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Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação

Saberes transtornados: primeiras impressões sobre


apropriações das interfaces digitais na ambiência juvenil1

Maria das Graças Pinto COELHO2

Resumo Este trabalho tem como objetivo indiciar a apropriação das interfaces
digitais na ambiência juvenil, problematizando sentidos de pertencimento,
subjetividades e formações socioeconômicas no processo de midiatização e na
transformação das relações de cotidiano. De início, apresento um relato empírico
apontando as primeiras hipóteses das reconfigurações a partir de um conjunto de
métodos qualitativos e de recepção. Em seguida, desenvolvo o arcabouço
conceitual, que se entrelaça às experiências vividas e recria novas condições de
existência nas tecnointerações produzidas pelos jovens. Por último, antevejo o
empoderamento dos sujeitos sociais nas apropriações tecnodigitais.

Palavras-Chave: Apropriação Social. Capital Humano. Mídia e Subjetividade.

1. Introdução
A presença das interfaces digitais na vida dos jovens se repete na transferência e
assimilação de processos de apropriações, muitas vezes, relatadas em modelos de descrições
empíricas que não levam em consideração aspectos relacionados ao sentido que será
produzido a partir da experiência deles com os meios. A apropriação, tal como eu entendo,
visa a uma história social dos usos e interpretações dos objetos, referendados nas práticas
sociais e inscritos nas práticas específicas que as produzem. Dar, assim, atenção às condições
e aos processos que, muito concretamente, conduzem as operações de construção de sentidos
de pertencimento, formações socioeconômicas e às subjetividades desses jovens atores.
Alguns autores que relatam tecnointerações na ambiência juvenil apresentam tal “fenômeno”
como sendo parte de uma demiurgia tautológica protagonizada pela representação da técnica
e não validam o empoderamento dos sujeitos sociais nesse percurso. Dessa maneira, as
apropriações das interfaces digitais se impõem unilateralmente nas relações do cotidiano,

1
Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Recepção, Usos e Consumo Midiáticos do XX Encontro da
Compós, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, de 14 a 17 de junho de 2011.
2
Pesquisadora e professora do Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia da Universidade Federal do
Rio Grande do Norte e Pós-graduação em Educação. E-mail: gpcoelho@uol.com.br

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promovendo um axioma mitológico - como os mitos de Lévi-Strauss - que pensam entre si


um saber transtornado, incompatível mesmo com as mediações da cultura de convergências
que lhes dão suporte.
Quando os jovens se aventuram a buscar experiências na área da educação científica
ou mais propriamente em um curso online de tecnologias da informação e comunicação, nos
sistemas da mecatrônica e no letramento digital, que permite a inclusão, eles, na realidade,
também estão vivenciando preceitos ideológicos e pertenças identitárias que se impõem na
apropriação da cultura digital nos meios tecnológicos. Reafirmam seus laços nas relações
cotidianas, criando novas existências, que produzem subjetividades e mobilidade social.
Vivenciam um contexto onde residem metanarrativas transmidiáticas, que projetam a força de
trabalho qualificada e as demandas da economia presente como sendo uma responsabilidade
ímpar e única do sujeito contemporâneo. Tais metanarrativas, que circulam em canais de
comunicação midiáticos e interpessoais, fabricam valores estéticos, técnicos, simbólicos e
sociais que colocam o capital humano no centro das forças produtivas. O sujeito carrega seu
próprio capital – imaterial; fruto das experiências e dos saberes vividos – que o projetam
como a principal substância nas mudanças dos processos societários atuais (GORZ, 2005).
Nesse sentido, duas áreas de conhecimento – formação social e cultura digital - se
entrelaçam no desenvolvimento da cognição para formar um novo contingente de
profissionais, cujo trabalho se aproxima mais do trabalho dos artistas, apoiado não só em
conhecimento técnico específico, mas em saberes vividos e, agora, compartilhados em
interfaces midiatizadas, que também requerem habilidades comunicacionais. Onde o aparato
tecnológico, ou seja, o emissor, a interface digital, as redes sociais na internet, as que abrigam
sujeitos que não tecem teias de aproximações simbólicas, não possuem o protocolo mágico de
se apoderar do processo comunicacional e interativo.
Sobre o conceito de midiatização, Sodré apresenta um construto que diz ser a
midiatização uma ordem de mediações socialmente realizadas – um tipo particular de
interação, a que poderíamos denominar de ‘tecnomediações’, ou tecnointerações –
“caracterizadas por uma espécie de prótese tecnológica e mercadológica da realidade
sensível, denominada medium” (SODRÉ, 2006, p.20).
2. Entre as constatações teóricas e a realidade dos jovens entrevistados
Pensando a reflexividade como método e prática epistêmica (LOPES, 2010;
GIDDENS, BECK e LASH, 1997) e tendo como ponto de partida uma hipótese preliminar de

