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CURSO DE PEDAGOGIA

ELEANDRA DE AGUIAR

A CONTRIBUIÇÃO DO ENSINO DE ARTE NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO


FUNDAMENTAL

SAPUCAIA DO SUL
2019
ELEANDRA DE AGUIAR

A CONTRIBUIÇÃO DO ENSINO DE ARTE NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO


FUNDAMENTAL

Trabalho de conclusão de Curso, apresentado


ao curso de Pedagogia das Faculdades
Equipe, como requisito parcial para obtenção
do grau de licenciatura em Pedagogia.

Orientadora: Profª. Esp. Ana Paula Lopes

SAPUCAIA DO SUL
2019
CURSO DE PEDAGOGIA

FOLHA DE APROVAÇÃO

Eleandra de Aguiar

A CONTRIBUIÇÃO DO ENSINO DE ARTE NOS ANOS INICIAIS DO


ENSINO FUNDAMENTAL

Trabalho de conclusão de Curso, apresentado


ao curso de Pedagogia das Faculdades
Equipe, como requisito parcial para obtenção
do grau de licenciatura em Pedagogia.

Orientadora: Prof.ª Esp Ana Paula Lopes

BANCA EXAMINADORA

_________________________________
Prof.ª. Esp. Fernanda Soares Gonçalves

_________________________________
Prof.ª M.ª Gabriela Fonseca Rutkosky

SAPUCAIA DO SUL
2019
ELEANDRA DE AGUIAR

Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia, com o título A CONTRIBUIÇÃO DO


ENSINO DE ARTE NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL, submetido
ao corpo docente do Instituto Superior de Educação Equipe, como requisito parcial
necessário para a obtenção do Grau de Educação Superior.

Aprovado por:

________________________________
Prof.ª Esp Ana Paula Lopes
(Orientadora)

________________________________
Prof.ª Ms Gabriela Fonseca Rutkosky
(Banca Examinadora)

_______________________________
Prof.ª. Esp. Fernanda Soares Gonçalves
(Banca Examinadora)

SAPUCAIA DO SUL
2019
Dedico este trabalho a você, familiar ou amigo,
que contribuiu para a minha caminhada, e a
todos aqueles que acreditam e lutam por uma
educação de qualidade.
AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiro, a Deus pela dádiva da vida ao me dar saúde e força para
superar as dificuldades e concretizar mais esse objetivo na minha formação
profissional.

À minha família por todo amor, compreensão, incentivo, e, principalmente, por


sempre acreditarem que sou capaz de alcançar meus objetivos.

Agradeço ao meu marido e aos meus filhos pelo carinho e paciência, sempre
me motivando a seguir em frente nas muitas das vezes em que os obstáculos surgiam
e pensei em desistir.

Agradeço a todos que, direta ou indiretamente, fizeram parte da minha


formação. A todos, meu muito obrigada!
Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos
nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos
alguma coisa. Por isso, aprendemos sempre.
Paulo Freire
RESUMO

O presente trabalho intitulado A Contribuição do Ensino de Arte nos Anos


Iniciais do Ensino Fundamental, com o objetivo de pesquisar, analisar e refletir, de
forma simples e objetiva, que o ensino de Arte contribui para o desenvolvimento
integral dos alunos, se trabalhado com esse objetivo, contendo informações básicas
sobre o ensino de Arte e a contribuição dessa disciplina no processo de ensino
aprendizagem. Para realização deste trabalho, foi utilizada pesquisa exploratória
envolvendo levantamento bibliográfico e estudo de campo. A pesquisa bibliográfica
de autores que contribuíram e contribuem para o conhecimento do mesmo e uma
pesquisa de campo, realizada com professores atuantes nessa modalidade do Ensino
Fundamental de duas escolas da rede pública, por meio de um questionário. Os
instrumentos e procedimentos para coleta de dados partiram das observações feitas
por mim durante a docência e questionário aplicado ao educador. Foi possível
observar que as atividades propostas durante as aulas partem de modelos
padronizados que inibem a criatividade dos alunos. As aulas de Arte, assim como os
professores, não precisam visar à formação de pintores, escultores ou artistas, mas,
por meio delas, ampliar o conhecimento e sensibilidade dos alunos tornando-os
criativos, sensíveis e dinâmicos perante a sociedade.

Palavras-chave: Contribuição. Ensino. Arte. Processo Criador. Unidades Temáticas


para o Ensino de Arte.
ABSTRACT

The present work entitled The Contribution of Art Teaching in the Years Initials
of Elementary School, with the objective of researching, analyzing and reflecting, in a
simple and objective way, that art teaching contributes to the full development of the
students, if worked with this objective. Containing basic information on art teaching and
the contribution of this discipline in the learning teaching process. To carry out this
exploratory research was used involving survey bibliographic and field study. The
bibliographic research of authors who contributed and contributed to its knowledge and
a research of field, carried out with teachers working in this modality of teaching two
public schools, through a questionnaire. The instruments and procedures for data
collection came from the observations made by me during the teaching and
questionnaire applied to the educator. Was it is possible to note that the activities
proposed during classes start from standardized models that inhibit the creativity of
students. Art classes, as well as teachers, do not need to aim at the formation of
painters, sculptors or artists, but through them broaden knowledge and sensitivity of
students by making them creative, sensitive and dynamic in the face of Society.

Keywords: Contribution. Teaching. Art. Creator Process. Units Themes for Art
Teaching.
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 10
1. BREVE HISTÓRICO DO ENSINO DE ARTE NO BRASIL ................................... 12
1.1. POR QUE ENSINAR ARTE? .............................................................................. 16
1.2. A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE ARTES NO ENSINO FUNDAMENTAL ........ 18
2. UNIDADES TEMÁTICAS PARA O ENSINO DE ARTE ....................................... 20
2.1. ARTES VISUAIS ................................................................................................ 20
2.2. DANÇA............ ................................................................................................... 20
2.3. MÚSICA............... .............................................................................................. 21
2.4. TEATRO......... .................................................................................................... 23
2.5. O FAZER ARTÍSTICO: PRODUÇÃO E CRIAÇÃO.............................................. 24
2.6. APRECIAR/FRUIR ............................................................................................. 25
2.7. CONTEXTUALIZAR/REFLETIR ......................................................................... 26
3. DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA ................................................................. 27
3.1. DELIMITAÇÃO DO TEMA .................................................................................. 27
3.2. QUESTÕES NORTEADORAS ........................................................................... 27
3.2.1. Problema da Pesquisa .................................................................................. 27
3.2.2. Hipóteses ou Questões Norteadoras........................................................... 27
3.2.3. Justificativa .................................................................................................... 28
3.2.4. Metodologia ................................................................................................... 29
3.2.4.1. Caracterização Geral da Pesquisa ............................................................... 29
3.2.4.2. Instrumento de Coletas de Dados ................................................................ 29
3.2.4.3. Sujeitos envolvidos ....................................................................................... 30
3.2.4.4. Resultados da pesquisa ............................................................................... 30
4. ANÁLISE DOS DADOS ........................................................................................ 32
4.1. COMO FORAM SUAS VIVÊNCIAS EM ARTES ................................................. 37
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 51
REFERÊNCIAS......................................................................................................... 53
APÊNDICE ................................................................................................................ 56
10

INTRODUÇÃO

Após a Educação Infantil, os anos iniciais do ensino fundamental são os


primeiros passos da criança no caminho da aprendizagem e da alfabetização, e, se
as disciplinas não forem trabalhadas de forma significativa, incluindo arte, pouco o
aluno se interessará pela escola, o que ocasionará a defasagem na educação nos
anos do Ensino Fundamental e, posteriormente, no Ensino Médio.
Em minha experiência de estudante no ensino fundamental, a disciplina de arte
era aplicada como um momento de lazer e entretenimento, e as aulas se resumiam a
desenhos e atividades padronizadas, e muitos desses desenhos, ainda nos dias de
hoje, são dados prontos para os alunos, exigindo deles apenas pintura de figuras.
Atualmente, como acadêmica e professora estagiária de pedagogia na rede pública
de São Leopoldo, observo que as práticas adotadas por alguns docentes apresentam
esse mesmo padrão, e, assim como naquela época, muitas vezes, eu ouço dizerem
que “Artes qualquer um dá”. Percebo a falta de valorização por parte de colegas e
também gestores.
Por meio desse trabalho, que tem como tema “a contribuição do ensino de Arte
Anos Iniciais do Ensino Fundamental”, objetivo analisar como a metodologia adotada
pelos professores pode influenciar no processo criativo do aluno. Pretende-se propor
uma reflexão sobre a promoção de uma recíproca integração das atividades artísticas
às demais atividades escolares. Ao fazer referência a tal integração, tem-se o intuito
de chamar a atenção para o entendimento de que a arte não deve auxiliar apenas as
outras áreas curriculares como Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, Ciências
ou História, por muito tempo assim entendida e desenvolvida nas escolas, mas como
uma área específica.
Há uma série de aspectos relevantes que nos leva a identificar a arte na
educação como uma questão a ser mais discutida no meio acadêmico.
A problemática desse estudo envolve as seguintes questões: por que, muitas
vezes, os professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental, quando atuam no
ensino de Artes, utilizam metodologias tradicionais e descontextualizadas que não
motivam o aluno e em seu processo criativo.
A partir desta problematização, busca-se a fundamentação teórica em autores
como Lowenfeld, Tourinho e Ana Mãe Barbosa, que defendem a ideia que essa
disciplina é tão importante quanto às demais disciplinas, e enfatizam a importância de
11

o professor criar situações estimulantes para um desenvolvimento criativo, de modo a


“propiciar a inventiva e a exploração” do universo imaginário infantil, considerando que
cada criança revela seus interesses, suas capacidades, seus recursos e seu
envolvimento na arte, independente da aparência estética.
Assim sendo, busca-se, com metodologia de pesquisa bibliográfica e de campo
fundamentação para os assuntos aqui abordados, fazer com que o leitor faça uma
reflexão para a importância do ensino de Artes no processo de ensino aprendizagem.
12

1. BREVE HISTÓRICO DO ENSINO DE ARTE NO BRASIL

A história da arte no Brasil foi marcada, inicialmente, pelas influências


europeias. Primeiramente com os jesuítas, por volta de 1549, foram instaladas oficinas
de artesãos com o principal objetivo de catequizar a população indígena, focado nas
técnicas e nos instrumentos artísticos. Em um segundo momento, as mudanças na
história do ensino das Artes localizaram temporalmente no século XIX, após a
chegada da corte portuguesa ao Brasil, em 1816, houve a missão artística francesa,
composta por um grupo de artistas para oferecer seus serviços à corte e lançar as
bases de uma instituição de ensino de artes visuais no Rio de Janeiro.
Nos séculos que se sucederam ao Renascimento, arte e ciência eram cada vez
mais consideradas como áreas de conhecimento totalmente diferentes, gerando uma
concepção astuciosa, segundo a qual a ciência seria produto do pensamento racional
e a arte pura sensibilidade. Na verdade, nunca foi possível existir ciência sem
imaginação, nem arte sem conhecimento. Tanto uma como a outra são ações
criadoras na construção do devir humano.
A partir das mudanças sócio históricas políticas que acompanham o período da
abolição da escravatura, em 1888, e da Proclamação da República, em 1889, as
concepções liberais e positivistas tomam espaço neste novo cenário político. A arte,
nesse momento, passou a ser um campo estratégico para as mudanças da sociedade
e a crescente industrialização da nação. Dessa forma o ensino da arte volta-se para
as aproximações entre a ciência, como o ensino do desenho geométrico. O ensino da
arte, nesse período, estava a serviço da preparação para o trabalho e para a vida,
principalmente em seus aspectos técnicos, buscando o desenvolvimento do raciocínio
e da racionalização da emoção.
Os professores, nesse período, ofereciam atividades a seus alunos com o
objetivo de desenvolver a visão, a mão, a inteligência e hábitos considerados bons:
precisão, organização e limpeza. Os conteúdos específicos de arte são apresentados
como realidade absoluta, aproximando-os da própria relação escolar permeada pelo
autoritarismo (OSINSKI, 1998). Esse cenário prossegue até aproximadamente 1914,
quando iniciam as tendências modernistas no ensino da arte. Entretanto, em vários
locais essa forma de ensino se mantém, retornando com mais força em outros
momentos históricos.
13

