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A Música na Reforma e na Contra

Reforma

Catarina Costa

Porto
12 de janeiro de 2015
A Música na Reforma e na Contra
Reforma

Trabalho realizado na disciplina História da Música lecionada pelo Professor Rui Bessa

Catarina Costa

Porto
12 de janeiro de 2015
Conteúdo
Conteúdo 3

Localização no tempo e no espaço 4


O que foi o Renascimento? 5
Como Surgiu a Reforma? 6
Como surgiu a Contra-Reforma? 7
A música no Renascimento 8
Influência da Reforma na música Renascentista 9
Influência da Contra-Reforma na música Renascentista 10
Referências Bibliográficas 11
Conclusão 12
Bibliografia 13

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Localização no tempo e no espaço
No final do séc. XIV até meados do séc.XVI um novo período Histórico tomou lugar
na Europa. Este novo período surge-nos em contraposição a “idade das trevas” (Idade
Média) onde predominava o feudalismo, os cavaleiros e outros nobres de estatuto
inferior prestam serviço militar a seus senhores, recebendo assim um compensação como
propriedades senhoriais e também o direito de cobrar impostos em determinado
território. No feudalismo a sociedade estava extremamente estratificada, quase que
como uma pirâmide aonde o povo e vassalos se encontravam na base dessa pirâmide
ficando assim os nobres e o rei no topo desta (veja-se na F.1).
Relativamente a cultura nesta época podemos afirmar que estava em maior parte
ligada a religião, essencialmente a religião cristã, o culto a Deus era a centralização da
sociedade, como podemos verificar nas escrituras e iluminuras (veja-se na F.2), pela
simplicidade do canto gregoriano, entre outras coisas. É claro que a cultura também se
desenvolveu no sentido profano com os Trovadores, Troveiros e Jograis.

Fig nº1. Piramide Feudal retirado de: Fig nº2. Papa Gregório Magno rebendo as 12

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O que foi o Renascimento?
O renascimento foi um movimento socio cultural que fez a contra posição da
Idade Média, este prologou-se desde o final do século XIV até meados do século XVI. Ao
fazer estas contra posições acaba por mudar a sociedade a nível cultural, político,
económico e religioso.
Chama-se Renascimento a este período pois faz uma redescoberta e revalorização
dos valores da Antiguidade Clássica, fazendo assim a linha de pensamento mais
humanista e naturalista.
Este movimento começa-se a manifestar na Itália espalhando-se por toda a
Europa, mas o centro da cultura iria ser em Itália.
Foi marcado pelo desenvolvimento da imprensa em 1433 por Johannes
Gutenberg, pelos vários movimentos artísticos de grandes pintores como Miguel Ângelo
(veja-se F.3) e Leonardo Da Vinci, este que também desenvolveu uma parte mais
científica, e pela contraposição dos ideais da igreja por Martin Lutero naquilo que mais
tarde irias-mos denominar de Reforma.

Fig.3: “Criação de Adão” pintura de Miguel Ângelo localizada na capela Sistina.

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Como surgiu a reforma?
A Reforma Protestante começou como sendo a contestação da situação religiosa
problemática que surgiu devido a ostentação papal.
Martim de Lutero vai contra o ideal de que a punição de Deus dos pecados humanos
poderia ser comprada e cria em 1517, 95 teses sobre este argumento o que resulta mais
tarde na sua excomungação da Igreja Católica. É este evento que marca o início da
Reforma Protestante.

Martim de Lutero cria assim uma nova igreja a qual denominamos de: Luteranismo.

O Luteranismo defende essencialmente a simplicidade, o despego das coisas materiais, o


fim do celibato, eliminação excessiva dos santos, infabilidade do papa entre outros.

Embora tenho sido Lutero quem teve o primeiro passo para contrapor os ideais Religioso
outros também o fizeram. Como por exemplo:

João Calvino, um humanista que defende os ideais humanos como também a


mortalidade humana, é voz do movimento protestante na Suíça;

Henrique XVII, que contrariamente a Calvino e Lutero, utilizou os ideais reformista a seu
próprio interesse para se afastar da igreja Cristã, nestes ideais o Rei passa a ser visto
como um deus soberano. Henrique XVII acaba por ser a voz do movimento reformista na
Inglaterra.

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Como surgiu a Contra-Reforma?
A Contra-Reforma foi a resposta da Igreja Católica as ideias reformistas de Lutero.
Surgiu quando a Igreja Católica Romana convoca o Consílio de Trento.
O Consílio de Trento (veja-se na F.4) durou cerca de 18 anos (1545-1563), foi convocado
pelo Papa Paulo III para assegurar a fé e disciplina da igreja cristã.

Este consílio foi muitas vezes atrasado e interrompido devido a varias situações politicas e
religiosas.

Neste consílio foram criadas medidas contra os ideais reformistas como por exemplo:
quanto à salvação, os sete sacramentos  (como por exemplo, confirmou a presença de
Cristo na Eucaristia), o cânone bíblico  (reafirmou como autêntica a Vulgata) e a Tradição,
a doutrina da graça e do pecado original, a justificação, a liturgia e o valor e importância
da Missa  (unificou o ritual da missa de rito romano, abolindo as variações locais,
instituindo a chamada "Missa Tridentina"), o celibato clerical, a hierarquia católica,
o culto dos santos, das relíquias e das imagens, as indulgências e a natureza da Igreja.
Regulou ainda as obrigações dos bispos.

Para além destas medidas ainda foi criada o Index, grande livro que contêm todos os
livros proibidos de ler na altura ( ou seja livros que pusessem em causa as ideias postas
em prática neste consílio) e mais tarde a Inquisição, que serviu para por em prática todas
as decisões tomadas por este consílio.