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que as relações dos jovens com as tecnologias passam por diferentes modalidades de
apropriações capazes de atender um conjunto de perspectivas que se traduzem em maior
complexidade nas experiências vividas; maior sofisticação e abrangência tecnológicas nas
configurações da vida cotidiana e; nas premências da reestruturação produtiva e sociocultural
do capitalismo tardio. Mas, principalmente, se apresentam como uma modalidade de
apropriação capaz de enfrentar algumas mudanças requeridas aos novos desafios que lhes são
colocados nas relações do cotidiano, que também exigem práticas sociais tecnointerativas.
Tal é o panorama da pesquisa que está sendo realizada na Universidade Federal do
Rio Grande do Norte: “Papo Cabeça – o desenvolvimento da cognição e da cidadania na
cultura digital: mídia, capital humano e subjetividades”3. A pesquisa integra os programas de
pós-graduação em estudos da Mídia, Educação e Engenharia da Computação, de onde se
aproximam docentes, mestrandos e doutorandos. Nessa perspectiva, observamos em seu
processo, os efeitos dos meios tecnodigitais no desenvolvimento da cognição e da formação
social dos jovens que se apropriam da cultura digital – internet (redes sociais e de letramento
digital), desenvolvimento de sistemas, automação e conteúdo digital - em lugares periféricos
do Rio Grande do Norte e na grande Natal. Essa premissa problematiza valores do
capitalismo tardio e da economia da cognição na sociedade do conhecimento, articulados ao
processo de midiatização.
Apresenta como referências conceituais e analíticas o construto de cidadania
cultural (STEVENSON, 2001) - e a apropriação dos meios tendo como parâmetro aspectos da
cultura e das relações de cotidiano. Tem como ambiência de estudos, os contextos de
consumo e comunicativo de jovens estudantes de nível médio e superior em ambientes de
formação científica e social. Visa-se com a sua realização incidências nas reconfigurações
socioculturais contemporâneas, na medida em que amplia e aprofunda o leque temático
relativo à mídia/educação (formação social, cognição, saberes vividos, auto-formação, capital
humano) na intenção de mapear noções de cidadania postas nas práticas midiáticas e na
produção de novas interações sociais no ambiente tecnodigital.
No contexto mais amplo da pesquisa que se iniciou em 2008, foram realizadas três
pesquisas de recepção. Na primeira, que identifica usos e consumo de informação na cultura
3
Pesquisa em realização (2008/2011), coordenada pela Profa. Dra. Maria das Graças Pinto Coelho com recursos
da UFRN/Capes/CNPq. Bolsistas de Iniciação Científica: Andressa Vieira, Carolline Holder e Pryscylla
Miranda Cardoso; bolsistas de mestrado: Patrícia Rakel de Castro Sena, Patrícia Gallo e Sônia Regina Soares da
Cunha; bolsistas doutorado: Zoraia da Silva Assunção, Akynara Aglaé Santos da Silva, Sandro da Silva
Cordeiro e Aleksandre Saraiva Dantas.

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digital foram entrevistados 107 jovens de diferentes configurações sociais. 43 entrevistas


compreensivas foram feitas em Caicó-RN em três lan houses com jovens entre 11 e 19 anos.
Seis grupos focais foram realizados nos cursos de história, jornalismo e pedagogia da UFRN
com jovens de 17 a 26 anos, totalizando 64 participantes. Uma parte da investigação
compreende, ainda, uma análise das percepções dos jovens monitores das Escolas de Inclusão
digital e Cidadania da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do
Norte EMATER-RN4 sobre o uso e consumo das mídias digitais, no recorte da inclusão
social.
Em um segundo momento, o foco de atenção analítica enquadra pesquisas com jovens
atores que se inserem na cultura digital com e a partir do uso da automação e da mecatrônica
em ambientes robóticos na escola Escola Alfredo J. Monterverde, situada no entorno de Natal
(Brasil/RN), chancelada pelo Instituto Internacional de Neurociências de Natal. A proposta
do Instituto é a de despertar conhecimentos técnicos e científicos nos jovens que são
acolhidos em seus projetos sociais. O percurso empírico foi feita por meio de uma pesquisa
etnográfica5, em caráter participativo. A observação confrontou-se com o axioma criado pelo
curso de que era possível a formação social por meio da tecnologia. Foram observados 130
alunos por semestre (2009), entre 11 e 16 anos. São adolescentes que vivem em bairros com
Índices de desenvolvimento Humano (IDH) baixos. Segundo o neurocientista, Miguel
Nicolelis, idealizador do projeto de ciência e tecnologia do Instituto, o objetivo é o uso da
ciência como agente de transformação social. Ele enfatiza, ainda, que o princípio é o de usar
a ciência para transformar a realidade de uma comunidade, de tal sorte a criar um núcleo de
auto-sustentabilidade. (NICOLELIS 2007, p. 26-31).
A terceira pesquisa abrange 839 alunos do curso de tecnologia da informação do
Projeto Metrópole Digital6. Foi iniciada em 2010 e tabulada em janeiro de 2011. Os dados