No final da década de 1960, durante o aprofundamento da Ditadura e do


modelo socioeconômico desenvolvimentista, foi articulada à Educação Brasileira a Lei
5692/71 imposta pelo sistema tecnocrata que determinou a obrigatoriedade da
Educação Artística pela primeira vez nas escolas, propondo trabalhos polivalentes
com Música, Teatro, dança e Artes Plásticas. Segundo os estudos da Psicologia
Genética, de Piaget, a Arte deveria unir-se às grandes áreas do conhecimento como:
Comunicação e Expressão, estudos Sociais e Ciências, assim era, então, justificada
a inserção da disciplina entre as demais do currículo (BRASIL, 1971). A inclusão da
Arte no currículo escolar foi instituída pela Lei de Diretrizes de Bases nº 5.692, de
1971, que tornou obrigatório o ensino da Educação Artística na Educação Básica, ou
seja, de acordo com a nomenclatura da própria lei, no primeiro e segundo grau de
ensino.
A Reforma Educacional de 1971 estabeleceu um novo conceito de ensino de
arte: a prática da polivalência. Segundo essa reforma, as artes plásticas, a música e
as artes cênicas (teatro e dança), deveriam ser ensinadas conjuntamente por um
mesmo professor da 1ª à 8ª séries do 1ª grau. Logo em 1973, foram criados os cursos
de licenciatura em educação artística com duração de dois anos (licenciatura curta)
para preparar esses professores polivalentes. Após esse curso, o professor poderia
continuar seus estudos em direção à licenciatura plena, com habilitação específica em
artes plásticas, desenho, artes cênicas ou música. Educação Artística foi a
nomenclatura que passou a designar o ensino polivalente de artes plásticas, música
e teatro.
Segundo Heloisa Ferraz, no ano de 1971, o Ministério de Educação, organizou
em convênio com a Escolinha de Arte do Brasil, um curso para preparar o pessoal das
Secretarias de Educação a fim de orientar a implantação da nova disciplina. Desse
curso fez parte um representante de cada secretaria estadual de educação, o qual
ficou encarregado de elaborar o guia curricular de educação artística do Estado
(FERRAZ, 1993).
Nos anos 70 e 80, esses professores viram-se obrigados a ensinar os alunos
em todas as linguagens artísticas, configurando o que foi chamado de formação do
professor polivalente em Artes. Ao abordar todas as linguagens os professores
deixaram suas áreas de formação específica, o que levou a uma simplificação e uma
superficialidade do ensino, já que o professor não tinha formação específica para as
14

demais linguagens. Essa diminuição qualitativa dos saberes teve consequências, a


simplificação e esvaziamento de sentido das aulas de Artes desse momento.
No ano de 1990, ficam ajustadas as políticas educacionais sendo estabelecida
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394), aprovada em 20 de
dezembro de 1996, estabelece em seu parágrafo 2º que “o ensino de arte constituirá
componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma
a promover o desenvolvimento cultural dos alunos”. Sob o domínio das políticas
neoliberais em 1997, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para a disciplina
de Artes foi implantada para os quatro primeiros anos do Ensino Fundamental, sendo
acrescido mais uma linguagem da arte, a Dança, Teatro e Artes visuais (BRASIL,
1997).
Essa lei, ao definir as diretrizes e base da educação nacional, estabeleceu
como objetivo geral tanto para o Ensino Fundamental (Primeiro Grau), com oito anos
de escolaridade obrigatória, quanto para o Ensino Médio (Segundo Grau), não
obrigatório, proporcionar aos educandos a formação necessária ao desenvolvimento
de suas potencialidades como elemento de autor realização, preparação para o
trabalho e para o exercício consciente da cidadania.
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte – PCN-Arte:
São características desse novo marco curricular as reivindicações de
identificar a área por arte (e não mais educação artística) e de incluí-la na
estrutura curricular como área com conteúdos próprios ligados à cultura
artística, e não apenas como atividade. (BRASIL, 1997, p. 25).
Essas mudanças na própria nomenclatura ao longo dos tempos – Desenho,
Artes, Aplicadas, Educação Artística, Expressão Plástica, Artes Plásticas, Arte-
Educação- demonstram “escolhas conceituais que definem trajetórias metodológicas”.
Atualmente, após muitas mudanças de acordo com a Base Nacional Comum
Curricular, o componente curricular Arte está dentro das linguagens e denominada
como Artes Visuais, Teatro, Música Dança. Afirma a Base Nacional Comum
Curricular:
No Ensino Fundamental, o componente curricular Arte está centrado nas
seguintes linguagens: as Artes visuais, a Dança, a Música e o Teatro. Essas
linguagens articulam saberes referentes a produtos e fenômenos artísticos e
envolvem as práticas de criar, ler, produzir, construir, exteriorizar e refletir
sobre formas artísticas. A sensibilidade, a intuição, o pensamento, as
emoções e as subjetividades se manifestam como formas de expressão no
processo de aprendizagem em Arte. (BNCC, 2016, p. 191).
Artes Visuais, como o próprio nome já indica, mostra a importância das imagens
e não mais as vincula a ideais de representação do belo ou somente a uma noção
15

limitada ao fazer, produzir arte. O fazer arte se ancora tanto no fazer como no refletir,
pensar criticamente, contextualizando historicamente esse campo do conhecimento e
sua produção.
Na proposta geral dos Parâmetros Curriculares Nacionais, Arte tem uma função
tão importante quanto a dos outros conhecimentos no processo de ensino e
aprendizagem. A área de Arte está relacionada com as demais áreas e tem suas
próprias especificidades (BRASIL 1997, p.19). Essa tal proposta é considerada uma
vitória diante das lutas em igualar no mesmo patamar as disciplinas, contudo, não
esquecendo de trazer à tona os questionamentos quanto ao tempo e espaço para
aplicação da disciplina.
A lei 11.769 /2008 altera a Lei n°9,394, de 20 de dezembro de 1996, Lei de
Diretrizes e Bases da Educação, para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino da
música na Educação Básica dentro da disciplina de artes. Atualmente muita coisa
mudou.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs (1997) surgem como tentativas
para estabelecer essa obrigatoriedade, levando a disciplina da Arte para um cenário
nacional. Os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs incentivaram a utilização da
Abordagem Triangular que a professora Ana Mae Barbosa, referência para o ensino
de Arte no Brasil, desenvolveu e em que trabalha três abordagens: a fazer artístico, a
apreciação artística e a contextualização histórica. Todas as três ações são
importantes dentro do processo de aprendizagem e cada uma tem seus próprios
objetivos.
Ana Mae Barbosa valoriza a melhor preparação do professor de Artes, mesmo
na Educação Básica, pois para que o professor se qualifique e consiga desenvolver
aulas que vão além do estimular a criatividade, que o ensino por meio da arte
ultrapasse o desenho geométrico, que seja muito mais abrangente e significativo para
o aluno.
A Lei Nº 13.278, de 2 de maio de 2016, altera o § 6º do art. 26 da Lei nº 9.394,
de 20 de dezembro de 1996, que fixa as diretrizes e bases da educação nacional
referente ao ensino da Arte.
A referida lei coloca como obrigatórias as atividades de Artes: Música, Dança,
Teatro e Artes Visuais. Nessa lei estabeleceu um prazo de cinco anos para que os
professores estejam preparados para dar as aulas na Educação Básica (Educação
Infantil, Ensino Fundamental de 9 anos e Ensino Médio).
16

A Base Nacional Comum Curricular - BNCC (BNCC, 2017), homologada dia 20


de dezembro de 2017 pelo então ministro da Educação Mendonça Filho, em seu
documento traz como componentes obrigatórios as linguagens de Artes Visuais,
Música, Dança e Teatro. Por meio dessas manifestações artísticas espera-se
desenvolver o ser humano consciente de si mesmo e da sua cultura.
A Base Nacional Comum Curricular - BNCC propõe que se trabalhe o ensino
de Artes em seis dimensões: Criação – o fazer artístico, aprender o que está em jogo
durante o processo; Crítica – impressões que o sujeito tem e o leva a novas
compreensões; Estesia – experiência sensível em um dos sujeitos em relação ao
espaço articulando a sensibilidade e percepção; Expressão – capacidade a de
exteriorizar e manifestar as criações, tanto no âmbito individual quanto coletivo,
emerge da experiência artística com os elementos constitutivos de cada linguagem,
dos seus vocabulários específicos e das suas materialidades; Fruição – promover
sensibilização durante a prática artística; e Reflexão – processo de construir
argumentos sobre as fruições. Essas linguagens da Arte proporcionam momentos de
aprendizagem em relação a outras culturas, às diferenças sociais e o desenvolvimento
de sua criticidade sendo o aluno protagonista e criador dessas linguagens artísticas
também.
Trabalha-se as linguagens em unidades temáticas, as artes integradas. A
proposta é desenvolver o indivíduo como ser crítico, ativo, capaz de analisar, dialogar,
concluir, discutir questões sociais, políticas e culturais.

