprie-
dade da linearidade, resulta

(l7oS11 + a1s''-t + · · ·+ an-1S +an )X(s) -Py_.(s) =( fbs 111


+f1i.sm-l + · · ·+am) E(s)-l{(s) , (9.15)

onde
11 1 11 2
P,..(s)=ao?os - +[aot;1 +a1;o]s - +···+[ao?n-1 +···+a,,-2?1 +a,,_1;0]
e (9.16)

são os polinômios das condições iniciais (isto é, em t = O_) da função incógnita x(t) e da fun-
ção de excitação e(t), respectiva,nente.
Após manipulação algébrica, obtém-se

(
i..
vos 111
+ bis111- ·I +···+am ) P(s)-P(s)
X(s) = E(s)+ x e (9.17)
( a0s +a1s
11 11- I
+···+a11 _ 1s+a11 ) (
a0s +a1s
11 11 - I
+···+a,,_1s+a11 )

com Px(s) e Pe(s) dados por (9.16).


Finalmente, a função temporal desejada x(t) é obtida por um processo de antitransforma-
ção, seja através de (9.6) ou de técnicas que serão desenvolvidas em seções seguintes.

.,. As transformadas de Laplace das variáveis incógnitas de um siste na de equações


diferenciais ordinárias, lineares, a coeficientes constantes podem : er expressas
como quocientes de polinômios em s, ou seja, são funções racion 1is em s .

.,. Quando o sistema está inicialmente em repouso, diz-se que está e n estado zero ou
com condições iniciais quiescentes (abreviadamente c.i.q.) e tem- :e identicamente
Px(s) = Oe Pe(s) = O.
A Transformada de Laplace e Aplicações 193

~ E' chamado função de sistema o quociente entre as transformada~ de uma variável


incógnita (chamada de saída ou resposta) e a variável dada (cham ida de entrada ou
excitação) em c.i.q.

Exemplo 9.2
Considere o siste1na de equações
4d\'1(t)!dt+3x1(t) - 2x2 (t) = 5e- 21 u(t)
{ -x1(t) + 4x2 (t) = O,
comx 1(0_) =-1.
Calcule x 1(t) fazendo uso da transformada de Laplace.
Solução:
Transformando-se as equações segundo Laplace [com X 1(s) e X2(s) sendo as respecti-
vas transfonnadas de x 1(t) e x2(t)] e levando-se em conta a condição inicial, obtém-se
4[sX1 (s)-(-1)] +3X1 (s) - 2X2 (s) = 5/ (s+2)
{ -X1 (s) + 4X2 (s) = O
Daí,
-16s -12
X(s)------
1 - 8(s + 2)(s + l/2)
A solução no domínio do tempo x 1(t) é obtida antitransformando-se ,,Y1(s).
Como já 1nencionado na Seção 9.1, essa antitransformação é conseguida procurando-se
colocar X 1(s) na forma de uma combinação linear de transformadas conhecidas.
Tenta-se, então, para X1(s) uma decomposição na forma
A B (A+ B)s + A/2 + 2B
--+ - •
s+2 s + 1/2 (s + 2)(s + 1/2)
Se A = -5/3 e B = - l/3 resulta o valor dado de X 1(s), ou seja,

X(s)= -16s-12 -5/3 -1/ 3


1 +---
8(s + 2)(s + 1/ 2) (s + 2) (s + 1/2)
Nesta última forma, a primeira parcela é reconhecida corno a transformada de uma fun-
ção exponencial com constante de tempo igual à da excitação e a segunda parcela é
reconhecida como a transformada de uma função exponencial com constante de tempo
igual a 2. Daí, a antitransfonnada
. e)
x 1 t =- 1 ( 5e-21 +e -112) para t >o.
3
194 Análise de Circuitos Elétricos

"' Para t < O não se sabe o comportamento desta função x 1(t). Apesc · de a excitação
ser nula para t < O, a condição inicial x 1(0_) '* O leva a crer na exist, ncia de uma
outra excitação prévia do sistema (não mais existente em t = O_) c1iadora de tal
condição.
"' A técnica usada para conseguir-se identificar a função transforma la como a
combinação linear de transformadas conhecidas é chamada de ex )ansão em
frações parciais e é vista com detalhes na Seção 9.7.

9.5 Aplicação da transformada a redes elétricas


Como foi visto no Capítulo 4, a aplicação dos métodos de análise a uma rede linear con-
duz a um sistema de equações diferenciais ordinárias a coeficientes constantes.
Nos 1nétodos de solução no do1nínio de tempo, obtinham-se equações diferenciais nas va-
riáveis incógnitas (ou saídas) em função das funções de excitação (ou entradas), tudo e1n ter-
1nos do operador p =d!dt, para as quais soluções eram buscadas.
Como explicado na Seção 9.3, as soluções a essas equações diferenciais poden1 ser obtidas
através das técnicas da transforn1ada de Laplace.
Com argumentação semelhante à usada no Capítulo 8 para os fasores, aqui, também, a
aplicação da transformada de Laplace pode ser introduzida em qualquer das fases do processo
de resolução e não só nas equações diferenciais finais. Assim, a transformada pode ser aplica-
da a cada uma das equações relacionando tensões e correntes da rede, propiciando u1n sistema
de equações algébricas em s, ou, mais elementannente, pode ser aplicada às relações entre
tensões e correntes nos vários elen1entos da rede e, dada a linearidade pressuposta desta, apli-
car os métodos de análise às funções transformadas.
Ao contrário, porém, do caso dos fasores nos quais a transposição de um problema no do-
mínio de tempo para o domínio de freqüência era feita formalmente com a substituição das
funções temporais pelos respectivos fasores e do operador p =d!dt por jm, o caso da transfor-
mada de Laplace é um pouco mais co1nplicado, pois os vínculos entre as transformadas de
tensões e correntes e1n elementos reativos envolve1n também as condições iniciais nos ele-
1nentos reativos, co1no explicado a seguir.

Vínculos entre transformadas de tensão e corrente em


elementos reativos
Considere um capacitor de capacitância C, carregado com tensão vc(O_) em t =O_, sobre
cujos terminais existe o vínculo de tensão e corrente dado por ( 1.1 O), isto é,

. (t·) -_e dvc (t)


te ou
dt

Sendo Ic(s) e Vc(s) as respectivas transformadas de Laplace de ic(t) e vc(t), a propriedade


da transformada da derivada (9.9) conduz a
A Transformada de Laplace e Aplicações 195

Ic(s) = CsVc (s)-Cvc(O_) ou Yc s --- 1e ()


r.r (·)- l
s + vc(O_) , (9.18)
Cs s
que, antitransformadas, dão

. dvc (t)
ic (t)=C
dt
-Cvc (O_)ô(t) e daí vc (t) =..!._ f~
e - ic (-r)d-r+ vc (O_)u(t). (9.19)

Essas expressões (9 .19) mostram que um capacitor iniciahnente carregado co1n tensão
vJO_) em t =O_ , como ilustrado na Figura 9. la, pode ser tratado como um capacitor ini-
ciahnente descarregado em paralelo com uma fonte de corrente impulsiva de amplitude
Cvc(O_), como na Figura 9.lb, ou então como u1n capacitor inicialmente descarregado em sé-
rie com umafonte de tensão degrau de amplitude vc(O_), como na Figura 9.lc.

+ ± vc(O_)u(t)
Vc(t) e Vc (O_ )


(a) Capacitor com tensão
(b) Modelo com gerador paralelo (e) Modelo com gerador série
inicial

Figura 9.1 Modelos de capacitor carregado no domínio de tempo.

Analogamente, considere um indutor de indutância L, percorrido pela corrente il(O_) em


t =O_, sobre cujos terminais existe o vínculo de tensão e corrente dado por (1.13), isto é,

-Ldil(t) . 1 i/ .
vl (t ) - ou 'L (t) = - Jio vl ( -r)d-r + i L (O_).
dt L -
Sendo VJs) e IJ s) as respectivas transformadas de Laplace de vc(t) e ic(t), a propriedade
da transformada da derivada (9.9) conduz a

1 il(O_)
VL (s) = Ls/1 (s) -LiL (O_) ou IL(s)= - VL(s)+ , (9.20)
Ls s
que, antitransfonnadas, dão

V
L
(t) =L di,. (f) - Li (O )ô(t)
c/t l, -
e daí i1. (t) = 1f~ _v,, (-r)d-r+ i1, (O_)u(t) . (9.21)

Essas expressões (9 .2 1) mostram que um indutor inicialmente percorrido por u1na corrente
il(O_) em t = O_, como ilustrado na Figura 9.2a, pode ser tratado como um indutor inicial-
mente sem corrente em série com umafonte de tensão impulsiva de amplitude Lil(O_), como
1 96 Análise de Circuitos Elétricos

na Figura 9.2b, ou então como u1n indutor iniciahnente sem corrente em paralelo com uma
fonte de corrente degrau de amplitude iL(O_), como na Figura 9.2c.

iL(t) iL(t) iL(t)


> ! iL(O_) > >
LiL(O_)Ó(t)
vL(t) L vL(t) vl(t) L

(a) Indutor com corrente (b) Modelo com gerador série (e) Modelo com gerador paralelo
inicial

Figura 9.2 Modelos de indutor com corrente inicial no domínio de tempo.

As grandezas que relaciona1n as transformadas das tensões e das correntes e1n c.i.q. são
cha1nadas de impedâncias generalizadas e representadas na for1na geral
V(s) = Z(s)J(s).

Já as grandezas que relacionam as transfonnadas das correntes e das tensões em c.i.q. são
cha1nadas de admitâncias generalizadas e representadas na forma geral
/(s) = Y(s)V(s).

Acrescentando-se a (9.18) e (9.20) a extensão da lei de oh1n para resistores, podem-se es-
crever

(9.22)

]
Zc(s)=- Yc (s) =Cs,
Cs (9.23)

(9.24)

li>- A impedância generalizada é uma função de rede onde a excitaçã , é a transforma


a da corrente e a resposta é a transformada da tensão nos terminais I o bipolo.
Inversamente, a admitância generalizada é uma função de rede onde a excitação é a
transformada da tensão e a resposta é a transformada da corrente nos terminais do
bipolo. Com essa conceituação, as expressões (9.22) a (9.24) pode ·iam ter sido
deduzidas diretamente a partir das expressões (4.9) a (4.11 ).
.,.. Após a substituição das condições iniciais por geradores equivale ites adequados,
as expressões (9.18) e (9.20) poderiam ter sido obtidas diretament, · de (4.6) e (4.7),
substituindo-se nestas o operador p pela variável de freqüência cc ,1plexa s e as
funções temporais pelas respectivas transformadas.
A Transformada de Laplace e Aplicações 197

Exemplo 9.3
Considere o circuito da Figura 9.3a, cuja tensão no capacitor no instante t = O_ é igual a
3 V.
Sendo es(t) = 2u(t), calcule a corrente i(t) no capacitar:
(a) Escrevendo a equação diferencial em i(t) e a ela aplicando a transformada de Laplace.
(b) Substituindo a condição inicial por gerador adequado e escrevendo a equação de
malha já co1n as variáveis transfor1nadas.
R R

+ vc(O_ ) u(t)
2u(t) + i(t) 2u(t) + i(t)
:::!:=e

(a) Circuito dado (b) Condição inicial representada


por gerador adequado

Figura 9.3 Exemplo 9.3.

Solução:
(a) Escrevendo-se a equação da 1nalha, te1n-se

Ri(t) + _!_f, i(r)dr = 2u(t)


e - oo

e daí

R di(t) + _!_ i(t) = 2o(t).


dt e
A condição inicial da corrente i(O_), esti1nada imediatamente antes da aplicação da
excitação degrau (designado instante t0 = O_), é obtida da equação de malha, isto é,
1
Ri(O_)+_!_Jº- i(r)dr= O,
e ---
onde -Jº-
e ---
i(r)dr= vc(O_) =3

é a tensão inicial no capacitar, ou seja,


-3
Ri(0_ )+3=0 ou i(O+) =-.
R
Aplicando-se a transfonnada de Laplace à equação diferencial com l(s) = f[i(t)], resulta

R[si( s ) - i (o_ )] + C1 I ( s) = 2 donde I(s) -- 2 + Ri(O_)


l - -1 l
Rs+ - Rs+-
C C
198 Análise de Circuitos Elétricos

Daí,
1

i(t)=-_!_e RC para t >o.


R
(b) A condição inicial no capacitor pode ser substituída por um gerador de tensão ve (OJ em
série com um capacitor descarregado, como na Figura 9.3b. Resulta, então, a equa-
ção de 1nalha

Ri(t) +_!_ f~
e -
i('r)dr = 2u(t)-vc (O_ ).

A aplicação da transformada de Laplace a essa equação dá


1 2-3 1
RJ(s)+ -/(s)= =--.
Cs s s
Daí o problema prossegue co1no na parte (a) .

.,. Este exemplo é idêntico ao Exemplo 6.1.

9.6 Outras propriedades da transformada de Laplace


Alé1n das propriedades já vistas, a transformada de Laplace possui 1nuitas outras, dentre as
quais é importante ressaltar as seguintes.

Derivada da transformada em relação a s


Dada uma função./ (t) definida para t > O, tal que exista F(s) = .f[f{t)], tem-se

dF(s) = _ .f[if(t)]. (9.25)


ds
De fato,

ds
J;
_dF___;(.. .;. .s) = f(t)!!_e- s' dt =
- ds
-J;- t .f(t)e-s'dt = .f[if(t)].
Generalizando-se, por indução, obté1n-se

d11 F(s) = (-l)n i[tnf(t)]. (9.26)


ds 11

Transformada da função rampa: r(t) =t u(t)


Dado que r(t) = t u(t) e .f(u(t)] = 1/s, então a aplicação de (9.25) conduz a
A Transformada de Laplace e Aplicações 199

1) 1
.f[r(t)] = ![tu(t)] = - d-( - " = 2 . (9.27)
ds s (s )

Transformada da/unção t'1e- 01u(t)


Dado que .f[e-<11u(t)] = l/(s + a), então a aplicação de (9.26) conduz a

i[t 11 e-a, u(t)] = (-1 ) 11 dn ( 1 ) = n! . (9.28)


ds" s + a (s + a)11+ 1

Translação no campo complexo


Dada uma função temporal _f(t) e sua respectiva transformada de Laplace F(s) = f[/(t)],
então

![e-ª1 /(!)] = F(s +a) . (9.29)

De fato, de acordo com (9 .1) ten1-se

Transformada da/unção seno aniorlecido: e -a, sin 01 u(t)


Dado que f[sin 01 u(t)] = cd(s 2 + oJ), então a aplicação de (9.29) conduz a

1
![e-ª sinúJtu(t)]= ~ ,· (9.30)
(s + a) + úJ-

Tran~formada da função co-seno a,nortecido: e-a1 cos úJ u(t)


De modo análogo,
s+a
i[e-ª1 cosúJtu(t)]= , (9.31)
2
(s + a) + úJ-

Translação no campo real (teorema do deslocamento)


Dada uma função temporal.f(t) e sua respectiva transformada de Laplace F(s) = f[./(t)] e
dado um tempo real e positivo a, então

i[f"(t - a)u(t- a)] = e- ªsF(s). (9.32)


200 Análise de Circuitos Elétricos

De fato, por definição

i[f(t-a)u(t-a)]= l~ f(t-a)u(t-a)e-s dt. 1

º-
Daí, fazendo-se t - a= -rresultam, sucessivamente,

Transformada da função pulso quadrado: f(t) = u(t) - u(t -a)


Para o pulso quadrado, ilustrado na Figura 9.4, a aplicação de (9.32) conduz imediatainente a

i[u(t)-u(t-a)] =.!.(1- e-as). (9.33)


s

f(t) f(t)

1/a .,...____,
1.,...____,

o a t
o a t
(a) Pulso quadrado (b) Pulso unitário

Figura 9.4 Pulso quadrado e pulso unitário.

lll> Para a função pulso de área unitária Pa(t) = [u(t) -u(t-a))ta tem-se, err conseqüência
de (9.33), a transformada P8 (s) = (1 - e- as)/(as). Dado que, conform? definição
introduzida na Seção 3.5, a função impulsiva ó(t) é o limite de p 8 (t) quando a~ O,
deve-se ter então, por linearidade, f:[ó(t)) igual ao limite de Pa(s) qt ando a~ O.

De fato,
2
lim Pa (s) = lim J_(l-e-as) = lim J_ 1-1 + as- (as) +· · ·) = 1= i[l>(t)].
a~o a~o as a~o as 2!

Funções periódicas
Considere uma função j(t) de período T da qual se deseja conhecer a transfonnada de La-
place F(s). Por definição
A Transformada de Laplace e Aplicações 201

U1na vez que/(t) é periódica, a expressão anterior é equivalente a

f[/(t)] = fT_f(t)e - s'dt + e- sT lT_j'(t)e- s'dt + e- s2T lT_ f(t)e - s' dt +,,.
º- º- º-
ou

fL/(t)] = ( 1+ e-sT + e- s2T + .. ·) lor_f (t)e- s' dt = . 1- sT loT_f (t)e- s' dt. (9.34)
- 1- e -

Transformada de um trem de pulsos periódicos


Considere o tre1n de pulsos periódicos mostrado na Figura 9.5.

f(t)

1
1
1
1
1
1
•••
1
1

o a T T+a 2T 2T+a t
Figura 9.5 Trem de pulsos periódicos.

Matematica1nente, esse tre1n pode ser representado como


,((t) = u(t)- u(t- a)+ u(t - T)- u[t -(T +a)]+ u(t - 2T)- u[t-(2T +a)]+ , ,, (9.35)

e daí sua transtonnada de Laplace, de acordo com (9.34), será

ou
1- e - as
F(s) = . (9.36)
s(l-e-Ts)

Multiplicação do argumento por constante


Considere que F(s) seja a transfonnada de Laplace de uma função temporal j(t) e OJ seja
uma constante real e positiva. Então,

l F(
f[/(OJt)] = OJ s)
OJ • (9.37)
202 Análise de Circuitos Elétricos

De fato, por detlnição,

f[f(wt)] =f~ f(wt)e-sr dt =f~ ,((i-)e : d (;) =; F(-;) onde i- = wt ,

9. 7 Técnicas de expansão em frações parciais


Conforme foi 1nostrado na Seção 9.4, a aplicação da transfonnada de Laplace a sistemas
de equações diferenciais ordinárias, lineares, a coeficientes constantes conduz a uma trans-
formada da função resposta (ou incógnita) que pode ser expressa na forma de um quociente de
dois polinômios na variável s, ou seja, numa forma racional em s, como em (9, 17).
A solução no domínio do te1npo é obtida, então, através de um processo de antitransfor-
1nação definido genericamente através de (9.6), 1nas que, para funções racionais, pode ser rea-
lizado muito mais facilmente sub1netendo-se previa1nente as funções racionais a uma
expansão em frações parciais, tal co1no no Exemplo 9.2, onde a função transfonnada, na
fonna genérica

foi expandida na fonna

de onde, dadas a linearidade da transformação (9.7) e a transfor1nada da exponencial (9.5),


resultou

Esse processo pode ser generalizado para um denominador co1n nú1nero maior de raízes.
Entretanto, a técnica de identificação de coeticientes, utilizada no referido exemplo para a de-
tenninação de K1 e K2 , tende a dar sistemas de equações tanto mais complexos quanto maior
for o número de raízes do deoo1ninador da função de transferência, tornando-se, e1n conse-
qüência, pouco prática. Por essa razão, nesta seção será seguida uma outra abordage1n, a qual,
com pequenas variações, se adapta aos casos em que essas raízes sejam simples ou 1núltiplas,
ou, ainda, reais ou complexas conjugadas.
A técnica aplica-se a funções racionais estritan1ente próprias, ou seja, aquelas cujo grau
do denominador seja maior que o grau do nu1nerador. Caso contrário, uma divisão prévia é
necessária; por exe1nplo,

18s3 - 6s 2 + 2s - 5 4s + 5
? =2s-2+ 2
,
9s- + 2s + 5 9s + 2s + 5
A Transformada de Laplace e Aplicações 203

em ctyo processo de antitransfor,nação, dada a propriedade da linearidade, as parcelas 2s e -2


são antitransformadas à parte [dando 2dô(t)/dt e- 2ô(t)], sendo a expansão e,nji-ações par-
~iais aplicada so1nente à fração restante.

Zeros, pólos e resíduos de uma função racional em s


Numa função racional no domínio transformado, são chamadas de zeros da função as fre-
qüências co,nplexas, raízes do nunierador, e são cha,nadas de pólos (ou singularidades) da
função asft·eqüências complexas, raízes do deno,ninador.
Para efeito de antitransformação, o conhecimento dos zeros, isto é, das freqüências com-
plexas nas quais a resposta é nula é algo irrelevante.
Já o conheci,nento dos pólos, isto é, das freqüências complexas nas quais a resposta é inji-
11ita, como será visto, é extremamente importante na determinação da resposta temporal.
Considere, então, que seja dada uma função racional F(s) com seu denominador fatorado
en, suas raízes s; [os pólos de F(s)], parai= l , 2, . .. n, ou seja, na forma

(9.38)

onde a0 é o coeficiente do termo de grau n do deno,ninador, N(s) é um polinômio de grau ,n < n


e os s; são supostos inicialmente distintos entre si.
Uma expansão e,n frações parciais consiste e,n achar coeficientes K1, K 2 , ... K,,, chamados
de resíduos dos respectivos pólos, tais que
K1
F(s) = (9.39)
s -s, s-sn

Um modo prático de chegar a esse escopo é multiplicando (9.39), termo a termo, por
(s - s 1), resultando

N(s) K (s -s 1 )K2 (s -s1)K11


(S - Si )F( S ) = = 1+ + ' .. + · (9.40)
a0 (s-s?)"·(s-s)
_ n s - s?_ s-sn

Fazendo-se s = s 1, todos os termos do membro da direita são anulados co1n exceção de K1 •


Seu valor é fornecido pelo me1nbro da esquerda, (s - s1)F(s), sob a mesma condição. Observe
que o fator (s - s 1) não anula (s - s 1)F(s) paras= si, pois o fator (s - s 1) comparece em nume-
rador e denominador, cancelando-se.
Esse processo, para pólos simples, pode ser generalizado de modo que seus respectivos re-
síduos podem ser calculados através da expressão
K-, =(s-s-)F(s)I
1 s=s; para i = 1, 2, .. ·, n. (9.41)

Praticamente, esse cálculo é realizado considerando-se iniciahnente a função F(s) com o


deno1ninador em forma fatorada, retirando-se aí o pólo considerado e, na expressão remanen-
te, fazendo s igual ao valor do pólo.
204 Análise de Circuitos Elétricos

Expansão com pólos reais


Se F(s) for uma função racional de s cotn coeficientes reais, então se um pólo de F(s) for
real, seu resíduo ta1nbém será real, o que é facilmente constatado em (9.41).
A função antitransformada será então uma exponencial (com constante de te1npo igual ao
inverso do valor do pólo) multiplicada pelo resíduo.

Exemplo 9.4
Dada a funçãoX1(s),
-16s -12
X(s)------
1 - 8(s + 2)(s + 1/2) '

expanda-a em frações parciais.


Solução:
De acordo co1n a técnica aci1ua, o res.íduo no pólo s = -2 é
-l6s- 12 _ -16(-2)-12 _ _ .2_
K1 = - - - - 1
8(s + 1/2) s=-2 8(-2+ 1/ 2) 3

e o resíduo no pólos= -1/2 é


-16s -12 _ -16(-1/2) -12 _ 1
K, = - - - - ,
8(s+2) s=- 112 8(-1/2 + 2) - -3 '

de modo que resulta


_ -5/ 3 - 1/3
X 1(s ) - + .
s +2 s+ 1/2
~ Este exemplo comparado ao Exemplo 9.2 fornece os coeficientes la expansão
(resíduos) de forma mais direta.

Expansão com pólos complexos conjugados


Se F(s) for uma função racional de s com coeficientes reais e tiver pólos ou zeros comple-
xos, várias considerações podem ser apresentadas.
E1n primeiro lugar, observa-se que os pólos e zeros complexos devem apresentar-se em
pares conjugados, isto é, pares complexos com 1nes1na parte real e com partes ilnáginárias
de sinais contrários, o que é imediatamente verificado já que, se duas raízes complexas (se-
ja1n pólos ou zeros) são agrupadas, resulta

(s-a- jb)(s-c- jd)=s 2 -s[a+c+ J(b+d)]+[ac-bd + J(ad+bc)],

que só conduz a coeficientes reais nas potências desse b =-de a= e.


A Transformada de Laplace e Aplicações 205

E1n segundo lugar, observa-se que os resíduos de dois pólos complexos conjugados
s =a+ j /3 e s = a - j /3 são também complexos conjugados, o que pode ser verificado consi-
derando-se F(s) na forma

F(s) = N(s) (9.42)


(s-a-j/J)(s-a+ j/J)D1(s)'

onde N(s) e D 1(s) são polinômios e1n s, e aplicando-se (9.41) a cada u1n dos pólos conjugados.
De fato, da aplicação de (9.4 1) a F(s) resulta1n
K _ N(a+ j/3) K _ N (a- j/3)
1 e 2 (9.43)
- j2/3D1 (a+ j /3) - -j2/3D1 (a-jf3)'

que são números co1nplexos conjugados já que são obtidos um do outro pela troca de j por -j.
Em terceiro lugar, frações parciais de pólos conjugados (com resíduos conjugados) pode1n ser
,nanipuladas conjuntan,ente de ,nodo que elimine,n a unidade imaginária na antitransformada.
De fato, sendo s =a+ j /3 e s = a - j /3 pólos complexos conjugados e K =MeitP e K * =lvfe1tP
seus respectivos resíduosl, te1n-se, segundo (9.5),

K K*
r,- 1
+ =Keª1 e1·p1 +K *e((le-J·p1 =2Meª1 cos (/Jt+(/J). (9.44)
s-a- j/3 s-a+ j/3

Por outro lado, se K e K* são expressos e1n forma cartesiana, isto é, K = A + jB e


[(+=A -jB, resulta
K K*
----+ =e(Xl (Ke-i/J1
+ K·e-.i/31 ) =2eª1 (Acosf]t-Bsin/Jt) . (9.45)
s - a - .i/3 s - a+ j /3

onde M, (/J, A e B estão relacionados através de (8.4) a (8.9).

Expansão com pólos múltiplos


Considere tuna função racional F(s) co1n seu deno1ninador fatorado em suas raízes s;, sen-
do pelo menos uma delas de multiplicidade k > 2, isto é,

ou (9.46)

onde N(s) é u,n polinô1nio de grau ,n < n, D 1(s) é um polinômio de grau n - k que conté1n os
outros pólos de F(s) e F 1(s) = N(s)!D 1(s).
Nesse caso, o desenvolvimento e1n frações parciais é um pouco diferente daquele das raízes
simples e é obtido co1no um caso-li1nite de raízes diferentes que se aproximam tuna das outras.
Inicialmente considere dois pólos próximos, s 1 e s 1 + l!.s, de modo que

1. Neste texto, o asterisco(*) designa o complexo conjugado.


206 Análise de Circuitos Elétricos

F(s)= N(s) ____ F._i(_s)_ _


(s - si )(s - s1 - !::.s )D1 (s) (s - si )(s - s1 - !::.s)

onde F 1(s) = N(s)ID 1(s) é uma função racional.


O cálculo dos resíduos dessas duas raízes através de (9.41) pennite que os tennos desses
dois pólos seja,n isolados em frações parciais

onde N 1(s)!Di(s) é a função racional remanente no processo.


Após alguma álgebra resulta

F(s)= F;(s,) + 1 [f;(s1 +~s)-F;(s 1)] + N 1 (s) ,


(s - s1)(s - s1 - !::.s) (s - s1 - !::.s) t::.s D1(s)

que no limite, quando !::.s ~ O, dá

Esse processo pode ser continuado por indução, de modo que uina função racional com
um pólo de multiplicidade k > 2, coino em (9.46), terá o desenvolvimento

(9.47)

onde N1(s)/D 1(s) é a função rernanente que contém os outros pólos de F(s), sendo os coefi-
cientes2 JS dados por

1 dÍ
K 1. =- . F;(s) para j=O,l,···, n-1. (9.48)
j! ds 1

U1na técnica alternativa para determinar esses coeficientes de expansão em frações par-
ciais de funções racionais com pólos 1núltiplos, sem usar derivadas, é mostrada a seguir con-
fonne 1nétodo apresentado por KUO, F. F. Neh, ork analysis and synthesis. 2ª ed. New
1

York: John Wiley & Sons, lnc., 1965. Sec. 6.5.


Considere iniciahnente que todos os termos e1n (9.47) sejarn rnultiplicados por (s - s1)k.
Obté1n-se, então, a função F 1(s) = (s - s1)kF(s) definida em (9.46), isto é,

2. O termo resíduo é reservado somente ao coeficiente de (s - s 1)- 1•


A Transformada de Laplace e Aplicações 207

Fazendo-se aí (s - s 1) = p, resulta

1Vi(p+s) pkN,(p+s)
F,(p+s )=pkF,(p+s )= 1 = y +K,p+· .. +K pk-1+ 1 1 • (9.50)
1 1 1 D,(p+si) ''O 1 11- 1 ~(p+s,)

Nesta forma, o 1nétodo sugere-se por si próprio. Inicialmente, retira-se do denominador de


F(s) as raízes múltiplas, obtendo-se a função racional N(s)ID 1(s). Substitui-se aí s por p + s 1
obtendo-se N(p + s 1)/D 1(p + s 1). Escrevem-se os polinômios N(p + s 1) e D 1(p + s 1) em potên-
cias crescentes de p e procede-se à divisão indicada até se obterem k termos. Esses termos dão
os coeficientes procurados e o polinô1nio-resto é N 1 (p + s 1). Volta-se à variável se desenvol-
ve-se N 1(s)ID 1(s) e1n frações parciais para os outros pólos.

Exemplo 9.5
Para a função
s4 - 6s3 + 2s 2 + 4s - 4
F(s) = 3 2
,
3(s + 2) (s + 2s + 2)
determine os coeficientes para o desenvolvi1nento em frações parciais do pólo triplo
s = - 2 usando as técnicas descritas nos dois itens anteriores.
Solução:
Inicialmente, isola-se a função
4 3 2
Fi (s) = (s + 2 ) 3 F(s) = s - 6s + 2s + 4s - 4
3(s 2 + 2s + 2)
O método das derivadas aplicado a F 1(s) conduz sucessiva1nente a
dF; (s) _ (4s 3 -18s2 + 4s + 4)(s 2 + 2s + 2) - (2s + 2)(s 4 -6s3 + 2s 2 + 4s -4)
ds 3(s 2 + 2s + 2)2
2s 5 -
-~~~~~~~~~~
16s 3 - 36s2 + 16s + 16
2 2
3(s + 2s + 2)
e
d 2 Fj (s) (10s 4 - 48s 2 - 72s + 16)(s2 + 2s + 2)- 2(2s + 2)(2s5 - 16s3 - 36s2 + 16s + 16)
-
ds 3(s2 + 2s + 2)3
208 Análise de Circuitos Elétricos

Tendo em vista (9.48), resultan1

d 1 d2 8
Ko = fii(s)ls=-2 =10; K 1 = - Jii(s) = - 8; K2 = - 2 fii(s)
ds S=-2 2 ds S=- 3
2

No segundo método substitui-ses por (p- 2) em F 1(s), daí obtendo-se


4 3 2 4 3 2
Fj(p-2) = (p-2) -6(p-2) +2(p-2) +4(p-2)-4 = p - l4p +62p -108p + 60.
3[(p- 2) 2 + 2(p-2) + 2) 3p 2 -6p + 6

Ordenando-se o numerador e o denominador de F 1(p - 2) em potências crescentes de p


e efetuando-se a divisão, resulta
')
60 - l 08 p + 62 p 2 - 14 p 3 + p 4 6-6p+3p-

60-60p+30p 2 10-8p-i. p 2
3
-48p+32p2 -14p3
-48p+48p2 - 24p3
') ' 4
- 16 p- + I Op-' + p
-16p2 + 16p3 +8p4
' 4
-6p-'-7p
donde
e K2 =-8/3.
O resto da divisão permite escrever segundo (9.50)
p 3N1(p-2)
-6p3 -7p4 N 1(s) -7s-20
------ . donde ------. ')
Di(p-2) 6-6p+3p 2 D, (s) 3(s- +2s+2)

Dado que as raízes de (s 2 + 2s + 2) são números complexos conjugados, pode-se es-


crever N 1(s)ID 1(s) na for1na
N 1 (s)_-7(s+l)-13_ 7 (s+l) 13 1
D1(s) 3[(s+I)2 + 1] --3
(s+I) 2 +I -3 (s+ 1)2 + 1'
que é reconhecida como tuna so,na de transformadas de co-seno e de seno a1nortecidos.

.,.. O segundo método, além de ser operacionalmente mais simples, · ornece a função
remanente N 1 (s)tD 1 (s) sobre a qual se aplicam os métodos de exp 1nsão para os
outros pólos (sejam eles simples ou múltiplos). Já o primeiro métc do requer que
todos os coeficientes da expansão sejam obtidos de F 1(s).
A Transformada de Laplace e Aplicações 209

9.8 Teoremas do valor inicial e do valor final


Existem situações nas quais o analista somente deseja conhecer da função resposta seu va-
lor, ou logo após a aplicação da excitação, isto é, no instante t =O+, ou muito tempo depois
da aplicação da excitação, isto é, quando t -? oo . Nesses casos, e,n vez de antitransformar-se
a função no do,nínio de freqüência e depois aplicar-se a ela a condição-limite, é mais prática a
aplicação do teorenia do valor inicial ou do teore111a do valor.final, apresentados a seguir.

Teorema do valor inicial


"Considere uma função f (t) contínua para t > O ou contendo no máximo uma descontinui-
dade em degrau e1n t = O, possuindo a transfor,nada de Laplace F(s), sendo F(s) u1na função
racional própria, isto é, expressa pelo quociente de dois polinômios em s cujo grau do nume-
rador seja menor que o grau do denominador. Vale, então,

lim /(t) = lim sF(s) ." (9.51)


,~o+ s ~oo

A demonstração é aqui dividida e1n duas partes.


