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TANATOPRAXIA

PRAXITANATOLOGIA
TANATOESTÉTICA
SOMATOCONSERVAÇÃO
EMBALSAMAMENTO
• A palavra TANATOPRAXIA, origina-se do grego
“Thánatos” que significa morte, que na mitologia
grega representa o Deus da morte seguido do sufixo
PRAXIA também do grego “práxis” que significa a
“ação” praticada a uma rotina.
• O embalsamamento é um processo químico que tem
como objetivo impedir ou retardar a instalação ou
progressão dos fenómenos cadavérico-destrutivos,
nomeadamente a putrefacção. O início desta prática
remonta ao Antigo Egito à 5000 anos atrás, onde era
efetuado o processo de embalsamamento mais
conhecido como mumificação. A mumificação tinha
um objectivo religioso, fundamentando-se na crença
de que a preservação do cadáver após a morte o
habilitava para a ressurreição. O conhecimento
deste processo vem principalmente das descrições
efetuadas pelo historiador grego Heródoto cerca de
500 AC. A mumificação durava cerca de 70 dias e
era efetuada por sacerdotes com conhecimentos de
anatomia
• O processo era iniciado com a remoção do cérebro
através da utilização de um gancho de metal
inserido através do nariz, ou menos frequentemente
pela cavidade ocular. Era então efetuada a
evisceração através de uma incisão do lado
esquerdo entre a costela e a crista ilíaca. Neste
procedimento eram retirados, todos os órgãos, à
exceção dos rins e do coração que posteriormente
eram limpos e imersos num recipiente com vinho de
palma e por fim embalados em natrão (é um sal
encontrado em leitos de lagos secos do deserto).
• O coração nesta época representava o centro do
intelecto e da memória do individuo, tendo grande
importância para o julgamento do morto que
decorreria no tribunal de Osíris (Deus dos mortos).
Após tratamento os órgãos eram enfaixados em
linho e colocados dentro de Vasos Canopos, que
representavam divindades denominados Filhos de
Hórus, que protegiam as vísceras da destruição.
Posteriormente, já na XXI Dinastia os órgãos
começaram a ser colocados no interior do corpo. O
corpo depois de imerso numa solução de natrão de
concentração elevada durante vários dias, para
desidratar e matar bactérias, era lavado com água e
seco ao sol.
• Em seguida era efetuado o enchimento subcutâneo
dos membros com areia e argilas, sendo as
cavidades enchidas com linho ensopado em resina e
com materiais conservantes e aromáticos. Por fim o
corpo era enrolado em faixas de forma muito
elaborada, escondendo entre camadas de jóias e
amuletos. Vários povos , como Persas, Sírios e
Babilónicos, habitantes dos Vales do Rio Tigre e 12
Eufrates, utilizaram processos similares de
embalsamamento. Durante a Idade Média as leis
proibiram as escolas de ciências médicas de adquirir
cadáveres para estudo anatómico e dissecção
• Apenas eram preservados em segredo os corpos
duma elite muito restrita da sociedade, como
membros da família real e do clero. Os métodos
utilizados foram bastante semelhantes aos do Antigo
Egito com a exceção da duração do processo, que
foi consideravelmente acelerado. Este foi um
período muito conturbado em que as Nações da
Europa lançaram uma campanha sangrenta,
conhecida como Cruzadas, numa tentativa de
conquistar a Terra Santa.
• Iniciou-se assim uma série de ofensivas militares
contra os muçulmanos e muitos outros grupos
culturais e religiosos. Só mais tarde, durante o
Renascimento, marcado pela crescente liberdade no
estudo da anatomia e medicina, o embalsamamento
voltou a ser efetuado sistematicamente. Neste
período foram efetuados inúmeros progressos
científicos tanto no que diz respeito às técnicas de
embalsamamento como das próprias substâncias
utilizadas na conservação dos cadáveres.
• Foi por volta de 1600 que Jan Swammerdam,
descobriu uma mistura de álcoois de terebintina e
cera que se revelou bastante eficaz na preservação
cadavérica de animais pequenos. A técnica de
Swammerdam foi posteriormente aplicada a seres
humanos por Frederik Ruysch, através do primeiro
sistema de embalsamamento arterial, por si
desenvolvido.
• Em meados de 1800, John Morgan, um professor de
anatomia da Universidade de Dublin, na Irlanda,
estabeleceu formalmente dois princípios para
produzir os melhores resultados no
embalsamamento: injeção da solução numa artéria
com maior diâmetro possível e uso de pressão para
empurrar a solução através dos vasos sanguíneos.
Nessa mesma época, durante a guerra civil
americana, Thomas Holmes, médico legista, ficou
conhecido por ter utilizado os cadáveres dos
soldados mortos em combate para testar inúmeros
produtos químicos e técnicas de embalsamamento.
• O seu objetivo era conservar o cadáver de forma a
poder percorrer longas distâncias permitindo que o
funeral pudesse ser realizado junto dos familiares.
Ao todo, estima-- se que Holmes terá preparado
mais de 4.000 corpos durante a guerra, proeza que
teve como consequência a aceitação por parte da
sociedade Americana do embalsamamento como
parte dos preparativos fúnebres.
• A Tanatopraxia consiste num conjunto de técnicas
que permitem atrasar a Tanatomorfose (Expressão
da biologia que representa o conjunto das
modificações morfológicas que a morte determina
nos elementos celulares, nos tecidos e nos órgãos)
diminuindo ou até mesmo excluindo o risco de
infecções e proliferação de bactérias.
• Como um gesto de amor e carinho com o corpo, a
Tanatopraxia é o procedimento de conservação de
um corpo mais utilizada em quase todos os países
do mundo.
• Este procedimento não tem apenas a finalidade de
“conservar” ou “melhorar” a aparência do cadáver
mas também trazer de volta aquela imagem que
possuía ainda em vida, para que seus entes
queridos possam se despedir de forma mais digna.
• Isto, psicologicamente se constitui de um valor
incalculável.
• A Tanatopraxia chegou ao Brasil na década de 90,
inspirado por técnicas de tratamento de corpos de
autoridades que recebiam especial atenção para
seus longos velórios e sepultamentos. A civilização
do Egito Antigo surpreende o mundo até os dias
atuais com a tecnologia aplicada nos processos de
mumificação, pois se acreditava que os faraós após
a morte se tornariam deuses e viveriam a
imortalidade.
• No decorrer da evolução da humanidade foram
quebrando inúmeros tabus no que diz respeito ao
tratamento a ser dado aos corpos dos defuntos. Eis
que o embalsamento veio a substituir o processo de
mumificação, e nos dias atuais, muitas técnicas
ainda são discutidas, por exemplo, destacamos as
faculdades de medicina no Brasil que na
conservação das peças anatômicas utilizam o
formaldeído ou a glicerização.
FORMALDEÍDO
GLICERINA LÍQUIDA
• Quanto a preparação dos corpos, para velórios e
sepultamentos, a tanatopraxia e a tanatoestética hão
de ocupar cada vez mais espaços de destaque e
dominar mercados no Brasil e no Mundo no que diz
respeito a “mercantilização da morte”. Em nosso
país a atividade de tanatopraxista esta inserida entre
as funções dos agentes funerários, uma realidade
que merece ser avaliada diante das complexas
técnicas da tanatopraxia e da tanatoestética.
• A TANATOPRAXIA MODERNA também conhecida
como PRAXITANATOLOGIA ou
SOMATOCONSERVAÇÂO teve inicio durante uma
guerra civil Norte-Americana (1861 – 1865).