1.1. POR QUE ENSINAR ARTE?

Reconhecer a importância da arte no processo educativo como elemento


formativo, ferramenta de diálogo com a realidade e transformação do cotidiano. O
mundo é repleto de imagens, utilizadas em diferentes contextos com os mais diversos
objetivos e sentidos. É possível passar por esses elementos estéticos sem se deter
em seus significados, no entanto, compreender sua essência é imprescindível para se
compreender o mundo em que vivemos.
A concepção de Arte se difere muito entre o adulto e a criança, e a educação
da Arte é parte essencial do processo educativo, pode significar muito a diferença
entre um indivíduo criador e reflexivo e um outro que não tenha capacidade para
aplicar ou desenvolver o que aprende. Nesse sentido Lowenfeld (1977) comenta:
17

Para o homem comum, a arte pode ser como tomar uma dose de remédio.
De qualquer modo, para a adulto, ela está usualmente associada à área da
estética, da beleza. Para a criança, a arte é algo muito diferente e constituí,
primordialmente, um meio de expressão. Não existem duas crianças iguais e,
de fato, cada criança difere até do seu eu anterior, à medida que
constantemente cresce, que percebe, que compreende e interpreta o seu
ambiente. A criança é um ser dinâmico; para ela a arte é uma comunicação
do pensamento. Vê o mundo de forma diferente daquela como o representa
e, enquanto desenvolve, sua expressão muda. (LOWENFELD, 1977, p. 18-
19).
O ensino da Arte permite, então, ir além do que está dado, aprender os
elementos visuais do mundo de forma mais crítica e contextualizada. É por meio da
Arte que a criança se reconhece, se expressa, sente e reconhece o mundo que a
cerca. A capacidade de ver, sentir, ouvir, cheirar e provar proporciona os meios pelos
quais se realiza uma interação do homem com o mundo. É na escola que a criança
se desenvolve e constrói seu conhecimento, e as atividades artísticas funcionam como
estímulos ao desenvolvimento cognitivo infantil, servindo como facilitadores na
aprendizagem formal. Portanto, o desenvolvimento integral da criança depende das
relações ricas e variadas entre ela e o seu meio. Tal relação é o ingrediente básico de
qualquer experiência de criação artística.
A criança, no início da vida, cria seus códigos e linguagens a partir das
referências contextualizadas, os quais são desenvolvidos conforme seu mundo vivido.
Segundo Viktor Lowenfeld, pesquisador inglês que estudou as fases da criança e sua
arte, existem momentos gráficos da criança que evoluem conforme seu pensamento
na seguinte ideia:
As manifestações artísticas, iniciadas nos primeiros anos de vida, podem
significar paras nossos filhos a diferença que existe entre indivíduos
adaptados e felizes e outros que, apesar de toda a capacidade, continuam,
às vezes, desequilibrados, e encontram dificuldades em suas relações com o
próprio ambiente. (LOWENFELD, 1977, p.19).
Lowenfeld analisa a importância dos momentos gráficos na vida da criança. O
estudo desenvolvido pelo autor mostra que a cada fase uma “nova criança” surge e
se desvela, enquanto o traçado manifesta, através de novas descobertas, desafios,
formas, manifestações, expressões, representações. Portanto, o traçado sempre vai
dizer algo dessa criança, ou seja, como pensa, age, interage, se emociona, como se
relaciona com as fases subjetivas dela, consigo mesma e com o outro. Assim,
independente da fase evolutiva, todo o traçado é reflexo da identidade da criança.
Com isso, cabe ao educador e à família saber conhecer e reconhecer essas fases e
saber valorizar o momento como cada criança sofrem transformações, e olhar atento
18

do professor e cuidador será o grande diferencial para a trajetória evolutiva desse ser
humano, que sempre se constrói e se reconstrói.

1.2. A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE ARTES NO ENSINO FUNDAMENTAL

A aprendizagem ocorre de maneira individual, processo em que o indivíduo lida


com a obtenção do conhecimento por meio de experiências passadas que poderão
afetar aprendizagens futuras, demonstrando que esse processo apresenta caráter
cognitivo-construtivista, uma vez que é responsável por modificar comportamentos
pessoais. Durante o processo de ensino-aprendizagem, o aluno se mantém em
contato com lições e tarefas que ao longo das etapas escolares contribuem com o
desenvolvimento cognitivo, sendo possível alcançar novos e diferentes níveis de
crescimento.
A Base Nacional Comum Curricular (2016) traz em seu texto:
No Ensino Fundamental, o componente curricular Arte está centrado nas
seguintes linguagens: as Artes visuais, a Dança, a Música e o Teatro. Essas
linguagens articulam saberes referentes a produtos e fenômenos artísticos e
envolvem as práticas de criar, ler, produzir, construir, exteriorizar e refletir
sobre formas artísticas. A sensibilidade, a intuição, o pensamento, as
emoções e as subjetividades se manifestam como formas de expressão no
processo de aprendizagem em Arte. O componente curricular contribui,
ainda, para a interação crítica dos alunos com a complexidade do mundo,
além de favorecer o respeito às diferenças e o diálogo intercultural, pluriétnico
e plurilíngue, importantes para o exercício da cidadania. A Arte propicia a
troca entre culturas e favorece o reconhecimento de semelhanças e
diferenças entre elas. (BNCC, 2016, p. 191).
De acordo com o que prevê a BNCC, o ensino da Arte apresenta papel
relevante no processo de ensino aprendizagem, promovendo de maneira significativa
o desenvolvimento humano. O aluno que se encontra em contato com esta disciplina
consegue dimensionar seus sonhos, melhorar seu potencial comunicativo, fortalecer
vínculos afetivos, valorizar as cores e as formas, e aumentar o interesse pelos
conteúdos artísticos e musicais, aspectos fundamentais para os indivíduos que
desejam buscar o sentido da vida.
Em 2008, a Lei n. º 11.769 tornou obrigatório o ensino de Música na Educação
Básica como componente curricular, entretanto, não exclusivo. A Lei de Diretrizes e
Bases (LDB), nos termos do artigo 26, garante o ensino das “artes visuais, a dança, a
música e o teatro” (BRASIL, 1996) como componente curricular obrigatório, creditando
a essas disciplinas a responsabilidade da promoção cultural dos alunos.
19

Para Barbosa (1999), o ensino da música, artes visuais, dança e teatro na


educação básica é absolutamente importante, pois promove o contato com a arte por
crianças e adolescentes. Primeiro, porque no processo de conhecimento da Arte são
envolvidos, além da inteligência e do raciocínio, o afetivo e o emocional, que estão
sempre fora do currículo escolar. Segundo a estudiosa, não se conversava sobre
sentimentos na escola. A esse respeito Lowenfeld destaca:
A arte pode ser o único campo, dentro da estrutura do nosso sistema escolar,
em que, ao desenvolvimento de sentimentos e emoções, se dá o
reconhecimento apropriado. (LOWENFELD, 1977, p. 269).
Além disso, grande parte da produção artística é feita no coletivo. Isso
desenvolve o trabalho em grupo e a criatividade. Por isso, é tão relevante a
contribuição de cada uma das Artes que fazem parte do currículo escolar, visto que
está presente nas três diferentes linguagens: a verbal, a científica e a presentacional.
Linguagem presentacional é aquela que você não consegue traduzir em outras
linguagens. Ela está presente na Arte, que articula a vida emocional do ser humano.
Um indivíduo com essas três linguagens bem desenvolvidas está pronto a conhecer
plenamente as outras áreas do conhecimento, a aproveitar mais o mundo que cerca.
A arte também é uma linguagem composta com seus símbolos e códigos, e
necessita ser conhecida e interpretada. Martins (1998) comenta em relação a
linguagem de Arte:
Para nos apropriarmos de uma linguagem, entendermos, interpretarmos e
darmos sentido a ela, é preciso que aprendemos a operar com seus códigos.
Do mesmo modo que existe na escola um espaço destinado a alfabetização
na linguagem das palavras e textos orais e escritos, é preciso haver cuidado
com a alfabetização nas linguagens da arte. (MARTINS, 1998, p. 14).
Sempre que se realiza uma atividade, é importante que os alunos
compreendam o sentido deste fazer artístico, pois as suas experiências no desenho,
na pintura, no teatro, na dança ou na música são trajetos de aprendizagem que
propiciam conhecimentos específicos sobre suas relações com a própria Arte, consigo
mesmo e com o mundo. Por isso, o papel da escola, mais precisamente no Ensino
Fundamental, é tão importante para o desenvolvimento do aluno.
20

2. UNIDADES TEMÁTICAS PARA O ENSINO DE ARTE

2.1. ARTES VISUAIS

Artes Visuais é a designação dada ao conjunto de artes que representam o


mundo real ou imaginário e que tem a visão como principal forma de avaliação e
apreensão, está relacionada à beleza estética e à criatividade do ser humano, capaz
de criar manifestações ou obras agradáveis aos olhos.
O conceito de Arte Visual é muito amplo, envolvendo áreas como o teatro,
dança, pinturas, colagens, gravuras, cinema, fotografia, escultura, arquitetura, moda,
paisagismo, decoração, etc. Segundo a Base Nacional Comum Curricular:
As Artes visuais são os processos e produtos artísticos e culturais, nos
diversos tempos históricos e contextos sociais, que têm a expressão visual
como elemento de comunicação. Essas manifestações resultam de
explorações plurais e transformações de materiais, de recursos tecnológicos
e de apropriações da cultura cotidiana. As Artes visuais possibilitam aos
alunos explorar múltiplas culturas visuais, dialogar com as diferenças e
conhecer outros espaços e possibilidades inventivas e expressivas, de modo
a ampliar os limites escolares e criar novas formas de interação artística e de
produção cultural, sejam elas concretas, sejam elas simbólicas. (BNCC, 2016
p. 193).
Nesse sentido as Artes Visuais são ferramentas importantíssimas da
Educação, representando um estímulo essencial em várias etapas do
desenvolvimento da criança. Elas podem ser criadas por meio de várias ferramentas
ou instrumentos, como o papel, madeira, gesso, argila, programas informáticos,
máquinas de captação e reprodução de imagens como filmadoras ou máquinas
fotográficas. Por meio das Artes Visuais, as crianças trabalham a sua criatividade e
imaginação, e conseguem adquirir novas habilidades e novas formas de olhar o
mundo. Muitos especialistas afirmam que o principal objetivo não é que as crianças
valorizem a vertente estética, mas que compreendam que materiais diferentes podem
ser transformados e utilizados várias vezes na criação de novos elementos.
De acordo com Barbosa, as Artes Visuais desenvolvem a capacidade de
percepção visual, importante desde a alfabetização até a solução de grandes conflitos
da adolescência (BARBOSA, 2002).

2.2. DANÇA
21

A dança, enquanto um processo educacional, não se resume simplesmente em


aquisição de habilidades, mas, sim, poderá contribuir para o aprimoramento das
habilidades básicas, dos padrões fundamentais do movimento, no desenvolvimento
das potencialidades humanas e sua relação com o mundo.
No que se refere à Dança no ensino de Artes, a BNCC (2016) esclarece:
A Dança se constitui como prática artística pelo pensamento e sentimento do
corpo, mediante a articulação dos processos cognitivos e das experiências
sensíveis implicados no movimento dançado. Os processos de investigação
e produção artística da dança centram- -se naquilo que ocorre no e pelo
corpo, discutindo e significando relações entre corporeidade e produção
estética. (BNCC, 2016, p.194.).
A dança, sendo uma experiência corporal, possibilitará aos alunos novas
formas de expressão e comunicação, levando-os à descoberta da sua linguagem
corporal, que contribuirá para o processo ensino-aprendizagem. O uso da dança como
prática pedagógica favorece a criatividade, além de favorecer no processo de
construção de conhecimento.
A Dança e o Meio Ambiente devem intervir e transformar as relações humanas
e/com o meio ambiente. No âmbito do ensino de dança, essa cooperação pode se dar
simultaneamente em diversos níveis como um processo corporal interno: ouvir, sentir,
perceber e experimentar conscientemente as relações entre a respiração,
musculatura, cadeias ósseas e as qualidades de movimento, a ocupação do espaço
e a escolha das ações. Barbosa (1999) diz que “a dança amplia a percepção do corpo,
desenvolve assim como a música, o ritmo e o movimento, exercita o equilíbrio, não só
físico, mas mental”. Por meio da dança, o aluno experimenta outro meio de expressão
diferente da palavra. Ao falar com o corpo, ele abre a possibilidade de conhecer a si
mesmo de outra maneira e melhorar sua autoestima. O simples prazer de movimentar
o corpo alivia o estresse diário e as tensões escolares.
O objetivo é valorizar diversas escolhas de interpretação e de criação, na
escola e na sociedade, situar e compreender as relações entre corpo dança e
sociedade. E, para atendermos aos objetivos propostos, devemos trabalhar com
temas que busquem desenvolver e contribuir para a consciência corporal; a expansão
do vocabulário de movimento; a socialização e cooperação em grupos; a valorização
da cultura.

