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Desconhecido

- Série Identidade
Desconhecida
Lexy Timms
Traduzido por Ju Pinheiro
“Desconhecido - Série Identidade Desconhecida”
Escrito por Lexy Timms
Copyright © 2017 Lexy Timms
Todos os direitos reservados
Distribuído por Babelcube, Inc.
www.babelcube.com
Traduzido por Ju Pinheiro
Design da capa © 2017 Book Cover By Design
“Babelcube Books” e “Babelcube” são marcas comerciais da Babelcube Inc.
desconhecido
Série Identidade Desconhecida
Livro 1
Por
Lexy Timms
Copyright 2016 by Lexy Timms
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Índice Analítico
Página do Título
Página dos Direitos Autorais
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Desconhecido - Série Identidade Desconhecida
Série Identidade Desconhecida
Encontre Lexy Timms:
Descrição
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Descrição:
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Série Lidando com os Chefes
Mais por Lexy Timms:
Série Lidando com os Chefes
Série Identidade Desconhecida
Desconhecido
Livro 1
Inédito
Livro 2
Protegido
Livro 3
Encontre Lexy Timms:
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Lexy Timms Facebook:
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Descrição
A autora best seller de romance, Lexy Timms, traz para você uma nova série
que irá roubar o seu coração e deixá-la sem fôlego.
Desconhecido – livro 1 da Série Identidade Desconhecida
A vida mudou radicalmente para Leslie. Seu marido tinha finalmente
sucumbido ao câncer terminal e era o momento para ela ter uma mudança de
cenário. Mudando para o outro lado do país e montando uma loja, Leslie leva
meses para reconstruir a sua vida e descobrir o que ela quer do futuro.
Envolvendo-se profundamente com a série de livros de mistério que ela
escreveu, ela é uma sensação global reclusa escrevendo sob um pseudônimo.
Leslie percebe que sua vida carece do romance que ela tão
desesperadamente anseia e agora ela está procurando viver sua vida além da sua
dor.
Mais cedo do que ela percebe, o cupido aparece chamando na forma de um
bonito ator que não faz ideia que ela é uma autora de sucesso. Contudo, ele vem
com o seu próprio conjunto pessoal de bagagem.
Um amor novo é possível depois que você enterrou o verdadeiro amor?
*Este é o livro 1 na Série Identidade Desconhecida*
Desconhecido
Inédito
Protegido
Conteúdo
Série Identidade Desconhecida
Encontre Lexy Timms:
Descrição
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Livro Bônus –O Chefe:
Chefe 1
Chefe 2
Chefe 3
Chefe 4
Chefe 5
Chefe 6
Chefe 7
Chefe 8
Chefe 9
Chefe 10
Chefe 11
Chefe 12
Chefe 13
Chefe 14
Série Lidando com os Chefes
Mais por Lexy Timms:
Capítulo 1

Ela sempre esperou que estivesse chovendo neste dia — se este dia algum dia
chegasse.
É claro, quando ela imaginava o dia, ela também se imaginava como uma
mulher velha, uma casca do seu antigo eu. Não deveria acontecer em um dia
ensolarado de primavera quando ela poderia literalmente ouvir os pássaros
cantando. Não deveria ser assim. Deveria ser nublado e deveria estar chovendo
enquanto todo mundo se escondia sob grandes guarda-chuvas pretos enquanto
limpavam os olhos com lenços.
Em vez de casacos pretos compridos, todo mundo usava vestidos pretos de
manga curta ou ternos escuros sem um paletó. Não havia necessidade de guarda-
chuvas; eles estavam delineados ao redor das árvores que estavam em floração e
as folhas que estavam começando a aparecer.
De maneira geral era um dia bonito, o que fez tudo doer ainda mais enquanto
ela sentia as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Todo mundo tinha vindo
apresentar seus respeitos para Michael e isto aqueceu o seu coração ao ver que
eles tinham vindo.
Afinal de contas, Leslie e Michael tinham acreditado que a natureza extensa
e prolongada do fim poderia ter afastado as pessoas. Era difícil avaliar tais
coisas. Mas todo mundo estava aqui, todos juntos e mostrando seu apoio para ela
nesta hora de escuridão, banhada na luz do sol e com os pássaros cantores que
acabavam de retornar de suas jornadas distantes tocando uma serenata. No fim
tudo isto pareceu tão cruel para Leslie, que ela apenas queria cair de joelhos e
jogar as mãos no ar enquanto soluçava e chorava. Ela não sabia com certeza
quantas vezes ela tinha chorado no último ano, mas parecia que ela estava quase
no ponto onde somente poeira salgada poderia sair dos seus olhos.
Este era o ponto mais cruel de tudo isto.
Ela nunca pensou que chegaria a um limiar onde a dor e a tristeza
simplesmente paravam de afetá-la, que tudo se tornaria algo normal, algo quase
mundano.
Leslie era muito jovem para estar nesta posição. Sua mãe tinha lhe dito isto,
seus amigos disseram isto repetidamente e Michael tinha mencionado isto muitas
vezes nos últimos meses. Era somente agora quando ela encarava o caixão
contendo o seu marido morto que ela finalmente admitia-o para si mesma também.
Quando ela estava com dezoito anos, ela tinha sido inflexível que tinha
encontrado o homem com quem ela se casaria e que era o amor verdadeiro.
Maldição! Isto não é justo! Ela enxugou outro ataque violento de lágrimas
escorrendo pelo seu rosto.
Ela só tinha ficado com outros quatro homens antes que ela encontrasse
Michael. Eles tinham sido conselheiros de acampamento do seu último ano do
ensino médio em um acampamento de verão para alunos do ensino médio
portadores de deficiência. No seu segundo ano de faculdade, ele se ajoelhou no
átrio e mostrou-lhe um anel de diamante que ela sabia que ele não poderia ter
comprado sozinho.
Agora, quatro anos depois, ela tinha se formado na faculdade, continuado
pelo caminho da sua carreira e estava enterrando o seu marido.
Ela era muito jovem para isto. Ela era jovem demais para isto.
Não, ela não iria pensar sobre o passado. Ela não poderia pensar sobre o
fato horrível que ela não tinha um passado com Michael. Ela teve um gosto do que
a vida poderia ter sido com ele e agora isto tinha desaparecido. Estava acabado
em um piscar de olhos e ela jamais iria conseguir fazer nenhuma das coisas que
ela queria fazer com Michael. Ela nunca faria aquela viagem até a Espanha ou
veria o oceano com ele. Não havia nenhuma criança no futuro, nenhum neto e não
havia nenhuma aposentadoria em uma praia em algum lugar.
Tudo que ela conseguia imaginar era a interminável passagem do tempo até a
sua morte onde ela estaria sozinha e esquecida.
Ela não queria isto.
Ela não queria encarar o mundo sem Michael.
Enquanto o pastor falava sobre a vida incrivelmente curta de Michael ela
fechou os olhos e inclinou a cabeça, sentindo o peso puxando-a para baixo. A
tristeza era como um redemoinho, agitando e chamando seu nome enquanto ela
estava sentada ao lado do túmulo do seu marido.
Este foi um momento sobre o qual eles tinham conversado muito ao longo do
último ano e meio. Desde que ele voltou do médico, ele quis falar sobre o
momento quando ele não estaria mais com ela. Ela o tinha odiado por isto. No
início foi difícil para ele, mas morrer pareceu a parte fácil. Foi viver depois que
ele se foi que era a parte difícil, a porção que lhe fora dado. No grande esquema
cósmico das coisas, ela tinha ficado com a tarefa desagradável e, em algum lugar,
Michael tinha escapado com facilidade.
O pastor falou muito sobre quanto tempo ele tinha passado com Michael e
como Michael tinha recebido a benção de compreender a sua própria mortalidade
e encará-la com coragem. Ele explicou sobre como Michael, nos últimos meses
de liberdade, tinha desejado devolver àqueles que ele amava e espalhou o
máximo de encorajamento e alegria que ele poderia antes que a sua doença tirasse
a sua mobilidade dele.
Leslie sabia que isto era verdade, mas ouvi-lo em voz alta não a deixava
mais feliz. Ela tinha desejado levá-lo para a Espanha, levá-lo em aventuras e
viajar para ver todas as coisas que ele nunca tinha sido capaz de ver, mas ele não
quis deixar a cidade. Isto tinha sido difícil para ela aceitar. Ela odiou-se por ser
egoísta.
“Veja o mundo quando eu me for,” Michael tinha lhe dito pouco depois que
ele tinha recusado sua oferta para ir para a Espanha. “Vá ver o mundo e saiba que
estou com você. Ou forje uma nova vida sem mim; novas experiências e encontre
a beleza nos momentos que a deixarem sem fôlego.”
Isto não tinha sido o que ela queria ouvir. Ela não queria ir visitar o mundo e
ver suas maravilhas com o espírito do seu marido morto. Ela queria testemunhá-
las com ele. Ela queria olhar para as imensas maravilhas e tesouros minúsculos
com seus dedos entrelaçados com os dele, sentindo o calor dele ao lado dela. Ela
queria rir nas cavernas luminosas com ele e observar as maravilhas de uma
grande estância costeira com ele a abraçando por trás. Em vez disto, ela estaria
fazendo isto sozinha, abraçando a si mesma enquanto sentia o vazio que consumia
sua vida. Ela jamais iria. Ela soube disto no dia em que ele lhe disse que queria
ficar em casa.
A solidão é um veneno que se infiltra lentamente na sua vida. É uma corrente
que arrasta você para o isolamento e você nunca compreende que isto está
acontecendo até que é tarde demais.
Era egoísta da parte dela estar zangada com um homem que a amou
incondicionalmente até o fim. Não era culpa dele que ele tinha tido câncer. Tinha
sido uma reviravolta horrível do destino, o virar das cartas e o escrito nas
estrelas que o tinham vencido. Ninguém nunca pedia para ser suscetível ao
câncer. Ninguém nunca quer morrer jovem. No entanto ela não podia deixar de
sentir que ele estava conseguindo o melhor negócio.
Estava comprovado que os homens seguiam em frente deste tipo de coisas
mais rápido do que as mulheres. Havia algo escrito nas suas genitálias que exigia
que eles continuassem tentando ser frutíferos e multiplicando-se, enquanto as
mulheres permaneciam com a perda por mais tempo. Ela sabia que seria uma
perda que ela carregaria com ela pelo resto da sua vida. Ela era tão jovem e tudo
já parecia que estava estilhaçando ao redor dela. Não havia como se recuperar
disto. Ela podia senti-lo nos seus ossos.
É claro, eles tinham conversado sobre isto. Michael era um homem
religioso, mas a realidade de que ele estava deixando uma noiva de vinte e quatro
anos para trás quando morresse era demais para ele para reconciliar um marido e
uma esposa pela eternidade. É claro, Leslie esperaria com alegria, com a
esperança que talvez houvesse alguma credibilidade na fé de Michael, mas
Michael não ouviria nada sobre isto. Ele tinha sido o marido moribundo que a
encorajava para seguir em frente e disse-lhe que estava em paz com isto. Ele
sabia o que estava acontecendo com ele e queria desesperadamente que ela
encontrasse aquela centelha de amor de novo. O destino estava afastando-o dela e
ela merecia a felicidade. Como ele poderia querer que ela seguisse em frente e
encontrasse o amor de novo? Enquanto ele morria, transformando-se em uma
pessoa diferente daquela que ela tinha beijado sob os grandes carvalhos no átrio
do primeiro ano, ela sentia seu coração partindo todas as vezes que olhava para
ele. E ele queria falar sobre a sua vida depois que ele se fosse?
Mesmo agora, enquanto ela olhava para a foto de Michael no panfleto que
eles tinham distribuído no funeral, Leslie não o reconhecia. Era o rosto de um
homem jovem e bonito que tinha toda a sua vida à frente dele. Era o rosto de um
homem que ela tinha conhecido há um ano que tinha estado tão cheio de vida e
animação. O único rosto que ela conseguia se lembrar agora era do rosto careca e
pálido com bochechas abatidas e órbitas dos olhos afundadas. Ela se lembrava
das manchas na sua pele e como ele ficou emagrecido durante o tratamento. Ele
quis ir agressivo para comprar o máximo de tempo que ele conseguisse antes que
o inevitável o levasse. Por um pouco mais de tempo agonizante ela tinha perdido
o homem com que ela tinha se casado.
Na frente dela, ela observava enquanto eles abaixavam lentamente seu
marido na terra, rezando pela sua alma e sua salvação. Ele era apenas um corpo,
uma casca do que outrora ele tinha sido, silencioso e tranquilo agora. Ele tinha
sido uma casca oca do seu antigo eu por muito tempo, meses até. Quando o fim
chegou, ela foi confortada pelo fato que ele ficaria sem dor e em paz finalmente.
Era um pensamento horrível para se ter sobre quem você amava, mas ela não
pôde deixar de sentir isto por ele. Isto a rasgou, mordendo com raiva seu coração
enquanto ela o observava ser abaixado na terra.
“Pelo menos ele está em paz agora,” alguém murmurou.
Que tipo de coisa terrível é esta para dizer? Ou desejar sobre quem você
ama? Leslie observava enquanto a parte superior do caixão preto brilhante
desaparecia de vista, afundando no buraco escuro e sombrio. Séculos a partir de
agora eles desenterrariam seu marido e formulariam hipóteses sobre quem ele era
e que tipo de vida ele teve. Eles nunca conheceriam a dor e a perda que ela tinha
vivenciado com a sua morte. Eles nunca conheceriam a tristeza.
“Vamos, querida,” seu pai disse, passando o braço ao redor do seu ombro.
“É hora de ir.”
Enxugando as lágrimas do rosto, Leslie levantou-se. Atrás dela estava o
grupo de amigos que Michael e ela haviam reunido através do seu trabalho com
os portadores de deficiência, suas carreiras universitárias e suas vidas
profissionais incipientes. Os médicos e a equipe que vieram a conhecer Michael
tão bem nos últimos meses tinham vindo também, por respeito por ele. Leslie
tentou o máximo não pensar sobre seus sorrisos simpáticos e piedosos. Isto
queimava e a devorava. Ela teria de encará-los em pouco tempo e ela teria de ter
a coragem de mentir para todos eles.
Era hora de ir para casa e colocar um rosto corajoso.
Capítulo 2

Alguém, uma vez, sentiu o desejo de garantir que todo mundo que já perdeu
alguém teria de suportar o ritual final onde você elogia o morto pelas suas
realizações, seus ideais e suas esperanças. Você olharia para suas vidas e iria
sorrir, rir e relembrar quão maravilhoso foi para eles ter abençoado a vida de
todos presentes. Mas quando dizia respeito a um homem que só tinha vinte e
quatro anos de idade, era difícil não sentir o remorso amargo do tempo que foi
roubado do falecido.
Pior do que olhar para trás e fingir que todo mundo não estava amargamente
zangado com seja qual fosse a orquestração divina por trás desta perda, era a
assembleia depois que você os colocava na terra. Lentamente abaixando aquele
que você amava para o abraço frio da terra não era o suficiente; depois você tinha
de ir para casa e comer com as outras pessoas que sequer chegavam perto de
estar sofrendo como você. Na verdade, elas ofereciam suas condolências e sua
simpatia enquanto lhe davam os olhares mais dolorosos que você já tinha
experimentado.
Quando Leslie estacionou na sua casa, sentada no banco traseiro do carro do
seu pai com sua mãe e avô ao lado dela, ela não pode deixar de sentir que a casa
era a cabeça de um gigante, a boca aberta e esperando para engoli-la inteira. Ela
não queria entrar, embora fosse a sua casa. Era a casa que eles tinham comprado
juntos. Ela mal podia esperar para vendê-la e se livrar dos fantasmas. As
lágrimas se formaram nos seus olhos de novo. Ela queria ficar com as lembranças
para sempre, mas não poderia fazer isto na casa em que eles tinham feito o seu
lar.
Como ela poderia viver aqui? Como ela poderia sequer tentar viver aqui
quando estava cheio de fantasmas dos sonhos abortados protelando e
apodrecendo em cada canto daquela casa? Ela olhou para a janela do segundo
andar onde ficava o seu escritório, onde sua mesa olhava para a colina, tentando
arduamente avistar a baía. Ela não conseguia ver a baía, é claro, mas era
agradável pensar que poderia, além dos telhados. Ela gostava de pensar que se
ficasse na ponta dos pés, ela poderia ser capaz de vê-la.
Ela não poderia se convencer a dormir na cama que eles tinham comprado
juntos após um final de semana inteiro caçando pela melhor cama que eles
poderiam encontrar. Leslie tinha dito para Michael quando ele ainda estava forte
o suficiente para ter tais conversas que ela achava que teria de se mudar quando
ele finalmente falecesse. Ela tinha lhe dito que era muito difícil caminhar por São
Francisco sem ele ao seu lado. Sempre que ela fosse aos seus lugares favoritos,
ela seria bombardeada com as lembranças dele estando com ela, sorrindo e rindo.
Isto machucava porque havia tantas lembranças boas dele por toda esta cidade.
Quando eles estavam na faculdade, eles haviam insistido em descobrir tudo que
havia para conhecer sobre a cidade para a qual eles tinham acabado de se mudar.
Eles tinham explorado todos os recantos da cidade e agora isto estava manchado
pelos fantasmas persistentes na sua mente.
“Para onde você se mudaria?” Michael tinha perguntado entre os acesos de
tosse.
“Grant mora em Nova York.” Leslie tinha encolhido os ombros. Seria bom
estar perto do seu agente. Ele estava sempre tentando convencê-los a mudar para
Nova York, onde ela seria o destaque de qualquer festa. Todo mundo queria
conhecer a misteriosa Evelyn Frock, mas Michael não queria saber disto. Leslie
também não queria. Mas desde a notícia do seu diagnóstico terminal, isto tinha
sido sedutor para ela.
“Você gostaria de Nova York.” Michael tinha sorrido, os bonitos olhos
castanhos atraindo-a tão cheios de amor.
“Talvez.” Leslie tinha encolhido os ombros, seus olhos cheios de lágrimas
Seu pai tinha parado na entrada da garagem e desligado o motor.
“Não quero fazer isto,” Leslie murmurou enquanto eles ficavam sentados no
carro, olhando para a sua casa. “Não quero entrar lá e falar com as pessoas.”
“Está tudo bem, querida,” sua mãe disse calorosamente. “Podemos dizer
para todo mundo que você não está se sentindo bem e que quer ficar sozinha.”
“Ninguém pensará duas vezes sobre isto, Colega.” Seu avô sorriu para ela.
Era o único sorriso que sempre atravessava a escuridão, não importa qual fosse a
situação. Era o poder que somente seu avô tinha. Ela ofereceu-lhe um sorriso
fraco em troca. Foi o sorriso mais difícil que ela já teve de forçar no seu rosto.
“Não,” Leslie disse após um momento. “Eu irei. Isto não é apenas sobre
mim.” Ela seguiu sua mãe para fora do carro e em seguida liderou o caminho para
a casa, enxugando as lágrimas que apenas continuavam vindo, lembrando-lhe que
ela ainda estava viva e que isto estava realmente acontecendo.
Eles abriram o portão velho que Michael sempre quis consertar porque ele
rangia nas dobradiças. Sobre o caminho de paralelepípedos que atravessava o seu
pátio minúsculo até os degraus onde Michael tinha ficado sentado na varanda na
sua cadeira de balanço, observando o pôr do sol com ela até que ele foi obrigado
a ir para o hospital. Ela destrancou a porta e entrou, onde seus pais já tinha
organizado tudo com a ajuda dos seus irmãos esta manhã. Tudo tinha sido cuidado
para ela. Ninguém queria que ela levantasse um dedo. No que dizia respeito a
eles, ela tinha levantado o suficiente ao longo do último mês.
Na entrada, ela olhou para si mesma no espelho e sentiu como se tudo que
ela via era um desperdício. Toda sua vida, Leslie esteve apavorada por ser uma
menina feia. Não que ela fosse feia, mas apenas tinha um medo avassalador de
não ser a pessoa mais feia na sala. Ter amadurecido mais tarde foi mortificante
para ela e durante a faculdade ela ficou encantada ao ver que ela estava
atravessando a transformação de patinho feio para um belo cisne. Uma fã de
alimentação saudável e um membro querido da sua academia, Leslie tinha
esculpido seu corpo com a motivação singular de se tornar a melhor para
Michael. Mesmo quando ele definhava no hospital, ela encontrava consolo na
academia, malhando a agressão e raiva que sentia inundá-la o tempo todo. Ela
queria estar bonita para ele. Ela queria que ele a visse no seu melhor antes que
ele falecesse. Ela queria ser a perfeição que ele poderia abraçar e tocar antes que
ele deixasse este mundo. Agora, sem ele, tudo que ela via era uma beleza oca
desprovida de propósito ou desejo de seguir em frente.
Ela tinha certeza que a academia desempenharia um papal enorme no seu
processo de organizar sua vida, de solucionar sua raiva e frustração. Ela tinha
começado boxe há três meses e descobriu que era muito útil esmurrar seu
treinador quando Michael tinha um dia particularmente ruim. Ela sabia que
voltaria lá com muita frequência.
Honestamente, os homens flertavam com ela o tempo todo. Quando ela tinha
Michael por perto, ele sempre dispararia algum comentário sarcástico ou farpa
para qualquer um que flertasse com ela e eles desapareceriam, mas agora ela
estava completamente sozinha. Sempre que alguém tentava elogiá-la ou era menos
do que cavalheiresco sobre seus avanços, isto a fazia querer chorar. Seu protetor
e campeão se foi.
Desviando o olhar do espelho, ela passou pela carta emoldurada de
aceitação que tinha recebido de Grant quando ela tinha dezoito anos. Era a carta
que contava que ele queria ler mais sobre a detetive feminina chamada Tiffany
Black. Quando você tem dezoito anos e está tentando muito arduamente perseguir
uma carreira como romancista e em um último esforço envia a carta de consulta
certa para o agente certo, é avassalador. Quando ela estava escolhendo suas aulas
para o terceiro ano da faculdade, ela assinou um acordo com um editor de seis
dígitos. Ela tinha pago pela sua anuidade e a de Michael. Ela tinha pago por esta
casa e seus carros. Ela tinha dinheiro suficiente no banco que se ela quisesse
poderia se mudar para qualquer lugar no mundo e nunca trabalhar de novo.
Ela tinha vinte e quatro anos e era umas das autoras mais ricas e mais
enigmáticas da América, mas sem Michael isto parecia inútil.
Ela passou pela estante onde sua série Tiffany Black estava em condição
impecável, sua realização suprema. Quando recebia amigos, eles não faziam ideia
que ela era a autora, que ela era a misteriosa Evelyn Frock. Eles viriam até a sua
casa e sempre presumiriam que um deles vinha de uma família rica e que era de
onde eles conseguiram toda sua riqueza, como eles poderiam pagar por uma
moradia em São Francisco e por que Leslie somente trabalhava em meio período
em uma biblioteca. Ninguém jamais considerava que ela poderia ser uma autora
best seller internacional. Afinal de contas, quantas pessoas realmente paravam e
liam a carta colocada na sua parede? Ela tirou a carta emoldurada e deslizou
entre os livros na prateleira.
Quando as pessoas começaram a chegar, Leslie sentiu que ela estava fazendo
o certo pelo seu marido. Ela sorria e tentou o seu máximo garantir que não fosse
uma decepção para todo mundo ou rude com eles. Tudo que ela dizia para eles,
tudo que ela sentia que deveria dizer para eles parecia que era uma mentira.
Parecia que ela não era nada mais do que apenas uma sombra nesta casa, um
remanescente de uma vida que tinha sido arruinada e descartada no vaso
sanitário. Era difícil sentir qualquer outra coisa além de oprimida pela tristeza e
desespero. No fim, isto era tudo que ela tinha. Isto era tudo que ela teria da vida
que tinha desejado começar com Michael. Ela estava sozinha e pela primeira vez
na sua vida, não tinha o seu melhor amigo para estar lá com ela.
Amigos, família e pessoas que tinham sido uma parte da vida de Michael
fluíam para a casa uma após a outra. Leslie se viu conversando com todos eles,
sorrindo e acenando com a cabeça enquanto aceitava tudo que eles tinham a dizer
para ela. Ela descobriu que não havia relativamente nada que alguém poderia
dizer para ela hoje que ela não iria apenas oferecer um sorriso doce e um aceno
de cabeça. O que mais ela deveria dizer? O que ela deveria fazer nesta situação?
O tempo parecia ter congelado completamente ao redor dela e tudo estava
indo tão lentamente que parecia tão surreal e tão nauseante. Ela não tocou na
comida ou em qualquer coisa para beber. Ela não tinha sido capaz de manter nada
além do mínimo desde que Michael finalmente morreu. Ela fechou os olhos e
continuou se movendo, permanecendo em pé e ouvindo as histórias e elogios que
as pessoas fariam sobre quão bem ela estava se segurando e quão incrível
Michael era e quanta sorte todos eles tiveram por tê-lo nas suas vidas. Isto fazia
Leslie querer vomitar, mas eventualmente as pessoas começaram a ir embora e os
últimos dos retardatários foram conduzidos para fora pela sua família e seus
sogros que, estavam estranhamente sombrios e com os olhos secos neste momento
da tristeza que tinha tomado conta dela.
Pelo que eles tinham dito, era uma benção que Michael tivesse finalmente
sido libertado. Eles pensavam nos seus últimos dias e suas últimas horas como
algo horrível e doloroso, como vínculos ardentes mantendo-o preso no seu fardo
mortal. Era muito ruim que ele estivesse em coma a esta altura, completamente
inconsciente do que estava acontecendo, inconsciente da morte que estava se
aproximando.
No andar de cima, Leslie tirou seus saltos altos e olhou para o quarto deles,
o quarto que eles tinham decorado juntos e que tinham derramado suas esperanças
e sonhos. Eles viveriam nesta casa por muito tempo. Eles quiseram garantir que a
carreira de Michael começasse com o pé direito e São Francisco era onde eles
tinham planejado estar pelos primeiros dez anos do seu casamento. Foi por isto
que eles tinham comprado uma casa em vez de alugar. Foi por isto que eles tinham
construído tudo que construíram.
Ela podia ouvir sua família no andar de baixo, conversando com a família de
Michael. Todos eles ficariam aqui, todos sofrendo a miséria de um fim lento. Ela
poderia dizer que eles estavam falando sobre ela, sobre o futuro que aguardava
por ela. Tudo na sua vida tinha evaporado em um ponto de interrogação
esfumaçado. Esta era a sua vida agora, um enorme mistério onde ela estava
sozinha, carregando o peso de uma vida que poderia ter sido.
Pela primeira vez desde que ele foi hospitalizado, Leslie se arrastou para a
cama deles e enroscou-se. Ela sentiu-se chorando incontrolavelmente.
Capítulo 3
Onze Meses Depois

“Com este ritmo, você nunca terá de trabalhar outro dia na sua vida,” Grant disse
com um sorriso nos lábios. Era estranho ter estas conversas pessoalmente. Seu
escritório era mais agradável do que qualquer coisa que Leslie já tivesse visto
antes e era estranho estar aqui pessoalmente. Ela nunca tinha estado no escritório
de Grant realmente. Todas as vezes que ela se encontrou com ele, ele tinha vindo
visitá-la em São Francisco, o que parecia como se já fizesse uma eternidade.
Na verdade, quando Leslie parou um táxi e foi para o escritório, realmente
pareceu que ela estava vivendo uma nova vida.
“Nós dois sabemos que isto nunca acontecerá.” Ela respondeu com
educação.
Estava se aproximando de um ano desde que Michael tinha falecido e era
difícil de acreditar que tudo isto tinha acontecido há pouco tempo. Um mês depois
do falecimento de Michael Leslie tinha entrado em contato com sua amiga Tessa
em Nova York perguntando se ela estava procurando por uma companheira de
quarto ou se ela tinha algum contato com um agente imobiliário que fosse
realmente bom no seu trabalho. Foi uma decisão difícil, mas uma inevitável que
realmente não tinha pego ninguém de surpresa quando ela contou para os seus pais
e os pais de Michael.
Limpar a casa tinha sido difícil, mas no fim ela sabia que tinha de seguir em
frente. Afinal, no momento em que Michael morreu ela já estava no processo de
seguir em frente, se ela gostava disto ou não. Não havia nada que ela quisesse
mais do que ter Michael de volta, mas ele se foi. Era o momento de encontrar um
mundo novo; afastar as tristezas da sua antiga casa, ela procurava pela sua nova
casa.
Ela tinha chorado muito nos últimos onze meses. Era difícil quando ela
estava sozinha, apenas com uma taça de vinho e música, que somente fazia suas
lágrimas fluírem com mais facilidade. As lágrimas caindo livremente eram algo
que tornavam impossível para ela realmente se concentrar no que ela estava
fazendo. Mudar lhe deu a chance de fugir, de estar sozinha com o direito de estar
miserável sem ter de escondê-lo dos seus amigos e família.
No lado mais distante do país, era difícil deixar que isto a afetasse mais.
Ela, é claro, tinha sua caixa de lembranças; coisas que ela queria manter para
sempre que lhe lembravam do quanto ela amava Michael e como eles tinham sido
bons juntos. Para ela, sua morte foi muito longa e esta mudança era exatamente o
que ela precisava para conseguir um pouco de energia de volta nas suas veias.
Então ela começou a escrever de novo.
Seu agente estava tão feliz por tê-la finalmente em Nova York e a amante de
pizza de massa fina dentro dela estava tão feliz quanto por estar em Nova York
também, mas ela ainda estava solitária. Era algo que ela não conseguia afastar,
independentemente de quantos eventos ela fosse convidada ou quantos amigos
novos ela fizesse ... Amigos que não sabiam sobre Michael ou seu alter ego.
Sua identidade era algo que ela protegia de perto, então sempre que ela
aparecia em uma assinatura de livros ou festa de lançamento, ela sempre mentiria
e diria que era apenas uma amiga de Grant. Enquanto sua identidade fosse
mantida em segredo, era uma das coisas que a mídia pressionava eternamente e se
questionava. Ninguém sabia e isto aquecia a mídia social sobre o mistério.
Ela tinha ido com Grant em uma destas festas de lançamento e depois em
mais algumas. Ele a tinha apresentado como a nova editora de uma casa editorial.
Ela era a nova garota bonita, mas quando ela não tinha nada que fosse
remotamente interessante sobre si para compartilhar, eles desistiam de fazer
perguntas. Afinal, mulheres bonitas e bem-sucedidas estavam por todos os lados
em Nova York e as pessoas sempre eram rápidas em se mover para a próxima
coisa mais atraente. Quando eles descobriam que ela não era a próxima coisa
atraente, eles desistiam dela.
Era engraçado como as pessoas sempre arranjavam desculpas que eram
relativamente iguais. Elas precisavam ir pegar outra bebida, tinham de ir ao
banheiro ou que viram alguém que conheciam. No fim, Leslie tinha absorvido a
experiência, algo que somente escritores realmente sabem como fazer. Era uma
habilidade que era adquirida por qualquer um interessado em transcender o
normal. Era um talento que todos os escritores aperfeiçoavam e se divertiam. Era
a arte de observar as pessoas ao redor deles e Leslie era com frequência deixada
sozinha, observando as pessoas nas festas do que realmente ir até lá e se divertir.
Não importa quantos dos seus amigos tentassem levá-la para se divertir e se
tornar uma parte da vida que foi lhe dada a oportunidade de apreciar, Leslie
sempre se encontrava perambulando ao longo das arestas da vida que achava que
queria. Sem Michael, isto parecia tão solitário e tão vazio. Ela sentia falta dele,
das coisas que ele diria naqueles tipos de eventos e situações. Ela sentia falta da
sua sagacidade irônica e sua narração sarcástica de tudo ao redor dele.
Então, isto a trouxe para o momento em que ela estava finalmente sentada no
escritório de Grant. Por um ano inteiro, ela tinha perambulado por Nova York,
indo a festas e eventos, absorvendo a atmosfera local e comendo em todos os
lugares que realmente lhe dariam uma reserva. Havia um punhado de pessoas na
comunidade de escritores que conheciam a sua identidade secreta que a levaram
para lugares e restaurantes que ela não conseguiria entrar nem nos seus sonhos
mais loucos. Tudo isto não tinha feito nada para ela e no fim, ela acabaria em
casa, em um apartamento solitário e vazio, que apenas era grande o suficiente
para ela e o seu computador.
Era nestes lugares solitários e tranquilos que ela ligaria o Spotify e
começaria a trabalhar sua magia, o tipo de magia que era ouro preto para o seu
agente e pelo qual Grant a amava. No último ano ela tinha escrito sete romances,
todos eles saindo sem hesitação ou dificuldade. Quando eles pediam por uma
revisão ou uma edição, ela entregaria para eles no final da semana. Às vezes,
Leslie desapareceria completamente e ninguém saberia para onde ela tinha ido ou
se ela tinha sobrevivido. Amber e Josie, que tinham se apresentando como suas
vizinhas, rapidamente fizeram amizade com ela e ficavam imensamente
preocupadas sobre estas tendências reclusivas que sua nova amiga desenvolveria.
Às vezes, elas iriam pegá-la correndo até a Gustavo’s Pizzeria por fatias de
pizza na sua calça de ioga e blusão de moletom e tentariam realizar uma micro
intervenção. No fim, elas acabariam no apartamento de uma delas, assistindo
Netflix a noite toda, mas esta era a extensão do sucesso que qualquer uma das
suas intervenções teria.
Em última análise, Leslie era uma escritora e isto significava que teria de
passar sua vida escrevendo e que quando ela tivesse um estímulo emocional, ela
iria usá-lo para a sua maior vantagem. Sem Michael na sua vida, havia um vazio
estéril que não poderia ser preenchido por qualquer quantidade de pizza, festa,
bebida ou amigos. Quando você perde o seu melhor amigo, tudo mais no mundo é
vazio e desprovido de qualquer significado ou propósito. O único consolo que ela
tinha estava na sua escrita.
Leslie concentrou-se de novo no presente, olhando para a estranha estátua de
girafa cúbica no canto do escritório de Grant. Era uma peça artística que parecia
ser feita por alguém que realmente não se importava em deixar as pessoas
desconfortáveis com as suas criações.
Grant olhou para ela e sorriu, em seguida olhou para o contrato que ele
estava examinando. “Em quantas destas séries você está trabalhando? Duas?
Três?”
“Sete,” ela respondeu, olhando para ele com uma expressão solene e
sombria no rosto. Ela não conseguia parar de escrever mesmo se ela quisesse. Ela
tinha desenvolvido um plano de escrita tão bom quanto possível no tempo que lhe
tinha sido dado. Era como ela vivia a sua vida agora. Talvez fosse uma coisa de
escritor, mas ela sabia que Grant não compreenderia.
“Deste calibre?” ele perguntou, batendo no manuscrito ao seu lado.
Ela não sabia o que ele queria dizer. Ela não se considerava como tendo um
calibre de escrita. Ela sabia que era popular e que tinha uma base de fãs
extraordinariamente grande, mas não se considerava como sendo pungente ou
poderosa. Ela era apenas uma escritora e apenas escrevia o que acreditava que
amaria contar para as pessoas. Nunca era mais do que isto. Ela assentiu e ele
balançou a cabeça enquanto ria. Ele tinha este tipo estranho de risada rosnada que
a fazia se perguntar como uma pessoa desenvolvia naturalmente este tipo de
risada.
“Você não sente que está se cansando?”
“Não,” ela disse com honestidade. Ela tinha certeza que eventualmente
encontraria algo que tiraria sua mente de odiar a vida, mas por enquanto escrever
fazia isto. E ela estava mais do que confortável em alimentar este impulso. Se as
coisas permanecessem o mesmo, ela acabaria tendo um cânone enorme para os
seus fãs lerem por gerações por vir.
“Bem, se você continua trazendo-os, irei me certificar de que as editoras
continuem distribuindo-os — por um centavo bonito no seu bolso, é claro.” Ele
sorriu. “Há uma conversa sobre transformar a série para um filme ou roteiro para
televisão.” Ele lhe deu um sorriso feliz e quando ela não sorriu de volta, ele
endireitou-se no seu assento. “Eles irão querer escalonar os lançamentos, mas irei
me certificar que você tenha um ótimo bônus de assinatura por cada livro.
Cuidarei de você. Assim como a Harper-Collins.”
Ela tinha mais dinheiro do que algum dia iria precisar. “O que for justo. É
por isto que eu pago uma grana alta para você ser o meu agente.”
Grant sorriu. “Você é uma das autoras mais ricas e mais reclusas do mundo.
Como você vive de maneira tão simples e tão fácil ...” Ele balançou a cabeça.
“Dinheiro é algo sobre o qual você nunca terá problemas.”
Ela tinha mais dinheiro coletivamente do que iria precisar. Ela não
conseguiria gastar todo o dinheiro que tinha mesmo se ela quisesse. Era uma
piada pensar que ela nunca precisaria mais disto. Além disso, o que ela tinha para
gastar o dinheiro agora? A maioria das pessoas viajava e comia em bons
restaurantes, mas quando você não tem a pessoa que ama com você tudo isto
parece sem sentido. Então, o dinheiro na sua conta bancária ficava estagnado e
aguardava que houvesse algum motivo ou propósito para ela gastá-lo, além de
doar anonimamente para instituições de caridade ou ir em filmes baratos e
jantares baratos. É claro, também havia a compulsão ocasional onde ela iria a
várias livrarias para, às vezes, diminuir as horas.
“Mais alguma coisa que você precisa?” ela perguntou, sentindo que o seu
tempo ali estava se prolongando. Ela sabia que Grant se preocupava sobre ela,
mas ela não era mais frágil. É claro, ela tinha estado devastada e angustiada pela
perda de Michael, mas o tempo tinha avançado lentamente, levando-a com ele.
“Como você está, Leslie? Está seguindo em frente?”
“Desculpe-me?”
Grant apontou para o novo manuscrito na sua mesa. “Sua escrita está
fantástica! Eu amo! Você está se escondendo ou está começando a abraçar a vida
de novo?”
“Não estou me afogando em um mundo de tristeza e arrependimento, se é o
que você está perguntando.” Ela olhou para ele e pressionou os lábios, sabendo
que a resposta não era suficiente para o seu agente. “A verdade é que me agarrar
ao passado é como ter um oásis no meio do deserto. Para chegar a qualquer outro
lugar, você precisa atravessar o inferno escaldante do deserto primeiro. Ninguém
aguarda ansiosamente por isto. É mais fácil apenas se manter vivo por um tempo.
É mais fácil ceder a dor e a tristeza e apenas estar presente nestas lembranças
perdidas por um tempo.”
Ele assentiu. “Maldição, garota. Você sabe como dizer as coisas.”
Ela riu. Grant gostava de dólares, mas ele realmente tinha um lado doce
dentro dele em algum lugar. “Então você ainda não encontrou o oásis?”
“Estou perto.” Por quase dois anos ela esteve lamentando a perda do seu
marido, mesmo quando ele ainda estava vivo. Não demoraria muito antes que ela
estivesse pronta para começar a construir uma vida nova com substância de novo.
É claro, ela disse para si mesma esta mesma história milhares de vezes antes, mas
talvez desta vez realmente fosse verdade.
“Então, estamos bem por enquanto,” ele disse com um sorriso no rosto. Ele
era um cara charmoso quando precisava ser. Era isto que o tornava tão bom no
seu trabalho.
“Obrigada, Grant,” ela disse, retribuindo o sorriso.
Ao deixar seu escritório, ela foi cumprimentada por algumas pessoas que
conheciam o seu segredo, todas espertas o bastante para manter o segredo quieto
— elas amavam demais o seu trabalho para revelá-lo. Elas apenas sorriam para
Leslie e voltavam para seja o que fosse que estivessem fazendo. Era bom não ter
de lidar com a fama que ela tinha visto outros autores suportar. Apenas não era
para ela. Ela nunca tinha gostado de ser o centro das atenções. Era apenas algo
que ela amava fazer que era extremamente lucrativo.
Quando Grant informou pela primeira vez para Leslie que ela seria um
enorme sucesso, seu instinto inicial foi correr e se esconder debaixo de uma rocha
e rezar que todo mundo esquecesse que havia uma autora por trás de tudo isto.
Quando ela o abordou sobre a identidade secreta e pseudônimo, ele tinha ficado
hesitante até que percebeu como o mistério deixaria os leitores, jornais e redes
sociais falando. Ninguém nunca investigou profundo o suficiente e o mistério
transformou em algo divertido para os leitores.
Ela saiu e sentiu o sol encontrar seu caminho entre os prédios altos até o seu
rosto. Ela inalou profundamente. Se ela desse uma chance, ela acreditava que
Nova York poderia ser um lugar pelo qual ela poderia se apaixonar. Bem, talvez
não amar — ela nunca iria experienciar isto de novo. Nova York era uma cidade
onde você poderia simplesmente afundar no contexto e observar o mundo
interagir da maneira mais mágica e misteriosa que havia. Era como se todo o
mundo convergisse para Nova York e se tudo se misturasse. Os ricos e pobres; os
nativos e os estrangeiros; os visíveis e os invisíveis. Tinha tudo que uma pessoa
observadora poderia querer. O suficiente para encontrar ideias para suas histórias
e personagens. Era perfeita embora provavelmente ela não aproveitaria tudo que
ela tinha para oferecer. Ela estava apenas interessada em viver sua vida, fazer o
que ela amava e seguir em frente com tudo que ela sempre esteve fazendo. Isto era
uma coisa tão ruim? Ela achava que não.
Ela voltou para o seu prédio, um lugar decente que ficava espremido entre
dois outros prédios de apartamentos, no andar de baixo um restaurante chinês
onde ela pedia sua comida para viagem em uma base regular e apenas três
quarteirões de uma academia que ela amava. Não havia nada inerentemente
errado com sua apatia por toda a ideia de explorar a cidade, mas normalmente ela
fazia isto em pequenas doses. Ela sabia que tudo que ela precisava ficava em um
raio de sete quarteirões do seu apartamento e ela adorava isto assim.
Destrancando a porta da frente com o seu código, ela caminhou pelo
corredor estreito e subiu o lance de escadas, evitando o elevador apavorante que
ela tinha certeza iria cair e matar todo mundo no momento em que ela colocasse o
pé dentro dele. Além disso, pegar a escada era algo bom para o corpo. Ao subi-
las, ela esbarrava com os vizinhos reclusos e serenos com quem ela dividia o
prédio. Eles ofereceriam olhares em branco ou sorrisos suaves enquanto seguiam
o seu caminho. Nenhum deles era excessivamente interessante, mas todos eles
únicos na sua maneira especial. Havia uma mulher com um cachorrinho e um cara
de chapéu que ela via regularmente. Eles também eram companheiros de escada.
Ela gostava que tivesse começado a reconhecê-los.
No quarto andar, ela seguiu pelo curto corredor e passou pelas três portas
até a sua pequena área do prédio. A porta antes da dela pertencia ao Sr. Vargas, o
idoso rabugento e tranquilo que se destacaria na pequena varanda que ele possuía
e olharia para tudo. Ela não sabia se ele era, talvez, sensível ao sol, mas ele
simplesmente franzia os olhos para tudo, debruçado no seu roupão mostarda
desbotado. O outro apartamento no outro lado do corredor pertencia a Amber e
Josie, que estavam dividindo o pequeno apartamento enquanto perseguiam suas
várias carreiras com uma abordagem bastante aleatória.
Amber era uma deusa loira que trabalhava em um clube, cuidando do bar que
lhe trazia centenas de dólares em gorjetas com as quais ela normalmente pagava o
aluguel, depois gastava o resto com festas. Como uma mulher tão bonita, sedutora
e simpática como Amber estava sempre sem dinheiro sempre surpreendia a mente
de Leslie. Quanto a Josie, ela era uma artista lutadora que se recusava a desistir
do sonho que um dia ela seria famosa. Até lá ela trabalhava como uma
representante de atendimento ao cliente em um call center, o que a deixava ir e vir
sempre que ela quisesse e pagava-lhe o justo para contribuir com o aluguel e
pagar as contas. Em geral elas eram divertidas e Leslie adorava morar ao lado
delas. Elas nunca perguntavam sobre o seu passado ou seu futuro.
Elas tinham desenvolvido uma espécie de política de portas abertas onde
elas perambulavam pelo apartamento uma das outras sem muita preocupação com
modéstia ou classe. Se estavam bêbadas, chegando em casa de uma noite
particularmente divertida, elas sempre se sentiam inclinadas a ver o que Leslie
estava fazendo. Já que normalmente ela ficava acordada até tarde escrevendo ou
vendo algum filme triste e sentimental na Netflix, elas se jogariam no seu sofá ou
atacariam sua geladeira enquanto a presenteavam com suas histórias, sempre
jurando levá-la com elas da próxima vez. Ela nunca pressionou.
No momento em que ela tinha sua chave na porta, conseguiu ouvir o
movimento no outro lado do corredor e sabia que não estaria sozinha por muito
tempo. No que dizia respeito a elas, Leslie trabalhava como uma autora de livros
de culinária e de artigos freelance que mal ganhava o suficiente para o aluguel do
seu apartamento. Mas ela suspeitava que Josie estava começando a questionar
isto, porque embora seu apartamento fosse pequeno e ficasse em um prédio
bastante decrépito, estava bem mobiliado e ela sempre era capaz de comprar o
jantar, almoço, brunch ou um lanche noturno tardio. Nenhuma delas acordava cedo
o suficiente para o café da manhã. Isto era incontestável.
“Leslie!” Amber gritou da sua porta como se estivesse chamando um animal
de estimação há muito perdido que finalmente tinha retornado.
Leslie sorriu e jogou as chaves em uma mesa pequena que ficava perto da
entrada. “Ei, Amber!”
Seu apartamento era mínimo e apertado. Logo após entrar, ela passava pelo
seu closet e tinha a opção de seguir reto até a sua área minúscula de sala de
estar/jantar ou virar à esquerda na cozinha que era pequena o suficiente que ela
não poderia fazer nada realmente elegante, mesmo se ela realmente quisesse. Seu
quarto e banheiro eram acessíveis a partir da sala de estar e eram pequenos o
suficiente que realmente não havia nada que ela pudesse fazer com isto. Mas,
graças aos deuses do Pinterest e puro tédio, ela o tornou seu e chamou a atenção
de Amber e Josie.
“Leslie!” Josie gritou, atravessando animadamente o seu apartamento e o
corredor para seguir Amber para o apartamento de Leslie. “Então, como foi?”
“Como foi o quê?” Leslie perguntou, franzindo o cenho e olhando por cima
do ombro para Josie e Amber que já estavam atacando o vinho que ela tinha e
pegando as taças.
“Você estava toda arrumada,” Amber acrescentou. Nitidamente elas tinham
estado conspirando sobre o que poderia ter atraído Leslie para fora do
apartamento tão bem vestida. Era bastante comum que Leslie, embora ela tivesse
um corpo fenomenalmente bem tonificado, somente acreditasse em usar coisas as
quais ela se referia como roupas confortáveis. Sempre havia exceções a esta nova
regra na sua vida que era quando ela ia até a academia. Para Amber ganhar o
dinheiro que ela fazia com as gorjetas, ela precisava ser irresistível aos homens
no clube, então com frequência ela iria com Leslie até a academia, arrastando
Josie junto, que considerava exercício como algo torturante para alguém como ela
que recebeu o presente glorioso de um metabolismo acelerado. Em geral, Leslie
simplesmente tinha se vestido como costumava se vestir e obviamente isto foi
uma causa de observação das duas espiãs do outro lado do corredor. “Foi um
encontro? Uma entrevista? Oh merda, você está se mudando?” A mente de Amber
disparava um milhão de cenários.
“Não,” Leslie riu. “Apenas cuidando de algumas coisas.”
“Não estou acreditando,” Josie disse com certeza na sua voz. “Quem é ele?
É aquele asiático fofo da academia?”
“Samurai?” Amber perguntou com um tom triste e derrotado na sua voz
enquanto seus ombros caiam. “Eu sabia que ele estava verificando você e não a
mim.”
“Cale-se,” Leslie balançou a cabeça. “Ele estava verificando você sem
parar.” Ela pegou sua caneca do Mickey Mouse e deixou que Amber a enchesse
com vinho. “O que vocês vão fazer hoje?” Ela olhou para o relógio e viu que era
somente duas da tarde.
“Trabalhar,” Amber deu um grunhido.
“Nada,” Josie disse, olhando para as paredes onde Leslie tinha construído
prateleiras com as suas mãos. As prateleiras estavam cheias de livros que ela
tinha comprado enquanto morava em Nova York. Ela tinha construído aquelas
prateleiras com a intenção de preenchê-las e quando ela finalmente fez isto, ela
construiu mais na sala de estar. Basicamente, ela tinha perdido o seu depósito de
caução, mas Leslie não iria se estressar por mil dólares.
Leslie observava Josie, sabendo que ela estava procurando por uma pista
quanto ao que ela fazia para viver. Josie não acreditava no bico de escritora de
artigos. Leslie estava surpresa que Josie ainda não tivesse notado a carta de
aceitação na prateleira ao lado do seu diploma que ela tinha colocado
estrategicamente entre duas placas. Ela não tinha pendurado, já que isto a
lembrava do dia do funeral quando ela a tirou da sua casa antiga.
“Quais são os seus planos?” Josie perguntou, distraindo-a do passado.
“Não sei.” Leslie tomou um longo gole de vinho. “Deveria trabalhar, mas
não estou a fim hoje.”
“Venha até o clube,” Amber implorou. “Por favor, por favor, por favor! Você
nunca vem e Josie sempre acaba entediada no final do bar, sendo cantada por
caras enquanto ela rabisca. Todo mundo fica triste porque você não vem.”
Leslie deixou escapar um longo suspiro. Ela nunca tinha ido ao clube de
Amber e por um bom motivo. Havia algo sobre uma caverna mal iluminada com
muitas luzes estroboscópicas, luzes negras e DJ explodindo seus ouvidos que já a
fazia se sentir exausta. Embora ela tivesse sido convidada uma centena de vezes,
sempre tinha encontrado um motivo decente para não ir, mas hoje estava difícil de
pensar em um.
Ela teria de começar a viver sua vida de novo em algum momento.
Amber era aventureira e selvagem, o tipo de garota que daria alegremente
uns amassos em quem a estava verificando e teria um romance rápido e
predestinado que inevitavelmente implodiria duas semanas depois, mas lhe dava
histórias incríveis para contar. Leslie tinha dado para Tiffany Black algumas
destas aventuras nas suas histórias.
“Talvez,” Leslie encolheu os ombros.
“Talvez? Você está brincando comigo?” Amber olhou para Leslie, perplexa,
confusa e extremamente animada como se o Natal tivesse acabado de chegar mais
cedo para ela. A expressão era tão adorável e tão completamente cativante que
Leslie se sentiu obrigada a ir só para que a expressão não fosse desperdiçada em
uma esperança falsa. “Josie, vá pegar um vestido para ela.”
“Vestido?” Leslie ergueu uma sobrancelha de maneira nervosa. Em que ela
tinha acabado de se meter?
Josie esvaziou sua taça e atravessou correndo o corredor, o cabelo ruivo
voando enquanto ela corria a toda velocidade, sem dúvida fazendo o Sr. Vargas se
sentir compelido a reclamar com o zelador de novo que as três mulheres
maravilhosas ao redor dele estavam fazendo muito barulho. O zelador, Sr.
Rutherford, normalmente lhe dizia para apreciar a vista e parar de reclamar. Ele
personificava os pensamentos que Leslie tinha sobre a situação completamente.
Metade do tempo, Amber e Josie estavam mostrando mais pele do que roupas e
eram sempre agradáveis com ele. O que mais um velho solteirão poderia querer?
Quando Josie voltou, ela estava segurando um vestido realmente vermelho
que iria exibir mais do que Leslie estava pronta para mostrar. Ela já podia sentir
seu coração palpitando com a ideia de sair com ele, mas havia algo no fundo da
sua mente que gritava, Ooooooh, bonito! Inevitavelmente, isto ganhou quando ela
o pegou de Josie.
“Seja quem for que disse que ruivas não deveriam usar vermelho era um
idiota,” Amber disse severamente. “Você vai ficar incrível nele. Eu prometo. Se
não ficar, comprarei duas fatias de pizza para você.”
“Três,” Leslie negociou, mordendo o lábio inferior nervosamente. “Meu
cabelo é castanho avermelhado. Não vermelho. É castanho apenas com um pouco
de cor avermelhada.” Ela engoliu em seco. “Tudo bem, eu irei.”
Capítulo 4

