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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – UNESA

LUCAS DE SOUZA LEMOS

EFICÁCIA DA LEI MARIA DA PENHA E DA LEI DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


CONTRA A MULHER: ESTUDO COMPARADO ENTRE BRASIL E URUGUAI

CABO FRIO
2021
EFICÁCIA DA LEI MARIA DA PENHA E DA LEI DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
CONTRA A MULHER: ESTUDO COMPARADO ENTRE BRASIL E URUGUAI

Pré-Projeto de Monografia apresentado à


Universidade Estácio de Sá – UNESA, de
Cabo Frio, como requisito para obtenção
do título de Tecnólogo no curso de
Segurança Pública.

Orientador: Prof. Me. Roberto


Cavalcanti Vianna.

CABO FRIO
2021
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.....................................................................................................4
1.1 O PROBLEMA......................................................................................................5
2 OBJETIVOS.........................................................................................................6
2.1 OBJETIVO GERAL OU PRIMÁRIO.....................................................................6
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS OU SECUNDÁRIOS..............................................6
3 HIPÓTESE...........................................................................................................7
4 JUSTIFICATIVA...................................................................................................8
5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...........................................................................9
6 METODOLOGIA.................................................................................................16
7 CRONOGRAMA DE DESENVOLVIMENTO.....................................................18
REFERÊNCIAS..................................................................................................19
4

1 INTRODUÇÃO

A violência doméstica contra a mulher, infligida pelo seu companheiro


masculino, causa impactos negativos em uma realidade conhecida e legitimada, na
medida da vitimização, na maior parte das pesquisas realizadas, que tratam de tal
fenômeno. Os impactos interferem em diversos campos da vida destas mulheres,
como nas suas capacidades parentais e até no seu papel na educação dos filhos.
Embora muito tenha se avançado neste âmbito, as leis de proteção às
mulheres ainda permanecem limitadas, essencialmente no que se refere à proteção
e prevenção da violência doméstica, atingindo diretamente os Direitos Humanos
destas mulheres. A violência contra a mulher é, em um primeiro olhar, uma violação
dos direitos das mulheres, sendo considerado um problema social severo e
determinado por múltiplos condicionantes, mostrando raízes oriundas da construção
sócio-histórica e cultural das relações de poder e de hierarquia, e na desigualdade
entre os gêneros.
Cerca de um terço de todas as mulheres, a nível mundial, já foi vítima de
violência física ou sexual, cometida por um companheiro íntimo. A violência contra
mulher inclui toda a conduta que traga amedrontamento, constrangimento,
menosprezo, manipulação, segregação, vigilância constante, assédio obstinado,
insulto, extorsão, ridicularização, exploração ou o entrave ao direito de ir e vir da
mulher.
No Brasil, há dois principais mecanismos legais que tratam sobre as questões
relacionadas à violência doméstica contra a mulher: Convenção Belém do Pará
(BRASIL, 1996); Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340 (BRASIL, 2006). No Uruguai, o
principal mecanismo legal que trata sobre a violência doméstica contra a mulher é a
Lei de Violência Doméstica – Lei n° 17.514 (URUGUAI, 2002). A violência contra a
mulher pode ser expressa como uma violência psicológica – atitude capaz de trazer
dano ou agravo à saúde psicológica, tais como o dano emocional, a diminuição da
autoestima e o prejuízo ao progresso; uma violência física – quando a conduta
interfere na integridade ou na saúde corporal da vítima; uma violência patrimonial –
que compreende retenção, furto, destruição parcial ou total de artigos, instrumentos
de trabalho, documentos individuais, bens, posses e direitos ou rendimentos
econômicos; uma violência moral – caracterizada por calúnia, injúria ou difamação
da pessoa; ou uma violência sexual – compreendida como qualquer conduta que
obrigue a mulher a assistir, manter ou ser parte de intercurso sexual não desejado;
incluindo a comercialização ou utilização da sexualidade, sob qualquer pretexto, a
5
proibição do uso de
método contraceptivo, união em matrimônio, gestação, interrupção de gestação,
prostituição, limitação ou invalidação do exercício dos direitos sexuais e
reprodutivos.