2.3. MÚSICA
22

Os benefícios das aulas de música são vistos desde os primeiros anos


escolares. A música é reconhecida, por muitos pesquisadores, como uma espécie de
modalidade que desenvolve a mente humana, promove o equilíbrio, proporcionando
um estado agradável de bem-estar, facilitando a concentração e o desenvolvimento
do raciocínio, além de desenvolver as questões reflexivas voltadas para pensamento
filosófico.
Esclarece a BNCC (2016), no que se refere ao ensino de música:
A Música é a expressão artística que se materializa por meio dos sons, que
ganham forma, sentido e significado no âmbito tanto da sensibilidade
subjetiva quanto das interações sociais, como resultado de saberes e valores
diversos estabelecidos no domínio de cada cultura. A ampliação e a produção
dos conhecimentos musicais passam pela percepção, experimentação,
reprodução, manipulação e criação de materiais sonoros diversos, dos mais
próximos aos mais distantes da cultura musical dos alunos. Esse processo
lhes possibilita vivenciar a música inter-relacionada à diversidade e
desenvolver saberes musicais fundamentais para sua inserção e participação
crítica e ativa na sociedade (BNCC, 2016, p.194).
Nesse sentido, por meio do ensino de Arte e utilizando a música, as crianças
apresentam melhor desempenho na escola e na vida como um todo.
A música também contribui para que a criança desenvolva suas próprias
preferências em relação a uma variedade de temas. O exercício de escolher um
instrumento e estilos musicais preferidos também pode ser aplicado no
desenvolvimento da individualidade do aluno, no estímulo de sua autonomia e na
caracterização de escolhas acadêmicas e profissionais ao longo do processo
pedagógico. Ou seja, a introdução de crianças no mundo musical, seja como agentes
produtores de música, seja como ouvintes, é outra forma de avançar sua
individualidade e gostos pessoais. Incentivar esse tipo de experiência, que poderá
proporcionar não apenas bandas e estilos musicais favoritos, como também maior
assertividade acerca de suas vontades e autoconhecimento.
A música tem como benefício a exploração de um lado mais criativo dos alunos.
Independentemente das áreas acadêmica e profissional pelas quais esses estudantes
venham a se interessar, é sempre importante que a inovação e a imaginação façam
parte do raciocínio e da prática cotidiana desses indivíduos em formação. Afinal,
vivemos em uma sociedade na qual há maior valorização de mentes inovadoras, que
pensam de forma diferenciada e por meio de novas perspectivas. A música é uma
forma de explorar essas habilidades, já que expõe o aluno ao diferente, o convida a
criar e a testar novas ideias (e instrumentos), além de proporcionar aprendizados
distintos das disciplinas curriculares tradicionais.
23

2.4. TEATRO

O teatro é uma ferramenta muito importante no ensino de Arte, pois ele é uma
forma de fazer com que a criança se socialize, torne-se desinibida, decore falas, cante,
etc., entre outras coisas que possam trazer benefícios para a alfabetização da criança,
pois sabe-se que os jogos teatrais com objetivos didáticos são um grande aliado para
o desenvolvimento, afetivo, cognitivo e psicossocial da criança.
Segundo Barbosa (1999), “o teatro desenvolve a comunicação, coloca em
pauta o verbal, o sonoro, o visual e o gestual, coloca em pauta o verbal, o gestual,
talvez seja a mais completa das artes incluídas na escola”.
De acordo com Ferraz e Fusari (2009), “o teatro permite compartilhar
descobertas, ideias e sentimentos, ao mesmo tempo em que promove o exercício do
autoconhecimento, do diálogo, do respeito ao outro” (FERRAZ; FUSARI, 2009, p.
188).
Dentro da escola, o teatro pode ser usado para desenvolver as potencialidades
das crianças e as preparar para a vida participando de práticas educativas da qual ele
faz parte.
Pode-se dizer que a criança não se desenvolve plenamente sem fazer a arte
do teatro. De uma ou de outra forma, a criança representa com o teatro muitas de
suas aventuras e, assim, desenvolve seus conhecimentos e suas habilidades. Por
isso, “a arte tem sido proposta como instrumento fundamental de educação, ocupando
historicamente papéis diversos, desde Platão”.
A arte está presente em toda atividade desde uma visita ao museu, escutar
concertos musicais e nas atividades artísticas como dança, teatro e pinturas. Tudo
isso formará o que podemos chamar de experiências artísticas.
O teatro, nesse contexto, tem a função de integrar, socializar ideias e, acima
de tudo, desenvolver sua aprendizagem de uma maneira lúdica. Desenvolve também
a parte indutiva e racional por meio da expressão de suas emoções, leva também ao
conhecimento de si mesmo e do mundo que o cerca. Em seu texto a respeito o Teatro
a BNCC comenta:
O Teatro instaura a experiência artística multissensorial de encontro com o
outro em performance. Nessa experiência, o corpo é lócus de criação ficcional
de tempos, espaços e sujeitos distintos de si próprios, por meio do verbal,
não verbal e da ação física. Os processos de criação teatral passam por
situações de criação coletiva e colaborativa, por intermédio de jogos,
24

improvisações, atuações e encenações, caracterizados pela interação entre


atuantes e espectadores. O fazer teatral possibilita a intensa troca de
experiências entre os alunos e aprimora a percepção estética, a imaginação,
a consciência corporal, a intuição, a memória, a reflexão e a emoção. (BNCC,
2016, p.194).
Então, o teatro na educação tem como objetivo criar uma comunicação entre
os envolvidos a qual assumirá vários aspectos dependendo do formato que se
apresenta o conteúdo e o texto, mas sempre com o intuito de transmitir alguma coisa
por meio das expressões corporais e da voz para que está assistindo.

2.5. O FAZER ARTÍSTICO: PRODUÇÃO E CRIAÇÃO

A Arte é o meio no qual conseguimos expressar, com intensidade, a realidade


ou a forma como a enxergamos, de maneira criativa e subjetiva, sendo um processo
íntimo de expressão das nossas ideias. O fazer artístico é isso, um processo no qual
pensamos e elaboramos o nosso modo de fazer e ver a arte. Não há uma maneira
certa de se fazer isso e, muito menos, uma maneira errada. Pode-se dizer que, o fazer
artístico, vai do momento em que uma ideia surge, se desenvolve e se modifica, até
além da sua conclusão, estabelecendo um significado próprio, que, por sua vez, será
interpretado por cada indivíduo. Barbosa (2014) destaca:
A produção de arte faz a criança pensar inteligentemente acerca da criança
de imagens visuais, mas somente de a produção não é suficiente para a
leitura e julgamento de qualidade das imagens produzidas por artistas ou do
mundo cotidiano que nos cerca. (BARBOSA, 2014, p.35).
A criação é colocar para fora nossas ideias, manifestando tudo aquilo que foi
cogitado. Nesse momento, é importante que tenhamos em mente liberdade de
expressão, sem retaliação ou censura, pois a Arte não se faz com regras e sim com
criatividade, autonomia, ousadia, confiança e imaginação.
Em função disso, durante nossa infância, devemos ser incentivados à
idealização. Há uma reflexão de Luigi Pareyson, filósofo italiano do século XX, que se
encaixa perfeitamente nessa ideia de criação, que diz que "a arte é um tal fazer, que
enquanto você faz inventa o por fazer e o modo de fazer", ou seja, a Arte também é
descobrir e reinventar. Muitas vezes, nossa primeira ideia, nossa primeira inspiração,
não será aquela com a qual terminaremos o nosso processo artístico. O autor ainda
comenta:
Pode-se mesmo dizer que o processo artístico é aquele em que o intuito de
quem o faz é o de pôr-se no ponto de vista da obra que ele vai fazendo, e só
se ele consegue colocar-se nesse ponto de vista é que a obra vai bem e
termina com sucesso. (PAREYSON, 1993, p. 79).
25

A produção da Arte começa com uma simples ideia, um sentimento, inspiração.


Por mais que não se faça necessário um planejamento, que não haja uma linha certa
para se seguir, nós pensamos, mesmo que apenas no nosso inconsciente, o que
fazer, como fazer, o material que será utilizado, além da análise que realizamos a
cada instante em que estamos desenvolvendo nossa arte, que pode nos levar a
reinventá-la.

2.6. APRECIAR/FRUIR

Apreciar é avaliar, julgar, fazer uma estimativa sobre o conteúdo expressado


na Arte, em que momento ela teria sido feita, qual material utilizado, qual seria seu
objetivo, seu contexto social, político. Há muito mais do que apenas ver ou escutar, é
preciso compreender, incorporar, atribuir significado, pois a Arte possui muito mais do
que apenas o conteúdo estético. Cada traço é importante, e, por isso, se faz
necessário apreciá-la, buscar nela seu contexto de origem, sua produção, seu
significado, sua intenção. Para Lowenfeld (1977), apreciar:
Está estritamente relacionado com nossa análise o papel que a apreciação
da arte desempenha no desenvolvimento da consciência estética. De algum
modo, a questão de gosto entra no quadro, e talvez esse gosto seja algo que
possa ser ensinado. Pelo menos, o desenvolvimento da capacidade para
fazer relações, baseando em alguns critérios estabelecidos pelas autoridades
em arte. (LOWENFELD, 1977, p. 371).
Neste sentido a apreciação permite que professores e alunos desenvolvam
competências para ler não a obra de arte, o espetáculo, a apresentação de dança, ou
teatro, mas também a sua realidade.
Ao apreciar as artes do seu tempo e sua cultura, o espectador participa da
forma de sentir comum a seus contemporâneos; ao conhecer a produção artística de
outros tempos e culturas, tem à visão de mundo de outras épocas e outros povos.
Assim cada indivíduo associa as produções artísticas às suas vivências anteriores,
suas lembranças, memórias e aspectos próprios da sua cultura. Deste modo, ele
constrói para si um acervo de conhecimentos que o torna participante e pertencente
a um grupo, tendo nas artes uma de suas experiências mais importantes.
No que se refere a fruição a Base Nacional Comum Curricular afirma:
Fruição: refere-se ao deleite, ao prazer, ao estranhamento e à abertura para
se sensibilizar durante a participação em práticas artísticas e culturais. Essa
dimensão implica disponibilidade dos sujeitos para a relação continuada com
produções artísticas e culturais oriundas das mais diversas épocas, lugares
e grupos sociais. (BNCC, 2016, p. 193).
26

Desta forma, fruir diz respeito ao aluno conhecer, sentir e se aproximar das
obras de arte, apreciando-as e entendendo-as para formar então seu conhecimento a
respeito delas.
2.7. CONTEXTUALIZAR/REFLETIR

