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SISNAMA - Sistema Nacional do Meio Ambiente

O Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, foi instituído pela Lei 6.938, de 31 de
agosto de 1981, regulamentada pelo Decreto 99.274, de 06 de junho de 1990, sendo
constituído pelos órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Municípios e pelas Fundações instituídas pelo Poder Público, responsáveis pela proteção e
melhoria da qualidade ambiental, e tem a seguinte estrutura:

• Órgão Superior: O Conselho de Governo


• Órgão Consultivo e Deliberativo: O Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA
• Órgão Central: O Ministério do Meio Ambientel - MMA
• Órgão Executor: O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis - IBAMA
• Órgãos Seccionais: os órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela execução de
programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de provocar a
degradação ambiental;
• Órgãos Locais: os órgãos ou entidades municipais, responsáveis pelo controle e
fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas jurisdições;

A atuação do SISNAMA se dará mediante articulação coordenada dos Órgãos e entidades que
o constituem, observado o acesso da opinião pública às informações relativas as agressões ao
meio ambiente e às ações de proteção ambiental, na forma estabelecida pelo CONAMA.

Cabe aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a regionalização das medidas
emanadas do SISNAMA, elaborando normas e padrões supletivos e complementares.

Os Órgãos Seccionais prestarão informações sobre os seus planos de ação e programas em


execução, consubstanciadas em relatórios anuais, que serão consolidados pelo Ministério do
Meio Ambiente, em um relatório anual sobre a situação do meio ambiente no País, a ser
publicado e submetido à consideração do CONAMA, em sua segunda reunião do ano
subsequente

Saiba mais: Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA,


artigo de Antonio Silvio Hendges

Publicado em novembro 19, 2010 por HC

Tags: SISNAMA

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Prof.Antonio Silvio Hendges


[EcoDebate] A Rio 92 no artigo 10 de sua declaração final estabelece que a participação
coletiva seja “o melhor modo de tratar as questões do meio ambiente assegurando a
participação de todos os cidadãos interessados, ao nível pertinente”. Deste modo, a
coletividade deixa de ser passiva e torna-se elemento fundamental da construção e da
gestão de políticas direcionadas à preservação, recuperação e aproveitamento dos recursos
naturais, ocupação de áreas e espaços preservados, uso dos recursos hídricos, fiscalização,
financiamentos e pesquisas. Dentro desta lógica de responsabilidade compartilhada, o
Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) é composto de diversos órgãos colegiados
que atuam em diferentes níveis administrativos, técnicos e decisórios que procuram garantir
a pluralidade de opiniões e interesses e a construção de políticas públicas que garantam a
qualidade de vida atual e das futuras gerações.

O SISNAMA possui órgãos e instrumentos que buscam a garantia dos procedimentos


administrativos previstos na legislação ambiental brasileira.

- CONSELHO DE GOVERNO – Composto pelos órgãos essenciais da Presidência da República:


Casa Civil, Secretaria Geral, Secretaria de Comunicação Social, Secretaria de Assuntos
Estratégicos, Casa Militar e Advocacia Geral da União. Presidido pelo(a) Presidente da
República ou pelo(a) Ministro(a) Chefe da Casa Civil. Sua ação tem como objetivo assessorar
a Presidência na formulação e implantação de diretrizes governamentais. Criado através da
Medida Provisória 813 de 01/01/1995.

- CÂMARA DE POLÍTICA DOS RECURSOS NATURAIS – É integrada por nove Ministros de


Estado: Casa Civil, Fazenda, Planejamento, Minas e Energia, Meio Ambiente, Agricultura,
Relações Exteriores, Ciência e Tecnologia e Indústria e Comércio. Representantes de outros
órgãos podem ser convidados para participarem e as ações executivas são de
responsabilidade do Comitê Executivo desta câmara, integrado pelos secretários executivos
dos ministérios titulares e o Sub Chefe Executivo da Casa Civil. Os objetivos são a) formular
políticas públicas e b) propor diretrizes executivas relacionadas aos recursos naturais.
Importante destacar que na Câmara de Política dos Recursos Naturais à sociedade civil, os
estados e municípios não têm representantes e que algumas atribuições desta câmara se
sobrepõe ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), podendo existir conflitos entre
estes dois órgãos colegiados do SISNAMA. Criada pelo Decreto Lei 1696 de 13/11/1995.