O clube de Amber era o tipo de calabouço pulsante e hipnótico que Leslie tinha
suspeitado que seria. Ao entrar Leslie e Josie foram imediatamente notadas como
sangue fresco na água por cada homem no prédio. Leslie podia sentir os olhos
rastejando por ela e ela odiou isto imediatamente. Tudo sobre a decisão de
aparecer estava começando a correr através dela, manchada com arrependimento
e remorso. Ela nunca deveria ter vindo. Isto era mais problema do que ela estava
interessada.
No momento em que elas alcançaram o bar, Leslie sentiu como se estivesse
sendo lavada na praia de alguma ilha após ter naufragado. Ela tinha dinheiro
suficiente para comprar este clube e mais uma centena como ele e, no entanto, ela
sentia que era uma novata em tudo sobre isto.
Josie caminhava pelo clube parecendo uma profissional neste tipo de
ambiente. Ela tinha estado aqui o suficiente que ela tinha toda a confiança que
Leslie carecia.
Atrás do bar, Amber parecia a deusa platinada que ela era, atraindo os olhos
de cada homem libidinoso em todo o prédio que olhavam para ela com olhos
hipnotizados e petrificados, implorando que ela entrasse em suas vidas enquanto
preparava milhares de elixires de cada vez.
Leslie observou seu trabalho e achou isto realmente divertido. Isto lhe deu
uma chance de recuperar o fôlego e não se arrepender de passar pela porta de
entrada.
“Estou tão feliz que você veio!” Amber gritou sobre a música retumbante. A
pista de dança estava cheia de pessoas que estavam deixando a música tomar
conta dos seus corpos. “Seja o que for que você quiser, é por minha conta.”
“Tom Collins,” Leslie disse, virando-se para Josie que pediu algo que
acabou sendo uma bebida extremamente frutada e fluorescente que estava além da
capacidade de Leslie para compreender. Amber as preparou com tal facilidade e
graça que isto desconcertou Leslie, que fez milhares de perguntas diferentes,
todas as quais Amber respondeu com um comando estranho e autoridade que
Leslie nunca tinha visto. Ela sabia tudo sobre bebida e a arte da mixologia.
Leslie permaneceu no bar quando Josie foi até o banheiro para verificar a
sua maquiagem.
“Você não vai dançar, neném?” um cara atrás de Leslie perguntou, seu rosto
muito perto da sua orelha assim ela poderia ouvi-lo. Ela virou-se para ver um
loiro bonito em um terno de negócios.
“Eu não danço.” Ela virou as costas e o ignorou. Neném. Sério?
Amber chegou um momento depois para verificar a sua bebida. “Quer
outro?”
Leslie assentiu e em seguida revirou os olhos para trás dela, insinuando o
cara atrás dela. Ela balançou a cabeça e esperou que Amber entendesse a dica.
“Entendi!” Ela inclinou-se sobre o bar. “Ei, gatinho, a senhora aqui quer
pagar uma bebida para você.”
Leslie quase engasgou com o líquido na sua boca. Que diabos!
“Se a senhora está pagando, não vou dizer não.” Uma risada suave que soou
completamente diferente da voz no seu ouvido há alguns minutos a fez virar. Um
cara muito em forma e de cabelo escuro estendeu a mão.
“Grant?” Ela caiu na gargalhada e inclinou-se para abraçá-lo. “Imagina
encontrá-lo aqui!”
Grant riu e piscou para ela enquanto Amber encarava boquiaberta os dois.
“Vocês se conhecem?”
“Velhos amigos.” Grant piscou de novo. “Antes que Leslie se mudasse para
cá.”
“O que você está bebendo?” Leslie perguntou.
“Rum e Coca-Cola.”
Amber preparou a bebida, nitidamente preparando-a duas vezes mais forte.
Ela a deslizou pelo bar. “Qualquer amigo de Leslie é um amigo nosso.”
Uma mulher magra surgiu ao lado de Grant e segurou sua mão. Leslie não a
reconheceu, mas, pensando bem, ela realmente não sabia muita coisa sobre Grant
além dele ser o seu agente secreto. Acho que ambos tinham uma vida que o outro
não conhecia.
“Obrigado pelo drinque, Leslie. Você fica ótima de vermelho!” Ele levantou
o copo e seguiu na direção da pista de dança com a garota.
Josie retornou e sentou-se no banquinho onde Grant estava parado um
momento antes. Amber preparou outro drinque para ela também. Pareceu como
uma centena de vezes na primeira hora, os caras se aproximariam delas e
perguntariam se elas estavam interessadas em dançar, dando-lhes os seus números
de telefone, ou se poderiam pagar uma bebida para as garotas. Leslie sempre iria
agradecer de maneira educada e recusar suas ofertas, sentindo-se uma pessoa
horrível, mas definitivamente não querendo encorajar o comportamento.
“Você não está procurando por nada?” Josie perguntou enquanto Amber
atendia dois caras que tinham desistido de flertar com Josie e Leslie. Amber foi
ótima em afastá-los, apresentando as pessoas no bar umas para as outras e
permitindo que eles se dessem bem uns com os outros para festejar em algum
outro lugar.
“Não,” Leslie respondeu, agitando alguma mistura estranha que Amber tinha
preparado apenas para ela.
“Por que não?” Josie perguntou, após um momento tentando nitidamente
decidir se deveria ou não fazer a pergunta. Nitidamente isto a estava devorando e
Leslie ficou surpresa que ela tivesse levado tanto tempo para lutar com o dilema.
Leslie deixou escapar um suspiro e decidiu que era hora de deixá-lo ir. Ou
talvez o álcool decidiu. “Eu era casada,” Leslie disse, gritando por cima da
música e mal conseguindo que isto chegasse até Josie. “Antes de me mudar para
cá, eu vivia em São Francisco com meu marido.”
“O quê?” Josie gritou. “Você está brincando comigo? Você viveu na porta ao
lado por quase um ano inteiro e somente agora você está me contando isto? Você é
uma garota que adora segredos.”
Leslie encolheu os ombros, tomando um gole antes de decidir se deveria
contar para Josie o resto da história. Inclinando-se assim ela não teria de gritar
sobre a música, ela disse, “Ele morreu de câncer. Foi realmente uma droga.”
Josie olhou para ela por um momento com seus grandes olhos cor de avelã
antes de se jogar em Leslie e abraçá-la com força. Foi o tipo de abraço que todo
mundo ao redor delas pensou que foi provavelmente induzido por beber demais,
mas Leslie era mais esperta e retribuiu o abraço, permitindo-se ser cuidada pela
primeira vez em muito tempo.
“Ei, senhoras,” um cara disse, aproximando-se e levantando a calça
enquanto olhava para as duas senhoras se abraçando com o máximo de ardor que
ele conseguiu reunir. “Importam-se se eu entrar neste abraço?”
“Dê o fora daqui!” Josie gritou para ele. Ela virou-se para um dos garçons e
apontou para o cara que tinha, com sucesso, arruinado o momento. “Este idiota
está fora de controle, Tank.”
O garçom enorme olhou para o intruso e balançou a cabeça. “Deixe-as em
paz.” Foi tudo que ele precisou dizer para mandar o cara sair correndo.
Quando ele se foi, Josie caiu na gargalhada e Leslie se encontrou rindo
também. A partir daquele momento a noite assumiu um tom menos tenso e quando
Amber finalmente deixou o seu turno, as três caíram na pista de dança juntas,
certificando-se que fosse exclusivamente uma noite de garotas. Enquanto Leslie
estava no banheiro, ela não teve nenhuma dúvida que Josie contou para Amber
seu segredo, porque Amber a abraçou por um tempo excruciantemente longo e se
recusou a soltá-la depois de um tempo.
Eventualmente o clube fechou e as três garotas ligeiramente bêbadas
voltaram para o prédio, parando no Gustavo’s, que estava fechando, mas ao ver
as suas clientes favoritas, ele as deixou entrar. “Tudo está pela metade do preço,
mas vocês têm de se apressar,” Gustavo disse. “Todo mundo já foi para casa.”
“O normalmente,” Leslie disse para ele com um sorriso doce.
“Você quer dizer o de costume?” ele riu e balançou a cabeça. “O que você
está fazendo na rua tão tarde da noite? E vestida de maneira tão bonita?” ele
perguntou enquanto jogava duas fatias de manjericão e pimenta vermelha torrada
no forno e olhava para ela. Não era incomum para ele ver Leslie tão tarde da
noite, mas era incomum vê-la em algo diferente do blusão de moletom
extragrande, seus óculos de leitura e calça de ioga. O velho italiano era o cara
mais doce do mundo e ele lembrava Leslie do seu pai.
“Decidiu sair.” Ela encolheu os ombros, sentindo-se mais do que um pouco
bêbada.
“Parece que você se divertiu,” Gustavo sorriu enquanto jogava a pepperoni
de Amber no forno junto com a batata e fatias de bacon de Josie. “As senhoras
precisam de algo? Uma garrafa de água, talvez?”
“Não,” Leslie disse, abrindo a bolsa e folheando as notas. “Estamos quase
em casa.”
“Como eu disse, é tudo pela metade do preço,” Gustavo disse. Leslie tinha
visto a esposa e os dois meninos de Gustavo correndo pelo restaurante várias
vezes quando ela esteve aqui. Ele sempre estava cheio, mas era porque ele era
acessível e fazia uma pizza incrível. Leslie sabia que ele não fazia uma tonelada
de dinheiro. Olhando para sua jarra de gorjetas, ela viu que já estava vazia. Eles
já devem ter dividido. “Separado ou junto, senhoras?”
“Junto,” Leslie disse antes que as outras pudessem protestar. Ela ia lhe
entregar uma nota de cinquenta, mas trocou rapidamente por uma de vinte. As
garotas já estavam indo para a porta quando Leslie agarrou o resto do dinheiro da
sua carteira e enfiou na jarra de gorjetas para ele. “Divirta-se com a família,” ela
disse enquanto ele olhava para o dinheiro na sua jarra, facilmente quinhentos
dólares que Leslie tinha acabado de se separar, sem sequer piscar um olho.
“Querida, não, não posso aceitá-lo. Volte aqui.” Gustavo deu a volta no
balcão e enfiou a mão na jarra. “Fico feliz que você tenha tido uma noite
divertida, mas isto é demais.”
Leslie tinha tentado conduzir Josie e Amber para fora antes que elas
notassem. Pega em flagrante, ela virou-se. “Não, Gustavo, isto é para você e sua
família. Fiz isto de propósito. Obrigada pela pizza incrível.” Ela abriu a porta
com o bumbum e deu uma mordida na pizza que estava na sua mão. Estava quente,
mas tinha um gosto incrível.
“O que foi aquilo?” Amber perguntou enquanto elas faziam a pequena
caminhada até em casa.
“Nada.” Leslie não se ofereceu para acrescentar mais e felizmente as duas
colegas de quarto não pressionaram por isto.
Elas ficaram bastante caladas enquanto comiam suas pizzas, apreciando as
vistas e os sons do seu bairro antes que entrassem no prédio.
“Foi uma noite divertida. Obrigada por me levarem.” Leslie tentou manter
sua voz neutra. De repente, ela sentiu vontade de chorar e não conseguiu
compreender o porquê. Maldita bebida.
“Vamos fazer isto de novo. Em breve,” Amber soluçou e começou a rir
enquanto elas subiam as escadas.
Ao destrancar a porta do seu apartamento, ela a deixou aberta enquanto
entrava. Ela acendeu as luzes e sentiu-se abraçada pelos sons e cheiros familiares
do seu casebre. Parecia que ela tinha estado ausente por uma centena de anos,
como se o tempo tivesse mudado desde que ela tinha saído. Ou talvez ela tivesse.
Ela se deixou cair no sofá, olhando para a TV. Ela realmente não se sentia
cansada. Ela se sentia bêbada e com medo que se dormisse, acordaria com um
caso desagradável de boca seca e ressaca que estava se aproximando como uma
vingança. Ela se perguntou por um momento se tinha os ingredientes para fazer um
Bloody Mary pela manhã ou uma Mimosa. É claro, ela teria de fazer isto para as
senhoras também.
Alguns minutos depois, Josie e Amber saíram do seu apartamento, descalças
e prontas para relaxar após uma noite longa. Amanhã era sexta-feira e elas tinham
se divertido como se fosse sábado. Leslie não tinha nenhuma dúvida que pela
manhã elas estariam exaustas. Ela se levantou e colocou uma calça de ioga e em
seguida se jogou no sofá enquanto Josie zapeava pelo Netflix por algo para
assistir.
Leslie não podia deixar de sentir como se esta noite fosse a noite que ela
tinha precisado. Era como se alguém tivesse lascado um pedaço da represa que
tinha bloqueado toda a sua vida e pela primeira vez em muito tempo ela se sentiu
como se estivesse pronta para fazer algo novo e excitante. Talvez começar a viver
de novo.
“Podemos conversar sobre a pilha de notas de cem que você enfiou na jarra
de gorjeta?” Josie disse após um tempo enquanto elas se decidiam sobre algum
show que fosse extremamente melodramático, o tipo de coisa que Leslie se
encontrava facilmente envolvida e ansiosa em consumir em uma farra de televisão
ruim.
Leslie olhou para ela e encolheu os ombros.
“Aquilo foi, tipo, meio mês de aluguel.” Amber inclinou-se para frente e a
observou atentamente.
Leslie sorriu e balançou a cabeça, levantando-se caminhando até a estante
onde a série Tiffany Black estava enfiada no canto da sua sala de estar. O cânone
crescente de literatura de Evelyn Frock estava rapidamente ocupando aquela
seção da estante. Leslie pegou o primeiro livro de Tiffany Black e o entregou para
Josie, que pegou o livro e olhou para ele, completamente confusa e perplexa
sobre o que isto poderia significar. Quando ela finalmente abriu o livro e viu a
dedicatória que Grant tinha escrito na primeira página sobre como este era o
começo de uma grande amizade e uma carreira extremamente lucrativa, todos os
cilindros dispararam dentro da mente de Amber e tudo isto se juntou. “Puta
merda!” Seus olhos se iluminaram por um momento, atordoados e perplexos.
“Aquele cara no bar. Aquele era este Grant?”
Leslie assentiu. “Ele é o meu agente.”
“Puta merda!” Amber se levantou com um salto. “Você é Evelyn Frock!”
“Quem é Evelyn Frock?” Josie pegou o livro e leu a dedicatória também.
“Quem diabos é Grant?” Ela esfregou os olhos. “Minha mente está confusa com o
álcool, diversão e uma ‘dor de cabeça do sorvete’.
“Grant esteve no bar hoje à noite,” Amber explicou.
Leslie riu. “Isto foi meio engraçado. Achei que você estava oferecendo para
que eu pagasse uma bebida para o idiota que tinha me chamado de ‘Neném’ um
instante antes. Não sabia que Grant estava lá.”
“Quem diabos é Evelyn Frock?” Josie repetiu.
“Tipo a autora mais popular da América,” Amber ofegou e voltou-se para
Leslie. “Você está nos atormentando. Você tem de estar nos enganando.”
Leslie balançou a cabeça. “Somente um grupo seleto, muito pequeno de
pessoas sabe. Um número muito seleto.”
Josie ficou em pé e deixou escapar um grito alegre e começou a pular para
cima e para baixo de maneira entusiasmada. Ela puxou Amber para cima e as
duas pulavam e dançavam como bêbadas loucas.
Leslie, por outro lado, olhava para a tela da TV onde estava assistindo um
homem particularmente bonito conversando com sua namorada na tela sobre o seu
dilema particular. Por algum motivo, Leslie sentiu-se atraída por ele. Havia algo
sobre ele que a fez se sentir excitada por dentro, algo vivo agitando-se dentro
dela. Era algo que tinha estado adormecido por muito tempo, agora vivo e
profundo na sua barriga. Ela não fazia ideia quem estava na tela, mas ele era
extremamente atraente. Muito sexy.
Culpa a fez virar o rosto para longe da TV. Ela não tinha nenhum direito de
ter estes sentimentos. Eles tinham morrido há ano, enterrados para sempre na
Califórnia.
“Você está brincando comigo?” Josie agarrou os ombros de Leslie e a
sacudiu. “Sou vizinha de Evelyn Frock?”
“Sim.” Leslie encolheu os ombros. “Não é grande coisa. Apenas escrevo
histórias.”
“Então, você é uma bilionária,” Amber disse após um momento, finalmente
colocando todas as peças juntas.
Leslie riu e balançou a cabeça. “Apenas uma milionária.”
“Maldição! Isto é uma tonelada de dinheiro.” Amber piscou várias vezes,
tentando entender a situação através da névoa infestada de bebida alcoólica em
que ela estava tentando navegar.
“Quem é ele?” Leslie perguntou, apontando para o cara na tela que agora
estava lutando contra um lobisomem ou algo intricado assim.
“Conrad Danes?” Os olhos de Josie dispararam para a TV. “Espere, eu tenho
um milhão de coisas para perguntar. Ninguém sabe?”
“Vamos lá,” Leslie gemeu. “Não se estresse sobre isto, Josie. Não surte. É
parte do motivo que eu não conto para ninguém. Não quero ser diferente de quem
eu sou.”
“Ok,” Josie assentiu. “Você era Evelyn antes... antes... você sabe?”
“Sim.” Leslie recostou-se no sofá, afundando nele enquanto abraçava uma
almofada, se perguntando se ela tinha cometido um erro ao contar para as duas.
Ela protegia a sua privacidade com um tipo de dedicação feroz com a qual a
maioria das pessoas protegiam os seus segredos mais sóbrios. Ela não queria ser
o foco da mídia. Ela sabia que se eles descobrissem quem ela era, seria
impossível encontrar um cantinho tranquilo do mundo para se esconder. Ela olhou
para a sua amiga por um momento. “Você não pode contar para ninguém.”
“Meus lábios estão selados,” Josie disse, sorrindo como uma criança na
manhã de Natal.
“Estou falando sério,” Leslie rosnou.
“Eu também,” Josie jurou.
“Eu também,” Amber disse. “Cara, aquele rapaz é sexy. Olhe! Aquele lobo
acabou de arrancar a camisa de Conrad!”
Josie bufou. “Eu beberia algumas daquela barriga de tanquinho.
Leslie caiu na gargalhada. “Só você, Josie.”
“Ei, o que eu posso dizer? Aprecio obras de arte.”
“Uma coisa, sobre o meu trabalho... não me chantageiem. Nunca.” Leslie
avisou-lhes enquanto seus olhos voltavam para a televisão. “Até mesmo meus
pais não sabem.”
“Não iremos dizer nada,” Josie disse veementemente. “Estou honrada que
você nos contou.”
“Eu confio em vocês.”
“Isto é tão legal,” Amber deu uma risadinha, balançando a cabeça enquanto
elas assistiam Conrad Danes lutar contra outro lobisomem. “Temos uma amiga
famosa e secreta.”
“Não esqueça rica,” Josie brincou.
“Não se esqueçam que é um segredo,” Leslie avisou.
Capítulo 5

“Tenho algo que quero perguntar para vocês,” Leslie disse na manhã seguinte. Ela
tinha acordado cedo e deitado na cama enquanto suas amigas dormiam no sofá na
sala de estar. Pela primeira vez em muito tempo, o apartamento parecia como um
lar para ela, embora pequeno e não muito de nada. Ela tinha feito amigas e
confiava nelas o suficiente para compartilhar o seu segredo. Ela não tinha feito
isto porque estava bêbada. Ela sabia por que tinha feito isto.
Ela tinha estado lamentando a perda de Michael e meio que esqueceu de
continuar a viver. A única coisa que ele queria que ela fizesse – sair e viver,
enfrentar o mundo. Em vez disso, ela tinha se escondido. Era hora de começar a
viver de novo ou talvez tentar.
Mas como?
Talvez ela precisasse sair em uma aventura. Fazer algo novo, fazer algo além
do raio de sete quarteirões do seu apartamento. “Vocês não podem dizer não,” ela
disse nervosa enquanto entregava um prato de bacon e ovos para cada uma. “Não
me importarei...”
Amber enfiou um pedaço de bacon na boca enquanto Josie segurava um
pedaço de torrada no meio do ar, pronta para mergulhá-lo no seu ovo frito
somente de um lado.
Após um momento de debate interno, Leslie imaginou que era melhor do que
a alternativa e foi por isto. “Vocês querem sair de férias ou algo assim?”
“Tipo no norte do estado ou algo assim?” Amber perguntou, olhando para
Josie.
“Estava pensando em algum lugar quente e ensolarado,” Leslie disse,
encolhendo os ombros enquanto pegava uma fatia de torrada. “Mas não sei.
Apenas quero sair da cidade.”
“Como Miami?” Josie perguntou.
“Um pouco mais para o sul...” Leslie pressionou. “Talvez o Caribe?”
“Você está nos perguntando se queremos ir para o Caribe?” Amber riu.
“Inferno, sim Leslie! Você não está tentando comprar o nosso silêncio, não é?
Quero dizer, você não precisa fazer isto. Estamos totalmente tranquilas. De
maneira nenhuma contaríamos para alguém.”
“Eu sei,” Leslie riu, as borboletas nervosas de repente desaparecendo.
“Apenas queria saber se vocês estariam interessadas em sair de férias comigo.”
“Sim,” Josie riu e mergulhou sua torrada na gema. “Quando?”
“Que tal amanhã?” Ela estava apavorada que ficaria com medo. E se eu
mudo de ideia? Rastejar de volta para o buraco em que tenho vivido? “Quero
dizer, se vocês puderem sair do trabalho. Poderíamos ir amanhã ou em alguns
dias. Meu agente poderia conseguir os vistos para nós e aprontar tudo.”
“O trabalho me mataria,” Amber disse nervosa. “Mas acho que eles seriam
legais com isto. Quanto custa as passagens?”
“Não se preocupe sobre isto.” Leslie acenou a mão, afastando o pensamento.
“Não, você não vai pagar por tudo isto,” Josie disse com uma voz
determinada. “Nós não vamos viver às suas custas.”
Leslie olhou para elas de maneira nervosa e mordeu o lábio inferior com
ansiedade.
“Você já comprou as passagens.” Amber viu através dela.
“Meu agente cuidou de tudo isto.” Por que ela tinha achado que isto era uma
ideia tão boa esta manhã? Grant não tinha ficado impressionado com o telefonema
no início da manhã, mas não tinha discutido com ela. Obviamente ele também
achou que era uma boa ideia e provavelmente imaginou que ela mudaria de ideia
se tivesse uma oportunidade de pensar sobre isto.
“Isto vai ser fantástico!” Josie sorriu. “Estou muito dentro!”
Pela primeira vez desde que Leslie tinha recebido o seu primeiro pagamento
de royalties e comprado uma caminhonete para Michael, ela tinha gasto seu
dinheiro com algo frívolo. Ela afastou o sentimento de culpa. Isto não era apenas
sobre ela; ela queria fazer algo legal para as suas amigas também.
Amber ligou para o clube e disse que precisava tirar as férias que ela estava
economizando há algum tempo, principalmente porque ir trabalhar para ela era
como ir para uma festa que nunca acabava. Trabalho para ela era uma espécie
estranha de diversão que poucas pessoas conseguiam apreciar. Seu chefe não
ficou feliz, mas eventualmente a deusa platinada fez sua magia trabalhar e
conseguiu o aviso prévio e estava livre para ir. Para Josie, tudo que ela teve de
fazer foi ligar e dizer que precisava tirar algum tempo de folga.
Elas passaram o resto do dia fazendo compras e experimentando trajes de
banho e no que dizia respeito a Josie e Amber, elas receberam a tarefa singular de
encontrar roupas para Leslie que não fossem trajes de malhar ou roupas
confortáveis. Sua hesitação sobre ir desaparecendo lentamente. Após um dia de
compras, comendo fora e apreciando tudo que Nova York tinha a oferecer, Leslie
se encontrou em um estado de espírito completamente diferente.
Ela precisava disto.
Era hora.
Quando elas finalmente voltaram para o apartamento e passaram o resto da
noite assistindo uma série paranormal estranha e melodramática em que Conrad
Danes estava, Leslie se encontrou completamente fascinada pelo personagem que
era apenas outro dos meninos apaixonados pela personagem feminina central.
Com frequência ela se perguntava o que havia de tão especial sobre a mulher
em que o programa de TV estava focado que valeria a pena manter um cara como
aquele por perto. Mas enquanto assistiam ao programa, ela foi realmente pega
desprevenida quando Josie e Amber disseram que achavam os outros personagens
do programa mais atraentes. Isto era simplesmente insano para ela, algo que não
fazia sentido.
“Vocês ouviram que ele está solteiro agora?” Josie disse após um momento.
“Oh,” Leslie disse após um momento, encolhendo os ombros como se isto
não importasse para ela. Por que iria? Ele era uma celebridade e ela não era
ninguém. O que ela deveria fazer com esta informação?
“Você poderia namorá-lo, Leslie,” Josie pressionou. “Vá fazer alguma coisa
famosa de autógrafos de livros ou faça com que o seu agente entre em contato com
ele.” Ela deu uma risadinha e fingiu pegar um telefone imaginário. “Oh Grant,
aqui está o meu próximo best-seller e você se importa em dizer para Conrad Dale
ligar para mim?” Ela disse com a voz alta enquanto falava.
Amber começou a fingir ser Grant com seu telefone imaginário e disse com
uma voz baixa, “Você conseguiu, querida! Você é uma destas pessoas que está na
rara posição de ser realmente capaz de namorar alguém que viu na TV. Qualquer
coisa por você, querida. Posso fazer esta magia acontecer. Há mais alguém que
você acha que é sexy? Posso conseguir todos eles para você, querida.”
“De maneira nenhuma.” Leslie balançou a cabeça enquanto ria. De maneira
nenhuma ela poderia ser capaz de namorar alguém como ele. “Aliás, Grant nunca
me chama de querida.”
Amber percorreu seu telefone de verdade. “Só para o registro, Conrad está
solteiro. Está por todo o TMZ.” Ela levantou o telefone para mostrar para Leslie.
“Sua esposa o estava traindo. Escândalo enorme. As pessoas estavam furiosas
por todo o planeta. Foi insano.”
“Quando?” Leslie perguntou, sentindo-se como se estivesse saindo de
debaixo de uma rocha que ela esteve hibernando por muito tempo. Parecia que ela
estava traindo Michael ao perguntar. Contudo, ela nunca iria conhecer Conrad
então não importava. Era como um namorado de livro. Sem compromisso.
“Há duas semanas.” Josie pegou uma garrafa de vinho e serviu em três taças.
“Totalmente desagradável de acordo com os jornais. Sua esposa, ou ex agora,
estava dormindo com a vizinhança. Não apenas um cara. Tipo um punhado.”
“Isto é apenas o que os jornais falando.” Leslie aceitou a taça de vinho tinto
oferecida. “Vê? Este é um dos motivos por que eu não quero que ninguém saiba
quem eu sou. Quem sabe o que realmente acontece?” Ela olhou para a TV justo
quando Conrad conseguiu surgir na tela saindo de um banho com apenas uma
toalha. Maldição, ele é quente! Ocorreu-lhe que isto era uma paixonite. Fazia
tanto tempo desde que ela tinha estado tão atraída por alguém que ela sentiu o
poder possessivo de uma paixão. Michael tinha sido sua única paixão. Ela
terminou sua taça de vinho muito rápido e deixou-se cair contra o sofá, irritada
por permitir que algum personagem idiota de TV bagunçasse a sua cabeça.
Havia algo potente sobre uma paixão para aqueles que nunca tinham
experimentado isto antes ou estiveram afastados disto há muito tempo. Ela não
poderia impedi-lo. Ela tentou dizer que isto era apenas uma paixão física tola. Ela
estava apenas voltando para a vida e de alguma maneira tinha conseguido se
agarrar à primeira imagem que ela viu, como um petroleiro rasgando o mar e
cobrindo todo o seu mundo com o abraço escorregadio da realidade oleosa. Ela
respirou fundo e olhou pela janela do seu apartamento minúsculo e olhou para o
mundo ao redor dela. Era isto que era uma paixão para todo mundo? Ela respirou
fundo de novo. Esquece isto. Isto não significa nada. Use o cara para sonhar
até que você adormeça. Não é grande coisa. Ele não é Michael.
Não, ele não era. Michael nunca voltaria.
Ela nunca iria conhecer Conrad.
Dando uma olhada para ele na tela, ela imaginou qual era a sua cor favorita,
onde ficava o seu restaurante favorito e qual era o seu Vingador favorito. Havia
tanta coisa que ela queria saber sobre ele que não era sequer sexual. Ela somente
estava pensando nestas coisas porque estava zangada com Michael por morrer.
Ela olhou para Conrad e obrigou-se a imaginar qual seria o gosto dos seus lábios
ou como ele seria pessoalmente, sem sua camisa. Havia tantas perguntas passando
pela sua mente, mas principalmente, ela apenas queria. Ela o queria.
Honestamente, ela pensou sobre sua vida e se perguntou em que ele estaria
interessado. Ele se importaria que Gustavo’s fosse a sua pizzaria favorita,
principalmente por conveniência e ingredientes frescos? Ou que ela gostava de
uma farra assistindo programas de TV quando não estava escrevendo? Ele se
importaria que ela era uma autora?
Pare com isto! Pare de se questionar. Você não vai conhecê-lo!
Ela pegou um cobertor do encosto do sofá e passou ao redor dela. Que
diabos estava acontecendo dentro da sua cabeça? Isto a assustou. Isto a fez querer
se enroscar de volta na vidinha confortável que ela tinha construído para si
mesma sem estes pensamentos tranquilos e autodepreciativos. Isto não era algo
que ela queria.
Neste momento ela apenas queria desaparecer. Ser como Michael e não ter
de viver sua vida sem ele. O pensamento a apavorava e assombrava. Como ela
poderia sair lá fora quando estava com tanto medo de tudo?
Ela precisava destas férias.
Ela iria sair para o mundo e começar a encarar a vida com uma paixão e
coragem desenfreados. Ela apenas precisava sair do seu apartamento primeiro.
Ela olhou para Josie e Amber. “Obrigada por virem comigo amanhã,” ela
disse baixinho.
Josie riu. “Não, obrigada por nos convidar.”
“Eu vou transar,” Amber comentou enquanto assistia a TV. De repente ela
sentou-se. “Este resort... fica em uma parte remota do Caribe que somente
algumas pessoas conhecem ... haverá homens lá, certo?”
Josie socou Amber enquanto Leslie deixava escapar uma risada sarcástica.
“Haverá homens lá. Homens ricos. Tenho certeza que solteiros também.
Provavelmente os funcionários são endinheirados também.”
“Não me importo sobre ser carregado de dinheiro. Quero que eles sejam
carregados nos quadris.”
Leslie caiu na gargalhada. “Você não terá nenhum problema em encontrar
isto com o traje de banho que você comprou hoje.” Ela serviu-se de outra taça de
vinho e a levantou. “Um brinde a umas férias incríveis.”
“E todas nós transando.” Amber piscou e deu uma risadinha.
Capítulo 6

Sentada na primeira classe, completamente desconhecida e embonecada com tudo


de caro e bonito que elas tinham esbanjado no outro dia, Leslie sentia-se quase
um pouco tola. Ela não poderia mentir: era incrível estar ali. No entanto, também
parecia irreal. Todo o dinheiro que ela tinha na sua conta bancária e todo o
segredo que ela tinha se envolvido parecia manchado ao usá-lo sem Michael. Ela
sabia que ele queria que ela se divertisse muito enquanto apreciava o anonimato
que ela tinha dado a si mesma.
Grant tinha ligado para ela pouco antes que ela embarcasse no avião. “Está
tudo resolvido, Leslie.” Ele riu. “Você queria férias para se lembrar. Foi isto que
eu reservei.”
“Muito obrigada, Grant. Eu... Eu acho que é hora.”
“Hora? Para começar a apreciar o seu dinheiro? Ou viver de novo?”
Ela mordeu o lábio. “Ambos, eu acho.”
“Você está certíssima que é.” Ele riu de novo. “Quero ouvir tudo sobre isto
quando você voltar.”
“Estará no meu próximo manuscrito.”
Ele caiu na gargalhada. “Realmente espero que sim.”
A última chamada de embarque a fez se despedir e correr com Amber e Josie
para terminarem seu vinho e se apressarem para o avião.
Agora ela estava sentada em um grande assento de couro marrom claro, uma
taça de champanhe na mão e óculos de sol que envolviam metade do seu rosto e
um chapéu que era grande o suficiente para ser uma sombrinha. Ela relaxou na
aura luxuosa e extravagante do compartimento de primeira classe do avião que as
estava levando para o destino de uma vida. Suas colegas, como elas estavam se
chamando agora, eram tão espetaculares; completamente sérias, embora todas
discutiram como se sentiam como divas completas e prima donnas quando
estavam esperando para embarcar no avião. Com meia dúzia de selfies, algo que
Leslie tinha acabado de ser apresentada, as garotas estavam a caminho de praias
ensolaradas onde os meninos eram muito bonitos e as bebidas nunca terminavam.
A viagem de avião foi mais longa do que Leslie tinha antecipado e, embora
lhe incomodasse ligeiramente estar deixando a casa em que ela tinha se aninhado
no último ano, ela estava muito feliz para ver o mundo. Ela olhou pela janela com
um sorriso no rosto e não conseguiu evitar desejar que Michael estivesse lá com
ela. Ela sabia que iria se sentir assim pelo resto da sua vida, mas pelo menos ela
tinha entrado em um avião. Isto deveria ter sido algo que iria encorajá-la, não
impossibilitá-la.
Foi difícil, incrivelmente doloroso, deixar; mas enquanto enxugava uma
lágrima escorrendo pelo seu rosto ela sabia que estava se despedindo dele de
uma certa maneira. Ela não queria deixar ir, mas não poderia exatamente gritar
para o piloto dar meia volta. Avançar era a sua única opção. Ela iria beber as
férias se não conseguisse lidar com isto. Ou pegar o próximo voo de volta.
Ela sabia que não faria isto, mas era uma opção.
O piloto veio até o sistema de comunicação e disse que estavam se
aproximando do seu primeiro destino. Leslie sentiu seu nervosismo aumentar, um
formigamento que tomou conta dela e, enquanto conversava com suas novas
amigas, a ansiedade começou a se desenvolver.
Este resort caribenho era completamente novo para ela. Ela e Michael nunca
tinham deixado os Estados Unidos, além de uma viagem para Vancouver, Canada,
em uma semana louca. E se Amber e Josie encontrassem caras lá ou fizessem
outros amigos e a abandonassem completamente? E se a viagem de barco até a
ilha que era o seu destino fosse atacada por piratas ou algo assim? Isto acontecia
nos seus livros, por que não na vida real? E se houvesse uma cobra venenosa no
seu quarto? Toda possibilidade idiota que surgia na sua mente era completamente
ridícula e ela sabia que estava exagerando, mas era como ela era agora: uma
pessoa caseira com um cérebro dramático.
As rodas do avião tocaram o chão e elas estavam oficialmente no paraíso –
onde todas as preocupações e os problemas do mundo deveriam ser lavados,
esquecidos e não mais uma preocupação enquanto de férias. Leslie engoliu em
seco e jurou fazer um esforço para fazer isto. Era hora dela soltar seu cabelo,
mostrar um pouco de pele e deixar o sol e álcool lembrá-la sobre como era todas
as coisas boas no mundo.
Elas desembarcaram e o sol tomou conta dela, banhando-a em um calor
dourado que não a julgou nem machucou. Houve uma sensação de calma e
animação que a atingiu... um sentimento estranho que ela não tinha sentido há
muito tempo, nada que ela tivesse sentido desde São Francisco. Foi poderoso. Foi
bonito. Ela queria absorver até a última gota de luz do sol que aqueceu seus
ossos. Caminhando pela passarela até o pequeno aeroporto pintado com cores
alegres, ela não pode deixar de sorrir.
Palmeiras. Juncos altos cor de esmeralda e grama e pessoas bonitas estavam
prontas para abraçar o lado excitante e ousado da vida que o sol quente e os céus
sem nuvens oferecia-lhes. Leslie respirou fundo, sentindo o cheiro do sal do
oceano e ouvindo as gaivotas acima. Sem mencionar que havia risada ao redor
dela. Ela virou-se e sorriu para Amber e Josie, rindo ao seu lado. “Acho que
estas vão ser umas férias divertidas.”
“É melhor apostar sua bunda que vai,” Amber disse e levantou os braços,
rodopiando. “Eu te amo, ilha misteriosa!” ela gritou.
Josie revirou os olhos, mas não deteve Amber. Nem Leslie.
Não demorou muito para que as três se encontrassem em um táxi seguindo
para a marina. Grant tinha enviado um e-mail para Leslie explicando que elas
estariam pegando uma balsa luxuosa paras as águas cerúleas do Caribe enquanto
caçavam sua ilha exótica, onde elas seriam tratadas como princesas, vivendo um
estilo de via tão real e luxuoso que iria fazer com que elas sentissem que estavam
roubando todo o mundo da sua felicidade.
Leslie olhou ao redor da bonita cidade cheia de cores vibrantes, pessoas
bonitas de biquínis e bermudas e percebeu que tudo parecia mais feliz aqui.
Realmente parecia como o paraíso viver aqui.
Ela olhava pela janela, observando enquanto elas serpenteavam até o outro
lado da ilha onde tudo parecia tão incrível, mas desta vez a vista era para o
oceano e o balanço das ondas enquanto elas se refestelavam preguiçosamente até
a praia. Foi o tipo de vista hipnótica que ela olhava enquanto as outras estavam
conversando sobre como a aventura delas seria incrível quando elas finalmente
alcançassem a ilha que estava chamando os seus nomes.
Na marina, havia barcos de pesca misturados com uma série de iates que
estavam cheios de pessoas que já estavam alegremente começando a sua festa,
embora fosse o meio do dia. Leslie as observou, sorrindo enquanto os vários
tipos de música com as quais elas estavam festejando também se misturavam com
os outros ao redor delas. Era uma festa sem fim e as pessoas naqueles barcos
estavam se divertindo, rindo e bebendo seus coquetéis que eram de todos os tipos
de cores enquanto sorriam e acenavam para elas.
O barco que iria transportá-las até o resort na ilha privada que Grant tinha
reservado para elas estava cheio de casais e pessoas que não pareciam o tipo de
festa barulhenta e estridente que estava acontecendo nos barcos ao redor delas.
Elas estavam bebendo champanhe tranquilamente enquanto conversavam entre si e
sussurravam nos ouvidos umas das outras sobre como estavam animadas e
interessadas nas pessoas ao seu redor. Havia algumas que sussurrariam e
conversariam baixinho com aquelas ao seu redor, mas a maioria das pessoas se
mantinha para si mesmas.
A única coisa que Leslie notou era que todas eram incrivelmente bonitas e
belas, todas parecendo que eram a criação de algum artista muito generoso que
tinha capturado com perfeição os desejos do homem. Enquanto olhava para elas,
ela não reconheceu nenhumas, mas percebeu rapidamente que ela estava em
minoria. Josie e Amber estavam sussurrando enquanto reconheciam as pessoas,
contando para Leslie quem elas eram e por que ela deveria realmente se importar
com elas. Leslie fingiu estar interessada, mas não podia deixar de se sentir
culpada por não ter a mesma expressão de espanto e animação que Josie e Amber.
Fama não lhe interessava. Nunca interessou.
Eventualmente todo mundo estava no barco que iria realmente levá-los a sua
ilha de destino. Ela observou enquanto se afastavam. O iate de luxo
transportando-as estava completamente equipado com muitos homens bonitos em
uniformes elegantes caminhando ao redor, oferecendo-lhes lanches e coquetéis
com um sorriso charmoso para mantê-las aquecidas por dentro. Amber estava
praticamente desmaiando com a visão dos diversos homens que estavam mais do
que ansiosos para lhe oferecer seus sorrisos charmosos.
“Acalme-se, garota,” Josie riu à medida que elas se afastavam da ilha festiva
imensamente povoada e se dirigiam para o Caribe. Em pouco tempo elas estavam
caminhando ao redor do barco, conversando tranquilamente com alguns dos
homens que eram mais do que ambiciosos sobre conhecer as pessoas ao redor
deles. Sem dúvida eles estavam mais do que interessados em conhecer a loira
platinada robusta e sua amiga morena ágil. Enquanto as duas estavam ansiosas
para se envolverem com os homens ao redor delas, Leslie estava menos inclinada
para conversar. Ela ficaria de lado, sorrindo e acenando com a cabeça enquanto
elas conversavam sobre seja o que fosse que eles faziam e estavam mais do que
ansiosos em se gabar na frente das três mulheres bonitas.
Dentro de uma hora, houve uma chamada acima que eles estavam se
aproximando do seu destino e a partir da frente do barco, Leslie conseguia ver a
ilha no horizonte. Ela a observou se aproximando cada vez mais dela.
O resort tinha que ter facilmente sete andares de altura, um prédio comprido
que se alastrava por toda a ilha, cercado por uma base de bangalôs, restaurantes,
bares, clubes e um campo de palmeiras que era tão denso quando a grama ao
redor dele. Era diferente de qualquer coisa que Leslie já tinha visto e enquanto
ela estava em pé, apoiada no corrimão, ela se perguntava como alguém poderia
deixar este tipo de lugar. Como eles sequer tiravam as pessoas daqui? Elas não
iriam querer permanecer aqui para sempre e simplesmente apreciar o paraíso com
o qual elas tinham se deparado?
O barco entrou em uma doca, onde os homens mais bonitos que Leslie já
tinha visto estavam esperando com mulheres que eram igualmente
impressionantes, todos eles vestidos com uniformes reveladores e sedutores, mas
que tinham uma maneira de se encolher no pano de fundo. Definitivamente eles
eram bonitos; eles enfatizavam o mundo, mas não eram o foco principal. As
pessoas estavam aqui para se misturarem com os outros convidados e para caçar
outros clientes, não tentar flertar com os funcionários. Enquanto eles a ajudavam
descer com Josie e Amber, ela caminhava com uma expressão desconcertada no
rosto, se perguntando como alguém tinha conseguido todos os suprimentos até este
lugar para realmente construí-lo.
A escritora dentro da sua mente estava ficando louca.
Tudo que ela conseguia pensar era sobre as complexidades do mundo por
trás de tudo isto. Havia tanta coisa que ela sabia que não veria e teve de se
obrigar a não prestar atenção na pequena escritora dentro dela que estava
correndo como uma doida, tentando encontrar uma história que ela não poderia se
dar ao luxo de escrever neste momento. Ela precisava de uma câmera mental para
se lembrar de tudo aqui. Dentro da sua mente, tudo que ela conseguia pensar era
sobre os escândalos sórdidos e os segredos misteriosos que aconteciam entre os
funcionários e os convidados de um lugar tão exuberante e excitante.
Crianças não eram permitidas nas instalações do resort; era um lugar
estritamente adulto para ficar, o que a fez se perguntar que tipo de coisas doentias
e perversas eles faziam aqui, mas isto era a escritora dentro dela também.
Qualquer escritor presumiria imediatamente que havia algo acontecendo nos
bastidores, independentemente se isto estava acontecendo ou não.
Ela colocou seu cérebro em pausa. Ela sabia que precisava trancar aquela
pequena escritora e simplesmente jogar a chave fora por um tempo. Memorize
tudo, garota. Guarde tudo isto para depois.
Na recepção, elas foram recebidas por uma mulher charmosa e bonita que
tinha uma espécie de sorriso que poderia matar um anjo. Ela tinha um brilho nos
olhos que iludia mistérios e segredos deste lugar. Como se ela conhecesse o
bilhete para se divertir na ilha.
“Oi, Sou Charlene,” ela disse com um sorriso brilhante e radiante e a
personalidade mais fofa que Leslie já tinha visto. Ela queria pegá-la e levá-la
para casa com ela. “Bem-vindas ao Paradiso. Gostaríamos de recebê-las e
oferecer-lhes toda a experiência que vocês estão procurando aqui. Se aventura ou
relaxamento, vai ser uma experiência ótima para vocês, eu garanto. Há alguma
pergunta que vocês precisam que seja respondida antes que eu lhe dê seus quartos
e acesso a eles? Estou mais do que disposta a lhes dar qualquer conselho ou
mostrar-lhes ao redor.”
“Acho que estamos bem,” Josie disse, olhando para Amber e depois para
Leslie. “Acredito que explorar vai ser metade da diversão.”
“Absolutamente,” Charlene respondeu com uma risada. “Lembre-se, a
qualquer momento, se ficarem perdida nas suas aventuras e explorações, podem
sempre perguntar para um membro da equipe como chegar ao seu destino ou onde
quer que vocês queiram ir. Mas sintam-se à vontade para caminhar pelo resort e
ver quaisquer atrações que queriam descobrir. Vocês irão se divertir muito.”
“Obrigada,” Leslie disse, assumindo a liderança de Josie.
“Qual era o seu sobrenome?” Charlene perguntou. “Irei fazer o seu check in
e levá-las ao seu quarto.”
“Thompson,” Leslie respondeu, usando o sobrenome que Grant tinha lhe
dado para usar enquanto ela estava na sua pequena aventura. Ele tinha insistido
que ela ficaria melhor se ele lidasse com tudo em seu nome. Ela não tinha
discutido.
Charlene verificou o computador e depois olhou para cima imediatamente,
olhou para a tela e depois para Leslie de novo. “Você está na nossa suíte platina,”
ela disse, com um sorriso grande e brilhante no rosto. “Eu sinto muito;
normalmente sou informada sobre as celebridades que juntam a nós, mas nunca
recebi um memorando ou dossiê sobre você. Peço desculpas sinceras. Eu não a
reconheci.”
“Oh, não se preocupe sobre isto,” Leslie sorriu, pensando rápido. “Ninguém
me conhece. Apenas tenho um namorado rico e louco.”
“Nós não sabíamos também,” Amber disse com um encolher de ombros.
“Somos suas namoradas também.”
“Sim, eu também não sabia. Não até três dias atrás ou algo assim,” Josie
acrescentou, pressionando os lábios com força para evitar sorrir.
Os olhos grandes de Charlene ficaram ainda maiores. “Bem, parabéns pelo
seja o que for em que vocês são tão bem-sucedidas.” Ela ergueu as sobrancelhas,
tentando dizer algo- qualquer outra coisa, mas nitidamente insinuando habilidades
no quarto. Ela inclinou-se para o lado na postura mais amável e constrangida que
Leslie já tinha visto. Definitivamente ela iria roubar a pequena Charlene e torná-
la uma personagem no próximo livro que ela escrevesse. Caramba, ela poderia
nem matar a personagem de Charlene; ela era tão fofa.
“Obrigada,” Leslie corou. “Todas nós vamos dispensá-lo depois destas
férias.”
Amber deu uma risadinha e Josie deu-lhe uma cotovelada, para avisá-la para
parar.
“Bem, então, venham comigo,” Charlene fez um grande gesto exagerado que
foi abrangente e grandioso. Isto as fez rir. “Toda a sua bagagem foi levada para os
seus quartos para vocês. Prometo que suas férias irão estar à altura dos padrões
elevados que colocamos sobre nós mesmos. Provavelmente vocês estão cientes
que este é um resort bastante elitista e luxuoso que atende alguns indivíduos muito
proeminentes. Pedimos que quaisquer celebridades que encontrem no local sejam
tratadas com respeito e dignidade. E eu lhes garanto que vocês receberão o
mesmo dos funcionários. Sem momentos de fãs aqui, eu prometo.”
“Graças a Deus,” Amber disse sarcástica.
“Eu sei,” Charlene riu. “Eu preciso dizer esta coisa. Mas eu lhe garanto que
vocês vão se divertir. Temos cinco bares diferentes, sete clubes diferentes,
dezoito tipos diferentes de restaurantes todos variando em estilo e importância.
Há um cinema, seis piscinas, jet skis e todo um conjunto de atividades que temos
para vocês participarem. É claro, tudo isto está incluído no pacote que vocês
compraram, então sintam-se à vontade para apenas mostrar o seu cartão platina
quando estiverem em qualquer um dos locais no resort.”
Elas subiram no elevador até o último andar do hotel onde havia um bar e
restaurante abertos vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana e uma
piscina privada para os titulares do cartão platina. Havia várias pessoas na
piscina e no bar, se misturando e conversando.
Charlene abriu o braço. “Vocês somente terão acesso a este andar com o seu
cartão platina. Isto ajuda a manter a natureza exclusiva deste andar e tenho certeza
que vocês apreciarão a privacidade também.” Ela as conduziu pelo bar e Leslie
olhou para dentro, reconhecendo várias pessoas da televisão no bar, conversando
e esfregando os ombros com os outros membros de elite da sociedade escondidos
lá dentro. “Aqui estamos,” Charlene disse, abrindo a porta para a suíte no final do
corredor.
Tudo era branco e acentuado com ouro. Grandes vitrais e claraboias
elevadas iluminavam toda a sala que era tão chique e tão bonita que Leslie deixou
escapar um grito com as outras garotas quando elas olharam para a suíte enorme.
Havia uma sala de estar enorme, uma cozinha completamente equipada e uma sala
de jantar, além de um banheiro enorme que era maior do que o apartamento de
Leslie e cada uma delas tinha um quarto maior do que o andar delas em Nova
York.
“É bom o suficiente para vocês?” Charlene perguntou, sorrindo para as suas
reações a suíte enorme.
“É incrível,” Amber disse, abraçando-a. “Se, em algum momento, você
estiver de folga ou em um intervalo, por favor, venha nos visitar. Nossa casa é sua
casa.”
“Você quase acertou,” Charlene riu. “Obrigada pela oferta, mas não estou em
casos com garotas. Vejo as senhoras por aí. Divirtam-se.”
As garotas caíram na gargalhada quando a porta fechou.
Leslie balançou a cabeça. “Nós armamos isto para nós mesmas. Cada uma
tem o mesmo namorado?”
“Você é a escritora,” Josie zombou e deu uma risadinha. “Você começou a
linha de pensamento. Nós apenas tivemos de continuar com isto. É nosso
namorado nos mimando neste final de semana. Mesmo aqui você sente a
necessidade de manter um segredo?”
“Melhor prevenir do que remediar.” Leslie encolheu os ombros e piscou.
Suas malas estavam todas colocadas em uma pilha ao lado da entrada. O
silêncio repentino na sala tornou-se uma presença real que foi difícil de ignorar.
Ele pareceu tão potente e poderoso que Leslie sentiu que não poderia fazer um
som enquanto olhava para as outras garotas, todas sorrindo e tentando arduamente
não cair na gargalhada com a animação.
Fechando os olhos e deixando a cabeça cair para trás, Leslie gritou.
Imediatamente Amber e Josie se juntaram.
Estas seriam as férias de uma vida.
O que acontece aqui, fica aqui.
De repente Leslie não conseguiu impedir a animação correndo pelas suas
veias.
Capítulo 7