(a) A função f (t) é contínua e1n t = O, isto é, f (O_)= j ' (O+)· Nesse caso, a aplicação da
transformada à derivada de/(t), expressa por (9.9), dá

li1n i [d/(t)J = lim


S~oo d/ s~oo
f0_ df(t)
00

d/
e-s,dt =O= lim sF(s)- /(O_) ,
S- ><>0

donde
lim sF(s) =/(O_)= /(O+).
S~"°

(b) A função f (t) sofre uma descontinuidade e1n degrau em t =O, como mostrado na Figu-
ra 9.6a.

f(t) J..(t) [f(O+) - /(O_ )] u(t)

+
/(0+)-/(0_) - - -

t t t
(a) Função dada
(b) Função contínua mais função degrau

Figura 9.6 Decomposição de uma função descontínua em uma função contínua mais uma
função degrau.
21 O Análise de Circuitos Elétricos

Essa função pode ser expressa como a soma de uma função contínua/j(t) mais uma flmção
degrau, como mostrado na Figura 9.6b, que em tern1os literais escreve-se como

f(t)=li(t)+ [f(O+)-.f(O_)] u(t).

A derivada de/(t) é então

df(t) = dfi (t) + [/(O ) _ ((O )] ô(t)


dt dt + . - '

que, co1n a aplicação da transformada de Laplace, fornece


sF(s)-/"(O_)=sF;(s) - /j(0_)+ [/(0+) - /(0_)] ou sF(s)=sF;(s) - fj(O_) + /(O+) -
Daí,

lim sF(s) = lim sF; (s)- li (O_)+ /(O+).


S~oo S--?oo

Por outro lado, já que li (t) é contínua em t = O, aplica-se a ela a conclusão da pat1e (a), ou
.
seJa
lim sF; (s)- li (O_)= O,
s~oo

restando, final,nente,

lim sF(s) =/'(O+).


$--?00

- Exemplo 9.6
Dada a função
F(s) = 2(s + 1) '
s 2 +2s +5
calcule o valor inicial/(0+) de sua antitransformada.
Solução:
Sendo F(s) uma função racional própria, o teorema do valor inicial é aplicável a ela e
resulta

/CO+) = litn sF(s) = lim ;(s + l)s = 2.


s"" 00
s"" s + 2s + 5
00

Esse resultado confirma o limite para t ~ O obtido direta,nente na fi.,nção te,nporal an-
titransfonnada, isto é,
lim f(t)= lim .f- 1[F(s)] = lim[2e- 1 cos2t]=2.
'""º+ '""º+ '""º+
A Transformada de Laplace e Aplicações 211

.... Se fosse

= 2(s + l)
.F(s ) 1+ ? '
s-+2s+5
o teorema não se aplicaria, já que, nesse caso, F(s) não é uma funç jo racional
própria. De fato, o limite correto é

lin1 f(t)= lim[ô(t)+2e-' cos2t)=2,


'""º• '""º+
ao passo que

lhn sF(s) = lim [s + ;<s + l)s ] "-7 oo.


S°"OQ S°"OQ S + 2S + 5

Teorema do valor final


"Considere uma função .f(t) possuindo a transformada de Laplace F(s), sendo F(s) uma
função racional cujos pólos tenham parte real não positiva (negativa ou nula). Vale, então,

lim /(t) = lim sF(s) " . (9.52)


/-too s""O

A demonstração é 1nuito sirnples.


A aplicação da transformada à derivada de/(t), expressa por (9.9), dá

litn f [d/(t) ] = lim fiOQ 4/'(t)e-s,dt =fiOQ 4f(t) dt =litn sF(s) - f (O_),
s-tO dt s-tO O_ dt O_ dt s-tO

isto é,

fi0- d.f(t)
00

dt
dt = limsF(s) =/(O_).
s-tO

Efetuando-se a integral, tem-se

lim f (t) - f (O_)= lim sF(s) - /(O_) e daí lim f(t) = lim sF(s).
/-tOQ s-tO t-t"" s-tO

Exemplo 9.7
Dada a função
f (t) =3e- 21 - 4u(t)
212 Análise de Circuitos Elétricos

e sua transfonnada
3 4
F(s)=----,
s +2 s
calcule/(oo) fazendo uso do teorema do valor final.
Solução:
Neste caso,
3
lim sF(s) = lin1 [ s - ~] = -4 = lim[3e-21 -4u(t)].
s-40 s-40 S +2 S t...:,~

Se fosse

f (t) =3e21 - 4u(t)


com transformada

F(s) = 3 4'
s-2 s
o teorema não se aplicaria já que, neste caso, F(s) tem um pólo cc m parte real
positiva. De fato, o limite correto é
21
Jim .f(t) = lim[3e -4u(t)] ~ oo,
f-+oo t -.+oo

ao passo que

lim sF(s) lim[


s-'>0
=
s-40
3
s -
S- 2
45
S
] = -4 .

9.9 Tabela de transformadas


Conforme 1nencionado nas seções anteriores, o processo de antitransformação é feito, em
geral, procurando-se um par /(t) <==> F(s) numa tabela de transformadas.
U1na tabela bastante satisfatória para uso em transformações aplicadas a redes Hneares é
encontrada em GIACOLETIO, L. J. Electronics designers' handbook. 2ª ed. New York:
McGraw-Hill, 1977. Tabela 1.24.
Não há a intenção de que a Tabela 9.1 aqui apresentada seja tão a1npla como a acima cita-
da. Ela apenas sintetiza as propriedades alistadas neste capítulo, sendo, porém, suficiente para
a solução dos proble1nas que se apresenta1n neste texto.
A Transformada de Laplace e Aplicações 213

TABELA 9.1 Transformadas de Laplace.

F(s) f(t) , t> O

l. c 1F 1(s) + c 2F2 (s) c 1 J;(t) + c 2 fi(t)

2. sF(s)
1 f (t) +/(O_)

3. d" F(s) (-t)11 .f(t)


dt"

4. e - as F(s) f(t - a) u(t - a)

5. F(s + a) e - ar f(t)

6. s"
d" ó(t)
dt 11
7. I ó(t)
8. 1/s 1
9. l /s2 t
1 11- I
I O. (n= l , 2,· ·-) 1
s" (n -1) !

11. 1 e - ar
(s +a)
1 l _ ,n-1 e-ai
__
12 . (n= 1, 2, , ..)
(s+a)" (n - !) !
1 I { e-ar - e-br)
13.
(s+a)(s+b) b-a

14. s 1 { ae - ai - b e -bt)
(s+a)(s+b) b-a
15. 1 1 .
-Slll O}f
82 + 0)2 O}

16. s COSúJ!

5 2 + 0)2
1
17. -l e-ai s1· n úJt
(s + a)2 + úJ2 O}

18.
s+a e - ar COSO}!
? .,
(s + a)- + úJ-
214 Análise de Circuitos Elétricos

9.1 O Comparação dos métodos de solução de equações


diferenciais
Conforme se procurou demonstrar neste capítulo, a transformada de Laplace é u1n instru-
1nento analítico 1nuito poderoso e atraente na solução de equações diferenciais ordinárias, li-
neares, com coeficientes constantes, principalmente porque leva em conta direta1nente as
condições iniciais.
Com isso não se quer dizer que os outros métodos de solução até aqui apresentados servi-
ra1n apenas como motivação à introdução da transformada de Laplace e, a partir de agora, de-
vam ser esquecidos.
Ao contrário, há 1nuitas situações em que as técnicas de solução temporais ou fasoriais são
1nais convenientes de utilizar.
Nesta seção são 1nostrados vários aspectos de inter-relações entre as técnicas vistas ante-
rionnente e a transformada de Laplace, de modo que possibilite ao analista a descoberta de
eventuais atalhos para a solução desejada.

Resposta em estado zero e a função de sistema


No Capítulo 6, ao serem apresentadas soluções temporais para as equações diferenciais,
foram distinguidos dois modos diversos de compor a solução co,npleta:
1. Como a soma de soluções da equação homogênea (ou solução transitória) e uma solu-
ção particular da equação completa (solução pennanente).
2. Como a so1na da resposta em entrada zero (ou resposta livre) e a resposta em estado ze-
ro (ou resposta forçada).
O ponto co1nu1n destas duas abordagens é que em redes estáveis3 a resposta em estado ze-
ro tende à resposta permanente co1n o passar do te1npo.
Por outro lado, foi visto neste capítulo, utilizando-se técnicas de Laplace, que a transfor-
1nada da solução de uma equação (ou sistema de equações) diferencial ordinária, linear, com
coeficientes constantes aparece na forma de (9.17), sendo o pri1neiro termo do lado direito
correspondente à transformada da resposta e1n estado zero (ou co1n c.i.q.) e o segundo termo
correspondente à transformada da resposta em entrada zero.
Explicita1nente, a transfonnada da resposta e1n estado zero é

( L m + 1, 5 111 - 1 + +b )
X(s) = uo 5 vi .. . m E(s). (9.53)
( aos n
+ sª• n- 1
+ ... + ªn-1 s + ªn )

Nesse caso, define-se genericamente como função de siste,na (ou função ele rede quando o
sistema for urna rede), representada por H(s), a relação entre a transformada da resposta em
estado zero e a transformada da excitação, isto é,

3. O conceito de estabilidade será formalmente definido posteriomente. Por enquanto, basta intuir que, se a
resposta de uma rede tender a crescer indefinidamente, independentemente das entradas, a rede é conside-
rada instável.
A Transformada de Laplace e Aplicações 215

111 111 1
H(s) = ,,Y(s) = (b0 s + b1s - + · · · + b111 )
(9.54)
E(s) (a0 s 11 +a1sn-l +···+an_1s+a11 )

e (9.46) pode ser escrita como

X(s) = H(s)E(s). (9.55)

A transformada de Laplace e a resposta permanente co-senoidal


Suponha que uma rede em estado zero seja alimentada por uma excitação co-senoidal e(t)
que, segundo (8.21), pode ser escrita como

r;;
e(t)=v.t.Ecos r;;
((J)t+4'e)=v2Re ' . ) = ,fi.(..
( .Ee'{J)/ Ee'(J)/ +E..e-J(J)/
. ), (9.56)
2
onde Ê = Eei~, é o fasor da excitação e Ê• é o seu conjugado.
Com essa notação, a transforn1ada de Laplace E(s) da excitação e(t) é escrita como
,J2 A '<

E(s)=-2 _E_+ E (9.57)


s- j(J) s+ j(J)

A transforrnada da resposta X(s) co1n essa excitação é, segundo (9.55),


)((s) = H(s)E(s)

ou
A A<
,J2E E
X(s)=-H(s) - - + - - • (9.58)
2 s - j(J) s + j(J)

Ses= j(J)e s = -j(J)não são pólos de H(s), então a técnica dos resíduos fornece

X(s) = ,J2 H(j(J)) Ê_ + H(- j(J)) Ê.. , (9.59)


2 S-J(J) S+J(J)

cuja antitransfonnada fornece a resposta permanente co-senoidal

x(t) = ,fi.[H(j(J))Ee1(J)/ + H(-j(J))E e-J{J)/ J.


A • . A. •
(9.60)
2
Essa resposta pode ser simplificada reconhecendo-se dentro dos colchetes a so1na de dois
complexos conjugados equivalente ao dobro da parte real de qualquer um deles.
216 Análise de Circuitos Elétricos

Assi1n,

x(t) = -./2 Re[H(Jco)ÊeiM]. (9.61)

Esse resultado é idêntico ao obtido em (8.30) e leva à importante conclusão:


• o fasor da resposta em regime permanente co-senoidal é obtido multiplicando-se o
fasor da excitação pelo valor da função de sistema tomada e,n s = j ai

A integral de convolução e a resposta impulsiva


Considere duas funçõesft(t) efi(t). A convolução destas funções, designada porft(t)'1'/i(t),
é definida através da integral

(9.62)

se a 1nesma existir.
U1na propriedade importante da convolução é que, se F 1(s) e F2 (s) forem respectivamente
as tranformadas de Laplace de duas funções, fi(t) e fi(t) , definidas para t > O, então a trans-
fonnada da convolução é

(9.63)

Essa propriedade é facilmente demonstrada aplicando-se a definição de transfonnada à in-


tegral de convolução, isto é,

onde a integral de convolução foi limitada a Â.. > O_, já que fi (t) é nulo para t < O [ou fi(Â..) é
nulo para À.< O].
Reescrevendo a exponencial e - si como e -sÃe -s(i - 4\ resulta

Como aplicação, considere uma rede cuja transformada da resposta em estado zero seja
expressa como e1n (9.55). Se a excitação for u1n impluso unitário (ocorrendo em t = O), isto é,
e(t) = ô(t) , decorre que E(s) = 1, donde

f - 1[f/(s)] = h(t) para t >o . (9.64)

Nesse caso, h(t) é chamada de resposta impulsiva do sistema. Dada a definição de


convolução, decorre imediatamente para uma excitação e(t) a resposta x(t) expressa por

x(t) = h(t) *e(t) para t >o . (9.65)


A Transformada de Laplace e Aplicações 217

.,. A integral de convolução é comutativa, já que, fazendo Â. = t - T, re :ulta

A integral de convolução, num sistema linear, representa com umi notação compacta
a resposta a uma excitação qualquer em função da resposta impul ;iva. Entretanto, o
cálculo analítico de (9.65) é muitas vezes difícil, sendo mais apropr adas as soluções
numéricas ou o cálculo através de (9.63).

Exemplo 9.8
A resposta impulsiva de u,n sistema linear é
h(t);:: 3e-21 (para t >O).
Determine a resposta r(t) à excitação co-senoidal
e(t);:: 4cos2t u(t):
(a) Através da integral de convolução.
(b) Através da transformada de Laplace.
Solução:
(a) Já que h(t) e e(t) são nulos para t < O, a integral (9.62) conduz a
h(t) * e(t);:: J: 3e- 2 .i 4cos 2(t-2) u(t -2)dÀ.

J~
;:: 12 e-2 .i cos 2(t -À.)dÀ.

e, então,

f~ J
h(t) * e(t);:: 12 e-2 i Re[ eí 2V- l) d2;:: 12 Re[ eÍ 2' f~ e<-2 - J2)Jd2J
e(-2- J2)1 _ 1
;:: 12 Re eí 2'
-2-j2

Finalmente,
r(t) ;:: h(t) * e(t);:: -3e- 21 + 3 cos 2t + 3 sin 2t para t >o.
(b) Transfor1nando-se h(t) e e(t), têm-se
3 4s
H(s);:: f[h(t)];:: e E(s);:: f[e(t)] ;::--
s+2 s2 +4
218 Análise de Circuitos Elétricos

Daí,

12s
r(t) = f- 1[H(s)E(s)] = f- 1
(s 2 + 4)(s + 2)

=f-l [-3 1 +3 s +3 ,2 ],
s+ 2 s2 + 4 s- + 4
donde
r(t) = - 3e-21 + 3 cos 2t + 3sin 2t para l > o,
tal como na parte (a).

Problemas propostos
P9. I Deter1n ine a transfor1nada de Laplace da função representada graficamente na Figura 9. 7.

/(t)

I
o 1 2
Figura 9.7 Problema P9.1 .

Resposta: F(s)= ~ (i-e-s)-~e-s.


s- s
P9.2 Determine a transformada de Laplace da função
f (t) = t siu OJt u(t) .
2ws
Resposta: F(s) = , , .
(s 2 +w-)-
P9.3 Detennine a antitransformada de Laplace da função

F(s)= 3s+I .
2
(s+2) +9

Resposta: f'(t) = 3e-21 cos 3t -(5/ 3)e- 21 sin 3t para t > O.


A Transformada de Laplace e Aplicações 219

P9.4 Utilizando as propriedades da transfonnada de Laplace, detennine a antitransformada da


função
d 1
F(s)=-----
ds (s+b) 2 +a2

Resposta: f(t) =_!_e-b1 sin at para t 2:: O.


a
P9.5 Dado o sistema de equações diferenciais abaixo, com condições iniciais quiescentes (siste-
ma em estado zero),
dy,
- = - 2y, +y2 +10 (t > O)
dt
dy2
-=-y, -2y, (t > O),
dt -
determine:
(a) A transfonnada Y2(s).
(b) A função y 2(t), para l > O.
10
Respostas: (a) Y2 = - - --
(s+2)2 +l
(b) y 2 =10 e- 21 sint u(t).
P9.6 Resolva a equação
pf(t) + .f'(t) =sin(3t + t.l 4) u(t)

com /(O_) =-Ji.


Resposta: .f (t) = -./2 [l, le- , - O, 1 cos 3t + O, 2 sio 3t] .
P9. 7 Dado o sistema de equações diferenciais
(2p + 5)y1(t)-2py2 (t) = 4u(t)
{ py,(t)+ PY2(t) = O,
com as condições iniciais y 1(0_) =y 2(0_) = 1, determine:
(a) A transfonnada Y2(s).
(b) A fi.mção y 2(t), para t > O.
4s+6
Respostas: (a) Y2 (s)= - - - -
4s(s+5/4)
5(
6 1 --
(b) Y2 (t) = ---e 4 para t > o.
5 5
P9.8 Determine a antitransforn1ada de Laplace da função

F(s) = 2s2 +4 .
(s+2)3

Resposta: f(t)=i- 1[F(s)]=(6t2 -8t+2)e- 21 para t2:: O.


220 Análise de Circuitos Elétricos

P9.9 No circuito da Figura 9.8, con1 vc;1(0_) = 10 V, vc2(0_) = OV e iL(O_) = 2 A, escreva as


-
equações nodais Lnatriciais no domínio das freqüências s nas tensões transformadas E1 (s) e
~

E2 (s). (Sugestão: transforme os geradores de tensão em geradores eqüivalentes de corrente


e substitua as condições iniciais por geradores convenientes para a análise nodal.)

5 ô(t) V + L + lOu(t)V

Figura 9.8 Problema P9.9.

-C,s
Resposta:

P9. I O A impedância generalizada de u1n certo bipolo é


?
Z(s)= s-+25
s-1 +5s+25
Detern1ine:
(a) A freqüência angular em que a impedância em regime senoidal é real.
(b) O fasor da tensão nos tenninais do bipolo quando alimentado por uma fonte de corrente
de 3 A e (J)= 1O rad/s.
Respostas: (a) (JJ= Orad/s e {JJ-') oo rad/s.
(b) V =2,496133, 69° V.
P9. II Uma função f (t), transfonnável segundo Laplace, tem apenas duas descontinuidades de
amplitudes A 1 e A2, respectiva1nente em t = O e t = T, como indicado na Figura 9.9. Sendo
F(s) a transformada def{t), calcule lim sF(s) .
s ~oo
A Transformada de Laplace e Aplicações 221

J{t)

o T t
Figura 9.9 Problema P9.11.

Resposta: Li1n s}i (s) = fi (O_)+ A1.


s-'>-
P9. l 2 A resposta impulsiva de um dado sisteu1a linear é

h(t) = (3e-, - 4e- 2' )u(t) .

Detennine a resposta r(t) desse sistema quando excitado por uma função degrau
e(t) = 3 u(t) , estando inicialmente e111 repouso.
Resposta: r(t) =-9e-1 + 6e-2' •
Página em branco
CAPÍTULO

Noções sobre Gráficos


e Análise Numérica

O s métodos nu1néricos de análise são instru1nentos poderosos que devem ser


do conhecimento de todo analista de redes elétricas. Como iniciação ao
te1na, este capítulo procura dar ao leitor noções de co1no as redes podem ser
descritas rnatricialmente através de seus gráficos orientados, tornando possível
a solução numérica através de co1nputadores.

1 O. 1 Introdução
Nos capítulos anteriores foi dada ênfase a métodos analíticos de análise de circuitos, e os
resultados mostrados através de exe1nplos se mostraram úteis e satisfatórios. Quando, porém,
depara-se com redes complicadas com um número muito grande de elementos, a abordagem
analítica toma-se dificil ou até mesmo quase impossível de ser executada.
Por essa razão, tem-se recorrido, cada vez mais, aos métodos numéricos de análise, que,
por sua vez, têm apresentado versões cada vez mais práticas de uso.
Infelizmente, os métodos nurnéricos de análise não são nenhu1na panacéia para a co1npre-
ensão do funcionamento de u1n circuito e o co1nputador deve sempre, e tão-somente, ser enca-
rado como um auxiliar do analista.
Não é intenção deste texto detalhar programas específicos disponíveis no mercado, já que
estes são modernizados continuamente e suas regras de utilização são especifica1nente descri-
tas nos 1nanuais do fabricante que acompanham cada versão.
O objetivo deste capítulo é rnostrar como colocar as equações de rede em fonna tão siste-
rnática quanto possível, de modo que o computador possa compreendê-las e manipulá-las, e
ao 1nesmo te1npo definir para o leitor a nomenclatura usada nesta técnica.
224 Análise de Circuitos Elétricos

10.2 Gráficos de rede e topologia


A disposição topológica dos elementos numa rede elétrica e a validade das leis de Kirchhoff
são independentes da natureza dos elementos e, por isso, essa disposição pode ser representa-
da através de gráficos apresentados a seguir.
Considere, então, um circuito co1no aquele da Figura 10.1 a, onde os sentidos das correntes
e tensões em cada bipolo estejam relacionados através da convenção do receptor.
2 3 4 5
2 + 3 + 4 5

+ + ++ +

+
• •
1 6
1 6
(a) Rede elétrica (b) Gráfico orientado

Figura 10.1 Rede elétrica e seu gráfico orientado.

O gráfico correspondente a esse circuito, apresentado na Figura 10. lb, é construído pela
substituição de cada bipolo da rede elétrica dada por arcos de curva chamados ramos do grá-
fico. Os pontos de conexão dos ra1nos são os nós do gráfico.
Esse gráfico, ern particular, é um gráfico orientado, já que mantén1 indicado o sentido positivo
d.as correntes dos rarnos da rede elétrica. Ele tarnbétn é chamado de planar, pois é desenhado num
plano sem superposição de ramos, e não conexo, pois consiste em duas partes separadas. Se hou-
vesse tuna ligação ou um ramo entre os nós 1 e 6 e/ou 4 e 6 o gráfico seria chamado de articulado.
Qualquer conjunto de ramos e nós extraídos de um gráfico dado é chamado de urn subgrá-
fico deste. Um gráfico constituído somente de um nó é um subgráfico degenerado.
Entre os subgráficos que podem ser extraídos de um gráfico são particularmente itnportan-
tes as árvores, os conjuntos de corte e os laços.

,
Arvores
Uma árvore de um gráfico conexo é um subgráfico que inclui todos os nós do gráfico da-
do e um conjunto de ramos apenas suficientes para interligar qualquer par de nós. A Figura
10.2b ilustra algumas árvores que podem ser extraídas do gráfico 1nostrado na Figura 10.2a.

{a) Gráfico dado {b) Algumas árvores do gráfico

Figura 10.2 Gráfico orientado e suas árvores.


Noções sobre Gráficos e Análise Numérica 225

Todas as árvores de um dado gráfico têm o mesmo número n de ramos. De fato, verifica-se
se1n dificuldade que, se o gráfico tiver n, nós, são necessários e suficientes n ramos, tais que

(10.1)

para prover urn único caminho entre qualquer par de nós. Esses ramos são designados ramos
da árvore.
Qualquer rarno do gráfico dado que não pertença à árvore escolhida é chamado de ramo de li-
gação. Sendo b o nú,nero total de ra,nos do gráfico dado, o número l de ramos de ligação é
l=b-n=b-n1 +l. (10.2)

Conjuntos de corte
Se um gráfico conexo for dividido e,n duas partes separadas pela remoção de um conjunto
de rarnos e se a recolocação de u,n qualquer desses ramos tornar novarnente o gráfico conexo,
diz-se que esse conjunto constitui un1 conjunto de corte ou si1nples1nente corte. Se, além
disso, uma árvore tiver sido associada ao gráfico e o corte contiver exataruente un1 ra1no dessa
árvore, ele será chamado de urn corte fundamental associado ao ramo da árvore. Evidente-
1nente, o número de cortes fundanientais de um gráfico é n, ou seja, o número de ramos de
árvore. A Figura 10.3b mostra alguns exemplos de cortes.

1
\

''
~
''
'
(a) Gráfico dado (b) Alguns conjuntos de corte

Figura 10.3 Gráfico e conjuntos de corte.

..,... Uma maneira prática de visualizar um corte fundamental relacioné do a um ramo


desejado da árvore é desenhando esse ramo "esticado" (sem alter ir as dimensões
dos outros ramos da árvore), como ilustrado na Figura 10.4b, sepé ·ando os nós do
gráfico em dois grupos distintos. Os ramos de ligação que interlig. 1m os dois grupos
de nós são, em conseqüência, também esticados no desenho; est is e mais o ramo
da árvore constituem o corte fundamenta l.
226 Análise de Circuitos Elétricos

(a) Árvore dada (b) Ramo de árvore "esticado" {e) Conjunto de corte associado
'
Figura 10.4 Arvore e corte fundamental.

Laços
Um laço de um gráfico conexo é qualquer subgráfico também conexo tal que dois, e ape-
nas dois, de seus ran1os incidam em cada nó e exata1nente dois nós pertença1n a cada ramo.
Em tennos práticos, u1n laço é um percurso fechado sobre os ramos do gráfico passando ape-
nas u1na vez em cada nó. Um laço fonnado por exata1nente um ra111.o de ligação e u1n ou mais
ramos de árvore é chamado de laço fundamental associado a esse ramo de ligação. Eviden-
ten1ente, o número de laços filndanientais de um gráfico é !, ou seja, o número de ratnos de
ligação. A Figura 10.5b mostra exemplos de laços fundamentais.

'
(a) Arvore dada (b) Laços fundamentais
'
Figura 10.5 Arvore e laços fundamentais.

Dado um gráfico planar, define-se como malha qualquer laço que não contenha nenhum
ramo e1n seu interior. Por outro lado qualquer laço que não contenha nenhum ra1no e1n seu
exterior é definido co1no malha externa.

10.3 Descrição matricial de gráficos orientados


Os gráficos orientados podetn ser descritos por 1neio de 1natrizes. Como será visto nesta
seção, essas matrizes, chamadas de matrizes de gráficos, per1nite1n a formulação topológica
das equações de análise de redes e constituem-se em peças fundan1entais dos progra,nas para
a solução nutnérica de circuitos elétricos.
Noções sobre Gráficos e Análise Numérica 227

Considere um grático orientado co1n


nú1nero total de nós (incluindo o nó de referência)
b nú,nero de ramos do gráfico
n : nú1nero de nós (excluindo o nó de referência)
: nú1nero de ramos da árvore
nú1nero de cortes fundamentais
l : nú1nero de ramos de ligação
: nú1nero de laços fundamentais

As seguintes matrizes são, então, definidas.

Matriz de incidência nós-ramos


A matriz de incidência nós-ra111.os aumentada ou simplesmente matriz de incidência
aumentada A0 de dimensão n1 x b tem seus termos definidos por

l se o ramoj sai do nó i
ª"1J = -1 se o ra,no j entra no nó i (10.3)
O se o ra1no j não incide no nó i

Por exemplo, para o gráfico da Figura 10.6a tem-se a ,natriz de incidência au,nentada
,nostrada na Figura 10.6b.
2
a b e d e f ~ ramos
-1 o o o
1 -1 1
e
1------...:----4 3 1 o o 1 o 1 2
f Aa =
o o l -1 l o 3
o - 1 o o -1 -1 4
t
4 '
nos
(a) Gráfico dado (b) Matriz de incidência aumentada

Figura 10.6 Gráfico e matriz de incidência aumentada.

Evidente,nente, a soma dos ele,nentos em cada coluna de A 0 é igual a zero, pois cada ra1no
sai de um nó e entra em outro. Assim, sem perda de informação, tomando-se um nó como re-
ferência, a linha da matriz correspondente a ele pode ser omitida, dando origem à matriz A,
chamada de matriz de incidência referente a esse nó. Por exe,nplo, a matriz A do gráfico da
Figura 10.6a com o nó 4 tomado como referência é
228 Análise de Circuitos Elétricos

-1 J -L O O O
A= 1 O O 1 O 1 (10.4)
O O 1 -1 1 O

Dada a sua construção, verifica-se que a ,natriz de incidência A possui exata1nente


11 = n,. - 1 colunas cujas somas de seus elementos não são nulas. Decorre, então, que sua ca-
racterística é igual a n.
Por outro lado, sendo a matriz de incidência au,nentada Aª obtida da matriz A acrescen-
tando-se a esta u1na linha com elementos 1, -1 ou O, tais que a so,na dos elementos em cada
coluna seja igual a zero, sua característica també1n é n.

Matriz dos laços fundamentais


A matriz dos laços fundamentais B de di1nensão l x b tem seus tennos definidos por
1 se o ramo j pertencer ao laço i no mesmo sentido de percurso
b!i = -1 se o ra1no j pertencer ao laço i no sentido de percurso oposto (10.5)
O se o ra1no j não pertencer ao laço i

Matriz dos cortes fundamentais


A matriz dos cortes fundamentais Q de dimensão n x b tem seus termos definidos por

1 se o ramo j pertencer ao corte i e tiver o mesmo sentido


qiJ = -1 se o ramo j pertencer ao corte i e tiver sentido oposto (10.6)

O se o ramo j não pertencer ao corte i

Matriz de malhas
A matriz de malhas M de dimensão l x b te1n seus termos definidos por
l se o ramo j pertencer à malha i com o sentido desta
miJ = - l se o rruno j pertencer à n1alha i con1 sentido oposto ao desta (10.7)

O se o ra,no j não pertencer à malha i

Exemplo 1 O. 1
Para o gráfico da Figura IO.7, escreva as matrizes A, B, Q e M.
Noções sobre Gráficos e Análise Numérica 229

2
e

1 e
b f

Figura 10.7 Exemplo 10.1.

Solução:
Com relação à definição (1 0.3), tomando-se o nó 4 como referência, ordenando-se as
colunas em ordem alfabética dos ramos e as linhas e1n ordem numérica crescente dos
nós, obtém-se a 1natriz

o o 1 o o
1
A= o o l - 1 l o
o -1 o o -1 -1
Com relação à definição (1 0.5), sendo os ramos da árvore d, e ej; ordenando-se asco-
lunas na orde1n alfabética dos ramos e as linhas na ordern alfabética dos rarnos de liga-
ção a, b e e, obtém-se a matriz
l o o -) -l o
B= O 1 O O O -1
O O 1 O -1 1

Referindo-se à definição ( 10.6), ordenando-se as colunas na ordem alfabética dos ra-


mos e as linhas na orde1n alfabética dos ramos da árvore d, e e J; obtém-se a 1natriz

1 O O 1 O O
Q= 1 O I O I O
-) 1 -1 O O l

Finalmente, referindo-se à definição ( 10.7), ordenando-se as colunas na ordem alfabé-


tica dos ramos e as linhas na ordem I (ramos a, b, d e e), li (ramos b ef) e III (ramos e,
e ef), obté1n-se a matriz

-1 - 1 O J 1 O
M= O I O O O -1
O O I O -1 1
230 Análise de Circuitos Elétricos

As matrizes de gráficos e as leis de Kirchhoff


Considere que num gráfico orientado, corn sentidos das correntes e tensões e1n seus ramos
coerentes com a convenção de receptor, sejam definidos os seguintes vetores-coluna:

v(t) - [ Va (/) vb(t ) ...]T - vetor das tensões de ramos.


e(t) - [ e1 ( t) e2 (t) ...]
T
- vetor das tensões nos nós (em relação à referência).
, , 1 (t) - [ V11 (! ) v,, (t) ...]r - vetor das tensões nos ram.os de árvore.
(10.8)
j (t) - [Ja(I) i b(t) ... ]T - vetor das correntes de ran1os.
i(t) -- [i, (t ) i11 (t ) .. ·lT -- vetor das correntes de malha.

j, (/.) - [ .ip(I ) .iq (t) ... ]T - vetor das co1Tentes de ramos de ligação.

ern que o sobrescrito T denota transposição.


Com essas definições, têm-se da Jll lei de Kirchhoff (lei das correntes)

Aj(t) = O e Qj(t) =o. (10.9)

Por exemplo, para o gráfico da Figura 10.6a, tomando-se o nó 4 como referência com a
matriz A dada por (10.4), tem-se
.
la
lb
- 1 o o 1
1 -1 . - ja + jb -.ic +jj o
.lc
Aj= 1 o o l o o . .ia + .id o'
.!d
o o l -1 l o . - jb + .ie - .i1 o
.1e
.
.IJ

cotn os ji função do te1npo, e o mes1no pode ser 1nostrado com a rnatriz de cortes fundarnentais.
Por outro lado, com as definições ( 10.8), têm-se da 2n lei de Kirchhoff (lei das tensões)
Mv(t) = 0 e Bv(t) =0 , (10.10)

que o leitor pode verificar sern dificuldades, já que os elementos dos vetores resultantes dos
produtos correspondem a somatórias algébricas de tensões ao longo de percursos fechados.
Por desenvolvimentos semelhantes, pode-se rnostrar que o vetor das tensões de ramos po-
de ser expresso através dos produtos matriciais

v(t) = Are(t) e v(t) =Q r v,(t) , (10.11)

e o vetor das correntes de ramos pode ser expresso através dos produtos matriciais

j(t) = Mr i(t) e j(t) = Br i1 (t). (10.12)


Noções sobre Gráficos e Análise Numérica 231

Gráficos duais e redes duais


E1n capítulos anteriores foram introduzidos conceitos de dualidade em redes siJnples, tais
como associações série e paralelo, geradores de Thévenin e de Norton etc. Esses circuitos
duais, em suma, conduziam a equações de rede de mesma forma, com os mesmos coeficien-
tes, com a troca de tensão por corrente e vice-versa.
Para uma rede mais complexa (desde que seja planar) o encontro de sua rede dual é possí-
vel, se bem que 1nais complicado, requerendo a prévia deterrninação do gráfico orientado
dual da rede dada.
Basicamente um gráfico dual de um dado gráfico planar é construído através de regras que
são mais bern expostas através de uin exemplo.
Considere, então, dado o gráfico planar orientado, ilustrado na Figura 10.8a, co1n as ma-
lhas I, II, III e a malha externa IV.
A construção de seu gráfico dual é ilustrada na Figura 10.8b e você deve seguir os seguin-
tes passos:
l. Internamente a cada malha do gráfico dado marque um nó do gráfico dual e nurnere-o
em correlação com a malha: nó I correspondente à malha 1, nó 2 à rnaJha II etc.
2. Fora da rede, marque o nó 4 do gráfico dual, correspondente à malha externa IV, e de-
signe-o como nó de referência.
3. Interligue os nós da rede dual por tantos rarnos quantos necessários para cruzar os ra1nos
do gráfico original.
4. Gire os vetores direcionais de cada ramo do gráfico original nu1n mesmo sentido até que
pri1neiro se alinhe1n com os respectivos ramos do gráfico dual. Desse modo a orientação é
transferida ao gráfico dual.

r.-- ........ 1
IV ,
"' 1
1 '

1 , , ,+. ',
\
, ,-( 1 1
3 4
Ili r-~---<- -,1 1 1

-- - ' -- -
1
--
-L- ' 1

" '' '


V/
1
' , . . , ' ,""
1
, , µ-
2

(a) Gráfico dado (b) Construção do dual (e) Gráfico dual

Figura 10.8 Gráfico dado e seu dual.

