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Fundamentos da deficiência e da Educação Especial

Neste livro abordamos os aspectos históricos, filosóficos e legais da Educação Especial.

O objetivo é que motivar e instigar a buscar mais informações e conhecimento sobre os tópicos deficiência e educação
especial.

Vamos nessa aventura?

Site: Ambiente Virtual de Aprendizagem do Ifes


Curso: Práticas inclusivas na Educação Profissional e Tecnológica
Livro: Fundamentos da deficiência e da Educação Especial
Impresso por: Rosa Maria Barbosa Freitas
Data: segunda, 19 Jul 2021, 22:00
Índice
1. Aspectos históricos

2. Aspectos científicos

3. A Educação Especial no Brasil

4. Aspectos Legais da Educação Especial no Brasil

5. As Políticas Educacionais para as pessoas com deficiência no Brasil

Referências

Ficha Técnica
1. Aspectos históricos
 Olá!

Fonte: Equipe DocentEPT

Você sabia que ela não é recente e passou por diversas transformações durante os
séculos XVIII, XIX, XX e XXI?  Muitas das mudanças foram impulsionadas por
movimentos sociais e científicos que reivindicavam mais igualdade entre todos os
cidadãos, assim como a superação de qualquer tipo de discriminação e exclusão das
pessoas com deficiência.
As autores Roberta Jannuzzi (1992) e Eniceia G. Mendes (1995) assinalam períodos
distintos caracterizados por mudanças na concepção de deficiência. Processos
históricos que produziram e significaram, em diferentes etapas da constituição da
nossa sociedade e cultura, uma relação repleta de preconceitos, estereótipos,
estigmas, os quais desencadearam os tão conhecidos extermínios, exclusão, expulsão
e segregação como tentativa de eliminação de tal problemática.
Na Idade Antiga, as pessoas com deficiência eram abandonadas, caçadas e abolidas
devido às suas condições atípicas. Uma exclusão radical daqueles que não
representavam o ideal de perfeição cultuado nas sociedades existentes. Segundo
Aranha (2001), em Esparta, os fracos, imaturos e os defeituosos eram eliminados
propositalmente, pois a sociedade não tinha lugar para os improdutivos, estando fora
dos dois grupamentos sociais existentes os senhores, poderosos político, econômico e
socialmente e os serviçais e escravos. 
Já, na Idade Média, a maneira como lidavam com a deficiência variava conforme as
concepções de filantropia ou punição predominantes na comunidade em que a pessoa
com deficiência estava inserida, o que era também uma forma de exclusão. A criação
e o desenvolvimento do Cristianismo e as tentativas de propagar a crença de que
todos são filhos de Deus não alteraram muito a situação de exclusão, até porque os
maiores desmandos foram causados pela própria Igreja. A sociedade ainda se
relacionava com o diferente segundo a organização sócio-política-econômica
dominante (Estado e Igreja), associando-se às crenças religiosas e metafísicas, que
ora exterminavam as pessoas vistas como diferentes, ora as puniam por serem
representações de possessões demoníacas, ora mantinham com elas uma convivência
amistosa.
Fonte: https://www.timetoast.com/timelines/historia-da-educacao-especial-no-brasil

Fonte: Equipe DocentEPT

Sobre a Revolução Burguesa (por volta de 1640), podemos considerá-la como uma
possibilidade de transformação da relação da sociedade para com a pessoa com
deficiência. Uma nova visão de Homem e Sociedade propõe resgatar o direito à vida.
Ideias começam a ser construídas e pautadas nas transformações no sistema de
produção, na derrubada das monarquias, na queda da hegemonia religiosa e as novas
classes sociais constituídas a partir da divisão social do trabalho. A própria revolução
da burguesia desencadeia o acesso a outras formas de conhecimentos e ideias quanto
aos aspectos orgânicos da deficiência e, consequentemente, meios e modelos de
tratamento baseados na alquimia, magia e astrologia. A deficiência passa a ser vista
como doença e surgem os primeiros hospitais psiquiátricos e asilos onde devem
receber tratamento todos aqueles diferentes do restante da população. Temos a
instalação do paradigma da institucionalização em relação à deficiência.