Levou algumas horas e uma garrafa de champanhe antes que elas terminassem de
explorar toda a suíte. A risada delas não parava. Nenhuma delas sabia o que fazer
com todas as coisas bonitas e caras que haviam ao redor. Qualquer uma das
decorações, se elas apenas as enfiassem nas suas malas e voltassem para Nova
New York, seria o suficiente para pagar o aluguel delas. Era tão ridículo e
maravilhoso ao mesmo tempo que Leslie não sabia o que fazer com tudo isto.
Nem suas colegas.
Enquanto estavam deitadas na cama que estava marcada como de Leslie, elas
comiam da geladeira e armários completamente abastecidos, mastigando
biscoitos e batatas fritas enquanto bebiam de garrafas minúsculas de bebida
alcoólica, agora que a champanhe tinha acabado. Havia tantas coisas que elas
poderiam fazer e era tão fabuloso e fascinante ao redor delas que elas apenas
ficaram deitadas lá, deleitando-se com o brilho de tudo.
“Nunca gastei tanto dinheiro,” Leslie confessou, sorrindo com a ostentação
repentina. “Nunca gastei nada perto disto em algo que não fosse uma dívida ou
despesas básicas.”
“Uau,” Amber disse, encolhendo-se e afundando-se na cama luxuosa. “Eu
seria pobre e endividada se pagasse pelas minhas férias aqui. Obrigada por nos
trazer.”
“Esta é a diferença entre vocês,” Josie impediu que Leslie respondesse. “A
diferença entre você e eu é que eu nunca tive tanto dinheiro em primeiro lugar. E
você, Leslie,” ela disse, apontando em círculos e dando risadinhas, “eu teria
escrito um livro e acabaria com isto. De maneira nenhuma eu teria tanta escrita
em mim.”
“Você é uma artista incrível, Josie,” Amber repreendeu. “Assim que a
pessoa certa ver isto, você será rica como Leslie.” Ela suspirou. “Mas eu estaria
exatamente onde estou agora. Não sou artística ou única assim. Trabalho em um
bar. Sim, sou boa nisto, mas o que há no futuro para mim? Uma loba de bar em
vinte anos?”
“Não,” Leslie balançou a cabeça. “Você tem habilidades com as pessoas,
Amber. E Josie, você é talentosa. Eu tive sorte. E depois azar.” Ela pensou sobre
Michael e com culpa tentou afastá-lo dos seus pensamentos. Ela precisava deste
final de semana sem ele. Ela suspirou. “Para que serve o dinheiro se você não
gastá-lo? Estou feliz que vocês duas decidiram vir comigo ou eu apenas ficaria
nesta cama o tempo todo.”
Amber deu uma risadinha. “Sozinha? Ou na companhia de algum homem
incrivelmente sexy?”
“Falando nisto,” Josie disse, pulando da cama, “onde nós vamos jantar? Há
um bilhão de lugares para comer aqui e eu digo que devemos aproveitar ao
máximo. Deveríamos comer em todos eles. E encontrar um cara sexy em cada um
deles!”
“Como você mistura cama e comida?” Leslie caiu na gargalhada e levantou-
se da cama.
“Ugh,” Amber rosnou nauseada. “Tudo que tenho conseguido sentir o cheiro
desde que descemos do avião é do oceano. Se vou comer frutos do mar, é melhor
ser bem frito e em um taco.”
“Ótimo,” Josie sorriu. “Leslie? Você quer taco de peixes?”
“Quem não quer?” Na Califórnia, Michael e ela iriam... Não! Ela se
recusava a deixar a nostalgia e a lembrança de Michael atormentá-la durante as
férias inteiras. Ela iria criar novas lembranças nesta viagem. Não havia tempo
para tristeza e dor.
“Então está decidido.” Josie jogou o menu de lado.
“Agora apenas temos de descobrir o que vamos usar,” Amber gemeu.
Ela estava certa. Pela próxima hora, foi um desfile de moda sem fim,
experimentando todas as roupas em que elas tinham gasto uma quantia exorbitante
dinheiro que Leslie sequer notaria na sua conta bancária. Na verdade, toda esta
aventura sequer reduziria a sua conta. Era algo que ela não queria contar para as
outras.
Contudo, foi mais uma hora antes que elas decidissem o que usariam e em
seguida começaram todo o processo de se preparar para realmente se
apresentarem ao mundo que estava vivendo aqui nesta ilha perfeita. O objetivo
era parecer sexy e feroz ao mesmo tempo. Havia mulheres e homens bonitos por
todos os lados. Elas queriam se destacar apenas um pouco, o que seria muito mais
difícil do que elas acreditavam. Esta era a ilha das lobas, esposas troféus,
amantes e herdeiras do mundo. Quando deixaram a suíte, caminharam até o
elevador, sentindo que tinham uma chance de lutar.
O bar era sedutor, mas sempre seria. Este era o lugar que elas iriam quando
queriam voltar para o quarto, mas não sabiam se estavam prontas para encerrar a
noite.
Leslie espiou a claraboia enorme que iluminava o bar e restaurante
brilhantes. Um homem sentado no bar chamou sua atenção. Ele usava chinelos,
calça cáqui e uma camisa de botões malva com as mangas arregaçadas. Sem
dúvida ele era o tipo de homem que se cuidava, só pelo seu corpo e constituição.
Josie a puxou assim ela não teve tempo de inspecioná-lo mais. Sua imagem ficou
entranhada na sua mente. Ele estava sentado sozinho, debruçado sobre a sua
bebida enquanto as pessoas ao redor dele se misturavam e estavam animadas
sobre o mundo exótico ao redor delas. Ele era a única pessoa sentada lá, triste e
deprimida.
“Vamos lá, Leslie!” Amber agarrou sua mão e a puxou para alcançar Josie.
“Sinto muito.” Leslie olhou para o bar mais uma vez. Ela não conseguiu mais
ver o estranho bonito e triste.
As garotas encontraram um restaurante a uma curta distância e sentaram-se
para ter uma refeição. Imediatamente Josie e Amber estavam observando e dando
risadinhas enquanto os homens do bar já estavam olhando para elas.
Leslie olhou para o seu prato, surpresa com a facilidade com que as outras
duas garotas na mesa reagiam e flertavam com olhares ou sorrisos. Ela sentiu-se
como se estivesse no ensino médio de novo e não fazia ideia como chamar a
atenção de um cara. Nem sabia se realmente queria um. Ela não sentia que era
sexy. Não ajudava que ela encontrasse algo errado com cada cara lá. Um tinha um
nariz grande, era muito tolo quando veio falar com elas ou outro era muito baixo.
Havia um motivo para cada um deles não trabalhar por ela.
Elas não conseguiram comer o seu jantar em paz sem os caras aparecendo e
se apresentando, perguntando quais eram os seus planos para as suas férias no
resort. Amber e Josie mantinham a trilha de homens entretidos, rindo, bebendo e
conversando uns com os outros. Sempre que a discussão era jogada para Leslie,
ela sentia que se atrapalhava ou apenas passava por tudo isto com um encolher de
ombros. Eventualmente, o interesse deles voltava para onde sempre esteve em
primeiro lugar. Eles conversariam com Amber, cujos seios eram grandes, seu
abdômen perfeitamente esculpido exibindo quando ela ria. Ela parecia como um
anjo doce e vagabundo. Josie usava um vestido curto que abraçava seu corpo
flexível e pequeno, fazendo com que eles babassem querendo passar as mãos ao
longo do tecido do vestido para sentir quão firme e perfeito seu corpo realmente
era. Sua natureza artística cativava os homens também.
Quanto a Leslie, ela era apenas a ruiva tímida comendo seus tacos e
apreciando-os um pouco demais quando deveria ter estado prestando atenção na
conversa e drinques fluindo pela mesa.
“Josie, você quer ir dançar?” um cara chamado Brody perguntou,
empurrando um polegar por cima do ombro. “Há um clube aqui que toca a melhor
dance music caribenha que você já ouviu. É tudo ao vivo, não aquela merda
eletrônica de DJ que você vê nos outros clubes. Acho que você irá gostar muito.”
“É claro,” Josie disse, olhando para as outras duas e encolhendo os ombros
enquanto se levantava e seguia o homem bonito para ir dançar.
A reação instintiva de Leslie era lhe dar um spray de pimenta, só para o caso
que ele fosse a maior aberração do mundo, mas ela deu uma risadinha quando
percebeu que a pequena escritora em pânico dentro dela estava exagerando.
Provavelmente ele era um cara perfeitamente normal que não estava interessado
em estuprá-la e matá-la.
“Amber, deixe-me pegar outra bebida para você,” Mikhail, o modelo bonito
disse, empurrando para trás as suas próprias mechas platinadas enquanto estendia
a mão para ela. Sem dúvida todos os caras decidiram que este era o momento de
começar a separar o trio e surpresa, surpresa, ninguém queria acabar com ela.
Amber olhou para Leslie, sem dúvida culpada sobre abandonar sua amiga,
mas nitidamente querendo ir com o gato alemão oferecendo para deixá-la bêbada,
uma das coisas em que Amber realmente se destacava. Ela era como Marion,
bebendo todos os nativos debaixo da mesa sem sequer piscar um olho.
“Vá em frente,” Leslie disse, acenando com a mão para afastar a culpa que
Amber estava sentindo. “Estes tacos não me caíram muito bem. Acho que vou
encerrar a noite cedo e entregar-me para tudo bem cedo amanhã.” Ela estava
mentindo, mas Amber não precisava saber disto.
Estas foram as palavras mágicas que liberaram Amber do seu vínculo com
Leslie. Ela levantou-se e caminhou com Mikhail, saindo do restaurante para
algum outro bar onde Mikhail tinha, sem dúvida, pego alguma outra mulher na
noite anterior.
De novo, Leslie teve de resistir ao desejo de dar o spray de pimenta.
Sentada sozinha no restaurante mexicano, ela viu os casais escondidos nos
cantos da sala cavernosa. Todos eles estavam habitando apenas na iluminação
fraca e nas sombras da sala festiva, apreciando a companhia um do outro, olhando
nos olhos uns dos outros e se divertindo, apenas os dois.
Não foi nostalgia que atingiu Leslie enquanto ela olhava para eles. O fato
triste que afundou na sua mente foi que ela não sabia mais como ter isto. Como
alguém flertava depois que o amor tinha ido embora e você sabia que nunca iria
encontrá-lo de novo?
Ela agradeceu ao garçom quando ele veio limpar a mesa e terminou a taça de
vinho que estava bebericando. Ela precisava de algo mais forte.
“Encare isto, Leslie,” ela murmurou para si mesma. Como os personagens
nos seus romances, ela obrigou-se a confessar qual era realmente o problema. Ela
não sabia com conseguir a única coisa que ela mais queria na sua vida neste
momento, que era o entrelaçamento dos dedos, o olhar nos olhos um do outro e
deslizar com muita alegria para o abraço do outro, nunca olhando para trás. Ela
era uma romântica e desejava ter o que ela dava para Tiffany Black e todos os
outros personagens nos seus livros.
E, no entanto, ela não se sentia como se fosse a autora das suas próprias
histórias. Parecia que ela era a vítima sendo arrastada através de uma série de
eventos chatos, apreciando os confortos da vida, sem arriscar nada. Na verdade,
ela era pior do que o personagem mais chato que ela tinha escrito. É claro, ela
acreditava que era responsável pela sua vida e que era capaz de fazer coisas
maiores, mas não da maneira que ela estava vivendo.
Ela não precisava de uma alma gêmea; ela teve Michael e o perdeu. Mas ela
realmente queria ser tocada. Sentir o hálito quente de um homem na sua pele nua,
senti-lo tocando-a e a enlouquecendo. O calor que somente o sexo poderia
fornecer.
Isto não aconteceria se ela mantivesse seus padrões ridiculamente elevados.
Foi por isto que ela tinha dito para Grant que ela precisava de algum lugar
tranquilo e quente. Ele sabia o que ela queria dizer. Nenhum homem hoje à noite
atendeu aos seus padrões. Ela apenas ficou sentada e querendo que o mundo
jogasse o homem perfeito na sua vida.
É claro, Josie e Amber não encontrariam aqui um homem que iria lhes dar o
romance para acabar com todos os outros romances, mas pelo menos, elas
estavam procurando e estavam abraçando a animação ao redor delas. Elas
estavam mergulhando de cabeça.
Por que ela não poderia?
Leslie era sexy. Os homens lhe diziam como ela era sexy o tempo todo. Ela
morava em Nova York no final das contas, não que os padrões deles fossem
ótimos. Ela seria olhada na academia e receberia assobios quando caminhava até
a mercearia na sua calça Lululemon. Não era como se ela estivesse tentando. Se
ela realmente tentasse... Ela suspirou. Enquanto olhava para a sua taça vazia
descansando no joelho, ela notou as pernas musculosas e macias e decote alegre,
sabendo que tinha perdido a oportunidade só porque ela tinha sido patética.
Perdida no passado. Perdida no nada.
Ela tinha feito isto a si mesma. Ninguém mais para culpar. Ela se levantou e
atravessou o resort, caminhando lentamente enquanto tirava os saltos altos e
olhava para todo mundo ao redor dela tendo a diversão aventureira que ela estava
ignorando.
Amanhã, ela acordaria e tentaria com mais ardor.
A equipe sorriu para ela e da recepção Charlene sorriu radiante e acenou
para ela com tal animação e atitude alegre que quase parecia contagiosa. No
momento em que Leslie alcançou o elevador e passou seu cartão platina, ela tinha
perdido tudo isto. Ela estava completamente deprimida.
“Nunca vou encontrar o amor,” ela disse para a câmera no elevador. “Este
navio já partiu.”
Quando as portas do elevador se abriram, ela se arrastou pelo corredor,
deixando os ombros caírem e não dando a mínima para o mundo. Ela não se
importava se alguém a visse e achasse que ela era a garotinha mais triste em todo
o resort. Ela podia ver a suíte no final do corredor e sabia que deveria ter trazido
suas calças de moletom. Esta era a noite perfeita para se arrastar para dentro
delas, afundar na cama e assistir Netflix até que ela chorasse até dormir. É claro,
isto não era uma opção, porque a única roupa confortável que ela tinha trazido era
sua roupa íntima, biquínis e roupas de ginástica para a academia. Algo dentro
dela lhe disse que ela não escaparia tão facilmente.
É claro, sempre havia o bar, que ela eventualmente entrou. Ela passou pelas
pessoas felizes e alegres que estavam começando realmente a irritá-la da maneira
errada e colocou os sapatos em cima do bar antes de se jogar em um banquinho
luxuoso que pareceu abraçar seu bumbum antes que o garçom se aproximasse
dela, todo musculoso e bonito.
“O que será?” ele perguntou de uma maneira que ela fez uma careta de
desgosto.
“Gim e tônica,” ela disse com um encolher de ombros. “Com uma lima.” Por
favor.
“Você conseguiu, bonita.” Ele piscou para ela e foi trabalhar.
Leslie queria estender a mão sobre o balcão e dar um soco na sua cara. Ela
iria matá-lo no seu próximo livro.
Ela olhou pelo bar e notou que o estranho bonito de mais cedo ainda estava
lá, alguns copos ao redor dele, uma garrafa de cerveja e um copo do que parecia
Bourbon com uma folha de hortelã na sua frente.
Agora aquela é uma vista com a qual eu posso trabalhar. Só os óculos. Isto
foi o suficiente para ela começar uma história inteira — uma narrativa inteira.
Quem era este cara e quem partiu o seu coração? Ela sorriu ligeiramente e olhou
para o rosto do homem e congelou.
Aquelas maçãs do rosto, aquela linha da mandíbula, aqueles lábios incríveis
e aquele queixo extremamente bonito. Tudo isto era tão familiar que ela sentiu que
estava olhando para uma foto que ela tinha memorizado há muito tempo. Ele era
familiar, mas ela não conseguia identificá-lo. Seu cabelo curto estava espetado na
frente, não de uma maneira dura, mas uma onda suave e fofa de cabelo. Ele estava
fazendo uma tentativa fraca em esconder sua identidade, o que não fazia nenhum
sentido já que havia uma dúzia de outras pessoas mais famosas neste bar e
restaurante neste momento, misturando-se a luz das estrelas e a iluminação fraca
que enchia a sala e a piscina.
Oh merda!
Ela sabia exatamente quem era o homem bonito.
Capítulo 8

Ela nunca tinha pensado que iria encontrar o pedaço bonito de carne de Conrad
Dane pessoalmente, bem aqui, sentado no bar a alguns assentos dela, nitidamente
cuidando da ferida da sua ex perdida. Ela podia sentir um formigamento no ar,
algo elétrico.
Era uma daquelas interseções do destino que pareciam muito por acaso para
confiar. Ela olhou para sua imagem no espelho atrás do bar e empurrou
distraidamente uma mecha do cabelo atrás da orelha. Ela pensou sobre Amber,
que provavelmente estava enfiando a língua pela garganta de algum alemão sexy
enquanto Josie estava se esfregando em algum corretor jovem e ridiculamente
rico. Elas estavam lá fora vivendo a vida e fazendo o que queriam para caçar a
emoção excitante do amor e aventura enquanto ela estava deixando mais uma
oportunidade passar. Ela deveria se levantar do seu banquinho e realmente fazer
algo que fosse atrevido e audacioso.
Depois que ela terminasse a sua bebida, ela faria isto.
Ou talvez depois da próxima.
Não.
Ela não se moveu do banco.
Eventualmente, os ricos e famosos juntos com suas comitivas de convidados,
amigos e parceiros saíram do bar, as horas definhando e era mais tarde do que
Leslie achou enquanto ela terminava o seu terceiro ou quarto gim e tônica —
agora com uma fatia de limão.
Ela olhou atrás dela, percebendo que agora estava sozinha com Conrad e o
garçom.
“É o meu intervalo,” o garçom lhe disse com um sorriso charmoso. “Você
precisa de algo antes que eu saia?”
“Estou bem,” Leslie disse, completamente desanimada pela natureza cliché e
cafona deste estereótipo ambulante. Era como se ele tivesse assistido um punhado
de filmes noir e se candidatado para este emprego. O que eles poderiam ter visto
nele para pensar que ele era adequado para o trabalho? Isto a fez questionar todo
este estabelecimento, mas enquanto ela o observava ir ela sabia que este era o
momento quando ela poderia agir e não seria realmente julgada. Se ela queria
falar com Conrad, então ela precisava fazer isto agora. Coragem líquida. Ela
olhou para ele e teve uma sensação ruim nas suas entranhas que era amarga e
vingativa, provavelmente por misturar tacos de peixes com gim e tônica.
“Eu assisto o seu programa de TV,” ela deixou escapar. As palavras
pareceram vazias e quase decepcionadas, como se ela realmente não estivesse
animada ao vê-lo.
Ele olhou para ela através dos seus óculos espelhados de aviador, como se
ele fosse algum cara realmente legal que estava se escondendo. Era quase risível.
Ele sorriu e deixou escapar uma risadinha curta que era tão sarcástica que doeu
quando ela a ouviu. “Sim, muitas pessoas assistem aquela porcaria,” ele disse
com um encolher de ombros. “Mas é um salário, sabe?”
“A escrita é terrível,” Leslie disse após um momento. “Sem mencionar que
nada daquilo faz qualquer sentido.”
“Sim?” ele riu, virando-se para olhar para ela. “Talvez eu deveria dizer aos
escritores que eles deveriam procurar por você.”
Foi engraçado, quase em um sentido irônico, mas de maneira nenhuma ele
poderia saber que estava falando com uma das melhores escritoras em atividade
de todo o país. Caramba, sou uma das maiores do mundo. Houve um momento
quando Leslie estava sorrindo para si mesma. Ela não era uma roteirista, mas
tinha bastante certeza que poderia inventar uma trama melhor do que um triângulo
amoroso com um novo personagem a cada quatro episódios.
Conrad tomou um gole do seu copo de líquido âmbar e deixou escapar um
suspiro muito satisfeito enquanto olhava de volta para ela. “O que você faz?” ele
perguntou após um momento, nitidamente cansado de ficar sentado dentro da sua
própria cabeça e sentindo raiva por causa do rompimento que era tão nítido e
obviamente conhecido ao redor do mundo.
“Escrevo algumas coisas,” ela disse com um encolher de ombros.
“Escrevo algumas coisas?” ele repetiu, tomando outro gole, nitidamente não
satisfeito com a resposta que ela tinha lhe dado.
Leslie não se importou. O fato que ela estava falando com ele era uma das
coisas na sua lista de coisas para fazer que ela não fazia nenhuma ideia que
realmente tinha. Era como se ela estivesse marcando algo de uma lista de
fantasias, como visitar Marte ou montar um unicórnio.
“Que tipo de coisas?”
“Livros, na maior parte.” Leslie encolheu os ombros de novo. “Não é tão
interessante.”
Ele assentiu, nitidamente sem saber o que deveria fazer com isto.
Leslie chutou-se, sabendo que realmente não havia nada que alguém poderia
ter feito com isto. Ela tinha praticamente arremessado uma granada e dito para ele
pegá-la, esperando que ele não se atrapalhasse e explodisse a si mesmo a
caminho do tédio. Muito bem, Leslie. “Então o que traz você aqui?” ela
perguntou, de repente percebendo quão óbvia era a resposta. Ela iria parecer que
vivia debaixo de uma rocha ao lhe fazer aquela pergunta. O que ela era, algum
tipo de caipira do mato que nunca conseguiu ver a internet ou televisão? Ou ela
era apenas o tipo de pessoa rancorosa que se interessava em criticar alguém que
tinha acabado de passar por um rompimento doloroso? Leslie conhecia tudo sobre
isto.
Tendo perdido Michael, ela sabia completamente como era para alguém se
jogar ao seu lado com um grande sorriso radiante e perguntar como sua vida
estava indo. Era quase cliché e todo mundo praticava a mentira que eles
alimentariam com uma precisão treinada enquanto rosnavam entredentes para seja
quem fosse o seu novo e fresco atormentador. Foi algo que ela se arrependeu
imediatamente. O que ela estava fazendo? Era como se algum idiotinha tivesse
sequestrado a sua mente e estivesse agora submetendo todos e tudo a sua vontade.
Com um suspiro profundo, ela esperou pela sua mentira inevitável.
Ele fez uma careta e respirou fundo antes de deixar escapar um suspiro
cansado como se ele estivesse lutando com um jacaré que simplesmente não
parava. “Estou passando por um rompimento neste momento,” ele confessou
honestamente enquanto olhava para ela. Seus olhos rapidamente voltaram para a
sua bebida que estava ficando perigosamente baixa e sem dúvida começando a
incomodá-lo. Quando tudo estava dando terrivelmente errado na vida de uma
pessoa, o álcool normalmente era a única coisa que eles achavam mais
reconfortante. Deixava sua mente vagar sem ser apanhada e sugada por
redemoinhos que simplesmente deixariam tudo muito amargo e muito doloroso de
reviver. Então o álcool era a graxa que deixava as rodas se moverem livremente,
escorregando e descendo pelos tubos.
“Sinto muito,” Leslie disse, olhando de novo para o seu próprio copo vazio.
Onde o garçom foi? Quanto tempo era o seu intervalo? Quatro horas! Ela
tamborilou os dedos de maneira nervosa sobre o bar, esperando que algo
preenchesse o silêncio. Ao virar-se e olhar para ele, ela decidiu que era hora
para ela ser franca também. Talvez era assim que você conseguia que as pessoas
se abrissem e realmente conversassem com você. Em retrospectiva isto poderia
parecer uma ideia horrível, mas ela estava indo por isto. Ela era completamente a
favor neste momento. “Meu marido morreu há um ano,” ela disse com um
encolher de ombros como se não fosse grande coisa. Foi como chutar uma bomba
nuclear. Grande coisa ou não.
Ele virou-se e olhou para ela, de repente conseguindo alguma perspectiva
sobre tudo que, sem dúvida, iria fazer com que ele sentisse que estava sendo um
pouco infantil neste momento. O pensamento de ter de passar pela vida sem o seu
esposo ao invés da sua namorada poderia parecer como uma grande luta, mas não
era o que Leslie queria. “Preciso pagar uma bebida para você,” ele disse com um
sorriso. Talvez foi o conforto que poderia ter vindo com a promessa implícita que
Leslie não estava aqui para flertar explicitamente com ele ou para falar sobre a
sua fama e popularidade. Isto poderia ter tido algo a ver com o porquê ele decidiu
se abrir. Mas ela observou enquanto ele se levantava do seu banco e diminuía a
distância entre eles.
Jogando-se no banco ao seu lado, ele levantou seu copo e o apresentou para
Leslie, pigarreando e tentando descobrir como elaborar as palavras de maneira
adequada na sua mente intoxicada e confusa. “Para as pessoas que perdemos das
nossas vidas,” ele disse após um momento.
Incomodou Leslie que ele estivesse comparando sua namorada traidora com
o fato que ela tinha acabado de perder o seu marido há um ano, mas ela deixou
isto passar. No fim, dor era dor e ninguém precisava medir seus pênis por causa
disto. “Para as pessoas que perdemos,” Leslie repetiu, levantando seu copo vazio
que outrora tinha gim, mas agora nada mais era do que gelo e fatias de limão de
aparência triste.
Os copos tilintaram e fizeram o som mais gratificante do gelo chocalhando.
Era um dos sons que fazia Leslie sorrir, não importa onde ela estivesse. Ela
tomou um gole do seu gim aguado e observou enquanto Conrad esvaziava o resto
do seu Bourbon.
“Onde aquele cara foi?” ele perguntou, lutando contra a queimação do
líquido enquanto ele olhava ao redor pelo garçom
“Acho que nós o assustamos,” Leslie sussurrou enquanto se inclinava na
direção dele. Gim deixava você bêbada das pernas para cima. Sua cabeça parecia
perfeitamente bem até que você percebia que seu cérebro não tinha nenhum
controle sobre o seu corpo.
“Covarde.” Conrad balançou a cabeça. “E daí se ficamos e bebemos alguns
drinques... O que há de errado com isto?”
“Estamos no paraíso,” Leslie disse com um pequeno encolher de ombros
fofo. “Paraíso caro. Comprado e pago pelos nossos dólares arduamente ganhos.”
Ela deu uma risadinha. “Quero dizer, provavelmente estamos diminuindo o nível
de animação deste lugar em alguns pontos. Talvez ele apenas ficou cansado de
nós.”
“Como ele poderia ter ficado cansado de nós?” Conrad franziu o cenho.
“Somos encantadores. Somos hilários!”
Leslie riu. Foi bom. Realmente bom. “Ainda não sei por que você está aqui,”
Leslie disse após um momento, brincando com o gelo no seu copo.
“Estou meio que de férias padrão aqui,” Conrad disse, encolhendo os
ombros e tirando seus óculos. “Na verdade, meu pai era um produtor muito
popular em Hollywood antes de morrer e ele costumava sempre falar deste lugar.
Acho que eu compreendi o porquê agora e não sei se isto era algo que eu queria
saber sobre ele.”
Leslie sorriu com isto. Havia muitas coisas que as pessoas nunca queriam
saber sobre os seus pais. O fato que o pai de Conrad provavelmente tinha vindo
até aqui e flertado com as jovens atraentes esperançosas tentando ser a transa
secreta perfeita do clube das esposas milionárias era algo que ninguém queria
saber sobre os seus pais, mas ela imaginava que havia muito disto por aqui. De
novo, ela sentiu que a pequena escritora dentro do seu cérebro estava tomando
notas em um alvoroço em pânico antes que o álcool apagasse tudo.
Quando o garçom apareceu de novo atrás do bar, Leslie pediu outro drinque
para eles.
Ele insistiu que estava pagando.
“É o lounge platina, senhor,” o garçom disse com uma expressão confusa no
rosto.
Conrad olhou para ele por um momento, piscando até que tudo fez sentido
para ele e tudo começou a disparar dentro do seu cérebro. “Ok, bem, consiga para
esta senhora o seu drinque por favor e aja como se fosse de mim.” Ele encolheu
os ombros e deu para Leslie um tipo de olhar que-diabos-é-o-problema-dele.
Leslie riu e observou enquanto o garçom assentia antes de ir cuidar dos seus
negócios, preparando para Conrad um Old Fashioned, algo que Leslie jamais
poderia esperar dominar. “Este é um drinque agressivo,” Leslie disse, nitidamente
impressionada. Michael costumava bebê-los.
“Tento ser elegante,” Conrad disse após um momento. “Honestamente, não
compreendo o álcool. Você deveria ter um coquetel que possa tolerar ou gostar
nas festas para impressionar as pessoas ou apenas se misturar. Mas quem decidiu
que era importante beber álcool? Quero dizer, é a coisa com pior gosto no planeta
e faz você se sentir bem, mas vale a pena?”
“Leva algum tempo para se acostumar,” Leslie encolheu os ombros. Ela
sempre tinha gostado da maneira como o álcool a fazia se sentir, especialmente
quando estava sozinha e sabia que seu marido estava morrendo. Havia algo
reconfortante sobre o abraço caloroso de uma boa bebida, a não ser que isto
começasse a excitá-la para conseguir alguma vingança. “Menos cerveja,” ela
disse com um encolher de ombros, “irei lhe dar esta. Este é o líquido mais
abominável que já foi criado.”
“Odeio vinho também,” Conrad disse pelo canto da boca antes que os dois
caíssem na gargalhada. “Isto me faz parecer como uma criança de quatro anos,
mas sério, não consigo suportá-lo. Realmente tem gosto de suco de uva ruim.”
“Você é meio esquisitão,” Leslie riu para ele. “Não que eu esteja julgando
você ou qualquer coisa.”
“Você está totalmente,” Conrad balançou a cabeça e passou a mão pelo rosto
enquanto o garçom colocava as bebidas na frente deles.
“Senhora, o cavalheiro gostaria de lhe oferecer uma bebida.” Em seguida ele
desapareceu mais uma vez para fingir que havia algo extremamente importante no
final do bar que exigia sua atenção.
Leslie não era uma boba. Ela sabia que não havia nada lá para ele fazer além
de ouvir a conversa alcoolizada entre duas pessoas que estavam sentadas juntas
agora após ficarem miseravelmente sozinhas durante horas.
“Bem, aqui está aquele drinque que eu lhe devo,” Conrad riu, deslizando o
copo alto com o conteúdo claro na direção dela. Leslie o pegou e olhou para ele,
cooperando com o fingimento. “Gastei uma fortuna nisto,” Conrad continuou, “e
ouvi dizer que é completamente palatável, para os seus gostos muito elegantes.”
“Ora, obrigada,” Leslie sorriu, aceitando-o dele.
“Lamento ouvir sobre o seu marido,” Conrad disse, engolindo em seco e de
repente sentido o peso do que ele estava fazendo. Foi algo que nitidamente o
atingiu, trazendo à tona as feridas que ambos estavam tentando esconder do
mundo. Não era como se ela estivesse muito ansiosa para falar sobre isto, mas foi
o fio comum que os uniu no final das contas. Ela piscou algumas vezes e tomou
um gole, sentindo a queimação que a atingiu após um segundo.
Ela observou enquanto ele tomava um gole do Old Fashioned que tinha
estado tão determinado em beber. Leslie nunca compreendeu por que alguém
bebia uma bebida alcoólica que não tinha um gosto absolutamente fabuloso, mas
se perguntava ainda mais por que alguém que odiava bebida alcoólica pediria
algo que não era nada mais do que álcool puro. Talvez ele fosse apenas um
masoquista por natureza. Ela riu da careta que surgiu no seu rosto, espalhando-se
como um fogo sem controle que o fez estremecer e engolir rapidamente o resto da
bebida, somente espalhando o gosto incendiário pela sua garganta antes que ele
começasse a tossir.
“Achei que poderia vencê-lo,” ele disse, tossindo e engasgando enquanto
Leslie ria da sua expressão e dava um tapinha nas suas costas. Foi a coisa mais
engraçada que ela tinha visto há muito tempo e enquanto ele tentava se recuperar e
manter sua reputação, ele sacudiu o gosto ruim e em seguida olhou para ela.
“Então o que a traz até a ilha?” ele perguntou, afastando a conversa do manuseio
vergonhoso da sua bebida.
“Estou tentando fugir,” ela disse com honestidade, sem sentir absolutamente
nenhuma vontade de mascarar a sua vida para este homem. É claro, ele era
incrivelmente bonito, mas tinha acabado de sair de um relacionamento sério ou
algo assim. De maneira nenhuma ele estaria interessado nela. Isto era
praticamente uma situação tão segura com um cara fofo em que ela poderia se
envolver. “Há dois anos meu marido foi diagnosticado com câncer terminal e ele
escolheu combatê-lo por um ano antes que isto conseguisse o melhor dele.
Durante o último ano, eu não me joguei em nada além do trabalho e tem sido
realmente difícil. Honestamente, nem parece que já se passou um ano, mas isto é o
que o calendário me diz. Deprimente, eu sei.” Ela girou seu copo. “Então,
imaginei que era hora de sair e apreciar um pouco a vida. Ver como a outra
metade vive.”
“Uau,” Conrad disse, balançando a cabeça em espanto. Ele olhou para ela
por um longo momento como se comparando seu rompimento com a perda dela.
Ele balançou a cabeça de novo. “Isto teve que ser horrível. Como caminhar pelo
inferno.”
“Foi.” Ela engoliu em seco, sem saber por que ela estava contando para ele
sobre Michael. Ela mal conseguia pensar sobre ele, muito menos falar com um
completo estranho sobre como ela se sentia vazia. “Foi horrível enquanto ele
estava doente. Quero dizer, Michael foi fantástico durante tudo isto... incrível.
Mas ...” ela suspirou e limpou o rosto, procurando por lágrimas, “ainda é uma
droga. Eu não desejaria isto para ninguém. Então ele morreu. Eu estava esperando
que isto aconteceria e então quando ele realmente se foi como se eu não tivesse
esperado por isto. É difícil de explicar. Então eu me mudei. Enterrei-me no meu
trabalho.”
“E agora isto parece vazio.”
“Sim.” Ele acertou no alvo com este simples comentário. Ela olhou para sua
mão direita. “Meu coração. Tudo dentro de mim. Até mesmo minhas mãos
parecem vazias. O que eu não daria para segurar sua mão de novo.” Ela forçou
um sorriso. “Então, de qualquer maneira. Faz um ano agora... quase até a data e
aqui estou eu.” Ela levantou seu copo. “Seguindo em frente.”
“Porra,” Conrad balançou a cabeça de novo. “Faz todos os meus problemas
parecerem como nada.”
“Perda é perda.” Leslie estava contente que os drinques estavam
entorpecendo um pouco da sua dor. “Dói não importa como acontece.”
“Sim, mas mesmo assim...” Os bonitos olhos verdes azulados de Conrad
sustentaram o seu olhar . “Acabei de terminar as coisas com a minha esposa.
Idiota, eu sei. Você passou pelo inferno por amor e eu estou alimentando um
coração partido porque a minha esposa me disse que estava me traindo. Ela
admitiu isto por culpa e em seguida tentou mudar isto para me provar que ela
realmente me amava. Ela disse que não teria me contado se realmente não me
amasse.”
“Culpa não prova amor,” Leslie respondeu. “Parece que ela estava apenas
tentando limpar sua consciência.” Não cabia a ela julgar, mas ela odiava esta
mulher por partir o coração de Conrad.
Ele zombou. “E então ela passou a dizer que era minha culpa que ela estava
me traindo e não planejava romper o relacionamento com o idiota com quem ela
estava transando.”
“Irei bater nela se você quiser.”
Conrad piscou e caiu na gargalhada. Foi uma risada profunda e gutural que
soou incrivelmente sexy. “Você poderia apenas deixar uma garrafa de qualquer
coisa?” Conrad perguntou para o garçom. Ele acenou com a mão enquanto se
levantava e inclinava-se sobre o bar. “Cobre-o ou tanto faz. Inferno, vou pegá-lo.”
“É claro,” o garçom disse, oferecendo-lhes um sorriso desajeitado como se
não estivesse ouvido como suas vidas eram miseráveis.
Conrad estendeu a mão sobre o bar e trouxe uma garrafa de gim até ele e a
colocou entre os dois.
“Conte-me sobre a sua esposa,” Leslie disse depois que Conrad acrescentou
gim ao seu gelo derretido e aceitou o copo com gelo fresco do garçom para o seu.
Tristeza realmente adorava companhia.
“Não há muito para contar.” Conrad aceitou a fatia de lima que Leslie
ofereceu do prato sobre o bar, ignorando a risada do garçom. “Eu me apaixonei
por ela quando estava no ensino médio. O pai dela era um diretor de vídeos
musicais e conseguiu o meu primeiro bico quando eu era jovem. Meu pai queria
que eu conseguisse isto sozinho e minha mãe não era de muita ajuda. Tudo que ela
se importava era sobre os comprimidos e as festas. Então nós meio que
crescemos apaixonados. Eu tive a minha primeira paixão por ela e ficaria com ela
durante tudo isto. Quando finalmente fui descoberto, fiz todas aquelas promessas
idiotas e ingênuas que todo ator em ascensão faz para a garota da sua cidade natal
e disse-lhe que não seria tentado ou persuadido por ninguém durante tudo isto.”
“Você a traiu?” Leslie disse, de repente não gostando de Conrad quase tanto
quanto ela tinha quando entrou no bar.
Mas Conrad apenas sorriu e balançou a cabeça, servindo-se de outro copo
de gim e girando-o antes que ele abrisse os lábios e bebesse um quinto do copo.
“Não,” ele respondeu, fazendo uma careta e estremecendo. “Fui totalmente fiel e
comprometido com ela. Os últimos oito anos, eu a mantive comigo e a levei para
todas as festas, premiações, tudo. Quando estava com vinte e um, comprei a minha
primeira casa e nós fomos morar juntos e foi ótimo.”
“Talvez você deveria ter lhe dado um anel primeiro,” Leslie sugeriu. Ela
conseguiu ver onde isto poderia ter dado errado da parte dele. O que ele estava
pensando, mantendo uma mulher bonita por perto sem se casar com ela?
“De maneira nenhuma,” Conrad balançou a cabeça. “Eu estava viajando por
pequenos trabalhos em todos os lugares que eu conseguisse e ela estava
modelando e se saindo melhor do que eu. Quando eu fiz sucesso, nós nos
casamos. Capa de revista inteira e tudo. Ela amou tudo isto.” Ele pressionou os
lábios com força por um momento. “Foi perfeito. Casamento de conto de fadas,
romance de namorados, tudo isto.” Ele colocou o copo para baixo e serviu mais
líquido no seu gelo derretendo. “E o tempo todo ela estava dormindo com outros
caras, tentando aliviar seu estresse ou algo assim.”
“O quê?” Leslie franziu o cenho.
“Ela disse que era a melhor maneira para aliviar o estresse e a tensão era
apenas ter um caso rápido e sem sentido com alguém.” Ele jogou outro limão no
seu drinque. “Ela disse que nunca significou nada e que ela mal conhecia qualquer
um deles.” Ele olhou para Leslie, seus olhos brilhantes com dor. “Como diabos
isto deveria me fazer sentir melhor ou mais indulgente em relação a isto? Inferno,
eu estava tão furioso que fiz minhas malas e fui embora no momento em que ela
me contou. Eu vim para cá. Duvido que ela faça ideia que estou aqui. Há algo
como sete lugares diferentes que ela provavelmente está procurando por mim.
Aposto que é só uma questão de tempo antes que ela apareça aqui.”
“Você está vivendo como um fugitivo,” Leslie disse, balançando a cabeça
sombria e lentamente. A escritora na sua cabeça assumiu. “Isto é sexy. Daria uma
história incrível.”
Conrad caiu na gargalhada e não conseguiu se controlar. Era o tipo de risada
que era profunda dentro dele e fazia seus ombros sacudirem enquanto ele jogava a
cabeça para trás, os ombros inclinados enquanto ria sem controle.
Ela sorriu e encontrou-se rindo também; não que o que ela disse fosse
engraçado, mas porque a risada dele era tão contagiante.
“Aliás, qual é o seu nome? Eu expus meu coração devastado pela guerra e
sequer sei o seu nome. Sinto muito.”
“Leslie,” ela respondeu.
“Você é muito bonita, Leslie. Obrigado por me ouvir sem julgar. Sou
Conrad,” ele disse com um sorriso, estendendo a mão para ela.
“Prazer em conhecê-lo, Conrad.” Uma onda elétrica de excitação percorreu
seus dedos e atravessou a palma da sua mão enquanto ela deslizava os dedos nos
dele. Engraçado, minha mão não está mais vazia. Ela afastou rapidamente o
pensamento. Não era a mesma coisa que ela quis dizer antes quando estava
falando sobre Michael.
“Foi um prazer absoluto conhecê-la, Leslie,” Conrad disse com um sorriso,
olhando para o seu relógio muito caro. Ele trouxe o seu olhar de volta para cima e
seus olhos quase azuis turquesa fixaram-se nos dela. “Realmente não quero dizer
isto de uma maneira sexual,” ele começou.
Ocorreu a Leslie naquele instante que esta era, talvez, a pior maneira de
começar uma frase na totalidade da língua inglesa. É claro, provavelmente você
poderia dizer coisas mais horríveis, mas uma mulher nunca quer ouvir estas
palavras ditas por um homem sexy e muito atraente.
“Mas você quer dar o fora daqui?” ele continuou e então seus olhos
arregalaram. “Oh, merda! Quero dizer, você é deslumbrante. Maravilhosa. Um
corpo muito quente e cabelo sexy.” Ele passou os dedos pelo cabelo. “Eu... Eu
apenas não quero que você pense que estou cantando você.”
De repente Leslie percebeu que a expressão no seu próprio rosto deve tê-lo
feito perceber o que ele tinha dito. Tentando o seu máximo para apagar a
expressão do seu rosto, ela sorriu. Conrad apenas precisava de um amigo. Assim
como ela. Ela olhou para o garçom, que estava olhando para a televisão de
plasma na parede, tentando desesperadamente se tornar invisível. Ela encolheu os
ombros para a oferta de Conrad. “Minha suíte fica no final do corredor,” Leslie
disse uma espécie de atitude indiferente que o álcool exigiu que ela adotasse para
este momento específico.
“Que coincidência, a minha também.” Conrad riu.
“Boa tentativa, campeão.” Leslie afastou-se do bar. “Mas isto é uma coisa
não-sexual que temos acontecendo aqui, lembra?”
“Maldição, nunca vou me recuperar disto,” Conrad disse, balançando a
cabeça com nojo de si mesmo enquanto se afastava do bar pela primeira vez no
que, provavelmente, era uma eternidade. Afinal de contas, por quanto tempo ele
tinha ficado naquele lugar? Provavelmente ele tinha estado lá o dia inteiro e
talvez a noite anterior e talvez o dia anterior. Ele agarrou a garrafa de gim do bar.
Foi um pensamento lamentável e Leslie agarrou seus sapatos antes de
cambalear suavemente enquanto saia do bar e olhava para a vista noturna incrível
que os vitrais grandes ofereciam enquanto ela se virava e seguia para o seu
quarto.
Conrad Dane, o homem mais sexy que ela já tinha visto, seguiu atrás dela,
esfregando a cabeça e rindo constrangido enquanto ela balançava a cabeça em
concordância com ele. “Jamais deixarei você superar isto.”
Ela sorriu quando ele murmurou, “Uma bunda muito bonita também. Só a
minha sorte.”
Capítulo 9

