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“DICA QUENTE”: Live quinzenal no Instagram com


dicas de Direito Militar no perfil @prof.atalibaramos
(segunda-feira, 22:00h)

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3

SETE DICAS EXTERMINADORAS

contra perguntas DO FUTURO

em uma prova de DIREITO MILITAR

NOTA DO AUTOR

Este singelo e-book foi produzido com base em


uma Live ministrada no meu perfil de Instagram
@prof.atalibaramos com a finalidade de ser um
material de consulta rápida ou, na linguagem
militar, um “papiro”, um “CABRAL”, um “memento”
para os estudantes de Direito Militar, os quais,
diante de tantos conteúdos a decorar e aprender,
precisam de estratégias que lhes ajudem a fixar o
aprendizado.
4

Em hipótese alguma temos a pretensão de esgotar


os temas aqui abordados, mas esperamos,
sinceramente, que essas dicas ajudem a
exterminar algumas dúvidas quanto a sete
possíveis temas/perguntas que podem “cruzar o
seu caminho” no futuro em provas de Direito
Militar!

É isso. Se alguma questão aqui abordada cair na


sua prova, que você possa olhar para ela e dizer:
“Hasta la vista, baby”.

BONS ESTUDOS!

Professor Ataliba Ramos

(Juiz Federal Substituto da Justiça Militar)


5

SUMÁRIO

DICA EXTERMINADORA 1------------------------------------- 06

DICA EXTERMINADORA 2------------------------------------- 19

DICA EXTERMINADORA 3------------------------------------- 28

DICA EXTERMINADORA 4------------------------------------- 41

DICA EXTERMINADORA 5------------------------------------- 47

DICA EXTERMINADORA 6------------------------------------- 57

DICA EXTERMINADORA 7------------------------------------- 68

OBRAS CITADAS------------------------------------------------- 81
6

DICA EXTERMINADORA 1

Imagine a seguinte pergunta no futuro:

“O instituto da REABILITAÇÃO

é tratado de maneira semelhante no

Direito Penal comum e militar?”

Para exterminar qualquer dúvida, você precisa


conhecer muito bem a literalidade dos Códigos
Penais em comento.

Letra da Lei: veja os artigos 134 e 135 do CPM;


os artigos 651 a 658 do CPPM; e os artigos 93 a
95 do CP.
7

A reabilitação criminal pode ser definida como um


benefício previsto nos Códigos Penais comum
(artigo 93) e Militar (artigo 134), aplicável a
qualquer sentença definitiva.

O instituto assegura ao condenado o sigilo dos


registros sobre o seu processo e condenação. Na
prática, a reabilitação restitui ao condenado o
direito a ter sua ficha de antecedentes criminais
“apagada” após o cumprimento de sua pena.

Anota Jorge Alberto Romeiro (1994, p. 322) que:

no Direito Penal comum, a reabilitação


não só deixou de ser causa extintiva de
punibilidade como perdeu qualquer
finalidade prática em face do disposto no
8

art. 202 “Das disposições finais e


transitórias” da Lei de Execução Penal.

Vejamos o artigo da Lei de Execução Penal (Lei


7.210/84) citado pelo referido doutrinador:

LEP

Art. 202. Cumprida ou extinta a pena, não


constarão da folha corrida, atestados ou
certidões fornecidas por autoridade
policial ou por auxiliares da Justiça,
qualquer notícia ou referência à
condenação, salvo para instruir processo
pela prática de nova infração penal ou
outros casos expressos em lei.
9

Vejamos também as lições de Guilherme de Souza


Nucci (2019, p. 241);

A declaração judicial de reinserção social


do condenado permite a extinção da sua
punibilidade, abrangendo penas
principais ou acessórias. Como já
ressaltado em nota anterior, a ocultação
dos antecedentes criminais do
sentenciado, para fins civis, decorre do
simples cumprimento da pena (art. 202,
Lei de Execução Penal), não mais sendo
necessária a reabilitação para atingir tal
efeito.

Sobre o tema, Jorge César de Assis (2018, p. 433):


10

o processo de reabilitação está tratado no


CPPM, arts. 651 a 658. No Código Penal
comum está presente entre o CP, art. 93
e CP, art. 95, onde, não sendo causa de
extinção de punibilidade, é apenas um
instituto que faz com que fiquem
suspensos condicionalmente alguns
efeitos penais da condenação, pois, se
revogada, ficam eles restabelecidos.

Apesar de ter perdido sentido e importância no


Direito Penal comum, devemos lembrar que a
reabilitação:

a) aparece na letra do CPM como causa de


extinção de punibilidade (art. 123, V do CPM)
embora, segundo Cláudio Amin Miguel, não deva
assim ser considerada (2011, pag 241).
11

b) assume vital importância no aspecto moral,


tendo em vista a repercussão de um processo e
condenação criminal na carreira militar. Nesse
sentido, Jorge Cesar de Assis (2018, p. 433):

no Direito Penal Militar a reabilitação


criminal assume vital importância,
principalmente em seu aspecto moral,
cuja higidez é sempre desejada de todos
os integrantes das Forças Armadas,
Polícias Militares e Corpos de Bombeiros
Militares.

(...)

Ser reabilitado na vida militar significa


estar quite com a Justiça e com a
Corporação; ter cumprido integralmente
as condições da sentença que lhe foi
12

desfavorável, dando demonstração


efetiva e constante de bom
comportamento público e privado, enfim,
ter sido reconhecido e pode seguir sua
vida normal.

