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Conferência de Wannsee
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Coordenadas: 52° 25' 59" N, 13° 9' 56" O

Página principal A Conferência de Wannsee (em alemão:


Conteúdo destacado Wannseekonferenz) consistiu numa reunião de membros
Eventos atuais superiores do governo da Alemanha Nazi e líderes das
Esplanada
SS, realizada no subúrbio de Wannsee, em Berlim, a 20
Página aleatória
Portais de Janeiro de 1942.
Informar um erro O objetivo da reunião, marcada pelo diretor do Gabinete
Loja da Wikipédia Central de Segurança do Reich, SS-Obergruppenführer
Colaboração Reinhard Heydrich, era assegurar a cooperação dos
Boas-vindas
líderes de vários departamentos do governo na Edifício n.º 56–58 Am Großen Wannsee, onde a
Ajuda implementação da solução final para a questão judaica, Conferência de Wannsee teve lugar; actualmente um
Página de testes pela qual grande parte dos judeus das regiões européias memorial e um museu.
Portal comunitário ocupadas pela Alemanha seriam deportados para a
Mudanças recentes Parte da série sobre o
Polônia e eliminados. Os participantes da reunião incluíam representantes
Manutenção Holocausto
de vários ministérios do governo como secretários-de-estado do Ministérios
Criar página
das Relações Exteriores, Justiça, e Interior, tal como ministros e
Páginas novas
Contato representantes das Schutzstaffel (SS). No decurso da reunião, Heydrich
Donativos descreveu como os judeus europeus seriam reunidos desde o oeste ao
leste, e enviados para campos de extermínio no Governo Geral (a parte
Imprimir/exportar ocupada da Polônia), onde seriam executados.[1]
Criar um livro
Descarregar como PDF Pouco depois da invasão da Polônia em Setembro de 1939, a perseguição
Versão para impressão aos judeus europeus atingiu níveis improcedentes, mas a matança
indiscriminada de homens, mulheres e crianças já tinha começado em Junho
Noutros projetos Responsabilidade
de 1941 depois da Operação Barbarossa contra os soviéticos. Em 31 de
Wikimedia Commons Alemanha Nazista
Julho de 1941, Hermann Göring deu uma autorização por escrito a Heydrich Pessoas
Ferramentas
para que este preparasse e enviasse um plano para a "solução total da Adolf Hitler
questão judaica" em territórios sob o controle alemão, e que coordenasse a Heinrich Himmler
Páginas afluentes Ernst Kaltenbrunner
Alterações participação de todas as organizações envolvidas. Em Wannsee, Heydrich
Theodor Eicke
relacionadas salientou que, quando as deportações em massa estivessem terminadas, as Reinhard Heydrich
Carregar ficheiro SS ficariam encarregues dos extermínios. Um segundo objetivo era definir Adolf Eichmann
Páginas especiais Odilo Globocnik
quem era formalmente judeu e assim determinar o âmbito do genocídio.
Hipeligação Rudolf Höss
permanente Uma cópia do Protocolo com as suas minutas sobreviveu à guerra. Foi Christian Wirth
Informações da página Organizações
encontrada pelos Aliados em Março de 1947 entre documentos que tinham
Elemento Wikidata Partido Nazista
Citar esta página
sido confiscados ao Ministério das Relações Exteriores alemão. O
Schutzstaffel (SS)
documento foi utilizado como evidências nos Processos de Guerra de Gestapo
Noutros idiomas Nuremberga. O Palacete Wannsee, local da conferência, é, atualmente, um Sturmabteilung (SA)
Aragonés memorial do Holocausto. Colaboracionistas durante a
‫اﻟﻌرﺑﯾﺔ‬ Segunda Guerra Mundial
Български Índice Ideologias nazistas
Bosanski 1 Antecedentes Antecedentes
Català 2 Planeamento da conferência Política racial da Alemanha Nazista
Čeština 3 Participantes Acordo Haavara
Dansk 4 Procedimentos Leis de Nuremberg
Deutsch 5 Protocolo de Wannsee Eugenia nazista
Ελληνικά Aktion T4
6 Interpretação Plano Madagáscar
English
7 Memorial do Holocausto Casa de Wannsee Conferência de Wannsee
Esperanto
Español
8 Casa da Conferência de Wannsee As vítimas
Eesti 9 Ver também Judeus
Euskara 10 Notas Povo rom (ciganos)
Suomi 11 Referências Homossexuais
Français 12 Bibliografia Deficientes
Frysk Eslavos da Europa Oriental
13 Ligações externas