Com essa construção verifica-se, através das definições ( 1O. 7) e ( l 0.3), que a matriz de
rnalhas M do gráfico orientado original é idêntica à rnatriz de incidência A do gráfico orienta-
do dual e vice-versa. [Uma vez que, ao passar-se de u1n gráfico orientado para seu dual, a ro-
tação no passo 4 acima ocorre no sentido inverso do que ocorre ao passar-se do gráfico dual
para o original, as n1atrizes M e A podem diferir por u1n fator (-1 ).]
A rede dual de uma rede planar dada é obtida colocando-se em seu gráfico dual elementos
duais de mesmo valor, como ilustrado na Figura 10.9.
232 Análise de Circuitos Elétricos

3 l 2
Ili

·--->-- --~- ......,


'
1 1 '
\
\
1 'f 2 \
\

' ' 1 IJ, 3


-- '
' ......
--.--'
1
J. "" ,,
I
I
--
(a) Rede dada (b) Construção da dual (e) Rede dual

Figura 10.9 Rede dada e sua dual.

..,_ Em redes duais os valores dos elementos duais devem ser os mes nos. Assim, o
dual de um resistor de 1 k.Q é uma condutância de 1 kS (e não o ir verso do valor do
resistor), o dual de um indutor de 10 H é um capacitor de 10 F (ap, sar de este não
ser um valor prático) e assim por diante.

Teorema de Tellegen
Uma propriedade interessante de que gozam tensões e correntes associadas aos rainos de
um gráfico orientado é expressa através do 1eoren1a de Tellegen, que pode ser assi,n enunciado:
"Considere dados dois circuitos, N e N', em princípio diferentes, mas tendo ambos gráficos
orientados idênticos a Cltjos ran1os estejam associados pares tensão-corrente respeitando a
~onvenção do receptor.
Se, respectiva,nente nos circuitos N e N', os vetores das correntes de ramos foretn
. ( Ja,lb
J= . . , ... )T e J = Ja ,lb ,"' )T· e os vetores das tensoes
,1 ( ., ., - de ratnos fiorem v= ( v , vb," )T
0

e v = v0 , vb, · ·· )T , tem-se, entao,


I ( I I -
,r , T ,, O ,, (10.13)
V J=V J = .

Prova
Para este teorema pode ser dada uma demonstração simples baseada nas equações de
Kirchhoff em forma vetorial.
De fato, tendo em vista ( 1O.11 ), pode-se representar o vetor v' en1 função do vetor das ten-
sões nodais e' e escrever-se (10.13) sucessivamente nas formas

v ,rJ=
. (Ar e')r J=e
. ,r (AT )T J. = e ,r (A. J.) = O, (10.14)

já que a matriz A é idêntica nos dois circuitos e Aj = O, segundo ( I0.9).


Da mesma fonna,
T T
., T(AT) J=e
r ., (Ar e ) J=e
VJ= J = o,
., r (A'') (10.15)
Noções sobre Gráficos e Análise Numérica 233

o que prova o teoretna.

.,. Em (10.13), os vetores das tensões de ramos não precisam referir- ;e ao mesmo
instante de tempo que os correspondentes vetores das correntes e e ramos. Basta
que, em cada uma das redes, as equações de Kirchhoff sejam ind, pendentemente
satisfeitas .
.,. O teorema também se aplica a uma única rede, caso em que (10.13) reduz-se a

(10.16)

estendida a todos os ramos. Esta é uma prova matemática da con ;ervação da


.
energia.

10.4 As matrizes de gráficos e os métodos de análise


O escopo desta seção é mostrar como os métodos de análise apresentados no Capítulo 4
podetn ser deduzidos através das 1natrizes de gráficos apresentadas na seção anterior.
As deduções que se seguem são importantes no aspecto teórico, pois mostram como se or-
ganizam os programas de computador que calculam tensões e correntes em ramos de uma re-
de elétrica linear, dados a sua topologia e os elementos que constituem seus ramos. Os
resultados dessas deduções, contudo, não rivalizam com as regras práticas apresentadas no
Capítulo 4, para redes de pequeno porte, nem, de modo geral, co1npetem com os 1nétodos nu-
1néricos.
Nos itens seguintes serão detalhadas as equações da análise nodal, como urn preâ,nbulo às
equações da análise nodal modificada, que se seguem. Este segundo método é bastante geral
e particularmente apropriado a programas de solução numérica das redes.
Os outros métodos apresentados no Capítulo 4 e mais a análise de cortes podem ser dedu-
zidos de maneira se1nelhante. Alguns textos, como por exemplo ORSINl, L. Q. Circuitos elé-
tricos. São Paulo: Edgard Bli.icher, 1971. Cap. 6, apresentam essas deduções para os diversos
tipos de análise.

A análise nodal
Considere, inicialmente, cada ramo de uma rede definido por uma tensão e utna corrente
relacionadas entre si através de característica do elen1ento do ramo e de fontes independentes
e controladas.
Na análise nodal os ramos k são definidos na forma de Norton, co1no na Figura 10.1 O, e
equacionados como

(10.17)

onde g111k1 v1 (t) representa uma fonte de corrente controlada pela tensão de un1 outro ramo
(FICV) e isk (t) é u1na fonte independente de corrente.
234 Análise de Circuitos Elétricos

Onde g 111k, v1 (t) representa uma fonte de corrente controlada pela tensão de tun outro rarno
(FICV) e isk (t) é u1na fonte independente de corrente.
i,k(t) jk(ti

jk(t) "7
> Yk(p) V;(t)

~
vk(t)

(a) Ramo independente (b) Ramo com fonte controlada

Figura 10.1 0 Tipos de ramos na análise nodal.

E1n forma matricial tem-se

j(t) = Y (p)v(t) + i5 (t) , (10.18)

onde Y(p) é uma matriz da forma

}í 1(p) Ü Ü Ü Ü
:
O Y22 (p) : O O O
-·-----------r··-----r-----~-----I I

Y(p)= O O :Ykk(P); gmk1: O ' (10. 19)


--- ----------~---- --~---- -~- ---- --
º o : o : lí, (p) : o
º
---- ------------------------,----- - --
o . o . o i~<~
j(t) é o vetor das correntes de ramo, v(t) é o vetor das tensões de ramo e i 5(t) é o vetor das cor-
rentes de fontes independentes.
Multiplicando-se ( 1. O. I 9) à esquerda por A e tendo em vista a Iª lei de Kirchhoff na forma
de ( l O.9), resulta

O= Aj(t)= AY(p)v(t)+ Ais(t). (10.20)

Substituindo-se aí o vetor das tensões nos ra1nos v(t) em função do vetor das tensões no-
dais e(t), através de ( 1O.11 ), e rearranjando-se os termos, resulta
AY(p) A 7 e(t) = -Ai5 (t)
ou

Y,, (p )e(t) = i 511 (t) , (10.21)

onde

Y,,(p) = AY(p)Ar (10.22)


Noções sobre Gráficos e Análise Numérica 235

é a 1natriz das ad1nitâncias nodais e

(10.23)

é o vetor de correntes de fontes equivalentes.

Exemplo 10.2
Para o circuito da Figura l 0.11 a, determine:
(a) Seu gráfico orientado, com o nó de referência adotado, e a correspondente matriz
de incidência A.
(b) Sua matriz de admitâncias de ramos e seu vetor de correntes de ramos.
(c) Sua matriz de admitância nodal e seu vetor das correntes de fontes equivalentes.

R e , . .
~

ia jb lc

e, + t t) ,,
í, 1 YR yll Yu
"t

(a) Circuito original (b) Esquema adaptado à análise

a b e +- ramos
1 b 2

A - [o l

-1
1
:] 2
1

t
nós
--
(e) Gráfico orientado (d) Matriz de incidência

Figura 10.11 Exemplo 10.2.

Solução:
(a) Referindo-se ao esque1na adaptado à análise nodal da Figura 10.I lb, decorre ime-
diata1nente o gráfico orientado mostrado na Figura I0.11 e.
(b) Do esquema adaptado à análise obtê1n-se as matrizes de admitância de ramos e de
correntes de fontes, isto é,

YR + l 'LI O 0 -YRes
Y= O Yc O e ls

= o •

O O YL 2 - ls
236 Análise de Circuitos Elétricos

(c) Fazendo-se uso de ( 10.22), resulta a matriz de admitâncias nodais

YR + yll o o l o
1
Y =AYAT =[ ol
li
-1 ~] o
o
Yc
o
o
y l2
1 -1
o 1
ou

y =[YR +Y1., +Yc


ti
- Y,e
-Yc
Yc + Y1.2
l
e fazendo-se uso de (10.18) resulta o vetor das correntes de fontes equivalentes

Ís11 =-Ais=-[ o1 - 11 ou

..,. Este exemplo é idêntico ao Exemplo 4.5. A montagem das equaçê as nodais nesse
caso, porém, é muito mais demorada que usando-se as regras prÉ ticas da Seção 4.4.

A análise nodal modificada


A análise nodal apresentada no item anterior requer previarnente a representaçã.o de todos
os geradores na forma de Norton, com as correntes nos ramos equacionadas na forrna geral de
(10.17), com parcelas eventualmente nulas, mas não infinjtas. Já que isso nem sernpre é pos-
sível, como ocorre e1n ramos co1n geradores ideais de tensão ou co1n fontes (de tensão ou de
corrente) controladas por correntes de ramos, usa-se co.mo uma alternativa mais poderosa a aná-
lise nodal modificada, já introduzida no Capítulo 4 e aqui apresentada segundo a abordagem fei-
ta por HAJI, I. N.; YANG, P. e TRICK, T. N. Avoiding zero pivots in the modified nodal
approach. IEEE Trans. Circuits Syst. Vol. CAS-28, p. 27 1-279, abr. 1981 .
Nesse caso, também, cada ramo de uma rede é definido por urna tensão e uma corrente. A
diferença que aqui ocorre é que alguns ramos são definidos na forrna de No11on (tarnbém
cha1nados de ra,nos de admitância) e outros ramos são definidos na forma de Thévenin (tam-
bé1n chamados de ramos de ilnpedância).
Nos ramos em forma de Norton, suas correntes j Nk são (ou podem ser) expressas em fun-
ção de:
1. A própria tensão v Nk (através de características do elemento).
2. A tensão v,v7 e1n outro ra1no l de Norton (através de uma transcondutância).
3. A corrente irp ern outro rarno p de Thévenin (através de um fator de ganho).
4. Um gerador de corrente independente isk·
Noções sobre Gráficos e Análise Numérica 237

Assim, de modo geral, a corrente j Nk num ra1no de Norton (ou ramo de ad1nitância) é
equacionada como

(10.24)

ou e1n forma matricial

j N(t) =Y(p )vN (t) + H pjr (t) + i 5 (t), (10.25)

onde Y(p) é urna matriz da forma de (10.19) e Hp é uma matriz com.elementos /31.p·
De forma dual, nos ramos em forma de Thévenin, suas tensões v7k são (ou podem ser) ex-
pressas em função de:
1. a própria correntej7k (através de características do elemento);
2. a correntej17 ern outro ramo l de Thévenin (através de uma transresistência);
3. a tensão vNp ern outro ramo p de Norton (através de um fator de ganho);
4. utn gerador de tensão independente esk·
Assim, de u1n 1nodo geral, a tensão vTk num ramo de Thévenin (ou de impedância) é equa-
cionada como

(10.26)

ou e1n forma matricial

(10.27)

onde Z(p) é uma matriz de forma dual a (10.19) e HJI é uma matriz com elementos µkp·
Considere, agora, a matriz de incidência A, do gráfico orientado correspondente, organi-
zada de modo que suas primeiras colunas correspondatn a ramos do tipo de Norton e as suas
últi1nas colunas correspondam a ra1nos do tipo de Thévenin. Considere també1n que A então
esteja dividida e1n duas outras, isto é,

(10.28)

onde a submatriz AN corresponde aos ramos do tipo de No1ton e a submatriz A7 corresponde


aos ra,nos do tipo de Thévenin.
E1n conseqüência dessa partição, têm-se de ( 10.9)

[A·"' A ] [jN(t)J = 0 (10.29)


T jr(t)
238 Análise de Circuitos Elétricos

ede(l0.11)

vN(t)]
=
A1 e(t). (10.30)
[ V7(t) A~

Multiplicando-se (10.25) à esquerda por AN e tendo em vista ( 10.29), tem-se

(10.31)

Também, tendo em vista (10.30), pode-se escrever (10.27) na forma

(10.32)

Finalmente, co1nbinando-se ( 10.31) e (l 0.32) em fonna matricial resulta

A NY (p)A i
(10.33)
T T
Ar-H
. µ AN

Essa é a expressão matricial para a análise nodal modificada.

Exemplo 10.3
Para o circuito da Figura 10. 12a, determine:
(a) Seu gráfico orientado, co1n o nó de referência indicado, designando os ra1nos do ti-
po Norton com as letras a, b, ... , e os ramos do tipo Thévenin com as letras p, q, ....
(b) As correspondentes matrizes de incidência AN e A r
(e) A descrição das equações de ramos em forma matricial, co1no em (10.22) e (10.25),
e a identificação das matrizes Y(p), H p, Hµ e Z(p).
(d) As equações do siste1na em fonna matricial.

e, M e,
e1 RI e2
r-,.. .
i. jp J,

/3
. f e LI
,Bjp t e Li L2 G2
'• L2


(a) Circuito original
-- (b) Esquema adaptado à análise

Figura 10.12 Exemplo 10.3.

Solução:
(a) A Figura 10.13a mostra o gráfico orientado do circuito, distinguindo-se com as letras
a, b, ... os ramos do tipo Norton e com as letras p, q, os ramos do tipo Thévenin.
Noções sobre Gráficos e Análise Numérica 239

p 2 . . .
1 3 la fb +- ramos -t lp lq lr
1 o 1 -1o o 1
AN = o o 2 e Ar= 1 1 o 2
a o 1 3 o o 1 3
i i
-- nós nós
(a) Gráfico orientado (b) Submatrizes de incidência

Figura 10.13 Exemplo 10.3 (continuação) .

(b) Na Figura 10.13b estão indicadas as submatrizes de incidência do circuito, AN e


A'/) sendo indicados com os subscritos a, b, ... os ra1nos do tipo Norton e co1n os
subscritos p, q, os ramos do tipo Thévenin.
(c) Na tabela estão indicadas as relações constitutivas dos vários ramos a seguir:
ra1noa ~ j 0 =Cpv0 -fijp

ramo b ~ Íb = G2vb

Daí, escrevendo-se estas equações em forma matricial, como em (10.25) e (10.27),


resultam

Y= [Cp
O G2
OJ
' Bp = [ O
- /3 o
O
º]
O'

(d) Finalmente, efetuando-se os produtos indicados em (10.33), obtém-se

Cpo o l-1-/3 o o e1 o
1
o o o 11 1 1 o e2 o
1
o o - 11 o
G, o 1 e3 o
---------,-----------------
-1 1 O -R11 O O
.
}p es
1
o l o 1
1
1
o - L,p Mp }q o
o o 1 1
1 o Mp -Lip •
},. o
240 Análise de Circuitos Elétricos

ll>- Este exemplo é idêntico ao apresentado na Figura 4.8 da Seção 4. i, como roteiro da
análise nodal modificada, com a ressalva de que/~ aqui correspon !e ao negativo de
Í3 lá.

10.5 Introdução à análise numérica


Os programas de análise nun1érica são instrumentos poderosos na investigação do compor-
ta1nento de redes elétricas, tanto 1nais necessários quanto n1ais co1nplexas fore1n estas, exis-
tindo uma variedade 1nuito grande de progra1nas desenvolvidos no passado e havendo a
expectativa de que advirão muitos outros no futuro.
Dado esse contexto, esta seção não se propõe a detalhar nenhum programa em particular, já
que os detalhes são específicos de cada versão e ao analista são muito mais úteis as i1úormações
contidas no manual de utilização da versão adotada. Em vez disso, aqui procura-se, justificar prin-
cípios e convenções que regem as especificações de dados que alin1entam esses progra1nas.
Com esse escopo, já que modernamente os programas de análise numérica baseia1n-se na
análise nodal modificada, apresentada na Seção l 0.4, será mostrado nos itens seguintes como
fornecer dados a um programa de computador para habilitá-lo a formar as matrizes A1v, A7~
Y(p), Hp, HJI' Z(p), is(!) e es(t) necessárias à montagem e resolução da equação (10.33).

Desenho da rede e designação dos nós


Para dar início à análise é necessário, antes de tudo, dispor do esque1na da rede, nele defi-
nir wn nó de referência (rotulado com o número O, por exemplo) e rotular os outros nós em
ordem numérica crescente.
Nessa tarefa alguns cuidados precisam ser observados já que normalmente nesses progra-
1nas todos os elementos são individualizados, devendo ter início e fi,n num nó do esquema.
Essa convenção preliminar pode requerer a definição de mais nós na rede que na aborda-
ge1n seguida na Seção 10.4. Com ela, entretanto, é eli1ninado um processo de decisão.
Por exemplo, a associação série de um resistor R com umafe,n e(t) que, segundo a aborda-
ge1n seguida na Seção 10.4, poderia ser considerada corno um ún.ico ramo do tipo Thévenin
entre um par de nós é obrigatoria,nente, nesses programas, tratada co1no a associação série de
dois ramos: o primeiro consistindo no resistor (operando como u1na admitância de condutân-
cia G = 1/ R) e o segundo consistindo no gerador de tensão ideal de .fem e(t) (operando como
um ramo do tipo Thévenin), conforme mostrado na Figura 10.14.
G= l/R

+ (t)

lV

Figura 10.14 Ramos dos tipos Norton e Thévenin unidos por um nó.
Noções sobre Gráficos e Análise Numérica 241

Outro exemplo diz respeito a fontes controladas por corrente [seja1n elas de tensão ou de
corrente (FVCI ou FICI)], já que o ra1no controlador deve ser representado na forma de Thé-
venin. Para que os progran1as possam identificar essa situação, costuma-se exigir que, em sé-
1·;e com o elernento controlador, seja acrescentado um gerador ;deal de tensão nula (cujos nós
extremos devem figurar entre as especificações da fonte), como mostrado na Figura 10.15b .

.
1/
lk
+ V
I
=O
nó :,,,
ou criado ou
lk

(a) Esquemas dados (b) Esquemas adaptados à análise

Figura 10.15 Fontes controladas por correntes.

Assim como essas, outras convenções podem ser específicas do programa utilizado, de
,nodo que, co,no regra geral, o analista deve consultar preli1ninannente as instruções do pro-
gra1na antes de rotular os nós.

Especificação de elementos
Depois de rotular os nós, o analista deve designar os elementos da rede pelo tipo e nome e
defini-los pelas suas características, indicando o par de nós ao qual cada um está ligado co,n a
polaridade apropriada (se for o caso). Condições iniciais (se for o caso de análise de transitó-
rios) também deve1n ser especificadas.
Nesses progra1nas, em geral a pri1neira letra do no,ne designa a espécie de ele1nento. Sím-
bolos tradicionais, como R para resistores, C para capacitores, L para indutores, 1 para fonte
de corrente independente etc., são normalmente usados, além de outros mnemônicos, co,no D
para diodos (em redes que os contenham), G para fontes vinculadas com transcondutâncias
(FICV) etc. Outros elementos são designados com letras convencionadas.
Os valores dos parâ1netros dos elementos e de suas condições iniciais (se for o caso) são
expressos no Sistema Internacional de Unidades (SI), sendo aceitos, em geral, múltiplos e
sub,núltiplos designados com convenções apropriadas.

Discriminação do tipo de análise


Os programas numéricos usam técnicas de solução diferentes, conforme o tipo de análise
desejado. Por exe,nplo, a análise em corrente contínua (DC de direct current, em inglês) ope-
ra com números reais; a análise e1n corrente alternada (AC de alternating current, e1n inglês)
opera com nú1neros complexos; a análise transitória opera co1n técnicas de integração numé-
242 Análise de Circuitos Elétricos

rica etc. Assim, como detinição prévia, os programas devem ser infonnados do tipo de análise
que deverão executar.

Estrutura de uma análise nodal modificada para programas desse


tipo
Como já foi mencionado em itens anteriores, a inserção de dados e1n programas de análise
nu1nérica tem 1nenos graus de liberdade que na teoria da análise nodal 1nodificada apresentada
na Seção 10.4. Assim, resistores e capacitores são tratados co1no ra1nos de .Norton (ou de ad-
1nitância); indutores são tratados como ramos de Thévenin (ou de impedância); fontes contro-
ladas por corrente (FVCI ou FICI) têm como ramo controlador um gerador de tensão nula etc.
Os programas são, então, estruturados de modo a, a partir do conheci1nento:
l. dos nós iniciais e finais dos ele1nentos de uma rede, montar sua matriz AN de incidência
nós-ra1nos de Norton (ou de admitância) e sua matriz A r de incidencia nós-ramos de Théve-
nin (ou de impedância);
2. dos parârnetros de resistores (na verdade, de sua condutância), de capacitores e trans-
condutâncias de FJCV, montar sua matriz Y(p) de adrnitâncias de ramos;
3. dos ganhos de corrente de FJCI, montar sua matriz Hp de ganhos de corrente;
4. dos parâmetros de ganho de tensão de FVCV, n1ontar sua matriz Hµ de ganhos de tensão;
5. dos parâmetros das indutâncias, de indutâncias mútuas (às vezes definidas pelo coefici-
ente de acoplamento) e transresistências de FVCI, montar sua matriz Z(p) de impedâncias de
ramos;
6. dos parâ1netros das fontes de correntes, montar o vetor i5(t) das correntes de fontes;
7. dos parâmetros das fontes de tensão, montar o vetor es(t) das tensões de fontes.
Como visto na Seção 10.4, o conhecimento desses vetores e rnatrizes é condição necessá-
ria (e suficiente) para a resolução das incógnitas de uma rede através de (10.33).

Problemas propostos
PtO. I Dado o gráfico orientado da Figura 10.16 e considerando a árvore {a,d} determine:
(a) Os conjuntos de ramos correspondentes aos laços funda1nentais.
(b) A característica da matriz dos laços fundamentais.
(c) Os conjuntos de ramos correspondentes aos cortes fimdamentais.

Figura 10.16 Problema P10.1.


Noções sobre Gráficos e Análise Numérica 243

Respostas: (a) {a,b}, {c,d}, {a,d,e}, {a,d,f};


(b) A característica é 4;
(c) {a,b,e,f}, {c,d,e,f}.
Pl0.2 Considere que
l l o l o o o
o o -1 1 1 o o
A= -1 o -1 o o l o
o o o o o o 1
o o o o o o -l
seja a 1natriz de incidência reduzida de u1n dado gráfico. Responda:
(a) O gráfico correspondente é conexo?
(b) Qual a característica da 1natriz A?
Respostas: (a) O gráfico é desconexo, pois o último ramo é o único elo existente entre os dois
últimos nós.
(b) A característica é 3.
PI 0.3 Dado o gráfico representado na Figura 10. 17, pede-se:
(a) A matriz de incjdência reduzida A.
(b) Os cortes fundamentais para a árvore {a,b,d}.
(c) A matrjz dos cortes fundamentais Q.
a

3
d e f

Figura 10.17 Problema P10.3.

Respostas: (a) Com os ramos em ordem alfabética e os nós em ordem numérica


-1 -1 o -1 o o
A= 1 o -1 o o 1
o 1 1 o -1 o
(b) {a,c,/}, {b,c,e} e {d,e,/}.
(c) Com os ramos em ordem alfabética e os cortes na orde,n do itetn (b)
1 O -1 O O 1
Q= O 1 1 O -] O
O O O 1 1 -1

Pl 0.4 Dada a matriz de incidência reduzida


244 Análise de Circuitos Elétricos

a b e d e .r ~ ran1os
-1 o 1 -1 o o
A= 1 1 o o 1 o
o -1 -1 o o 1
responda se1n desenhar o gráfico correspondente.
(a) Identifique uma árvore que contenha o ra1no a.
(b) Identifique um laço que também contenha o ramo a.
Respostas: (a) Os outros dois ramos deven1 incidir nos outros dois nós saindo direta ou
indiretatnente dos dois prilneiros nós. Assim, são árvores {a,b,e }, {a,c,f,e},
{e, d,j} etc.
(b) Os outros ramos devem concatenar-se de modo que, saindo-se de um dos
dois primeiros nós, chegue-se ao outro passando por, pelo menos, um dos
outros dois nós. Assim, são laços {a,b,c}, {a,c,e}, {a,d,f} etc.
Pt 0.5 Dado o gráfico da Figura IO. 18a, pede-se:
(a) Os laços fundamentais para a árvore {e,f,g,h}.
(b) A matriz B dos laços funda1nentais para a árvore {e,f,g, h}.
(c) Aplique a 2.i lei de Kirchhoff aos laços do item (a) admitindo para cada ramo a con-
venção da Figura 10.18b.

e
a e

(a) (b)

Figura 10.18 Problema P10.5.

Respostas: (a) {a,e,f}, {b,e,,f,g} , {c,e,f,g,h} e {d,f,g,h}.


(b) Com os ramos em ordem alfabética e os laços na ordem do ite1n (a)
l o o o -l l o o
B=
o l o o 1 -) 1 o
o o l o -1 1 -) 1
o o o 1 o - 1 1 -1
(c) vc,-ve +v1 =0 , vb+ve -v1 =0 , Vc -ve +v.r -vg +v11 =O e
Vd - Vf + Vg - V1, =Ü •
CAPÍTULO

• •

Funções de Rede e
Resposta em Freqüência

m capítulos anteriores fora1n definidas funções relacjonando saídas com


E entradas e foi mostrado co1no essas funções variam com a freqüência.
Neste capítulo são apresentadas técnicas de co1no avaliar e usar essas
características, incluindo aqui os gráficos de Bode.

11. 1 Introdução
A análise de redes lineares e fixas contendo ele1nentos que armazenam energia conduz, via
de regra, a equações integro-diferenciais ordinárias com coeficientes constantes relacionando
'Saídas (ou respostas) com entradas (ou excitações).
E1n capítulos anteriores, em diversas abordagens apresentadas, as saídas são relacionadas
às entradas através de funções racionais designadas/unções de sistenia.
Assim, no Capítulo 6, com as entradas e saídas definidas no domínio de tempo, as funções
=
de sistema são funções algébricas racionais do operador p d/dt.
No Capítulo 8, co1n as entradas e saídas sendo funções em regin1e permanente senoidal
tratadas pela técnica dos fasores, as .funções de siste,na são funções algébricas racionais do
operadorjcorelacionando os fasores de saída aos fasores de entrada.
Finalmente, no Capítulo 9, con1 as entradas e saídas sendo funções tratadas segundo a
transformação de Laplace, as junções de sistema são funções algébricas racionais da variável
de freqüência co1nplexa s relacionando as transformadas de funções de saída às de funções de
entrada em estado zero (isto é, com condições iniciais quiescentes).
São também 1nostradas no Capítulo 9 inter-relações formais entre as várias definições de
funções de siste,na. Assi1n, co1no visto na Seção 9.5, as/unções de sistema inter-relacionando
funções temporais asse1nelha1n-se aos quocientes das funções transformadas ern estado zero
co1n a substituição da variável co1nplexa s pelo operador p e, conforme demonstrado na Seção
9. l O, as junções de sistema inter-relacionando fasores de saída e de entrada assernelham-se
aos quocientes das funções transformadas em estado zero com a substituição de s porjm
Toda essa equivalência de formas (não de conceitos) faz co1n que o estudo das funções de
sistema possa ser realizado soniente numa dessas formas, que, por generalidade e co1nodidade
246 Análise de Circuitos Elétricos

de notação, é aquela de função racional na variável complexa s. Assi1n, sendo E(s) a trans-
fonnada de Laplace de uma entrada (ou excitação) da rede, X(s) a transformada de Laplace de
uma saída (ou resposta) da rede etn estado zero e H(s) a correspondente função de sistema,
existe a relação
X(s) = H(s)E(s). (11.l)

Neste capítulo, as propriedades dessas funções de sistema, que levam na Teoria de Circui-
tos o nome de funções de rede, são examinadas co1n detalhes.

11 .2 Tipos de funções de rede


Na Teoria de Circuitos as funções de excitação e resposta de uma rede são se1npre tensões
ou correntes. Por essa razão, as funções de rede pode1n assumir uma das formas apresentadas

a seguir.

Tensão e corrente referentes ao mesmo bipolo (mesmo acesso)


Referindo-se às transformadas de tensões e correntes num acesso de uma rede (bipolo),
respeitada a convenção de receptor, conforme ilustra a Figura 1I. la:
1. Se, nesse bipolo (ou acesso da rede), a excitação for a tensão V(s) e a resposta for a corrente
/(s) nele, então a admitância do bipolo (ou do acesso) Y(s) é a função de rede
/(s) = Y(s)V(s). (lJ.2)

2. Se, nesse bipolo (ou acesso da rede), a excitação for a corrente /(s) e a resposta for a tensão
V(s) nele, então a impedância do bipolo (ou do acesso) Z(s) é a função de rede

V(s) = Z(s)J(s). (11.3)

/(s) II
> >
v. t t
V(s) ••
/2 •
>
v2 t t
(a) Em bipolo (um só acesso) (b) Em multipolo (vários acessos)

Figura 11.1 Indicações de tensões e correntes nos acessos.


Funções de Rede e Resposta em Freqüência 247

Tensão e corrente referentes a bipolos diferentes (acessos


diferentes)
Referindo-se às transformadas de tensões e correntes etn acessos diferentes de u1na rede, res-
peitada a convenção de receptor, conforme ilustra a Figura 11.1 b:
1. Se a excitação for a tensão ~ (s)
no acessoj e a resposta for a corrente I; (s) no acesso i, en-
tão a admitância de transferência .lí;(s) é a função de rede

( 11.4)

2. Se a excitação for a corrente ~{s) no acesso j e a resposta for a tensão V;(s) no acesso i, en-
tão a impedância de transferência Zu (s) é a função de rede

(11.5)

Tensões referentes a bipolos diferentes (acessos diferentes)


Se a excitação for a tensão ~ (s) no acesso j e a resposta for a tensão V;(s) no acesso i, en-
tão o ganho de tensão µu(s) é a função de rede

( 11.6)

Correntes referentes a bipolos diferentes (acessos diferentes)


Se a excitação for a corrente~ (s) no acesso j e a resposta for a corrente I;(s) no acesso i,
então o ganho de corrente f3u(s) é a função de rede

(11.7)

A Figura 11. 1a indica indica tensões e correntes no mesmo acesso e a Figura 11.1 b indica
tensões e correntes e1n acessos diferentes.

11 .3 Propriedades gerais das funções de rede


Considere uma função de rede H(s), genericamente expressa por

( 11.8)

com bo 'i:- O e ª<> 'i:- O, sendo todos os coeficientes números reais.


248 Análise de Circuitos Elétricos

Zeros e pólos
Se os polinômios do numerador e do denorninador de .H(s) forem fatorados, surge a forma
alternativa
b0 (s-z 1)(s -z2 ) .. ·(s-z )
H(s)= m • ( 11.9)
a0 (s -p1)(s - p 2 ) • • ·(s - Pn)

Nessa expressão, as raízes no numerador z" z2 , ... , z111 são chamadas de zeros de H(s), por-
que H(s) = O quando s = z;. Por sua vez, as raízes do denominador p 1, p 2 , . .. , p 11 são chama-
das de pólos de H(s); quando s = P;, resulta H(s) ~ oo.
Conforme demonstrado na Seção 9.7, por serem os coeficientes a; e b; de H(s) em (11.8)
números reais, decorre que os zeros e pólos de H(s) em ( 11.8) são ta1nbém nú1neros reais ou
ocorrern em pares conjugados.
A Figura 11.2 representa o ,nódulo de uma função de rede H(s), ressaltando-se seu zero e
seus pólos, sobre o planos, isto é, sobre um gráfico cartesiano com abscissa <J =Re(s) e com
ordenada Jw = j hn(s).

Figura 11.2 Módulo de uma função de rede sobre o plano s = a+ j w.

Essa figura é bem ilustrativa, mas desnecessária na prática, pois, uma vez que se tenha
compreendido o problema, a simples representação dos zeros e dos pólos sobre o plano s,
mostra-se uma alternativa mais simples e mais que suficiente ao analista. Uma configuração
dessas, onde os zeros são simbolizados por O e os pólos são si1nbolizados por X, é cha1nada
de diagrama de pólos e zeros e está ilustrada na Figura 11.3.
Os zeros nu1na função de rede têm i1nportância relativa na análise, pois, em geral, resultam
do processo. Os pólos, ao contrário, têm grande importância, pois representam as freqüências
complexas naturais da rede, indicando a estabilidade (ou instabilidade) desta, co1no mos-
trado na seção a seguir.
Funções de Rede e Resposta em Freqüência 249

jw =jlm (s)

X
o

a= Re (s)
X
o
X

Figura 11.3 Diagrama de pólos e zeros sobre o planos =a+ j w.

Estabilidade
Suponha que u1n circuito com função de rede H(s) seja excitado por u1n impulso unitário ô(t).
Nesse fato deve1n-se notar dois aspectos:
l . Sob o ponto de vista físico, o ilnpulso fornece u1na perturbação à rede e depois a deixa livre
sob a ação de seus 1nodos naturais.
2. Sob o ponto de vista matemático, o impulso con1 transformada 1 fornece a resposta (cha-
mada de resposta impulsiva da rede)

h(t) = f.,- 1 [ H(s)] para t >o . ( 11.10)

Dado que, co1no mostrado na Seção 9.7, H(s) pode ser expandida e.m frações parciais e
dada a linearidade da transformação de Laplace, a resposta irnpulsiva h(t) será a so1ua das an-
titransformadas das frações parciais, que podem ser de três tipos:
1. Para um pólo silnples sobre o eixo real, têm-se

H(s) =. .. K1 .. . e, então, para t >o.


s-o,
2. Para um par de pólos conjugados si1nples, têm-se

H(s) =...
K..
1 • +
K•
I • • •• e, então, h(t) = · · ·2eaIt Re [ K1eJa>it J · ·· para t>O ,
S -(JI - JOJ1 S-(JI + JOJ1

onde o asterisco designa a grandeza complexa conjugada.


