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PSICANÁLISE CLÍNICA

Disciplina: Introdução à Psicanálise

Profº Eduardo Maciel


prof.eduardo.teologia@gmail.com
1. A Origem da Psicanálise
No ano de 1995, a Psicanálise completou um século como a ciência do Inconsciente.
Apesar de não ser uma ciência no sentido cartesiano, trata-se de um método de pesquisa
e de tratamento dos transtornos psíquicos. A psicanálise inicia o seu curso,
fundamentada na Neuropatologia e gradativamente aprimora os seus conhecimentos
com a participação dos psicanalistas.
Inicialmente, nas suas pesquisas, Freud (1895) percebeu que a maioria dos pacientes
apresentava distúrbios e queixas de natureza histérica. Relacionados há sentimentos
reprimidos com origem nas experiências sexuais perturbadoras. Deste modo formulou a
hipótese de que a ansiedade manifestava-se nos sintomas, conseqüência da energia da
libido, de transtornos ligado à sexualidade. Dessa forma, a energia reprimida
expressava-se por meio de vários sintomas, de modo inconsciente devido à repressão,
como um mecanismo de defesa psicológica.
Assim surge a Psicanálise, como o objetivo de tratar os processos mentais inconscientes
e ocupar-se do desequilíbrio mental. Uma teoria que trabalha a estrutura e o
funcionamento da mente humana, por meio de um método de análise do
comportamento. Percebida como uma ciência, uma doutrina e uma filosofia, a
psicanálise é também um método terapêutico para tratar das doenças de natureza
psicológica sem motivação orgânica. A partir da prática clínica de Josef Breuer (1842 –
1925) e de Sigmund Freud (1856 -1939) ocorrem à valorização, o aperfeiçoamento da
técnica e o reconhecimento público e científico.
Segundo Freud (1895) a psicanálise é um método terapêutico utilizado para tratar os
distúrbios psíquicos a partir da investigação do inconsciente. Para desenvolvê-la
fundamenta-se na teoria de Breuer (1895) no pensamento filosófico de Platão (428/27 -
347 a.C.), de Arthur Schopenhauer (1788 -1860) e na sua experiência profissional. A
teoria possui um corpo doutrinário de conhecimentos, como a estrutura tripartite da
mente, as suas funções, os tipos de personalidade, a teoria do inconsciente, o método
terapêutico da catarse e toda a filosofia pessimista da natureza humana. Sendo que, os
dilemas são processos subconscientes que permitem a mente encontrar uma solução
para os conflitos ao nível da consciência.
Na clinica Freud (1895) utilizava o método de Breuer (1895) que provêm do
procedimento catártico, resultado dos estudos sobre a histeria. O método psicanalítico se
expressa em diferentes fórmulas, que na sua essência são equivalentes. O objetivo do
tratamento consiste em eliminar as amnésias. Desta forma "preenchidas todas as lacunas
da memória, esclarecidos todos os efeitos enigmáticos da vida psíquica, tornam-se
impossíveis à continuação e mesmo a reprodução da doença." (Pereira) . Para que isso
ocorra todos os recalques devem ser desfeitos. Os processos anímicos são afetivos e
manifestam-se por meio do corpo, com sutileza. Assim, o estado psíquico passa a ser
idêntico àquele em que todas as amnésias foram preenchidas. Ao superar as resistências
é possível tornar o inconsciente acessível à consciência, restaurando a sua capacidade de
viver.
Na sua obra, Freud (1895) toma como referência as obras de Platão (428/27 - 347 a.C.),
pois este foi o primeiro filósofo a escrever sobre os Diálogos Socráticos no intuito de
tratar das idéias morais. Sócrates praticou a filosofia como pensamento falado, nunca
como exercício de escrita. Dessa forma o pensamento platônico manifesta-se como
fonte de renascimento cultural e social. Embora retomar estas idéias pareça um pouco
distante do interesse psicanalítico, torna-se necessário recorrer à Grécia do século V
a.C. Conhecer à sua educação, à política, os hábitos e costumes dos gregos na
antigüidade para chegar há contemporaneidade.
Verifica-se dessa forma, que a dialética Socrática era uma técnica pedagógica e sem
dúvida, à busca da virtude, do conhecimento de si mesmo. Fundamentada nesta idéia, a
noção de maiêutica se relaciona com a idéia de saúde, pois de certa forma "a técnica
dialética era um farmacon e em conseqüência, uma forma de cura" (Tersis & Bron) Por
esta razão, não seria correto reduzir o conceito apenas ao aspecto pedagógico, pois
existem finalidades mais específicas.
No livro de Will Durant (1996), História da Filosofia, Vida e idéia dos grandes
filósofos. O autor salienta que Platão antecipou a psicanálise e aponta um grave
problema no estudo da psicologia política, devido à carência de pesquisas quanto aos
sonhos, os vários apetites e os instintos humanos com relação ao contexto. Nos estudos
Platão (428/27 - 347 a.C.) divide a motivação das ações humanas em três fontes
principais: o desejo, a emoção e o conhecimento. E conclui que o desejo, o apetite, o
impulso, o instinto constituem a emoção, o entusiasmo, a ambição, a coragem, e
constituem a outra fonte: o conhecimento, o pensamento, a inteligência, a razão.
Nessas três fontes principais residem à conexão e a tensão entre a psicanálise e a
filosofia. De um lado, o desejo, aquecido pela emoção que impulsiona a nossa vida, e do
outro, a razão, que coloca freios aos nossos impulsos, instintos, ambições e entusiasmos.
Para a psicanálise, os atos humanos ficam a mercê do inconsciente, algo que
desconhecemos totalmente, e que acessamos por meio dos nossos sonhos ou da livre
associação de idéias de acordo com o desejo.
Inspirado no pensamento metafísico de Schopenhauer (1788 – 1860) de que a vontade
não se manifesta como um princípio racional, mas que se trata de um impulso cego
manifesto pelo desejo de preservação. De que a consciência atua com superficialidade,
encobrindo a irracionalidade. Que o prazer consiste na supressão momentânea da dor, o
influenciaram a fundamentar sua teoria. Dessa forma Freud (1895) afirma que "o
comportamento humano obedece ao instinto sexual e ao instinto de conservação e que
os motivos sexuais, se não são claros, estão sublimados em um motivo aparente."
(Cobra 2003) Para ele, tudo era libidinoso e provinha de algum trauma de ordem sexual.
Os afetos influenciam nas patologias e nas manifestações físicas. Devido a isso, a
psicanálise supõe a existência de forças mentais que se opõem umas às outras e que
batalham entre si. Freud (1895) utilizou essa expressão pela primeira vez quando falou
das neuroses e nas psicoses de defesa. Na época, o mundo não se surpreendeu com a
tese de que o sexo domina o inconsciente, pois percebeu que a vida transcorre em torno
destes interesses. A novidade foi percebida pela sociedade em geral com grande espanto
e excitação, pela coragem e a ousadia em tornar público uma questão tão íntima. A
partir disso, discutir a sexualidade de forma científica, analisar as narrativas clínicas
passa a ser um grande desafio social.
A Inglaterra, na era vitoriana, permitiu-se que a sexualidade fosse discutida na
sociedade sem restrições morais. A sublimação era discutida em todos os ambientes,
inclusive nos conventos, pois estava subjacente a todos os interesses humanos. Na obra
"O Mal estar na civilização", Freud (1930), afirma: "a sublimação das pulsões constitui
um dos traços que mais sobressaem do desenvolvimento cultural; é ela que permite as
atividades psíquicas elevadas, científicas, artísticas ou ideológicas, desempenhando um
papel bastante importante na vida dos seres civilizados." Essa permeabilidade subjetiva
confunde-se com a profundidade científica. Mesmo assim, a teoria fora levada há
discussão e aplicada na sociedade. Desta forma explica-se a popularidade da
psicanálise. A contribuição da psicanálise para o conhecimento humano é inegável. O
choque moral inicialmente provocado pelas idéias de Freud (1895) serviu para que a
humanidade rompesse seus tabus e preconceitos na compreensão da sexualidade. Desta
forma, a psicanálise trata-se de uma ciência contemporânea que estuda de forma
aleatória a alma, a mente do ser humano fundamentada em seus relatos.
1.2 A Ascensão da Psicanálise
A psicanálise surge com Sigmund Freud, um psicanalista que buscava um tratamento
efetivo para pacientes com sintomas neuróticos ou histéricos. Freud (1895) afirmava
que a neurose era causada pelas lembranças reprimidas de grande intensidade
emocional. Para o tratamento da histeria sugeria a hipnose, um método questionável,
sem interferência da pessoa no processo terapêutico de modo consciente. Sendo assim,
após algum tempo os sintomas voltavam a manifestar-se.
Sem muito sucesso, abandona a hipnose e o foco do tratamento recai na resistência do
paciente. Dessa forma a ênfase se dá sobre os mecanismos de exclusão dos conteúdos
psíquicos da consciência. Assim o recalque preenche as lacunas da memória do
analisando, no intuito de superar as resistências. Freud (1914) ao aprofundar as suas
pesquisas em torno do funcionamento dos conteúdos recalcados, como recordar, repetir
e elaborar, constata que tudo aquilo que o paciente resiste em recordar expressa-se pela
atuação, de forma consciente ou inconsciente.
O sucesso do método da Psicanálise, caracteriza-se pela interpretação da transferência,
da resistência a associação livre. Segundo o autor "a transferência é ambivalente, ela
abrange atitudes positivas (de afeição), bem como atitudes negativas (hostis) para com o
analista, que via de regra, é colocado no lugar de um outro dos pais do paciente, de seu
pai ou de sua mãe." (Freud 1940/80 p.202) Para isso alerta, que o analista deve tomar
cuidado para não se transformar numa espécie de modelo ou de professor (a) para o (a)
paciente, devido a transferência.
Na sua avaliação confirmava as vantagens da transferência. "O analista fica no lugar das
imagens parentais e tem a concessão do poder que o superego exerce sobre o ego. Sendo
que, pois os próprios pais é que oportunizam a origem ao superego." (Lourenço, 2005 p.
144) Representando os pais, o analista tem a oportunidade de dialogar com o paciente e
resolver os problemas do passado. Dessa forma, Freud (1912) afirmava que a
transferência era apenas um fragmento da repetição e esta, uma transferência do passado
esquecido para os aspectos da situação atual. Percebe-se que a transferência constitui-se
numa ligação emocional desenvolvida inconscientemente pelo paciente em relação ao
analista. Segundo suas orientações, se durante o tratamento o (a) paciente manifestar
tendência a compulsão e a repetição com a transferência e a resistência, o analista deve
assumir o lugar dos pais, colocar-se na época em que ocorreu o trauma e procurar
resolver o problema. Dessa forma, um conflito infantil pode ser resolvido por meio da
terapia e a transferência utilizada como uma ferramenta eficaz no tratamento
terapêutico.
