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m.a.

perissinotto – CALIBRAÇÃO - 1

CALIBRAÇÃO
Um SISTEMA DE CONFIABILIDADE METROLÓGICA, compreende:

MÉTODO + EQUIPAMENTOS + CONDIÇÕES AMBIENTAS + RECURSOS HUMANOS

Juntamente com o resultado de medição de qualquer grandeza física , é obrigatório indicar


quantitativamente a qualidade do resultado de tal forma que, quem a utiliza possa avaliar sua
confiabilidade.

Ao longo do tempo não basta o equipamento estar calibrado, ele precisa ser calibrado, ou seja é preciso
demonstrar, no momento da calibração, como o equipamento se portou durante o período passado e
qual a sua situação para desenvolver o próximo período.

DEFINIÇÕES:
a) METROLOGIA :
é a ciência que estuda a medição

a1 ) Metrologia Cientifica que está voltada diretamente para certificações de empresas e para atender
as normas de certificações (ISO, TS, entre outras).

a2 ) Metrologia Legal que se refere a instrumentos de medição, como balanças, taxímetros, metros
comerciais, bombas medidoras de combustível, cronotacógrafos e produtos pré-medidos, aqueles
dispostos nas gôndolas ou prateleiras dos pontos de vendas que não são pesados à vista do consumidor
e fiscalização de produtos perigosos. Tais instrumentos devem atender a legislações, indicação de leis,
resoluções e regulamentos técnicos sobre a atividade, gerais e específicos para cada
instrumento/medida.
As verificações referentes às regulamentações metrológicas são realizadas por órgãos como por
exemplo o IPEM ( Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo).

b) SISTEMA DE GESTÃO DE MEDIÇÃO:


Conjunto de elementos inter-relacionados e interativos, necessários para obter a comprovação
metrológica e o controle contínuo dos processos de medição.

c) PROCESSO DE MEDIÇÃO ( MEDIÇÃO):


Conjunto de operações para determinar o valor de uma grandeza.

d) EQUIPAMENTO DE MEDIÇÃO:
Instrumento de medição, programa de computador, padrão de medição, material de referência ou
dispositivos auxiliares, ou uma combinação deles, necessários para executar um processo de medição.
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e) MENSURANDO:
Grandeza específica submetida a medição.

f) EXATIDÃO
É a diferença entre a estimativa observada ( valor médio de um conjunto de medições) e o valor
verdadeiro convencional VVC
EXATIDÃO

VALOR MÉDIA
VERDADEIRO

g) REPETIBILIDADE:
Grau de concordância entre os resultados de medições sucessivas do mesmo mensurando efetuadas
sob as mesmas condições de medição: método de medição, observador, instrumento de medida, local,
condições de utilização e em intervalos de tempo curto entre medições.

REPETIBILIDADE

h) REPRODUTIBILIDADE:
Grau de concordância entre os resultados de medições do mesmo mensurando, efetuadas sob
condições alteradas de medição: método de medição e ou observador e ou instrumento de medida e ou
local e ou condições de utilização e em intervalos de tempo curto entre medições.

OPERADOR – “A” OPERADOR – “C”

OPERADOR – “B”

REPRODUTIBILIDADE
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i) ESTABILIDADE
É a variação da média entre séries de medições tomadas de uma mesma grandeza, utilizando o mesmo
método e instrumento, em intervalos de tempos específicos.É a aptidão de um instrumento em
conservar constantes suas características metrológicas ( exatidão, repetibilidade, reprodutibilidade)

ESTABILIDADE

TEMPO - 1

TEMPO - 2

j) HISTERESE:
A indicação de um instrumento pode diferir por um valor fixado e conhecido, caso as leituras sucessivas
sejam crescentes ou decrescentes.

k) PADRÃO PRIMÁRIO:
Padrão que é designado ou amplamente reconhecido como tendo as mais altas qualidades metrológicas
e cujo valor é aceito sem referência a outros padrões de mesma grandeza.

l) PADRÃO SECUNDÁRIO:
Padrão cujo valor é estabelecido por comparação a um padrão primário da mesma grandeza.

m) PADRÃO DE REFERÊNCIA:
Padrão, geralmente tendo a mais alta qualidade metrológica disponível em um dado local ou em uma
dada organização, a partir do qual as medições lá executadas são derivadas.

n) ERRO SISTEMÁTICO:
Média que resultaria de um infinito número de medições do mesmo mensurando, efetuadas sob
condições de repetitividade, menos o valor verdadeiro do mensurando, ou seja, a variação é de forma
previsível.