1.1 O PROBLEMA

A Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340 (BRASIL, 2006) e a Lei de Violência


Doméstica
– Lei n° 17.514 (URUGUAI, 2002) tratam-se de bons exemplos de mecanismos
legais criados com a finalidade de proteger e amparar as mulheres vítimas de
qualquer tipo de violência, empenhadas na procura de atitudes e mecanismos que
coíbam a violência de gênero. Assim, a contar da necessidade de reduzir os crimes
dessa natureza, fazendo com que sejam realmente eficazes, políticas públicas foram
implantadas para combater a violência doméstica contra a mulher, estas leis
ampliaram e estabeleceram serviços especializados, assim como articularam tais
serviços em benefício das mulheres vítimas de violência.
Averiguando-se essa conjuntura, ressalta-se o seguinte problema de pesquisa:
quais são os principais reflexos proporcionados pela Lei Maria da Penha – Lei nº
11.340 (BRASIL, 2006) e pela Lei de Violência Doméstica – Lei n° 17.514
(URUGUAI, 2002) para o combate e a proteção da violência doméstica contra a
mulher?
2 OBJETIVOS

Neste capítulo, será descrito o objetivo geral (primário) – o foco principal do


presente estudo –, bem como os objetivos específicos (secundários) da pesquisa.

2.1 OBJETIVO GERAL (PRIMÁRIO)

O objetivo geral é as principais características da Lei Maria da Penha – Lei


nº 11.340 (BRASIL, 2006) e da Lei de Violência Doméstica – Lei n° 17.514
(URUGUAI, 2002).

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS (SECUNDÁRIOS)

Sobre a definição dos objetivos específicos, estabeleceu-se o seguinte:

 verificar questões conceituais sobre a violência doméstica contra a mulher;

 investigar aspectos relevantes sobre saúde e psicologia das vítimas de


violência doméstica;

 analisar, de forma comparativa, a eficácia da Lei Maria da Penha – Lei nº


11.340 (BRASIL, 2006) e da Lei de Violência Doméstica – Lei n° 17.514
(URUGUAI, 2002).
3 HIPÓTESE

No período anterior à promulgação da Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340


(BRASIL, 2006), políticas públicas de proteção às vítimas de violência doméstica
não existiam, nem mesmo leis que tratavam da relação amorosa entre pessoas do
mesmo sexo. Em virtude da generalidade, as vítimas que denunciavam seus
agressores eram obrigadas a retornar às suas próprias residências e ao convívio
com eles, os agressores, que rapidamente eram liberados da detenção na delegacia,
ou por terem pago a fiança estipulada ou por ter findado o tempo previsto pela pena,
reforçando o círculo vicioso da impunidade, do receio de realizar novas denúncias
pelos mesmos motivos e pela falta de proteção às vítimas (MAGALHÃES FILHO;
MAGALHÃES, 2017).
No Uruguai, um dos primeiros países que implantaram instrumentos legais para
garantir os direitos das mulheres que sofrem violência, a violência doméstica foi
incluída ao Código Penal – Lei nº 9.155 (URUGUAI, 1933) no ano de 1995. Contudo,
apenas no ano de 2002 foi homologado um mecanismo legal típico para combater a
violência doméstica: a Lei de Violência Doméstica – Lei n° 17.514 (URUGUAI,
2002). Neste mesmo ano de 2002, mediante a criação da referida lei, foi criado um
conselho com a finalidade de administrar os assuntos relacionados aos temas
descritos nesta lei (ROMERO, 2013).
Como hipóte-se, defende-se que a redução das taxas de violência doméstica
contra a mulher é dependente de mudanças que estão muito além da efetivação da
Lei Maria da Penha
– Lei nº 11.340 (BRASIL, 2006) – no ambiente brasileiro – e da Lei de Violência
Doméstica
– Lei n° 17.514 (URUGUAI, 2002) – no ambiente uruguaio –, as quais solicitam
verdadeiras transformações na ordem estrutural, cultural e moral da sociedade.
4 JUSTIFICATIVA

A Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340 (BRASIL, 2006) apenas estará