• Onde soldados mortos em confrontos eram levados


para acampamentos e embalsamados e então
encaminhados aos seus familiares para que
houvesse o velório e em seguida o sepultamento ou
até mesmo cremação.
• Dr. Thomas H. Holmes, considerado o “PAI” do
embalsamamento moderno, efetuou durante a
guerra 4.028 procedimentos de conservação de
soldados e neste mesmo período desenvolveu
outros fluídos, onde sua principal base “conservante”
é o Aldeído Fórmico ou Formaldeído, subproduto da
destilação do álcool metílico.
• Naquele mesmo período, o Dr. C.M. Lukins, da Pulte
Medical College, em Cincinnati, Ohio, fundou a
Cincinnati School of Embalming, uma escola
especializada na arte de embalsamar, como sendo a
pioneira nos Estados Unidos.
PARA QUE SERVE?
EM QUAL OCASIÃO FAZER?
Este procedimento é obrigatório?
• Antes de sabermos como realizar um procedimento
corretamente veremos alguns tópicos de suma
importância.
UTILIZAÇÃO DE EPI’S
• De acordo com a Norma Regulamentadora NR 6, é
considerado Equipamento de Proteção Individual
todo acessório ou produto de uso individual utilizado
pelo trabalhador que tem como finalidade protegê-lo
de riscos ou ameaças à segurança e à saúde .
UTILIZAÇÃO DE EPI’S
• A utilização correta dos EPI‟S, tem a finalidade de
Prevenir acidentes de trabalho
• Proteção contra contaminação por fluídos
cadavéricos
• Diminuir ou abolir o desencadeamento de doenças
causadas por agentes nocivos a saúde
• Prevenir contaminação por contato com a roupa
pessoal e/ou uniforme privativo
• É obrigação dos supervisores ou da empresa,
fornecer, orientar e inspecionar a utilização de EPI‟s
para promover a segurança de seu colaborador
diminuindo assim os riscos de acidentes de trabalho.
• Caso o colaborador não atenda as exigências de
utilização a empresa poderá notifica-lo com
advertências ou ate mesmo exclusão do quadro de
funcionários.
EPI’S MAIS INDICADOS
Touca para procedimento
ÓCULOS DE PROTEÇÃO
ÓCULOS DE SOBREPOR
MÁSCARA DE PROCEDIMENTO
MÁSCARA N95/FF2
MÁSCARA FACIAL COM FILTRO
MACACÃO DESCARTÁVEL
AVENTAL DE PVC
MANGOTE DESCARTÁVEL
LUVA DE PROCEDIMENTO
LUVA DE BORRACHA
BOTA DE BORRACHA
BOTA EVA SOFT
BOTA DESCARTÁVEL
SISTEMA CIRCULATÓRIO
PRINCIPAIS VIAS DE ACESSO ARTERIAL
• Artéria Carótida Comum D, E
• Artéria Subclávia D, E
• Artéria Braquial D, E
• Artéria Aorta Abdominal
• Artéria Mesentérica Superior e Inferior
• Artéria Ilíaca Comum D, E
• Artéria Ilíaca Interna D, E
• Artéria Femoral D, E
ARTÉRIA CARÓTIDA COMUM
ARTÉRIA SUBCLÁVIA
ARTÉRIA BRAQUIAL
AORTA ABDOMINAL
ARTÉRIA MESENTÉRICA
ARTÉRIA ILÍACA COMUM
ARTÉRIA FEMORAL
PRINCIPAIS VIAS DE DRENAGEM VENOSA
• Veias Jugulares D, E
• Veias subclávias D, E
• Veias Cefálica (anterior) Basílica (mediana) D, E
• Veia Cava (Superior e Inferior)
• Veia Ilíaca Externa D, E
• Veia Femoral D, E
VEIA JUGULAR
VEIA SUBCLÁVIA
VEIA CEFÁLICA E BASÍLICA
VEIA CAVA SUPERIOR E INFERIOR
VEIA ILÍACA
VEIA FEMORAL
COMO REALIZAR
EMBALSAMAMENTO
ARTERIAL
• Embalsamamento arterial consiste na injeção da solução de
embalsamamento, a uma determinada pressão, através de
uma ou mais artérias. Normalmente a artéria escolhida é a
carótida ou femoral, sendo feita uma incisão com profundidade
14 suficiente para que com um gancho a artéria seja levantada
