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Manual do Módulo
Capitulo I

Módulo / UFCD: CLC 6 Culturas de urbanismo e mobilidade.


CARLA MARIA DA SILVA MONTEIRO
Nome do Formador:

OBJECTIVOS......................................................................................................................................3

1....QUESTÕES CULTURAIS - PLANEAMENTO E O ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO


................................................................................................................................................................4

1.1 Critérios de qualidade no Planeamento Habitacional........................................................................4

1.2 Plano Diretor Municipal: conceito, objetivos e concretização.......................................................33

1.3 Fomento, oportunidade e mobilidade laborais aliados à valorização do património urbano e


rural 34

1.4 Fluxos Migratórios: causas e consequências económicas, políticas e culturais dos fenómenos
de migração, emigração, imigração e êxodo................................................................................................. 39

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Fluxo Migratório....................................................................................................................................................44
Migrações:................................................................................................................................................................44
Causas ou motivos das migrações:.................................................................................................................45

REFERENCIAS\ PESQUISA BIOGRAFICA\ONLINE.....................................................................49 3

OBJECTIVOS
 Recorre a terminologias específicas no âmbito do planeamento e ordenação do território,
construção de edifícios e equipamentos.
 Compreende as noções de ruralidade e urbanidade, compreendendo os seus impactos no
processo de integração socioprofissional.
 Identifica sistemas de administração territorial e respetivos funcionamentos integrados.
 Relaciona a mobilidade e fluxos migratórios com a disseminação de patrimónios linguísticos
e culturais.

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1. Questões culturais - planeamento e o ordenamento do território

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Conceitos-chave: urbanismo; mobilidade; arquitectura; planeamento habitacional;


equilíbrio paisagístico; rutura paisagística; equipamento cultural; ordenamento e
coesão territorial; Plano Diretor Municipal; turismo; fluxo migratório; património
cultural
3

1.1 Critérios de qualidade no Planeamento Habitacional1

1.1.1. Equipamentos culturais de suporte à habitação: espaços verdes, zonas de


lazer, espaços de interação cultural

 Os equipamentos culturais influenciaram na medida em que é factor decisivo, para


o sucesso das políticas de ordenamento do território e sua aplicação, a percepção e
conhecimento do espaço, de forma global, mas sintetizada. O facto do
ordenamento do território ser pluridisciplinar, pois inclui aspectos da geografia, da
economia, da sociologia, do urbanismo, do direito etc., leva à sua característica de
síntese. Para se englobar cada um destes aspectos no processo de ordenamento do
território é necessário que se realizem sínteses, para que este seja completo mas
não longo. Dito por outras palavras, “O ordenamento do território deve ter em
consideração a existência de múltiplos poderes de decisão, individuais e
institucionais, que influenciam a organização do espaço, o carácter aleatório de
todo o estudo prospectivo, os constrangimentos do mercado, as particularidades
dos sistemas administrativos, a diversidade das condições socioeconómicas e
ambientais. Como ciência, o ordenamento do território explica- ‐se na
medida em que pratica metodologias científicas, quer quanto à análise e ao
diagnóstico das situações em que o território se encontra envolvido, quer quanto às
expectativas de uma evolução em que as opções sejam tomadas como variáveis dos
virtuais cenários.

Os espaços tem uma função fundamental para que exista a interação entre a as
diversas manifestações culturais e o público, dentre os espaços mais utilizados para
a realização de distintas ações culturais são, segundo o Ministério da Cultura,
(2009):

Equipamentos culturais:

1
Planeamento habitacional: Compreensão e organização de ideias sobre como, quando, porquê e onde construir.
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o Cinema
o Loja de discos, CD/DVD
o Biblioteca pública
o Livraria
3
o Museu
o Teatro
o Centro cultural
o Oficinas culturais
o Casas de cultura

A definição de patrimônio, além dos valores históricos, artísticos,


científicos, educativos e políticos, incorpora outros, que se relacionam
com o território e com a construção da identidade cultural de uma
população. Essa é uma das características mais relevantes do patrimônio:
ser tomado como referência para a construção de identidades culturais
pelas mais diversas estruturas sociais e mesmo pelos cidadãos, de forma
a converte-se no capital simbólico da sociedade. (DIAS, 2006, P.73)

 Funcionalidades dos equipamentos culturais: EXEMPLOS

o Casa da Musica – Porto

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Imaginada para assinalar o ano festivo de 2001, em que a cidade do Porto


foi Capital Europeia da Cultura, a Casa da Música é o primeiro edifício

construído em Portugal exclusivamente dedicado à Música, seja no


domínio da apresentação e fruição pública, seja no campo da formação
artística e da criação. O projecto Casa da Música foi definido em 1999,
como resultado de um concurso internacional de arquitectura que
escolheu a solução apresentada por Rem Koolhaas -‐ Office for
Metropolitan Architecture. As escavações iniciaram-‐se ainda em 1999,
no espaço da antiga Remise do Porto na Rotunda da Boavista, e a Casa
da Música foi inaugurada na primavera de 2005, no dia 15 de Abril.
Concebida para ser a casa de todas as músicas, integra-‐se no processo
de renovação urbana da cidade e numa rede de equipamentos culturais à
escala metropolitana e mundial. É uma instituição que acolhe um projecto
cultural inovador e abrangente e que assume a dinamização do meio
musical nacional e internacional, nas mais variadas áreas, da clássica ao
jazz, do fado à electrónica, da grande produção internacional aos
projectos mais experimentais. Para além de concertos, recitais e
performances, a Casa da Música promove encontros de músicos e
musicólogos, investindo na procura das origens da música portuguesa e
apostando fortemente no seu papel de elemento nuclear na educação
musical.

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o Museu do Fado – Lisboa

Inteiramente consagrado ao universo da canção urbana de Lisboa, o


Museu do Fado abriu as suas portas ao público a 25 de Setembro de 1998
celebrando o valor excepcional do Fado como símbolo identificador da
Cidade de Lisboa, o seu enraizamento profundo na tradição e história
cultural do País, o seu papel na afirmação da identidade cultural e a sua
importância como fonte de inspiração e de troca intercultural entre povos
e comunidades.

De acordo com o seu Regulamento Interno (artº 3º) integram a Missão do


Museu o conjunto de actividades inerentes ao cumprimento dos objectivos
gerais de angariação, preservação, conservação, investigação,
interpretação, promoção, divulgação, exposição, documentação e fruição
do património e do universo do Fado e da Guitarra Portuguesa, tendo em
vista difundir o conhecimento sobre esta expressão musical e de promover
a sua aprendizagem.
Assumindo conceptualmente o Fado como uma arte performativa em
permanente construção, o Museu integra diferentes valências funcionais -

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escola do Museu, centro de documentação, auditório, circuito expositivo


permanente e temporário - que, numa perspectiva integrada, contribuem

para o cumprimento da missão definida de angariação, preservação,


conservação, investigação, interpretação e fruição do acervo patrimonial
alusivo ao universo do Fado, promovendo o conhecimento e a
aprendizagem contínua e pluridisciplinar sobre esta expressão musical .

o Teatro Nacional de São Carlos - Lisboa

O Teatro Nacional de São Carlos foi inaugurado em 30 de junho de 1793


mantendo-se, ainda atualmente, como o único teatro nacional
vocacionado para a produção e apresentação de ópera e de música coral e
sinfónica.

Ao longo da sua vivência têm abundado os factos históricos, os episódios


sociais e os eventos culturais relevantes, que enriquecem o seu património
histórico singular, reunido num edifício de características neoclássicas e
de inspiração setecentista e italiana, classificado como imóvel de interesse
público em 1928 (8 de setembro de 1928) e Monumento Nacional em
1996 (6 de março de 1996).

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Os agrupamentos artísticos residentes são o Coro do Teatro Nacional de


São Carlos, criado em 1943, que interpreta o grande repertório operístico
e coral-sinfónico, mantendo-se como a única estrutura coral profissional
3
em Portugal; e a Orquestra Sinfónica Portuguesa, cuja origem remonta a
1993.

O Teatro apresenta uma programação musical regular em três espaços: na


Sala Principal, palco de grandes produções líricas e de concertos
sinfónicos e coral-sinfónicos, mas também de bailados. O Salão Nobre,
que permite o acesso à varanda da fachada, recebe recitais e concertos de
diferentes formações instrumentais, leituras de ópera e apresentações
mais intimistas. E, ainda, o Foyer – entrada do Teatro –, espaço
privilegiado para concertos de câmara e breves recitais de entrada
gratuita, que convidam ao convívio informal.

O TNSC promove ou acolhe, também, a realização de encontros,


conferências, masterclasses, cursos, concertos de/para escolas e famílias
e um conjunto alargado de propostas culturais.

No final de cada temporada, o Teatro organiza o Festival ao Largo,


precisamente no Largo de São Carlos. Durante cerca de um mês realizam-
se espetáculos de ópera, teatro, música sinfónica, coral-sinfónica e
bailado, entre outros, que convidam à celebração festiva da música e das
artes performativas. Todos os espetáculos, quer sejam de obras clássicas
ou contemporâneas, são de acesso livre e são comentados, garantindo a
mediação com os diferentes públicos.