3. Finalmente, para pólos conjugados de multiplicidade k > 2, têm-se
K K K K• K' K•
H (s) =... o + 1 + ... + k- 1 + o + t + ... + k-t •. •
(s - s 1)k (s - s 1)k - l (s - s1) (s - s;)k (s - s;)k- l (s - s;)'
com s1= o 1 + jOJ1, e, então,
250 Análise de Circuitos Elétricos

As conclusões a que se chega, examjnando-se os três casos, são as seguintes:


• se a 1 = Re(s1) for negativo, em qualquer dos casos, a resposta, cessada a excitação,
decresce exponencialmente com o tempo e a rede é chamada de assintoticamente es-
tável.
• se a 1 = Re(s1) =O e o pólo (ou pólos, se conjugados) for(e1n) silnples, a resposta, cessa-
da a excitação, se mantérn constante co1n o te1npo e a rede é chrunada de estável.
• se 0'1 = Re(s1)=0 e o pólo (ou pólos, se conjugados) for(em) múltiplo(s), a resposta,
cessada a excitação, cresce com potências do te.mpo e a rede é chamada de instável.
• se a 1 = Re(s1) for positivo, e1n qualquer dos casos, a resposta, cessada a excitação,
cresce exponencialmente co1n o tempo e a rede é chamada de instável.
Em resumo, numa rede estável, a função de rede que a descreve:
• deve ser uma função em s com coeficientes reais;
• não deve ter pólos no se1niplano direito de s, isto é, pólos com parte real positiva;
• não deve ter pólos múltiplos sobre o eixojca

..,. Todo o raciocínio feito com os pólos da função de rede, isto é, co11 as raízes do
denominador de H(s), poderia ter sido feito com as raízes da equa1 ·ão característica
do sistema, pois ambos conduzem, enfim, aos modos naturais da ·ede, no domínio
de tempo, sobre cujo comportamento assintótico estima-se a esta >ilidade da rede.

Exemplo 11 . 1
Para o bipolo da Figura 11.4, com R = l 00 n, C = 0,01 F e /3 = 100:
(a) Calcule a impedância Z(s) na entrada do bipolo.
(b) Alimente o bipolo com u1n gerador ideal de corrente e justifique, sob o ponto de
vista de função de rede, se o circuito resultante é estável.
(c) Alimente o bipolo com u1n gerador ideal de tensão e justifique, sob o ponto de vis-
ta de função de rede, se o circuito resultante é estável.

I(s) R E 1 (s)
-~> ee- - '1V1,-~--.---.
11 1

V(s) e=:= R

--
Figura 11.4 Exemplo 11.1.
Funções de Rede e Resposta em Freqüência 251

Solução:
(a) e (b) Supondo que a corrente /(s) seja dada, resultarn as equações nodais e1n forma
matricial:
l
R
1
l
R V(s)
1 1 [ E1(s)
l=[ /(s) ]
- /JI(s)
-- sC+-+ -
R R R
e, daí,
1
I(s) --
R
-/JI(s) sC+ -
2
R
l(s) sC+---/3
2
V(s)= -
R
l
--
1
R
i[sc+i] s+l
l 2
-- sC+ -
R R
que tem a forma
9
V(s) = Z(s)/(s) onde Z(s)= IOO[s- S] ·
s+1
Sendo o bipolo alimentado por um gerador ideal de corrente, a função de rede é a im-
pedância Z(s) que tem por pólo s = -1 , grandeza real e negativa. Assim, o modo natu-
ral do circuito decresce exponencialmente con1 o tempo e o circuito é estável.
(c) Se, em vez disso, o bipolo for alimentado por um gerador ideal de tensão, a respos-
ta será a corrente l(s) dada por
. 1
I(s ) =Y(s)V(s)= V(s)
Z(s)
ou

/(s)=0, 01 [ s
s-98
V(s). +l ]
Assim, a função de rede é a ad1nitância Y(s) = 1/Z(s) que tem por pólo s = 98, grande-
za real e positiva. Daí, o modo natural do circuito cresce exponencialmente co1n o tem-
po e o circuito é instável.

~ A aparente surpresa que se pode ter nos comportamentos diferen ·es da rede,
quando aliment ada com geradores ideais de corrente e de tensão, é explicada pelo
fato de que a condição de estabilidade da rede depende da interaç 30 de todo o
sistema, incluindo também a impedância do gerador, que no prim iiro caso é infinita
e no segundo caso, nula. As Figuras 11.5a e 11.5b ilustram as res~ ectivas condições.
252 Análise de Circuitos Elétricos

I=O
_ _,.> e---1

(a) Bipolo com gerador de corrente inativado (b) Bipolo com gerador de tensão inativado

Figura 11.5 Observação do Exemplo 11.1.

11 .4 Resposta em freqüência e tipos de representação


gráfica
Muitos sistemas elétricos fonnados de redes lineares, tais como sistemas de so1n, de con-
trole, de comunicações etc., são normalmente excitados por sinais formados por co1nbinações
lineares de funções co-senoidais de freqüências diferentes.
Tratando-se de sistemas lineares, os sinais de resposta são obtidos como con1binações li-
neares de cada uma das respostas componentes. Estas, por sua vez, para cada freqüência ~
pode1n ser obtidas, como visto na Seção 9. l l , através da técnica dos fasores, relacionando-se
os fasores de resposta e de excitação correspondentes através da/unção de rede H(s), fazendo
s = j(J), processo conhecido co1no resposta em freqüência.
Dada a sua importância, esta seção será dedicada ao estudo da.função de rede sobre o eL"o
. . , .
unaglnarlo.
Formalmente, considere a função de rede H(s) dada por (11.9) na qual se faz s = jw, ob-
tendo-se

(li. li)

em que K = b0/a0 •
Dessa expressão podem ser extraídos o módulo
111

Il ljw- zkl
IH(j(J))I =IKl-"--
k/l-'---
1 -- (11. 12)
Il lj(J)- Pkl
k=I

e a fase

_ 1 ImH(j(J)) ~ _, (IinUw-zk) ~ _, (Iin(jw-pk)


arg Hu 1
wi\
= tan
ReH(jw) k
= L, tan - L,tan
ReUw- zk) k=I ReUw- Pk)
( 11. 13)
I
Funções de Rede e Resposta em Freqüência 253

Então, para cada componente de freqüência, dado o fasor da excitação E , as expressões


A

(11.12) e (11.13) per,nitem a obtenção do fasor da correspondente resposta X , co,no e,n (8.31).

Representações gráficas da resposta em freqüência


A representação 1nais óbvia da resposta em freqüência é feita através de gráficos cartesia-
nos co,no o ,nódulo IH(jm)I e a fase argH(jm) ern função de~ ilustrados, respectiva1nen-
te, nas Figuras 11.6a e 11.6b.

H(jw )1
arg H(jw)
90º

á)

O)
- 90º
(a) IH(jw )1 (b) arg H (jw )

Figura 11.6 Gráficos cartesianos do módulo e da fase de H(j~ versus()).

Outro modo de representar H(jo)J é através de grqficos polares, onde, para cada freqüência
ü, são plotados o ,nódulo IH(jm)I e a fase argH(jm) ou, o que dá no mes1no, Re[H(jm))
e,n função de frn [H (jm)) , como ilustram as Figuras l 1.7a e 11. 7b, respectiva,nente.

90° Im
IHI

l I I l
\ \ I l Re
.... _
\ \ I 1
\
\ ,, " I
;

>'
1

... _ __ .,,. ,. ' ' '


A
I
I '
'-.
,.
Re (f/)
- 90°
(a) Em papel polar (b) Em papel comum

Figura 11.7 Gráficos polares de H(j~.

Urna outra ,naneira de representar o módulo de H(jo)J é através de seu logaritrno. Apli-
cando-se a definição de decibel a ( 11.12) resulta
n1 n
20 log 10 IH(jm)I = 20 log 10 IKI + L 20 log 10 ljm - zk 1- L 20 log10 ljm- Pk 1, (11.14)
k =I k~

cuja representação é ilustrada na Figura 11.8.


254 Análise de Circuitos Elétricos

20 log10 IH (jw )1

Figura 11.8 Gráficos em decibels de IH( j~ 1 versus w.

Como se verá, a representação logarítmica de IH( j ~ I é o ponto de partida dos diagrarnas


de Bode. Dada a importância desses diagramas, eles serão apresentados separadamente na Se-
ção 11.6.

11 .5 Função de rede como produto de funções


mais simples
Evidentemente, o cálculo do módulo e da fase de uma função de rede em função da fre-
qüência, com base nas expressões gerais (11.12) e (11.13), pode ser realizado globaltnente
com auxílio de um computador.
Entretanto, para a compreensão da influência parcial de cada zero e cada pólo (ou grupo
deles) nos módulos e nas fases, os itens seguintes darão destaque ao estudo de funções de re-
des simples, consideradas como partes componentes de funções de redes 1nais con1plexas.

Função de rede com um único pólo real e negativo


Assim, considere inicialmente uma função de rede cotn um único pólo real s1 = -0'1, sen-
do a 1 uma grandeza real e positiva, isto é,

K K
H(s)= =-- (] 1.15)
s- s, S + <11

Nesse caso, a função de rede em regime permanente senoidal é


. K
H(;OJ) = . ' (11.16)
JOJ+ ª•
Cl.liO ,nódulo é

(11.17)
Funções de Rede e Resposta em Freqüência 255

e cuja fase é

. ) = -tan - 1 -O) .
arg H( JOJ (11.18)
a,
As figuras 11.9a e 11.9b representam, respectivamente, o módulo e a fase de H(jo)J em
escala linear de freqüência.
Observa-se que e1n freqüências próximas de OJ= O, a amplitude de H(júl) é máxima e
igual a IKl!a
1 e a fase é próxima de O; na freqüência OJ = a 1 a a1nplitude de H(jo)J cai a

1/Ji do respectivo valor ern freqüências baixas e a fase cai a -45°; em freqüências tnuito al-
tas, a amplitude de H(jo)J cai con1 IKl!w
e a fase se aproxima de-90°.

IHI arg H

- 45°

a, -90°
!ai IH (jw)I (b) arg H (jw)

Figura 11.9 Resposta em freqüência de função de rede com um único pólo real.

• A análise anterior é equivalente àquela feita na Seção 6.3. Deve-se notar, porém, que
enquanto a abordagem aqui vista é mais prática no estudo do reg 11e permanente
senoidal, ela não se presta à análise transitória que depende aindê dos modos
naturais.

Função de rede com um par de pólos complexos conjugados


Considere u1na função de rede de 2ll ordem, cujo denominador D(s) seja expresso na forma

D(s) = s 2 + 2Çw0 s + wJ. (11.19)

Segundo se tenha O< Ç < 1 ou Ç :2:: 1, suas duas raízes

s,,2 =-sOJo ±0Jo~Ç2 -1


serão, respectiva1nente, complexas conjugadas ou reais. A Figura 11.1 O ilustra o lugar geomé-
trico delas no plano s e1n função do valor de ç.
256 Análise de Circuitos Elétricos

Ç = 0 ~ jw

ç~ 00
(

-a 1 /
a

Ç~oo

Figura 11.10 Lugar geométrico das raízes de D(s) no planos em função de Ç.

O caso de Ç > 1 recai no caso anterior, pois equivale ao produto de duas funções de Jª or-
de1n com raízes reais. O caso que merece atenção especial aqui é aquele em que O< Ç < 1,
onde resultam duas raízes complexas conjugadas

e (11.20)

sendo

e (11.21)

Função passa-banda
U1na função de rede simples que serve bem para ilustrar os vários aspectos da resposta e1n
freqüência refere-se à função passa-banda, em geral associada a um circuito ressonante.
Uma função desse tipo tem por denominador D(s) e u1n único zero na origem.
Considere
Ks
H(s) = ., ., , (] 1.22)
s- +2ÇaJoS+aJõ

que corresponde à função de rede em regime permanente senoidal

. ) jmK
H( JúJ = ? ? ' (11.23)
(jm)- +2ÇaJo(jm) + mõ

cujo 1nódulo é

(11.24)

e cuja fase é
Funções de Rede e Resposta em Freqüência 257

. ) ,e - 1 2ÇOJoOJ
arg H(JOJ =--tan 2 2
• (11.25)
2 % -0)

Através da anulação da derivada de IH(i~I, obté1n-se a freqüência mmáx na qual IH(i~I é


máximo. Sem dificuldades, resulta

Nessa freqüência tê1n-se

(11.26)

arg Hmáx = arg H (jOJfll(ÍX) = o. (11.27)

Para freqüências menores e 1naiores que m0 , IHU €01 decresce, tendendo a O, tanto para OJ
tendendo a O co1no tendendo a oo. Já a fase tende a Jd2 para mtendendo a O e tende a-Jd2 pa-
ra OJtendendo a oo.
As Figuras 11.11 a e 11.11 b ilustram, respectiva1nente, o comportamento do 1nódulo e da
fase de H(j ~ em função de OJ.
argH
IHI
90ºt-.........

- 90°
Wo

(a) lf/ (jw}I (b) arg H (jw)


Figura 11.11 Resposta em freqüência de circuito ressonante.

Vê-se aí que, dentro de utna banda (ou faixa) de freqüências próximas de %, o valor do
módulo da função de rede não se afasta muito do valor assumido etn %· Por isso, a faixa den-
tro da qual os desvios são toleráveis é chamada de banda-passante (e1n inglês, bandwidth).
O quanto são toleráveis esses desvios é arbitrário e há várias 1naneiras de de.tini-los. Uma
prática bastante co1nurn é aceitar wna redução no 1nódulo até Ji vezes o valor 1náxilno, o
que equivale a reduzir à tnetade a potência dissipada sobre cargas resistivas. Por generalida-
de, no entanto, serão procuradas as freqüências w nas quais a redução se dá de u1n fator r
(eventualmente igual a Ji ).
258 Análise de Circuitos Elétricos

Considere, então, que

(11.28)

donde resulta a equação de 4º grau biquadrática

cuja resolução dá

Tomando-se somente as raízes positivas, resulta para os extre,nos da banda

(11.29)

ou, se r = .Ji ,

@,,2
2
= O>o [ ~l + S + Ç] · (11.30)

A banda-passante é então

ou, se r = .Ji, B=2Ç0Jo, (11.31)

e em função do índice de mérito, definido na Seção 7.3 como o fator Q = 1/(2~, te1n-se

12
ou' se r = '\/L-, (11.32)

Função passa-baixas
Outro caso de função de rede de 2ª ordem com pólos complexos conjugados que serve
betn para ilustrar a resposta em freqüência refere-se à função passa-baixas, na qual o nume-
rador resume-se a uma constante.
Considere
K
H(s) = , ,, (11.33)
s- + 2ÇOJos + O>õ

que corresponde à função de rede em regime pennanente senoidal


K
H(jm) = , , , (11.34)
. (j0>)-+2ÇOJo(jãJ)+ãJõ
Funções de Rede e Resposta em Freqüência 259

cujo 1nódulo é

(11.35)

e cltja fase é

(] 1.36)

Através da anulação da derivada de IH(jl'01, obtém-se a freqüência cv, áx na qual IH(jl'01 é


11

1náxi1no. Sem dificuldades, resulta

(J)már = áJo~I Ç2 .
Nessa freqüência tê1n-se

(] 1.37)

arg Hmáx = arg H{j(J)111ttr) = - tan- 12~1- Ç2 / Ç. (] 1.38)

Para freqüências 1naiores que (J)0 ~1-Ç 2 e tendendo a oo, IH(jt:01 decresce tendendo a O
co1n a fase tendendo a - 1t. Para freqüências menores que (1)0 ~1 Ç2 e tendendo a O, IH (jt:01
decresce inicialmente, tendendo depois a K / coJ e a fase tendendo a O.
As Figuras 11.1 2a e 11.12b ilustram, respectivamente, o comportamento do ,nódulo e da
fase de H(j(0 e,n função de (J).

l lf 1 arg H

IH,,,áx l --------,--,-..... ú)

KI I a>J
- 90º

ú)
woJ1 -e;, 2 - 1800

(al IH (jw)I (b) argH(ja>)


Figura 11.12 Resposta em freqüência de passa-baixas de 2§ ordem.
260 Análise de Circuitos Elétricos

Vê-se tambétn aqui que, nas vizinhanças de w0 ~1-Ç2 , o valor do 1nódulo da função de
rede afasta-se de seu máxi.mo, porém sem se distanciar muito do valor assumido em
2
{t)0 ~I -Ç Apesar de a função de rede ser claramente passa-baixas cabe també1n aqui a de-
.
finição de uma banda-passante.
Nesse caso ta1nbém, por generalidade, serão procuradas as freqüências iõ nas quais o mó-
dulo da função de rede se reduz de um fator r (eventualmente igual a .Ji) de seu valor má-
xitno. Considere, então, que

lfl(Jw)I 1 IKI 2ÇwJ ~l - Ç2


(11.39)
IHmru-l =-;: = ~(OJ2 - {t)õ)2 + 4Ç2{t)Õ0)2 IKI '
donde resulta a equação de 4º grau biquadrática

cuja resolução dá

que nesse caso não é um quadrado perfeito. Dado, poré1n, que esta expressão pode ser escrita
co1no

pode-se, no caso de ser Ç << 1 e r não ser muito grande, considerar o valor aproxitnado dos
extremos da banda como

Wi.2= wo[ ~l - ç2 + Ç"',.2- 1] (11.40)

ou, se r = .Ji ,

2
Wi,2 = Wo [ ~l ?: +?:]· (11.41)

A banda-passante é então

B = L'.lw = OJ2 - OJ1 ou se r = '2


= 2Çwo "',.2 - l (11 .42)
' ""''
No caso de Çser próximo da unidade, a função passa-baixas apresenta so1nente uma ondu-
lação nas vizinhanças de li{), não sendo caracterizada uma banda-passante.
Funções de Rede e Resposta em Freqüência 261

Função passa-tudo
Mais um caso de função de rede de 2ª ordem co1u pólos co1nplexos conjugados ao qual é
dada atenção particular refere-se à função passa-tudo, na qual o nun1erador é igual a D(-s).
Considere

H(s) = K s2 - 2Ç{l)os + wJ (] 1.43)


2
s +2Çá)oS+% ,

que corresponde à função de rede e1n regime pennanente senoidal

H(Jw) = K Uw)2 - 2ÇáJo(Jw) + %' (11.44)


(j{l))2 + 2Ç{l)o(Jw) + wJ

c~jo 1nódulo é

. 1= 1K 1
J<w2 - Wo2)2 + 4!:>r2Wo2 w2
H(;w)
1 = 1K 1 (11.45)
~( (()2 - Wõ )2 + 4Ç2Wõ (()2
e cuja fase é

(11.46)

As Figuras l l. l 3a e l l. l3b ilustra1n, respectiva1nente, o co1nporta1nento do ,nódulo e da


fase de H(j o)J em função de ú!

arg H
I HI

(JJ

-180°
(a) 1H (j(J))1 (b) arg H (j(J))
Figura 11.13 Resposta em freqüência de passa-tudo de 2ª ordem.

Deve-se notar aqui que o ,nódulo da função de rede mantém-se inalterado enquanto a fase
varia de Oa - n passando por - Jd2 em w = % .
Pelo tàto de alterar a fase sem mexer na amplitude, as funções passa-tudo são particular-
mente usadas como equalizadores de fase em circuitos eletrônicos analógicos.
Outras junções de 2ª- ordem
São também funções importantes de 2ª ordem, co1n denominador D(s) dado por (11.19),
262 Análise de Circuitos Elétricos

.função passa-altas

.função elimina-banda

as quais podem ser analisadas por desenvolvimento se.melhante aos anteriores.

11 .6 Diagramas de Bode
Nos dias de hoje, com o desenvolvimento tão grande dos métodos computacionais, pode
parecer estranho a ênfase que será dada a um método gráfico. Entretanto, como será visto, os
diagramas de Bode se presta,n be,n não só para a determinação final mas principalmente pa-
ra avaliar a influência individual dos zeros e pólos reais ou pares complexos co11iugados na
função de rede.
Os diagramas de Bode são e1n essência gráficos cartesianos de resposta em freqüência,
nos quais o eixo das abscissas é uma escala logarít1nica de freqüências. Além disso, a escala
de amplitude é tan1bém logarítmica, em decibels, e as curvas são aproximadas pelas suas as-
síntotas.
Para generalização do proble,na, considere inicialtnente a função de rede escrita na forma

H(s) = N(s)' (] 1.47)


D(s)

sendo N(s) e D(s) dois polinômios na variável s, de onde resulta, paras= }01,

H(j{J)) = N(j{J)) .
D(j{J))

Nessa fonna, o módulo de H(jo)J, em decibels, é


(] 1.48)

e a fase,
argH(j{J)) = argN(j{J))-argD U{J)), (11.49)

sendo ambos expressos pela so,na algébrica da função do numerador e do negativo da função
do denominador. Essa consideração preliminar é itnportante, pois permite que o estudo se-
guinte seja detalhado somente para N(jo)J e depois, com uma troca de sinais, estendido a
D(jo)J.
Funções de Rede e Resposta em Freqüência 263

Considere que N( jol) seja, então, um polinômio formado pelos zeros de H(jol), fatorado
nas suas r raízes reais e u pares de raízes complexas conjugadas e eventualmente alguma raiz
nula, 1nultiplicado pela constante real K, isto é,
r ·11
2
N(jáJ) = KjáJ TI (jáJ+ a zk) TI [(jáJ) + 2ÇzkáJzk(jáJ) + m;k] ,
k=I k=I

ou na forma normalizada

N(jáJ) = Kjm Il a zk ( jáJ + 1) Il m;k (11.50)


k=I a zk k=I

Em conseqüência, o módulo de N(j ol), em decibels, é

201og,o IN(jm)I = 201og, o K knl ªzk k~I m;k +201og,oljlüj+ k±, 201og,o ( ~= )+ 1 +

li jáJ jáJ
+ L 20.log10 ( )
2 + 2Çzk ( ) +1
k=1 Wzk á)zk

ou
2
,. "? ,. á)
IKI TI azk TI m;k + 20 log10 m+ L IOlog10 ( )
+1
k =1 k =1 k =1 a zk
(11.51)
li
+ L 101og10
k=1
1-(:,,J
e a fase,

7r f, ~
argN(jw) = ,r ~ -1 +- + L., tan
-1 OJ
+ L., tan
-1 2ÇzkOJzkOJ
. (11.52)
2 IKI 2 k=I azk. k=l @;k -«J

A resposta nessa forma é constituída por quatro espécies de termos:


• os tennos constantes;
• termo da raiz nula;
• os tennos das raízes reais;
• os termos das raízes complexas conjugadas.

Cada uma dessas espécies de tennos tem comportrunento diferente e merece análise sepa-
rada, conforme detalhado a seguir.
264 Análise de Circuitos Elétricos

Os termos constantes
Seja
,. li

K' = IKITIª zkll w;k · (11.53)


k =I k =I

Então,
r 11

201og10 IKITiazkTiw;k =201og10 IK'I


k =I k =I

é constante e positivo para IK'I > 1 e negativo para IK'I < 1. A função de fase é nula, para K'
(ou K) positivo, e igual a - 7!, para K' ( ou K) negativo. Essas funções estão representadas na
Figura 11. 14 em escala logarít,nica de fieqüência.

IK' l >l
20 log10 i K ' i -+---------
K' > O

K'< O

- 180º-- - - - - - - -
- 20 log 10 1/ 1K '1- - - - - - - - -
(a) 20 log10 1K ' 1 (b)argK' = argK

Figura 11.14 Gráficos de módulo e fase para um termo constante.

O termo da raiz nula


Para um tern10 deste tipo, 20 log 10 ljwl
é uma reta ascendente com inclinação de
20 dB/década em escala logarítmica de freqüência e que é igual a O para w = 1. A função de
fase é sempre igual a 7d2. Essas fw1ções estão representadas na Figura 11.15 en1 escala loga-
rítmica de freqüência.
Funções de Rede e Resposta em Freqüência 265

20 dB 90° -+--------

0,1 10 w (escala /og)


ú)
- 20d8 (a) 20 logio IJwl (b) argjoo
Figura 11.15 Gráficos de módulo e fase para um termo de raiz nula.

Os termos das raízes reais


Para termos deste tipo, 20 log10 l(jco/ a zk) + II é aproximado por duas assíntotas: uma
constante igual a O para CO<<azk (pois 201og10 1=0); uma reta ascendente com inclinação
de 20 dB/década em escala logarítmica de freqüência que sai de OdB em co = <J:k . (Para
co = a zk o valor real da função é 20 log 10 2 = 3 dB.) Essas aproximações estão ilustradas na
f igura 11. l 6a.
Por outro lado a função de fase tem por assíntota, para co << cozk , uma constante igual a O
e, para co >> O'zk, uma constante igual a 1!12. Essa função é razoavelmente bem linearizada
por trechos, através de uma semi-reta horizontal de coordenada Oque se estende até u1na década
antes de a zk (isto é, até co = a zk / 1O); por urn segmento de reta que (ern escala logarítrnica de
abscissas) vai de O, em co=azk/ 10 , a ;r, em CO= IOazk• passando por 1lf4 em co=azk; por uma
se1ni-reta horizontal de coorde11ada 7t que continua a partir de uma década depois de <J zk (isto
é, depois de co= lOazk). (O valor real da função serpenteia o seginento inclinado, com desvio
máximo de Jd30 ou 6°.) Essas aproximações estão ilustradas na Figura 11.16b.
• • •
90º--:---------4--------
,.
1
1
,."' 1
• ;" 1
20d8 3dB 1 ,. 1

~
1 1 ; 1
45º-~--------- ---------~-

0,1 l 10
w/o'"
0,1 1 10 wlo,k
(a) 20 log10 IJw I ª"'+l i (bl arg (Jw lo,k + 1)
Figura 11.16 Gráficos de módulo e fase para um termo de raiz real.

Os termos de raízes complexas conjugadas


Para termos deste tipo, 201og10 (jcolwzk) 2 +2Çzk(Jwlwzk)+I é aproximado por duas
assíntotas: uma constante igual a O, para co << cozk (pois 20 log10 1=O); uma reta ascendente
266 Análise de Circuitos Elétricos

co1n inclinação de 40 dB/década e1n escala logaritmjca de freqüência que sai de OdB, em
{J) = {J)zk . (O valor real da função, para {J) = {J)zk , depende de S zk .) Essas aproximações estão
ilustradas na Figura 11.17a.
Por outro lado a função de fase tem por assíntota, para {J) << {J)zk , uma constante igual a O
e por assíntota, para {J) >> {J)zk, uma constante igual a J&. Essa função é razoavehnente bem
linearizada por trechos, através de u1na se1ni-reta horizontal de coordenada O que se estende
até u1na década antes de {J)zk (isto é, até {J) = {J)zk / 1O); por u1n seg1nento de reta que (e1n es-
cala logarítmica de abscissas) vai de O, em {J) = {J)zk / 1O, a 1[, em {J)= 1OO{k, passando por 7d2
em {JJ= O{k; por uma semi-reta horizontal de coordenada 1C que continua a pa1tir de uma déca-
da depois de {J)zk (isto é, depois de {JJ= 1OO{k) . (O valor real da função serpenteia o segmento
inclinado, cujo desvio máximo depende de Szk .) Essas aproximações estão ilustradas na Fi-
gura 11 .17b.

40dB
I
i
I

20 dB -f-

O,l 10 w lazk

w/azk
~ =0,1 0,1 l 10

(a) 20 log10 l(Jwlw,i)2 + 2C,,k(jwlw,k) + 11 (b) arg [(jw / w,J2 + 2~ (jw / w ,k) + 1]

Figura 11.17 Gráficos de módulo e fase para um termo de raízes complexas conjugadas.

Gráficos para o denominador D(j~


Em vista de ( 11.48) e ( 11.49), os gráficos para as raízes e constantes do deno1ninador D(j f4
são semelhantes àqueles vistos nas Figuras 11.14 a 11.17 supracitadas, com a única diferença
de que os eixos das ordenadas, seja1n dos módulos e1n decibels, seja1n das fases, são to1nados
co1n o sinal negativo. Deve-se ressaltar, contudo, que o terino

q "
20 logl o I1
k =I
a pk I1 {J);k
k = I ..
,
Funções de Rede e Resposta em Freqüência 267

referindo-se a q pólos reais e v pares de pólos co1nplexos conjugados, tanto pode ser tratado
como uma parcela negativa, no resultado global, co.mo incorporando seu efeito a K' em
(11.53), isto é, fazendo
r 11

n ªzk n o/;k
K'=IKlk = I k =I (11.54)
q V

nª n
k=I
pk
k =I
á)~k

Exemplo 11 .2
Desenhe os diagramas de Bode correspondentes à função de rede
H(s)=30 s+ 2 ,
2
s(s +6s+8 1)
tomada no eixo s = jm .
Compare co1n as soluções exatas.
Solução:
Inicialmente, coloca-se a função de rede, tomada sobre o eixo s = jáJ, na forma
normalizada, isto é,
. )=30x2 (jm/2+1)
H(Já) ? .
81 jaf.(jm/ 9)- +2x(l/3)x(jm/9)+1]

Assim, a função de rede H(ja)J é composta:


• da constante positiva K' = 30 x 2/ 8 l = O, 741 ;
• do termo (jm/2 + l), correspondente ao zero real s = -2 ;
• do tennojtq correspondente ao pólos= O;
• do tern10 [(jm/9)2 +2x(l/3)x(jm/ 9)+l], correspondente ao par de pólos conju-
gados s 1,2 = -3 + j6'/2 com fator de a,nortecimento Ç = 1/3.
Os gráficos assintóticos correspondentes a cada termo estão representados nas várias
partes da Figura 11 .18.
Na Figura 11. 19 estão representados os gráficos de módulo e fase de }/ UáJJ em apro-
ximação por assíntotas e ta1nbé1n na forma exata.
268 Análise de Circuitos Elétricos

-2,6 d . B - - - - - - - - - w Oº w
(a) 20 log 10 IK' I (b)arg K' = arg K

• • •
90°~--------~---------~-~
1 1
1 1 A'
1 1 .,"'1
20 dB 1 1 "' 1
45º! ________ J__ -=---L--
'
1 1
1
1 1
1 1

o, 1 1 2 10 w ·j=:~~'.:::l·
O 1 ,, 1----L·
1 1 ___.,..
>
0,1 1 2 10 w
(e) 20 log10 liw /2 + l i (d) arg(jw/2+ 1)

20 dB

0,1 1 10 w

0,1 w

- 20 dB -90º-t-----------
..............

(e) - 20 log10 liWI (f)- arg jw

10 9
1 ~10 100
Oº ,, w
1 100 1
1
',
',
1 ',
1 ',

- 900 --~--------
- 20dB-+-
: 1 ",
---------4--
:
1 1 ', 1
1 1 ....... 1
'' f 1 ',, 1
-40d.B T- 1
-1&0°--r---------y-------- ,
1

(g) - 20 loglO liw/9)2 + 2 x (1/3) x (jw/9)+ li (h) - arg [Uw/9)2 + 2 x (1/3) x Uw/9)+ 1]

Figura 11.18 Gráficos assintóticos para os termos componentes de H(jcJ,.


Funções de Rede e Resposta em Freqüência 269

20dB 9
''
2 9
0,1 1 2 ~o 100
Oº 1
1 1 11 1
1
>
(J)
1 1
0,1 100 w 1 1
1 1
1 1
1 1 ', 1 1
- 900-T1 ---,----,-.... :r--------r-
- 20dB ,, 1
1 1 1
1 1 1
1 1 1
1 1 1

- 40dB
''
-1800-~-------i--------+-------~r
1 1 1

(a) 20 log10 IH (jw)1 (b) arg H (jw)

Figura 11.19 Resposta em freqüência de H( jo}i dado no Exemplo 11.2.

Problemas propostos
PI 1.1 A tensão e a corrente n um bipolo elétrico relacionam-se através da seguinte equação inte-
gro-diferencial
2
d ; di . r' . dv r' vd-r.
- +3-+10z+6J, 1d-r=2-+3v+4J,
dt 2 dt o dt o
Determine a ilnpedância de entrada Z(s) = V(s)/l(s) do bipolo.
2 ' .,
Resposta: Z(s) = (2s +3s+4)/(s~ +3s- + 10s+6).
PI 1.2 No circuito da Figura 11.20, determ ine:
(a) As freqüências naturais da rede.
(b) O gan.ho de tensão µ(s) = V2 (s)!Es(s).
(c) A impedância de transferência Z 2 .1 (s) =V2 (s)//1 (s) .
i 1(t) 1F

1n
3n
2H

Figura 11.20 Problema P11.2.

Respostas: (a) s 1•2 =-0, 42 + jO, 70 s- 1 •


(b) µ(s) = (6s 2 +3s)/(6s 2 +5s+4).
? ?
(c) Z21 (s) = (6s-+3s)/(2s-+4).
PI 1.3 Sendo
h(t) = 2e- 3i - 4te- 21
a resposta in1pulsiva de un1 dado sistema, determine a fi.1nção de sistema dele.
Resposta: H(s)=(2s 2 +4s-4)/[(s+3)(s+2) 2 ].
270 Análise de Circuitos Elétricos

PI 1.4 Sob detenninadas condições de operação, a função de rede de um amplificador eletrônico


é representada por

H(s) = 2(s-4) .
s2 - 8s+25
(a) Quais as freqüências naturais nessa situação?
(b) Nessas condições de operação é a rede estável?
Respostas: (a) s1•2 =4+ j3 s- 1;
(b) A rede é instável pois seus pólos têm parte real positiva.
PI 1.5 No circuito da Figura 11.21, determine:
(a) A função de rede µ(s) = V2 (s)/Es (s) .
(b) Parâ1netros % e Çdo denoLninador de µ(s).
(c) A fi·eqüência em que a função de redeµ é máxima.
(d) Os extrernos da banda-passante de 3 dB, e1n regime pennanente senoidal.
10 n

1.Q
0,3 F ~ 10 n
4H

Figura 11.21 Problema P11.5.

