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TEORIA DA ARQUITETURA 3 – TA3

PROFA.: ANA PAULA POLIZZO

NOMES: Tábata Decker

FICHAMENTO

1. Referência bibliográfica do texto analisado:

COLQUHOUN, Alan. Composição x projeto. In: ​Modernidade e Tradição Clássica​ - ensaios sobre
arquitetura 1980-87. São Paulo: Cosac & Naify, 2004. p. 49-66.

2. Outras Fontes Consultadas:

CONDURO, Roberto. ​Entrevista com Alan Colquhoun. ​Vitruvius. Disponível em:


<​https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/05.017/3332​> acessado em
27/08/2020

DALTOÉ, Guilherme. ​Alvar Aalto por alguns arquitetos​. XIII Enpos. Disponível em:
<http://www2.ufpel.edu.br/enpos/2011/anais/pdf/SA/SA_00021.pdf> acessado em 27/08/2020

3. Perfil biográfico do(a) autor(a) do texto:

Alan Colquhoun, nascido em Eton - Reino Unido, estudou arquitetura no Universidade de Arte de
Edimburgo e na Associação dos Arquitetos de Londres, onde se graduou em 1949. Em 1960
começou sua carreira de crítico e em pouco tempo foi reconhecido no campo de debate
arquitetônico.
Colquhoun esteve no Brasil em outubro de 1992, a convite do Núcleo de Pesquisa e
Documentação da FAU/UFRJ, por iniciativa de Jorge Czajkowski, para ministrar um seminário
sobre o pós-modernismo para especialistas e proferir uma palestra sobre o conceito de
regionalismo para um público mais amplo, ocasião em que também visitou Brasília.

4.
Palavras-chave:

Formalismo; Funcionalismo; Moderno; Sistema; Tradição;


5. Resumo:

- ​Neste capítulo o autor traz um apanhado de significados e conceitos, em diferentes contextos,


que permeiam a palavra “composição". E demonstrando ao longo desse trajeto que mesmo
possuindo diversos estudos, críticas acerca do tema é necessário ainda hoje que tal discussão e
reinterpretação se faça presente. De forma geral, entendia-se composição como uma criação
totalmente original, baseada em regras criadas a partir da própria obra, isso tomando como base
o significado que se relacionava com a música.
Pensando nas relações entre forma e conteúdo, características da teoria clássica, não mais se
usava a forma para expressar as ideias, mas esta se tornava um elemento independente. Porém
no campo da arquitetura essa relação se mostrava diferente, essa arte não rompeu totalmente
com aspectos tradicionais, portanto era mais dependente dela, de modo que era possível notar
"extensas passagens" - como dito pelo autor - de formas de obras antigas. Tal prática exemplifica
como o vínculo que arquitetura possuía com o que já havia sido construído.
Ainda se tratando do funcionalismo, uma de suas preocupações abordadas era o de se romper
com essa contínua repetição de formas. E para isso, transferiram o significado de uma
composição da forma para o conteúdo, o que em tese, deixaria a forma livre para agregar seus
significados próprios, ou seja, a função que guiaria a composição.
O autor traz ainda ao longo do texto apontamentos de outros arquitetos e críticos, e assim
aponta para Moholy-Nagy, que dizia que eram infinitas as possibilidades de combinação das
partes nesse sistema de ideias a partir da função e o resto estaria livre para o arquiteto criar. O
que pode facilmente ser visto na prática quando se identifica uma composição que facilmente
poderia assumir outra forma sem necessariamente alterar a sua função. Mas o que autor traz de
reflexão nesse momento é até que ponto esses desenhos de fato estão realmente libertos de
regras.
Partindo desse questionamento, Coulqhoun apresenta uma nova perspectiva. Ele mostra que
mesmo que na prática modernista a composição seja de grande relevância, no meio
vanguardista a expressão traz conotações negativas. Na Ecole de Beaux-Arts, por exemplo, a
composição se resumia a um conjunto de regras de desenho comum a todos os estilos.
Alan Coulqhoun ainda mostra como composição era assimilada pelo modernismo através de
livros acerca do assunto, que tomava conta do discurso arquitetônico da época, impulsionados
principalmente pelo revivalismo do classicismo. Para exemplificar ele apresenta o arquiteto
Howard Robertson, que dentre seus estudos, aponta que existem regras em arquitetura que são
independentes dos estilos e que tais regras são trans-históricas. Robertson mostra como é
possível você manter a utilização dos princípios "universais" produzindo uma nova arquitetura
seguindo os novos estilos de vida.
Demonstrando mais uma vez que a origem da ideia de 'composição' está embasada em
conceitos da antiguidade, em dado momento o autor coloca o movimento romântico como uma
limiar dessa ideia. E é nesse ponto que a vanguarda se apoia, além da compreensão do todo
como um conjunto de partes e formas separadas.
Tais ideias se estendem até o fim do séc XVIII, sendo depois ampliada e encarada não só como o
conjunto das partes, mas sim "passando a significar a associação de partes encontradas em
diferentes contextos históricos e geográficos [...]" pg.59
Para concluir este ensaio, o autor identifica que se a ideia de composição estiver ligada ao
conflito entre as tradições clássicas e romântica poderíamos entendê-la mais facilmente como o
oposto de ‘sistema’.
6. Interlocução:
Para falar sobre a relação entre funcionalismo e formalismo ele se baseia nos estudos de
Moholy-Nagy​ sobre o tema, onde fala como é a função que fornece a lógica da composição.