O valor verdadeiro do mensurando é corretamente descrito como


VVC = Valor Verdadeiro Convencional

o) INCERTEZA DE MEDIÇÃO ( precisão ):


Parâmetro associado ao resultado de uma medição, que caracteriza a dispersão dos valores que podem
ser fundamentalmente atribuídos a um mensurando.
As componentes da incerteza podem ser classificadas em dois grupos; A e B
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INCERTEZA DO TIPO A (aleatória) ( calculadas )– ( Ua )

Método de avaliação de incerteza pela análise estatística de uma série de observações (repetitividade)

POPULAÇÃO AMOSTRA
A melhor estimativa de uma grandeza,
MÉDIA que varia aleatoriamente, é a média
aritmética das n medidas efetuadas

VARIÂNCIA
A variância ou o desvio padrão
caracterizam a variabilidade dos valores
medidos, isto é, a dispersão dos mesmos
DESVIO em torno do valor médio.
PADRÃO

COEFICIENTE DE STUDENT

Normalmente nas calibrações o número de medições ( repetições) varia de 3 a 10, isso em função de
tempo e economia.

Nestes casos, como a amostragem é muito pequena, necessário se faz corrigi-lo, para tal utilizamos o
coeficiente de Student , conhecido como “t de Student”, que é tabelado em função:

do grau de liberdade com do nível de confiança


e
=n–1 p(tp ( ))
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Graus de p(tp ( ))
Liberdade Probabilidade p(%)
=n–1
68,27% 90% 95% 99%
1 1,84 6,31 12,71 63,66
2 1,32 2,92 4,30 9,92
3 1,20 2,35 3,18 5,84
4 1,14 2,13 2,78 4,60
5 1,11 2,02 2,57 4,03
6 1,09 1,94 2,45 3,71
7 1,08 1,89 2,39 3,50
8 1,07 1,86 2,31 3,36
9 1,06 1,83 2,26 3,25
10 1,05 1,81 2,23 3,17
15 1,03 1,75 2,13 2,95
20 1,03 1,73 2,09 2,85
25 1,02 1,71 2,06 2,79
30 1,02 1,70 2,04 2,75
40 1,01 1,68 2,02 2,70
50 1,01 1,68 2,01 2,68
100 1,005 1,660 1,984 2,626
∞ 1,000 1,645 1,960 2,576

Valores não tabelados podem ser obtidos por interpolação linear

Exemplo:
Na calibração de um micrômetro, com faixa nominal de 25mm e valor de uma divisão de 0,001mm,
foram executadas 5 medições, obtendo-se, com o bloco padrão de valor nominal 5,1mm, as indicações:
5,098; 5,098; 5,101; 5,100 e 5,099

Valor médio Desvio Padrão Coeficiente de Student ( = 4; p = 95% )


k = t95%(4) = 2,78
Incerteza tipo “A”  Ua = ± 0,001616 ≅ 0,002 mm
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INCERTEZA DO TIPO B (sistemática) ( estimadas ) – ( Ub )


Método de avaliação da incerteza por outros meios que não a análise estatística de uma série de
observações.

Incertezas desse tipo são obtidas a partir de informações externas àqueles diretamente associadas à
medição pura e, sempre que possível esses erro também precisam ser corrigidos, para minimizar a
incerteza final.

DISTRIBUIÇÃO NORMAL
a) Para as medições efetuadas, com cálculo da média e do desvio padrão ( Tipo A )
Graus de Liberdade  , com =n–1
Divisor para correção  1
b) Para as informações das incertezas de tipo B
Graus de Liberdade  =∞
Divisor para correção 2

DISTRIBUIÇÃO RETANGULAR
Assumido que é igualmente provável que xi, pode estar em qualquer ponto do intervalo.
Graus de Liberdade  =∞
Divisor para correção 

DISTRIBUIÇÃO TRIANGULAR
Nesta distribuição admitimos que valores próximos aos extremos são menos prováveis de acontecerem
do que valores próximos ao centro.
Graus de Liberdade  =∞
Divisor para correção 

ALGUMAS FONTES DE INCERTEZAS:


Fonte distribuição
Incerteza (herdada) do Padrão (Certificado de Calibração) Normal= 2
Diferença entre a temperatura ambiente e a temperatura de referência Retangular=
Diferença de temperatura entre o padrão e o mensurando Retangular=
Resolução do instrumento * Retangular=
Triangular=
Estabilidade do Padrão em função do tempo Retangular=
Histerese do instrumento Triangular=
Correção devido ao erro de planeza Triangular=
Correção devido ao erro de paralelismo Triangular=
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* No caso da distribuição aplicada à incerteza referente à resolução do instrumento, a consideração é


sobre a interpolação na leitura, que pode ser de várias vezes, chegando até a 10 vezes, quando se utiliza
uma lupa para ampliar o campo, permitindo uma interpolação mais acurada.