- GRUPO EXECUTIVO DO SETOR PESQUEIRO (GESPE) – Este grupo tem como função propor
à Câmara de Políticas dos Recursos Naturais a Política Nacional de Pesca e Aquicultura,
coordenando sua implantação. É um órgão executivo e não normativo. Criado pelo Decreto
Lei 1697 de 13/11/1995.

- CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA) – Responsável pelo assessoramento


direto ao Conselho de Governo e suas ações deliberativas. Estabelece critérios e normas para
licenciamentos e padrões de controle e qualidade ambiental. É um órgão consultivo e
deliberativo com os objetivos de assessorar, estudar e propor ao Conselho de Governo
diretrizes para as políticas governamentais relacionadas ao meio ambiente e aos recursos
naturais estabelecendo regras para a preservação da qualidade de vida e do equilíbrio
ambiental. Foi estabelecido pela Lei 6.938 de 31/08/1981 que dispõe sobre a Política
Nacional do Meio Ambiente. Os Estados e municípios também precisam ter seus Conselhos
de Meio Ambiente em atividade. Todos os Estados possuem conselhos em funcionamento,
porém grande parte dos municípios brasileiros ainda não possuem este órgão colegiado em
suas administrações.

- FUNDO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (FNMA) – Tem como objetivo desenvolver projetos
referência no uso sustentável e racional dos recursos naturais, a manutenção, recuperação e
melhoria da qualidade ambiental e da vida coletiva da população. Os recursos financeiros do
FNMA são direcionados para as áreas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, educação
ambiental, unidades de conservação, manejo e extensão florestal, controle ambiental,
aproveitamento econômico da flora e fauna nativas e desenvolvimento institucional.
Instituído pela Lei 7.797 de 10/07/1989.

- MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, DOS RECURSOS HÍDRICOS E DA AMAZÔNIA LEGAL –


Responsável pelo planejamento, supervisão, controle e supervisão das ações de governo
relativas ao meio ambiente e recursos hídricos. Formula e executa a política nacional do
meio ambiente e implementa acordos e parcerias (com a comunidade internacional,
empresas, governos) nas áreas ambientais. Suas políticas devem estar voltadas para a
preservação, conservação e uso racional dos recursos naturais, renováveis ou não. É
composto de diversos conselhos e órgãos: Conselho Nacional do Meio Ambiente, Conselho
Nacional da Amazônia Legal, Conselho Nacional dos Recursos Naturais Renováveis, Comitê
do Fundo Nacional do Meio Ambiente, Secretaria dos Recursos Hídricos, Secretaria de
Coordenação dos assuntos da Amazônia Legal e Secretaria de Coordenação de
Desenvolvimento Integrado. Criado pela Lei 8.490 de 19/11/1992.

- INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS


(IBAMA) – É uma autarquia federal com autonomia administrativa e financeira vinculada ao
Ministério do meio ambiente. É o órgão executivo da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei
6.938/1981) e desenvolve diversas atividades de preservação, conservação e fiscalização
sobre o uso dos recursos naturais (água, flora, fauna, solos). Realiza estudos ambientais e
concede licenças ambientais para empreendimentos com impactos nacionais. Formado com a
fusão de quatro entidades que atuavam na área ambiental: Secretaria Especial de Meio
Ambiente (SEMA), Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF),
Superintendência de Desenvolvimento da Pesca (SUDEPE) e Superintendência da Borracha
(SUDHEVEA). Criado pela Lei 7.735 de 22/02/1989

- INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE (ICMBio) – É uma


autarquia federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, responsável pela administração
das unidades federais de conservação e a execução de pesquisas, proteção e conservação da
biodiversidade brasileira. Executa as ações da política nacional de unidades de conservação,
propõe, implanta, gerencia, protege, fiscaliza e monitora as UCs instituídas pela União e as
políticas de uso sustentável dos recursos naturais renováveis e de apoio ao extrativismo e às
populações tradicionais nas unidades de conservação federais de uso sustentável. Exerce o
poder de polícia ambiental para a proteção das unidades de conservação federais. Criado
através de um desmembramento do IBAMA pela Lei 11.516 de 28/08/2007.

