Você está na página 1de 7

Nitzavim

Esse ano teremos a parasha Nitzavim nesse shabat, Nitzavim: Devarim, Deuteronômio 31.1-30
que significa Nitzavim”, ou seja, estamos juntos, em pé, na frente de Deus, com fé, confiança, e
forças para seguir em frente.

Nitzavim inicia-se com Moshê reunindo todos os membros do povo judeu pela última vez em
sua vida, para falar-lhes de suaa eterna aliança com D'us. Moshê os adverte a não serem
tentados pelos atos dos idólatras que vivem ao redor deles, e a evitarem racionalizar a conduta
imprópria dizendo que D'us os perdoará, pois manter tal crença é a suprema fonte de nossa
destruição e exílio. Embora vá cometer pecados, o povo judeu ao final se arrependerá e
retornará para a Torá, e D'us introduzirá a Era Messiânica, quando todos retornaremos à terra
de Israel e as muitas bênçãos maravilhosas da Torá serão cumpridas. Moshê diz ao povo para
não temer serem incapazes de corresponder às expectativas da Torá, assegurando-lhes que as
mitsvot estão ao nosso alcance. A porção termina com uma exortação para escolher a Torá e
vida, acima da terrível alternativa do mal e morte.

Abordadei aqui cinco elementos que vale a pena notar nessa parashá

A obediência à torá traz não apenas prosperidade, mas prosperidade PARA BEM.

Em Deuteronômio 30:9, está escrito:

E o Senhor teu Deus te fará abundar em toda a obra das tuas mãos, no fruto do teu ventre, e
no fruto dos teus animais, e no fruto da tua terra para bem.

“Prosperar” vem do termo hebraico sakal e significa “ser sábio, agir sabiamente, ter sucesso,
perceber, entender”.

A obediência, guardando e cumprindo a torá, traz prosperidade em tudo, e não apenas


prosperidade, mas prosperidade PARA BEM, ou seja, o fato de sermos prósperos não nos fará
nos afastarmos do Eterno nem nos colocará em uma derrocada de preocupações, vícios e
problemas de família.

Além disso, a obediência fará que prosperemos em TODA obra de nossas mãos, ou seja, com
nosso trabalho e não por algum milagre do destino. A nós nos cumpre obrarmos com as mãos,
trabalharmos, pois sem isso a promessa de bênção falha.

Há um conto judaico que relata que um agricultor ia todo ano pedir a um rabino importante
que abençoasse seu campo, mas não via sua lavoura prosperar. Determinado ano, um novo
fazendeiro veio junto com ele, e desde ali seu campo prosperou de maneira extraordinária,
enquanto que o do primeiro permaneceu com um tímido crescimento. No ano seguinte, o
primeiro agricultor foi se queixar ao rabino: Rav, meu campo não cresceu tanto quanto o do
outro que veio apenas uma vez pedir que o senhor abençoasse, e eu venho todos os anos há
uma década!
Ao que o Rebe respondeu: A bênção dada aos dois foi a mesma, a bênção das chuvas e da
fertilidade foi a mesma, a diferença é que ele trabalhou com afinco, enquanto que você
esperou apenas que um milagre acontecesse e as plantas crescessem por si mesmas! O Eterno
enviou chuva dos céus da mesma forma, mas ele fez com que suas mãos trabalhassem mais e
por isso foi mais abençoado!”

O mecanismo da bênção da prosperidade envolve uma co-criação. O Eterno nos coloca no


lugar certo na hora certa, mas devemos sair de casa e estar lá, devemos nos dedicar ao
máximo, para que Ele possa fertilizar e fazer crescer aquilo que plantamos em nossa vida, de
acordo com a Torá. Ele faz crescer e frutificar, mas o plantar pertence a nós. Apenas ficar
parado e não agir de acordo com a orientação do Eterno não é fé, mas cegueira e preguiça.
Somos co-criadores com Ele do destino de nossas vidas – para isso estamos na Terra.