Em linha geral se considera:


INSTRUMENTO ANALÓGICO = 1 ou 2 ou 5 vezes
Considerando um micrômetro com resolução = 0,01mm

INSTRUMENTO DIGITAL = 2 vezes


Considerando um micrômetro com resolução = 0,01mm

EXEMPLO DE UM PROCEDIMENTO DE CÁLCULO DE INCERTEZA PARA GRANDEZA DIMENSIONAL

Indicação no mensurando -

Valor nominal do padrão -


Correção do padrão
Para um nível de confiança
de 95%  k = 2
Correção associada à
diferença entre a
temperatura ambiente e a
temperatura de referência.
m = mensurando
p = padrão
Correção associada à
diferença de temperatura
entre o mensurando e o
padrão

Resolução do mensurando =

Precisão dos coeficientes


de expansão térmica
= 1,16x10-6
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CÁLCULO DA INCERTEZA COMBINADA – ( UC )

Cálculo do grau de liberdade efetiva – ( eff )


Welch-Satterwaite:

Com o número de graus de liberdade, podemos arredondar para um número inteiro e obtemos o valor
de k-95%.

Exemplo hipotético:

após o cálculo da incerteza combinada calculamos:

INCERTEZA EXPANDIDA – ( Ue )

A calibração dever ter seu resultado expresso, conforme abaixo

Incerteza de Medição = ± Ue ( 95% de Probabilidade

Tomando como continuidade o exemplo hipotético acima temos:


0,78 ( Uc ) x 3,18 = 2,353 ≅ 2,4µm para um nível de confiança de 95%
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ORIENTAÇÔES PARA VALIDAÇÃO DO RESULTADO DA CALIBRAÇÃO


Calibração RBC X Calibração com Rastreabilidade à RBC

Ao analisar propostas de serviços de calibração, o cliente não deve confundir os termos:


1. Calibração pela RBC
2. Calibração com rastreabilidade à RBC/Inmetro
As frases não têm o mesmo conteúdo intrínseco. Toda calibração pela RBC necessariamente tem
rastreabilidade, mas apenas as calibrações pela RBC são acreditadas (credenciadas) pelo INMETRO.

O quadro abaixo poderá esclarecer algumas dúvidas:


Calibração RBC com rastreabilidade à RBC
Realizada necessariamente por um laboratório Realizada por qualquer laboratório que se proponha à
integrante da RBC – Rede Brasileira de Calibração execução de tal serviço
(Laboratório Secundário) acreditado para tal (calibração fora da RBC ).
serviço, pelo INMETRO

Rastreabilidade - refere-se à calibração dos Rastreabilidade - refere-se à calibração dos padrões


padrões, verificados pelo Inmetro, dispensando a cuja cadeia de rastreabilidade deverá ser ou estar
sua comprovação ao cliente. disponibilizada ao cliente.
O Inmetro comprova a rastreabilidade do A rastreabilidade dos padrões deve ser
laboratório. avaliada pelo cliente.

Certificados emitidos pela RBC exibem a marca da Certificados com rastreabilidade não
acreditação: podem exibir a marca de acreditação.

O Inmetro avalia a competência do laboratório e O cliente qualifica o fornecedor


o acredita (credencia) para a realização de um utilizando critérios próprios de avaliação (nem sempre
determinado serviço. é um processo documentado).
O Inmetro disponibiliza em seu site a melhor O cliente deve perguntar qual a melhor capacidade de
capacidade de medição de cada laboratório medição do laboratório escolhido.

As informações e resultados do certificado RBC são O prestador de serviços auto-avalia seu certificado e o
avaliados por especialistas do Inmetro. cliente aprova ou reprova os resultados (implícita ou
explicitame nte).

O laboratório compulsoriamente trata das O laboratório pode tratar das medidas,


medidas, resultados, erros e incertezas, com base resultados, erros e incertezas.
na NBR ISO IEC 17025 (Requisitos Gerais para a Neste ponto é importante observar que a utilização de
Competência de Laboratórios de Ensaio e padrões calibrados não garante a eliminação de erros
Calibração). sistemáticos nem permite assegurar
objetivamente que o fornecedor tem
competência técnica para executar a calibração ou
para estimar as
incertezas de medição associadas.
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Calibração RBC com rastreabilidade à RBC


O laboratório compulsoriamente seleciona O prestador de serviços não se obriga
métodos adequados (normativos onde houver). necessariamente a seguir métodos.
Estes também são objeto da avaliação por parte Neste ponto é importante observar que a não
do Inmetro. utilização de métodos, ou então a utilização de
métodos parciais, ou não normativos onde houver
normatização, poderá transformar a evidência de
rastreabilidade em uma documentação
inválida.