Na sua concepção, Freud (1895) acreditava que os problemas se originavam da libido,
devido a inaceitação cultural. Desta forma os pacientes reprimiam os seus desejos
inconscientes e as suas fantasias de natureza sexual, sofrendo muito. Assim, percebe-se
que "a histeria está ligada a processos psíquicos." (Flores, 2002) Atualmente, suas
manifestações se mesclam com outros tipos de disturbios. A questão sexual encontra-se
bastante evoluída socialmente e amparada por Lei.
Sem dúvida, a visão de Freud (1895) trouxe avanços significativos nos estudos sobre a
mente humana. Os quais podem ser observados até hoje na cura das fobias, dos traumas,
dos medos, na melhora do estado emocional. Além de outras contribuições aos
mecanismos e aos problemas derivados do cérebro. Percebe-se desta forma, que não
adianta tratar um órgão comprometido, sem descentralizar o trauma no cérebro, pois
realmente existe a influência do anímico e do emocional. O processo sintomático e
terapêutico compreende a experiência emocional, o recalque, o esquecimento, a
neurose, a análise pela livre associação, a recordação, a transferência, a descarga
emocional para se alcançar a cura.
O método de Freud (1895) consiste na cura pela palavra, onde o (a) paciente manifesta
os conteúdos inconscientes reprimidos. Obtidos pelo método da livre associação
inspirado nos atos falhados ou sintomáticos, em substituição à hipnose. Identificados
também, por meio da interpretação dos sonhos, no conteúdo manifesto e no conteúdo
latente. Na sua teoria ignorava a atratividade do paciente sobre o terapeuta. Um
problema que se manifesta nas experiências desenvolvidas por Breuer (1980), quando se
envolve sentimentalmente pela paciente Bertha Pappenheim . Na experiência descobre
que pelo método da catarse, amenizava os sintomas da histeria.
Desta forma percebe-se que ao longo do tempo, o analisado, fora induzido a falar sobre
tudo aquilo que lhe viesse à mente. Sobre os seus conflitos, os sonhos, os desejos e as
fantasias. Assim como as experiências vividas nos primeiros anos de vida. Geralmente,
o analista o escuta, faz algumas perguntas quando necessário, de forma que o paciente
consiga tornar consciente os conteúdos reprimidos, a partir das suas associações. Nessa
escuta, o analista procura manter uma atitude de neutralidade, sem julgamentos no
intuito de criar um ambiente de segurança.
Atualmente devido a complexidade do sistema, os tempos e os espaços mudaram. O
paciente vem ao consultório em busca de ajuda, para que a sua vida como um todo
melhore, pois o pensar e o agir do ser humano modifica-se concomitantemente com o
contexto. Portanto, a formação do psicanalista não pode mais ser do tipo ortodoxo.
Voltado apenas a pontos específicos, há necessidade de modificações no seu perfil e no
processo psicanalítico.
2. A Evolução da Teoria Psicanalítica
A Psicanálise constitui-se como uma ciência interessada no aprimoramento do homem.
A diversidade de pressupostos teóricos que orientam as diferentes maneiras de definir a
natureza do objeto para construir as variáveis; escolher os critérios de discriminação das
categorias, os seus indicadores; estabelecer os parâmetros para classificar as
observações, a sua medida, dificulta o reconhecimento de afinidades entre os vários
fatores da esfera da psique.
No entanto, estamos diante de fenômenos imprecisos (Moles, 1995), de algo vago por
essência. Do comportamento humano, da relação entre os tipos de personalidade e os
métodos de terapia psicanalítica no intuito de encontrar uma maneira para resolver os
conflitos do ser humano. Diante do eterno dilema existencial entre o ser o ter. Da idéia
de que os traços da personalidade são moderadores das emoções, características
empregadas na descrição dos tipos psicológicos.
No entanto, além de conhecer os pressupostos teóricos, a função do psicanalista consiste
em escutar o paciente. Perceber o seu mundo, auxiliar no processo de adaptação e
inserção social. De forma que consiga viver e conviver com autonomia e dignidade.
Para isso necessita ter o conhecimento da teoria e da prática psicanalítica de modos a
colaborar no processo re-educativo. O qual requer uma série de conhecimentos
indispensáveis para a análise e a cura do (a) paciente.
Nesse estudo, convêm salientar alguns dados históricos para facilitar a compreensão do
mesmo. O termo neurose foi criado pelo médico escocês William Cullen em 1769,
identificado como a desordem dos sentidos e movimentos, causadas pelos efeitos gerais
do sistema nervoso. Sigmund Freud (1895) atribuía a sua causa, as emoções negativas
de uma experiência passada, causando sentimentos que impediam a ação e a reação,
constituindo-se numa neurose, interferindo na experiência presente, impedindo a pessoa
de agir e reagir diante das adversidades da vida.
A neurose deriva de duas palavras gregas: neuron (nervo) e osis (condição doente
ou anormal). Na teoria psicanalítica, percebe-se a neurose como um medo crônico,
uma incapacidade de superar-se. Em grande parte, devido a falta de habilidades e
competências para lidar com as situações da vida e o sucesso. Se tomar como exemplo,
alguém que foi atacado por um cachorro quando criança, apresenta um verdadeiro
pânico com relação aos mesmos. Um sintoma característico da neurose, uma fixação de
forma inconsciente, sem fuga da realidade. Diferente da psicose, onde o sujeito
apresenta verdadeiros delírios, mesmo sem nunca ter visto o animal.
Ao analisar as fobias, Freud (1895) reconheceu que algumas são simbólicas e
expressam um medo reprimido, passíveis de investigação e acompanhamento
psicanalítico. Ao longo da sua vida instigou o homem a "compreender-se, a sair da
hipocrisia e da ignorância em que vivia até o século XIX. (Brum 2003, p.115 ) Na qual
afirma que o homem entra em conflito consigo mesmo, devido a repressão que sofre
com relação ao objeto do desejo.
A seguir, se descreve uma síntese das idéias dos autores, os seus métodos. No entanto,
os conceitos que enunciam os fenômenos da esfera da psique dada sua imprecisão, não
podem ser satisfatoriamente expressos em uma linguagem de variáveis, pois os seres
humanos são distintos. O processo de redução inerente aos métodos inspirados apenas
em Freud (1895) compromete a compreensão do fenômeno. Nos diversos campos do
conhecimento a construção de um novo paradigma tem sido apresentada como
alternativa para a investigação de fenômenos complexos. Têm inspirado propostas
terapêuticas baseadas numa abordagem psicossomática, que visa ajudar os pacientes a
identificar e a resolver os problemas emocionais que estão na raiz das enfermidades.
2.1 Sigmund Freud
Durante o início dos seus estudos sobre a neurose, Freud (1895) estabelece uma parceria
intelectual com Breuer, da qual surgem os estudos sobre a histeria. O encerramento
precoce do tratamento de Anna O acontece devido ao choque produzido no psicanalista
pela manifestação da transferência e da contratransferência que assustam Breuer (1895)
e o levam a abandonar o caso.
Devido a isso, surgem na sua obra conceitos como a transferência, cujo conteúdo é
sempre sexual, não peculiar a outro tratamento, mas a própria neurose. Dessa forma, o
sentimento transferencial encontra-se pronto, aguardando a oportunidade para se dirigir
à figura do psicanalista, o qual por sua vez ocupa o lugar de algum personagem
importante na história do paciente. Segundo Freud (1912) a dinâmica da transferência
tem a ver com a junção dos acidentes da historia individual, a qual é repetida
constantemente na sua vida, numa fixação nesses protótipos afetivos.
Concomitantemente ao aparecimento da noção de transferência, firma-se a psicanálise.
Na qual Freud (1912) fala da sua dinâmica, do jogo de seduções e dos embaraços que
ela desencadeia no tratamento, para isso o psicanalista precisa estar emocionalmente
preparado.
Dessa forma, Freud (1940) busca na cultura Grega, a inspiração para desenvolver a sua
teoria. Percebe na alma de Platão, a correspondência do Id, do Superego e do Ego com
as partes da mente, na qual busca as funções físicas para as partes da mente. Atribui ao
Id o princípio do prazer, que tem como função descarregar as tensões biológicas. Ao
ego designa a razão, o existir e ao superego a parte punitiva, a moral. Desta forma,
compete ao analista induzir o processo de recuperação do psiquismo no intuito de
devolver ao ser a normalidade. O (a) paciente em tratamento precisa re-adquirir a
maturidade e compreender a sua consciência. A qual forma-se em três camadas
específicas e cada uma tem a sua função específica.
Segundo o autor, o ego, ao sofrer a pressão do superego, mas ciente das suas atribuições
nega os instintos do id. Dessa forma a repressão age "sob a forma de algum sintoma
neurótico, como a ansiedade, o embaraço ou o esquecimento" (Rollo May, 1996, p.16)
manifestando uma neurose ou alguma forma de psicose. O Id corresponde à alma
concupiscente, do esquema platônico: "é a reserva inconsciente dos desejos e impulsos
de origem genética". (cobra 2003) As suas funções se voltam para a preservação e a
propagação da vida. A função do Ego consiste em lidar com a complexidade,
racionalizar em favor do Id, mas é governado pelo princípio de realidade. Onde satisfaz
o id sem transgredir o superego.
A terceira camada mental identifica-se como o superego que se desenvolve no período
da latência . O responsável pela vigilância moral. Atua de forma inconsciente, faz a
censura dos impulsos que a sociedade e a cultura atribuem ao Id, impedindo o indivíduo
de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos. Manifesta-se á consciência
indiretamente, sob a forma da moral, "como um conjunto de interdições e de deveres, e
por meio da educação, pela produção da imagem do Eu ideal", (Cobra 2003) Trata-se de
um órgão de repressão que procura a virtude.
Nessa dinâmica a obra de Freud torna-se imortal, pois procura interpretar os traumas e
aponta alternativas terapêuticas. Instiga a pesquisa em torno dos conteúdos recalcados,
das resistências, enfim dos mecanismos de defesa e a possibilidade de superação por
meio da análise.
2.2 Josef Breuer
Breuer (1890) ao desenvolver suas pesquisas nos processos psíquicos da etiologia e
natureza dos estados histéricos e neuróticos chega as seguintes conclusões. Os sintomas
histéricos representam há expressão significativa dos fatos traumáticos, constituindo os
resíduos mnêmicos de tais experiências. Da repressão da emoção ocorrem mudanças
anormais, que resultam em sintomas histéricos, patológicos, convertendo-se em
enervações ou inibições. Segundo o autor, a cura dos sintomas somente poderia ocorrer
por meio da exteriorização dos fatos traumáticos, pela eclosão ou purga psíquica, a qual
chamou de Katarsis. Para a qual indicava a hipnose. De modos que, para alcançá-la, o
fato deveria ser revivido com a mesma emotividade inicial. Somente assim a eclosão ou
a descarga (catarse) da emoção perturbadora provocaria a cura.