Precisamos nos concentrar no que nos diz respeito e não perder tempo com elocubrações
teológicas ineficazes

Em Deuteronômio 29:29 encontramos um versículo muito famoso:

As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a
nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.

A humildade e o reconhecimento de que há coisas que dizem respeito apenas ao Eterno e


outras que dizem respeito a nós, nos colocando em nosso próprio lugar, é importante. A
palavra “encobertas” vem do termo hebraico satar e significa “esconder, ocultar”. Isso significa
que o Eterno reservou para si o direito de esconder, ocultar, algumas coisas que pertencem a
Ele! Estes são mistérios que muito provavelmente nos serão revelados quando estivermos
para sempre com Ele no olam habá, o mundo vindouro.

Então o tempo e o local serão apropriados para que o Eterno nos revele aqueles segredos que
ainda hoje nos estão ocultos. No entanto, as coisas reveladas tem uma função clara: fazer-nos
cumprir a Torah! A palavra “reveladas” vem do termo hebraico galâ e significa “descobrir, tirar;
revelar”. Este termo nos indica que já existe algo que está bem patente aos nossos olhos – que
é a Torah – e que ela deve ser obedecida em nossa vida; não há o que buscar mais.

O que Ele nos revela nas Escrituras deve nos levar ao seu cumprimento e não apenas ao seu
conhecimento. A elocubração sobre sexo dos anjos, concepção e casamento de Yeshua,
detalhes de usos e costumes e outros questionamentos e discussões inócuas ao núcleo de
nossa fé devem ser deixadas no campo da confiança. Preocupar-se exageradamente com essas
coisas nos desvia do cerne da verdadeira religião:

Em Tiago 1:27 o B´rti Hadashá nos fala exataemnte sobre isso:


A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas
tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.

Perder-se em debates teológicos infindáveis acerca de assuntos que não nos dizem respeito
nos leva a fecharmos os olhos para nosso irmão que sofre e a nos tornarmos não praticantes
da Torá, mas apenas ouvintes, deixando então de cumprir com o ide de Yeshua, quando tantos
há precisando de uma palavra de apoio e encorajamento, de um gesto de ajuda que poderá
talvez mudar o curso de sua vida.

Importante dizer ainda que o objetivo do conhecimento está bem claro no próprio versículo –
para que cumpramos todas as palavras da Torá. Conhecer e não cumprir é como semear e não
regar – o fruto deixa de existir.

A verdadeira Teshuvá traz bênçãos profundas em consequência

Ainda em Deuteronômio 30:1-16, lemos:

E será que, sobrevindo-te todas estas coisas, a bênção ou a maldição, que tenho posto diante
de ti, e te recordares delas entre todas as nações, para onde te lançar o SENHOR teu Deus,

E voltares para o Eterno teu Deus, e ouvires sua voz, conforme a tudo o que eu te ordeno hoje,
tu e teus filhos, com todo o teu coração, e com toda a tua alma, então o Senhor teu Deus te
fará voltar do teu cativeiro, e se compadecerá de ti, e tornará a ajuntar-te dentre todas as
nações entre as quais te espalhou o Senhor teu Deus.

Ainda que os teus desterrados estejam na extremidade do céu, desde ali te ajuntará o Senhor
teu Deus, e te tomará dali;

E o Senhor teu Deus te trará à terra que teus pais possuíram, e a possuirás; e te fará bem, e te
multiplicará mais do que a teus pais.

E o Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares
ao Senhor teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas.

E o Senhor teu Deus porá todas estas maldições sobre os teus inimigos, e sobre os que te
odiarem, que te perseguirem.

Converter-te-ás, pois, e darás ouvidos à voz do Senhor; cumprirás todos os seus mandamentos
que hoje te ordeno.; porquanto o Senhor tornará a alegrar-se em ti para te fazer bem, como se
alegrou em teus pais,

Quando deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus, guardando os seus mandamentos e os seus
estatutos, escritos neste livro da lei, quando te converteres ao Senhor teu Deus com todo o
teu coração, e com toda a tua alma.