Brasil - Pra quê Sisnama, Conama, Ibama...???

Ana Cândida Echevenguá

Advogada ambientalista. Coordenadora do Programa Eco&Ação, presidente da ONG Ambiental


Acqua Bios

Adital

No Brasil, urge a necessidade de promoção do diálogo social e político para


reduzir o total desconhecimento que impera na sociedade brasileira sobre os
direitos e deveres de cada um, em especial, sobre o acesso e o uso dos nossos
recursos naturais.

Em 1981, para tratar da Política Nacional do Meio Ambiente, foi editada a Lei
6.938. Com esta, veio o SISNAMA - Sistema Nacional do Meio Ambiente. Após
adaptações da Lei 7.804/1989, surgiram o Cadastro de Defesa Ambiental e o
Cadastro de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos
Ambientais, para registro das pessoas que exercem atividades potencialmente
poluidoras e perigosas ao meio ambiente.

Perceberam que, nessa época, nossos representantes governamentais estavam


preocupados com o meio ambiente? Os objetivos da Lei 6.938 deixam isso bem
claro: “preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à
vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento sócio-
econômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da
vida humana”.

Olhem só o que 6.938 diz: a qualidade ambiental propícia à vida está


diretamente relacionada à segurança nacional!!!

A referida Lei, ao regrar princípios para atingir seus objetivos, exige ação
governamental na manutenção do equilíbrio ecológico; e que o meio ambiente –
que ela trata como patrimônio público – deve ser “necessariamente assegurado
e protegido, tendo em vista o uso coletivo”. Fala até em “acompanhamento do
estado da qualidade ambiental”.
Gente, a Lei é tão boa que impôs ao poluidor e ao predador, a “obrigação de
recuperar e/ou indenizar os danos causados e, ao usuário, a contribuição pela
utilização de recursos ambientais com fins econômicos”.

E impôs ao Sisnama a responsabilidade pela proteção e melhoria da qualidade


ambiental. Mais, previu o Conama - Conselho Nacional do Meio Ambiente -, um
órgão consultivo e deliberativo para cuidar das “diretrizes de políticas
governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais”; e “deliberar (...)
sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente
equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida”.

Conama

Devido à sua importância, o Conama ganhou capítulo especial na Lei 6.938. E


adquiriu o direito de criar normas e padrões nacionais de controle da poluição e
de manutenção da qualidade do meio ambiente; devendo agir sempre de olho
no uso racional dos recursos ambientais.

Com o advento da Lei 8.028/1990, o Conama passou a integrar a Secretaria do


Meio Ambiente, criada para “planejar, coordenar, supervisionar e controlar as
atividades relativas à Política Nacional do Meio Ambiente e à preservação,
conservação e uso racional dos recursos naturais renováveis”.

Quase esqueci: o Conama “é um colegiado representativo de cinco setores, a


saber: órgãos federais, estaduais e municipais, setor empresarial e sociedade
civil” - http://www.mma.gov.br/port/CONAMA/estr.cfm. Ou seja, é obrigatória a
participação de uma parcela (ínfima) da sociedade civil. Com direito à voz e
voto. Embora seja voto vencido sempre, à sociedade é garantido o direito de
votar. Esta benesse, no Brasil de hoje, é sinônimo clássico de democracia, de
participação popular no processo democrático de defesa e proteção
socioambiental.

