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FACULDADES EQUIPE
CURSO DE PEDAGOGIA

LAURA CANTÚ JOCHIMS

INCLUSÃO: OS DESAFIOS DOS PROFESSORES PARA TRABALHAR COM


ALUNOS AUTISTAS

Sapucaia do Sul
2019
2

FACULDADES EQUIPE
CURSO DE PEDAGOGIA

LAURA CANTÚ JOCHIMS

INCLUSÃO: OS DESAFIOS DOS PROFESSORES PARA TRABALHAR COM


ALUNOS AUTISTAS

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado ao Curso de Pedagogia, das
Faculdades Equipe, como requisito parcial
para conclusão do Curso.

Prof. Ms. Gabriela Fonseca Rutkosky


Orientadora

Sapucaia do Sul
2019
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FACULDADES EQUIPE

CURSO DE PEDAGOGIA

LAURA CANTÚ JOCHIMS

INCLUSÃO: OS DESAFIOS DOS PROFESSORES PARA TRABALHAR COM


ALUNOS AUTISTAS

Aprovado por:

___________________________________
Profª. Ms. Gabriela Fonseca Rutkosky
Faculdades Equipe

___________________________________
Profª. Esp. Fernanda Soares
Faculdades Equipe

__________________________________
Profª. Prof. Ms. Patrícia Loureiro
Faculdades Equipe
4

AGRADECIMENTOS

Agradeço, em primeiro lugar, a Deus, por estar sempre comigo me guiando


neste caminho e em todos os momentos, tantos os difíceis quanto os bons.
A Faculdades Equipe por todas as oportunidades de conhecimentos.
À Escola EMEF Hugo Gerdau, na qual tive a oportunidade de trabalhar com a
Inclusão, que me trouxe muitas experiências e aprendizados.
À minha Prof.ª Mestra e orientadora Gabriela Fonseca Rutkosky, por todas as
dicas, pela paciência, carinho e dedicação para a realização deste trabalho.
A todos os professores (as), funcionários e colegas que passaram por mim
neste período, pela orientação, apoio e confiança.
E por todas as pessoas com as que convivo, família e amigos, por me apoiarem
nesta trajetória.
Á todos qυе, de maneira direta оυ indireta, fizeram parte dа minha formação, о
mеυ muito obrigado.
Gratidão por tudo!
5

D
edico este trabalho especialmente a minha família, por todo o
incentivo que sempre me deram ao longo deste curso, e por todo o
apoio que me dão na minha caminhada.
6

RESUMO

O presente trabalho de pesquisa busca relatar sobre a Inclusão, falando sobre os


desafios que os professores encontram para trabalhar com autistas, trazendo ideias
por meio de formas pedagógicas para trabalhar com estes alunos. A pesquisa foi
realizada na EMEF Hugo Gerdau, localizada na Rua Adelaíde Corrêa, em Sapucaia
do Sul, com professoras responsáveis pela Sala de Recursos e professoras titulares
de 4° e 5° anos. Na busca por respostas, foram realizadas entrevistas por meio de um
questionário de perguntas abertas, onde cada professora traz suas respostas de como
é trabalhar com alunos que possuem o Transtorno do Espectro Autista
Palavras-chave: TEA, Inclusão, Desafio dos Professores.
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SUMÁRIO

RESUMO..................................................................................................................... 6
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 8
1 O QUE É A INCLUSÃO .......................................................................................... 10
1.1 HISTÓRICO DA INCLUSÃO ............................................................................... 12

1.2 LEGISLAÇÃO...................................................................................................... 13

1.1 DO DIREITO À EDUCAÇÃO ............................................................................... 14

1.2 DO DIREITO AO TRABALHO ............................................................................. 15

1.3 LEI DA EDUCAÇÃO ESPECIAL ......................................................................... 16

2. O QUE É O AUTISMO OU TEA - TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA? ... 18


2.1 O desenvolvimento do conceito de autismo ........................................................ 19

2.2 Lei do Autismo..................................................................................................... 26

3 DESAFIOS DOS PROFESSORES NO PROCESSO INCLUSIVO ........................ 28


3.1 AUTISMO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS .......................................................... 34

3.2. AUTISMO E PROCESSOS DE APRENDIZAGEM ............................................ 37

3.3 ATIVIDADES POSITIVAS PARA O TEA ............................................................. 39

4 PESQUISA ............................................................................................................. 40
4.1 PESQUISA DE CAMPO EMEF HUGO GERDAU ............................................... 42

4.1.1 Análise geral das respostas obtidas ................................................ 50

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 51


REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 51
ANEXOS ................................................................................................................... 55
ANEXO 1 - QUESTIONÁRIO QUALITATIVO............................................................ 55

ANEXO 2 - QUESTIONÁRIO OBJETIVO.................................................................. 55


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INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por objetivo abordar sobre a Inclusão do autista no


ambiente escolar e o modo como os profissionais da educação enfrentam
determinadas situações do cotidiano para conseguir promover a inclusão dessas
crianças em sala de aula, o quanto a escola é importante para socialização e
desenvolvimento delas.

A fim de se estabelecer um foco mais específico, decidiu-se analisar essa


questão na Escola Municipal Hugo Gerdau, localizada em Sapucaia do Sul, local em
que foi realizado o Estágio pela Prefeitura de Sapucaia do Sul, e pela convivência com
crianças portadoras do TEA, caso esse que tem crescido cada vez mais dentro das
escolas.

No decorrer do trabalho, serão trazidas situações, que envolvem quais os


desafios que o professor enfrenta para trabalhar com a criança autista; o papel do
professor no processo de Ensino-Aprendizagem com a criança autista; a incerteza do
professor em relação ao que o aluno está querendo expressar; sua falta de recursos
específicos para atender as necessidades da criança autista.

De acordo com a Lei da Inclusão, é de responsabilidade da escola acolher


esses alunos lhes assegurando condições de acesso, aprendizagem e participação
junto aos demais estudantes. Pelo fato de esses alunos terem dificuldades de se
integrar dentro do ambiente escolar, de se expressar e, às vezes, não possuir material
suficiente é de fundamental importância da escola, fazer com que essa situação mude.
Ou seja, procurar a melhor forma de trabalhar e fazer com que este aluno consiga
progredir.

O assunto autismo, hoje em dia, é muito relevante em trabalhar, pois é tema de


maior impacto na Inclusão e é importante para o curso de Pedagogia, pelo fato de ter
sido estudado na cadeira de Educação Inclusiva da faculdade e pela atuação prática
no estágio, pois todos os dias se aprende algo novo durante a vivência com esses
alunos.

Ao trabalhar com alunos portadores de TEA, percebe-se o quanto é desafiador,


importante e de muita responsabilidade, por parte dos professores, ter formação
adequada sobre esse assunto. Por mais que sejam momentos bem repetitivos no
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tempo da criança, certamente irá aprender, mas, para isso, deve-se sempre procurar
incentivar muito, estimular, pesquisar, ir além para garantir sua aprendizagem e
perceber a evolução dessas crianças.

Os desafios encontrados nos caminhos, não são poucos e, sim, muitos. Mas
se empenhando e se esforçando, com certeza este aluno futuramente terá uma ótima
autonomia, o que gera pontos muito positivos.
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1 O QUE É A INCLUSÃO

A Inclusão é um processo que visa apoiar a educação para todas as crianças


do mundo. Lopes e Sil comentam:

A promoção de uma igualdade de oportunidades de acesso e de


sucesso, com a participação de todos e o respeito pela diversidade
individual e cultural dos alunos, através da inclusão na escola, bem
como da inclusão da escola no meio local, permitirá uma intervenção
integrada, no sentido da elevação do nível educativo da população
(LOPES; SIL, 2005, p. 2985)
A inclusão pressupõe que todas as crianças e alunos tenham uma resposta
educativa em um ambiente regular que lhes proporcione o desenvolvimento das suas
capacidades.

Todas as escolas não só podem como devem, sim, incluir os alunos com
necessidades especiais, mesmo muitos casos tendo certas dificuldades e
incapacidades, independente do que seja, os alunos devem ser aceitos dentro das
escolas de ensino regular. De acordo com o portal do MEC, todas as crianças, jovens
e adultos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades
devem ter assegurado o seu direito de aprender no ensino regular, na série
correspondente à sua faixa etária. Os professores da educação comum, em
articulação com a educação especial, devem estabelecer estratégias pedagógicas e
formativas, metodologias que favoreçam a aprendizagem e a participação desses
alunos no contexto escolar.

A Inclusão promove a diversidade, é muito mais do que querer apenas garantir


a entrada do aluno dentro da escola, pois seu maior objetivo é eliminar os obstáculos
que limitam suas aprendizagens bem como a sua participação no processo educativo.

Enfim, a escola deve acolher bem a esses alunos, pois é assim, oportunizando
que estudem e aprendam, que se pode fazer a diferença na vida do mesmo,
mostrando-lhes o quanto são capazes de ir, além independente de qual seja o seu
diagnóstico. Deve-se fazer com que este aluno se sinta bem e se insira nesse novo
ambiente. Abraçando essa causa, pode-se mudar muita coisa durante seu processo
de vida escolar.

A Inclusão não era algo muito aceito entre diversas escolas, visto que eram
divididas em modalidade de ensino, os tipos de serviços, grades curriculares e
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burocracia. Entretanto, um rompimento dentro da estrutura organizacional, que é o


que nos mostra de fato a inclusão, é uma saída para que a escola possa fluir,
espalhando sua ação formadora e aceitando a todos que dela fazem parte. O que de
fato se pretende é que a escola seja inclusiva e, para isso, é necessário haver
determinadas mudanças, voltadas para a educação na cidadania global, livre de
preconceitos e que valorizam todas as diferenças.

A inclusão é algo inovador, modernizado e reestruturador das condições atuais


na maioria das escolas, em especial, o nível básico, ao assumir que as dificuldades
não são apenas dos alunos, mas, em grande parte, de como é ministrado o ensino e
o processo de aprendizagem.

Para que as mudanças aconteçam, é necessário que se passe por desafios,


pois é por meio deles que temos a capacidade de aprender algo novo todos os dias,
aprendendo com as diferenças. A Inclusão não tem uma prática de ensino escolar
específica para cada deficiência e/ou dificuldade de aprender, mas, sim, que a
instituição de ensino regular venha atender a todos os alunos sabendo que cada um
tem seus limites de aprendizado. Assim, para um ensino de boa qualidade, o professor
deverá levar em conta a dificuldade de cada um desses alunos.

Pensar em Educação Inclusiva é ter bem clara a ideia que todos podem
aprender, independentemente de suas limitações, pois as metodologias devem ser
direcionadas e prontas a fim de que a necessidade de cada um seja atendida
igualmente. E lembrando que a Educação Inclusiva também é a que abraça a todos,
deixando de lado quaisquer características próprias do aluno.

A Inclusão de pessoas com algum tipo de síndrome, seja ela qual for, é um
direito básico e obrigatório, visto que amparado por diversas leis tanto nacionais
quanto internacionais. Entende-se que qualquer indivíduo com deficiência física e
intelectual entre nesse grupo, ou seja, deficientes físicos, deficientes mentais,
deficientes visuais, deficientes auditivos, crianças com paralisia cerebral, com TGD -
Transtornos Globais do Desenvolvimento, com TEA - Transtorno do Espectro Autista,
ou que apresente qualquer condição diagnosticada que necessite de
acompanhamento especial.