Fig.4. Pintura que ilustra o consílio de Trento

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A música no Renascimento
Como sabemos a música ao longo dos tempos têm vindo a evoluir, não só nos métodos
de escrita como também o número de vozes que é escrita.

Neste período passa-se a escrever a quatro vozes em forma SATB ou seja a primeira voz
era designada de Superius, a segunda de Contratenor Altos, a terceira de Tenor e a quarta
era o Contratenor Bassus (que realiza, geralmente, o apoio de toda a composição).

Começa a existir a afirmação das consonâncias como a da 3ª a da 5ª.

Existe um interesse em realizar cadências nos finais das frases melódicas, que poderiam
ser de três tipos diferentes: Perfeita (realiza o movimento dominante/tónica), Plaga
(realiza o movimento IV/I grau), Interrompida (realiza movimento I/IV/V/VI).

O contra ponto ainda se encontra muito presente nestas composições especialmente


contra ponto imitativo

A música instrumental é usada ainda para acompanhamento vocal ou substituição da


voz. A partir do Séc.XVI os instrumentistas começam a tocar pequenos prelúdios e no final
deste século a música instrumental ganha, finalmente, autonomia.
Começa a haver um maior interesse pelos instrumentos musicais. Deste interesse
surgem os primeiros tratado organológicos (ciência que estuda os instrumentos musicais)
sendo os mais importantes: o Praetorius e o Virdung que fazem a primeira distribuição
dos instrumentos por famílias.

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Influência da Reforma na Música Renascentista

Após muito tempo de inovações musicais, motetos extensos e complicados chegou a


altura de acalmar a música.
Lutero acredita que a música serve de “caminho” próximo entre as pessoas e Deus e para
isso acredita que a música não deverá ser complicada ou extensa, acredita que toda a
gente da sua comunidade religiosa poderia louvar a Deus através da música.
As músicas eram geralmente melodias de canto gregoriano simplicadas sempre em
Alemão, língua utilizada no dia-a-dia da sua comunidade. Estas poderiam ser também
melodias populares em que o seu texto seria modificado para textos bíblicos.
Quanto ao estilo de composição mais frequente eram os corais devido a sua simplicidade
e homofonia de modo a permitir que a congregação participasse na interpretação
musical.

Quanto ao Calvinismo as questões não variam muito. Calvin apenas não admitia o uso
que qualquer tipo de instrumentação musical para o culto divino.

No Anglicanismo apenas é nos apresentado o Anthen, uma espécie de hino de louvor


“divino”.

De uma forma geral a música dita da Reforma tenta criar um veículo condutor próximo
entre os praticantes e o divino.

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Influência da Contra-Reforma na música Renascentista

A Contra-Reforma foi a resposta de igreja católica a Reforma.


Após o consílio de Trento passa só a existir polifonia se: O texto for compreensível,
houver dignidade na expressão e se não usar cantus firmus profanos, nem missas
paródias.
Da resposta da Igreja Católica surgiram duas escolas, ou seja, conjuntos de compositores
que cumprem certas regras.
Uma delas foi a escola Romana que estava associada á capela Papal onde está presente
um estilo mais acapela e onde se utiliza uma composição tipicamente italiana mas
utilizando sempre o contraponto franco-flamengo. Um dos compositores mais
importantes foi Giovanni Luigi da Palestrina (1525-1594) e as características mais
importantes da sua música eram: uma melodia cantável com movimento predominante
por segundas, predomínio da tríade consonante perfeita (com nota fundamental no
baixo), uso prudente da dissonância (preparada e resolvida num curto espaço de tempo
sempre de forma descendente), composições de 5 a 6 vozes com frequente utilização de
cantus firmus gregorianos.
A outra escola foi a escola Veneziana que deu inicio a policoralidade e ao princípio
concertante, este princípio dividia-se em quatro partes: a primeira parte é o coro
concertante que se dividia em coro, solista e baixo contínuo (dá-se aqui o inicio ao baixo
contínuo), a segunda parte é o coro principal que se dividia em instrumentos
(essencialmente de cordas e sacabuxas), um coro grande e baixo continuo, a terceira
parte denominada de coro alto que se dividia com coro (mais restrito), instrumentos
como no coro principal e baixo continuo e a quarta e ultima parte chamada de coro baixo
que se dividia em coro (mais restrito), instrumentos como na segunda e terceira parte e
baixo continuo.

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Referências Bibliográficas
“O papel fulcral da música na igreja luterana[…] , refletia as convicções pessoais de
Lutero. Este era um amante da música, cantor, compositor, de algum talento e grande
admirador da polifonia franco flamenga, em particular das obras de Josquin de Préz,
acreditava profundamente no poder educativo e ético da música e desejava que toda a
congregação participasse de alguma forma na música dos serviços religiosos. Embora
tenha alterado as palavras da liturgia para as adequar aos seus pontos de vista… [ CITATION
Gro88 \l 2070 ]Pag277

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Conclusão
Após a mudança de ideias por parte de toda a humanidade, do “abraço” aos ideias
antigos greco-românicos, surge-nos o Renascimento da população após a “Idade das
trevas”.
Tanto a arte como a sociedade evoluíram ao longo deste período. A música acaba
também por evoluir.
Podemos concluir que ambas igrejas (católica e protestante) defendiam que a música
deveria ser mais simples para estar mais próxima de Deus, embora tendo as suas
diferenças a nível de composição, as diferenças que serão mais notórias seriam a nível de
língua visto que na Reforma utilizavam línguas Vernáculas (línguas do dia a dia) e na
Contra-Reforma usavam ainda o Latim.

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Bibliografia
New Grove, Dictionary of music and musicians .

Palisca, G. e. (1988). Historia da Música Ocidental. W.W.Norton & Company, Inc.

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