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Apostila Curso Lucro Real

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IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS As dúvidas sobre a sistemática de
apuração e recolhimentos de tributos federais, máxime no que se refere ao
Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, geram no contribuinte uma incerteza quanto
aos procedimentos contábeis que devem ser implementadas corretamente. Com a
complexidade do sistema tributário, a dinâmica da legislação, a eficiência maior
da fiscalização e o aumento da concorrência, os recolhimentos de tributos não
podem mais ser vistos como meros cumprimentos de obrigações principais e
acessórias. O assunto tem merecido por parte dos profissionais da área,
dedicação e tempo para analisar a tirar proveito daquilo que a legislação
tributária oferece no particular, buscando sempre uma melhor performance de
caixa. Portanto, a correta apuração e recolhimentos podem ser uma importante
ferramenta de administração financeira, haja vista que menor desencaixe
tributário poderá significar margem de lucro maior, mais competitividade
empresarial e melhor fluxo de caixa. O Conselho Regional de Contabilidade do
Paraná, consciente das suas atribuições e responsabilidades, objetivando
contemplar requisições e atender necessidades existenciais, lança o projeto
“Fiscalização Preventiva” para, consubstanciado em cursos e palestras
específicas, destinadas aos profissionais contabilistas, consignar análises e
reflexões acerca das providências impostas pelo legislador, assim como, quanto
aos procedimentos que estão sendo implementados na área de que se ocupa o
presente evento, relativamente aos clientes contratantes, no sentido de que os
serviços contábeis restem prestados em conformidade com as exigências
estabelecidas, resultando assim em benefícios recíprocos. Esperamos dessa forma
estar contribuindo para o aprimoramento e crescimento dos profissionais da
contabilidade no Estado do Paraná, dotando esta respeitável categoria dos mais
importantes instrumentos de realização; quais sejam, conhecimentos e
habilidades, principalmente a partir das recentes modificações nos controles e
instrumentos de fiscalização contra empresas. 2 1. IMPOSTO DE
RENDA...........................................................................
.........................................................4
1.1 NORMAS
GERAIS..........................................................................
............................................................
4 1.1.1 Tributação das Pessoas
Jurídicas.........................................................................
..................................
4 1.1.2 Conceito de tributo
direto..........................................................................
............................................
4 2. NORMAS DA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL.........................................................................
.................................5
3. NORMAS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO
NACIONAL........................................................................
.....................5
3.1 FATO
GERADOR.........................................................................
...............................................................
6
3.2 BASE DE CÁLCULO E TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS
JURÍDICAS................................................... 7
3.2.1 Lucro
Real............................................................................
.................................................................
8
3.2.2 Lucro
Presumido.......................................................................
.............................................................
9
3.2.3 Lucro
Arbitrado.......................................................................
...........................................................10
3.3
CONTRIBUINTE....................................................................
...................................................................
10 4. NORMAS DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA DO
IR..............................................................................
................10
4.1 PERÍODO DE APURAÇÃO E
ANO-CALENDÁRIO....................................................................
.........
10 4.2 PAGAMENTO
TRIMESTRAL......................................................................
...........................................
11 5. LUCRO
REAL............................................................................
........................................................................11
5.1 PESSOAS JURÍDICAS OBRIGADAS À APURAÇÃO DO IR PELO LUCRO
REAL.......................... 12
5.1.2 Empresas que Exploram Atividades
Imobiliárias......................................................................
..........
12
5.2 BASE DE
CÁLCULO...........................................................................
.....................................................
13
5.3 APURAÇÃO
TRIMESTRAL......................................................................
..............................................
13
5.3.1 Demonstração do Lucro Real
Trimestral......................................................................
.......................
13
RESULTADO CONTÁBIL ANTES DO
IRPJ............................................................................
............
14
5.4 ADICÕES E EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO DO
IRPJ............................................................ 14
5.4.1 Adições da base de
cálculo:..........................................................................
.......................................
14
5.5 PAGAMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA E APURAÇÃO ANUAL DO LUCRO REAL..............
16 5.5.1 Opção pelo Pagamento
Mensal..........................................................................
.................................
16
5.5.2 Base de Cálculo do Imposto Mensal por
Estimativa......................................................................
.....
