Você está na página 1de 9

INTRODUÇÃO

Sérgio Buarque de Holanda nasceu em São Paulo em 1902. Sendo um importante


sociólogo, historiador, jornalista e um dos principais intelectuais brasileiros do século
XX. Uma de suas maiores obras, Raízes do Brasil, publicada em 1936, tem com
tese centra de que o brasileiro é um homem cordial e a sociedade,
consequentemente, seria pouco conflituosa. Não é preciso dizer que sua tese foi
refutada, pois havia e ainda há muitos conflitos camuflados em nossa sociedade.
Entretanto, enquanto a ideia do homem cordial era vista como um equívoco, ele
debruçou sua reflexão sobre a transição de uma ordem patrimonial para o
capitalismo.

FRONTEIRAS DA EUROPA

Paradoxalmente, no Brasil em condições naturais, as pessoas acham que a cultura


europeia está implantada nas desvantagens de suas antigas tradições. Daí um fato
relacionado - até hoje, ainda exilado em nossa terra. O fato é que o nosso
patrimônio provém de países ibéricos, Espanha e Portugal. Eles são separados de
outros países (como a Rússia e os países balcânicos) para formar uma área de
território-ponte, ou seja, um ponto-chave para outros territórios, por isso são menos
criticados pelo europeismo, mas um patrimônio necessário. Porém, entre a
Península Ibérica e o Norte da Europa, não é só a Europa que separa os Pirenéus.
O povo peninsular possui uma característica específica que está longe de ser
compartilhada por outras partes da Europa. Portanto, essa característica cultural é
marcada como individualismo-autonomia pessoal em relação aos outros.
Em suma, mostrar perseverança é a filosofia atual. Além disso, "sobranceria" - uma
palavra que indica superação - é apreciada e implica ordem social.
Portanto, na terra dos barões, os elementos da competição individualista e os
elementos da competição anarquista são fecundos em Portugal e no Brasil.
Em suma, essa desorganização social, produto do caráter individualista dos latinos,
foi devidamente herdada do Brasil, bem expressa na rebelião separatista e nos
interesses individualistas.
A história ibérica acompanha o chamado prestígio social, independentemente dos
nomes herdados. Portanto, a modernidade ganha destaque na Idade Média -
caracterizada pela fragilidade da chama nobre, ou seja, mais distante dos colegas
de fora dos Pirineus, que surgiram na ideia de hierarquia. Provas da união e mistura
da nobreza e do povo no que diz respeito à alimentação e à educação dos filhos -
estavam divididos e, portanto, no que diz respeito à intimidade.
Desse modo, não é possível transferir essas características dos povos ibéricos para
a biologia ou o acaso, mas para uma base histórica concomitante. A prática
mercantil - caracterizada pela modernidade - não teve dificuldade em se estabelecer
entre os ibéricos porque não se assemelhavam ao feudalismo das terras dos
Pirenéus. Em outras palavras, a natureza da valorização das conquistas
individualistas foi muito mais do que a dos bens herdados.
TRABALHO E AVENTURA