Quando apreciamos a Arte, realizamos uma reflexão sobre ela, fazendo uma
interpretação. É possível aprender muito sobre a cultura, tendências, panorama social
e político no meio e época em que ela foi produzida. Essa relação entre expressão e
o contexto é importante, pois completa o significado da obra. Contextualizar a Arte é
adicionar vida a obra. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais para a Ensino
de Arte:
Contextualizar/Refletir: a arte é produto da variedade de culturas que fazem
parte da história. Além do produzir e do apreciar arte, ao contextualizar a obra
de arte é possível aprender os diferentes contextos em que a arte foi
produzida. Culturas, estilos e tendências, além de características fazem parte
da contextualização. Todo o panorama social, político, histórico cultural em
que foi produzida e como a obra se insere no momento de sua produção são
relações significativas que estão contidas na contextualização. (PCN, 1997,
Arte, p. 51).
Nesse sentido, contextualizar/refletir é situar o conhecimento do próprio
trabalho artístico, do outro e da arte no contexto social, histórico e cultural. É a atitude
de perceber, analisar e interpretar as manifestações artísticas e culturais, seja como
criador, seja como leitor.
27

3. DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

3.1. DELIMITAÇÃO DO TEMA

O estudo de campo que será realizado, compreenderá duas escolas públicas


da rede municipal, uma na região periférica, no município de Sapucaia do Sul, e outra
na área central, no município de São Leopoldo, buscando um comparativo, entre as
escolas selecionadas, acerca dos motivos pelos quais os professores que atuam nos
anos inicias vem praticando o ensino de Arte por meio de abordagem equivocada e
limitada a atividades descontextualizadas, que não envolvem o aprendizado de sua
origem e o desenvolvimento criativo do aluno, bem como seus objetivos para a
formação do cidadão.

3.2. QUESTÕES NORTEADORAS

3.2.1. Problema da Pesquisa

Por que, muitas vezes, os professores dos anos iniciais do Ensino


Fundamental, quando atuam no ensino da Arte, utilizam metodologias tradicionais e
descontextualizadas que não motivam o aluno e em seu processo criativo?

3.2.2. Hipóteses ou Questões Norteadoras

• Os professores que não possuem habilitação em Arte e atuam nessa disciplina,


não compreendem o que realmente deveria ser trabalhado com os educandos,
e assim, equivocam-se ao ensinar;
• Professores com carga horária excessiva, o que inviabiliza a preparação
adequada das aulas, e faz com que apliquem atividades semiprontas e
descontextualizadas;
• Falta de interesse do professor em planejar e desenvolver aulas que requeiram
mais dedicação e criatividade, aplicando apenas teorias;
• Desvalorização do ensino de Arte em relação às outras disciplinas, que são
mais enfatizadas pelos próprios professores.
28

3.2.3. Justificativa

Atualmente, muitos profissionais da Pedagogia têm debatido a respeito da


importância da prática das atividades artísticas em sala de aula a fim de incentivar não
somente o desenvolvimento criativo dos alunos, mas também valorizar a diversidade
cultural dos ambientes em que os educandos se encontram inseridos.
Infelizmente, a realidade demonstra casos em que o ensino da Arte na escola,
principalmente no Ensino Fundamental, é praticado por meio de uma abordagem
equivocada e limitada a atividades descontextualizadas, que não envolvem o
aprendizado de sua origem e de seus objetivos para a formação do cidadão.
Este trabalho evidência a importância de uma educação de qualidade em que
o professor deve criar um ambiente de construção e de descoberta, encorajando as
crianças a desenvolver a sua criatividade. Assim, o professor conduz o ensino
proporcionando mais prazer na construção do conhecimento artístico, despertando na
criança o prazer de criar.
A partir disso, meu trabalho quer contribuir para uma reflexão sobre essa
realidade a partir de uma pesquisa de campo com professores dos anos iniciais do
Ensino Fundamental. A importância dessa análise é justamente saber como os
professores analisam suas práticas e o que precisa ser repensado.
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), a Arte voltada
para o Ensino Fundamental contribui para o ensinamento de outras áreas específicas.
O referido documento relata que:
A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico e
da percepção estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar
sentido à experiência humana: o aluno desenvolve sua sensibilidade,
percepção e imaginação, tanto ao realizar formas artísticas quanto na ação
de apreciar e conhecer as formas produzidas por eles e pelos colegas, pela
natureza e nas diferentes culturas. (BRASIL, 1997, p. 15).
Dessa maneira, o ensino de Arte amplia o repertório cultural do aluno a partir
dos conhecimentos estéticos, artísticos e contextualizados aproximando-o do
universo cultural da humanidade nas suas diversas representações.
Acredita-se que esse trabalho possa servir de subsídio para que se possa
ressignificar algumas práticas de ensino da Arte nas séries iniciais do Ensino
Fundamental.
29

3.2.4. Metodologia

3.2.4.1. Caracterização Geral da Pesquisa

A metodologia desse estudo terá uma abordagem qualitativa e será realizada


por meio de uma pesquisa exploratória de caráter bibliográfico voltada para a coleta
de referenciais consistentes no ensino da Arte, e pesquisas de campo que
contemplarão entrevistas com educadores que atuam no ensino de Arte nos anos
iniciais do Ensino Fundamental. Para Gil, pesquisa é definida como:
(...) procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar
respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa desenvolve-se por
um processo constituído de várias fases, desde a formulação do problema
até a apresentação e discussão dos resultados. (GIL, 2007, p. 17).
A pesquisa de campo envolverá duas escolas públicas: a Escola Municipal de
Ensino Fundamental Irmão Weibert, localizada na Avenida João Corrêa, S/N Centro
do município de São Leopoldo/RS, e a Escola Municipal de Ensino Fundamental
Otaviano Silveira, localizada na Av. Sebastião Fant, nº 245 Bairro Fortuna, no
município de Sapucaia do Sul/RS.
Para geração dos dados, será necessária a realização de entrevistas e
aplicação de questionários com professores que atuam no ensino de Arte em turmas
de 1º ao 5º, a fim de obter maiores informações com relação a metodologia adotada
pelos educadores e como desenvolvem suas aulas na disciplina para estimular o
desenvolvimento criativo no aluno.
A avaliação será qualitativa e ocorrerá por meio de observação e análises dos
dados coletados durante todo o processo de realização da pesquisa.

3.2.4.2. Instrumento de Coletas de Dados

Os instrumentos que serão utilizados na pesquisa bibliográfica e de campo


incluem: livros, artigos científicos, periódico, revistas, sites e questionários.
De acordo com Creswel (2010, p. 223), os procedimentos para a coleta de
dados na pesquisa qualitativa envolvem quatro tipos de métodos, tais como: 1)
observação; 2) entrevista; 3) documentos; e, por último, 4) materiais audiovisuais.
Partindo disso, nessa pesquisa foi utilizado apenas dois métodos: a observação e o
30

questionário. Para o autor, “o questionário que será um passo muito importante para
complementar a pesquisa” (2010, p.214).
O questionário foi elaborado através da ferramenta Google Formulários, com
diferentes métodos de perguntas, estruturado da seguinte forma: dados de
identificação, 10 perguntas de múltipla escolha, para facilitar tanto as respostas
quanto a posterior tabulação dos dados gerados por gráficos, 6 perguntas
dissertativas, com questões sem respostas pré-definidas, deixando o entrevistado
livre para explicar com as próprias palavras o que está pensando.

3.2.4.3. Sujeitos envolvidos

No que se refere às pessoas envolvidas nessa pesquisa, serão 11 docentes no


total, 3 professores da Escola Municipal de Ensino Fundamental Otaviano Silveira, de
Sapucaia do Sul, que atendem as turmas de 1º, 3º e 4º anos nos turnos, manhã e
tarde, sendo 2 docentes com formação em Pedagogia e 1 formado em Letras. Na
Escola Municipal de Ensino Fundamental Irmão Weibert, de São Leopoldo, foram 8
professores participantes, 2 com formação em Artes, 3 em Pedagogia, 1 em
Matemática, 1 em Língua Portuguesa, 1 em Língua Inglesa, as turmas atendidas por
esses professores são de 1º, 2º, 4º e 5º anos, nos dois turnos, manhã e tarde.

3.2.4.4. Resultados da pesquisa

Esse capítulo tem como objetivo analisar o questionário aplicado aos


professores atuantes no ensino de Arte em turmas de duas escolas da amostra e
envolvidos na pesquisa. Ressalto que, devido à correria do dia a dia do professor, os
pesquisados preferiram responder as perguntas em casa, por meio de um
questionário online Google Formulários.
O universo de pesquisados compreendeu onze professores, dos quais, todos
os que foram convidados a participar da pesquisa responderam ao questionário.
No questionário aplicado ao professor, composto de vinte perguntas, as quatro
primeiras se referem aos dados de identificação, sendo as demais relativas à atuação
e ao perfil profissional na execução das aulas da disciplina de Arte. Essas perguntas
vão desde a formação do professor, sua atuação em sala de aula, números de escola
e turnos em que atuam, suas vivências na infância, adolescência e vida adulta, tempo
31

de docência, tempo de atuação no ensino de Arte, dificuldades encontradas ao


lecionar a disciplina de arte, importância dada ao ensino de Arte em sua sala de aula,
como ele avalia o aluno e se há, ou não, capacitação para a área de Arte nas escolas
em onde atuam.
Das vinte questões, foram selecionados, as mais relevantes e pertinentes a
serem analisadas nos assuntos abordados na pesquisa.
Os professores foram nomeados, de maneira fictícia, utilizando-se letras (A, B,
C, D, etc.) para identificá-los, garantido, assim, o anonimato dos entrevistados.
Aqui estão registrados todos os aspectos decorridos durante a pesquisa de
campo, as observações e análises, formação e métodos pedagógicos, e a relevância
do conteúdo para a vida dos estudantes.
32

4. ANÁLISE DOS DADOS

A análise dos dados coletados e discussões sobre os aspectos inerentes às


contribuições da arte no processo ensino aprendizagem, e os resultados dos dados
levantados na pesquisa, serão representados por meio de gráficos.
As primeiras imagens 1, 2, 3 e 4, que seguem abaixo, mostram os resultados
dos dados referentes ao perfil dos professores como: sexo, idade, formação, área de
formação, já as imagens 5, 6 e 7, apontam, o tempo de docência, vínculo com a
escola, tempo que lecionam no ensino de artes, sendo que as demais são relativas a
prática docente.
Gráfico 1

Fonte: Elaborado pela autora

Gráfico 2

Fonte: Elaborado pela autora


33

Os dados nos mostram que há uma predominância do sexo feminino em 100%


dos docentes, com idades acima de 41 anos, contabilizando 81,8% dos professores,
e vínculo de 100% concursados, apresentado no gráfico 6.
Com relação à formação, podemos observar que 81,8% dos docentes possuem
pós-graduação, já nas áreas de formação, percebemos que menos da metade são da
Pedagogia, totalizando 45,5%, as outras áreas de formação apontadas na pesquisa
são: Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Matemática e Artes, que variam entre 9,1%
a 18,2%. Dos 11 professores pesquisados, apenas 2 são da área de Artes. Confira no
gráfico 4 logo abaixo.
Gráfico 3

Fonte: Elaborado pela autora

Gráfico 4

Fonte: Elaborado pela autora


34

O tempo de docência dos pesquisados aponta que 54,5% já está acima de 20


anos de prática, sendo 36,4% entre 11 a 20 anos e 9,1% entre 5 a 10 anos. Pela
formação dos professores, acreditamos que eles estejam habilitados a ensinar os
conteúdos de Arte, que são contemplados na matriz curricular dos cursos de
Pedagogia. Porém, muitas vezes, é a atuação do profissional que faz a diferença, ou
seja, o fato de possuir um diploma nem sempre é sinônimo de bom profissional.