4
Relatório final da pesquisa de mestrado de Antônio Carlos T. Liberato sobre as Escolas de Inclusão Digital e Cidadania
(EIDC), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Norte - EMATER/RN. O EIDEC tem como
objetivo, contribuir para a educação tecnológica das populações de baixa renda que vive em comunidades rurais,
especialmente às famílias de agricultores participantes do Programa Nacional de Agricultura Familiar (PRONAF). Em todo
o estado existem 70 escolas – espaços físicos cedidos pela EMATER, equipados por computadores conectados à internet,
onde 110 monitores oferecem cursos básicos de informática gratuitos.
5
Pesquisa da mestranda Akinara Aglaé Burlamaqui, realizada em 2009.
6
O Metropole Digital http://www.metropoledigital.ufrn.br/blog/ é um projeto integrado ao Polo de Tecnologia Digital da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte para formação de mão-de-obra especializada em Tecnologia de Informação.
Tem como público alvo jovens de nível médio – 14 a 18 anos alunos de escolas públicas, 70% das matrículas – e privadas do
grande Natal (RN). O curso tem duração de 18 meses, com aulas presenciais e online e concede uma bolsa no valor de R$
161,00. O edital prevê 1.200 vagas/ano. Tem como objetivo oferecer formação de mão-de-obra especializada em
desenvolvimento de hardware e software; atuar como pólo gerador de novas oportunidades e empreendimentos em TI no
Estado; inclusão digital e social e estimular jovens talentos a ingressar na área para uma formação em nível superior.

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estão nas preliminares da interpretação analítica. Para coletá-los, foram aplicados


questionários estruturados, respondidos por 526 alunos, 62,7% do total dos atores
participantes. As questões respondidas versavam sobre formação social, desenvolvimento da
cognição, perspectivas profissionais, interação social e comunicacional, além do consumo de
informações midiáticas. A tessitura que se desenvolve nesse texto privilegia os relatos dos
atores-personagens que participam das três pesquisas.
Embora as três pesquisas se realizem em momentos, contextos e modalidades
diferentes, o entrelaçamento é o mesmo: apropriação social das interfaces digitais na
ambiência juvenil. As hipóteses preliminares que estão sendo arroladas seguem essa
premissa. No cerne do construto da apropriação apresenta-se o pensamento gramsciano sobre
o conhecimento, Gramsci (1981, p. 12), que reconhece nas diferentes formas de
sociabilidades o lugar da manifestação da cognição. O jovem que desenvolve o conhecimento
está vinculado e conectado às relações sociais. Nessa perspectiva, o conhecimento aparece
como pressuposto de um processo quase “natural”, imanente às relações humanas. Auxilia o
jovem a pensar e elaborar interfaces, inclusive as técnicas e instrumentais, necessários à
reprodução material da existência humana.
Sendo assim, o conhecimento existe nas sociabilidades constituídas e se manifesta
nas formas de pensamento, se materializando nas interfaces produzidas pelos jovens. Seria
esse o processo de apropriação que na concepção gramsciana, tem referência no próprio
mundo e resulta do pensamento e da materialização do “processo de vida real”. (GRAMSCI
1981, p.12)
3. A solução do mistério ou o empirismo em um estudo indisciplinado
O relato empírico abrange um conjunto de métodos e ferramentas (observacionais,
interpretativas, participativas) distribuídas em questionários e grupos focais para agrupar as
evidências, entre as distintas definições encontradas, que podem tornar legítima e válida uma
proposição investigativa sobre as tecnointerações na ambiência juvenil. Para tanto, usamos o
método qualitativo desde transcrições das conversas, aplicação de questionários presenciais
abertos e online, fotos e vídeos dos ambientes diários, até anotações observacionais de
situações específicas. O objetivo foi desenvolver o que Geertz, (1973, p. 10) chama de
‘descrições densas’ que detalham o modo como as pessoas investem no significado do
próprio mundo e negociam e competem por outros sistemas de significado. Enquanto