A convivência para um aluno com alguma determinada necessidade especial,


é algo que pode se tornar muito difícil, pois muitos não conseguem desenvolver uma
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socialização adequada com os seus demais colegas e mesmo com os professores,


cabendo à escola e aos profissionais da área da educação fazer com que esse aluno
não se sinta excluído e, sim, incluído dentro do ambiente escolar, sendo um
participante presente em todas as atividades propostas pela escola, fazendo com que
se sinta à vontade por meio de estímulos dos colegas de sala e, principalmente, do
professor. O papel da escola, e de todos, é justamente saber ter pensamentos mais
justos, aprendendo, conhecendo e, sobretudo, saber lidar com as diferenças do dia a
dia.

A escola deve estar aberta para receber esses alunos com deficiência. A
Educação Inclusiva nada mais é do que aquela que acolhe a todas as pessoas, sem
nenhuma exceção, respeitando as diferenças e dando a todos o direto à educação.

1.1 HISTÓRICO DA INCLUSÃO

A Educação Inclusiva começou a tomar forma mesmo no início da década de


1990, embora as primeiras escolas especiais para algumas deficiências, no caso,
auditivas e visuais, tenham surgido já na década de 1920. Mas ainda faltava mais,
porque estas pessoas eram excluídas da sociedade, tanto que é, que para que
houvessem mudanças, logo depois de muita discussões, pesquisas e reuniões se
chegou em um consenso de nível mundial e, após isso, muitas outras possibilidades
de Inclusão foram criadas.

A Inclusão surge com o propósito de que todos frequentem a sala de aula do


ensino regular da escola comum, independente do seu tipo de deficiência, se é grave
ou não. Entretanto, hoje, sem dúvida, a Inclusão já melhorou muito, pois muitas
crianças têm saído da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) para
frequentarem somente a escola regular e também há muita interação por parte de
algumas crianças, o que é visto como um ponto muito positivo ao longo da sua
evolução.

E é direito de que toda criança com deficiência física, deficiência intelectual e


superdotação possa ser matriculada na escola mais próxima de sua casa e o seu
ingresso nunca deve ser negado. Por ser um direito constitucional, visto que a
Constituição Federal, em seu Art. 205. afirma que a educação é direito de todos e
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dever do Estado e da família. Assim, torna-se crime tanto não aceitar quanto excluir o
aluno com necessidades especiais do mesmo currículo que seus colegas. Graças a
isso, mais de 70% das crianças com deficiência já estavam matriculadas na escola
regular em 2013, número muito acima dos 47% registrados em 2007, segundo o
Censo Escolar. Estimativas dizem que o número está ainda maior e o objetivo, é claro,
é de haver 100% de inclusão.

1.2 LEGISLAÇÃO

A Lei 13.146/2015, conhecida como Lei de Inclusão, foi aprovada em 6 de julho


de 2015, trazendo garantias fundamentais para a equiparação das pessoas com
deficiência em relação à sociedade. Por meio de um conceito claro, ela considera
como pessoa com deficiência:

[…] aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física,


mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais
barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade
em igualdade de condições com as demais pessoas. (BRASIL, 2015,
Art. 2º)
Na prática, isso significa que a lei serve para ampará-las no convívio social,
regulando as relações em busca da diminuição da desigualdade, a fim de que ninguém
se sinta inferior e excluído. Atualmente, o Brasil tem mais de 45 milhões de pessoas
com deficiência, o que torna a Lei de Inclusão uma verdadeira vitória.

Essa importante luta, no entanto, não acaba com a aprovação da lei, mas
apenas avança um passo. Por isso, mesmo com a norma em vigor, todos nós
devemos, ainda, lutar diariamente pela efetivação desses direitos e sua
regulamentação.

Vale ressaltar que não basta a lei no papel para garantir os direitos. É preciso
que ela seja implementada, de fato, inibindo qualquer tipo de preconceito e exclusão
no convívio por parte de pessoas que ignoram alguns aspectos sobre o tema.

Cabe aos profissionais praticarem esta lei, pois, independente de qual seja o
problema que um aluno (a) de inclusão tenha, são seres humanos também como
qualquer um de nós. Devemos sempre dar a devida atenção a todos eles, para que
de alguma forma se sintam acolhidos e façam parte do ambiente escolar.
14

De acordo com a Declaração de Salamanca, um decreto de 1994 firmado por


mais de 80 países, ONU e Unesco, que revela o direito de toda criança à educação,
independentemente de suas características físicas, intelectuais e condicionais:

Toda criança possui características, interesses, habilidades e


necessidades de aprendizagem que são únicas, sistemas
educacionais deveriam ser designados e programas educacionais
deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta
diversidade de tais características e necessidades, aqueles com
necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola
regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada
na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades. (ONU, 1994, 2)
A partir desse termo, o Ministério da Educação criou a Política Nacional de
Educação Especial, além do programa Educação Inclusiva: Direito à diversidade, que,
além de manter a meta de garantir a educação especial para todas as pessoas que
necessitam, visa estimular a formação dos gestores, professores e de todo o corpo
docente de todas as escolas brasileiras para conviver e saber as melhores práticas
de lidar e levar conhecimento para esse grupo.

1.1 DO DIREITO À EDUCAÇÃO

Art. 27 - A educação constitui direito da pessoa com deficiência,


assegurado sistema educacional inclusivo em todos os níveis e
aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo
desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas,
sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características,
interesses e necessidades de aprendizagem.
Parágrafo único- É dever do Estado, da família, da comunidade
escolar e da sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa
com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de violência,
negligência e discriminação.
Art. 28 - Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver,
implementar, incentivar, acompanhar e avaliar:
I - sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades,
bem como o aprendizado ao longo de toda a vida;
II - aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a garantir
condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por
meio da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que
eliminem as barreiras e promovam a inclusão plena;
III - projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional
especializado, assim como os demais serviços e adaptações
razoáveis, para atender às características dos estudantes com
deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições
15

de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua


autonomia; […].

1.2 DO DIREITO AO TRABALHO

Art. 34- A pessoa com deficiência tem direito ao trabalho de sua livre
escolha e aceitação, em ambiente acessível e inclusivo, em igualdade
de oportunidades com as demais pessoas.
§ 1º As pessoas jurídicas de direito público, privado ou de qualquer
natureza são obrigadas a garantir ambientes de trabalho acessíveis e
inclusivos.
§ 2º A pessoa com deficiência tem direito, em igualdade de
oportunidades com as demais pessoas, a condições justas e
favoráveis de trabalho, incluindo igual remuneração por trabalho de
igual valor.
§ 3º É vedada restrição ao trabalho da pessoa com deficiência e
qualquer discriminação em razão de sua condição, inclusive nas
etapas de recrutamento, seleção, contratação, admissão, exames
admissional e periódico, permanência no emprego, ascensão
profissional e reabilitação profissional, bem como exigência de aptidão
plena.
§ 4º A pessoa com deficiência tem direito à participação e ao acesso
a cursos, treinamentos, educação continuada, planos de carreira,
promoções, bonificações e incentivos profissionais oferecidos pelo
empregador, em igualdade de oportunidades com os demais
empregados.
§ 5º É garantida aos trabalhadores com deficiência acessibilidade em
cursos de formação e de capacitação.
A Inclusão nada mais é do que garantir que educandos com ou sem deficiência
participem de quaisquer atividades, sejam elas em escolas ou comunidades. É
necessário compreender que cada um tem seu ritmo, tem o seu devido tempo, mas
que isso não os torna incapazes de aprender, pelo contrário, podem avançar muito na
aprendizagem. Por isso, o respeito e a dedicação, nos tornam cidadãos capazes de
ensinar e de aprender com as diferenças.

1.3 LEI DA EDUCAÇÃO ESPECIAL

A Resolução N° 02 CNE/CEB de 11 de Setembro de 2011 institui as


Diretrizes Nacionais, para aqueles alunos que apresentam
necessidades educacionais especiais em todas as suas etapas e
modalidades, na Educação Básica. Esta é a Resolução de maior lei
que trata sobre a Inclusão nas escolas.
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O Presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional


de Educação, de conformidade com o disposto no Art. 9o, § 1o, alínea
“c”, da Lei 4.024, de 20 de dezembro de 1961, com a redação dada
pela Lei 9.131, de 25 de novembro de 1995, nos Capítulos I, II e III do
Título V e nos Artigos 58 a 60 da Lei 9.394, de 20 de dezembro de
1996, e com fundamento no Parecer CNE/CEB 17/2001, homologado
pelo Senhor Ministro de Estado da Educação em 15 de agosto de
2001, resolve:
Parágrafo único. O atendimento escolar desses alunos terá início na
educação infantil, nas creches e pré-escolas, assegurando-lhes os
serviços de educação especial sempre que se evidencie, mediante
avaliação e interação com a família e a comunidade, a necessidade
de atendimento educacional especializado. […]
Art. 1º: A presente Resolução institui as Diretrizes Nacionais para a
educação de alunos que apresentem necessidades educacionais
especiais, na Educação Básica, em todas as suas etapas e
modalidades.
Parágrafo único. O atendimento escolar desses alunos terá início na
educação infantil, nas creches e pré-escolas, assegurando-lhes os
serviços de educação especial sempre que se evidencie, mediante
avaliação e interação com a família e a comunidade, a necessidade
de atendimento educacional especializado.
Art 2º: Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos,
cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos
com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições
necessárias para uma educação de qualidade para todos.
Parágrafo único. Os sistemas de ensino devem conhecer a demanda
real de atendimento a alunos com necessidades educacionais
especiais, mediante a criação de sistemas de informação e o
estabelecimento de interface com os órgãos governamentais
responsáveis pelo Censo Escolar e pelo Censo Demográfico, para
atender a todas as variáveis implícitas à qualidade do processo
formativo desses alunos.
Art. 3º: Por educação especial, modalidade da educação escolar,
entende-se um processo educacional definido por uma proposta
pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais,
organizados institucionalmente para apoiar, complementar,
suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais
comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o
desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam
necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e
modalidades da educação básica.
.Parágrafo único. Os sistemas de ensino devem constituir e fazer
funcionar um setor responsável pela educação especial, dotado de
recursos humanos, materiais e financeiros que viabilizem e deem
sustentação ao processo de construção da educação inclusiva.
Art. 4º : Como modalidade da Educação Básica, a educação especial
considerará as situações singulares, os perfis dos estudantes, as
características biopsicossociais dos alunos e suas faixas etárias e se
pautará em princípios éticos, políticos e estéticos de modo a
assegurar:
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I - a dignidade humana e a observância do direito de cada aluno de


realizar seus projetos de estudo, de trabalho e de inserção na vida
social;
II - a busca da identidade própria de cada educando, o reconhecimento
e a valorização das suas diferenças e potencialidades, bem como de
suas necessidades educacionais especiais no processo de ensino e
aprendizagem, como base para a constituição e ampliação de valores,
atitudes, conhecimentos, habilidades e competências;
III - o desenvolvimento para o exercício da cidadania, da capacidade
de participação social, política e econômica e sua ampliação, mediante
o cumprimento de seus deveres e o usufruto de seus direitos.
Art. 5º: Consideram-se educandos com necessidades educacionais
especiais os que, durante o processo educacional, apresentarem:
I - dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no
processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das
atividades curriculares, compreendidas em dois grupos:
a) aquelas não vinculadas a uma causa orgânica específica;
b) aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou
deficiências;
II – dificuldades de comunicação e sinalização diferenciadas dos
demais alunos, demandando a utilização de linguagens e códigos
aplicáveis;
III - altas habilidades/superdotação, grande facilidade de
aprendizagem que os leve a dominar rapidamente conceitos,
procedimentos e atitudes.
De acordo com a Lei da Inclusão, é de responsabilidade da escola, acolher
estes alunos lhes assegurando as devidas condições de acessos, aprendizagem e
participação junto aos demais estudantes. Pelo fato de esses alunos terem
dificuldades de se integrar dentro do ambiente escolar, de se expressar e, às vezes,
não possuir material suficiente é de fundamental importância da escola, fazer com que
esta situação mude. Ou seja, procurar a melhor forma de trabalhar e fazer com que
este aluno consiga progredir, e que isso seja feito de forma que todos os principais
responsáveis pela Inclusão façam trabalhos em equipe para que todos possam se
ajudar e ajudar os alunos portadores de necessidades especiais.