Fonte: Equipe DocentEPT

Concomitante ao surgimento do capitalismo, tem-se o início da Modernidade e o


interesse da ciência, nomeadamente da Medicina, no que diz respeito à pessoa com
deficiência. Embora predomine um processo de institucionalização da pessoa com
deficiência, coexiste uma preocupação com a humanização desse sujeito, através de
práticas de socialização e escolarização. Contudo, uma perspectiva patologizante do
indivíduo que apresentava deficiência persistia, desencadeando e contribuindo para o
menosprezo da sociedade.
2. Aspectos científicos

Fonte: Equipe DocentEPT

Lembra que antes pessoas doentes, com problemas psíquicos e com deficiência, eram
segregadas no mesmo local? Até no Brasil tivemos o reflexo dessa percepção.

Fonte: Equipe DocentEPT

Segundo Tezzari (2010), pioneiros como Jean Itard (1774-1838), Edouard Séguin
(1812-1880) e Maria Montessori (1870-1952) contribuem com suas propostas de se
educar crianças com deficiência, ainda que para tal ação façam uso de procedimentos
e práticas inspiradas em modelos de compensar e substituir o déficit que o sujeito
apresenta em seu desenvolvimento e aprendizagem. A tese de Tezzari, Educação
especial e ação docente: da medicina à educação, traz com detalhes esses pioneiros.

Fonte: https://sites.google.com/site/debatinginclusion/pioneers

Percebemos que, embora estudos de diferentes áreas tenham contribuído para o


entendimento acerca do desenvolvimento e aprendizagem da pessoa com deficiência,
o modelo de institucionalização ou segregação perdurou por muito tempo. Áreas
como a Medicina e Psicologia ainda faziam parte de um modelo clínico-terapêutico
que pressupunha recuperar a pessoa com deficiência para viver em sociedade.
Apenas na Rússia podia ser notado um movimento contrário, amplamente
influenciado pelas ideias marxistas de sociedade, homem e trabalho, cujo principal
representante, Lev S. Vigotski, propunha a Psicologia Histórico-cultural para pensar e
atender a pessoas com deficiência sob um ponto de vista histórico-cultural, ou seja, o
homem e, consequentemente, a deficiência deveriam ser vistos como produto das
relações humanas, determinadas pela cultura e história das sociedades com o
propósito de pensar uma nova psicologia para um novo homem soviético, pós-
revolução. A tese de Sonia Maria Shima, A educação especial do novo homem soviético e a
psicologia de L. S. Vigotski: implicações e contribuições para a psicologia e a educação atuais, é
uma obra imperdível para conhecer a contribuição de Vigotski para a Educação
Especial.
     

Fonte: https://prosped.com.br/noticias/filme-uma-historia-de-vida/
Por muitas décadas conviveram modelos assistencialistas, higienistas e excludentes
em relação ao atendimento da pessoa com deficiência. Somente por volta da década
de 1970 identificamos na literatura, de uma forma mais explícita, um movimento de
integração social dos indivíduos que apresentavam deficiência, cujo objetivo era
integrá-los em ambientes escolares, o mais próximo possível daqueles oferecidos às
“pessoas normais”. No entanto, ainda persistia um movimento voltado para uma
ideologia da normalização do sujeito com deficiência. Para os integracionistas
interessava pensar, planejar e desenvolver meios para que pessoas com deficiência
pudessem ingressar nos serviços menos restritivos da Educação Especial a fim de se
inserirem na sociedade como pessoas adaptadas e produtivas. Esse processo de
integração propunha identificar no sujeito o alvo de mudança, embora também a
sociedade devesse se transformar para inserir tal sujeito.