O Inmetro avalia a Política da Qualidade, as boas O cliente avalia o prestador de serviços nas questões
práticas pro fissionais e a ética do laboratório, éticas e de boas práticas profissionais. Eventuais
para comprovar que seja mantida a confiança na falhas são tratadas no âmbito das relações
sua competência, imparcialidade, julgamento ou comerciais/ consumidor. O fornecedor pode colocar à
integridade operacional. disposição do cliente meios para formalizar suas
O laboratório se obriga a tratar das reclamações reclamações. Todavia seu efetivo tratamento
dos clientes conforme requisitos normativos. O dependerá dos códigos e valores que regem a prática
Inmetro disponibiliza ao cliente uma ferramenta profissional
de defesa: Ouvidoria do Inmetro do prestador de serviço.
(www.inmetro.gov.br).

(Colaboração do Sr. Vagner J. Dias Baião – Técnico em Calibração)

ANÁLISE DO CERTIFICADO
Tendo adequado o instrumento a ser utilizado nas inspeções a serem efetuadas e, para essa
adequação, além do custo benefício, não podemos negligenciar a facilidade e a precisão da leitura do
resultado pelo inspetor, ou seja estabelecer a resolução do instrumento, uma prática bastante utilizada
é considerarmos 1/10 da menor tolerância a ser inspecionada.

São necessários alguns cuidados na leitura do resultado apontado no certificado de calibração:


1) - Verificar se o laboratório que efetuou a calibração:
ou pertence à Rede Brasileira de Calibração ( RBC ),
ou utilizou padrões rastreáveis a padrões nacionais ou internacionais
ou um ou outro, os números dos certificados de calibração dos padrões utilizados devem ser
citados no certificado do seu instrumento.

Os certificados de calibrações dos padrões utilizados pelos laboratórios devem estar disponibilizados aos
clientes.

2) - O laboratório deve executar a pré-calibração, ou seja, calibrar o instrumento sem qualquer


interferência de ajuste, ou aferição, isso permite, à organização “...avaliar e registrar a validade
dos resultados de medições anteriores quando constatar que o equipamento não está conforme
com os requisitos...” e, daí tomar ações apropriadas.

3) - Atenção: a incerteza declarada deve ser a Incerteza Expandida (Ue ), ou seja :


Multiplicamos a Incerteza Combinada ( Uc ) pelo fator de confiabilidade ( k )
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4) - Verificar qual o nível de confiança considerado, isso para o caso do referido instrumento ser
utilizado como padrão para calibração interna.

Obs.: Caso determinado equipamento seja utilizado como padrão de referência é ideal que ele seja
mais preciso que os mensurandos

Exemplos: Na verificação de trenas, utilizando uma trégua de aço e uma lupa graduada.

a) Incerteza de Medição ( IM ), da régua de aço e da lupa graduada, usadas como padrões para
verificação de trenas.

b) Incerteza de Medição do termômetro padrão a ser utilizado como referência para verificação
dos demais termômetros utilizados na organização.

5) - Definir uma Incerteza Máxima Admissível – (IMA)


A norma NBR ISO 10012* versão 1999, fornecia como informação, para definição da Incerteza Máxima
Admissível ( IMA ) utilizar de 1/3 à 1/10 da menor tolerância ( IT ) de fabricação onde o instrumento
fosse utilizado.

Exemplo. A dimensão ( 10,0mm ) de uma dada característica de uma peça tem como tolerância ± 0,1
Cálculo:

OU

Interpretação:

a) No caso de 1/3  O inspetor tem autonomia para aprovar as peças cujas dimensões estejam
dentro do intervalo 9,97mm a 10,03mm;

b) No caso de 1/10  9,92mm a 10,08mm

*A versão atual da ISO 10012, não coloca mais esta observação, contudo esse método ainda pode ser
utilizado.. Entre os outros métodos para definição do IMA, temos:
Normas de fabricação;
normas de calibração dos equipamentos;
manual do fabricante;
conhecimento técnico;
( não esquecer que a viabilidade do método utilizado deve ser comprovado através de documentos )
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6) - Além disso, não podemos negligenciar o erro sistêmico da calibração, voltemos ao exemplo anterior
e, suponhamos que o erro sistêmico no ponto 10,0mm seja de + 0,01mm, logo:

a) No caso de 1/3  O inspetor tem autonomia para aprovar as peças cujas dimensões estejam
dentro do intervalo 9,98mm a 10,04mm;

b) No caso de 1/10  9,93mm a 10,09mm

NOTA: No caso de grandezas dimensionais, a menor resolução, para instrumentos ( padrão de trabalho)
é milesimal ( 10-3mm), nesses casos o responsável pela qualidade deve analisar qual o melhor
denominador a ser adotado, tomando as devidas precauções.