A colonização dos trópicos pelos portugueses foi a sua maior missão histórica. Não
se pode dizer, porém, que esse empreendimento foi cuidadoso, racional e
organizado, mas com pouca negligência e negligência. Portanto, um erro
metodológico não obscurece o esplendor desta missão.
Para compreender a sociedade, é necessário identificar as regras que regem as
atividades dos homens. Esses princípios são expressos pelo trabalhador e pelo
aventureiro. O primeiro são ideais restritivos, esforços lentos, trazendo benefícios
longos e econômicos; no entanto, essas regras não são peculiares a um
Aventureiro, mas sim ousadia, imprevisibilidade, recompensa instantânea e
fronteiras mundiais ilimitadas. Portanto, dependendo da participação dessas
entidades, ideais sociais podem ser identificados.
Nos portugueses, espanhóis - e também ingleses – ressalta-se que é notável a
preguiça, fruto da personificação do aventureiro figurativo. Esse sentimento de
aventura cresce com a facilidade dos portugueses em colonizar outras terras
ultramarinas. Impulsionado por triunfos, prosperidade sem custo, o Brasil foi
influenciado de alguma forma por seu espírito de aventura.
O ambiente encontrado pelos portugueses em terras quentes moldou-o em
adaptações, dando frutos no trabalho, mas nunca esquecendo o espírito de
aventura. Encontrando terras potencialmente produtivas e um clima adequado, os
portugueses desenvolveram outro problema: o problema do trabalho. Inicialmente,
mas sem sucesso, com os indígenas; e mais tarde encontrou uma solução na
escravidão africana.
Não é fato que a técnica agrícola inicialmente em grande escala foi usada no Brasil.
Por exemplo, o clima tropical dificultou as técnicas europeias baseadas em seu
próprio clima específico; além disso, dada a escassa mão-de-obra dos camponeses
portugueses, o que dificultava qualquer empreendimento. Mas depois que o
problema do trabalho foi resolvido, a técnica básica ainda estava lá mais tarde. Este,
por sua vez, herdou a tradição de passagem do país, não se acomodando nela.
Assim, com exceção da produção agrícola, e levando em consideração o método
utilizado na agricultura, eles não diferiam dos métodos primários nativos. Vamos
tentar dizer que o fato é que os portugueses eram um povo mestiço muito antes da
colonização do Brasil. O seu povo, acostumado a lidar com negros e mouros, trouxe
para o Brasil esta frutífera miscigenação. Prova disso, eram as tribos indígenas da
África Oriental.
O lucro fácil era admirado na nobreza, a mão não era calejada. Porém, percebeu-se
que a nobreza praticava o artesanato mecânico - alguns admitiam, outros com
grande desaprovação social. O fato é que uma participação tão nobre em obras de
baixo prestígio se tornou mais aceitável para outros povos com grande estratificação
social.

HERANÇA RURAL

A estrutura da sociedade colonial foi caracterizada nas áreas rurais. Portanto, é


muito importante entender esse fator hoje. O capítulo anterior mostra que nossa
estrutura inicial não era um modelo rural; mas uma sociedade com raízes rurais.
A indiscutível natureza dos domínios dos agricultores rurais era tal que, quando
apareceu uma nova onda desses representantes, eles pensaram com liberalidade,
cooperando assim com a fragmentação do poder rural. Em meados do século XIX, o
Brasil experimentou um crescimento econômico significativo - desvinculado do
campo e iniciando a fase de desmantelamento da escravidão.
O fim do tráfico de escravos e da escravidão nasceu na década de 1850 com a Lei
Eusebio de Queiróz e as operações de combate britânicas. Esse fato tocou as raízes
dos grandes camponeses, cujo motor econômico era o trabalho escravo. Com a
dinâmica desta década, os operadores escravistas se viram no processo em direção
ao fim. Desse modo, foi criada uma política de crédito para transferir atividades
ilegais para atividades produtivas lícitas que atendessem ao desenvolvimento da
população.
No entanto, não houve transformação passiva e cordial, pelo contrário: caracterizou-
se por profunda resistência dos operadores escravistas. As raízes rurais foram tão
fortes na formação do Brasil que no caso dos partidos políticos sua manifestação se
deu no conceito de família, ou seja, a família era sinônimo de partido político e,
portanto, quem negasse no futuro era considerado um traidor. O fato é que a raiz
rural era considerada “um organismo de nobreza essencialmente natural”, pelo que
se pode ver o exercício do poder através desta herança. As usinas açucareiras da
época colonial eram consideradas uma "instituição republicana" independente, ou
seja, qualquer "instituição" produzida, criada, educada e compartilhada em suas
próprias terras. Portanto, definindo-se como "a autarquia das mais diversas
profissões”.
Em suma, este capítulo desenvolve a ideia de como o Brasil colonial, imperial e
mesmo republicano foi fortemente influenciado por uma classe pertencente ao antigo
sistema judicial. Assim, na ausência de uma "classe média" ou de uma burguesia
independente, o Brasil até agora não foi incapaz de distribuir poder, economia e
cultura; mas sim que ambos são dominados pela classe.
O SEMEADOR E O LADRILHADOR

O método comum de dominação sobre as nações era a construção de cidades.