Fonte: Equipe DocentEPT


 Conheça mais sobre L. S. Vigotski no vídeo Uma história de vida - Lev S. Vigotski.
3. A Educação Especial no Brasil
No Brasil, a educação de pessoas, sobretudo crianças e adolescentes com deficiência,
torna-se visível e possível institucionalmente a partir das possibilidades e
concretizações das ideias liberais divulgadas no final do século XVIII e início do século
XIX.  Inicialmente aconteceu em hospitais e asilos, financiados geralmente pela
filantropia, com evidência forte da presença do médico-terapêutico, que gradualmente
foi suprida, após os anos de 1930 pelo viés da psicologia.  Na década de 1990,
privilegiou-se o enfoque no processo ensino-aprendizagem, ainda que vinculado à
medicina, psicologia e linguística.
Assim como Jannuzzi (1992) e Mendes (1995), Mazzotta (1996) e Bueno
(1993) trazem à tona alguns marcos importantes sobre o início da Educação Especial
no Brasil. Apontam que:
O atendimento especializado às pessoas com deficiência remonta da época do
Império, com a criação de instituições como: o Imperial Instituto dos Meninos
Cegos, em 1854, atual Benjamin Constant, e o Instituto dos Surdos e Mudos em
1857, presentemente intitulado Instituto Nacional da Educação dos Surdos, ambos
no Rio de Janeiro. As duas vertentes que caracterizavam esse atendimento na
Educação Especial no Brasil consistiam em médico-pedagógico e a
psicopedagógica.
A primeira caracterizava-se pela finalidade eugênica e higienizadora da
comunidade e desencadeou, na Educação Especial, a criação de escolas em
hospitais, segregando as pessoas com deficiência. A segunda vertente, a
psicopedagógica, buscava uma avaliação e conceituação mais precisa para a
anormalidade e defendia a educação dos indivíduos considerados anormais. Essa
última prevaleceu sobre a primeira e deu origem à tendência diagnóstica ainda
existente na área através de testes e escalas psicométricas; também resultou na
implementação de medidas segregadoras, dentre elas as classes especiais para
deficientes mentais.
Nas décadas de 1920 e 1930 os ideários da Escola Nova influenciaram
sobremaneira os rumos da educação no país. Um grupo de educadores defensores
dessa nova corrente pedagógica criticava os princípios tradicionais da Educação,
apontando-os como fragmentados e desarticulados, e propunham a reconstrução
do sistema educacional brasileiro, dando as mesmas oportunidades educacionais a
todos.
Fonte: Equipe DocentEPT

Data de meados do século XX a fundação da primeira Associação de Pais e Amigos


dos Excepcionais (APAE); e somente em 1945 instituiu-se o primeiro atendimento
educacional especializado às pessoas com superdotação da Sociedade Pestalozzi.
Ao focarmos os movimentos desencadeados pelas propostas da Escola-Nova no Brasil,
observamos que, apesar de defenderem a diminuição das desigualdades sociais, sua
repercussão na Educação Especial colaborou para a exclusão dos indivíduos avaliados
como diferentes nas escolas regulares. 

Fonte: Equipe DocentEPT

Apenas em 1961, o atendimento educacional às pessoas com deficiência passa a ser


fundamentado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei nº 4.024/61,
que assinala o direito dos “excepcionais” a Educação, “preferencialmente” dentro do
sistema geral de ensino.
A alteração da LDBEN de 1961 institui a Lei nº 5.692/71, que altera e define
“tratamento especial para os alunos com deficiências físicas, mentais, os que se
encontram em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os
superdotados”. Todavia, essa nova proposta não defende a organização de um
sistema de ensino capaz de atender às reais necessidades educacionais especiais e
acaba reforçando o encaminhamento dos alunos para as classes e escolas especiais.
Para tratar das questões que envolvem a escolarização da pessoa com deficiência,
tem-se a criação do CENESP (Centro Nacional de Educação Especial) em 1973, como
o primeiro órgão nacional ligado ao MEC. Este fica responsável por gerenciar a
Educação Especial no Brasil, o que desencadeia ações educacionais voltadas para
pessoas com deficiência e com superdotação. Contudo, ações estas ainda marcadas
por campanhas assistenciais e iniciativas isoladas do Estado.
Não podemos deixar de mencionar que em 1986, a publicação do Decreto nº 93613
de 21 de novembro, transforma o CENESP em uma Secretaria de Educação Especial –
SESPE. 
Destacamos também que ainda em 1986 a Coordenadoria Nacional para a Integração
da Pessoa Portadora de Deficiência – CORDE foi criada com o objetivo de acompanhar
e avaliar o desenvolvimento de um política nacional para a inclusão da pessoa com
deficiência e das políticas setoriais de  de educação, saúde, trabalho, assistência social,
transporte, cultura, turismo, desporto, lazer e política urbana dirigidos a esse grupo social. (leia
mais sobre o tema em Conselho Nacional dos direitos da Pessoa com Deficiência - Conade)
4. Aspectos Legais da Educação Especial no Brasil

Fonte: Equipe DocentEPT

Nitidamente, foi a partir da divulgação de documentos que estabelecem e


determinam os direitos desses sujeitos e os deveres da Federação, Estado, Município
e sociedade em geral para que assegurassem tais direitos. Ao longo de muitos anos,
vários movimentos lideraram essas conquistas. Mas outras devem ainda ser
garantidas. Assim, conhecer e compreender a luta e os movimentos históricos da
pessoa com deficiência é uma forma de legitimar seu direito à inclusão em todos os
ambientes da sociedade, inclusive no ambiente acadêmico.
Convidamos você a ler o e-book SE INCLUI da Professora Vanessa Dalla Déa,
pesquisadora da Universidade Federal de Goiás. Neste e-book, Vanessa traz um
compilado de legislações que apoiam a inclusão da pessoa com deficiência na
sociedade, em especial na educação.