Gráfico 5

Fonte: Elaborado pela autora

Gráfico 6

Fonte: Elaborado pela autora


35

Sobre o tempo de docência de cada um, e o tempo que atuam no ensino de


Arte, podemos observar, no gráfico 7, logo abaixo, que os dados nos mostram que, a
maioria possui grande experiência com a prática educativa. Entretanto, se o professor
for acomodado e não procurar se qualificar e aperfeiçoar suas práticas, aliado aos
fatores de não terem formação específica na área de arte, e atuarem em áreas
distintas, como por exemplo, matemática e língua inglesa, grandes serão as chances
de desenvolverem suas aulas por meio de metodologias tradicionais e desatualizadas,
não despertando o interesse dos alunos no seu processo criativo, tão pouco
favorecendo o seu aprendizado. Nesse sentido as autoras Ferraz e Fusari ressaltam:
A metodologia educativa na área artística inclui, portanto, escolhas pessoais
e profissionais do professor quanto aos conteúdos de arte, que são
contextualizados e organizados para que o aluno possa fazer, sentir, apreciar
e refletir sobre a arte. Refere-se também à determinação de métodos
educativos, ou seja, de trajetórias pedagógicas, com procedimentos e
proposições de atividades para se ensinar arte. Abrange ainda princípios,
objetivos educacionais e as opções de materiais, técnicas e meios de
comunicação para a produção artística e estética nas aulas. (FERRAZ;
FUSARI, 2009, p.141).
Por isso, cabe ao professor atuante no ensino de Arte ter o mínimo de
experiências, prático e teórica, interpretando, criando e apreciando arte, para
desenvolver uma reflexão pedagógica específica para o ensino das linguagens
artísticas.

Gráfico 7

Fonte: Elaborado pela autora

Em resposta à pergunta sobre “como foram suas vivências em arte quando


criança, adolescente e vida adulta”, as respostas foram variadas. Talvez alguns
36

professores tivessem dificuldade de entender às perguntas, como percebi nas


respostas da Professora “A” e Professora “D”. As repostas da Professora “A” para as
três fases, foi respondida com apenas uma palavra para cada fase. Na infância
“Positiva”, adolescência “Razoável” e na vida adulta “Alguma coisa”.
Alguns responderam de forma direta sem maiores explicações, outros
explanaram mais suas respostas exemplificando como foi para eles cada fase de suas
vivências com a Arte. Percebemos que a grande maioria dos professores possuem
uma boa vivência com a relação à Arte em suas vidas, apontaram relatos muito
positivos, desde uma vivência significativa na escola como familiar, seguindo por toda
sua vida.
Essa questão foi elaborada no entendimento de que o capital cultural do
professor é de suma importância em qualquer prática na área da educação e, no
ensino de Arte, ele pode ser um potente aliado à prática do professor.
Silva (2004) afirma que o capital cultural do professor é um recurso de extrema
importância para a ressignificação de materiais pedagógicos disponíveis ao professor:
“[...] do capital cultural adquirido pelo professor vem a fertilidade das mediações
criativas que implementam as especificidades dos conteúdos que ministra” (SILVA,
2004, p. 59). A autora ainda destaca que o capital cultural do professor é:
[...] um instrumento básico que possibilita a formulação dos modos do fazer
didático alternativo para o ensino na sala de aula. O conteúdo amplia-se a
partir dos recursos didáticos advindos do capital cultural, que oferece aos
professores informações “técnicas” estruturais às explicações específicas
que dão aos alunos, à formulação de exemplos, ao estabelecimento de
relações com áreas afins, entre muitas outras coisas. Nessa medida, acredito
que é do capital cultural adquirido pelo professor que vem a fertilidade das
mediações criativas que implementam as especificidades dos conteúdos que
ministra. [...] é dessa base de informações que a dimensão espontânea do
fazer é alimentada. Embora o ensino na sala de aula tenha um âmbito de
caráter espontâneo, essa característica do trabalho docente exige sempre
uma informação sistematizada para se operar o ato de ensinar. (SILVA, 2004,
p. 59).
É nas vivências da infância na escola e no convívio familiar que a criança
constrói e reconstrói seu conhecimento, e por meio das experiências vividas ela
desenvolve seus sentidos e os aspectos cognitivo, afetivo, físico e social. Ao
reconstruir os sentidos das experiências para si, a criança articula as experiências
externas às suas possibilidades de percepção e leitura de mundo.
[...] é na cotidianidade que os conceitos sociais e culturais são construídos
pela criança, por exemplo, os de gostar, desgostar, feiura, entre outros. Esta
elaboração se faz de maneira ativa, a criança interagindo vivamente com
pessoas e sua ambiência. (FERRAZ; FUSARI, 1993, p. 42).
37

No que se refere à construção do senso estético da criança na vivência com a


arte, essas mesmas autoras ainda comentam:
Queiramos ou não, é evidente que a criança já vivencia a Arte produzida pelos
adultos, presente em seu cotidiano. É óbvio que essa Arte exerce vivas
influências estéticas na criança. É óbvio, também, que a criança com ela
interage de diversas maneiras (FERRAZ; FUSARI, 1993, p. 43).
A expressividade infantil implica na construção de formas de linguagem e
comunicação exercidas no processo de socialização. Atuando expressivamente é que
a criança aprende e vivencia formas de ser e de estar no mundo humano.
Os relatos positivos das vivências dos pesquisados se estendem na
adolescência e na vida adulta. Esse fator é muito importante, pois se os professores
possuem uma vivência positiva na sua experiência com a Arte, isso contribuirá
positivamente nas suas práticas como educador nessa disciplina. Isso ficou
constatado nos relatos das professoras “C”, “D”, “E”, “H” e “I”, citando excelentes
vivências em arte e a forte influência na escolha de formação das Professoras “D” e
“E”, as quais afirmaram sua formação em Arte. Seguem abaixo os quadros de relatos.

4.1. COMO FORAM SUAS VIVÊNCIAS EM ARTES

a) Quando Criança:

Professora A Positivas
Professora B Na escola; dançando Ballet e assistindo à apresentações de
orquestra e corais com meus pais.
Professora C Quando criança minha vivência na arte se fez primeiramente
na escola, mas o que mais marca minha trajetória foram as
bagagens culturais proporcionadas no contexto familiar.
Tenho um primo, mais velho, que na infância era adolescente
e desenhava os personagens dos quadrinhos, esculpia em
granito e pedra sabão e também desenhava figurinos para
carnavalescos. Eu achava aquilo lindo demais
Professora D Bem positivas
Professora E Na escola, pois estudava em uma escola particular q tinha
aula de artes especificas para meninas, aprendi pintura em
38

tecido, vidro, gesso, bordado, tricô, artesanato com


sabonete...várias atividades artesanais e artísticas, dança
com fita, bolas, arcos...
Professora F Atividades prontas para pintar, recortar e desenho livre.
Professora G Sempre gostei muito, me dedicava e era muito criativa com
atividades manuais. Porém não tinha muitos materiais em
casa.
Professora H Sempre me foram oportunizadas atividades que deram
possibilidades de desenvolver o gosto pelas artes, tais como
pintura, artesanato, trabalhos manuais, dança, teatro, entre
outros.
Professora I Desenhava livremente, adorava desenhar árvores e casas.
Professora J Não me recordo.
Professora K A arte me acompanha desde muito cedo. Naquela época, a
música local era instrumentista e todas as crianças eram
apaixonadas de uma forma inexplicável. desta referência
vem a criatividade que, naquele tempo, era muito explorada
pela imaginação que voava em todos os espaços que
percorríamos.

b) Quando Adolescência:

Professora A Razoável
Professora B Na escola e assistindo à apresentações de orquestra e corais
com meus pais.
Professora C Na adolescência tive uma professora de artes que estimulava
muito a expressão corporal, teatro, interpretação. Eu gostava
de participar dos espetáculos da escola e as chamadas "
Noite dos Talentos".
Professora D Positiva.
Professora E Tive contato com cinema, teatro e museus
39

Professora F Atividades envolvendo pintura, costura, bordado, desenhos


livres, etc.
Professora G Continuei a gostar e me dedicar a trabalhos manuais e
técnicas artísticas.
Professora H Sempre procurei atividades que me levassem a desenvolver
habilidades artísticas, tais como cursos.
Professora I Gostava de fazer trabalhos manuais, desenhar e pintar. E
quando tinha oportunidade adorava participar de atividades
teatrais.
Professora J Quando eu as tinha, eram agradáveis, geralmente fazendo
uso de bastante material concreto. Mas geralmente eram
ministradas por profissionais formados em outras áreas.
Professora K Na adolescência a via financeira estimulou mais ainda a
criatividade. Quando não pode pagar, se faz…. isto não tem
preço e fica na memória para sempre.

c) Quando Adulto:

Professora A Alguma coisa

Professora B Em cinema, teatro e através das mídias digitais.

Professora C Na vida adulta a minha vivência em arte foi se dando por


exigência da trajetória profissional. Sou professora de séries
iniciais, na Rede Municipal e Ensino Religioso da Rede
Estadual. O último concurso exigiu que a minha carga
horária fosse complementada na disciplina de Artes no
Ensino Médio, o que de certa forma me tencionou à buscar
conhecimentos que me possibilitassem desenvolver as
habilidades descritas no currículo.

Professora D Só tenho boas lembranças tanto que minha formação foi


Artes.
40

Professora E E como adulta me tornei professora de artes no ensino


fundamental

Professora F Conhecimento de alguns artistas x suas técnicas.

Professora G Apesar do pouco tempo para me dedicar continuo gostando


e aprendi a apreciar outras formas de arte que não somente
trabalhinhos manuais e artesanato.

Professora H Através de leituras e diversos cursos, incluindo a graduação


e pós-graduação, bem como a prática docente.

Professora I A arte faz parte da minha vida, não vejo o dia a dia sem a
arte. Adoro trabalhar com meus alunos, principalmente com
histórias infantis e teatro.

Professora J Não tive essa disciplina na faculdade.

Professora K Já adulto e profissional pude explorar aquilo que aprendi


juntando a realidade com a magia de criar.

Em resposta à pergunta “Você encontra alguma dificuldade ao lecionar a


disciplina de Arte no ensino fundamental”, 72,7% dos professores responderam que
não encontram dificuldades ao lecionar a disciplina, já 27,3% dos docentes, afirmaram
encontrar dificuldades. Veja no gráfico abaixo.