No mesmo sentido, vejamos esse precedente do


E. STM:

EMENTA: RECURO EM SENTIDO


ESTRITO. REABILITAÇÃO. RECURSO
DE OFÍCIO. REQUISITOS LEGAIS.
PREENCHIMENTO. 1. O Recurso de
Ofício encontra respaldo no art. 654 do
Código de Processo Penal Militar e impõe
ao magistrado, ao conceder a
Reabilitação, que submeta o seu julgado
ao Superior Tribunal Militar. 2. No meio
13

castrense é de suma importância a


ressocialização do condenado, uma
vez que a reprimenda impede sua
progressão na carreira. O instituto em
análise é um relevante instrumento a
possibilitar a recuperação profissional
do militar e estimular seu
comportamento exemplar, após o
cumprimento da reprimenda. 3.
Presentes as condições legais previstas
na legislação penal e processual penal
castrense, não há óbices para a
concessão do benefício. 4. Recurso
conhecido e desprovido. Decisão
unânime. (Superior Tribunal Militar.
Recurso em Sentido Estrito nº 7000721-
10.2018.7.00.0000. Relator(a):
Ministro(a) PÉRICLES AURÉLIO LIMA
DE QUEIROZ. Data de Julgamento:
14

29/10/2018, Data de Publicação:


12/11/2018)

Além disso, verificamos uma série de diferenças


no regramento do CPM em relação CP que devem
ser decoradas para uma eventual prova objetiva
(marcação de “x”).

Exemplos:

A.1) CPM: é causa de extinção da punibilidade.

Crítica 1: é concedida 5 anos depois que a


punibilidade já está extinta, então como pode ser
causa de extinção de tal punibilidade?
15

Crítica 2: pode ser revogada, então como pode ser


causa de extinção de tal punibilidade?

A.2) CP: é causa de suspensão condicional dos


efeitos da condenação, que também pode ser
revogada

B.1) CPM: poderá ser requerida após decorridos


cinco anos do dia em que for extinta, de qualquer
modo, a pena principal ou terminar a execução
desta ou da medida de segurança aplicada em
substituição (art. 113 do CPM), ou do dia em que
terminar o prazo da suspensão condicional da
pena ou do livramento condicional

B.2) CP: poderá ser requerida, após decorridos 2


(dois) anos do dia em que for extinta, de qualquer
modo, a pena ou terminar sua execução,
16

computando-se o período de prova da


suspensão e o do livramento condicional, se não
sobrevier revogação.

C.1) CPM: negada a reabilitação, não pode ser


novamente requerida senão após o decurso de
dois anos.

C.2) CP: negada a reabilitação, poderá ser


requerida, a qualquer tempo, desde que o pedido
seja instruído com novos elementos
comprobatórios dos requisitos necessários.
17

Gaivota extra:

A sentença que defere reabilitação fica sujeita ao


duplo grau obrigatório de jurisdição mediante
recurso de ofício (artigo 654 do CPPM).

EMENTA: RECURSO DE OFÍCIO.


REABILITAÇÃO. ART. 654 DO CÓDIGO
DE PROCESSO PENAL MILITAR
(CPPM). CRIME DO ART. 210 DO
CÓDIGO PENAL MILITAR (CPM).
PREENCHIMENTO INTEGRAL DOS
REQUISITOS LEGAIS. ARTIGOS 651 E
652 DO CPPM. NÃO PROVIMENTO.
MANUTENÇÃO DA REABILITAÇÃO
CONCEDIDA. I - Decisão recorrida de
ofício por força do disposto no art. 654
do CPPM. Constatação pelo Juízo a
18

quo do cumprimento de todos os


requisitos subjetivos e objetivos para
a reabilitação, previstos no art. 651 e
no art. 652, ambos do CPM. (...). III -
Recurso de Ofício desacolhido e mantido
o Decisum originário. Decisão unânime.
(Superior Tribunal Militar. Recurso de
Ofício nº 7000257-15.2020.7.00.0000.
Relator(a): Ministro(a) PÉRICLES
AURÉLIO LIMA DE QUEIROZ. Data de
Julgamento: 25/06/2020, Data de
Publicação: 02/07/2020)
19

DICA EXTERMINADORA 2

Imagine a seguinte pergunta no futuro:

“No meio castrense, há quantas

espécies de REABILITAÇÃO?”

Muita gente não sabe, mas o Estatuto dos Militares


(Lei 6.880/80) também trata da Reabilitação. Lá,
vemos duas hipóteses, quais sejam: a reabilitação
judicial criminal e a reabilitação administrativa
(disciplinar), senão, vejamos:

Art. 132. A reabilitação do militar será


efetuada:

I - de acordo com o Código Penal


Militar e o Código de Processo Penal
20

Militar, se tiver sido condenado, por


sentença definitiva, a quaisquer penas
previstas no Código Penal Militar;

II - de acordo com a legislação que


trata do serviço militar, se tiver sido
excluído ou licenciado a bem da
disciplina.

Parágrafo único. Nos casos em que


a condenação do militar acarretar sua
exclusão a bem da disciplina, a
reabilitação prevista na legislação que
trata do serviço militar poderá
anteceder a efetuada de acordo com o
Código Penal Militar e o Código de
Processo Penal Militar.

Art. 133. A concessão da


reabilitação implica em que sejam
cancelados, mediante averbação, os
21

antecedentes criminais do militar e os


registros constantes de seus
assentamentos militares ou alterações,
ou substituídos seus documentos
comprobatórios de situação militar pelos
adequados à nova situação.

Pela leitura, podemos sistematizar:

a) artigo 132, I - reabilitação judicial (criminal)


prevista nos artigos 134 e 135 do CPM e com
procedimento regulamentado nos artigos 651 a
658 do CPPM.

b) artigo 132, II – reabilitação administrativa


(disciplinar) prevista no artigo 110 do Decreto
57.654/66 (Regulamento da Lei do Serviço Militar).
22

O Parágrafo único do artigo 132 comprova a


existência dessas duas espécies de reabilitação,
já que prevê a possibilidade de que a reabilitação
administrativa anteceda a reabilitação criminal,
dada a independência entre elas.

Em relação à reabilitação administrativa, há


quem mencione apenas uma espécie (Diógenes
Gomes Vieira na obra “Comentários ao Estatuto
dos Militares, 2013, p. 655).

Por outro lado, há quem defenda a existência de


duas espécies: uma moral e outra física ou mental
(obra “Estatuto dos Militares Comentado”
coordenada por Jorge Cesar de Assis, 2019, pág
443).
23

Vejamos trecho da última obra citada (p. 442):

Para entender como se dá o instituto da


reabilitação previsto do Estatuto dos
Militares, é preciso entender que há três
espécies que se podem extrair do
ordenamento. Contudo, Vieira (2013, p.
655) traz apenas duas espécies que o
Estatuto previu: a reabilitação criminal
(judicial) e a reabilitação disciplinar
(administrativa).