totalmente efetivada quando for possível a reunião de uma sorte de elementos
capazes de permitir sua exata execução, de acordo com os parâmetros legalmente
definidos. Ao tomar por base os dados obtidos no presente trabalho, pode-se
concluir que a insuficiência de Delegacias Especializadas é um dos fatores que
restringe o trabalho dos agentes e dificulta o correto acolhimento da vítima, assim
como o atendimento de sua solicitação de forma célere, uma vez que o atraso no
atendimento é um dos fatores capazes de fazer com que as vítimas não prossigam
com a queixa.
O fenômeno da violência contra as mulheres na esfera doméstica no Uruguai
teve uma exibição progressiva na agenda pública dos anos 80 por meio do trabalho
de organizações de mulheres e conferências mundiais sobre Direitos Humanos. Os
fenômenos que ocorrem no Uruguai em relação a violência doméstica destacam a
cristalização das relações de poder de gênero que alimentam todas as esferas
sociais. Todos os hiatos de gênero pesquisados em diferentes partes do diagnóstico
são o terreno fértil para a reprodução das diferentes dimensões da violência de
gênero que iremos desenvolver. Classe, gênero e identidade étnico- racial são
articuladas para apoiar situações de desigualdade. A discriminação baseada na raça
ou etnia é especialmente evidente no Uruguai para as pessoas de ascendência
africana, onde coloca aqueles que compõem os grupos africanos em posições de
exclusão ou restrição de direitos, reduzindo as oportunidades para tais pessoas. No
caso da violência baseada no gênero, as mulheres africanas sofrem a dupla violação
dos direitos: direitos das mulheres; e direitos para pessoas de ascendência africana
(CALCE; ESPAÑA; MAZZITELLI; MAGNONE; MESA; TANANTA; PACCI;
ROSTAGNOL; CHERRO, 2015).
Assim, o presente estudo justifica-se pela ampliação de conceitos, aspectos
legais e discussões, demonstrando avanços no processo dos mecanismos legais
que combatem a violência contra a mulher, com ênfase para as questões legais
referente a violência doméstica em solo brasileiro e no território uruguaio. O presente
estudo justifica-se também devido à carência de pesquisas conduzidas sobre a
aplicação da Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340 (BRASIL, 2006) e da Lei de
Violência Doméstica – Lei n° 17.514 (URUGUAI, 2002) na rotina social, e as
consequências resultantes das modificações do cotidiano do poder judiciário frente
aos casos de violência conjugal contra a mulher.
5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A violência, por ter sido calcada na cultura no decorrer da história da


