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TEXTO – INFECÇÃO COMUNITÁRIA E INFECÇÃO HOSPITALAR

Infecção comunitária: "É a infecção constatada ou em incubação no ato de


admissão do paciente, desde que não relacionada com internação anterior no
mesmo hospital".
São também comunitárias: As infecções associadas a complicações ou
extensão da infecção já presente na admissão, a menos que haja troca de
microrganismos ou sinais/ sintomas fortemente sugestivos da aquisição de nova
infecção. Infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via transplacentária é
conhecida ou foi comprovada e que se tornou evidente logo após o nascimento (ex:
Herpes simples, toxoplasmose, rubéola, citomegalovirose, sífilis e AIDS).
Adicionalmente, são também consideradas comunitárias todas as infecções de
recém-nascidos associadas com bolsa rota superior a 24 horas.
Infecção Hospitalar: "É qualquer infecção adquirida após a internação do
paciente e que se manifesta durante a internação ou mesmo após a alta, quando
puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares". Usa-se
como critérios gerais: Quando na mesma topografia em que foi diagnosticada
infecção comunitária for isolado um germe diferente, seguido do agravamento das
condições clínicas do paciente, o caso deverá ser considerado como hospitalar.
Quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não houver
evidência clínica e/ou dado laboratorial de infecção no momento da admissão,
considera-se infecção hospitalar toda manifestação clínica de infecção que se
apresentar 72 horas após a admissão. Também são consideradas hospitalares
aquelas infecções manifestadas antes de se completar 72 horas da internação,
quando associadas a procedimentos invasivos diagnósticos e/ou terapêuticos,
realizadas previamente.
As infecções no recém-nascido são hospitalares, com exceção das
transmitidas de forma transplacentária e aquelas associadas à bolsa rota superior a
24 horas. Tempo ou período de incubação de uma doença infecciosa é o intervalo
de tempo que transcorre entre a exposição a um agente infeccioso e a aparição do
primeiro sinal ou sintoma da doença de que se trata. Desta forma, quando se
conhece o tempo de incubação de uma infecção específica, deve-se considerar
como infecção hospitalar todos os casos de pacientes internados que manifestaram
a referida infecção num intervalo de tempo, contado desde a admissão do paciente
até a primeira manifestação clínica, superior ao tempo de incubação da doença.
Por exemplo: A varicela tem um período de incubação de 2 a 3 semanas.
Todo o paciente que iniciar os sintomas de varicela após quatro semanas de
internação a terá, certamente, adquirido no hospital, e essas infecções deverão
assim ser classificadas como hospitalares. Por outro lado, se sua manifestação
ocorrer dentro das duas primeiras semanas de hospitalização ela será,
inequivocamente, comunitária.
Os casos que se iniciem entre a segunda e terceira semana podem ser hospitalares
ou comunitárias. Entretanto, se classificarmos estes casos sistematicamente como
comunitários, estaríamos excluindo casos que poderiam ser transmitidos no
hospital. Assim, optamos por defini-los também como hospitalares, pois não
podemos com segurança excluir esta origem.
Atualmente, a grande maioria das infecções hospitalares é causada por um
desequilíbrio da relação existente entre a microbiota humana normal e os
mecanismos de defesa do hospedeiro. Isto pode ocorrer devido à própria patologia
de base do paciente, procedimentos invasivos e alterações da população
microbiana, geralmente induzida pelo uso de antibióticos. Por serem doenças
transmissíveis, as infecções hospitalares apresentam uma cadeia epidemiológica
que pode ser definida a partir de seus seis elos: agente infectante; reservatórios ou
fontes; vias de eliminação; transmissão; penetração; e hospedeiro susceptível.