Em 1893, Freud e Breuer publicam Mecanismos psíquicos dos fenômenos histéricos,
ampliada em 1895 para estudos sobre a histeria, as quais se resumem em quatro
proposições. As histerias surgem como resultado de uma experiência emocional
insuportável. Devido a sua gravidade, não é aceita, portanto fica armazenada no
inconsciente, manifestando-se em forma de distúrbios fisiológicos. Os quais podem
desaparecer quando as emoções reprimidas se tornam conscientes. A sua terapia
consistia em procurar o trauma e provocar a catarse.
Ao tratar de Ana O, num estado histérico, percebe-se o self desestruturado. Incapaz de
perceber "que tudo se passava no plano do desenvolvimento de uma estrutura narcísica,
onde apenas funcionava como um selfobjeto" (Ramos) . O estrabismo convergente, a
anestesia no corpo, a cegueira, a incapacidade de pensar, as suas manifestações
neuróticas e irresponsáveis levam o psicanalista a desistir da pesquisa. Assustado não
percebeu que Ana estava construindo uma nova estrutura psicológica. Um fenômeno
que mais tarde será denominado por transferência. Em virtude disso, Freud (1895)
constata que se chega sempre no terreno das experiências sexuais e decide continuar a
publicar as suas conclusões.
2.3 Alfred Adler
Adler (1917), na sua teoria salienta que a meta imaginária "eu quero ser um homem
completo", o princípio condutor das neuroses. Atribui a origem das dificuldades do
neurótico, em muitos casos a uma inferioridade constitucional de algum órgão ou
sistema de órgãos. Para o autor, o comportamento humano reflete o seu interior, por isso
age e reage de acordo com o ambiente. Sem saber lidar com a situação, internaliza a
raiva, sem elaborá-la, desencadeando uma série de doenças, pois o impulso reativo
volta-se para dentro de si, fragilizando o órgão mais sensível.
Devido ao seu histórico deu grande importância à compensação. Na sua concepção, a
inferioridade de um órgão, influencia a psique e manifesta-se "seja na ação, no
pensamento, nos sonhos, como na escolha de uma vocação ou ainda nas inclinações e
capacidades artísticas." (Nullahy 1986, p. 142) Assim, um órgão ou um sistema inferior
podem superar-se quando auxiliados por mecanismos que o façam funcionar de forma
saudável. Se tomar como exemplo um fígado doente, mas bem cuidado, com uma
alimentação eficaz, terá um desempenho normal.
Na sua teoria trabalha os sentimentos de inferioridade, inerentes à situação humana,
constatando que a diferença está mais no grau do que na espécie. Acreditava que o ser
humano tem "a posse de um sentimento de inferioridade que está constantemente
pressionando no sentido da sua própria conquista." (Adler, 1938, p.73) Dessa forma luta
pela auto-conservação, pelo equilíbrio corporal e mental na ânsia da perfeição. Constata
que um sentimento de inferioridade causado por um defeito orgânico ou a falta de
adaptação, desencadeiam distúrbios físicos, emocionais e mentais, que se manifestam
nos sintomas de neuroses ou psicoses. No entanto o processo vital deve ser encarado
como uma sucessão de lutas e conquistas em busca da auto-superação.
2.4 Carl Jung
No ano de 1920, Jung apresenta uma contribuição fundamental para o entendimento da
tipologia humana ao escrever um de seus mais brilhantes trabalhos, o livro "Tipos
Psicológicos". Resultado de 20 anos de observação no exercício da Psicanálise. No qual
aponta a importância dos tipos humanos a partir da sua prática junto a pacientes
nervosos, onde salienta dois tipos: o introvertido e o extrovertido. Um determinado
pelos objetos de seu interesse pessoal, subjetivo e o outro voltado para os interesses no
objeto externo. Tipos humanos diferenciados pelos seus desejos.
No intuito de demonstrar que as pessoas são diferentes. Jung destaca dois tipos de
atitudes das pessoas com relação ao objeto. A extroversão que "se caracteriza pelo
pendor para o objeto externo" (Jung 1991, p. 504) Trata-se da pessoa que tem o desejo
de deixar envolver-se por ele. Tem necessidade em participar e encontra satisfação no
objeto do desejo, na conquista do outro. Já, a introversão não se volta para o objeto, mas
para o sujeito. "O introvertido não vai ao encontro do objeto, mas está sempre em
posição de retirada diante dele." (Jung 1991, p. 505) Volta-se ao mundo interno de
representações e impressões psíquicas, procura em si a satisfação.
Dessa forma salienta que existem diferenças entre o tipo introvertido e o extrovertido.
"Um encarrega-se da reflexão; o outro, da iniciativa e da ação prática." (Jung 1971b: 47)
Numa sucessão harmônica forma o ritmo da vida "Como diástole e diástole." (Lessa,
1994) . "Alcançar esse ritmo harmônico supõe uma suprema arte de viver." (Jung
1971b: 51) Portanto, deve-se ter cuidado com o excesso, "a função dominante retira
muita energia psíquica da função inferior e esta cai no inconsciente, tornando-se
primitiva e perturbada." (Lessa 1994) Assim, a função inferior ganha energia, emerge
no consciente de forma arcaica, desencadeando a neurose. Segundo Jung nenhum ser
humano é exclusivamente introvertido nem extrovertido. Ambas as atitudes existem
dentro dele, apenas não foram desenvolvidas.
2.5 Donald Winnicott
A teoria de Winnicott (1989) identifica as condições necessárias para a integração
adequada. Salienta a importância dos limites na organização dos espaços, no
desenvolvimento da autonomia e do autocontrole. Salienta que, a condição essencial
para estabelecer os limites, requer segurança básica, oferecida em sucessivas esferas,
pela mãe, pela família, pelos grupos sociais e pelo governo.
Segundo o autor, as crianças privadas de uma vida no lar devem receber alguma
provisão, estável e pessoal, quando ainda são jovens. Do contrário, temos que oferecer-
lhes estabilidade mais tarde, "sob a forma de uma escola autorizada ou, como último
recurso, quatro paredes sob a forma de uma cela em um cárcere." (Davis, 1982, p. 169)
Dessa forma, chama atenção sobre a importância dos limites para a inclusão social.
Winicott (1989) se fundamenta em Hegel (1931), na sua lógica. Acredita na origem, no
modo do ser, o ser e o nada, na identidade a si e não da diferença consigo: o absoluto é
fundamentalmente ser e não nada. Sendo o conteúdo do ser a sua identidade.
A identidade do ser e do não-ser é o devir, a dialética em seu princípio. Para Hegel
(1931), "o absoluto não é o nada no qual há uma posição, emergência espontânea de um
ser não idêntico a si, mas o ser que nega e, em sua identidade a si, nega-se, e isto no
domínio de sua atividade ou de sua negação." (Bourgeois) É por isso que o absoluto
hegeliano não aloja somente nele a dialética, ele mesmo se faz dialética. Sendo assim,
no decorrer do processo, gradativamente os limites orientam a inserção social da criança
e a conduzem a um caminho específico.
O indivíduo anti-social sofre de uma inadequação nos seus limites e necessita de re-
educação. Para Winnicott (1979 -1983) cada ser humano traz um potencial inato para
amadurecer, para se integrar. Porém, o fato da tendência ser inata não garante que vá
ocorrer. Isto depende do ambiente facilitador, desde que forneça os cuidados
necessários. Inicialmente esse ambiente é representado pela mãe no intuito de fazer com
a criança cresça de forma saudável e emancipe-se.
À medida que a mãe insere-se aos objetos, o que Winnicott (1975) denomina de
‘brinquedos de transição’, como a franja do cobertor, o ursinho de pelúcia e outros.
Auxilia a criança a tomar consciência de que no mundo existe o Eu. Essa atividade
favorece a separação simbólica da mãe e a sua independência gradativa. O brinquedo de
transição é um meio ilusório de união simbólica com a mãe. O qual promove o fato de
brincar sozinho e desenvolve a organização mental. Caso a mãe desapareça da visão, o
objeto substituto permite recuperá-la, sendo assim na vida posterior.
Inicialmente a figura materna satisfaz as suas necessidades e os desejos. Depois, a
escola e a sociedade se encarregam de acolher os seres em formação, independente das
suas dificuldades ou talentos. Devido ao despreparo, muitas vezes não conseguem
orientá-las e necessitam de auxilio profissional. Sendo o psicanalista o profissional
indicado para a re-educação, tanto no trabalho individual como nas terapias de grupo
coletivas. Sendo assim, novos métodos e técnicas precisam ser desenvolvidos, pois a
criança não sabe expressar-se.
Winnicott (1988) afirma que o ser humano resulta do encontro de um potencial inato
qualquer com a cultura. Nesse encontro, afirma o autor, cada indivíduo, ou o verdadeiro
self (eu), processam a sua singularidade e torna-se uma entidade viva e real. Na sua obra
aponta a necessidade de criar condições de integração adequada, que permitam o
surgimento dos limites. De forma que se organizem os espaços e seja possível
desenvolver a autonomia e o autocontrole.
A ausência desta segurança, resulta em problemas psicológico, os quais podem ser
resolvidos com a ajuda da terapia psicanalítica. Segundo Pimentel , "observar esses
aspectos não é uma tarefa mecânica. Exige tempo para ser aperfeiçoada e necessita de
constante reflexão com os demais profissionais." Deste modo, sem dúvida os limites
organizam o tempo e o espaço, possibilitam o desenvolvimento da autonomia e do
autocontrole. Assim, percebe-se que quando estimulados, bem motivados, os (as)
paciente (as) conseguem organizar-se espontaneamente para alcançar as suas metas e os
seus objetivos.
2.6 Erich Fromm
A obra de Fromm faz parte da trilogia que constitui uma análise até hoje empreendida
na sociedade. Ao expor a psicanálise humanista, o autor discute a responsabilidade do
homem na sociedade, cujo interesse principal está na produção econômica e não no
aprimoramento do valor do ser humano. Demonstra que nas democracias presentes no
século XX a vida constitui-se, em muitos aspectos como uma fuga à liberdade. O que
resulta em seres alienados, uma sociedade enferma e sem perspectiva. Onde todas as
atividades econômicas e políticas subordinam-se ao ideal do aprimoramento humano,
mas sem oportunidades de vida.
A sua visão humanista, permitiu avaliações políticas originais, como nos casos dos
regimes autoritários, examinados num contexto amplo em que se mesclam observações
sobre a origem das neuroses. "Medo da Liberdade" é um dos seus livros mais famosos.
No qual salienta que devido à liberdade material conquistada, o homem isola-se dos
seus semelhantes, na busca por espaço e sucesso. Um paradoxo assustador, pois se
tratam de idéias que primam pela ganância e pela anulação do ser criativo, devido às
situações de posse e poder. De servidão, de submissão passiva, de conformação social, o
que proporciona a ilusão de ter ou de pertencer a algo e sentir-se menos isolado.