16
5.5.3 Percentuais Aplicáveis sobre a Receita
Bruta...........................................................................
..........
17
5.5.4 Acréscimo dos Ganhos de Capital e demais Receitas e
Resultados.................................................... 18
5.5.5 Valores que não integram a Base de
Cálculo...........................................................................
...........
19
5.5.6 Cálculo do Imposto -
Alíquotas.........................................................................
..................................
19
5.5.7 Dedução de Incentivos
Fiscais.........................................................................
....................................
20
5.5.8 Compensação de IRRF ou Pago sobre Receitas Computadas na Base de
Cálculo............................. 20
5.5.9
Prazo...........................................................................
.........................................................................
21
5.5.10 Exemplo Prático De Cálculo Do IRPJ
Mensal..........................................................................
........
21
5.6 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS
FISCAIS.........................................................................
.................
24
5.7 CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS -
LIMITAÇÕES................................................................... 25
5.7.1
Custos..........................................................................
........................................................................
26
5.7.2 Tributos e
Multas..........................................................................
.......................................................
27
5.7.3 Outras
Limitações..........................................................................
......................................................
28
5.7.4 Estudo de
Caso............................................................................
........................................................
31
5.8 PROVISÃO PARA O
IR..............................................................................
..............................................
32
5.9 RESULTADOS OBTIDOS NO
EXTERIOR........................................................................
....................
33
5.9.1 Cômputo no Lucro
Real............................................................................
...............................................
33
5.9.2 Compensação de Prejuízos Não
Operacionais....................................................................
................
34
5.9.3 Disponibilização de Lucros Obtidos no Exterior - Fato
Gerador........................................................ 34
5.9.4 Normas Sobre as Demonstrações Financeiras e Documentos do
Exterior,......................................... 34
5.9.5 Preços de Transferência – TRANSFER PRICING (Art.
18).............................................................. 34
3 5.9.6 Importações - Métodos Determinativos do Preço de Transferência (Art.
18)..................................... 35 5.9.7 Exportações (arts. 19 a
21).............................................................................
.....................................
36 5.9.8 Pessoas vinculadas -
conceito........................................................................
......................................
37 5.10 LUCROS
DISTRIBUÍDOS......................................................................
.................................................38
5.10.1 Legislação Federal do
IR..............................................................................
.....................................
38
5.10.2 Lei Federal sobre a Distribuição de
Lucro...........................................................................
.............
38
5.10.3 Normas Complementares do
IR..............................................................................
...........................
39
5.11 DISTRIBUIÇÃO DA DIFERENÇA ENTRE O LUCRO CONTÁBIL E O
PRESUMIDO................... 40
5.12 RENDIMENTOS DISTRIBUÍDOS PELO REGIME TRIBUTÁRIO DO
SIMPLES............................ 40
5.13 DISPOSIÇÕES
ESPECIAIS.......................................................................
.............................................
40
5.13.1 Juros Remuneratórios do Capital
Próprio...........................................................................
...............
40
5.13.2 Perdas com Créditos
Incobráveis.......................................................................
................................
42
5.14 CRÉDITOS COM
GARANTIA........................................................................
.......................................
42
5.14.1 Venda com Reserva de
Domínio...........................................................................
............................
42
5.14.2 Alienação Fiduciária em
Garantia........................................................................
.............................
42
5.14.3 Venda com Garantia
Real............................................................................
......................................
43
5.14.4 Desistência da Cobrança
Judicial........................................................................
..............................
43
5.14.5 Créditos
Recuperados.....................................................................
...................................................
43
5.15 PROCESSO ADMINISTRATIVO DE
CONSULTA........................................................................
......
44
5.16 INCENTIVOS FISCAIS DEDUTÍVEIS DO IMPOSTO DE
RENDA................................................... 44
5.16.1
Introdução..........................................................................
................................................................
44
5.16.2 Programa de Alimentação do Trabalhador -
PAT.............................................................................
45
5.16.3 Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial ou Agropecuário
(PDTIIPDTA)............... 45
5.16.4 Dedução Cumulativa do
PAT/PDTI/PDTA...................................................................
...................