Dessa forma, os países colonizadores construíram suas "cidades" de tal forma que a
fase de colonização ou dominação se completou totalmente sob o domínio dos
povos. A construção de uma cidade podia depender muito se ela fosse na costa do
mar ou mais no campo. Mas havia uma necessidade comum: construir uma praça
central - servindo como um ponto de referência para a futura expansão urbana e
reunindo instituições administrativas e comerciais. Um exemplo de tal método usado
fora dos métodos castelhanos de colonizar as Américas. Desde o início, esse senso
de cidade e instituição foi uma parte característica dos espanhóis. Ao contrário dos
portugueses, que mais viam suas colônias como mero objeto de exploração colonial.
Um exemplo pode ser encontrado nas leis desses diferentes países, Espanha e
Portugal. A primeira relatou que ela morava no interior, evitando assim, se possível,
fixar-se em praias. O segundo, Portugal, proibia as pessoas de se estabelecerem no
interior por entenderem que a exploração era infrutífera e o assentamento à beira-
mar era uma compensação porque o transporte na Metrópole era fácil de
comercializar. As críticas ferozes eram feitas a Portugal, que fazia questão de
manter essa legislação - o que estava atrapalhando o desenvolvimento do Brasil. O
fato é que Portugal não se importou com sua colônia na América até meados do
século 18, que decidiu usar um pouco de energia política no Brasil.
No entanto, essa força não era desenvolvimentista para o Brasil, mas uma força
policial autoritária controlando a explosão de ouro e diamantes na colônia. Assim,
com a descoberta do ouro e dos diamantes em Minas Gerais, deu-se o processo de
invasão e povoamento do Brasil. Do contrário, a colônia do Brasil nunca seria mais
do que uma simples ocupação de povos da costa marítima com o único propósito de
enriquecer e desenvolver a Metrópole. Ao longo do século 18, Portugal impôs uma
série de restrições ao Brasil, bem como leis rígidas regulando a passagem dos
habitantes de Diamantina. Aqui está a situação que o livro diz: "Estado dentro de um
estado." Destacando a estranha ineficácia de Portugal sobre suas colônias.
Vale notar, porém: essa pequena preocupação com a colônia era estritamente
exploratória, nada mais que o espírito de enriquecimento da Metrópole. Além desse
momento histórico e fazendo uma macroanálise da história colonial do Brasil,
Portugal simplesmente incorporou o método no sentido mais liberal possível. Tanto é
verdade que a colônia foi amplamente visitada e comercializada com viajantes
estrangeiros em oposição às relações espanholas com a América - proibindo assim
os estrangeiros de visitar e vender diretamente.
Produto dessa “liberdade” ou abandono fora de São Paulo. Bandeirantes, ou
paulistas, que se organizavam e trabalhavam nas horas vagas. Frutificando um
desmantelamento gradual que levaria à independência do Brasil, seguida da
autonomia que ainda hoje está presente.
A Bahia, como enfatiza este capítulo mencionado, se destacou de forma totalmente
irregular, fora de qualquer ordem e regra. Casas, ruas, bairros e cidades construídas
a critério de seus moradores; sem resistência da Metrópole.
Em suma, este capítulo trata da construção das cidades brasileiras como fruto do
abandono, do abandono e da rotina. Cidades como Salvador e Rio de Janeiro
mostram que a Metrópole não usa métodos racionais, técnicas de organização, mas
sim preguiça adaptada ao cotidiano, mais fácil.

O HOMEM CORDIAL

Este capítulo trata inicialmente da comparação - ou relacionamento - entre o estado


e a família. Por isso, comenta as teorias de que a família é um reflexo do Estado. No
entanto, desenvolve uma ideia completamente antagônica. Complemente seu
argumento contra essa teoria com argumentos históricos - especialmente citando
autores da Grécia Antiga. Essa discussão expressa um sentimento: intimidade.
Assim, o Estado não estaria limitado pelo sentimentalismo decorrente da
convivência familiar; mas a discussão leva a outra discussão: a relação entre o
empregador e o empregado. O autor chama a atenção para a fase que caracteriza a
divisão do trabalho. As relações de trabalho tornam-se cada vez mais complexas e
distantes entre "mestre" e "aprendiz". Esse distanciamento da relação de trabalho
provoca irresponsabilidade ou negligência do ponto mais fraco dessa relação, ou
seja, o funcionário (aprendiz).
Dito isso, continue a discussão sobre a família: as tendências atuais, ou o que
chamamos de modernidade, são que haja um afastamento dos valores, laços,
criação, formação familiar em favor do coletivismo social. E esse fenômeno,
segundo o autor, é extremamente benéfico. Afirmar que sociedades distantes de
institutos familiares tendem a emergir e ser absorvidas por uma nova onda de forma
benéfica. Caso contrário: ele geralmente é inseguro e resiste às mudanças sociais.
Dessa forma, o Brasil se apoia nas bases de uma instituição familiar; gerando assim,
ao longo de todo o processo histórico brasileiro, um "homem de coração". O Brasil
seria baseado na cordialidade, cortesia, bons modos, etc. Porém, um estrangeiro
que pensa assim se engana. Essa cordialidade, segundo o autor, seria aparente e
apenas superficial. Serve como maquiagem para esconder as emoções e
sentimentos mais profundos que você não quer que sejam notados. Esta
cordialidade, segundo Sérgio Buarque de Holanda, expressa e argumenta-se até
mesmo na linguística dos brasileiros.