Respostas: (a) µ(s)=(0,4s+O,l)/(l,2s 2 +2, 12s+l,2) ;


(b) % = l rad/s e Ç= 0,88;
(c) Cllnáx = 0,967 rad/s;
(d) m1 = 0,612 rad/s e lí>:! = 1,800 rad/s.
PI 1.6 O ganho de tensão de u1n dado circuito é caracterizado pela função
Ao cq Wi lí>.i
(s + cq )(s + tvi )(s + lí>,i) '
onde A0 = l 05 , cq = 400 rad/s, lí>:! = 2 x l 04 rad/s e ~ = l 06 rad/s.
Desenhe os diagramas de Bode, de ganho e de fase, em função de me determine:
(a) A freqüência de ganho zero (em dB).
(b) A fase na freqüência de ganho zero.
(c) A freqüência em que a fase é 180º.
(d) O ganho na freqüência do item (c).
=
Respostas: (a) w 106 rad/s;
=
(b) 1> - 225°;
=
(c) w 1,5 x 105 rad/s;
(d) G: 30 dB.
1:,an1g J'S"J B!bo10 l!U69L cow COUl\6UCªO qs LSCsbioL·

COU2!QGLG O P!hOJO J!UGITT. LGbLG2GU!gqo ug b!80L9 J3'" J cow g COUAGUCl[O qo LGCGb!OL'


b0f(zUC!9 !U2f9Uf~U69 6 bOf(zUC!9 W~q!9 9f!/\9

O btopJGW9 Ç 9dO! LG!OW9QO 2op G22G GUlOdnç;·


!GWg2 GJÇ!l!C02 ObGL9UQO GW LG8!WG bGUU9UGUfG 2GUO!Q9J gbLG2GUf9W bGCOJ!9l!Q9QG2 bLQbl!92'
D9QO dnG O flg!9WGUf0 G 9 lG20JOCl[O QG btopJGWgz GUAOJAGUQO bof~UC!9 G GUGL8!9 GW 2!2-
WO!fO Q!lGfO'
J02 9U!Gl!OLG2' l0L9W 2GWbLG cgJCOJ9Q92 9 hlJI.!!L QG COUCG!!02 8GL9!2' W92 UGW 2GWhLG QG woqo
V2 9bJ!cgcQG2 GUAOJAGUQO GUGL8!g G bO!~UC!g GW P!hOJ02 J!UGITT.G2' gbLG2GU!gQ92 GW cgblf0-
2!2!GW92 GJG!LQU!C02 gU9JQ8!C02" V 22!W' ugqg wg!2 )02f0 dnG QGQ!Cgl nw cgbtrn10 go fGW9'
COWOU2 GW EU8GUplJI.!9 EJÇ!l!C9' rguro GW 2r2rç;wg2 QG GUGL8!9 GJÇ![!C9 QG bor~ucrs cowo GW
(}GLgc~o• fLgu2urr22~0· Q!2íl!PO!C~O G Of!J!S:9C~O QG GUGL8!g GW LG8!WG 2GUO!Q9J 2~0 bt~f!C92

bor~uc!s G 2ns2 sbncscgç;2·


21!º !U!LOQOS'!Q02 o COUCG!!O QG l9f0L QG bor~UC!9 G g U0!9Cl[O cowbJGX9 q g
9UfGL!OLG2' 2l[O sdn! LGfOW9Q02 uo C920 G2bGCll!CO QG LGfi!WG 2GUO!Q9J'
O 2 COUCG!f02 QG bof~UC!g G GUGLfi!9' 1ll sbLG2GU!gqo2 GW C9btrn102

GW HG«!WG 26UO!Q91
b0f:§UC!9 G EUGL«!S

C'lbllílíO

(2lll1POJO /A)·
fgJJJP~ID QG2fRusqg bot~\Sc.~q /\~\,.qqq~~\,.q• \,.~q\ 00 ~\\\ {OLUGCfQS go P!bOJO G ~ llJGQ!QS Glli )'/\q\\?.
lliGUfG bOf§UC!S Sf!AS G O ASJOL QG C02 Ó) 2GL~ QG2fRusqo (SfOL QG bOf§UC!S. V boi~ucrs b ~
L1º COUfGXfO dnG 2G 2G8nG' g boc~ucrs b 2GL~ QG2!Rugqg bot~\Sc.~q \M~q~q q\~]\q on 2fllJbJG2-

b =-lJ l\º\0 +.l. b(\)qt =-lJ 11º\0 + .l. [.I\\ co2(3mt + + ~\) + .1\\ coz Ó>] qt =.1\\ coz Ó> ·
~ h

C!S IJJ~Q!S b' q\ii(\)qqq bGJO P!bOJO' !2f0 ~·


DSf bOL !U!G8LSC~O qg bof~UC!S !U2!SU!1UGS b(t) UOlli bGLlOQO l = 3~ m• Opf~llJ-2G g bO!~U-

..·..,•" ..
\ I
\ I
\ I

\ ....... ,' ··..•..


\
.
,/ I
I

..
·,.
.•,•,. \. ..•'
.:'
I
I \
.•····.....\ \.......' /
I
..... I
' ... ~ / ' /

... ~ ~ h ( t)

IU2fSU!SUGS'
• V

I,1S rJROLS 13·3 G2f~O LGbLG2GUfSQS2 Glli {OUêgo qo fGmbo g !GU2~o· g COUGUfG G g bor~ucrs
LGbLG2GU!S o 1uRn10 qG QG{S2S8GID qg C0-2GUÇ>fQG l'>(t) GllJ LGJSC~O ?dOGJS ~(t)·

(1s·1)

ouqG

b(t) =l'>(t)~(t) =[~l\ coa(mt + \\>' )] [~\ co2(mt + 1\)\ )] =l\\ co2(;s-mt + 1\l" + 1\)\) + l\\ co2 I.\> • (1s·3)

L1.G22$2 COUQ!CQG2' g boc~ucrs !Il2f$Uf~Gg b(t) \.~C.~~~qq bGJO P!hOJO ~


ouqG l\ G \ 2~0 02 LG2bGCf!A02 ]\q\()\.~?. ~'\!c.q-S:~i·

\(t) = ~\ coz(mt + ~·)


1
• (1s·s)

(JSºJ)

&n1m. m LGbI.G2GU!SQS2 ug {OUJJS bsqLgo QG{!U!QS ug 2GC~O g·3• !2!0 ~·


COU2fQGLG doG g !GU2~0 /\(\) G g COUGUfG ~(t) 2G1$JJJ {OUCQG2 C0-2GUO!QSf2 QG {LGdQ~UCfS gu- '

:51:5 'lfU!11!2G qs C!LCO!J:02 El~íL!C02


COWO ~\\.~'l~~<Y
2G C920' 9 l92G q9 COLlGUfG C0-2GUO!q9J Ç WGUOL dnG 9dOGJ9 q9 fGU2l!O G O '\_b Ç ClJL9CfGL!S:9qo
~~,~\1\~~o· C9Lli92 U92 dnlJ!2 p~ bLGqOU]!U~C!9 qG LG9~C!92 !UqOf!A92 fÇW 0o < ~ ~ ôOo ' YI.G2-
20' 9 l92G q9 COLlGUfG C0-2GUO!q9J Ç WlJ!OL dnG 9dOGJ9 q9 fGD2l!O G O '\_b Ç ClJL9CfGL!S:9qo cowo
C9Lli92 U92 dn9!2 p~ bLGqOW!U~C!9 qG LG9f~UC!92 C9b9C!f!A92 fÇW
9 bOfGUCJ9 9blJLGUfG'
-õOo < ~ < ºº .
YI.G22G C9-
V •

EXCGfn9Uq0-2G G22G2 C9202-HllJ!fG' O '\_b Ç WGUOL dnG JG9 bOfÇUC!9 wçq!9 9f!A9 Ç WGUOL dnG
LG2' GUfl!O © = +o0o' '\_b = 0 G 9 bOfÇUC!9 WÇ~9 Ç S:GLO'
2G O P!bOJO lOL bnL9WGUfG LG9f!AO' !2f0 ç' COU2f!fO{qO OU!C9WGUfG qG !UqnfOLG2 G C9b9C!f0-
9blJLGUfG'
C02 ~ <J G g bOfÇUC!9 wçq!9 9f!A9' 9p20LA!qg bGJO P!bOJO' Ç bo2!f!A9 G WGUOL dnG g borçuc!g
A02 l0LW9q02 boL 9220C!9CQG2 qG LG2!2f0LG2' !UqnroLG2 G C9b9C!f0LG2' fGW-2G' GW liGL9J'
9blJLGUfG' 9p20LA!q9 boL GJG' CO!UC!qG cow 9 borçuC!9 wçq!9 9f!A9' EW P!bOJ02 J!UG9LG2 b922!-
EDfl!O' unw P!bOJO COU2f!fO{qO boL OW9 LGqG LG2!2f!A9 fGW-2G C02 ~ = J G 9 bOCÇUC!9 wçq!9
Cl!O 1dnGJ9 ,(\) unw P!bOJO Ç !li09J 90 SLlinllJGUfO q9 !WbGq~UC!9 qo· P!bOJO'
!2!0 ç• o ~ulinJO (cn1o C0-2GUO ç o l9f0L qG borçUC!9) qG qGl929liGW q9 C0-2GUQ!qG t,(\) GW LGJ9-

<1~·s>

. .
fLG 02 fGLWJU912' l2f0
. G''
l920LG2 qG 2092 fGU2QG2 G COUGUfG2' COUlOLWG 9bLG2GUf9Cl!O uo C9b{fOJO 8' Ç 9 ~rnb~~~uc,~ GU-
COUAÇW UOflJL dnG' 2G O P!hOJO LGbLG2GUf9qo ug ~.!liOL9 J3'J lOL b922!AO' O A{UCOJO GUfLG 02

\b = C02 © = -t\\ '


b
q9qo boL
o A9JOL qG C02 d> GW (13·~)' qG2!liugqo \~\()\. ~~ bot~UC~~· ç f9llJPÇW LGbLG2GUf9qo boL \b G
1:9{:0l qG bO{:~UC!9

COUCG!fO Ç !WbOLC9DfG U92 qGl!D!CQG2 dnG 2G 2GlinGW'


cowo O bLQbqo UOWG 2nliGLG' 9 bo\~UC~~ ~b~\.~\1\~ Ul!O CGW 2!liU!l,!C9qO ll2!CO' bOLÇW 2GO

f9q9 boL b(.1\) G WGq!q9 GWl',()\\-~"1b~\.~i (2lWPOJO AV)' EW fGLW02'


bGDqGUfG2 Ç qG2!liugqo bo\~UC~~ "1\~~~ ~b~\.~\1\~ lOWGC!qg 90 P!bOJO~ G229 bOCÇUC!9 Ç LGbLG2GU-
o b\.0~1'\0 ~oi h~\O\.~'l ~\!t~!~i q9 fGD2l!O G q9 COllGUfG OPf!qO q9 JG!fOL9 qG 9b9LGJp02 !UqG- •
b0f ~ UC!9 9 b 9l6 U{:6 •
J2f0
. G' '
G l!11gf11JGl1!G O l920l qs COU.Gl1CG 110 P!bOJO ~ CSJCnJgqo S!l9A~2 qs gq!U!'f~l1C!9 qG2!G'

\ <: = ~©Cl\ = JOOXO'OOSXJOO \ôOo-300 = SO \1200 V


V V

O lS20l qs COLLGU{G 110 csbSC!fOL ~

\ \S
V
= l\\\5 =
V
so ,- 30o v·
O lS20J. qg COllGl1fG 110 LG2!2!0l ~

l\ = roo
V
,- 30o A'
(s) 0 lg20L qg fGl12gO ~ opr,qo q!J.GígIDGU!G qG /'\(\)' !2í0 ~·
7,()\t\C~()·.

>
1.(\)

qG (JS'~)·
(G) V bor~l1C!9 w~q!g Sf!A9 9p20LA!qg• boL !11íG~Lségo qg bof~l1C!S !112f911f~l1G9 G Sfí.9A~2
(q) V bor~ucrg r112rgur~11Gs 9p20LA!qg bGJO P!bOJO'
(e) V2 COllGl1CG2 !U2fgur~l1G92 ~\S(t) uo LG2!2fOJ.' 1_<:(t) uo C9b9C!f0L G ~(\) uo P!bOJO'
(p) 0 l920l. qG bor~UC!9 qo P!bOJO'
(s) 02 l920LG2 qg fGJJ2~0 G qgz COLLGIJCG2 IJO í.G2!2f0l' uo cgbscrcoL G uo P!bOJO'
CSJCOJG:
l'> (t) = JOO~ C02(JOOt -300 ) AOJ!2'
COU2!qGr.G O P!bOJO qg b!~Oí.S JS'3' SJ!IDGU!Sqo bGJS CGU2~0:
cXGWbfO J :'.). J

ÔÜo < <D < S}Oo ·


C920' unw9 asu6L91!S9CªO qo COUC6!l0 qs !9l0L qs bOllJUC!9' boqS-26 q!S6L dns
6U'ªº 9 bOl!JUCl9 w~q!9 9?Z0\./\\0,9 bs10 P!bo10 ~ 9 1ª6PL!C9W6Uf6 \lSC.9\\/\9' l,16226
J 26 O P!bOIO L6bL626Ul9qO U9 1:!anL9 J :S' J COW 9 COUl\6UCªO qs L6C6btOL !OL 9l!I\O'

q9 !OLW9 qs ouq9 q9 COLL6Ul6 uo sswbo ô\ll \.ô\9C'ªO ~llf\S\9 0,9 \S\l'G'i;!O'


L6!6LIJUC!92' 09! 9 UOW6UC19tnL9 90,\9\l\90,0 on 9\\.9'G90,0 L6!6L!Uq0-26 ~ OCOLLIJUC!9
.LfJ~l\6U!U 6 92 l6U2Q62 6 asna ! 920L6 2 2ª0 sow9qo2 lL9q!C!OU91W6Uf6 cowo
bOL !€€0 S\9€ i~o dnsis iswbLs' us bL~l\C9' L6bLs2sucsqs2 siLs/\~2 qs woqs102 qs
isw bOL Ol!asw ! OLC92 6 16lLOWOll!S62 ~SUl 0Pl!q92 q s COUl\6L2ª0 616ll0W6C~U!C9'
r/ dn926 f 0f91!q9qs q92 !0Uf62 6 1~fl !C92 uoa 2!2l6W92 qs bOllJUC!9 6W L6a!W6 26UO!q91

5.l ~ \flJ~l!26 QG C!lCrt!io2 El~t:L!C02


= sooo~ x o· 101 = sooo IA'

b = -1,J 11º10 +1. b(t)~t = -1,J 11º10 + 1. SOOO"'S


e_
[coa(sOOt - J~0 ) + coa(--1~0 )] qt

1, 11º 1, 11º
b\$ =-
J l 1O +..\. b\$ (t)~t = -J l 1O +1. SOOO [co2(sOOt -eOo) + J]qt = SOOO IA'
qg2 lflUCQG2 C0-2Guorqgr2· aoprguqo
(G) o c~JcnJo qg2 bor~ucrgz wçqrga bor rurG&rgê~o unw bGqoqo q~ cowo s:GLo g !UfG8rgJ

= SOOO~ [coa(sOOt - J~o) + co2(-t~0 ) ]·


b(t) =11(t)~(t) =tOOO~ co2(JOOt-300 )co2(JOOt + J~0 )

=SOOO[co2(sOOt + 300) +co2(-ôOo)] =sooocoa(sOOt + 300)


\)C. (t) = ll(t)~C. (t) = 'tOOOC02(JOOt -300 ) C02(JOOt + Q00 )

= SOOO [co2(soot - QOo) + J]'


ti\$ (t) = l'l(t)~\$ (t) = 11s (t)\~ = tOOOco2s (JOOt - 300)

-
rgo' LG2bGCf[AgWGUfG'
.
(q) va bof~UC!g2 ru2,gur~uGg2 gp20LA!qg2 uo LG2!2f0L' uo cgbgc!fOL G uo P!hOJO 2~0· GU-
~(t) = ~ 1 \ 1 C02(JOOt + grg l) = tOC02(JOOt + J~o) v·

~e. (t) = ~ 1C.lco2(JOOt + gr8 lC.) = so~ C02(JOOt + eoo) v·

~\$ (t) = ~ 11\$ co2(J oot + gr8 l \$) = so~ co2(1oot - 30º) v·
fOL GUO P!bOJO' LG2bGCf!AgwGUfG'
(e) Dº !fGW (p)' 0Pf~W-2G 02 AgyOLG2 ruargur~UG02 qga COllGUfG2 uo LG2!2f0L' uo cgbgc!-
\b = C02(1\)11
-1\)\) = C02(-300 -J~0 ) = C02(-"'t~0 ) = 0' }0} (GW gAguêo)·
(p) Dg2 lg2G2 qg fGU2~0 Gqg COllGUfG uo P!bOJO oprçw-2G O lgfOL QG bor~ucrg

Op{GUQ0-2G
'
1 = J\~ + ~©C = O'S+ ~O's = o·s~ \ 't~o 2'
6ns1 ~ o cou2nmo qG GUGLli!s Glll J<.MP unm msa QG 30 Q!92.) ,
ssP10·
bor~UC!9 qG roo
.M qsa J8P 12 JôP' sooo
.M qsa JôP 12 JôP30 G soo
.M qsa JôP30 12
COU2!QGLG como nm P!bOJO 02 l!ºª qG Gur1.sqs qG nmg P9P!f9C§!O bobnJgr. dnG couaoUJG s

\
j

Gxbr.G229 Glll <:\t\\\OM(S\\?.-\S0\.(1 (2lWPOJO J<.MP)' aGuqo J J<.MP = 3' Qx JOQl ·


2G02 llJQJ!!bJ02 G 2npWQJf!bJ02' EUH.Gf9U!O' GW 2!2fGlll92 qG borsuc!g' 9 GUGI.li!9 ~ COWOlllGU!G
V GUGT.\i!g' uo 2!2!GW9 !UfGLU9C!OU9J qG OU!Q9QG2' ?,\' ~ GXbI.G229 GW '\()\'\\~?. (2lWPOJO 1) on
dnGUfG
.. us br.svcs·
' .
2Guqo O !UfGLA9JO COU2!qGr.sqo WQJ!!bJO !U!G!LO qo bGL{Oqo• 2G (tS - t 1) >> 1, ' C920 WO!{O llG- .
EU!lG!SU!O' (JS' J O) boqG' COW liLSUQG 9bl.OX!W9C§!O' 2Gl. COU2!QGL9Q9 GX9!9' WG2lll0 U§!O 1

(JSºJO)

!UfGI.ASJO ~ qgqg GX9!9WGU!G boi.


2G g q!lGI.GUC9 \s - t 1 COUGabouqG g nw UQWGLO !U!G!LO q G bGT.{Oqo2· g GUGI.li!g 9p20LA!q9 uo

!UfG\iJ.SJ qg borsuc!g !U2!9U!~UG9 UG22G !U!GLA9JO' !2!0 ~·


COUAGUC§!O qG LGCGb(OI. corno ug b!liOL9 Js· J' uo !U!GLASJO qG !GlllbO GU!I.G t I G tS• ~ qgqg bGJ9
DG gco1.qo COUJ g QGl!U!C§!O (J -~)· 9 GUGLli!g 9p20LA!q9 bor. nw P!bOfO' LGbLG2GUfsqo cow g

EUGL8!9 9p201..,. q boa.. n1" P!bo10

ZSL~ L6fOW9qO W9!Z 9q!9U!G'


LGZnW!n-as 9 nws 'G()Ul':3 C\G CO\.\.G\l~G'G wn1f!b i!C9q9 bGi9 !GUZªO cownw· EZZS !GW9
GW t9!0L cownw uo c~1cn10 qg bO!§UC!9' \fZZ!W' uo C9ZO' 9 ZOW9 qgz bO!§UC!9Z
boL GZ!9L6W ºª 6!6WGU!OZ qo P!bo10 anpws,,qoa ~ WGZUJ9 !SUZªO dns ZG COUZ!!fn!n
uo C9b9C!!Ol (O Ml' O WGZWO qsuqo-ZG cow 9Z bO!§UC!9Z !UZf9Uf~U69Z' 'ªªº OCOLLGn '1
UO P!bO!O \.G'G(\\\()(\ \Ô(\':3\ ~ ZOW9 qgz bO!§UC!9Z W9q!9Z 9f!i\9Z UO LSZ!Z!Ol (SQQQ M) 6
,._ \fbSZ9l qs Z6l O c~1cn10 qs bO!§UC!9 í1W9 ob6L9i3ªº UªO-!!US9l' 9 bOf§UC!9 W9q!9 9f!i\9

sxc1nZ!i\9WGU!6 ºª W9!0qoa \9ZOL!9!Z'


dnG O sq0!9qo· bOL !ZZO' GW Z!Z!GW9Z qs bOf§UC!9' GW Lsa1ws Z6UO!q91' nasw-as
qo!Z co-asuoa qsiszsqoa qs ao
0 )' Lszn1isuqo nw bLocsaao psw ws,a cowb1 !cgqo
1 EZ!9 Ql!!W9 6XbLGZZªO' uo 6Uf9U!O' SU/\Oii\6 9 ZOW9 qs nw co-asuo 6 nw asuo (on

~(t) = \~(\)+~e. (t) = h(t)\~ + C5\11(\)\~t ·

= /\(\)\~'
9!l9i\9Z qs ~~ (\) ~C. = (.~/\(\)\~\
6' bOL t!W'
ºª A9!0l6Z !UZ!9U!~UGOZ qsa COLL6U!GZ uo !!6W (e) boqGLl9W !Sl Z!qO cs1cn1sqoa
lS2oi·
, . CPSUJS- 2G qi; 2!2!GWS WOD0lll2[CO sdnGJG SITWGU!Sqo boi nw RGisqo1 2GUO!qSJ CSLSC!GL!~Sqo boi nw IJD!CO

JGJO' como !J02flg g b!lintg 1s·1 ·


C0-2GUO!qgJ J\(t)' com lg20[ t-,' ~mGDr-J nmg 2~[!G qG cgr\ig2 GJGmGUfg[G2' g22oc!gqg2 Gm bgrg-
v

Em 2!2fGmg2 qG bor~UC!g moUOl~2!C021 OCOUG' Gm liGL~· dnG nm QU!CO liGLgqoL qG fGU2gO


(9lg92 6W b9l91610 6 92 bOf:(iUC!92

<1s·13)

og2 lGJgCQG2 (JSºJ J) G(JSºJS) 2go OPf!qg2


ouqG t\ ~ o lg20L qg !GU2go 2GUO!qgJ G \ ~ o cou1n\igqo qo lg2ol qg COUGUfG uo P!bOJOº
V v*

<1s·1s)
cpgwg-2G qG bor~uc!g m~q!g combJGxg g 20mg
b0f:fiUC!9 COWb16X9

rgqg Gm /\()\t-~wb~\.~i-\.~~t~/\()i (2tmpo10 A yt)·


com Ó) qgqo boL (1s·t)' ~ cµgwgqo qG b()t~\SC~~ »l\q~~ \.~~\~/\~· V bor~UC!S' LGS'f!AS' ~ LGbLG2GU-

<1s·11)

2GDq!qG2 qg fGD2gO Gqg COUGUfG !2f0 ~•


Q btoqnro qo2 ;.gJOLG2 Gl!cg:çG2 qg fGU2gO Gqg COllGUfG bGJO i~\l() qg qGl9'29'8Gm GUf[Gg2 co-

bOf:~ UC! 9 l69f:!/\9

C~JCOJ02 qG bor~DC!S'' como 2Gl~ A!2f0 mS-!2 S'J~m·


ybG2g[ qG ugo fGLGm 2!1iD!l!Cgqo ll2!CO' g2 qGl!U!CQG2 2Glifl!DfG2 2go pS-2fS'UfG Q!G!2 Gm

rorgJ q!~!º -- 1·~ J(M.JJ


qs-2 J ôJJ30 12 SSJJ30 ~ o·s x 3 -- o·e
qs-2 lô JJ 12 lôJJ30 ~ s·o x o·~ -- 1
qs-2 18 JJ 12 1ô JJ ~ 0'1 X 1 -- 0·1
D!g[!S'WGD!G fGW-2G O cou2nwo GW J(M.JJ=
'2,()\ttt.~()·.
A9JGUfG
COD2!QGLG' rurcrsJWGUfG' nw prboJO cow rwbGq~crs s.C\©) COJOC9Q9 U9 {0LW9 ?.~\.~~ Gdnr-
QG fGU2~0 G QG COUGUfG DO P!bOJO' 2~0 9bLG2GUf9Q92 9 2G80!Lº
onfl92 {OUU92 QG 9bLG2GUf9C~O QG borçucrs· 9J~W qsdnGJ92 GUAOJAGDQO 9bGU92 0 2 {920LG2

b0t:EjUC!92 6W inuê~o qG !Wb6q1UC!92 6 sqW!íªUC!92

!809J 120llJ9 Q92 bOfÇUC!92 LG9f!A92 W~Q!92 QG C9Q9 C9l8s·


2rRurlrcsuqo dnG s borçucrs LG9f!A9 111~qrs qG nw cou1nuro qG cst8s2 rr8sqs2 GUJ b9lsJGJo ~

\<=! \C=I Y:=J


o= JW<i) = JW I' i\<
IS
= I' JW<i\<) = I' o\< •
li li

DG llJ9UGIL9 2GllJGJp9UfG'
1 2ows qs2 bocçucrs2 9f!A92 w~qrs2 qG csqs c9l8s·
2!8Df{!C9UQO dnG 9 bOfÇUC!9 9f!A9 W~Q!9 QG nru COU1nUfO QG C9l892 J!89Q92 GllJ b9l9JGJO ~ !809J

Y: =1 \< = I \< =!
b= l{G(?.) = J5G L
iy, = L l{G(i \( ) = L \! . (1s-·1i)
li li li

'

i = l\\ = t\ (JS'ºJ'f)
v vll' v

{920LG2 Q92 COUGUfG2 GJGWGUf9LG2º 2GDQO \S O DQLUGLO QG C9L892 9220C!9Q92' G2CLGAG-2G


Q92 COUGUfG2 092 C9L892 GJGUJGUf9LG2 G' COUJO A!2f0 UO C9bltnJO 8' 2GO {920L \ ~ !809J ? 20UJ9 Q02
V

l,1G2fG cmo• 9 C()\.\.~\St(, q(, \~\S\m ~(t)' !2!0 ~· 9 COUGUfG {OWGC!Q9 WJO 8GL9QOL ? LGQG' ~ 9 20UJ9

-
1:\.
V

- -
)
\V

:518 'lfU~1!26 q6 C!LCnJi:02 El~i:L!C02


boqs 2st 2npsuisuq!qs e OW!J!qs·
Q((I))' '2((1))' \:,ª"((I)) eic· EUJL6J9UJO' U02 C9202 qe obetsêªo 6W tLEldlJIJUC!9 t!X9' S2J9
qsbauqaw qs tLSd1Jt)UC!9' \f22!W' s qaot' s1s2 qs/\sqsw 2st atsisqs2 cowo \:,((I))'
.. .1oqs2 62292 tOLW92 qs 9blS26UJ9êªo qs bOJt)UC!9 2ª0 tnUêQS2 qs 6Xbl622QS2 dns

(1s·s3)

(1s·ss)

= C(ID) 1t Is - \"B(ID) 1t Is
(1s·s1)
?. = t\. = ly-.. (\ID)t. = 1. (\©) 1t Is

Dgqo dnG \ = }..(\ID)l\' 2G&OGlli-2G g2 2G&O!U!G2 lGJgCQG2:


V V

1(\ID) = C(ID) + \'B(ID)'

(1s·so)

(1:s·Ji})

(1s·18)

= ~(ID)l\ls +\X(ID)l\ls
(1s·1.D
?. = tl. = s(\ID)ll. = 'S(\m) 1 \ Is

Dgqo dnG l\ = 'S(\ID)\'


V V
2G&OGW-2G g2 2G&O!U!G2 lGJgCQG2:
fOfg!2 li88'..i e33'8
3 100·0 133'3
s 1oio·o 1011'3
1 '-f38'..i - i81'..i
cstf:s bof§DC!S 8f!A8 (JA) bOf§DC!S LGSf!i.8 (Ji.VL)

COW 02 A~OLG2 gc!wg• COU2íLQ!-2Gg rgpGJg


= 100+ ~133•3·
?.:3 = \} + ~(\}\ co2~)2ru~ = JOO+ ~(100\0'e) x ~J-o' e 5
qouqG

\} =ixso=JOO JA.'
bgtg g C.1:t\.'61l "3' fGW-2G g bOf~UC!g W~q!g gf!Ag
= 1oio + ~1011· 3 ·
?..5 = 1ioo(co2~ + ~2ru~) =1iooxo• ..i + ~liOO~J - O' ..i 5
bgtg g Cll\.'61l ;5' fGW-2G g bof~UC!g COWbJGXg

Gg bof~UC!g cowbJGXg ~· GUf10'

1- s' - 1e·e1 \-i3o - •


l -t":-
V
IIO -e es \i3o U

= J0-1J3'se = re·er \ - i3o u·


~me S\t x eo x s x 1o_,.
s' = ~ + 1 = 1o- ~ 1
(g) V rwbGq~ucrg qg Cll\.'61l ' ~
?_.()\~êl:1()".

(e) V COUGUfG qG nupg GW WQqOJO (AgJOL G{!Cgs)·


(p) v bof~ucrg gbmGufG Go lgfoL qG bor~ucrg qg g22ocrgc10·
(g) vi boi~ucrg2 grr11g GLGgf!"g roigr2·
CgJCOJG:
3· C!UCO J~wbgqg2 ijOOLG2CGUfG2' COW 30 JA. cgqg nwg GlgfOL qG bOf~UC!g Q'(? !Dqflf!AO"
3· nw WOfOL qG ruqnê10 qG J·i JCAV GlgfOL qG boi~ucrg 0·1 '.
1· nwg g22ocrgc10 2~L!G E'C' cow E'= 10 u Ge = 300 tfb:
2Ggfl!UfG2 cmgg2 GW bm~GJO:
nwg J!UPg qG qr2rqpnré10 WOD0ll!2!Cg qG J10 A (AgJOL Gl!Cgs) GW eo HS' gJ!WGUrg g2
EXGWblO J j"1

::580 VU~1!26 qG ci1..cn,i:02 El~t:1..!C02


2GUO!q9J' ~ qo rrbo !UqITf!AO (~u&nyo qG borçucr9 GIU 9!1920)' 2G19ID 1U0f0LG2' fL9U2lOLIU9qOLG2'
V 8L9UqG 1U~OL!9 q92 cm892 GUCOUfLgqg2 U9 bL~f!C9' GIU 2!2fGIU$2 qG borçuc!g GIU LG8!IUG
coa.a.Gc~o GW c91.€92 !UQnf:!/\92

qG borçuC!9 2G19 !lllGL!OL 9 ü'ôSº


2ITID!q9' G2292 GIUbLG292 co2rnwgw copLm nwg rmrtg wg!2 gJrg bmg 02 cou2nlU!qOLG2 cn1o l,9fOL
!GlU$2 qG IDGq!ClfO qG COU2!TIUO qG GUGL8!g LG8!2!L$IU gbGug2 g borçucr9 9f!Ag on GUGL8!g cou-
gz LGqG2 qG q!2!L!Pil!Clf0 btGC!2gIU 2Gf. q!IUGU2!0Ugqg2 bGJg borçuc!g gb$LGUfGº ogqo dnG 02 2!2-
q!2!f.!PIT!qor.g2 qG GUGL8!g GJÇ!L!Cg' b0!2 C$!T2$IU bGLqg qG borçuc!g ug LG2!2fÇUC!$ qGJga G' g22!IU'
COU.GUfG2 gJrga uga J!Upg2 qG rr.gu21U!22l[O qG borçucrg 2l[O ruqG2G1~AG!2 bgLg g2 G1UbLG2g2
LGU!G \Sll \~IS\lll §1 dngJ G2f~ COUGcrgqo O P!hOJOº
borçucrg qg cg18g' wg!Ol. 2GL~ O A$J0l Gl!C9S qg COLLGU{G uo P!bOJO G' COU2GdfJGU!GlUGUíG' 9 COL-
$J8nw onrr.o í!bO qG borçuc!g (C9JOL!l!C$' IDGC~U!C$ GíCº)º K G2!TJf$ dnG' dnguro IUGUOL o tgrot qG
UG22g2 couq!CQG2' g borçuc!g GJÇ!l!C$ qGbGUqG l!2!CgIUGUfG qg Cll\.'&ll <;_\ll<;_\ll' dnG g fl$U2l0llU$ GIU
lg!Ol qG borçuc!g qg cg189· A!2f0 dnG' GIU 2!2fGIUg2 qG22G f!bO' g fGU2lfO Ç COU2!q~1gqg qgqg G'
IUG bGtIUgUGUfG 2GUO!q9J ~ qgq9 bGfO b1.oqnro qoa AgJOf.G2 Gl!CgSG2 qg fGU2lfO G qg COLT.GUfG G qo
como A!2f0 ug2 2GCQG2 gufGf.!OLG2' g borçuc!g gqj\g w~q!g fl$U2lGL!qg g !TIU P!bOJO GIU J.G8!-

J :'.l·i cottGc~o qo t9fOl qG bof~UC!9

cow o wsawo LS2n1isqo·

=ffG(O'T'2J \'23o ]IJJOl3 - ~rrn(O'J'2J \'23o ]IJJOl3 '

?. = c(m) 1t Is - \B(m) 1t Is

9bl!C9q9 26W !Uf6LW6q!9CªO qg COLL6Uf6' {9Ssuqo-as nao qs (JSºSJ)' 'ª'ºy'


cs1cn1sqs2 9fL9/\y2 qs ans sqw1i~uC!9 (!U/\SLao qs 1wbsq~UC!9) s qs isu2ª0 us1s
li" 'r;/2 bot~UC!92 9p/\9 6 L69!!/\9 COLLS2bo uqsuis2 !j1 C9\.Ô9 ~ uo !!SW (9) boqSL!9W !6L 21q o

\ = b1.1h\l\ = J10<t1\JJO= J'2''2 v·


q9 borçuc!g gb9lGUfG' r2ro ç'
(e) Q AgJOL Gl!CgS qg COllGUfG qG J!Upg ~ OP!!qO q!LGígIUGUfG qg fGU2l[O qG f!Upg qgq9 G

bl,I\) J10Q' 1 ,
'"'=coa <.\:l = - - O ô..., J
\;"" b J'288' 1 - J

G o tgror. qG borçuc!g qg g22oc!gclfo

'h h =~b3 +63


1
=~J'288'13 +QSS'83 = J10Q'1 AV
(p) oo r.G2nyr9qo q9 rgpGJg qo !fGIU (g)' rçw-2G g borçucrg gbmGurG rorgJ

b = J'288' 1 M.
OOUqG'
2GL G2CL!CS corno
.
ost· 2GUqO g boc~UC!S SC!11$ ug CSL8s b = 1/\\ V
11 \ 1C02 ~ G ~
V V
= 1~ V
1• g GXbLG22§!0 SC!llJS boqG

1\1 1co2~1 =!\1co2~•


V V

-1 \ \
V
l 2!U ~\ = (J)(.}\1 -1 \ l 2!U ~ V

G2CLGAG-2G SJ8Gp[!CSllJGUCG

fGU2§!0 ~. J5'GbLG2GUCSUq0-2G boJ. co2(bl O l9f0L qG bor~UC!S ug J!upg• LG2!JJf$UfG qg $220C!SC§!O'


V

lS20L qG CSL8s \ 20llJGUfG us COllJbOUGUfG LG$flll$' IJJ$UfGuqo g onrr.9 COllJbOUGUfG GllJ lS2G cow g

rsqo qG ººº V '

GllJ J.GJSC§!O g }\1 • LG2!JJf$ CJSLSLUGU!G dnG O lS20L qg COLLGUfG qG nupg \ 1 q!lGLG qo
V V

1nursuqo-2G g G22G q!S8LSLU$ o l$20J. qg COJ.LGUfG uo csbSC!fOL \ e. = \(.{)(.~ • dnG G2!~ gq!SU-
v V

1.l>IJ\~/\1.l)' $fl$2Sqg qG ÔÚo GLU LGJSC§!O g ~ • qgqg bOL \


1

V V
' =- \ 1\
V
l 2!U ~ .