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‫עברית‬ Poloneses · Sérvios
Magyar Prisioneiros de guerra soviéticos
Bahasa Indonesia Antecedentes [editar código-fonte] Testemunhas de Jeová
Íslenska Os guetos
Italiano A discriminação legalizada contra os judeus na Alemanha começou logoapós a
Budapeste · Kovno
日本語 tomada do poder pelos nazis em Janeiro de 1933. A violência e atensão Cracóvia · Lublin
한국어 econômica foram temas usados pelos nazistas para encorajar os judeus a, Lviv (Lvov) · Łomża
Latina voluntariamente, deixarem o país. A ideologia nazi juntou elementos como o Łódź · Minsk
മലയാളം anti-semitismo, a higiene racial e a eugenia, e combinou-os com o pan- Varsóvia · Vilnius
Bahasa Melayu Germanismo e o expansionismo territorial com o objectivo de obter mais Atrocidades
Nederlands
Lebensraum (espaço vital) para o povo germânico.[2] A Alemanha Nazi Pogroms
Norsk nynorsk Kristallnacht · Bucareste
Norsk tentou obter este novo território atacando a Polônia e a União Soviética, com
Dorohoi · Iaşi · Jedwabne
Occitan a intenção de deportar ou exterminar os judeus e os eslavos ali residentes, Kaunas · Lviv
Polski que eram vistos como sendo inferiores à superior raça ariana.[3] Tykocin · Vel' d'Hiv · Wąsosz
Română Einsatzgruppen
A discriminação contra os judeus, há muito em prática, mas de forma ilegal,em
Русский Babi Yar · Bydgoszcz · Rumbula
grande parte da Europa naquele período, foi legislada na Alemanha na Piaśnica · Ponary · Odessa
Srpskohrvatski /
српскохрватски seqüência da tomada do poder pelos nazis em 30 de Janeiro de 1933. A Lei Erntefest · IX Forte
Simple English para a Restauração do Serviço Público Profissional, que passou à prática em7 "Solução Final"
Slovenčina de Abril do mesmo ano, excluiu muitos judeus de exercer profissões legais e de Operação Reinhardt
Српски / srpski Ferrovias do Holocausto
serviço público. Legislação similar rapidamente retirou o direito aos
Svenska Final da 2ª Guerra
judeus de exercer outras profissões.[4] Pressão econômica e violência foram Marchas da morte
ไทย
Türkçe outros métodos utilizados pelo regime nazista para forçar os judeus a partirem Massacre de Wola
Українська do país.[5] Os negócios geridos pelos judeus viam o seu acesso ao mercado Os campos
中文 negado, eram proibidos de os promover em jornais, e de fechar contratos Campos de extermínio nazistas
Editar ligações com o governo. Os cidadãos eram ameaçados e sujeitos a ataques violentos Auschwitz-Birkenau
e a boicotes aos seus negócios.[6] Bełżec
Chełmno · Majdanek
Em setembro de 1935, as Leis de Nuremberga foram decretadas, proibindo Sobibor · Treblinka
casamentos entre judeus e cidadãos de origem germânica, relações extra- Campos de concentração
maritais entre judeus e alemães, e a contratação de mulheres alemãs com Bergen-Belsen · Bogdanovka
Buchenwald
menos de 45 anos de idade como empregadas domésticas em casas de
Dachau · Gross-Rosen
judeus.[7] A Lei da Cidadania do Reich estabelecia que os verdadeiros Herzogenbusch
cidadãos eram aqueles com sangue alemão, ou com ele relacionado; assim, Janowska · Jasenovac
os judeus e outros grupos minoritários ficaram sem a sua cidadania alemã.[8] Kaiserwald
Maly Trostenets
Um decreto adicional emitido em novembro definia como judeu todo aquele com Mauthausen-Gusen
três avós judeus, ou dois avós judeus se a religião judaica fosse Neuengamme · Ravensbrück
seguida.[9] No início da Segunda Guerra Mundial em 1939, cerca de 250 000 Sachsenhausen · Sajmište
Salaspils · Stutthof
dos 437 000 judeus vivendo na Alemanha emigraram para os Estados Unidos, Theresienstadt
Palestina, Grã-Bretanha e outros países.[10][11] Uckermark · Varsóvia
Lista de campos
Depois da invasão da Polônia em Setembro de 1939, Hitler deu ordem para de concentração nazistas
que os líderes e a intelligentsia polacos fossem destruídos.[12] O
Sonderfahndungsbuch Polen (Livro de Acusação Especial Polónia) — listas Resistência
de pessoas a serem executadas — já tinha sido previamente elaborado Partisans judeus · Berihá
Levantes de guetos
pelas SS em Maio de 1939.[12] Os Einsatzgruppen (forças especiais de Varsóvia
intervenção) levavam a cabo aquelas execuções com o apoio do Białystok
Volksdeutscher Selbstschutz (Grupo Germânico de Auto-protecção), um Łachwa
grupo para-militar que consistia em alemães étnicos a viver na Polónia.[13] Pós-guerra
Membros das SS, da Wehrmacht (Forças Armadas Alemãs), e a Julgamentos de Nuremberg
Ordnungspolizei (Polícia de Ordem; Orpo) também mataram civis durante a Julgamento de Auschwitz
Desnazificação
campanha polaca.[14] Aproximadamente 65 000 civis foram mortos até ao
Negação do Holocausto
final de 1939. Para além dos líderes da sociedade polaca, mataram judeus,
Sobreviventes remanescentes
prostitutas, ciganos e pessoas com deficiências mentais.[15][16] Sh'erit ha-Pletah
Em 31 de Julho de 1941, Hermann Göring deu uma autorização por escritoao Acordo de Reparações entre
SS-Obergruppenführer (Chefe de Grupo Sénior) Reinhard Heydrich,Chefe do Israel e Alemanha Ocidental
Gabinete Central de Segurança do Reich (RSHA), para que estepreparasse e Listas
enviasse um plano para uma "solução total da questão judaica"nos territórios Judeus sobreviventes
Salvadores de judeus
sob controle alemão, e que coordenasse a participação de
Vítimas do nazismo
todas as organizações governamentais envolvidas.[17] O resultante
Fontes
Generalplan Ost (Plano Geral para o Leste) estabelecia a deportação da
A Destruição
população da Europa Oriental ocupada, assim como da União Soviética até à

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Sibéria, para serem utilizados como trabalhadores escravos ou para serem dos Judeus Europeus
mortos.[18] As minutas da Conferência de Wannsee estimavam que a Funcionalismo versus
intencionalismo
população judaica da União Soviética fosse de cinco milhões, e mais três
História judaica
milhões da Ucrânia.[19]
Para além da eliminação dos judeus, os nazis também planearam reduzir a v •e
população dos territórios ocupados em trinta milhões de pessoas através da
falta de alimentos numa operação chamada de Plano de Fome. O
abastecimento de comida seria redirecionado para o exército alemão epara
os civis alemães. As cidades seriam destruídas e os terrenos seriam
reflorestados ou colonizados por cidadãos alemães.[20] O objetivo do
Plano de Fome era infligir a morte pela fome às populações de cidadãos
eslavos sob ocupação alemã, entregando todos os alimentos à população
da Alemanha e à Wehrmacht na Frente Oriental.[21] De acordo com o
historiador Timothy Snyder, "4,2 milhões de cidadãos soviéticos (na sua
maioria russos, bielorrussos e ucranianos) morreram de fome" por causa Esquema de classificação racial sob as
dos nazis (e da Wehrmacht) em 1941–1944, resultado do plano de Leis de Nuremberga (1935): alemães,
Mischling e judeus.
Backe.[22][23]
As colheitas foram fracas na Alemanha nos anos de 1940 e 1941, e a comida armazenada era insuficiente, pois o
número de trabalhadores forçados que tinham sido levados para o país para trabalhar na indústria do armamento foi
em grande número.[24] Se estes trabalhadores — tal como o povo alemão — fossem devidamente alimentados, devia
haver uma grande redução de "bocas inúteis", dos quais milhões de judeus sob governo alemão eram, à luz da
ideologia nazista, o mais óbvio exemplo.[25]
Quando a Conferência de Wannsee foi realizada, a matança de judeus na União Soviética já estava em curso há
alguns meses. Desde o início da Operação Barbarossa — a invasão da União Soviética — os Einsatzgruppen ficaram
com a missão de seguir o exército para as áreas conquistadas e matar os judeus. Numa carta de 2 de Julho de 1941,
Heydrich transmitiu aos seus chefes das SS e da Polícia que os Einsatzgruppen deviam executar os oficiais do
Comintern, membros superiores do Partido Comunista, elementos radicais do Partido Comunista, comissários do povo,
e judeus do partido ou de cargos governamentais.[26] Outras instruções, sem limite, foram dadas para executar
"elementos radicais (sabotadores, propagandistas, atiradores furtivos, assassinos, agitadores, etc.)."[26] Heydrich deu
ordens para que qualquer pogroms iniciados de forma espontânea pelos ocupantes dos territórios conquistados,
deviam ser encorajados de forma discreta.[26] A 8 de Julho, anunciou que todos os judeus deviam ser considerados
partisans, e ordenou que todos os judeus masculinos com idade compreendida entre os 15 e os 45 deviam ser
executados.[27] Em Agosto, a malha foi alargada para incluir mulheres, crianças, e idosos — toda a a população
judaica.[28] Na altura em que o planeamento estava a decorrer para a Conferência de Wannsee, centenas de milhares
de judeus polacos, sérvios e russos já tinham mortos.[29] O plano inicial era implementar o Generalplan Ost depois da
conquista da União Soviética.[18][30] Os judeus europeus deveriam ser deportados para zonas ocupadas da Rússia,
onde trabalhariam até à morte em projectos de construção de vias terrestres.[29]

