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P.

RAPIN
JQ~TAN SÓCRATES
N~UBER EST TAM MAlUS
UT ~'ALI~ PAOSIT
. ,r'. ~ .... ··- . "::·

Mariua··ao
Frio
FÓRMULAS TÉCNICAS
REFRIGERAÇÃO E AR-CONDICIONADO

o
~
Tradução:
Luzia Delgado Mendonça
Manuel Simões de Almeida

Revisão:
Norberto de Paula Lima
Raquelina V. M. Santos

Composição e Arte:
Real Produções Gráficas Ltda.

Capa:
Sérgio Ng

Título original:
FORMULAIRE OU FROID
© Copyright by Bordas/Dunod
© Copyright by Hemus Editora Ltda.
Mediante contrato firmado com
Editions Technique & Vulgarisation

Todos os direitos adquiridos para a lfngua portuguesa


e reservada a propriedade literária desta publicação pela

o

hemus editora limitada
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fone 2799911 pobx relex (011) 32005 edil br
endereco telegrafico hetec sóo paulo sp brasil

Impresso no Brasil/Printed in Brazil


PREFÁCIO
 B'JEDIÇÃO

Eis a nova edição do Formulário do Frio, a 8'J em aproximada-


mente trinta anos.
Isto explica, de uma maneira fácil, concreta, e objetiva, o sucesso
desta obra.
Este sucesso naõ é fortuito. Ele se deve d convergência de uma
necessidade, aquela dos técnicos do frio, e de uma competência, a de
M. RAPIN.
Com efeito, esta obra trata, convenientemente, de tudo aquilo
que o técnico do frio tem o direito de esperar de um tal formulário:
o apanhado das informações principais: definições, leis, valo·
res fundamentais, caracterfsticas diversas, unidades (as S.I. e
as outras), classificações, método!; fórmulas correntes, esque-
mas clássicos de instalações. . . I!; um pouco a memória do
homem do offcio, do trabalhador prático especializado, ou
do responsdvel por um serviço ou por uma obra;
o ponto de evolução dos conhecimentos nos domfnios cientí-
fico e tecnológico. .•
Esta síntese do "permanente" e do "novo" é assegurada por M.
Rapin com mestria porque, se por um lado ele está ligado ao rigor
dos conhecimentos indispensdveis e constantes, por outro, está tam-
bém atento ds evoluções, aos processos e aos aperfeiçoamentos.
É bom, nesta época de curioiidades, em que tudo parece estar
sempre sob questão, em que alguns querem, em cada minuto, inven-
tar novamente o mundo, reconstruir a sociedade, poder. evidenciar
aqui que qualquer evolução, qualquer progresso, se apóia sobre a
mestria da experiência, se constrói graças aos conhecimentos cientí-
ficos e tecnológicos e não a par ou contra eles.
Rigor de raciocínio e de pensamento me parecem, mais do que
nunca, necessdrios. A obra de M. Rapin testemunha este rigor. É o
rigor do técnico confirmado; mas também do professor responsável
pela formação dos técnicos superiores franceses dos anos 80.
· Estou convencido de que esta nova edição será uma ótima "femz-
menta" nas maõs dos alunos e dos profissionais do frio.
Roger PHILIPPE
Inspetor Geral da Educação
Nacional
"Para cada trabalho reveja vinte vezes a sua obra.
Aperfeiçoe-a continuamente, retoque-a, introduza
alguns detalhes, e reveja-a freqüentemente. "
BOILEAU

PR ÔLOGO
À8!1EDIÇÃO

1948: Primeira edição do Fonnulário do Frio.