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pesquisadores, observamos as estatísticas que apresentaram entrevistas e questionários com


jovens participantes do Metrópole Digital como uma fonte de perguntas, um trampolim para
as adicionais investigações e análises. Cientes de que os “fatos” nunca falam por eles
mesmos, e que a relação estatística embora precise ser determinada numericamente,
permanece desprovida de significado até que seja interpretada (BOURDIEU, 1999).
Jean, nome fictício, ao responder uma pergunta sobre de que forma os
conhecimentos adquiridos no Projeto o auxiliavam em sua vida cotidiana no questionário
online exposto no site do Projeto Metrópole Digital, respondeu: “em tudo. Aprendi a
conversar com os amigos sobre computadores, mas também falamos sobre coisas que vejo na
net. Todos os meus vizinhos querem ajuda para usar o computador”. Então, o que quer dizer
Jean é que o Projeto Metrópole Digital tem permitido que ele desenvolva habilidades para o
convívio social e competências cognitivas e comunicacionais. Essa é uma interpretação
estruturada, que se distingue de outras, nem tanto. É dessa forma que observamos a extensão
dos detalhes explicados. Reside aí a habilidade para expor os materiais mais relevantes, e a
maneira com que todos os dados são incorporados da forma mais concisa possível. Por
último, também analisamos os dados coletados segundo os estudos de recepção a partir da
idéia de (HALL, 2003) de “Codificação/Decodificação” e de (BRAGA, 2006), quando
analisamos os questionários do Projeto Metrópole Digital, recortando categorias de
consumo/recepção.
O percurso da pesquisa também sugere que o que se destaca em trabalhos que se
voltam para analisar a mídia e as interações sociais é a novidade na percepção de que existe
uma resistência simbólica, um novo imaginário, frente ao avanço da cultura midiática urbana
e central, o que os redime muitas vezes da ausência de cruzamento de dados empíricos que
especifiquem metodologicamente os protocolos das mediações:
[...] el principal desafío que afrontan los estudios de regiones y zonas es que los
actores en las actuales regiones tienen, actualmente, intereses y capacidades
elaborados en la construcción de imágenes del mundo cuya propia interacción
afecta a los procesos globales. Por lo tanto, el mundo puede estar hecho de regiones
[...], pero las regiones también imaginan sus propios mundos. Los estúdios
interdiciplinarios deben pensar en este aspecto de la relación entre las regiones,
como debe hacerlo cualquier ciencia social que suponga que la subjetividad y la
ideología son algo más que efímeras en la saga del capital y de los impérios
(APPADURAI 2009, p.12).
Seguimos, ainda, (DEACON, GOLDING, MURDOCK, PICKERING, 2000, p. 252-
253), que apresentam as raízes dos estudos observacionais da Escola de Chicago (EUA).
Robert Park, um dos fundadores da sociologia americana, propõe um entendimento

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interpretativo da vida urbana, obtido pelo que ele denomina de observar em volta. Uma tarefa
que ele considerou melhor realizada por aqueles que têm “dominado a arte de procurar com
os olhos”. Park muitas vezes saía para caminhar pela cidade com seus alunos para que eles
observassem a vida urbana e sentissem intuitivamente aquilo que estava acontecendo ao
redor. A arte, claro, e não menos a ciência, é saber o que fazer com estas observações uma
vez que elas foram obtidas.
4. A tecnologia que entrelaça jovens aprendizes: capital humano e subjetividade
Foucault (1984), diz que não há poder sem a produção de um saber. E como não há
espaços de poder que não sejam imediatamente correlatos aos espaços de saber, então o que
diferencia a apropriação social de jovens atores nas interfaces midiáticas em suas relações de
cotidiano em regiões periféricas? Para responder, pensamos em questionar sobre os saberes
que deram forma a essa ambiência, que lhe deram identidade, que lhe deram visibilidade e
uma dizibilidade. Paradoxalmente, e porque se remete a arqueologia dos saberes das regiões
centrais, a experiência dos jovens atores-personagens pesquisados em três momentos na
periferia do Rio Grande do Norte se valida na idéia de uma comunidade de valores nas teias
tecnocomunicativas contemporâneas. Nelas, eles processam novas metanarrativas através de
conceitos articulados a temas relacionados à ciência, tecnologia, meio ambiente, igualdade de
gênero, economia solidária, produção de conteúdos digitais, que apontam para a construção
de novas sociabilidades e identidades em ambientes juvenis periféricos.
O tema é, porém, mais complexo. Se por um lado, as novas formas de trabalho e vida
que vêm sendo propostos ainda se organizam. Por outro, novos gestos e atitudes preconizam
também a reinvenção da vida, para além da consciência teórica. Embora existam riscos nas
diferentes ofertas que o contexto atual lança, há nessa nova vida a compreensão de que a
junção das bases materiais com as espirituais da sociedade assaltou a subjetividade em uma
dimensão nunca vista. Nessa direção, a subjetividade tem se tornado uma matéria prima
essencial às relações de produção. É nela onde habitam as tecnointerações que transformam a
tecnologia em interação social. O uso das tecnologias ajuda a produzir vida, identidade e
subsistência em localidades periféricas. Tal processo impõe o deslocamento das forças
produtivas para a economia em pequena escala, que se preocupa em transformar o trabalho e
a vida em uma sobrevida, conduzindo a existência desses jovens para o eixo produtivo:
consumidor/mercadoria.

