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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE – UERN

FACULDADE DE LETRAS E ARTES – FALA


DEPARTAMENTO DE ARTE – DART
CURSO DE MÚSICA

CONTRAPONTO II (TONAL)
Prof. Henderson Rodrigues

Baixo contínuo

Na transição entre música modal e música tonal, passou-se a utilizar uma base melódica
conhecida como baixo contínuo que era cifrado por meio de símbolos para indicar ao
instrumentista o que ele deveria tocar sobre este baixo. No geral o baixo contínuo era executado
por instrumentos harmônicos como o cravo que “preenchia” os acordes em uma música. Isto
era muito prático porque uma mesma partitura poderia ser tocada por dois instrumentos, um
seria o baixo, propriamente dito, ou seja, uma linha melódica grave que dava sustentação
harmônica, o outro seria um instrumento harmônico que “fechava” os acordes. No sistema
Barroco, os símbolos consistiam basicamente de números que representavam intervalos acima
do baixo para serem formados pelos demais membros do acorde, mas essas notas poderiam ser
tocadas em qualquer oitava acima do baixo. O sistema lidava somente com intervalos, não com
tônicas de acordes porque a teoria de tônicas de acordes ainda não havia sido inventado quando
o baixo cifrado foi primeiramente desenvolvido.
A tabela abaixo mostra os símbolos de baixo cifrado para a posição fundamental e inversões de
tríades e tétrades para uma tríade de Sol maior e uma tétrade de Sol maior com sétima menor.

Ao ler um baixo cifrado, o acompanhante barroco seguia a armadura de clave, a menos que
fosse informado para fazer diferente. Logo, uma tríade em posição fundamental, por exemplo,
poderia ser maior, menor ou diminuta, a depender da armadura de clave. Se um compositor
Barroco quisesse que o tecladista elevasse ou abaixasse uma nota, existiam diversos métodos
que poderiam ser usados, incluindo os três seguintes.
1. Um acidente próximo ao número arábico no baixo cifrado pode ser usado para abaixar
ou elevar uma nota.
2. Um acidente sozinho por si são sempre se referia à terça acima do baixo e poderia ser
utilizado para alterar aquela nota.

3. Uma barra ou um sinal de mais (+) juntamente com o número arábico significava uma
alteração ascendente naquele intervalo.

Outro símbolo que ocasionalmente você irá encontrar é uma linha horizontal, geralmente curta,
que significa manter a mesma nota ou acorde. Por exemplo , sobre uma mesma nota significa
usar o mesmo baixo para uma tríade em posição fundamental seguida por outra em primeira
inversão. Exemplo 3-8 ilustra um trecho de uma parte do baixo cifrado do período Barroco,
juntamente com uma possível realização que poderia ter sido improvisada pelo tecladista.
Alguns tecladistas podem ter adicionado embelezamentos não incluídos nessa realização. Bach
incluía o numeral 5 em diversos locais para lembrar o tecladista de tocar uma tríade em posição
fundamental.

ATIVIDADE
A partir do baixo cifrado acima e das indicações dos acordes já demonstrados, crie um pequeno
coral tonal a quatro vozes obedecendo as regras do contraponto tonal, inclua imitações rítmicas
e variações. Considere o primeiro compasso como motivo rítmico.
Abaixo vemos um conjunto mais completo de símbolos do baixo cifrado. Historicamente nem
todos os símbolos eram usados em todas as regiões, e ainda existiam alguns símbolos muito
menos usuais, entretanto, este quadro serve de modelo para boa parte das obras escritas com
este recurso.

O baixo cifrado é, portanto, uma forma de facilitar a compreensão harmônica por meio de
símbolos numéricos simples. Esta relação também existe na cifra popular contemporânea, que
indica os acordes por meio de letras, números, barras e poucas abreviações (Maj. Add. Etc.). em
contraponto tonal, torna-se imprescindível o uso de alguma cifragem, já que, como vimos, a
harmonia centrada nos acordes é característica que distingue o contraponto Barroco do
medieval e renascentista. É preciso ter sempre em mente que o contraponto tonal é uma técnica
desenvolvida na transição entre o período modal e tonal, sobretudo na consolidação dos
princípios e regras da harmonia tonal. Assim, serve de base para o estudo da harmonia de forma
mais aprofundada.
ATIVIDADES
Construa corais a quatro vozes analizando os baixo-cifrados abaixo.

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