Conheci nesse mesmo ano R. Martel, que era admitido como
Engenheiro frigorista ao serviço de "Fabrications" da sociedade
onde eu próprio já era Engenheiro ao serviço de "lnstallations".
A nossa vida profissional levava a que nos reun{ssemos; muitas
vezes nossas conversas se baseavam no "Fonnulário" e ele me expôs
a linha de conduta que tinha programado, e a finalidade que preten-
dia ao redigir esta obra: "orientar e ajudar".
Nessa altura, eu não tinha dúvida de que eu seria levado, devido
a seu estado de saúde, a participar da redação e da realização da
quinta edição desta obra - onde os nossos dois nomes figuravam
como co-autores - nem que vinte anos depois de nosso primeiro
encontro eu estaria sozinho, seu nome sendo eliminado da sexta
edição e das seguintes.
Esta oitava edição, respeitando totalmente a linha de conduta a
que nos tínhamos obrigado, nada mais é que uma edição de transi-
ção quanto a vários pontos da obra.
Em primeiro lugar, eu poderia ter rompido totalmente com o
passado e utilizar unicamente as unidades S.I. Nosso temperamento
latino acomoda-se mal a mudanças feitas em nossos hábitos; por-
tanto, pensei que seria necessário introduzir progressivamente as
unidades legais e estas, tanto mais que atualmente os documentos
utilizados nas escolas para os cálculos dos projetos indicam - ainda
na sua quase-totalidade - os valores numéricos em quilocalorias.
Por isso, no capítulo consagrado às câmaras frias, as informações
relativas à refrigeração dos gêneros foram mantidas nesta unidade.
Contrariamente, as potências frigoríficas das máquinas, as produções
específicas dos fluidos refrigerantes, bem como os coeficientes de
transmissão de calor são expressos em unidades S.I. com sua corres-
pondência em quilocalorias.
Finalmente, certos dispositivos de automatismo figuram ainda no
fonnulário apesar de sua comercialização ter cessado, mas isso se
deve ao fato de ainda haver dispositivos desses funcionando em ins-
talações frigoríficas, considerando, portanto, necessário mantê-los.
Desejo que esta oitava edição tome possível a todos os que a
utilizarem a execução dos serviços para os quais a ela recorrem.
Chegará o dia em que meu nome desaparecerá desta obra.
Até esse momento eu pretendo, aperfeiçoando sem cessar este
fonnulário, e fazendo dele um fiel reflexo da evolução das técni-
cas frigoríficas e da climatização, perseverar na linha e no espírito
de MARTEL, "Orientar e ajudar", de modo a que a perenidade
desta obra seja assegurada, seja qual for o nome que um dia venha
a encabeçá-la.

P.-J. RAPIN
SUMÁRIO

Capítulo 1 - Generalidades 11
Capitulo li - Meios de produção de frio 31
Capítulo Ili - Os fluidos refrigerantes 39
Capítulo IV - Os compressores . . . . • . • . • . • . • • . 61
Capítulo V - Os motocompressores herméticos
e herméticos acessíveis . . . • . . 75
Capítulo VI - Os condensadores . • . . . . . . • • . . . • 89
Capítulo VII - Evaporadores . • . • . . . • • . . . . . . . . 97
Capítulo VIII - Dispositivos anexos do circuito 117
Capítulo IX - Tubulações e válvulas . . . . . . . • . . . 131
Capítulo X - Dispositivos principais de automatismo 137
Capítulo XI - Dispositivos secundários de automatismo. 171
Capítulo XII - Os isolantes . . . . . • . . . 187
Capítulo XIII - Câmaras frias e climatização 191
Capítulo XIV - Refrigeração dos líquidos 229
Capítulo XV - Panificação - Pastelaria 251
Capitulo XVI - Móveis frigoríficos abertos • . . . • • . . 269
Capítulo XVII - Veículos de transporte de gêneros
facilmente perecíveis . . . • . . • . . 275
Capítulo XVIII - Máquinas de absorção - Refrigeração
termelétrica . . . . . . • . . . . . . . . 291
Capítulo XIX - Fabricação das geladeiras domésticas 307
Capítulo XX - Os materiais plásticos na indústria
frigorífica • . • • . . . . . . . . . . . • 317
Capítulo XXI - Aparelhagens elétricas 321
Capítulo XXII - Montagem e conserto . • . . . . . 353
Capítulo XXlll - O montador-reparado,. na oficina 389
Capítulo XXIV - Medição das características de uma
instalação frigorífica . . . . . . •. . 407
Capítulo XXV - Esquemas fluídicos e esquemas elétricos 417

