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UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL

Filosofia e Estética da Música

Licenciatura em Música – Matheus Ernesto Erlo Tomazelli

RESENHA

KOELLREUTTER, Hans Joachim. Sobre o valor e o desvalor da obra de arte.


ESTUDOS AVANÇADOS, 1999.

Escrito em 1999 pelo flautista, regente, compositor e pedagogo Hans


Joachim Koellreutter, o artigo “Sobre o valor e o desvalor da obra de arte”
procura elucidar o significado da palavra valor dentro da arte, e não determiná-
lo precisamente. Busca, também, contribuir para a resposta de questões
básicas da criação artística contemporânea, com ênfase nos países de terceiro
mundo.

Inicialmente é importante frisar o pensamento de Koellreutter sobre o


que são países de Terceiro Mundo: “[...] refiro-me a um complexo populacional,
que social, cultural e economicamente não é homogêneo. Um complexo
populacional no qual existem diferenças interculturais de importância
fundamental, que ainda hoje pertencem a diferentes fases de desenvolvimento
cultural [...]” (KOELLREUTTER, p. 251). Ele afirma que três fases de
desenvolvimento cultural atuam preponderantemente nos complexos sociais do
terceiro mundo, do ângulo social e cultural. Após nos situarmos
cronologicamente na terceira fase desse desenvolvimento, cuja começou após
a revolução industrial, diz que ela criou uma nova condição de vida, em que
não podemos entender suficientemente as experiências do passado.
Concomitantemente, é conveniente saber que nos países de terceiro mundo se
desenvolveu um processo de integração sócio-cultural, o que gerou instituições
sociais que são diferentes daquelas anteriores à independência, e que não
determinam mais a experiência da maioria das pessoas.
O que acabou de ser mencionado é importante para entendermos que o
valor da obra de arte é relativo, ou seja, uma obra que tenha sido feita há dois
mil anos na Alemanha não tem de ser igualmente valorizada no Brasil, por
exemplo. Afirma, ainda, que a arte, por ser uma forma de linguagem, só pode
ser compreendida quando entendida por um apreciador com sensibilidade
artística, e que a bagagem sócio-cultural de cada individuo entendedor interfere
na maneira que cada um entende uma obra. Pode-se dizer então que a arte é
uma maneira de contribuir para o crescimento da consciência, que a educação
artística pode servir como instrumento para a construção do caráter dos jovens
e que ela pode mudar o homem, e, por consequência, a sociedade.

Em uma segunda parte do texto, o autor dá ênfase à importância do


estilo em uma obra de arte. Sustenta que o que é importante para a valorização
da obra é uma personalidade artística forte, que comunica em sua arte algo
novo, algo inovador. Apresenta sua opinião sobre o que está em desvalor:
obras cujo estilo se apoia em outro, opinião essa que eu concordo plenamente.
Uma obra original desperta em seus apreciadores algo novo, transcende a
barreira da arte tradicional e abre portas para novos estilos e formas se
manifestarem.

O autor diz que os valores da arte mudam conforme a evolução da


própria arte, e que a nova arte já superou vários pensamentos arcaicos, porém
tenho de discordar de Koellreutter quando diz que “[...] conceitos tradicionais,
que se formaram na fase racionalista de nossa cultura e que, em nosso tempo,
se modificaram ou desapareceram por completo.” (KOELLREUTTER, p. 259).
Sim, muitos dos pensamentos clássicos que se formaram há séculos já foram
extintos, porém não todos. Acredito que a censura que os artistas de nosso
tempo vêm sofrendo ainda está muito impregnada na sociedade, e que isso se
torna uma barreira para que novos estilos, técnicas e obras sejam
apresentadas.

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