2. O QUE É O AUTISMO OU TEA - TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA?

O Transtorno do Espectro Autista - TEA é um conjunto de desordens complexas


do desenvolvimento do cérebro, que pode tanto vir antes, durante ou logo após o
nascimento do bebê. Trata-se de uma síndrome que engloba diferentes condições
18

marcadas por perturbações do desenvolvimento neurológico todas relacionadas com


muita dificuldade de interação social e comportamentos muito repetitivos, chamados
estereotipias.

O Transtorno do Espectro Autista - TEA, além da questão de coordenação


motora, que de certa forma afeta muito a criança, pode vir com outros diagnósticos
como a deficiência intelectual. Às vezes, quem possui autismo, têm problemas de
saúde física, síndrome de déficit de atenção, hiperatividade, dislexia, entre outros
problemas que o autismo pode causar.

O Transtorno do Espectro Autista – TEA, em alguns casos, pode acarretar


muitas dificuldades nos diferentes estágios de desenvolvimento da vida, desde o
momento da escola até para tomar um banho sozinho, fazer uma refeição. Já em
outros casos, os portadores do Transtorno do Espectro Autista – TEA podem levar
uma vida relativamente normal, pelo simples fato de haver aqueles que nos
surpreende ao conseguirem fazer algo e outros podem precisar de acompanhamentos
para o resto de sua vida.

As pessoas com autismo podem ter alguma forma de sensibilidade sensorial.


Isso pode ocorrer em um ou em mais dos cinco sentidos – visão, audição, olfato, tato
e paladar – que podem ser mais ou menos intensificados. Por exemplo, uma pessoa
com autismo pode achar determinados sons de fundo, que outras pessoas ignorariam,
insuportavelmente barulhentos. Isso pode causar ansiedade ou mesmo dor física. As
pessoas com Transtorno do Espectro Autista – TEA podem se destacar em
habilidades visuais, música, arte e matemática:

• A maioria das pessoas com autismo é boa em aprender visualmente;

• Algumas pessoas com autismo são muito atentas aos detalhes e à exatidão;

• Geralmente, possuem capacidade de memória muito acima da média;

• É provável que as informações, rotinas ou processos, uma vez aprendidos,


sejam retidos;

• Algumas pessoas conseguem concentrar-se na sua área de interesse


específico durante muito tempo e podem optar por estudar ou trabalhar em áreas
afins;

• A paixão pela rotina pode ser fator favorável na execução de um trabalho;


19

• Indivíduos com autismo são funcionários leais e de confiança.

Weihs (1971) afirma que, se desejamos compreender e ajudar uma criança


autista, devemos, por um lado, perceber que somos parte deste ambiente no qual esta
criança tem que viver e crescer e, por outro lado, tentar ver seu comportamento,
desempenho, habilidades e incapacidades em relação ao que é sempre perfeito nela,
a vivência de sua própria personalidade.

De acordo com o autor, quando se reconhece as fraquezas, limites,


dificuldades, algum transtorno, abre-se um novo caminho e é aí que se percebe que
por mais limitante que seja a vida de um autista, nada o impede de viver.

2.1 O desenvolvimento do conceito de autismo

Na década de 1940, Léo Kanner, um psiquiatra que morou nos Estados Unidos,
muito se dedicou aos estudos para investigações sobre alguns comportamentos que
se consideravam estranhos e particular em algumas crianças. O que ele percebeu,
foram movimentos que se tratavam de estereotipias por meios de gestos
amaneirados, além da dificuldade no modo de a criança conseguir se relacionar com
pessoas ao seu redor.

A partir dos seus estudos, em 1943, Kanner publicou um artigo no qual


descreveu os casos de 11 crianças que apresentavam casos de sua investigação, e
o dominou como um quadro de “Distúrbios autísticos do contato afetivo”. Como
características desse grupo de crianças que o ator estudou, percebeu que as crianças
têm a incapacidade de estabelecer relações com as pessoas, uma série de atrasos e
alterações na aquisição e no uso da linguagem e certa obsessão em manter o
ambiente intacto junto à tendência de repetir uma sequência limitada de atividades
ritualizadas.

Segundo Kanner, a gestação pode ter sido uma das causas para a criança ter
nascido com o Transtorno de Espectro Autista, por ter sido difícil, conturbada, até
mesmo não aceita, de modo que o bebê não conseguia se comunicar com a mãe,
trazendo isso para a vida real após o seu nascimento não se comunicando com quer
que fosse.
20

E, por todas as dificuldades que a criança autista enfrenta, cabe a cada um


fazer sua parte, desde a família até os educadores responsáveis, pois é assim que se
pode fazer a criança se sentir acolhida, mostrando a ela o quanto é capaz de aprender
como qualquer outra criança.

Orrú (2007) ao realizar uma conferência em Paris, destacou a criança como


autista aquela que luta contra suas angústias, através de formas ou objetos querendo
se expressar.

Isso realmente é algo que acontece muito, pois é dessa forma que a criança
autista se comunica, ou seja, por meio de “sim” ou “não”, o que acaba gerando uma
barreira muito grande para os profissionais, para que consigam entender de fato qual
o sentimento que a criança quer nos transmitir. Infelizmente, nem sempre é fácil
compreender a angústia destas crianças, mas se faz o possível e o impossível para
entendê-la e amenizar a situação ocorrida, deixando a criança mais calma.

Kanner revisou seu contexto sobre o autismo por diversas vezes, mas
destacando como características as dificuldades que a criança tem no
relacionamento, a obsessão por objetos, pela rotina do dia a dia, e as alterações no
desenvolvimento da linguagem, chamado também de mutismo.

O autor ainda destaca que é possível perceber essas particularidades durante


os dois primeiros anos de vida. Kanner foi o precursor da descoberta e da construção
do conceito de autismo no século XX. Depois dele, muitos outros autores foram
surgindo com seus estudos e hipóteses sobre a síndrome.

Em 1944, Bruno Betelheim, psicanalista, formulou sua hipótese sobre autismo,


tal como é comentada por Amy:

A criança encontra no isolamento autístico (como os prisioneiros de


Dachau) o único recurso possível a uma experiência intolerável do
mundo exterior, experiência negativa vivida muito precocemente em
sua relação com a mãe e seu ambiente familiar. É por isso que fala de
“crianças vítimas de graves perturbações afetivas” (o que por sinal é
totalmente verdadeiro para certas crianças que ela acolheu, mas que
não eram necessariamente autistas. (AMY, 2001)
Os estudiosos entendem o autismo como decorrente dos Transtornos Globais
de Desenvolvimento das habilidades de comunicação verbal e não verbal e da
atividade imaginativa, que são identificados por sinais e sistemas comportamentais.
Já Gilbert (1990) de acordo com os seus estudos, define autismo como aquele sendo
21

uma síndrome comportamental com etiologias múltiplas e curso de um distúrbio de


desenvolvimento. Rutter e Shopler (1992), definem que o autismo não é uma doença
única, mas, sim, um distúrbio de desenvolvimento complexo de nível comportamental,
com etiologias múltiplas e variados graus de severidade.

O diagnóstico clínico de autismo costuma ser entre os 18 e 36 meses de vida


com a utilização da CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), DSM- IV e, a
partir de 2013, também pelo DSM- V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais). De acordo com esse manual, a criança que possui o Transtorno de Espectro
Autista, possuí juntamente deficiência intelectual, que é uma menor capacidade de
conseguir compreender tarefas, aprender e aplicar informações e normalmente,
possuem um funcionamento mental abaixo da idade esperada, provocando um atraso
na aprendizagem e no seu desenvolvimento.

No caso do autismo, esse transtorno só é diagnosticado quando déficits de


comunicação social são acompanhados pelos mesmos movimentos, interesses e pela
insistência nas mesmas coisas. O que muito acontece com os autistas, são as formas
de como se expressam quando necessitam falar algo e não conseguem, pois,
infelizmente, em muitos deles a fala é prejudicada. Por essa razão, se expressam
agitando as mãos, balançando o corpo, batendo a cabeça, mordendo e se
machucando, que é o que chamamos de “movimentos estereotipados”. São as formas
que se tem do autista nos passar o que está lhe incomodando, o que está sentindo,
enfim, é um jeito de pedir ajuda e tentar resolver aquelas situações que lhes
perturbam, da melhor forma possível.

O autismo não é um transtorno degenerativo, mas que vai permanecer ao longo


da vida. A minoria dos indivíduos, que tem o transtorno de espectro autista, vivem e
trabalham na vida adulta, porém, sendo necessário que haja linguagem, de modo que
eles encontrem caminhos que sejam de seus interesses e de suas habilidades
especiais. Isso quer dizer que mesmo havendo algumas dificuldades, nada disso o
impede de seguir uma vida normal, como a de qualquer outra pessoa, porém dentro
de seus limites.

 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
22

1. Déficits na reciprocidade sócio-emocional, variando, por exemplo, de


abordagem social anormal e dificuldade para estabelecer uma conversa normal a
compartilhamento reduzido de interesses, emoções ou afeto, a dificuldade para iniciar
ou responder a interações sociais;

2. Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para


interação social, variando, por exemplo, de comunicação verbal e não verbal pouco
integrada a anormalidade no contato visual e linguagem corporal ou déficits na
compreensão e uso gestos, a ausência total de expressões faciais e comunicação não
verbal;

3. Déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos, variando,


por exemplo, de dificuldade em ajustar o comportamento para se adequar a contextos
sociais diversos a dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas ou em fazer
amigos, a ausência desinteresse por pares.

Os transtornos do espectro autistas são divididos nos níveis abaixo:

Nível 1 - “Exigindo apoio”

 Comunicação social

Na ausência de apoio, déficits na comunicação social causam prejuízos


notáveis como dificuldade para iniciar interações sociais e exemplos claros de
respostas atípicas ou sem sucesso a aberturas sociais dos outros. Pode parecer
apresentar interesse reduzido por interações sociais. Por exemplo, uma pessoa que
consegue falar frases completas e envolver-se na comunicação, embora apresente
falhas na conversação com os outros e cujas tentativas de fazer amizades são
estranhas se comumente malsucedidas.