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Nesse contexto se inserem os jovens aprendizes do Metrópole Digital, ou mesmo das


Escolas de Inclusão digital e Cidadania da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural
do Rio Grande do Norte - EMATER e da escola de robótica do Instituto Internacional de
Neurociências, reféns e produtores de produtos e processos (protocolos, algoritmos,
conteúdos digitais, códigos, ações comunicativas) tecnológicos. Alcançam com suas
vivências e subjetividades uma nova modalidade de trabalho que se expande no ambiente
juvenil. E que também representa uma modalidade de vida que ganha cada vez mais
expressão: o chamado trabalho imaterial, aquele ligado aos saberes, ao conhecimento e à
criação.
Com a expansão e sofisticação da rede imaginária global, surgem novas profissões
para os jovens que se apropriam da cultura digital, todas elas pautadas no trabalho imaterial.
Muitos jovens do interior e da capital estão desenvolvendo habilidades para trabalharem com
as tecnologias da informação, seja em sistemas mecatrônicos, desenhando e produzindo
protótipos de automação, seja na internet como webdesigners, criadores de sites,
desenvolvedores de sistemas, produtores de conteúdo digital e audiovisual. O que eles
vendem são formas de vida, produzidas por formas de vida. Vidas capturadas em uma
ambiência onde o trabalho se torna vida, comunicação, invenção e criação.
Na opinião de Gorz (2004, p.74), este recorte no desempenho das forças produtivas
pode privilegiar uma abordagem que coloca o sujeito como base na mediação do mundo do
trabalho. Para ele existe uma nova mentalidade na geração X7 que não se expressa pública ou
politicamente, onde o lugar do trabalho/emprego torna-se abstrato e anônimo. Aqui, o fazer
comunicativo além de qualificar sujeitos para as práticas sociais cotidianas, passa a ser de
extrema importância no confronto de seus interesses sociais.
Os jovens são os seus próprios repertórios, criados a partir de ecossistemas
tecnodigitais e interacionais, mas não só isso; a condição sócio-econômica é permeada por
uma ordem técnico-discursiva que se entrelaça com as lógicas das operações que são
empreendidas nos ambientes tecnológicos. As subjetividades, entretanto, se constituem,
também, para além dos conteúdos e lógicas nesses mesmos ambientes.

7
Foi o escritor Douglas Coupland que, em uma obra que se situa entre uma pesquisa-reportagem e um romance,
batizou de Geração X a geração de jovens que “se recusa a morrer aos 30 anos, esperando ser enterrada aos 70”
– COUPLAND, David, Generation X. Tales for an Accelerated Culture, New York, St. Martin´s Press, 1991.