VVC
EXATIDÃO ou
ERRO SISTÊMICO RESULTADO DA CALIBRAÇÃO
+ 1,0mm
( E ) - ERRO SISTÊMICO = + 1,0mm
( IM ) - INCERTEZA DE MEDIÇÃO = ±1,0mm

INTERPRETAÇÃO:
Resultado da medição = 10,0mm
Como há um erro sistêmico de +1,0mm
Então a medida é 9,0mm
- 1,0mm + 1,0mm

Como há ainda a IM de ± 1,0mm


PRECISÃO ou
INCERTEZA DE MEDIÇÃO Então a dimensão da característica ,com 95%
de confiabilidade , está entre
8,0mm e 10,0mm

7) – Análise do resultado da calibração

Fazemos a soma quadrática, como acima ( E + IM ), pois o erro ( desvio ) não se altera pra
mais ou pra menos, contrário da IM que é mais ou menos, ou seja, na hora da medição, não
temos o conhecimento de como essa incerteza se manifesta.

Contudo fazemos, a favor da qualidade, a soma em valores absolutos ( E + IM ), se o


resultado estiver abaixo ou igual ao valor da IMA, considera-se o equipamento aprovado, caso
contrário rejeitamos o aparelho para aquela tolerância de processo.
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Qual o intervalo de calibração de um instrumento de medição?

Para determinar o intervalo de calibração, o usuário deve:

- Verificar se existe alguma recomendação do fabricante do instrumento;


- Verificar se existe alguma recomendação específica nos documentos orientativos do Inmetro;
- Conhecer as exigências legais e/ou as normas aplicáveis;
- Basear-se na experiência de outros usuários e/ou laboratórios de calibração;
- Basear-se no histórico do instrumento;
- Criticidade da característica medida;

Um dos métodos para definição dos intervalos de calibração é o


MÉTODO DE SCHUMACHER

MÉTODO DE SCHUMACHER
Os instrumentos são classificados conforme o resultado das calibrações anteriores e a atual, e podem ser
classificadas como:

F = Indica que o aparelho estava funcionando, só que fora da tolerância;


A = A existência de uma avaria impedia o funcionamento normal do instrumento;
C = O instrumento estava operando dentro das tolerâncias;

CICLOS
A F C
ANTERIORES
CCC P D E
FCC P D E
ACC P D E
CF M M P
CA M M P
FC P M P
FF M M P
FA M M P
AC P D P
AF M M P
AA M M P
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Com base nos resultados de,pelo menos duas, calibrações anteriores e na condição atual, podemos tomar uma
das seguintes decisões:

D = O intervalo deve diminuir;


E = O intervalo pode aumentar;
M = A redução é a máxima possível.
P = O intervalo deve permanecer constante;
INTERVALO ATUAL
M* D E
( dias )
Máxima Redução: Reduzir para: Aumentar para:
35 28 28 49
70 42 63 91
105 63 98 126
140 91 126 168
175 112 161 203
210 140 189 245
245 163 224 280
280 175 252 315
315 182 287 343
350 189 315 364
* Não convém reduzir o ciclo à menos de 28 dias, nesse caso é recomendado considerar o instrumento
fora de uso, para essa finalidade específica, no entanto o mesmo poderá estar conforme para uma outra
situação onde, a tolerância do produto ou desvio padrão do processo sejam compatíveis com os desvios
encontrados no instrumento.
Exemplo:

1)- O instrumento vem sendo calibrado numa periodicidade de 175 dias


CICLO SITUAÇÃO Pela 1ª tabela
MUDANÇA DE INTERVALO
ANTERIOR ATUAL temos
C C C E O intervalo pode passar para: 203 dias

2)- O instrumento vem sendo calibrado numa periodicidade de 365 dias


CICLO SITUAÇÃO Pela 1ª tabela
MUDANÇA DE INTERVALO
ANTERIOR ATUAL temos
C C F D O intervalo deve passar para: 315 dias

2)- O instrumento vem sendo calibrado numa periodicidade de 280 dias


CICLO SITUAÇÃO Pela 1ª tabela
MUDANÇA DE INTERVALO
ANTERIOR ATUAL temos
F C F M O intervalo deve passar para: 175 dias
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De qualquer forma e, independente do período entre calibrações é interessante fazermos verificações


intermediárias para o controle do desvio do instrumento.
Para essas verificações podemos utilizar um padrão que, por sua vez também pode ser calibrado, ou
então definimos um padrão de referência interno ( pode ser uma peça ou um bloco, etc.), lógico com a
dimensão conhecida e, por exemplo, numa freqüência anual de calibração de um determinado
instrumento, fazemos as intermediárias trimestralmente.
Essa prática permite antecipar a constatação de um problema com o instrumento e, aí definir as ações
apropriadas, do que aguardar a próxima calibração, que pode não estar tão próxima.