Não usar sobrenomes para uma pessoa específica e, portanto, usar esse nome,
produz uma relação abstrata de compaixão, intimidade e cordialidade.
Frequentemente usados no vocabulário brasileiro, os diminutivos também atraem o
reconhecimento da família.
O pano de fundo das relações sociais, profissionais e econômicas brasileiras é
preenchido, por assim dizer, com uma imagem emocional de intimidade familiar.
Como argumenta Sérgio, citando o caso de um empresário da Filadélfia, que se
surpreendeu ao descobrir que no Brasil, para conquistar um cliente, basta ser seu
amigo.
Não só um exterior cordial é a principal característica dos brasileiros, mas também,
como enfatiza o autor, uma aparente religiosidade. O processo de ascensão e
desenvolvimento da civilização brasileira foi, como indicado ao longo da revisão,
mergulhado na negligência das autoridades. A religião não era diferente, o
catolicismo, que era mais variado em cada família, do que seguia estritamente um
rito derivado da doutrina. Além disso, a falta de ritualização doutrinária foi repleta de
interpretações de todas as famílias. Ou seja, em toda a mistura, segundo o autor, há
uma estrita superficialidade religiosa relacionada ao concreto, à superficialidade e à
cor - isso estraga o sentido axiológico da religiosidade, não causando, portanto, forte
moralidade social no Brasil..

NOVOS TEMPOS

Inicialmente, à medida que o autor se aproxima, pode-se sintetizar a personalidade


dos brasileiros e operar a favor do individualismo e suas implicações. O fato mais
importante para entender o personalismo espiritual do povo brasileiro; Incapaz de
argumentar que eventos aleatórios que ocorreram ao longo da história aconteceram
aqui ou ali, participação espiritual coletiva - algo que aconteceu apenas por razões
de benefício puramente individualista, e não para fins coletivos, como
aparentemente expresso. Os interesses do próprio prestígio, fruto do individualismo,
deram frutos no Brasil, assim como a banana. Construída e modelada desde o
alvorecer da independência, a cultura do prestigiado Bacharelismo. Ou seja, não é
costumeiro no povo brasileiro que se atente à real finalidade da profissão liberal de
formação; mas que atenda as circunstâncias que produzam prestigio imediato afim
de passar-se pela vida sem maiores sofrimentos, cuja titulação acompanhada do
velho espírito aristocrático perpassa os vasos sanguíneos da civilização brasileira.
Como observa no presente capítulo deste referido livro em que, no Brasil se tem-se
entre suas diversas profissões liberais, mas que em essência não se tem nenhuma.
Junto com esses novos tempos, alguns movimentos extremamente marcantes
aparecem em nosso processo, como o positivismo, o romantismo e a república. Vale
comentar e descobrir com maior atenção o espírito desenvolvido do povo brasileiro:
uma formação espiritual que leva em conta a cosmovisão de uma vida sofrida, uma
realidade aterrorizante e um individualismo pensante em si. Gerando assim uma
depressão geográfica, que é complementada por ideologias aparentemente eficazes
e pseudo-intelectuais. A única condição para preencher essa depressão geográfica
é simplesmente remover todos os tipos de hierarquia e distância da realidade. O
positivismo e o romantismo atendem muito bem a esse requisito. Cujo positivista
distintivo não tinha muitas pretensões de introduzir princípios universais e acabar
com a história.

NOSSA REVOLUÇÃO

Primeiro, nossa revolução não era algo que pudesse ser confirmado em um
determinado dia, mês ou ano. Foi um processo revolucionário que se seguiu a quase
um século de desenvolvimento e explicações confusas. Tudo começou com a
chegada da corte portuguesa ao Brasil e terminou com o fim da escravidão. Um
fragmento que desmantela toda uma instituição poderosa até então dominante com
forte influência sob o Brasil. A transição dos engenhos de açúcar para a
efervescência do café foi um claro recorte histórico para capturar a foto e listá-la
como parte desse processo revolucionário. Com a gradual abolição da escravidão,
nosso processo não está rompendo totalmente com a velha estrutura, mas com
novos padrões - ainda vitais para o desenvolvimento da rede civilizatória brasileira.
Como este capítulo observa, a influência das plantações de café ainda era uma
marca registrada do patrimônio açucareiro, mas ela não se tornou conhecida como a
instituição-mãe, pois seus proprietários estavam localizados em cidades cujas
plantações de café se destinavam exclusivamente à arrecadação de fundos; outra
coisa, como vimos, na velha estrutura açucareira.