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Riza, nome fictício, 15 anos, moradora no sertão do Caicó (RN), ao ser entrevistada
sobre o consumo de informações em uma lan house reafirma o lugar central que a tecnologia
ocupa na vida desses jovens: “adoro estar aqui, furo fila para navegar e acho que na lan
house os jovens aprendem a conversar e a contar suas histórias em vídeo, a fazer jornais na
internet, que também servem para os deveres da escola” (COELHO 2009, p. 163,). A história
de Riza revalida o assalto à subjetividade dos jovens em ambientes de interfaces digitais. Ela
não só interage socialmente na rede, mas também se prepara para as tarefas escolares e para o
desenvolvimento da cognição.
Nesse contexto, a idéia de capital humano8, do sujeito que era formado ou
instrumentalizado para atividades específicas, alienado de seu corpo e de seus desejos, como
metas de desenvolvimento no capitalismo industrial para dimensionar os custos da produção,
desaparece no capitalismo tardio cognitivo. Ainda, segundo Gorz (2004, p.77), no presente,
todo homem pode ser visto como uma força de trabalho encarnada. São as suas
subjetividades que estão no mercado. Há “um mercado de personalidades” em uma sociedade
que se regula pelas interações dos sujeitos. A auto-estima dos sujeitos e as habilidades
colaborativas estão em jogo.
São esses os novos rearranjos produtivos. São essas as dimensões interativas que
reiteram as potencialidades das mutações socioculturais e econômicas no esteio das
comunidades tecnodigitais na ambiência juvenil. Igualmente, é inegável que estes grupos
utilizam os bens disponíveis e as experiências de maneiras diferentes para recriarem novas
condições de existência nas tecnointerações.
A partir das pesquisas realizadas nas Escolas de Inclusão Digital e Cidadania (EIDC)
da EMATER-RN sobre as atividades do Monitor nas EIDC, revelam-se situações de conflitos
e negociações identitárias entre os jovens integrados a um projeto de inserção social em um
meio distante das atrações e desafios urbanos. Eles demonstram estar em permanente
negociação com suas identidades locais a partir do contato direto com a rede imaginária
global. Estão preocupados em dar sentido ao universo de significações que são evidenciadas
no exercício diário das suas práticas de formação social, que transcendem a tarefa de ensinar
noções de informática.
8
O conceito de capital humano tem origem durante a década de 1950, nos estudos de Theodore Schultz. Seu
livro, lançado no Brasil em 1962, insere a discussão na economia da educação. O conceito é amplamente
difundido no Brasil também a partir da década de 80, quando as políticas educacionais ensejam os preceitos
neoliberais difundidos pelo Banco Mundial para dimensionar etapas do crescimento econômico relacionadas ao
custo-benefício da educação.

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Ao tentar definir inclusão digital, os monitores das EIDC revelam uma missão bem
inquietante, como afirma José (nome fictício): “a gente tem que incluir e fazer com que as
pessoas leigas conheçam a máquina”. Porém, no decorrer das entrevistas, o sentido de tal
“missão” ficou configurado como um preceito ideológico, uma norma identitária que rege o
trabalho nas EIDCs. Para eles, a inclusão digital é vista como uma ponte que conduz à
transformação social, à mudança de vida.
5. Contextualizando as novas demandas por cognição
A partir da década de 1970 um novo paradigma tecnológico, organizado com base na
tecnologia da informação se constitui e passa a remodelar as bases materiais da sociedade em
ritmo acelerado. Institui-se um padrão de descontinuidade na economia, na cultura, e nas
interações sociais, de modo que as sociedades passam a manter uma interdependência global,
caracterizada por uma nova forma de relacionamento entre economia, Estado e sujeitos. A
economia imaterial ganha forma.
As tecnologias de informação e comunicação, entre eles protótipos mecatrônicos e
ambientes digitais, têm grande penetrabilidade nas mais diversas esferas das atividades
humanas, de modo que foram sendo apropriadas pelas mais diferentes instituições, com
objetivos e usos distintos, possibilitando a ampliação do escopo das transformações
tecnológicas. São os jovens quem codificam, descodificam e recodificam produtos, protótipos
e conteúdos tecnodigitais. Essa relação dialética entre base (técnica, ciência, produção e
serviços/economia) e superestrutura (sociedade, política e cultura) evidencia as conexões
entre o desenvolvimento tecnológico e as relações socioculturais.
Segundo (CASTELLS, 2008), o agrupamento dessas tecnologias em torno de redes de
empresas, organizações e instituições formaram um novo paradigma sociotécnico, cujas
principais características são: a centralidade da informação (tecnologias que veiculam,
controlam e difundem informação); a penetrabilidade dos efeitos das novas tecnologias; a
lógica de redes em todo o conjunto de relações (sociais, culturais, econômicas e políticas,
sejam comunicacionais ou interpessoais) usando essas tecnologias; a flexibilidade; e a
convergência de tecnologias específicas para um sistema altamente integrado.
Então o que caracteriza os princípios operacionais dessa sociedade é a aplicação de
conhecimentos e informação para a geração de novos conhecimentos e dispositivos de
processamento/comunicação da informação, em um ciclo de realimentação cumulativo entre
a inovação e o uso, e não na centralidade de conhecimentos e informação. Nesse sentido, a