EXEMPLOS DE CALIBRAÇÃO:
(Colaboração do Sr. Vagner J. Dias Baião – Técnico em Calibração)

Seguem-se 03 exemplos de calibração de 03 micrômetros analógico, com capacidade 0 – 25mm, na faixa de


10,0mm e, com resoluções 0,1mm, 0,01mm e, 0,0001mm respectivamente.

Os micrômetros (mensurandos) foram aclimatizados por 24 horas, portanto não há influência da incerteza sobre a
diferença entre a temperatura do mensurando e a do padrão.

Nos três casos as leituras foram:

Resolução do Média das Erro Desvio


Valor do bloco Leitura Leitura Leitura
Mensurando leituras padrâo
(VVC) (L1) (L2) (L3)
( VVC – Média)

0,1 10,0 10,0 10,0 10,0 - 0,00005 0

0,01 10,00005 10,05 10,05 10,00 10,033 + 0,033 0,02357

0,001 10,001 10,002 10,002 10,0016 + 0,00155 0,00047

Linha de Cálculo:

a) Cálculo da incerteza padrão do tipo A: (UA);


Com resolução 0,1mm  UA = 0
Com resolução 0,01mm  UA = 0,02357mm
Com resolução 0,001mm  UA = 0,00047mm

b) Cálculo das incertezas padrões do tipo B:


- UB1 - Incerteza do Padrão;
(incerteza fornecida no certificado de calibração dividido pelo valor de k mencionado no mesmo
certificado).
IM ± 0,00008mm e
k=2
Para os três casos 
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- UB2 - Resolução

Com resolução 0,1mm 

Com resolução 0,01mm 

Com resolução 0,001mm 

- UB3 - Temperatura 20ºC ± 0,5°C.

Coeficiente de sensibilidade:
( Coeficiente de dilatação térmica do aço = 12x10-6 ºC-1)

Logo:
0,29 ºC x 12x10-6 = 3,3x10-6

Para os três casos 

0,0000033 x 10,00005 = 3,5x10-5

c) Cálculo da incerteza padrão combinada: 

Antes de calcular UC , vamos calcular o somatório da incerteza tipo “B” (UB)

Com resolução 0,1mm 

Com resolução 0,01mm 

Com resolução 0,001mm 


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 Agora sim, calcular a Incerteza Combinada UC 

Com resolução 0,1mm 

Com resolução 0,01mm 

Com resolução 0,001mm 

d) Cálculo do grau de liberdade efetivo: (UC)4 / Σ (Ui)4 / νi 


Com resolução 0,1mm 

Com resolução 0,01mm 

Com resolução 0,001mm 

e) Encontrar o fator de abrangência k, para 95% de confiabilidade.


Com resolução 0,1mm  0 2

Nos casos de UA = 0  Consideramos k=2

Com resolução 0,01mm  2,18  na tabela “t de Student” = 4,10

Com resolução 0,001mm  6,25  na tabela “t de Student” = 2,44


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f) Cálculo da incerteza expandida: UE = UC x k95

Com resolução 0,1mm 

Com resolução 0,01mm 

Com resolução 0,001mm 

RESUMO:
Com resolução 0,1mm

Coeficiente de Grau de
Grandeza cálculo Incerteza Distribuição Incerteza
Sensibilidade Liberdade

UA 0 0 normal 1 0 2

UB1 0 0,00008/2mm normal 1 0,00004mm ∞

UB2 0 0,1/√3 retangular 1 0,0024mm ∞

UB3 0 0,29 retangular 11,5x10-6 0,000033mm ∞

UC 0,0082mm

K= 2 UE 0,016mm

Com resolução 0,01mm

Coeficiente de Grau de
Grandeza cálculo Incerteza Distribuição Incerteza
Sensibilidade Liberdade