De outro lado, como se extrai do § 3° do


art. 165 e do art. 110, ambos do RLSM,
esta obra preferiu afirmar que há três
espécies de reabilitação (uma judicial e
duas administrativas), quais sejam:
24

1) a reabilitação judicial criminal, para


assegurar o sigilo dos registros em
decorrência de ter sido o militar
condenado, em sentença definitiva, a
quaisquer penas previstas no Código
Penal Militar (inc. I do art. 132 do Estatuto
dos Militares);

2) a reabilitação administra moral: Essa


classificação de reabilitação tem como
ramificação a reabilitação disciplinar,
trazida por Vieira (2013, p. 655), ou seja,
a reabilitação disciplinar (espécie) é
apenas um conceito mais específico de
reabilitação, administrativa moral
(gênero). Esta última tem como finalidade
a reversão da condição de isento para o
serviço militar que se tenha dado em
decorrência das hipóteses de
25

incapacidade moral, previstas no § 3° do


art. 165 do RLSM, havendo três
hipóteses: a) ou em decorrência da
expulsão/licenciamento a bem da
disciplina (inc. II do art. 132 do Estatuto,
c.c. § 6° do art. 110 do RLSM); ou b) por
ter recebido parecer de incapacidade
moral durante a seleção para ingresso na
Força (§ 4° do art. 110 do RLSM); ou c)
quando já convocado, devido a
condenação por crime doloso (§ 4° do art.
110 do RLSM);

3) por fim, há, ainda, a reabilitação


administrativa física ou mental, que tem
a finalidade de mudar a condição de
isento para o serviço militar, em
decorrência de ter sido, o conscrito,
considerado incapaz física ou
26

mentalmente pela Comissão de Seleção


para o Serviço Militar, ou, se já
convocado, ter tido o militar em Inspeção
de Saúde o mesmo parecer de
incapacidade (§ 2° do art. 110 do RLSM,
c.c. item 1 do art. 109 do RLSM (ABREU,
2015a, p. 189).

Feita essa divisão das três


espécies de reabilitação, fica mais claro
entender que o art. 132 do Estatuto dos
Militares não abarca todas espécies
previstas pelo RLSM.

Pertinente agora se faz a análise de


cada uma das espécies. As condições e
consequências da reabilitação judicial
criminal estão dispostas respectivamente
nos arts. 134 e 135 do Código Penal
Militar.
27

Já a reabilitação disciplinar (inc. II


do art. 132 do Estatuto dos Militares) –
termo utilizado por Vieira (2013, p. 655),
mas que a presente obra entende como
espécie de gênero reabilitação moral – é
regulada pelo RLSM (Decreto
57.654/1966) (...)

Portanto, guarde essa dica exterminadora: a


Reabilitação também é prevista no Estatuto dos
Militares, sendo que existem duas hipóteses:

1ª) a judicial (criminal), e

2ª) a administrativa (disciplinar), a qual, segundo


parte da doutrina, pode ser subdividida em duas
espécies: moral e física/mental.
28

DICA EXTERMINADORA 3

Imagine a seguinte pergunta no futuro:

“No Direito Penal Militar, se o agente era


maior de 70 (setenta) anos na data da
sentença, faz ele jus à redução do prazo
prescricional pela metade?”

Para entender o motivo da pergunta, devemos


analisar a “letra da lei” do Código Penal e do
Código Penal Militar.

CP

Art. 115 - São reduzidos de metade os


prazos de prescrição quando o criminoso
29

era, ao tempo do crime, menor de 21


(vinte e um) anos, ou, na data da
sentença, maior de 70 (setenta) anos.

CPM

Art. 129. São reduzidos de metade os


prazos da prescrição, quando o criminoso
era, ao tempo do crime, menor de vinte
e um anos ou maior de setenta.

Desse modo, percebe-se, nitidamente, que a


previsão do CP é mais benéfica ao condenado
maior de 70 anos – considera a data da sentença
- razão pela qual se poderia advogar a tese de que
tal regramento seria aplicável no direito penal
castrense.
30

Desse modo, temos na doutrina duas correntes:

1ª Corrente – considera-se maior de 70 anos na


data da sentença, conforme previsto no CP.
Aplica-se uma interpretação mais benéfica ao
agente. É a posição de Jorge Alberto Romeiro,
Célio Lobão, Cícero Coimbra, Guilherme de Souza
Nucci.

À guisa de exemplo, corroborando com essa


primeira corrente, trecho do voto vencido do
Ministro José Coelho Ferreira, Relator nos
Embargos de Declaração nº 0000051-
45.2006.7.01.0401 (Data de Julgamento:
22/10/2013, Data de Publicação: 07/11/2013):

É importante ressaltar que é escassa a


doutrina em Direito Penal Militar sobre o
31

assunto, mas já há doutrinadores que


defendem a possibilidade de aplicação
do art. 115 do CP comum. Com esse
propósito, Cicero Robson Coimbra Neves
e Marcello Streifinger, in Manual de
Direito Penal, 2a edição, São Paulo:
Saraiva, 2012, pp. 614/615, pontuam, in
litteris:

"(...). Anote-se, ademais, que, nos termos


do art. 129 do Código Penal Militar, os
prazos prescricionais, e aqui se refere
não só da pretensão punitiva como
também da pretensão executaria, são
reduzidos de metade quando o criminoso
era, ao tempo do crime, menor de 21 ou
maior de 70 anos de idade. Há evidente
diferença entre a regra acima apontada e
o art. 115 do Código Penal, já que neste
32

dispositivo há a previsão de redução de


prazo para o agente que, na data da
sentença, era maior de 70 anos, e não,
como no CPM, no momento do crime.
Embora mais correia a previsão do
Código Penal comum, deve-se lembrar
que a opção legislativa no Código
Castrense foi mais severa, não havendo,
isso há de ser reconhecido, omissão
evidente da lei penal militar que permita a
analogia in bonam partem, trasladando o
instituto do art. 115 do CP. Há que se
questionar, todavia, se o art. 129 é
consentâneo com o novo enfoque dado
ao idoso, podendo-se chegar à conclusão
de que o rigor da norma do CPM leva à
sua não recepção pela ordem
constitucional. A finalidade do instituto
não é outra senão evitar a prisão de
33

pessoa em idade avançada, alinhando-


se a uma nova concepção do Direito
Penal, em harmonia com a dignidade
humana do idoso. (...)

