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A crítica feminista foi considerada como um "território selvagem", afinal, analisar a mulher

como autora e rever sua imagem na literatura, desautorizou o discurso machista e o


patriarcalismo da crítica literária, praticamente masculina.

A partir da leitura de 'A CRÍTICA LITERÁRIA FEMINISTA E OS ESTUDOS DE


GÊNERO: UM PASSEIO PELO TERRITÓRIO SELVAGEM' (TEXTO a10) e 'FEMINISMO
E LITERATURA NO BRASIL' (Texto a11), aponte dois importantes motivos para se
trabalhar as questões da feminilidade na literatura, e os respectivos porquês.

Ao reconhecer o potencial da Literatura como lugar de “resistência cultural” às formas de


dominação e desrespeito à diversidade de gênero, raça, classes, crenças e outras facetas, a Crítica
Literária Feminista embora marcada por e impasses, a desapropriou o discurso machista até então
“hegemônico” nesse “Lugar” e passou a mostrar outra imagem da mulher diferente da que o
patriarcalismo expôs por muitos anos na Literatura. Pensando em razões para se trabalhar as
questões da feminilidade na Literatura imagina-se que esses pontos são pouco trabalhados na
escola, provavelmente porque esta seria uma história de sucesso em termos de resistência à
opressão pouco difundida pelos livros de história ou de Literatura. Um bom motivo para se
trabalhar a feminilidade na literatura seria permitir que as novas gerações conheçam a “história das
conquistas femininas, os nomes das pioneiras, a luta das mulheres de antigamente que, de peito
aberto, denunciaram a discriminação, por acreditarem que, apesar de tudo,era possível um
relacionamento justo entre os sexos”. Tal conhecimento serviria para tornar os estudos de gênero
na Literatura “um território explorável” e contribuir para a formação de sujeitos conscientes da
igualdade de direitos civis e políticos.

Outra razão imprescindível, segundo Oliveira e Paradiso (2012), seria a importância de


mostrar aos indivíduos as estratégias de dominação utilizadas pelos sistemas de dominação porque
possibilitaria a mobilização dos sujeitos para atitudes que rompem com os postulados das ideologias
dominantes. Desse modo, os indivíduos teriam o conhecimento do feminismo não apenas como um
“motim” de mulheres articuladas em torno de reivindicações simplistas, mas num sentido mais
amplo, nas palavras de Duarte (2003; p. 152) “como todo gesto ou ação que resulte em protesto
contra a opressão e a discriminação da mulher, ou que exija a ampliação de seus direitos civis e
políticos, seja por iniciativa individual, seja de grupo”. O conceito amplo de feminismo mostra que
muito além, de um protesto ou “pirracinha de mulher”, o feminismo especialmente no campo da
literatura, teve um papel importante na difusão das conquistas que transformaram a sociedade, a
exemplo do direito ao voto, à Educação, à inserção no mercado de trabalho, de assumir cargos
públicos, entre outros.

Referências:
1. OLIVEIRA, Daniela de Cássia Berlotti Traspadini; PARADISO, Silvio Ruiz. Gênero e
colonialismo em Our Lady of massacre (1979), de Angela Carter. Alagoinhas, BA, Pontos
de Interrogação, Vol. 2, n. 1, jan./jun. 2012.
2. DUARTE, Constância Lima. Feminismo e literatura no Brasil. São Paulo, Estudos
Avançados, vol.17, n.49, dez. De 2003.
3. BELLIN, Greicy Pinto. A crítica literária feminista e os estudos de gênero: um passeio pelo
território selvagem. Revista Fronteira Z, São Paulo, n. 7, dezembro de 2011.

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