Esse trecho nos fala, antes de tudo, da verdadeira teshuvá:


A verdadeira Teshuvá precisa ser precedida de conversão, obediência, kavaná, ou seja, ouvir a
voz do Eterno de todo coração e alma.

As consequências da teshuvá serão:

No versículo 3: A volta do cativeiro, ou a libertação dos jugos sob os quais nos colocamos
enquanto longe do Eterno e de sua Torá, como vícios, miséria, depressão, pecado; por mais
enredados que estejamos neles, ele nos promete nos fazer voltar de qualquer cativeiro que
esteja nos prendendo.

Maimônides menciona este versículo em seu livro de Leis.

A Torah não diz: “D’us trará seus cativos do cativeiro.” As palavras empregadas no versículo
são: “Te trará o Eterno teu Deus, COM ele, de teu cativeiro.

Daqui aprendemos que a Shechiná, por assim dizer, também será redimida.

Após a destruição do primeiro Bêt Hamicdash, o general babilônio Nevuzaradan conduziu o


povo de Israel acorrentado para a Babilônia. O profeta Irmiyahu (Jeremias) acompanhou os
cativos em sua jornada.

Com tristeza Jeremias perambulava ao lado de seus irmãos. D’us, porém, tinha planos
diferentes para ele. D’us disse a Irmiyahu: “Se você for com os judeus para Bavel (Babilônia),
Eu ficarei com os poucos que ficaram em Erets Israel. Se você ficar em Erets Israel, eu irei com
os cativos!”

Irmiyahu respondeu: “Que benefício traria minha presença a esses pobres

prisioneiros? Que o Criador os acompanhe; certamente Ele poderá auxiliá-los.”

Irmiyahu voltou e juntou-se ao pequeno grupo que ficara em Erets Israel. O Eterno, por assim
dizer, foi para o exílio com Benê Israel.

Ele está conosco em cada galut (exílio). Quando estamos sofrendo, D’us, por assim dizer,
também está. Como ele mesmo disse, em Isaías 57:15:

Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto
e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o
espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos.

Ele não apenas nos faz voltar do nosso cativeiro, mas Ele está conosco em todo tempo, ali,
mesmo que não saibamos nem sintamos.

A misericórdia e compaixão do Eterno – Ele não permitirá, como nos diz Lamentações 3, que
sejamos consumidos, mortos, destruídos, mas nos trará para a Vida.

A volta ao estado original de bênção – ele nos promete até mesmo que onde abundou o
pecado, superabunda a graça. O judaísmo nos fala do baal teshuvá, aquele que, tendo provado
uma vida cheia de pecado e corrupção, passa a se voltar para o Eterno, dizendo que esse está,
aos olhos dos céus, acima dos que sempre foram tsadikim (justos).

O perdão ilimitado do Eterno

Em Deuteronômio 30:4 está escrito:

Ainda teu desterro esteja na extremidade do céu – nós, anussitas, filhos dos forçados, cristãos
novos, temos provado isso de maneira especial. Da extremidade da terra temos sido chamados
a retornar, a fazer teshuvá, e a nos voltarmos ao D´us de nossos pais, cumprindo a torá e
recebendo Dele instrução e salvação. Ele cumpre com suas promessas.

Mas essa frase também confirma a anterior, de que não há pecado grande demais para o
perdão amoroso de Hashem. A Mishná confirma isso em vários textos, como esse, por
exemplo:

Diz Ben Azai, “Não desprezes homem nenhum”, seja o que for que conheças sobre seu
passado, “pois não há homem que não tenha a sua hora”. Não existe ninguém no mundo que
não tenha seu momento de arrependimento, sua ocasião de anseio por fazer o bem.

A multiplicação das bênçãos em relação ao estado anterior: E multiplicará mais que a teus pais
– o segundo estado será melhor que o primeiro.

A capacitação sobrenatural ao amor e à santidade:

E abrirá teu coração e o de tua descendência para amares ao Eterno de todo coração e alma
para que vivas.

