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ESCOLA SUPERIOR DE ECONOMIA E GESTÃO

Curso: Administração e Gestão de Empresas

2. PROCURA E COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR

Curva de Indiferença

A preferência dos consumidores entre as combinações possíveis de bens pode ser ilustrada com as
Curvas de Indiferença. Uma curva de indiferença mostra combinações de consumo que
proporcionam ao consumidor igual satisfação. Portanto, para ele, são indiferentes as cestas básicas
do mercado representadas pelos pontos ao longo da curva.

A curva de indiferença que passa pelos pontos A, B e D indica que, para o consumidor, é
indiferente a escolha entre qualquer uma das três cestas de mercado. Ela nos informa que, ao
movimentar-se da cesta A para a cesta B, o consumidor não se sente nem melhor nem pior ao
desistir de 10 unidades de alimento para obter 20 unidades adicionais de vestuário. De modo
semelhante, o consumidor mostra-se indiferente entre os pontos A e D (isto é, ele desistiria de 10
unidades de vestuário para obter 20 unidades adicionais de alimento).
Mapas de indiferença

Para descrevermos as preferências de um consumidor em relação a todas as combinações de


alimentos e vestuário, podemos traçar um conjunto de curvas de indiferença, o qual se denomina
mapa de indiferença. Cada curva de
indiferença no mapa apresenta as cestas de
mercado que são indiferentes para a pessoa.
A Figura abaixo apresenta três curvas de
indiferença que fazem parte de um mapa de
indiferença (o mapa completo inclui um
número infinito de curvas como elas). A
curva de indiferença U3 oferece o mais alto
grau de satisfação, sendo seguida das curvas
de indiferença U2 e U1.

Propriedades das Curvas de Indiferença

1. Tem uma inclinação negativa


2. Quanto mais distante da origem melhor
3. Não se cruzam
4. É convexa em relação a origem

1. As Curvas de indiferença tem uma inclinação negativa

Se for possível aumentar (diminuir) o consumo de um bem, o consumo do outro bem teve diminuir
(aumentar) para que se mantenha o mesmo nível de bem-estar. Caso contrário, o nível de bem-
estar aumentaria (diminuiria) pelo que o ponto de partida e o ponto de chegada não poderiam
pertencer a mesma curva de indiferença, de acordo coma definição. Em nosso exemplo do alimento
e do vestuário, quando a quantidade de alimento aumenta ao longo de uma curva de indiferença, a
quantidade de vestuário diminui. O fato de as curvas de indiferença serem inclinadas para baixo
deriva diretamente da suposição de que mais de um bem é melhor do que menos. Se houvesse uma
curva de indiferença inclinada para cima, o consumidor seria indiferente entre duas cestas de
mercado, mesmo que uma delas tivesse mais dos dois bens, ou seja, de alimento e vestuário, do
que a outra.

Veja, por exemplo, a curva de indiferença da figura abaixo. Partindo da cesta de mercado A e indo
para a cesta B, vemos que o consumidor está disposto a abrir mão de 6 unidades de vestuário para
obter 1 unidade extra de alimento. Entretanto, movimentando-se de B para D, ele se dispõe a
desistir de apenas 4 unidades de vestuário para obter 1 unidade adicional de alimento e, ao se
movimentar de D para E, ele se dispõe a desistir de 2 unidades de vestuário para obter 1 unidade
de alimento. Quanto mais vestuário e menos alimento uma pessoa possuir, maior será a quantidade
de vestuário que ela estará disposta a desistir para poder obter mais alimento. Da mesma forma,
quanto maior a quantidade de alimento que ela possuir, menor será a quantidade de vestuário que
ela estará disposta a abrir mão para obter mais alimento.

2. As curvas de indiferença mais elevadas são as preferidas

Os consumidores normalmente preferem mais um bem do que menos de um bem. As curvas de


indiferença mais elevadas representam maior quantidade de bens que curvas de indiferença mais
baixas. Na realidade, qualquer cesta de mercado que se encontre acima e à direita da curva de
indiferença U1 da Figura 3.2 é preferível a qualquer cesta que se encontre na curva U1.