Çl\~/\1.l)' GLU l92G COLU g fGU2§!0 /\\' qgqg boL \ ~\ =! \ 1C02 ~ • G 0flfl$ comboUGUfG ( cpgrngqg qG
V V V

LGUfG \ qG CSL8s
V
'i qGCOLUb02f$ GLU qns2 bslCGJ92: nwg cowboUGUfG (cpgmgqg qG cowboUGUfG

1,10 ~s8LSID$ qG lS20LG2 qg J:.!8!JL$ TS''2\)' COLU g fGU2§!0 /\\ romgqg como LGlGT.~UC!S' g COI.-
V

(\l) 0!98L9W9 qG {9ZOLGci

\\
- • \•
\ '·
V
,e

t-...'
V

I{G

\u
• t-...'
V

\
V
[lll

ílfUC!g C' COIDO LU02!L9 g b!8!JL$ JS'°21.l'


rs g COUGUfG l qG2rs· ELU bsLSJGJO COLU g CSL8u· J189-2G nw csbSC!fOL qG COU.GC§!O COUJ cgb9C!-

COU2!qGLG' GUf§!O' g CIJ\.'&l.l ~U(.\\'\\~/\1.l S= lsl \© dnG' 2ílplllGf!qg ~ fGU2§!0 qG J!Upg ~ • 20J!C!-
O lSfOI. qG bor~UC!S g G22G ASJOL-J!lll!fG'
lSS:-2G nwg COUGC§!O qGJG 1nuruuq0-2G Glli bgL9JGJO nmg CSL8s csb9C!f!119 2fll!C!GUfG bm.s GJGASL
LGSfOLG2' ! JflID!USC§!O ijflOf.G2CGUfG GfC' 2G O lS!OL qG büf~UC!S qg !U2f$JSC§!O lOI. WGUOL dnG Q'oS'

j8j VU~1!26 qG (!LCfl!i:02 El'?fl!C02


-~
C+i ~
~-
'
1
1
'
\

COWO W02U.g g b!8nLg Js·e·


gr,wGurguqo nwg cm8g qG !WbGq~ucrg s.(\m) = \S(m) + \'f... (m) (on 2!WbJG2WGUfG s. = \S + \y:J'
J.P~AGU!U cow rwbGql!UC!g !UfGLUg s.\(\m) = \S\(m) + \'t.l(m) (on 2!WbJG2IlJGUfG s.\ = \S\ + \x')
COU2!qGLG OW 8GLgqOL C0-2GUO!qgJ qG lLGdfIÇUC!g m' LGbLG2GUfgqo ug lOLWg Gdfl!AgJGUfG qG
'
b0f~UC!9 q!2bOU!/\61 6 l6UQ!W6uio

rtgqo g 2G8nrt·
IlJGUf02 LGgHJ\02' GUJ LG8!IDG bGLWgUGUfG 2GUO!qgJ' gy8o 2GWGJPgUfG rgwp~w OCOLLG' COUJO UJ02-
nw 8GLgqOL bmg nmg cm8g OCOUG dnguqo G2!G2 f~m g mG2mg LG2!2f~ucrg· EW LGqG2 cow GJG-
bº! W02fLsqo uo cgbtrnyo "2 dnG' bmg LGqG2 LG2!2f!Ag2' g IlJ~X'!IDg bor~ucrg flgU2lGL!qg qG

ígU ~\ = Q' 1Se ' LG20J!S g cgbgC!f~UC!g lllt"!IlJg


[g2 qG GUGL8!g 2GUJ gcL~2C!UJO q G fg[!lg' r2ro ~· C02 ~\ = o· ô~ ' O dnG COUG2bouqG g
2G' ~uqg' O lgfOL qG bOf~UC!g COll!8!qO lOL O llltU!UJO SCG!fO bGJg2 COUJbgup!g2 q!2fl!pnrqo-
~IS~tt\~11~' sp20ll\GUqo g UJG2mg bor~ucrg' COilJ COUGU!G grtg2gqg qg lg2G ó:,1GID LGJgê~o ~ !GU2~o·
bor~ucrg g!!Ag b cow COllGUfG gf[g2gqg qg lg2G Ó) Glli LGJgê~o ~ fGU2~0' GUJ onrLs cm8g wç;IS()?.
dnG ~ o AgJoL qo cgbgcrrot uGcG22~ro bgtg !lgu2loLWm nmg cm8g ruqnr!Ag' sp20LAGuqo nmg

qouqG
1mg 1n2ql}C$1 G22g op2GLAgC§!O COU2!qGLG o dnOC!GU!G qG (JS'S1) com (JS'Sô)
bc;uqG qg2 !mbc;q~UC!g2 qG moqo Cllí!CO'
nm lgfQ !mbo[fgU!G dnG 2G qGAG uorm ~ dnG G22G CL!í~L!O qG borçuc!g q!2bOUlAGJ U§!O qG-
cpITTJJgqg qc; bor~uc!g q!2bOU(AGJ'

1
\UlfY. - t ~- •
b - l'E\I
V :s
com G22g couq!C§!O' LG20Jíg dnG O &c;LgqoL lOLUGCG ~ cm&g g borçuc!g m~!mg b022(AGJ'
cou1n&gqg2·
on 2G1g' g2 !mbc;q~UC!g2 GdO!AgJGUíG2 qo &GLgqoL G qg cm&g qGAGm 2GL %[guqc;s:ga combrc;xg2

s. = s.'. • (JS"S8)
*
~dnGJg qg2 b9líG2 LGgqAg2• ~ couqc;uagqg Gm
V22!m' 2Gm q!l}COJqgqc;• AGL!l!Cg-ac; dnG b ~ m~mo bmg ~ = ~\ • couq!C§!O dnG' 1nurgqg
GXbI.G22§!0 dnG ~ !qÇUí!Cg ~dnc;yg A!2íg Gm ('2'JO) b91g I.GqG2 I.G2!2í!A9'2"

com G22g COUq!C§!O' (JS':$1) LGqnS:-2G 9'


Ag UG%9'í!Ag' qGAG-2G íGI. !U!C!lJJLUGUíG 'f. = -X'. '
bGq~UC!lJ com b9'[fG LG9'f!AlJ b02!í!AlJ G 02 P!bOJ02 cgb9'C!í!A02 rçm !IDbGq~UC!lJ2 com bmrc; LG9'f!-
1~ dnG gz blJ[fG2 [Ggí!AlJ2 qs-2 rmbc;q~UC!9'2 rçm 2!UlJJ' on ac;1g' 02 P!bOJ02 !UqOí!A02 rçm !m-
Gm LGJgC§!O go unmGL9'qOL'
1mg !220' bLOCOL9'LU-2G lJ2 couq!CQG2 com g2 dns-r2 o qGUOLU!UgqoL qG (JS"S'2) 2G1g LUlll!mO
COU2!QGI.G' GU!§!O' dnG 2G qG2G1G IDlJX!ill!S:gI. g borçuc!g !LgU2lGL!Q9' %1 cm&g·

<~+~\):s+<x+x') 3 ,
b=~I\I (1s·s~)
v:S = ~
l'Ev:S
1

EUí§!O' lJfllJA~2 QG (JS'J8)' 9' bOfÇUC!lJ lJf!AlJ I.GCGP!QlJ bGJO P!bOJO qG cm&g ~

(JS"SQ)
2GUAOJA!qg ug CITT.&g bGJg 2owg qG roqg2 g2 borçucrg grr11g2 qG2GUAOJA!qg2 u o 2!2lGIJJH' !2f0 ~·
V22!lli' 2Guqo O J.GDQ!WGUfO qo 2!2fGwg• boL qG{!U!C§!O' O dnOC!GU!G qg borçucrg gf!Ag qG-
\5\ ~ 00 .

dnG Ç llT!U!lli9' fGUqGuqo g o· bmg \5\ << \5 G' boL OnCLO Jgqo• Ç w~x, wg• fGUqGu qo g t' bgLg

(1s·3s)

dnG H borçuc,g b\ qr22rbgqg !UfGWgWGUfG go &GLgqoL Ç


2GUqO g COUGUfG Ug mgJpg qgqg bOL (JJºJ(?)' fGm-2G' com 92 mG2mg2 gbLOX!lliHCQG2 gc, mg•
bOL GXGmbJO' g bOfÇUC!g q!22!bgqg !UfGLUgmGUfG UO &GLgqot·
DG2fg {OLmg' 0 0 fl02 lgfOLG2 boqGm 2GL JG11gqo2 Gm coucg ug G2C0Jpg qg2 LG2!2fÇUC!H2' como•
\5\\5\ = ü' 3~ C>tt \5\\5\ = t' Ü GfC º
(JJºJô) H220IDG O 11gJOL Q'8ô bgLg \5\\5\ = Q'~ C>tt \5\\5\ = J' Q G g22nmG O 11gJOL Q'(?t bmg
11gJOL m~x,mo G' boL OOflO Jgqo• !UqGbGuqG qG 2GL lflUC§!O qG \5\\5\ on qG \5\\\5. bOL GXGllibJO'
V!Lg11ç2 qGJg AGL!l!Cg-2G dnG g borçuc,g u g CITT.&g "ITT.!g m n ,ro 2ng11GmGUfG Glli LGJgC§!O go 2Gn

S ts1scªo 6Uft 6 sa t6Z!Zf§Ue,sa qo ast sqot 6 qs estas·


1:!anL9 JSºl l:{61SCªO 6Uft6 S bOJ§Ue!S Sf!/\S US est as 6 S bOJ§Ue!S q!ZbOU!/\61 qo ast sqot f\G\.'aC'l'a

o 1 '6\\'6

o·s
o'<t
O'Q
0'8
1·0

\ ' \\ltrJ.
t>\b .

~l.l<f/. - (J+ \5\\5\ ) 3 •


-- - (1s·31)
b - t\5\\5\

com G229 9bLOX!lli9C§!O' fGm-2G


COUG2bou qGL ~ btobOLC§!O qG 3~ AGSG2 Glli 2G02 dnHqLgqo2·
dn$!2 g borçu c,g Ç !llihOlf9UfG' b0!2 nmg btobOLC§!O qG ~ AGSG2 UG2292 2omg2 Ç 20{!C!GUfG bITT.9
;r 20mg qg2 b9lfG2 LG2!2f!A92 Glli (13·3,1)· .LL9f9-2G qG nwg P!hQíG2G L9SO~AGJ Glli 2!2fGWg2 U02
G gqll!íg dnG g 20mg 9J&çp(!C9 qg2 h9LCG2 LG9f!A92 qg2 !IDbGq~uc,g2 2G19 LgS09AGJmGUfG !U{GL!OL

~11~'/. (J + \5\\5\)3 + ( X + X\) 3 \\5's


(1s·30)
b t\5\\5\
Dg!' O LGDQ!llJGUfO ~ q gqo bot
c~o 1 borçuc!g Q!2bootAGJ qo 8GLgqoL GUJ tnuc~o qG C\C' on qG C\\C?. ' !ºQ!lGLGDfGUJGDfG"
J.1G2fG cg20 fgUJP!'iUJ g .b!8n[g l:S'"} 2GLAG bmg LGbLG2GUffil g bOfÇDC!g gf!Ag og cm8g GUJ LGJg-

cpç;-8g-2G 1 coucrn2~0 qG dnG g borçuc!g flgo2tG[!qg 1 cm8g ~ IDl!X!UJg dnguqo


VflgA!'i2 QG22G UJOQGJO ' bot OUJ btOCGQ!llJGUfO gUl!J08o go LGgJ!:s:gqo COUJ g(! !IDbGq~DC!g2'

-- -'--

t' '---
l
},_ l\. V

--
-
2!UJbJG2UJGUfG },_ = C + \B)' COUJO UJ02flg g .b!8ntg l ::)"8"
bJG2UJGDfG J-'. =e\ + \'B\) gf!UJGorguqo nUJg cm8g qG gqllJ!r~uc!g J.,.(\m) =c(m) + \'B(m) (on

og tO[UJg GdO!AgJGUfG QG J.10[f0U COUJ gqllJ!í~C!g !DfG[Ug }-: (\U>) =c\(m) + \'B\ (m) (on 2!llJ-
DG tOLUJg qngJ' boqG-2G COD2!QGLfil OUJ 8Gtgqot C0-2GDO!Q~ QG lLGdf1ÇDC!g U>' LGbLG2GUfgqO
8G!LgUJGUfG UJg!OL dnG ~\.
\.~\1~~\U~\ltG qo 2!2fGUJg' gJ!'illJ qg f[goatGLÇDC!g qG borçuc!g' !'i COUAGD!GUfG flgpgypm COUJ ~ J!-
CODCJ0!-2G dnG' 2G O Cl!í!'iL!O qG G2C0Jpg qga bgqGa LG2!2f!Ag2 qo 8G[gqot G qg cgt8g lOL O

(1~·31)

LG20Jfg' COUJ pgaG ug2 gbLOX!UJgCQG2 GUJ (13·31) G (13·33)'

il =
b+b • (1~·33)
b
" = I\V,c + ~me _ I + ~(.()(,V,c. = J + (mcv.c. )3 _ \ J + (mcv.c. >:s .
~ J V,(. V,c . (mcy;c. )V,c

wo2!lgqo ug bT8nLg JSºô?' ~


(e) V TUJbGqgucrg qg g22ocrgcgo hfilgJGJg qo cgbgCT!OL COUJ O LG2T2!0L qG cgL8g' COUJO
G O LGUqTUJGU!O qo 2T2! GUJg' COUJ pg2G GUJ (J3·33)' LG2flJ!g U = 88' o~.

qoL G ug cgL8g 2§!0' LG2bGcq.11gUJGU!G'


1
(p) cow pg2G GUJ (JSºJ8)' g2 bor~ucrg2 grr.11g2 b ' G b (. qr22rhgqg2 TU!GLUgUJGU! G go 8GLg-

\ = S'<t<t v·
qG dnG 2G opr~w o .A$JOL Ggcgs

V,' + V,c. + ~mí"· <t~ + ~so , , ,


l = "E\ ISO = S <t<t \- 33 oeo V
V

(g) Q lg20L qg COUGU!G ug UJgJPg qg bT8flLg JSºê)(i ~


'2,()\1'\é~()·.

( \l) estas cow csbsc,iot bsts1s10

l l~
i· + t.'
·+

cor·l '6l. \ !
(l)f ' y/ \
( q) :B"GhT!g o T!GUJ (p) ug uo.11g couqrc§fO"
(e) :B"GhT!g o T!GUJ (g) ug uo.11g couqrc§fOº
COUJO UJ02fLg g bT8nLg JSºê)\):
2G GUJ b$L$JGJO '1 LG2T2f~ucrg qG cgL8g V,c. {OL JT8gqo n w cgbgCTfOL rgJ dnG mcv.(, = S'
LG2bGcrr.11gUJGU!G' G o LGu qrwGuro qo 2r2rGwg·
1
(p) rf2 bO!~UCTg2 g!Tllg2 b G b c. qr22rbgqg2 TU!GLUgUJGU!G go 8GLgqoL G ug Cfil8g'
(g) Q AgJOL G{TCgS \ qg COUGU!G \ . V

CgJCflJG:
V,\ =~ u' m1 \ =so u G ~\ =ISO A ' p8gqo g nwg cgt8g LG2T2fTAg cow V,Ç. =10 u·
Q CTLCflTfO qg bT8nLg JS"ê)çt LGbLG2GU!g flUJ 8GLgqoL GUJ {OLUJg qG ..LP~.IIGUTU COUJ
JflJS GllJ [' lOlIIJsqg qG GJGllJGUf02 lGgf!A02' COUJO llJ02flSIIJ S2 r.!&nlS2 J3'"J01l G J3'"JO\Y
G nws cSL&s qG !IDbGq~ucrs se= y,t. + ~Y..c. 2G1s ru2Girqo nw dngqr.rboJo cowbo2ro qG nws C'i-
2nbouµs dnG GUflG nw &Gtsqot us lOllDS qG .LP'iAGU!U qG rmbGq~ucrs !UfGlUS s\ = y,\ + \1.. \
comnurcscQG2 uoa dnsr2 2l[O nasqoa sqsbrsqotG2 qG rwbGq~ucrg GUflG o &Gtsqot G s cgi&g·
bJ02 q!220 02 CS202 qG C!lCfl!f02 qG SUfGIJS2 (flSU2llJ!220lS2 G lGCGbfOlS2) GllJ 2!2fGllJS2 qG !GJG-
btQ}(!llJS ~dnGJg qrabOIJ!AGJ qo &Gtsqot' Ul[O rmbotrguqo o lGUq!llJGUfO qo 2!2fGmg· 2l!O GXGllJ-
rsuro· GX!2!GID csaoa uo2 dnsr2 'i rmbotrsurG dnG s bor~ucrs flglJalGL!qs ~ csi&g aG1s r&nsJ on
p~w 2Gll'[ g bof~UC!S qr22rbsqg !lJfGllJSllJGUfG g GJG G !220 boqG 2Gl nm lS!O ruqGaG1l'fAGJ" EUflG-
como 1~ op2GtAgqo• dnsuro wsr2 bor~ucrs nm &GtsqoL lOLUGCGL s nmg csi&s• msroi rgw-
\;f q9btsqol62 q6 !Wb6q~UC!9

26fln!Uf6º
b9Lj:62 l69f!l\92 U6C622!f9 qs q0!2 616W6Uf02 l69f!l\02' COWO 26l~ l\!2f0 UO !f6W
9 l69fl}UC!9 !Uf6LU9 qo fl6L9qOLº \;f Of!W!'.5;9CªO 2!Wnlfl}U69 q92 b9Lj:62 l62!2f!l\92 6 q92

!Wbsql}UC!9 qs C9Lfl9 2sq9 1,. = -)"2~ =-)J3' S3 U' uªo cowb0u29uqo fOf91W6Uf6

20q9w nw bonco !U!6l!OL62 ~ bof~UC!9 q!2bOU{l\6I' ]~ dn6 9 b9t.i6 L69f!l\9 q9


fl6L9qOL 6 U9 C9Lfl9 26l!9W !fl09!2º 1,16226 C920' UO 6Uf9Uf0' 62292 bof~UC!92
!Wb6ql}UC!9 qs C9Lfl9 26l!9 Y:, = °2 U 6 92 bOf~UC!92 q!22!b9q92 !Uf6LU9W6Uf6 90

... 86 O l\9IOL qo C9b9C!f0l {0226 f91 dn6 mcy,c = ~ ' 6Ufªº 9 b946 l62!2f!l\9 q9

C9Lfl9' W92' 6W COWb6U29CªO' O l6Uq!W6Uf0 9P9!X9º


EW l6!9CªO 90 bqW6!l0 C920' O 9Cl~2C!WO qo C9b9C!f0l {9S 9nW6Uf9l 9 bof~UC!9 U9

1,10 !f6W (q)' 9 b9Lj:6 l62!2f!l\9 q9 !Wb6ql}UC!9 'S. q6 C9Lfl9 ~ Y:, = 8 U' uªo O 'cc OL!fl!U91"

qot G (Jg csi&g 2l;f0' lG2bGCf!ASIIJGIJfG'


(q) COllJ ps2G GllJ (JSº J8)' S2 bOí~l1C!S2 Sf!AS2 b\ G b ç q!22!bgqg2 !lJfGllJgllJGIJ!G SO &GlS-

\ = 8'8S v·

(~+8)+ ~(30 - J(?)


\ = -- - - - - -
V 130
V lJOAg COllGUíG qG llJSJpS ~· GU!l[O'

S - J+ 33 - \ J + 33 - 8- \JO 7~·
10 ·3x10 .,v

osf COllJ 02 ASJOlG2 qsqoa· lG2flJíg


(JS"<:fO)

= '\.
(JS"3())

fGJ.1JJ1U9qO ug !lllbGqgUC!S qG CITT.Íi9 ~


cow G229 UOAS lOllDOJSCgo• g rmbGq~ucrs s' dnG 2G sbLG2GUf9 ug GU!Lgqg qo dnsqt!bOJO

(JS"38)

qouqG

C!SJWGUfG' COUAG[fGL g !WbGq~UC!9 qG CITT.ÍiS GllJ 209 sqW!fgUC!S J-.'" ' G2CLGAGUqo
bITT.9 fOLUSL g qGqncgo lll9!2 CJSLS G COUC!29 G g2 lQLllJOJS2 WS!2 combscrg2• COUA~w· !U!-
2G!g !ÍiflSJ 90 COU!OÍisqo qG s\• COUlOLWG (13·3g)·

- y,'" + \'i.. e.
\~.)+ - - - -
s' = \'i..' + J •
J
gdnGJS COUG2bouqGUfG ~ b!ÍiflLS JS"JO\l'
dnG 2G sbLG2GUf9 ug GUfLgqg qo dnsqqbOJO' íGJ.lJJ1USqo ug rmbGqgucrg qG CITT.ÍiS' boL GXGlllbJO'
Q dnG 2G btGfGUqG ~ gcµITT. 0 2 AgJOLG2 qo2 GJGWGUf02 LG9f!A02 qG woqo dnG g !WbGqguc,g s'

~\
- +

'S..1 'S.'·
asL sqoisqo as\!.\< \!.e s o sadnsws qs 1:!ants J s· JO~ qsAs asL asan!qo as \!.e<\!.\.
... zsuqo 9 C9La9 6 O astsqOL bnL9W6UJ6 LSa!aJ!/\Oa' O sadnSW9 qg 1:!anL9 JS' JQ9 qS/\6

C~\1\\9 \O\ U\.O\G\9C\9'


{L6d(]!JUC!9 6' bOti9UJO' 9 9C\90\9C'ªO ~ f\~\\C\9 'lOUlG\l\G \l9 \\.Gll~làUC\9 09\.9 9 Ôt\9\ 9
.,. va bstisa LS9J!A9a' anacsbJ!A9a' LSa!apAsa s couqnJ!A9a ªªº' sw astsl' inuê9sa qs
qga LsabSCJ!/\9a sqW!J~UC!9ª 6 /\!C6-/\6La9'
!Wbsq~UC!9ª \l'ªO 'l'ªO \lGCG'l'l9\.\9UlG\l\G O !U/\SLaO qsa bstisa couqnJ!/\9a 6 anacsbJ!/\9a
.,. 1,1sa tQLwnrsa 9UJSL!OLSa' sais1s sisuio g dns sa bstisa LSa!aJ!A9a s LS9J!A9a qsa

l0LIJJ9 qngJ ~dnGJ9 9U!GL!OL' LG20Jf9Uqo


C920 COUfl~!O' o JG!!OL qGAG !GU!9L o G2dnGIJJ9 qg b!gfll9 J3'J0\) cn1g 9U~J!2G ~ LG9J!Sgqg qG
GXbLG22QG2 dnG 2~0 A!;!f!qg2 2G C C~\ <J on• 2G~nuqo (J3'38)' 2G ~\ < ~ t, + Y.; \~e..

Y.·1 =-

G
2G8n!qg qG nwg 2n2cGbf~UC!g' rmnp~w cgbgc!f!Ag' GW bgL9JGJO' qG A9JOL ü'OQQ '2'
00 2G1g' 9 C~JOJg f' ~ {Otwgqg OOl nmg lGgf~C!g cgbgC!f!A9 Gm 2~[!G' qG AgJOl -Q',1,1 U'

0'03~X~
J -J =O'OQQ '2'

0'03~X~
J - J - 30 = -Q' .l.l U

qo-2G' lG2bGCf!AgmGUfG'
(p) b9lg O G2dOGWg qg b!80l9 J3'J Jll' gbJ!Cgm-2G 92 {QlWOJ92 (J3't3) G (J~"t3)' OpfGU-

J3' J J\)'
~ < tü)' 2~0 bo22lAG!2 02 q0!2 f!b02 qG C~JOJ9' IIJ02!lgqo2 092 b!8nLg2 J3' J J\1 G
(g) Dgqo dnG Y,t < Y,\ + '/. i\Y,
1
(!2!0 ~· tQ < ~ + 30s\~ = 8~)' mg2 f9mp~IIJ Y,1 < Y,c (!2í0 ~·

'2()\~ég()',

( c) DGíGLllffUG g borçucrg !lgu2{G[!qg·


(p) CgJCOJG 02 A9JOLG2 q02 GJGWGUf02'
(g) E2COJPg O f!bO qG C~JnJg gbtobirsqg·
b9lg dnG 2G G{GfOG g WlfX!mg ílgU2{GlÇUC!g qG borçucrg qo 8GLgqoL 1 cgL8g:
COU2f!fnlqO qG Oll19 C~JOJ9 com nmg LGgf~UC!9 G nwg 2n2cGbcyuc!g J!8gqg2 GW r·
(.l)'f\ = 30 u G i' = J30 A G g cgL8g lG2!2f!Ag COIIJ Y,t = to u ~ !D2Gqqo nm dngqL!bOJO
yj_O C![CO!íO qg b!8nlg J3'oll' GUflG O 8GLgqoL Gm {OLmg qG J.p~AGU!U com Y,\ = ~ U'

L69ffS9q9 cow 9wpo2 02 02dn0w92·


bo22!P!l!q9q6' q0utLo q0 nw9 C6Ll9 a9w9 q0 A910L62' q0 dn0 9 9q9bt9cªo 2019

q9 l:!anL9 JS' JQ~ q6/\6 26L 20an,qo C920 'fóc < 16\ + 'f..\, '\Y}' 1,16229 IJ!b(?f626 µ~ 9

62dn6W9 q9 l:!anL9 JS' JQ9 q6/\6 26L 9qOf9qo C920 Y,\ < "ót + 'f..; \Y,c 6 O 62dn6W9

... 26' 90 COUJL~L!O' 9 C9La9 6 O a6L9qOL COUJ!/\6L6W l9Wp~W 6j6W6Ul02 L69l!/\02' O



2GCOUQ!fl.!11)' QGroo 9~ºº Aº
y[IJ gGLIJél!O' 112 íGU2QG2 G2í!!O J!W!í11Q92 ~ OLQGW QG gl!JUQGSIJ QG f0 J<A G UIJ Oí!J!Sllé!IO (Q!2Cl!PO!él.!O

b!\intg J3ºJ3' bgig O dngJ ~ qG{!U!qg g LGJgC~O qG !LgU2{0UIJgC~O J: (1' OUqG (1 = ~"f3\~ .
UJg\iUG!!CgUJGU!G G J!\igqo2 LG2bGC!!AgUJGU!G g cgqg fJUJ qo2 gcG2202' COUJO G2dfJGUJgf!s:gqo u g
J!UJ!{G qG q0!2 GULOJgUJGU!02 qG !UqfJ!~UC!g2 f I G f:S• qG AgJOL GJGAgqo• {OfgJUJGU!G gcobJgqo2
COU{OUIJG A!2{0 ug '2GC~O 3'"i' ~ qG{!U!qO COUJO f]UJ dngqirboro bGL{G!{O' !OUJgqo COUJO O cg20-
bfilg UJg!OL ºP!Gf!A!qgqG' O G2{nqo 2G8fJ!U!G {GL~ bot pg2G f]UJ {LgU2{0LUJgqot !qGgJ" E2!G'
GJGAgqg (G COUGU{G pg!xg)·
wr22~0 (ug 2giqg qo \iGtgqot G ug Gurigqg qg cgi\ig) bmg dnG g rigu2wr22~0 ocoug GUJ {Gu2~0
bot dnG2{QG2 qG 2G\intgucg• 2~0 fJ{!J!S:gqo2 {L9U2{0UIJ9qOLG2 U02 GX{LGUJ02 qg2 J!UP92 qG {Lgu2-
0UJ9 AGS: dnG 92 {GU2QG2 ug \iGtgé~o G U9 fJ{!J!S:gé~o q9 GUGLR!9 GJ~{L!C9 {~UJ AgJOL I!UJ!!gqo:s
C!92 q92 J!Up92 qG {L9U2ll1!22~0·
{GU2~o· UJGUOL 2GL~ 9 COUGU{G {L9U2ID!!!qg G UJGUOLG2 2GL~O 92 bGtq92 OCOUGU{G2 ug2 LG2!2f~U-
g bo{~UC!9 gf!Ag qGbGuqG qo btoqnro qo2 AgJOLG2 G{!C9S:G2 q9 !GU2~0 G q9 COUGU{G' dnguro UJg!OL g
E2!G ~ O cg20 qg {LgU2llJ!22~0 qG GUGL\i!g GJ~(L!cg qG bor~ucrg GUJ 9)(9 {GU2~o· DG {9(0' !~ dnG
{GUJ9' 9fJUJGU{9Uqo O LGUq!UJGU{O qo 2!2{GUJg·
u~o ~ f!L9l. 9 llJ~!UJg bor~UC!g qo \iGt9qOL' wg2• go COU{L~!º' {OLUgL UJ{U!ll192 92 bGJ.q92 uo 2!2-
H~ 2!!fJgCQG2 qG {LgU2{GL~UC!g qG bo{~UC!9 GU{LG nw 8Gt9qot G nwg cgi\ig GUJ dnG o OP!G{!AO

J_L9U2t:OlW9qOl62 q6 !WbGq~UCf9

qoi• !2!0 ~·
(e) b!UgJIDGU{G' g bor~ucrg {L9U2{GL!qg• U02 qor2 cg202' ~ g bo{~UC!g q!2bOU{AGJ qo \iGLg-
o·o~ô '2' 2G\in!qg qG fJUJg LGg{~UC!g !UqfJ{!A9 GUJ 2~L!G' qG A9JOL t3'33 U.
on 2G!9' g c~rnJ9 r ~ {OLW9q9 boi nwg 2n2cGbr~ucrg cgb9C!f!Ag GW bmgJGJO' qG A9JOL

1oxo·o118
'l..:s =to ,- --
J
- -r = t3'33 u·
G

1
toxo'OI 18
'B =0'0118 - 1 - (-o'Oti)=o·o~ô 2
1

1
~ +30 ~ +30
C =
• :s :s =0'0118 '2 'B\ = - :s :s = -O'Oii '2
~ 30
(13·1e)' r2ro ~·
bfil9 g COU{!\ifJL9C~O q9 b!\ifJL9 J3'JJ\)' cgJCfJJgUJ-2G !Il!C!gJUJGU{G C\ G 'B\ g{LgA~2 qG
qt9qO qg LGJ9C~O qG CL9U2l0Lill9C~O· 1220 G2~ ! Jll2CL9qo ug b!gflL9 J3'J]\)'
OIJ 2G1g' g !WbGq~UC!9 A!2!9 bGJO bqw~!O Gdll!A9JG 1 !Wb Gq~C!9 q G cm_gg q !A!q!qg bGJO dng-

(Jl.18)

GUH!O'
q G (J3'1,1) G COU2!qGL9Uq0-2G dnG' COUlOLWG 92 COUAGUCQG2' !GW- 2G

(9) .J.l9U2lOLW9qOL cow C9L89 uo aacnuq~L!º

J:~

• • • •

ugqo 'l.(;Ctt\1~~\.~()' OW9 cm_gg qG !WbGq~UC!9 S.c = °Kc + \_Y,_c •


l9!0' 2n b oupg' cowo ug b!gflL9 I 3· I ]ll' dnG 2G19 I!ggqg 1nu to go GULOJ9W GU!O qg q!LG!{9' qG2!g_
VJ~W q ga !GU2QG2 G COUGU!G2' O CL9D2l0LW9qOL fl9U2l 0 LW9 ! WbGq~C!92 G 9 ~{~UC!92' DG

G
f 1 -__" N •

V \
{OL' COUl OLWG LGb LG2GU!9qO UG229 l!glll9' {~W-2G
cow g gq oc~o qo2 l920LG2 q g2 !GU2QG2 G qg2 COUGU!G2 iowgqo2 cow g COUAGUC~O q G LGCGb-

J:~
\:,
~=-ll
\
t-..' t-{ t\'
V
V
V:; =ll
t\
• • V

> < \s
l'
V
!q691 V
on ?.~"1 g !DCJfl2§!0 qo lLgD2lOLWgqot·
wg2 g2 Cgt&g2 dnG h022f P!J!lgw g flf!Jrs:gc§!O qG roqg g bOf~DCfg ~2bOIJlAGJ 2§!0 q!lGLGDfG2 C()\U

dnG
J.,10fG dnG g bor~ucrg q!2hODlAGJ gofG2 G qGbor2 qo flgD2lOLWgqoL bGLWgDGCG !D~fGLgqg 1it
2GCnDql!L!O qo flgD2lOLWgqo1 ~ gdnGJG W02ftgqo ug bf&ntg J3· Ji\Y
C§!O 8'i' COUCJfl!-2G dnG O &GLgqoL qG J..P~AGD!D Gdfl!AgJGUfG dnG 2G gbLG2GDfg D02 fGLW!ll~2 qo
y22rw' grLgA~2 qo fGOLGwg qG J..P~AGD!D bmg LGqG2 GW LG&!WG 2GUOfqgJ' Gunucrgqo ug 2G-

f!Agqo' ~ oprrqg GxgigwGDfG cowo (J3'iô)' r2ro ~·


l,OL OflfLO Jgqo' g rwbGq~DC!g s~ .,A!2lg,, D02 fGLW!Dg!2 qo 2GCnDql!L!O' cow O &GtgqoL qG2g-
(J~'êO)

qG (J3'i,l)' !2f0 ~'