Puxa, lendo todas essas regras, é crível que o Brasil tenha a melhor legislação
ambiental do mundo.

Acautelem-se, no entanto! Essa legislação não atinge aqueles objetivos da


política nacional de meio ambiente.

Hoje, o Conama não passa de um balcão de negócios que viabiliza a


flexibilização das regras ambientais. Melhor dizendo, ele é uma ferramenta para
legalizar crimes ambientais.

Viram como o verbo flexibilizar está em voga? Foi eleito – pelos intelectuais de
plantão no governo - porque não remete nosso pensamento à verdadeira ação
que nele está embutida.

Como isso é possível?


Simples. O Conama cria regras inconstitucionais e ilegais ao bel-prazer do ‘setor
empresarial’, com a conivência dos ‘órgãos federais, estaduais e municipais’
que integram o atual Governo. Atualmente, a regra do jogo é essa: “vamos
legalizar tal postura reiterada para acabar com o transtorno dos atores deste
setor”. E qual a forma melhor? Através das deliberações dos integrantes do
Sisnama, dos Conselhos, dos Colegiados, do Conama...

Mas como o CONAMA, cujo compromisso institucional é praticizar a política


nacional do meio ambiente, pode flexibilizar (destruir) a legislação ambiental?
Ora, através de um ato administrativo chamado de Resolução, editada para
“tratar de deliberação vinculada a diretrizes e normas técnicas, critérios e
padrões relativos à proteção ambiental e ao uso sustentável dos recursos
ambientais” - http://www.mma.gov.br/port/CONAMA/estr.cfm

O que é isso exatamente? Vulgarmente falando, é uma “lei” feita pelo Conama.

Alguém deve esta pensando: ‘não é assim, Ana!’. Eu digo: claro que é! Querem
uma prova? Leiam as “Resoluções dos pets”. A Conma 384/2006, que
“estabelece a concessão de depósito doméstico de animais silvestres
apreendidos”. E a Resolução Conama 394/2007, que trata dos critérios de
criação e comercialização das espécies silvestres. Trocando em miúdos, elas
permitem a compra e venda de animais silvestres como se eles fossem pets,
bichinhos de estimação...

Não precisa ser doutor em Direito para entender que são Resoluções
inconstitucionais e ilegais. Mas foram aprovadas e fazem parte do mundo
jurídico. Graças ao sempre voto vencido da ‘sociedade civil’ que legitima as
inconstitucionalidades e/ou ilegalidades reiteradas dos Colegiados.

Visando à “democracia brasileira”, o Ibama, dando continuidade à implantação


das “Resoluções dos pets”, ouviu a sociedade civil sobre a lista das espécies
silvestres comercializáveis, através de uma tal de “consulta popular”. Segundo
Carlos Bocuhy, do PROAM, nesta lista consta inclusive espécie de ave que está
sob risco de extinção, a Guarouba guarouba (Ararajuba).

Resumindo:

No caso específico da “Resolução dos pets”, este processo espúrio, pseudo-


democrático – que vai da confecção de uma lei à oitiva da sociedade para
aperfeiçoar esta lei -, autoriza a legalização do tráfico e comércio de animais
silvestres. Negócio altamente lucrativo. Este crime ambiental - é a terceira
atividade ilícita mais rentável do mundo. Em 2005, apuraram que o tráfico
mundial de fauna e flora movimenta, por ano, cerca de R$ 90 bilhões no mundo
(no Brasil, o tráfico de animais perde apenas para o tráfico de drogas e o de
armas). E que a negociata ilegal dos produtos brasileiros rende mais de R$ 27
bilhões ao ano. Tais números devem ser maiores em 2008.
E, agora? Alguém consegue afirmar que o Conama cumpre a sua função
institucional? Eu acho que não. Aquilo lá é um circo. E um circo que é custeado
com o dinheiro do nosso bolso. Alguém já parou pra pensar qual a despesa
mensal do Conama? Quantos cabides de emprego há ali? Quanto se gasta em
cada reunião (com pessoal, papel, energia, transporte e alimentação dos
representantes,...)? E, principalmente, qual a finalidade primordial de tudo isso?
A primeira que eu vejo é: destruir a legislação ambiental vigente.