Para além de músicos, coralistas e solistas, as composições líricas vivem


da arte e do empenho de encenadores, cenógrafos, desenhadores de luz,
aderecistas, costureiros, maquilhadores, maquinistas, eletricistas, contra-
regra e técnicos de som e vídeo. A memória das óperas levadas ao palco
de São Carlos, pela mão de todos estes artistas e técnicos, é preservada e
divulgada pelo Centro Histórico do Teatro, através das exposições de
património móvel, guarda-roupa, cenografia, arquivo musical, fotográfico
e documental que organiza.

A vocação de divulgar a história da ópera, dos grandes compositores e de


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São Carlos ao público é também prosseguida pelo Projeto Pedagógico do

Teatro, que promove a realização de visitas guiadas ao edifício do Teatro,


mas também um conjunto de outras atividades lúdicas e pedagógicas para
crianças e jovens, famílias e professores, bem como público em geral, com
o intuito de promover a aproximação entre o Teatro e a comunidade.

O extraordinário valor e a beleza arquitetónica do edifício, bem como a


excecional qualidade musical que tem caracterizado os seus longos anos
de vida tornam o Teatro Nacional de São Carlos figura incontornável da
cena artística e cultural portuguesa. Mas muito mais do que mero herdeiro
dessa dimensão histórica, o São Carlos é hoje uma casa viva de música e
cultura, sempre de portas abertas, que oferece uma programação
diversificada, habilitada a corresponder aos mais exigentes melómanos e
capaz de cativar os espetadores menos frequentes.

o Oceanário – Lisboa

Inaugurado em 1998 no âmbito da última exposição mundial do séc. XX,


cujo tema foi "Os oceanos, um património para o futuro", o Oceanário
eternizou a ligação de Lisboa com o oceano.

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O Oceanário de Lisboa é um aquário público de referência em Lisboa, em


Portugal e internacionalmente. O equipamento recebe anualmente cerca
de 1 milhão de pessoas, que percorrem as suas exposições,
3
tornando-‐o no equipamento cultural mais visitado de Portugal. A
excelência das exposições, aliadas ao simbolismo da arquitetura dos
edifícios, faz do Oceanário um local único e inesquecível. O equipamento
integra dois edifícios, o original dos Oceanos e o novo edifício do Mar,
conetados por um enorme átrio decorado com um magnífico painel de 55
mil azulejos, que oferece acesso às exposições e à área educativa.
Assumindo a tendência evolutiva dos aquários modernos, o Oceanário
desenvolve continuamente, atividades educativas que dão a conhecer os
oceanos, os seus habitantes, a sua missão e que abordam os desafios
ambientais da atualidade. Ainda neste contexto, o Oceanário colabora com
várias instituições em projetos de investigação científica, de conservação
da biodiversidade marinha e que promovam o desenvolvimento
sustentável dos oceanos. A experiência técnico-‐científica da equipa
de biólogos e de engenheiros assegura a excelência da exposição
e presta consultoria a vários aquários e instituições similares. O Oceanário
assume, como estratégia de desenvolvimento, a implementação de um
Sistema Integrado de Gestão da Qualidade e Ambiente. Foi o primeiro
aquário público da Europa a obter as Certificações de Qualidade ISO 9001,
14001 e EMAS (Eco-Management and Audit Scheme).

o Espaços Verdes Urbanos

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O conceito de espaço verde urbano e respectivas funções sofreram


profundas alterações ao longo do tempo, sendo actualmente aceites de
forma unânime os seus múltiplos papéis de fundamental importância para
o bem-estar da população urbana.

A necessidade de espaços verdes urbanos é uma das consequências da


evolução que as cidades têm sofrido ao longo do tempo.
Nas cidades mais industrializadas surge, posteriormente, o conceito de
“pulmão verde”, ou seja, o de espaço verde com dimensão suficiente para
produzir o oxigénio necessário à compensação das atmosferas poluídas.
Foi à luz deste conceito que surgiu o Parque de Monsanto, em Lisboa.
Mais tarde, este conceito evoluiu para o de “cintura verde” a rodear a
“cidade antiga”, separando-a da “zona de expansão”.

No início do século XX surgiu a teoria do continuum naturale, baseada na


necessidade da paisagem natural penetrar na cidade de modo tentacular e
contínuo, assumindo diversas formas e funções: espaço de lazer e recreio;
enquadramento de infra-estruturas e edifícios; espaço de produção de
frescos agrícolas e de integração de linhas ou cursos de água com os seus
leitos de cheia e cabeceiras. Este objectivo é realizado quer através da
criação de novos espaços, quer da recuperação dos existentes, e da sua
ligação através de “corredores verdes”, integrando caminhos de peões e
vias.

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É esta a lógica que ainda hoje se mantém. Os espaços verdes urbanos,


quer públicos quer privados, assumem uma crescente importância nas
políticas regionais e municipais, procurando-se uma lógica de contínuo
3
vivificador de todo o tecido urbano e de ligação ao espaço rural
envolvente.

Funções dos espaços verdes no tecido urbano

Dadas as alterações e influências negativas que a intensificação da


edificação provoca no clima urbano, uma das importantes funções da
vegetação consiste no controle do microclima, contribuindo para a sua
amenização, através das suas propriedades de termorregularização,
controle da humidade, controle das radiações solares, absorção de CO2 e
aumento do teor em O2, protecção contra o vento, contra a chuva e o
granizo e protecção contra a erosão.

Os espaços verdes são também úteis na separação física do trânsito


automóvel da circulação de peões, filtram os gases tóxicos produzidos
pelos automóveis, absorvem parte do ruído provocado e reduzem o
encadeamento.

Têm um papel importante na ligação dos vários espaços diferenciados


entre si e na amenização de ambientes, pelo contraste entre a suavidade
do material vivo inerente à vegetação e o carácter inerte e rígido dos
pavimentos e outras superfícies construídas.

Desempenham ainda funções culturais, de integração, de enquadramento,


didácticas, de suporte de uma rede contínua de percursos para peões, de
jogo, lazer e recreio. O interesse cultural do espaço verde urbano pode
sintetizar-se na possibilidade de incentivar as pessoas à apreensão e
vivência dos objectos e dos conjuntos em que se organizam.

As espécies vegetais, de diferentes formas, cores e texturas, constituem


elementos plásticos com os quais se pode aumentar o interesse estético
dos espaços urbanos.
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A observação e contemplação da vegetação pela população urbana


possibilitam a percepção da sequência do ritmo das estações, e de outros
ciclos biológicos, o conhecimento da fauna e flora espontânea e cultivada,
3
o conhecimento dos fenómenos e equilíbrios físicos e biológicos.

Não obstante o reconhecimento das funções essenciais associadas à


presença dos espaços verdes, a sua implementação encontra-se sujeita a
múltiplas ameaças, entre as quais se destaca a excessiva densificação da
malha urbana, associada a situações de especulação fundiária e a ausência
de um planeamento adequado.

1.1.2. Influência dos equipamentos culturais no ordenamento e coesão territorial

i
O território não é apenas um espaço físico nem um suporte das diferentes
actividades humanas, mas um sistema complexo, no qual uma
multiplicidade de relações, actividades e valores coexistem, interagem e
geram conflitos, mas também sinergias criativas. O território é, também,
uma das marcas que melhor define a Europa, indissociável das imagens
icónicas que a representam ou da pluralidade doutras que associamos a
cada uma das suas regiões. A geografia e a acção humana ditaram a
transformação do território europeu e a relação secular entre o homem e o
meio, ao moldar as paisagens europeias, ajudou a sedimentar, do ponto
de vista civilizacional e histórico, uma cultura territorial europeia.
No caso português, importa não perder de vista que parte do território é
marítimo. Do ponto de vista económico, a nossa zona económica exclusiva
é extensa e é nesse mar que estão as regiões insulares dos Açores e da
Madeira. Com estatuto de regiões ultra‐periféricas, apresentam
características de fragmentação territorial e de coesão interna
diferenciadas, mas detêm uma posição estratégica não só para Portugal
como para a União Europeia, que lhes confere uma valia muito superior à
sua dimensão territorial. Assim, Portugal deve ser olhado na sua
diversidade continental, insular e marítima, e o mar incluído no debate
sobre a coesão territorial.
A promoção da identidade dos territórios, através da defesa do património
natural e construído e da paisagem e a valorização dos recursos e das
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especificidades locais e regionais são instrumentos fundamentais de


coesão territorial. Assim, para garantir a coerência e o equilíbrio do
território a coesão territorial deve partir do seu entendimento como o
locus da acção colectiva ‐ a coesão implica pessoas, comunidades e
3
apropriação de territórios ‐ e não resumir‐se ao mero exercício técnico‐
político. Entendendo o território como um sistema, cada parte deve tirar
partido dos seus atributos funcionais no sentido da utilidade e
complementaridade, visando a sua sustentabilidade e eficiência, na linha
do preconizado pela Agenda Territorial. Nesta perspectiva a coesão
territorial é a condição de partida para a adequada coesão económica e
social. Por isso, o apoio à valorização das capacidades produtiva e criativa
de cada território, ancoradas nas suas aptidões e potencialidades, ganha
particular acuidade.