humanidade, não deixa de ser um fenômeno social. A violência revela vínculos de
desigualdade e conflito, declarados entre os oprimidos e seus opressores. A
violência contra a mulher é praticada em todo o mundo, sendo uma forma de abuso
tolerado pela sociedade, e, infelizmente, tem se elevado no decorrer dos últimos
vinte anos, evidenciando uma relevância global (WATTS; ZIMMERMAN, 2002).
Dados mostram que a proporção de mulheres vítimas de, ao menos, um
episódio de violência ao longo da vida varia de acordo com a localidade onde vive,
mas parece chegar a valores próximos de 59% (NAÇÕES UNIDAS, 2010). A
violência é uma perturbação social grave, com proporções endêmicas, já que
basicamente um terço de todas as mulheres, no mundo, já foram vítimas ou de
violência física ou de sexual, proferida pelo companheiro com quem mantinham ou
um relacionamento, ou após seu término. Em determinadas regiões do mundo tais
índices alcançam 38%. Quando se considera o total de homicídios praticados contra
o sexo feminino, 38% decorrem da violência doméstica (BIGLIARDI; ANTUNES;
WANDERBROOCKE, 2016).
As mulheres violentadas, física ou sexualmente, por um companheiro íntimo,
têm uma maior chance de desenvolver graves problemas de saúde. Dados mostram
que a probabilidade de conceberem filhos de baixo peso ao nascer é de 16%, esta
condição predispõe as crianças a diversas outras condições de morbidade e
mortalidade, assim como o risco de interrupção da gestação é aproximadamente
duas vezes maior nestas mulheres. As ocorrências que envolvem quadros
depressivos são cerca de duas vezes maiores nesse grupo. Também é possível
observar que das mulheres que sofreram agressão sexual, somente 7% foi praticada
por indivíduos com quem não se relacionavam de forma amorosa. Estas mulheres
mostram 2,3 vezes maior chance de desenvolverem transtornos associados ao
consumo exagerado de álcool e 2,6 vezes maior risco de apresentarem depressão
ou transtornos de personalidade. Em algumas localidades, essas mulheres
apresentam um risco 1,5 vezes maior de contrair o vírus do HIV, quando
comparadas às mulheres não vítimas de violência (OMS, 2012).
Apesar da gravidade e da dimensão dos episódios de violência contra a
mulher, há poucas décadas esta violência era uma questão de casal, específica da
vida privada da família. Ocasionalmente, em função das relações desiguais de poder
entre os gêneros terem sido envoltas por uma condição de subordinação e de
superioridade sobre as mulheres, considerando a esfera pública e a privada, a
violência contra a mulher somente nos últimos
anos deixou de ser uma questão familiar e se tornou um problema público, digno de
políticas efetivas para seu enfrentamento (MATURANA; VERDEN-ZÖLLER, 2009). A
temática da violência contra a mulher é frequente na agenda de políticas públicas,
porém essa inclusão só foi possível pelos movimentos feministas organizados para
atuarem na luta contra a coerção feminina, na reivindicação dos direitos pela
cidadania e pelo desaparecimento da violência contra os direitos humanos das
mulheres (BIGLIARDI; ANTUNES; WANDERBROOCKE, 2016).
A violência contra as mulheres constitui-se como um acontecimento
transnacional, que não respeita barreiras culturais ou geográficas, capaz de assumir
um status de pandemia, que faz por merecer uma atenção e postura eficaz de
ativistas, pesquisadoras/es e administradoras/es públicas/os a nível mundial. Em
tal conjuntura, é consenso, sobretudo entre os movimentos feministas e de
mulheres na busca do enfrentamento desta questão, que os Estados considerados
soberanos têm a capacidade e o dever de desempenhar um papel central no cenário
da sua erradicação, por meio da elaboração de leis e políticas públicas capazes de
reduzir e, com sorte, exterminar, esta violência (AQUINO, 2008).
A violência doméstica tem provocado condutas por parte do Estado Brasileiro
para a formulação dos vários aparatos legislativos possíveis, assim como para a
tomada de decisão acerca das políticas públicas destinadas ao combate da
repetição de ações desta natureza ou qualquer outra forma de violência. As ações
estatais refletem a formação dos Estados Nacionais, fruto da manifestação da
vontade de seus estados, com o propósito de padronização e pacificação da
sociedade em sua totalidade (FARIAS, 2015).
A Constituição Federal (BRASIL, 1988), por meio do § 8º, artigo 226,
estabelece que a assistência à família, personificada em cada um dos que a
compõem, com destaque à criação de mecanismos coibidores da violência no
terreno de suas relações. Na intenção de coibir a violência doméstica e familiar
contra a mulher, bem como estabelecer as medidas assistenciais necessárias e de
proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar, foi promulgada
a Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340 (BRASIL, 2006). Não obstante, mesmo após a
promulgação da Lei Maria da Penha, o país permanece em índices alarmantes
quanto à violência contra a mulher (SANDALOWSKI; MAIA; STUKER; LOCK, 2016).
Os dados oriundos de pesquisas sobre a violência contra a mulher no país,
bem como a inclusão da reflexão sobre o tema na comunidade acadêmica, por meio
de vários meios de comunicação contribuíram, de forma significativa, na visibilidade
necessária ao tema, bem como auxiliaram a compreensão sobre tal forma de