46
5.16.5 Dedução Cumulativa dos Incentivos às Operações de Caráter
Cultural........................................... 46
5.16.6 Doações aos Fundos dos Direitos da Criança e do
Adolescente....................................................... 47
5.17 EXTINÇÃO DE
EMPRESAS........................................................................
..........................................
47
5.17.1
Conceito........................................................................
.....................................................................
47
5.17.2 Por Dissolução da
Sociedade.......................................................................
......................................
47
5.17.3 Liquidação por Partilha de Bens do
Ativo...........................................................................
..............
48
5.17.4 Tratamento
Tributário........................................................................
................................................
48
6. LUCRO PRESUMIDO E
ESTIMADO........................................................................
.................................49
6.1
CONCEITO........................................................................
........................................................................
49 6.2 PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO OU
ESTIMATIVA......................................................................
....
50 6.3
ADIÇÕES.............................................................................
......................................................................
50 6.4 CASO
BASE............................................................................
..................................................................
50 6.5 SUSPENSÃO DO IMPOSTO MENSAL
ESTIMADO........................................................................
.....
51 6.6 OPÇÃO PELO LUCRO
PRESUMIDO.......................................................................
..............................
51 7. LUCRO
ARBITRADO.......................................................................
................................................................52
7.1 CONCEITO E
APLICAÇÃO...........................................................................
..........................................
52 7.2 ARBITRAMENTO PELA RECEITA
BRUTA...........................................................................
..............
52 7.3 RECEITA
DESCONHECIDA....................................................................
...............................................
52 7.4 ADIÇÕES AO LUCRO
ARBITRADO.......................................................................
..............................
53 7.5 OMISSÃO DE
RECEITA.........................................................................
.................................................
53 7.6 CÁLCULO DO IR
ADICIONAL.......................................................................
.......................................
54 7.7
AUTO-ARBITRAMENTO...............................................................
.........................................................
54 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO
(CSL)...........................................................................
..54
8.1
INSTITUIÇÃO.........................................................................
..................................................................
54 8.2 BASE DE CÁLCULO E
ALÍQUOTA..........................................................................
.............................
54 4 8.3
CONTRIBUINTE....................................................................
...................................................................
55 8.4 CASO BASE – APURAÇÃO PELO LUCRO
REAL............................................................................
...
56 1. IMPOSTO DE RENDA 1.1 NORMAS GERAIS 1.1.1 Tributação das Pessoas Jurídicas
Conforme disposto no Código Tributário Nacional, o fato gerador do imposto de
renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, de renda, assim
entendida, o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e, de
proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não
compreendidos no valor daquela. 1.1.2 Conceito de tributo direto Tributos
diretos são aqueles que recaem definitivamente sobre o contribuinte que está
direta e pessoalmente ligado ao fato gerador. Assim, a mesma pessoa é o único
contribuinte, de fato e de direito. Os tributos diretos são aqueles que incidem
sobre o patrimônio e a renda; como por exemplo: o IPTU, o IRPJ, o IRPF e a CSL.
Pela lei, essas obrigações não podem ser objeto de repercussão, ou seja,
repassado para o preço ou para outra pessoa. Contudo, é comum nos contratos de
locação imobiliária, incluir uma cláusula obrigando o locatário ao pagamento do
IPTU, ou seja, repassando um imposto sobre a propriedade para quem
verdadeiramente não é o proprietário. Essa cláusula, porém, só tem validade
entre as partes e não pode ser oposta ao Fisco; como ensina Rubens Gomes de
Sousa, em sua obra “compêndio de legislação tributária”, 1975, página 98, abaixo
transcrita: "Os efeitos tributários dos atos, contratos ou negócios são os que
decorrem da lei tributária e não podem ser modificados ou alterados pela vontade
das partes, ao contrário do que acontece no direito privado, em que as partes,
pelo menos em certos casos, podem alterar ou modificar os efeitos jurídicos dos
atos, contratos ou negócios, mudando-lhes a forma embora sem lhes alterara
substância”. Por essa razão, se o inquilino não pagar o IPTU, a execução fiscal
recairá sobre o imóvel e seu proprietário, exatamente como determina a lei
tributária, esta de direito público. Portanto, a citada cláusula contratual que
atribuiu o dever de pagar o IPTU ao locatário e por este descumprida é de
direito privado. Logo, sendo acordo os contratantes, eventuais questões no
particular devem ser resolvidas entre as partes, isto é, locador e locatário. Em
passado recente de alta inflação mensal, que não permitia uma comparação de
preços pelo consumidor, haja vista a rapidez com que aumentavam; muitos
administradores empresariais repassavam para o preço final também os encargos
com o IRPJ e a CSLL. Neste caso, bastava um simples cálculo matemático de
previsão dos tributos para inserir suas repercussões no preço final. 5 O advento
da relativa estabilidade econômica, no presente, passou a permitir a comparação
de preços pelo consumidor, bem como a maior concorrência e competitividade em
qualidade e tecnologia pela abertura das importações ao mercado mundial. O preço
hoje é o que o mercado estiver disposto a pagar pelo produto ou seu similar.