[Condições de acesso justo e equilibrado aos bens e serviços públicos]


Importa ter presente que o conceito de coesão territorial está, à semelhança dos
conceitos de coesão económica e social, intimamente ligado ao princípio de
solidariedade e, nessa medida, visando garantir objectivos de equidade no acesso
aos equipamentos, às infra‐estruturas e ao conhecimento. A questão que emerge é,
sobretudo, a da escala mais adequada e a dos limiares mínimos para promover este
acesso. O acesso justo aos bens e serviços públicos tem que resultar de um
compromisso entre as condições ideais ou razoáveis de distância‐tempo e a
dimensão dos equipamentos que possa garantir os padrões mínimos de qualidade
do seu funcionamento. A melhor escala não é universal, ela varia com a natureza
do serviço, exigindo a possibilidade de abordagens flexíveis e criativas, adaptáveis
às peculiaridades dos contextos territoriais. Mas não basta assegurar a proximidade
física e temporal dos bens e serviços aos cidadãos. Essa proximidade tem de ser
também relacional, isto é, que as pessoas entendam que a utilização de um
determinado bem ou serviço lhes provoca um aumento de utilidade e de bem‐estar.

[Dinamismo, competitividade e inovação]


Os factores de competitividade e crescimento são também essenciais ao reforço da
Coesão Territorial. A mobilização da inovação e do conhecimento, o
desenvolvimento tecnológico e o reforço da capacidade de empreendedorismo,
aspectos cuja evolução dependerá em larga escala do contexto institucional, são
determinantes na afirmação e na aproximação de territórios, sobretudo em regiões
diversificadas onde a par de grandes concentrações urbanas, subsistem ainda áreas
rurais. No entanto, a necessidade de privilegiar a dimensão económica da
integração europeia, orientando as políticas públicas para a competitividade em
detrimento da coesão social, gera conflitos (latentes ou explícitos) entre
competitividade e coesão que é indispensável ultrapassar pelos efeitos de ruptura
(quebra de laços sociais, descontinuidades territoriais, marginalização económica)
que suscitam e pelos reflexos negativos subsequentes.
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(Associação Portuguesa de Geógrafos)

1.1.3. Arquitetura tradicional e sistemas construtivos

Desde que os Homens conseguiram romper 3


o isolamento que os continha em pequenas
áreas, os aperfeiçoamentos técnicos e as
inovações formais da arquitectura
alastraram pela Terra, acompanhando a
expansão territorial de certos povos, das
doutrinas religiosas e do intercâmbio
económico e cultural.
A história da arquitectura em Portugal
acompanhou sempre de perto a evolução da
história de Portugal e as sucessivas
ocupações e expansões a que o atual território nacional esteve sujeito. Pretende-se apresentar neste
documento de apoio os momentos mais significativos dessa evolução.

A combinação de materiais, utilizados na materialização dos diversos elementos de construção de um


edifício, denomina-se por solução construtiva. A combinação das soluções construtivas utilizadas
na definição dos principais elementos de construção: pavimentos, paredes e coberturas; é conhecida
por sistema construtivo. Devido à investigação e à evolução tecnológica que se desenvolve no
domínio da Construção, existem actualmente inúmeros exemplos de novos sistemas construtivos,
surgindo todos os dias novas soluções, a maioria com baixa capacidade de vir a ser amplamente
aplicada na construção.
Para além do aparecimento de novos sistemas construtivos, também nas últimas décadas se tem
assistido ao ressurgimento de algumas soluções correntes no passado e que foram praticamente
abandonadas, como o Adobe e a Taipa. Com o crescimento da consciência ecológica e com a
aplicação da ciência à construção, o Homem passou a compreender melhor e aprendeu a corrigir o
comportamento de alguns sistemas construtivos do passado, que se mostram actualmente bastante
mais compatíveis com o equilíbrio dos ecossistemas, do que os actuais sistemas construtivos
amplamente implementados e disseminados.

Ao nível de novos sistemas construtivos serão focados dois exemplos que são
amplamente utilizados noutros países, mas que em Portugal ainda são pouco conhecidos:
os sistemas construtivos em estruturas de perfis metálicos leves (Light Gauge Steel
Frammig – LGSF) e os sistemas construtivos em betão celular autoclavado (Autoclaved
Cellular Concrete - ACC).ii

Tendo em conta a influência da envolvente vertical dos edifícios no seu comportamento,


no final desta parte, serão abordadas duas soluções construtivas não convencionais para a
envolvente vertical dos edifícios: a Parede de Trombe e a fachada ventilada. A Parede de

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Trombe é uma das soluções para a envolvente vertical dos edifícios mais utilizada na
arquitectura bioclimática, permitindo um melhor aproveitamento dos recursos endógenos,
o que potencia a diminuição do consumo de energia convencional, com vantagens
económicas e ambientais. A fachada ventilada é uma tecnologia de fachadas relativamente
3
recente que surgiu das investigações realizadas neste domínio, que têm resultado em
soluções cada vez menos espessas e, por conseguinte, mais leves, compostas por uma
série de camadas com funções cada vez mais específicas.

Resumidamente, os factores mais importantes que influenciam a selecção da


tecnologia construtiva mais adequada são (adaptado de AGO, 2003):

 Durabilidade das soluções comparativamente à vida útil projectada para o


edifício;

 Análise global dos custos da solução (custo inicial, custo de operação,


custo de manutenção, custo de reabilitação, custo de
demolição/desmantelamento, valor venal, custo de eliminação);

 Comportamento térmico. O modo como uma solução construtiva


condiciona o comportamento térmico do edifício é importante na
previsão da quantidade de energia necessária nas operações de
aquecimento e arrefecimento (custos económicos e ambientais);

 Impacte ambiental de todos os materiais e componentes de construção


utilizados, bem como, dos processos de construção associados;

 Disponibilidade de técnicos e de empresas de construção que possuam a


adequada formação para lidarem com a solução construtiva pretendida;

 Disponibibilidade de materiais no mercado;

 A manutenção esperada;
 A flexibilidade da solução e o seu potencial de reutilização/reciclagem;
 A distância de transporte prevista para cada material e componente.

Tendências na construção
 Materiais
O betão é ainda, e apesar de todos os inconvenientes apontados até agora, o material
base nas principais soluções construtivas da Construção portuguesa.
Resumidamente, os novos desígnios dos materiais de construção são (Simões, 2002):

 Materiais por medida. A aplicação da química à engenharia dos materiais


permitiu a “afinar” as propriedades dos materiais através da manipulação da sua
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micro-estrutura (cadeia-macromolecular), ou da sua macro-estrutura (fibras,


argamassas de resina, materiais compósitos). Deste modo os materiais são
obtidos em função da combinação de vários componentes, com vista à
satisfação das performances pretendidas. A descoberta de materiais de
síntese acelerou a concepção e o desenvolvimento dos materiais compósitos, 3
permitindo obter combinações de performances, impossíveis de atender a
partir de materiais microscópicamente homogéneos.

 Materiais “inteligentes e programáveis”. Os materiais do futuro serão


“inteligentes”, no sentido de reagir espontaneamente e sem intervenção
humana às condições do meio (tal como acontece num campo de girassóis em
relação ao sol). A “inteligência” será integrada no material, de modo a que
este possa alterar as suas características face às solicitações, caso dos polímeros
a aplicar no revestimento das fachadas e nos envidraçados que definem a sua
reflectância em função da temperatura do meio exterior. Os materiais serão
também programáveis por computador, podendo ser formulada, organizada e
estruturada a matéria para satisfazer um conjunto de exigências predefinidas,
como exemplo a forma, a rigidez, etc.

 Materiais “verdes” e confortáveis. Por todas as razões apontadas no


capítulo II, haverá uma tendência no desenvolvimento e proliferação de
materiais que “respeitem” o meio ambiente. É crescente a utilização de
materiais que integram matéria reciclada, cujo fabrico é programado de modo a
que possuam baixo impacto energético e que tenham grandes possibilidades
de virem a ser reutilizados e/ou reciclados. Pretende-se também que a
durabilidade destes materiais seja cada vez mais alargada. Quanto ao
“conforto”, os materiais devem possuir propriedades delicadas, com
características agradáveis em termos estéticos e sensoriais, possibilitado a
harmonia entre o material e o utilizador. Constitui exemplo, o
desenvolvimento de novos materiais em madeira para o revestimento de
paredes e pavimentos com estética apelativa e conforto táctil.

 Materiais biotecnológicos. A biotecnologia, a par da física, da mecânica e da


química, é um ramo da ciência que intervém na concepção de biomateriais,
sendo estes compostos por matéria viva com programação genética. São
produzidas soluções a partir de células animais e vegetais para desenvolver
moléculas biológicas que pelas suas propriedades encontram campo de aplicação
no sector da construção. O seu emprego pode ser diverso, desde paredes auto-
laváveis que dispensam operações de limpeza a sistemas de regulação
higrométrica. Igualmente se prevê a aplicação de biomateriais para a auto-
reparação de edifícios (caso de paredes fissuradas), dado que estes materiais são
providos de “memória” que lhes permite retornar à sua fase inicial após
determinada solicitação.

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 Taipa
Na taipa utiliza-se a terra húmida para a construção de paredes espessas através de um
processo de compactação. As paredes de taipa são construídas através da compactação de
uma mistura de agregados seleccionados, incluindo gravilha, areia, siltes, e uma pequena
3
quantidade de argila. A compactação é realizada entre dois painéis de cofragem.

