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Guerra do Vietnã

Introdução

Conflito entre o Vietnã do Sul, apoiado pelos Estados Unidos, e o Vietnã do Norte.
Tem início em 1959, quando a guerrilha comunista do sul (Vietcongue) e as tropas do
norte tentam derrubar o regime pró-Ocidente no Vietnã do Sul e reunificar o país. Em
1961, os EUA começam a se envolver no conflito, auxiliando o regime anticomunista
do sul.

O apoio se amplia até a completa intervenção militar, a partir de 1965. Dez anos
depois a guerra chega ao fim, após a retirada norte-americana e a tomada de Saigon
(capital do Vietnã do Sul) pelos comunistas.

A participação dos EUA é parte da disputa entre o capitalismo norte-americano e o


socialismo soviético pela hegemonia mundial. Em 1976, o Vietnã é reunificado, e os
norte-americanos sofrem a maior derrota de sua história.

Contexto Histórico

O Vietnã havia sido colônia francesa e no final da Guerra da Indochina (1946-1954)


foi dividido em dois países. O Vietnã do Norte era, comandado por Ho Chi Minh,
possuindo orientação comunista pró União Soviética. O Vietnã do Sul, uma ditadura
militar, passou a ser aliado dos Estados Unidos e, portanto, com um sistema
capitalista.

Causas da Guerra

A relação entre os dois Vietnãs, em função das divergências políticas e ideológicas,


era tensa no final da década de 1950. Em 1959, vietcongues (guerrilheiros
comunistas), com apoio de Ho Chi Minh e dos soviéticos, atacaram uma base norte-
americana no Vietnã do Sul. Este fato deu início a guerra.
Entre 1959 e 1964, o conflito restringiu-se apenas ao Vietnã do Norte e do Sul,
embora Estados Unidos e também a União Soviética prestassem apoio indireto.

Intervenção militar dos Estados Unidos

Em 1964, os Estados Unidos resolveram entrar diretamente no conflito, enviando


soldados e armamentos de guerra. Os soldados norte-americanos sofreram num
território marcado por florestas tropicais fechadas e grande quantidade de chuvas. Os
vietcongues utilizaram táticas de guerrilha, enquanto os norte-americanos
empenharam-se no uso de armamentos modernos, helicópteros e outros recursos.

Invasão norte-vietnamita

No final da década de 1960, era claro o fracasso da intervenção norte-americana.


Mesmo com tecnologia avançada, não conseguiam vencer a experiência dos
vietcongues. Para piorar a situação dos Estados Unidos, em 1968, o exército norte-
vietnamita invadiu o Vietnã do Sul, tomando a embaixada dos Estados Unidos em
Saigon. O Vietnã do Sul e os Estados Unidos responderam com toda força. É o
momento mais sangrento da guerra.
Protestos e o fim da guerra

No começo da década de 1970, os protestos contra a guerra aconteciam em grande


quantidade nos Estados Unidos. Jovens, grupos pacifistas e a população em geral
iam para as ruas pedir a saída dos Estados Unidos do conflito e o retorno imediato
das tropas. Neste momento, já eram milhares os soldados norte-americanos mortos
no conflito. A televisão mostrava as cenas violentas e cruéis da guerra.

Sem apoio popular e com derrotas seguidas, o governo norte-americano aceita o


Acordo de Paris, que previa o cessar-fogo, em 1973. Em 1975, ocorre a retirada total
das tropas norte-americanas. É a vitória do Vietnã do Norte.

Armas químicas

Apesar de proscritas pelas Convenções de Genebra [9], armas químicas foram


fartamente usadas pelos EUA, durante a Guerra do Vietnã. A mais conhecida delas
foi o Napalm, uma mistura de gasolina com uma resina espessa da palmeira que lhe
deu o nome e que, em combustão, gera temperaturas a 1.000ºC. Se adere à pele,
queima músulos e funde os ossos, além de liberar monóxido de carbono, fazendo
vítimas por asfixia.