Foi estranho, olhar para Conrad Dane enquanto eles ficavam sentados no sofá
branco extremamente fofo e assistiam algum tipo de filme ruim que Conrad lhe
disse que era tão terrível que eventualmente acabava sendo hilário. Ela colaborou
com a sua pequena promessa, mas na verdade, era apenas um filme horrível e ela
realmente não compreendeu nem por um segundo o que poderia ser hilário sobre
ele. Mas enquanto ele assistia o filme, mastigando frutas secas que eles
encontraram no armário quando atacaram a cozinha, ela olhava para ele e
observava seu rosto com extrema fascinação.
Ela não conseguia superar quão bonito Conrad era. Era impossível para ela
compreender como alguém poderia ser tão bonito. É claro, ele tinha pessoas que
estavam muito atentas para garantir que ele fosse o cara mais bonito e sexy por
perto, mas mesmo assim. Ele estava aqui sem nenhuma equipe seguindo-o e ele
era muito sexy. Havia alguma base genética de beleza natural séria ali e a estava
deixando louca. Seus lábios por exemplo, nunca existiu lábios que fossem tão
bonitos e ela tinha certeza disto.
Ela estava morrendo de vontade de saber qual seria a sensação deles nos
seus lábios. Qual seria o seu gosto.
Ele assistia o filme, ela o observava. O homem era impecável. Perfeito. Um
corpo duro como rocha, peito e abdominais sensuais – ela sabia disto por causa
do programa que ela tinha assistido em que ele estava sem camisa – nem um
centímetro dele não era delicioso.
Ela amava Michael, seu corpo e tudo. Mas Conrad...
O pensamento era horrível com certeza.
Não que isto seja uma coisa ruim, Leslie pensou enquanto olhava para a
perfeição em forma humana sentado ao lado dela, comendo frutas secas enquanto
ele assistia um filme horrível e ria com a atuação ruim. Ela esteve loucamente
apaixonada por Michael pela maior parte da sua vida adulta e tinha estado atraída
sexualmente por ele. Eles tiveram um sexo muito fantástico no que lhe dizia
respeito. Mas estar na presença deste homem real e extremamente atraente a
estava enlouquecendo com desejo. Ela queria fazer sexo com ele. Não fazer amor.
Apenas transar. Ela não conseguia se lembrar qual era a sensação deste desejo
puro. Fazia muito tempo.
“Você está encarando de novo,” Conrad disse, casualmente jogando alguns
doces e castanhas na boca enquanto olhava para ela. Ele tomou um gole de gim
direto da garrafa e a ofereceu para ela.
“Você é muito bonito,” Leslie disse casualmente, pegando a garrafa para um
gole e em seguida virando-se para a TV enquanto abraçava os joelhos. Havia um
calor interno pressionando bem profundo dentro dela que estava implorando para
ser satisfeito.
“Você é muito bonita também,” Conrad riu enquanto olhava para a televisão
e assistia o filme por um momento. Ele virou-se e olhou para ela, franzindo o seu
cenho perfeito. “Não, você é absurdamente bonita, Leslie. Como diabos você está
aqui sozinha? E por que você pegou uma suíte se vai somente ficar sozinha aqui?
Por que não pediu um quarto de solteiro?” Ele levantou a mão. “Eu sei por que
você está aqui, mas maldição, mulher, você poderia ter qualquer cara neste resort.
Você disse que veio até aqui para ver como a outra metade vive. Por que não está
dançando e festejando?”
“Por que você não está?” Leslie sussurrou, passando os dedos pelo cabelo.
Não havia como saber onde Josie e Amber estavam neste momento, mas ficar
sentada no escuro e assistindo um filme com Conrad Dane parecia ser uma
maneira muito boa para encerrar a noite. “Duas pessoas bonitas não podem sair
de maneira não sexual?” ela perguntou com uma voz sarcástica. “E não quero que
isto soe tão terrível assim.”
Conrad caiu na gargalhada. Ele lhe deu um empurrão de brincadeira e Leslie
sabia que era qualquer coisa menos de brincadeira. Parecia errado que estivesse
provavelmente se aproveitando dele. De maneira nenhuma ela faria algo sexual
com ele enquanto ele estivesse perto do ponto de rompimento em que ele estava
com sua ex. Foda-se isto. Ela o desejava nu no sofá com o filme idiota passando.
“Maldição, você pode guardar rancor,” Conrad riu e pegou a garrafa de
novo.
“Suas palavras,” Leslie disse com um encolher de ombros temperamental e
deixou que ele pegasse o gim para ela. “Não minhas.”
Assumindo o controle do controle remoto, ela saiu do filme terrível e
começou a procurar pelos canais até que encontrou exatamente o que estava
procurando. Um sorriso espalhou-se pelos seus lábios enquanto ela olhava para
as imagens na tela e via que estava sentada ao lado de um clone hábil do homem
que estava na tela.
“Você tem de estar brincando comigo,” Conrad deixou-se cair no sofá e
abriu os braços sobre o encosto. “Ok, não me julgue por nada que você vê neste
programa.”
“O quê? Como você?” Leslie deu uma risadinha. “Pare com isto, eu gosto
deste programa.”
“O que você poderia gostar sobre este programa?” Conrad balançou a
cabeça envergonhado. “Não há absolutamente nada neste programa que seja de
qualidade de qualquer tipo.”
“Eu o assisto porque você está nele,” Leslie confessou após um momento,
mas se recusou a deixar o momento ficar no ar. “Consiga um programa melhor e
irei assisti-lo. Você não pode fazer algo artístico ou significativo com alguma
escrita realmente decente? E por que você está sempre socando lobisomens?”
“Porque os lobisomens são maus,” Conrad encolheu os ombros como se isto
fosse uma coisa comum para todo ser humano fazer na sua vida. “O que você faria
se visse um lobisomem?”
“Iria matá-lo,” Leslie encolheu os ombros.
“Sério?” Conrad ergueu as sobrancelhas. “Sombrio.” Ele tomou um gole e
ofereceu-lhe o gim de novo.
“Tanto faz; é você quem os está socando.” Leslie balançou a cabeça,
recusando-se a se desculpar pela sua postura como sendo completamente anti-
lobisomem.
Ambos congelaram, suas cabeças balançando para a porta da frente da suíte
quando ouviram a porta destrancando. Alguém estava chegando. Leslie sentiu um
nó na garganta quando olhou para porta. Alguém estava chegando e ela teria de
explicar tudo o que tinha acontecido. É claro, elas iriam surtar primeiro e
espantar Conrad e depois teria de explicar como uma celebridade acabou na sua
suíte sem que qualquer uma delas soubesse.
“Você tem colegas de quarto?” Conrad perguntou, definitivamente apavorado
por toda a situação.
“Sim, duas delas,” Leslie sussurrou, percebendo que não tinha chegado ao
ponto de explicar isto para ele. Muito tarde para isto agora. Ela fez uma careta
quando a porta se abriu e duas figuras apareceram na luz do corredor, uma
silhueta de dois seres definitivamente no processo de se tornarem uma. Na
verdade, eles estavam tão quentes e intensos um com o outro que sequer
perceberam que havia duas outras pessoas na sala observando-os.
Nitidamente era Amber que tinha voltado da noitada e o homem estava no
processo de ter sua camisa arrancada por ela enquanto se dirigiam para o quarto
dela. “Por aqui,” ela disse, entre os beijos molhados, as mãos do homem
explorando cada centímetro do seu corpo.
Conrad olhou, observando a cena como qualquer pessoa iria. Era uma
catástrofe incrivelmente sexy. Sua colega de quarto estava prestes a fazer um sexo
selvagem e desenfreado com algum cara sexy que ela tinha acabado de conhecer
há algumas horas. Eles observaram até que a porta do quarto fechou e eles foram
deixados em um silêncio repentino e acalorado.
Ela se aproximou dele, sentindo seu cheiro almiscarado. Ela teve de inalar
duas vezes antes que pudesse falar. “Aquela é a minha amiga, Amber,” ela
sussurrou. “Sim, ela é meio vagabunda, mas também é uma pessoa extremamente
boa. Não a julgue pelo que você acabou de ver.” Leslie levantou-se em silêncio
do sofá e fez um gesto para ele segui-la. “Que tal permitirmos que eles, uh,
terminem?” O grito de excitação que veio por trás da porta fechada fez Conrad e
Leslie rirem.
Ela caminhou na ponta dos pés até o seu quarto e fez um gesto para ele segui-
la. Conrad olhou de volta para o quarto de Amber quando um par de sapatos bateu
na porta e um cinto foi arrancado realmente rápido. Ele virou-se de novo,
engolindo em seco, pegou o gim e as frutas secas e seguiu Leslie.
“Sinto muito sobre isto.”
“Não há nada para se desculpar.” Conrad pigarreou antes de tomar um gole
longo da garrafa.
“Eu pretendia contar para você que tenho duas amigas comigo.”
“Duas?”
“Não sei onde Josie está.”
“Com sorte na cama de Amber. Pelo bem daquele cara.” Conrad sorriu,
nitidamente a provocando.
Leslie, de repente quente com o que ela tinha acabado de testemunhar e com
o fato que este gato sexy de homem estava agora no seu quarto, ligou o ventilador
acima da cama. “Você quer ver mais TV?” Ela não sabia o que mais dizer ou para
onde olhar. Quando Conrad não respondeu, ela finalmente olhou para ele e
percebeu que ele a estava observando.
“O quê?” ela perguntou, afastando-se dele.
“Quem era aquela de novo?” Conrad riu.
“Amber,” Leslie disse. “Ela definitivamente gosta de rapazes. Trabalha em
um bar classe alta em Nova York. Achei que teria de ir caçá-la amanhã de manhã.
Ela está lá fora na área perigosamente excitante da vida.”
“Eu aposto,” Conrad riu. “Ela conhecia aquele cara?”
“Eles se conheceram hoje à noite quando estávamos no restaurante
mexicano.”
“Maldição! Tacos parece bom agora.” Conrad gemeu enquanto se recostava,
afofando os travesseiros de Leslie e olhando para a TV que ainda estava ligada.
Leslie o observou por um momento e notou que seus olhos não se demoraram
muito na tela. Na verdade, seus olhos pousaram sobre ela apenas alguns segundos
depois que ela abraçou os joelhos de novo e fingiu que estava assistindo o
programa. Alcançando a mesa de cabeceira, ela pegou seus óculos e os colocou,
se perguntando se o pensamento de namorar alguém que usava óculos poderia
desanimá-lo. Era um pensamento idiota, mas ela estava cansada e dificilmente os
usava.
Em vez de desviar o olhar, Conrad continuava olhando para ela. Seus olhos
disparavam para a TV sempre que ela olharia por cima do ombro para ele de
maneira muito óbvia. Era fofo e ela achou isto difícil de resistir. Ela recostou-se
nos travesseiros ao lado dele e assistiu a TV, entregando-lhe o controle remoto
enquanto ambos tentavam ignorar os sons muito óbvios de Amber obtendo o
melhor sexo que provavelmente ela já tinha tido. Entre os gemidos, gritos e a
batida da cama, Leslie sentia como se eles tivessem sido jogados em um filme
pornô. Ela olhou para Conrad, que estava tendo dificuldade em controlar a risada
enquanto balançava a cabeça com o absurdo de tudo isto. Ela lhe deu um
empurrão, tentando conseguir que ele fosse um pouco mais maduro, apenas pelo
benefício do fato que era sua amiga lá recebendo prazer.
Ambos ouviram quando Josie chegou, atravessando a suíte com os passos
pesados. Nitidamente bêbada, ela foi para a cozinha, vasculhando ao redor. Ela
estava procurando conseguir um pouco de comida que Leslie, sem dúvida, tinha
pego e reivindicado durante o seu grupo de ataque inicial. Seus passos se
afastaram da cozinha antes que ela começasse a se aproximar cada vez mais do
quarto onde Leslie e Conrad estavam se escondendo. Algo disse para Leslie que
Josie não tinha percebido o fato que os sons eróticos na sua cabeça realmente não
estavam na sua cabeça e que, na verdade, era Amber fazendo os sons no quarto ao
lado.
Conrad e Leslie observaram enquanto a maçaneta da porta girava e abria
lentamente, como alguma cena terrível saída de Jurassic Park antes que Josie
caminhasse para o quarto, esfregando os olhos e parecendo que tinha
definitivamente festejado a maior parte da noite. Sem dizer uma palavra, ela
caminhou até as frutas secas, olhando para Conrad e Leslie antes de se virar e
olhar para a TV.
“Leslie, você é tão brega,” Josie riu, balançando a cabeça com a visão do
seu programa amado e de mau gosto na tela. “Estamos no maldito paraíso e você
está assistindo aquele programa que assistimos em casa. Qual é o problema com
isto?” Ela virou-se e olhou para Leslie de novo antes de se virar e olhar para
Conrad, encarando-o por um momento. “Alguém já lhe disse que você parece com
Conrad Dane?”
“O tempo todo.” Conrad sorriu. Ele ofereceu-lhe o gim.
“Legal. Leslie tem esta paixonite pelo cara.” Ela bebeu o resto da garrafa e
em seguida inclinou a cabeça. “Maldição! Amber está sendo fodida como uma
britadeira.” Ela bocejou e levantou-se. “Amanhã vou levá-la para sair, Leslie.
Conheci um cara realmente legal que acho que você vai gostar.” Ela se arrastou
até a porta e gritou, “Porra, Amber, você sempre tem de gritar?”
Leslie caiu na gargalhada. “Eu realmente sinto muito, Conrad.” Ela estava
ardendo de vergonha com o comentário de Josie, mas fingir que ela não tinha
ouvido isto pareceu muito mais fácil. “Josie e Amber são colegas de quarto. Elas
moram no apartamento em frente ao meu. Eu realmente não sabia que elas eram
tão loucas.”
Conrad olhou para ela por um momento, nitidamente sem saber o que dizer.
“Suas amigas são incríveis,” ele disse, rindo.
Leslie sorriu. “Meio loucas. Pelo menos elas conseguiram me tirar do meu
apartamento.”
“Você mora em um apartamento?” Ele ergueu as sobrancelhas. “De luxo em
Nova York?”
“Realmente não.”
“Mas você está aqui. Este lugar não é...” Seus olhos flutuaram de volta para
a TV, não querendo terminar o que ele estava pensando.
Leslie estava bem em não entrar nesta conversa também. Ela voltou-se para
a TV também, resignada ao fato que eles iriam literalmente apenas ficar aqui. Isto
estava bem com ela. Ela não fazia ideia como superar os gritos e gemidos de
Amber. Na tela, Conrad estava mais uma vez socando lobisomens em prol da
mulher que ele amava. Leslie odiava a mulher e assistia sua luta sobre o
pensamento se ela queria ou não estar com Conrad. Parecia um problema tão
idiota, tipo por que você escolheria lama quando poderia ter água cristalina?
Quando ela olhou para o Conrad real ao seu lado, ela viu que ele estava olhando
para ela, sem desviar o olhar desta vez.
Ela olhou para ele. “O que foi?”
“Você é realmente deslumbrante. Não apenas bonita, mas realmente,
realmente bonita,” ele disse de maneira casual e serena, mas como se isto
contivesse o segredo do mundo também. Tipo, como se o peixe não pode viver
fora d’água. O norte é oposto ao sul. Era algo tão simples e verdadeiro que isto a
pegou completamente de surpresa quando ela olhou para ele, ouvindo as palavras
à medida que elas caíam dos seus lábios e isto a atingiu como uma rocha caindo
do alto do Monte Everest e estilhaçando a sua pequena casa de vidro.
Não havia nada mais poderoso do que o momento em que o homem mais
bonito do mundo diz que você é atraente e está falando sério quando diz isto. Ele
está bêbado, Leslie. Não fique tão animada. Ela não estava animada. Ela teve
Michael. Ela não queria amor. Sexo, sim, mas não amor. Mas a maneira como ele
disse isto para ela pareceu que ele estava dizendo que ela era a única coisa que
poderia mudar todo o seu mundo.
Lentamente, ele inclinou-se para frente, avançando na direção dela. Ao
fundo, Amber gritava enquanto alcançava o clímax e o Conrad na televisão
nocauteava um lobisomem, salvando sua mulher ao mesmo tempo. Leslie
observou os olhos azuis sexy de Conrad fecharem ligeiramente enquanto seu olhar
abaixava-se para os lábios dela. Sua língua passou pelos lábios antes que seu
hálito quente acariciasse o rosto dela. Pressionando o peso sobre as mãos
enquanto se inclinava mais perto, ele sussurrou, “Estou querendo fazer isto desde
que vi você passar pelo bar antes do pôr-do-sol.” Seus lábios encontraram os
dela, suaves e tímidos no início.
Uma excitação percorreu a sua coluna, explodindo profundo dentro dela
enquanto seus olhos fechavam automaticamente e ela retribuía seu beijo. Ele
voltou com mais fome, deslizando a língua para dentro da sua boca. Ele tinha
gosto de gim, frutas secas e paraíso.
Ela queria mais.
Então o pânico se instalou.
O que ela estava fazendo? Como ela poderia trair Michael? Ela recostou-se
e passou a língua sobre os lábios, lambendo o gosto de Conrad. Não havia nada
de errado em beijá-lo. Isto era normal. Só que, quando foi a última vez que ela
tinha beijado um homem? Ela não queria apenas sexo. Ela queria alguém para
tirar o vazio. Segurar sua mão, preencher sua boca, preenchê-la toda.
De repente, ela sentiu como se estivesse em um precipício – na beirada do
lugar mais assustador do mundo.
Capítulo 10

Quando Leslie abriu os olhos, ela tinha certeza que noite passada tinha sido um
sonho. De maneira nenhuma ela tinha passado a noite rindo e brincando com
Conrad Dane. Ou que ele a tinha beijado. Na verdade, ela tinha certeza que
alguém tinha lhe dado algo no restaurante mexicano e ela tinha alucinado a noite
inteira. Ou ela tinha apenas bebido gim demais. Quem convidaria Conrad Dane
para o seu quarto e não faria sexo com ele?
Definitivamente tinha de ter sido um sonho.
Rolando, seu pé chutou algo meio pesado e o som de algo caindo a obrigou a
abrir os olhos. As frutas secas estavam caídas sobre o lado da cama. Piscando,
ela olhou para a janela e viu que o mundo além do hotel ainda estava escuro com
uma linha de roxo e azul no horizonte. O sol estava nascendo, dizendo-lhe que
este seria o amanhecer mais bonito que ela já tinha visto.
Ela precisava se levantar, dar o fora daqui e vivenciar este lugar como ele
deveria ser vivenciado. Se ela tinha aprendido algo do sonho, era que era hora de
começar a conhecer pessoas. Deixando escapar um longo suspiro, ela verificou
seu relógio e viu que era cinco da manhã. Talvez mais dez minutos de sono. Ela
rolou e seu braço aterrissou em um corpo quente.
Conrad.
Ele grunhiu e sentou-se quase imediatamente, piscando e olhando ao redor,
confuso. Ele encolheu-se e sorriu quando viu Leslie. Ele deitou de novo,
alongando-se enquanto ficava em cima das cobertas, enquanto ela tinha se
arrastado para debaixo delas em algum momento durante a noite.
“Dia, Les,” ele disse com um sorriso no rosto.
Foi bom ver aquele sorriso. Nenhum sonho. Tudo verdade. Ela tinha levado
o sexy Conrad Dane para o seu quarto e não tinha transado com ele. Ela tinha
dormido com ele... de certa maneira. Pelo menos, eles tinham se beijado. E
depois o quê? Ela não conseguia se lembrar. Eles tinham apreciado uma noite
fantástica juntos enquanto estavam passando o tempo bêbados, tentando
arduamente deixar a dor do mundo para trás deles.
“Dia, Conrad,” ela disse com um sorriso doce e em seguida congelou. Em
algum momento durante a noite ela tinha tirado o vestido. Ela estava deitada
debaixo das cobertas só de calcinha e sutiã. Ela agarrou as cobertas e olhou para
ele nervosa. “Não estou vestida,” ela disse com cautela. Ela podia sentir suas
bochechas queimando.
“O quê?” Conrad perguntou, ainda completamente vestido da noite anterior.
Ele olhou para ela e seu olhar percorreu o seu corpo coberto com as cobertas.
Isto deixou uma trilha de calor no seu rastro. Lentamente seus olhos voltaram para
cima. Ele deu-lhe um olhar de horror. “Leslie, que escandaloso!” Usando a perna,
ele chutou seu vestido descartado para o outro lado do quarto, para longe dela.
“Tanto faz,” Leslie rosnou, livrando-se das cobertas, de repente sem se
importar se ele conseguisse um vislumbre do seu corpo quase nu, seios e tudo.
Deixar ele ver o que tinha perdido. Ela colocou as mãos nos quadris. “Seja um
cavalheiro.”
“Absolutamente!” Conrad disse, mas não antes de tirar um momento para
olhar. Quando ela pigarreou, ele levantou-se rapidamente, quase pulando antes
que a ressaca o atingisse como uma marreta e quase o derrubasse.
Leslie riu. Ela não conseguiu evitar. Fazia anos desde que ela tinha
experimentado uma ressaca. Na verdade, era algo que nunca tinha acontecido
com ela. Ela era um tipo de mulher resistente que poderia suportar a dureza do
álcool. Minúscula e durona, Michael sempre tinha lhe dito. A perspectiva que ela
pudesse ser capaz de ser uma alcoólatra realmente bem-sucedida e altamente
dependente a surtava.
“Maldição, bebi demais,” Conrad disse com um gemido.
Leslie não teve coragem de provocá-lo. Ela sorriu e vestiu-se rapidamente,
colocando uma camiseta e vestindo sua bermuda rapidamente. Ela precisava
tomar banho, mas faria isto mais tarde. Neste momento, tudo que ela iria fazer era
escovar os dentes para que o seu hálito amanhecido não matasse todo mundo no
resort. “Apenas preciso de uma parada no banheiro.”
Conrad sentou-se de novo na cama, segurando a cabeça. “Leve o seu tempo.”
Ele acenou ineptamente com uma mão.
Ela se apressou para o banheiro, agradecida pelo enxaguante bucal incluído
com os artigos de higiene pessoal. Ela passou rapidamente uma escova pelo
cabelo e jogou um pouco de água fria no rosto antes de voltar para o quarto. Ela
se sentia estranha, como se eles tivessem dormido juntos e agora não sabia o que
dizer ou fazer.
“Você não precisa ficar,” Leslie disse, não querendo fazê-lo sentir que ele
precisava continuar perto do seu cachorrinho perdido de companhia.
“Oh, você tem planos?” Conrad verificou seu relógio. “Passa das cinco. Da
manhã!” Ele tentou rir e estremeceu. Ele estava tentando arduamente parecer
calmo e tranquilo. “Quero dizer, estava pensando que talvez nós poderíamos...”
“Tomar o café da manhã?” Leslie perguntou com um sorriso nos lábios, mais
do que disposta a ficar com ele. Nitidamente ele não estava interessado nela
sexualmente. Ele está passando por um divórcio terrível. Ela tinha ouvido as
histórias sobre a temida zona de amizade, mas aceitaria isto com prazer ao invés
da possibilidade de passar o resto destas férias sozinha e miserável. Seria legal
ter alguém perto dela que não estivesse tão feliz quanto ela por estar aqui, mas
estava disposto a passar um tempo com ela. Melhor do que ficar sozinha.
Isto também deixaria Josie e Amber menos inclinadas a terem de sofrer perto
dela. Elas poderiam ter umas boas férias. Ela tinha feito o que se determinou a
fazer: sair do apartamento. Passos de bebê.
“Sim,” Conrad sorriu para ela, seu rosto uma careta contorcida de
desconforto e dor.
A ressaca estava conseguindo o melhor dele; ela podia ver isto nos seus
olhos. Era a dor que ela tinha experimentado há apenas alguns minutos atrás. Ela
olhou para ele e sorriu para a sua dor.
“Mas eu tenho de trocar de roupa,” ele disse. “Não quero usar isto.”
“Bem, nitidamente, eu estou me embonecando,” Leslie disse para ele,
dirigindo-se para a porta. “Mas estou morrendo de fome.”
“Eu também,” Conrad suspirou enquanto se dirigia para a porta e os dois
caminhavam pelo corredor para a sala de estar. Felizmente, Josie, Amber e o
paquera de Amber ainda estavam dormindo.
Eles seguiram pelo corredor vazio enquanto Conrad tirava seu cartão platina
do bolso e conduzia em direção a sua suíte. Ela sorriu quando ele olhou por cima
do ombro para ela e deu-lhe um sorriso que praticamente derreteu o seu coração.
Havia algo potente naquele sorriso.
Quando eles alcançaram sua porta, ele passou o cartão e se dirigiu para o
limiar, para uma suíte um pouco menor do que aquela em que ela estava ficando.
Ainda era extravagante e bonita para os padrões de qualquer um. Enquanto ela
entrava na área comum, ele se dirigiu para o quarto já desabotoando a camisa.
“Dê-me apenas um segundo para trocar de roupa,” Conrad disse.
Ela caminhou até a quitinete e pegou uma garrafa de água que era muito mais
cara do que deveria ter sido. “Espere, você vai precisar de uma destas.” Antes
que ele atravessasse o limiar para o seu quarto, ela jogou a garrafa para ele.
Ele tentou pegá-la, atrapalhou-se e em seguida recuperou-se, não permitindo
que ela caísse, mas sua camisa caiu no processo. Ele endireitou-se... seu peito
bronzeado e firme ondulando enquanto ele movia o braço. As linhas perfeitas do
seu abdômen musculoso exibiam uma barriga de tanquinho que insinuava algo
mais abaixo do cós.
Leslie deixou o olhar percorrer da sua clavícula até a expansão do seu peito
e pela sua barriga sexy. Ela sentiu sua boca abrir ligeiramente e um pequeno
gemido escapou dos seus lábios. Maldição, ele era quente.
“Sua marginalzinha,” Conrad disse para ela, balançando a cabeça e rindo.
“Bebê chorão,” Leslie disparou de volta. Ela tentou arduamente não encarar
suas costas nuas enquanto ele se virava. Era perfeitamente definida. O tipo de
costas que você via em estátuas e no cinema. Quando ele tirou a calça e foi para o
banheiro, ela achou que estava prestes a explodir em chamas.
Ela obrigou-se a olhar pela janela para uma vista completamente diferente e
se perguntou como seria o pôr-do-sol neste quarto. Seria espetacular e ela
esperava que conseguisse uma oportunidade de vê-lo com ele. Isto precisava soar
tão carente? Apenas amigos, Leslie. Apenas amigos.
Quando ele voltou, estava usando uma bermuda e uma camiseta que quase
combinava com o tipo de estilo casual com o qual Leslie tinha determinado o tom.
Ele parou para calçar os sapatos e pegou seus óculos de sol. “Onde você quer
ir?”
“Não faço ideia,” ela disse, balançando a cabeça. “Estou aqui há menos de
vinte e quatro horas.”
“É mesmo? Parece que você esteve aqui desde sempre.” Conrad sorriu.
“Bem então, acho que a escolha é minha.”
Foi a maneira como ele disse isto, com tal coragem e uma personalidade
arrogante que foi difícil para ela não balançar a cabeça e rir para ele. Ela queria
socá-lo – de brincadeira, é claro. Ela estava loucamente atraída por ele e foi
preciso um esforço físico para resistir ao desejo de estender a mão e tocá-lo.
Havia uma linha na areia e ela sabia que ficaria cada vez mais difícil para ela
respeitá-la e não atravessá-la. Quanto mais tempo ela passasse com ele, mais ela
sabia que não iria querer deixar este limite no lugar. Ela estava morrendo de
vontade para ver como seria segurar sua mão e sentir seus dedos nos dela.
“Vamos. Lidere o caminho.” Ela abriu a porta e a segurou para ele.
O restaurante que ele escolheu era um café minúsculo construído na água
onde você poderia ouvir as ondas rolando por baixo das tábuas do prédio
pequeno. O prédio pequeno emitia uma sensação de proximidade e intimidade,
mas com o tipo perfeito de distância entre os clientes que estavam sentados
espalhados ao redor do pequeno bangalô. Ela gostou. Pedindo um mocha de avelã
e o especial de café da manhã, ela observava Conrad lutar contra a luz. Sua
ressaca ainda estava conseguindo o melhor dele. Ela se sentiu mal, mas isto
também a colocou em um humor risonho.
“Você é uma pirralha. Como pode não estar de ressaca?” Conrad tinha as
mãos sobre os olhos, os óculos de sol também. Eles estavam sentados, esperando
que o café chegasse.
“Sorte, eu acho. Normalmente não fico de ressaca. Mas acho que
provavelmente você começou antes de mim. O café e a comida com sorte
ajudarão.”
“É melhor.” Ele tomou um gole da água gelada na sua frente. “Deveríamos
fazer algo hoje.”
“Como o quê?” O coração de Leslie acelerou. Ele estava apenas oferecendo
para saírem; por que ela tinha de ficar tão animada?
“Não sei,” Conrad disse, após um momento, encolhendo os ombros. “O que
você quer fazer?”
Leslie se perguntou rapidamente se ele estava tentando descobrir se ela
estava ou não realmente interessada. Após um momento, ela percebeu que ele a
estava observando atentamente. “O quê?” ela perguntou, sorrindo.
“Acho que você é muito legal.” Conrad pegou o seu copo de água agora que
o dele estava vazio. “Obrigado por ter me escolhido na noite passada.”
Ela piscou surpresa enquanto ele se endireitava.
“Espere. Não quis dizer me escolher, tipo flertando comigo. Quis dizer
animar o meu humor. Fazendo-me perceber que eu não precisava ficar tão
irritado. Ele revirou os olhos. “Maldição. Parece que eu não consigo dizer nada
certo hoje em dia. Apenas quero dizer... obrigado. Você é descontraída. Sem
pressão, sem expectativas. Isto é legal.”
Seu coração afundou um pouco. Ele estava se referindo a ela como uma
amiga. De qualquer maneira isto era tudo que ela queria, certo? “Sim?” Leslie
sorriu para ele, esperando que isto não parecesse forçado.
“Sim,” Conrad disse para ela, sorrindo timidamente. Ele ainda parecia
incrivelmente quente – com ressaca, constrangido e ainda muito quente.
Um pensamento passou pela sua mente. Se ela não pressionasse por isto,
Conrad nunca tentaria beijá-la de novo ou tocá-la. Havia uma centelha entre eles;
ela não poderia negá-lo e ela tinha certeza que ele sentia isto também. Contudo,
por causa da sua situação, ele seria cauteloso. Ela não poderia culpá-lo. Mas ela
não estava procurando por amizade ou um relacionamento. Ela tinha vindo até
aqui por uma coisa. E isto não iria acontecer entre ela e Conrad a não ser que ela
iniciasse isto. A percepção disto a deixou nervosa. Ela tinha ouvido Amber fazer
um sexo louco na noite passada e estava praticamente pronta para se jogar em
Conrad e ele não tinha feito nada além de beijá-la. Provavelmente isso também
tinha vindo de um senso de obrigação. Ele estava muito bêbado na noite passada.
Ele poderia ter usado isto como uma desculpa pela manhã, mas nada tinha
acontecido.
Ela começou a torcer o joelho, balançando-o para cima e para baixo. A
intimidade da cafeteria de repente pareceu demais. Os olhos azuis intensos de
Conrad não deixariam seu rosto enquanto ele a observava. Ela podia vê-los por
trás dos seus óculos de sol.
Felizmente seus cafés e comida chegaram. A garçonete distribuiu os pratos e
afastou-se em silêncio. Leslie pegou o garfo para atacar seus ovos mexidos.
“Estou morrendo de fome.” Ela deu uma mordida e saboreou o gosto delicioso.
Ela olhou para o outro lado da mesa e notou que Conrad não tinha pego seu garfo.
Ele ainda a estava observando.
“Há algo errado?” Ela limpou a boca. “Há comida no meu rosto ou algo
assim?”
“Sinto muito,” Conrad tirou os óculos. “Eu estava encarando você.”
“Mais ou menos.” Leslie assentiu, um pouco paranoica para dar outra
mordida. Conrad parecia estranhamente intenso. Ela colocou o garfo para baixo.
“Qual é o problema, Conrad?” ela perguntou baixinho.
“Acho que estou muito louco por você,” Conrad disse após um momento.
Antes que ela pudesse sequer imaginar o que dizer, ele balançou a cabeça e
recostou-se na sua cadeira. “Sinto muito, não quis deixá-la desconfortável ou
qualquer coisa. Estou apenas dizendo. Acho que fiquei preso em tudo que estava
acontecendo comigo e não prestei realmente atenção em mais ninguém. Você é
apenas... o que eu não estava esperando.”
Leslie sorriu. “Você também não foi o que eu estava esperando.”
Conrad sorriu de volta para ela e pegou o garfo. “Podemos, talvez, apenas
deixar nisto por enquanto?”
“Sim.”
Eles comeram sua comida em um silêncio confortável e em seguida
passaram o resto do dia explorando a ilha. Ela sabia que estava se apaixonando
por ele. Ela não sabia como ou por que, mas isto estava acontecendo e ela não
sabia como impedi-lo. Ela culpou a beleza da ilha, certa de que quando fosse
embora e voltasse para casa tudo voltaria ao normal. Ele era rico e famoso. Ela
era... bem, rica, mas não era famosa; seu pseudônimo, Evelyn Frock, era.
Na verdade, seu dinheiro não significava nada para ela. Sua fama mal era
reconhecida na ilha. É claro, enquanto estavam caminhando ao redor, houve uma
ou duas pessoas que pararam e olharam longamente para ele, observando-o por
um segundo apenas para ver se estava realmente vendo o gato do programa de TV
em que ele era tão popular. Leslie tinha certeza que se gritasse que ela era Evelyn
Frock, mais pessoas reconheceriam o seu nome do que o de Conrad Dane. Não
importava.
Pelo resto do dia eles migraram de lugar para lugar, conversando e rindo
enquanto ele se recuperava da sua ressaca e decidiram que era hora de conseguir
outra de novo. Leslie não discutiu.
Ela tinha acabado de chegar no dia anterior para a sua estadia de uma
semana. Por quanto tempo Conrad estaria ficando? Ela estava muito nervosa para
perguntar quando ele estava indo para casa. Ela queria passar todas as suas férias
com ele. Ela queria explorar toda a ilha com o homem que a tinha tirado da
escuridão e da depressão em que ela tinha se envolvido.
Ela estava com medo. Em primeiro lugar, porque ela não sabia quando ele
estava indo embora e em segundo, ela estava apavorada que ele a faria esquecer
sobre Michael.
“Por quanto tempo você vai ficar aqui?” Leslie perguntou finalmente,
incapaz de conter por mais tempo o suspense de tudo isto. Ela precisava saber
quais eram os seus planos, assim ela poderia se preparar mentalmente para a
despedida — pelo menos isto era a sua desculpa.
“Pelo tempo que eu quiser.” Conrad recostou-se, absorvendo os últimos
raios de sol. “Por quê? Por quanto tempo você vai ficar?”
“O resto da semana.” Ela não conseguiu esconder o alívio da sua voz.
“Você se importa se eu ocupar mais do seu tempo?” Conrad virou o rosto na
direção do sol, mas ela podia vê-lo observando-a com o canto do olho.
“É claro,” Leslie tomou um gole da sua bebida, observando o pôr-do-sol
perfeito que ela sabia que seria absolutamente espetacular na ilha. “Quero dizer,
se você não ficar entediado comigo.”
“Acho que o único momento que passei sozinho hoje foi quando estava no
banheiro.” Conrad riu com o pensamento de quanto tempo eles tinham realmente
passado juntos.
Era um pouco ridículo, mas ela não se arrependia nem um pouco disto. Ela
estava obcecada com ele e achava que isto poderia ser um pouco doentio, mas ela
não estava se desculpando. Ela gostava de tudo que ele dizia e todos seus
pensamentos e todas as suas opiniões únicas sobre as coisas. Ela amava como ele
via o mundo e a maneira como ele evocava as conversas tão facilmente.
“Mesmo quando estive sozinho,” Conrad disse com um sorriso bobo, quase
corando. “Estou tendo dificuldade em não pensar em você.”
“Sim?” Leslie sentiu um calor florescendo dentro dela, mas se recusou a
deixá-lo transparecer. Ela se recusou a permitir que ele visse que ela estava
ficando toda boba e animada por dentro como algum tipo de adolescente
apaixonada. Ela era uma adulta e uma viúva. Ela precisava manter algum senso de
decência. “Foi divertido hoje.”
“Realmente bom,” Conrad riu. “E as suas colegas de quarto?”
“Oh, droga!” Leslie cobriu a boca. “Eu meio que me esqueci sobre elas.”
“Tenho certeza que elas estão sobrevivendo muito bem sem você.”
Leslie riu. “Tenho certeza que Amber está.”
Eles terminaram suas bebidas enquanto o sol se punha e continuaram
caminhando.
Josie and Amber estavam sentadas no bar e gritaram quando a viram.
“Apenas saindo para uma caminhada,” Leslie gritou de volta. “Apreciem o
seu jantar.”
Conrad deu-lhe uma cotovelada. “Você está abandonando as suas amigas de
novo?”
“Há este cara fofo que eu estou perseguindo. Elas compreenderão.” Quando
Conrad não estava olhando, ela acenou de novo para as suas amigas, planejando
piscar para elas. Ela hesitou quando notou que Josie parecia chateada, embora
Amber estivesse rindo. Provavelmente Josie sentia que Leslie as estava traindo.
Ela era engraçada assim. Não seria inveja ou qualquer coisa assim. Ela odiava
quando Amber a deixava em um bar. Normalmente ela reclamava sobre isto em
casa.
Leslie ignorou isto. Ela conversaria com ela quando voltasse para o quarto
mais tarde. Não era grande coisa.
Eventualmente, Leslie se viu dançando com Conrad em um dos clubes. Ele
era um dançarino incrível. Eles se moviam juntos e isto parecia algum tipo de
magia que estava acontecendo entre eles. Ela amava estar perto dele, a sensação
do seu corpo junto ao dela. Precisando de outro drinque, eles fizeram um pedido
no bar e saíram para se refrescar.
As estrelas saíram para encher o céu como um milhão de lâmpadas prateadas
muito distantes. Ela sentiu os dedos dele deslizarem entre os dela e ela abraçou o
calor e a felicidade de estar segurando sua mão. Era isto que Leslie queria. Isto
era tudo para ela no momento.
Por dois anos ela tinha assistido seu casamento e seu único relacionamento
se dissolver em nada, muito além do seu controle. Ela observou enquanto o
homem com quem ela tinha crescido e construído uma vida murchar e morrer na
sua frente. O processo doloroso de enterrar Michael também tinha parecido tão
recente, mas agora parecia como se mais tempo tivesse se passado.
A viagem era mais do que umas férias. Ela tinha deixado de lado os amigos
do passado e todos associados com Michael. Ela sempre tinha medido o sucesso
pelo fato que ela não estava sozinha e que ela amava. Tinha sido um ano
incrivelmente difícil e solitário. Ela não queria mais ficar sozinha.
Caminhando até a sua suíte, eles não disseram uma palavra, nem quando
estavam no elevador. Eles ficaram um ao lado do outro, de mãos dadas, e olhando
para os seus reflexos nas portas. Eles eram um casal deslumbrante, mas a culpa
implícita que ambos compartilhavam deixava isso ligeiramente estranho.
Leslie sentia-se livre por este momento e esta conexão, mas não sabia se
Conrad se sentia da mesma maneira.
Quando eles chegaram ao quarto, Conrad lhe disse que o chuveiro era todo
dela se ela quisesse a primazia sobre isto. Conrad tinha feito o plano que eles
iriam ver seus filmes favoritos ao crescer e com o acréscimo do álcool seria um
motim. Seria o melhor evento de filmes do ano e havia somente dois assentos
disponíveis. Leslie gostou disto, mas não iria tomar banho no banheiro dele
quando todas as suas roupas estavam na suíte ao lado.
“Não se perca,” Conrad disse, nitidamente preocupado que ela teria algum
tipo de epifania entre a sua suíte e a dela.
“Não irei,” Leslie assegurou-lhe, deixando seu quarto enquanto ele se
preparava e ela também.
No caminho de volta para a suíte, ela viu que a porta estava ligeiramente
aberta e dois conjuntos de olhos a estavam observando, certificando-se que ela
estivesse sozinha antes que Josie e Amber abrissem a porta completamente e
deixassem escapar um grito de prazer, fazendo um gesto para ela se apressar.
Leslie fez exatamente isto e quando elas fecharam a porta, ela apoiou-se nela
e sorriu enquanto era atingida com um tsunami de perguntas para as quais elas
queriam respostas, com todos os detalhes que ela pudesse dar. Ela permitiu que
elas falassem, deixando que suas perguntas a acertassem e ondulassem através
dela enquanto ela apenas ouvia e se recuperava por um momento, sorrindo como
uma tola enquanto ela pegava somente algumas perguntas aqui e ali.
Eventualmente, elas ficaram em silêncio e ela olhou para elas.
“Estou apavorada. Acho que estou me apaixonando por ele.” Leslie
sussurrou.
“O quê?” Josie gritou em absoluta descrença. “O que você acabou de
dizer?”
Amber deixou escapar um grito.
“Acho que estou me apaixonando por ele,” Leslie disse com pura euforia
disparando através dela e fazendo com que ela se sentisse como um anjo. “Sei
que é rápido, mas nunca me senti assim antes. Nunca estive tão certa sobre algo
em toda a minha vida. Quero dizer, ele quer ficar juntos hoje à noite e assistir
filmes antigos e beber coquetéis e isto parece a coisa mais agradável que já fiz!
Vocês sabem o que estou dizendo? Eu pareço uma adolescente!”
“Em absoluto,” Amber balançou a cabeça. “Nem sei o que você está fazendo
aqui, precisamos levá-la para lá imediatamente. O que você está esperando? Vá
até lá e fique com ele! Aquele homem é um prêmio!”
“Tenha cuidado, Leslie.” Josie franziu o cenho enquanto a observava. “Você
está sozinha há muito tempo. Não vá pensando que o primeiro cara que presta
atenção em você está determinado a continuar com isto até o fim. Você está
revelando suas emoções.”
Amber a empurrou de brincadeira. “Josie! Não seja mal-humorada! Deixe
Leslie apreciar isto.” Ela acenou com a mão e virou-se para Leslie. “Então o que
você deveria estar fazendo?”
“Deveria tomar banho e trocar de roupa.” Leslie deixou escapar um suspiro
apaixonado que era tão exagerado que ela sentiu-se como um cliché ambulante.
Ela ignorou o aviso de Josie. Ela lidaria com o aviso mais tarde. Quando tivesse
tempo.
“Não consigo acreditar que você usou isto com ele o dia inteiro.” Amber
balançou a cabeça. “Eu juro, nós não lhe ensinamos nada, criança teimosa?”
Leslie riu e correu rapidamente para tomar um banho para voltar para
Conrad o mais rápido possível. Amber e Josie ficaram sentadas no lado de fora
do vidro texturizado, ouvindo enquanto Leslie recontava tudo desde o momento
em que Amber a deixou até o momento em que elas finalmente a localizaram.
Enquanto falava, tudo que ela conseguia pensar era como ele era bonito e quão
completamente bonito cada momento com ele tinha sido. Ela queria mais disto.
Ela queria mais de tudo com ele e havia esta besta voraz dentro dela que exigia
mais. Maldição! Ela iria transar hoje à noite! O pobre rapaz não iria saber o que
lhe atingiu.
Quando ela saiu, vestiu a calcinha e o grande roupão felpudo que era
fornecido pelo resort antes que ela fizesse rapidamente sua maquiagem e cabelo,
acompanhada pelas suas amigas.
“É melhor você gravar um vídeo com seu telefone,” Amber sussurrou
enquanto empurrava Leslie até a porta da suíte. “Quero ver tudo!”
“Nojento!” Josie riu. “Por favor, não faça isto.”
Respirando fundo, ela se despediu uma hora depois que tinha atravessado o
limiar e seguido pelo corredor, observando enquanto o serviço de quarto era
entregue, praticamente um buffet inteiro. Conrad estava de roupão, assinando a
conta. Ele piscou quando a viu, levantando as mãos no ar enquanto deixava o
camareiro entrar no quarto para entregar as bandejas de comida.
“Por que você levou tanto tempo?” ele brincou.
“Ficando bonita,” Leslie jogou o cabelo e sorriu.
“Trabalho bem feito.” Ele sorriu e foi ajudar a colocar a comida sobre a
mesa. O camareiro saiu e Conrad destampou os pratos. “Eu pedi tudo. Não sabia
o que você gostava além de frutas secas e tacos de peixe.” Ele apontou para uma
garrafa alta de gim. “A jarra de aço inoxidável está cheia de água tônica. Deveria
haver limas em algum lugar.”
Houve uma batida na porta e Leslie deu uma risadinha. Ela inclinou-se e
beijou seu rosto, deixando a mão escorregar para dentro do seu roupão e deslizar
pelos músculos duros do seu peito. “Provavelmente são as limas.” Ela gostou do
som do gemido que escapou da sua boca enquanto afastava a mão. “Irei atender.”
Capítulo 11

Quando abriu a porta, ela encontrou-se cara a cara com alguém que ela não
reconheceu. Definitivamente não o garçom.
A mulher estranha usava um vestido justo que exibia suas pernas, a barriga
perfeitamente plana e um decote amplo. Ela usava o cabelo para cima em um
coque bagunçado e tinha os maiores óculos de sol que Leslie já tinha visto
colocado com perfeição no seu rosto.
Leslie olhava fixamente, sem saber o que dizer ou fazer.
A mulher encarava de volta, o punho erguido no ar, pronto para bater na
porta de novo. Sua expressão de surpresa transformou-se em raiva enquanto ela
olhava para Leslie. “Quem diabos é você?”
“Leslie,” ela respondeu, lembrando-se de repente que estava usando apenas
um roupão. Ela o fechou com firmeza. “Quem é você?”
“A esposa de Conrad,” ela sibilou; uma careta no seu rosto antes que ela
decidisse acrescentar a palavra final que pareceu como o prego no caixão.
“Puta.”
“Kyra?” De repente Conrad apareceu atrás de Leslie na porta, abrindo-a
mais para ver por si mesmo.
Leslie se sentia como uma rocha gigante entre os dois. Ela olhou por cima do
ombro para Conrad, que não conseguia tirar os olhos da sua esposa.
“Kyra, o que você está fazendo aqui?” ele perguntou, nitidamente em
conflito.
“Vim procurar por você,” Kyra fez beicinho, sua voz abaixando para um
sussurro brincalhão, nitidamente destinado a ser usado somente para Conrad.
“Querido, onde você tem estado?”
“Em nenhum lugar perto de você,” Conrad respondeu. “E pare de dizer para
as pessoas que ainda somos casados. Isto acabou quando você decidiu dormir
com alguém que poderia ‘aliviá-la do estresse’. Você encontrou novos filhotes
para atender a necessidade?”
“Nitidamente você encontrou.” Kyra olhava zangada para Leslie.
“Eu apenas vou embora,” Leslie murmurou, passando por Kyra que não tinha
se movido um centímetro e cujo olhar feroz a acompanhava enquanto ela passava
apressada. Ela quase correu pelo corredor. Foi o momento perfeito para uma
saída porque o que ela estava deixando era algo semelhante a uma Hiroshima
emocional da qual ela não queria fazer parte. Como ela poderia ter sido tão
idiota?
Com cada passo que dava para longe daquela suíte e para longe de Conrad,
ela podia sentir que tudo que ela tinha tido com ele estava derretendo. Estava
queimando e as brasas estavam voando no vento enquanto ela fugia como uma
covarde. Ela disse para si mesma que deveria ter ficado e defendido os seus
interesses, mas qual era o sentido? Qual era o objetivo de lutar por algo que
somente tinha existido por um dia? Ela abaixou a cabeça e se recusou a deixar as
lágrimas caírem. Ela não daria a Kyra a satisfação.
Ela se atrapalhou com o cartão platina no bolso do seu roupão e finalmente
abriu o quarto. Ela não queria ouvir o que estava acontecendo no corredor. Ela
nunca queria ouvir a voz de Conrad de novo. Não depois que ele pediu para Kyra
entrar no seu quarto. Ela fechou a porta e apoiou a cabeça nela. Esta era sua
punição por não ser fiel ao seu marido falecido.
Tudo que Leslie sabia era que quando Kyra seguiu Conrad para aquela suíte,
a porta não se abriu por muito tempo.
Ela ficou apoiada na parede por alguns instantes. À medida que o silêncio
enchia o corredor, ela fechou os olhos com força, desejando que pudesse
desaparecer. Havia um ponto de ruptura no silêncio. Um silêncio que se instalou
sobre tudo e abafou a raiva e a ira dentro dela. Isto ferveria em um determinado
momento, apenas não agora. Leslie voltou para o seu quarto e olhou para Amber e
Josie sem dizer uma palavra.
Ela se apoiou na sua porta fechada enquanto as garotas se levantavam. Elas
sentaram-se ao lado dela enquanto Leslie escorregava lentamente pela porta e
sentava-se no outro lado do batente. Parecia como perder Michael de novo. Só
que desta vez a dor era mais aguda, como se a lâmina tivesse se movido mais
rápido.
Ela era uma idiota. Não havia simpatia ou misericórdia na sua mente. À
medida que as horas se passavam, ela percebeu que tinha ficado deslumbrada ao
pensar que algo existia entre ela e Conrad. Ela tinha vindo até aqui, não para
procurar pelo amor, mas para impedir que ela sangrasse seu coração. Ele apenas
estava no lugar certo, na hora certa. Ela não deveria ter passado o dia com ele.
Ela deveria ter sido como Amber e apenas transado com o cara. Uma rapidinha.
Tão idiota!! Ela só tinha a si mesma para culpar.
O que ela estava pensando? Ela deveria ter percebido que não havia nenhum
romance rápido para acontecer e que não havia nenhum fim fantástico e incrível
para isto. Havia apenas o silêncio inevitável e a tristeza para a qual ela estava
deslizando lentamente e ficando estrangulada. A viagem tinha sido uma ideia
idiota, muito idiota.
Ela tinha uma vida boa. Ela tinha tudo bem onde ela queria que isto
estivesse. Não havia nenhuma necessidade de mexer com as coisas ou em
embarcar em grandes e excitantes aventuras para sacudir as coisas. No fim, ela
era duas coisas. Ela era uma escritora e ela era uma viúva. Estas duas coisas
nunca iriam mudar e lutar tão arduamente contra elas era inútil. Ela deveria ter
sido mais inteligente.
Quando percebeu que tinha estado sentada apoiada na porta pelo que
pareceu horas, ela se levantou e voltou para o seu quarto, fechando a porta e
ficando sentada em silêncio, olhando para a cama onde ela tinha beijado Conrad.
Estava acabado. De novo. Sua vida estava completa e totalmente em ruínas.
Quando ouviu uma batida na porta, ela olhou para cima, percebendo que
tinha escurecido. “Sim?”
“Vamos dar uma corrida para comer algo,” Josie disse após um momento.
“Não ficaremos ausentes por muito tempo. Você gostaria que nós trouxéssemos
algo para você?”
“Não, estou bem,” Leslie disse baixinho. “Estou bem.”
“Ok,” Josie disse. “Mantenha seu queixo erguido, querida, ok? Ele é apenas
um cara.”
“Obrigada,” Leslie acrescentou, ouvindo enquanto elas saiam da suíte.
No momento em que elas saíram, Leslie pegou o telefone ao lado da cama.
Ela digitou um número que tinha se obrigado a memorizar há muito tempo.
Tremendo, ela o segurou na orelha e ouviu enquanto discava, esperando que
alguém atendesse.
“Como está a minha cliente favorita?” Grant atendeu com um tom caloroso,
nitidamente esperando que Leslie tivesse algo muito mais interessante para contar.
“Ei, Grant,” ela disse após um segundo. “Preciso ir para casa.”
“Você conseguiu isto,” ele disse, seu tom mudando imediatamente.
Capítulo 12