A construção em taipa, também conhecida por “pisé” – termo de origem na expressão


francesa “pisé de terre” – foi utilizada pela primeira vez em Lyon, França em 1562. O
termo foi aplicado à construção de paredes com pelo menos 50 cm de espessura,
materializadas através da compactação de terra entre dois moldes paralelos que são
removidos após a secagem da terra .
Apesar do termo estar inicialmente associado à construção de paredes com espessuras
superiores a 50 cm, é possível construírem-se paredes mais esbeltas, através da adição de
cimento ou cal à mistura (AGO, 2003).

 Adobe
O adobe é uma técnica de construção em terra onde são utilizados blocos de terra crua
moldados. O termo “adobe” provém do vocabulário Árabe e Berber e foi implementado na
Península Ibérica quando os povos do Norte de África dominavam esta zona do continente
europeu.

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Para se executarem os blocos (adobes), em primeiro lugar realiza-se uma mistura de terra
e água que é colocada em moldes com as dimensões que se pretende atribuir aos blocos
(fig. 5.13). Posteriormente os blocos ficam a secar ao ar livre (naturalmente). Os adobes
podem ser produzidos a partir de terra líquida ou plástica, utilizando moldes muito
3
diversos (Lourenço, 2003).

 BTC
O BTC – bloco de terra comprimido – é o descendente moderno do bloco moldado de
terra, conhecido tradicionalmente por Adobe. A ideia de compactar a terra de modo a
melhorar a qualidade e performance dos blocos moldados de terra não é nova, e foi
através da utilização de pilões de madeira que se produziram os primeiros blocos de terra
comprimida. Este é um processo ainda bastante comum em algumas partes do globo.

Pensa-se que as primeiras máquinas para a compactação de terra surgiram no século


XVIII, em França, através do inventor François Cointeraux. Este inventor desenvolveu um
equipamento denominado por “crecise” através da adaptação de uma prensa usada na
produção de vinho para a compactação de terra (Rigassi, 1985).

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Foi no entanto a partir de meados do século XX, mais propriamente em 1952, que se deu
o grande impulso na utilização do BTC na Construção. Nesse ano, no âmbito de um
programa de pesquisa sobre a habitação rural na Colômbia, foram aperfeiçoadas as
técnicas de aplicação deste produto na Construção e foi desenvolvido, pelo engenheiro
3
Raul Ramirez, um equipamento prático e de dimensões reduzidas denominado por prensa
CINVA-RAM. Este equipamento foi disseminado por todo o mundo (Rigassi, 1985).

As suas características técnico-funcionais são em tudo semelhantes às do adobe. A


principal diferença, reside no facto do adobe atingir a sua resistência máxima após sofrer
um processo de cura, enquanto o BTC atinge a sua resistência máxima com a
compactação da prensa. A compactação da terra com uma prensa melhora as qualidades
do material, pois se por um lado as formas dos blocos ficam mais regulares, por outro a
superior densidade torna maior a resistência à compressão, bem como a resistência à
erosão e à degradação através do contacto com a água.

Este método é aquele que implica prazos de construção mais curtos, pois praticamente
não exige tempo de espera entre a produção e aplicação do material. A produção pode ser
assegurada todo o ano, independente das condições climatéricas.

1.1.4. Ambientes rurais e ambientes urbanos

iii
Os espaços urbano e rural inserem-se como diferentes expressões materializadas no
espaço geográfico, compreendidas por suas distintas dinâmicas econômicas, culturais,
técnicas e estruturais. Embora componham meios considerados distintos, suas inter-
relações são bastante complexas. Por isso, muitas vezes é difícil separar ou compreender
a especificidade de cada um desses conceitos.
O conceito de espaço urbano designa a área de elevado adensamento populacional com
formação de habitações justapostas entre si, o que chamamos de cidade. Já o conceito de
espaço rural refere-se ao conjunto de atividades primárias praticadas em áreas não
ocupadas por cidades ou grandes adensamentos populacionais.

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Mapa Mental: Espaço urbano e rural

No entanto, para além dessa definição simples e introdutória, é interessante perceber que
rural e urbano são, além de tudo, tipos diferentes de práticas cotidianas. Assim, podem
existir práticas rurais no espaço das cidades ou práticas urbanas no espaço do campo. Por
exemplo: um cultivo de hortaliças dentro do espaço de uma cidade (embora isso seja cada
vez mais raro nos grandes centros urbanos) é um caso de prática rural no meio urbano. Da
mesma forma, a existência de um hotel fazenda ou um resort em uma zona afastada da
cidade é um exemplo de prática urbana no meio rural.

Uma das principais diferenças entre urbano e rural está, assim, nas práticas
socioeconômicas. O espaço rural, como já dissemos, engloba predominantemente
atividades vinculadas ao setor primário (extrativismo, agricultura e pecuária), ao passo que
o espaço urbano costuma reunir atividades vinculadas ao setor secundário (indústria e
produção de energia) e terciário (comércio e serviços).

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Outra diferença entre urbano e rural está na amplitude dos respectivos conceitos. Em
termos de escala, a abrangência espacial do meio rural é muito maior, pois ele reúne
tantos as áreas transformadas e cultivadas (espaço agrário) pelo homem quanto o espaço
natural, pouco transformado ou mantido totalmente sem intervenções antrópicas. Por
3
outro lado, a cidade, embora possua uma maior dinâmica econômica, apresenta-se em
espaços mais circunscritos, mesmo com o crescimento desordenado dos espaços urbanos
na maioria dos países periféricos e emergentes.

Em termos de hierarquia econômica, podemos dizer que, originalmente, o campo exercia


um papel preponderante sobre as cidades. Afinal, foi o desenvolvimento da agricultura e
da pecuária que permitiu a formação das primeiras civilizações e o seu posterior
desenvolvimento. No entanto, com o avanço da Revolução Industrial e as transformações
técnicas por ela produzidas, o meio rural viu-se cada vez mais subordinado ao urbano,
uma vez que as práticas agropecuárias e extrativistas passaram a depender cada vez mais
das técnicas, tecnologias e conhecimentos produzidos nas cidades.

Atualmente, o urbano e o rural formam uma relação socioeconômica e até cultural


bastante ampla, muitas vezes se apresentando de forma não coesa e profundamente
marcada pelo avanço das técnicas e pelas transformações produzidas a partir dessa
conjuntura. Nessa relação, o espaço geográfico estrutura-se em toda a sua complexidade
e transforma-se em reflexo e condicionante das relações sociais e naturais, denunciando
as marcas deixadas pelas práticas humanas no meio em que se estabelecem.

(Mapa mental por Rafaela Sousa - Professora de Geografia- BR. )

1.1.5. História oral das Comunidades e Socialização

A identidade de um intérprete manifesta-se com evidência tão logo abre a boca: ele se define em
oposição às outras identidades sociais, que com relação à sua são dispersas, incompletas, laterais e
as quais assume, totaliza, magnífica...(Zumthor, 1993, p. 68).

... Além do processo de socialização pelos valores que estão contidos nas histórias, nas mensagens
que elas transmitem, a própria situação de contar história é um momento de socialização, pois
propicia a convivência e a troca de experiência entre os participantes do evento. (Rondelli, 1993,
p.30 e 31).

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Na cultura oral o conhecimento tem que ser produzido em voz alta, senão ele logo
desaparece; é preciso despender uma grande energia para dizer repetidas vezes o que é
aprendido arduamente através dos tempos. Como conhecimento valioso à sociedade tem,
então, em alta conta àqueles anciãos e anciãs, sábios que se especializam em conservá-lo,
3
conhecendo e podendo contar as histórias dos tempos remotos. Já o conhecimento da
cultura escrita, que está armazenado fora da memória humana, deprecia as figuras do
sábio ancião, repetidor do passado, em favor de descobridores mais jovens de algo novo.
Enquanto que nas culturas orais há uma conceituação e uma verbalização de todo o seu
conhecimento com uma referência mais ou menos próxima ao cotidiano da vida humana,
a cultura escrita acaba por distanciar, de certo modo, até mesmo o ser humano,
discriminando e tornando todas as coisas tão abstratas, neutras, inteiramente desprovidas
de um contexto de ação humana.