violência (CAVALCANTI, 2015). Ao
considerar a família como a primeira instituição, com a responsabilidade de inserir os
sujeitos na cultura, é importante observar as modificações ocorridas até o início do
século 21, com vistas à contextualizar a violência doméstica como um fenômeno
social, guiado por uma sorte de mudanças inerentes à família, contrastando com o
imaginário afetivo pertencente a esta instituição, resultantes de situações de
violência doméstica que transformam a visão do grupo familiar. Um episódio de
violência é, primordialmente, uma violação dos direitos humanos, e como tal, obriga
a uma reflexão sobre as dimensões reais da violência doméstica, por si só, e nas
relações intrafamiliares, sendo possível perceber, à vista disso, o enquadramento
legal de tal crime e a visão acerca das políticas públicas e sociais que objetivam
prevenir e dar suporte às vítimas (RIBEIRO, 2011).
Dessarte, se faz também importante analisar sobre os contornos deste crime,
incorrido sobre a mulher latino-americana, e brasileira principalmente, mas levando
em consideração o enquadramento europeu e mundial. É mister ter conhecimento
das representações sociais das mulheres vítimas de violência doméstica, e a partir
desta visão, analisar e refletir sobre, de forma a compreender a dimensão do
reconhecimento entre os pertencentes a este grupo de forma a criar uma, nova e
adaptada, realidade prática e cotidiana. Parece indispensável interpretar as
mulheres vítimas de violência como os sujeitos sociais, que o são, e que são
obrigados a suportar em si as peculiaridades históricas e culturais do gênero,
assentada em um construto social que idealiza o homem como dominante sobre a
mulher, em todos os sentidos, e ao longo de toda a história (DUARTE; ALENCAR,
2011).
Embora a família represente o espaço de estabilidade e bem-estar, capaz de
suportar o indivíduo durante a construção de sua identidade e ser um refúgio onde
encontrará proteção quando mais sensível às pressões diárias do trabalho e da
sociedade no geral, a família também pode ser, paradoxalmente, um universo
onde a violência toma espaço transformando- se em uma das instituições mais
violentas, já que a afetividade e a violência coexistem, de forma frequente, no cerne
das relações familiares, principalmente quando se tratam de relações conjugais
(MACHADO; GONÇALVES; VILA-LOBOS, 2002).
Depois de a violência doméstica ser reconhecida como um problema social e
um ato criminoso, os episódios de violência privada e particular das famílias, que
antes havia permanecido oculto durante décadas no seio familiar, a partir da década
de 1960 e, principalmente, 1970, onde recebeu a atenção mundial, tomou uma
proporção gigantesca. Neste ínterim, a violência doméstica passou a ser investigada
na comunidade científica e, a partir deste ponto, passou a participar da produção e
definição de políticas públicas contra esta forma de violência (MATOS; MACHADO;
SANTOS; MACHADO, 2012). Sob esta
perspectiva, há que se considerar a violência doméstica no contexto onde está
inserida, e tal contexto inclui a sociedade, a economia, a política, a religião e, até
mesmo, a cultura, já que todas são capazes de influenciar a ocorrência dos
episódios violentos (SALTER, 2014).
É fato que a violência doméstica é um fenômeno mundial, tal comportamento
está presente nos países considerados desenvolvidos, nos subdesenvolvidos e,
ainda, naqueles que se encontram em fase de desenvolvimento (QUEIROGA, 2014).
Diante das diversas e diferentes definições de violência doméstica, pode parecer
difícil a sua compatibilização, considerando a abundante literatura científica, além de
mecanismos legais, documentos específicos da ONU – Organização das Nações
Unidas e da UE – União Europeia, e assim por diante. A expressão violência
doméstica é abrangente, já que compreende a violência conjugal, a violência contra
os filhos e genitores, ou seja, crianças e idosos. Ainda assim, por ser judicialmente
considerada um delito criminoso, deveria ser mais apropriado considerá-la em uma
conceituação mais limitada (SANI, 2008).
Dentro da estrutura familiar podem ocorrer diversas formas de violência,
incluindo a violência de gênero, a violência doméstica e a violência familiar, todos os
termos são tidos como similares, e tal fato torna-se um problema já que invade a
privacidade familiar, e por não haver testemunhas imparciais do episódio, podem
ser agravados (MARTINS; CARVALHO, 2009). É importante evidenciar o conceito
de família, como o cerne deste tipo de violência. A família se constitui e se baseia
em uma conexão afetiva e íntima, tornando-se um constructo juntamente com seus
integrantes, de forma exclusiva. O motivo inicial da concepção da família é a
existência do casal, e desta ligação partem as demais, a ligação emocional essencial
e fundamental inicia entre os membros do casal, a relação se estabelece e mantem-
se como o motivo de sua manutenção (GIDDENS, 2014).
Justamente pela ligação emocional, essência da concepção da família, que a
violência doméstica pode ser declarada, a ligação integra e liga os diversos e
distintos tipos de abuso que podem ser cometidos entre os seus membros. Os
abusos possíveis incluem qualquer atitude, inclusive a omissão, impetrada pelos