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veiculação da informação e do conhecimento na reorganização das bases materiais são


processos inseparáveis. Diferente de (GORZ, 2004), que centraliza as mudanças do sistema
produtivo na autodeterminação do sujeito em consonância com os saberes vividos e no
desenvolvimento da cognição, (CASTELLS, 2008), acredita em um capitalismo
informacional, que se registra na sofisticação e abrangência das novas tecnologias.
[...] o fator histórico mais decisivo para a aceleração, encaminhamento e formação
do paradigma da tecnologia da informação e para a indução de suas conseqüentes
formas sociais foi/é o processo de reestruturação capitalista, empreendido desde os
anos 80, de modo que o novo sistema econômico e tecnológico pode ser
adequadamente caracterizado como capitalismo informacional. (CASTELLS, 2008,
p. 55)
Não existem contradições entre o foco analítico de (CASTELLS, 2008) e (GORZ,
2004), ambos fazem menção a junção entre as bases materiais e espirituais da sociedade ao
tentarem compreender as transformações que ocorrem no capitalismo tardio. Os autores
deixam evidente que as mudanças societárias não são apenas de ordem tecnológica ou
econômica, mas contemplam todas as esferas da vida social. Desse modo, estamos diante de
um processo em que as inovações tecnológicas impulsionam a globalização da economia,
contribuindo para a transformação dos princípios produtivos de bens e serviços. E
transformam, também, a reorganização do cotidiano na instituição de sociabilidades
agregadas ao sujeito, à cognição e a produção, originando novas necessidades de formação
social que atendam ao deslocamento das forças produtivas para a economia da cognição
6. Conclusão
Como outros autores que observam as tecnointerações no ambiente juvenil, prevejo
que o que assistimos no cenário atual é a incorporação das tecnologias em todas as esferas da
sociedade, facilitando assim a comunicação e a interação entre pessoas e abrindo espaço para
a interação humana de forma colaborativa. O que apresento como novidade é o cotidiano
desses jovens sendo transferido e interagindo como extensão desses novos processos
societários. Supero, assim, a idéia de que a ordem técnica transfigura e modifica em um
sistema de mão única suas sociabilidades.
Por outro lado, os novos princípios operacionais, que se estendem a todas as
experiências da vida humana, entre elas os processos de apropriação das interfaces digitais,
também trazem em si uma nova mentalidade, a da intelectualização do trabalho. O que resulta
em preceitos ideológicos auto-centrados que colocam o sujeito como extensão do capital: “a
identificação com o ofício torna-se incompatível com a identificação com a empresa” (GORZ

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2004, p. 68:), o que esvazia as expectativas dos jovens em relação ao emprego, mas não o
coloca à margem do sistema produtivo. Muito pelo contrário, as aquisições das habilidades e
competências cognitivas para o ofício são extensões de suas próprias capacidades criadoras,
expressivas e imaginativas, já vivenciadas na cultura digital.
E como previu (MCLLUHAN 1969, p.65), “chegará o dia – e talvez este já seja uma
realidade – em que as crianças aprenderão muito mais e com mais rapidez em contato com o
mundo exterior do que no recinto da escola”. Dessa forma, a educação como processo
integral, como formação social, não só incorpora aspectos curriculares, mas sim modifica
toda uma vida do educando e principalmente age fora do contexto escolar. A aprendizagem
dos conteúdos conceituais em aulas que envolvem noções de mecatrônica, desenvolvimento
de sistemas inteligentes, automação e conteúdos digitais, torna-se um elo para uma
compreensão maior da vida, de autoconhecimento e de possibilidades de mobilidade social.
Na tentativa de estruturar os conceitos de personalidade individual e interação social,
(GOFFMAN 1985, p. 221-222) afirma que “quando um indivíduo se apresenta diante dos
outros, projeta uma definição da situação, da qual uma parte importante é o conceito de si
mesmo”, o que o ajuda nas interações sociais e nas mudanças da realidade social, agindo
também na personalidade do indivíduo. Então, pode se afirmar que os jovens atores
pesquisados colocam, como marcas de apropriação nas interfaces digitais, aspectos de suas
personalidades já postas nas relações interativas do cotidiano.
E é inevitável que tal engajamento entre autoconhecimento do sujeito, vida cotidiana
e formação social continuada em um processo de midiatização social acelerada, requer mais
mediações sociais para formar sujeitos capazes de dialogar com as imprevisibilidades do que
uma educação diferenciada. Projetar e fabricar dispositivos mecânicos motorizados, a
princípio pode soar como algo mecanizado e sem contextualização com o entorno em que o
individuo vive. Contudo, quando o desafio agrega valores de autoconhecimento e
comunitários à atividade, a robótica transfigura-se e passa a freqüentar o mundo vivido. Os
alunos da Escola Alfredo J. Monterverde, que usam sucatas em algumas de suas atividades,
costumam trazer de casa ventiladores e liquidificadores quebrados para reciclá-los e recolocá-
los em seus cotidianos de crianças que não consomem o último modelo, mas que reinventam
a vida, criando novas sociabilidades no entorno em que vivem.
Talvez as tecnointerações em ambientes tecnológicos extraiam do individuo a
capacidade de operar com resoluções de problemas, muitos dos quais já estão consoantes com