UA 0,02357mm 0,02357/2mm normal 1 0,01178mm 2

UB1 0 0,00008/2mm normal 1 0,00004mm ∞

UB2 0 0,1/√3 retangular 1 0,0082mm ∞

UB3 0 0,29 retangular 11,5x10-6 0,0000033 ∞

UC 0,024mm

K= 4,10 UE 0,0984mm
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Com resolução 0,001mm


Coeficiente de Grau de
Grandeza cálculo Incerteza Distribuição Incerteza
Sensibilidade Liberdade

UA 0,00047mm 0,00047/2mm normal 1 0,000235 2

UB1 0 0,00008/2mm normal 1 0,00004mm ∞

UB2 0 0,1/√3 retangular 1 0,00041mm ∞

UB3 0 0,29 retangular 11,5x10-6 0,0000033 ∞

UC 0,000625mm

K= 2,44 UE 0,0015mm

g) Aprovar ou reprovar em acordo com o limite de erro:


Suponhamos que a característica a ser medida tem a dimensão de 10,0 ±0,1mm
Segundo a 10012 podemos adotar como sugestão de 1/3 a 1/10 do campo de tolerância, logo
podemos ter como Incerteza Máxima Admissível ( IMA)= 0,07 ou 0,02mm.
Contudo é preciso analisar as liberações das peças produzidas no período entre calibrações para se
saber a qualidade das peças enviadas ao cliente. Adotando, como exemplo, IT/10 = ±0,02, então
teremos:

Com resolução 0,1mm  INTERPRETAÇÃO: Validação: ± 0,0164 < ± 0,02  APROVADO


Consideração final com 95% de confiabilidade, na inspeção
E IM
da medida nominal (10,0mm)
- 0,00005 ± 0,0164 9,98365mm / 10,01645mm
Na prática significa que o operador pode aprovar com os seguintes resultados possíveis:
NA MÍNIMA: Quando no instrumento a leitura for igual a 9,9mm, na realidade a leitura
deve ser de 9,9005 pois há um erro sistêmico de -0,00005mm
Há também a incerteza de medição, que no caso é de ± 0,0164, desta forma quando a leitura,
no instrumento, for igual a 9,9 teremos com 95% de confiabilidade que a peça pode estar
entre as dimensões 9,91645 e 9,88365.
Desta forma, o correto é informar o inspetor qual a dimensão mínima para aprovação da
peça, quando estiver utilizando este micrômetro.
Explicação:
O inspetor Temos o erro sistêmico (-), então temos Devemos considerar a incerteza, que pode
Resultado
mediu que subtrair ao indicado ser a menos
9,91645 - 0,00005 - 0,0164 9,9mm
m.a.perissinotto – CALIBRAÇÃO - 20

NA MÁXIMA: Quando no instrumento a leitura for igual a 10,1mm, na realidade a leitura


deve ser de 10,10005mm pois há um erro sistêmico de -0,00005mm
Há também a incerteza de medição, que no caso é de ± 0,0164mm, desta forma quando a
leitura, no instrumento, for = 10,1mm teremos com 95% de confiabilidade que a peça pode
estar entre as dimensões 10,08365mm e 10,11645mm.
Desta forma, o correto é informar o inspetor qual a dimensão mínima para aprovação da
peça, quando estiver utilizando este micrômetro.
Explicação:
O inspetor Temos o erro sistêmico (-), então temos Devemos considerar a incerteza, que pode
Resultado
mediu que somar ao indicado ser a mais
10,08365 + 0,00005 + 0,0164 10,1mm

Com resolução 0,01mm  INTERPRETAÇÃO: Validação: ± 0,098 > ± 0,02  REPROVADO


Consideração final com 95% de confiabilidade, na inspeção
E IM
da medida nominal (10,0mm)
+0,033 ± 0,098 9,869mm - 10,065mm

Na prática significa que o operador pode aprovar com os seguintes resultados possíveis:
NA MÍNIMA:
Quando no instrumento a leitura for igual a 9,9mm, na realidade a leitura deve ser de
9,867mm pois há um erro sistêmico de +0,033mm
Há também a incerteza de medição, que no caso é de ± 0,098mm, desta forma quando a
leitura, no instrumento, for igual a 9,9mm teremos com 95% de confiabilidade que a peça
pode estar entre as dimensões 9,769mm e 9,965mm.
Como temos uma Distribuição Normal, probabilisticamente podemos ter 95% de chance da
peça estar rejeitada devido à incerteza de medição.
Desta forma, o correto é informar o inspetor, qual a dimensão mínima para aprovação da
peça, quando estiver utilizando este micrômetro.
Explicação:
O inspetor Temos o erro sistêmico (-), então temos Devemos considerar a incerteza, que pode
Resultado
mediu que subtrair ao indicado ser a menos
10,031 - 0.033 - 0,098 9,90mm
m.a.perissinotto – CALIBRAÇÃO - 21