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Referências

DÉA, Vanessa Helena Santana Dalla, 1972 - Se inclui / Vanessa Helena Santana Dalla. – Dados
eletrônicos. – Goiânia : Gráfica UFG, 2017. Ebook : 35 p.

 
5. As Políticas Educacionais para as pessoas com deficiência no
Brasil
As Políticas Educacionais Brasileiras em relação à Educação Especial têm início a partir
de documentos como a  Constituição Federal Brasileira, que define, no artigo 205, a
Educação como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa,
o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. No artigo 206, inciso I,
institui a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” como um dos
princípios para o ensino, e garante como dever do Estado, a oferta do atendimento
educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino (art. 208). E
também o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei 8.069/90, no artigo 55,
reforça os dispositivos legais da Constituição Federal de 1988 ao definir que “os pais
ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos na rede regular de ensino”.
Nossas politicas também buscam apoio na Declaração Mundial de Educação para
Todos (1990), em Jomtien, que reafirma o direito básico à Educação para todos e, em
1994, divulga-se a Declaração de Salamanca, na Espanha, todas passando a
influenciar a formulação das políticas públicas da Educação Especial.
Com o objetivo de reforçar a obrigação do país em prover a Educação, é publicada,
em dezembro de 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei
nº 9.394/96.
Essa lei expressa alguns avanços importantes, tais como: a oferta da Educação
Especial na faixa etária de 0 a 6 anos; a ideia de melhoria da qualidade dos serviços
educacionais para os alunos e a necessidade de o professor estar preparado e com
recursos adequados de forma a atender à diversidade dos alunos. O capítulo V dessa
lei trata especificamente da Educação Especial, expressando que ela deve ser
oferecida preferencialmente na rede regular de ensino e, quando necessário, deve
haver serviços de apoio especializados.
Percebeu que a história da Educação Especial brasileira até a década de 1990
apresenta conquistas em relação à Educação dos indivíduos com deficiência? Porém,
as mudanças mais significativas têm início com movimentos de inclusão social no
mundo, a partir de conferências e documentos que trazem à tona os direitos das
pessoas, independente de sua condição física, cognitiva, psíquica, econômica e
social. 
Em relação ao surgimento do movimento de inclusão na Educação, estudiosos da área
concordam em que os países considerados desenvolvidos como Estados Unidos,
Canadá, Espanha e Itália foram os pioneiros e influenciadores na implantação de
classes e de escolas inclusivas, mas não apontam um marco para o início desse
processo.
No Brasil, as discussões em torno do novo modelo de atendimento escolar
denominado inclusão escolar acontecem por volta ainda da década de 1990, como
uma reação contrária ao processo de integração. Porém, sua proposição e efetivação
prática têm gerado muitas controvérsias.  Ou seja, não temos acompanhado tão de
perto o resto do mundo no que se refere aos avanços na área da Educação Especial.
A proposta de uma educação inclusiva requer que ocorram transformações estruturais
no sistema educacional. Embora existam documentos legais garantindo o
atendimento educacional especializado aos sujeitos da Educação Especial,
preferencialmente na rede regular de ensino, sabemos que não se concretiza sem que
se garanta, enquanto responsabilidade do Estado, recursos humanos, físicos,
materiais, entre outros, sendo urgente maior compromisso político e investimento
financeiro com a Educação brasileira.
No processo de inclusão escolar brasileiro, os envolvidos - escolas, pais, alunos e
profissionais da área - podem e devem, de acordo com o texto da lei, contar com o
apoio do atendimento educacional especializado no caso da matrícula de alunos com
deficiência em escolas regulares.
Em meio a diferentes impasses conceituais e sociais, o Brasil instituiu a Política
Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva - PNEE (2008),
para esclarecer e definir o aluno da Educação Especial e seu direito à escolarização.
Ressalta-se que o trabalho da Educação Especial necessita ser articulado com o
ensino comum, tendo em vista o atendimento das necessidades educacionais
especiais do alunado abaixo definido.
 

Consideram-se alunos com  deficiência  aqueles que têm impedimentos de longo prazo,
de natureza física, mental, intelectual e sensorial, que em interação com diversas
barreiras podem ter restringida sua participação plena e efetiva na escola e na
sociedade.