Quando ela terminou o manuscrito, olhou para a tela e sentiu a necessidade de


começar imediatamente com o próximo livro. Não havia nenhum motivo para
parar. Era a próxima coisa na sua lista e ao olhar para a montanha de arroz cozido
no vapor e recipientes de legumes que ela estava empenhada junto com as caixas
de pizza que estavam abarrotando toda a sua cozinha, isto apenas pareceu como a
solução para o problema de tédio que estava infectando a sua mente neste
momento. É claro, as revisões voltariam em breve e ela precisaria encontrar
alguma maneira de trabalhar nelas, mas Leslie descobriu que quando estava nos
seus momentos mais sombrios, ela gostava de atacar em novas direções. Criar era
sua solução para se sentir deprimida e como se tivesse perdido tudo.
Na semana que tinha se passado desde que ela deixou o bilhete no paraíso
para as suas amigas enquanto elas tinham ido comer e provavelmente discutir
como iriam lidar com a sua anfitriã deprimida, Leslie tinha partido em silêncio,
pego o primeiro barco e voado para casa e então descobriu que escrever com a
porta trancada, olhando para a rua abaixo da sua varanda era o melhor remédio.
Exatamente como quando Michael tinha ficado doente e então novamente depois
que ele morreu. É claro, já que suas amigas não tinham voltado imediatamente,
ela presumiu que elas estavam mais do que dispostas a apreciar as férias
enquanto Leslie lidava com a sua tristeza sozinha.
Ela não tinha dúvidas que iria superar Conrad. Ela tinha feito uma conexão,
mas não era o tipo de conexão que estava destinada para uma vida. Tinha sido
uma fantasia tola em uma ilha paradisíaca. Ela se obrigou a acreditar que tinha se
apaixonado por um ator famoso e sexy. Exatamente como um dos personagens nos
seus livros.
Não era o fim do mundo e ela não trataria isto assim. Ela tinha estado lá
antes e sabia exatamente qual era a sensação. Por enquanto, iria apenas se
entregar a carga de trabalho que ela tinha e depois sairia disto completamente
melhor.
Ela sabia que estava mentindo para si mesma, mas isto não a impediu.
Então ela tinha realmente gostado de Conrad. Ela tinha feito uma conexão
com ele quando nunca tinha feito uma conexão com ninguém antes. Então,
enquanto estava comendo fatias de pizza do Gustavo’s e indo a academia para
sair da depressão que tinha tomado conta dela, ela continuava dizendo a si mesma
que precisava continuar seguindo em frente. Um passo de cada vez.
Conrad tinha uma bagunça de problemas para lidar. O fato que Kyra tinha
estado procurando pelo seu marido somente provava quão determinada ela estava
em mantê-lo. Talvez eles tivessem voltado, talvez não. Não importava. Conrad
não estava pronto para entrar em outro relacionamento. Ele tinha precisado de um
estepe. Foi isto que ela tinha ido procurar. Apenas sexo sem vínculos... Em uma
ilha isolada.
Levantando-se para ir procurar por algo com chocolate para aquecer o seu
coração, ela ouviu uma batida na porta e olhou na direção do som com um
sentimento frio na boca do estômago. Merda. Suas vizinhas tinham voltado.
“Leslie?” uma voz familiar chamou, mas não a voz que ela estava esperando.
Na verdade, ela nunca tinha esperado ouvir a voz de Conrad de novo exceto
na televisão. Ela não conseguiu deixar de sentir um fluxo lento de frio percorrer a
sua coluna. Ela tinha antecipado Josie ou Amber, mas não Conrad. Ela se
agachou, como se ele pudesse ver através da porta e localizá-la. “Leslie? Você
está em casa? Preciso conversar com você,” ele gritou, batendo na porta de novo.
Raiva acumulou-se dentro de Leslie. Ela não iria abrir a porta para ele. Ela
não poderia permitir que ele entrasse na sua vida; pelo menos, não agora. Ela
sabia que se abrisse a porta, não seria forte o suficiente para resistir a ele; ela se
apaixonaria por ele de novo.
Ele não sabia nada sobre ela. Ele não fazia ideia que ela tinha dinheiro e
quem ela realmente era. Ele achava que ela era uma escritora passando fome. Ele
não a tinha provocado sobre isto durante o único almoço que eles tinham
compartilhado?
Outra batida na porta lhe disse que ele não desistiria. Ela precisava
interrompê-lo agora. Dizer-lhe que ela não o queria ou a besteira de passado que
vinha com a sua vida.
“O que você quer?” Leslie perguntou, levantando-se lentamente e
caminhando na direção da porta.
“Maldição, é bom ouvir sua voz,” Conrad disse, não soando mais
desesperado ou em pânico. Ele soava aliviado, honestamente, como se ele
esperasse que ela estivesse morta. Ela sentiu-se ligeiramente insultada por isto.
“Leslie, eu levei uma semana inteira implorando para as suas amigas para
conseguir o seu endereço. Acho que elas estão mais furiosas comigo do que
você.”
“Duvido imensamente disto,” Leslie rosnou. “Como está a sua esposa?”
“Ela não é...” Ele suspirou, nitidamente frustrado no outro lado da porta.
“Você pode, por favor, me deixar entrar para que possamos conversar?”
“Por quê?” Ela não queria vê-lo. No minuto em que ela fizesse isto, o muro
que ela estava reconstruindo desabaria. “Você disse que ela o traiu e você a
deixou. Então você fica todo olhos arregalados sobre mim. Foi apenas um jogo
para você, não foi?”
“Não foi um jogo!”
Ela ignorou o seu comentário. “Então no momento que você a vê, você se
curva e nem luta para me defender. Você apenas me deixa ir embora.”
“O que você acha que estou fazendo agora?” Conrad socou o batente da
porta. “O que você acha que eu tenho feito durante a última semana?”
Ela não sabia o que dizer ou fazer. Ela sabia que não deveria abrir a porta.
Não deveria sequer estar parada tão perto dela quanto ela estava, mas ela queria
tanto abrir a porta e beijá-lo. Ela queria arrastá-lo para dentro da sala e olhar nos
seus olhos safiras e tirar suas roupas. Eles sequer chegariam até o sofá. Mas ela
não queria ser usada ou manipulada. Ela não estava no negócio de ser um estepe.
Ela nunca tinha usado ninguém depois de Michael. Ela também não usaria Conrad
como uma ferramenta para superar o seu marido morto. Ela caminhou até a porta e
pressionou a testa nela.
“Nem mesmo tive uma chance de fazer amor com você,” Conrad disse
através da porta, nitidamente atormentado pelo silêncio que ele estava sendo
obrigado a suportar. Ela não sentiu a menor simpatia por ele. Não era nada menos
do que ele merecia depois do que ele a tinha feito sentir. “Não tive uma chance de
rir de novo com você ou assistir nossos filmes. Eu queria fazer tantas coisas com
você na ilha. Eu sei que isto poderia soar como se eu estivesse me movendo
muito rápido. Ou talvez soe um pouco desesperado ou cliché, mas realmente
gostei muito de você, Leslie. Acho que eu fiquei completamente apaixonado por
você. Sabe? Como nos filmes antigos e coisas assim? Nunca me senti assim antes.
É incrível e apavorante ao mesmo tempo.” Seu punho bateu com gentileza na
porta. “Leslie, quero uma chance. Quero que você me mostre todas as cicatrizes
que você esconde. Quero ser aquele a pegar todos os seus pedaços quebrados.”
Houve uma longa pausa antes que ele suspirasse. “Apenas precisava ter a chance
de lhe dizer que eu me sinto assim antes que você decidisse que eu não era digno
do seu tempo. Sinto muito por tê-la incomodado.”
Estava passando.
Tudo estava começando a desaparecer. A mágoa, perder Michael, o medo.
Mais uma vez, ela estava no limiar de um daqueles momentos na sua vida
que mudaria tudo. Um momento na sua vida onde ela olharia para trás e veria isto
como um ponto de arrependimento ou como um trampolim.
Era um risco.
Ela não sabia se abrir a porta seria o ponto de arrependimento ou o
trampolim. Ela apenas teria de tomar uma decisão e viver com isto.
Não havia garantia que seria tudo flores e arco íris e filhotes de cachorro se
ela abrisse a porta. Talvez esta seria a decisão que iria lhe custar tanta mágoa e
dor que mudaria sua vida e sua percepção do mundo por causa do que ela
vivenciou.
E se fosse isto que estivesse esperando por ela no outro lado da porta?
Relacionamentos nem sempre acabavam bem e nem sempre acabavam com o
felizes para sempre. Talvez ao manter a porta fechada, ela estava se resguardando
de acabar na mesma posição em alguns meses ou anos, mas ela estava
resguardando parte da sua inocência e sua alma no processo.
Leslie olhou para a maçaneta.
Quanto ela estava disposta a arriscar?
Ela deveria ou não abrir a porta?
O que vai ser? ela tremeu enquanto se questionava.
O FIM
Inédito chegando em junho de 2016
LIVRO BÔNUS!
O CHEFE
Livro 1 da Série Lidando com os Chefes
Incluído de GRAÇA!
O CHEFE
Livro 1
Série Lidando com os Chefes
Lexy Timms
Copyright 2015 by Lexy Timms
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, armazenada ou
introduzida em um sistema de recuperação ou transmitida, de qualquer maneira ou por quaisquer meios
(eletrônico, mecânico, fotocópia, gravação ou outro) sem a autorização prévia por escrito de ambos, o
proprietário dos direitos autorais e da editora, acima mencionada, deste livro.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares, marcas, mídia e incidentes são produtos da
imaginação da autora ou são usados ficticiamente. Qualquer semelhança com uma pessoa real, viva ou morta,
eventos ou locais, é mera coincidência. A autora reconhece o status de marca registrada e proprietários de
marca registrada dos vários produtos citados nesta obra de ficção, que tenham sido usados sem permissão. A
publicação/uso destas marcas registradas não está autorizada, associada ou patrocinada pelos proprietários da
marca registrada.
Todos os direitos reservados.
Copyright 2015 by Lexy Timms
Capa por BOOKCOVER BY DESIGN
Descrição:
Da autora best seller, Lexy Timms, chega um romance sobre um bilionário que
irá fazê-la desmaiar e se apaixonar de novo.
Jamie Connors desistiu dos homens. Apesar de ser inteligente, bonita e
apenas ligeiramente acima do peso, ela é um imã para o tipo de caras que não fica
por perto.
O casamento da sua irmã está em primeiro plano na atenção da família.
Jamie estaria bem com isto se sua irmã não a estivesse pressionando para perder
peso, assim ela caberia no vestido de dama de honra, sua mãe iria parar de
criticá-la e seu ex-namorado não estivesse prestes a se tornar seu cunhado.
Determinada a sair por conta própria, ela decide aceitar uma posição de AP
do bilionário Alex Reid. O trabalho inclui um apartamento na propriedade dele e
a tira de viver no porão dos seus pais.
Jamie tem de equilibrar sua vida e de alguma maneira descobrir como lidar
com seu chefe bilionário, sem apaixonar-se por ele.
** O Chefe é o livro 1 na série Lidando com os Chefes. Todas as suas
perguntas não serão respondidas no primeiro livro. Ele pode terminar em
suspense.
Para um público maduro somente. Há situações adultas, mas esta é uma
história de amor, NÃO erótica.
Capítulo 1
Mais uma hora e então você pode ir embora. Apenas mais uma hora idiota.
Jamie resistiu ao desejo de olhar para o seu telefone pela quinta vez em vinte minutos. Ela não sabia o que
estava esperando ver nele. Não era como se o tempo iria se mover mais rápido. Ela voltou sua atenção para a
festa de noivado da sua irmã, que ela supostamente deveria estar apreciando – em teoria. Contudo, parecia
quase impossível com o seu ex-maldito sentado na frente dela com o braço ao redor da sua irmã.
Stephen pegou Jamie encarando e deu um sorriso falso para ela. Jamie desviou o olhar, para a água gelada
que ela tinha optado ao invés da cerveja que ela realmente queria. Ela poderia muito bem tentar fazer um
esforço para mostrar a família que ela queria perder peso.
“Você já escolheu o local, Christine?” A mãe de Jamie perguntou. Seu cotovelo ossudo cutucou Jamie no
lado enquanto pegava seu copo de água.
Jamie fez um esforço para endireitar-se da sua má postura, somente para deslizar os ombros para frente
um momento depois.
“Ainda não,” Christine sorriu para o seu noivo. “Estamos pensando sobre aquela igrejinha fofa alguns
quarteirões de distância do apartamento de Stephen.”
Meu apartamento! Pelo menos tinha sido até que Stephen se recusasse a mudar. Com suas economias
definhando, tinha acabado sendo apenas mais fácil deixá-lo ficar com ele e dizer ao senhorio para começar a
cobrar-lhe o aluguel ao invés dela. Ela não tinha discutido quando o senhorio também insistiu que Jamie
mantivesse seu nome no contrato de arrendamento quando ele acrescentou o nome de Stephen. Ela manteve o
silêncio até mesmo quando isto significou que ela tinha de ir morar no porão dos seus pais. Temporariamente,
pelo menos... Eu espero
“Oh, aquela igreja é tão fofa! Você definitivamente deveria verificá-la. É Metodista, certo?” O tom da sua
mãe deu nos nervos de Jamie. Ela sabia que ela não queria dizer nada sobre a fofura da igreja, somente queria
a confirmação da sua pergunta. Era exatamente assim que a mãe dela sempre funcionava.
“Claro,” Stephen disse. “Não iríamos levar em consideração nenhuma igreja que não fosse Metodista.”
Seu pai grunhiu e verificou o relógio. Ele era o único na família que parecia lembrar o fato que Stephen não
tinha se incomodado em destilar charme quando ele os conheceu como o namorado de Jamie. Ou, mais
provavelmente, ele simplesmente não achava que alguém era digno do seu precioso anjinho, Christine. Jamie
não poderia dizer. Ela nunca foi capaz de conseguir a atenção do seu pai por tempo suficiente para perguntar-
lhe.
Justo neste momento a comida chegou e a boca de Jamie salivou pelo cheiro. Ela não conseguia tirar os
olhos dos hambúrgueres enormes e das tiras de frango com batatas fritas servidas no pub. O garçom
equilibrava pratos enormes de junk food deliciosa sobre a bandeja. Ele sorriu para todo mundo enquanto
colocava o hambúrguer e o frango frito na frente de Christine e Stephen, o frango Alfredo e bolinhos de
caranguejo na frente dos seus pais e em seguida lançou lhe um sorriso quase simpático antes de colocar uma
salada pequena e de aparência insossa na frente de Jamie, que percebeu vagamente que era somente do
tamanho de um acompanhamento.
“Tomei a liberdade de pedir para você, já que você ia chegar atrasada,” Christine disse por cima do seu
prato sobrecarregado de comida frita. “Sei o quanto você quer perder peso, Jamie. Afinal, o vestido de dama
de honra é muito justo.” Ela olhou para Stephen. “De maneira nenhuma vou fazer sequer uma marca nesta
pilha.”
Jamie reprimiu sua raiva e forçou um pequeno sorriso para a sua irmãzinha. “Obrigada. Está perfeito.”
Para um coelho. Ela estendeu a mão para os croutons quando Christine assentiu e deu uma mordida em uma
batata frita grande.
“Querida, você tem certeza que quer os croutons?” Sua mãe estendeu a mão e deslizou-os para fora do
seu alcance. “Sua irmã se deu ao trabalho de pedir uma refeição bastante saudável para você e você está
prestes a desfazer todos os benefícios.”
“Não acho que croutons irão me manter em um manequim 40.” Jamie tentou manter seu rosto ilegível.
Contudo, a comida chinesa que estou pedindo quando der o fora daqui poderia. Ela derramou todo o
pacote de croutons sobre a salada, ignorando o olhar que Stephen e Christine trocaram. Isto mesmo. Planeje
sua dama de honra de reserva o quanto você quiser. Estou comendo os malditos croutons! Ela não era
grande, ela sabia disto, mas sua família a fazia se sentir como se ela fosse enorme comparada com o tamanho
das suas duas irmãs. Sua querida irmã provavelmente tinha dito não ao molho ou quase nenhum. Ela deu uma
mordida e realmente desejou que a salada viesse automaticamente com o molho a parte. E talvez pão de alho.
Pão de alho com queijo.
“E a lua-de-mel?” sua mãe perguntou para Christine. “Vocês já escolheram um lugar?”
“Ainda não.” Christine sorriu radiante enquanto virava para olhar para o homem ao seu lado. “Stephen
disse que queria me surpreender. Tudo que pedi é que seja algum lugar quente.” Ela limpou uma mancha
minúscula de ketchup dos lábios dele. “Jamie disse que viria comigo comprar maiôs, não foi Jamie?”
Jamie assentiu, incapaz de responder enquanto mastigava o iceberg de alface quase sem gosto.
“Eu realmente gostaria que você desse mordidas menores.” Sua mãe balançou a cabeça. “Você irá se
sentir satisfeita muito mais rápido se fizer isto. Talvez então você não precisaria de todos aqueles croutons que
você usou.”
Pare de me criticar, Mãe! Não tenho mais dezesseis anos. “Claro, Mamãe.” Jamie sorriu e tomou um
gole de água. Maldição, por que eu não pedi uma cerveja? Ou uma caixa com seis unidades?
“De qualquer maneira, estava esperando por algum lugar no Mediterrâneo ou no Caribe.” Christine
suspirou de maneira dramática. “Apenas um pequeno resort tranquilo e intimo no paraíso.” Ela virou para
Stephen e beijou-o no rosto. “Isto não seria divertido, querido?”
“Seria o paraíso.” Ele esfregou o nariz no dela.
Jamie sentiu vontade de vomitar a péssima salada no seu estômago. Ela levantou. “Desculpe-me, já volto.”
Ela não esperou pelo olhar de desaprovação da sua mãe ou algum comentário extraordinário de um deles. Ela
virou e caminhou na direção do banheiro, seus olhos arremessados para o chão logo na frente dela. Ela olhou
para cima para certificar-se que entrou no banheiro do gênero certo. Tão logo fechou a porta do reservado, ela
suspirou. “Quarenta e cinco minutos, garota,” ela murmurou. “Então você pode ir embora.” Mas a entrada
está tão perto! Tudo que ela tinha de fazer era deslizar para fora e nunca ver nenhum deles jamais
novamente... até depois do maldito casamento.
Se somente ela não morasse no porão dos seus pais. Se somente ela tivesse economizado o suficiente para
sair da cidade. Se somente... Então ela poderia realmente desaparecer.
Ela obrigou-se a acalmar-se, sabendo que não iria a lugar nenhum. Ela tinha a inteligência, o bom senso, a
ética do trabalho duro e até mesmo um comportamento amigável quando sua família não estava por perto. Ela
apenas carecia da crença que poderia fazer isto.
Chega! Ela foi até o espelho do banheiro para retocar a maquiagem. Era ruim o suficiente que Stephen a
tivesse deixado pela sua irmã mais nova e mais quente, ela não precisava parecer como a rejeitada. Não era
para ser. Ela e Stephen nunca teriam durado. Ela sabia disto, mas isto não diminuía a mágoa e a humilhação.
Para procrastinar mais, ela praticou o seu sorriso no espelho, tentando fazê-lo parecer mais sincero e
confiante. “Isto mesmo, Stephen, filho da puta,” ela disse para o seu reflexo e deu uma risadinha. “Não preciso
de você. Você pode simplesmente beijar a minha bunda, seu filho da puta superficial.”
Ela congelou quando ouviu a voz de Stephen nitidamente através da porta. O banheiro sequer era a prova
de som.
“Alex! Como vai?”
Oh, merda!
“É um prazer vê-lo, Stephen.” Houve o som de tapas que sempre se seguia quando caras se abraçavam.
“Como está a vida de recém-noivo?”
“Quase fantástica! Como está a vida de eterno solteirão?”
“Ainda melhor.”
“Tenho certeza que está.” Stephen riu, o que somente fez com que Jamie revirasse os olhos dentro do
banheiro. “Você está parecendo um pouco grisalho ao redor das bordas. O trabalho já pegou você?”
Houve um suspiro e Jamie imaginou um cara alto, moreno e bonito passando os dedos pelo cabelo. O
estranho seria bonito, é claro. Stephen somente saia com pessoas insanamente bonitas. Obviamente um
viciado em trabalho. Provavelmente com trinta e poucos.
“Continuo lhe dizendo para contratar uma assistente pessoal,” Stephen disse. “Um dia destes você vai
encontrar-se nadando muito acima da sua cabeça em águas infestadas de tubarão.”
“Eu sei.” Alex suspirou novamente. “Na verdade, estou procurando por uma. Você conhece alguma?” Ele
riu.
“Sério?” Stephen riu. “Na verdade, conheço a garota perfeita para você. Ela tem experiência de
secretária.” Sua risada transformou-se em um riso dissimulado. “E ela está procurando por um emprego.”
Jamie revirou os olhos. Ela poderia imaginar exatamente o tipo de secretária que Stephen queria sugerir.
Barbie. Ou alguma modelo perfeita manequim 38.
“Espere, Stephen.” Alex riu, um som delicioso escapando dos seus lábios, que deixou Jamie morrendo de
vontade de saber como ele realmente parecia. “Tenho certeza que você tem as melhores intenções, mas não
preciso de distrações no local de trabalho. Você poderia estar tudo bem com isto, mas eu tenho muito mais em
risco na minha empresa.” Alex deve ter dado um soco de brincadeira no ombro de Stephen ou algo assim.
“Você irá gostar desta,” Stephen insistiu.
“Se ela é tão bonita quanto a sua noiva, então nunca iria funcionar. Preciso se alguém que possa fazer o
trabalho. Não uma bonita distração.”
Stephen assoviou. “Tão bonita quanto Christine? Isto é engraçado. Não, dificilmente ela é atraente. Na
verdade, ela é a irmã ligeiramente mais velha de Christine, Jamie.”
Jamie corou. Stephen não estava dizendo que ela era ‘dificilmente bonita’ quando estava implorando para
ela fazer sexo com ele.
“Aposto que ela é bonita.” Alex fez uma pausa, provavelmente balançando a cabeça ou arqueando o
pescoço para ver onde Christine estava sentada em uma tentativa para conseguir um vislumbre da ‘irmã mais
velha’. “Ela está aqui com vocês?”
“Sim,” Stephen disse. “Mas está no banheiro no momento. Você está falando sério sobre não querer
alguém quente?” Ele bateu as mãos e esfregou-as juntas. Jamie imaginou que ele encolheu os ombros quando
Alex assentiu. “Ei! Por que você não se junta a nós para o jantar? Quando ela sair, irei apresentá-lo.”
A boca de Jamie ficou imediatamente seca. A última coisa que Jamie precisava era o amigo bonito de
Stephen olhando para ela durante todo o jantar para julgar se ela era feia o suficiente para não ser uma
distração para ele. Ela olhou para si mesma no espelho antes de alisar as suas roupas. Respirando fundo, ela
encolheu a barriga e tentou parecer calma enquanto abria a porta do banheiro, surpreendendo ambos, Stephen
e Alex.
Ela sorriu friamente para o seu ex. “S-Stephen!” Ela quase gaguejou quando notou o homem ao lado do seu
futuro cunhado. Ela não teria ficado surpresa se tivesse havido um baque alto da sua mandíbula atingindo o
chão. O homem mais bonito que ela já tinha colocado os olhos estava parado na frente dela. Seus olhos eram
um azul esfumaçado que a fez se sentir quente por toda parte. Eles pareciam brilhar contra o seu bronzeado,
que parecia muito bom para ser falso. Apesar do comentário de Stephen sobre ele ficando grisalho ao redor
das bordas, não havia nenhum indício disto no seu cabelo castanho escuro ou cavanhaque. E ele está
julgando as outras pessoas sobre serem distrações no local de trabalho?
“Jamie, estávamos acabando de falar de você.” Stephen hesitou.
“Eu sei,” Jamie disse, interrompendo-o. “As paredes do banheiro aqui são péssimas. Pude ouvir tudo.”
Stephen teve a decência de parecer constrangido antes de recuperar-se rapidamente e tornar seu rosto
ilegível. “Bom! Então você sabe o que Alex está procurando.” Ele fez um gesto para o senhor alto, moreno e
bonito. “Este é um amigo meu, Alex Reid. Alex, esta é Jamie, a irmã de Christine. Alex está procurando por
uma assistente pessoal. Eu estava acabando de lhe dizer quão perfeita você é por causa da sua experiência
como secretária.”
“Entre outras coisas.” Jamie desejou que ela pudesse gritar com ele sobre o que ele tinha dito. Só que ela
precisava deste emprego. Isto significava que ela poderia mudar em um mês ou dois. Ela virou para Alex e
sorriu para ele, estendendo a mão para ele apertar. “Prazer em conhecê-lo.” Ela esperava que sua mão não
estivesse suada. “Ficaria feliz em submeter o meu currículo. Tenho certeza que Stephen pode me dar suas
informações de contato.” A mão dele pressionou a dela, enviando um raio de algo novo correndo através das
suas veias. Provavelmente o gosto da liberdade. “Se você me desculpar, deveria voltar para a festa de
noivado da minha irmã.” Antes que Alex sequer pudesse dizer uma palavra, Jamie girou nos calcanhares e
dirigiu-se para a mesa deles, piscando para conter as lágrimas e sentindo que esta tinha de estar no alto da sua
lista das noites mais humilhantes da sua vida – de todos os tempos.
Capítulo 2
“Não posso acreditar que você acabou de fazer isto,” Alex sibilou.
Jamie ainda podia ouvi-lo enquanto se afastava.
“Não tenho certeza quem está mais constrangido; eu ou a garota.”
“Como eu deveria saber que ela podia me ouvir?” Stephen pigarreou. “Além disso, não deveria vir como
qualquer surpresa para ela. Ela já sabe que precisa perder peso.”
“Stephen,” Alex advertiu. “Sua falta de sutileza e vergonha é completamente vulgar. Além disso, a garota
sequer é feia. Ela tem lindos olhos azuis claros e um sorriso bonito.” Ele fez uma pausa e Jamie achou que
tinha saído do alcance da voz até que ela o ouviu dizer, “Quando você se tornou tão idiota, Stephen?”
Stephen deu um tapinha no ombro do seu amigo. “Sempre fui um idiota, Alex. Você apenas está muito
ocupado para vê-lo.”
“Aparentemente.”
Jamie fingiu deixar algo cair assim ela poderia ouvir o resto da conversa deles.
“De qualquer maneira,” Stephen disse. “Venha juntar-se a nós para o jantar? Os pais de Christine estão
pagando.”
“Eu estava apenas no meu caminho de saída,” Alex respondeu. “Tenha uma boa noite. Certifique-se que
Jamie consiga as minhas informações de contato.”
Jamie olhou para cima quando ele disse o seu nome.
“Eu irei,” Stephen disse enquanto Alex virava e saía do pub. Ele agarrou o cotovelo de Jamie algumas
mesas antes da deles, fora do alcance da audição. “Eu me arrisquei por você.”
“Como?” Jamie puxou seu cotovelo livre, mas não se moveu.
Stephen encolheu os ombros e rapidamente olhou na direção da mesa deles antes de olhar de volta para
ela. “Você me apresentou para Christine, agora estou retribuindo o favor.”
“Não preciso dos seus favores.” Ela estremeceu, odiando seu toque.
“Você precisa neste momento. Alex raramente considera alguém seu amigo. Ele quase não vê ninguém
mais, provavelmente porque não confia em ninguém. Ele não pode desacelerar se quer permanecer à frente do
jogo. O mundo de Wall Street não espera por ninguém. Nem mesmo pelos multibilionários.”
Alex, um multibilionário? Jamie piscou. Em que ela poderia estar se metendo? Ela dirigiu-se para a mesa e
pegou sua bolsa.
“Onde você pensa que está indo?” Christine levantou. “Temos coisas que precisamos discutir. Você é
minha dama de honra.”
“Você ficará bem sem mim.” Jamie deu uma respiração trêmula. “Irei fazer seja o que for que você
precise que eu faça. Você sabe que eu irei.” Ela saiu correndo antes que alguém pudesse convencê-la a ficar.
Ela tinha a sensação que Stephen iria contar-lhes as novidades, certificando-se de explicar a sua grande parte
sobre como ele estava tentando lhe conseguir um emprego.
Ela pegou uma rota diferente dos seus pais para casa assim eles não saberiam que ela parou em um lugar
de comida chinesa para viagem por um pouco de arroz frito e caranguejo Rangoon. Sozinha no estacionamento
com uma caixa vazia de comida ao seu lado que tinha um gosto delicioso, mas provavelmente acrescentou
outros dois quilos aos seus quadris, ela apoiou a cabeça no volante e chorou.
Como as coisas tinha ficado tão ruins? Ela sabia que não era obesa, mas sua família tinha o hábito de fazê-
la se sentir como o elefante na sala.
Ela precisava perder um pouco de peso, sim, ela compreendia isto. Ela tinha adicionado os seis quilos de
caloura na época da faculdade e nunca o perdeu e depois um pouco mais rastejou em cada ano. Ela não
precisava disto esfregado na sua cara. Jamie assou o nariz em um guardanapo abominável e fino. Mais
lágrimas caíram. Não ajudava que o seu namorado — ex-namorado — que deveria amá-la incondicionalmente,
também viu isto e prontamente a dispensou porque ela estava “parecendo um pouco cheia ao redor dos
quadris”. Ele nunca seria um idiota assim com Christine porque ela era tão perfeita em toda a sua glória
ossuda.
Agora Alex ia pensar que ela era patética... se ela sequer conseguisse o emprego. De qualquer maneira,
provavelmente, ele seria um chefe desagradável para trabalhar. Ela bufou e riu. Pelo menos a sua feiura tinha
alguns benefícios. De maneira nenhuma ela jamais seria tão quente para deixá-lo louco de desejo quando ele
deveria trabalhar.
Ela precisava deste emprego. Isto significava sair do porão da casa dos seus pais e ela tinha de recomeçar
em algum lugar.
Jamie espremeu um pouco de higienizador de mãos em um guardanapo limpo e limpou o rosto e as mãos
antes de guardar as caixas vazias debaixo do seu assento e arrancar do estacionamento. “Jamie,” ela disse
para o seu eu no espelho retrovisor. “Todos os homens são porcos. Você não precisa estar encilhada como
Christine. Você está exausta. Você não tem mais nada.” Ela respirou fundo. “Vá encontrar-se.”
Capítulo 3
Jamie recebeu o telefonema de Alex dois dias depois. “Primeiro de tudo, gostaria de me desculpar pela
maneira como nos conhecemos,” ele disse depois que as gentilezas foram trocadas. “Não era minha intenção
desrespeitá-la ou qualquer outra pessoa, de qualquer maneira. Sinto muito pelo comportamento de Stephen.”
Jamie sentou e colocou seu laptop de lado. “Você não precisa se desculpar.” Ela queria este emprego, mas
não iria agir como a pessoa fraca e insegura que Alex provavelmente achava que ela era. “Você não é
responsável pelo comportamento de Stephen. Ele é, bem... Stephen.”
“Ele é um idiota,” Alex disse sem rodeios. “Espero que possamos seguir em frente e você não será
insultada quando lhe oferecer uma entrevista para amanhã às duas. A entrevista não tem nada a ver com
Stephen. Seu currículo é impressionante e ideal para esta posição.”
Aquela não é a única coisa ideal para esta posição. Você precisa de alguém que não seja bonita.
Jamie fez uma careta e pensou sobre o dinheiro que ela faria. Você pode se mudar do porão. “Tudo bem,”
ela disse, tentando soar profissional e despreocupada. “Amanhã deverá funcionar. Onde você gostaria de
encontrar?”
“No meu escritório. Estou enviando um e-mail com o endereço e as direções neste momento,” Alex disse.
“Obrigado, Srta. Connors. Vejo você então.”
“Vejo você amanhã às duas.” Ela desligou justo quando o e-mail fez um som agudo, dizendo que ela tinha
uma nova mensagem de Alex. Ela sorriu com a prontidão dele e em seguida abriu o e-mail. Com as direções e
o endereço estava também a descrição do trabalho e os benefícios. Ela sorriu quando viu o benefício máximo:
um apartamento de dois quartos apenas três quarteirões do escritório de Alex e um salário duas vezes o que
ela tinha ganho no seu último emprego. De maneira nenhuma ela ia deixar este emprego escorregar entre os
seus dedos.
Na tarde seguinte, Jamie certificou-se de estar no escritório de Alex quinze minutos mais cedo. Ela usava um
terno novo que não parecia fantástico, mas não parecia tão ruim na sua opinião. Tinha colocado seus cachos
loiros enrolados apertados em um coque conservador. Não conseguiu resistir colocar um pouco de maquiagem
para esconder os círculos escuros sob seus olhos e um toque de cor nos lábios. Não o suficiente para torná-los
óbvios, mas o suficiente para fazê-la parecer um pouco apresentável. Depois de quase não dormir na noite
anterior, ela tinha parecido como o inferno quando levantou naquela manhã. Somente algumas correções
artificiais iriam disfarçar a maior parte do dano. Ela não estava muito preocupada. Alex Reid não precisava de
uma garota bonita, ele precisava de alguém eficiente. Jamie poderia fazer isto.
“O Sr. Reid irá vê-la em um instante,” uma secretária magra lhe disse.
Jamie sentou-se em uma cadeira na área de espera e olhou ao redor do prédio imaculado de escritórios. Ele
era muito maior do que aquele que ela tinha trabalhado antes. Os pisos e tetos eram feitos de mármore branco
e preto com bonitas pinturas tanto clássicas e modernas acrescentando borrifos de cor à parede. Tudo isto
tinha de custar uma fortuna. Alex era dono de tudo isto? Ela já tinha imaginado que ele era abastado, mas isto
era positivamente extravagante. Sua boca ficou seca quando percebeu que não fazia nenhuma ideia do que
Alex fazia exatamente ou qual era sua posição na empresa. Ela deveria ter feito o dever de casa. Idiota!
Seus pensamentos foram interrompidos pelo seu telefone tocando. Ela pulou com o som e tirou-o da bolsa.
“Christine, agora não,” ela sibilou.
“Serei rápida,” sua irmã disse. “Você já enviou os convites?”
“Ainda não, os envelopes sequer chegaram. Achei que você disse que ainda não tinha terminado a lista de
convidados.”
“Jamie,” ela gemeu. “Você deveria ter me ajudado com isto na semana passada, lembra? Você não faz
nenhuma ideia quão estressante toda esta coisa do casamento é. Eu preciso —”
Alex apareceu na porta do seu escritório, uma sobrancelha escura arqueada de uma maneira que poderia
causar medo e desmaio ao mesmo tempo. Ele apoiou-se no batente da porta, seu terno de negócios caro
puxado para cima pelos seus braços enquanto ele os cruzava, exibindo um par de abotoaduras de ouro.
Jamie não fazia nenhuma ideia de quanto tempo ele tinha estado parado lá. “Christine, tenho de ir.” Jamie
bateu rapidamente no botão end, tentando conseguir que o som da voz zangada da sua irmã reclamando
parasse de ecoar das janelas da sala de espera. Ela apertou o botão do viva-voz ao invés do botão end. A voz
de Christine soou nitidamente, “Você é tão incompetente! Agora simplesmente vou ter de cuidar–” Jamie
conseguiu apertar o botão end antes que sua irmã tivesse uma oportunidade de terminar.
O rosto queimando, Jamie enfiou o telefone de volta na bolsa e trouxe a cabeça para cima para olhar para
Alex. Ela não teve a coragem de deixar seus olhos encontrarem com os dele. “Sinto muito, Sr. Reid,” ela
murmurou. “Minha irmã está tendo uma crise do meio-dia.”
“Aparentemente não tão severa se você pode desligar na cara dela por causa de uma entrevista.”
Jamie corou um tom mais escuro de vermelho e lutou para manter sua expressão neutra. “Foi resolvido
rapidamente,” ela disse. Ela queria sorrir, mas pressionou os lábios com firmeza para evitar que os cantos da
sua boca curvassem para cima. “Obrigado por arranjar o tempo para me ver hoje.”
Ele inclinou a cabeça e em seguida fez um gesto para que ela entrasse no escritório. “Como disse no
telefone ontem, seu currículo era impressionante.”
Jamie entrou e sentou-se rigidamente em uma cadeira na frente de uma mesa de mogno gigante, mas bem
organizada. Então é assim como vai ser de agora em diante. Além do encontro informal deles e da conversa
no telefone, estava claro que Alex preferia suas relações de negócio estritamente formais. Isto estava bem
para Jamie. Ela preferia manter sua distância.
“Vamos começar com isto então?” Alex sentou-se atrás da mesa enorme, em uma cadeira que era
desnecessariamente grande, até mesmo para a sua estatura significativa. Ele cruzou as mãos sobre um fichário
de couro. “Por que eu deveria contratá-la?”
Porque eu não quero viver no porão dos meus pais? “Tenho uma ética de trabalho extraordinária,”
Jamie disse. “Não tenho medo do trabalho duro, sou eficiente, horas extras não me assustam e sou
superqualificada para o seu trabalho.” Ele estava sorrindo? Ela piscou e concentrou-se em quais eram as suas
qualificações. “Sou além de eficiente com multitarefas e gestão do tempo – tanto o seu e o meu.”
“A maioria das vezes os cursos de gestão do tempo dizem que multitarefas a torna ineficiente com trabalho
de baixa qualidade que leva muito tempo.” Ele não piscou um olho.
Nem ela. “Estas pessoas estão fazendo isto errado.”
Ele ergueu uma sobrancelha. “Não diga.” Ele mudou de posição e abriu o botão do paletó. “Por que diz
isto?”
“O truque é não fazer duas coisas ao mesmo tempo,” Jamie disse, sua mente imaginando o que ela queria
explicar para ele. “É para fazer uma enquanto espera pela outra. Por exemplo, se meu computador está
fazendo atualizações, posso estar atendendo o telefone ou organizando meus materiais para atender minha
agenda naquele dia. Para isto funcionar, você precisa mudar todo o seu foco completamente de uma tarefa
para a outra imediatamente.”
“E se o telefone toca primeiro?”
“Como?”
“E se você está esperando o telefone tocar e enquanto está esperando decide atualizar seu computador?”
Ela olhou para ele. “Você respondeu. O computador pode atualizar-se por si só. Tudo que você tem de
fazer é clicar em ‘ok’ quando tiver terminado.” Isto foi algum tipo de pergunta capciosa?
“Interessante,” Alex disse, seu rosto e linguagem corporal não entregando nada. “Diga-me, Srta. Connors,
qual era a crise que sua irmã estava tendo?”
E agora ela perderia sua oportunidade neste emprego. Jamie suspirou. “Ela precisava saber sobre os
convites para o casamento.”
“O que sobre eles?”
“Se eles foram ou não enviados.”
“Eles foram?”
Ela balançou a cabeça.
“Sua culpa ou dela?”
“Nenhuma das duas. Ambas, eu acho. A lista de convidados não está terminada e os envelopes de
papelaria não tinham chegado com os convites. Nós ainda estamos—”
“O que você achou da hospitalidade da minha secretária?” Ele acenou com a cabeça, deixando-a
completamente perplexa quanto ao por que ele tinha sequer feito a pergunta.
“Ela foi muito cortês e profissional,” Jamie respondeu muito prontamente.
“O que foi aquilo sobre os envelopes de papelaria?”
“Eles não tinham chegado.”
“Há um arquivo importante que é muito grande para ser anexado em um e-mail, mas eu preciso dele em
uma hora. Como você vai consegui-lo para mim?”
“Mensageiro de bicicleta.”
“Você vai pedalar?” Ele piscou como se surpreso com o seu próprio comentário. “Por que não enviar por
fax?”
“Porque você não tem uma máquina de fax.” Lá! Pegue isto! Boom!
Jamie pegou um indício de sorriso no seu rosto e retribuiu com um pequeno.
“Você realmente sabe como mudar de foco com facilidade.” Alex recostou-se na cadeira. “Pelo menos na
conversa. Seus ex-chefes não têm feito nada exceto cantar louvores a sua ética no trabalho. Por que você
deixou o seu último emprego?”
Jamie pressionou os lábios juntos. Ela tinha ido embora porque Stephen era o filho do seu ex-chefe. Só que
isto significaria que Alex Reid teria de saber que Stephen era o seu ex e namorar o filho do chefe
definitivamente era algo inaceitável profissionalmente, sem mencionar que a faria parecer muito mais patética.
“Houve um conflito pessoal entre outro funcionário e eu. Já foi resolvido e não tenho a intenção de repeti-lo.”
Alex descansou os braços sobre a cadeira, o indício do sorriso desapareceu. “Deixe-me ser claro, Srta.
Connors. Valorizo a completa honestidade dos meus funcionários mais do que qualquer outra coisa e se você
acha que meias-verdades vagas irão fazê-la parecer impecável e irão conseguir o emprego, então pense
novamente. Não irei lhe perguntar o porquê novamente.”
Jamie respirou fundo. “Ótimo. Fui embora porque tinha entrado em um relacionamento com o filho do
chefe. Não pareceu certo trabalhar naquela empresa depois do que aconteceu.”
Alex assentiu. “Como eu sei que algo assim não irá acontecer novamente?”
“Não terminou bem. Nunca irei cometer aquele erro novamente.”
“O que aconteceu?”
“Ele ficou noivo da minha irmã.”
Os olhos de Alex arregalaram ligeiramente e Jamie esperou pelo olhar de piedade. Ela esperava que ele a
apressasse para fora do seu escritório assim nunca teria de ver ou falar com ela de novo. Em vez disto, sua
expressão fria e enigmática habitual deslizou de volta para o lugar. Ele sorriu e levantou. “Acredito que tenho
toda a informação que preciso,” ele disse.
Jamie levantou também e apertou a mão dele.
“Obrigado, Srta. Connors. Tenha um bom dia.”
“Tenha um bom dia, senhor,” ela disse, seu coração afundando.
Ele a acompanhou até a porta do escritório e abriu para ela. Jamie estava no meio do caminho para o
elevador quando ele chamou, “Srta. Connors?”
Ela virou. “Sim, Sr. Reid?”
“Esteja aqui amanhã às seis horas em ponto. Você não quer estar atrasada para o seu primeiro dia de
trabalho.” Ele fechou a porta, deixando Jamie no lobby, a boca aberta de uma maneira muito pouco
profissional.
Capítulo 4
“Tem certeza que você quer fazer isto, Jamie?” sua mãe disse. “O casamento da sua irmã é somente daqui
alguns meses e ela realmente precisa de você agora. Além disso, não acho que dias ficando sentada farão algo
pela sua dieta.”
Ela queria arremessar um travesseiro na sua mãe. Sério? Nem um pingo de incentivo ou parabéns?
Jamie cerrou os dentes. “Apenas pense nisto desta maneira; agora que estou ganhando dinheiro posso comprar
para eles um presente de casamento melhor.”
Sua mãe ainda parecia cética. “É melhor você conseguir para eles um presente muito bom,” ela disse.
“Stephen teve de passar por muitos problemas para lhe conseguir este emprego.”
Sim, porque eu não posso conseguir nada por mérito próprio. Provavelmente foi por isto que ele me
recomendou. Para conseguir-lhes um presente de casamento melhor. Ela duvidava que o idiota realmente
tivesse algo parecido com uma consciência que precisasse de alívio. “Eu irei, Mãe.” Jamie forçou um sorriso
enquanto embalava o resto dos seus pertences na última caixa de papelão e fechava com uma fita adesiva.
Era oito horas da noite, apenas um pouco menos de seis horas desde que ela tinha sido oficialmente
contratada para trabalhar para Alex Reid. Esta era a mudança mais rápida que ela já tinha feito, ainda mais
rápida do que quando ela tinha se mudado do seu — desculpem-na — do apartamento de Stephen. Só que
agora, ela precisava sair do porão dos seus pais antes que eles a deixassem louca ou descobrissem o estoque
de junk food que ela mantinha debaixo do sofá enquanto lidava com a pior loucura de casamento de todos os
tempos. Ela iria levar suas coisas para o novo apartamento que estava, felizmente, já disponível. Alex Reid
tinha erguido as sobrancelhas quando ela tinha perguntado pela chave, mas ele a tinha entregue para ela sem
questionar. Ela planejava descarregar tudo sozinha e dormir no chão hoje à noite.
Sua mãe suspirou alto pela enésima vez naquela noite. “Realmente gostaria que você tivesse pensado sobre
isto, querida.”
“Já pensei,” Jamie disse. “Sério. É uma boa decisão, Mãe. Para todos nós. Este lugar será bom para mim.”
“Apenas gostaria que você tivesse pensado sobre a sua irmã antes de ir.”
Jamie revirou os olhos. Dificilmente Christine era dependente dela e ela tinha a sua própria vida para viver.
Por que diabos ela teria de pensar sobre Christine antes de cada decisão que ela tomasse? Ela sorriu. Isto era
o trabalho de Stephen agora. “Estou indo, Mãe. Lide com isto,” ela disse bruscamente. Ela levantou a caixa e
atravessou a porta e colocou a caixa sobre a grama ao lado do seu carro. Sua mãe foi embora para ficar
amuada, deixando Jamie para mover as suas próprias coisas, o que estava tudo bem com ela, embora isto
levou o dobro do tempo e a deixou exausta. Pelo menos o apartamento vinha mobiliado.
Quando ela fechou o porta-malas do seu carro com um baque, seu pai saiu da casa. “Sua mãe está chorando
lá dentro,” ele disse, parecendo que queria vir com ela. “Você está indo embora?”
“Consegui um emprego, Pai,” ela disse. “Ele vem com o seu próprio apartamento. Começo amanhã.”
Ele sorriu e em seguida puxou-a para um abraço. “Parabéns, garota,” ele disse.
Jamie sorriu, saboreando a sua aprovação. “Obrigado, P—”
Neste momento seu telefone tocou. Ele o tirou do bolso e olhou para ele. “É trabalho,” ele disse.
“Desculpe-me, Jamie. Boa sorte com a mudança.” Ele atendeu o celular enquanto caminhava de volta para a
casa.
Jamie o observou ir enquanto entrava no banco do motorista e ligava o carro.
Simples assim, a única emoção que veio da sua família pelo seu emprego novo tinha acabado.
Ela arrancou da entrada da garagem determinada a fazer deste um novo começo para si mesma.
Capítulo 5
Jamie programou o endereço do apartamento no GPS e seguiu pelas ruas enquanto ele a levava para onde ela
precisava ir. Ela não reconheceu a rua, mas presumiu que não seria longe do escritório de Alex Reid. Seu
bairro de bangalôs desapareceu e começou a ser substituído com casas maiores, no estilo rancho, recuadas
contra a estrada. Ela tinha presumido pelo número da suíte no seu novo endereço que fosse um prédio de
apartamentos. Ela coçou a cabeça enquanto parava na frente de uma casa muito grande, de estilo moderno,
que terminava em uma entrada de garagem, comprida e fechada, diante dela. Jamie verificou duas vezes o
endereço e o GPS.
Ambos estavam certos. A não ser que isto fosse algum tipo de piada doentia que Stephen estava fazendo
com ela.
Ela cerrou a mandíbula enquanto abria a janela do carro e falava ao interfone. “Oi. Aqui é, uh, Jamie
Connors. Estou, uh, me mudando hoje.” Por que ela soava como uma idiota? Pelo menos a pessoa controlando
o portão não estava rindo dela. Ou se estavam, tiveram a decência de desligar o microfone. Ela passou a
língua sobre os lábios e verificou o relógio. Oito e meia e o sol tinha desaparecido. Tinha ficado escuro
rapidamente, dizendo para Jamie que o verão tinha dado lugar ao outono.
Enquanto ela debatia se recuava da entrada da garagem e retornava para a casa dos seus pais derrotada,
os portões abriram silenciosamente. “Obrigado,” ela murmurou enquanto fechava a janela e subia pelo longo
caminho.
Ela não tinha dado uma boa olhada na casa antes e agora na escuridão, não conseguia distinguir muito mais
do que a estrutura moderna e o que parecia como um punhado de janelas. Não muito estava aceso na casa,
exceto por um conjunto de luzes que a conduziram para uma grande garagem e uma área de estacionamento
com uma fonte no meio dela. Ela estacionou o carro na última vaga na direção do quintal com portões de ferro.
Nada estava aceso lá, exceto por uma fatia da lua. Ela tinha bastante certeza que viu uma piscina, mas não se
deu ao trabalho de confirmar o que seus olhos tinham dificuldade em ver no escuro.
Um senhor mais velho saiu da casa por uma porta perto de onde ela tinha estacionado.
Jamie saltou para chamar sua atenção. “Desculpe-me?”
Ele olhou para cima, assustado. “Sinto muito, senhora. Você me deu um susto.” Seu sotaque escocês
pronunciado não poderia ser ignorado.
“Estou procurando pela suíte número dois?” Ela não fazia ideia de que outra maneira explicar.
Ele sorriu. “Oye! Então você é a nova assistente do Sr. Reid. Bem-vinda.” Ele estendeu a mão.
Ela apertou a sua mão. “Então estou no lugar certo. Estava começando a me perguntar. Sou Jamie
Connors.”
“Prazer em conhecê-la! Sou Murray MacBane. O cozinheiro.” Ele fez um gesto com a mão. “Entre, amor.
Irei lhe mostrar a sua suíte. O Sr. Reid mencionou que você poderia estar chegando hoje à noite. Fiz uma torta
para você e coloquei na geladeira, apenas para o caso.”
“Obrigada.” Sua mãe não gostaria deste homem, fazendo tortas para Jamie e ajudando a engordá-la para o
casamento. Jamie sorriu. “Estou feliz que esbarrei com você.”
“Oye! Estava acabando de ir embora! Estou feliz também.” Ele a conduziu através do portão de ferro para
uma porta ao redor da parte de trás com o número dois nela. “Aqui ela está. Coloquei a chave que usei na sua
caixa de correio.” Ele sorriu animado para ela, seu cabelo parecendo prateado sob a luz da varanda acima
deles.
“Muito obrigado.”
Ele virou para ir, mas parou e virou na direção dela novamente. “Você precisa de ajuda para descarregar o
seu carro?”
Ela sorriu. “Obrigado, mas ficarei bem. Não tirei muito... para hoje à noite. Apenas o básico.” Por que ela
se sentia constrangida que tudo que possuía cabia no seu carro?
“Boa sorte então, senhorita!” Murray acenou e dirigiu-se para o caminho que eles tinham acabado de vir.
Jamie estendeu a mão para a porta e girou a maçaneta. Estava trancada. Ela tirou a chave que Alex tinha
lhe dado para fora da bolsa. Sr. Reid. Ela precisava certificar-se de chamá-lo assim. Aparentemente todo
mundo chamava.
Destrancando a porta ela entrou, as luzes acenderam automaticamente. Ela ficou boquiaberta. Tons simples
de cinza, branco e creme decoravam o apartamento enorme. Só da porta, Jamie tinham uma visão completa do
espaço de conceito aberto. Isto facilmente tinha de ser cento e oitenta metros quadrados — e era apenas a
área de estar-cozinha. Uma porta ligeiramente aberta mostrava um quarto. Jamie começou a rir. O que o Sr.
Reid queria que ela fizesse? Seja o que fosse, ela não se importava, ela faria!
Tirando os sapatos, correu pelo piso de madeira de lei e rodopiou na sala de estar. Tanto espaço! Ela
trabalharia de graça só para morar aqui! Ela passou a mão sobre o balcão de granito e em seguida abriu a
geladeira, curiosa sobre a torta sobre a qual Murray tinha estado falando.
Dentro da geladeira de aço inoxidável, de porta dupla, estava um tipo de torta de carne e uma garrafa de
vinho branco. Perfeito! Ela acendeu o forno para aquecer a torta e tirou uma taça de vinho da prateleira que
estava ao lado da geladeira. Reid não estava brincando quando disse que o lugar estava mobiliado!
Servindo uma taça de vinho, ela a levantou em um brinde para si mesma e o ambiente.
“O quarto!” Ela colocou a taça sobre o balcão e apressou-se para ir verificá-lo. Dentro havia uma cama
king size e um closet que era do mesmo tamanho do seu quarto no porão dos seus pais. Um banheiro anexo ao
quarto estava equipado com uma banheira de hidromassagem e um chuveiro que poderia facilmente abrigar
quatro pessoas. Jamie quase agarrou o telefone para agradecer a Stephen. Então o forno apitou para dizer que
a temperatura tinha alcançado o nível selecionado e ela foi colocar a torta no forno. Enquanto a torta aquecia,
ela carregou suas caixas e pertences para o apartamento.
Ela desempacotou algumas coisas enquanto comia a deliciosa torta de carne e batata, apreciando outra
taça de vinho, seguida por mais uma. Era depois da meia-noite antes que ela finalmente afundasse na cama
agradável e macia, mas perfeitamente firme, apenas para fechar os olhos por um momento.
Capítulo 6
Jamie acordou com o toque estridente do seu alarme. Ela levantou aturdida e atravessou o quarto até onde ela
o tinha guardado em um copo plástico para amplificar o som. Após desligá-lo, olhou ao redor para as caixas
para encontrar aquela que ela tinha marcado com um “X” para as suas roupas de trabalho. Ela a encontrou e
estava quase terminando com seu cabelo quando seu telefone tocou. Ela atendeu rapidamente. “Olá?”
“Preciso que você traga dois cafés médios, um preto e um com três colheres de creme e duas de açúcar
até o escritório. Não se atrase.” A linha ficou muda antes que ela pudesse responder.
Jamie terminou de se preparar com pressa, esperando que o GPS no telefone carregasse assim ela poderia
encontrar a cafeteria mais próxima. Ela puxou o cabelo em um coque apertado e agarrou sua bolsa, esperando
que ela não tivesse abotoado os botões da blusa errados na sua pressa.
Ela entrou no escritório, fazendo malabarismos para abrir a porta e segurar a bandeja com os três cafés. A
secretária, Gina Campbell, levantou e pegou a bandeja dela. “Irei lhe mostrar a sua mesa bem rápido,” ela
disse. “Você chegou aqui bem a tempo.”
A mesa de Jamie ficava em um pequeno escritório ao lado do escritório de Alex. Havia uma porta de
ligação entre os dois escritórios, assim como uma porta para a área principal. “A agenda do Sr. Reid está na
primeira gaveta à direita. Ele irá querer que você sincronize o seu telefone com o dele assim você saberá onde
ele está e onde você precisa estar em todos os momentos. Posso lhe mostrar ao redor mais tarde, mas agora
você deveria ir e entregar os cafés. Ele não gosta que eles fiquem frios.”
“Oh, um deles não é para você?” Jamie ainda não tinha conhecido nenhum dos funcionários aqui, mas já
que Gina trabalhava no escritório da frente, tinha presumido que o café era para ela.
Gina balançou a cabeça. “Namorada,” ela sussurrou.
“Oh.” Jamie assentiu. “Obrigada.”
“Eles estão no escritório dele agora. Bata primeiro.”
Jamie assentiu. “Obrigada!” Ela bateu na porta de ligação enquanto Gina voltava para a sua mesa no lado
de fora.
“Entre,” Alex disse baixinho.
Ela abriu a porta e entrou. Alex estava sentado na sua mesa enquanto uma mulher muito bonita estava
sentada em cima da sua mesa. Ela não poderia ter sido maior do que um manequim 38. Ela tinha cachos ruivos
perfeitos que espiralavam pelas suas costas sem qualquer indício de franja. Ela sorriu cordialmente para Jamie,
mas Jamie podia ver a arrogância e a expressão geral de desgosto no resto do seu rosto.
Alex pigarreou e ela virou para olhar para ele, o rosto quente. “Café, senhor.”
“O preto é meu,” ele disse. “Aquele com creme e açúcar é da Annette. Para quem é o terceiro?”
“Este é meu... Sr. Reid.” Jamie entregou-lhe o café preto e deu para Annette o outro. Da próxima vez ela
iria se certificar de deixar o seu café sobre a sua mesa. Parecia que ela estava tentando juntar-se a eles.
“Você definitivamente pediu pelas três colheres de creme e duas de açúcar, certo?” Annette perguntou.
“Isto tem um gosto nojento com qualquer outra combinação.”
“Sim,” Jamie disse, sorrindo de maneira doce. Ela poderia ser a melhor amiga de Christine.
Annette tomou um gole e franziu o nariz. “Irá servir,” ela disse. “Iria preferir o café do Starbucks. Não a
porcaria do Java Joes.”
“Isto é minha culpa,” Alex disse. “Nunca especifiquei.” Ele acenou com a cabeça para Jamie. “Obrigado,
Srta. Connors. Por favor anote uma reunião no horário do almoço no Sinclair’s hoje a uma hora e chá no The
Grind as duas e quinze. E lembre-me quando voltar do chá para telefonar para o Madison Bank para
acompanhar a oferta deles. Contudo, não mais cedo, porque irei esquecer. Oh e agende uma reunião do
conselho para amanhã as cinco. Obrigado.”
“Você pegou tudo isto?” Annette perguntou, nitidamente sarcástica.
Jamie revisou o que Alex tinha dito na sua mente e em seguida assentiu. “Sim, obrigada. Aprecie o seu
café.” Ela virou e correu para a sua mesa. Aprecie o seu café? Estranho? Brega? Pouco profissional? Era
difícil para ela dizer. Sempre houve um ar de profissionalismo nos lugares que ela tinha trabalhado antes, mas
não era tão formal quanto aqui. Então novamente, ela tinha sido a recepcionista para um advogado de cidade
pequena em uma cidade do Meio Oeste, de trezentas pessoas, enquanto pagava pela faculdade e depois
trabalhou para um hotel três estrelas antes de trabalhar como a secretária do pai de Stephen em uma pequena
empresa de publicidade para as empresas locais. Até mesmo a empresa de publicidade tinha sido muito
tranquila porque eles estavam trabalhando com proprietários de pequenas empresas que não precisavam ser
impressionados.
Este era um ambiente completamente diferente. E eu sequer sei o que exatamente eles fazem aqui! Ela
tinha certeza que ou Alex era o dono da empresa ou sua família era. Ela chamava-se Reid Enterprises afinal.
Ela olhou para sua blusa de estampa floral e calça preta. Precisava ir fazer compras. A namorada de Alex era
um corrimão, Gina era um ancinho alto ... O que há com as pessoas magras? Jamie empurrou o pensamento
para o lado. Ela tinha um trabalho a fazer e de maneira nenhuma perder aquele apartamento incrível.
Jamie sentou-se à mesa para anotar tudo na agenda dele e fez uma nota para sempre ter o aplicativo de
mensagem de voz no seu celular funcionando sempre que ele pedisse algo para ela.
Gina bateu na sua porta aberta e entrou. “Posso lhe dar um tour agora, se você tiver um momento.”
“Acho que tenho,” Jamie disse.
Gina sorriu. “Pode parecer assustador no início, mas o Sr. Reid irá devagar com você nos primeiros dias
enquanto você está se adaptando.”
Devagar? Ótimo. Ela não tinha certeza se queria vê-lo quando ele fosse difícil. “Só por curiosidade, com o
que a sua última assistente pessoal teve dificuldades? Apenas quero estar um pouco mais preparada quando as
luvas de pelica saírem.”
Gina pareceu surpresa. “Você não sabia? Ele nunca teve uma assistente pessoal antes. Ele sempre
administrou tudo sozinho.”
“Sério?”
“Sim. Acho que ele somente está notando a tensão disto agora. Para ser honesta, não acho que ele
percebeu que o seu negócio triplicou nos últimos três anos e ele não compreende por que não pode lidar com
tudo sozinho mais.”
Então Alex definitivamente era o dono da empresa. E administrava-a com um punho de ferro,
aparentemente.
O celular de Jamie começou a tocar na sua mesa onde ela o tinha colocado. O som da música da bruxa
malvada do oeste começou a tocar na sala. Era Christine.
“Vá em frente, atenda,” Gina disse. “Contudo, apenas desta vez. Normalmente, o Sr. Reid proíbe todas as
chamadas pessoais.”
“Sinto muito. Não irá acontecer novamente.” Jamie pegou o telefone e pressionou-o contra a orelha.
“Olá?”
“Ei, Jamie, onde você colocou o menu do bufê?” Christine perguntou.
“Você nunca me deu o menu do bufê. Você disse que você e Stephen queriam resolver isto sozinhos.”
Porque você não queria que eu ficasse faminta e enchesse a pança depois de ver todas as comidas
gourmet no menu.
“Oh, está certo. E os panfletos da lua-de-mel?”
“Estou no trabalho. Posso ligar de volta para você?”
“Irá levar dois segundos para responder. Menos se você parar de discutir.”
Jamie suspirou e olhou para o teto alto. “Mesa do quarto, gaveta à esquerda. Tenho de ir.”
“Você conseguiu um emprego?” A voz de Christine subiu uma oitava. “Que dia—”
Jamie encerrou a ligação e rapidamente colocou o telefone no silencioso. “Sinto muito sobre isto,” ela disse
para Gina. “Minha irmã está se casando e está surtando.”
“Estive lá. Fiz isto. Duas vezes, na verdade.” Gina sorriu. “Mas sério, certifique-se que o Sr. Reid não
pegue você recebendo chamadas pessoais. Ele é muito rigoroso sobre seguir as regras e trabalhar com a
máxima eficiência.”
Jamie assentiu. Ela poderia compreender isto. A parte difícil seria tentar fazer a sua irmã, que nunca tinha
trabalhado um dia na sua vida, compreender isto.
Gina a levou ao redor de vários andares do prédio. Todo mundo que ela conheceu foi educado, mas
distante. Todos eles estavam muito ocupados, então Gina e Jamie fizeram o seu melhor para não perturbá-los
A última parada foi na base do prédio. Uma academia ocupava todo o porão, revestida com equipamentos
diferentes assim como dois vestiários, uma piscina e uma sauna. No entanto, era a coisa mais assustadora.
Jamie não fazia ginástica. Ela passou a vida tentando esconder-se de malhar em público. Agora ela tinha a
desculpa de estar muito ocupada para usá-la.