Planejamento da conferência [editar código-fonte]


Em 29 de Novembro de 1941, Heydrich enviou as convocações para uma conferência
ministerial a ter lugar a 9 de Dezembro de nos escritórios da Interpol no n.º16 Am
Kleinen Wannsee.[31] A 4 de Dezembro, alterou o local da reunião para o actual.[31]
Incluiu uma cópia da carta de Göring datada de 31 de Julho que o autorizava a planear
uma Solução Final para a Questão Judaica. Os ministérios presentes eram o do
Interior, o da Justiça, o do Plano de Quatro Anos, o da Propaganda, e o the Ministério
do Reich para os Territórios Orientais Ocupados.[32]
Entre a data em que os convites para a conferência foram enviados (29 de Novembro)
e a data do cancelamento da primeira reunião (9 de Dezembro), a situação mudou. A 5
de Dezembro, o exército soviético deu início a uma contra-ofensiva junto de Moscovo,
Carta de Heydrich para terminando, assim com a perspectiva de uma rápida conquista da União Soviética. A 7
Martin Luther, sub-secretário de Dezembro, os japoneses atacaram os Estados Unidos em Pearl Harbor, levando os
do Ministério de Relações EUA a declarar guerra ao Japão no dia seguinte. O governo do Reich declarou guerra
Exteriores, a convidá-lo para a
Conferência de Wannsee aos EUA a 11 de Dezembro. Alguns dos participantes da reunião estavam envolvidos
(Casa Memorial da nestes preparativos, o que levou Heydrich a adiar a conferência.[33] Por esta altura,
Conferência de Wannsee, Hitler decidiu que todos os judeus da Europa deviam ser eliminados imediatamente, e
Berlim)
não depois da guerra, a qual não tinha um fim à vista.[34][nota 1] Na reunião da
Chancelaria do Reich de 12 de Dezembro de 1941, Hitler encontrou-se com membros

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da cúpula do partido e transmitiu-lhes as suas intenções.[35] No dia 18 de Dezembro, Hitler discutiu o destino dos
judeus com Himmler na "Toca do Lobo".[36] No seguimento da reunião, Himmler escreveu uma nota no seu calendário
de trabalho, que apenas dizia "Questão judaica/para serem destruídos como partisans".[36]
A guerra continuava a decorrer, e como o transporte em massa de pessoas para zonas de combate era impossível,
Heydrich decidiu que os judeus que viviam no Governo Geral (área ocupada pelos alemães na Polónia) seriam mortos
em campos de extermínio instalados nas zonas ocupadas da Polónia, assim como os outros judeus do resto da
Europa.[1]
A 8 de Janeiro de 1942, Heydrich enviou convites para uma reunião no dia 20 de Janeiro.[37] O local para a nova
conferência era uma villa no n.º56–58 Am Großen Wannsee, com vista para o Großer Wannsee. A villa tinha sido
adquirida a Friedrich Minoux em 1940 pela Sicherheitsdienst (Força de Segurança; SD) para ser utilizada como centro
de conferências e casa de hóspedes.[38]

Participantes [editar código-fonte]


Heydrich convidou os representantes de vários ministérios governamentais, incluindo secretários-de-Estado do
Ministério das Relações Exteriores, da Justiça, do Interior, e ministros de Estado, e representantes das SS. O processo
de dissiminação da informação acerca do destinodos judeus já estava em curso quando a reunião se realizou.[39] Dos
15 participantes, 8 tinham doutoramentos.[40]

Lista de participantes[41]
Nome Fotografia Título Organização Superior
Chefe da RSHA
SS-Obergruppenführer Delegado Protector do
Schutzstaffel Reichsführer-SS (Líder do
(tenente-general) Reich da Boémia e
(SS) Reich SS) Heinrich Himmler
Reinhard Heydrich Morávia
Presidente
Chefe do Gabinete
SS-Gruppenführer
Principal da Raça e Schutzstaffel Reichsführer-SS Heinrich
(major-general) Otto
Colonização SS (SS) Himmler
Hofmann
(RuSHA)
Gabinete
SS-Gruppenführer Principal de Chefe do RSHA
Chefe do Amt IV
(major-general) Heinrich Segurança do SS-Obergruppenführer
(Gestapo)
Müller Reich (RSHA), Reinhard Heydrich
Schutzstaffel

SS-Oberführer (coronel) SiPo e SD, Chefe do RSHA


Comandante da SiPo e
Dr. Karl Eberhard RSHA, SS-Obergruppenführer
da SD no Governo Geral
Schöngarth Schutzstaffel Reinhard Heydrich

SS-Oberführer (coronel) Chancelaria do Chefe da Chancelaria do


Secretário permanente
Dr. Gerhard Klopfer Partido Nazi Partido Martin Bormann

SS-Obersturmbannführer Head of Referat IV B4 of Gestapo, Chefe do Amt IV


(tenente-coronel) Adolf the Gestapo RSHA, SS-Gruppenführer Heinrich
Eichmann Recording secretary Schutzstaffel Müller

Comandante da
Sicherheitspolizei
(Polícia de Segurança;
SiPo) e da SD para o
Distrito-Geral Latvia SS-Brigadeführer (brigadeiro-
Delegado do SiPo e SD, general) e Generalmajor der
SS-Sturmbannführer
Comandante da SiPo e RSHA, Polizei (major-general da
(major) Dr. Rudolf Lange
da SD para o Schutzstaffel Polícia) Dr. Franz Walter
Reichskommissariat Stahlecker
Ostland

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Chefe do
Einsatzkommando 2
Minstro do
Ministro do Reich para os
Reichsamtleiter Reich para os
Territórios Orientais
Dr. Georg Leibbrandt (Gabinete Principal do Territórios
Ocupados Dr. Alfred
Reich) Orientais
Rosenberg
Ocupados
Gauleiter (Líder Ministro do
Ministro do Reich para os
Regional do Partido) Reich para os
Territórios Orientais
Dr. Alfred Meyer Secretário-de-Estado e Territórios
Ocupados Dr. Alfred
Ministro-delegado do Orientais
Rosenberg
Reich Ocupados
Governo Geral
(Autoridade
Governador-geral Dr. Hans
Dr. Josef Bühler Secretário-de-Estado para a
Frank
Ocupação da
Polónia)