Gráfico 8

Fonte: Elaborado pela autora


41

Para os professores que afirmaram encontrar dificuldades, foi solicitado que


citassem quais seriam as dificuldades. As respostas na grande maioria se referem a
falta de espaço adequado, materiais específicos para o desenvolvimento das aulas,
capacitação por meio de cursos, palestras e pouca valorização da disciplina. Veja
abaixo quadro de relatos.

d) Se encontra, cite quais:

Professora A Falta de material, espaço.


Professora B Os alunos trazerem os materiais solicitados. E não ter
algum tipo de parceria para trabalhar artes audiovisuais.
Professora C Espaço físico adequado. falta de materiais diversos e
também falta de capacitação.
Professora D Não encontra dificuldades.
Professora E A falta de materiais da parte dos alunos
Professora F Falta de material, sala específica, cursos, palestras.
Professora G Falta de conhecimento em Arte. Espaço próprio para
desenvolver as aulas, pois são ministradas na sala de aula
comum.
Professora H Espaço físico, materiais e pouca valorização da disciplina.
Professora I Ter mais espaço e variedade de materiais para utilizar.
Professora J Falta de materiais e espaço adequado para desenvolver
algumas práticas relacionadas a artes cênicas e musical.
Falta de conhecimento de Artes (artistas, relação das artes
dentro da época histórica).
Professora K Não encontra dificuldades

Sobre a importância dos materiais e dos recursos para o bom desenvolvimento


das aulas de Artes, o autor Lowenfeld (1977), afirma:
Os materiais adequados e o desenvolvimento dos recursos desempenham
um importante papel na expressão da arte. Só através do uso do material
plástico pode ser realizado qualquer trabalho criador. Assim como as palavras
são importantes na comunicação verbal, e a estrutura de períodos e de
parágrafos é necessária na obra escrita, também, na arte, o artista deverá
42

desenvolver os recursos e técnicas indispensáveis para comunicar-se e


precisará ter conhecimento exato dos materiais empregados, a fim de que
possa explorar as suas qualidades intrínsecas. (LOWENFELD, 1977, p. 105).
A ausência de espaço adequado, como sala de Artes para o bom
desenvolvimento do trabalho pedagógico ao ministrar aulas de artes de qualidade, foi
mais um dos problemas citados pelos docentes. Conforme Ferreira e Lana (2009)
destacam:
[...] “alguns” profissionais da educação acreditam que o professor de artes
não precisa de uma sala ambiente, tratam esta disciplina de forma
preconceituosa, insinuando que não tem a importância da matemática e/ou
português, pois geralmente não reprova, servindo apenas como lazer,
complemento de atividades ou confecção de painéis. (FERREIRA; LANA
2009, p. 44).
As dificuldades relatadas pelos professores se confirmam, por meio dos
apontamentos no gráfico abaixo, em que o percentual de 72,7% dos pesquisados
afirmam “Não” dispor, de condições favoráveis de espaços e materiais para o
desenvolvimento de suas aulas, contra apenas 27,3% que afirmaram que “Sim”
dispõem.
Entretanto, dispor de um espaço adequado é importante em decorrência das
necessidades inerentes às atividades práticas que envolvem o universo da Arte, assim
como é fundamental ter em mãos os recursos e materiais que permitam ao estudante
“[...] experimentar novas possibilidades, explorar novas práticas e materiais e
instigando-os a olhar sobre os espaços de forma diferenciada” (FERREIRA; LANA,
2009, p. 44).

Gráfico 9

Fonte: Elaborado pela autora


43

Outro aspecto apontado pelos educadores e que se confirmam nas hipóteses


levantadas nesse estudo, se refere à desvalorização da disciplina perante as demais.
Não é incomum percebermos que há uma falta de valorização desta disciplina perante
as outras, julgadas como mais importantes como matemática e português, como as
autoras citaram anteriormente.
A autora Carmem Biasoli (1999), entende que o enfraquecimento do ensino de
Arte resulta de processo histórico, que lhe atribuiu ao trabalho manual e lhe negou o
status de forma de conhecimento, de maneira que “o conhecimento, historicamente,
está relacionado ao corpo, ao sensível, e, por isso, é considerado algo inferior”
(BIASOLI, 1999, p. 80). Confira abaixo as citações dos docentes.
Em resposta ao número de escolas os professores trabalham, os dados nos
mostram que o percentual de professores que atuam em 2 e 3 escolas é o mesmo,
sendo 36,4% e 27,3% dos pesquisados trabalham em uma escola apenas. E as
turmas mais atendidas por eles no ensino de arte são os 5º e 4º anos, sendo 63,6%
nos 5º anos, 45,5% nos 4º anos, os 1º e 3º anos apresentam os mesmos percentuais
de 36,4% para cada um, e por fim, os 2º anos com menor percentual somando 27,3%
de atendimentos. Confira dos dois dados nos gráficos que seguem abaixo.

Gráfico 10

Fonte: Elaborado pela autora


44

Gráfico 11

Fonte: Elaborado pela autora

No que se refere à quantidade de turnos em que os professores lecionam,


verificamos que, a grande maioria dos docentes atuam em dois turnos, totalizando
72,7% dos pesquisados, 18,2% atuam em três turnos e 9,1% atuam apenas em um
turno. Confira no gráfico a seguir.

Gráfico 12

Fonte: Elaborado pela autora


45

O gráfico acima nos mostra uma das hipóteses levantadas na pesquisa, e que
pode influenciar o desenvolvimento das aulas de Artes, refere-se justamente à carga
horária excessiva de trabalho dos professores, fator esse que é um dos causadores
de inviabilizar o preparo adequado das aulas, consequentemente, fazendo com que,
parte desses docentes apliquem muitas atividades semiprontas e
descontextualizadas.
O excesso de carga horária, comum na realidade de muitos docentes que
atuam em mais de uma escola, reduz o tempo de estudos e planejamento. Isso pode
afetar diretamente a qualidade das aulas, e o professor encontrar dificuldades ao
planejar e organizar sua a prática pedagógica. Desse modo, a qualidade do ensino
poderá ser prejudicada.
O autor Lowenfeld em seu livro, “Desenvolvimento da capacidade criadora”
(1977), discorre sobre a importância da organização das aulas de Arte, e,
principalmente, o tempo destinado a elas, tempo esse, muito escasso na disciplina de
Arte. Afirma o autor:
O tempo habitualmente destinado às aulas de arte no currículo não é o mais
adequado às experiências de natureza artística. Às vezes, são permitidos
dois tempos seguidos de aula; mas o padrão típico é o da aula de arte
encaixada entre outra aula. (LOWENFELD, 1977, p. 358).
Outro fator que está diretamente ligado à qualidade do ensino, e analisado
nesse instrumento de estudo, é a metodologia adotada pelos professores. Entende-
se que para alcançar melhores resultados, mediante a prática pedagógica, e fazer a
diferença no processo de ensino, é necessário que o professor se baseie em algum
referencial teórico para fundamentar sua prática, e sua metodologia de ensino na
construção dos saberes. Para que assim a prática seja aprimorada, e que a
transmissão dos conhecimentos seja para os educandos, interessante e não rotineira.
Nesse sentido, é necessário compreender que a didática do professor só terá
sentido se o objetivo for a aprendizagem dos alunos, de forma que aula seja baseada
em um procedimento que desperte o interesse e a participação dos mesmos.
Em reposta à questão perguntada aos professores “Você se baseia em alguma
referência ou metodologia de ensino para sua atuação em sala de aula com o ensino
de Arte?”, tamanha foi minha surpresa quanto ao resultado do gráfico a essa questão:
mais da metade dos professores, sendo 54,5% dos pesquisados, afirmou não se
basear e não possuir uma metodologia para o planejamento e desenvolvimento de
suas aulas. Veja no gráfico abaixo.
46

Gráfico 13

Fonte: Elaborado pela autora

Os dados referentes a metodologia são bastantes preocupantes. É difícil


imaginar um aprendizado efetivo e significativo sem que o professor tenha bem
definido os métodos e objetivos, para garantir o mínimo de condições necessárias ao
processo de ensino aprendizagem do aluno. De acordo com Vasconcelos (2000), do
ponto de vista educacional:
Planejar é elaborar o plano de intervenção na realidade, aliando às exigências
de intencionalidade de colocação em ação, é um processo mental, de
reflexão, de decisão, por sua vez, não uma reflexão qualquer, mas grávida
de intenções na realidade. (VASCONCELLOS, 2000, p.43).
Por meio de algumas práticas metodológicas que orientarão os professores
para o desenvolvimento de novas metodologias no ensino da Arte, tendo como
fundamentação diferentes literaturas de autores preocupados com o Ensino da Arte.
Os professores, ao aplicarem seus métodos de ensino, devem se preocupar com a
faixa etária das crianças e o conhecimento que elas já possuem, assim, propiciando
um ensino de Arte coerente e de acordo com a realidade.
Com relação a pergunta “A escola que você trabalha investe em algum tipo de
capacitação para a área de conhecimento em arte?”, sendo grande maioria, 81,8%
responderam que a escola “Não” investe, já 18,2% que afirmaram que “Às vezes”,
contra nenhuma porcentagem para a afirmação de que “sim”.
47

Gráfico 14

Fonte: Elaborado pela autora

Pelo número de envolvidos na amostra, oito professores, pertencem a uma


mesma escola e somente três são da outra. Logo, podemos identificar que a escola
com o maior número de docentes “Não” investe em capação e a escola com menor
número “Às vezes” investe.
Barbosa (1989) alerta para os problemas relacionados à formação, ou a falta
dela, para preparo dos professores de Artes. Segundo a autora, há professores dando
aulas de Arte que nunca leram nenhum livro sobre Arte-educação e nunca ouviram
falar sobre auto expressão ou educação estética, esses pensam que Arte na escola é
dar folhas para colorir com corações para o Dia das Mães, entre outras datas
comemorativas (BARBOSA, 1989, p. 170).
A Arte deve ser apropriada pelo professor, depois repassada para os alunos. O
professor precisa adquirir conhecimentos de diferentes saberes em arte, vivenciando,
sentindo, pesquisando, visitando espaços culturais, buscando esses conhecimentos
em cursos de aperfeiçoamento profissional, para dominar os códigos artísticos, e,
assim, melhor ensinar Arte, pois a prática alimenta a teoria, a teoria alimenta a prática.
Assim, as aulas de Arte tornam-se mais prazerosas e lúdicas transformando em
aprendizagem do aluno.
Se manter atualizado é requisito indispensável para qualquer profissional.
Ainda assim, é válido ressaltar que a informação só se torna conhecimento de fato
quando é associada a algum sentido. Isso significa que cabe à escola possibilitar a
construção do conhecimento dos alunos, capacitando, e ofertando aos professores,
48

cursos, formação continuada, a fim de motivá-los para uma prática pedagógica


adequada às necessidades dos alunos.
Em reposta à pergunta “Qual a importância dada a arte na sua sala de aula?”,
todos destacaram a importância da disciplina por partes dos professores. Podemos
observar nos relatos abaixo. Porém, apesar de os relatos positivos, ressaltando a
importância dada a Arte por eles, não é bem o que podemos observar que acontece
na prática, quando analisamos que, 54,4% dos docentes não se baseiam em
referenciais teóricos e tampouco têm o cuidado de seguir uma metodologia na sua
prática pedagógica. Observe o quadro de relatos abaixo os relatos dos pesquisados.

e) Qual a importância dada a arte na sua sala de aula?