membros da família, incluindo as circunstâncias que dela resultam, coibindo os
direitos e as liberdades igualitárias aos outros membros da família, ou mesmo
interferindo com o desenvolvimento normal e o poder de escolha ou tomada de
decisão (DIAS, 2015).
Tal forma de violência surge e avança no próprio conceito de família, em seu
universo íntimo, espaço onde os afetos e a expressão dos sentimentos se dá,
espaço onde podem ser partilhadas e experienciadas as visões de mundo, local de
bem-estar, porém, também pode ter se tornado o espaço de coação física ou
psicológica, manifestadas por meio deste delito
criminoso. Neste âmbito estão compreendidos os comportamentos perpetrados com
a clara intenção de infligir dor física ou psicológica, aos membros da família,
comportamentos que após seu primeiro episódio tendem a ser repetidos e
continuados ao longo do tempo e das gerações que o observam (BENDER;
ROBERTS, 2007).
O tipo ideal de família, aclamado pela sociedade em geral, seria aquele onde
os seus membros estejam bem alimentados, bem vestidos, que tenham uma boa
educação e estejam envoltos por amor. Tal espaço de confiança e intimidade, de
afeição, de solidariedade, fidelidade e franqueza da família moderna, poderia se
tornar, com a mesma intensidade, em um espaço privilegiado de prepotência, de
aflição, de dominação e de egoísmo, convertendo- se em um espaço de violência.
Tal conversão pressupõe que, junto da visão icônica da família ideal, é necessário
defrontar-se, também, com a imagem realista da família que maltrata, agride e mata
(DIAS, 2015).
Não obstante a violência doméstica, a violência familiar, as agressões
familiares e a violência conjugal necessitam da existência de um agressor, uma
vítima e da ação de domínio por meio do uso da força. O exercício de poder e
domínio traduz-se em agressão física, psicológica, sexual, social ou financeira,
podendo, até mesmo, resultar em homicídio (ALARCÃO, 2006). Fundamentalmente,
não é somente a ação violenta por si só, mas é preciso considerar os indivíduos que
a vivenciam, sejam os autores ou as vítimas destas, as funções desempenhadas
pelos membros, e, principalmente, a interpretação das representações destas
agressões.
Ao analisar a ascendência étnica racial no ambiente uruguaio, pode-se concluir
que as mulheres negras no Uruguai sofrem violência a taxas mais elevadas do que
as mulheres não- africanas. Cerca de 78,5% das vítimas com ascendência africana
afirmam ter experimentado, pelo menos, um tipo de violência de gênero nas
áreas pesquisadas, em comparação com 67,2% das mulheres não-africanas. Esta
diferença de 11 pontos percentuais sugere que a intersetorialidade entre as
desigualdades de gênero e racial étnica podem afetar uma maior prevalência de
violência baseada no gênero (GONZÁLEZ GUYER; CALCE; MAGNONE; PACCI,
2013).
Organizações internacionais recomendam a utilização de definições de
violência de gênero provenientes de leis abrangentes. No Uruguai, está sendo
discutido no parlamento um projeto de Lei Integral para garantir às mulheres uma
vida livre de violência baseada no gênero onde vários fenômenos e áreas onde essa
violência ocorre são contemplados. Em um estudo sobre violência doméstica, com
ênfase sobre questões relacionadas aos parceiros em antigas relações afetivas no
Uruguai, verificou-se uma delimitação analítica e metodológica,
considerando-se a violência expressa em outros grupos que não são mulheres,
exigindo outras categorias de análise e conceituação que supera gênero
específico. Enquanto delimitar o objeto para que ele contém somente a violência
contra as mulheres no contexto de parceiros ou ex-parceiros, este fenêmeno tem se
tornado público sob a definição de violência doméstica (MAGNONE; PACCI; CALCE,
2016).
Destaca-se, nesse sentido, alguns aspectos relevantes sobre a violência contra
as mulheres em relacionamentos com ex-parceiros no Uruguai. No final da ditadura
no Uruguai, as várias formas de violência contra as mulheres não eram vistos como
uma questão pública, e não houve políticas ou serviços que ocasionalmente. Como
na maioria dos países da região, as primeiras respostas à violência contra as
mulheres emergiu da sociedade civil. Foi o movimento e as mulheres feminista que
começou no final dos anos 80 para lutar para colocar a violência doméstica na
esfera pública, para desenvolver serviços de cuidados precoces e para exigir que o
Estado iria responder a isso (GONZÁLEZ; VILELLA, 2013).
Esse processo foi o resultado da crescente organização internacional do
feminismo. Em 1995, o Uruguai incorporou a violência doméstica no Código Penal –
Lei nº 9.155 (URUGUAI, 1933) como um crime. Por meio do artigo 18, inserido no
Código Penal – Lei nº
9.155 (URUGUAI, 1933), o qual também está definido na Lei de Segurança do
Cidadão – Lei nº 16.707 (URUGUAI, 1995), estabelece-se no ordenamento jurídico
uruguaio o crime de violência doméstica, cujo mecanismo legal também está
incorporado no Uruguai por meio do artigo 321, inserido na Lei de Segurança do
Cidadão – Lei nº 16.707 (URUGUAI, 1995), sob o título de ‘Crimes Contra a
Personalidade Física e Moral do Homem’. Desde então, o Programa de Segurança
Cidadã (Ministério do Interior) tem incorporado a violência doméstica como uma
questão de segurança pública para combater esse tipo de crime em território
uruguaio.