Ministério da
Ministro da Justiça do Reich
Dr. Roland Freisler Secretário-de-Estado Justiça do
Dr. Franz Schlegelberger
Reich

SS-Brigadeführer Ministério do
Ministro do Interior do Reich
(brigadeiro-general) Dr. Secretário-de-Estado Interior do
Dr. Wilhelm Frick
Wilhelm Stuckart Reich

Gabinete do
Plenipotenciário Plenipotenciário para o Plano
SS-Oberführer (coronel)
Secretário-de-Estado para o Plano dos Quatro Anos Hermann
Erich Neumann
dos Quatro Göring
Anos
Ministro do Reich Minister e
Friedrich Wilhelm Chancelaria do Chefe da Chancelaria do
Secretário Permanente
Kritzinger Reich Reich SS-Obergruppenführer
Dr. Hans Lammers
Ernst von Weizsäcker,
Ministério das
Secretário-de-Estado do
Relações
Martin Luther Sub-Secretário Ministro das Relações
Exteriores do
Exteriores Joachim von
Reich
Ribbentrop

Procedimentos [editar código-fonte]


Para a reunião, Eichmann preparou uma lista com o número de judeus
existentes em vários países europeus. Os países foram listados em dois
grupos, "A" e "B". O grupo "A" continha aqueles sob o controlo ou ocupação
directa do Reich (ou parcialmente ocupado e "pacificado", como a França de
Vichy); em relação ao grupo "B", eram os países aliados ous Estados-clientes,
neutros, ou em guerra com a Alemanha.[42][nota 2] Os números da lista já
reflectiam as acções realizadas pelos forças nazis; por exemplo, a Estónia está
listada como Judenfrei (livre de judeus), pois os 4500 judeus que
permaneceram naquele país após a ocupação alemã, foram exterminados até
ao final de 1941.[43] A Polónia ocupada não se encontrava na lista, pois em
1939 o país foi dividido pelos alemães a oeste, pela União Soviética a leste, e
pelo Governo Geral, onde muitos polacos e judeus expulsos já tinham sido
colocados.[44]
Heydrich abriu a conferência com um relatório de medidas anti-judeus, em
vigor na Alemanha, desde a tomada de poder em 1933. Explicou que, entre
1933 e Outubro de 1941, 537 000 judeus alemães, austríacos e checo tinham Lista de Eichmann

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emigrado.[45] Esta informação foi retirada de um relatório preparado para ele
na semana anterior por Eichmann.[46]
Heydrich informou que existiam cerca de onze milhões de judeus em toda a Europa, metade dos quais em países que
não estavam sob o domínio alemão.[42][nota 3] Explicou que desde o momento em que a emigração judaica tinha sido
proibida por Himmler, uma nova solução foi encontrada: "evacuar" os judeus para o leste. Seria uma solução
temporária, um passo em direcção à solução final da questão judaica.[47]

Sob adequada orientação, no processo da solução final, os judeus devem ser afectados a
trabalhos apropriados no Leste. Os judeus fisicamente capazes, separados de acordo com o seu
sexo, deverão ser levados em largas colunas de trabalho para estas zonas para trabalhar na
construção de estradas, no decurso do qual, sem dúvida, um grande número deles será eliminado
devido a causas naturais. Os que sobrarem, pois alguns deles serão resistentes, devem ser
tratados apropriadamente, pois trata-se do resultado da selecção natural, e, se fossem libertados,
de certeza que dariam origem a novos judeus.[48]

O historiador alemão Peter Longerich escreve que as ordens vagas escondidas em certa terminologia, mas que tinha
um significado específico para os membros do regime, eram comuns, em particular quando os responsáveis recebiam
ordens para levarem a cabo actividades criminais. Os líderes recebiam instruções acerca da necessidade de serem
"severos" e "firmes"; todos os judeus deviam ser vistos como potenciais inimigos que tinham de ser tratados sem
misericórdia.[49] O palavreado usado no Protocolo de Wannsee — as minutas distribuídas da reunião — torna claro
aos participantes que a evacuação para leste era um eufemismo para morte.[50]
Heydrich continuou o seu discurso dizendo que no curso da "execução na
prática da solução final", a Europa seria "passada a pente fino de oeste a
leste" mas que a Alemanha, Áustria e o Protectorado da Boémia e Morávia
teriam prioridade "devido ao problema doméstico e das necessidades sociais e
políticas".[48] Esta era uma referência à pressão crescente dos Gauleiters
(líderes regionais do Partido Nazi) na Alemanha para que os judeus fossem
retirados das suas áreas e ali serem realojados os alemães que ficaram sem
casa devido aos bombardeamentos dos Aliados, tal como para arranjar espaço
Sala da reunião da Conferência para os trabalhadores que eram importados dos países ocupados. Os judeus
Wannsee, 2006 "evacuados", disse Heydrich, seriam, primeiramente, enviados para "guetos de
transição" no Governo Geral, a partir dos quais seriam transportados para
leste.[48] Heydrich explicou que, para evitar as dificuldades legais e políticas, era importante quem era considerado
judeu para ser "evacuado". Descreveu as categorias de pessoas que não seriam mortas. Judeus com mais de 65 anos
de idade, e judeus veteranos da Primeira Guerra Mundial que tivessem sido feridos com gravidade ou que tivessem
recebido a Cruz de Ferro, podiam ser enviados para o campo de concentração de Theresienstadt em vez de serem
mortos. "Com esta solução," afirmou, "de uma só vez, muitas intervenções serão evitadas."[48]
Em relação àquelas pessoas que fossem metade ou um quarto judeus, e judeus que fossem casados com não-judeus,
o caso era mais complexo. Segundo as Leis de Nuremberga de 1935, o seu estatuto foi deixado, propositadamente,
subjectivo. Heydrich anunciou que os Mischlings (um termo nazi pejorativo para pessoas com mistura de raças) do
primeiro grau (pessoas com dois avós judeus) seriam tratados como judeus. Esta classificação não se aplicaria se
fossem casados com um não-judeu e tivessem filhos desse casamento. Também não se aplicaria se tivessem uma
garantia por escrito com isenção passada "pelos mais altos gabinetes do Partido e do Estado."[51] Estas pessoas
seriam esterilizadas, ou deportadas caso se recusassem a sê-lo.[51] Os "Mischlings de segundo grau" (pessoas com
um avô/avó judeu) seriam tratadas como alemães a não ser que fossem casadas com judeus ou Mischlings de
primeiro grau, ou tivessem "uma aparência racial especialmente indesejável que o marcasse externamente como
judeu",[52] ou ainda que tivessem um "registo político que mostrasse que se comportavam ou se sentiam como
judeus".[53] As pessoas que fossem classificadas nesta última categoria, seriam executadas mesmo que fossem
casadas com não-judeus.[52] No caso de casamentos mistos, Heydrich recomendou que cada caso fosse analisado
individualmente e o impacto em quaisquer parentes alemães avaliado. Se tal casamento tivesse produzido crianças
que estivessem a seguir uma educação alemã, o parceiro judeu não seria morto. Se estivessem a ser educados como
judeus, poderiam ser executados ou enviados para um gueto degradado.[53] Estas excepções aplicavam-se apenas
aos judeus alemães e austríacos, e nem sempre eram cumpridas, mesmo para estas pessoas. Em muitos dos países
ocupados, os judeus eram reunidos e executados em massa, e todo aquele que vivesse numa comunidade judaica,
em qualquer sítio, ou como tal fosse identificado, era visto como judeu.[54][nota 4]
Heydrich comentou: "Na França ocupada e não ocupada, o registo de judeus para evacuação irá, com toda a certeza,
proceder-se sem grande dificuldade",[55] mas, no final, a grande maioria dos judeus nascidos em França
sobreviveu.[56] Maior dificuldade foi sentida nos aliados da Alemanha, Roménia e Hungria. "Na Roménia, o governo