Por isso, na minha opinião, esses malditos Colegiados – pseudodemocráticos e


declaradamente ilegais - devem ser extintos. Precisamos repensar a
necessidade da existência deles. Enxergar o que fazem; e dar a maior
publicidade internacional possível à ilegalidade dos seus atos.

Caso contrário, como disse o grande ambientalista Álvaro De Angelis, “a coisa


vai ser liberada. A política do meio ambiente já foi entregue nas mãos dos
piores interesses. E creio que sem volta, se depender da sensibilização do
governo”.

Esta Política do Entreguismo, da qual falou o meu amigo Álvaro, é ratificada


pelo historiador Marco Antonio Villa, professor da Universidade Federal de São
Carlos. Conhecido por gerar polêmicas e dezenas de inimigos, ele disse à
Revista Veja que o Brasil “se esquiva de defender os interesses nacionais na
América Latina. Teima sempre em chegar a um acordo e, como não consegue,
acaba cedendo aos vizinhos”. E que, se “Lula tivesse sido presidente na
República Velha, o Acre seria hoje dos bolivianos e Santa Catarina, dos
argentinos” - http://veja.abril.com.br/160408/entrevista.shtml

Todos os órgãos que compõem o Sistema Nacional de Meio Ambiente - Sisnama, como
os órgãos municipais, estaduais e federais de meio ambiente, além dos agentes das
Capitanias dos Portos, do Ministério da Marinha, têm o poder de polícia para fiscalizar
e autuar os crimes cometidos contra a fauna.

Portanto, se há suspeita de maus-tratos a animais de quaisquer espécies, inclusive as


domésticas ou domesticadas que firam o art. 32 da Lei dos Crimes Ambientais (n.º
9.605 de 12 de fevereiro de 1998), equipes de fiscalização do Ibama ou de outros órgãos
do Sisnama podem ser enviadas ao local de ocorrência. Após constatar o fato e,
mediante laudo expedido por técnico, aplicarão a Lei, bem como suas sanções penais e
administrativas, isto é, prisão e/ou multa correspondentes ao delito em questão.

O ideal é que essa fiscalização comece pelos próprios Municípios e Estados. Nada
impede que haja uma cooperação entre os diferentes níveis, inclusive no que concerne à
educação ambiental, importantíssima para elevar a consciência da população quanto ao
bem-estar animal. O encaminhamento penal dos crimes cometidos contra a fauna deve,
preferencialmente, ser de competência da esfera municipal, ou quando necessário, da
estadual ou ainda, em caráter supletivo, da federal.
Fonte(s):
Lei 12399
Lei 12398
Medida Provisória 528
Medida Provisória 527
Medida Provisória 526
Lei 12397
Lei 12396
Lei 12395
Lei 12383

Ir para artigo:

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI No 10.650, DE 16 DE ABRIL DE 2003.

Dispõe sobre o acesso público aos dados e informações


Mensagem de Veto
existentes nos órgãos e entidades integrantes do Sisnama.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Esta Lei dispõe sobre o acesso público aos dados e informações ambientais existentes nos órgãos e entidades
integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente - Sisnama, instituído pela Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981.

Art. 2o Os órgãos e entidades da Administração Pública, direta, indireta e fundacional, integrantes do Sisnama, ficam
obrigados a permitir o acesso público aos documentos, expedientes e processos administrativos que tratem de
matéria ambiental e a fornecer todas as informações ambientais que estejam sob sua guarda, em meio escrito,
visual, sonoro ou eletrônico, especialmente as relativas a:

I - qualidade do meio ambiente;

II - políticas, planos e programas potencialmente causadores de impacto ambiental;

III - resultados de monitoramento e auditoria nos sistemas de controle de poluição e de atividades potencialmente
poluidoras, bem como de planos e ações de recuperação de áreas degradadas;

IV - acidentes, situações de risco ou de emergência ambientais;

V - emissões de efluentes líquidos e gasosos, e produção de resíduos sólidos;

VI - substâncias tóxicas e perigosas;

VII - diversidade biológica;

VIII - organismos geneticamente modificados.

