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Mintz e Price - O Nascimento da cultura afro-americana capitulo I, IV, V

Capitulo I- O modelo do encontro

Os autores nesse capitulo vão criticar os modelos anteriores ara nos próximos
apresentarem seu modelo. A primeira crítica seria que nos modelos anteriores
existiriam basicamente duas culturas, a africana e a europeia. Isto é errado
porque existem diversas culturas africanas  e era improvável que toda uma
tribo fosse trazida junto e colocadas no mesmo local para continuar sua cultura
como era antes.

Outra crítica seria aos estudiosos que buscam continuidades musicais, nas
artes e faculdades motoras. Simpson vai dizer que os princípios filosóficos e
psicológicos vão sobreviver em um sistema aculturador  e traz o exemplo dos
negros dos EUA.

Também vão questionar a metodologia do Herkovits que classifica de maneira


geográfica e cultural tanto as culturas africanas e as áreas que ela influenciou
na América que teriam uma "herança cultural".

Para eles a "cultura" é intimamente ligada as formas institucionais que a


articula. E como eram heterogêneas as comunidades afro-americanas só
usariam uma provável herança africana como base das criações culturais.

Outra maneira que era usada para lidar com a heterogeneidade étnica dos
escravizados seria ligar uma cultura afro local a determinada etnia que seria
maioria e teria influenciado mais a cultura afro. Mas esse modelo pode traz o
problema de buscar uma continuidade histórica de certa etnia e a comparação
de Estados nações atuais. Estudos mais recentes mostram que a maioria
étnica que era atribuída a continuidade cultural não era a maioria em
determinados locais.

O último problema do modelo de uma única cultura africana é o de acreditar


que grupos de escravizados estavam determinados a continuar sua cultura, isto
não ocorreu pois eram grupos heterogêneos e fora do contexto social de sua
terra natal, por exemplo o sacerdote estava ali mas sem o sistema sacerdotal
que o completa, príncipes e princesas mas sem a corte e o status.

O que poderiam fazer era usar cultural a experiência de todos e criar algo novo
que encaixe no seu contexto. Os africanos no Novo Mundo tiveram que criar
instituições que os representava e não chegaram com um modelo pronto da
sua terra natal. Para estudar as culturas afro-americana tem que levar em
conta o contexto histórico e sócio-culturais em que elas surgiram e se
desenvolveram durante os séculos.

CAPÍTULO 4 - Primórdios das sociedades e culturas afro-americanas

Neste capítulo os autores vão colocar como eles procuram interpretar o


surgimento das culturas afro-americanas de acordo com suas próprias
metodologias.
O começo das culturas afro-americanas seria nas interações e situações que
os diferentes indivíduos de várias etnias tiveram nos navios negreiros,
senzalas. Nesse contexto vão surgir alianças e posteriormente as culturas afro-
americanas.

Exemplo disso é o termo companheiro de bordo, onde pessoas transportadas


juntas nos navios se tornavam amigas e até passavam a ter laços familiares
que substituiriam os laços de sangue perdidos.  No Suriname esse termo foi
expandido para pessoas que eram de uma mesma plantation ou que passam
por um mesmo trauma em períodos próximos.

Já na discussão sobre as religiões os autores citam que na África ocidental e


central as religiões eram permeáveis a influência externas e com conceitos
parecidos como: papel ativo dos mortos, adivinhações etc. Isso permitiu a
mistura e trocas de elementos para criar novas religiões na América. Assim
uma pessoa que tivesse um conhecimento ritual único na região, usaria ele
exclusivamente e passaria esse modelo para frente, fazendo com que se torne
a maneira comum de lidar com aquele fato em determinado local. Isto
explicaria porque certos locais terem mais influências de símbolos de certas
etnias mesmo a maioria dos escravizados sendo outras etnias.

Apesar da falta de dados sobre a criação rápida de uma cultura afro-americana


o exemplo da língua crioula do Suriname criada nas primeiras décadas da
escravização no local e o sistema religioso dos Saramacas que foram para a
floresta no século XVII e XVIII ser semelhante aos dos crioulos, nos mostra que
os primeiros escravizados e seus descendentes se organizaram e criaram  uma
cultura afro-americana bem cedo. Mas não podemos generalizar e achar que
os escravizados que chegaram depois não influenciaram e transformaram as
culturas afro-americanas

O que teria acontecido em um contexto que tirava a individualidade e levava as


condições de vida ao extremo, os escravizados criavam maneiras de se
individualizar nesses novos costumes criados no seu novo contexto, assim com
a base cultural construída pelos primeiros escravizados  e iam transformando
essa cultura com a chegada dos novos escravizados vindo dos mais diferentes
locais.

CAPÍTULO 5- O que foi mantido sobreviveu

Como foram criadas em diferentes contextos para estudar as culturas afro-


americanas tem que analisar seus sistemas e padrões nos seu contextos
sociais e não procurar elementos isolados e a partir deles recriar uma
continuidade africana.

Mesmo que semelhanças nas Américas e África não significa que exista uma
continuidade, mas sim que "são produtos ou um desenvolvimento e inovação
independentes dentro de um conjunto historicamente correlatos e superpostos
de ideias estéticas gerais" pag 78
Para entender como surge os modelos afro-americanos temos que focar nos
seus contextos sociais próprios e como as mudanças com o tempo podem
realçar certos valores considerados mais africanos que nem sempre tiveram
tanto destaque no contexto afro-americano

Mas também a chegada de "especialistas" criaram continuações pouco


modificadas de rituais que eram praticados na África, o exemplo usado é o de
Trindad e Tobago onde conseguiram criar uma continuidade daomeana porque
iniciados da religião estavam no local, esses grupos assim como na Congada
dão nomes de Santos Católicos aos seus deuses ou entidades, vemos aqui um
exemplo da abertura do sistema religioso tem para aceitar e transformar novos
símbolos.

Já no exemplo cubano vemos uma continuidade pouco transformada, pois as


últimas grandes levas de escravizados vieram de um só local e influenciada
diretamente a criação da religiosa afro-cubana que é parecida com a da Nigéria
atual.  

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