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FICHA DE COORDENADORIA DE ESTÁGIOS EM EDUCAÇÃO (CEE) - ENTREVISTA COM PROFESSOR(A)

CURSO DE PEDAGOGIA - INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS (ICH)

Estagiário(a]: CARLA DOS SANTOS PEDROSO RA.: 1950199


Tel.: 51) 9 9394-1375 Polo: SÃO LEOPOLDO Turma 2019

Total: 100 horas

Estágio em:

( ) Educação Infantil
( X ) Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Estagiário(a) Istituição Concedente do Estágio (Prof. ou Gestor)

SÃO LEOPOLDO
________________________________, 06 de ______________________
________ OUTUBRO de 2020.

Local e data

DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA ATIVIDADE

Pesquisa para identificar algum(alguma) professor(a) que se enquadre na proposta e


que aceite participar da entrevista.
Reflexão e pesquisa sobre o tema proposto.
Organização do material pesquisado e elaboração do relatório.
ATIVIDADE DE ESTÁGIO PARA: EDUCAÇÃO INFANTIL E/OU ENSINO
FUNDAMENTAL

Nome da estudante: CARLA DOS SANTOS PEDROSO


RA: 1950199 Turma: 2019 Polo: SÃO LEOPOLDO
Relatório sobre a entrevista realizada com a professora: CRISTINA
TORRESINI
Modalidade: ( ) Educação Infantil (X) Ensino Fundamental

