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História da Psicopatolgia

Curso de Psicologia – Disciplina Psicopatologia


Liliane Santos - Agosto 2021
Conceito de normalidade em
Psicopatologia

• O que é normal e patológico???


Conceito de normalidade em
Psicopatologia

• Controverso
• Casos limítrofes
• Também em outros campos da Medicina
• George Canguilhem (1978) – O normal e o patológico

DALGALARRONDO, 2019
Critérios de normalidade:
• Ausência de doença (definição negativa, falha)
• Ideal (utopia, critérios socioculturais e ideológicos)
• Estatística (mais frequente, frágil)
• Como bem-estar (OMS, 1946 – vasto e impreciso)
• Funcional
• Como processo
• Subjetiva
• Como liberdade (doença mental como fechamento das possibilidades
existenciais)
• Operacional

DALGALARRONDO, 2019
Critérios de normalidade:

DALGALARRONDO, 2019
DALGALARRONDO, 2019
DALGALARRONDO, 2019
DALGALARRONDO, 2019
DALGALARRONDO, 2019
Michel Foucault 1926 - 1984

FOUCAULT, 1978
História da Psicopatologia

A Balsa da Medusa, Jean Louis Théodore Géricault, 1819


Fonte: https://www.ex-isto.com/2019/06/historia-da-loucura.html
História da Psicopatologia
• Na Grécia Antiga, acreditavam que os loucos possuíam
poderes divinos.

Dionísio, Deus do vinho, loucura e fertilidade


História da Psicopatologia
• Na Idade Média, os loucos eram associados ao demônio e vistos como
entes possuídos.
• Por isso, passavam seus dias acorrentados e expostos ao frio e à fome ou,
em casos extremos, queimados em fogueiras como hereges.
História da Psicopatologia
• Esse tipo de tratamento se estendeu até o século XVIII.
• Ainda não se falava em doença mental.
• A sociedade, preocupada apenas com a sua segurança,
colocava os loucos em prisões, junto de outros excluídos.
História da Psicopatologia
• Século XVIII para o século XIX
• O francês Philippe Pinel volta-se
para loucura, que passou a ser
uma questão médica (vista como
uma doença que deveria ser
tratada).
• Surgiram a clínica, como local de
internação, e os estudos sobre
psiquiatria.

Philippe Pinel
1745 - 1826
História da Psicopatologia
• O médico que se especializava
no tratamento dos alienados
era chamado de alienista.
• Pode-se destacar o trabalho de
Esquirol, aluno e seguidor de
Pinel, que integrou,
juntamente com Morel (1809-
1873) e Edouard Séguin
(1812-1880), a escola francesa
iniciada por Pinel.

Jean-Étienne Esquirol
1772 - 1840
História da Psicopatologia
• Século XIX:
• Emil Kraepelin, integrante da
corrente organicista alemã,
após cuidadosa descrição de
sintomas clínicos, da evolução
e da análise
anatomopatológica, formula
uma nova doutrina que serve
de referência às próximas
gerações de especialistas.

Emil Kraepelin
1856 - 1926
História da Psicopatologia

• Século XX:
• Freud cria a psicanálise que
se populariza em todo o
mundo e se impõe como
marco no campo da Saúde
Mental.

Sigmund Freud
1856 - 1939
História da Psicopatologia
• Apesar de toda a evolução dos
estudos sobre a mente, entre 1940
e 1960 algumas terapias beiravam
à barbárie.
• Havia o eletrochoque (ainda
usado, nos dias atuais, em casos
graves com laudo de junta
médica), a malarioterapia
(contaminação do paciente com o
protozoário da malária na
tentativa de criar distúrbios), a
insulinoterapia (coma diabético
provocado por meio de injeção de
insulina) e o uso do cardiazol
(droga para provocar convulsões).
História da Psicopatologia
História da Psicopatologia

• Na década de 60, Kaplan e sua


psiquiatria preventiva e as
experiências das comunidades
terapêuticas da Inglaterra
criaram outros paradigmas até as
idéias de Franco Basaglia,
lançadas na Itália, em 1968, e
influentes até hoje no cuidado
com o paciente psiquiátrico.
Franco Basaglia
1924 - 1980
História da Psicopatologia
• A cidade de Santos, no litoral
de São Paulo, foi a pioneira
na transformação da Saúde
Mental no Brasil. Foi a
primeira cidade brasileira e a
quarta do mundo a construir
uma rede de serviços que
substituía inteiramente o asilo
e o manicômio.
Luta

Anti
manicomial
História da Psicopatologia
• Com a implementação da Lei
n.º 36.570, de 1989, que
consolida a substituição dos
serviços de natureza
manicomial para serviços
abertos na comunidade,
surgem os Centros de Atenção
Psicossocial (CAPS), entre
outros.

LEI Nº 10.216, DE 6 DE ABRIL DE 2001 - Lei Paulo Delgado


Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de
transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde
mental.
Reforma psiquiátrica

• Em quatro dimensões:

• Epistemológica: revisão e reconstrução no campo teórico da


ciência;
• Construção e invenção de novas estratégias e dispositivos de
assistência e cuidado;
• Jurídico-política: revisão de conceitos fundamentais na
legislação e transformação, na prática social e política, de
conceitos como cidadania, direitos civis, sociais e humanos;
• Cultural: transformação do imaginário social sobre a loucura.
“Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente
chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer
um pedido: Vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade
mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas
ajuizadas.
É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só
assim é possível mudar a realidade...”
Nise da Silveira
Referências bibliográficas
• BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria-Executiva. Subsecretaria de Assuntos
Administrativos. Memória da loucura: apostila de monitoria. Brasília : Ministério da
Saúde, 2008. 88 p. (Série I. História da Saúde no Brasil). Disponível em
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/memoria_loucura_apostila_monitoria.pdf
Acesso em agosto de 2021.
• CARDOSO, Ligia M. Ananias. Ensino-aprendizagem de psicopatologia: um projeto
coletivo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.
• DALGALARRONGO, Paulo. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. 3
ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. Disponível
em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582715062/cfi/6/8!/4/2/4@0:0.
• FOUCAULT, Michel. História da loucura na Idade Clássica. São Paulo: Ed. Perspectiva,
1978.
• OLIVEIRA, Rafael Miranda de (Org.). Seminários em Psicopatologia: da psiquiatria
clássica à contemporaneidade. Belo Horizonte: Coopmed, 2013.
• TEIXEIRA, Antônio; CALDAS, Heloisa (Orgs.). Psicopatologia lacaniana I: Semiologia.
Belo Horizonte: Autêntica, 2020.

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