7
Manual do
Rio
CAPÍTULO 1

GENERALIDADES
O calor
O calor é uma forma de energia. i: a sensação percebida pelos
nossos órgãos dos sentidos quando, por exemplo, nos colocamps à
frente de uma lareira acesa ou de um corpo incandescente. A vida
terrestre depende de uma das principais fontes de calor: o sol. O
calor se manifesta igualmente quando uma corrente elétrica passa
através de uma resistência, durante a compress§o brusca de um gás,
na presença de certas reações químicas, etc.
O frio
i: a sensação sentida
na ausência, na perda ou
na diminuição do calor.
Em termos de compara-
ção, o frio está para o
calor como a penumbra
está para a luz. Frio e
penumbra são termos ne-
gativos. Indicam sim-

1' \\ :~/ ,r) ;


plesmente a ausência ou a
diminuição, seja do calor, 25ºC 2~·ºC
seja da luz.
A temperatura
i: o "nível" a que
se encontra o calor (ener-
gia calorífica) em um
1" ~!~ / t
corpo. Caracteriza a ação ==C> ~~~~~~ <C=
mais ou menos enérgica
do calor sobre os nossos
sentidos. i: a temperatura
que nos permite afirmar
que um corpo está mais
ou menos quente que
outro.
==C>
Radiação· --
Condução ·
'-
Convecção

Fig. 1. - Transmissão de calor aua:vés


Troca de calor das paredes de uma geladeira.
Quando dois corpos
Associação dos três modos
de transmissão.
estão em presença.um do
11
outro, o calor flui sempre do corpo mais quente para o mais frio, e a
troca do calor só péra quando os dois estão à mesma temperatura.
Exemplo:
Corpo frio: o evaporador de um sistema frigorífico.
Corpo quente: os alimentos colocados no interior de uma gela-
deira.
Os alimentos (corpos quentes) cedem uma parte do seu calor ao
evaporador (corpo frio); diminuindo o seu calo~. a seu temperatura
diminui.
Transmissão do calor
O calor pode ser transmitido de um corpo para outro de três
modos diferentes (Fig. 1 ).

Fig. 2. - Exemplo evidente da transmissão do calor por radiação.


14? Por condução - A transmissão de calor por condução ocorre
em um único e mesmo corpo quando as suas partes apresentam tem-
peraturas diferentes, ou de um corpo para outro se, tendo estes dois
corpos temperaturas diferentes, estiverem em contato.
Exemplos: aquecimento de uma haste metélica por meio de uma
braseira, ou aquecimento de um recipiente colocado sobre o consolo
de um aquecedor elétrico.
Hé corpos bons condutores de calor, por exemplo cobre, prata,
alumínio, etc., e corpos maus condutores de calor (ou calorífugos)
tais como a madeira, cortiça, poliestirenos, papelâ"o, etc.
29 Por radiação (Fig. 2) - Os raios caloríficos se propagam em
linha reta no espaço e, emitidos por um corpo com temperatura
elevada, sâ"o absorvidos parcialmente pelos corpos mais frios que for-
mam uma tela à sua propagação, a parte não absorvida sendo refleti-
da de uma maneira idêntica à reflexão dos raios luminosos por um
espelho.