Mais uma vez, é Ele que nos capacita a cumprir o shemá e viver. Nada é por nossas próprias
forças. Aqui o Eterno nos confirma que se dermos o primeiro passo – que é se voltar para o Ele
e ouvir sua voz – Ele nos capacitará a todos os outros. Esse ponto é muito importante porque
invalida de vez a teoria de que temos que conquistar o olam habá por nossas próprias forças.
Temos apenas que dar o primeiro passo, simples e fácil – olharmos para Ele e ouvirmos sua
voz, o que subentende PRESENÇA E TEMPO com Ele – e Ele é quem nos capacita a amá-lo e
obedecê-lo, porque é impossível ouvir sua voz e não se apaixonar por Ele.

7 -Vitória sobre inimigos

– O Eterno nos promete vitória sobre nossas circunstâncias e sobre os seres espirituais do
mal – nossa luta não é contra carne nem sangue, como bem fala Rav Shaul em Efésios 6:12-18

Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades,
contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas
regiões celestes.
4 Nada que o Hashem nos ordenou é impossível de se cumprir

Em Deuteronomio 30:11 lemos

Porque esse mandamento que hoje te ordeno não está nos céus, para dizeres: Quem subirá
por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?

Nem tampouco está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, para que
no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?

Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires.

O que a torá ordena não está fora de nosso alcance, nem obedecê-la fora de nossa
capacidade: ao contrário, está muito perto de nós – na boca e no coração.

Porque este mandamento, que hoje te ordeno, não te é encoberto, e tampouco está longe de
ti.

No coração, para mostrar que devemos interiorizar a Torá, coloca-la dentro de nós para
podermos cumprir com ela, na boca para mostrar que devemos compartilhar a Torá, o que nos
levará a nos fortalecer em união com nossos irmãos.

Não nos basta apenas estudar, decorar e saber para acumular conhecimento, mas essa
passagem nos mostra que é necessário praticá-la. Segundo o Chafetz chaim, o lashon hará – o
pecado da maledicência é o que supera todos os outros, enquanto que o cumprimento do
smirat halashon, a fala correta, faz com que todos os outros pecados sejam apagados. Mais
uma vez vemos aqui a importância da relação entre coração e boca – Yeshua confirmou isso
em Mateus 12:34-36:

.. como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o
coração.

…Por isso, vos afirmo que de toda a palavra fútil que as pessoas disserem, dela deverão prestar
conta no Dia do Juízo. Porque pelas tuas palavras serás absolvido e pelas tuas palavras serás
condenado.

Consequentemente, se enchermos o coração de Torá, é das coisas do Eterno que falaremos,


contagiando outros com a verdade.

5- Bênção ou maldição não estão nas mãos do Eterno, mas nas nossas mãos

Deuteronômio 30:15 diz:


Vê que hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal;

Porquanto te ordeno hoje que ames ao Senhor teu Deus, que andes nos seus caminhos, e que
guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas, e te
multipliques, e o Senhor teu Deus te abençoe na terra a qual entras a possuir.

A palavra “bênção” vem do hebraico barak que significa “dar poder à alguém para que seja
próspero, bem sucedido e fecundo em tudo aquilo que fizer”. Já a palavra “maldição” vem do
termo hebraico qelalâ e significa “a ausência de um estado abençoado e justo e um
rebaixamento a um estado inferior”.

As regras são claras, toda atitude terá sua consequência. O poder de escolha é nosso. Mas
novamente esse versículo esconde o segredo da obediência – amar em primeiro lugar ao
Eterno, nosso Deus, para que possamos cumprir com os seus mandamentos. Sem amor é
impossível. Ao longo de toda a Torá a sequência – ouvir a voz (passar tempo com, ouvindo,
estudando e conhecendo) – amar – obedecer nos é explanada. Não vemos e ouvimos isso, no
entanto, escolhendo o caminho mais difícil, que é cumprir com as mitsvot em nossa própria
força. Que possamos entender que o caminho que nos leva à vitória sobre nós mesmos é nos
voltarmos para Ele em amor e ouvirmos o que Ele tem a nos dizer.

Você também pode gostar