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Acidente com Animais Peçonhentos:

Prevenção e Primeiros Socorros

Edilúcia de Souza Salomão


Animais Peçonhentos
 Animais peçonhentos são aqueles que produzem algum veneno e
possuem um aparato para injetá-lo na sua presa ou predador:
 Dentes
 Ferrões
 Agulhões
 Quelíceras
Acidentes por animais peçonhentos
 Os principais animais peçonhentos causadores de
acidentes são:
 Serpentes
 Escorpiões
 Aranhas
 Abelhas
 Vespas
Acidentes por animais peçonhentos
 Os acidentes com animais peçonhentos vêm aumentando no
Brasil:

 entre 2003 e 2013, o número de ocorrências pulou de 75.642


para 162.234.

 crescimento de 114,5%, segundo dados do Ministério da Saúde.


Acidentes por animais peçonhentos
 SINAN

• Bahia:
 4º estado em frequência de acidentes por
animais peçonhentos (M=13.500
casos/ano).
 2º em número de óbitos.
Doença negligenciada

Qual a importância?
OCORRÊNCIA DE ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS
BRASIL - 2007 A 2012
DF 3.108
GO 15.067
MT 12.352
MS 7.651
RS 25.233
SC 49.772
PR 83.443
SP 87.405
RJ 6.647
ES 18.831
MG 123.150
BA 74.571
SE 5.292
AL 31.937
PE 43.495
PB 14.085
RN 18.927
CE 12.953
PI 5.535
MA 11.588
TO 11.074
AP 2.511
PA 42.339
RR 2.650
AM 12.043
AC 4.157
RO 4.162

Fonte :SINAN
ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS
BRASIL - POR TIPO DE ANIMAL- 2007 A 2012

Abelha; Ign/Branco;
44.704; 46.759;
6% 6%
Lagarta;
22.372;
3% Serpente;
173.121;
24%

Escorpião;
298.921;
41%
Aranha;
144.101;
20%

Fonte :SINAN
OCORRÊNCIA DE ACIDENTES COM SERPENTES
BRASIL - 2007 A 2012
DF 532
GO 6.674
MT 7.465
MS 2.971
RS 5.859
SC 4.932
PR 5.809
SP 10.811
RJ 3.333
ES 5.791
MG 21.088
BA 17.532
SE 1.162
AL 2.011
PE 4.739
PB 2.809
RN 2.385
CE 4.207
PI 1.418
MA 9.228
TO 5.358
AP 1.589
PA 29.490
RR 1.713
AM 8.969
AC 2.547
RO 2.699

Fonte :SINAN
OCORRÊNCIA DE ACIDENTES COM SERPENTES
BAHIA - 2007 A 2012
Micrurus;
158; Não
0,90% Peçonhenta;
Lachesis; 456;
59; 2,60%
0,34%
Crotalus; Ign/Branco;
995; 2.909;
5,68% 16,59%

Bothrops;
12.955;
73,89%

Fonte :SINAN
OCORRÊNCIA DE ACIDENTES COM SERPENTES
BAHIA - POR SEXO - 2007 A 2012

Ignorado
4
Mulher; 0,02%
4.447;
25,36%

Homem
13.081;
74,61%

Fonte :SINAN
OCORRÊNCIA DE ACIDENTES COM SERPENTES
BAHIA - POR FAIXA ETÁRIA - 2007 A 2012

6.302

4.587

1.535 1.844
919 683
231 335 481 451 160
4

Fonte :SINAN
OCORRÊNCIA DE ACIDENTES COM SERPENTES
BAHIA - TEMPO PICADA/ATEND- 2007 A 2012

12 a 24 horas 24 e + horas
Ign/Branco
943 494
1.425
5,38% 2,82%
8,13%

6 a 12 horas
1.017
5,80% 0 a 1 horas
3.898
3 a 6 horas 22,23%
3.148
17,96%

1 a 3 horas
6.607
37,69%

Fonte :SINAN
OCORRÊNCIA DE ACIDENTES COM SERPENTES
BAHIA - CLASSIFICAÇÃO FINAL - 2007 A 2012

Grave
1.215 Ign/Branco
6,93% 1.496
8,53%

Moderado Leve
6.406 8.415
36,54% 48,00%

Fonte :SINAN
OCORRÊNCIA DE ACIDENTES COM SERPENTES
BAHIA - EVOLUÇÃO DO CASO - 2007 A 2012
Óbito por
Óbito pelo outra causa
agravo 12
notificado 0,07%
111
0,63%
Ign/Branco
2.563
14,62%