Violencia doméstica. El que, por medio de violencias o


amenazas prolongadas en el tiempo, causare una o varias
lesiones personales a persona con la cual tenga o haya tenido
una relación afectiva o de parentesco, con independencia de la
existencia del vínculo legal, será castigado con una pena de
seis a veinticuatro meses de prisión.
La pena será incrementada de un tercio a la mitad cuando la
víctima fuere una mujer o mediaren las mismas circunstancias
y condiciones establecidas en el inciso anterior.
El mismo agravante se aplicará si la víctima fuere un menor de
dieciséis años o una persona que, por su edad u otras
circunstancias, tuviera su capacidad física o psíquica
disminuida y que tenga con el agente relación de parentesco o
cohabite con él. (URUGUAI, 1995, artigo 18).

No ano de 2002, foi promulgada a Lei de Violência Doméstica – Lei n° 17.514


(URUGUAI, 2002). Essa lei prevê, nomeadamente, a criação de um Conselho
Consultivo
Nacional contra a Violência Doméstica, cuja diretriz desenvolveu o Plano Nacional
de Combate à Violência Doméstica 2004-20101 (MAGNONE; PACCI; CALCE,
2016).
Maior visibilidade pública adquiriu o assunto nas últimas duas décadas,
permitindo que a partir de diferentes setores, desenvolveram-se sistemas de
informação e registro sobre o tema de violência doméstica. Enquanto estima-se que
o registro e medição ainda são fragmentados, é nesta forma de violência que o
Estado produziu mais dados. Os indicadores de informação no Uruguai estão
organizados em duas categorias principais: Reclamações, procedimentos e
mecanismos de resposta; Homicídios e suicídios (GONZÁLEZ; VILELLA, 2013).
1 Continuará su acción el “Plan de Acción 2016-2019: por una vida libre de violencia
de género, con mirada generacional” elaborado también por el Consejo Nacional
Consultivo de Lucha Contra la Violencia Doméstica. Es de destacar que el país
estuvo cinco años sin un plan de acción vigente (MAGNONE; PACCI; CALCE, 2016,
p. 13).
6 METODOLOGIA

A Revisão de literatura é um procedimento de investigação, apreciação e


exposição de um corpo de informação que procura responder uma questão
específica, ponderando sobre todo o material relevante, incluindo livros, artigos,
registros, relatórios, teses, dissertações e demais categorias de obras publicadas
(MARCONI; LAKATOS, 2018). Especificamente, quanto à revisão narrativa, essa
não faz uso de parâmetros sistêmicos para buscar e analisar a literatura, e por
vezes, a seleção das obras pode ser por conveniência, o que é uma forma de
amostragem consolidada, e sujeita à subjetividade do autor. Como as demais
revisões, a narrativa tem certas particularidades associadas aos objetivos pré-
estabelecidos, recursos, dentre outros. Por se tratar do atual conhecimento
científico, não é raro serem observados hiatos em alguns assuntos, e a revisão
narrativa é exploratória, manifesta um caráter amplo, propondo-se à descrição e
desenvolvimento de um tema, sob uma perspectiva teórica ou contextual, consoante
a compreensão da produção científica. Tal sumarização a contar de tópicos
abrangentes identifica as lacunas e subsidia a condução de novos estudos.
Destarte, sua instrumentalização segue o rigorismo metodológico (LACERDA;
COSTENARO, 2016).
A base metodológica da revisão bibliográfica narrativa foi apresentada por
Elias, Silva, Martins, Ramos, Souza e Hipólito (2012) como uma metodologia que
possibilita desenvolver artigos onde os autores analisam e ponderam de modo
abrangente e crítico situações, fenômenos ou conceitos, sob uma perspectiva
teórica. É fato que a escolha das fontes assegura uma análise mais aprofundada e
legítima, na busca de informações acerca das especificidades do tema pesquisado.
O estudo concebido com materiais já elaborados, especialmente livros e artigos
científicos, tem grande poder exploratório, sendo desenvolvido de modo a trabalhar
com conceitos teóricos, embora permita a ampliação do foco da pesquisa. A
pesquisa bibliográfica é entendida como a fonte de toda a pesquisa, fundamentada
em referenciais bibliográficos, isto é, dados obtidos de fontes escritas.
A revisão narrativa da literatura permite aprofundar a análise de forma a
construir um estudo do tipo estado da arte, uma vez que permite constituir
associações com obras publicadas anteriormente, assinalando tópicos recorrentes e
apontando perspectivas inéditas, de forma a consolidar uma área de conhecimento.
Com efeito, para que se possa executar um estudo qualitativo de revisão narrativa
se faz imperioso analisar amplamente a literatura disponível, pelo estabelecimento
de critérios, sem obedecer a uma metodologia extremamente rigorosa (VOSGERAU;
ROMANOWSK, 2014). Porém, se faz essencial, para buscar e
atualizar o conhecimento sobre o tema, evidenciar novas perspectivas, metodologias
e subtemas encontrados na literatura mencionada (ELIAS et al., 2012).
A pesquisa exploratória pode envolver várias abordagens, como a qualitativa,
usualmente baseada em hipóteses mais amplas, para CAUCHICK-MIGUEL (2018),
os estudos exploratórios, comumente, são relevantes no diagnóstico de situações,
na exploração de alternativas ou no desenho de novas ideias. Esses estudos são
realizados mais amplamente, procurando estabelecer a natureza de uma questão e
produzir mais dados que podem ser úteis à condução de novas pesquisas sobre o
tema. Assim, mesmo nos casos onde o pesquisador já domina o assunto, o estudo
exploratório ainda é relevante, uma vez que para um mesmo evento, haverá
diversas explicações alternativas, e sua consideração irá permitir ao pesquisador a
escolha da mais adequada. A disputa entre abordagens quantitativa e qualitativa é
muito antiga, e baseia-se na forma pela qual os especialistas representam o real, se
por meio de números ou por aspectos subjetivos, e em certas áreas a análise
quantitativa não é capaz de compreender a magnitude do problema (FERREIRA,
2015).
A pesquisa qualitativa conforme Knechtel (2014) salienta a essência
socialmente elaborada de uma realidade, relaciona o pesquisador e o objeto de
estudo, enfatiza o modo pelo qual a experiência é adquire significado, faz uso de
métodos interpretativos, aborda casos específicos, valora descrições
pormenorizadas, e utiliza narrativas históricas. Na modalidade descritiva, a pesquisa
abrange diversas informações com variáveis, as quais serão reduzidas e comporão
a representação de uma dinâmica.
Assim, quanto à abordagem, o presente estudo é qualitativo; quanto à natureza
á básico; quanto aos objetivos é exploratório-descritivo e quanto aos procedimentos
é de pesquisa bibliográfica. A fim de responder à questão de pesquisa, foram
acessados os websites de bibliotecas virtuais em bases de dados e realizada uma
busca avançada, contemplando-se os termos delimitadores, especialmente nos
últimos dez anos. As obras buscadas foram selecionadas e identificadas, os
resumos lidos, e as obras completas selecionadas atenderam aos critérios
estabelecidos para a inclusão: artigo de revisão ou original, ter sua versão completa
disponível na base de dados, em idioma de língua portuguesa, espanhola ou
inglesa, e, preferencialmente, publicada nos últimos dez anos, exceto para as obras
consideradas clássicas.
7 CRONOGRAMA DE DESENVOLVIMENTO