A História Oral é considerada como fonte identitária de um povo, capaz de retratar as


realidades, as vivências e os modos de vida de uma comunidade em cada tempo e nas
suas mais variadas sociabilidades. Esse tipo de fonte não só permite a inserção do
indivíduo, mas o resgata como sujeito no processo histórico produtor de histórias e feitos
de seu tempo.
É através da experiência vivida no passado, dos erros e acertos, das ilusões e desilusões,
das ideologias e utopias, dos sonhos e das realidades, das verdades e mentiras, das
buscas e desistências, dos medos e das coragens, enfim, de tudo que se viveu, sentiu ou
pensou, que se pode corrigir, no presente, para se melhorar no futuro. Tudo isso só é
possível se o historiador lançar mãos dos diversos tipos de fontes, pois, nem tudo está
escrito. Neste sentido é que a memória privilegia aqueles que não tiveram vez e nem voz
por falta de oportunidade ou por ofuscamento das diretrizes dominantes. O estudo da
memória é fundamental, principalmente numa sociedade intensamente autoritária,
violenta e discriminadora, como a brasileira que foi produzida por um Estado
assistencialista, que sempre negou os direitos essenciais para o exercício da cidadania
ativa aos seus habitantes.
Analisar o anexo- Historia oral – Douro

Griots: os contadores de histórias da


África Antiga
Até os dias de hoje os Griots seguem em seu papel de guardiões da tradição
Por JOSEANE PEREIRA, do Aventuras na História

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Contadores de histórias, mensageiros oficiais, guardiões de tradições milenares: todos


esses termos caracterizam o papel dos Griots, que na África Antiga eram responsáveis por
firmar transações comerciais entre os impérios e comunidades e passar aos jovens
3
ensinamentos culturais, sendo hoje em dia a prova viva da força da tradição oral entre os
povos africanos.
Utilizando instrumentos musicais como o Agogô e o Akoting (semelhante ao banjo), os
griots e griottes estavam presentes em inúmeros povos, da África do Sul à Subsaariana,
transitando entre os territórios para firmar tratados comerciais por meio da fala e também
ensinando às crianças de seu povo o uso de plantas medicinais, os cantos e danças
tradicionais e as histórias ancestrais. Diferente da civilização ocidental, que prioriza a
escrita como principal método para transmissão de conhecimentos e tem historicamente
fadado povos sem escrita ao âmbito da “pré-história”, em sociedades de tradição oral a
fala tem um aspecto milenar e sagrado, e deve-se refletir profundamente antes de
pronunciar algo, pois cada palavra carrega um poder de cura ou de destruição.

Nesse sentido, os Griots são os guardiões da palavra, responsáveis por transmitir os


mitos, as técnicas e as tradições de geração para geração iv.

O termo “griot” tem origem no processo de colonização do continente africano, sendo a


tradução para o francês da palavra portuguesa “criado”. Durante o processo de
colonização da costa africana a partir do século XIV, com a progressiva construção de
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fortes portugueses que funcionavam como entrepostos comerciais, o Reino de Portugal


realizava comércio com Reinos africanos como Kongo, Mali e Songhai. Esses primeiros
contatos já transformavam tanto as culturas africanas como a nação de Portugal, mas
acabaram levando a muitos reinos à desestruturação cultural. Com o tráfico de
3
escravizados e o processo de Neocolonização do século XIX, países como França, Bélgica e
Alemanha adentraram os territórios africanos, contribuindo para essa desestruturação.
Em sociedades marcadas pela escravidão, os sujeitos foram historicamente considerados
meros “objetos” sem memória. Nesse sentido, é importante relembrarmos a importância
da memória para esses povos, sendo os Griots a manifestação viva de uma memória
transmitida de geração em geração.

VAMOS ANALISAR.

Qual a importância das lendas na cultura alentejana?


Creio que é de fundamental relevância para a região, riquíssima em património cultural. As
lendas são um dos mais importantes legados herdados das gerações anteriores que, ao
longo dos tempos, têm preenchido e enriquecido o imaginário popular. A par dos
provérbios, lengas-lengas, trava-línguas, ditos e dizeres populares, as lendas são
importantes testemunhos orais, que caracterizam um povo e uma região. E, neste sentido,
o Alentejo é uma região privilegiada, onde o trabalho ao nível patrimonial e identitário se
apresenta como fator decisivo de atração de destino. Daí, a razão para a edição desta obra

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que, de forma simples, mas marcante, procura dar a conhecer este riquíssimo património
oral.
Quais os ingredientes essenciais para o sucesso de uma lenda, para a sua capacidade de
perdurar no tempo, de passar de geração em geração?
3
Muitos de nós habituámo-nos a ouvir histórias de lendas contadas pelos nossos pais e
avós, nos serões invernosos, à beira das lareiras ou antes de adormecermos. No
imaginário coletivo alentejano, as lendas são sobretudo as histórias das mouras
encantadas, dos cavaleiros e dos seus encantamentos, que nos foram cativando ao longo
dos tempos de infância. Recorda-nos momentos de afetos, de dar largas à imaginação, de
sonhos, de irmos a um qualquer lugar para ver se encontrávamos uma esbelta moura ou
testemunhos sua presença, quer fosse junto de uma fonte ou poço, furna ou ribeira,
castelo ou palácio. Penso que este livro seja um bom pretexto para as gerações mais
novas continuarem a fazê-lo, para passar bons momentos em família ou na escola,
permitindo conhecer para melhor amar o nosso património comum.

1.1.6. A memória dos lugares e a Epifania dos espaços

Vila Real de Santo António


Vila Real de Santo António foi fundada em 1774 por vontade expressa do Marquês de Pombal,
perto da antiga Vila de Santo António de Arenilha desaparecida no século XVII, engolida pelo
avanço do mar conjugado com alterações do leito do rio. Pelo facto de ter sido construída de
raiz em apenas dois anos, obedecendo ao padrão iluminista, constitui um importante
testemunho histórico. Para a nova vila, transformada em sede de concelho, foram transferidas a
alfândega (estava em Castro Marim) e a prisão (localizada em Cacela). No século XIX, o seu
desenvolvimento está ligado à expansão da indústria conserveira, graças aos investimentos de
espanhóis, gregos e italianos. A atividade piscatória continua a ser um recurso económico
fundamental, animado pela apanha do atum e da sardinha para a indústria conserveira. Cacela
limita-se, cada vez mais, à produção agrícola para abastecer os dois centros populacionais mais
próximos (Vila Real de Santo António e Tavira). Só no final desse século é que a vila assiste à
chegada do comboio, favorecendo a ligação com os restantes centros urbanos do Algarve e a
ligação ao resto do país. Os anos sessenta assinalam no Algarve o início de um processo de
crescimento regional claramente polarizado pelo turismo. Monte Gordo, até aí pequena aldeia
piscatória, torna-se um centro de turismo, graças à edificação dos primeiros edifícios hoteleiros.

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Assim se afirma a nova vertente económica do concelho: o turismo. Pela sua localização
geográfica fronteiriça, é local privilegiado pelos espanhóis, nomeadamente no campo comercial,
cultural e gastronómico. O concelho apresenta diferenças a nível morfológico/paisagístico,
opondo áreas de relevo acidentado a Norte e áreas aplanadas no Litoral e, possuindo valores 3
ambientais, paisagísticos e patrimoniais relevantes. Para além disso, possui ainda recursos
culturais, sociais e desportivos com bastante relevância quer a nível nacional quer a nível
internacional.

 Castro Marim
Castro Marim, povoação que ressurgiu de velhas civilizações que aí deixaram os seus
testemunhos, foi conquistada aos Mouros por D. Paio Peres em 1242. Durante as lutas da
reconquista cristã verificou-se um grande decréscimo populacional. Devido a isso, os monarcas
da 1ª dinastia concederam-lhe foros e privilégios especiais. No reinado de D. Dinis, Castro
Marim viu reconhecida a sua importante localização estratégica, acolhendo, por bula decretada
pelo Papa João XXII, a sede da Ordem de Cristo (1319). Mais tarde, foi residência do Infante D.
Henrique, aquando da sua nomeação para governador desta ordem. No período da expansão
ultramarina, Castro Marim voltou a ter um papel fundamental na luta contra a pirataria
muçulmana dada a sua proximidade com Marrocos. Além disso, afirmou o seu papel como porto
piscatório e comercial. Durante as guerras da restauração, reconstruiu-se o castelo e construiu-
se o Forte de S. Sebastião. Mais uma vez, Castro Marim é fruto de atenção devido à sua
localização estratégica privilegiada. O século XVIII foi marcante para a situação futura da vila. O
terramoto de 1755 abalou a vila, destruindo parte das construções mais antigas. Mas foi o
nascimento da nova vila pombalina, junto à foz do Guadiana, que mais terá contribuído para o
esmorecer da importância e do dinamismo desta vila. Possui recursos culturais, sociais e
desportivos. É de realçar os importantes recursos naturais/paisagísticos, encontrando-se neste
concelho a sede da Reserva Natural do Sapal Castro Marim e Vila Real de Santo António.

 Alcoutim
As origens de Alcoutim remontam ao Calcolítico, onde se terá fixado uma tribo celtibérica. Nos
princípios do século II a.C. foi ocupada pelos Romanos, que lhe deram o nome de Alcoutinium.
Em 415 foi conquistada pelos Alanos e um século mais tarde pelos Visigodos. Entre 552 e 625
esteve sob o domínio bizantino. No início do século VIII passou para o domínio dos Mouros, que
fortificaram a povoação. Só no reinado de D. Sancho II (1240) é que será integrada no
território português. Em 1304, D. Dinis dotou-a de foral e mandou reedificar as muralhas e o
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castelo. Este monarca doou a vila à Ordem Militar de Santiago. A vila foi palco da celebração do
tratado de paz entre o rei de Portugal, D. Fernando, e o rei de Castela, D. Henrique, que pôs
fim à primeira guerra fernandina. Em 1520, D. Manuel I reformou o anterior foral e elevou a
vila a condado a favor dos primogénitos dos Marqueses de Vila Real. O facto de os donatários 3
terem seguido o partido espanhol durante o período da dominação filipina, levou a que os seus
bens revertessem a favor da Casa do Infantado (a partir de 1641). Durante a Guerra da
Restauração, Alcoutim foi palco de confrontos e escaramuças militares, como o duelo de
artilharia travado com Sanlucar del Guadiana. Mais tarde, assistiu aos conflitos entre liberais e
miguelistas que disputaram o domínio do Rio Guadiana. O século XX não aportou dinamismo
para o concelho, marcado pelo isolamento geográfico de um concelho serrano a que faltavam
vias de comunicação modernas, eletricidade e telefone e ainda pelo progressivo despovoamento
que mutilou a possibilidade de desenvolvimento da sua vertente agrícola e pastoril. Possui
recursos culturais, sociais e desportivos. É de realçar a criação de museus etnográficos nas
escolas de 1º Ciclo desativadas.