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nomeou um comissário para os assuntos judaicos", disse Heydrich.[55] De
facto, a deportação de judeus romenos foi um processo lento e ineficiente
apesar de ul alto grau de anti-semitismo.[57] "Por forma a resolver a questão
na Hungria," afirmou Heydrich, "será necessário colocar um conselheiro para
as questões judaicas no governo húngaro".[55] O regime húngaro de Miklós
Horthy continuou a resistir à interferência alemã na sua política dos judeus até
à Primavera de 1944, quando a Wehrmacht invadiu o país. Rapidamente
600 000 judeus da Hungria (e partes da Checoslováquia, Roménia e
Jugoslávia ocupadas pela Hungria) foram enviados para a morte por Facsimiles das minutas da
Conferência de Wannsee e a lista de
Eichmann, com a colaboração das autoridades húngaras.[58] Eichmann.
Heydrich falou durante quase uma hora. Seguiu-se uma meia hora para
questões e comentários, e alguma conversa menos formal.[59] Otto Hofmann (chefe do Gabinete Principal da a Raça e
Colonização SS (RuSHA)) e Wilhelm Stuckart (Secretário-de-Estado do Ministério do Interior do Reich) chamaram a
atenção para as dificuldades administrativas e legais em relação aos casamentos mistos, e sugeriram a total
dissolução dos casamentos mistos ou uma utilização mais alargada da esterilização como alternativas mais simples.[60]
Erich Neumann do Plano de Quatro Anos pediu a isenção dos judeus que trabalhavam em indústrias vitais para o
esforço de guerra e para os quais não havia substitutos disponíveis. Heydrich assegurou.lhe que esta já era a política
actual; esses judeus não podiam ser eliminados.[61][nota 5] Josef Bühler, Secretário-de-Estado do Governo Geral,
apresentou a sua concordância em relação ao plano, e que a matança de judeus começasse o mais depressa
possível.[62] No final da reunião, foi servido cognac, e depois disso a conversa tornou-se mais descontraída.[60] "Os
cavalheiros estavam em pé ou sentados, em grupos", observou Eichmann, "e discutiam os assuntos abertamente,
muito diferente da linguagem que tive de utilizar mais tarde nos registos. Durante a conversa não se escusaram a
utilizar quaisquer palavras, fossem elas quais fossem ... falaram de métodos de execução, de liquidação, de
extermínio".[59] Eichmann referiu que Heydrich estava satisfeito com o curso da reunião. Esperava muita resistência,
lembrou Eichmann, mas, pelo contrário, deparou-se com "uma atmosfera não só de concordância geral da parte dos
participantes, mas, mais importante ainda, podia-se sentir um acordo que assumiu uma forma que não era
esperada".[54]

Protocolo de Wannsee [editar código-fonte]


No final da reunião, Heydrich entregou a Eichmann instruções firmes acerca do
que deveria constar nas minutas. Eichmann assegurou que nada muito
explícito constava da redacção do documento. No seu julgamento disse: "Como
é que hei-de vos explicar — algumas expressões mais exageradas e certas
terminologias tiveram de ser alteradas por mim para linguagem
administrativa".[62] Eichmann compilou os seus registos num documento com
os principais assuntos da reunião e da intenção de o regime avançar. Afirmou,
Vista do lago Großer Wannsee a no seu julgamento, que as minutas foram foram pessoalmente editadas por
partir da villa 56–58 Am Grossen Heydrich, e que assim o documento reflecte a mensagem que se pretendida
Wannsee, local da conferência que os participantes levassem a cabo da reunião.[63] As cópias das minutas
(Protocolo de Wannsee[nota 6]) foram enviadas por Eichmann a todos os
participantes após a reunião. [64] Muitas destas cópias foram destruídas no final da guerra pois os participantes da
reunião tinham receio de que servissem de provas dos seus crimes. Em 1947 é encontrada a cópia de Luther (a
número 16 de 30 cópias que foram feitas) por Robert Kempner, um advogado norte-americano presente nos
Julgamento de Nuremberga, no meio de documentos que tinham sido retirados do Ministério das Relações Exteriores
da Alemanha.[65]

Interpretação [editar código-fonte]


A Conferência de Wannsee durou um meros 90 minutos. A enorme importância e significado que lhe foi imputada por
escritores do pós-guerra, não foi evidente a muitos dos seus participantes naquela altura. Heydrich não tinha marcado
a reunião para definir novas decisões sobre a Questão Judaica que já não estivessem em curso. As execuções em
massa de judeus nos territórios conquistados da União Soviética e Polónia estavam a decorrer, e estava em
construção um novo campo de extermínio em Bełżec na altura da conferência; outros campos estavam a ser
planeados.[29][66] A decisão de eliminar os judeus já tinha sido tomada, e Heydrich, no papel de emissário de Himmler,
realizou a reunião para garantir a cooperação dos vários departamentos que realizavam as deportações.[67] De
acordo com Longerich, um dos objectivos principais da reunião era salientar que, quando as deportações já tivessem
sido efectuadas, a implementação da Solução Final passava a ser um assunto interno das SS, totalmente fora da
responsabilidade de outras organizações.[68] Um segundo objectivo era determinar o âmbito das deportações e
chegar a uma definição sobre quem era judeu, quem era Mischling, e quem (se é que alguém) pudesse ser