Outro arquiteto que o autor traz para embasar suas críticas, é ​Le Corbusier,​ exemplo disso é
quando ele se utiliza de obras do arquiteto para demonstrar como Le Corbusier demonstra
emoção ao brincar com todas as variáveis possíveis na composição de um projeto, explicitando
como é possível relacionar as partes de diferentes formas e alcançar o mesmo todo.

7.
Contextualização:
O capítulo lido faz parte do livro mais famoso escrito pelo autor. São na verdade, ensaios escritos
esparsamente entre 1980 e 1987 que depois foram agrupados em três conjuntos e por isso teve
bastante repercussão, servindo de embasamento para tantos outros trabalhos posteriores.

8.
Trechos especialmente significativos:
"A crítica, nessa época, ignorava a ambiguidade da relação entre a ideia de composição e as
vanguardas artísticas. O presente ensaio tratará de algumas dessas ambiguidades." pg.49

"A música era vista como a arte menos contaminada por um objeto de imitação. A composição
passou a significar um procedimento criativo em que o artista criava "a partir do nada" e
dispunha seu material segundo leis geradas a partir do próprio trabalho" pg.49

" A forma não mais era vista como um meio de se expressar determinada ideia, mas como algo
indispensável e co-extensivo à idéia." pg.50

"A arquitetura parece ser a mais arcaica das artes. Até a renascença, era comum, em todas as
artes, que trabalhos novos reiterassem extensas passagens de trabalhos antigos sem que se
fizesse nenhuma sugestão do que hoje chamaríamos de plágio. A arquitetura é a única arte onde
isso ainda é válido." pg.50

"A função, nesse sistema de ideias, fornece a lógica do jogo compositivo. Serve também como
catalisadora. A principal diferença entre modernismo e a composição clássica é que naquele
existe um alto grau de liberdade nas relações entre as partes e não porque seus próprios
elementos sejam infinitos." pg.51

" Se uma das origens do modernismo da década de 20 foi o revivalismo clássico e a crença dos
valores trans-históricos da arquitetura, uma outra foi o movimento romântico, e sua
preocupação com o processo de geração, crescimento e desenvolvimento. É desse sistema de
ideias que a vanguarda extraiu sua suspeita da composição, além das noções de partes e formas
separadas que vieram juntamente com ela." pg.57

"[...] composição fundavam-se igualmente na ideia de um todo formado por parece que já são,
de alguma maneira, dadas, de modo que seja sempre possível pensar nesse todo como um
conjunto, por mais que as partes possam se sobrepor, possibilitando uma forte leitura unitária."
pg. 59
"Aqui a idéia de composição é ampliada, passando a significar a associação de partes
encontradas em diferentes contextos históricos ou geográficos (de alguma maneira lembrando a
doutrina aristotélica de "belezas dispersas")." pg. 59

9.Questões:
Até que ponto a composição pode ser identificada como algo ‘sem precedentes’ e que só segue
regras criadas por ela mesma.

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