 Comportamentos restritos e repetitivos

Inflexibilidade de comportamento causa interferência significativa no


funcionamento em um ou mais contextos. Dificuldade em trocar de atividade.
Problemas para organização e planejamento são obstáculos à independência.
23

Nível 2- “Exigindo apoio substancial”

 Comunicação social

Déficits graves nas habilidades de comunicação social verbal e não verbal;


prejuízos sociais aparentes mesmo na presença de apoio; limitação em dar início a
interações sociais e resposta reduzida ou anormal a aberturas sociais que partem de
outros. Por exemplo, uma pessoa que fala frases simples, cuja interação se limita a
interesses especiais reduzidos e que apresenta comunicação não verbal
acentuadamente estranha.

 Comportamentos restritos e repetitivos

Inflexibilidade do comportamento, dificuldade de lidar com a mudança ou outros


comportamentos restritos/repetitivos aparecem com frequência suficiente para serem
óbvios ao observador casual e interferem no funcionamento em uma variedade de
contextos. Sofrimento e/ou dificuldade de mudar o foco ou as ações.

Nível 3 - “Exigindo apoio muito substancial”

 Comunicação social

Déficits graves nas habilidades de comunicação social verbal e não verbal


causam prejuízos graves de funcionamento, grande limitação em dar início a
interações sociais e resposta mínima a aberturas sociais que partem de outros. Por
exemplo, uma pessoa com fala inteligível de poucas palavras que raramente inicia as
interações e, quando o faz, tem abordagens incomuns apenas para satisfazer a
necessidades e reage somente a abordagens sociais muito diretas.

 Comportamentos restritos e repetitivos

Inflexibilidade de comportamento, extrema dificuldade em lidar com a mudança


ou outros comportamentos restritos/repetitivos interferem acentuadamente no
24

funcionamento em todas as esferas. Grande sofrimento/dificuldade para mudar o foco


ou as ações.

Há pais que ficam meses e anos, em diversas clínicas atrás de algo que
explique a razão de o seu filho se comportar de tal maneira. Tanto na rede pública
quanto na privada, há os profissionais que exigem o laudo médico para que a criança
possa ter acesso ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), ou frequentar
turmas com número menor de alunos ou mesmo ter um processo avaliativo
diferenciado. Ou seja, não é só a avaliação pedagógica que o professor realiza com
seu aprendiz, que mostrará quais as dificuldades da criança e sim um laudo médico,
todo fundamentado nos critérios do diagnóstico do DSM-V que concentrarão dentro
do espaço escolar e decidir sobre o que será oferecido para esse aluno. Afirma Werner
Jr:

Infelizmente, mesmo aqueles que lutam pela Inclusão Social do


deficiente buscam, incessantemente, o apoio diagnóstico e
classificações como instrumentos fundamentais para abordagem do
deficiente (a priori natural). Esse fato fica demarcado na dependência
do educador às avaliações médicas, neuro psicológicas, em que ele
procura referência (diagnóstico médico, teste de QI, nível de atenção)
para planejar o processo pedagógico, que se torna cada vez mais
centrado na deficiência do que no processo de interação social. Não
se trata aqui de incompetência do professor, mas da incorporação
passiva, porém efetiva, de concepções relacionadas à medicalização
da vida, aplicadas à educação. (WERNER JR, 2010, p. 72)
O apego da escola e dos professores ao lado clínico quando se questiona sobre
suas práticas pedagógicas junto aos seus alunos nos seguintes termos: “com aquele
aluno eu ainda não sei o que vou fazer, pois o diagnóstico dele ainda não está
fechado”. Isso mostra o quanto a escola e professores estão dependentes de um
resultado clínico para aplicação de atividades para esse aluno. Como se o resultado
trouxesse inspiração e respostas para o desenvolvimento de metodologias e
atividades pedagógicas apropriadas para cada um dos alunos.

Os critérios diagnósticos que enumeram vários comportamentos constados


como inadequados, a saber, o comportamento agressivo, hiperativo, ansioso,
eufórico, dentre vários outros presentes no quadro sintomático. Pode-se considerar
que uma criança com autismo pode estar se sentindo mal por algum motivo. Um dos
motivos pode ser de o professor não estar lhe dando a devida atenção por causa das
dificuldades em se expressar de forma que o professor o compreenda ou pode estar
fazendo birras por estar contrariada com atividades ou situações impostas que as
25

frustram ou que não deseja fazer naquele momento por um motivo ainda
desconhecido pelo seu professor.

Não é o Transtorno do Espectro Autista que está dentro de um ambiente escolar


e na frente de um professor, é apenas uma criança, um adolescente, um jovem que
possui uma história de vida, tem suas personalidades, desejos, frustrações, seus
encantos e desencantos, dificuldades, habilidades e suas preferências. Nas palavras
de Grandin:

Nos últimos tempos, tenho lido o suficiente para saber que ainda
existem muitos pais e, também, muitos profissionais para os
quais “uma vez autista, sempre autista”. Esse aforismo se
traduziu em vidas tristes e desalentas para muitas crianças que,
como eu, receberam logo o diagnóstico de autistas (GRANDIN,
1999, 17)
Muitos professores, ao descobrirem que terão um aluno autista em sala de aula,
se veem diante de uma situação apavorante quando recebem a notícia e muitos pais
sofrem por não conseguirem orientar seus filhos e, principalmente, por não conseguir
entender a forma que ele se expressa.

O que muitas vezes inquieta os professores, é a busca constante por laudos


médicos, que comprove que determinado aluno possui algum transtorno de
aprendizagem, que legitimem que os mesmos venham a receberem outras formas de
atendimento pedagógico. Não é a medicina que deve dizer o que precisa ser feito com
esse aluno, mas, sim, os próprios professores por meio de seus conhecimentos,
combinado a seu aprendiz e familiares, para que se possa chegar ao melhor nível de
ensino para o aluno dentro de uma educação inclusiva.

O trabalho pedagógico junto a alunos com autismo, é um desafio que os


professores enfrentam, mesmo sabendo das dificuldades no processo de aprender,
na complexidade de interações sociais e comunicação. Segundo Angel Riviére (1984):

Esta tarefa educativa é provavelmente a experiência mais comovedora e radical


que pode ter um professor. Esta relação põe a prova, mais do que nenhuma outra, os
recursos e as habilidades do educador. Como ajudar aos autistas e aproximarem-se
de um mundo de significados e de relações humanas significativas? Que meios
podemos empregar para ajudá-los a comunicarem-se, atrair sua atenção e interesse
pelo mundo das pessoas para retirá-los do seu mundo ritualizado, inflexível e fechado
em si mesmo?
26

Todavia, apesar dos desafios encontrados, acarreta uma motivação de


acreditar nas possibilidades de aprendizagens desse aluno, que ele aprenderá a partir
das ênfases de construção de relações sociais/pessoais, das ações favorecidas,
acolhedoras e envolventes do professor e de sua ação mediadora.

Ambientes com práticas dialógicas, de olhares sensíveis às singularidades dos


aprendizes (inclusive daqueles com autismo), em que as relações sociais são sempre
privilegiadas, não há dúvidas de que isso favorece muito para o aprendizado do
sujeito.

2.2 Lei do Autismo

A Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do


Espectro Autista foi criada pela Lei nº 12.764/2012. Além de consolidar um conjunto
de direitos, essa lei, em seu artigo 7º, veda a recusa de matrícula a pessoas com
qualquer tipo de deficiência e estabelece punição para o gestor escolar ou autoridade
competente que pratique esse ato discriminatório.

Segundo Díaz, Bordas, Galvão e Miranda (2009), na contemporaneidade, a


inclusão vem sendo vastamente discutida e refletida. Os meios de comunicação têm
levado, por meio de comercias e novelas, por exemplo, situações para promover a
reflexão de quão intensamente as pessoas com necessidades especiais podem
cumprir seus direitos de cidadãs.

Promover cursos de formação de professores (e não uns simples cursos de


capacitação que frequentemente não levam à reflexão imprescindível) na área de
linguagem é um modo bem competente de se começar a transformar a escola em um
espaço mais inclusivo, tendo em vista que a linguagem faz parte do nosso cotidiano,
organizando nossos sentimentos, pensamentos, emoções e conceitos. Em outros
termos, a linguagem prepara nossa visão de mundo e nosso estar no mundo, quer
sejamos portadores de necessidades especiais, quer sejamos portadores de diversas
necessidades, como seres humanos inacabados que todos somos. É por meio dela
que nos comunicamos, por essa razão, é importante estudá-la e compreender seu
papel no cotidiano e nas interações sociais.
27

Art 1: Esta Lei institui a Política Nacional de Proteção dos


Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e
estabelece diretrizes para sua consecução.
§ 1º Para os efeitos desta Lei, é considerada pessoa com
transtorno do espectro autista aquela portadora de síndrome
clínica caracterizada na forma dos seguintes incisos I ou II:
I - deficiência persistente e clinicamente significativa da
comunicação e da interação sociais, manifestada por deficiência
marcada de comunicação verbal e não verbal usada para
interação social; a ausência da reciprocidade social; falência em
desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível de
desenvolvimento;
II - padrões restritivos e repetitivos de comportamentos,
interesses e atividades, manifestados por comportamentos
motores ou verbais estereotipados ou por comportamentos
sensoriais incomuns; excessiva aderência a rotinas e padrões
de comportamentos ritualizados; interesses restritos e fixos.
§ 2° A pessoa com transtorno do espectro autista é considerada
pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais.
Art. 2° São diretrizes da Política Nacional de Proteção dos
Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista:
I - a intersetorialidade no desenvolvimento das ações e das
políticas e no atendimento à pessoa com transtorno do espectro
autista;
II - a participação da comunidade na formulação de políticas
públicas voltadas para as pessoas com transtorno do espectro
autista e o controle social da sua implantação, acompanhamento
e avaliações;
III - a atenção integral às necessidades de saúde da pessoa com
transtorno do espectro autista, objetivando o diagnóstico
precoce, o atendimento multiprofissional e o acesso a
medicamentos e nutrientes;
Art. 3°- São direitos da pessoa com transtorno do espectro
autista:
I - a vida digna, a integridade física e moral, o livre
desenvolvimento da personalidade, a segurança e o lazer;
II - a proteção contra qualquer forma de abuso e exploração;
III - o acesso a ações e serviços de saúde, com vistas à atenção
integral às suas necessidades de saúde, incluindo:
a) o diagnóstico precoce, ainda que não definitivo;
b) o atendimento multiprofissional;
c) a nutrição adequada e a terapia nutricional;
d) os medicamentos;
28

e) informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento;


IV - o acesso:
a) à educação e ao ensino profissionalizante;
b) à moradia, inclusive à residência protegida;
c) ao mercado de trabalho;
d) à previdência social e à assistência social.
A Lei precisa ser vista como um instrumento eficaz, que tem um valor muito
importante para que se concretizem ações que superarão os obstáculos e as
limitações historicamente impostas ao ensino do aluno com autismo. Essa Lei do
autismo, com certeza, foi um grande avanço para os autistas, seus familiares, para os
profissionais que trabalham com esse público e, em especial, para a sociedade. Ela
assegura que as necessidades, sejam efetivadas e coloca a todos como cidadãos,
como participantes ativos e agentes da mudança.