O cronograma (Quatro 1) é uma ferramenta de extrema importância para a


realização do presente estudo, o qual apresenta as principais atividades e
respectivos prazos estimados, por meio de uma disposição gráfica do tempo. Este
instrumento é utilizado para o desenvolvimento de pesquisas em geral, auxiliando no
gerenciamento e controle das atividades.

Quadro 1 – Cronograma de execução das atividades do


Projeto e do Trabalho de Conclusão de
Curso.
ATIVIDADES 20 20
21 21
JA F M A M JU U J A S O N D
N EV AR BR A G E
T U T O E
I N L O V Z
Escolha do tema. Definição do
problema de X X X X X X X X X X X X
pesquisa
Definição dos objetivos e da X X X X X X X X X X X X
justificativa.
Definição da metodologia. X X X X X X X X X X X X
Pesquisa bibliográfica e
elaboração da X X X X X X X X X X X X
fundamentação teórica.
Entrega da primeira versão do X X X X X X X X X X X X
projeto.
Entrega da versão final do projeto. X X X X X X X X X X X X
Revisão das referências para
elaboração do X X X X X X X X X X X X
Trabalho de Conclusão de Curso.
Elaboração do Capítulo 1. X X X X X X X X X X X X
Revisão e reestruturação do
Capítulo 1 e X X X X X X X X X X X X
elaboração do Capítulo 2.
Revisão e reestruturação dos
Capítulos 1 e 2. X X X X X X X X X X X X
Elaboração do Capítulo 3.
Elaboração das considerações
finais. Revisão da X X X X X X X X X X X X
Introdução.
Reestruturação e revisão de
todo o texto. X X X X X X X X X X X X
Verificação das referências
utilizadas.
Elaboração de todos os
elementos pré-textuais e X X X X X X X X X X X X
pós-textuais.
Entrega do Trabalho de X X X X X X X X X X X X
Conclusão de Curso.
Defesa do Trabalho de Conclusão X X X X X X X X X X X X
de Curso.
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as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção
Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher;
dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra
a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de
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