Nas suas concepções, viver é uma arte. "Na arte de viver o homem é ao mesmo tempo o
artista e o objeto da sua arte; ele é o escultor e o mármore, o médico e o paciente"
(Fromm 1990, p. 30) Desta forma, o homem precisa conhecer-se para reconhecer o
outro, pois um constitui-se pelo outro. Para isso salienta a importância da cooperação e
da solidariedade, de um espírito de fraternidade onde o bem-estar social deve garantir o
bem-estar individual. Neste caso, a criatividade e as potencialidades humanas seriam
usadas para sedimentar à liberdade co-responsável dentro de uma sociedade equilibrada.
Fromm (1981) salienta que o psicanalista precisa ter uma visão de totalidade e uma
relação de empatia com o paciente, pois somos animais e humanos, com necessidades
fisiológicas importantes. Dotados de consciência, razão e compaixão, que precisam ser
exercitadas de forma democrática, por meio do diálogo e da problematização.
Ao rever o pensamento dos autores não se pode deixar de mencionar que "as neuroses
são processos evolutivos e extremamente dinâmicos" (Rodrigues 1995, p. 44) até que
decidam se confrontar com os sintomas e resolvê-los. Portanto, as neuroses não são
puras, podem vir sobrecarregadas de problemas cotidianos que nada tenham a ver com a
neurose especificamente, resultando num circuito neurótico infindável, sob o ponto de
vista psicopatológico.
Segundo Rodrigues (1995) existem muitas consequências, como resultado das neuroses.
As reações secundárias freqüentes na neurose são a depressão que dilacera o indivíduo
quando se frustra na luta contra os sintomas neuróticos. A qual pode desencadear
reações terciárias, onde o neurótico fica estigmatizado no seu ambiente familiar e social.
Nos paciente fóbicos a sua vida toda é afetada devido ao medo incondicional, do qual
ocorrem muitos transtornos. O neurótico histérico é capaz de criar em torno de si uma
rejeição social gratuita, quando as pessoas percebem que estão sendo usadas. O
depressivo neurótico transmite tanto pessimismo, que as pessoas afastam-se.
As neuroses exigem muito estudo devido a sua complexidade e o terapeuta deve
procurar atualizar-se constantemente. Atualmente, a psicanálise utiliza-se de todos os
autores numa perspectiva inclusiva. Portanto, rever as teorias, os pensamentos e a vida
dos autores no contexto torna-se imprescindível para a prática psicanalítica. A prática
consiste no processo de escuta, no intuito de ajudar o paciente a adaptar-se. No intuito
de que possa superar a sua tragédia neurótica.
O processo re-educativo requer muito trabalho do psicanalista com o analisando. Exige
um preparo adequado ao psicanalista, uma série de conhecimentos indispensáveis para
conduzir a análise e a cura do (a) paciente. De modo que o paciente consiga descobrir-se
e saiba como atuar no contexto de acordo com o seu tipo psicológico e os seus
interesses. A cura se dá quando se consegue unir a teoria com a prática, encontrar um
equilíbrio entre a razão e a emoção. Quando se consegue transformar os conhecimentos
em sabedoria, em princípios éticos de modos a vivenciá-los. De forma que consiga
aprender a viver e a conviver com autonomia e dignidade.
3. A psicanálise na contemporaneidade
Na contemporaneidade existe uma distância significativa que separa as classificações
greco-romana, fundamentadas na teoria do humor das tipologias do século XXI. A
partir dos estudos publicados sobre traumas da segunda guerra mundial e orientados
pelos pressupostos da ciência, a neurose continua a ser um interessante objeto de
pesquisa devido aos danos sociais causados.
Na concepção existencialista, as pessoas apresentam uma natureza social, biológica e
psicológica porque simbolizam. Onde o símbolo, a imaginação e o
julgamento "proporcionam a tomada de cisões nas experiências ao longo do tempo"
(Graig, 1991, p.89) estabelecendo vínculos. Percebe-se que a fase holística ou trans-
disciplinar retorna a primeira fase pré-disciplinar, pelas experiências, levando em conta
as funções que ligam os exercícios cerebrais equilibrados com as quatro funções
psíquicas: a sensação, o sentimento, a razão e a intuição, formando o ser.
Estudos na atualidade refletem a influência da teoria psicanalítica nos padrões de
relacionamento intra, interpessoal e multidimensional. Para isso se faz necessário
resgatar a história, pois as idéias dos autores devem ser avaliadas de acordo com o
contexto da sua época. A partir dos anos sessenta, os objetos de estudo e os
instrumentos de medida foram aperfeiçoados e padronizados, visando aumentar a
precisão para facilitar a solução dos problemas, modificando-se de acordo com as
necessidades humanas, fundamentados no ideal da ciência. Atualmente, por meio da Lei
da atração, comprovada pela física quântica, procura-se compartilhar as informações e
os conhecimentos. Desenvolver as habilidades e as competências, de modo que o ser
humano consiga superar-se e encontre a sua verdadeira liberdade, como um ser humano
em aprimoramento.
Na época, no intuito de construir variáveis para representar o conceito de neurose,
depressão e ansiedade. Definiu-se um conjunto de indicadores, de itens em escala,
escolhidos arbitrariamente entre as diversas manifestações como as disfóricas,
hedonistas e somáticas. Percebidas como o humor deprimido, sen-timento de culpa,
ansiedade, desamparo, desesperança, infelicidade e tristeza. Desânimo, perda do
interesse, queda da atividade social, insatisfação, humor disfórico, in-capacidade de rir,
perda do prazer, idéia de suicídio, agitação, perda da libido, sintomas gastrointestinais,
perda de peso e apetite, insônia entre outros parâmetros usados na definição da natureza
das variáveis e de outros critérios para a escolha dos indicadores, que resultam numa
variedade de tipos de personalidade.
Estudos atuais constatam que uma pessoa melancólica tem mais probabilidade a neurose
e a depressão do que uma pessoa do tipo sangüíneo. Segundo as observações de
Entralgo (1982), pessoas melancólicas são mais suscetíveis a adquirir câncer devido ao
seu caráter sombrio, triste, temeroso. Pesquisadores dos séculos XVIII ao XXI
acreditam que as doenças psico-somáticas e o câncer encontram-se associados à
"constituição melancólica", conforme estudo sobre a relação mente e câncer. Um termo
influenciado pelo pensamento grego e relacionado aos estados depressivos,
características de pessoas com ausência de energia vital, um outro tipo humano.
Nos estudos realizados por Jung (1977) sobre os tipos psicológicos; o homem e os seus
símbolos, se percebe que além do inconsciente individual, existe o inconsciente
coletivo. Consequentemente, a análise dos sonhos, dos símbolos ultrapassa a
manifestação singular da vida mental e emocional do sujeito como parte universal, de
todas as experiências humanas. Sendo assim, a análise das neuroses apresenta o enfoque
do inconsciente individual, os pequenos sonhos da vida cotidiana. Enquanto que os
grandes sonhos, de cunho universal, são expressões de arquétipos do inconsciente
coletivo.
Na concepção de Jung (1991), cada tipo humano apresenta uma preferência natural,
mesmo inconsciente. Nessa perspectiva, a distinção reside na direção dos seus interesses
e no movimento da libido, a qual percebe como a energia psíquica ou energia de vida.
Na psicanálise os conhecimentos se aprimoram relacionando os vários tipos de
personalidade. As doenças psicossomáticas sofreram variações de acordo com os
pressupostos teóricos e a realidade, para a construção de variáveis e métodos.
Concomitantemente, "as técnicas psicanalíticas e as avaliações de natureza clínica, tidas
como excessivamente subjetivas, foram sendo abandonadas. (Tripicchio 2007, p.2)
Resgatadas na contemporaneidade por estudos de ponta.
A neurose atualmente pode ser entendida como um sinônimo de psiconeurose ou
distúrbio neurótico, a qual se refere a uma desordem mental que não interfere no
pensamento racional ou na capacidade funcional da pessoa. Sendo essa a principal
diferença com relação à psicose. A qual pode ser percebida como uma desordem mais
severa, onde ocorre constantemente a fuga da realidade e muita confusão mental, devido
a falta de um processo de consciência equilibrada.
Na contemporaneidade existem várias formas de neurose: piromania, transtorno
obsessivo-compulsivo, ansiedade, histeria, na qual a ansiedade pode ser descarregada
como um sintoma físico, e inúmeras fobias. Sem discriminação, as pesquisas constatam
que todos os seres humanos possuem alguns sintomas neuróticos, freqüentemente
manifestos nos mecanismos de defesa do ego, os quais ajudam a lidar com a ansiedade.
Mecanismos de defesa que resultam em dificuldades para viver e conviver, identificados
como neuroses. Que se não trabalhados pela análise levam a pessoa a enfrentar
situações muito difíceis.
Apesar da história, o termo neurose não é mais de uso comum. Os atuais sistemas de
classificação abandonaram esta denominação. O DSM IV eliminou a categoria por
completo. As desordens mentais, primeiramente chamadas de neuroses agora são
descritas sob os títulos de ansiedade e desordens depressivas. O termo neurose continua
controverso e já discute-se uma nova nomenclatura. Fundamentado nas argumentações
acima é que se constituiu o nosso trabalho. No intuito de encontrar um caminho,
aprimorar métodos e técnicas que permita as pessoas recuperar sua energia vital, de
modos que possam recuperar a sua liberdade, adquiram autonomia e possam voltar a
viver. Percebe-se que para isso se faz necessário resgatar o humaninus pela psicanálise.
Atualmente, diante da prática da psicanálise torna-se importante perceber que ela não
possui todos os mistérios da subjetividade, mas interessa-se "pelo milagre da existência"
(Arendt) . Procura estudar a loucura, a constituição do sujeito, a angústia e o amor.
Portanto, a função do Psicanalista não se restringe à escuta, mas a estabelecer vínculos
entre as idéias e a realidade, de modo que consiga induzir o paciente a organizar-se. A
buscar a sua liberdade, a desenvolver sua capacidade interna, a sua auto-estima, a
autonomia, modificando o comportamento pessoal e coletivo.
No contexto, os tipos humanos apresentam-se uma diversidade muito grande. Sendo
assim, necessitam de estímulos, motivadores e oportunidades específicas. Desta forma,
a evolução do homem vem sendo contemplada com uma legislação atualizada, no
intuito de garantir os seus direitos e chamar atenção para os seus deveres. Na busca de
um equilíbrio social, capaz de garantir condições de vida satisfatórias, com o objetivo
de induzir o ser humano à participação. Para isso precisa modificar o seu
comportamento, aprender a sair da solidão em busca da liberdade, ajudar a construir
uma realidade política capaz de humanizar, emancipar e promover a inclusão social.