Cura
14.846
84,68%

Fonte :SINAN
EPIDEMIOLOGIA DAS INTOXICAÇÕES
BAHIA (CIAVE, 2014): 6.783 (~7% dos registros no país)
Outro 0,8
Ignorado 3,5
Animais Não… 5,1
Outros Anim.… 4,7
Escorpiões 16,2
Aranhas 3,3
Serpentes Peçonhentas 13,7
Alimentos 0,2
Plantas 1,5
Drogas de Abuso 0,7
Metais 0,1
Prod. Quím. Industriais 4,4
Cosméticos 1,9
Domissanitários 7,4
Raticidas 6,2
Produtos Veterinários 1,6
Agrotóxicos / Uso… 1,5
Agrotóxicos / Uso… 2,3
Medicamentos 24,9
0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0

Fonte:Ciave/Sesab %
OFIDISMO
 SERPENTES DE IMPORTÂNCIA MÉDICA:

 Bothrops, Crotalus, Lachesis e Micrurus

 Philodryas e Clelia (família Colubridae) – manifestações clínicas

locais.
OFIDISMO
Características das
Serpentes Peçonhentas
Características das Serpentes
Peçonhentas
Características das Serpentes
Peçonhentas
Gênero Bothrops:
 CARACTERÍSTICAS GERAIS:

 Sinônimos: jararaca, malha-de-sapo, patrona, boca podre;

 Amplamente distribuídas em todo o território nacional;

 Preferem ambientes úmidos (matas e áreas cultivadas) e locais com

roedores (paióis, celeiros e depósitos de lenha);

 Hábitos noturnos;
Gênero Bothrops:
 ACIDENTE BOTRÓPICO:

 Maior importância no país (90% dos acidentes);

 Faixa etária mais atingida: 15-49 anos (52,3%);

 Partes do corpo mais atingidas: pé e perna (70,8%).

 COMPOSIÇÃO DO VENENO: varia de acordo com a idade, a

distribuição geográfica e o caráter individual da serpente.


 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS:

LOCAIS SISTÊMICAS

Marcas das presas Sangramentos


Sangramento no sítio de Mais comuns:
• Gengivorragia
inoculação •Sangramentos em feridas
recentes.

Edema precoce
Equimose
Dor
Bolhas
Gênero Crotalus:

 CARACTERÍSTICAS GERAIS:

• Encontradas em campos abertos, áreas secas, arenosas ou

pedregosas e raramente na região litorânea;

• Não ocorrem em florestas, nem no pantanal;

• São ativas nos meses quentes e chuvosos.


Gênero Crotalus:
 ACIDENTE CROTÁLICO:

 Alta mortalidade (72% dos casos não tratados);

 11% dos casos  Insuficiência Renal Aguda - IRA.

 Ações do veneno crotálico:

1. Neurotóxica
2. Miotóxica
3. Coagulante
OUTRAS MANIFESTAÇÕES
CLÍNICAS

• Manifestações gerais:

 Mal-estar, prostação, sudorese, náuseas, vômitos;

 sonolência/inquietação;

 Variação da pressão arterial;

• Manifestações locais pouco importantes.

• Complicação: IRA
Gênero Lachesis:
 Sinônimos: surucucu, pico-de-jaca, malha-de-fogo;

 Ações do veneno laquético:

1. Proteolítica;

2. Coagulante;

3. Hemorrágica

4. Neurotóxica

(estimulação vagal: Bradicardia,

Náusea, vômito, diarréia e cólica).


Gênero Micrurus:
 Sinônimo: cobra coral, boicorá;

 ACIDENTE ELAPÍDICO:

• Raros (0,4% dos acidentes);

• Todos devem ser considerados GRAVES pelo risco de Insuficiência


Respiratória Aguda;
 Ações do veneno elapídico:

1. Neurotóxica;
2. Hemorrágica;
3. Cardiovascular
Prevenção
• Usar botinas com perneiras ou botas de
cano alto no trabalho pois 80% das picadas
atingem as pernas abaixo dos joelhos.

• Usar luvas de couro nas atividades rurais e


de jardinagem. Não colocar as mãos em
buracos na terra, ocos de árvores,
cupinzeiros, utilizando para isso um pedaço
de pau ou uma enxada.
Prevenção
• Examinar os calçados, pois serpentes podem refugiar-se
dentro deles.
• Vedar frestas e buracos em paredes e assoalhos.
• Limpar as proximidades das casas, evitando folhagens
densas junto delas.
Prevenção

• Evitar acumulo de lixo, entulhos e materiais de


construção.
• Avaliar bem o local onde montar acampamentos e fazer
piqueniques.
• Preservar inimigos naturais e criar aves domésticas, que se
alimentam de serpentes.
Primeiros Socorros