Os alunos com  transtornos globais do desenvolvimento  são aqueles que apresentam


alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comunicação, um
repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Incluem-se
nesse grupo alunos com autismo, síndromes do espectro do autismo e psicose infantil.

Alunos com  altas habilidades/superdotação  demonstram potencial elevado em qualquer


uma das seguintes áreas isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança,
psicomotricidade e artes. Também apresentam elevada criatividade, grande
envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse.
Dentre os transtornos funcionais específicos estão: dislexia, disortografia, discalculia,
transtorno de atenção e hiperatividade, entre outros (BRASIL, 2008, p. 15).

  

O AEE, de acordo com o MEC e a Secretaria de Educação Especial, consiste em um


serviço da Educação Especial que identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de
acessibilidade, que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos,
considerando as suas necessidades específicas.
A legislação brasileira, sobretudo a Constituição, admite ainda que o atendimento
educacional especializado (AEE) deva ser preferencialmente oferecido na rede regular
de ensino, todavia também pode ser oferecido fora dessa rede, já que é um
complemento e não um substitutivo do ensino ministrado na escola comum para
todos os alunos. Ele deve ser oferecido em horários distintos das aulas das escolas
comuns, com outros objetivos, metas e procedimentos educacionais. Suas ações são
definidas conforme o tipo de deficiência a que se propõe a atender. Também temos o
Decreto Nº 6.571/08 (BRASIL, 2008), que dispõe sobre o atendimento educacional
especializado. Este resolve e define este sistema de apoio à escolarização de alunos
com deficiências como sendo “[...] o conjunto de atividades, recursos de
acessibilidade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestado de forma
complementar ou suplementar à formação dos alunos
o, 
no ensino
regular  (Brasil/SEESP, 2008, §  1)”.  Especifica através do Art.  3 que o MEC dará
suporte técnico e financeiro às seguintes ações voltadas à oferta do atendimento
educacional especializado, entre outras que atendam aos objetivos previstos neste
Decreto:
I. Implantação de salas de recursos multifuncionais;

II. Formação continuada de professores para o atendimento educacional especializado;

III. Formação de gestores, educadores e demais profissionais da escola para a educação inclusiva;

IV. Adequação arquitetônica de prédios escolares para acessibilidade;


V. Elaboração, produção e distribuição de recursos educacionais para a acessibilidade; e

VI. Estruturação de núcleos de acessibilidade nas instituições federais de educação superior.

Fonte: Equipe DocentEPT

O Atendimento Educacional Especializado, como apoio educacional, constitui:


apoios complementares e suplementares que favorecem o acesso ao currículo,
podendo ser oferecidos dentro da sala de aula, como ajuda ao professor
relacionado às estratégias adotadas, ou fora dela, no contraturno da escolarização
no caso para atendimento do aluno;
na forma de complementação, objetiva um trabalho pedagógico complementar
necessário ao desenvolvimento de competências e habilidades próprias nos
diferentes níveis de ensino, ser realizado no contra turno e se efetiva por meio dos
seguintes serviços: salas de recursos; oficinas pedagógicas de formação e
capacitação profissional.

Fonte: Equipe DocentEPT

Mesmo com todas as nuances de uma mudança conceitual, cultural e atitudinal, os


documentos legais acarretaram um avanço importante ao chamar atenção dos
governantes para a necessidade de aplicar todo investimento possível para o
redimensionamento das escolas, para que possam atender, efetivamente, todas as
crianças, independente de suas diferenças e/ou dificuldades. No processo de inclusão
escolar brasileiro, os envolvidos - escolas, pais, alunos e profissionais da área -
podem e devem, de acordo com o texto da lei, contar com o apoio do atendimento
educacional especializado no caso da matrícula de alunos com deficiência em escolas
regulares.
 

 
Referências
ARANHA, M. S. F. Paradigmas da relação da sociedade com as pessoas com deficiência, transcrição de artigo
da revista do Ministério Público do Trabalho, Ano XI, n. 21, Março de 2001, p. 160-173.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição [da] República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal,
1988.

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Educativas Especiais. Disponível em : http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf. Acessado em
10 de outubro de 2010.
Ficha Técnica

Título Fundamentos da deficiência e da Educação Especial

Autoria Larissy Alves Cotonhoto (2021) / Emilene Coco dos Santos (2021)

Design gráfico Camila Karoline Justino Marques

Luiza Fonseca de Souza

 Design instrucional Michele Silva da Mata

Revisão textual Cláuberson Correa Carvalho

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-


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