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Fatores Intelectuais

Para a formação das Ciências Sociais, a partir do século XVI, foi fundamental a contribuição de
alguns pensadores. Decorrente das mudanças ocorridas na vida econômica e social, surgiram
modificações nas formas de pensamentos e de conhecimento da natureza e sociedade. Assim, já no
final da Idade Média, houve um florescimento de utopias, descrições detalhadas de sociedades
ideais. A razão começa a ser empregada sistematicamente, ganhando autonomia diante da teologia,
e possibilitando a formulação do racionalismo. Essa atitude intelectual se referia não só aos
fenômenos da natureza, mas também em relação aos fenômenos humanos e sociais. Pode se dizer
que o fator decisivo para a formação das Ciências Sociais foi a filosofia da história, visto que os
filósofos tiveram a responsabilidade por uma nova concepção da sociedade como algo mais do que
uma sociedade política ou o Estado. Tendo sido este interesse despertado pela rapidez e
profundidade das transformações sociais e econômicas e o contraste de culturas dos povos não-
europeus, com suas várias formas de organização social, que as viagens dos descobrimentos
revelaram. A contribuição da filosofia se mostrou extraordinária na França, nos séculos XVII e XVIII.
Diante das condições sociais do país, das lutas das classes sociais, os filósofos franceses pretendiam
não apenas transformar as formas de pensamento, mas a própria sociedade. Surgindo assim o
Iluminismo, com o qual era possível modificar a estrutura da velha sociedade feudal. A Revolução
Francesa trouxe o poder político a burguesia, promovendo profundas inovações na vida social.
Porém, junto a isto, trouxe crises e desordens na organização da sociedade, levando alguns
pensadores a refletirem sobre as suas consequências. Na busca de encontrar “remédios” para as
crises sociais do momento, surge o positivismo, cujo os seus seguidores queriam explicar os
problemas sociais que ocorriam e chegaram à conclusão de que os fenômenos sociais, como os
físicos, estavam sujeitos a leis rigorosas. Augusto Comte, principal representante positivista francês,
leva as Ciências Sociais a se delinearem como ciências autônomas, mais especificamente a
Sociologia. A ideia central do positivismo era afastar os preconceitos e as pressuposições, separando
os julgamentos de fato dos de valor. Possuindo a finalidade de fazer com que as Ciências Sociais
atingissem a mesma neutralidade que se atinge na Física, Química e Biologia. A partir daí se
evidenciam as implicações ideológicas conservadoras dessa concepção, já que se as leis sociais são
leis naturais, a sociedade não pode ser transformada. Ao contrário dos filósofos iluministas, o
positivismo privilegia a aceitação passiva do status quo social.

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