 Lavar o local da picada com água e sabão


 Elevar o membro afetado
 Levar a vítima imediatamente ao médico
 Hidratar a vítima
 Se possível, leve a serpente
Escorpionismo
 O escorpião pertence a família das aranhas
 No Brasil, o gênero de importância médica é o Tityus
 Três espécies:
Escorpionísmo
 Responsável pela maioria dos acidentes
 Maioria dos acidentes ocorrem dentro de casa
 Os acidentes mais graves atingem crianças de até 07 anos

 Quadro clínico
 Local
 Dor
 Hiperemia e edema discretos
 Parestesia
Escorpionísmo
 Quadro clínico
 Sistêmico
 Sudorese
 Hipotermia
 Sialorréia e rinorréia
 Priaprismo
 Náusea e vômito
 Cólica e diarréia
 Convulsões
 Taquipnéia, dispnéia, bradicardia e edema agudo de pulmão
Prevenção e primeiros socorros
 Semelhantes ao ofidismo
Araneísmo
 Aranhas:
 São Carnívoras e alimentam-se principalmente de insetos
 No Brasil existem três gêneros de importância médica:
 Phoneutria
 Loxoceles
 Latrodectus
Phoneutria
 Também conhecida como armadeira
 É responsável por 42% dos acidentes
 Quadro local:
 DOR
 EDEMA E ERITREMA DISCRETOS
 SUDORESE NO LOCAL DA PICADA
 Manifestações sistêmicas são raras e em crianças semelhantes ao
escorpionísmo.
 Primeiros Socorros:
 Compressa de água morna
Latrodectus
 Nome Popular: Viúva negra, flamenguinha
 O veneno tem ação neurotóxica
 Quadro clínico
 Local
 Dor intermitente
 Queimação
 Eritrema

 Sistêmico
 Dores musculares e cãimbras
 Fasciculação
 Arritmia cardíaca
Latrodectus
 Ações do Socorrista
 Antissepsia local
 Gelo e água morna no local, Alternadamente
 Levar a vítima para avaliação médica
 Se possível, levar a aranha
Loxoceles
 Nome popular: Aranha Marrom
 Costumam se esconder em roupas, sapatos e atrás de móveis
e cortinas.

 Quadro clínico – Forma cutânea


 É a mais comum
Evolução da Forma cutânea
Forma cutâneo-visceral
 Anemia e Icterícia (24h)
 Coagulação intravascular disseminada – óbito
 Insuficiência renal aguda – IRA

 Ação do socorrista:
 Limpeza da ferida
 Compressa fria
 Levar para atendimento médico
Abelhas
Abelhas

As reações desencadeadas pela picada de abelhas são


variáveis de acordo com o local e o número de ferroadas,
as características e o passado alérgico do indivíduo
atingido.

As manifestações clínicas podem ser: alérgicas (mesmo


com uma só picada) e tóxicas (múltiplas picadas).
Acidentes por abelhas
 Quadro clínico
 Local
 Dor e edema

 Sistêmicas
 a) Tegumentares: prurido generalizado, eritema,
urticária, edema generalizado.

 b) Respiratórias: rinite, edema de laringe e árvore


respiratória, trazendo como consequência dispneia,
rouquidão. Pode haver bronco-espasmo.
Sistêmicas

 Digestivas:
 Prurido no palato ou na faringe
 Edema dos lábios, língua, úvula e epiglote
 Disfagia
 Náuseas, vômitos e diarreia
 Cólicas abdominais ou pélvicas.

 Cardiocirculatórias: a hipotensão levando ao choque


 Arritmias cardíacas
 Infartos no coração ou cérebro.
Sistêmicas
 Na síndrome de envenenamento,
 Pacientes que geralmente sofreram mais de 500 picadas
 Distúrbios graves hidroeletrolíticos e do equilíbrio ácido-
básico,
 anemia aguda pela hemólise,
 depressão respiratória
 insuficiência renal aguda
Prevenção
 Nunca tentar realizar a remoção de uma colmeia sozinho.
 Determinar com que tipo de variedade de abelha que esta
provocando a infestação
 Após a remoção da colmeia lavar o local com água e sabão ou
tapar buracos
 Nos demais locais da residência podem ser instaladas as telas
de proteção de “arame galvanizado”.
 Evitar acúmulo de lixo(s) orgânico(s), tipo bagaço de cana de
açúcar, cascas de laranjas, cascas de mamão, e sacos de açúcar
refinado.
Primeiros Socorros
 Remover os ferrões
 Raspando
 Em até 2 minutos

 Levar a vítima para atendimento médico


Não esqueça
?
Obrigada!

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