1.1.7. Traços arquitetónicos distintivos: integração e rutura paisagística

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Restauração e integração paisagística


A restauração ambiental é o processo induzido pelo homem para recuperar as condições
ambientais (vegetação, fauna, clima, água, solo, etc.) dos ecossistema perturbados. O
objetivo deste processo é imitar a estrutura, a função, os valores paisagísticos, a
biodiversidade e a dinâmica dos ecossistemas originais. A integração paisagística tem por
objetivo orientar ou corrigir as transformações da paisagem já realizadas (infraestruturas,
extração mineira, edificações, etc.) para conseguir adequá-las à paisagem tomada como
referência.
A recuperação paisagística é o processo que visa reabilitar ou requalificar uma área
degradada, com vista a restabelecer ou a criar condições que valorizem o espaço em
termos ecológicos, produtivos e estéticos, integrando-o ambiental e paisagisticamente na
envolvente. Neste sentido, a filosofia de conceção do projeto pode propor a restituição da
aptidão original do espaço (reabilitação), ou a reconversão (requalificação) para um uso
distinto do anterior, tendo como objetivo final a minimização dos impactes ambientais
motivados pelo fator que originou a degradação.

Neste sentido, a reabilitação visa o restabelecimento do equilíbrio e funções ecológicas do


ecossistema afetado, recuperando a sua flora e fauna autóctone, enquanto a requalificação
pretende conferir ao espaço afetado um uso e função diferente do existente

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originalmente, como por exemplo, industrial, florestal, agrícola, de lazer, urbano, etc.

1.1.8. A polissemia da Polis

Programa POLIS
Este Programa visa promover intervenções nas vertentes urbanística e ambiental, por
forma a promover a qualidade de vida nas Cidades, melhorando a atratividade e
competitividade dos polos urbanos.

O POLIS incluiu um conjunto de ações, de menor dimensão, que foram objeto de


contratualização com a ex-DGOTDU, atual DGT, designadamente as intervenções em
cidades contempladas pela componente 2 do Programa, aprovado pela Resolução de
Conselho de Ministros nº. 26/2000, de 15 de maio, bem como outras ações que, no
âmbito do POLIS, contribuíam para a melhoria da qualidade urbanística e ambiental das
cidades.

Programa Polis: o que é?


O Programa Polis provém de uma sociedade entre o Estado (Ministério das Cidades,
Ordenamento do Território e Ambiente) e as Camâras Municipais das várias cidades em
que intervém (Autarquias Locais) com o objectivo de intervir as vertentes urbanísticas e

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ambientais das cidades aumentando a atractividade das cidades. O Estado contribui com
60% do capital e as autarquias locais com os restantes 40%.

O Programa Polis elabora Planos de Pormenor que servem de instrumentos de gestão


3
territorial e definem o que se pode fazer numa determinada área.

Os principais objectivos do Programa Polis são:

 A requalificação urbana tendo sempre em conta a valorização ambiental;


 Promover a multi-funcionalidade e revitalizar e requalificar as cidades
desenvolvendo acções que contribuam para tal;
 Melhorar a qualidade do ambiente urbano e valorizar a presença de
elementos ambientais tais como frentes de rio apoiando acções de
requalificação;
 Aumentar os espaços verdes, as áreas pedonais e diminuir o tráfego
automóvel no interior das cidades apoiando iniciativas que contribuam
para tal.
 É de salientar que o Programa Polis tem como função primordial criar
Planos de Pormenor consoante as necessidades das cidades em questão
e colocá-los em discussão pública visando a sua publicção no Diário da
República.
1.2 Plano Diretor Municipal: conceito, objetivos e concretização

O que é o PDM?v
O Plano Diretor Municipal - PDM, é um instrumento legal fundamental na gestão do
território municipal. O PDM define o quadro estratégico de desenvolvimento territorial do
município, sendo o instrumento de referência para a elaboração dos demais planos
municipais.

O PDM é constituído pelos seguintes documentos:


- Regulamento - que constitui o elemento normativo do PDM e que estabelece e as
regras e parâmetros aplicáveis à ocupação, uso e transformação do solo, vinculando as
entidades públicas e ainda, direta e imediatamente, os particulares;
- Planta de ordenamento, que representa o modelo de organização espacial do território
municipal;
- Planta de condicionantes que identifica as servidões administrativas e as restrições de
utilidade pública em vigor que possam constituir limitações ou impedimentos a qualquer
forma específica de aproveitamento do solo.

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O PDM é também acompanhado por:


- Relatório, que explicita a estratégia e modelo de desenvolvimento local, nomeadamente
os objetivos estratégicos e as opções de base territorial adotadas para o modelo de
organização espacial;
- Relatório ambiental, no qual se identificam, descrevem e avaliam os eventuais efeitos 3
significativos no ambiente, resultantes da aplicação do plano e as alternativas razoáveis,
tendo em conta os objetivos e o âmbito de aplicação territorial respetivos;
- Programa de execução, contendo, designadamente, as disposições sobre a execução
das intervenções prioritárias do Estado e do município, previstas a curto e médio prazo, e
o enquadramento das intervenções do Estado e as intervenções municipais previstas a
longo prazo;
- Plano de financiamento e fundamentação da sustentabilidade económica e financeira.

É, ainda, complementado pelos seguintes elementos:


- Planta de enquadramento regional;
- Planta da situação existente com a ocupação do solo;
- Planta e relatório com a indicação dos compromissos urbanísticos existentes;
- Mapa de ruído;
- Participações recebidas em sede de discussão pública e respetivo relatório de
ponderação;
- Ficha dos dados estatísticos.
"Os Planos Municipais de Ordenamento do Território são instrumentos de
planeamento territorial, que definem a política municipal de gestão territorial,
com vista à utilização sustentável dos recursos territoriais. "

1.3 Fomento, oportunidade e mobilidade laborais aliados à valorização do património


urbano e rural

Novas áreas de oferta profissional: Turismo urbano, turismo rural, turismo de


habitação, turismo cultural e turismo de aventura

ESTRATÉGIA TURISMO 2027 - Luís Araújo Presidente do Turismo de Portugal, I.P.


A visão da Estratégia Turismo 2027 espelha o que se pretende alcançar: «afirmar o
turismo como hub para o desenvolvimento económico, social e ambiental em todo
o território, posicionando Portugal como um
dos destinos turísticos mais competitivos e
sustentáveis do mundo»
O conceito de turismo urbano refere-se ao
consumo de determinadas dimensões tipicamente
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associadas ao espaço da cidade, como a arquitetura, os monumentos ou os parques, mas


também ao plano especificamente cultural, como os museus, restaurantes e performances.
Assim, o turismo urbano resulta da consubstanciação da ideia de turismo, cidade e
cultura.
3
O estudo do turismo urbano requer a consideração atenta e séria das atividades de lazer e
do aglomerado populacional, e das características da cidade que muita teoria urbana
precedente recusou problematizar. No entanto, o número de avanços nas últimas décadas
consagrou ao turismo um canto próprio na investigação urbana. Como a manufatura
industrial torna “desertas” densas zonas urbanas, o entretenimento assume um papel cada
vez mais notório na economia de inúmeras cidades: o lazer e o consumo para alguns é o
lucro de outros. A atração e acomodação dos visitantes tornou-se numa das mais magnas
preocupações para o púlpito e para as elites urbanas privadas. Deste modo, a flutuação de
visitantes numa cidade resulta uma surpreendente determinação das políticas locais,
modelos de investimento e construção do meio citadino.

Turismo rural ou agroturismo é uma modalidade do turismo que tem, por


objetivo, permitir, a todos, um contato mais direto e genuíno com a natureza, a
agricultura e as tradições locais, através da hospedagem domiciliar em ambiente rural e
familiar.
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Desde a década de 1970, como resposta ao aumento e diversificação da procura turística,


assim como à procura de soluções para o declínio e desagregação das sociedades rurais,
assiste-se ao desenvolvimento do turismo em espaço rural, constituindo-se este como um
3
meio privilegiado de promoção dos recursos existentes nos territórios rurais, um factor de
revitalização do tecido económico e social e uma oportunidade para o desenvolvimento
destes territórios.

O turismo no espaço rural constitui uma atividade geradora de desenvolvimento


económico para o mundo rural quer por si só, quer através da dinamização de muitas
outras atividades económicas que, dele, são tributárias e que, com ele, interagem.

As atividades turísticas no meio rural constituem-se da oferta de serviços, equipamentos e


produtos de:

 hospedagem
 alimentação
 recepção à visitação em propriedades rurais
 recreação, entretenimento e atividades pedagógicas vinculadas ao contexto rural

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O Turismo de habitação é um dos sistemas de alojamento domiciliar que


foram definidos para estarem inseridos no modelo de turismo rural, em Portugal.