“Bem, é isto.” Gina sorriu. “Eu e alguns dos outros nos reunimos no bar no outro lado da rua para drinques
nas quartas-feiras. É para superar o meio da semana.” Gina riu. “Você é bem-vinda para juntar-se a nós.”
Jamie sorriu. “Parece divertido.” Ela tirou o telefone da bolsa para verificar as horas. Havia cinco ligações
perdidas de Christine e duas ligações perdidas de Alex. Seu coração perdeu uma batida quando percebeu em
que apuros poderia estar. “Tenho de voltar para o meu escritório. Alex — o Sr. Reid tem estado tentando
entrar em contato comigo.”
Gina assentiu. “Vamos. Podemos pegar a escada, será mais rápido.”
Jamie mordeu a língua para evitar argumentar que o elevador seria mais rápido para ela.
Alex parecia menos do que feliz quando Jamie apareceu, sem fôlego e seu rosto corado. “Por que você não
atendeu as minhas ligações?” ele perguntou.
“Meu telefone estava desligado assim minha irmã não poderia me telefonar no horário do trabalho.”
“Por que ela iria telefonar para você quando ela sabe que você está trabalhando?”
Jamie simplesmente entregou-lhe o telefone. Ele olhou para a tela com as notificações das chamadas
perdidas e praguejou baixinho. Ele pegou a carteira e entregou-lhe um cartão de crédito. “Consiga para si um
telefone corporativo no fim do dia. Preciso que você me acompanhe a minha reunião desta manhã e tome
notas.”
“Sim, senhor,” Jamie disse enquanto tentava escovar com os dedos os fios extraviados que tinham
escapado do coque. “Quando é a reunião?”
“Agora.” Ele franziu o cenho e verificou seu relógio. “Pegue seu tablet.”
“Tablet?” Ela virou para encontrar um tablet novíssimo com o teclado destacável sobre a sua mesa.
“Eles são mais fáceis de transportar do que um computador.” Alex entregou-lhe uma pasta. “Mantenha isto
disponível. Quando eu pedir por um papel, entregue-a para mim.”
“Sim, senhor.” Ela deslizou a pasta no pequeno suporte para tablet Kate Spade e seguiu Alex porta afora.
Jamie não teve outro momento para pensar pelo resto do dia. Todas às vezes que terminava uma tarefa, Alex
tinha mais seis para ela. Quando não estava participando de reuniões, digitando relatórios ou preenchendo a
papelada, ela tinha de consultar com Gina sobre a programação de Alex. Compromissos vinham de Alex e
também através de Gina. Estava claro que Alex era um homem muito procurado. Jamie não conseguia
compreender como Alex acompanhava isto. Definitivamente ela não via como ela ia realmente acompanhar
isto.
Ela e Alex ficaram até mais tarde do que todo mundo. Ele queria examinar a programação do dia seguinte
com ela. E entregar-lhe roupas para deixar na limpeza a seco. No momento em que Jamie chegou em casa,
ela estava exausta. E faminta. Embora Alex tivesse comprado comida para viagem para si e oferecido para
conseguir um pouco para ela, ela declinou. Ela tinha lido em algum lugar que comer menos a noite e mais na
parte da manhã iria fazer você perder peso mais rápido e imaginou que isto seria o melhor. Contudo, ela estava
começando a se arrepender disto agora. Comida soava tão bom.
Ela parou em um quiosque de telefone para pegar um telefone Apple semelhante a aquele que ela tinha
visto Alex usando hoje. Ela passou o cartão de crédito dele para pagar e se perguntou se o funcionário iria
exigir que ela tivesse prova por isto. Se ele exigisse, ela não teria a energia para discutir com ele. Felizmente,
ele não exigiu. Ele até mesmo ajudou a acrescentar os contatos do tablet no seu telefone. Quando ele sugeriu
acrescentar seu telefone pessoal, ela balançou a cabeça. De maneira nenhuma! Ela não precisava da sua irmã
telefonando quarenta vezes por dia. Ela não tinha tempo para isto.
Ela dirigiu de volta para a grande mansão, ainda sem ter certeza como ela parecia completamente de dia e
usou o passe para o portão que Alex tinha lhe dado no início do dia para abrir o portão. Ela estacionou na
mesma vaga que tinha estacionado na noite anterior e se perguntou se Alex e sua namorada estavam em
algum lugar na casa.
Ela abriu a porta do carro para encontrar Alex contornando o canto da casa. Ele a localizou antes que ela
pudesse se esconder. “Boa noite, Srta. Connors,” ele disse, sorrindo.
“O que você está fazendo aqui?” ela disse sem pensar. Maldição, Jamie. Não seja rude! É a maldita
casa dele!
Alex apenas parecia divertido, o que deixou Jamie ainda mais constrangida. “Eu moro aqui,” ele disse. Ele
sorriu. “Realmente sou dono da casa aqui também.”
Ela ficou parada lá, muito envergonhada para responder. Claro que ele morava lá.
Alex continuou quando percebeu que ela não sabia o que dizer. “Você deve estar cansada, Srta. Connors,”
ele disse. “Permita-me acompanhá-la até o seu apartamento.”
“Não, estou bem, sério, Sr. Reid,” ela disse. “Você não tem de me acompanhar.”
“Eu insisto,” ele disse. “Você está exausta e além disso, você se mudou somente ontem. Presumo que o
apartamento é satisfatório para você?”
“É ótimo.” Ótimo? Ela bateu a palma da mão na testa. “É fantástico. Sinto muito. Não tive muito tempo
para desfazer as malas.” Ela mantinha os olhos no chão desejando que Murray estivesse lá ao invés de Alex.
Ela se sentia desajeitada e tímida. Esta era a casa dele e ela estava morando no andar principal, com vista para
a piscina. É onde ele tinha estado. Ela percebeu que seu cabelo estava molhado e a camiseta e a bermuda que
ele usava estavam pingando. Ela lambeu os lábios e lançou um olhar com o canto do olho. Vestido com um
terno ou casual, o homem tinha um ar sobre ele. Quente, quente — Foco, Jamie, foco!
Ela realmente nunca gostou de ver seus chefes fora do trabalho, nem mesmo em encontros tão inocentes
quanto este. Ela tinha lido muitos dos romances de ficção barata da coleção de Christine ao crescer para
sequer se sentir confortável com isto.
Contudo, Alex não pareceu notar. “Quando é o casamento da sua irmã?”
“Por que?”
Ele sorriu. “Tenho de me certificar que você tenha esta semana de folga.”
“A terceira semana de junho,” Jamie disse. “Eu pensei...”
“O que? Que eu fui convidado? Posso ser amigo de Stephen da faculdade, mas não sou tão próximo dele.”
Alex olhou para ela atentamente. “Confie em mim.”
Jamie engoliu em seco e assentiu. Ela não tinha certeza sobre o que fazer da expressão de Alex. A não ser
que ele estivesse zangado com Stephen por causa dela ou algo assim. Ela não tinha certeza por que ele estaria,
mas o pensamento foi agradável. Pare com isto. Seja o que for que você está pensando, apenas pare com
isto. Ela estava definitivamente muito cansada para estar perto das pessoas agora. Seus pensamentos estavam
indo em todas as direções.
“Tenho uma academia na casa.”
“Como?”
“Gina mencionou que ela lhe mostrou a academia no escritório.” Ele passou a língua sobre o lábio inferior.
“Se você quiser usar a academia e não se sentir confortável lá, tenho uma aqui na casa. Você é bem-vinda
para usá-la a qualquer hora.”
“Oh.” Ótimo, agora ele ia empurrá-la para perder peso?
“Não quis dizer isto de nenhuma maneira. Você está bem. Ótima.” Seu rosto corou vermelho. “Apenas tive
a intenção de oferecer a tranquilidade aqui se você quiser ... antes do casamento e tal. É a sala ao lado do seu
apartamento. O código para entrar é um-quatro-nove-seis. Canto superior à esquerda, para baixo; direito, do
menor para o maior.”
Jamie queria rastejar para um buraco e esconder-se. Ela assentiu, incapaz de dizer qualquer coisa,
aterrorizada que iria irromper em lágrimas. Agradecida, ela parou na frente da porta do seu apartamento.
“Bem, esta sou eu,” ela disse de maneira inepta. Claro que ele sabe que este é o seu apartamento. Ela
respirou fundo e deixou escapar, esperando que ela não se envergonhasse novamente. Não na frente dele.
“Boa noite, Sr. Reid.”
Ele sorriu para ela. “Boa noite, Srta. Connors.”
O sorriso dele fez seu estômago dar uma cambalhota e antes que ela se humilhasse completamente, abriu a
porta e fechou-a rapidamente na cara de Alex.
Sim, isto realmente não foi humilhante.
Capítulo 7
Na manhã seguinte, depois de uma noite agitada, Jamie levantou uma hora mais cedo e vasculhou uma das
suas caixas por algumas roupas de ginástica. “Não estou fazendo isto por Christine ou minha mãe ou Alex
Reid,” ela disse para si mesmo. “Estou apenas fazendo isto porque quero ver como é a academia. Irei apenas
dar uma olhada ao redor e passar vinte minutos na esteira.”
Ela bocejou, sentindo-se como um zumbi que ainda não tinha começado a apodrecer. De maneira
nenhuma consegui dormir o suficiente ontem à noite. A falta de sono também não afetava a perda de
peso? Definitivamente não era saudável. Ela não deveria estar perdendo peso de uma maneira saudável? “Não
importa, não agora. O exercício irá me acordar.”
Ela colocou uma saia e uma blusa sobre a cama e vasculhou através do cesto de roupa suja que ela tinha
enchido com sapatos por um par de tênis. Ela deslizou porta afora, perguntando-se se ela deveria trancá-la
enquanto olhava para o que deveria fornecer uma visão da piscina. O sol não se levantava às quatro, ele queria
dormir.
O ar fresco da manhã fez pouco para acordá-la. Ela verificou suas mensagens na curta caminhada até a
porta da academia. Havia mais cinco chamadas de Christine e três da sua mãe. Até mesmo uma chamada de
Stephen e uma mensagem de texto do seu pai. Aparentemente ela teve um dia de trabalho e o mundo inteiro
desmoronou. Ela abriu a mensagem de texto do seu pai enquanto ficava parada no lado de fora da porta da
academia.
Jamie, querida, acho que você precisa vir para casa. Sua mãe e irmã estão surtando. Talvez este
seu novo emprego deveria esperar até depois do casamento.
Jamie piscou para conter as lágrimas. Ele tinha sido o único animado por ela. Mesmo se foi apenas por
alguns segundos, ele tinha estado e agora ele estava lhe dizendo para desistir como todo mundo. Ele apenas
está dizendo isto porque não consegue lidar com mãe quando ela está histérica. Contudo, ainda doía.
Ela enviou-lhe uma resposta simples. Estou ótima. Tudo está bem e irei telefonar para Mãe e
Christine mais tarde hoje.
Ela enfiou o telefone na bolsa de ginástica, que continha uma garrafa de água e uma toalha. Fez uma nota
mental para certificar-se que ela parasse no supermercado no caminho de ida e volta do trabalho hoje.
Felizmente a academia estava destrancada. Jamie entrou e as luzes acenderam automaticamente. O lugar
era quase tão grande quanto a academia no escritório, com mais espelhos do que um estúdio de balé. Se ela
tinha estado meio adormecida antes, estava completamente acordada agora.
Ela olhou ao redor e deixou sua bolsa cair no chão. Ela poderia muito bem fazer algo. Metade do
equipamento parecia como máquinas construídas para traumatizar ou matar pessoas. Ela decidiu pela esteira.
Segura e não uma máquina assassina. Estava tão cansada que quase tropeçou ao ir em frente. Felizmente ela
estava sozinha.
Jamie ligou a esteira, pensando sobre como ela ia ter de telefonar para sua irmã de volta e perguntando-se
o que ela ia dizer. A esta altura sua mãe e Christine, sem dúvida, tinham se reunido e tido uma discussão
enorme sobre como Jamie era uma irmã terrível. Ela podia simplesmente imaginar as palavras; decepção, não
confiável, egoísta e assim por diante. Stephen iria se juntar e distorcer isto para fazê-lo parecer como o
cunhado generoso que tinha sido coagido a ajudá-la encontrar um emprego.
Enquanto estava imaginando a conversa, ela pressionou o botão na esteira para fazê-la começar e ajustou a
velocidade. Esfregou os olhos, bocejou e pisou. Contudo, ela não estava preparada para a velocidade na
máquina e tão logo colocou a perna esquerda, ela balançou para trás e tentou correr com o pé direito e agarrar
os corrimãos para se conter.
Sem. Tanta. Sorte.
Seu peso deslocou, mas não conseguiu acompanhar a trajetória em movimento. Ela moveu a cabeça
rapidamente para trás justo quando seu corpo foi arremessado para trás, através da academia. Braços e
pernas voando para todos os lados até que suas costas bateram em algo duro.
A parede.
Bem aos pés de Alex Reid.
Maldito. Inferno.
“Bom dia, Srta. Connors,” Alex disse, franzindo o cenho para ela. “Você está bem?”
Jamie ficou em pé, ignorando sua mão estendia pronta para ajudá-la a levantar. “Bom dia, Sr. Reid,” ela
disse, seu rosto queimando de constrangimento e do esforço. “Não esperava vê-lo aqui.” Não as quatro e
meia da manhã.
“Tenho ouvido que exercício reduz o estresse. Às vezes preciso de toda a ajuda que puder conseguir.”
“Oh. Claro.” Jamie obrigou-se a olhar seu rosto ao invés da sua camiseta cinza que exibia seus músculos e
o fazia parecer como um deus grego e um ser humano normal tudo ao mesmo tempo. “Bem, acabei de
terminar. Aprecie seu treino,” ela disse, acenando com a cabeça e em seguida caminhando com o máximo de
dignidade possível depois do que aconteceu e pegou sua bolsa antes de sair correndo da academia. Ela não se
deu ao trabalho de desligar a esteira.
Talvez na próxima vez, ela iria tentar depois do trabalho e apenas ater-se ao básico. As esteiras eram
máquinas assassinas perigosas, elas tinham acabado de tentar enganá-la ao parecer simples e fáceis de usar.
“Há uma ligação para você na linha dois,” Gina chamou enquanto passava pela porta do seu escritório
Jamie nunca tirou os olhos do comunicado de imprensa que estava escrevendo enquanto pegava o telefone.
“Olá, Reid Enterprises.”
“Jamie!” A voz estridente de Christine perfurou através do receptor. “Preciso de você agora! Você precisa
vir até aqui neste instante!”
“Não posso, Christine,” Jamie disse. “Eu lhe disse, você não pode me telefonar quando estou trabalhando.”
Christine soluçava no telefone. “Preciso de ajuda,” ela gritou. “O vestido de noiva acabou de chegar e ele
me faz parecer como uma prostituta.”
“Tenho certeza que está bem. Fale sobre isto com a costureira.” Jamie deslizou uma caneta na boca
enquanto marcava o que iria precisar no comunicado. “Tenho certeza que você está bonita. Olhe, irei telefonar
para você depois que sair do trabalho.”
“Mas—”
Jamie desligou e cobriu o rosto com as mãos, suspirando. Ela não tinha certeza se perder nove quilos valia
a pena para ser a dama de honra quando isto já estava se tornando uma droga de trabalho como estava.
Maldição, quero uma torta, agora.
“Está tudo bem, Srta. Connors?” Alex estava parado perto da sua mesa.
Jamie pulou ligeiramente. Ela sequer o tinha ouvido sair do seu escritório. “Sim.” Ela pressionou os lábios
em uma linha fina. “Temo que minha irmã descobriu o telefone daqui. Imagino que não haja uma lista de
persona non grata ou algo assim que possamos colocá-la? Do contrário, tenho a sensação que ela irá
congestionar as linhas telefônicas tentando entrar em contato comigo.” Felizmente ele não tinha mencionado
nada sobre literalmente esbarrar nele na academia hoje de manhã. Contudo, a parte inferior das suas costas
não conseguia esquecer.
Alex olhou para ela pensativo. “Tenho certeza que algo pode ser arranjado.” Ele verificou seu telefone, que
ironicamente vibrou ao mesmo tempo que o novo telefone de trabalho de Jamie. “Não há mais ninguém que
possa ajudá-la com o casamento?”
“Acredito que sim,” Jamie disse e em seguida balançou a cabeça. “É minha culpa. Eu lhe disse que seria
sua dama de honra.”
“A maioria das damas de honra que conheci tem emprego e vida própria,” ele disse secamente.
Jamie encolheu os ombros. “Sinto muito.” Se ela perdesse este emprego por causa de Christine, ela não
precisaria de uma dama de honra, Christine estaria precisando de alguém para carregar o caixão. “Irei falar
com ela. Tentarei evitar que ela me telefone com tanta frequência.”
“Não tenho certeza se você consegue fazê-la ver a razão.” Alex riu. “Se ela é algo parecida com a sua
mãe.”
A cabeça de Jamie disparou para cima para olhar para Alex. “Você conhece a minha mãe?”
“Ela me telefonou três vezes hoje para me dizer para demiti-la.” O rosto de Alex não entregava nada.
“Merda,” Jamie murmurou. Ela ia ter de matar a sua família. Várias vezes. Depois ir para a cadeia por
assassinato. De qualquer maneira, ela ia perder o emprego. “Sr. Reid, com certeza irei compreender se você
precisar... me deixar ir.” Ela suspirou. “Minha família por si só causa mais problemas do que o necessário e se
não estou enganada, uma assistente pessoal deve eliminar um pouco dos problemas.”
“Você está certa,” Alex disse. “Uma assistente pessoal deve eliminar um pouco dos problemas.” Ele fez
uma pausa e ela inclinou-se para frente, antecipando o que ele ia dizer a seguir. “E isto é exatamente o que
você tem feito.”
Choque percorreu o corpo de Jamie. Ele realmente achava que ela valia alguma coisa, mesmo com sua
mãe lhe implorando para demiti-la? Mesmo depois daquela cena constrangedora na academia que nitidamente
dizia incompetente como nada mais? “S-sério?”
“Sim,” ele disse, sorrindo. “Ontem foi o dia de trabalho mais fácil que tive em muito tempo. E nitidamente
você é uma boa assistente pessoal se sua irmã a quer tanto como a sua assistente pessoal – organizadora do
casamento. Acredite-me, não tenho nenhuma intenção de demiti-la.”
Jamie sorriu, ainda sem saber o que ela deveria fazer com o elogio. “Obrigado, Sr. Reid. Estou contente
que possa ser útil para você.”
“Você é muito útil para mim,” ele disse. “Espero que continue com o bom trabalho.”
Jamie encontrou-se corando e realmente desejando que ela estivesse usando uma pitada de base no seu
rosto para escondê-lo. “Obrigado, Sr. Reid,” ela disse novamente, desejando que pudesse encontrar algo mais
inteligente para dizer. Ela olhou para ele, sem ter certeza se isto era tudo que ele queria ou não e sem saber
como lhe perguntar.
Alex piscou como se saindo de um transe. “Oh, uh, limpeza a seco? Você pode pegá-lo?”
Jamie levantou e foi até o armário dos casacos no canto da sua sala e abriu a porta, tirando dois ternos
limpos à seco. “Peguei estes durante o meu intervalo para o almoço,” ela disse. “Não tinha certeza quando
você iria precisar deles, então imaginei que quanto mais cedo eu os pegasse, melhor.”
“Obrigado!” Ele sorriu enquanto pegava os ternos. “Lembre-se, irei precisar deste comunicado de imprensa
em quinze minutos e por favor mande uma mensagem para o departamento de TI para uma atualização sobre
o vírus no website.”
“Imediatamente, senhor,” Jamie disse. Ela voltou para a sua mesa enquanto ele entrava no escritório e ela
sorriu. Talvez ela não estivesse estragando tudo tão ruim quanto ela achava afinal.
Capítulo 8
“Olhe, eu lhe disse,” Jamie disse para sua irmã. “Irei ajudá-la nos finais de semana e depois do trabalho
quando puder.” Jamie suspirou. “Você não consegue ver quão importante este emprego é para mim?”
“Você não consegue ver quão importante este casamento é para mim?” Christine choramingou. “Mais
apertado,” ela rosnou para a costureira. “Não quero ser confundida com a minha irmã porque o corpete é
muito grande.”
Jamie revirou os olhos e reclinou contra a poltrona azul escuro destinada aos convidados durante os ajustes.
“Pensei que você estava preocupada sobre parecer como uma prostituta,” ela murmurou.
“Há uma diferença entre parecer como uma prostitua e não parecer que sou obesa mórbida,” Christine
disse. “Falando nisto, como está indo a sua dieta? Parece que você a quebrou algumas vezes.”
Jamie estava além de cansada dos comentários de Christine. “Não sou obesa mórbida. Se eu perco nove
quilos, serei um manequim 40, talvez 42, no máximo. Não há absolutamente nada de errado com este
tamanho.” Ela olhou para o reflexo da sua irmã no espelho. “Na verdade, perdi dois quilos. Não que você iria
notar, envolvida no seu mundinho excessivamente egocêntrico.”
Christine ofegou.
Jamie respirou fundo para acalmar-se. “Sinto muito,” ela disse. “Apenas estou estressada do trabalho.” E
de ajudá-la com o casamento.
“Isto foi incrivelmente cruel” Christine fez beicinho. “Eu poderia ter lhe dito que conseguir um emprego
durante um momento tão importante na minha vida era idiota. Tenho talvez seis meses para organizar e de
maneira nenhuma você irá conseguir tudo feito a temp—Ow!” Ela olhou para a costureira. “Você me espetou
com um alfinete de propósito.”
“Não, senhora,” a costureira disse, submissa. “Você se moveu.”
Christine bufou e a costureira sorriu rapidamente antes de se conter. Jamie observava a costureira,
impressionada que a mulher não tinha espetado “acidentalmente” Christine mais cedo com a maneira como
Christine estava fazendo papel de tola.
“Como os convites estão indo?” Christine perguntou.
“Enviei o último deles no meu intervalo do almoço ontem,” Jamie disse. “Também mandei um e-mail para
você com os planos finais sobre a lua-de-mel, incluindo passagem aérea, o resort e até mesmo um carro
alugado reservado para vocês. Acredite ou não, não sou completamente inútil, mesmo quando estou
empregada.” Stephen não tinha dito que ia cuidar da lua-de-mel? Engraçado como ele tinha mudado de ideia e
colocado isto sobre ela.
“Você seria um inferno de muito mais útil se tivesse mais tempo,” Christine rosnou. “Morar com Mãe e Pai
também ajudava. Você estava numa localização conveniente. Em vez disto você tinha de ser incrivelmente
egoísta e mudar-se para a sua própria casa.”
“O apartamento veio com o emprego.” Christine não tinha sequer se dado ao trabalho de dar uma passada
ou perguntar onde ela estava morando. Elas poderiam ser vizinhas e provavelmente ela não notaria. Stephen,
por outro lado, provavelmente estaria por todo o lugar se soubesse que ela estava morando em uma suíte
anexa a casa enorme de Alex.
Jamie sorriu. Christine poderia insultá-la e seu emprego o quanto quisesse, mas Jamie nunca ia se
arrepender de ser empregada por Alex Reid. Fazia mais de uma semana desde que ele tinha lhe dito que ela
era boa no seu trabalho, mas isto ainda soava nos seus ouvidos como se ele tivesse dito isto minutos atrás. Ela
era realmente tão patética e precisando agradar que algumas frases poderiam deixá-la brilhando por tanto
tempo? Não importava. Embora ela ainda não tivesse tido tempo para desempacotar suas coisas e ela
raramente conseguia mais do que seis horas de sono por noite, era tão bom estar trabalhando novamente.
Neste momento seu telefone tocou com o alarme programado para cinco minutos antes que seu intervalo para
o almoço acabasse. Ela levantou. “Tenho de voltar para o trabalho.”
“Sério?” Christine disse. “Sua própria irmã não é mais importante do que algum trabalho idiota?”
“Claro,” Jamie disse, colocando o telefone no bolso e pegando a bolsa. “É por isto que estou voltando para
o trabalho antes que eu mate você.” Ela soprou um beijo para sua irmã enquanto Christine gritava um fluxo de
decepção para ela.
Jamie tinha cortado seu tempo de viagem até o escritório um pouco apertado. Ela acabou tendo de correr
da loja de noivas por todo o caminho até o escritório. Ela pegou a escada para evitar esperar pelo elevador e
parou no lado de fora do seu escritório, respirando com dificuldade. Uma onda de tontura tomou conta dela e
ela estendeu a mão para a parede para se firmar. Ela piscou rapidamente, tentando clarear a névoa e sua visão
borrada. Enquanto tentava estender a mão para a maçaneta, ela errou e tropeçou, em seguida tudo ficou
escuro.
“Srta. Connors? Jamie!”
Jamie ofegou e sentou, somente para arrepender-se seriamente do movimento repentino. Ela gemeu e
deitou no sofá. Estranho. Ela não tinha um sofá no seu escritório. Somente Alex tinha um sofá no seu
escritório.
“Jamie?” A voz de Alex estava clara como o dia agora. Ele tinha de estar muito preocupado se estava
realmente usando o seu primeiro nome. Fan-porra-tástico. “Você está bem?”
Jamie virou a cabeça e abriu os olhos lentamente. Alex estava sentado bem na sua frente, segurando um
copo de água. “Sr. Reid?”
“Você desmaiou. Aqui.” Ele entregou-lhe o copo. “O que aconteceu?”
“Não tenho muita certeza.” Ela sentou lentamente, agradecida pela água. “Ajudei minha irmã com o ajuste
do seu vestido de noiva e em seguida tive de correr de volta para cá. Devo ter pego a escada muito rápido.”
Alex inclinou a cabeça ligeiramente. “Quando foi a última vez que você comeu?”
“Um,” Jamie relembrou todos os horários de refeição que ela tinha tido. “Almoço?”
Ele ergueu as sobrancelhas para ela.
“Ontem.”
Ele praguejou. “Provavelmente você está desidratada também.” Ele fez um gesto para o copo na sua mão.
“Beba mais um pouco.”
“Apenas não tenho tido tempo.” Ela sabia que isto era uma explicação terrível. Ela odiava desculpas,
provavelmente mais do que Alex Reid. Ela tomou um gole da água. “Minha irmã—”
“Sua irmã pode cuidar de si mesma para variar!” Ele correu os dedos pelo cabelo perfeitamente estilizado.
“Você tem estado aqui por uma semana e até mesmo eu noto o quanto ela depende de você. É ridículo! Você
não é um capacho!” Ele suspirou e abaixou a voz. “Sinto muito pela explosão. Mas, você não pode cuidar tanto
dela que é incapaz de cuidar de si mesma. Você faz alguma ideia—” Ele fechou os olhos e balançou a cabeça.
Lentamente, ele os abriu, os oceanos azuis brilhantes calmos mais uma vez. Pelo menos na superfície. Jamie
podia dizer que alguma outra coisa estava brincando muito mais para baixo no que ele estava pensando. “Não
posso tê-la não funcionando em plena capacidade para mim” Ele levantou. “De agora em diante, você precisa
comer algo — não me importa o que seja — a cada meia hora. E você vai permanecer hidratada!”
“A cada trinta minutos! Isto é ridículo.” Jamie balançou as pernas sobre o sofá. “Irei explodir como um
balão.”
“Mas não irá desmaiar.”
“Isto aconteceu porque não administrei meu tempo bem e tive de subir correndo. Não tem nada a ver com
os meus hábitos alimentares.”
“Tem tudo a ver com eles!” Alex gritou. “E tem tudo a ver com você ficando muito cansada ao tentar
agradar todo mundo, inclusive eu! Não quero ninguém desmaiando por minha causa.”
Jamie corou. “Dificilmente desmaiei por sua casa.” Seu coração batia forte, ela era tão óbvia?
“Você subiu as escadas correndo para não estar atrasada, embora você esteja nitidamente exausta e não se
sentindo bem. Então sim, sou parcialmente responsável pelo seu desmaio, mesmo se indiretamente.”
Jamie levantou lentamente, sentindo-se um pouco mais alerta. “Sinto muito, senhor.” Ela colocou o copo
para baixo sobre a mesa ao lado do sofá. “Mas não posso comer algo a cada trinta minutos. Irei permanecer
hidratada e fazer um esforço para comer as refeições, mas não posso me dar ao luxo de ganhar mais peso.”
“Por que não?” Alex perguntou. “Por que isto é tão importante para você?”
Jamie olhou para ele, esperando desdém ou zombaria, mas tudo que ela viu foi uma curiosidade genuína.
Isto fez com que ela lhe contasse a verdade contra o seu melhor julgamento. “Não serei a dama de honra da
minha irmã se não perder peso,” ela disse.
“Você está brincando.”
Jamie balançou a cabeça. “Christine me disse isto desde o início. Ela está encomendando um vestido de
dama de honra manequim 40, que eu usarei se perder peso ou sua melhor amiga, que já é um manequim 40
irá.”
“Inacreditável!” Alex balançou a cabeça e jogou as mãos no ar. “Sua irmã soa como uma cadela.”
Jamie olhou para ele surpresa. “Como?”
“Sinto muito. Mas isto é ridículo.”
Ela sorriu, grata que mais alguém pensasse da mesma maneira que ela. “Eu sei, mas é minha família.”
“Bem, você precisa comer.” Ele pegou o telefone e começou a digitar um texto para alguém. “Não deveria
ter estado mantendo você aqui todas as noites até tão tarde. Esqueço que você não tem estado aqui por muito
tempo e você adaptou-se ao trabalho de maneira tão fácil. Eu a contratei para ter uma AP disponível vinte e
quatro por sete. O que você faz sem nenhuma discussão. Contudo, podemos trabalhar de casa, este é o
maldito motivo que eu tenho a suíte montada. MacBane vai começar a fazer as refeições para você também.”
“Senhor—”
“Sem discussão. Ele é meu chef e um extremamente bom. Farei com que ele prepare seu almoço e jantar
de agora em diante.”
Ela sentiu como se estivesse sendo mimada e repreendida ao mesmo tempo. “Eu tive a torta de carne e
cogumelos de Murray. É um pedacinho do céu recheado dentro de nuvens de massa de torta.” Ela lambeu os
lábios, seu estômago roncando em concordância.
“Quem é Murray?”
“Murray MacBane. Seu chef.”
“Oh, não sabia que o seu primeiro nome era Murray. Interessante.”
“O que é?”
Ele olhou para cima enquanto colocava o telefone de volta no clipe do seu cinto. “Sua empresa é Mm.
Sempre pensei que isto significava que sua culinária era tão boa, como Mmmm.”
Ela deu uma risadinha. “Sério?” Em seguida ela rapidamente abandonou o sorriso quando ele olhou para o
seu rosto sério. “A comida de Murray — MacBane — é deliciosa, mas não vai me ajudar a perder peso.”
“Eu já o avisei que você quer saladas e acompanhamentos mais leves para o jantar. Ele irá cuidar de tudo.”
“Oh.” O que ela deveria dizer? “Ok. Uh, obrigada.”
“De nada. Vá devagar pelo resto do dia. Se você se sentir mal, apenas me avise e farei com que o meu
motorista a leve para casa.”
“Ficarei bem. Obrigada novamente.” Ela começou a voltar para o seu escritório.
Alex pigarreou.
“Sim?” Ela fez uma pausa no meio da sala.
“Não se esqueça de permanecer hidratada.” Ele deu a volta e caminhou até o sofá, pegando seu copo de
água e entregando para ela.
“Sim, senhor.” Jamie olhou para ele, certa que ele ia demiti-la simplesmente por ser um pé no saco.
Nitidamente ela realmente não tornava sua vida mais fácil se estava desmaiando por todo o lugar. Ela fez uma
pausa na porta entre os dois escritórios. “Obrigada, senhor. Prometo que isto não acontecerá novamente.”
Quando ela virou para ir embora, Alex a chamou, “Jamie?”
Ela virou novamente para olhar para ele. “Sim, Sr. Reid?”
“Comer um lanche a cada trinta minutos ainda é não-negociável. Se sua irmã se opõe a você sendo sua
dama de honra por causa de algo tão trivial quanto o tamanho de um vestido, então ela nitidamente não a
merece,” ele disse.
Jamie cerrou os dentes e assentiu. “Sim, senhor,” ela disse e em seguida foi embora. Obviamente ele não
compreendia a importância do tamanho de um vestido. Realmente não era trivial.
Capítulo 9
O temporizador de trinta minutos disparou e Jamie parou de digitar por tempo suficiente para desligá-lo e pegar
um pedaço de aipo da Mason jar sobre a sua mesa. Ela deu uma mordida nele enquanto programava o
temporizador e voltava ao trabalho. Ela nunca gostou de aipo, mas era realmente apenas um monte de água no
formato de uma planta e aparentemente as pessoas poderiam queimar mais calorias comendo-o do que elas
realmente consumiam. Isto atendia a exigência tola de Alex de comer algo a cada meia hora e isto dava a
Jamie uma pequena esperança de caber no vestido de dama de honra.
“Onde está Alex?” A voz de Annette penetrou na linha de pensamentos de Jamie e ela afastou-se da tela
do seu computador, fazendo o seu melhor para não parecer como se estivesse pronta para matar alguém.
Jamie salvou o que ela estava trabalhando. “Ele está no escritório agora.”
“Bom!” Annette entrou sem pedir licença pelo escritório de Jamie e fez uma pausa antes que ela entrasse
pela porta do escritório de Alex. “Oh, você poderia descer correndo e pegar um café para mim? Três colheres
de creme e duas de açúcar. Certifique-se de obtê-lo no Starbucks e não em algum outro lugar.”
Jamie piscou surpresa. Ela colocou para baixo o resto do seu aipo. “Ok,” ela disse lentamente.
Annette franziu o nariz em desgosto. “Certifique-se de lavar as mãos antes de pegá-lo. Não quero o meu
copo de café cheirando como pedaços de aipo.”
A porta do escritório abriu e Alex saiu, esbarrando em Annette e derrubando-a ao chão. “Annette! Sinto
muito, não vi você!” Ele inclinou-se para ajudá-la a levantar.
Ela esfregou o tornozelo ainda dentro do seu salto de 10cm. “Não acho que possa caminhar.”
Alex deslizou os braços ao redor dela e a pegou. Ele a carregou para o seu escritório.
Annette passou os braços de maneira dramática ao redor do seu pescoço e descansou a cabeça no seu
ombro. “Alex, estou feliz que você esteja aqui,” ela choramingou. “Faz uma eternidade desde que
conversamos e eu queria vê-lo.”
“Vamos garantir que este seu tornozelo fique bem. Tenho gelo no meu escritório.” Alex caminhou de volta
para a porta que ele tinha acabado de atravessar. “Estou extremamente ocupado.”
“Irei aceitar o que puder conseguir, mesmo correndo o risco de me machucar.” Annette apontou para o seu
tornozelo. Ela virou e sorriu para Jamie. “Muito obrigado por pegar um café para mim.”
“Você está pegando um café para ela?” Alex perguntou.
“Ela foi gentil o suficiente para oferecê-lo para mim,” Annette disse.
Por favor, cadela, como se eu não visse através de você. Jamie sorriu de volta educadamente.
Alex olhou para ela por muito tempo. “Compreendo,” ele finalmente disse. “Na verdade, isto é perfeito,
Jamie. Tenho algumas coisas para você pegar. Espere um minuto.” Ele carregou Annette para o seu escritório
e colocou-a sobre o sofá antes de dirigir-se à sua mesa e pegar uma caneta e um bloco de notas. Ele rabiscou
algo antes de envolvê-lo em uma nota de cem dólares. “Obrigado,” ele disse para ela e em seguida fechou a
porta.
Jamie assentiu e olhou de maneira inexpressiva para a porta de madeira. Como ele não poderia ver a
encenação de Annette? Ela suspirou e caminhou até a sua mesa para desligar o alarme do lanche e dirigiu-se
para a escada. Quando ela saiu, verificou o bilhete dele, esperando que seja o que fosse que o Sr. Reid queria
fosse perto de um Starbucks.
Jamie,
Pegue um café para você também e fique com o troco.
Para o registro, você é minha assistente, não de Annette.
Alex
Jamie sorriu e em seguida rapidamente reprimiu isto. Alex tinha sido extraordinariamente agradável desde
que ela desmaiou e ele tinha parado de se dirigir a ela de maneira tão formal. Provavelmente ele adorava
salvar uma donzela em perigo. Annette tinha acabado de posicionar-se de maneira perfeita.
Jamie suspirou. Ele sentia pena dela. O Sr. Reid sentia pena que Jamie fosse tão insegura. Se ela pudesse
mudar isto, ela iria. Era apenas a maneira como ela era. Ela não queria sua piedade e embora o dinheiro extra
pudesse ser colocado para o presente de casamento da sua irmã, ela não iria aceitá-lo.
Ela caminhou até o Starbucks mais próximo, embora fosse um quarteirão mais longe do que uma cafeteria
perfeitamente deliciosa. No lado de dentro, ela pediu dois cafés. Alguém deu um tapinha no seu ombro e ela
virou para ver Gina.
Gina sorriu. “Ei,” ela disse. “Em uma corrida para o café também?” Elas não tinham se visto muito nos
últimos dias com o negócio do trabalho, Jamie acompanhando Alex para reuniões e passando mais tempo no
seu escritório do que no dela.
Jamie balançou a cabeça. “Annette entrou no escritório e pediu um café.”
Gina revirou os olhos. “Irei negá-lo se você algum dia contar para alguém, mas eu odeio aquela cadela.”
Jamie pediu o café de especialidade e apenas um descafeinado para si mesma. Ela sorriu para Gina. “Ela
me disse para lavar as mãos assim seu caneco não iria cheirar como aipo. Ela entrou no meu escritório para
chegar até o escritório do Sr. Reid.”
“Por que ela faria isto? Ela pode entrar pela entrada principal do escritório.”
“Talvez ninguém estivesse lá,” Jamie sugeriu.
Gina balançou a cabeça. “Há sempre alguém lá. Se eu não estou, Sarah do andar debaixo sobe para me
cobrir. Aquela mesa nunca é deixada sem supervisão. Ela fez isto apenas para que ela pudesse importuná-la.”
“Bem, o Sr. Reid veio através da nossa entrada interna do escritório e esbarrou nela. Ela caiu e ele teve de
carregá-la para o escritório para verificar seu tornozelo.”
“Ela é ridiculamente egocêntrica. Alex deveria simplesmente dispensá-la. Ele nem mesmo gosta mais
dela.”
Jamie ergueu as sobrancelhas. Não era da sua conta se o relacionamento de Alex estava ou não arruinado,
mas ela estava interessada mesmo assim. Só porque eu odeio Annette. Não por qualquer outro motivo.
“Por que eles começaram a namorar em primeiro lugar? Eles parecem ser completamente opostos.” Ótimo,
agora ela estava fofocando, a única coisa que ela odiava.
Gina olhou para ela de maneira estranha. “Na verdade, eu acho que eles são muito parecidos,” ela disse.
“Eles começaram a namorar cerca de um ano atrás, mas ambos estavam tão voltados para suas carreiras que
nunca tinham tempo para ficar sério. Tenho certeza que eles usaram um ao outro para transar e para
encontros quando estavam sozinhos ou iam a algum evento de trabalho e é isto. Não que haja algo de errado
com isto, mas acho que Annette quer mais. Alex está tão concentrado no trabalho que ele sequer vê quão
irritado ele fica todas as vezes que ela entra na sala”
Isto parecia bastante óbvio para Jamie, mas ela não estava prestes a admiti-lo em voz alta. Seu trabalho
não incluía conversar sobre o chefe e ela fazia uma ideia muito boa que Alex não apreciaria isto. Seu pedido
de café chegou e ela caminhou para pegar os dois copos.
Gina a acompanhou e em seguida olhou ao redor como se houvesse possíveis funcionários ouvindo ao redor
de cada canto. “Não leve a mal, mas há algo acontecendo entre você e Alex?”
“O que?” Jamie sentiu seu rosto aquecer. “Claro que não!”
“Bom,” Gina disse. “Apenas me certificando. Há alguns boatos circulando pelo escritório.”
“Por que alguém iria pensar isto?” Jamie mantinha tudo completamente profissional, exceto mencionar sua
irmã e talvez a vez que ela desmaiou. Mas isto não dava motivos para as pessoas começarem a tirar
conclusões. Além disso, ela realmente não era o seu tipo.
“Bem, vocês dois tem ficado até tarde no escritório praticamente todas as noites, vocês vão embora no
mesmo horário e ele realmente a chama pelo seu primeiro nome.”
“Tenho certeza que ele chama muitas pessoas pelo seu primeiro nome.” Ela estava feliz que Gina não sabia
que ela morava no apartamento de Alex, anexo a sua casa.
Gina balançou a cabeça. “Não seus funcionários, ele não chama. O Sr. Reid sempre se dirige a eles de
maneira formal. Todo mundo menos você. Por que vocês são sempre os últimos a deixar o prédio?”
“Trabalhando! Al... o Sr. Reid sempre trabalha o máximo que pode.” Ela balançou a cabeça, zangada que
estivesse até mesmo se defendendo para Gina. “Sou sua AP. Ele espera que eu trabalhe com ele para o
trabalho funcionar da maneira mais eficiente possível. Por que isto é tão difícil de acreditar?” Inferno, ele me
escolheu para trabalhar para ele porque eu sou a última pessoa com quem ele quer transar. “O que
acontece na vida pessoal do Sr. Reid não é da minha, ou da sua, conta.” Ela virou para ir.
Gina encolheu os ombros. “A última vez que eu verifiquei, o Sr. Reid não tinha um tipo. Tenho visto outras
muito mais significativas do que Annette entrar pelas portas do seu escritório e elas não são nada parecidas.
Apenas dizendo.”
Sim e eu tenho certeza que todas são modelos, manequim 36 e ricas. “Não somos nada mais do que
chefe e funcionária. É meu trabalho lidar com o chefe, só isto.”
“Tem certeza?” Gina empurrou enquanto o barista chamava seu nome pelo seu pedido.
“Nem agora. Nem nunca.” Ela deixou a cafeteria e virou para voltar para o escritório, zangada e confusa.
Ela estava ciente de todos os boatos que seriam ditos sobre ela, aquele nunca estaria entre eles. A própria ideia
que ela e Alex estavam dormindo juntos era absurda quando ele tinha Annette à sua disposição. Ela não
poderia acreditar que Gina iria pensar isto. Ela achava que as duas estavam meio que se tornando amigas. O
que o seu pai tinha lhe dito uma vez? Mantenha seus amigos próximos, seus inimigos mais próximos. Isto
praticamente atendia aqui.
“Espere!” Gina chamou, correndo pela rua com o café na mão. Ela parou de correr, recuperando o fôlego
tão logo estava nivelada com Jamie.
Jamie continuou caminhando, ignorando-a.
“Sinto muito,” Gina disse. “Não tive a intenção de fazer isto soar como se eu a estivesse acusando. Você
disse que não é verdade, então acredito em você.”
“Olhe,” Jamie disse enquanto continuava seu ritmo alucinante de caminhada, tomando um pequeno prazer
enquanto Gina se apressava para acompanhar. “Fui contratada para trabalhar com o Sr. Reid porque sou uma
profissional e trabalho duro. Não aprecio a fofoca de escritório, nem irei jamais participar.”
“Novamente, sinto muito.” Gina bufou, sua respiração vindo em pequenas respirações entrecortadas. “Você
pode desacelerar um pouco? Isto não é uma corrida.”
Jamie fez um esforço para mover-se em um ritmo decente.
“Estou contente que você esteja mantendo isto profissional. Você parece realmente doce, Jamie. Muito
doce.”
“Que diabos isto quer dizer?” Ela estava feliz que o escritório estava a doze metros de distância.
“O Sr. Reid somente parte corações,” Gina disse. “Ele não é romântico. Ele nunca irá se afastar do seu
trabalho o suficiente para realmente se importar com alguma outra pessoa.”
Jamie assentiu. Embora ela quisesse acreditar que ele realmente não fosse assim, ela sabia melhor. Você
precisa superar a sua maldita paixonite física pelo cara e ouvir Gina. Ela percebeu seus olhares
persistentes. É por isto que há fofoca. Era uma vergonha. Ele era simplesmente muito bonito para ser
desperdiçado no mundo do trabalho. Não que ela planejasse dizer isto para Gina. “O Sr. Reid ama sua
empresa. Ele trabalha duro para torná-la um sucesso para que pessoas como você e eu tenhamos um salário
todas as semanas. Você foi contratada para trabalhar. Não para espalhar fofoca.” Ela empurrou através das
portas e foi direto para a escada, deixando Gina parada, boquiaberta, no lado de fora do prédio.
Quem estava trabalhando para quem agora?
Capítulo 10
Annette saiu do escritório de Alex através da área principal de espera enquanto Jamie saia da escada e Gina
saia do elevador. Ela marchou pelo lobby, seu tornozelo em perfeitas condições de funcionamento. Perplexa,
Jamie não tinha certeza do que fazer exceto observá-la passar. Annette pegou seu café sem olhar para Jamie
ou agradecer-lhe.
Ela alcançou o elevador pouco antes que a porta fechasse, deixando Jamie e Gina paradas lá em um
silêncio constrangedor.
“Eu lhe disse,” Gina sussurrou.
“Não é da nossa conta.” Jamie virou e voltou para o seu escritório. Ela tirou o troco e colocou-o sobre a
sua mesa. Nenhuma necessidade de importunar Alex agora sobre isto.
Justo quando ela sentava, Alex saiu. “Estou indo para casa mais cedo,” ele lhe disse. “Tenha aquele
relatório sobre a minha mesa amanhã assim como as anotações da reunião com os acionistas hoje mais cedo.”
“Sim, Sr. Reid.” Ela estendeu a mão sobre a mesa e pegou o troco do café. “Aqui está o seu troco, senhor.
Do serviço.”
Ele ergueu uma sobrancelha. “Eu lhe disse para ficar com ele”
Ela lhe deu o seu melhor olhar frio. “Não o quero, Sr. Reid. É o seu dinheiro.”
Ele bufou, nitidamente irritado. “O que é, Jamie?” Seu olhar era tão frio quanto o dela.
“Nada.” Ela entregou-lhe o dinheiro novamente.
“Seja o que for que você tem para me dizer, apenas diga.” Sua voz estava dura, como a voz que ele usava
durante as reuniões com os grandes executivos.
“Ótimo,” ela disse com os dentes cerrados. “Eu apreciaria se você me chamasse de Srta. Connors.”
Ele olhou para ela por um momento. “Por que isto, Jamie?”
“Não estou confortável com você me chamando pelo primeiro nome. Sinto que sou tratada de maneira
diferente e não gosto disto. Não preciso que a fofoca da empresa me tenha no centro do palco.” Ela manteve
seus olhos sobre ele, recusando-se a recuar.
“Você é diferente!” ele gritou. Ele fechou os olhos e suspirou. Parecia como se ele estivesse contando até
dez e Jamie tinha certeza que ela estava desempregada agora. “O que eu quis dizer,” ele disse lentamente, “é
que você é a minha assistente pessoal. Trabalho mais próximo de você do que qualquer outra pessoa.
Naturalmente irei tratá-la de maneira diferente. Você pode me chamar de Alex quando não estamos em
reuniões ou perto de outras pessoas.”
Ela quase zombou alto, apenas para recuperar-se a tempo. “Iria preferir se você não fizesse isto,” ela disse,
voltando para o trabalho. “Tenha uma boa tarde, Sr. Reid.”
“Obrigada, Srta. Connors. Desejo-lhe o mesmo.” Ele lhe deu um olhar gélido e em seguida marchou para
fora do escritório.
Jamie voltou a trabalhar. Isto não tem nada a ver com você. Ele acabou de terminar com a namorada.
Ele tem estado trabalhado até tarde e na academia cedo. Ela sabia disto porque tinha estado tentando
entrar algumas vezes por semana antes que ele aparecesse e sempre pareceu como se ele tivesse acabado de
estar lá, como se ela ainda pudesse sentir o cheiro da sua colônia na academia da casa.
Ela suspirou. Apesar disto, ela se sentia horrível e incrivelmente humilhada. Ela poderia simplesmente
imaginar como Gina e os outros iriam falar agora. O Sr. Reid terminou com Annette por causa de Jamie —
sinto muito, Srta. Connors. Parece que aquele caso acabou agora. Outro coração partido pelo
maravilhoso Sr. Reid. Pobre Srta. Connors não tinha a menor chance. Ela deveria ter sabido melhor
com uma aparência como a dela. “Merda, merda, merda filha da puta,” ela murmurou.
“Contente em saber que você está tão feliz em me ver.”
Jamie enrijeceu e olhou para cima quando Stephen parou na sua porta, vindo do escritório principal, sorrindo
para ela.
“O Sr. Reid não está agora,” ela disse. “Gina não lhe disse na recepção?”
Ele balançou a cabeça.
Jamie suspirou e pegou o tablet com a agenda de Alex agora sincronizada a ele. “Você gostaria de agendar
um horário ou deixar uma mensagem para ele?”
“Eu vi o Sr. Reid no elevador,” Stephen disse. “Não vim ver Alex.”
Ela não tinha nenhum desejo de ver seu ex-namorado, futuro cunhado. “O que você quer Stephen?”
“Agora, é assim que você deveria tratar o seu futuro cunhado?” Ele sorriu, nitidamente zombando dela. Ele
fechou a porta atrás dele e entrou no seu escritório. “Bonito escritório.”
“Não,” Jamie disse. Ótimo, mais fofoca para Gina começar a espalhar. “Mas é como eu deveria tratar
meu ex-namorado que terminou comigo ao dormir com a minha irmã.”
Ele olhou para ela. “Você é uma cadela. Não faço ideia como já gostamos um do outro.”
“O que você quer, Stephen? Tenho trabalho para fazer.”
“Seu pai teve um ataque cardíaco. Ele está no hospital neste momento.”
Jamie olhava para ele, o choque percorrendo seu corpo. Ela levantou e pegou a bolsa. “Por que você não
poderia ter ido em frente com isto?” Ela passou por ele e abriu a porta. “Como ele está?”
“Ele está estável. Mas, de qualquer maneira, vão mantê-lo durante a noite para observação e para fazer
alguns exames de sangue.”
“Que hospital?”
“O Scott Thompson Hospital.”
“Tenho de ir vê-lo agora,” ela disse, passando por Stephen até os elevadores. Ela chamou Gina
rapidamente para lhe dizer que estava saindo e iria voltar mais tarde. Ela dirigiu-se para a escada.
“O que você está fazendo?” Stephen perguntou enquanto apertava o botão do elevador. “Não vou descer
por aí.”
“É mais rápido.”
Ele encolheu os ombros. “Vou pegar o elevador. Irei lhe contar o que aconteceu no caminho de descida.”
“Tudo bem.” Ela marchou até ele e entrou tão logo as portas abriram. Ela podia sentir o cheiro da colônia
de Alex dentro do pequeno compartimento. “O que aconteceu?”
Ele encolheu os ombros. “Não sei,” ele disse, verificando o telefone. “Você pode encontrar o seu caminho
até lá, certo? Tenho de voltar a trabalhar.”
“Você é um bastardo,” Jamie disse. “Tudo é um jogo para você, não é”
“Ei, ele não é o meu pai,” Stephen disse. “Ele não tem sido nada, exceto rude comigo desde que ele me
conheceu. Por que eu deveria me importar?”
“Ele não tem sido rude com você. Ele tem sido um pai! Você dormiu com uma das suas filhas e em seguida
pulou para a outra.” Jamie não conseguia acreditar que estava tendo esta conversa. “Você foi rude com toda a
minha família quando estava namorando comigo. Você sequer tentou cair nas suas boas graças até que
começou a namorar a minha irmã.”
“Caia na real, Jamie,” ele disse. “Fui rude com eles porque eu já sabia que você não gostava deles. Não foi
porque eu não me importasse o suficiente ou seja lá o que for que você está me acusando. Não achei que você
iria querer que eu me desse bem com eles. Por que mais você iria me contar toda aquela merda sobre eles
para começar?”
“Besteira,” ela disse bruscamente. “Não é isto que aconteceu e você sabe disto.”
O elevador abriu e Jamie marchou para fora antes que Stephen pudesse responder. Ela correu para o lado
de fora e chamou um táxi o mais rápido possível.
Uma vez dentro do táxi ela telefonou para Christine. Ela esperava que seu pai estivesse bem. Ela poderia
simplesmente imaginar como sua mãe e Christine estavam neste exato momento. Provavelmente me
culpando do ataque cardíaco de Pai, ela pensou de maneira sarcástica.
Christine estava soluçando quando atendeu. “Jamie, você precisa vir para o hospital agora. Pai teve um
ataque cardíaco.”
“Eu sei,” ela disse. “Stephen acabou de me informar.”
“Ele telefonou para você?” Ela pareceu surpresa.
“Não, ele veio me ver.”
“Sério?”
Jamie balançou a cabeça. “Como Pai está?”
“Não sei. Eles não irão me dizer nada. Mãe está uma bagunça. Ela continua chorando e lamentando. É tão
embaraçoso.”
“Estou a caminho. Estarei lá o mais rápido que puder.”
O táxi a levou até o Scott Thompson Hospital em menos de dez minutos. Nesse tempo Jamie tinha se
acalmado e examinado os cenários. Stephen tinha dito que o pai dela ia ficar bem. Deve ter sido um ataque
menor ou talvez uma angina ou outra coisa. Ela pagou o táxi e apressou-se para dentro, verificando na
recepção o número do quarto do seu pai. Ela correu para o quarto onde sua mãe e Christine já estavam
esperando no lado de fora.
Sua mãe olhou para ela. “Finalmente você chegou aqui,” ela disse. “Você levou muito tempo. Você
simplesmente tinha de ser egoísta e conseguir um emprego, não é?”
“Pelo amor de Pete, Maggie,” seu pai disse do quarto. “Posso ouvi-la.”
Jamie ignorou sua mãe e entrou no quarto. “Ei, Pai. Como vai?” Ela sorriu.
Seu pai olhou além dela enquanto sua mãe a seguia para dentro. “Quer deixar Jamie em paz sobre o
emprego? Ela não poderia viver no porão para sempre.” Ele sorriu fracamente para Jamie. “Ei, garota,” ele
sussurrou. “Estou bem. Sério. Apenas um pouco abalado. Contudo, eles não me deixarão ter meu laptop ou
celular.”
Jamie riu do olhar insatisfeito no rosto do seu pai. Ela sentou ao seu lado e deu um tapinha no coração. “Ei,
se eles colocarem um marca-passo aqui, você não quer os aparelhos eletrônicos bagunçando o coração.”
Ele sorriu e fechou os olhos. “Bom ponto.”
“A última coisa que você precisa estar fazendo agora é trabalhar.” Ela apertou a mão dele. “Provavelmente
foi isto que causou o ataque cardíaco em primeiro lugar. Você precisa de algo? Água? Outro travesseiro?”
“Estou bem,” ele sussurrou, sorrindo para ela. “Nunca estive melhor.”
“Jamie, você já encomendou as almofadas porta aliança e a cesta da menina das flores?” Christine
perguntou. “Algumas pessoas estão dizendo que não receberam seus convites ainda. Você me disse que tinha
enviado tudo.”
Sério? Sua irmã não tinha dito nada desde que Jamie chegou e a primeira coisa que ela disse era sobre o
seu próprio casamento? Ela realmente se preocupava com seu pai? “Irei chegar a isto logo,” ela murmurou,
seus olhos focados no seu pai.
“Bem, é melhor você chegar a isto rápido,” ela disse. “Não tenho o tempo para sair e pegá-las eu mesma.”
O que você está tão ocupada fazendo? Provando bolo. Mais como provando vinho, eu aposto.
Jamie olhou para sua irmã enquanto levantava no outro lado da cama do pai delas, braços cruzados e o rosto
tenso. “Por que você não consegue a sua dama de honra reserva para fazer isto”
“Jamie!” sua mãe disse bruscamente. “Você vai começar com isto agora? Logo depois do ataque cardíaco
do seu pai?” Ela balançou a cabeça. “Garotas, no corredor. Agora.”
Jamie inclinou-se e beijou a testa do seu pai. Ele já parecia adormecido. “Já volto, Pai.”
No corredor, Jamie encontrou sua mãe e irmã, as duas paradas com os braços cruzados sobre o peito e
olhares penetrantes nos seus rostos. Elas poderiam ser gêmeas. Ou as irmãs da Cinderela.
Sua mãe começou com ela primeiro. “Você está realmente dizendo que não irá perder peso para o
casamento da sua irmã? Ela significa tão pouco para você?”
Claro. Não é como se eu significasse muito para ela. “Não, Mãe,” ela disse, tentando permanecer
calma. Ela queria voltar para o quarto para ficar sentada com o seu pai. “Não estou dizendo isto em absoluto.
Não tenho o tempo para isto. Scarlet tem. Então ela poderia muito bem ser a dama de honra porque estou
fazendo um trabalho terrível.”
“Você estaria fazendo muito bem se não tivesse feito outros compromissos,” Christine disse com os dentes
cerrados. “Compromissos com o seu novo chefe quente, por exemplo.”
“O que é isto sobre um chefe quente?” Sua mãe olhou para Jamie com severidade. “Você está trabalhando
para o cara por favores sexuais?”
O coração de Jamie afundou. O que Stephen tinha estado dizendo para elas?
Christine riu. “Ela quer dormir com ele.” Ela deu uma verificada na sua irmã. “Mas isto nunca vai
acontecer.”
“Não,” Jamie olhou para Christine. “Este realmente não é o caso.”
“Pensei que tinha criado você melhor do que isto,” sua mãe disse. “É incrivelmente pouco profissional
dormir com o chefe ou ter quaisquer sentimentos por ele que não sejam platônicos. Não bagunce a sua
carreira pela sua vida amorosa. Isto não dará certo.”
“Não estou dormindo—” Jamie abaixou a voz quando uma enfermeira olhou para cima do outro lado do
corredor. “Meu trabalho é completamente profissional.”
“Eu vi Alex Reid, Mãe,” Christine disse. “Ele nunca vai dormir com Jamie.”
“Eu não faria isto de qualquer maneira!” Jamie odiou que ela sentisse necessidade de defender-se.
“Não faria?” Christine sorriu e Jamie sabia que ela estava aprontando algo. Ela sempre tinha aquele olhar
antes que ela criticasse Jamie para a mãe delas. “Ela já dormiu com o filho do chefe dela,” Christine gabou-se.
“Você não se lembra quando Stephen a namorou por piedade?”
“Ele era o filho do seu chefe?” Sua mãe empalideceu e agarrou a parede por suporte.
“Agora olhe o que você está fazendo, Jamie,” Christine disse com a voz estridente. “Você vai causar um
ataque cardíaco em mãe agora.”
“Não vou!” Jamie gritou. “Não consigo acreditar em você! Pai está lá,” ela apontou para o quarto, “e você
está tentando me culpar pelo seu ataque cardíaco e agora pelo de mãe? É inacreditável!”
“É sempre você, Jamie.” Christine olhou de maneira penetrante e de relance atrás de Jamie. Ela sorriu.
“Sua bunda gorda apenas tem de tentar tirar vantagem de qualquer coisa com um pênis, não é?”
“Não tenho a intenção de interromper,” uma voz masculina tranquila disse.
Um arrepio percorreu a coluna de Jamie e ela enrijeceu.
Todo mundo parou de falar e olhou enquanto Alex aproximava-se por trás de Jamie. Ele segurava um
grande buquê de flores frescas na mão. Ele parecia tão fora de lugar, bem vestido e incrivelmente bonito.
Parte de Jamie queria rir. Outra parte dela queria bater nele.
“Em absoluto,” Christine disse de maneira doce, olhando Alex para cima e para baixo com um brilho nos
olhos. Ela pegou as flores que ele segurava. “Estas devem ser para o meu pai. Quão atencioso. Você deve ser
Alex Reid sobre o qual tenho estado ouvindo tanto.”
“De fato,” ele disse, como sem saber o que mais dizer. “Minha secretária me informou sobre a situação e
eu quis vir até aqui pessoalmente para entregar as flores e oferecer votos de uma pronta recuperação”
Ele sorriu para Jamie. “Como está seu pai?”
“Ok, eu acredito. Realmente não tenho tido a oportunidade de descobrir o que aconteceu.” Ela sustentou
seu olhar para os seus bonitos olhos azuis, embora quisesse olhar para sua mãe e Christine.
“Por que você não tira o resto da semana de folga? Passe o máximo de tempo com seu pai que precisar. O
escritório pode esperar até segunda-feira.”
Jamie queria chorar. Ele realmente tinha boas intenções, ela sabia disto, mas dizer para sua família que ela
tinha a semana de folga iria apenas piorar as coisas.
“Isto é muito... gentil da sua parte, Sr. Reid,” sua mãe disse, lançando um olhar desconfiado para Jamie. “A
maioria dos chefes nunca seria tão generoso.”
Merda. Ela acha que já estamos dormindo juntos.
“Você quer me ajudar a colocar as flores no quarto?” ela perguntou de maneira pouco convincente.
“Claro.” Ele pareceu aliviado com a oportunidade de escapar da sua irmã e mãe.
Jamie pegou as flores de Christine, quase tendo de arrancá-las da mão da sua irmã. Ela entrou no quarto
com Alex atrás dela. Jamie manteve os olhos no seu pai.
Ele olhou para cima quando eles entraram, seu olhar demorando em Alex e em seguida de volta para a sua
filha, seus olhos estreitando enquanto olhava atrás deles. “Sr. Reid, foi muito gentil da sua parte deixar minha
filha ter um emprego, especialmente quando o pacote global da sua família deve ser muito cansativo.” Ele
suspirou e prendeu a respiração. “Acho que seja no seu melhor interesse se você a deixasse ir. Ela não é, uh,
construída para longas horas de trabalho e trabalho duro. Você irá partir o seu coração.”
O rosto de Jamie queimava enquanto as lágrimas ameaçavam dominá-la. Seu pai, que tinha sido o único a
estar ainda um pouquinho feliz por ela no seu novo emprego, estava agora dizendo ao seu chefe que ele
deveria demiti-la porque ele achava que ela tinha uma paixonite por ele. Tinha de ser o dia mais humilhante na
sua vida e ela quase poderia compreender o desejo de Stephen de simplesmente voltar a trabalhar ao invés de
visitar seu futuro sogro no hospital.
Alex olhava para o seu pai. Seu sorriso era cordial, mas seus olhos estavam gélidos. “Embora aprecie a sua
colocação, Sr. Connors, eu irei decidir o que é no melhor interesse da minha empresa. Ela é, de fato, minha
empresa. O que você deveria saber é que sua filha é um bem valioso. Você deveria estar muito orgulhoso, não
envergonhado.”
O rosto do seu pai ardia vermelho e ele tentou, sem sucesso, sentar.
“Pai, não.” Jamie deu um passo para frente enquanto seu monitor cardíaco mostrava um aumento rápido.
Alex bufou, seu rosto completamente ilegível. “Tenho de voltar ao trabalho, Jamie. Adeus. Christine, Sra.
Connors, Jamie.” Ele acenou com a cabeça para cada um deles por sua vez e em seguida virou e foi embora.