Mas além do Napalm, o exército norte-americano despejou sobre o Vietnã, desde


1961 (com a aprovação do presidente John Kennedy) até 1971, cerca de 80 milhões
de litros de herbicidas. Entre eles, o mais utilizado, devido à sua terrível eficácia, foi o
Agente laranja, que é uma combinação de dois herbicidas: o 2,4-D e o 2,4,5-T, sendo
que a síntese deste último gera um subproduto cancerígeno, a Dioxina
tetraclorodibenzodioxina, considerada uma das substâncias mais perigosas do
mundo [10].

O impacto ecológico do uso dessas armas químicas foi catastrófico para a cobertura
vegetal e para a população que habitava a região. [11][12][13][14]

Mais de 40 anos depois da guerra, a dioxina produzida pelo Agente Laranja


continuava biologicamente ativa. E, atualmente, as concentrações encontradas em
várias regiões do Vietnã superam de 400 vezes o limiar de toxicidade, conforme
evidenciado pela Canada Hatfield Consultants.

A dioxina foi culpada pela alta incidência de doenças de pele, malformações


genéticas, câncer, incapacidades mentais e outros problemas que afetam a
população vietnamita (e ex-militares dos EUA). Milhares de crianças nasceram com
problemas de pais que não foram expostos ao herbicida durante a guerra, mas que
comeram alimentos contaminados por ele. Como de praxe, a maioria das vítimas
pertence às famílias mais pobres [15].

Em 2005, a Associação Vietnamita do Agente Laranja moveu uma ação judicial


contra as companhias químicas norte-americanas produtoras do Agente Laranja. Mas
o juiz federal, Jack Weisntein, não acolheu a queixa, alegando que não havia, nos
autos do processo, "nada que comprovasse que o Agente Laranja tenha causado as
doenças a ele atribuídas, principalmente pela ausência de uma pesquisa em larga
escala".
Curiosamente, em 1984, uma ação judicial movida por veteranos de guerra norte-
americanos contra as mesmas companhias, pelos mesmo motivos, resultou em um
acordo de 93 milhões de dólares em indenizações aos soldados.

Resultados da Guerra

Unificação do país, com a criação da República Socialista do Vietnã, que sem crédito
no exterior e isolada no plano diplomático, possuía graves problemas econômicos;
reafirmou sua aliança com a União Soviética e rompeu com a China; reaproximou-se
da França. Para os Estados Unidos restaram o trauma de uma guerra que não contou
com apoio de seu povo em momento algum e ainda arranhou o seu orgulho de
potência militar.

O conflito deixou mais de 1 milhão de mortos (civis e militares) e o dobro de mutilados


e feridos, alem disso A guerra arrasou campos agrícolas, destruiu casas e provocou
prejuízos econômicos gravíssimos no Vietnã.

Conclusão

O Vietnã foi o país mais vitimado por bombardeios aéreos no século XX. Caíram
sobre suas cidades, terras e florestas, mais toneladas de bombas do que as que
foram lançadas na II Guerra Mundial. Para tentar desalojar os guerrilheiros das matas
foram utilizados violentos herbicidas - o agente laranja - que dizimou milhões de
árvores e envenenou os rios e lagos do país. Milhares de pessoas ficaram mutiladas
pelas queimaduras provocadas pelas bombas de napalm e suas terras ficaram
imprestáveis para a lavoura. Por outro lado, aqueles que não aceitaram viver no
regime comunista fugiram em precárias condições, tornaram-se boat people,
navegando pelo Mar da China em busca de um abrigo ou vivendo em campos de
refugiados em países vizinhos. O Vietnã regrediu economicamente a um nível de
antes da II Guerra Mundial. Os Estados Unidos por sua vez saíram moralmente
dilacerados, tendo que amargar a primeira derrota militar da sua história. Suas
instituições - a CIA e o Pentágono - foram duramente criticadas e um de seus
presidentes, Richard Nixon, foi obrigado a renunciar em 1974, depois do escândalo
de Watergate. Nunca mais o establishment americano voltou a ganhar a integral
confiança dos cidadãos.

Bibliografia

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/guerra_vietna11.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_do_Vietn%C3%A3
http://www.suapesquisa.com/historia/guerra_do_vietna.htm