No dia 30 de setembro do ano de 2020, realizei a entrevista com a professora


Cristina Torresini, que atualmente está ministrando suas aulas de forma remota. A
educadora atualmente leciona em duas escolas da rede pública municipal, no Ensino
Fundamental, com alunos de 3º e 5º anos. Essa entrevista foi concedida a distância,
por meio de um aplicativo de mensagens instantâneas (WhatsApp). Cristina é
formada em Pedagogia, tem Pós-graduação em Literatura infantil e Ludopedagogia
(a arte de ensinar, a introdução o lúdico, a importância das brincadeiras,
desenvolvimento sensório motor e cognitivo.) A mentora tem quarenta e seis anos e
atua como professora a mais de dez anos, ama o seu trabalho, e tem fascínio em
ensinar e orientar seus alunos. Questionei-a sobre como tem sido feito o
planejamento desde que iniciou o ensino remoto, se existia apoio da instituição ou
direção de ensino, ela declarou que tudo tem sido feito de forma coletiva, que
trabalhava em equipe, juntamente com as professoras regentes, contando com todo
o apoio e suporte das supervisoras, que segundo ela, não mediam esforços para
auxiliar e sanar todas as dúvidas que poderiam ter. Isso ao meu ver, é de extrema
importância, pois no momento em que todas se ajudam, fica mais fácil compreender
e planejar atividades realmente significativas. Perguntei a educadora como ela
organizava sua rotina, se estava ministrando atividades permanentes ou projetos
educacionais e de que maneira ela conciliava seus afazeres, ela salientou que estava
à disposição dos alunos e seus responsáveis durante, praticamente, todo o dia, além
de se dedicar as escolas onde leciona. Relatou também, que precisava cumprir sua
carga horaria normal e ainda compensar as horas não trabalhadas até final do mês
de julho, já que as plataformas online teriam sido implantadas no início do mês de
agosto, em virtude disso, sua jornada de trabalho se estende até mais tarde, todos os
dias. A docente também descreveu que tem planejado atividades que se estendem
por dez dias, fazendo uso da plataforma Google Classroom, postando trabalhos em
datas estipuladas pela Secretaria de educação, mas o acesso é feito diariamente,
justamente para controlar os acessos dos alunos e lançar presença ou responder
dúvidas. A professora também mencionou, que busca planejar atividades que façam
parte dos conteúdos estipulados no currículo, de acordo com a BNCC, onde cada
assunto é trabalhado durante um mês, com vários enfoques. Quando questionada
sobre quais materiais e recursos utilizava para ministrar suas aulas, ela destacou o
uso de notebook, celular, livros didáticos, internet e também faz uso dos materiais
compartilhados com suas colegas de profissão, pois, segundo a própria educadora,
existe muita parceria e troca de experiencias entre as professoras e equipe diretiva.
Indaguei-a sobre de onde estava dando suas aulas, se teria um lugar especifico ou
algo assim, ela explicou que organizou uma sala de trabalho em sua casa, onde fazia
gravações, afim de interagir com seus alunos, além de fazer uso constante do
aplicativo multiplataforma de mensagens instantâneas e chamadas de voz em tempo
real (WhatsApp). Demandei sobre avaliações e registros dos avanços e dificuldades
dos alunos, de que forma isso estava sendo feito, a educadora argumentou que as
atividades não estavam sendo avaliadas no sentido de atribuir uma nota, sua
avaliação faz referência a participação dos alunos, as devolutivas dos trabalhos
propostos na plataforma, os acessos que são verificados diariamente, a cooperação
e determinação para realizar os trabalhos, etc. Interpelei sobre a interação com a
família dos alunos, como estava sendo realizado o contato, a educadora relatou que
foi criado um grupo, apenas para pais ou responsáveis e professores, e através desse
grupo, os familiares poderiam questionar, sanar duvidas e contar com o todo o auxílio
e suporte que precisassem, além disso os familiares são de extrema relevância, já
que atualmente são os mediadores de seus filhos, tendo a missão de ser atuantes e
participativos, a família se obrigou a participar mais da vida escolar de seus filhos, o
que infelizmente não era uma pratica tão comum, e isso para a formação da criança,
é excelente, pois acaba estabelecendo vínculos de companheirismo e afeto, os
familiares acabam por perceber as dificuldades e avanços da criança, o que poderia
passar despercebido em um ano normal. Os familiares e responsáveis estão vivendo
a dificuldade que é colocar boa parte dos alunos para realizar uma atividade escolar,
o desafio é imenso e só agora alguns familiares se deram conta disso. Muitos deles,
penso eu, imaginavam que era só entrar na sala de aula, abrir o livro e estava tudo
certo. A quarentena tornou evidente que famílias e escolas precisam estar unidas em
busca de um mesmo objetivo. Demandei novamente sobre a organização do trabalho
docente, quais eram os maiores desafios nesse período de distanciamento social e
se precisou fazer muitas alterações em seus métodos educacionais, a mediadora
enfatizou que tenta trabalhar em seu horário de escola tradicional, pela manhã, e usa
suas tardes para planejar, corrigir atividades na plataforma e pesquisar material;
Aproveita a noite para postar algumas atividades via Google Classroom, realizar
formações à distância e ainda participar de reuniões pedagógicas junto as escolas
nas quais leciona. Seu maior desafio é conciliar, de forma tranquila, toda a dinâmica
de uma casa, encontrar algum tempo para dedicar ao seu filho, que também está
tendo aulas remotas, mencionou também a ansiedade dos familiares dos alunos, a
cobrança que faz pelo seu próprio trabalho , sempre buscando formações e
especializações para se manter ativa com seus alunos, cumprir a carga horaria que
em alguns dias se torna , excessiva e exaustiva, pela quantidade enorme de planilhas
para preencher, ministrar aulas a distância de forma que o conteúdo consiga ser
significativo para seus alunos, enfim, tudo novo para todos, mudanças que pegaram
todos desprevenidos. Quando indaguei sobre o que daria maior qualidade de
aprendizagem aos seus alunos a educadora em suas próprias palavras, relatou:
“Temos feito um trabalho de muita qualidade. Faço parte de um ótimo grupo de
professores! Mas nada supera a presença física, a sala de aula real, o olho no olho.
São relações pessoais e afetivas que criamos com os alunos, o carinho, a confiança.
Isso, até tentamos passar de forma online, mas não somos maquinas, precisamos do
afeto real.”