É com esse enfoque que, nos mesmos


moldes em que é aplicado o art. 71 do CP
comum, evitando-se um maior gravame
na situação jurídica do condenado que
praticou crime em continuidade delitiva,
entendi que também deveria ser aplicado
o art. 115 do CP comum, ao caso
vertente, por entender que essa
disposição legal está mais alinhada ao
preceito constitucional insculpido no art.
230 da Constituição Federal. Vale
enfatizar que não se está a propor, para
este fim, a redução da idade do idoso
para 60 anos, na forma preconizada na
34

Lei no 10.741, de 1° de outubro de 2003


(Estatuto do Idoso), mas apenas a
reconhecer que a aplicação do redutor
prescricional, na forma prevista na
legislação penal comum, é mais
adequada à Ordem jurídica vigente.

2ª Corrente – considera-se maior de 70 anos na


data do crime. Aplica-se o princípio da
especialidade, pois não há lacuna no CPM. É a
posição de Jorge Cesar de Assis, Ênio Luiz
Rosseto, Alexandre Saraiva e do E. STM.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO "IN"


EMBARGOS INFRINGENTES
OPOSTOS PELA DEFESA. ALEGAÇÃO
DE QUE O ACÓRDÃO INCIDIU EM
OMISSÃO POR NÃO CUIDAR DA
35

PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO
PUNITIVA. SENTENCIADA MAIOR DE
70 ANOS E REDUÇÃO DO PRAZO
PRESCRICIONAL. INEXISTÊNCIA DE
OMISSÃO DO TRIBUNAL SOBRE A
MATÉRIA ALEGADA.
IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO
DO ART. 115 DO CP COMUM EM
DETRIMENTO DO ART. 129 DO CPM, O
QUE INVIABILIZA A DECLARAÇÃO DA
PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO
PUNITIVA VIA HABEAS CORPUS DE
OFÍCIO. I –(...). II - Para a aplicação do
redutor prescricional, pela metade, em
favor do criminoso maior de setenta
anos, aplica-se o contido no art. 129
do CPM, ficando evidente que não há
omissão da Lei Adjetiva castrense
sobre a matéria, que reconhece esse
36

benefício somente para o idoso que se


encontrar nessa faixa etária na data do
crime. III - Portanto, não há
possibilidade jurídica de se declarar a
prescrição da pretensão punitiva
estatal, via habeas corpus de ofício,
mediante a aplicação do art. 115 do CP
comum, considerando que o Código
Penal Militar possui regra específica
para o criminoso que se encontra em
idade avançada, na data do crime.
Embargos de Declaração rejeitados.
Decisão unânime. Prescrição não
declarada pela via do habeas corpus de
ofício. Decisão majoritária. (Superior
Tribunal Militar. Embargos de Declaração
nº 0000051-45.2006.7.01.0401.
Relator(a): Ministro(a) JOSÉ COÊLHO
FERREIRA. Data de Julgamento:
37

22/10/2013, Data de Publicação:


07/11/2013)

EMENTA: APELAÇÃO. DPU. ART. 303


DO CPM. (...). PRESCRIÇÃO DA
PRETENSÃO PUNITIVA EM RAZÃO DA
SENILIDADE. REJEITADAS. MÉRITO.
(...) . 4. O fato de o Acusado ser maior
de 70 anos na data da sentença não
acarreta a redução dos prazos
prescricionais pela metade. Conforme
o art. 129 do CPM, a senilidade deve
ser aferida no momento da prática do
fato. Ademais, não se aplica na Justiça
Militar o art. 115 do CP. Preliminar de
prescrição rejeitada por unanimidade.
(...) Apelo conhecido e não provido em
38

relação ao quarto Apelante. Decisão


unânime. (Superior Tribunal Militar.
Apelação nº 0000004-
67.2001.7.08.0008. Relator(a):
Ministro(a) CARLOS AUGUSTO DE
SOUSA. Data de Julgamento:
04/09/2018, Data de Publicação:
15/10/2018)

Gaivota “extra”:

QUESTÃO: A idade que caracteriza o idoso


apresentada no Estatuto do Idoso - Lei nº
10.741/2003 - 60 (sessenta) anos – pode ser
utilizada para efeito de redução da prescrição?

A resposta é negativa.
39

HABEAS CORPUS. (...).

2) A conceituação do idoso
apresentada no Estatuto do Idoso - Lei
nº 10.741/2003 - caracterizada pela
idade de 60 (sessenta) anos,
influencia, em essência, como
parâmetro estruturador de direitos e
de obrigações. O escopo das normas
protetivas em contexto, no campo
criminal, ressaltam a relevância da
condição do idoso como vítima de
crime. No tocante à prescrição penal,
permanece irretocável a compreensão
extraída da literalidade do art. 129 do
CPM, pela qual o cálculo prescricional
é computado pela metade, tendo por
referência a idade mínima de 70 anos
do agente, na época dos fatos.
40

Inaplicável qualquer espécie de


analogia, com base no Estatuto do
Idoso, tendente a alterar a idade
estabelecida no CPM acerca da
prescrição. Ordem de HC denegada, por
falta de amparo legal. Decisão unânime.
(Superior Tribunal Militar. Habeas Corpus
nº0000125-82.2017.7.00.0000.relator(a):
Ministro(a) MARCO ANTÔNIO DE
FARIAS. Data de Julgamento:
29/06/2017, Data de Publicação:
09/08/2017)
41

DICA EXTERMINADORA 4

Imagine a seguinte pergunta no futuro:

“O artigo 130 do CPM...

ainda possui aplicabilidade?”