Q lg20L qg fGD2§!0 GW Ag:S:!0 ~~ D02 fGLW!Dg!2 qo 2GCODql!L!O' 1 qfLG!fg' LG20Jfg q!LGfgwGUfG

(9) G6L9qOL aaan!qO qs ll9U.!\OlW9qOL


1: u

"E\
.+ 1 +J
~

• • 1 1
1 1

-s·
1

flg g bf &ntg J3· J-;t~·


GdflfAgJGD!G qG J..p~AGD!D COW\~"1 qG lg2QL ~\ G !WbGq~c!g fUfGWg 'S\ = ~\ + ~'/..\' COWO W02-
2nboupg g&otg dnG DO GDlOJgwGU!O bqWl!L!O' 1 G2dnGLqg• 2G1g n&gqo nw &GtgqoL ug lOLWg

GJGWGUfO qG fWbGq~uc!g s\ = ~ + ~Y..\ ' g


1
· rwbGq~ucrg /\~?.\~ on \..~U~\~I:\~ DO 2GCnDql!L!O' !2!0 ~·
JDAGL2gWGUfG' 2G 1nuro go GULOJgWGUfO qg G2dnGLqg• qG2!&ugqo b\..~"1~\..~()' lOL J!&gqo nw
C9Lli9 fl9U2lOUU9q02 C!LCOJ9 g COUGUfG
V COUCJ02ª0 ~ qG dnG uo J9CO lOLUJgqo bGJ9 J!Upg qG fl9U21JJ!22ª0 UJ9!2 O liGL9qOL G g

s~= (l\<l )s s(, = (1\0' T)s x ( 10 + \~) = 1000 + \~oo u·


t\..<l\S?.\O\..W<l<l;()\. <l\}<l~X(l<:_\()\.. <:_\(; \(;\S?.~()' on 2G19'
A9JGUfG qG fGllJJ!U9CªO qg J!UP9' JGUJpLguqo dnG g UJG2UJ9 \..(;\(;\..(;-?.(; (l() tl\..~\U~\..~() <:_\(; l'\W
EUJ 2Glin!qg• bLOCOL9-2G' COUJO ug b!liOL9 J3'J3 G 2Glinuqo (13·1g)' g !lJJbGq~UC!9 GdO!-
1 1
E· = <:tE· = JOX 130 = 1300 A
V\ V

( 13·~ J)' 02 2GliO!UfG2 bgL~lJJGfl02 U9 GUfLgqg qg J!Upg:


bL!lJJG!LO fl9U2lOLUJ9qOL' COUJO ug b!liOL9 13·11· opfGUq0-2G' 2Glinuqo (13·~0) G
(p) vl.g UOAg 2!fngcªO' btocnLg-2G !U!C!gJUJGUfG O liGLgqoL GdO!AgJGUfG uo 2Gcnuq~L!O qo

s\ + S 1 + se 18 + \30 • .
\= - -E-\ _ __ =313\-330 V
V
130
(g) E2f9UqO 02 flÇ2 GJGUJGUf02 GUJ 2ÇL!G' O lg20L qg COUGUfG UO Jgco lOLUJgqo ~
?,<>\tt<:~o·.
(p) CgJCOJG g bO!ÇUC!g q!22!bgqg ug J!Upg UG22g UOAg 2!f09Cªo·
wgqot qG LGJ9cªo 10: J (on' qG gcotqo cow o woqGJO' 1: o· 1):
qoL !qGgJ qG LGJgcªo T: 10 G dnG GUflG g J!Upg G g cgLlig 2G1g !U2GL!qO OUJ flgU2lOL-
COU2!qGLG' GUJ 2Glin!qg' dnG GUflG o liGL9qOL G g J!upg 2G1g !U2G(!qO nw f(gU2lOLUJg-
(g) CgJCOJG g bOfÇUC!g q!22!bgqg ug J!Upg UG22g 2!fngcªo·
f9PGJGCGuqo nw J9co·
Se = 10 + \~ U 9fLgA~2 qG OUJ9 J!Upg qG fl9U21JJ!22ª0 qG !lJJbGq~UC!9 S 1 = 3 + \~ U' G2-
!lJJbGq~UC!g !UfGLUg s\ = ~ + \30 CT G2fG19 J!ligqo g nwg cg(lig qG !lJJbGq~UC!S

COU2!QGLG dnG nw liGLgqoL GdO!AgJGUfG qG ..LPÇAGU!U QG \(;\\S COUJ lg2QL 'E\ = 130 A G

EX6WbJO J :5 ·e

asLsqoLGé! sdn!"s1suisz qs 111o~ou·


';;fé! qsqnCQ6é! 9C!W9 boqsw é!6L L6b6i!q9é!' qs tOLW9 qns1' cow 9é! gqw!,!}UC!9é! 6
G' lgsGUQ0-2G 020 QG (J3"'2'2)' LG20J!g

("f"B + \f"B) + ("f "B + \f "B )


* * • *
,t
l!G("f) l!G("B) = ("f + \f )(°B + °B )
• •

ogqo dnG g b1:.t\.t~ \.~l:.t\ QG nwg &tguqGs:g cowbJGXg \f boqG 2GL GXbtG22g g!(g/\~2 QG
QG2 gufG2 QG btOCGQGL go QG2GUAOJA!WGUf0 2G&fl!UfG"
G2rg 2GL nwg obGLgé~o U~O-J!UGgL' lg:S:-2G UGCG22~0 nw G2!0QO !U!LOQO!QL!O QG 2ng2 btobL!Gqg-
b(t) = l'i(t)\(\) gp20LA!Qg bGJO prboJO GUAOJAG nw btoqnro qo !!bO l!G(•)"E"G(•)· bGJO lgfo QG
1urcrgJwGufG' op2GLAg-2G dnG' cow g uorgé~o gcrwg• g GXbtG22~0 qg bor~ucrg ru2rgur~uGg
\.~~\ QG &tguqGs:g2 cowbJGxg2 couqn:S:GW g LG20Jfgqo2 !UfGLG22gUfG2' cowo 2GL~ A!2f0 gdnr
U]JGC!WGUfO QG2GUAOJA!QO UG2fG cgb{fflJO' G22g2 GXbLG22QG2 qg fGU2~0 G COllGUfG COWO \)~\.\~
QG COGl!C!GUfG2 QG 2GUO G C0-2GUO' COUlOLWG gbLG2GUfgqo UO Cgb{!OJO ]" .LOQgA!g' COW O CO-
EA!QGUfGIDGUfG' O QG2GUAOJA!WGUf0 pgtwQU!CO qo 2rug1 bGL!QQ!CO boqç;qg 2GL lG!fO gfLgAç2
pgtw9urco2·
pmw9urcg2 qo 2!UgJ bGL!QQ!CO G t-,Y. G
V
\y.
V
LGbLG2GUrgW 02 lg20LG2 qo2 LG2bGCf!A02 cowboUGUfG2

y.
~(t) = \º + ~ l!G Lly.~\Q)f\ •

y.
l'i(\) = t-.º + ~ E"G L t'f~'\,Q)t\ (r~·23)

bOL &GUGL~qgqG' 2nbgç;-2G dnG gwpg2 fGU]Jgw COWOOUGUfG2 COU!{Ufl~· V22!W' G2CLGAGW-2G
n2m g uoigé~o lg2ot!gl qo cgbirn10 8 bmg tGbtG2Guc~-Jg2·
DgQO dnG g2 lflUCQG2 bGL!QQ!Cg2 bOQGW 2GL QG2GUAOJA!Qg2 GW 2~[!G2 QG _bOfll!Gl' bOQG-2G
oq&Gw g nwg COllGUfG ;(t)·
2nboupg dnG unw qgqo P!bºJº 2ç;1g gbrrcgqg nwg !GU2~0 b~\.\~l:\~Cl:.t u~o 2Guorqgy l'i(t) qguqo

QO g !WbO[f~C!g qg !(gU2W!22~0 GW gyfg fGU2~0 (G pg!Xg COLLGUfG)"


on 2G1g' bonco mg!2 QG I ~ qg2 bGtqg2 OCOllGUfG2 2GW 02 fLgU2lOLWgqoLG2' GA!QGUcrgu-
(J~"QJ)

gf[gA~2 QG
E22G2 AgJOLG2 GlfCg:S:G2' COU{OLIIJG QGl!U!QO ug 2GC~O )º JO' 2~0 0Pí!Q02' LG2bGCf!AgllJGUfG'
ouqG l\ G \ 2~0 [G2bGCf!AgllJGUíG 02 AgJOLG2 Gl!Cg:s:c:;2 qg fGU2~0 G qg COUGUíG"

'h'º = l\\ • (J~"QO)

\C
b = l\0 \ 0 + 'B'G L t\C\~ .
V22fllJ' GIIJ 2lUíG2G' g t)()\~\SC\~ \U\~~~ ~\\/\~' qgqg bot ( J~º;;!8)' 2G LG2flllJG g
GUf~o· g !UíGliLgJ ~ !lingJ g J.
!UfG\iLgJ QGl!Ufqg ~ GIIJ liGL~ UOJg' COIIJ g QU!Cg GXCGC~O u g OCOU~UC!g QG (.\)\ - (.\)\C = 0' dnguqo'
J..1G2fG2 QJf!llJ02' bGJO lgíO QG g2 lLGd{J~UC!g2 GUAOJA!Qg2 2GLGIIJ llJQJf!bJg2 qg lflUQgIIJGUígJ' g

• fGLIIJ02 COIIJ g2 JUfG\i[gJ2 -


· ·
l.11º E;i( , • ) «t .
J 0 + l. . m· ± m•·
1 1 '\

• nw fGLWO cow g JUfG\i[gJ - l.11ºo l\º\º~\ = l\º\o •


. J 1 +l.
V22!W' ug GXbLG22~0 (J~º;;!8)' g !UfG\iLgJ 2G [G2flWG go2 2Glifl!UfG2 fGLW02:
P!gQ02 QG IIJOQO dnG' UO {.!W' O ObGtgqot !UfG\i[gJ !Llf ObG[g[ 20WGUfG 20pLG g2 GXbOUGUCfg!2º
bO[ 2G[GIIJ g !UfG\i[gJ' 02 20llJgíQ[!02 G "B"G(•) obc:;tgqotG2 J!UGg[G2' GJG2 boqGID 2GL !UíGLcgw-

l.11º l.11º
b = -J 10 + l. \) ( t )(\\ =-J 10 + l. /\ ( t ) 1 º(
\
)~
\ .

QO 2!UgJ' !2!0 ~·
Dgl' g t)()\~\SC\~ \U\~\~ ~\~/\~ b ~ opirqg boL f U!GliLgê~o qG22g GXbLG22~0 20pLG nw bc:;4oqo l,

'\ \C
"v"v[t.
+ 0uç; LL ').
'\\CE;
v* '\(m' -mY)1
t.
+ ').'\\CE;'\(m' + mY)1 J.
v

\C \C
b(\) =/\(\)\(\) =l\º\º + l'.0 -'\d_ 'B'G L\\CE;\l(){'\ + \º-'\d_ 'B'G L t\CE;\t()Y\ +
bl)\) = 1'2. 1= J\\' b = :B"G('2,) G G= JW('2.) .
b.!09JmGOfG' como Gm (13·13)' içm-2G

b()t~UC~ll W~(;:\~ll C()Wb\~Xll como


V!Oq9' boL GXlG02lfO 90 C920 qG 2!09!2 2GOO!ql:J!2 qG nm9 QO!C9 lLGdf!ÇOC!9' boqG-2G qGl!O!L
f!llO dn9oqo .l\(t) G2f~ 9fl929qO Gm J.GJ9Clf0 9 ~(t) (P!bOJ02 C9b9C!íJ1102)º
2Goqo O 2!09J b02!f!AO dn9oqo .l\(t) G2f~ 9q!90f9qo GW LGJ9Clf0 9 ~(t) (P!bOJ02 !Oqflf!1102) G OG&9-

"-'~!::\~~ \.~~t~.I\~ G como


boqG-2G' bor. GXfG02lfO 90 C920 qG 2!09!2 2GOO!ql:J!2 qG nm9 QO!C9 lLGdQÇOC!9' qGl!O!L b()t~UC~~

2Goqo' qG (1s·e3)'
11gJOLG2 WG02IJL~AG!2º
COUGOfG 00 P!bOJO C002!qGr.gqo' W~?. ~ 2!WbJG2WGOfG nw COOCG!fO W9fGm~f!CO gbncgqo 20pLG
2GOO!q9!2 \ll:,!I.) J.GbLG2GOf$ 9 qGl929&Gm J.GgJ GO{J.G 02 cowbooGOfG2 lflOqlJWGOfl:J!2 q 9 fG02lfO G qg
YI.OfG dnG' cow g qGl!º!ClfO gc!wg• O l9f0L qG bOfÇOC!g Gm lOJ.mg2 qG ooqg bG[!Qq!C92 OlfO

11\)
b J\\
\b=C02~=-=-
b b
como O \~t()\. (;:\~ \)()\~UC~~ OG2íG' !2!0 ~·
cg20 boqG-2G qGl!O!L O dnOC!GOíG GOfLG 9 b()t~UC~~ ill~~~~ llt~.l\ll G g bl.)t~UC~~ llb~\.~\l\~ 00 P!bOJO
V22!W como 00 cg20 qG 2!2fGW92 com &GLgqoLG2 qG nwg QU!Cg lLGdQÇOC!9' rswp~w OG22G
l.)'l ?.()W~t~\.~l.)?. (;:\()'l. \l\'\ll(;:\\.~(;:\()?. (;:\()?. /\~\()\.~?. ~°\!Cll'S:~?. (;:\~ ?.~\'\?. \1~\.~\l~Cl.)'l. Cl.)Ul\)()U~\lt~?.·
\ll.)l_(;:\~~'l. 'l.1:11.) ~%1'\llrl 9?. \.lll,_'S:~?. \l\'\~(;:\\.ll(;:\~?. (;:\ll ?.()W~ (;:\()?. \l\'\ll(;:\\.ll(;:\()?. (;:\I.)?. ?.~\'\?. /\~\()\.~?. W~(;:\~()'l C()lli
on• GW fGLW02' ()?. /\ll\()\.~?. ~\!c~'S:~'l. !::\~ t~U?.1:1() ~ C()\.\.~\l\~ !::\~ \()\.lli~?. !::\~ ()UI;\~ b~\.~~(;:\~Cll'l. \ll:11.) 'l.~-

\< \<
\ = \~ + L\\<\~ = \~ + I'\1 ·
Lg' G qG J\'(- boL \\<' og 2Ggnoqg• LG2IJJfgoqo
V V

!OíG&Lg!2' GXbJ.G2292 002 J.9q!C90q02' ~ 90~0&0 9 (J3·io)' COW 9 {J.0C9 qG \'(- bOL J\'(-' og bL!mG!-
v V

3ô8 VU~f!26 qs C!L.Cíl!l'.02 El~l'.L.!COé?


~\;'1,\)1.)'l,\l.l'. C. = ~8'ô tr~:
C9JCOJG O A9JOL qg C9b9C!!~C!9 qo psuco bSL9 G22G {!W"
!U2!9J9Cl!O b9l9 WGJpOLSL O l9!0l qG bOfÇUC!9 bst9 O'ô:S (!UqO{!AO)'
fÇUC!9 !UqOf!AO qG 0'~0~. fllli p9UCO qG C9b9C!f0LG2 qGAG 2Gl COJOCSqO GW bSLSJGJO COW g
hJ'S'lf flW9 !U2f9Jl1Cl!O !Uq02!l!l1J WOUOl~2!ClJ qG :S:SO /\' eO H:S:' COU20WG :S'~ J(.IA COW llJ!Ol qG bo-
(p) C02 ©= o·e
(GW lJfllJ20)"
(l1)b=:S'J '!IA' 6=:S'8J(./\Vl G b\l\)=3·~ f./\V"
~\;'1,\)1.)'l,\~'I.'.

(p) 0 l9f0l qG bOtÇUC!lJ qg !U2!l1Jl1Cl!O"


(g) V2 bOtÇUC!l12 9!!119' LG9{!A9 G 9bSLGUfG l0LUGC!ql12 bGJO 8GtlJqOl'
DG!Gllli!UG:
3· fllli WO{Ol qG !Uqnél!O qG J':S f.lA G :S 'fl\ y·
3 · flW9 CSL8lJ qG !llibGq~UC!9 'S = J:S + "\Je u·
Jº JO J~Wb9qg2 ij00LG2CGU{G2 qG eO IA cgqg OW9' C02 (\): O'e (GW lJ{LlJ20)"
bl'S'] fllli l1J!GLU9qOL qG J00 I\ (AlJJOL Gl!C9:S:)' eO H:S:' 9J!WGUflJ lJ2 2G80!U!G2 CSL892 GW bSLlJJGJO:
(p) b = :s:s'J8 IA G 6 = 1:s·3~ A yt·
~~·1.b()it~·c. (9) \ = :s·~t \ J~'8to v·

1:1anL9 JS' Je bLop1sw9 bJ s·s·

TO H
(p) V2 bOfÇUC!92 lJf!A9 G LGlJ!!AlJ l0LUGC!q92 bGJO 8GL9qOL !qGlJf'
(g) 0 l920L \ qg COUGUfG ~(t)·
qG\\;\U ~l (t) = JO~ C02(JO\ +<:1"~ 0 ) /\" DG!GUU!UG:
bJJ'S O C!LCfl!fO qg b!8flL9 J ;s· J e ObGL9 GW LG8!WG bGLW9UGUfG 2GUO!ql1J COW O 8GLlJqOL
(p) b(t)=:s·~ [co2(tt+:S3' J3o)+co23e'8~0] IA'
~\;'l,t)()'l,\~'1.·. (9) ~(t) = Q'~~ C02(:St-e' 8~o) y·

1:1anL9 JS' J2 bLOpf6W9 bJ s· J.

3H

8U
(p) V botÇUC!lJ !U2{lJUcyUGlJ b(t) l0LUGC!q9 bGJO 8GL9qot·
(g) V COUGUfG !U2{9Uf~GlJ ~(t)·
bJS'l J.i10 C!LCfl!!O qg b!8flL9 J3" J~ COW \;i (\) = JO~ C02(JOt +<:!"~o)/\" DG!GUU!UG:
(p) 1:1 = 0•1çt
~~?.b()?.\l:n'. (9) b?, = 18'13 JA'

J:s

• •

qoL dns m9xr~s:s 9 bof~IJCf9 sm dns2rªo·)


l9QOL.) ('2,«%~?.\~()', COm6C6 bLOCOL9lJQO 9 l62!2fSIJCf9 ~~\i~t~~ll lJO bLfml!1,fO QO !llJU2lOLm9-
(p) 2s11qo ll Ag[fllAGJ' dn9J O A9JOL QG ll dnG m9xrmrs:9 9 hO{SlJC!9 l0llJ6CfQ9 bGJO g6-
(g) 2GlJQO ll = J' dn9J g bOfSlJC!9 Qf22fb9Q9 Gm ~.)
g0lJf9-2G:
fL9l12lOLW9QOL !QG9J com L6J9êªo qs fL9l12lOLW9êªo J : 1:1• como mo2fL9 9 b!gOL9 r:s· J8' bGL-
bg22!A9 LG2!2f!A9 ~ =0''2 tj lJ!L9A~2 Q6 nm9 J!l1JJ9 QG !mbGQ~lJC!9 'SI =0' :S'2 + \:S tj G OlJJ

hJ:')º~ flm gGL9QOL qs \~IU 'f;,?, =:SOA 6 fllibGQl!lJC!9 !lJf6W9 'S?, = 0' '2- \J tj 9J!mGIJf9 OlJJ9 cgigg

(c) 'Se =J - \8U Gb?. =1"J.JA'


(p) b 1 = 18 IA 1
6 () = "J.t A9L'
~~ib()itlli·. (g) s<: = "J.- '\8 u·
1:,an19 JS' Jl bLOPl6W9 bJ S'ít

Ôlõ\.9(\0\. \\U\)9 C9\.Ô9

F
-'
--
'30 A 1
'+. . --
, ,
' '

bOf6UCl9'
V '

(c) V !lJJbGq~C!9 QG C9lg9 dnG l9S' O gGL9QOL l0llJGCGL 9 m!lX!m9 bOfSlJC!9 6 O A9JOL QG229
(p) v2 bor911c,92 9f!A9 s L69f!A9 119 J!l1JJ9 110 c920 qo !fsm (9)·
(9) V !lJJbGQl!lJC!9 qs cn8g 'St, dns Q!22fhlJ 9 m!lX!m9 bOfSlJC!9'
lJJ02fl9 9 b!ROLlJ J:s· J1 · DG{GlW!lJG:
!9 OlJJ9 cn89 b922! AlJ f!lJGgt 9!l9A~2 QG OlJJ9 J!l1JJ9 Q6 !lJJbGQl!lJC!9 'SI = :S + '\e tj • COlJJO
b T'S''2 ow 86LlJQOL 2GlJO!QlJJ qG \~IU 30 A (G{!'CIJS'G2) G rwhGq~C!9 !lJfGllJ9 'S?, = 3 + '\:s V 9J!WGU-

100 VU~1!26 QG C!lCO!J:02 El~J:l!C02


(p) b = 33•33 JA"
~\;iboit~i·. (9) Y..1 = - J'8.i.i U e:; 'Bs =0'38.i 2·

1:,an1s Js·so bLop1sws bJ s·s·

30 \ Oo A +

(p) o AsJot qc:;22s borsuc!9 ID!!X!w9·


( 9) 02 A9JOLG2 q9 LG9f~UC!S Y..' e:; q9 2n2cc:;bf~C!9 'B:;.
lli!!X!lli9 fl9U2{GLSUC!9 qc:; bOfSUC!S qo 8c:;tsqot ~ cst8s· DGfGllli!UG:
nw dnsqf.!bOJO COU2C!Cntqo qc:; nws C~JOJS COID qns2 LG9f~UC!S2 c:;w r· hSL9 dnc:; 2G GlGfOG S
bf~º8 J.10 C!LCO!fO qg b!8fll9 JSºSO' GUflG O 8Gt9qOL Glli {Ollli!:J qc:; .LP~AGU!U G S CSL89 ~ !U2GL!qO
CP) í = r·s~ H: ~ = ri·g~ u e:; b = 0'8.iS JAº
~\;?.boitGi·. (s) \~d = o· <t<tS \ <t~o V e:; J,.''d =(~e+ "\8) x J0_3 2·

1:,an1g JSºJél bLOPl6W9 bJs·~·


r-----------------
B
1
1
1
1
100 \Oo A + 130U sou 1
1
1
1
1

V :1
130U -"\_ 80 U L----------------J
ASJOL qc:;22g bOfSUC!S"
(p) 02 ASJOLG2 qc:; \ e:;\$ qc:; woqo dnc:; 9 borsuc,s !:Jf!A!:J lGCGp!qS bGJS CSL89 2c:;1g lli!!X!lli!:J e:; o
(9) 0 8c:;tsqoL qc:; J.10Lf0U c:;dn!ASJGUfG GUfLG 02 bouro2 V e:; Bº
I,JJº.i J.10 C!Lcnrro q9 b!80LS JSºJ õ' COID (.() = JOO L9q\2' qGfGLID!UG:
Página em branco
CAPÍTULO

. r

Redes Polifásicas

N este capítulo são estudadas redes alimentadas por geradores senoidais de


mesma fi·eqüência, mas com ângulos iniciais diferentes, e1n configurações
especiais, chamadas de redes polifãsicas. Em particular, são mostradas técnicas
de anál ise de monofãsicos de três fios e redes trifásicas simétricas. Por fi1n, são
1nostradas técnicas de 1nedida de potência.

1 3. 1 Introdução
Por razões que são justificadas com detalhes e1n cursos 1nais avançados, a geração, a
transmissão e a utilização da energia elétrica e.1n sistemas de potência elevada são realizadas
de forma mais econômica através de certos sistemas com configuração especial, cha1nados de
redes polifásicas.
A título de justificação ele1nentar da vantagem do uso desse tipo de sistema, contudo, pode ser
dado o seguinte exemplo simples: considere iniciahnente o circuito básico mostrado na Figura
13. la representando o fluxo de potência de uma única fonte senoidal a u1na única carga.
.
l
.
.

--
V
(± p> N
••
N'
-
-
-~ •

carga

(a) Circuito elementar (b) Circuito polifásico

Figura 13.1 Introdução a um circuito polifásico.


304 Análise de Circuitos Elétricos

Sendo

v(t) =.fi.v cos((l)t + </Jv) e i(t) = ../21 cos((l)t + </J;) (13.1)

a tensão e a corrente na carga, respectivamente, resulta para a potência instantânea, como vis-
to no Capítulo 12,

p(t) = v(t)i(t) = VI [cos(2(l)f + </Jv + </J;) + cos(</Jv -</J; )] • ( 13.2)

Nessa expressão, o termo entre colchetes flutua entre um mínitno de cos(</J,, -</J; )-1 e um
1náxi1no de cos(</Jv - </J;) + l . Essa variação na potência instantânea fornecida à carga apresenta
desvantagens quando o sistema se destina primordialmente à transferência de potência.
U1n motor elétrico, por exe1nplo, opera recebendo potência elétrica e transferindo potência
1necânica no seu eixo. Se a potência elétrica for fornecida en1 golfadas ao motor, este ficará
sujeito a vibrações. Mecanica1nente, esse proble1na pode ser resolvido aumentando-se a inér-
cia do motor, dotando-o de eixo e volante maiores, poré1n aurnentando-lhe o custo.
Por outro lado, o problema pode ser superado eletricamente, com vantagens de custo, atra-
vés do emprego de um sistema polifásico, confonne ilustra a Figura 13 .1 b.
Esse sistema representa um arranjo primário combinando n circuitos básicos do tipo da-
quele mostrado na Figura 13. la. O arranjo é tal que os n circuitos elementares partilham a li-
gação de retorno entre N e N', convergindo em Nas referências negativas das fontes. Se essas
fontes elementares forem dotadas de fem co-senoidais com mesma freqüência, apresentando
valores máximos ocorrentes sucessivamente no tempo, diz-se que as n fontes ele1nentares fa-
ze1n parte de urn siste1na gerador polifásico (com nfases 1).
Evidentemente, redes desse tipo podem ser analisadas direta1n.ente através dos princípios
mostrados no trata1nento de redes em regime permanente senoidal, apresentados nos Capítu-
los 8 e 12. Entretanto, dadas ce11as características especiais desses sistemas, técnicas específi-
cas de tratamento foram desenvolvidas para elas, sendo algumas delas introduzidas neste
capítulo.

Sistemas geradores polifásicos simétricos


Diz-se que un1 sistema polifásico (a n fases) é siinétrico quando seu sistema gerador con-
siste num conjunto de n geradores (em geral representados em fonna de Thévenin), ligados
entre si de maneira topologicamente simétrica, possuindo impedâncias internas iguais e fem
co-senoidais de 1nesma amplitude e freqüência com argu1nentos sucessivamente decrescidos
(ou acrescidos) de 21lln, isto é,

] . Fase, aqui, te1n o sentido de "estágio de uma evolução dentro de um ciclo de modificações", como em as
fases da vida, as/ases da lua. Não se deve confundir con1 fase no sentido (dado em capítulos anteriores)
de argumento (ou ângulo inicial) de u1na função co-senoidal.
Redes Polifásicas 305

e1(t)=F2 Ecos (cot+t/Je),

e2 (t) =F2 Ecos ( cot+t/Je +2n ~),

e3(t) = F2 E cos (COI+ t/Je + 2n ~), ( 13.3)

• • •••••• •••••••••••••••••• •• ••••••••

e11 (t) = vr;::L E cos ( COI n-1).


+ t/Je + 2n n

E1n forma fasorial, a relação de interdependência é mais simples, isto é,

e E·.=
1
e+J27rlnE·.
1- 1• ( 13.4)

O sinal, confonne indicado, pode ser negativo ou positivo. Se escolhido o sinal (-), este
prevalece em todas as fórmulas de (13 .3) e (13.4) e as co-senói.des de e 1(t) a e,,(t) se sucedem
no tempo em seqüência direta ou positiva, como sugere o diagrama de fasores na Figura
13.2a, isto é, os máximos de e 1(t), e2 (t), ... , e,,(t) se sucedem no te1npo nesta orde1n. Se esco-
lhido o sinal (+), este prevalece em todas as fórmulas de (13.3) e (13.4) e as co-senóides de
e 1(t) a e,,(t) se sucedem no tempo e1n seqüência inversa ou negativa, como sugere o diagrama
de fasores na Figura 13.2b, isto é, os 1náximos de e,,(t), e11 _ 1(t), ... , e 1(t) se sucede1n no te1npo
nesta ordern.

En
• •

• •

• •
• •

(a) Seqüência direta ou positiva (b) Seqüência inversa ou negativa

Figura 13.2 Fasores em gerador polifásico simétrico.

Verifica-se sem dificuldade, seja analítica, seja graficamente, que a soma dos fasores das
fe111 de um sistema gerador polifásico simétrico é igual a zero.
Uma demonstração gráfica dessa propriedade para um siste1na hexafásico (n = 6) é ilustra-
da na Figura 13.3.
306 Análise de Circuitos Elétricos

E4
Figura 13.3 Soma dos fasores das fem de um sistema hexafásico simétrico.

Analiticamente, para o mesmo sistema, tem-se

L Êi =Eejip,. L ej21ril 11 =Eej ip.. L e-j21ril11 =O


6 6 6
. (13.5)
i=I i=I i=I

Isso sugere que, alé1n do arranjo topológico de fontes elementares apresentado na Figura 13.lb
e repetido aqui na Figura 13.4a, chrunado de configuração ern esh·ela, onde todas as fontes têm
terminais negativos ligados num único ponto e terminais positivos constituindo-se nas saídas do
sistema, também é possível o arranjo topológico apresentado na Figura 13.4b, chamado de confi-
guração em polígono, onde os terminais positivos de cada fonte ligam-se ao terminal negativo da
fonte sucessiva, sendo as saídas localizadas nas junções de duas fases sucessivas.

D e
• +1
e4 X e3
• • /
B

• ;f- e2

A
A
(a) Configuração em estrela (b) Configuração em pollgono

Figura 13.4 Sistema gerador polifásico simétrico .

.,.. A configuração em polígono só se presta a sistemas ideais com fri qüências


senoidais puras {sem harmônicos), já que somente nesses casos s io válidas
expressões como (13.5) e, portanto, não circula corrente na malha interna do
sistema gerador com seus terminais externos em aberto. Se os sir :1is periódicos
do sistema gerador contiverem um componente harmônico de ore em n, então

cosn(a>t +{bv)=cosn( a>t+{bv +2n- :)=···=cosn(a>t+{bv +2.,n:l) (13.6)

e há uma soma algébrica de fem não-nula ao longo da malha inte1na e nela circula
corrente, mesmo com os terminais externos do sistema em abertc Por essa razão, a
configuração só se presta a exemplos idealizados.
Redes Polifásicas 307

.,.. Fisicamente, um sistema gerador com n fases pode ser realizado 1 través do
esquema da Figura 13.5, onde n bobinas iguais são dispostas ao 1, ,ngo da periferia
de um estator, espaçadas entre si por ângulos iguais a 21dn. Quan lo o rotor
(representado por um ímã permanente) gira, aparecem sucessivar 1ente nas n
bobinas tem co-senoidais de valores máximos iguais, espaçados Em intervalos de
tempo iguais a 27d(wn). Conforme o sentido da rotação, obtém-se uma seqüência
de fases positiva ou negativa.

-
• "
....

• •

Figura 13.5 Esquema de princípio de gerador polifásico.

Sistema de transmissão
A potência desenvolvida no s.i sterna gerador é levada até a carga (ou sistema receptor) através
de fios condutores, como 1nostra a Figura 13.6, constituindo tuna cha1nada linha de trans111issão.
Considere que sejam designadas A, B, C... as conexões desses condutores com o sistema
gerador e A' , B' , C' ... as conexões de seus respectivos extre1nos com o siste1na receptor
(carga), sendo o nú1nero de condutores necessários a esse escopo normalmente igual a n (igual
ao número de fases).
Se, ainda, o sistema gerador e o sistema receptor estiverern a1nbos ligados ern configura-
ção em estrela, é possível, corno sugere a Figura 13. Jb, mais unia conexão entre N e N' de-
signada condutor neutro.

A IA A'
' '
- -

VAB •
B Ia B'
- ' '
• •
' - -
Vac •
gerador
e VcA lc C' carga
-
• •
VBN
• • •
N "fí.rc N'
• IN
~---• ----· ------------· -------r---•---·

Figura 13.6 Correntes e tensões de linha.