Jamie olhava para sua família derrotada. Eles eram real e verdadeiramente pessoas horríveis. Todos eles.
Incapaz de ficar no quarto e encarar a ira e acusações da sua família, Jamie correu porta afora.
Ela hesitou no corredor, sem ter certeza em que direção ir.
Alex estava parado ao lado da porta e segurou seu braço. “Por aqui,” ele disse. “Para os elevadores.”
“Por favor, não me toque,” Jamie sussurrou, puxando o braço para longe como se ele estivesse em chamas.
Ela caminhou na frente e pressionou o botão para as portas do elevador. Tão logo ela abriu, ela entrou, mas
Alex foi muito rápido para as portas fecharem. Ele entrou de lado depois dela e pressionou o botão de parada
de emergência tão logo as portas do elevador estavam fechadas.
“Que diabos você está fazendo?” Jamie estava à beira das lágrimas. Ela não poderia contê-las por muito
mais tempo.
“Você precisa chorar,” Alex disse. “Ninguém está observando agora. Somos apenas nós. Deixe sair.”
“Você está louco? Vamos nos meter em apuros!”
“Irei fazer uma doação substancial para o hospital.” Ele acenou com a mão como se ele segurasse uma
varinha e pudesse extrair alguma magia dela. “Dar-lhes uma nova ala, equipamento novo, tanto faz. Você está
chateada.” Ele aproximou-se dela. “Respire, Jamie. Respire.”
Ela abriu a boca para gritar com ele, mas as palavras não saíram. Em vez disto ela cobriu o rosto com as
mãos e soluçou. Estresse, raiva, humilhação, tristeza e um milhão de outras emoções escaparam e derramaram
para fora dela. Ela sentiu Alex tomá-la nos seus braços fortes e esfregar suas costas.
“Está tudo bem,” ele sussurrou. “Apenas chore, Jamie. Apenas chore.”
Envergonhada, ela chorou mais forte e enterrou o rosto no seu paletó. Seu calor emanava dele e a
confortava. Ela afastou-se dele e virou. “Eles estão certos, sabe,” ela disse baixinho enquanto vasculhava sua
bolsa por um Kleenex. “Sou tão idiota.”
Ele entregou-lhe um lenço do seu paletó. “Definitivamente você não é idiota.”
Ela o pegou e assoou o nariz, sem se importar mais que seu rosto provavelmente estava uma bagunça
vermelha e manchada. “Você deveria me demitir.”
“Jamie.” Ele segurou gentilmente seus braços pelos cotovelos e a fez olhar para ele. “Não vou demiti-la.”
“Só a minha família é nitidamente mais problemas do que eu valho a pena. Você agora sabe que eu o acho
atraente. Seus funcionários provavelmente tem um milhão de boatos circulando ao redor sobre nós. Não vale a
pena.”
Ele olhou para ela, divertido. “Você me acha atraente?”
Jamie revirou os olhos. “De tudo que eu acabei de dizer, é isto que você subtrai? Eu teria de ser cega,
surda e muda para não achá-lo atraente. Mesmo assim—”
Ela nunca terminou sua frase porque, de repente, seus lábios estavam sobre os dela. Ele a puxou com
força, sua mão entrelaçando-se no cabelo dela. Choque a percorria e em seguida ondas de prazer, medo e pura
alegria. Os lábios de Alex viajaram para o seu rosto, depois para a sua têmpora e em seguida descansaram no
seu cabelo.
Jamie piscou, tentando reunir seus pensamentos dispersos de volta e empurrou o prazer de lado. Por que
este homem tinha de ser tão excitante? Finalmente, ela percebeu o que tinha acabado de acontecer. “Isto não
está certo,” ela disse. “Você é meu chefe. E ...” Ela quase disse e você irá apenas partir meu coração
também, mas conteve-se a tempo. “Você disse que não queria distrações no ambiente de trabalho. Foi por isto
que você me contratou.”
Ele riu baixinho. “Não quero distrações. É impossível não ser distraído por você. Tenho tentado duro não
notar como você morde o lábio quando está nervosa ou quão sexy você parece quando está tentando ser a
epítome do profissionalismo. Amo como meu nome soa quando você o diz e eu sempre me pergunto como ele
soaria se você apenas me chamasse de Alex.” De repente, ele endireitou-se, como se percebendo que tinha se
permitido dizer as palavras.
Jamie corou, completamente incapaz de pensar em algo para dizer. “Não sei o que dizer,” ela disse
finalmente.
Alex recuou e pressionou o botão de parada de emergência e o elevador recomeçou novamente. Ele
pressionou o térreo. “Você não tem de dizer nada. A culpa é minha. Não tive a intenção de dizer o que acabei
de dizer.” Ele passou os dedos pelo cabelo uma vez e em seguida tornou-se completamente profissional e
ilegível. “Peço desculpas. Estava envolvido no momento, a maneira como este dia tem ido. Não quis dizer o
que disse.”
Jamie olhava para os números diminuindo de três para dois. “Você não precisa se desculpar. Está tudo
bem.”
“Você é muito boa no seu trabalho e você realmente é um bem valioso para esta empresa. Senti pena de
você. A maneira como a sua família é, o estresse do dia. Tudo isto me alcançou. Não irá acontecer
novamente. Nunca.” As mãos dele estavam fechadas em punho ao seu lado e ele olhava friamente à frente.
“Verei você na segunda-feira.” Quando a porta do elevador abriu, ele atravessou rapidamente enquanto Jamie
esperou até que a porta começasse a fechar antes que ela saísse.
Capítulo 11
Jamie verificou com a recepção e pediu para ser notificada se houvesse qualquer mudança importante na
condição do seu pai. Foi preciso tudo para não chorar enquanto saia e pegava um táxi de volta para o escritório
para que ela pudesse pegar seu carro. Finalmente sozinha, ela deixou as lágrimas caírem.
“Somente até chegar ao seu apartamento. Então isto para,” ela murmurou para si mesma. Ela pegou um
Kleenex e enxugou o rosto. Por uma fração de segundo, no elevador, ela tinha achado que Alex tinha estado
flertando com ela. Com ela! Então tudo tinha se transformado em fuligem e ele disse que tinha dito aquelas
palavras porque sentiu pena dela. Elogios por sentir pena? A vida não poderia ficar mais baixa.
Ela assoou o nariz e enxugou as lágrimas com as costas da mão enquanto se aproximava da casa.
Pressionando o botão para abrir os portões, ela abriu a janela, esperando que o ar fresco iria esconder a
vermelhidão no seu rosto.
Felizmente ela não viu o carro de Alex ou o motorista que ele usava durante o horário comercial no
escritório. Ela estacionou na sua vaga habitual e apressou-se para fora do carro, mantendo a cabeça baixa
enquanto fazia seu caminho até a casa.
A piscina de tamanho olímpico no quintal saltava vapor no ar frio da tarde. Era o início do inverno e a
piscina ainda estava aberta. Somente Alex Reid iria pagar para aquecer a sua piscina ao ar livre o suficiente
para estar na temperatura de uma banheira. Jamie ficou tentada em se despir e pular nela. Um mergulho nua
no meio da tarde, no inverno, na casa de um bilionário. A baleia gordinha encalhada se jogando na água. Que
sexy! Ela riu alto enquanto destrancava seu apartamento e entrava.
Ela voltou para o lado de fora quando seu cérebro clicou e percebeu que tinha perdido uma caixa no lado
de fora da sua porta. Ela abaixou e pegou. Um bilhete em cima lhe disse que Murray tinha estado cozinhando
para ela novamente.
Carregando o cooler para a cozinha, ela colocou os itens na geladeira e largou as chaves do carro sobre o
balcão. Talvez ela iria comer mais tarde, não estava com fome agora. Dentro do seu quarto, ela tirou a saia e
blusa e deixou cair no chão em uma pilha amarrotada. Rastejou para cama apenas de calcinha e sutiã, sem se
importar se tinha trancado a porta ou não. Não importava. Ninguém ia entrar.
Ela olhou para as caixas ainda perto da parede esperando para serem desempacotadas. Pelo menos ela
seria capaz de finalmente conseguir suas coisas organizadas durante o seu tempo de folga.
Ela virou e puxou o edredom caro ao redor dela e fechou os olhos, exausta e odiando sua vida.
Jamie passou seu primeiro dia de folga do trabalho no hospital com seu pai. Sua mãe e Christine saíram pela
manhã. A tensão de ontem manteve as coisas desconfortáveis, mas ela fez companhia para o seu pai enquanto
ele realizava vários exames e assistia reprises antigas de Criminal Minds. Seu trabalho nunca foi mencionado
na conversa, muito para o seu alívio, nem o casamento. Jamie o levou para casa do hospital no final daquela
tarde quando o médico finalmente lhe deu alta com a instrução firme de estar de volta amanhã novamente para
alguns exames.
“Sinto muito sobre ontem,” ele disse quando estavam no carro. “Sei que você é uma boa funcionária e não
tem nenhum motivo para ser demitida. Até onde eu sei.”
“Até onde eu sei, também não.” Ela manteve os olhos na estrada e esperava que isto evitasse que seu pai
fizesse mais perguntas. Ela tinha uma cara de pôquer terrível, mas não importava, ele estava envolvido nos
seus próprios problemas.
Ela o observava com o canto do olho. Por mais que a sua família fosse uma dor às vezes, ela ainda os
amava. Ela não queria vê-lo deprimido. “Ei, Pai, você acha que na próxima quarta-feira você estaria a fim de
sair para jantar?” Jamie perguntou. “Algum lugar com um ambiente decente e opções saudáveis, é claro. Você
precisa manter o colesterol baixo como o médico lhe disse. Irei perguntar para Christine e você pergunta para
Mãe? Meu mimo por todos os problemas. Que tal Michael Angelos?”
“Você está pagando?” Ele sorriu. “Tenho certeza que posso fazer isto. Qual é a ocasião? Não é sempre
que você quer sair para jantar com a sua família.”
Jamie sorriu triste. Claro que ele não iria se lembrar. Por que ele iria quando somente compareceu a dois
em toda a sua vida? “Sei que normalmente não gosto, mas a próxima quarta-feira sendo meu aniversário e
tudo, achei que seria agradável.”
“Boa ideia. Christine irá falar com Stephen também, é claro.”
“É claro.”
Ela não viu seu pai pelo resto da semana. Ele deveria estar descansando, mas ele começou a trabalhar na
cama e baniu todo mundo do seu quarto, até mesmo sua esposa, o que a deixou particularmente impertinente.
Christine telefonava para ela sem parar e a tinha realizando tarefas para o casamento a torto e direito. Ao
mesmo tempo, Jamie foi finalmente capaz de desempacotar suas coisas e reorganizar a mobília para parecer
mais como um lar. Nada, contudo, a impedia de pensar em Alex.
Ela ouvia o equipamento de ginástica de manhã e esperava até que tivesse certeza que ele tinha ido embora
antes de ir até lá. Tentar evitá-lo não ajudava, ele entrava na sua mente o tempo todo e aquele beijo dominava
suas fantasias. Era errado da parte dela continuar pensando nele, mas ela não conseguia evitar. Alex Reid era
o homem mais sexy que ela conhecia. Era muito difícil não ser tentada por ele.
Imagens dele malhando, desenvolvendo um suor, a deixavam incapaz de dormir. Ela iria deitar na cama
enquanto ele malhava, esperando que ele fosse embora às seis e em seguida passaria uma hora extra na
academia, na esteira ou na bicicleta, até mesmo na piscina. Com toda a correria pela escada e comida
saudável dos últimos tempos, as roupas de ginástica de Jamie estavam ficando mais largas do que elas já eram.
Ela se recusava a sair e comprar novas. Ela não precisava de coisas sexy e justa para parecer ridícula. Parte
dela implorava ao seu interior para sair e comprar calça capri de spandex e um sutiã esportivo rosa sexy assim
um dia, na academia, ela poderia estar lá bastante suada de um treino e teria Alex entrando e parando
imediatamente. Nunca aconteceria, mas ei, foi divertido imaginar a cena se desenrolando.
Ela estaria brilhando com a quantidade certa de suor, seu cabelo loiro puxado em um daqueles rabos de
cavalo sensuais. Ele estaria liso ao invés do seu coque ondulado e cacheado que ela normalmente usava. Ela
estaria caminhando — não, correndo com o seu topo rosa e calça capri com um ajuste perfeito. Ou poderia ser
uma bermuda de spandex ajustando-se a sua bunda arredondada de maneira simplesmente perfeita. Ela iria
sorrir quando ele entrasse, talvez acenar com a mão ou a cabeça, incapaz de ouvi-lo por causa da música no
iPod retumbando dos seus fones de ouvido.
Alex ficaria chocado, sua boca aberta enquanto caminhava até ela. “Para onde você foi? Metade de você
sumiu!”
Ok, ele não diria isto. Muito idiota.
Ela iria acordar a si mesma ao arremessar as cobertas e ir para a academia com uma coisa feia e larga ou
no seu traje de banho de corpo inteiro, de aparência quadrada, que não tinha uma pitada de sexy nele.
Na segunda-feira antes que ela voltasse a trabalhar, ela conseguiu uma batida na sua porta. Ela tinha ido na
academia de Alex com a esperança de eventualmente vê-lo assim poderia se certificar que eles estariam bem
no trabalho. Ela não queria aparecer no seu escritório e o dia de trabalho ser impossível de superar. Alex não
veio então ela terminou sua malhação sozinha.
Quando a batida soou novamente, Jamie colocou seu laptop de lado e tentou afastar as imagens dos
acessórios para a menina das flores e canções populares de casamento da sua mente enquanto atendia a
porta.
Alex estava parado a centímetros dela, vestido com um terno e pronto para ir trabalhar. Ele brincou com o
seu colarinho antes que os cantos da sua boca subissem brevemente. “Gostaria de me desculpar,” ele disse
baixinho. “Reagi de maneira exagerada e isto não foi adequado. Não deveria ter agido daquela maneira e
prometo que isto não acontecerá novamente.” Seus olhos a percorreram. “Estou contente que você está vindo
trabalhar.” Ele virou para ir.
“Espere,” Jamie disse, mordendo o lábio. “Obrigada pelo pedido de desculpas e pelo tempo de folga.
Realmente apreciei isto. Estou contente que estou voltando a trabalhar agora também.”
A expressão dele aliviou. “Você poderia não estar quando ver o quanto de trabalho você tem de colocar em
dia.” Ele piscou para ela e enfiou as mãos nos bolsos compridos do seu blazer enquanto virava para ir embora,
assobiando.
Jamie o observou afastar-se, sua boca seca. Você deveria ser profissional. Ela apenas esperava que isto
pudesse ser tão fácil para ela quanto era para ele.
Capítulo 12
Graças ao negócio de ter de recuperar-se de quase uma semana de atraso, Jamie não teve tempo para
considerar se estava agindo de maneira profissional ou não. Alex Reid tinha estado atolado enquanto Jamie
tinha estado fora. Ele deve ter passado a maioria das noites no escritório já que seu tablet e telefone
corporativo tinha sincronizado com todo o trabalho e ela foi capaz de examinar tudo que ele tinha feito. Ele
tinha feito anotações grosseiras para ela e fez com que Gina a atualizasse sobre algumas reuniões para
escrever os comunicados de imprensa. Jamie fez um esforço especial para colocar-se em dia com todo o resto
e ao final da quarta-feira, acreditava que tinha se colocado em dia com tudo.
Ela entrou no escritório de Alex quando terminou de enviar um e-mail para a empresa que Alex estava
planejando comprar. Ela bateu de leve na porta, “Sr. Reid?”
Alex estava em pé com as mãos apertadas atrás das costas, olhando pelas janelas enormes para a cidade
abaixo deles. Ele virou e olhou para ela. “Sim, Srta. Connors?”
“Há alguma outra coisa que precisa ser feita hoje?” Ela furtou um olhar para o seu relógio. Era quase seis.
Sua família tinha planejado encontrá-la por volta das seis e meia. Se ela tivesse de cancelar, precisava fazer
isto agora.
“Estamos bem. Você tem trabalhado o dobro, dia e noite, pelos últimos três dias. Obrigado por isto, aprecio
o seu trabalho duro. Tenho outra reunião que posso administrar sozinho.” Ele virou para a janela. “Boa noite,
Srta. Connors.”
“Para você também, senhor.” Ela hesitou antes de finalmente voltar para o seu escritório. Ela tinha estado
tentada a contar para ele que era o seu aniversário. Que bem isto iria fazer? Era apenas um número de
qualquer maneira. Ela tinha passado o dia inteiro sem um telefonema ou e-mail para dizer feliz aniversário. Ela
estava bem com isto, por que iria pensar que agora, de repente, ela precisava de um dele?
Ela desceu as escadas apressada e parou no banheiro público no andar principal para verificar sua
maquiagem. Ela retocou o batom e saiu para dirigir-se ao Michael Angelos.
Sua família estava esperando por ela, já encomendando uma garrafa de vinho antes que ela sequer tivesse
se sentado.
“Oi, querida!” Seu pai aproximou-se e beijou seu rosto. “Feliz aniversário!”
“Oh sim!” Christine levantou a garrafa de vinho. “Esqueci que era seu aniversário. Feliz dia.” Ela foi
servir-se de uma taça e percebeu que a garrafa estava vazia. “Oooops. Acho que começamos sem você.” Ela
fez um gesto para o garçom trazer outra.
A mãe de Jamie sorriu para ela. “Feliz aniversário. Você acha que nesta época, no próximo ano, estaremos
grávidos?”
“Como?” Jamie piscou. A única cadeira vazia estava no canto dos fundos ao lado de Stephen. Ela teve de
pedir-lhe para arrastar para frente para que ela pudesse passar.
“Para Christine.” Sua mãe revirou os olhos. “Estava falando sobre Stephen e Christine tendo um bebê.
Finalmente me dando um neto.”
Stephen levantou e empurrou a cadeira. Ele deu um passo contra a mesa, encarando Jamie enquanto ela
tinha de passar por ele. Ele a surpreendeu ao beijá-la nos lábios enquanto ela tentava passar.
Ela tinha estado concentrada em não deixar nenhuma parte do seu corpo roçar no pênis dele para ver sua
cabeça vindo na direção dela. Ela congelou quando os lábios dele tocaram nos dela.
“Feliz aniversário, Jamie.” Ele deu um tapinha na sua bunda antes de finalmente deixá-la passar.
Ninguém pareceu notar a troca. Chocada, Jamie sentou e pegou o menu. Ela o segurou alto, cobrindo seu
rosto assim ninguém iria notá-lo queimando. Quando finalmente acalmou-se o suficiente para participar da
conversa, ela percebeu que a segunda garrafa de vinho tinha chegado e preenchido todas as taças, menos a
dela. Ela a pegou, desapontada que estivesse vazia novamente. As taças de Stephen, Christine e de sua mãe
estavam cheias.
“Aqui.” Seu pai entregou-lhe a sua taça. “Não deveria estar bebendo.” Ele piscou para ela. “Posso ter
enchido esta para guardar para você.”
Este foi o único presente que ela recebeu na mesa. Ela ficou sentada no seu cantinho, participando da
conversa quando isto pedia e pensava sobre o trabalho e Alex quando não. Ela se perguntava que reunião ele
tinha hoje à noite e se ele estava vendo alguém desde Annette. Isto não era da sua conta.
“Jamie!”
Ela piscou e voltou a atenção para sua irmã. “Sinto muito. O que você estava dizendo?”
Christine revirou os olhos. “Quanto vinho você já bebeu?” Ela não esperou que Jamie respondesse. “Mãe e
eu estávamos conversando e pensando que seria realmente legal se nós mesmas fizéssemos as lembrancinhas
do casamento. É o tipo de coisa na moda para fazer hoje em dia. O que você acha?”
“Sim, claro. É uma ideia ótima.”
Ela bateu as mãos. “Perfeito! Eu sabia que você faria isto! Já encomendei o material e a forma de corte e
tudo. Você terá de fazer cerca de,” ela disse e virou para a sua mãe, “duzentos? Duzentos e cinquenta delas?”
“Espere! O quê?” Jamie tentava descobrir que parte da conversa ela tinha perdido. Sua mãe e irmã
estavam sentadas na extremidade e ela estava presa entre os dois homens que estavam conversando
principalmente sobre ações e esportes. Duas coisas que realmente não pareciam combinar.
“Eu perguntei se você faria para mim.” Christine inclinou a cabeça, suas sobrancelhas franzindo quando as
coisas subitamente não estavam indo do seu jeito. “Você disse, e estas são as suas palavras exatas, sim, claro.
É uma ótima ideia.”
“Achei que você estava falando sobre você e Stephen fazê-los.”
Stephen deu uma gargalhada. “Não vou fazer nenhuma daquela merda.”
“Jamie,” Christine choramingou. “Não tenho tempo. Já encomendei a coisa toda e paguei por ela. Não
posso mandá-la de volta.”
Jamie soprou a franja para longe da testa. “Por que você e eu não fazemos juntas?” Ela empurrou seu
macarrão com frango inacabado para longe, não mais com fome.
Christine deu-lhe um sorriso. “Eu sabia que você faria isto!”
“Apenas perguntei se você queria fazê-las juntas.”
Sua irmã acenou a mão. “Claro, tanto faz. Farei com que o material seja entregue no seu escritório assim
você pode começar cedo. Depois podemos escolher um dia para terminá-las.”
A mãe de Jamie pegou o braço do garçom enquanto ele passava. “Terminamos aqui. Você se importaria de
esvaziar a mesa e trazer o bolo?” Ela apontou para o prato inacabado de Jamie. “Irei levá-lo para casa. Minha
filha não precisa disto. Ela está tentando desesperadamente perder peso.”
Sério? Sua mãe tinha de fazer isto com ela no seu aniversário? Jamie balançou a cabeça. Pelo menos
sua mãe tinha encomendado o bolo. Isto era uma primeira vez.
Enquanto o garçom limpava a mesa, Jamie olhava ao redor do restaurante. O lugar era um dos restaurantes
de classe alta. Ela tinha a sensação que um dos seus contracheques poderia estar cobrindo a quantidade de
vinho que a sua família tinha estado bebendo. Ironicamente, o cardápio das bebidas tinha sido tirado da mesa.
Stephen tinha mencionado mais cedo que ele adorava que Jamie fosse finalmente capaz de pagar a conta. Ela
tinha ignorado seu comentário, mas agora ela começava a se perguntar por que ela tinha se oferecido.
O bolo veio com velas sobre ele. Jamie sorriu, mas isto desapareceu rapidamente quando ela leu a inscrição
sobre ele. Christine & Stephen Parabéns!
Ela olhou para o bolo, mordendo a língua para reprimir um comentário sarcástico.
Christine bateu palmas. “Seis meses, bebê. Então sou toda sua.” Ela cortou o bolo e dividiu-o em três
grandes pedaços e dois pedacinhos minúsculos. “Para você e pai,” ela disse e entregou para Jamie e seu pai os
pequenos. “Vocês dois precisam estar observando o que estão colocando na boca. Seis meses não é muito
tempo.”
Jamie olhou para o pedaço de bolo no tamanho de três mordidas. “Obrigada,” ela murmurou. De alguma
maneira Christine tinha conseguido esgueirar seu caminho no único dia do ano que deveria pertencer a Jamie.
Ela sequer queria o bolo, então ela o deslizou para o seu pai quando ele terminou o dele. Ele piscou para ela e
sorriu.
Quando a conta chegou, Stephen apontou para Jamie. “Ela está pagando desta vez, amigo.”
Jamie estendeu a mão na frente de Stephen, desejando secretamente que seu cotovelo iria acidentalmente
bater no seu nariz. Claro isto não aconteceu.
O garçom sorriu para ela, o primeiro sorriso genuíno que ela tinha recebido desde que entrou no
restaurante. “Sua conta já está paga, senhora.” Ele sorriu, como se isto fosse algum tipo de jogo.
“O quê?” Stephen pegou o porta contas de couro vermelho que escondia o total da conta dentro.
Jamie empurrou-o para longe dele e abriu. A conta mostrava pago. “Por quê?” Ela olhou para cada um dos
membros da sua família, mas cada um deles balançou a cabeça.
“O cavalheiro lá,” o garçom disse e apontou para o canto mais distante onde uma mulher em um vestido
vermelho deslumbrante estava sentada. Seu acompanhante estava sentado na cabine de couro, de costas para
eles.
Jamie não poderia dizer quem era. Ela também adorou o vestido vermelho que a bela morena estava
usando. Ela desejou que pudesse usar algo assim. Este seria o seu desejo de aniversário se ela pudesse ter um:
ser capaz de usar um vestido vermelho justo como aquele e arrasar.
“Bem, foda-me,” Stephen murmurou.
Jamie observava a cabine enquanto a mulher tocava a mão do homem e fazia um gesto na direção da mesa
deles. Ele pegou sua taça, deslizou para fora do seu assentou e caminhou até eles.
Alex Reid.
Jamie sabia que sua boca estava aberta. Ela não sabia bem o que dizer quando ele se aproximou.
“Boa noite,” ele disse.
Aparentemente sua família não sabia o que dizer também.
Stephen levantou e apertou a mão de Alex. “Ei companheiro, como vai?”
“Bem. Obrigado.” Alex levantou sua taça. “Ouvi dizer que era seu aniversário hoje, Srta. Connors.”
Jamie assentiu, presa no canto enquanto Stephen sentava novamente.
“Bem, feliz aniversário. Peço desculpas por não ter percebido antes. Eu teria deixado você sair do trabalho
mais cedo.” Ele piscou. “Saúde, pessoal.” Ele sorriu e caminhou de volta para a sua companhia sem outro
olhar.
“Isto foi estranho,” sua mãe disse para Christine.
Stephen sorriu. “Tenho certeza que ele faz isto para todas as suas assistentes pessoal.”
“O que isto quer dizer?” O rosto de Jamie aqueceu com raiva desta vez. Alex tinha apenas feito um gesto
doce. Ele não precisava, mas ele fez. Por que eles estavam transformando isto em alguma outra coisa?
Christine chutou Stephen por baixo da mesa. Seu ‘ai’ audível a fez sorrir. “Alguém como ele não vai dormir
com a minha irmã. Confie em mim sobre isto.”
De repente Jamie queria que esta noite acabasse. Ela fingiu um bocejo e levantou. “Obrigado a todo mundo
por... por,” ela tentou pensar em algo que eles tinham feito por ela, “por vir hoje à noite.” Ela esperou que
Stephen se levantasse para que ela pudesse ir embora.
“Vamos fazer isto novamente no ano que vem!” Stephen a observava atentamente enquanto ela passava e
pegava seu casaco. Ele inclinou a cabeça. “Você mudou,” ele disse com uma voz desconfortavelmente
tranquila. “Posso dizer que você está diferente.”
“Não.” Jamie balançou a cabeça. “A mesma de sempre.” Ela olhou para a mesa com a bela morena.
“Obrigado novamente,” ela sussurrou para ninguém em particular, mas desejando que Alex iria ouvi-la no outro
lado da sala.
Capítulo 13
“Srta. Connors, tenha aquele relatório na minha mesa hoje à noite. Também preciso que você pegue minha
roupa na limpeza a seco em uma hora e as pessoas da Anderson Company estão chegando hoje à noite então
preciso que você olhe a sala de reuniões número cinco e certifique-se que ela esteja pronta para eles.”
“Ok.” Jamie marcou tudo no seu tablet. “Você quer que eu traga sua roupa para o escritório?”
Ele olhou para baixo. “Este terno está enrugado?”
Ela deixou seus olhos viajarem lentamente para baixo e depois para cima pelo seu corpo bonito. “Parece
bom para mim,” ela sussurrou.
“Então, se você não se importa, apenas leve-o para casa. Posso pegá-lo com você lá.” Ele não tinha feito
nenhuma menção sobre o seu jantar de aniversário duas semanas atrás e nem ela tinha.
Ele estalou os dedos. “Também terei MacBane trazendo o jantar. Eu lhe pedi para fazer um pouco para
você também.”
Jamie piscou, a palavra saindo da sua boca antes que ela pudesse pegá-la. “Por quê?”
Ele riu. “Vai ser uma noite muito longa hoje à noite e não estou no clima para comida de viagem
novamente. Não posso matá-la de fome, embora as pessoas possam pensar que eu estou começando a fazer
isto.” Ele sorriu rapidamente antes que sua expressão se tornasse abalada novamente.
Ele lhe entregou um chaveiro. “Aqui está a chave da minha casa. Você pode deixar minha roupa e em
seguida pegar a comida do cooler cheio na cozinha.” Ele a colocou sobre a mesa e sorriu para ela novamente.
“Obrigado, Srta. Connors. Realmente aprecio isto.”
Jamie acenou com a cabeça para ele. “Claro, Sr. Reid.”
Ele sentou-se à sua mesa e olhou para o seu telefone.
Jamie pegou as chaves e foi pegar sua bolsa. Esticar as pernas seria bom e ela poderia pegar a roupa no
caminho de volta para a casa. Talvez até mesmo trocar de roupa rapidamente.
Christine telefonou para Jamie tão logo ela saiu do prédio. Por um segundo ela teve certeza que Christine
estava vigiando o prédio para ver as suas idas e vindas. Mas ela dispensou a ideia um segundo depois. De
maneira nenhuma ela seria tão dedicada a qualquer coisa.
“Ei, Jamie, você está ocupada?” Christine perguntou.
“Estou trabalhando, mas fui enviada em uma tarefa, então se for rápido...”
“Apenas preciso saber para onde enviar o material das lembrancinhas do casamento.”
“Um, claro, sim.” Jamie revirou os olhos. “Apenas envie para o meu escritório.”
“Seu chefe está bem com isto?”
“Irá ficar tudo bem. Estou com um pouco de pressa, Christine. Irei mandar uma mensagem para você com
o endereço.” Ela parou ao lado do carro. “Você pode simplesmente enviá-lo para sua casa e—”
“Jamie, você é minha dama de honra. Preciso de você agora e você não pode privar-se de um momento do
seu tempo?”
“Irei enviar o endereço. Sem problema.” Ela não tinha tempo para discutir. “Tchau!” Ela enfiou o telefone
no bolso e estendeu a mão para a maçaneta do carro.
“James! Jamie! Jamie-James!”
Você tem de estar brincando! Ela virou ao som da voz de Stephen e em seguida pressionou o corpo contra
o carro. Ele fedia a bebida e sua camisa estava amarrotada e desabotoada.
Stephen tropeçou na direção dela. “Cometi um erro terrível, Shamie-Shames,” ele disse com a fala
arrastada.
“O que você está fazendo aqui?” ela sibilou. “Por que você não está no trabalho?”
“Dia doente,” ele murmurou, tropeçando para mais perto. Jamie deu um passo para trás e para o lado e em
seguida outro.
“Deveria casar com você, Jamie, não Christine.” Ele estendeu a mão para acariciar seu cabelo e errou
completamente. “Você é a sexy, inteligente. Muito boa para o seu próprio bem.” Ele deu um sorriso torto.
“Sem mencionar a merda que você faz na cama.” Seus olhos deslizaram por ela. “Você tinha aquela coisa do
pneuzinho extra acontecendo, mas tenho a sensação que se eu descobri-la, ele desapareceu, não é?”
Jamie obrigou-se a permanecer calma. Ela poderia correr mais do que o bastardo bêbado se precisasse,
mesmo com seus saltos e uma saia comprida. “Você está tendo dúvidas sobre o casamento?”
Ele jogou as mãos para cima e deu outro passo para mais perto dela.
Jamie percebeu que ela tinha recuado contra a parede do prédio.
“Não sei. Ela é quente. Uma transa nojenta e não cala a boca.” Ele balançou a cabeça. “Ela reclama e
queixa-se muito.” Ele esfregou a sobrancelha com o polegar, balançando enquanto ficava em pé.
“Você sequer ama Christine?” Jamie verificou seu relógio. Ela não tinha tempo para esta conversa. Ela
também sentiu pena da sua irmã. Ela poderia irritá-la muito, mas isto não significava que ela merecia um
casamento sem amor. “Stephen, você está bêbado. Você precisa ir para casa, dormir para livrar-se da
bebedeira. Irei fingir que nunca tivemos esta conversa.”
“Cale a boca,” ele disse, agarrando seus braços. “Apenas cale a boca.” Antes que ela pudesse protestar,
ele começou a beijá-la. Duro. Jamie lutava e sufocava, mas ele apenas a segurou com mais força, prendendo-
a contra a parede e pressionando seu corpo contra o dela. Ele obrigou seus lábios a se abrirem e forçou a
língua para dentro da sua boca. Jamie sufocou ainda mais duro. Ela tentou virar a cabeça para longe dele, mas
ele agarrou seu cabelo para mantê-la no lugar. Mas ao fazer isto ele soltou seus braços.
Ela estendeu a mão atrás dela para pegar o telefone e ele a empurrou com mais força na parede,
prendendo seus braços no lugar. Ela parou de lutar contra ele e concentrou-se em abrir o telefone. Ela não se
importou para quem ela telefonou ou rediscou. Contanto que conseguisse um número e alguém pudesse ouvi-la
lutando contra ele.
Ele estendeu a mão atrás dela e empurrou sua mão, o telefone caiu no chão aos pés deles. Stephen nem
mesmo notou. Ele pressionou a mão dela na sua pequena ereção. Provavelmente muito bêbado para consegui-
lo em pé.
Ela girava o pescoço para frente e para trás, tentando libertar sua boca. Ela mordeu o lábio dele,
saboreando seu sangue e mesmo assim ele não iria soltá-la.
“Você sabe que me quer,” ele murmurou enquanto se movia para a orelha dela, certificando-se que sua
mão segurasse o pescoço dela em um aperto firme.
“Solte-me!” Jamie começou a lutar novamente. “Irei gritar, Stephen!” ela sibilou enquanto os dedos dele
apertavam ao redor do seu pescoço, interrompendo sua via aérea.
“Cale a boca!” ele disse, lambendo-a e beijando-a novamente.
De repente, a pressão dolorosa dele contra ela liberou. Ele voou para trás. Alguém a tinha ouvido
chamando na garagem e tinha vindo em seu socorro.
As mãos de Jamie caíram para os seus joelhos enquanto lutava para recuperar o fôlego. Ela olhou para
cima quando o som distinto da mandíbula de alguém sendo socada a trouxe de volta para à realidade.
Alex estava a alguns metros de distância, socando Stephen repetidamente. Ela correu e segurou seu braço.
“Pare por favor,” ela disse. “Ele não vale a pena ser preso por agressão agravada.”
Alex olhou para ela, respirando com dificuldade. Jamie estremeceu com a raiva queimando nos seus olhos.
“Você está certa.” Ele olhou para o seu ex-amigo, agora ensanguentado e ainda bêbado. Ele pegou Stephen
pela frente da camisa. “Dê a porra do fora daqui,” ele sibilou. Ele jogou Stephen no chão novamente.
Stephen levantou-se de maneira desajeitada e saiu tropeçando, resmungando insultos baixinho.
Jamie o observou ir embora e de repente a adrenalina drenou dela. Ela caiu contra Alex, tremendo e
limpando a boca, pronta para vomitar com o pensamento de Stephen. “Obrigado,” ela disse. “Estou contente
que você apareceu.”
“Estou feliz que você me chamou,” ele respondeu. “Isto foi muito esperto da sua parte.”
Ela balançou a cabeça. “Foi um hail Mary[1],” ela disse. “Não conseguia ver meu telefone e tive de
fazê-lo atrás das minhas costas.” Ela deu uma risadinha de nervosismo. “Apenas estou feliz que realmente
pressionei um dos meus números de discagem rápida e você sabia onde eu estava.” Ela estremeceu, pensando
sobre o que poderia ter acontecido se ela não tivesse feito isto.
Alex tirou seu paletó e colocou-o ao redor dos seus ombros. “Vamos levá-la para casa,” ele disse. “Você
precisa descansar e acalmar-se.”
Ela assentiu, de repente sentindo-se exausta. “Apenas preciso descansar por alguns minutos,” ela disse.
“Ficarei bem, eu juro.”
“Eu sei,” ele disse. “Mas, por favor, deixe-me levá-la para casa. Para a minha paz de espírito.”
Jamie olhou para ele e percebeu que ele parecia muito mais traumatizado do que ela se sentia. As mãos
dele estavam tremendo e sua respiração saía com dificuldade. “Ok,” ela disse. “Vamos.”
Alex estacionou na garagem da sua casa. Jamie olhava em silêncio para fora da janela enquanto a porta da
garagem fechava. Ele desligou o carro e ficou sentado em silêncio ao lado dela por um momento. “Eu iria me
sentir melhor se nós fôssemos para a minha casa ao invés da sua. Posso ir e pegar uma muda de roupas para
você, se você quiser.”
Jamie assentiu. “Esqueci de pegar sua roupa. Poderíamos tê-la pego a caminho de casa.”
“Não se preocupe sobre a minha roupa. Tenho muitas lá em cima.” Ele abriu a porta do carro. “Vamos,
vamos levá-la para dentro.” Ele deu a volta e abriu sua porta e de maneira educada, com a quantidade perfeita
de espaço, caminhou ao lado dela e ajudou-lhe a entrar na sua casa.
Em nenhum momento, ele tirou a mão da parte inferior das suas costas, como se ele precisasse da garantia
que ela ainda estava lá. Eles vieram através da garagem para a cozinha. Ela estava organizada de maneira
semelhante ao seu apartamento abaixo. Muito espaço e cores leves. Tudo era bonito e de bom gosto. Toda a
cozinha tinha bancadas de granito cintilantes, uma geladeira sofisticada e fogão com armários de madeira de
lei.
Alex a conduziu através da cozinha para a sala de estar que estava mobiliada com sofás de couro, uma TV
de tela plana e pinturas e fotografias de todos os estilos nas paredes. Ao lado da lareira havia uma escada em
espiral. Tinha de ser a casa mais luxuosa na qual ela já tinha estado. Ela podia simplesmente imaginar que seu
quarto tinha a mesma masculinidade que o resto do lugar.
Alex não percebeu seu assombro ou não disse nada sobre isto enquanto a conduzia até um dos sofás de
couro. “Sente-se. Irei fazer um chá.”
“Realmente não há nenhuma necessidade,” ela disse. “Estou bem agora. Eu prometo.” Ela realmente se
sentia muito melhor agora. Apenas desejava uma bebida forte para apagar o gosto horrível na sua boca.
“Mesmo se você estiver, eu não estou.” Ele caminhou até a cozinha e encheu uma chaleira com água. “E
eu sei que você não está, Jamie. Você não parou de tremer.”
Jamie fechou as mãos em punhos para parar o tremor. “Estou bem,” ela disse. “Apenas um pouco
abalada.”
“O que significa que você não está bem.” Depois de ligar o fogão, ele voltou e sentou-se, olhando para ela
com a testa franzida. Seus dedos roçaram os hematomas se formando nos braços dela. “Alguma coisa doí?”
ele perguntou de maneira suave.
Jamie balançou a cabeça, incapaz de falar com ele a tocando de maneira tão gentil. Como ele fez sua
mente ficar completamente em branco com apenas um toque?
“Gostaria que houvesse alguma maneira que eu pudesse fazer os hematomas irem embora,” ele disse.
“Que diabos aquele idiota estava pensando?”
“Eles irão curar,” ela gaguejou. Maldição, por que ela nunca conseguia pensar perto dele?
“Sinto muito,” ele sussurrou.
Ele inclinou-se mais perto dela, necessidade e preocupação guerreando nos seus olhos.
Jamie mordeu o lábio enquanto sua respiração intensificava-se, mas não porque ela estava com medo.
Exatamente o contrário. Ela realmente não deveria estar pensando sobre ele beijando-a naquele momento. Era
errado, em muitos níveis.
A chaleira começou a apitar e Alex levantou-se rapidamente para desligá-la. “Que tipo de chá você
gosta?”
“Você tem hortelã?” ela perguntou, abanando-se.
“Definitivamente,” ele disse. Ele abriu um armário e Jamie pegou um vislumbre das fileiras e fileiras de
chá. Ele sorriu quando viu seu olhar. “Gosto de chá.” Ele encolheu os ombros. “É um daqueles poucos fatos
que todo mundo sabe sobre mim, então eles sempre me dão conjuntos de chá para presente quando precisam
comprar um para mim.”
“Compreendo,” ela disse, tentando não rir. “Bem, definitivamente há presentes piores para conseguir.” Ela
olhou para uma foto na parede. Alex estava nela com outro homem que tinha os mesmos olhos e nariz que ele,
assim como um casal mais velho. “Esta é a sua família?”
Ele acompanhou seu olhar. “Sim.”
“Todos eles parecem muito gentis.” Sério? Este é o seu comentário sobre eles? Ela engoliu em seco,
tentando empurrar seu constrangimento para baixo.
“Eles são.” Uma sombra passou sobre o seu rosto.
Aparentemente Alex Reid tinha segredos também.
Ele entregou-lhe uma das canecas de chá e o aroma relaxante da hortelã flutuou da caneca.
“Obrigada,” Jamie disse de maneira automática.
Ele sentou ao lado dela, olhando para a sua própria caneca. “Você sabe que não pode simplesmente
continuar mudando de assunto, Jamie. Percebo que não tenho jurisdição sobre a sua vida pessoal, mas ainda
estou preocupado.”
“Estou bem.”
“Você precisa avisar Christine, então.”
Ela suspirou. “É complicado.”
“Não, não é. O cara é um idiota.”
“Nós costumávamos namorar.”
“Oh merda. Você não está ainda dormindo com ele, está?”
Jamie lançou lhe um olhar.
“Ok, não me mate aqui!” Ele levantou as mãos. “Isto apenas saiu. Sinto muito.”
“Estávamos namorando e então ele conheceu minha irmã. Agora eles estão noivos.” Ela encolheu os
ombros, realmente desejando então que ela tivesse uma bebida na mão, não chá. Isto era tão embaraçoso.
“Ele é um idiota. Parece que ele e sua irmã são perfeitos um para o outro.”
Jamie tomou um gole do chá para ganhar tempo antes de responder. “Ele estava bêbado. Ele nunca faria
isto no seu juízo perfeito.”
“Não importa. Se ele faz de beber um hábito, então há uma boa chance que Christine estará em perigo.”
“Ela não acreditaria em mim,” Jamie disse. “Ela o ama. Ou acha que ama.” Ela acenou com a mão. “Se
digo qualquer coisa ela irá apenas pensar que tentei seduzi-lo ou alguma coisa.” Ela odiou quão verdadeiras
suas palavras eram.
Alex deve ter sabido que elas eram verdadeiras também, porque ele não disse nada por muito tempo. “Irei
falar com Stephen,” ele finalmente disse. “Nós nos conhecemos por muito tempo e acho que ele irá me ouvir.
É melhor, se ele sabe o que é bom para ele.”
Jamie estremeceu. Ela não tinha nenhuma dúvida que ele iria fazer valer sua ameaça se Stephen alguma
vez se comportasse de maneira indecente de novo. “Você realmente não precisa.”
“Preciso,” ele disse. “Alguém precisa cuidar de você.”
A boca de Jamie ficou seca. “Por que você está fazendo isto?” ela sussurrou.
“Você sabe por quê,” ele disse, desviando o olhar de novo. “Não me faça dizê-lo.”
“Mas não sei,” ela disse, sua impaciência aumentando ligeiramente. “Se você fosse tão longe para todos os
seus funcionários, você não teria a energia para administrar sua empresa.”
“Não,” ele disse. “Mas você está em perigo e não posso ter isto.”
Jamie tomou outro gole de chá, sabendo que seu rosto estava corado. “Obrigada por falar com Stephen,”
ela disse. “Realmente não quero Christine machucada e sei que ela não irá me ouvir sobre isto. Seu julgamento
sempre tem sido um pouco nublado quando diz respeito ao seu homem.”
“Tive a sensação que este era o caso,” ele disse secamente. “Entre outras coisas. Mas por que você se
importa tanto com ela quando ela é tão podre com você? Não tenho certeza se eu já vi membros de uma
família tão cruéis e vis quanto os seus são.”
Ela riu. “Ela é família, não somos todos assim às vezes?” Ela riu novamente da expressão no rosto dele.
“Mesmo se ela me manipula, eu ainda a amo.” Ela encolheu os ombros. “É complicado. Mas famílias são
sempre complicadas, certo?”
Ele assentiu. “Isto é definitivamente verdadeiro.” Ele olhou para a fotografia da sua família na parede. Ele
olhou de volta para Jamie. “Sempre que ficar muito complicado, você sempre pode falar comigo. Contudo, se
isto a deixa desconfortável, então tenho certeza que a Srta. Campbell estaria disposta a ouvir. Ela parece
gostar muito de você. E acho que seu plano de saúde cobre terapia—“
Jamie riu. “Você acha que eu deveria estar em terapia?”
Ele sorriu, pegando seu tom de provocação. “Tudo que estou dizendo é que você deveria falar com alguém.
Você não tem de fazer tudo sozinha.”
“Eu sei,” ela disse. “Obrigada, Alex. Isto é muito doce da sua parte. Realmente aprecio tudo que você tem
feito por mim.”
Ele sorriu para ela e em seguida corou ligeiramente, fazendo-o parecer cativante assim como incrivelmente
sexy.
“O que?” Jamie perguntou.
“Eu estava certo sobre você me chamando pelo meu primeiro nome.”
Jamie piscou. “Como?”
“Nada.” Ele apertou a ponte do nariz. “Nada. Sinto muito.”
“Acabe com isto, Sr. Reid. Você não pode dizer algo carregado assim e depois tentar esconder-se atrás do
nada.”
“É incrivelmente sexy.” Seu rosto ficou vermelho e ele olhou para a sua caneca.
“O que é?” Seu coração acelerou e seu batimento batia com força nos seus ouvidos.
“Eu estava certo sobre você me chamando pelo meu primeiro nome. É incrivelmente sexy.”
Ela deu uma risadinha. “Sério?”
“Você não faz ideia.”
Capítulo 14
A conversa parou de repente. Ela sabia que ele estava tentando ser gentil depois de tudo que tinha acontecido.
“Tudo bem,” ele disse, levantando. “Preciso cancelar aquela reunião acontecendo em...” Ele verificou seu
relógio. “Merda! Preciso telefonar para a empresa agora.”
“É muito tarde para cancelar. Apenas vá para a reunião. Estou bem.” Ela levantou e caminhou até a
cozinha, colocando sua caneca ao lado da pia. “Irei descer para o meu apartamento.”
“Posso cancelar.”
“Por que? Estou bem.”
“Não acho que você deveria ficar sozinha.”
“Sr. Reid. Estou bem. Gostaria de terminar o que eu preciso fazer. Irei fazê-lo de casa, mas é isto. Estou de
volta ao trabalho amanhã. Sério. Não estou mentindo.”
“Você pode trabalhar da minha casa. Por favor?”
Ela inalou profundamente. “Ótimo. Mas somente porque eu deixei meu tablet e laptop no escritório.”
Ele sorriu. “Tenho um aqui conectado ao escritório. Irei arrumá-lo para você.”
“Obrigada. De novo.”
Quando Alex relutantemente a deixou para ir à reunião, ela esperou até que o carro dele tivesse
desaparecido atrás dos portões antes de descer para a sua suíte para tomar banho e trocar de roupa. Depois
do banho ela olhou para si mesma no espelho. Três pontos estavam aparecendo no seu pescoço que
provavelmente iriam virar um hematoma. Ela poderia usar um cachecol por alguns dias e escondê-lo. Já que
tinha ficado frio, mangas compridas e jaquetas eram a última moda.
Ela olhou para si mesma, surpresa com quão calma ela se sentia. Tudo ia ficar bem. Ela estava cansada de
ser um capacho. Ela merecia mais. As mudanças iam começar deste momento em diante. Stephen ia se
desculpar na próxima vez que ele a visse. Ela não iria tolerar as lamúrias de Christine ou qualquer pressão da
sua família. Ela iria se soltar dos poucos amigos que tinha tido na faculdade. Agora ela não queria ficar
sozinha.
Ela amava seu trabalho, seu apartamento e estava até mesmo começando a gostar de si mesma
novamente. O que aconteceu com Stephen foi realmente uma grande droga, mas de maneira estranha, algo
bom ia resultar disto. Ela.
Ela sorriu para si mesma no espelho e colocou seu cabelo em um rabo de cavalo. Vestiu um jeans maleável
que estava muito grande ao redor da cintura agora. “É por isto que temos os cintos,” ela murmurou para si
mesma e olhou para o escasso closet. Ela tinha estado economizando dinheiro, então talvez fosse o momento
para comprar mais algumas roupas de trabalho. Ela pegou uma camiseta azul escuro da gaveta e vestiu.
De volta à casa de Alex, Jamie acomodou-se no balcão do bar e trabalhou no laptop. Ela conseguia
totalmente imaginar Alex aqui fazendo a mesma coisa. Sem distrações do escritório como telefones tocando e
pessoas conversando, ela terminou seu trabalho rapidamente, deixando-a sem nada para fazer, exceto esperar
por Alex voltar. “Então o quê?” ela perguntou para si mesma.
Jamie verificou seu telefone pessoal, ignorando as mensagens de Christine e sua mãe. Ela não tinha de lidar
com elas até amanhã. Alex enviou uma mensagem no telefone corporativo e ela respondeu avisando-lhe que
estava bem, apenas trabalhando no laptop na sua cozinha.
Ela olhou para o computador dele. Era o seu computador pessoal, não o seu computador de trabalho,
embora ele tivesse acesso a tudo no trabalho. Ela se perguntou o que ele fazia no seu tempo livre. Seria tão
fácil olhar seu histórico.
Não. Isto seria uma invasão terrível de privacidade. Ele era seu chefe! Ela era sua AP. Ele tinha explicado,
mais ou menos, uma semana atrás que ele gostaria de começar a incorporar mais trabalho em casa e esperava
que ela estaria bem com trabalhar de casa. Isto tinha sido um dos motivos que ele tinha remodelado o grande
apartamento onde ela agora morava. Ela realmente não se importava.
Ela passou a mão sobre a parte do mouse do laptop. Ela não poderia trair sua confiança ao examinar seu
histórico. Mas era tão tentador.
Jamie colocou o computador de lado e fez para si outra xícara de chá, verificou seu e-mail e tirou a comida
que Murray tinha preparado para eles. Ele tinha feito algum tipo de massa e frango com um cheiro delicioso
que ela colocou no forno, em fogo baixo, para reaquecer. Ela colocou a salada de volta na geladeira e em um
capricho, arrumou a mesa do bar para dois para quando Alex voltasse.
Seus olhos desviaram para o laptop novamente. Ele não tinha de saber. Se ele entrasse enquanto ela
estivesse logada, então ela poderia dizer que estava verificando seus e-mails. Provavelmente ele não tinha
nada embaraçoso no seu laptop. Ela não conseguia imaginá-lo em sites de prostitutas ou pornô explícito. Seria
a coisa entediante habitual, ela tinha certeza. E-mail, mídia social, provavelmente algumas coisas relacionadas
ao trabalho e talvez até mesmo alguns vídeos BuzzFeed. Seria isto. Completamente inofensivo.
Ela verificou o forno e seu telefone para ver se Alex tinha enviado uma mensagem durante a longa viagem.
Ele ainda não estava de volta. Então ela acomodou-se no sofá de frente para a janela, de costas para a cozinha
e abriu o laptop. Ela estava certa sobre a maior parte do seu histórico. Era as coisas mundanas habituais.
Contudo, ele tinha olhado vários sites sobre administração de vida pessoal e profissional assim como artigos
sobre reconciliar com a família. Ela olhou para a foto na parede. Todos eles pareciam próximos e felizes
naquela foto. Mais feliz do que Alex já tinha parecido no trabalho. Mas quando ela olhou mais perto, percebeu
que era muito antiga. Alex não poderia ter estado com mais de vinte anos. Era possível que eles tivessem se
separado ao longo do tempo? Não era algo que ela poderia trazer à tona casualmente durante o jantar. Isto não
era da sua conta.
Ela rolou mais um pouco e então seu cursor pairou sobre um site que não era como o resto.
Definitivamente era um site pornô. Nenhuma dúvida sobre isto. Ela mordeu o lábio. Sobre o que Alex Reid
fantasiava na cama? Antes que ela pudesse pensar melhor sobre isto, ela clicou sobre ele. Fotos de mulheres
sendo fodidas encheu a tela. O coração acelerado, ela rolou rapidamente para baixo para ver vídeos curtos e
teasers. Ela não conseguia parar de olhar, seu próprio corpo ficando excitado enquanto examinava as fotos de
mulheres chupando pênis de homens e mulheres abrindo as pernas enquanto homens deslizavam para dentro
delas. Ela não se atreveu a ligar um dos vídeos, com medo de gozar bem no sofá de Alex, mas examinou as
fotos, a umidade acumulando entre as suas pernas.
“Você está tornando isto muito difícil para ser um cavalheiro.”
Jamie pulou e fechou a tampa do laptop com um baque. “Eu-eu n-não ouvi você entrar,” ela gaguejou. Ela
nunca tinha estado tão constrangida na sua vida.
“Posso dizer.” O tom da sua voz não entregando nada.
Ela mordeu o lábio e os olhos dele foram imediatamente para a sua boca. “Sinto muito.” Ela não sabia o
que mais dizer.
“Posso honestamente dizer que nunca cheguei em casa para uma mulher assistindo pornografia.”
“Realmente sinto muito.” Ela desejou que o chão iria abrir e engoli-la.
“Não sinta.”
“Desculpe-me?” Ela notou que um canto da sua boca curvou para cima.
“Isto provavelmente é a coisa mais legal que eu já vi você fazer. E o ponto alto do meu dia.”
Ele não tinha percebido que ela tinha estado examinando seu histórico pessoal. Outro pensamento ocorreu-
lhe. “Por favor, não pense que eu faço isto durante o horário do trabalho. Eu nunca...” Ela deixou sua voz
desaparecer, a necessidade de defender-se somente parecia estar fazendo com que ela parecesse mais
culpada.
“Você aprecia me torturar?”
A respiração dela acelerou enquanto ele dava um passo na direção dela. Ele aproximou-se, mas não perto o
suficiente para ela senti-lo. Ela queria desesperadamente que ele fizesse com ela o que ela tinha visto no site.
Era completamente pouco profissional, completamente errado e, no entanto, ela não conseguia parar de pensar
sobre isto. Ela iria se desculpar e lidar com isto na parte da manhã se ele iria simplesmente obrigá-la a abrir as
pernas para que ela pudesse implorar-lhe para deslizar para dentro dela.
“Se você não quer que isto vá mais longe, então sugiro que você vá embora agora,” ele disse, sua voz baixa
e rouca.
Jamie não se moveu. Se ela realmente tivesse algum juízo ela iria embora agora. Mas ela estava enraizada
no lugar. Ela o desejava tanto, mais do que ela jamais tinha desejado qualquer outra pessoa e ela sabia que ele
a desejava. É apenas liberação física. Mais nada.
“Jamie, se você não for embora, irei possuí-la,” ele disse de maneira sucinta. “Isto mudará tudo.”
“Foda-me,” ela sussurrou. “Por favor.”
Ele gemeu e puxou-a para ele, sua boca reivindicando a dela bruscamente. Ela passou os braços ao redor
do seu pescoço enquanto ele a beijava, forçando a língua para dentro da sua boca. Cada parte dela formigava
enquanto as mãos dele vagavam pelo seu corpo, enviando trilhas de fogo sobre a sua pele. Ela o atacou tão
ferozmente quanto, deslizando os dedos por baixo da sua camisa para explorar cada centímetro do seu peito
quente e esculpido. Ele estremeceu sob seu toque.
“Por favor, Alex,” ela murmurou. “Por favor.”
Ele gemeu e beijou seu pescoço, agarrando sua camisa e puxando-a para cima assim ele poderia segurar
seus seios. “Você me tem,” ele sussurrou enquanto beijava cada seio. “Quero fodê-la bem aqui.”
“Então faça isto.” Ela tirou a camisa e estendeu a mão para o fecho do sutiã.
Suas mãos cobriram as dela e a impediram. “Não, não aqui.” Ele a pegou e carregou-a até o seu quarto.
Jamie não fez nenhum movimento para deter as coisas enquanto ele a colocava sobre a cama. “Você é tão
perfeita.” Seus olhos percorriam sobre a parte superior do seu corpo e pelo seu jeans, chamuscando seu corpo
como se ele pudesse incendiá-la apenas com o olhar.
Ela não era perfeita. Longe disto. “Você tem o corpo perfeito.” Ela sorriu de maneira maliciosa enquanto
agarrava a barra da sua camisa e puxava-a por cima da cabeça dele, revelando seu torso musculoso. Ela
mordeu o lábio enquanto os olhos dele perfuravam os dela e ele se movia na direção dela antes de reivindicar
sua boca mais uma vez.
“Você é minha,” ele disse, suas mãos agarrando os quadris dela. “Você é minha, Jamie.”
Ela sorriu e em seguida ofegou quando ele beijou seu pescoço novamente. Ela era completamente dele e
estava perfeitamente bem com isto. A ousadia que ela tinha sentido mais cedo depois do banho retornou. Ele
precisava saber o quanto ele era dela também. Jamie o virou sobre suas costas habilmente antes de agarrar as
mãos dele e prendê-las acima da cabeça. Ela beijou sua boca e em seguida trabalhou seu caminho pelo seu
torso. Cada beijo que ela dava nele fazia sua boca abrir em um suspiro de prazer. Ela chupou levemente cada
um dos seus mamilos e beijou sua barriga levemente, observando-a contrair com cada toque. Quando seus
lábios alcançaram o cós da sua calça, ela pegou o dedo e enganchou-o no interior do mesmo gentilmente,
nunca tirando seus olhos do rosto dele. Ela estava fascinada com as ondas de emoção brincando pelo seu rosto
enquanto ela abria lentamente o zíper da sua calça. Luxúria, necessidade e êxtase estavam todos lá para a
colheita.
Seu pênis inchado pressionava a cueca boxer e ela deslizou a mão ao redor dele. Os olhos de Alex
fecharam de prazer. Quando ela colocou os lábios ao redor dele, ele gritou e arqueou debaixo dela. “Jamie,”
ele disse com a voz rouca. “Se você não parar, vou gozar.”
O poder que ela tinha sobre ele causou-lhe uma emoção e ela o lambeu gentilmente, sentindo-o contorcer-
se debaixo dela. Ela não ia parar. Ela sorriu com malícia, ele poderia ser uma força dominante na sala de
reuniões, mas ela era a força dominante no quarto.
Quando começou a sacudir enquanto tremia para se controlar, ela o soltou rapidamente.
Alex olhou para ela, olhos arregalados e ofegando. “Você está tentando me matar?”
Jamie passou a língua sobre os lábios, saboreando-o. “Ainda não.” Ela deslizou o corpo contra o dele para
que pudesse beijar seu pescoço. “Mas estou contente que você gostou disto,” ela sussurrou no seu ouvido. Ela
esperou que a frequência cardíaca dele diminuísse e sua respiração nivelasse antes de abaixar a mão e
acariciá-lo.
“Você poderia matar um homem com seu toque.” Ele gemeu baixinho no cabelo dela e segurou-a com
firmeza. “Você é tão sexy.”
Ela trouxe a boca até a dele e forçou sua língua para dentro. O ritmo da mão dela aumentou e ela podia
senti-lo ficando mais duro. Ela o queria desesperadamente dentro dela. Vê-lo empurrar profundo e perder todo
o controle.
Em um movimento rápido, ele agarrou a mão dela e mudou de posição assim ele estava em cima dela.
“Minha vez.” Ele beijou suavemente seu pescoço e trabalhou seu caminho para baixo, suas mãos percorrendo
seu peito e alcançando o fecho na frente do seu sutiã. Sua outra mão deslizou para baixo até o botão do seu
jeans. Quando Jamie percebeu o que ele estava fazendo, ela agarrou-a e empurrou a mão dele para longe.
“Não,” ela sussurrou. “Não com as luzes acesas.” Ela não poderia deixá-lo ver os pneus de gordura e
observá-lo tentar conter seu desgosto. Era corajoso o suficiente que ela tivesse tirado sua camisa. Ela estava
na outra sala então ela não poderia se cobrir com ela agora. Mas as luzes... se ela ficasse deitada nua na sua
cama e se ela o visse afastar-se dela, ela morreria.
“Quero vê-la,” ele sussurrou, seus olhos queimando com desejo.
“Não com as luzes acesas.”
Ele suspirou, a mão alcançando sua calça e tocando-a gentilmente. Prazer rolou sobre ela e ela fechou os
olhos, permitindo-se apreciar seu toque enquanto ficava cada vez mais molhada por causa disto. Ele beijou sua
têmpora enquanto um dos seus dedos brincava com ela e outro explorava dentro dela. A pressão dentro dela
cresceu e ela se contorcia enquanto ele continuava com sua tortura.
Ele parou justo quando ela estava prestes a gozar. “Ainda não,” ele sussurrou. “Quero estar dentro de você
quando você atingir o clímax.”
Ele ondulava em cima dela, seus quadris mantendo um ritmo constante contra o dela enquanto ele estendia
a mão para a gaveta da sua cômoda e tirava um preservativo. Ele deslizou-o sobre o seu eixo e antes que ela
pudesse protestar, ele puxou sua calça para baixo, seu corpo deslizando para a beirada da sua cama alta. Ele
levantou e abriu suas pernas, enterrando-se dentro dela. O clímax de Jamie veio imediatamente e ela gritou
enquanto o êxtase e prazer tomavam conta dela e a deixavam sacudindo e tremendo. Alex estremeceu quando
o seu próprio clímax chegou, deixando-o sem fôlego e empurrando dentro dela enquanto sua paixão enchia o
preservativo. Ele caiu em cima ela e ficou deitado lá por um momento antes de puxar para fora e tirar o
preservativo.
Ela passou os dedos pelo cabelo dele, certa de que ela nunca teria o prazer de fazê-lo novamente. “Você
não está zangado comigo, está?” ela sussurrou.
“Sobre o que eu estaria zangado?” Ele olhava para ela enquanto vestia sua boxer.
Ela prendeu seu sutiã de volta e pegou a calça jeans. “Eu examinei o histórico do seu laptop. Foi assim que
descobri aquele site pornô.”
Ele riu. “Normalmente eu não toleraria violações de privacidade, mas isto acabou tão bem desta vez que
acho que irei simplesmente deixá-lo deslizar.” Ele beijou seu pescoço. “Deslizar para dentro e para fora e para
dentro e para fora novamente.”
Jamie sorriu, alívio tomando conta dela e ela riu. “Bom. Estou contente que fui capaz de ser boa o
suficiente para escapar de qualquer punição.” O que tinha acontecido com ela hoje à noite?
“Eu sabia que você seria boa. Apenas não tão boa,” ele disse, seu rosto sério. “Você é realmente incrível,
Jamie. Incrível.”
Ela era boa no seu trabalho, mas ótima no sexo? Isto não parecia possível.
~ O Fim ~
Lidando com os Chefes Também
Série Lidando com os Chefes
O Chefe
O Chefe Também
Quem é o Chefe Agora
Ame o Chefe
Eu aceito, o Chefe
Uma Esposa para o Chefe
Em abril de 2016
PRESENTE PARA O CHEFE
Conto de Natal (3.5)
Série Nova!