O tema é imprescritibilidade das penas acessórias.


Para entendermos a pergunta, precisamos ler a
“letra da lei”:

Art. 130. É imprescritível a execução das


penas acessórias.

1ª Corrente – SIM. A redação está mantida.


Entendem que, se na sentença forem aplicadas a
42

pena principal e a acessória, ainda que prescreva


a pena principal, a execução da acessória poderá
ser realizada. É a posição de Jorge Alberto
Romeiro, Jorge Cesar de Assis, Ramagem
Badaró.

Por sua vez, Ramagem Badaró esclarece que é


por interesse de política criminal que o direito
penal torna imprescritíveis as penas acessórias.

2ª Corrente – o artigo 130 do CPM não foi


recepcionado pela CF/88. É a posição de Célio
Lobão, Ênio Luiz Rosseto, Alexandre Saraiva,
Guilherme de Souza Nucci.

Alguns argumentos: a regra da CF veda penas


imprescritíveis (exceção: racismo e ação de
grupos armados contra a ordem constitucional e o
43

Estado Democrático); se a pena principal


prescreve, por que não a acessória? O acessório
segue o principal.

Por sua vez, Nucci entende pela não recepção do


dispositivo, mas com argumentos distintos dos
elencados por Rosseto (2019, p. 238):

519. Regra de imprescritibilidade: este


preceito não foi recepcionado pela
Constituição Federal de 1988. Há quem
argumente que o fundamento é a
imprescritibilidade, fixada pelo texto
constitucional, apenas aos crimes de
racismo e terrorismo (cf. Enio Luiz
Rosseto, Código Penal comentado, p.
448), logo, a outros delitos não poderia a
lei ordinária referir-se. Com tal visão não
44

concordamos. A prescrição é um
benefício penal, estabelecido pela
legislação ordinária. Cabe ao legislador
comum fixar as regras para tanto, bem
como vedar a prescrição, por medida de
política criminal, quando lhe parecer
conveniente. Ter o constituinte, pela
primeira vez, estabelecido a
imprescritibilidade de dois tipos de crimes
significa, apenas, a determinação maior
para que lei ordinária não permita a
prescrição do racismo e do terrorismo.
Entretanto, se houver norma ampliando
os casos de imprescritibilidade, inexiste
fundamento constitucional para se
impedir. Ademais, sabe-se perfeitamente
ter sido um gesto puramente demagógico
do legislador em 88, pois as penas
previstas para os tipos penais do racismo
45

são pífias, não gerando – quase nunca –


a possibilidade real de prisão. E, no
tocante à ação de grupos armados contra
o Estado de Direito, nem mesmo se
preocupou o legislador ordinário de lhe
fixar a extensão e os tipos penais
específicos. Em suma, o motivo da não
recepção, segundo nos parece,
encontra-se na própria lógica da
legalidade, sendo absolutamente
incompatível com princípios penais
vitais, dentre os quais o da
intervenção mínima, a
prescritibilidade da pena principal,
sem que haja, concomitantemente, a
da pena acessória. Se tal medida fosse
legítima, enfrentar-se-ia uma contradição
interna ao sistema penal, o que deve ser
evitado. Outro ponto fulcral para a
46

questão concentra-se no fato de que as


tais penas acessórias equivalem a
típicos efeitos da condenação. Desse
modo, prescrita a pretensão
executória estatal para o principal, por
óbvio, não remanesce o seu efeito.
Nessa ótica, Celio Lobão, Comentários
ao Código Penal Militar, p. 323.
47

DICA EXTERMINADORA 5

Imagine a seguinte pergunta no futuro:

“O artigo 3º do CPM está em vigor?”

O tema trata da lei que rege as medidas de


segurança.

Jorge Alberto Romeiro esclarece que a Medida de


Segurança surgiu no plano normativo com o
Projeto do Código Penal Suíço (1893), e no Direito
Brasileiro com o CP de 1940.

Vale lembrar que, no seu início (CP de 1940) foi


adotado o sistema duplo binário, no qual a medida
48

de segurança poderia ser aplicada em


concomitância com a pena.

Atualmente, como se sabe, adota-se o sistema


vicariante com respeito à aplicação da medida de
segurança, proibindo-se a cumulação das sanções
detentivas (pena + medida de segurança).

Vale trazer importante registro de Jorge Alberto


Romeiro (1994, p. 241 e 242):

Coube, assim, ao vigente CPM o destino


histórico de haver inaugurado, no jus
positum brasileiro, o sistema vicariante
em matéria de medidas de segurança,
abolindo o duplo binário e as medidas de
segurança detentivas para delinquentes
imputáveis.
49

Este fato, historicamente relevante, não


está registrado em lugar nenhum. (...)

Que seja, pois, este Curso, o registro


enfático do referido importante destino
histórico do CPM, com relação às
medidas de segurança, no direito penal
brasileiro.

Isso posto, passemos a exterminar dúvidas quanto


a essa questão.

De plano, você precisa saber que existem algumas


discussões doutrinárias acerca da natureza
jurídica das medidas de segurança, o que vai
reverberar na sua resposta.
50

Ora, seria a medida de segurança uma espécie de


pena? Seria um meio de cura ou reeducação?
Seria uma espécie de sanção penal diferente da
pena?

Segundo Nélson Hungria (CP 1940): “a medida de


segurança, ao contrário (da pena), é um meio de
cura ou de reeducação”.

Ramagem Badaró (1972, p. 30) afirma que

as medidas de segurança não possuem


o caráter retributivo da pena. Não
traduzem sanção por infração penal
vigente no tempo em que o delito foi
consumado.
51

Célio Lobão também entende que medida de


segurança não é sanção penal (2011, p. 78).

Mas há posições doutrinárias também


respeitáveis, com a qual concordamos, no sentido
de que a medida de segurança, embora não seja
pena, é uma espécie de sanção penal.