3 DESAFIOS DOS PROFESSORES NO PROCESSO INCLUSIVO

Atualmente, observa-se que muitos professores se queixam por não haver uma
formação adequada para trabalhar com esses alunos, os quais são portadores do
TEA, e de como as dificuldades são enfrentadas no dia a dia para conseguir superar
os desafios que se tem pela frente.

Infelizmente, há alunos que se sentem excluídos dentro de um ambiente


escolar, mas pela questão de o professor, em alguns casos, não ter um total
conhecimento sobre as particularidades do aluno com o qual está lidando dentro da
sala de aula. Mas nem por isso o docente deixará de fazer o possível, e o impossível,
para que seu aluno consiga aprender como todos os seus colegas.

A Inclusão, de fato, se torna presente no ambiente escolar quando se tem


professores capacitados para as práticas pedagógicas específicas no autismo,
criando métodos que possibilitem o aprendizado desses alunos. Por isso, a formação
do profissional é de fundamental importância para os alunos que possuem
necessidades especiais, pois é por meio desses profissionais, que trazem todas as
estratégias pedagógicas possíveis, que os portadores do TEA podem vir a aprender
29

dentro do seu tempo, obtendo resultados positivos e interagindo com os demais


colegas.

Tony Booth e Mel Ainscow fazem uma abordagem neste conceito de inclusão:

1. Presença: sem classes separadas ou outra segregação, se o aluno


participa de práticas conjuntas ou separadas de seus colegas, como a
frequência desse aluno na escola, o local que esse aluno está inserido,
correspondência entre o ano escolar e a idade cronológica. 2.
Participação: qualidade de experiências educacionais; tais como o
engajamento do aluno em atividades conjuntas. 3. Aceitação: pelos
professores, colegas e equipe da escola, ou seja, relação com
colegas, professores e demais funcionários da escola, melhores
amigos, quem o auxilia, quem ele busca. 4. Aprendizagem: ganhos
acadêmicos, emocionais e sociais, por exemplo, como é realizada a
avaliação desse aluno, principais recursos e dificuldades, etc.
(BOOTH; AINSCOW apud KUBASKI, 2013, p. )
Pode-se compreender que, para o aluno autista ser incluído em sala de aula,
deve haver um conjunto de conhecimentos dentro de vários aspectos da educação
onde cada um tem o seu momento de aprender, sendo uns mais rápidos e outros mais
lentos, porém, o professor deve escolher os melhores métodos de ensino para ambas
as dificuldades.

Quanto mais significativo para a criança forem os seus professores, maiores


serão as chances de ela promover novas aprendizagens, ou seja, independentemente
da programação estabelecida, ela só ganhará dimensão educativa quando ocorrer
uma interação entre o aluno autista e o professor (SCHWARTZMAN E ASSUNÇÃO
JUNIOR, 1995).

A escola tem que aceitar quaisquer tipos de aluno com necessidades especiais,
pois é direito desse ter acesso ao ensino-aprendizagem e, se for autista, procurar
sempre a melhor forma e uma delas é por meio da rotina dentro do âmbito escolar.

Há professores que não conhecem a legislação educacional, mas também há


aqueles que conhecem, porém, trabalham como se a Lei não existisse. Há os
educadores que desejariam muito conhecê-la e, mais que isso, gostariam muito de
aplicá-la, mas, infelizmente, devido às estruturas, em alguns casos, é muito difícil.
Existem diversos tipos de professores: os sonhadores, realistas, otimistas,
pessimistas, os que cansam, os que perdem as esperanças, mas sempre haverá
aquele que acredita no seu trabalho e que jamais desiste de ensinar.
30

Na Educação Inclusiva, o professor tem um papel muito importante na vida


desses alunos e é por todos os seus esforços e dedicação, que ele precisa ser
valorizado, formado e capacitado. É importante que o professor ou a professora,
observe seu aluno atentamente, conforme estas características:

• Retrair-se e isolar-se das outras pessoas;

• Não manter contato visual;

• Desligar-se do ambiente externo;

• Resistir ao contato físico;

• Não responder quando for chamado;

• Não aceitar mudanças de rotina;

• Agitação desordenada;

• Sensibilidade a barulhos;

• Estereotipias.

A formação do educador e seu conhecimento a respeito do assunto se tornam


essenciais para a identificação da síndrome e a sua capacitação pedagógica, pois
possibilitará uma educação adequada, mesmo que o profissional saiba que, apesar
dos níveis de comprometimento, é comum que o aluno com autismo apresente
algumas dificuldades no seu processo de aprendizagem como: o déficit de atenção, a
hiperatividade, as estereotipias.

Mas fica a pergunta: o que fazer nestas situações? O primeiro passo que deve
ser dado pelo professor é a busca de conhecer seu aluno, afetos e interesses, e, a
partir disso, possibilitar as atividades que chamarão sua atenção.

Com o princípio afetivo da atividade pedagógica, o professor, sem dúvida,


encontrará recursos que podem ajudar muito na superação do quadro da
hiperatividade e déficit de atenção, lembrando que não se trata de uma regra e, sim,
de um caminho para o ensino da aprendizagem.

E qual a função da estereotipia? Pode expressar alegrias, emoções,


ansiedades, frustrações e, inclusive, momentos de excitação. As observações das
estereotipias devem ser feitas com cuidado e elas são regressivas, tanto que há casos
em que já foram substituídas totalmente. Por exemplo, dentro de uma sala de aula,
31

com um número alto de alunos, um docente conduzir todo o processo pedagógico


sozinho não é algo fácil, por isso, é preciso a formação profissional e capacitação que
deem condições práticas às escolas, para a educação inclusiva. E o docente disporá
de algumas alternativas pedagógicas, que poderão ajudá-lo neste processo:

• Não se alterar e não valorizar as reações excessivas;

• Redirecionar a atenção e a ação do aluno;

• Falar baixo, manter o mesmo tom de voz e o contato visual;

• Corrigir ensinando, não reprimindo;

• Disciplinar a atividade e não imobilizar o aluno, pois ele precisa confiar no


seu professor.

O aluno com autismo precisa de um atendimento individualizado,


principalmente nas questões de comportamentos em geral e, não menos importante,
no aprendizado. Sabe-se que, a cada dificuldade, pode servir para que inspire a escola
a continuar sempre buscando as condições possíveis para este aluno, pois é por meio
dessas dificuldades, que pode haver uma habilidade para ser bem desenvolvida, uma
conquista a mais para o caminho da educação dessa criança.

O aluno da educação especial precisa dispor de uma série de condições


educativas dentro do ambiente escolar, expressamente preparado com metodologia,
literatura e materiais disponíveis durante o processo de aprendizagem. No caso do
aluno autista, não há metodologias ou técnicas que o tirem de determinadas
dificuldades, mas, sim, grandes possibilidades de aprendizagem. Nessa relação,
quem primeiro aprende é o professor e quem primeiro ensina é o autista. Ou seja,
nada mais é do que ter a troca de experiências entre professor x aluno, e ambos
aprenderem juntos.

No trabalho com autistas, há três etapas: a observação, a avaliação e a


mediação. E, no contexto autismo, o trabalho em sala de aula se inicia descobrindo
alguns pontos do aluno, como por exemplo: o que ele faz, deseja e como ele aprende.
Em alguns momentos, o professor deve observar seu aluno, procurando descobrir o
que de fato vai lhe atrair o interesse em aprender. Vejamos agora as três etapas:

 Observação
32

O exercício de um bom professor, deve sempre começar pela observação, mas,


para isso, é importante saber qual ponto será observado. A observação o faz conhecer
a criança, o adolescente e, com isso, é o professor quem identifica primeiramente o
transtorno, assim, é ele quem dá o sinal de alerta, conforme os comportamentos do
educando. Por isso, compreende-se a importância da formação do professor, a sua
preparação é fundamental, pois é ela que possibilita com seja feita toda a diferença
para o aluno, permitindo o quanto antes uma independência e qualidade de vida em
qualquer grau do autismo. E a escola, é o espaço ideal, pois é um ambiente que
favorece muito a observação. É observando que faz com que o professor seja um
pesquisador, porque a observação o levará a conhecer o seu aluno, suas qualidades
e suas limitações.

 Avaliação

É fazer uma verificação do desemprenho do aluno, para saber qual será o


próximo passo. É o início do planejamento. A avaliação leva o professor ao caminho
que ele deve construir em parceria com o aluno. De acordo com Vygotsky, é verificar
como o educando se comporta na zona de desenvolvimento e da aprendizagem. Para
o autor, a zona de desenvolvimento proximal significa:

Significa a distância entre o nível de desenvolvimento real, ou seja, a


capacidade de resolver problemas independentemente, e o nível de desenvolvimento
proximal, demarcado pela capacidade de solucionar problemas com ajuda de um
parceiro mais experiente (VYGOTSKY, 2008).

Ou seja, o desenvolvimento e a aprendizagem não são coisas diferentes


porque acontecem ao mesmo tempo. E a avaliação nada mais é do que um
mecanismo de melhorias, para as próximas etapas que surgirão ao longo do caminho.

O aluno não pode ser comparado com base em desenvolvimento de outro


colega, e sim no seu próprio desenvolvimento o que fazia, o que faz e o que ele poderá
fazer.

 Mediação

A mediação é um processo de intervenção do aluno com o conhecimento, é


uma intervenção pedagógica, que é a consequência da observação e da avaliação. A
33

ação do mediador, não é de facilitar, pois, ao mediar processo de aprendizagem, vem


a questão de trazer desafios, provocar e motivar quem aprende. O mediador cria
vínculos entre o educando e o ambiente escolar em geral.

Na educação especial, é comum a utilização do termo “facilitador” para indicar


a pessoa que acompanha o aluno na escola quando este apresenta dificuldades
durante o processo de ensino e aprendizagem. Porém, achamos que o termo
“mediador” torna-se mais indicado nos casos de profissionais da educação, pois se
trata de um papel característico da docência. (AUTOR DESCONHECIDO)

O mediador é aquele que utiliza todas as atividades possíveis para o


desempenho do aluno, que procura algo que possa atender ao seu perfil, qualidades,
carências e os desafios. Sempre em busca de novas avaliações para que todos os
objetivos do docente sejam merecidamente conquistados.

3.1 AUTISMO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS

Como podemos conhecer o nosso aluno? O que devemos observar? E como


avaliar e mediar o processo de ensino e aprendizagem? Abaixo seguem alguns
aspectos e sugestões:

• Motivação para o trabalho escolar: O que de fato motiva o aluno? Por que
está motivado ou não? Quais seus pontos de interesse em sala de aula?

Sugestões para o professor: Procurar saber o que atrai o aluno, do que ele
realmente gosta e, a partir daí, começar a organizar as estratégias de ensino,
deixando o trabalho pedagógico mais interessante e sempre dar o incentivo ao aluno,
ao final das atividades.

• Perseverança na finalização das atividades: O aluno termina o que começa?


Quando termina? Quando não termina? O que pode apreender com as respostas?