Logo, o preço é ditado pela concorrência e pela lei da oferta e procura, e não
mais pelo produtor ou comerciante. Por outro lado, o lucro esperado é ditado
pelo investidor, seja ele administrador ou apenas um sócio do empreendimento,
visto que deseja boa remuneração para seu capital. Assim sendo, só resta ao
administrador empresarial, como um equilibrista, adequar seu desencaixe para
atender a essas novas variáveis. A tentativa de repassar para o preço os
tributos diretos inviabilizará o comércio do produto. Logo, a tributação direta
sobre o lucro tem que ser suportada por quem o auferiu e deve ser levada em
consideração por ocasião do investimento. Ironicamente, a tributação direta da
renda, face ao instituto jurídico, apesar da enorme legislação vigente a ela
vinculada, passa a ser cumprida em decorrência de uma nova ordem e realidade
econômica. Comporta ressaltar, novamente, que o Direito deve estar sempre atento
ao fato e ao valor que a sociedade lhe atribui, para traçar as normas que
regerão a conduta diante da ocorrência do fato. Na particularidade do fato
examinado, valor e norma, recomenda-se à leitura do livroNoções Preliminares de
Direito, do Prof. Miguel Reale, indicado nas referências bibliográficas. 2.
NORMAS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL A Constituição Federal dá competência à União
para a cobrança do Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza; dispondo
no art. 153, III, como princípios básicos, em seu § 22: § 2- O imposto previsto
noincisoIII I– será informado pelos critérios dageneralidade, dauniversalidade e
daprogressividade. Na verdade, o critério da generalidade é o de que toda e
qualquer forma de renda ou provento deve ser tributada nos limites e condições
da lei. Por outro lado, o da universalidade é de que o tributo deverá ser
cobrado de todos que auferirem renda, nos exatos termos fixados na lei, sem
distinção de nacionalidade, sexo, cor, profissão, religião ou capacidade
jurídica. Finalmente, o critério da progressividade diz que o imposto deve ser
graduado por faixas de renda, de forma que as alíquotas mais altas recaiam sobre
as faixas maiores de renda. Em resumo, é a tentativa de aplicar o preceito de
justiça tributária, que diz: "quem pode mais, paga mais, quem pode menos, paga
menos, e quem não pode, não paga nada". 3. NORMAS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL
Definida a competência tributária para instituir o imposto, cabe à lei ordinária
federal, aprovada pelo Congresso Nacional, instituí-lo, atendidos os princípios
constitucionais e as normas gerais da legislação de regência, definidas na lei
complementar, que, como já dito, é lei nacional e se sobrepõe às leis
ordinárias, sejam elas Federais, Estaduais ou Municipais. 6 No plano do Imposto
de Renda, a lei complementar que disciplina as normas e os conceitos
fundamentais do referido tributo é o CTN, Lei n 5.172/66. O Código Tributário
Nacional define os três elementos fundamentais desse imposto, ou seja, o fato
gerador, a base de cálculo e o contribuinte. Comporta afirmar neste caso que,
nenhuma disposição de lei hierárquica inferior poderá contrariar ao comando do
CTN. 3.1 FATO GERADOR "Art. 43. O imposto,de competênciada União, sobrea rendae
proventosde qualquer natureza tem como fato geradorà aquisiçãoda disponibilidade
econômicaou jurídica”: I - de renda, assim entendidoo produtodo capital,do
trabalho ou da combinaçãode ambos; II - de proventosde qualquer natureza, assim
entendidosos acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.““.