4. A paciente Margarida
O estudo de caso que ora se apresenta, trata-se de uma paciente identificada como
Margarida, uma mulher simples com 56 anos. De estrutura física pequena e muito
magra. Uma dona de casa de classe média, mãe de com quatro filhos e quatro netas. Ao
chegar ao consultório, apresentava sintomas de angustia depressão e nervosismo. O seu
comportamento era instável, marcado pela insegurança, pela ansiedade em lidar com os
problemas cotidianos.
No seu histórico apresenta um longo processo de análise pelo método clássico, mas
muitas dificuldades para lidar com as situações familiares e o contexto social. A partir
da avaliação do quadro clínico, foi realizada uma apreciação das variáveis relacionadas
à esfera da psique, na qual se constatou que o problema encontrava-se no seu ego. Na
ausência de um preparo específico, na falta de habilidades e competências para lidar
com os conflitos. Desta forma se trabalhou por meio da Metodologia Recreação e
Cidadania um caminho para que pudesse organizar-se. Num processo re-educativo na
busca do seu SER, não apenas do ego, mas do EU essencial "que contem toda a
potencialidade da criação." (Mecler, 2007, p.112) Em busca de um norte, de uma luz
permanente.
Iniciou-se a terapia em março de 2007, no setting analítico do Banco da Esperança, na
Cidade de Santa Maria, RS. A qual transcorria todas as terças feiras, com duas horas de
análise semanal. Na terapia Margarida foi relatando as suas dores e as suas alegrias.
Durante as seções de análise descreveu a sua infância, na qual pudemos descobrir a
origem de muitos conflitos e re-significá-los. Por vezes sentia-se incapaz de falar, mas
aos poucos a relação de confiança com a analista foi aumentando e a empatia
estabelecida permitiu o avanço no tratamento. Assim foi possível "a Transferência e a
contratransferência, o mais poderoso fator de sucesso para uma analise psicanalítica."
(Freud1912, p. 99) Dessa forma, gradativamente teve a oportunidade de re-siginificar os
conflitos, compreender os familiares, os problemas, a relação com o sistema e a
necessidade de aprender a lidar com eles.
Segundo Cox & Mackay (1982) este tipo de paciente possui dois momentos a serem
considerados. Num primeiro momento apresenta um estado disfórico, de desanimo,
marcado pela depressão. Nos seus relatos manifesta tristeza, abatimento, desesperança,
e ansiedade, além das situações traumáticas que envolvem inúmeras perdas e muitas
privações. No segundo momento apresenta variáveis definidas por características
pessoais relativamente estáveis que correspondem ao seu tipo de personalidade.
Desta forma a análise psicanalítica utilizou a metodologia Recreação e Cidadania no
intuito de estimular, motivar e criar oportunidades para que Margarida pudesse agir e
interagir com os seus conflitos. Enfrentar o medo e superar as suas neuroses, mas nem
sempre conseguia bons resultados. Nas seções seguintes organizaram-se novas
estratégias para alcançar as metas e os objetivos. Desta forma a terapia foi melhorando a
auto-estima, favorecendo o desenvolvimento da autonomia da paciente e a possibilidade
de cura.
Inspirados na prática clínica de Jung (1977) utilizamos como método a associação das
palavras, percebendo o ser humano de forma integral e não apenas os sintomas. Numa
atitude humanista Jung, acreditava na compreensão individual. Por isso evitava
generalizar o método, acreditava que para cada panacéia havia um determinado tipo de
anomalia psíquica. Na sua metodologia, cada encontro era único, personalizado, sem
padronização.
Ao estimular, motivar a paciente a conversar livremente, perceberam-se os focos dos
problemas. Os quais foram organizados como temas principais, posteriormente as ações
e as estratégias re-educativas foram planejadas de modo a atuar sobre eles, criando
oportunidades para que fossem resolvidos com sucesso. O diálogo e a problematização
conduziram a análise habilmente, no sentido de tornar consciente as recordações
inconscientes. Gradativamente descobriu-se que os sintomas da paciente eram conexões
simbólicas, vinculadas a recordações dolorosas, relacionadas à infância, ao casamento,
aos filhos e ao sistema. Margarida, durante toda a sua vida buscou melhorar-se como ser
humano, estudar para ser alguém, mas foi impedida.
Desta forma comprova-se que quando os impulsos transcendentes do homem são
bloqueados, torna-se um neurótico e a sua criatividade volta-se a auto-destruição,
ignorando os princípios e valores. Assim, identifica-se a neurose como uma das
responsáveis pela miséria ética e moral do homem contemporâneo que pelo imediatismo
está se perdendo. Devido há renúncia inconsciente dos seus próprios potenciais de
desenvolvimento e integração, manifesta-se de forma egoísta, inadequada contra o
delicado equilíbrio bio-psico-socio-emocional do homem.
A vida inteira Margarida buscou coisas materiais em todas as dimensões, mas somente
descobriu o verdadeiro sentido, no amor incondicional. Na sua valorização, no seu
compromisso como mulher , mãe e cidadã. Apresentava dificuldades porque utilizava os
mecanismos de defesa ao invés de procurar solução para os seus problemas, criando
uma verdadeira bola de neve em torno de si. O interesse da paciente pelo tratamento, a
princípio gerou em casa muitos conflitos com o marido. Um narcisista convicto, mas
que por meio da análise puderam ser re-significados.
Margarida atualmente é outra mulher, segura, determinada, com vontade de viver e
conviver. A medida que estabelece sintonia com o seu inconsciente, amplia
gradativamente a sua consciência, a sua autonomia, a sua liberdade de ação e
transformação. Percebe-se que somente quando se consegue experimentar essa sensação
é que a vida passa a ter o verdadeiro sentido. Para isso, se faz necessário ter coragem de
olhar para dentro de si, transformar-se num ser humano, num ativista em favor da vida.
O tratamento continua a seu pedido, porque "eu quero aprender a me conhecer melhor,
para ajudar a minha família a ser mais feliz."
A partir da avaliação e da análise do caso clínico retiram-se importantes conclusões
práticas que podem ser aplicadas pelos terapeutas. Isso não quer dizer que apenas os
métodos expostos devam ser seguidos. Pelo contrário, o objetivo do trabalho consiste
em instigar o desenvolvimento de novos métodos e técnicas psicanalíticas. Devido à
diversidade dos tipos e das situações humanas, as combinações devem ser adaptadas a
cada realidade. Isso também não invalida a potencialidade de orientação com a
finalidade de complementar a atuação terapêutica exercida por outras escolas.
Comprova-se assim, mais uma vez a importância do trabalho da psicanálise. O exercício
da sua prática contribui para a melhora significativa do relacionamento e do
desenvolvimento humano. O seu trabalho preventivo é capaz de Identificar as condições
necessárias e saudáveis para há integração do ser humano. De modo que possam exercer
a sua cidadania com segurança e determinação. Em condições dignas de sobrevivência,
respeitando à individualidade, a opção sexual, pois independente da escolha trata-se da
origem da vida, das neuroses e dos transtornos mentais.
Considerações finais
O ser humano nasceu para ser feliz, para ascender no caminho da existência. Devido aos
entraves da vida muitas vezes se atrapalha e necessita de ajuda psicanalítica para poder
se organizar, encontrar a alegria de viver e voltar a ser feliz. Para isso precisa
compreender que a sintonia da vida está em si, e que atraímos para nós de forma
inconsciente, apenas o que é significativo. Ao longo deste ensaio, percebe-se que o
método psicanalítico pode ser ampliado para além do tratamento das neuroses, diferente
do que preconizado pelo seu criador. Freud (1895) trabalhou apenas com a neurose, pois
este era o quadro da maioria dos seus pacientes, com os quais havia comprovado a
eficácia do método, mas deixou em aberto a possibilidade de utilizá-lo também nas
neuroses de transferência.
O conhecimento científico fundamenta-se na construção de modelos teóricos que
permitam estabelecer as mediações necessárias entre as idéias, expressas sob a forma de
conceitos abstratos, e a realidade. (Possas, 1989) No entanto, o modelo da Metodologia
Recreação e Cidadania apresenta, comunica idéias a partir de uma sintaxe e de uma
semântica, isto é, de um conjunto de regras que definem as relações entre unidades
elementares dotadas de significado. A unidade fundamental do discurso científico que
viabilizou a construção do modelo foram os conceitos, que se encontram num nível de
abstração teórico e não permitem a abordagem empírica, mas exigiram transformações
no conceito abstrato para se chegar à medida concreta, identificando e descrevendo o
caso.
A partir da experiência com a paciente Margarida conclui-se que os sintomas neuróticos
resultam de processos inconscientes e desaparecem quando esses processos se tornam
conscientes. A esse processo de cura, Breuer (1880) denominou de Catarse. Entendida
como a purificação da alma pela descarga emocional provocada por um drama. O
estudo de caso foi um grande desafio, pois não utilizamos o material concreto, apenas o
pensamento, as palavras e a ação. A qual foi planejada e exercitada de forma recreativa
na vida real em busca dos objetivos. Desta forma há analise resgatou do inconsciente, o
estado de consciência por meio do diálogo, promovendo há transformação de forma
individual e coletiva.
As ações e as atividades re-educativas foram muito importantes, transpondo a seção de
análise, para que pudesse pensar, agir e tentar resolver os seus problemas. Segundo
Freud (1895) a repressão impedia a realização. De forma inconsciente era detectada
pelo método da livre associação, manifesto por meio dos atos falhados ou sintomáticos,
em substituição à hipnose e a interpretação dos sonhos, inspirados no conteúdo
manifesto e no conteúdo latente.
Desta forma o processo sintomático e terapêutico compreendia: a experiência
emocional, o recalque e o esquecimento, resultando na neurose. Por meio da análise,
pela livre associação, tornou-se possível a recordação. Os conteúdos reprimidos no
inconsciente manifestaram-se pela transferência, pela descarga emocional. Na qual
ocorreu há catarse, a cura, a superação das neuroses. Portanto, a análise, não se restringe
ao setting analítico, mas instiga o paciente a organizar-se para a ação, para a
transformação social. Para viver e conviver melhor.
O nosso organismo é repleto de mecanismos automáticos que se acostumam facilmente
à rotina, por isso a necessidade do dia e da hora da análise, para que desta forma se
consiga estabelecer um planejamento para vida. A necessidade da analise não pode ser
entendida como uma relação de dependência, mas como um meio de fazer com o (a)
paciente consigam pensar, organizar-se para viver e conviver melhor. A escolha do
horário permite entrar em sintonia com o seu eu essencial. De modo que possa olhar
para si e ao mundo com mais compreensão.