§ 1o Qualquer indivíduo, independentemente da comprovação de interesse específico, terá acesso às informações de


que trata esta Lei, mediante requerimento escrito, no qual assumirá a obrigação de não utilizar as informações
colhidas para fins comerciais, sob as penas da lei civil, penal, de direito autoral e de propriedade industrial, assim
como de citar as fontes, caso, por qualquer meio, venha a divulgar os aludidos dados.
§ 2o É assegurado o sigilo comercial, industrial, financeiro ou qualquer outro sigilo protegido por lei, bem como o
relativo às comunicações internas dos órgãos e entidades governamentais.

§ 3o A fim de que seja resguardado o sigilo a que se refere o § 2o, as pessoas físicas ou jurídicas que fornecerem
informações de caráter sigiloso à Administração Pública deverão indicar essa circunstância, de forma expressa e
fundamentada.

§ 4o Em caso de pedido de vista de processo administrativo, a consulta será feita, no horário de expediente, no
próprio órgão ou entidade e na presença do servidor público responsável pela guarda dos autos.

§ 5o No prazo de trinta dias, contado da data do pedido, deverá ser prestada a informação ou facultada a consulta,
nos termos deste artigo.

Art. 3o Para o atendimento do disposto nesta Lei, as autoridades públicas poderão exigir a prestação periódica de
qualquer tipo de informação por parte das entidades privadas, mediante sistema específico a ser implementado por
todos os órgãos do Sisnama, sobre os impactos ambientais potenciais e efetivos de suas atividades,
independentemente da existência ou necessidade de instauração de qualquer processo administrativo.

Art. 4o Deverão ser publicados em Diário Oficial e ficar disponíveis, no respectivo órgão, em local de fácil acesso ao
público, listagens e relações contendo os dados referentes aos seguintes assuntos:

I - pedidos de licenciamento, sua renovação e a respectiva concessão;

II - pedidos e licenças para supressão de vegetação;

III - autos de infrações e respectivas penalidades impostas pelos órgãos ambientais;

IV - lavratura de termos de compromisso de ajustamento de conduta;

V - reincidências em infrações ambientais;

VI - recursos interpostos em processo administrativo ambiental e respectivas decisões;

VII - registro de apresentação de estudos de impacto ambiental e sua aprovação ou rejeição.

Parágrafo único. As relações contendo os dados referidos neste artigo deverão estar disponíveis para o público trinta
dias após a publicação dos atos a que se referem.

Art. 5o O indeferimento de pedido de informações ou consulta a processos administrativos deverá ser motivado,
sujeitando-se a recurso hierárquico, no prazo de quinze dias, contado da ciência da decisão, dada diretamente nos
autos ou por meio de carta com aviso de recebimento, ou em caso de devolução pelo Correio, por publicação em
Diário Oficial.

Art. 6o (VETADO)

Art. 7o (VETADO)

Art. 8o Os órgãos ambientais competentes integrantes do Sisnama deverão elaborar e divulgar relatórios anuais
relativos à qualidade do ar e da água e, na forma da regulamentação, outros elementos ambientais.

Art. 9o As informações de que trata esta Lei serão prestadas mediante o recolhimento de valor correspondente ao
ressarcimento dos recursos despendidos para o seu fornecimento, observadas as normas e tabelas específicas, fixadas
pelo órgão competente em nível federal, estadual ou municipal.

Art. 10. Esta Lei entra em vigor quarenta e cinco dias após a data de sua publicação.

Brasília, 16 de abril de 2003; 182o da Independência e 115o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Marina Silva
Álvaro Augusto Ribeiro Costa

Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 17.4.2003