Hoje mantém esta sua designação original (TH) e, no seu conjunto, com os outros
três são agora oficialmente identificados por TER - Turismo no Espaço Rural, pela
DGT (Direcção Geral de Turismo) do governo português.

Existe, desde o ano de 1981, de forma organizada e regulamentada com o principal


objectivo de favorecer e revitalizar habitações com interesse para o património
histórico-cultural.

Caracterizando-se por ser uma hotelaria familiar em solares, palácios ou casas


apalaçadas com mobiliário e decoração adequado ao estilo das mesmas, de maior
qualidade do que nas restantes modalidades de Turismo Rural.

As casas classificadas em Turismo de Habitação são, actualmente, identificadas


como casas antigas de grandes dimensões, geralmente com história.

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Consiste numa modalidade de alojamento turístico, (hospedagem), e que tem por


base o acolhimento em casas particulares de reconhecido valor arquitectónico,
relevante para a região ou mesmo internacional, com a presença do proprietário no
local de pernoita, embora em espaços separados de dormida, por vezes com áreas
3
comuns de serviço e de lazer, e na sua maioria com uma piscina inserida na área
ajardinada pertencente às mesmas.

Turismo cultural é uma atividade econômica que está relacionada a eventos e


viagens organizadas e direcionadas para o conhecimento e lazer com elementos
culturais, tais como: monumentos, complexos arquitetônicos ou símbolos de
natureza histórica, além de eventos artísticos/culturais/religiosos, educativos,
informativos ou de natureza acadêmica[1][2].

A atividade do turismo cultural pode ser subdividido em:

 Turismo de congresso;
 Turismo científico;
 Turismo religioso, entre outros.

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Turismo de aventura é um segmento de mercado do sector turístico que


compreende o movimento de turistas cujo atrativo principal é a prática de
atividades de aventura de carácter recreativo. Podendo ocorrer em qualquer espaço:
natural, construído, rural, urbano, estabelecido como área protegida ou não.

Atividades relacionadas: rafting, rapel, mountain bike, mergulho autônomo,


mergulho de apneia, trekking, arborismo, exploração de cavernas entre outras
atividades.

Reconstrução de percursos profissionais e projetos de vida através da qualificação


profissional em áreas associadas à reclassificação urbanística
PF Documento anexo: Lei n.º 99/2019 - Publicação: Diário da República n.º
170/2019, Série I de 2019-09-05

1.4 Fluxos Migratórios: causas e consequências económicas, políticas e culturais dos


fenómenos de migração, emigração, imigração e êxodo

Consequências dos fluxos migratórios na expressão cultural e artística e o papel


dos equipamentos culturais nos processos de integração

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Evolução dos fluxos migratórios vi

Até meados dos anos 60, Portugal era um país de emigrantes, sobretudo de emigrantes
3
transoceânicos. A falta de oportunidades e o clima de pobreza que reinava no auge do

antigo regime levaram milhões de portugueses a atravessar o Atlântico em direção ao

Novo Mundo: Brasil.

A partir dos anos 60, estes fluxos começaram a centrar-se nas economias florescentes da

Europa Ocidental, carentes de mão-de-obra não especializada e com condições laborais

infinitamente superiores às oferecidas em Portugal. França, Alemanha e Suíça passaram

então a ser o destino de eleição destes portugueses. Foi então que o Estado começou a

abrir as portas aos imigrantes das colónias portuguesas (sobretudo de Cabo Verde).

Com a desagregação tardia do Império ultramarino português, em 1975, cerca de meio

milhão de portugueses que viviam sobretudo em Angola e Moçambique regressaram a

Portugal para 11 anos depois, com a entrada de Portugal na então CEE se voltar a

incentivar a saída de trabalhadores nacionais para um espaço europeu comum que

continuava carenciado de mão-de-obra.

A integração de Portugal neste novo espaço tornou-o especialmente atrativo como destino

de imigrantes oriundos do Brasil, dos PALOP e

da Europa Central e Oriental. A esmagadora

maioria dos imigrantes africanos em Portugal

deixou os países de origem sem qualquer

espécie de garantia no que se refere à sua

integração no mercado de trabalho,

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submetendo-se frequentemente a condições de trabalho precárias e a salários muito

baixos.

  3
Ainda assim, Portugal sempre foi tido como um destino atrativo, graças à falta de mão-

de-obra e à falta de eficácia do sistema de fiscalização que promovem a entrada e

permanência em situação ilegal.

Em plenos anos 90, a imigração volta a mudar de rosto, pois com a dissolução da União

Soviética e com o desagregar do modelo económico vigente que cedeu perante o modelo

capitalista e liberal da Sociedade Ocidental, deixou sem trabalho e assistência médico-

social milhões de pessoas.

É nesta altura que começam a chegar a Portugal imigrantes, provenientes dos países de

Leste, com um elevado nível de habilitações literárias, mas as barreiras linguísticas e a

falta de reconhecimento das suas competências académicas e profissionais fez com que a

maioria tivesse tido pouco mais oportunidades que as que foram dadas aos imigrantes

dos PALOP

Na viragem do século, assistiu-se a uma nova vaga de imigração, desta vez, oriunda do

Brasil. Mais heterogénea do ponto de vista das qualificações literárias profissionais que as

populações africanas e da Europa de Leste, os imigrantes brasileiros beneficiaram da

abertura das autoridades portuguesas relativamente à sua origem e rapidamente se

tornaram na comunidade imigrante mais importante do país e que teve um acolhimento

diferente das restantes.

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E tudo graças às grandes afinidades culturais que Brasil e Portugal partilham e ao facto

dos portugueses não reconhecerem nos brasileiros aquelas que são consideradas as

principais razões para encarar a população imigrante como ameaçadora, nomeadamente a 3


instabilidade económica, os preconceitos racistas e o conservadorismo social.

O país tem que ter orientações corretas em matéria de acolhimento e integração dos que

procuram no nosso país uma saída digna para as suas vidas, marcada pelo respeito pelos

seus direitos cívicos, sociais e culturais, de apoio à sua integração harmoniosa e de

valorização do seu contributo para o desenvolvimento do país e se esta integração não se

realizar, restam duas hipóteses às populações imigrantes: 

 O trabalho clandestino, sem condições, nem dignidade e fator de exploração;

 O desemprego que leva inevitavelmente ao aumento da pobreza e da desagregação

social, designadamente ao alcoolismo, miséria, depressão, crime e suicídio.

Impactos económicos, culturais e sociais dos fluxos migratórios no Portugal

Contemporâneo

Uma integração plena evita, pois, uma série de problemas dramáticos e favorece a coesão

social ao mesmo tempo que contribui positivamente para a economia e para a contenção

do envelhecimento demográfico.

Por outro lado, os imigrantes são responsáveis por cerca de 5% do PIB nacional e o seu

contributo para as contas públicas, através de impostos e taxas, é normalmente maior do

que os custos que lhes estão associados, fazendo-os, por isso, contribuintes líquidos para

a nossa sociedade.

A mobilidade de pessoas, capital, bens e serviços não é uma realidade recente.


Contudo, com a globalização, estes fenómenos intensificaram-se, criando redes

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globais de interdependência económica e social. As novas tecnologias contribuem


para a rápida transferência de ideias, serviços, bens, capitais e informação. Os
Estados, economias e culturas estão cada vez mais integrados e interligados. Ao
mesmo tempo que a expansão da economia global dá acesso a melhores 3
oportunidades de vida ao ser humano, assistimos à aplicação de maiores restrições
aos movimentos transfronteiriços, que se traduz também num maior controlo dos
fluxos migratórios. As crescentes disparidades quanto ao nível de vida,
oportunidades de trabalho e até de segurança humana, exacerbada pela atual crise
económica, têm um grande impacto nas migrações, nomeadamente de
trabalhadores. A imigração pode ser entendida como ameaça, tanto para o país de
acolhimento como para o país de origem. Daí a necessidade de encontrar
respostas articuladas entre ambos. Desta forma, só uma relação de cooperação
que cubra as mais variadas áreas (desde a legislação, contratos de trabalho, às
relações comerciais) pode criar políticas migratórias positivas. Os migrantes,
enquanto potenciais agentes de risco, afetam a segurança do Estado direta ou
indiretamente. Não podemos, contudo, esquecer o importante contributo dos
fluxos migratórios para a renovação demográfica, bem como para o
desenvolvimento socioeconómico do Estado. Os Estados devem apostar na criação
de políticas de imigração inclusivas e compreensivas. Políticas onde o papel e o
estatuto do migrante não seja esquecido e que reconheçam as vantagens das
migrações internacionais, promovendo a integração plena dos imigrantes. As
medidas a adotar deverão considerar os diferentes perfis migratórios existentes,
bem como a distribuição geográfica da população estrangeira no território. Para
tal, deverá haver uma concertação entre poder central e poder local, e entre
instituições governamentais e a sociedade civil, numa perspetiva de proximidade e
promoção da uma cidadania ativa.

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Vamos resumir:

Fluxo Migratório

• Fluxo migratório é uma referência genérica ao movimento de entrada (imigração) e


saída de pessoas (emigração).

• Migrante é todo aquele que se desloca da sua residência por um período de tempo
mais ou menos longo.