Os tipos humanos são muitos e as suas diferenças devem ser respeitadas. No entanto,
percebe-se que as pessoas adaptadas conseguem encontrar um equilíbrio entre a razão e
a emoção, consomem menos energia para alcançar as suas metas e objetivos. Enquanto
que as pessoas problemáticas descentralizam os seus esforços e perdem a orientação, o
norte. "O ser verdadeiro gasta menos energia, concentra-se no ponto que precisa ser
re-estruturado" (Brum 2003 p.63) Desta forma consegue organizar os seus sentimentos,
pois estes são percebidos pelos órgãos sensitivos e transmitidos ao cérebro por meio do
sistema nervoso que os interpreta e dá a sensação de como classificá-los. Os negativos
causam desconforto, enquanto que os sentimentos positivos enaltecem, produzem
alegria, bem estar e felicidade. Aproximam as pessoas e os seus interesses.
A solução para o problema da neurose encontra-se na reflexão-ação-transformação, a
qual pode ser resolvida por meio da terapia psicanalítica, pelo dialogo e pela
problematização, numa perspectiva dialética e inclusiva. O homem age pelos instintos,
mas é capaz de utilizar a inteligência e a tomada de consciência para alcançar os seus
objetivos. Segundo o autor "Se pretendemos desenvolver a nossa consciência, é para
também ajudar o próximo" (Mecler 2007, p.23) Dessa forma percebe-se que trazer a
consciência, os conteúdos inconscientes favorecem o desenvolvimento e o
aprimoramento das habilidades e das competências para que possam superar-se. Ter
autonomia e conduzir-se num processo constante de humanização e emancipação.
Percebe-se a psicanálise como um processo de educação e reeducação. Fundamental
para o equilíbrio emocional do ser humano. A sua prática deve desenvolver-se numa
relação de afeto, cognição e prazer. Desta forma o setting analítico torna-se tão
importante quanto o analista, pois pode ser comparado com um templo, um lugar
destinado para re-significar os conflitos. O lugar sagrado que se forma a partir da
relação saudável que se estabelece entre o analista e o analisando. De forma que pela
transferência feita por meio do analista possam tornar conscientes os problemas, e
solucioná-los.
Sendo assim, a transformação do pensamento na vida cotidiana contemporânea requer
estudos sobre esta nova forma de perceber a saúde mental. A população em geral deve
ter acesso à psicanálise e não apenas uma elite privilegiada, portanto deve popularizar-
se nas comunidades, em serviços públicos. Sendo que o lugar do (a) psicanalista não se
restringe aos consultórios privados, mas como um profissional capaz de contribuir
favorecendo o desenvolvimento de um comportamento humano saudável de forma
individual e coletiva.
Devido à complexidade do sistema percebe-se que as neuroses fazem parte do nosso
cotidiano. A partir deste princípio, todo psicanalista deve conhecer o movimento do
mundo. Ter noções de economia, política, filosofia para que possa contribuir com
segurança do processo de adaptação dos pacientes e da sociedade. Desta forma constata-
se que a psicanálise e a política são de extrema importância social a luz dos novos
tempos, pois é preciso encontrar um equilíbrio na forma de vida entre os modelos de
governo e as necessidades humanas.
Isso requer pensar sobre as psicopatologias sociais e as suas posições com a Lei. Este
não é o objetivo do trabalho, mas torna-se necessário salientar a importância destas
questões para favorecer o desenvolvimento de uma sociedade mais saudável. Para viver
um grande amor, ter sucesso na vida e na profissão se faz necessário aprender a lidar
com a existência. Torna-se "impossível experimentar uma grande paixão quando se está
repleto de egoísmo." (Mecler, 2007, p.58) Amarguras, ou quando se projetam todas as
angustias em si ou nos outros. Nesse estado emocional, de confusão mental, a única
coisa que a pessoa vai encontrar é mais conflito.
Nessa perspectiva, o papel do psicanalista torna-se fundamental, pois se trata de um
profissional importante para auxiliar a desenvolver políticas publicas que contribuam
com o bem estar social. Torna-se impossível desvincular a vida privada da política e da
economia, mas é preciso superar as nossas neuroses, os nossos medos. Fundamentar-se
na teoria e na prática psicanalítica, segundo a Proposta de um modelo psicanalítico
para a tomada de decisões e as decisões econômicas, requer os conhecimentos
adquiridos pela psicanálise para encaminhar os inúmeros problemas sócio-econômicos
que possuem a divisão psíquica. Estimula o bem estar social, motivam a sociedade a
participar e oportunizam o mercado.
Desta forma as grandes crises atuais passam pelas habilidades e pelas competências,
pelo nível excessivo de exigências. Para isso se fazem necessários acordos sociais,
políticas que promovam equilíbrio, entre os interesses dos cidadãos e dos governos. O
desenvolvimento de um sistema capaz de oferecer oportunidades de educação, trabalho,
emprego, renda e dignidade. De promover a inclusão social para amenizar as neuroses,
favorecendo a emancipação e o bem estar social.
Pesquisas realizadas ao longo da história da psicanálise apontam que a origem dos
traumas geralmente encontra-se na infância, vinculada a princípios e valores. Para
resolvê-los requer um bom tratamento e muitos cuidados, portanto investir em
prevenção, na saúde mental da população trata-se de uma boa estratégia para qualquer
governo ou instituição. A cura psicanalítica trata-se de um processo lento, gradativo e
requer muita coragem para descobrir-se.
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"O s s o nh os s ã o um a p i nt ura m ud a, em qu e
a im ag i naç ã o a p ort as f ec h ad as , e às
es c ur as , r et ra ta a v i d a e a a lm a d e c a da
um , c om as c o res d as s uas aç õ es , d os
s eus pro p ós it os e dos s eus des ej os . "
P ad re
Vi e ir a , no Se rm ã o de São Fr anc is c o
X av i er Dor m i nd o

Cabe um esclarecimento inicial ao leitor: eu


procurei montar est a página com o pensamento
original de Freud, apesar de estar consciente de
que vár ios dos post ulados originais da psicanálise
f oram revisados e modif icados - vários deles
considerados ultrapassados pelo própr io Freud em
seus últimos anos . Também não abor darei aqui a
doutrina f reudiana em toda a sua extensão e
implicações. Por isso, aconselho o leitor a
procurar um psicanalista licenciado que possa
orientá-lo corretamente nessa matéria.
A Psicanálise é ao mesmo tempo um modo
particular de tratamento do desequilíbr io mental e
uma teor ia psicológica que se ocupa dos
processos mentais inconscientes; uma teoria da
estrutura e f uncionamento da mente humana e um
método de análise dos motivos do comportamento;
uma doutrina f ilosóf ica e um método t erapêut ico
de doenças de natur eza psicológica supostamente
sem motivação orgânica. Originou -se na prát ica
clínica do médico e f isiologista Josef Breuer ,
devendo-se a Sig mund Freud (1856 -1939) a
valorização e aperf eiçoamento da técnica e os
conceitos cr iados nos desdobramentos posterior es
do método e da dout rina, o que ele f ez valendo -se
do pensamento de alguns f ilósof os e de sua
própria experiência prof issional.
A f ormulação da Psicanálise repr esentou
basicamente a consolidação em um corpo
doutrinár io de conhecimentos existentes, como a
estrutura tripartite da mente, suas f unções e
correspondentes tipos de personalidade, a teoria
do inconsciente, o método terapêut ico da catarse,
e toda a filosof ia pessimista da natur eza humana
dif undida na época. Além de alicerçar - se - como
método terapêutico -, nas descobertas do médico
austr íaco Josef Breuer , como doutrina tem em
seus f undamentos muito do pensamento f ilosóf ico
de Platão e do f ilósof o alemão Arthur
Schopenhauer. No entanto, ao serem esses
conhecimentos incorporados na Psicanálise, f oi
aberto o cam inho para um número grande de
conceitos subordinados que eram novos, como os
de atos sintomát icos, sublimação, per ver são, tipos
de per sonalidade, recalque, transf erência,
narcisismo, projeção, introjeção, etc. A
psicanálise constit uiu -se, por isso, em um modo
novo de abor dar as condições psíquicas
correspondentes a estados de inf elicidade e a
comportamentos ant i -sociais, e deu nascimento ao
tratamento clínico psico lógico e psiquiátrico
moderno.
A extraordinár ia popularidade da psicanálise
poderá, talvez, ser explicada, em parte, pela sua
ousada concepção da mot ivação humana, ao
colocar o sexo - objeto natural de inter esse das
pessoas e também sua principal f onte de
f elicidade -, como único e poderoso móvel do
comportamento humano. O mundo civilizado,
pouco antes chocado com a tese evolucionista de
que o homem descendia dos chimpanzés, já não
se surpreendia com a tese de que o sexo
dominava o inconsciente e estava sub jacente a
todos os inter esses humanos. A novidade f oi
recebida com divertido espanto e prazerosa
excitação. Em que pese os detalhes picarescos de
muitas narrativas clínicas, a abordagem do sexo
sob um aspecto cient íf ico, em plena er a vitor iana,
represent ou uma sublimação (par a usar um
conceito da própr ia psicanálise) que per mitiu que
a sexualidade f osse, sem restrições morais,
discutida em todos os ambientes, inclusive nos
conventos. Essa per meabilidade subjetiva
conf undiu-se com prof undidade cient íf ica, e a
teoria f oi levada a aplicação em todos os campos
das relações sociais, nas artes, na educação, na
religião, em análises biográf icas, etc. Porém, a
questão da motivação sexual f oi causa de se
af astarem do círculo de Freud aqueles que haviam
inicialmente se entusiasm ado pela psicanálise
como método de análise do inconsciente, entre
eles Car l Jung, Otto Rank, e Alf red Adler que
decid iram por outr as teses, e f undaram suas
próprias correntes psicanalít icas. No seu todo, a
psicanálise f oi f ortemente contestada por outras
correntes, inclusive a da f enomenologia , a
do existencialismo , e a da logoterapia de Viktor
Frankl.
O pensamento de Freud está pr incipalmente
em três obras: "Interpretação dos Sonhos", a mais
conhecida, que publicou, em 1900;
"Psicopatolog ia da Vida Cot idiana", publicada em
1901 e na qual apresenta os primeiros postulados
da teoria psicanalít ica, e "Três Ensaios sobre a
Teoria da Sexualidade", de 1905, que contem a
exposição bás ica da sua teor ia.
Em "Mal Est ar na Civilização", publicado em
1930, Freud lança os conceitos de culturas
neurót icas, mais os conceitos de projeção,
sublimação, regressão e Transf erência. Em
"Totem e Tabu (1913/14) e "O Futuro de uma
Ilusão"(1927) expõe su a posição sobre a religião.
Os postulados da t eoria são numerosos, e seu
exame completo demandar ia um espaço muito
ext enso, mot ivo porque somente os aspectos
usualmente mais conhecidos da doutr ina e do
método serão exam inados nesta página.