NA MÁXIMA:
Quando no instrumento a leitura for igual a 10,1mm, na realidade a leitura deve ser de
10,067mm pois há um erro sistêmico de +0,033mm.
Há também a incerteza de medição, que no caso é de ± 0,098mm, desta forma quando a
leitura, no instrumento, for igual a 10,1 teremos com 95% de confiabilidade que a peça
pode estar entre as dimensões 9,969mm e 10,165mm.
Como temos uma Distribuição Normal, probabilisticamente podemos ter 95% de chance da
peça estar rejeitada devido à incerteza de medição.
Desta forma, o correto é informar o inspetor qual a dimensão mínima para aprovação da
peça, quando estiver utilizando este micrômetro.
Explicação:
O inspetor Temos o erro sistêmico (-), então Devemos considerar a incerteza, que
Resultado
mediu temos que subtrair ao indicado pode ser a mais
10,035 - 0,033 + 0,098 10,10mm

Com resolução 0,001mm  INTERPRETAÇÃO: Validação: ± 0,0015 < ± 0,02  APROVADO


Consideração final com 95% de confiabilidade, na inspeção
E IM
da medida nominal ( 10,0mm)
+0,00155 ± 0,0015 9,99695mm - 9,99995mm

Na prática significa que o operador pode aprovar com os seguintes resultados possíveis:
NA MÍNIMA:
Quando no instrumento a leitura for igual a 9,9mm, na realidade a leitura deve ser de
9,89845mm pois há um erro sistêmico de +0,00155mm
Há também a incerteza de medição, que no caso é de ± 0,0015mm, desta forma quando a
leitura, no instrumento, for igual a 9,9mm teremos com 95% de confiabilidade que a peça
pode estar entre as dimensões 9,89695mm e 9,89995mm.
Como temos uma Distribuição Normal, probabilisticamente podemos ter 95% de chance da
peça estar rejeitada devido à incerteza de medição.
Desta forma, o correto é informar o inspetor qual a dimensão mínima para aprovação da
peça, quando estiver utilizando este micrômetro.
Explicação:
O inspetor Temos o erro sistêmico (-), então Devemos considerar a incerteza, que
Resultado
mediu temos que subtrair ao indicado pode ser a menos
9,90305 - 0,00155 - 0,0015 9,900mm
m.a.perissinotto – CALIBRAÇÃO - 22

NA MÁXIMA:
Quando no instrumento a leitura for igual a 10,1mm, na realidade a leitura deve ser de
10,067mm pois há um erro sistêmico de +0,033mm.
Há também a incerteza de medição, que no caso é de ± 0,098mm, desta forma quando a
leitura, no instrumento, for igual a 10,1 teremos com 95% de confiabilidade que a peça
pode estar entre as dimensões 9,969mm e 10,165mm.
Como temos uma Distribuição Normal, probabilisticamente podemos ter 95% de chance da
peça estar rejeitada devido à incerteza de medição.
Desta forma, o correto é informar o inspetor qual a dimensão mínima para aprovação da
peça, quando estiver utilizando este micrômetro.
Explicação:
O inspetor Temos o erro sistêmico (-), então Devemos considerar a incerteza, que
Resultado
mediu temos que subtrair ao indicado pode ser a mais
10,10005 - 0,00155 + 0,0015 10,100mm

LEMBRETES:

TABELA COM OUTRAS NOMENCLATURAS UTILIZADAS, SÍMBOLOS E RESPECTIVOS VALORES.

SUBMÚLTIPLOS MÚLTIPLOS
valor prefixo símbolo valor prefixo símbolo
10-24 yocto y 101 deca da
10-21 zepto z 102 hecto h
-18 3
10 ato a 10 quilo k
-15 6
10 fento f 10 mega M
-12 9
10 pico p 10 giga G
-10 12
10 Ängstron Å 10 tera T
-9 15
10 nano n 10 pita P
µ
-6 18
10 micro 10 exa E
-3 21
10 mili m 10 zetta Z
-2 24
10 centi c 10 yotta Y
-1
10 deci d
m.a.perissinotto – CALIBRAÇÃO - 23

REGRAS DO SOMATÓRIO

1ª ΣAX = AΣX
2ª ΣΑ = NA
3ª (Σ X)n ≠ Σ xn ; se xi positivo então (Σ X)n > Σ xn
4ª Σ xΣy ≠ Σ xy ; se xi e yi positivos então Σ x Σ y > Σ xy
5ª Σ (x+y) = Σ x + Σ y