Sugestões para o professor: Primeiramente, é importante cuidar para que as


atividades não sejam longas, conforme o grau de dificuldade da criança, para que ela
não perca o foco de atenção. O docente deve, aos poucos, dentro das possibilidades,
estabelecer um tempo maior, para aumentar a capacidade de concentração.
34

Quando a criança gosta do que faz e tem uma motivação, determinada tarefa,
que antes poderia ser difícil, agora é fácil e, quando se consegue ganhar a atenção
deste aluno, ele cria oportunidades e ganhos no seu aprendizado. O ideal é o
professor, depois das atividades realizadas, sempre incentivar o seu aluno, lhe dando
um retorno positivo, pois isso é fundamental, é algo que desperta o interesse no aluno
de querer aprender cada vez mais.

• Autonomia: O educando tem autonomia na vida prática? No campo


pedagógico? Qual a sua área mais carente? Como sua autonomia pode ajudar o
trabalho pedagógico? Ainda precisa de um mediador?

Sugestões para o professor: ainda que o aluno, com certas limitações, precise
de um mediador é importante que a sua autonomia seja desenvolvida. Ela existe
quando o educando já sabe o que fazer em determinadas situações, reconhece o
ambiente escolar, os materiais pedagógicos, brinquedos e atividades que deve
realizar.

• Comunicação: Como é o seu repertório verbal? Como o aluno estabelece


comunicação? Dirige-se a um colega para iniciar um assunto? Utiliza-se de gestos em
lugar de palavras?

Sugestões para o professor: A comunicação precisa possuir afeto e devem ser


claras e objetivas para melhor entendimento do aluno. Havendo contato visual, deve
chamá-lo pelo nome, identificar-se, nomear objetos, ajudá-lo a compreender
sentimentos, desejos, vontades e necessidades e são essas ações que se obtém bons
resultados no desemprenho da criança.

• Desenvolvimento motor: Como são os movimentos, o equilíbrio e


lateralidade? Apresenta estereotipias? Quais e em que situações?

Sugestões para o professor: As dificuldades ficam evidentes quando se trata


de coordenação, conseguir avaliar distâncias e outras mais. Entretanto, os trabalhos
que envolvem música, ritmo, coordenação motora, certamente, trarão bons
resultados.

Com base nestas perguntas e sugestões, o professor pode estabelecer


atividades observando os seguintes critérios:

• Propor atividades de acordo com as necessidades do aluno;


35

• Usar linguagens objetivas;

• Utilizar o concreto e o lúdico;

• Utilizar abordagens sensoriais, como o estímulo visual, auditivo e


cinestésico;

• Utilizar jogos;

• Evitar atividades muito longas;

• Incentivar o aluno sempre;

• Privilegiar os vínculos afetivos.

A afetividade em sala de aula é fundamental principalmente quando se trata de


autismo. E ser afetivo é fazer o que se gosta dando o melhor de si a todo o momento,
saber lidar com as emoções, com os interesses e com os sonhos. E com o aluno
autista, é trazê-lo para o campo da educação, de modo que desperte seu interesse e
amor. A partir do momento que um aluno gosta de aprender, certamente, ele
aprenderá melhor, assim como um professor que gosta de ensinar, ensinará melhor
ainda.

Em momentos como esses, deve-se sempre buscar aprender cada vez mais
todas as formas possíveis de ensino, afinal, um aluno autista, mesmo possuindo
dificuldades e limitações, pode conseguir desenvolver um desempenho extraordinário,
que, muitas das vezes, chegam a surpreender os professores. E, quando isso
acontece, é o fruto de todos os ensinamentos que o professor conseguiu passar para
essa criança.

Ainda há uma busca muito grande onde todos ensinam e aprendem, uma
educação compartilhada, onde se possa dividir as experiências, que haja uma
educação com afeto, na esperança e no trabalho do educador com o educando.
Infelizmente, existem escolas que possuem, sim, alunos de inclusão, mas não lhes
dão a devida atenção que, de fato, merecem e, muitas vezes, não é nem por não
saber ensinar, é por parte de alguns professores não quererem ensinar ou por não ter
paciência. Mas acredita-se que casos assim, possam se reverter, deixando o ensino
para um aluno especial cada vez melhor. O afeto, a dedicação, a vontade de o
professor querer ensinar é um dos pontos fundamentais na educação inclusiva.
36

A inclusão não se dá apenas tendo em vista portadores de necessidades


especiais, mas sim a todos que fazem parte da educação. Educar e incluir são dois
verbos que andam juntos e, incluindo, não só os aspectos pedagógicos, mas também
todo o ser humano, porque quando se inclui, ao mesmo tempo, se educa e quando se
educa, se inclui.

O aluno com transtorno de espectro autista precisa ser amado, aceito e


acolhido. Ele precisa de um profissional que saiba ouvi-lo, que o compreenda nos seus
desejos e em suas curiosidades, que precisam ser estimulados.

A minha abertura ao querer bem significa a minha disposição à alegria


de viver. Justa alegria de viver, que, assumida plenamente, não
permite que me transforme em um ser ‘adocicado’ nem tampouco em
um ser arestoso e amargo (FREIRE, 2004, P. 141).
Lembrando que o ser afetivo, não significa que sejamos adocicados, mas
demostrar sempre o interesse, o amor em tudo que é feito, pois o professor torna-se
um profissional cada vez melhor e vai muito mais buscas de estudos e de capacitação.

Além do afeto, há também a forma de trabalho coletivo, do aprender em grupo


e se torna uma ferramenta de ensino para o professor, principalmente, para o aluno
com transtorno de espectro autista, pois a criança deve acreditar que tal objetivo o
qual quer atingir será conquistado e o que deve ser passado a ele (a) é muita
confiança.

O que pode ser um grande auxílio é o professor fazer trabalhos por meio de
pesquisas de temas diversos. Embora saibamos que tem autistas com determinadas
dificuldades, existem maneiras de fazê-los aprender também. Por exemplo, um aluno
com autismo, realizando uma pesquisa de Geografia, a Linguagem pode ser
exercitada por textos explicativos, o que desenvolverá a capacidade de leitura e da
fluência verbal, e, em outros casos, que são mais comprometidos, usufruir de
materiais mais simples como quebra-cabeças, jogos que tenham alguma sequência
lógica, que permitam a concentração, a organização do pensamento, trabalhem a
coordenação motora, o visório-motor, dentre tantas outras habilidades.

O professor deve mostrar para a turma, dentro de uma perspectiva inclusiva,


que todos são participantes de um grupo e que o aluno com autismo também faz parte
desse mesmo grupo, pois ele pertence ao ambiente escolar e, mesmo que hajam
situações parecidas e diferentes entre os alunos, ninguém jamais será insubstituível.
37

3.2. AUTISMO E PROCESSOS DE APRENDIZAGEM

Como docentes, o primeiro passo, quando se tem um aluno que possuí


transtorno de espetro autista, é perceber como o mesmo adquire conhecimento e o
modo como ele aprende.

A partir do momento que o professor observa e o conhece melhor, pode-se


elaborar um conjunto de atividades pedagógicas, que sejam de seu interesse e que,
de alguma forma, faça sentido para que ele aprenda. Propor tarefas junto a família,
tarefas que desenvolvam autonomia, interação, a comunicação, os movimentos e,
conforme forem gerando os resultados, estabelecer uma nova etapa.

Como o professor poderá conduzir o processo de aprendizagem? O docente


tem que ter uma fala de facilidade para o autista, ou seja, uma fala que seja clara e
objetiva para melhor entendimento do autista. Se o professor disser um “não”, esse
aluno consequentemente não saberá o que fazer. O ideal é dizer o que ele pode fazer
ou dar a alternativa de escolha, do que ele de fato quer fazer.

Um ser que possui autismo, nem sempre aceita as mudanças com naturalidade
e nem sempre vai saber lidar com a contrariedade. Se o autista recebe um “não” e
agir de uma forma agressiva, o correto é mostrar a ele, outras formas de ensino, pois,
em muitos casos, estratégias pedagógicas funcionam. A melhor forma de usar o “não”,
é mostrando para a criança qual é a direção certa. Afirma Cunha que “haverá
conquistas e erros, muitas vezes mais erros do que conquistas, mas o trabalho jamais
será em vão” (CUNHA, 2012, p. 30).

Mesmo que no caminho hajam determinadas dificuldades, não se deve desistir,


porque é errando que se aprende. Infelizmente, nem sempre um trabalho pedagógico
é realizado com sucesso, como alguns professores gostariam que fosse, mas um
trabalho que é feito com amor e dedicação, e que o aluno conseguiu realizar
determinada tarefa, deve orgulhar o docente, pois mesmo que seja pouco, é mais um
objetivo que foi alcançado.

Lidar com determinados atritos, no caso do autismo, não se torna uma tarefa
fácil, pois são muitos fatores que podem ter causado tal situação como: barulho,
38

mudança de rotina, excesso de estímulos, incertezas, ansiedades, conflitos e as


frustrações. E, se o pedido da criança for atendido no momento e na hora que deseja,
isso ela vai usar sempre, porque sabe que o professor fará o que pediu. A forma
correta de terminar com as situações, quando a criança está agitada é a conversa, a
explicação de que há momentos para tudo, e que se cumprir com as atividades, terá
uma recompensa e ensinar sempre a forma adequada de expor seus sentimentos e
desejos.

Abaixo, algumas recomendações que podem ajudar no processo de ensino


aprendizagem com autistas e demais alunos:

• A descoberta de que as pessoas ao redor são importantes;

• A valorização da amizade, afetividade e amor;

• Que o convívio com todos da escola ajuda-os na construção do


conhecimento;

• Que aprender as rotinas diárias poderá contribuir para a independência e


autonomia;

• Que compartilhar sentimentos e interesses é uma forma de comunicação e


que faz parte dos processos inclusivos.

Por essas questões é que os professores devem sempre estimular a


capacidade de concentração, pois o que mais impede o desenvolvimento da criança
que tem autismo, é o déficit de atenção, devido às grandes dificuldades de
conseguirem se comunicar. Em uma proposta inclusiva, as atividades podem ser
realizadas tanto na educação regular, quanto na especial, independente de
dificuldades na aprendizagem ou não. O material pedagógico em geral é uma opção
que funciona no processo de ensino aprendizagem pois estimula o aluno no
aprendizado e facilitam muito em trabalhar com a coordenação motora.

3.3 ATIVIDADES POSITIVAS PARA O TEA

 Jogos:

• Detetive;

• Batalha
39

• Jogos de estratégia ( xadrez, dama…);

• Quebra-cabeça;

• Memória.

 Atividades

• Trabalhar socialização e oralidade;

• Família;

• Nome do aluno;

• Cores;

• Figuras Geométricas;

• Rotina;

• Texturas;

• Identificação de imagens;

• Letra inicial do seu nome;

• Vogais;

• Números;

• Identificação das partes do corpo.

Todas essas ideias pedagógicas foram com o propósito de apontar alguns


caminhos para a aprendizagem do aluno com transtorno do espectro autista. Embora
sejam encontrados obstáculos nesse trabalho, acredita-se que como professores
profissionais da educação, há sim como fazer a diferença para com esses alunos, lhes
incentivando a todo o momento, mostrando a eles que, apesar de terem limitações,
serão tratados igualmente como todos os outros colegas e, que, sim, são capazes de
aprender, com todos os apoios necessários para que tenham ótimos rendimentos na
aprendizagem escolar. Afinal, educar o aprendente com autismo é constituir uma
relação dialógica; uma relação que pressupõe um jeito diferente de aprender e um
jeito diferente de ensinar.
40

4 PESQUISA

A metodologia aplicada nesse trabalho tem, como base, pesquisas


bibliográficas para melhor entendimento e desenvolvimento do presente trabalho.
Com base nessas pesquisas, o objetivo é refletir sobre as dificuldades que os
professores enfrentam, ao lidar com crianças autistas.