Nesse sentido, Cleber Masson (2012, p. 815):

Medida de segurança é a modalidade de


sanção penal com finalidade
exclusivamente preventiva, e de caráter
terapêutico, destinada a tratar
inimputáveis e semi-imputáveis
portadores de periculosidade, com o
escopo de evitar a prática de futuras
infrações penais. (grifei)
52

Isso posto, para exterminarmos as dúvidas quanto


à questão, passemos à leitura essencial da “letra
da lei”:

Art. 3º As medidas de segurança regem-


se pela lei vigente ao tempo da sentença,
prevalecendo, entretanto, se diversa, a lei
vigente ao tempo da execução.

Gaivota extra:

Essa também era a redação do artigo 82 do CPM


de 1944; do antigo artigo 75 do CP de 1940, e do
artigo 3º do CP de 1969 (revogado sem nunca
entrar em vigor).
53

A parte final do referido artigo suscita debates na


doutrina. Com efeito, se a lei vigente ao tempo da
execução for mais gravosa do que a vigente ao
tempo da sentença, seria ainda assim ela
aplicável? Não seria uma afronta ao princípio de
que “a lei penal não retroagirá, salvo para
beneficiar o réu” (artigo 5º, XL da CF/88)?

Como dito, a resposta dependerá de qual natureza


jurídica o doutrinador atribui à medida de
segurança.

1ª Corrente – O artigo 3º do CPM NÃO está em


vigor por ser inconstitucional. É uma afronta ao
princípio da Legalidade (no aspecto da
anterioridade). Aplica-se a extra-atividade da lex
mitior. É a posição de Jorge Alberto Romeiro
(1994, p. 47); Cláudio Amin Miguel (2011, p. 7),
54

Guilherme de Souza Nucci (2019, p. 17). Na


doutrina de Direito Penal, essa é também a
posição de Rogério Sanches.

2ª Corrente – SIM, o artigo 3º do CPM está em


vigor. O princípio da anterioridade não se aplica às
medidas de segurança, pois não são penas. Elas,
na verdade, visam a recuperação do indivíduo e a
segurança social. Posição de Silvio Martins
Teixeira quando comentava o artigo 82 do CPM de
1944.

3ª Corrente – SIM, o artigo 3º do CPM está em


vigor, MAS deve ser feita uma interpretação
conforme a Constituição. Assim, a lei vigente ao
tempo da execução será aplicada desde que mais
benéfica ao sentenciado. É a posição de Paulo
José da Costa Júnior (referenciado por Ênio Luiz
55

Rosseto 2015, p. 93), Marcelo Uzeda, Jorge Cesar


de Assis (2018, p.83) e Alexandre Saraiva (2009,
p.36). É a nossa posição, já que consideramos
medida de segurança uma espécie de sanção
penal.

Vejamos um trecho de Alexandre Saraiva (2009, p.


36):

Assim, segundo nosso entendimento, a


medida de segurança a ser aplicada é a
prevista e vigente à época do crime, a
não ser que a norma superveniente
confira melhor tratamento (maior
benignidade) ao sentenciado.

OBS: Segundo Jorge Cesar de Assis (2018, p. 83),


Paulo Tadeu Rodrigues Rosa explica muito bem
56

o art. 3º CPM e ainda traz uma hipótese de


aplicação: se o condenado, durante a execução,
adquire problema mental, aplica-se a medida de
segurança com base na Lei vigente ao tempo da
execução (se diversa da lei vigente na época da
sentença).
57

DICA EXTERMINADORA 6

Imagine a seguinte pergunta no futuro:

“Qual o número de testemunhas que a defesa


pode arrolar no processo penal militar?”

Para construir seu raciocínio, você deve, antes de


responder, se lembrar de que há duas espécies de
procedimentos no Código de Processo Penal
Militar:

1º) Procedimento Ordinário; e

2º) Procedimento Especial (aplicável aos crimes


de deserção e insubmissão)
58

Gaivota extra:

Segundo Célio Lobão (2010, p. 450), os crimes


previstos nos artigos 184 a 186; 191, 193 e 194,
todos do CPM, são processados mediante
procedimento ordinário! Não se confunda!

Nos delitos de concerto para deserção,


de favorecimento a desertor, de omissão
de oficial em relação a desertor; de criar
ou simular incapacidade física, de
substituição de convocados, de
favorecimento a convocado é observado
o procedimento ordinário

Isso posto, passemos a exterminar dúvidas quanto


a essa questão.
59

Comecemos pelo procedimento Ordinário. Vamos


tomar por base o artigo 77 do CPPM:

Art. 77. A denúncia conterá:

h) o rol das testemunhas, em


número não superior a seis, com a
indicação da sua profissão e residência;
e o das informantes com a mesma
indicação.

OBS: Se houver mais de três acusados, o MPM


pode arrolar mais 03 testemunhas (art. 417 §1º do
CPPM).

Em relação às testemunhas da Defesa, vejamos o


que diz o CPPM:
60

Precedência na inquirição

Art. 417. Serão ouvidas, em primeiro


lugar, as testemunhas arroladas na
denúncia e as referidas por estas, além
das que forem substituídas ou incluídas
posteriormente pelo Ministério Público,
de acordo com o § 4º deste artigo. Após
estas, serão ouvidas as testemunhas
indicadas pela defesa.

(...)

Indicação das testemunhas de


defesa

§ 2º As testemunhas de defesa
poderão ser indicadas em qualquer fase
da instrução criminal, desde que não seja
excedido o prazo de cinco dias, após a
inquirição da última testemunha de
acusação. Cada acusado poderá
61

indicar até três testemunhas, podendo


ainda requerer sejam ouvidas
testemunhas referidas ou informantes,
nos termos do § 3º.

CUIDADO com esse artigo! Prevalece que a


Defesa pode arrolar até 6 testemunhas (Princípio
da Paridade das Armas).

Todavia, não basta você saber isso. Você também


precisa saber como se conta esse número de
testemunhas.

E, nesse ponto, há divergência na doutrina e na


jurisprudência. Mas podemos dizer que tem
prevalecido o seguinte entendimento:
62

a) Para a acusação: 6 testemunhas por fato.

b) Para a defesa: 6 testemunhas por fato OU


número de acusados.

Vamos trazer um exemplo para melhor


compreensão da matéria.