Importância do i nstinto sexual. Freud notou
que na maior ia dos pacientes que teve desde o
início de sua prát ica clínica, os distúrbios e
queixas de natureza hipocondr íaca ou histér ica
estavam relacionados a sent imentos r eprim idos
com origem em experiências sexuais
perturbadoras. Assim ele f ormulou a hipótese de
que a ansiedade que se manif estava at ravés dos
sintomas (neurose) era conseqüência da energia
(libido) ligada à sexualidade; a energia reprimida
tinha expressão nos vários sintomas neurót icos
que ser viam como um mec anismo de def esa
psicológica. Essa f orça, o instinto sexual, não se
apresentava consciente devido à "repressão"
tornada t ambém inconscient e. A r evelação da
"repressão" inconsciente era obtida pelo método
da livr e associação (inspir ado nos atos f alhados
ou sintomát icos, em substit uição à hipnose) e pela
interpr etação dos sonhos (conteúdo m anif esto e
conteúdo lat ente). O processo sint omático e
terapêut ico compreendia: exper iência emocional -
recalque e esquecimento - neurose - análise pela
livr e associação - recordação - transf erência -
descarga emocional - cura.
Estrutura tripartite da mente. Freud buscou
inspiração na cult ura Grega, pois a doutrina
platônica com cert eza o impressionou em seu
curso de Filosof ia. As partes da alma de Platão
correspondem ao Id, ao Superego e ao Ego da sua
teoria que atribui f unções f ísicas par a as partes
ou órgãos da mente (1923 - "O Ego e o Id").
O Id, regido pelo "pr incípio do prazer", tinha a
f unção de descarr egar as tensões biológicas.
Corresponde à alma concupiscente , do esquema
platônico: é a reser va inconsciente dos desejos e
impulsos de origem genética e voltados para a
preser vação e pr opagação da vida. .
O Superego, que é gradualmente f ormado no
"Ego", e se comporta como um vigilante moral.
Contem os valores morais e atua como juiz moral.
É a parte ir ascível da alma , a que corr espondem
os "vigilant es", na teoria platônica.
Também inconsciente, o Superego f az a
censura dos impulsos que a sociedade e a cultura
proíbem ao Id, impedindo o indivíduo de satisf azer
plenamente seu s instintos e desejos. É o órgão da
repressão, part icularmente a repr essão sexual.
Manif esta-se á consciência indiretamente, sob a
f orma da moral, como um conjunto de interdições
e de deveres, e por meio da educação, pela
produção da imagem do "Eu ideal", isto é, da
pessoa moral, boa e virtuosa. O Superego ou
censura desenvolve - se em um per íodo que Freud
designa como per íodo de latência, situado entre
os 6 ou 7 anos e o inicio da puberdade ou
adolescência. Nesse per íodo, f orma -se nossa
personalidade moral e social (1923 "O Ego e o
Id").
O Ego ou o Eu é a consciência, pequena parte
da vida psíquica, subtraída aos desejos do Id e à
repressão do Super ego. Lida com a estimulação
que vem tanto da própria mente como do mundo
ext erior. Racionaliza em f avor do Id, m as é
governado pelo "princípio de realidade" ou seja, a
necessidade de encontrar objet os que possam
satisf azer ao Id sem transgredir as exig ências do
Super ego. É a alma racional, no esquema
platônico. É a parte perceptiva e a inteligência
que devem, no adu lto normal, conduzir todo o
comportamento e satisf azer simultaneamente as
exigências do Id e do Superego através de
compromissos entre essas duas partes, sem que a
pessoa se volt e excessivamente para os prazeres
ou que, ao contrário, imponha limitações
exageradas à sua espontaneidade e gozo da vida.
O Ego é pressionado pelos desejos insaciáveis
do Id, a sever idade repressiva do Superego e os
perigos do mundo exter ior. Se submete - se ao Id,
torna-se imoral e destrutivo; se subm ete -se ao
Super ego, enlouquece d e desesper o, pois viverá
numa insat isf ação insuportável; e se não se
submeter á realidade do mundo, será destruído
por ele. Por esse m otivo, a f orma f undamental da
existência par a o Ego é a angúst ia existencial .
Estamos divididos entre o principio do praze r (que
não conhece limites) e o pr incipio de realidade
(que nos impõe limit es externos e internos). Tem a
dupla f unção de, ao mesmo tempo, recalcar o Id,
satisf azendo o Superego, e satisf azer o Id,
lim itando o poder do Super ego. No indivíduo
normal, essa d upla função é cumpr ida a contento.
Nos neurót icos e psicót icos o Ego sucumbe, seja
porque o Id ou o Super ego são excessivamente
f ortes, seja porque o Ego é excessivamente f raco.
O inconsci ente, diz Freud, não é o
subconsciente. Este é aquele grau da consci ência
como consciência passiva e consciência vivida
não-ref lexiva, podendo tomar -se plenamente
conscient e. O inconsciente, ao contrár io, jamais
será consciente diretamente, podendo ser captado
apenas indir etamente e por meio de técnicas
especiais de inter p retação desenvolvidas pela
psicanálise.
Atos falhos ou si ntomáticos . Os chamados
Atos sintomát icos são par a Freud evidência da
f orça e individualismo do inconscient e: e sua
manif estação é comum nas pessoas sadias.
Mostram a lut a do consciente com o
subconsciente (conteúdo evocável) e o
inconsciente (conteúdo não evocável). São
os lapsus linguae , popularmente ditos "traição da
memória", ou mesmo convicções enganosas e
erros que podem ter conseqüências graves.
Motivação. Para explicar o comport amento
Freud desenvolve a teoria da motivação sexual
(sobrevivência da espécie) e do instinto de
conser vação (sobrevivência individual). Mas todas
as suas colocações giram em torno do sexo. A
f orça que orienta o comportament o estaria no
inconsciente e ser ia o inst into se xual;
Fases do desenvolvimento sexual. Freud
contribuiu com uma teoria das fases do
desenvolvimento do indivíduo. Este passa por
sucessivos tipos de caráter: oral, anal e genital.
Pode sof rer regressão de um dos dois últimos a
um ou outro dos dois anter ior es, como pode
sof rer fixação em qualquer das f ases
precoces. Essas f ases se desenvolverão entre os
primeiros meses de vida e os 5 ou 6 anos de
idade, e estão ligadas ao desenvolviment o do Id:
(1) Na f ase oral, ou f ase da libido or al, ou
hedonismo bucal, o desejo e o prazer localizam -se
primordialmente na boca e na ing estão de
alimentos e o seio materno, a mamadeir a, a
chupet a, os dedos são objetos do prazer;
(2) Na f ase anal, ou f ase da libido ou
hedonismo anal, o desejo e o prazer localizam -se
primordialm ente nas excreções e f ezes. Brincar
com massas e com tintas, amassar barro ou
argila, comer coisas cremosas, sujar -se são os
objetos do prazer;
(3)Na f ase genital ou f ase f álica, ou f ase da
libido ou hedonismo genital, o desejo e o prazer
localizam -se primor dialmente nos órgãos genitais
e nas partes do corpo que excitam tais órgãos.
Nessa f ase, para os meninos, a mae é o objeto do
desejo e do prazer; para as meninas, o pai.
Tipos de personali dade . .
Aqueles que se detêm em seu desenvolvimento
emocional, e p or algum motivo se f ixam em
qualquer uma das f ases transitórias (Freud. 1908),
constit uem tipos e subtipos de personalidade
nomeados segundo a f ase correspondente de
f ixação.
O tipo que se det ém na f ase oral é o Oral
receptivo, pessoa dependente - espera q ue tudo
lhe seja dado sem qualquer reciprocidade; ou
o Oral sadíst ico , o que se decide a empregar a
f orça e a astúcia para conseguir o que deseja.
Explorador e agressivo, não espera que alguém
lhe dê volunt ariamente qualquer coisa.
O Anal sadíst ico é impulsivamente avar o, e
sua segurança reside no isolam ento. São pessoas
ordenadas e metódicas, par cimoniosas e
obstinadas.
O tipo genital é a pessoa plenamente
desenvolvida e equilibrada
*
Complexos de Édipo. Depois de ver nos seus
clientes o f uncionamento perf eito da estrutura
tripartite da alma conf orme a teoria de Platão,
Freud volta à cultura grega em busca de mais
elementos f undamentais par a a construção de sua
própria teor ia.
No centro do "Id", determinando toda a vida
psíquica, constatou o que chamou Complexo de
Édipo, isto é, o desejo incestuoso pela mãe, e
uma rivalidade com o pai. Segundo ele, é esse o
desejo f undamental que organiza a totalidade da
vida psíq uica e det ermina o sentido de nossas
vidas. Freud introduziu o conceito no
seu Interpretação dos Sonos (1899). O termo
deriva do herói grego Édipo que, sem saber,
matou seu pai e se casou com sua m ãe. Freud
atribui o complexo de Édipo às crianças de idade
entre 3 e 6 anos. Ele disse que o estágio
geralmente terminava quando a cr iança se
identif icava com o parent e do mesm o sexo e
reprimia seus instintos sexuais. Se o
relacionamento pr évio com os pais f osse
relat ivamente amável e não traumático, e se a
atitude parental não f osse excessivamente
proibit iva nem excessivamente estim ulante, o
estagio ser ia u ltrapassado harmoniosamente. Em
presença do traum a, no entanto, ocorre uma
neurose inf antil que é um importante pr ecursor de
reações similar es na vida adulta. O Superego, o
f ator moral que domina a mente consciente do
adulto, também tem sua parte no pr oces so de
gerar o complexo de Édipo. Freud considerou a
reação contra o complexo de Édito a mais
importante conquist a social da mente humana.
Psicanalistas poster iores consideram a descr ição
de Freud imprecisa, apesar de conter algumas
ver dades parciais.
Complexo de Elet ra. O equivalente f eminino
do Complexo de Édipo é o Complexo de Eletra,
cuja lenda f undamental é a de Electra e seu irmão
Orestes, f ilhos de Agamemnon e Clyt emnestra.
Eletra ajudou o irmão a matar sua mãe e o amante
dela, um tema da tragédia gre ga abordado, com
pequenas variações, por Sóf ocles, Eur ípedes e
Esquilo.
Narcisismo. Conta o mito que o jovem
Narciso, belíssimo, nunca tinha visto sua própr ia
imagem. Um dia, passeando por um bosque,
encontrou um lago. Aproximou -se e viu nas águas
um jovem de extraordinária beleza e pelo qual
apaixonou-se per didamente. Desejava que o
jovem saísse das águas e viesse ao seu encontro,
mas como ele parecia recusar -se a sair do lago,
Narciso mergulhou nas águas, f oi ás prof undezas
á procura do outro que f ugia, m orrendo af ogado.
Narciso morrera de amor por si mesmo, ou melhor,
de amor por sua própria imagem ou pela auto -
imagem. O narcisismo é o encantamento e a
paixão que sent imos por nossa pr ópr ia imagem ou
por nós mesmos, porque não conseguimos
dif erenciar um do outro. Como cr ítica à
humanidade em geral - que se pode vislumbrar em
Freud - narcisismo é a bela imagem que os
homens possuem de si mesmos, como seres
ilusor iament e racionais e com a qual estiver am
encant ados durante séculos.