Dado o exposto, acredito que essa entrevista foi de extrema importância para que eu
pudesse compreender diversos fatores que acercam o sistema educacional. Todos
nós, pais, alunos, docentes e gestores, somos elos de uma mesma corrente,
precisamos uns dos outros, em tempos de pandemia esse elo se tornou mais forte e
indispensável, pois são muitas as dificuldades enfrentadas, tanto por educadores
quanto por familiares de alunos, nessa empreitada das atividades a distância. Outro
ponto importante para enaltecer é a forma como a Educação tem sido ponderada ao
longo dos anos, não tivemos um ensino que privilegiasse a autonomia dos alunos e
nem que fizesse uso de tecnologias ou ferramentas digitais. Do lado dos familiares, o
cenário não é diferente, pois as famílias também não foram preparadas para esse
novo método de ensino online, muitos nunca acessaram um computador, pois nunca
nem precisaram. Logo, uma das primeiras coisas a se fazer é compreender que a
adaptação de professores, familiares e alunos não será perfeita, e nem será do dia
para a noite, é necessário paciência e dedicação de todas as partes, é extremamente
importante que todos façam o seu melhor nessa nova realidade, justamente para que
possamos garantir uma educação realmente significativa para os alunos.
Naturalmente, o melhor lugar para a criança é na escola, mas acredito que a
pandemia nos trouxe uma grande reflexão sobre como o ensino vem sendo tratado
ao longo dos anos, compreendo as dificuldades e frustrações, mas toda a história tem
dois lados, a questão agora é, quando voltarmos aos dias normais com aulas
presencias, deixaremos totalmente de lado as aulas online, como se nunca tivessem
existido? É tempo de se reinventar, o ensino não voltara a ser como antes,
percebemos agora a importância de unir escola e ferramentas digitais, se já
tivéssemos implementado isso nas rotinas educacionais, provavelmente tempos de
pandemia ou qualquer outra crise que interferisse nas escolas, não seriam um
problema tão grande, os alunos e professores já estariam familiarizados com o
modelo de ensino online e os familiares não estariam tão despreparados; É tempo de
pensar formação para os professores, pois muitos insistem em manter o método
tradicional de ensino, talvez por medo de mudanças ou por não se sentirem
preparados e familiarizados com um ensino que possibilite espaço para os meios
digitais. Segundo Masetto (2003) podemos compreender as tecnologias da seguinte
maneira: “Por TICs educacionais entendemos a utilização da informática, do
computador, da Internet, do CD-ROM, da hipermídia, da multimídia, de ferramentas
para a EAD – como chats, grupos ou listas de discussão, correio eletrônico etc., – e
de demais recursos e linguagens digitais de que atualmente dispomos e que podem
colaborar significativamente para tornar o processo educativo mais eficiente e mais
eficaz. (MASETTO, 2003, p. 152.)

É tempo de trazer tecnologia para sala de aula, pois com ferramentas tecnológicas
as aulas ficam bem mais interessantes, a busca pelo conhecimento é bem mais
estimulada, o desempenho escolar aumenta e consequentemente o professor acaba
sendo mais valorizado, pois, como se sabe, educadores podem perder muito tempo
com questões e inquietações fora da sala de aula, atividades burocráticas, planilhas
para preencher, relação entre os alunos e a equipe diretiva, às vezes demandam
muito tempo destes profissionais. Ao utilizar ferramentas tecnológicas no dia a dia, o
gestor poupa tempo do educador, permitindo que ele direcione seus esforços para ter
a melhor aplicabilidade possível das horas semanais em que passa dentro das salas
de aula. Enfim, ao aderir as tecnologias, os educadores poderão explorar novos
recursos de ensino, as aulas tendem a ser ainda mais motivadoras, atraentes e
entusiasmantes, especialmente para os alunos, que necessitam dessa motivação a
mais.