Por sua vez, a LC n . 104/2001 acrescentou dois novos parágrafos a esse artigo:
§ 1o A incidência do imposto independe dadenominação da receita ou dorendimento,
da localização, condição jurídica ou nacionalidadeda fonte,da origem e da
formade percepção. § 2o Nahipótese da receita ou do rendimento oriundos
doexterior, a lei estabelecerá as condiçõese o momentoem que se dará sua
disponibilidade, para finsde incidênciado imposto referido neste artigo. O art.
43 dispõe que o fato gerador é a aquisição da disponibilidade econômica ou
jurídica da renda ou do provento. Aquisição da disponibilidade econômica
referida é o efetivo recebimento da renda. Regime de caixa, portanto. Por outro
lado, a aquisição da disponibilidade jurídica é a constituição do direito de
receber a renda. Neste caso, regime de competência. A venda de mercadoria a
prazo, no ato de sua entrega ao comprador, acompanhada do respectivo documento
fiscal, gera, para o vendedor, o direito de receber seu valor, no prazo
convencionado. Dessa forma, o vendedor adquiriu a disponibilidade jurídica. É o
credor de uma relação jurídica na qual o devedor é o comprador; o objeto é a
prestação patrimonial representada pelo pagamento do preço da venda e teve como
causa a vontade das partes. Aqui o título de crédito representativo desse
direito é a duplicata mercantil. Se vendida em março, para pagamento em abril,
ela será considerada na receita de março, ou seja, do primeiro trimestre, pela
aquisição da disponibilidade jurídica, e não em abril, ou seja, no segundo
trimestre, quando seu valor será efetivamente recebido, ou seja, quando será
adquirida a disponibilidade econômica. Regime de competência, portanto.
Avançando, constatamos que a renda é definida no inciso I do art. 43 do CTN,
como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. Produtos da
aplicação de capital, simplesmente falando, são, por exemplo, os lucros, juros,
alugueres, dividendos, etc. As remunerações do trabalho, com ou sem vínculo
empregatício, são, por exemplo, salários para empregados, honorários para
profissionais liberais, vencimentos nos casos dos funcionários públicos, soldos
para militares e, finalmente, “pró-labore” para sócios e renda para o governo.
7 A combinação de aplicação de capital - máquinas, instalações, mercadorias,
matérias-primas, etc e de trabalho, com ou sem vínculo empregatício, é a
característica principal da atividade empresarial que, se bem administrada, vai
produzir um resultado econômico positivo, ou seja, o lucro. Este é, portanto, o
produto da aplicação do capital e do trabalho, combinados e com providências
gerenciais implementadas pela pessoa jurídica. Já os proventos de qualquer
natureza são os acréscimos patrimoniais que não sejam resultantes da aplicação
de capital; do trabalho ou da combinação de ambos; como podemos exemplificar os
ganhos em loterias, heranças e legados. O fato gerador do Imposto de Renda é,
por definição legal, um fato periódico, ou seja, não resulta de um único ato, em
determinada data. Ele é complexo e se materializa ao longo de todo o período de
apuração, que pode ser trimestral ou anual, segundo a tipicidade. Assim, fica
claro que o resultado econômico final só é conhecido no encerramento do período
de apuração, porquanto sujeito a uma série de fatores que a ele se incorpora.
Durante o transcorrer do período de apuração trimestral, por exemplo, poderá
haver meses de prejuízo, alternados com outros de lucros. O resultado final será
a soma algébrica desses resultados mensais, positivos ou negativos, que
sintetizará no resultado econômico. A partir da Lei 9.430/96, foi adotado o
período de apuração trimestral. O imposto passou a ser devido trimestralmente e,
por conseqüência direta, a base de cálculo também deve ser apurada no final de
cada trimestre. É importante destacar que o imposto é determinado pela aplicação
da alíquota sobre a respectiva base de cálculo em moeda nacional. 3.2 BASE DE
CÁLCULO E TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS O art. 44 do CTN define como base de
cálculo do Imposto de Renda, o montante real, arbitrado ou presumido, da renda
ou dos proventos tributáveis. Assim podemos representar:
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10 / 30 / 2009
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