A fim de analisar quais as barreiras encontradas pelos profissionais da área, foi


preciso a saída de campo na EMEF Hugo Gerdau, onde aconteceu o Estágio com
alunos de Inclusão, por meio de um Processo Seletivo realizado pela Prefeitura
Municipal de Sapucaia do Sul, bem como foi o local do Estágio Curricular Obrigatório
na Educação Infantil.

A pesquisa foi de forma qualitativa, não com o objetivo de ter números, mas,
sim, apresentar uma boa qualidade de informações importantes sobre o assunto
escolhido.

Nesse estudo, para a coleta de dados, houve a necessidade de aplicar um


questionário em que as professoras do Atendimento Educacional Especializado e
professoras titulares, que responderam a respeito de suas experiências com estas
crianças autistas. Segundo Fachin (2006), “no questionário, a informação coletada
pelo estudioso limita-se tão somente às respostas escritas e preenchidas pelo próprio
pesquisado”.

O questionário consiste em um elenco de questões que são


submetidas a certo número de pessoas com o intuito de se coletar
informações. E, para que a coleta de informações seja significativa, é
importante verificar como, quando e onde obtê-las. Há várias formas
de se coletar informações por meio de um questionário. As mais
utilizadas são: pessoalmente, via postal, por malote, via portador e etc.
(FACHIN, 2006, p.158)
A fim de definir melhor essa proposta metodológica, o autor Gil diz:

Pesquisa é definida como o procedimento racional e sistemático que


tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são
propostos. A pesquisa desenvolve-se por um processo constituído de
várias fases, desde a formulação o problema, até a apresentação e
discussão dos resultados. (GIL, 2007, PG 17).
A escola, onde foi realizada a presente pesquisa, está localizada no Município
de Sapucaia do Sul/RS, na Rua Adelaide Correa, 50- Bairro Colonial. Nela, foi
41

abordada a pesquisa da saída de campo, com as professoras do AEE e professoras


titulares de 4° e 5° Anos.

O objetivo dessa pesquisa foi compreender as opiniões que as professoras


trouxeram em suas respostas sobre o que é trabalhar com autistas e se há o apoio
em geral necessário para o atendimento destes alunos.

Para Minayo (2001), a pesquisa qualitativa trabalha com o universo de


significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a
um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não
podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.

A presente pesquisa foi distribuída para 6 professoras por meio de questionário,


sendo 2 professoras que atendem na sala de recursos e 4 são titulares das turmas,
mas apenas 5 pesquisas foram retornadas.

A pesquisa foi realizada com professoras responsáveis por esses alunos,


realizada em um dia no período da tarde, totalizando 9 perguntas onde há perguntas
dissertativas e objetivas.

4.1 PESQUISA DE CAMPO EMEF HUGO GERDAU

As entrevistas foram realizadas no dia 11 de Junho de 2019, no turno da tarde,


com professoras do AEE e titulares das turmas. As entrevistadas são formadas em
Pedagogia e algumas delas têm Pós-Graduação.

Todas foram muito atenciosas e se dispuseram a responder o questionário.

1) O que é a Inclusão para você?

Professora A Penso que a Inclusão é dar o direito de igualdade para todos os


indivíduos. Embora a realidade da educação seja, por vezes, de acesso
pobre, onde o indivíduo não tem uma Inclusão de qualidade. Vejo o
poder público encher a boca para falar em Inclusão, enquanto estão
excluindo pela falta de apoio ao aluno e ao educador.
Professora B Inclusão é quando o aluno tem todo o amparado necessário para o seu
total desenvolvimento no ambiente escolar.

Professora C É um direito de toda a criança que possui um problema patológico ou


não.
42

Professora D É acolher todas as pessoas com afeto e carinho, proporcionando a


todos os mesmos direitos, respeitando as suas dificuldades e
oportunizando a todos que se sintam acolhidos.
Professora E É a integração de alunos com necessidades especiais na escola
regular compartilhando as mesmas experiências e aprendizagem.

As professoras apontam o quanto é importante o acolhimento com os alunos


de Inclusão e principalmente o direito que todos eles têm de aprender, de conviver
dentro de uma escola, assim como os demais colegas, independente de qual seja o
grau de sua dificuldade. Cabe aos profissionais fazerem tudo que está ao seu alcance
para que essas complicações possam ser mudadas, trazendo para o aluno mais
confiança de que tudo pode melhorar. Quanto mais inclusa essa criança estiver no
ambiente escolar, mais chance haverá de interagir com as pessoas, de aperfeiçoar
suas habilidades comunicativas. Sendo assim, conforme diz:

Cláudia Dutra (2003): Inclusão postula uma reestruturação do sistema


de ensino, com o objetivo de fazer com que a escola se torne aberta
às diferenças e competente para trabalhar com todos os educandos,
sem distinção de raça, classe, gênero ou características pessoais.
(p.46).

2) Quais os principais desafios para trabalhar com o autista?

Professora A Tenho pontos positivos para relatar. A palavra-chave não é o desafio


e sim, o conhecer, o amar e o respeitar cada limitação dos nossos
alunos. Somos todos diferentes, cada criança tem seu tempo!

Professora B Por muitas vezes, a falta de conhecimento específico sobre o assunto.


Afinal, um professor formado em Pedagogia, por exemplo, não está
plenamente apto a reconhecer, lidar e trabalhar com crianças de
Inclusão no modo geral. Uma cadeira na faculdade não é o suficiente.
Professora C Recursos disponíveis, família, estabelecer uma rotina específica para
cada criança.

Professora D As maiores dificuldades, são encontradas quando a família não busca


os atendimentos clínicos necessários para o aluno estar bem para
frequentar a escola. Também percebemos que a falta de limite acaba
interferindo no bem-estar do aluno.

Professora E Criar laços de confiança e afetivo, relação professor x aluno x pais e


profissionais da saúde e materiais pedagógicos para o seu
desenvolvimento.
43

Conforme as respostas das professoras, a questão do afeto ter sido muito


citado, percebe-se o quanto é algo que deve ser permanecido, pois a criança cria
confiança no seu professor e sabe que estará disponível para ajudá-lo a todo o
momento, e que lhe ensinará de todas as formais possíveis e impossíveis.

A falta de recursos que foi mencionada também muitas vezes prejudica o


aprendizado dos alunos. A partir do momento que a escola dispuser de materiais
adequados como: cartão de comunicação, rotina de atividades escolares, atividades
ao ar livre, tudo isso pode ajudar a facilitar esse processo que, apesar de ser longo,
faz o aluno possuir um ótimo desemprenho.

Há professores que realmente não são habilitados, não tem formação alguma
para trabalhar com a Inclusão, mas é algo que acaba se tornando um desafio muito
grande e o auxiliar faz tudo que lhe for cabível para ensinar o aluno. E há famílias que
infelizmente não se preocupam muito em procurar ajuda para o filho e acabam
cobrando muito dos professores, sendo que a grande parte dos pais, não apoia os
professores/escola, pois não possuem as condições necessárias. Assim, acaba a
escola suprindo todas essas condições. A família e escola devem caminhar lado a
lado para que haja uma boa comunicação e que todos juntos cheguem a um consenso
do que é melhor para o aluno.

Segundo Szymansky: Ambas as instituições têm em comum (...) o fato


de prepararem os membros jovens para sua inserção futura na
sociedade e para o desempenho de funções que possibilitem a
continuidade da vida social. Ambas desempenham um papel
importante na formação do indivíduo e do futuro cidadão.

3) Qual a melhor forma de ensinar um aluno com autismo, para que ele aprenda?
Professora A Afetividade é o caminho; não rotular; deixar o aluno mostrar o
caminho, assim, cada educador fará um planejamento flexível e de
sucesso.

Professora B Explorar suas habilidades e dificuldades no geral, oferecendo todos


os recursos cabíveis para que o mesmo possa prosperar.

Professora C Ter muita paciência, transmitir segurança, estabelecer uma rotina e


conscientizar os outros colegas para aceitá-lo com amor.

Professora D Buscando conhecer o aluno, respeitando suas dificuldades e


buscando aprimorar suas habilidades e potencialidades.

Professora E Ter uma rotina, recursos visuais, jogos e oficinas.


44

Na visão das docentes, as rotinas para alunos com autismo são importantes,
pois por meio dela tem toda uma questão de planejamentos do que será feito antes,
durante e depois. É importante que haja uma rotina que venha de casa, da escola e
em todas as suas atividades do dia a dia. E a afetividade e paciência devem
permanecer sempre, fazendo com que o aluno tenha confiança em seu professor.

Embora muitos alunos tenham dificuldades, também possuem muitas


habilidades, as quais o professor deve reconhecer, e ver isso de forma positiva na
aprendizagem do aluno e trazer a ele, como forma de motivação para que aprenda
cada vez mais. Silva (2012) diz que:

O apego à rotina é algo muito característico das crianças com autismo.


Os professores logo notam que uma pequena mudança ou inversão
de horários pode desestruturar a criança e até desencadear momentos
de agitação. Até mesmo apagar atividades já realizadas pode ser um
sofrimento para elas. Um ambiente estruturado e organizado traz mais
tranquilidade às crianças e mais confiança ao professor (p. 84).

4) O que fazer, quando o autista está muito agitado, para conseguir acalmá-lo?
Professora A Vejo o aluno de Inclusão, como vejo qualquer criança. Por
vezes estão bem, outras não. Sempre procuro ouvi-los, retirar
do ambiente e encontrar um lugar mais calmo, sem barulho.

Professora B Conter sua crise por meio de uma fala simples e direta.
Tentar desviar sua atenção para outro assunto e, em último
caso, pedir auxílio aos professores da sala de recursos.

Professora C Parar com a atividade que está sendo feita e dar uma volta
para ele se reorganizar.

Professora D Buscar entender o porquê da sua agitação, acalmá-lo com


algo que seja de seu interesse. É sempre importante ter um
bom vínculo para entender o que o aluno está sentindo.

Professora E Escolher um local onde ele se sinta mais tranquilo e longe do


barulho. Atividades extras, um cantinho com brinquedos pode
ajudar.

O que as professoras passam é que, a partir do momento em que algo que lhe
está causando alguma angústia, deixando-o agitado e fazendo com que o aluno tenha
comportamentos complicados, deve-se procurar todas as formas possíveis para que
ele se acalme e volte normalmente à rotina. Conforme diz CUNHA:
45

O aluno com autismo não é incapaz de aprender, mas possui forma


peculiar de responder aos estímulos, culminando por trazer-lhe um
comportamento diferenciado, que pode ser responsável tanto por
grandes angústias como por grandes descobertas, dependendo da
ajuda que ele receber.

 Marque com um X a alternativa


1) Como é a relação do autista x professor, professor x autista e do aluno
com os seus demais colegas de sala de aula?
Professora A ( X ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Difícil
Refere-se aos seus dois alunos de Inclusão

Professora B ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( X ) Difícil


Professora C ( X ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Difícil
No meu caso.