Huguinho, Zezinho e Luizinho entram na Vila


Militar e agridem a “sentinela da hora” do Exército
Brasileiro, razão pela qual respondem a processo
criminal perante a Justiça Militar da União. Temos
1 Fato: Violência contra militar de serviço (art.158
do CPM).
63

QUESTÃO: Quantas Testemunhas o MPM pode


arrolar?

R: até 6. Note que não se aplica o artigo 417, 1º do


CPPM, já que não há mais de três acusados.

QUESTÃO: Por sua vez, quantas testemunhas a


Defesa pode arrolar?

R: até 6 testemunhas por fato OU até 6


testemunhas por acusado (mesmo se for um só
defensor). Em tese até 18 testemunhas.

Agora passemos ao Procedimento Especial.

QUESTÃO: Quantas testemunhas podem ser


arroladas pelo MPM e pela Defesa no
64

procedimento especial de deserção e


insubmissão?

Inicialmente, vejamos o que diz o CPPM.

Art. 455 (Deserção de Oficial)....

§1º Reunido o Conselho Especial de


Justiça, presentes o procurador, o
defensor e o acusado, o presidente
ordenará a leitura da denúncia, seguindo-
se o interrogatório do acusado, ouvindo-
se, na ocasião, as testemunhas
arroladas pelo Ministério Público. A
defesa poderá oferecer prova
documental e requerer a inquirição de
testemunhas, até o número de três,
que serão arroladas dentro do prazo de
65

três dias e ouvidas dentro do prazo de


cinco dias, prorrogável até o dobro pelo
conselho, ouvido o Ministério Público.

Art. 457 (Deserção de Praça)

§ 4º Recebida a denúncia, determinará o


Juiz-Auditor a citação do acusado,
realizando-se em dia e hora previamente
designados, perante o Conselho
Permanente de Justiça, o interrogatório
do acusado, ouvindo-se, na ocasião, as
testemunhas arroladas pelo Ministério
Público. A defesa poderá oferecer
prova documental e requerer a
inquirição de testemunhas, até o
número de três, que serão arroladas
dentro do prazo de três dias e ouvidas
66

dentro de cinco dias, prorrogáveis até o


dobro pelo conselho, ouvido o Ministério
Público.

Insubmissão

Art. 465. Aplica-se ao processo de


insubmissão, para sua instrução e
julgamento, o disposto para o processo
de deserção, previsto nos §§ 4º, 5º, 6º
e 7º do art. 457 deste código.

Diante dessa situação, temos os seguintes


entendimentos na doutrina castrense:

1ª Corrente (Cícero Coimbra) – entende que são


6 testemunhas, pois o MPM pode arrolar 6 com
base no art. 77 “h” CPPM. Tal artigo não se refere
67

só ao “processo” ordinário, mas também aos


especiais.

2ª Corrente (Célio Lobão e Cláudio Amin) -


entendem que MPM e Defesa só podem arrolar 3
testemunhas. Posição que tem prevalecido,
segundo o próprio Coimbra.
68

DICA EXTERMINADORA 7

Imagine a seguinte pergunta no futuro:

“Cabe Acordo de Não Persecução Penal

na Justiça Militar?”

Precisamos ter em mente que o Acordo de Não


Persecução Penal (ANPP) foi positivado no
ordenamento jurídico brasileiro por ato normativo
do Conselho Nacional do Ministério Público
(Resolução 181/17, complementada pela
Resolução 183/18).

Com o advento da Lei n.º 13.964 de 24 de


dezembro de 2019 (Pacote Anticrime), ganhou o
ordenamento jurídico brasileiro mais um
69

instrumento de justiça negociada (art. 28-A do


Código de Processo Penal) ao lado da transação
penal e da suspensão condicional do processo (Lei
9.099/95).

A referida lei somente inseriu o artigo 16-A no


CPPM. Diante dessa situação, alguns estudiosos
do Direito Castrense começaram a debater se o
ANPP seria aplicável ou não à justiça militar.

Temos, em apertada síntese, dois grandes


entendimentos:

a) o ANPP pode ser aplicado ao civil que comete


crime militar, mas não ao agente militar que afronta
a hierarquia e a disciplina.
70

b) o ANPP não pode ser aplicado nem ao agente


civil nem ao agente militar, com base no princípio
da especialidade, já que o ANPP não foi inserido
no texto do CPPM.

Procuremos, agora, exterminar dúvidas do futuro


elencando alguns argumentos já disponíveis em
artigos de internet e na jurisprudência do STM.

1ª Posição: Flávio Milhomen em “A necessidade


do acordo de não persecução penal na justiça
militar brasileira”. Em resumo:

a) antes da entrada em vigor da Lei nº 13.964/19,


a norma de regência do acordo de não persecução
penal era a Resolução nº 181/17, tanto para os
crimes comuns quanto para os crimes militares.
71

b) o Código de Processo Penal passou a ser a


norma de regência do referido negócio jurídico pré-
processual para os crimes de competência da
justiça comum. Porém, no silêncio da lei quanto ao
regramento aplicável aos crimes militares, conclui-
se que continua sendo a Resolução 181/17 do
CNMP a norma que regulamenta o acordo de não
persecução penal no âmbito da justiça castrense,
já que esta não fora revogada explícita ou
tacitamente pelo novo regramento legal.

Resolução 181/17:

Art. 18.

(...)
72

§ 12 As disposições deste Capítulo não


se aplicam aos delitos cometidos por
militares que afetem a hierarquia e a
disciplina. (Incluído pela Resolução n°
183, de 24 de janeiro de 2018).

E, assim como a Resolução 181/17 do CNMP,


deve ser igualmente aplicada a Resolução 101/18
do Conselho Superior do Ministério Público Militar,
que servirá de parâmetro para o oferecimento do
acordo de não persecução penal tanto na Justiça
Militar da União, quanto na Justiça Militar Estadual.

Em suma, pelos argumentos de Milhomen, pode-


se aplicar o ANPP para agentes civis.