Mecanismos de defesa são processos
subconscientes que permitem à mente encontrar
uma solução para conf litos não resolvidos ao nível
da consciência. A psicanálise supõe a existência
de f orças mentais que se opõem umas às outras e
que batalham entre si. Freud ut ilizou a expressão
pela primeira vez no seu "As neuroses e psicoses
de def esa", de 1894. Os mecanismos de def esa
mais importante são:
Repressão, que é af astar ou recalcar da
consciência um af eto, uma idéia ou apelo do
inst into. Um acontecimento que por algum motivo
envergonha uma pessoa pode ser completament e
esquecido e se tornar não evocável.
Defesa de reação , que consiste em ostentar
um procedimento e externar sent iment os ambos
opostos aos impulsos verdadeiros, quando estes
são inconf essáveis. Um pai que é pouco amado,
recebe do f ilho uma atenção por vezes exagerada
para que este convença a si mesmo de que é um
bom f ilho.
Projeção. Consist e em atribuir ao outro um
desejo pr óprio, ou atribuir a alguém, algo que
justif ique a própria ação. O estudant e cria o
hábito de colar nas provas dizendo, para se
justif icar, que os out ros colam ainda mais que ele.
Regressão é o ret orno a atitudes passadas que
provaram ser seguras e gratif icantes, e às quais a
pessoa busca voltar para f ugir de um presente
angustiante. Devaneios e memór ias que se tornam
recorrentes, repet itivas. Aplica -se t ambém ao
regresso a f ases anteriores da sexualidade, como
acima..
Subst ituição. O inconsciente, em suas duas
f ormas, está impedido de manif estar -se
diretamente à consciência, mas consegue f azê - lo
indiretament e. A maneira mais ef icaz para essa
manif estação é a substituição, isto é, o
inconsciente of erece à consciência um substituto
aceitável por ela e por meio do qual ela pode
satisf azer o Id ou o Super ego. Os substitutos são
imagens (represent ações analógicas dos objetos
do desejo) e f ormam o imaginár io psíquico que, ao
ocultar e dissimular o verdadeiro desejo, o
satisf az indiretamente por meio de objetos
substit utos (a chupeta e o dedo, par a o seio
materno; tintas e pintur a ou argila e escultura
para as f ezes, uma pessoa amada no lugar do pai
ou da mãe, de acordo com as f ases da
sexualidade, como acima).
Além dos subst itutos reais, o imaginário
inconsciente também of erece outros substitut os,
os mais f reqüentes sendo os sonhos, os lapsos e
os atos f alhos. Neles, realizamos desejos
inconscientes, de natureza sexual. São a
satisf ação imaginár ia do desejo. Alguém sonha,
por exemplo, que sobe uma escada, está num
nauf rágio ou num incêndio. Na realidade, sonhou
com uma relação sexual proibida. Alg uém quer
dizer uma palavr a, esquece -a ou se engana,
comete um lapso e diz uma outra que o
surpreende, pois nada terá a ver com aquela que
queria dizer: realizou um desejo proibido. Alguém
vai andando por uma rua e, sem querer, torce o pé
e quebra o objeto que estava carregando : realizou
um desejo proibido.
Sublimação. A Ét ica pede a renúncia às
gratif icações pur amente instintuais por outras em
conf ormidade com valores racionais
transcendentes. A sublim nação consistitui a
adoção de um comportamento ou de um interesse
que possa enobrecer comportamentos que são
inst int ivos de raiz Um homem pode encontrar uma
válvula par a seus impulsos agressivos tornando -
se um lutador campeão, um jogador de f ootball ou
até mesmo um cir urgião. Para Fr eud as obras de
arte, as ciências, a religião, a Filosof ia, as
técnicas e as invenções, as inst ituições sociais e
as ações polít icas, a lit eratura e as obr as teatrais
são sublimações, ou modos de substituição do
desejo sexual de seus autor es e esta é a razão de
exist irem os art istas, os m ísticos, os pen sador es,
os escr itores, cient istas, os líder es polít icos, etc.
Transferência. Freud af irmou que a ligação
emocional que o paciente desenvolvia em relação
ao analista representava a transf erência do
relacionamento que aquele havia t ido com seus
pais e que i nconscientement e proj etava no
terapeuta. O impasse que exist iu nessa relação
inf antil criava impasses na terapia, de modo que a
solução da transf erência era o ponto chave para o
sucesso do mét odo terapêut ico. Embora Freud
demorasse a considerar a questão i nversa, a da
atratividade do paciente sobre o terapeuta, esse
problema se manif estou tão cedo quant o ainda ao
tempo das exper iência de Breuer, que teria se
deixado af etar sentimentalment e por sua principal
paciente, Bertha Pappenheim .
Os mecanismos de defesa são apr endidos na
f amília ou no meio social exter no a que a criança
e o adolescente estão expostos. Quando esses
mecanismos conseguem controlar as tensões,
nenhum sintoma se desenvolve, ap esar de que o
ef eito possa ser limitador das potencialidades do
Ego, e empobrecedor da vida instintual. Mas se
f alham em elim inar as tensões e se o material
reprimido retor na à consciência, o Ego é f orçado a
multiplicar e int ensif icar seu esf orço def ensivo e
exagerar o seu uso. É nestes casos que a loucura,
os sintomas neurót icos, são f ormados. Para a
psicanálise, as psicoses signif icam um severa
f alência do sistema def ensivo, caracterizada
também por uma preponderância de mecanismos
primit ivos. A dif erença entre o estado neurótico e
o psicót ico seria, portanto, quant itativa, e não
qualitat iva.
Perversão. Porém, assim como a loucura é a
impossibilidade do Ego para realizar sua dupla
f unção (conciliação entre Id e Superego, e entre
estes e a realidade) , tamb ém a sublimação pode
não ser alcançada e, em seu lugar, surgir uma
per versão ou loucura social ou coletiva. O
nazismo é um exemplo de per versão, em vez de
sublimação. A propaganda, que induz no leit or ou
espectador desejos sexuais pela multiplicação das
imagens de prazer, é outro exemplo de per versão
ou de incapacidade para a sublimação.
Os sonhos: conteúdo manifesto e conteúdo
latente. (Signifi cados conscientes e
subconscientes). A vida psíquica dá sentido e
coloração af etivo -sexual a todos os objetos e a
todas as pessoas que nos rodeiam e entre os
quais vivemos. As coisas e os outros são
investidos por nosso inconsciente com cargas
af etivas de libido. Assim, sem que saibamos por
que, desejamos e amamos certas coisas e
pessoas e odiamos e tememos outras.
É por esse mot ivo que certas coisas, certos
sons, certas cores, certos animais, certas
situações nos enchem de pavor, enquanto outras
nos trazem bem -estar, sem que saibamos o
motivo. A or igem das simpat ias e antipat ias,
amores e ódios, medos e prazeres desde a nossa
mais tenra inf ância, em geral nos pr imeir os meses
e anos de nossa vida, quando se f ormaram as
relações af etivas f undamentais e o complexo de
Édipo.
A dimensão imaginária de nossa vida psíquica
- subst ituições, sonhos, lapsos, at os f alhos,
prazer e desprazer, medo ou bem -estar com
objetos e pessoas - indica que os recursos
inconscientes surgem na consciência em dois
níveis: o nível do conteúdo manif esto (escada,
mar e incêndio, no sonho; a palavra esq uecida e a
pronunciada, no lapso; o pé torcido ou objeto
partido, no ato f alho) e o nível do conteúdo
latent e, que é o conteúdo inconsciente verdadeiro
e oculto (os desejos sexuais). Nossa vida normal
se passa no plano de conteúdos manif estos e,
portanto, no imaginário. Somente um a análise
psíquica e psi cológica desses conteúdos, por meio
de técnicas especiais (trazidas pela psicanálise),
nos permite decif rar o conteúdo latent e que se
dissimula sob o cont eúdo manif esto.
A psicanálise e a psicologi a de
Schopenhauer, Brentano e Hartmann
Os crít icos consider am impressionante o
quanto possivelm ente Brentano inf luenciou a
Freud. Este assistiu suas aulas por pelo menos
dois anos, e exatamente na época que Brent ano
publicou seu f amoso livr o de 1874, Psychologie
vom empir ischen Standpunkte (Psychology f rom
an Empir ical Standpoint. Trad. de A. C.
Rancurello, D. B. Terrell, and L. L. McAlister. Ed.
Rout ledge & Kern Paul, Londres, 1973; 448 p. - "A
Psicologia de um ponto de vista empír ico") em que
seu equacionamento entre o f ísico e o psíquico, o
psicossomát ico, é mais salientado. Arthur
Schopenhauer é cit ado inúmeras vezes no ref erido
livr o, onde Brentano também discute am plamente
Karl von Hartman, f ilósof o alemão chamado "o
f ilósof o do inconsciente", autor de "A f ilosof ia do
inconsciente", de 1869, o f az precisamente na
questão dos estados mentais inconscientes.
Brentano gozava de grande popular idade em meio
aos estudantes, entre os qua is estavam, além
de Sigmund Freud , o psicólogo Carl St umpf , e o
f ilósof o Edmund Husserl.
O quanto Freud ret irou de Schopenhauer f oi
provavelmente através de Br entano. Alguns
cr íticos de Freud dizem que ele não f ez muito
mais que desenvolver na Psicanálise as idéias
que o f ilósof o apresentou em seu livro "O mundo
como vont ade e representação". E o mais
importante, Schopenhauer articula a maior parte
da teoria f reudiana da sexualidade. A começar
pela sua teoria dos inst intos, o poder dos
complexos com or igem na inibição sexual, incesto,
f ixação materna e complexo de Édipo,
correspondem perf eitamente à Vontade opressor a
que, na psicologia de Schopenhauer, dirige as
ações do homem, e o f az de modo total, não
apenas no inst into sexual ( Eros) como também no
inst into de morte ( Tanatus) uma manif estação da
mesma Vontade condutora da natureza.
O conceito de "Vontade" de Schopenhauer
contem também os f undamentos do que viriam a
ser os conceitos de "inconsciente" e "Id" da
doutrina f reudiana. A Vontade como coisa
absoluta e auto -suf iciente, tem ela própria
"desejos". Quando se manif esta na f orma de uma
criatura ela busca se perpetuar por via dos meios
de reprodução dessa criatura. Por isso o sexo é
básico par a a Vontade perpetuar a si própr ia.
Resulta que o impulso sexual é o mais veemente
de todos os apet ites, o desejo dos desejos, a
concentração de toda nossa vontade.
O que Schopenhauer escreveu sobre a loucura
antecipou a teor ia da repressão e a concepção da
etiologia das neuroses na t eoria da Psicanálise e
inclusive o que veio a ser a teor ia f undamental do
método da livre associação de idéias utilizado por
Freud. .

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