e cortada, sendo posteriormente nela inserido um tubo através
do qual se vai introduzir a solução de embalsamamento no
cadáver. Uma vez injetada a solução, esta vai percorrer as
artérias, arteríolas e capilares, difundindo-se pelos tecidos. Ao
mesmo tempo o sangue é drenado por uma veia, por norma
correspondente à artéria utilizada, veia jugular ou femoral
respectivamente. A pressão e a taxa de fluxo da solução, são
controladas com vista a uma melhor distribuição da solução.
Durante o embalsamamento, o operador terá também de ir
massajando o cadáver, de modo a evitar a formação de
coágulos possam obstruir os vasos sanguíneos e para ir
verificar o progressivo sucesso da técnica aplicada.
EMBALSAMAMENTO
DE CAVIDADES
• O embalsamamento arterial apenas permite o tratamento do
tecido muscular, pele e superfície dos órgãos. No entanto, no
interior dos órgãos o processo de putrefacção provocado pelas
bactérias ainda decorre, comprometendo a conservação do
cadáver. O embalsamamento de cavidades diz respeito à
conservação dos órgãos das cavidades abdominal e torácica.
Este processo é realizado em 2 etapas: inicialmente é feita
uma aspiração das cavidades das vísceras e de seguida é
injetada uma solução química, bastante similar à utilizada no
embalsamamento arterial. Para tal é utilizado um instrumento,
denominado trocar, que se caracteriza por ser um tubo
metálico longo com uma extremidade pontiaguda e outra de
encaixe que permite a ligação a uma bomba de sucção numa
primeira etapa, e numa segunda fase será utilizado para inserir
a solução de preservação no cadáver.
EMBALSAMAMENTO
HIPODÉRMICO
• O embalsamamento hipodérmico é um método suplementar e
bastante moroso, utilizado para preservar áreas onde a
solução, através do embalsamamento arterial, não chegou. Isto
pode ser originado pela formação de coágulos que obstruem a
passagem da solução para as regiões afetadas ou por o corpo
ter sido insuficientemente massajado durante o processo. Este
tipo de técnica requer a utilização de uma seringa e uma
agulha, sendo a solução injetada localmente e diretamente na
pele a solução de preservação.
EMBALSAMAMENTO
DE SUPERFÍCIE
• O embalsamamento de superfície é efetuado em regiões do
corpo danificadas onde a solução de preservação não é
distribuída uniformemente, nomeadamente feridas e
queimaduras. Nestes métodos são utilizados derivados do
formol sob a forma de gel ou aerossol diretamente na
superfície da região afetada.
MATERIAIS BÁSICOS
Bomba injetora
BOMBA ASPIRADORA
KIT DE INSTRUMENTAIS
LÂMINA DE BISTURI
CABO PARA LÂMINA DE BISTURI
PINÇA DENTE DE RATO
PINÇA DE DISSECÇÃO OU ANATÔMICA
AFASTADOR WOLKMMANN
AFASTADOR ADSON
DISSECADOR
CÂNULA ARTERIAL
PINÇA DE DRENAGEM VENOSA
VARA TROCADORA
BICO PARA VARA TROCADORA
CÂNULA DE ASPIRAÇÃO NASAL E ORAL
PINÇA HEMOSTÁTICA
APOIO PARA CABEÇA
AGULHA DE SUTURA EM “S”
FIO DE SUTURA ENCERADO
ASPIRADOR DE GRANDES CAVIDADES
MESA DE PROCEDIMENTOS
MESA DE PROCEDIMENTOS
TANATÓRIO
EMBALSAMAMENTO ESPANHOL
• Formolizar o corpo, segundo a técnica empregada
no serviço;
• Tamponar todos os orifícios com algodão hidrófilo;
• Vestir o corpo;
• Preparar no caixão um „travesseiro” e um “colchão”
contendo serragem e colocar na serragem uma
mistura de:
0-3 Anos 4-12 Anos 13-20 Anos Acima de 20
Anos