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vivências de seu meio, e com as relações intra e interpessoais às quais compartilha. Permite,
também, que o sujeito descubra diferentes mundos em contextos diversos, o que o projeta
para os múltiplos modos de operar na sociedade atual. O faz reconhecer um agrupamento de
vários tipos de saberes e inteligências na ação comunicativa.
É nesse sentido que a interação midiatizada forma para as mudanças societárias e para
o capitalismo cognitivo. Ainda segundo Gorz (2005), esse é um tipo de capitalismo que
sobrevive à debilidade de suas categorias fundamentais:
Agora, porém, a força produtiva decisiva não pode mais reduzir o saber a um
denominador uniforme, medido em unidades de valor e de tempo. O saber não é
uma mercadoria qualquer, seu valor (monetário) é indeterminável; ele pode, uma
vez que é digitalizável, se multiplicar indefinidamente e sem custos; sua propagação
eleva sua fecundidade, sua privatização a reduz e contradiz a sua essência (GORZ,
p. 59:2005)
Em discursos observados na ambiência da pesquisa no Projeto Metrópole Digital, os
alunos também demonstraram que os conteúdos de matemática, mecatrônica e língua
estrangeira (inglês) estão presentes em seus cotidianos através de experiências em que
utilizam os conhecimentos adquiridos em seu ambiente social de forma significativa. Eles
afirmam que esses conteúdos auxiliam na construção de habilidades para solucionar
problemas domésticos, como o entendimento e o concerto de equipamentos eletroeletrônicos
de parentes e amigos, produzindo novas sociabilidades e interações comunicativas. Há relatos
ainda em que os alunos creditam aos cursos de tecnologia da informação a melhoria no
entendimento de conteúdos curriculares, como nas disciplinas de Física e Matemática e nos
relacionamentos interpessoais, por meio do trabalho em equipe. No seu conjunto, as
experiências do Metrópole Digital e da Escola Alfredo J. Monterverde mostram que o
desenvolvimento da cognição na ambiência tecnológica não é um projeto demiúrgico da
ciência Funciona como extensão dos sujeitos que vivenciam a experiência da cultura digital
em todas as suas amplitudes, como: produção do imaginário, de desejos, de sensibilidades,
em suma, das subjetividades que compõem a economia da cognição.
Nesse cenário, também se podem constatar alguns sintomas das marcas cognitivas ou
dos saberes locais que interagem com a cultura digital. Estas são ressaltadas na construção de
um ambiente de aprendizagem que se preocupa em circundar uma periferia e atender jovens
carentes na iniciação a ciência e tecnologia como partem de um projeto de agregação de
capital cultural cognitivo. Na prática, esses jovens também respondem pelas noções de
diferença, de responsabilidade civil, comunitária e de pertencimento, que estão sendo

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produzidas em um determinado lugar, com específicas formações discursivas e práticas,


quando interagem em ambientes de interfaces digitais.
Coincidentemente, reside nesse lócus – tecnodigital - o mundo em transição onde são
negociadas as novas formas simbólicas que marcam as transformações econômicas e os
produtos socioculturais na atualidade. Pensar a apropriação das interfaces digitais em
ambientes juvenis é estar dialogando com identidades globais e periféricas, que são ao
mesmo tempo objeto e sujeito das mediações contemporâneas. É nesse lócus, onde a
informatização, o letramento digital e a robotização têm permitido produzir cada vez mais
trabalho imaterial, onde as metanarrativas criam mundos de representações simbólicas, que
surge a metáfora do sujeito autônomo, do trabalho vivo. Seriam esses jovens protagonistas de
uma nova geração de atores que encontrou na comunicação e nos processos de transformação
da midiatização uma nova forma de revalidar o empoderamento dos sujeitos sociais – de
autodeterminação, criação e invenção - nas práticas cotidianas que os produzem?
Mas é do reconhecimento analítico que existe uma coalizão de naturezas distintas –
arcaicas e tribais com ambientes tecnológicas ou bens experimentais – a fundir-se em um
sonho recorrente, que ensina a colocar raízes, ou seja: ajuda a definir a identidade do sujeito,
seu empoderamento social e as atitudes cidadãs nas interfaces digitais. Por último, constata-
se, que o que existe de novo é uma primeira percepção de que há uma resistência simbólica,
um novo imaginário, que luta para se apropriar-se de algoritmos, códigos e conteúdos digitais
na perspectiva de produzir vida e mobilidade social em ambientes periféricos.

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