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poupado.[68] "Os representantes das burocracia ministerial transmitiram, de forma
muito clara, que não tinham quaisquer problemas sobre o princípio da deportação per
se. "Este foi o resultado crucial da reunião e a principal razão porque Heydrich tinha
minutas detalhadas e em circulação", disse Longerich.[69] A sua [dos participantes]
presença na reunião garantiu que todos os presentes em cúmplices das execuções
que iriam ter lugar.[70]
O biógrafo de Eichmann, David Cesarani, concorda com a interpretação de Longerich;
Cesariny observa que o principal objectivo de Heydrich era impor a sua autoridade
sobre vários ministérios e agências envolvidas nos assuntos judaicos, e evitar
qualquer repetição das disputas que surgiram anteriormente na campanha de
eliminações. "A forma mais simples, mais decisiva, que Heydrich podia assegurar o
discreta fluxo de deportações", escreve o autor, "era garantir o seu total controlo sobre
Reinhard Heydrich
o destino dos judeus no Reich e a leste, intimidando outras entidades interessadas e
levando-as a seguir a linha do RSHA".[71]

Memorial do Holocausto Casa de Wannsee [editar código-fonte]


Em 1965, o historiador Joseph Wulf propôs que a Casa Wannsee fosse transformada em memorial do Holocausto e
centro de documentação, mas o governo da Alemanha Ocidental não se mostrou interessado. O edifício foi utilizado
como escola, e não havia fundos financeiros disponíveis. Desanimado pelo fracasso do projecto e pelo facto de o
governo da Alemanha Ocidental não ter conseguido perseguir e condenar os criminosos de guerra nazis, Wulf
suicidou-se em 1974.[72]

Casa da Conferência de Wannsee [editar código-fonte]


Em 20 de Janeiro de 1992, no 50.º aniversário da conferência, o local foi finalmente aberto como um memorial do
Holocausto e museu conhecido comoe Haus der Wannsee-Konferenz (Casa da Conferência de Wannsee).[73] O
museu também inclui exibições permanentes de textos e fotografias que documentam os eventos do Holocausto e do
seu planeamento.[74] A Joseph Wulf Bibliothek/Mediothek, no segundo andar, acolhe uma grande coleccção de livros
da época nazi, e outros materiais como microfilmes e documentos origens do regime.[74]

Ver também [editar código-fonte]


The Wannsee Conference (1984)
Conspiracy (2001)
Fatherland
Arianização
Dia Internacional da Lembrança do Holocausto
Guetos judeus na Europa
Lista de sobreviventes do Holocausto

Notas
1. ↑ O historiador alemão Christian Gerlach alega que Hitler aprovou a política de extermínio num discurso a oficiais
superiores em Berlim no dia12 de Dezembro. Gerlach 1998, p. 785. Esta data não é aceite por todos, mas parece ser
possível que terá sido tomada uma decisão por esta altura. Em 18 de Dezembro, Himmler reuniu-se com Hitler e escreveu
na sua agenda: "Questão judaica/para serem destruídos como partisans" Browning 2007, p. 410. No dia seguinte, Wilhelm
Stuckert, Secretário-de-Estado do Ministério do Interior, disse a um dos seus funcionários: "O processo contra os judeus
evacuados baseia-se numa decisão da mais alta autoridade. Você deve chegar a um acordo com ela." Browning 2007,
p. 405
2. ↑ Esta informação estava no papel da reunião que Eichmann preparou para Heydrich antes da conferência. Cesarani 2005,
p. 112.
3. ↑ Esta informação estava no papel da reunião que Eichmann preparou para Heydrich antes da conferência. Cesarani 2005,
p. 112.
4. ↑ Numa reunião com 17 representantes ministeriais realizada no Ministério para os Territórios Orientais Ocupados em 29
de Janeiro, foi decidido que nos territórios de leste todos os Mischlings seriam classificados como judeus, enquanto na
Europa Ocidental seria implementado o padrão alemão mais brando. Browning 2007, p. 414.
5. ↑ Göring e os seus subordinados fizeram vários esforços persistentes para evitar que trabalhadores judeus qualificados,
cujo trabalho era uma parte importante do esforço de guerra, fossem mortos. Mas em 1943, Himmler tinha muito mais
poder no regime que, e todas as categorias de judeus qualificados perdriam as suas isenções. Tooze 2006, pp. 522–529.
6. ↑ As minutas têm o título de Besprechungsprotokoll (minutas para discussão).
Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Wannsee Conference»,

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Casa da Conferência de Wannsee
Lugar de formação e de comemoração

A Conferência de Wannsee
A convite de Reinhard Heydrich, chefe da Polícia de Segurança (Sicherheitspolizei) e do
Serviço de Segurança (Sicherheitsdienst - SD), teve lugar ao meio-dia de 20 de Janeiro de
1942, na sala de jantar da Villa, uma reunião de cerca de 90 minutos entre representantes
das SS, do Partido Nazi (NSDAP) e de vários ministérios do Reich. O tema era a “solução
final da questão judaica” (“Endlösung der Judenfrage”). Heydrich tinha como objectivo o
reconhecimento do seu papel de liderança nas deportações, bem como o envolvimento de
ministérios e membros do Partido importantes nas preparações para o assassinato dos
judeus europeus. Ao mesmo tempo, deveriam ser resolvidos os conflitos das administrações
de ocupação alemãs civis na Polónia e nos territórios do Báltico e Leste da Europa
(“Ostland”) com os líderes das SS. A conferência veio confirmar o sucesso alcançado ao
longo de 1941 pelas SS na luta entre os organismos públicos pela liderança na "solução da
questão judaica”. Os participantes fizeram propostas e levantaram objecções no interesse
dos organismos a que pertenciam, mas em geral mostraram-se dispostos a colaborar. Os
líderes do aparelho estatal alemão tornaram-se assim cúmplices e coniventes.

A Acta da Reunião
Adolf Eichmann, director da Secção para os Assuntos Judaicos (Judenreferat) da Gestapo,
resumiu o resultado da reunião numa acta, segundo a qual Heydrich comunicou aos
participantes que, baseado numa "autorização prévia" de Hitler, iria agora começar a
deportação de todos os judeus europeus para a Europa de Leste. Sublinhou o facto de a
“liderança na preparação da solução final da questão judaica" pertencer exclusivamente a
ele, independentemente das fronteiras geográficas. A inclusão dos chamados “mestiços“
(pessoas com pais ou avós cristãos e judaicos) e de parceiros judeus em “casamentos
mistos” nas deportações levantou contudo polémica. A tentativa agressiva de Heydrich de
estender as ordens de deportação a estes grupos era uma intromissão nas competências do
Ministério do Interior, representado na conferência pelo Secretário de Estado Wilhelm
Stuckart. Como Heydrich não consegui atingir um consenso e a resolução desta questão foi
adiada para conferências futuras, Eichmann teve de conceder a estas propostas mais
espaço que o normal: quatro páginas da acta reproduzem as propostas para a deportação
de “mestiços” e parceiros de casamento judeus, sendo que a acta da conferência
apresentava no seu total – incluindo a página e meia da lista de participantes e uma página
de dados estatísticos – apenas quinze páginas escritas à máquina. Estas propostas radicais
continuaram na agenda de discussão, na esperança da sua resolução futura.