Emigração: é o acto e o fenómeno espontâneo de deixar o local de residência para se


estabelecer numa outra região. Trata-se do mesmo fenómeno da imigração mas visto da
perspectiva do lugar de origem. A emigração é a saída de nosso país.

Imigração: é o movimento de entrada, com ânimo permanente ou temporário e com a


intenção de trabalho e/ou residência, de pessoas ou populações, de um país para outro.

Migrações:

• A mobilidade é uma característica de praticamente todos os seres vivos.


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• Qualquer movimento colectivo da população, de carácter temporário ou


permanente, entre dois espaços geográficos.
• Este movimento pode acontecer dentro de um mesmo país, por exemplo de uma
área rural para uma zona urbana, ou entre países diferentes
3

Causas ou motivos das migrações: 

Económicas - provavelmente deverá ser a causa fundamental que leva as pessoas a


migrarem, quase sempre resultante da diferença de desenvolvimento
socioeconómico entre países ou entre regiões.

Quase sempre, nestes casos, os indivíduos migram porque querem assegurar


noutros locais um melhor nível de vida, onde os salários são mais elevados, as
condições de trabalho menos pesadas, onde a assistência social é mais eficaz,
enfim, vão para onde pensam ir encontrar uma vida mais agradável.......o que, diga-
se de passagem, nem sempre acontece.

Por exemplo, ir trabalhar para a Alemanha, pois dum modo geral, os salários lá, são
mais elevados.

Naturais - dum modo geral, este motivo de migrações, leva a que sejam migrações
forçadas, pois devido a causas naturais (cheias, terramotos, secas, vulcões...) a vida
e a sobrevivência das pessoas fica em risco, pelo que se vêem forçadas a abandonar
os seus locais de residência.

Turísticas - são as que se efectuam normalmente, pela maioria das pessoas, em


determinadas épocas (ou estações) do ano, que por isso mesmo, também são uma
forma de migrações sazonais. São aquelas deslocações que se efectuam no período
das férias de Verão, Natal, Páscoa, etc.

Laborais - São todas as deslocações que se efectuam por motivos profissionais.

Podem também ser sazonais e dum modo geral, são temporárias. Um exemplo muito fácil
de compreenderem, é o dos docentes, que na sua maioria, são colocados (muitas vezes
sem grande vontade) quase todos os anos lectivos em escolas diferentes e por vezes,
longe das suas residências.
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Políticas - São dum modo geral migrações externas, que devido a mudanças nos
governos de países, alguns habitantes se vêem forçados (mas nem sempre) a
saírem desse país.
3

Por exemplo, quando se deu a independência de alguns países africanos, muitos dos seus
habitantes tiveram de sair deles e ir para outros países; aconteceu com os portugueses em
Angola, Moçambique, Guiné, mas também com franceses em Marrocos, Argélia.

Étnicas - esta palavra, muitas vezes confundida com racismo, tem mais a ver
com diferenças entre culturas e povos, podendo ou não ser da mesma raça.

Por exemplo, na II Guerra Mundial, havia muitos judeus na Alemanha e, para Hitler, eles
constituíam um povo inferior, pelo que tentou exterminá-los, contudo, eles eram ambos
(alemães e judeus) de raça branca. Também recentemente, na ex-Jugoslávia, muitos povos
se viram forçados a emigra apenas por pertencerem a outra cultura.

Religiosos - há muitas migrações, muitas delas externas, cujo único objectivo é a


deslocação a um determinado centro de fé, de acordo com a religião de cada
indivíduo.

Como exemplo podem-se citar as peregrinações a Fátima, Santiago de Compostela


(Espanha), Lourdes (França), Meca (Arábia), entre muitos outros espalhados pelo mundo.
Aliás, a titulo de curiosidade, a religião muçulmana obriga cada um dos seus crentes a
deslocarem-se pelo menos uma vez na vida, a Meca, ao túmulo do profeta.

Culturais - poucos consideram este motivo uma causa de migração, contudo, há


muitas pessoas que se deslocam (normalmente temporariamente) para outros
locais, apenas com uma finalidade cultural, ou de enriquecimento de
conhecimentos. Por exemplo, ir a outro país tirar um curso de pós graduação, ou
um doutoramento.... ter de sair do local de residência porque a
universidade/faculdade onde um estudante conseguiu entrar se situa muito longe,
etc.

Principais fluxos migratórios para a Europa e Portugal:

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 As maiores comunidades imigrantes legais em Portugal (em 2005) foram os


brasileiros, ucranianos, cabo-verdianos e angolanos.
 No entanto, todas estas comunidades foram as maiores em diferentes anos, que foi
sendo rapidamente suplantada por outras provenientes de ondas migratórias mais
3
recentes.
 Este grande fluxo migratório muito se deveu à abertura das fronteiras da União
Europeia por parte da Alemanha, em 1999.
 No entanto, devido à escassez de empregos indiferenciados nesse país fez com que
estes migrassem para sul, para a Península Ibérica, onde existiam grandes
necessidades de mão-de-obra para a construção civil e agricultura nos dois países
ibéricos.
 A maioria desses imigrantes estava dividida em dois grupos, os eslavos: ucranianos,
russos e búlgaros, e os latinos de leste: romenos e moldavos.
 Um dos maiores grupos e que se fixou nas regiões de Lisboa, Setúbal, Faro e Porto
são os ucranianos, e ninguém sabe ao certo o seu número total.
 No entanto, o número de imigrantes legais, é de cerca de 70 000, sendo sabido que
este número é muitas vezes inferior à realidade.
 O grupo é de tal forma numeroso que fez com que a Ucrânia de país distante e
desconhecido passasse a familiar e que a maioria dos imigrantes de leste seja vista
pelos portugueses como "ucranianos".
 A imigração de leste tornou-se de difícil controlo, e começaram a actuar no país
máfias que traziam e controlavam imigrantes
 Em 2003, a imigração em massa proveniente do leste europeu estacou e passou a
ser de fluxo mais ténue, surgindo assim a imigração mais significativa de
brasileiros e asiáticos de várias origens (nomeadamente indianos e chineses).
 Existem ainda pequenos núcleos de imigrantes provenientes da América Latina e do
Norte de África.
 Um outro factor que promove os fluxos migratórios é o estrangulamento
económico dos países em vias de desenvolvimento, causado pelos programas de
reajustamento estrutural.
 Estamos, assim, a falar de refugiados económicos, pobres e obrigados a imigrar na
busca estratégica da sobrevivência.

Politica de Imigração

Portugal optou por uma política de abertura regulada à imigração, adoptando uma
estratégia em torno de três eixos: regulação, fiscalização e integração.

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Esta estratégia foi inspirada na estratégia da União Europeia de criação de políticas


comuns de estrangeiros e de asilo, a qual merece total adesão do Governo.

Na segunda metade dos anos noventa do século passado, assistiu-se a um notório


3
acréscimo do número de imigrantes que procuraram o nosso País.

Hoje o número de estrangeiros que vivem e trabalham em Portugal aproxima-se, ou


talvez exceda, os 4% da população residente.
Este surto recente de imigração diversificou dramaticamente as origens, as culturas,
os graus de qualificação dos imigrantes.

A problemática da juventude assume, nas sociedades modernas, um carácter


estratégico. Isto implica o desenvolvimento de políticas específicas, mas
fundamentalmente uma preocupação de transversalidade nas várias áreas de
governação, designadamente educação, protecção social e habitação.

Neste sentido, o Governo adopta um conjunto de orientações, a desenvolver e


implementar de forma aberta e participada:

Estimular e incentivar os associativismos juvenil e estudantil, considerando que


estes assumem um papel fundamental na promoção da educação não formal dos
jovens;

Estimular a criação dos Conselhos Municipais de Juventude, tendo em conta as


experiências positivas, que um pouco por todo o País têm proliferado;

Incentivar a mobilidade geográfica dos jovens em Portugal e na Europa, nos


âmbitos educativo, do mercado de trabalho ou do lazer;

Apoiar o empreendedorismo jovem, nomeadamente através da progressiva


introdução do empreendedorismo na estrutura curricular dos diferentes níveis de
ensino;
Combater a precariedade do emprego jovem, fenómeno que tem dificultado a
emancipação e a especialização profissional, e desincentivando a formação e a
qualificação;

Facilitar o acesso dos jovens à habitação, como forma de estimular uma juventude
emancipada, mais confiante, participante e dinâmica.
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Referencias\ Pesquisa Biografica\Online


3
 Introdução à Antropologia Cultural, Mischa Titiev , edição: Fundação Calouste
Gulbenkian, abril de 2000 ‧
 Cultura - Tudo o Que é Preciso Saber, (14ª edição - Edição Revista e Adaptada para
Portugal), de Dietrich Schwanitz , edição: Dom Quixote, outubro de 2012

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i
https://ec.europa.eu/regional_policy/archive/consultation/terco/pdf/4_organisation/134_1_apg_pt.pdf
ii
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/817/6/Parte%20II.pdf
iii
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/espaco-urbano-rural.htm
iv
https://www.geledes.org.br/griots-os-contadores-de-historias-da-africa-antiga/
v
https://www.cm-porto.pt/pdm/o-que-e-o-pdm
vi
https://imsi03.blogs.sapo.pt/4836.html

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