Quente e Bonito, Rico & Solteiro...quão longe você está disposto a ir?
Conheça Alex Reid, CEO da Reid Enterprise. Bilionário extraordinário, esculpido à perfeição, de derreter a
calcinha e atualmente solteiro.
Descubra mais sobre Alex Reid antes que ele começasse na série Lidando com os Chefes. Alex Reid
participa de uma entrevista com R&S.
Seu estilo de vida é como a sua aparência bonita: duro, rápido, de tirar o fôlego e disponível para jogar bola.
Ele é perigoso, charmoso e determinado.
Quão perto do limite Alex está disposto a ir? Estará ele disposto a fazer qualquer coisa para conseguir o
que deseja?
Alex Reid é o primeiro livro na Série R&S – Rico e Solteiro. Apaixone-se por estes homens quentes e
sensuais; todos solteiros, bem-sucedidos e à procura do amor.
Mais por Lexy Timms:

Às vezes o coração precisa de um tipo diferente de salvação... Descubra se


Charity Thompson irá encontrar uma maneira de salvar o para sempre neste
romance best seller de ambiente hospitalar de Lexy Timms.
Charity Thompson quer salvar o mundo, um hospital de cada vez. Em vez de
terminar a escola de medicina para se tornar uma médica, ela escolhe um caminho
diferente e levanta fundos para os hospitais – novas alas, equipamentos, seja o
que for que eles precisem. Só que há um hospital que ela ficaria feliz em nunca
colocar os pés novamente - o do pai dela. Então, claro que ele a contrata para
criar o baile de gala para o seu sexagésimo-sexto aniversário. Charity não pode
dizer não. Agora ela está trabalhando no único lugar que ela não quer estar. Só
que ela está atraída pelo Dr. Elijah Bennet, o bonito chefe playboy.
Algum dia ela provará para o seu pai que ela é mais do que uma aluna
evadida da escola de medicina? Ou irá sua atração por Elijah evitar que ela
repare a única coisa que ela quer desesperadamente consertar?
** Isto NÃO é Erótica. É um romance e uma história de amor**
Série Heart of the Battle
Celtic Viking
Em um mundo atormentado pela escuridão, ela seria sua salvação.
Ninguém deu a Erik uma escolha quanto a se ele lutaria ou não. O dever para
com a coroa pertencia a ele, o legado do seu pai permanecendo além da sepultura.
Tomada pela beleza do campo cercando-a, Linzi faria qualquer coisa para
proteger a terra do seu pai. A Grã-Bretanha está sob ataque e a Escócia é a
próxima. Em uma época que ela deveria estar concentrada em pretendentes, os
homens do seu país foram para a guerra e ela é deixada sozinha.
O amor estará disponível, mas irá a paixão pelo toque do inimigo desfazer a
sua forte impressão primeiro?
Apaixone-se com este romance viking celta histórico.
*Existem três livros nesta série. O livro 1 irá terminar em suspense.
*Nota: isto NÃO é erótica. É um romance e uma história de amor.

Município de Knox, Agosto 1863.


Little Love Affair, Livro 1 na série de Romance Sulista, da autora best
seller Lexy Timms
Os sentimentos estão intensos após a batalha de Gettysburg e embora o
recrutamento ainda não tenha chegado em Knox, “Bloody Knox” irá reivindicar
vidas no próximo ano enquanto os cidadãos tentam evitar o recrutamento da
União. O irmão de Clara, Solomon, está desaparecido e Clara foi deixada para
administrar a fazenda da família, cuidando da sua mãe e da sua irmã mais nova,
Cecelia.
Enquanto isto, feridos na batalha de Monterey Pass, mas ainda capazes de
escapar das forças da União, Jasper e seu amigo Horace estão perdidos e
morrendo de fome. Jasper quer encontrar seu caminho de volta para a
Confederação, mas sente-se obrigado pela honra a levar Horace de volta para a
sua família, embora o homem pareça relutante.
NOTA: Esta é uma série de romance, livro 1 de 3. Todas as suas perguntas
não serão respondidas no primeiro livro.
A Viagem de Recrutamento
Descrição do livro:
A atleta universitária aspirante Aileen Nessa está achando o processo de
recrutamento além de assustador. Ser classificada como a número 10 do mundo
nos 100m com obstáculos aos dezoito anos não é um golpe de sorte, embora ela
acredite que aquela corrida única, onde tudo encaixou-se de maneira mágica,
poderia ser. As universidades americanas não parecem pensar assim. As cartas
estão chegando de todo o país.
Enquanto encara o desafio de diferenciar entre o compromisso genuíno de
uma universidade com ela ou apenas promessas vazias de treinadores em busca
de talentos, Aileen dirige-se para a Universidade de Gatica, uma universidade
Divisão Um, em uma viagem de recrutamento. Sua melhor amiga se atreve a ir
apenas para ver os rapazes bonitos no panfleto da universidade.
O programa de atletismo da universidade vangloria-se de possuir um dos
melhores corredores com obstáculos do país. Tyler Jensen é o campeão NCAA da
universidade na corrida com obstáculos e vencedor do prêmio Jim Thorpe como
o melhor defensive back no futebol. Seus incríveis olhos azul-esverdeados,
sorriso confiante e barriga de tanquinho dura como rocha mexe com a
concentração de Aileen.
Sua oferta para tomá-la sob sua asa, caso ela decida vir para Gatica, é uma
proposta tentadora que a tem se perguntando se poderia estar com um anjo ou
fazendo um acordo com o próprio diabo.
AQUELA QUE VOCÊ NÃO PODE ESQUECER!
Da autora best seller Lexy Timms, chega um romance de clube de motoqueiros
que irá fazer com que você queira comprar uma Harley e apaixonar-se
novamente.
Emily Rose Dougherty é uma boa garota católica da mítica Walkerville, CT.
Ela tinha, de alguma maneira, conseguido se meter em um punhado de problemas
com a lei, tudo por que um ex-namorado decidiu dificultar as coisas.
Luke “Spade” Wade é dono de uma loja de consertos de motos e é o Capitão
da Estrada para o MC Hades' Spawn. Ele fica chocado quando lê no jornal que
sua antiga paixão do ensino médio foi presa. Ela sempre foi aquela que ele não
poderia esquecer.
Irá o destino permitir que eles se encontrem novamente? Ou o que acontece
no passado, é melhor deixar para os livros de história?
** Este é o livro 1 da Série Hades' Spawn MC. Todas as suas perguntas
podem não ser respondidas no primeiro livro. Por favor, observe que ele
realmente acaba em suspense **
Série Lidando com os Chefes
O Chefe
O Chefe Também
Quem é o Chefe Agora
Ame o Chefe
Eu aceito, o Chefe
Uma Esposa para o Chefe
Em abril de 2016
PRESENTE PARA O CHEFE
Conto de Natal (3.5)
Quente e Bonito, Rico & Solteiro...quão longe você está disposto a ir?
Conheça Alex Reid, CEO da Reid Enterprise. Bilionário extraordinário,
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[1] NT: Hail Mary: gíria do futebol americano. Um passe longo, muito alto, arremessado em desespero
especialmente no final de uma partida
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Desconhecido - Série Identidade Desconhecida
Série Identidade Desconhecida
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Descrição
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Descrição:
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Série Lidando com os Chefes
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