RESENHA CRÍTICA DO HOMEM CORDIAL

Este capítulo apresenta uma abordagem parcialmente verdadeira da realidade do


povo brasileiro em sua educação e história. Antes de passarmos a essas falas,
porém, vale mencionar: as reflexões sobre Sérgio Buarque de Holanda podem ser
comentadas "facilmente" por um motivo simples: vivemos no futuro em que ele
pintou. Em outras palavras, sua obra foi escrita no século XX e com alguma
influência moderna, que atestou seus argumentos, mas neste contexto apresentada
a ele. Anos se passaram e podemos comentar se o brasileiro ainda segue seu
caminho sem pular. Posto isto, inicialmente comentamos sobre a ideia da
cordialidade do povo brasileiro. Verdade quando se pensa no sentido dado por
Sérgio: O brasileiro é afetuoso, mas com cordialidade superficial - serve como uma
ferramenta para esconder sentimentos secretos e cumprir objetivos totalmente
individualistas. Outro fato é o descompromisso com a ritualização da própria religião,
construída ao longo do tempo e aqui para brasileiros libertários. O Brasil é um dos
países mais católicos do mundo, pelo menos nos censos.

Mas a crítica realmente significativa era se ele havia construído um verdadeiro


espírito de reforma com poderosos valores morais. Algo que, devido ao molde,
aprofundado pelos interesses individuais, devassidão, superficialidade e espírito
aristocrático, impediu o Brasil de desenvolver tais valores que são inerentes à
civilização do bem comum. Dito isso, não há consenso sobre o entendimento do
Instituto da Família por Sérgio Buarque de Holland. Buarque se esquece de
compreender que a instituição se adapta aos novos tempos e circunstâncias e
complementa a crítica dirigida à família, estampando seus valores, laços, missão no
puro e simples atraso da civilização. Hoje em dia, quando a construção e a
educação familiar são confiadas ao Estado, verifica-se o seu fracasso total. Temos
que considerar e separar o papel real do Estado e dos indivíduos. A educação dos
filhos requer uma educação em família pela razão principal: o Estado é um coletivo
em si mesmo e, portanto, não pode se identificar e se adaptar à complexidade da
natureza individual de cada pessoa; esse papel é desempenhado pela família com
suporte social diário. Assim, este capítulo é valioso para identificar o exterior
afetuoso do brasileiro, seu sentido (des) religioso, e seu espírito individualista e
aristocrático; No entanto, não define com precisão o papel real e importante da
instituição familiar.

CONCLUSÃO

A conclusão que ele chega é que o Brasil ainda tinha elementos fortíssimos do
patrimonialismo, pois o Estado era dominado pela elite agrária que transcendia o
próprio Estado, tendo a conivência da classe média, que se espelhava nesse ideal,
sendo que a influência das elites se dava por vontades particulares em âmbito
social. Até hoje esse pensamento de Holanda (2016) é aceito e propagado. Talvez
hoje mereça até uma revisão, dada a nossa sociedade pós-moderna, altamente
tecnológica, interconectada e desigual. Hoje, quiçá mais do que antes, as fronteiras
do público e privado estão cada vez mais porosas. Sobre a cordialidade, depois das
críticas que recebeu, ele esclarece e explica melhor sua tese. Para ele, o termo
cordial não está ligado com gentiliza, mas sim com sentimentalismo, proximidade.
Isso muda por completo a interpretação do pensamento do autor. Para o autor,
“nossa forma ordinária de convívio social é, no fundo, justamente o contrário da
polidez” (HOLANDA, 2016, p. 254). Aquilo que é visto como generosidade e
hospitalidade, principalmente pelos estrangeiros, tornou-se um dos traços da cultura
brasileira, que na verdade é a influência dos padrões culturais vividos na família rural
patriarcal. Entretanto, o que essa cordialidade significa é uma forma de defesa
diante da própria sociedade.

Você também pode gostar