Carvão 100g 150g 200g 300g


Vegetal

Permang 100g 150g 200g 300g


anato K

Cânfora 100g 150g 200g 300g

Naftalina 100g 150g 200g 300g

Timol 50g 100g 150g 200g

A. 50g 100g 150g 200g


Benzóico
• Após colocar esta mistura, espalhar sobre o
travesseiro e colchão uma mistura de:

0-3 Anos 4-12 Anos 13-20 Anos Acima de


20 Anos

Formol 50ml 100ml 150ml 200ml

Álcool 50ml 100ml 150ml 200ml


TANATOPRAXISTA
• Finalidade:
• Realizar atividades de conservação e higienização de cadáveres humanos;
• Realizar procedimentos de reparação ou reconstrução facial;
• Ter sobre sua responsabilidade o preparo, manutenção e guarda de instrumentais e
produtos para a realização das técnicas acima descritas
• Desenvolver programas e projetos de pesquisa e treinamento, voltados especialmente
para o desenvolvimento científico, através de profissionais qualificados para a realização
da mesma.
HIGIENIZAÇÃO DO TANATÓRIO (MESA)
• Por uma questão de segurança à saúde e
fiscalização o tanatório deverá estar sempre em
condições favoráveis de limpeza e higiene.
• Após o término de cada procedimento, a mesa
deverá ser lavada com água corrente e detergente
(neutro) de preferência.
• Utilizar cloro ou hipoclorito de sódio 2% para a
retirada de resíduos de sangue e enxaguar com a
água corrente.
• Para finalizar deve-se utilizar álcool a 70% embebido
em uma compressa.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• http://grupopazevida.com.br/blog/a-diferenca-entre-tanatopraxia-e-embalsamamento/
• https://www.ccms.edu/about-ccms-mortuary-science-college/
• http://paulocoelho-consultoria.blogspot.com/2008/04/tanatopraxia-somatoconservao.html
• https://jus.com.br/artigos/71567/tanatopraxia-a-evolucao-no-processo-de-embalsamento
• https://run.unl.pt/bitstream/10362/12232/1/Patricio_2014.pdf

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