308 Análise de Circuitos Elétricos

As correntes que percorrem esses fios de interligação entre geradores e cargas são chama-
das de correntes de linha. Elas são definidas pelos fasores respectivos e distinguidas, em ge-
ral, através de um índice em correspondência à .linha respectiva. O sentido de referência dado
a elas é, em geral, do bloco gerador
... .... "'
para o bloco das cargas. Assim, com respeito à figura an-
terior, definem-se os fasores IA, 18 , lc···, das correntes fluindo através dos terminais A, B, C...,

e IN o fasor da corrente flui ndo através do condutor neutro (quando este existir).
Dada a convenção adotada para os sentidos das correntes, decorre da 1.i lei de Kirchhoff
(lei das correntes) a seguinte expressão

(13. 7)

so1natório que engloba todas as correntes nos condutores que interligam o siste1na gerador e o
sistema receptor.
No 1nesmo siste1na, definem-se tensões entre pares de fios. Os shnbolos dessas tensões são
distinguidos, e1n geral, por meio de dois índices designados em correspondência aos conduto-
res entre os quais cada tensão se refere, sendo o segundo desses índices a base de referência
da tensão.
Essas tensões são designadas tensões de linha quando dizem respeito a pares de conduto-
A A A

res ligados aos terminais A, B, C... e representadas pelos fasores VAB, V8c, ... , VAc. São
designadas tensões de fase quando 1nedidas num dos condutores ligados aos terminais A, B,
A A

C..., e1n relação ao condutor neutro, e representadas pelos fasores VAN, V8N , ...
Dada a convenção adotada para os sentidos das tensões, decorre da 2ª lei de Kirchhoff (lei
das tensões) a seguinte expressão

(13.8)

somatório que engloba tensões ao longo de qualquer laço que se apóie nos fios que interligam
o sistema gerador e o sistema receptor.
E1n particular, tê1n-se
" " ,., " ....
e, també1n, VAB = VAN - VBN = VAN + VNB . ( 13.9)

• •
~ "ÂN

VAB

21tln -------- •
VAB
• •
VgN 'i,N

(a) Em seqüência direta ou positiva (b) Em seqüência inversa ou negativa

Figura 13.7 Relações entre fasores de tensões de linha e de fase em polifásicos simétricos.
Redes Polifásicas 309

A Figura 13.7a mostra grafica1nente a relação entre os fasores de tensões de linha e de fase
para a seqüência de fase direta. Sem dificuldade têm-se as expressões analíticas

e . + (1&
argVAB = argVAN 1&) .
2 - --;; (13.10)

A relação entre os fasores de tensões de linha e de fase para a seqüência de fase inversa é
1nostrada grafica,nente na Figura 13.7b. Sem dificuldade têm-se as expressões analíticas

VAB = 2VAJV sin~ e argV118 = argVAN - ( ~-~). (13.11)


n 2 n

IJI> Em sistemas reais, as linhas de transmissão não são simples curte -circuitos entre
gerador e carga, mas são modeladas com impedâncias em série, 1 ~spondendo por
perdas e interferências eletromagnéticas causadas pelas correntes nelas, e com
admitâncias em paralelo, respondendo por perdas e interferências devidas às
tensões nelas. Assim, tensões e correntes, num mesmo instante,~ !io diferentes
em pontos diferentes da linha.

Sistema receptor (carga)


Nu1n sistema polifásico, a potência desenvolvida no siste1na gerador é transferida através
do siste1na (ou linha) de transmissão até o sistema receptor (ou carga).
Assim co1no no sistema gerador, a carga pode ser constituída de ele1nentos associados em
estrela, mostrados na Figura 13.8a, ou em polígono, co1no mostra a Figura 13.8b.
A' - -~




E'- - • • • •
D'---e

(a) Configuração em estrela (b) Configuração em polfgono

Figura 13.8 Configurações de carga num sistema polifásico.

Ao contrário, porém, da configuração em polígono no sistema gerador, a configuração de


carga em polígono permite a ligação de impedâncias entre quaisquer dos vértices dele. Dessa
forma, para n > 3 , a configuração de carga em polígono completo (isto é, contendo ra1nos entre
todos os pares de vértices) apresenta maior número de ramos que aquela em estrela co1npleta.
31 O Análise de Circuitos Elétricos

Se as impedâncias nos ramos, em estrela ou e1n polígono, fore1n iguais entre si o sistema é
cha1nado de equilibrado e a solução dele poderá fazer uso dessas siinetrias.
Num sistema qualquer, permitem-se associações de estrelas, de polígonos e de ambos, po-
dendo as impedâncias representadas ser genéricas, inclusive infinitas (circuitos aberto), e a
solução será evidentemente mais complexa.
Este texto não entrará em mais detalhes sobre sistemas polifásicos genéricos, visto que as
aplicações práticas são restritas aos casos particulares de n = 2, chamados de sistenias mono-
fásicos a três.fios, e de n =3, cha1nados de siste,nas trifásicos, sejam eles equilibrados ou não.
Além disso, dado ter este texto caráter meramente introdutório, apenas sisteinas simétricos
serão abordados.

13.2 Monofásico a três fios


O sistema polifásico mais simples ocorre co1n n = 2 e é conhecido como monofásico a
três fios. Esse sistema é largamente empregado no uso de potência moderada, como e1n insta-
lações prediais (residências, escritórios, comércio etc.).
Um si.stema monofásico a três fios é obtido, na prática, através de um transformador com
toniada central no secundário, co1no 1nostra a Figura 13.9.

A

' ' ' ' 'IAN
-~ •
IAB
, •
V,,,v = V /f} VAB = 2V /f) ZA
g
IO
- N

l,v -- --
ZAB
~ •
-~ ~-
' Vi,,v = V/ fJ + 180° ~
-- •
'' ' , la,v

Figura 13.9 Esquema elétrico de monofásico a três fios.

O fio que sai da tomada central é chamado de condutor (ou.fio) neutro. Os outros fios são
chamados de condutores (ou fios) de fase.
Num siste1na como este, as tensões entre um dos condutores de fase e o condutor neutro,
cha1nadas de tensões de fase, são representadas por
e V8N = V 16' + 180º , (13. 12)

ou seja, tem-se tun sistema gerador silnétrico, con10 em ( 13.4).


Por outro lado, a tensão entre os condutores de fase é
(13.13)
Redes Polifásicas 31 1

Por questões de segurança o condutor neutro é ligado à terra. Observe que, dessa forma, a
tensão entre quaisquer dos fios e a terra nunca é maior que a tensão de fase.
Considerando-se as impedâncias de carga ilustradas na Figura 13.9, decorre1n as correntes
nelas

Í -
AN - zA ,
VAN. e (13.14)

Têm-se, em conseqüência, as correntes nos condutores de fase

e (13.15)

e a corrente no condutor neutro

(13.16)

• •
A Figura 13. 1Oa mostra as correntes IAN e 18N nu,n diagrama de fasores supondo-se que Z,1
e Z8 sejam indutivos .

• • •
JBN JBN' = - IAN'
' , ,, ,
........ - J
.
1"\ N
• ~ \
\ • • •
VoN \ ~N • • ~. = ZAJAN •
\
11,N· = Zs IoN·
• •
• IAN •
IN JAN' V,,n

(a) Sistema simét rico com fio neutro (b) Sistema com fio neutro interrompido

Figura 13.10 Diagramas fasoriais em monofásicos de três fios.


Sendo o siste1na simétrico (isto é, VA N =-V•8 ,v ), observe que, se as cargas fore1n equili-

bradas (isto é, Z A = Z 8 ), então I N = O e não circula corrente no fio neutro, podendo este ser
re1novido se1n alterar o funcionan1ento do sistema.
Se, porém, o sisten1a estiver desequilibrado, a interrupção do fio neutro faz com que as
cargas ZA e Z8 se unam num ponto N (não conectado aN, do siste1na gerador) e as tensões
312 Análise de Circuitos Elétricos

nelas sejam dadas por

e (13.17)

A corrente nessas cargas, por outro lado, é a ,nes,na em a1nbas e não inversa,nente propor-
cional às respectivas impedâncias.
U1n diagra1na de fasores nessa nova situação é 1nostrado na Figura 13. l Ob.
Tendo em vista o que foi exposto, deve-se observar, como dado prático de instalação, que:
1. as cargas entre fases devem, sempre que possível, operar mais próxi1nas do equilíbrio;
2. a continuidade do condutor neutro deve ser mantida sempre, não devendo haver ao longo
dele fusíveis ou disjuntores.

13.3 Sistemas trifásicos simétricos


Como citado na b1trodução, há vantagens em trans1nitir potência elétrica em sistemas co1n 1nais
de duas fases. Por outro lado, é fácil perceber que o au1nento do nútnero de fases itnplica geradores
,nais complexos e, também, um nún1ero maior de condutores nos sisten1as de transmissão. Uma so-
lução conciliatória é adotar n = 3, resultando nos chamados sistemas trifásicos.
A nomenclatura genérica vista na Introdução é diretamente adaptável a essas redes, assi,n
co,no as fórmulas já vistas.
Assim, por exe1nplo, as configurações em estrela são chamadas ta,nbém de configurações
e111 Y (ípsilon), pois tê,n somente três ramos, e as configurações em polígono se reduzem a
tr;ângu/os, tambétn chamadas de configurações em 6 (delta).
Assim como nesses exemplos, a abordagetn aqui adotada é a de inicialmente particularizar
os conceitos apresentados para n genérico e depois introduzir aplicações específicas de redes
trifásicas.

O sistema gerador trifásico simétrico


Considere, inicialmente, o sistema gerador e,n estrela ou Y mostrado na Figura 13. 1la.

-
- A
I+
A

Ei
-
'
N I+
'" ~
B
A

E3

I+ e
(a) Configuração em estrela (b) Fasores das fem 's (seqüência direta)

Figura 13.11 Sistema gerador trifásico.


Redes Polifásicas 31 3

Restringindo o estudo a siste1nas geradores simétricos, a relação (13.4) referente aos faso-
res das je,n é explicitada como
• _ e+J2nl 3E
"
e E; - i- 1· (13.18)

Essa expressão pode ser reescrita através do operador


a = eJ21r13 ' (13.19)

que tetn a propriedade

cJ +3n =d, já que ª±3n =(ej2,r/ 3 ) ±3n =a º =1. (13.20)

E1n suma, urna multiplicação pelo operador a não altera o ,nódulo do produto, mas adian-
ta o argumento do produto em 120º.
Assi1n, (13.18) pode ser escrita co1no

(13.21)

para a seqüência de fase direta (ou positiva).


Já para a seqüência de fase inversa (ou negativa), escreve-se (13.18) co1no

e (13.22)

U1n diagrama de fasores para a seqüência direta é 1nostrado na Figura 13 .11 b .

.._ O operador a é particularmente importante na decomposição em ·omponentes


simétricos das tensões provenientes de geradores trifásicos assim itricos. Este,
porém, é um tópico mais avançado que não será abordado neste · exto.
... A configuração de geradores em triângulo não é utilizável na práti a pela razão
já observada juntamente com (13.6). Percebe-se, aqui, que a existi ncia de 3° har-
mônicos, em fem's não perfeitamente senoidais, dará origem à cir .ulação de
corrente interna no sistema gerador, mesmo com os terminais ext irnos desse
sistema em aberto.

Sistema trifásico de transmissão


Considere que sejam A, B e C os tenninais de um sistema gerador e1n estrela aos quais são
ligados os condutores de linha e seja No terminal correspondente à união dos terminais nega-
tivos das correspondentes / em ao qual pode ser ligado o condutor neutro. Nesse caso, de:fi-
A A A

ne1n-se três tensões de linha representadas pelos fasores V,1.B , V8c e VcA, 1nedidas entre
pares de condutores de linha, e três tensões de fase, medidas nu1n dos condutores ligados aos
A A

terminais A, B e Cem relação ao condutor neutro e representadas pelos fasores VA,v , V8 ,v e


A

VcN , como mostra a Figura 13.12.


314 Análise de Circuitos Elétricos

+ •
~

~
N

B i J'sN

e

Vc,., l VBC

VcA

Figura 13. 12 Tensões de linha e de fase em trifásico em estrela.

As relações entre os fasores das tensões de linha e de fase, para seqüências direta e inver-
sa, podem ser obtidas como particularizações de ( 13 .1 O) e ( 13.11 ), isto é,

e (13.23)

para a seqüência direta (e fórmulas idênticas para as outras tensões), e

e (13.24)

para a seqüência inversa (e fórmulas idênticas para as outras tensões), ou então obtidas dire-
tamente dos diagramas de fasores, como mostra a Figura 13.13.

\
I \
I \
I \
I \
I \
" ,I \
, •
rr
J'sN , - ro;


-V:AN -v:•AN
I
• I

I
- Vav I
I
I

I I

\ I
I
I
,
I

\ I
\ I

(a) Seqüência direta (b) Seqüência inversa

Fig ura 13.13 Fasores de tensões de linha e de fase em trifásico em estrela.


Redes Polifásicas 315

E1n termos, num sistema trifásico simétrico, os valores eficazes das tensões de linha são
.fi maiores que os valores eficazes das tensões de jàse e a defasagem entre os jàsores das
tensões de linha e os respectivos fasores das tensões de fase é de + 30° na seqüência direta
e -30º na seqüência inversa.
Na Figura 13.14 estão representados valores comuns de tensões eficazes ocon·entes em
instalações industriais.

127V 220V 220V

t121v

220V t 127 V

Figura 13.14 Tensões diversas obtidas em instalações trifásicas.

Cargas trifásicas
Também, co1no particularização da informação genérica apresentada na Introdução, tem-
se que num sistema trifásico as iinpedâncias constituintes da carga (chamadas i1npedâncias de
fase) podem ser associadas em estrela (ou Y) ou em triângulo (ou~) ou, ainda, por u1na com-
binação das duas formas. A Figura 13.15 mostra essas possibilidades.

A'e----1

B'
B' e-----1 i---.N'

C'
e - ----1

(a) Ligação em estrela (ou Y) (b) Ligação em triângulo (ou ~ )

Figura 13.15 Ligações de cargas em estrela e em triângulo.

As correntes que circula1n por essas impedâncias são correntes de jàse e as tensões através
delas são tensões de fase. hnediatamente, verifica-se, ent:10, que numa ligação e1n Y as cor-
rentes de tàse coincidem com as correntes de linha. Por outro lado, numa ligação e1n ~ as ten-
sões de fase coincidem com as tensões de linha.
316 Análise de Circuitos Elétricos

Verificação prática da seqüência de fases


A verificação da seqüência de fases num sistema trifásico simétrico pode ser checada de
diversas maneiras. Por exemplo:
• Examinando o sentido de rotação de um 1notor trifásico, previamente verificado.
• Verificando, num osciloscópio, as formas de onda relativas das fases.
• Examinando o comporta1nento de uma carga desequi li brada.
As duas pri1neiras técnicas são óbvias, mas necessitam de equipa1nento mais caro. A últi-
1na requer apenas um voltômetro, como justificado a seguir.
Considere, para isso, o circuito mostrado na Figura 13.16a .


VBC (inwrsa)
A••-----.
~- -1x
\
R
\
\

V tan-1X!R
'
e------' ,, ,-;.""
V.
,,,' NC (direta)
, ,,

Vsc(dirota)

(a) Circuito (b) Diagrama de fasores

Figura 13.16 Carga desequilibrada para verificação da seqüência de fases.

Supondo que a impedância do voltômetro seja muito elevada, têm-se



Í = _V...,AB"'-- A ... I "
e, daí, ~vs=Rl11B= . VAB· (13.25)
AB R-jX 1- JXIR

Sendo
A A A

VNc = v/1 8 + Vsc'


1

resulta

• 1 / tan-1 XIR • •
V.llfc = ~ ., VAB + VBc · (13.26)
1+ (XIR)-

Observa-se, então, que, tomando-se o fasor VAB como referência, a primeira parcela em
(13.26) é um fasor situado no l º quadrante e a segunda parcela é u1n fasor situado no 3º ou 2º
quadrante, conforme seja a seqüência de fase direta (positiva) ou indireta (negativa), respecti-
vamente. A Figura 13. 16b mostra os diagramas de fasores, co1n traço cheio para a seqüência
direta e traço interro1npido para a seqüência inversa.
Redes Polifásicas 31 7

Verifica-se, então, que, para a seqüência direta, a indicação do voltômetro é menor que a
tensão de linha e, para a seqüência inversa, a indicação do voltômetro é 1naior que a tensão de
linha.

Note que, escrevendo-se VNB na forma


1
V =(l+ l+ jX/R) VAB = l+l / 2tan- X/R V
. NB 1-jXIR 2 2 AI),
A

constata-se que o fasor VNB termina numa circunferência de raio VAB / 2 centrada
A .

no ponto médio de VA.B . Daí, sem entrar em detalhes, resulta que a medida é mais
sensível (são maiores as diferenças das indicações no voltõmetro 10s dois casos)
quando !XI= IRI.

13.4 Análise de circuitos trifásicos simétricos


A análise de um circuito trifásico pode, em princípio, ser realizada através da técnica de
fasores apresentada no Capítulo 8, utilizando-se os 1nétodos introduzidos no Capítulo 4. Há,
contudo, configurações que pe1mitem atalhos para esses métodos, como nos casos apresenta-
dos a seguir.

Gerador e carga em estrela (ou Y)


Suponha que seja dado um sistema gerador, co1n suas fases conectadas e.m Y, ligadas atra-
vés de uma linha de transmissão a uma carga, cotn suas fases també1n conectadas etn Y. Con-
sidere que sejam ZgA• z,A e ZcA as impedâncias em série na fase A, correspondentes,
respectivamente, às partes do gerador, da linha e da carga, e o mesn10 se dando co1n as outras
fases, como mostra a Figura 13.17. Por simplicidade, são definidos

ZA =ZgA +z,A +ZcA•


ZB =ZgB +z,B +ZcB• (13.27)

Zc = Zgc + Z,c + Zcc·


Eventualmente, os pontos N e N' são interligados por u1n condutor neutro de impedância ZN.
318 Análise de Circuitos Elétricos

E
z'<?À
A
zIA

IA A'
zcA
": 1+ ,;
1

1 1 1

1

1

EB - ZgB B ZIB
A

JB B'
zcB
N
I+,
-
1

1 1 1
• - 1

1
N'

Zcc Z1c A
Zcc
A

~: 1+' e fc
- C'
1
1
1
1
1
1 -
1
1
1
1 - -
1
1
1
1
1
1
1 1
: ZN jN :
L-------------------------1~~~~--:)----------------J
Figura 13.17 Gerador trifásico em Y ligado a carga em Y.

A
Nesse item serão considerados somente geradores com/ases silnétricas, ou seja, comjem
A A

EA, E13 e Ec tais que

e (13.28)

para a seqüência de fase direta (ou positiva), e

e (13.29)

para a seqüência de fase inversa (ou negativa), sendo a dado por ( 13.19).
Com essas convenções, a tensão entre N' e N pode ser expressa, em cada u1n dos ramos,
respectivamente por

(13.30)

Conforme fore1n os valores relativos de Z11, Z8 e Zc, a técnica de análise será diferente,
co1no detalhado a seguir.
Sistenia equilibrado
Suponha inicialmente que a um sistema gerador simétrico con1 iinpedâncias de fases iguais,
ligado em Y, seja associada urna carga equilibrada, isto é, com todas as suas fases iguais, ta1n-
bém ligada em Y, como mostra a Figura 13.18.
Redes Polifásicas 319

EA - . A z
• •
I+ 1 1
-

N
A

Ea - A

Ia B •
z

1+; 1 1 N'
-
z
A
A

F,c r Ic e
1
, 1+ 1
1
1
• 1
-

L----------------------------------------1
Figura 13.18 Trifásico simétrico com carga equilibrada.

Nesse caso, Z A =Z 8 =Zc =Z e a tensão entre N' e N pode ser expressa, e1n cada um
dos ramos, respectiva1nente por

A A A

VN'1v=Ee -IBZ, (13.31)

cuja soma dá
(13.32)

Ora, a soma das três /em é nula, por ser o siste1na si1nétrico, e a so1na das três correntes é
A .

nula, com base na Iª lei de Kirchhoff nos nós N e N'. Resulta, assim, ~V'N = O, em todas as
expressões de ( 13.31 ). Em conseqüência:
l. um condutor neutro entre N e Jll' pode existir ou não sem que o funcionamento do sistema
seja alterado, não circulando corrente através dele (se esse condutor existir);
A

2. basta resolver uma das equações em ( 13.31 ), co1n VN' N = O, e as outras correntes manterão
entre si as defasagens de 120° existentes entre as/em respectivas, isto é,
A A A

A EA A EB e
• Ec
IA =z, 18=- lc=z , (13.33)
z

ou seJa,
Ís =a2JA e Íc =aÍ11 ,
co1n a dado por (13.18), para a seqüência de fase direta (ou positiva) e

para a seqüência de fase inversa (negativa).


320 Análise de Circuitos Elétricos

linhas e cargas desequilibradas


Suponha que a u.m sistema gerador simétrico ligado em Y seja associada urna carga, tam-
bém ligada em Y, mas desequilibrada, isto é, com impedâncias de fase diferentes entre si,
como mostra a Figura 13.19.
. -

lA z
EA A A
' .- 1 1
I+,
'-
1 1

• •
Es - lg Zs
' B 1 1
N I+, 1 1 N'
'-

• •
F,c ,- Ic e Zc
' .
1
I+,
'-
-
1
1
1
1
1

JN ZN
~----------------),,-------------1------·L----~
I 1------ 1

Figura 13.19 Trifásico simétrico com carga desequilibrada.

Expressões co1no (13.27) pode,n ser escritas para cada ramo, daí resultando
• • •
JAZA= EA + ~ VN' ,
fBZB = ÊB +VNN', (13.34)

fc Zc = Êc + VNN' ·

com a diferença de que, nessa condição, VNN'



* O. Dois casos podem ser aqui considerados:
Jº caso - Seni condutor neutro
• • •
Nessa condição, 1A + 18 + 1e = O e resulta

(13.35)

A A A ,.. ..... A

Com esse valor, calculam-se VAN', V8.111,, VcN' • IA, 18 e f c·


2Q caso - C'o1n condutor neutro
Nessa condição, VNN' =Í v Z N e então têm-se de (13.34)
1
Redes Polifásicas 321

... ,,. ,. ...


Sendo, agora, l A + 113 + l c = -1N, resulta
... _,'\ ,..
EA EB Ec
- +- +-
Í =- ZA ZB Zc (13.36)
N (] ] ] ) .
l+Z"., - +- +-
Z ,1 Za Zc

-
Com esse valor, calculam-se l,1, 1~8 e l c . -
~ Dado que o sistema gerador é simétrico, as tem em (13.36) poden ser expressas
em função do operador a como em (13.28) e (13.29). Além disso, 1 odem-se inverter
as impedâncias definindo-se Y,1 = 1/ZA , Y8 = 1/ Z 8 etc., aproveit indo-se essa
operação tanto no numerador como no denominador, obtendo-se por exemplo,

• tA (YA +a2 Y8 +aYc )


] V =---------
1 l+ZN(YA+Ya +Yc )
para a seqüência direta. Para a seqüência inversa troca-se a por e 2 e vice-versa.

~ Artifícios semelhantes podem ser aplicados também a (13.35).

Exemplo 13.1
Considere um gerador trifásico ideal simétrico conectado em Y com EA = 127 /30º V -
e seqüência de fases positiva.
A ele está ligada uma carga, também conectada em Y através de uma linha de trans-
missão com condutor neutro, estando os valores das respectivas impedâncias indicados
em ohms na Figura 13.20.
Calcule as correntes na linha e no fio neutro.
322 Análise de Circuitos Elétricos

EA 0,5 + jl 2 j4
A ÍA A'
I+
A

Es B
A

ln 0,5 + jl
B'
3 JS
I+
A

0,5 +jl - j2
~
A

e Ic C' 2
I+
0,5 +jl
N N'

Figura 13.20 Exemplo 13.1.

Solução:
Co1n a simbologia adotada têm-se
1 1
- - l
(0,5 + jl) + (2 + j4) 2,5 + j5
= 0,080- jO, 160 = 0,179 /-63,43º,
ZA
1 1
-- -- l =0,073- j0,124=0,144 /-59,74°,
Za (0,5+ j1)+(3+ j5) 3, 5 + j6
1 J 1
- - . =0,345+ j0,138=0, 371 /+2 1, 80° .
Zc (O, 5 + jl) + (2 - j2) 2, 5 - J 1.
.... .... ? .... .... ....
Sendo EA = 127 /30º V, E8 = a- E11 e Ec = aEA e ZN = 0,5 + jl n, a corrente no
fio neutro é calculada através de (13.35), isto é,

_ 127 /30° (0, 179 /-63,43° + 0, 144 /-179, 74° + 0,371 /141,80º)
1+ (0, 5 + jl)[(0,080- jO, 160) + (0,073 - JO, 124) + (0,345 + JO, 138))

127 /30° [(0,080- jO, 160) + (-0, 144- J0,001) + (-0,292 + J0, 229))
=-
1 + (O, 5 + jl) (O, 498 - jO, 146)

127 /30° (-0,356 + j0,068) 127 /30º X 0,362 /169,19º


-- 1,395+ J0,425
- 1,458 /16,94°
Redes Polifásicas 323

=-31, 53 /182,25°
= 3 l, 53 / 2, 25° A
Daí,
A A

VMV' = l ili Z,v = 31, 53 I 2, 25° X l, 118 / 63, 43°


= 35, 25 / 65, 68° = 14, 52 + }32, 12.
Então, segundo (13.33) resultam
f A = ÊA + VNN' = (11 O+ }63, 5) + (14, 52 + }32, 12)
ZA 2,5+ j5
= 124,52+ )95,62 =28 10 /-25 91º A
2, 5 + JS ' ' '
A A


IB = E8 +VNN' - ____;;_-----'-----
-}127+(14, 52+ }32, 12)
Zn 3,5+}6
14 52 94 88
- • - 1 , =13 82 /- 141 05° A
3, 5 + j6 ' '
e
A A

• Ec +VNN' (-110+ }63, 5)+(14,52+ }32,12)


Ic = -------------
Zc 2, 5- jl

=-
95 4 95 62
, S+ J • =50 13 /156 76° A.
2, 5 - jl ' '

Gerador e carga em triângulo (ou A)


Este item trata de associações de um sistema gerador, com suas fases conectadas e,n Li, li-
gadas através de u,na linha de transmissão a uma carga, com suas fases tambén1 conectadas
em Li, como mostra a Figura 13.21.

A A'

~ÊAB
A z,n
A
B ln B'
ECA ZA'll'

+
0. Eec z,c /C'A'

e e·
Figura 13.21 Gerador trifásico em li ligado a carga em li.
324 Análise de Circuitos Elétricos

Como em qualquer circuito trifásico, não só os 1nétodos gerais de análise pode1n ser utili-
zados para sua resolução, como também há certos atalhos nos 1nétodos que pode1n ser utiliza-
dos para esse fim. Ao contrário, porém, das coo.figurações em Y, esse caso apresenta mais
restrições, como mostrado a seguir.
Sistema gerador
Conforme já foi observado e1n diversas ocasiões, a configuração de um sisten1a gerador
trifásico com as fases conectadas em  não é realizada na prática, pois possibilita a circulação
interna de correntes de harmônicos de 3ª ordem. Entretanto, pode-se considerá-la como um
1nodelo equivalente a um sistema real conectado e1n Y, como 1nostram as Figuras 13.22a e
13.22b.

A
A
'
EAB
X/
A B
EcA +
'\X. A

Eac
e e
(a) Configuração em Y (b) Configuração em 6.

Figura 13.22 Sistemas geradores trifásicos equivalentes.

Para que as tensões nos terminais A, B e C sejam mantidas, essas configurações são equi-
valentes se

(13.37)

Então, se os geradores tiveren1 simetria de fases, decorre para a seqüência direta


2
ÉAB = (1 - a )ÉA = .fj / 30º ÉA,
2
É8c =(1-«)É8 =.fi / 30º É8 =a ÉA 8 , (13.38)
ÉcA =(1-«)Éc =.fi / 30º Éc =aÉAB·

e decorre para a seqüência inversa

ÉAB =(l-a)ÊA =.fi /- 30º ÊA,


É8c =(1 - a)É8 =.fi /-30º É8 =aÊA 8 , (13.39)
2
ÉcA =(1- a)Éc =.fi /- 30º Êc =a ÉAB.

Os diagramas de fasores correspondentes são semelhantes àqueles mostrados na Figura


13.13.
Redes Polifásicas 325

Sistema receptor (carga) em L1


Considere, i.oicialmente, uma carga genérica co1n. suas fases conectadas e1n l:J., co1no mos-
tra a Figura 13.23.
A'

'
Ia B'
>

'
Ic
> C'
Figura 13.23 Carga genérica conectada em ó.

U.ma expressão para as correntes de fase pode ser obtida relacionando-se, primeiramente,
estas às respectivas tensões e i1npedâncias de fase, isto é,
~
'
• VA, B' fl"c:'A'
[A'B' == , e 1C:'A' == ' (13.40)
ZA'B' Z c:,A'

e, então, aplicando-se a 2ª lei de Kirchho:ff (lei das tensões) e1n fonna fasorial ao longo do l:J.,
resultando

(13.41)

Nessa forma genérica, (13.41) não é tão simples de ser manuseada. No entanto, no caso de
sistemas equilibrados, quando ZA'B' == Z B'C:' == Zc:'A', resulta

(13.42)

relação equivalente àquela entre as correntes de fase na configuração Y.


Evidentemente, em qualquer caso, as correntes de linha são obtidas genericamente através de

e Íc; == Íc:'A' - Í B'C:'. (13.43)

Sistema completo .d-Li simétrico e equilibrado


Considere novamente um siste1na trifásico /:J.-1:J. completo, co1no aquele mostrado na Figura
13 .21, no qual são feitas as seguintes restrições:
1. o sistema gerador é simétrico;
2. as impedâncias das linhas são todas iguais a 2 1;
3. as impedâncias nas fases da carga são todas iguais a Zc.
326 Análise de Circuitos Elétricos

U1n siste1na como esse, dito simétrico e equilibrado, é mostrado na Figura 13.24.

A
z,
A'

(9ÊAB
Z1 •
lo
tCA
+ B

0· Eac z, •
Ic
e C'
Figura 13.24 Sistema trifásico t,.-t,. simétrico e equilibrado.

Do esquema dado, obtêm-se as tensões para cada u1na das fases da carga

~ A A A

Va'c' = Esc -Z,(fs - lc ), (13.44)

Vc'A' = Êc11 -Z,(Íc -ÍA).

Mas, recorrendo-se simultanea1nente a ( 13.42) e ( 13.43), obtêm-se

(13.45)

Então, expressando-se em (13.44) as tensões de fase em funçã.o das correntes de fase, co-
mo em (13.40), con1 todas as impedâncias iguais a Zc, e substituindo-se aí as correntes de li-
nha por aquelas de fase, como em (13.43), resultam

Ê;1 8 =(Zc -3Z1)ÍA'B'•


Ê8 c =(Zc -3Z1 )Í8 ,c,, (13.46)
. ~

EcA = (Zc - 3Z, )/e,A'.

Evidentemente, num sistema Li-Li simétrico e equilibrado as correntes de fase serão tam-
bétn si1nétricas co1n a 1nesma seqüência das fases respectivas do gerador.
Assitn, com base e,n (13 .43), as correntes de linha podem ser expressas em função so1nen-
te de u1na das correntes de fase, ou seja,

ÍA =.J3 /-30º jA'B'


2
Ís =.J3 /-30º ÍB'C' =a ÍA (13.47)

Íç =.J3 /-30º Íç' A' =aÍA,


Redes Polifásicas 327

para a seqüência direta, e

ÍA =.Ji /30º jA'B'


Í 8 =.Ji /30º Ís'c' =aÍA (13.48)

Íc = Jj /30º Í c'A' = a? !A,

para a seqüência inversa.


Siste,na Li-Li co,n linha sem perdas
Se as impedâncias da linha de transmissão forem nulas, as tensões de fase na carga serão
as ,nesmas que aquelas respectivas do gerador.
Nesse caso, as expressões (13.39) aplicam-se diretamente, tendo e,n conta que

e Vc'A' =ÊcA·

As transformações V-A e A-V para cargas


U1n sistema trifásico genérico pode ser constituído por geradores e cargas con1 fases em Y
ou /J. em quaisquer combinações possíveis.
Evidentemente, nunca é demais insistir: os métodos gerais de análise sen1pre podem ser
aplicados. Entretanto, se for possível recair num dos métodos particulares supracitados, 1nuito
esforço poderá ser poupado.
Existem certas configurações de cargas que pennitem associações e, conseqüentemente,
simplificações na análise. Este é o caso, por exemplo, de dois Y e,n paralelo com fio neutro
co,num: as fases podem ser associadas em paralelo dando orige,n a um único Y. E,n outra si-
tuação, dois /J. em paralelo podem ter suas fases associadas em paralelo dando orige1n a um
único /J..
Associações de Y's com /J.'s, por outro lado, não podem ser feitas diretrunente. Entretanto, exis-
te,n fónnulas que pennitem transfonnações de Y's e,n /J.'s e vice-versa, con10 é mostrado a seguir.
Considere nova,nente duas cargas, uma e,n Y e outra em !J., co,no mostra,n as Figuras
13.25a e 13.25b, respectivamente.
A A

B ZCA
Be--t,____,

e e
(a) Ligação em Y (b) Ligação em 8
Figura 13.25 Cargas conectadas em Y e em A.
328 Análise de Circuitos Elétricos

Para que as duas configurações se apresentem de fonna equivalente para a linha de trans-
1nissão é necessário que as in1pedâncias entre quaisquer pares de ternlinais nas duas redes se-
ja,n iguais, isto é,

(13.49)

Resolvendo-se o sistema, resultam as impedâncias do Y

(13.50)

onde foi feito Zll. = Z AB + Z BC + Z c A, designada impedância do triângulo, para si1nplificar a


notação.
lnversarnente, o sistema (13.49) fornece també1n as impedâncias do~. isto é,

(13.51)

onde foi feito 1/Z y = 1/ Z A + 1/ Z 8 + 1/Zc , para simplificar a notação, sendo Z y designada im-
.vedância da estrela.

~ Em sistemas equilibrados, ou seja, quando todas as impedâncias lo!}. (ou triângulo)


forem iguais a Zt ou todas as impedâncias do Y (ou estrela) forem ·guais a Ze,
tem-se a relação
Redes Polifásicas 329

Exemplo 13.2
Suponha que a uma linha trifásica A, B, C sejam conectadas duas cargas: u1na em Li e
outra em Y, co1no mostra a Figura 13.26a, sendo as impedâncias do Li
z;8 =3 n, Zác =-j2 Q e Z éA = j4 Q
e as impedâncias de Y

z;N' =- j3 n, z;,,.,, = - j3 n, e
lf

Zc,v· =9 n.
Ache urna carga em Li equivalente à associação dessas cargas.

A
A
30 -j40 - j30
j3 n.
B B - j12 n.
N'

90

(a) Asso ciação d e cargas (b) Carga equivalente

Figura 13.26 Exemplo 13.2.

Solução:
Inicialmente, transforma-se Y em Li equivalente.
Sendo

1
Z"= =9Q ,
y 1IZ"AN' + l IZ"
BN' + 1/Z"
CN'

têm-se

z~ = Z~,v,z;N' = (- j3)x(j3) = 1n,


z"y 9

z" _ z;,v,ZcN' _ (j3)x9 _ . Q


BC - Zy - 9 - J3 '

,, _
Z CA -
zc,v,z~N' _ 9 x <-j3) __ .3 ("'\
- - } i..1. •
z"y 9
Associam-se, então, as fases dos Li's em paralelo e obtêm-se
330 Análise de Circuitos Elétricos

, ,, 3xl 3 r.
Z AB = Z AB li Z AB = 3 + 1 = 4 :..:,
z - z' 11 z" - (-j2)x(jJ) - - ·6 n
_ j +j
BC - BC BC -
2 3 - ./ ,

z