3. As curvas de indiferença não se cruzam

As curvas de indiferença não podem se interceptar. Para entendermos a razão, suponhamos que
elas pudessem se interceptar e vejamos, então, de que forma isso violaria as premissas a respeito
do comportamento do consumidor. A Figura abaixo apresenta duas curvas de indiferença, U1 e
U2, que se interceptam em A. Como A e B estão sobre a curva de indiferença U1, o consumidor
será indiferente a qualquer uma dessas duas cestas de mercado. Como tanto A quanto D se
encontram sobre a curva U2, o consumidor também é indiferente a essas duas cestas. Por
conseguinte, de acordo com a premissa da transitividade, o consumidor também não teria
preferência entre as cestas B e D. No entanto, isso não pode ser verdadeiro, pois a cesta de mercado
B deve ser preferível à cesta D, uma vez que B contém maior número de unidades, tanto de
alimento quanto de vestuário. Sendo assim, a suposição de que as curvas de indiferença poderiam
se interceptar contradiz a premissa de que mais é preferível a menos.
4. As curvas de indiferença são convexas em relação a origem

À medida que um consumidor substitui no consumo um bem pelo outro, a substituição é cada vez
mais difícil, ou seja, ele só pode abdicar de uma quantidade cada vez menor do bem substituído
por cada unidade adicional do bem. Essas diferenças na taxa marginal de substituição causa a curva
de indiferença ser convexa em relação à origem.

A inclinação em qualquer ponto da curva de indiferença dá-nos a Taxa Marginal de Substituição

Taxa Marginal de Substituição

Para medir a quantidade de determinada mercadoria da qual um consumidor estaria disposto a


abrir mão para obter maior número de outra, fazemos uso de uma medida denominada taxa
marginal de substituição (TMS). A TMS de alimento A por vestuário V corresponde à quantidade
máxima de unidades de vestuário das quais uma pessoa estaria disposta a desistir para poder
obter uma unidade adicional de alimento. Se a TMS for 3, então o consumidor estará disposto a
desistir de 3 unidades de vestuário para obter 1 unidade adicional de alimento, e, se a TMS for 1/2
ele, por conseguinte, estará disposto a desistir apenas de 1/2 unidade de vestuário. Assim, a TMS
mede o valor que um indivíduo atribui a uma unidade extra de um bem em termos de outro.

Casos Extremos (Substitutos perfeitos e complementos perfeitos)

A Figura ao lado apresenta as preferências de Bob por suco de maçã e suco de laranja. Essas duas
mercadorias são substitutos perfeitos para Bob, uma vez que para ele é totalmente indiferente beber
um copo de um ou de outro. Nesse caso, a TMS do suco de maçã pelo suco de laranja é l: Bob está
sempre disposto a trocar um copo de um por um copo do outro. Geralmente, dizemos que dois
bens são substitutos perfeitos quando a taxa marginal de substituição de um bem pelo outro é
uma constante. As curvas de indiferença que descrevem a permuta entre o consumo das
mercadorias se apresentam como linhas retas.
A Figura ao lado ilustra as preferências de Jane por sapatos esquerdos e sapatos direitos. Para Jane,
as duas mercadorias são complementos perfeitos, já que um sapato esquerdo não aumentará seu
grau de satisfação, a menos que ela possa obter também o sapato direito correspondente. Nesse
caso, a TMS dos sapatos direitos por sapatos esquerdos será zero sempre que houver mais sapatos
direitos do que sapatos esquerdos; Jane não desistiria de nenhuma unidade de sapato esquerdo para
obter unidades adicionais de sapatos direitos. Da mesma forma, a taxa marginal de substituição
será infinita sempre que houver mais sapatos esquerdos do que sapatos direitos, uma vez que Jane
desistirá de todos, menos um, do excedente de sapatos esquerdos que possui para poder obter um
sapato direito adicional. Dois bens são complementos perfeitos quando suas curvas de indiferença
formam ângulos retos ou quando a taxa marginal de substituição é infinita.

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