Em relação ao agente militar, não se aplicam aos


delitos, por eles cometidos, que afetem a
73

hierarquia e a disciplina. (artigo 18 §12 da


Resolução 181/17 do CNMP)

Acreditamos que praticamente todos os delitos


cometidos por militares afetam a hierarquia e a
disciplina. Demanda uma análise casuística.

2ª Posição: Ronaldo João Roth em “A inovação


do acordo de não persecução penal e sua
incidência aos crimes militares”.

O ANPP não se aplica aos crimes militares


praticados pelos militares pois:

a) seria uma afronta ao princípio da especialidade


do CPPM (fere a índole do processo penal militar
– art. 3º do CPPM).
74

b) houve um silêncio eloquente por parte da Lei n.º


13.964/19, que alterou o CPPM unicamente na
inclusão do artigo 16-A, nada dispondo, portanto,
sobre o novel instituto (ANPP).

c) o ANPP não é compatível com o sistema jurídico


militar, que tem como diretriz constitucional a
hierarquia e disciplina militares (art. 42, caput, e
142, caput), de tal sorte que a repressão pela
prática do crime militar fortalece o regular
funcionamento das instituições militares.

d) o ANPP é aplicável aos crimes militares


praticados por civis, observando o princípio da
isonomia, diante da tendência da jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal (STF).
75

3 ª Posição: Rodrigo Foureaux em “O Acordo de


Não Persecução Penal na Justiça Militar”

A tendência é a não aplicação do Acordo de Não


Persecução Penal no âmbito da Justiça Militar.

De qualquer forma, ainda que prevaleça a


inaplicabilidade, deve-se permitir a aplicação do
ANPP para os civis no âmbito da Justiça Militar da
União, pois não estão submetidos aos valores
militares, à hierarquia e disciplina, já tendo sido
decidido pelo STF que se aplicam os benefícios
processuais previstos na Lei n. 9.099/95 aos
crimes militares praticados por civis.

4ª Posição – adotada pelo artigo 18 da


RESOLUÇÃO Nº 101/CSMPM, de 26 de setembro
de 2018. (Alterada pela Resolução nº
76

104/CSMPM, de 8 de maio de 2019, e pela


Resolução nº 108/CSMPM, de 11 de dezembro de
2019).

Art. 18...

§1º Não se admitirá a proposta nos casos


em que:

(...)

IX – o autor do delito seja militar da ativa;

X – mesmo que o autor seja civil, nos


casos de coautoria, ou participação, de
militar da ativa.

Em suma, por essa posição, pode-se aplicar o


ANPP para agentes civis.
77

5ª Posição STM: não se aplica o ANPP nem para


o agente civil e nem para o agente militar. Não há
omissão no CPPM; aplica-se, portanto, o princípio
da especialidade.

STM

APELAÇÃO. DEFENSORIA PÚBLICA


DA UNIÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA.
ART. 312 DO CÓDIGO PENAL MILITAR.
(..). PRELIMINAR DE APLICAÇÃO DO
ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO
PENAL. REJEIÇÃO. UNANIMIDADE.
MÉRITO. AUSÊNCIA DE DOLO NA
CONDUTA. NÃO ACOLHIMENTO.
AUTORIA, MATERIALIDADE E
CULPABILIDADE COMPROVADAS.
PRINCÍPIO IN DUBIO PRO REO. NÃO
78

ACOLHIMENTO. NEGADO
PROVIMENTO AO RECURSO.
MANUTENÇÃO DA SENTENÇA
CONDENATÓRIA. UNANIMIDADE. (...).
O alcance normativo do Acordo de
Não Persecução Penal está
circunscrito ao âmbito do processo
penal comum, não sendo possível
invocá-lo subsidiariamente ao Código
de Processo Penal Militar, sob pena de
violação ao Princípio da
Especialidade, uma vez que não existe
omissão no Diploma Adjetivo
Castrense. Somente a falta de um
regramento específico possibilita a
aplicação subsidiária da legislação
comum, sendo impossível mesclar-se o
regime processual penal comum e o
regime processual penal especificamente
79

militar, mediante a seleção das partes


mais benéficas de cada um deles.
Preliminar rejeitada. Decisão unânime.
(...) Apelo defensivo não provido. Decisão
por unanimidade. (Superior Tribunal
Militar. Apelação nº 7001106-
21.2019.7.00.0000.

(Relator (a): Ministro (a) CARLOS VUYK


DE AQUINO. Data de Julgamento:
20/02/2020, Data de Publicação:
02/03/2020)
80

CONCLUSÃO

É isso pessoal!

Carreguem essas dicas rápidas com vocês, até


que, da mente, desçam para o coração!

Como eu disse, espero que essas dicas ajudem a


exterminar as dúvidas de vocês quanto às sete
perguntas aqui abordadas, as quais podem “cruzar
o seu caminho” no futuro em provas de Direito
Militar!

“Hasta la vista, baby”!

BONS ESTUDOS!
81

OBRAS CITADAS

ASSIS, Jorge Cesar de. Comentários ao código penal


militar: comentários, doutrina, jurisprudência dos
tribunais militares e tribunais superiores, e
jurisprudência em tempo de guerra 10. ed. rev. e atual.,
Curitiba, Juruá, 2018.

BADARÓ, Ramagem. Comentários ao Código Penal


Militar de 1969, Juriscred, 1972, 1º e 2º v.

LOBÃO, Célio. Comentários ao Código Penal Militar: Vol


1 – Parte Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2011.

MASSON, Cleber. Direito Penal esquematizado. São


Paulo: Método, 2012.
82

MIGUEL, Cláudio Amin; CRUZ, Ione de Souza. Elementos


de Direito Penal Militar: Parte Geral - 2. ed. Rio de
Janeiro: Editora Lumen Juris, 2011.

NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Militar


Comentado – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais,
2013.

ROMEIRO, Jorge Alberto. Curso de Direito Penal Militar:


parte geral. São Paulo: Saraiva, 1994.

ROSSETTO, Enio Luiz. Código Penal Militar Comentado


- 1. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012.

SARAIVA, Alexandre José de Barros Leal. Código Penal


Militar Comentado: parte geral. São Paulo: Método,
2009.

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