Como a acta reproduz o resultado do encontro e não a discussão palavra a palavra, oferece-
nos apenas indicações sobre o decurso real e o ambiente da conferência. Durante o seu
processo em Jerusalem em 1960/61, Adolf Eichmann foi extensivamente questionado sobre
a conferência de Wannsee. Eichmann sublinhou que mesmo representantes do aparelho
burocrático do Estado falaram claramente e sob consenso geral sobre o extermínio dos
judeus. A acta teve de ser alterada várias vezes até Heydrich estar satisfeito. O texto não
deveria incluir expressões demasiado drásticas, mas deveria contudo comprometer os
Secretários de Estado – torná-los, por outras palavras, cúmplices e coniventes. Eichmann
referiu que teve de apresentar informações para a comunicação introdutória de Heydrich.
1
Estas incluiam uma tabela com os números e a distribuição dos judeus na Europa, os “cerca
de 11 milhões de judeus” que,”na sequência da solução final da questão judaica europeia”,
entrariam “em consideração” (página 6 da acta). A Representação Nacional dos Judeus na
Alemanha (Reichsvertretung der Juden in Deutschland - RV) recebeu ordens, em Agosto de
1941, para elaborar um resumo estatístico do número de judeus, absoluto e em relação à
população total dos países, com dados sobre a definição do conceito de “judeu” e sobre o
estatuto legal dos judeus.

Na sua rápida resposta, a RV baseou-se em várias publicações, revistas e artigos de jornais


e declarou que: "Os números, quando possível retirados de documentos oficiais, de resto
estimados, referem-se no geral a judeus praticantes e representam assim quantias
mínimas.” Em comparação com a tabela elaborada por Eichmann, encontram-se algumas
divergências significativas. No caso do Governo-Geral da Polónia Ocupada
(Generalgouvernement) e da Roménia, Eichmann aumentou os números, em
correspondência com o alargamentos dos territórios no Verão de 1941 para o disitrito da
Galícia e da Bessarábia. Os números da RV para a URSS – 3,02 milhões – sofreram um
aumento considerável para 5 milhões de judeus, possivelmente por motivos de propaganda.
Para a Holanda, Eichmann corrigiu a informação da RV de 135.000 para o número bastante
exacto de 160.800. Para a Estónia não existiam dados, contudo na tabela de Eichmann a
Estónia é classificada como “sem judeus”. Todos os judeus estónios que não tinham
conseguido fugir tinham sido já assassinados pela Força de Intervenção A (Einsatzgruppe
A). Quanto à França, aparentemente Eichmann contou também com os judeus das colónias
francesas do Norte de África. A tabela estatística na acta da Conferência de Wannsee
contêm portanto a ameaça de exterminação dos judeus europeus. A ameaça efectiva é
visível no mapa das frentes e dos participantes na guerra na noite de 20 de Janeiro de 1942.
Este mapa foi elaborado com o apoio do Instituto de Pesquisa da História Militar
(Militärhistorischen Forschungsamtes) em Potsdam, a partir dos mapas do Estado-Maior do
Alto Comando das Forças Armadas (Oberkommando der Wehrmacht). Mostra que os
centros de vida judaica no Leste e no Sudeste da Europa estavam ocupados pela Alemanha
ou dominados por regimes aliados de Hitler. Na tabela, Eichmann diferenciou entre países
ocupados pelas Forças Armadas alemãs (Wehrmacht) e países aliados ou neutros,
destinados a serem dominados pela Alemanha. A tabela mostra também que a liderança
nazi, apesar da invasão falhada da Inglaterra em 1940 e da viragem da guerra no Inverno de
1941/42 após o insucesso da estratégia de Blitzkrieg na Rússia, partia ainda do príncipio
que iria dominar toda a Europa a curto prazo.

A Atribuição de Plenos Poderes a Heydrich


A acta da conferência mostra que a decisão de transformar os assassinatos em massa, que
vinham acontecendo desde Junho de 1941, num genocídio sistemático de todos os judeus
europeus tinha sido tomada antes da mesma, e pelo mais alto escalão. Desde a invasão da
União Soviética, a 22 de Junho de 1941, que as forças de intervenção do Escritório Central
de Segurança do Reich (Reichssicherheitshauptamtes – RSHA) assassinavam as
populações judaicas locais. Heydrich buscava agora, para isto e para planos próximos,
legitimação escrita, de maior importância que a ordem do Reichsführer SS Heinrich
Himmler. Na noite de 31 de Julho de 1941, apresentou a Hermann Göring um documento,
redigido no RSHA, para assinar. Göring tinha nomeado Heydrich como director da Migração
Forçada já em 1939. Adolf Hitler tinha atribuido a Göring, número dois na hierarquia do
Partido Nazi, vários poderes. Estes incluiam a coordenação de todas as medidas anti-
judaicas. Com a sua assinatura, Göring atribuiu a Heydrich plenos poderes para preparar
uma “solução global da questão judaica nas regiões de influência alemã na Europa”,
consoante as “condições temporais”. Heydrich utilizou esta documento seis meses mais
tarde, visto que a ideia de uma “solução global da questão judaica” tinha evoluido
radicalmente para o conceito de genocídio. Com esta autorização escrita, Heydrich pode
2
também legitimar o seu papel de poder na “solução final da questão judaica” junto a outros
organismos e dentro das SS. A 29 de Novembro de 1941, todos os participantes receberam
uma cópia deste documento por carta circular, juntamente com o convite para a conferência.
Cinco dias depois da Conferência de Wannsee, Heydrich enviou mais cópias à direcção
regional da Polícia de Segurança (Sicherheitspolizei), ao Serviço de Segurança das SS
(Sicherheitsdienst), a forças de intervenção e ao Escritório Principal de Pessoal
(Personalhauptamt) das SS. No comunicado que as acompanhava, referiu-se
indirectamente à Conferência de Wannsee com as palavras: “Os trabalhos preparatórios
foram iniciados.”
No final de Janeiro de 1942, Adolf Eichmann ordenou por correio expresso a todos os
serviços alemães em questão para continuarem com a deportação dos judeus iniciada em
Outubro de 1941. Falava agora explicitamente do “início da solução final". Eichmann listou
detalhadamente os grupos de pessoas que deveriam ser deportadas e indicou as pessoas
que, por enquanto, deveriam ser excluidas do processo – de acordo com o Primeiro Decreto
da Lei da Cidadania (Reichsbürgergesetz) de 1935. Heydrich não tinha portanto conseguido,
até esta altura, implementar o alargamento, por ele desejado, do círculo de pessoas a serem
deportadas. Com esta carta de Eichmann, baseada no resultado da Conferência de
Wannsee, começaram as preparações para a deportação sistemática de todos os judeus
europeus. Em duas conferências subsequentes, a 6 de Março de 1942 e a 27 de Outubro de
1942, oficiais para os assuntos judaicos (“Judenreferenten”) dos ministérios discutiram, sob
direcção de Eichmann, sobre a esterilização como “solução para a questão dos mestiços” e
sobre as necessidades jurídicas formais do divórcio forçado para "casamentos mistos".
Como Hitler não tomou uma decisão fundamental até ao final da guerra, estas medidas
radicais não chegaram a ser implementadas no Reich. Esta moderação para com familiares
não judeus não foi contudo praticada nos países ocupados. Himmler, pessoalmente, não
aceitava aqui qualquer definição restritiva do conceito de judeu. Contudo, na época final da
guerra chegaram a ser deportados “parceiros de casamentos mistos”, mesmo no território
do Reich.