Professora D ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Difícil

Professora E ( ) Ótimo ( ) Bom ( X ) Regular ( ) Difícil

A maioria das professoras, respondeu que possuem uma boa relação com os
alunos, apesar de cada um ter o seu jeito diferente de aprender. Menezes (2012) diz
que:

O autista sente dificuldade em se relacionar ou se comunicar com


outras pessoas, uma vez que ele não usa a fala como um meio de
comunicação. Não se comunicando com outras pessoas acaba
passando a impressão de que a pessoa autista vive sempre em um
mundo próprio, criado por ele e que não interage fora dele.
Cabe ao professor fazer com que o aluno interaja com ele e com os demais
colegas de sala de aula, para que suas habilidades sejam desenvolvidas, e incentivá-
lo a participar das atividades propostas, para que haja o vínculo social do autista tanto
com o professor quanto com os outros alunos.

2) Como é a afetividade do aluno autista em geral?

Professora A ( X ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Difícil


46

Professora B ( ) Ótimo ( ) Bom ( X ) Regular ( ) Difícil

Professora C ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( X ) Difícil

Professora D ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Difícil

Professora E ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( X ) Difícil

Nessa questão, as professoras demonstram que a afetividade é de extrema


importância, principalmente quando se trata sobre a Inclusão. Segundo Almeida
(1999):

[...] cada estágio da afetividade, quer dizer as emoções, o sentimento


e a paixão, pressupõem o desenvolvimento de certas capacidades, em
que se revelam um estado de maturação. Portanto, quanto mais
habilidades se adquire nos campos da racionalidade, maior é o
desenvolvimento da afetividade.
Por mais difícil que seja o aluno ser afetivo, o professor deve ser sempre, pois
é um recurso pedagógico que funciona, e é uma forma de passar confiança e
conquistar o autista com o vínculo afetivo. Cada aluno, ao ver das professoras, tem
seu jeito único de ser e agir, mas, que nem por isto, significa que os autistas não sejam
afetivos, pelo contrário, eles são e muito. A afetividade deve vir por parte do professor
também, ou seja, é algo que deve ser recíproco, pois eles refletem o que as docentes
são.

3) No processo de ensino-aprendizagem para com o autista, qual é o nível de


aprendizado do aluno?
Professora A ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Difícil

Tenho um aluno que é excelente, acompanha a turma. Já


o outro está em nível de 1° ano.
Professora B ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( X ) Difícil

Professora C ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Difícil

Depende de cada um.


Professora D ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Difícil

Professora E ( ) Ótimo ( X ) Bom ( ) Regular ( ) Difícil


47

A professora A trouxe que ela tem um aluno que é excelente e que o outro é
em nível de 1° Ano. A professora C diz que depende de cada um. Já a professora D,
respondeu as três primeiras questões da seguinte forma: Atendo vários alunos com
autismo e cada um tem sua forma de aprender e de se relacionar. Cada aluno com
autismo tem seu jeitinho próprio de ser.

Segundo Cunha (2011, p. 53), “[...] transforme as necessidades do aprendente


em amor pelo movimento de aprender e de construir. Concede-lhe autonomia e
identidade”. Portanto, o início da construção da autonomia do autista ocorre quando
há afeto entre ele e o seu professor.

Foram respostas muito positivas quanto a aprendizagem do autista. Quando,


no ensino, é demonstrada muita dedicação por parte do docente, cada aluno que
possui determinadas dificuldades aprenderá, porém, cada um no seu tempo e limite.

4) Há pessoal de apoio para a turma com inclusão?

Professora A ( X ) Sim ( ) Não

Professora B ( X ) Sim ( ) Não


Professora C ( ) Sim ( ) Não

Professora D ( X ) Sim ( ) Não

Professora E ( X ) Sim ( ) Não

A maioria das professoras respondeu que sim, que há apoios para as Inclusões.
A professora A diz que, na sua turma, tem apoio e a professora D, já responde que
depende da escola, Inclusão e do Município.

Paraná (2003) diz que:

Professor de apoio permanente em sala de aula: professor habilitado


ou especializado em educação especial que presta atendimento
educacional ao aluno que necessite de apoios intensos e contínuos,
no contexto de ensino regular, auxiliando o professor regente e a
equipe técnico pedagógica da escola. Com este profissional
pressupõe-se um atendimento mais individualizado, subsidiado com
recursos técnicos, tecnológicos e/ou materiais, além de códigos e
linguagens mais adequadas às diferentes situações de aprendizagem.
48

Um professor de apoio presente em sala de aula, é de fundamental importância,


pois, pelo fato de o titular da turma ter uma boa quantidade de alunos, às vezes, não
é dada a devida atenção que o aluno de Inclusão realmente precisa. Infelizmente não
são todas as escolas que possuem, entretanto, um apoio faz toda a diferença.

5) A Secretaria Municipal de Educação oferece formação aos professores e


pessoal de apoio?
Professora A ( X ) Sim ( ) Não

Professora B ( X ) Sim ( ) Não

Professora C ( X ) Sim ( ) Não


Professora D ( X ) Sim ( ) Não
Professora E ( ) Sim ( ) Não

De acordo com as professoras, a Secretaria, sim, oferece formações para


professores e para o apoio, porém apenas a Professora E responde que para
professores, sim, mas, para o apoio, não. De acordo com (DELORS, 2003, p. 160):

A qualidade de ensino é determinada tanto ou mais pela formação contínua


dos professores, do que pela sua formação inicial… A formação contínua não
deve desenrolar-se, necessariamente, apenas no quadro do sistema
educativo: um período de trabalho ou de estudo no setor econômico pode
também ser proveitoso para aproximação do saber e do saber-fazer.
(DELORS, 2003, p. 160)
Penso que a formação para os professores, em geral, capacita a novos
aprendizados. Poderia ter muito mais formações, principalmente, na área da
Educação Inclusiva, que tragam métodos mais específicos de como trabalhar com
determinadas crianças que possuem dificuldades.
49

4.1.1 Análise geral das respostas obtidas

Ao analisar as questões respondidas, observa-se o quanto tudo deve


obrigatoriamente andar junto, ou seja, professores, pais, alunos, os atendimentos que
diagnosticam as crianças e as formações que, apesar de serem poucas, existem, pois
é dessas que se adquire novos aprendizados, formas de poder ensinar os autistas
para que eles aprendam.

A partir do momento que todos se ajudam, os trabalhos rendem mais, se tornam


muito mais produtivos e as chances de fazer com que o aluno adquira, cada vez mais,
conhecimentos serão muito maiores.

Pode-se sim ser um trabalho com muitos desafios na Inclusão, mas quando se
é capaz de fazer a diferença, nada é impossível.
50

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse assunto veio em razão de eu ter trabalhado com alunos de Inclusão, algo
que para mim foi totalmente novo, mas que não há dúvidas do quanto tive a
oportunidade de conviver com as diferenças e de poder ensinar a cada um. Trabalhar
com Inclusão não é uma tarefa fácil, pois não é todos os dias que os alunos estão em
condições adequadas para aprender, mas quando se demonstra dedicação, afeto,
paciência, acaba-se trazendo o aluno para o nosso lado e é aí que devemos fazer de
tudo para o ensino desse aluno.

O objetivo da realização do tema escolhido foi analisar, por meio de estudos e


pesquisas, quais as reais dificuldades que o professor encontra para trabalhar com a
criança autista e como ela pode ter uma evolução em seu desempenho escolar.

Fazer esse trabalho foi algo extremamente prazeroso, pois pude vivenciar uma
realidade de como é trabalhar com crianças portadoras de necessidades especiais,
que embora seja desafiador, não significa que seja impossível.

A partir da presente pesquisa, realizada com cinco professoras da Escola


EMEF Hugo Gerdau, percebe-se que, apesar de algumas dificuldades que se pode
encontrar neste caminho da Inclusão, há resultados positivos que demonstram o
quanto cada aluno, com seu jeito, aprendem e evoluem. Há alunos na escola que
tinham muitas dificuldades, mas com um professor de apoio e o titular, tiveram um
rendimento maravilhoso e isso é fruto do nosso trabalho, que é feito com amor e
carinho.

Finalizo esse trabalho deixando uma frase de Paulo Freire que diz: “A Inclusão
acontece quando... se aprende com as diferenças e não com as igualdades”.
51

REFERÊNCIAS

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da afetividade para o desenvolvimento. Publicado em 13 de março de 2017.
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A importância da afetividade para o processo ensino e aprendizagem dos alunos


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<http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_;p
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junho de 2019.

A importância da formação continuada de professores da Educação Básica: A


arte de ensinar e o fazer cotidiano. Disponível em: <http://www.maceio.al.gov.br/wp-
content/uploads/2017/09/pdf/2017/09/3-a-import%c3%82ncia-da-
forma%c3%87%c3%83o-continuada-de-professores-da-educa%c3%87%c3%83o-
b%c3%81sica-a-arte-de-ensinar-e-o-fazer-cotidiano-id.pdf>. Acesso em: 16 de junho
de 2019.

Autismo e o trabalho docente: Reflexões sobre os desafios encontrados para a


inclusão de uma autista na Educação Infantil. Disponível em:
<https://periodicos.ufersa.edu.br/index.php/includere/article/view/7403/pdf>. Acesso
em: 16 de junho de 2019.

Autismo, educação e afetividade- Um diálogo a partir das contribuições de


Vygotsky, Wallon e Bowlby. Disponível em:
<http://www.editorarealize.com.br/revistas/conedu/trabalhos/TRABALHO_EV056_M
D1_SA7_ID7956_17082016210102.pdf>. Acesso em: 15 de abril de 2019.

CUNHA, Eugênio. Autismo: ideias e práticas inclusivas. Disponível em:


<https://www.eugeniocunha.com.br/arquivos/documents/8460-autismo-site.pdf>.
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<https://jucienebertoldo.files.wordpress.com/2013/05/caderno-pedagc3b3gico-
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BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos.


LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da
Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Disponível em:
52

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm>. Acesso
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CUNHA, Eugênio. Autismo na Escola - Um jeito diferente de aprender, um jeito


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Publicado em 18/01/2019. Disponível em:
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Acesso em: 30 de abril de 2019.
54

ANEXOS

ANEXO 1 - QUESTIONÁRIO QUALITATIVO

PROFESSORAS AEE E TITULARES DAS TURMAS

1) O que é a Inclusão para você?

2) Quais os principais desafios para trabalhar com o autista?

3) Qual a melhor forma de ensinar um aluno com autismo para que ele aprenda?

4) O que fazer quando o autista está muito agitado, para conseguir acalmá-lo?

ANEXO 2 - QUESTIONÁRIO OBJETIVO

PROFESSORAS AEE E TITULARES DAS TURMAS

1) Como é a relação do autista x professor, professor x autista, e do aluno com os


seus demais colegas de sala de aula?

2) Como é a afetividade do aluno autista em geral?

3) No processo de ensino-aprendizagem para com o autista, qual é o nível de


aprendizado do aluno?

4) Há pessoal de apoio para a turma com inclusão?

5) A Secretaria Municipal de Educação oferece formação aos professores e pessoal


de apoio?

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