Professora A Vejo que não é muita da parte dos alunos. Na minha parte,
faço meu melhor dentro das minhas possibilidades.
Professora B Muito importante.
Professora C Dou muita importância pois acredito que a Arte nos permite
expressar nossas emoções e sentimentos. A arte nos
permite transgredir as convenções. É arte que nos dá a
noção daquilo que desconhecemos e as noções de estética.
A arte estimula a criatividade e poder de sair do imaginário.
Professora D Sempre falo do respeito que precisamos ter com esta
disciplina também......ela. tem um papel muito importante na
formação dos nossos alunos.
Professora E Eu acho importante para o desenvolvimento da motricidade
ampla e fina
Professora F Sempre que possível integrando com os conteúdos da
série.
Professora G Desenvolver a percepção de si e do mundo bem como
compreender as artes modernas através da evolução pela
história
Professora H Acredito que a arte poderia ser mais valorizada de um modo
geral.
49

Professora I É muito importante para o processo de aprendizagem,


principalmente na alfabetização.
Professora J Divido os períodos adequadamente as três disciplinas que
devo desenvolver.
Professora K costumo dizer que artes é o carro chefe em outras
disciplinas que também ministro.

Por fim, a última questão abordada aos professores referente a como ele avalia
o seu aluno com relação à Arte. Para essa pergunta, alguns dos docentes, interpretam
a questão de forma equivocada, acreditando se tratar de como o aluno avalia o ensino
de Arte, sendo que a questão, foi direcionada ao educador. Aos que entenderam a
pergunta, as respostas foram diversificadas, muitos afirmam que realizam suas
avaliações de forma responsável, pelo que destacam em suas repostas.

f) Como você avalia seu aluno com relação à arte?

Professora A Percebi pouco interesse.


Professora B Engajado.
Professora C Avalio o aluno pela capacidade de entrega a criação. Pelo
que produz e o que compreende da própria produção e das
produções artísticas dos outros.
Professora D Sempre através da observação e da participação dele.
Professora E Se atingi os objetivos de colagem, recorte,
comprometimento, traçado, pintura...realização das
atividades.
Professora F Gostam muito das atividades de Artes.
Professora G Com trabalhinhos manuais desenvolvendo técnicas
específicas
Professora H Enquanto uns alunos destacam-se outros apresentam certa
dificuldade e medo de expressar-se através das artes.
Professora I Avalio através de muita observação: criatividade,
envolvimento, expressão corporal e oral.
50

Professora J Avalio seu envolvimento e empenho durante as aulas, se


seu desenho, recorte, pintura estão de acordo com sua
faixa etária.
Professora K Acredito que cada um tem a sua caminhada em se tratando
de imaginação e criatividade. então sempre apenas aparo
alguns aspectos necessários.

A avaliação é um importante aspecto do processo de ensino-aprendizagem.


Ela produz informação, tanto para o aluno quanto para o professor, que, por sua vez,
pode compreender o processo e avaliar o trabalho realizado, sendo assim, rever as
metodologias e estratégias para práticas futuras. Para as autoras, Martins e Picosque
e Guerra (2009):
A avaliação é um modo de leitura dos alunos, do professor e do assunto
tratado, fornecendo um mapa dos interesses e das necessidades da turma.
É ponto de chegada e de partida, é meio, começo, fim e reinício. É um jeito
de acompanhar a processualidade dos movimentos feitos no encontro
pedagógico. (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2009, p. 134).
Nesse sentido, avaliar em Artes é tão importante quanto avaliar em qualquer
outra disciplina. Nela, devem estar presentes critérios relativos aos objetivos, e não
ligados apenas ao subjetivo, como participação, interesse ou capricho.
51

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante a elaboração deste trabalho, tive a oportunidade de realizar alguns


aprofundamentos teóricos acerca das contribuições da disciplina de Arte para a
formação de sujeitos com uma visão crítica do mundo, capazes de compreender os
saberes artísticos e estéticos, interpretar e respeitar as diversidades culturais.
Ao reconhecer que a Arte tem tamanha relevância para desenvolvimento do
aluno, resolvi investigar a problemática que está inserida no ensino dessa disciplina,
para compreender o porquê, algumas vezes, os professores dos anos inicias do
Ensino Fundamental, quando atuam no ensino de Arte, utilizam metodologias
tradicionais e descontextualizadas que não motivam o aluno e em seu processo
criativo.
Através dos dados coletados, no intuito de averiguar como essas
especificidades da arte são trabalhadas dentro da escola pelos professores, me
deparei com muitos aspectos negativos, os quais, podem estar influenciando de forma
negativa a prática pedagógica. Problemas que vão desde falta de espaço adequado
e materiais específicos para as aulas, número de escolas, turnos e turmas atendidas
pelos professores, a desvalorização da disciplina perante as demais, como também a
ausência de uma metodologia adequada por parte dos professores.
Por meio dos dados aqui apresentados, é possível perceber através de relatos
descritos, que na prática, a disciplina de Arte é hierarquicamente desconsiderada
quanto à sua importância. Conforme foi constatado nas respostas, quanto à
metodologia adotada pelos docentes nas escolas pesquisadas, os quais, ressaltam a
importância dada à Arte. Porém, em contrapartida, mais da metade afirmam não se
basear em um referencial teórico ou metodologia em sua prática nessa disciplina.
Partindo disso, é possível acreditar, que o ensino desenvolvido nas escolas
atualmente ainda possa estar baseado no modelo da pedagogia tradicional, apoiado
em métodos de reprodução e cópia.
Uma sugestão interessante de atividade para o professor desenvolver em suas
aulas, seria, trabalhar partindo de um elemento (ou tema) comum ao dia a dia dos
alunos, partindo do trabalho através das Unidades Temáticas para o ensino de arte
que envolvem (artes visuais, dança, música e teatro) e que está contemplado na
BNCC.
52

Os próprios alunos, de forma democrática, poderão escolher um elemento,


como por exemplo: “BRINCAR”, e partindo dessa palavra, elencando às Artes Visuais,
poderão pesquisar com o auxílio do professor e colegas, como se apresenta o
“Brincar” em diversos contextos, como: fotografias, obras de artistas, imagens, filmes,
brincadeiras entre outros. Na Dança, em quais danças o “Brincar” está presente, na
Música, pesquisar músicas que trazem em seu repertório de letra, o “Brincar” ou
brincadeira. E, por fim, no Teatro, o professor poderá organizar com a turma, grupos
de apresentação, em que os alunos, tenham que dramatizar uma situação inusitada
envolvendo uma brincadeira. Assim, de maneira descontraída e prazerosa, o
professor trabalhará a Arte de forma significativa, contextualizando e contemplando a
abrangência que esta disciplina apresenta.
Sendo assim, no ambiente educacional, o professor é uma peça chave. Suas
decisões e ações, por exemplo, a partir de sua expressão, metodologia, maneira de
priorizar o aprendizado do aluno e os conteúdos, forma de avaliar, valores, visão
social, atitudes, entre outros, influenciam diretamente nos resultados no processo de
ensino aprendizagem.
Entre os desafios dos docentes, muitos são os aspectos dignos de reflexão com
relação à disciplina, que pode ser reforçado com a consciência de suas atribuições e
contribuições da arte como área de conhecimento, partindo disso, desenvolver uma
prática reflexiva de ensino.
A discussão não se encerra aqui, mas se faz necessária para perceber a
importância de trazer outras perspectivas para a prática pedagógica nesta área de
conhecimento tão importante para a educação.
Para concluir, partilho a seguinte reflexão do livro Pedagogia da Autonomia de
Freire (1996) que diz:
Na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da
reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou
de ontem que se pode melhorar a próxima prática.
53

REFERÊNCIAS

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político pedagógico. 9 ed. São Paulo: Libertad, 2000.
56

APÊNDICE

MATERIAL DE COLETA DE DADOS

QUESTIONÁRIO PARA PROFESSORES


Caro Professor (a):
O presente questionário destina-se a coleta de dados para o Trabalho de
Conclusão do Curso de Pedagogia das Faculdades Equipe do Município de Sapucaia
do Sul do Rio Grande do Sul, cujo o objetivo é fazer uma reflexão sobre a contribuição
do ensino de Arte nos anos inicias do ensino fundamental e o processo criativo dos
alunos.
Todos os seus dados são confidencias, e sua identidade não será revelada
publicamente sobre hipótese alguma e somente os pesquisadores envolvidos neste
estudo terão acesso a estas informações que serão utilizadas para fins de pesquisa.
Por isso não há a necessidade de colocar o seu nome. O sigilo das informações
aqui contidas será assegurado. Desde já agradeço sua valiosa colaboração.

CIDADE: .................................................................. UF: ...................


SEXO:
( ) Masculino ( ) Feminino

IDADE:
( ) 20 à 30 ( ) 31 à 40 ( ) acima de 41 anos

FORMAÇÃO:
( ) Curso Normal / Magistério ( ) Graduação
( ) Pós Graduação ( ) Mestrado ( ) Doutorado
Escola:

VÍNCULO:
( ) Concursado ( ) Contrato

TEMPO DE DOCÊNCIA
( ) 1 à 4 anos ( ) 5 à 10 ano ( ) 11 à 20 anos ( ) acima de 20 anos
57

SOBRE VOCÊ:

COMO FORAM SUAS VIVÊNCIAS EM ARTE:


Quando Criança:............................................................................................................

Quando Adolescente:.....................................................................................................

Quando Adulto:..............................................................................................................

DOCÊNCIA:

( ) Pedagogia ( )Artes ( )Matemática ( ) Letras


( ) Letras Língua Estrangeria(Inglês/Espanhol) ( ) Educação Física
( ) Química ( ) Física ( ) Ciências Sociais ( ) Geografia
( ) Biologia ( ) História ( ) Outros

Em Quais turmas você leciona:


( ) 1º ano do Ensino Fundamental
( ) 2º ano do Ensino Fundamental
( ) 3º ano do Ensino Fundamental
( ) 4º ano do Ensino Fundamental
( ) 5º ano do Ensino Fundamental
Há quanto tempo leciona no Ensino de Arte:
( ) 1 à 4 anos
( ) 5 à 10 anos
( ) 11 à 20 anos
( ) acima de 20 anos
Em quantas escolas você trabalha:
( ) 1 escola
( ) 2 escolas
( ) 3 escolas ou mais
Em quantos turnos você leciona:
( ) 1 turno
( ) 2 turnos
58

( ) 3 turnos ou mais
Você se baseia em alguma referência ou metodologia de ensino para sua
atuação em sala de aula com o ensino de Arte?
( ) Sim
( ) Não
Você tem condições favoráveis de espaços e materiais para o
desenvolvimento de suas aulas?
( ) Sim
( ) Não
Você encontra alguma dificuldade ou facilidade ao lecionar a disciplina de Arte
no ensino fundamental?
( ) Sim
( ) Não
Se encontra, cite quais:
.......................................................................................................................................
Qual a importância dada a Arte na sua sala de aula?
.......................................................................................................................................
Como você avalia seu aluno com relação a Arte?
.......................................................................................................................................
A escola em que você trabalha investe em algum tipo de capacitação para a
área de conhecimento em Arte?
( ) Sim ( ) Não ( ) Ás vezes

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