Os Participantes da Conferência
As instituições de que os participantes eram membros e o seu grau de hierarquia podem ser
observados no organograma exposto na sala de conferências histórica. Aqui se vê que a
designação de “reunião de Secretários de Estado”, encontrada num documento elaborado
após a conferência, descreve acertadamente o carácter deste encontro. Os Secretários de
Estado implementaram uma decisão tomada anteriormente pelo escalão político superior.
Não é portanto correcto afirmar, como ocasionalmente acontece, que o extermínio dos
judeus europeus foi decidido na Conferência de Wannsee. A conferência é, ainda assim, de
grande importância histórica, pois possibilitou a coordenação necessária para o alargamento
do genocídio a quase toda a Europa. Representa o envolvimento do aparelho de estado
alemão quase todo no genocídio organizado. Os 15 participantes da conferência pertenciam
à elite política do regime nazi. Os seus currículos mostram que muitos possuíam uma
educação superior e tinham feito uma carreira fulgurante. Oito contavam com o grau de
doutoramento. A maioria originava de “boas famílias burguesas”. Alguns eram nacional-
socialistas convictos, outros tinham entrado para o partido mais por oportunismo. A sua
idade média era bastante baixa – apenas 43 anos. Pergunta-se frequentemente o que
aconteceu aos participantes depois da guerra: um terço tinha já morrido quando acabou a
guerra, ou morreu pouco depois. Reinhard Heydrich morreu poucos meses depois da
conferência, em consequência de um atentado por resistentes checos. Rudolf Lange e
Alfred Meyer suicidaram-se em Fevereiro e Maio (respectivamente) de 1945. Roland
Freisler morreu durante um ataque aéreo na cave do "Tribunal Popular"
(“Volksgerichtshof“), por ele chefiado, em Fevereiro de 1945. Martin Luther, do Ministério
dos Negócios Estrangeiros, caiu em desfavor por causa de uma intriga contra o Ministro dos
Negócios Estrangeiros em 1943 e foi mandado para o campo de concentração de
Sachsenhausen durante a preparação do processo contra si. Morreu no início de 1945, em
3
consequência do seu aprisionamento, num hospital em Berlim. É provavelmente graças a
estas circunstâncias que o exemplar de Luther, o 16º de um total de 30 exemplares da acta,
chegou até nós. Na preparação do seu processo, as actas foram retiradas do seu escritório
no Ministério dos Negócios Estrangeiros no centro de Berlim. Mais tarde, foram depositadas
num edifício na periferia da cidade, em Lichterfelde, e escaparam assim à destruição
sistemática de documentos antes do final da guerra. Em 1947, durante a preparação do
Processo de Nuremberga contra membros de chefia dos ministérios, a equipa do
procurador-geral americano encontrou as duas actas com o título “solução final da questão
judaica”, retiradas do escritório de Luther. Outro terço dos participantes morreu nos
primeiros anos após a guerra: Wilhelm Kritzinger morreu em 1947, pouco depois de ser
libertado da prisão devido a doença. Na preparação do “Processo Wilhelmstraße” em
Nuremberga, Kritzinger tinha sido confrontado com a sua participação na Conferência de
Wannsee, devido à acta recentemente encontrada. Ele confirmou – como mais tarde
também Eichmann – a autenticidade da acta e a sua participação na conferência. Descreveu
o extermínio dos judeus como um crime que lamentava. Erich Neumann morreu em inícios
de 1948. Eberhard Schöngarth foi condenado à morte por um tribunal militar inglês em
1946, não devido à sua participação no assassinato de judeus na Galícia, mas sim por ter
ordenado pessoalmente o fuzilamento de um prisioneiro de guerra. Josef Bühler foi
condenado à morte em 1948 em Cracóvia. Adolf Eichmann foi também executado - em
1962 em Jerusalém. O terço restante dos participantes consegui construir uma existência
burguesa normal após a guerra, em parte já em finais dos anos 40. Gerhard Klopfer e
Georg Leibbrandt foram libertados da prisão em 1949. Em 1962 foi suspenso o processo
preliminar contra Klopfer por causa da sua participação na Conferência de Wannsee. Um
inquérito preliminar contra Leibbrandt pelo mesmo motivo foi suspenso já em 1950. O
tribunal alemão não foi capar de provar a sua culpa pessoal. Conseguiram assim escapar
sem castigo, como muitos dos chamados criminosos de escritório. Klopfer viveu em paz e
sossego até 1987, Leibbrandt até 1982. Ambos morreram com mais de 80 anos. Otto
Hofmann foi condenado a 25 anos de prisão em 1948, no processo de Nuremberga contra
Serviço Central Colonial e Racial (SS-Rasse- und Siedlungshauptamt). Foi contudo
perdoado, como muitos outros, e libertado da prisão americana para criminosos de guerra
em Landsberg am Lech em 1954. Hofmann viveu como empregado comercial em
Württemberg até 1982 e morreu com 84 anos. Wilhelm Stuckart saiu da prisão em 1949
após o Processo de Wilhelmstraße, visto a sua pena de 3 anos e 10 meses já ter sido
cumprida. Morreu num desastre de automóvel em 1953 com 51 anos. Nada se sabe sobre o
destino de Heinrich Müller, chefe da Gestapo. Tinha transferido o seu escritório
temporariamente para a Villa de Wannsee, depois do bombardeamento do Palácio Prinz
Albert, e foi visto ainda em finais de Abril de 1945 no Führerbunker. Foi declarado
desaparecido a partir dos primeiros dias de Maio de 1945. Os rumores sobre a sua fuga
para a América do Sul ou para os EUA não puderam ser confirmados.

© Casa da Conferência de Wannsee, Berlin 2012

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