12
. Exemplo: a radiaçio solar.
39 Por convecção - Este modo de transmissâ'o é característico
dos llquidos e dos gases. O meio Ilíquido ou gás) entra em movi-
mento por diferença de densidade, as zonas quentes sendo mais leves
e transportando o calor.
Exemplo: um radiador aquece uma sala por convecçio, o ar ser-
vindo de w(culo ao calor. Um evaporador esfria uma cdmara frigo-
rífica de modo ldintico.
Registro da temperatura
A temperatura caracteriza o nível no qual se encontra o calor em
um corpo.
Para registrar a temperatura, escolheu-se a dilataçfo do mercúrio,
do álcool ou do tolueno, servindo estes elementos para a fabricaçio
de termõmetros.
Utilizam-se igualmente as variaç&ts de tensão de vapor de certos
fluidos, assim como os fenômenos termel6tricos. Para a graduaçio
de termõinetros foram escolhidas duas marcas. Elas correspondem a
duas temperaturas constantes, ãs quais se produzem dois fenõmenos
físicos:
- a fusão do gelo de água destilada
- a ebuliçio da água destilada
Os dois fenõmenos devem ocorrer à pressfo atmosférica normal.
Estes dois fenômenos sio chamados pontos fixos da escala termo-
mêtriCL ·
Sfo utilizadas duas escalas termométricas:
Escala CelsiUL O ponto O ªC é definido pela temperatura do gelo
fundente, e o ponto 100 ªC pela temperatura do vapor de água em
ebuliçfo, sob pressão atmosférica normal.
Escala Fahrenheit. Tendo o zero da escala sido fixado arbitra-
riamente por Fahrenheit, segue-se que o ponto O ªC corresponde ao
ponto 32 ªF e, tendo o intervalo O - 100 sido dividido em 180 par-
tes iguais, o ponto 100 ªC corresponde a 212 ªF. ·
A escala Fahrenheit é ainda utilizada nos países anglo-sax6es,
mas a escala Celsius já é utilizada na Grf-Bretanha para a informaçfo
de temperaturas oficiais (dados meteorol6gicos).
A escala Celsius é de uso generalizado nos países que adotaram o
sistema métrico.
A conversão das temperaturas da escala Celsius para a Fa-
hrenheit, e vice-versa, se faz com o auxílio das fórmulas abaixo in-
dicadas: eoF = 1.a eoc + 32
O•C = !.li (OOF-32)
13
Em refrigeração são utilizados outros termômetros além do de
mercúrio - não utilizável em temperaturas muito baixas porque o
mercúrio solidifica-se a - 39 ºC. Citemos, entre outros:
O term&metro a ãlcool, que permite registrar temperaturas até
-80 ºC.
O term&metro de bulbo titrmostãtico, no qual se registram as
variações de pressão inerentes às variações de temperatura de um
fluido, por intermádio de um "tubo de Bourdon" ou de uma lãmi.na
de aço, sendo registradas as variações sobre uma escala graduada em
temperaturas.
O termômetro de termoelemento, que é usado principalmente
para o registro de temperaturas à distância.
O termopar formado por dois condutores de naturezas diferen-
tes - por exemplo Cobre e Constantan - indica a diferença de po-
tencial provocada pela diferença de temperatura entre as duas ex-
tremidades destes condutores reunidos previamente por soldadura,
sendo um deles mantido a temperatura constante (gelo fundente).
Esta diferença de potencial pode ser lida em um milivoltímetro,
intercalado entre as duas extremidades e graduado em graus (Fig. 3).

Fig. 3. - Utilização de um termopar. 1

1. Milivoltímetro graduado ,t, 1 1 1 r ri


em graus
2. Soldadura "quente" u
(colocada sobre o corpo e no
ambiente do qual se quer
registrar a temperatura)
3. Soldadura "fria"
(mantida a temperatura 2 3
constante: OºC

Zero absoluto e escala termodinâmica


O calor existe em todos os corpos cuja temperatura é superior a
-273 ºC.
Determinou-se que - 273 ºC é a temperatura mais baixa que se
pode obter; é o ponto no qual qualquer corpo tem ausência total
de calor.
Esta temperatura é chamada zero absoluto.

14
As temperaturas calculadas a partir deste novo ponto zero sio
chamadas temperaturas absolutas ou temperaturas termodinimicas,
e a nova escala termomt!trica assim definida recebeu o nome de
Escala Kelvin ou escala termodinâmica. As temperaturas nesta es-
cala se exprimem em graus Kelvin. O grau Kelvin tem o mesmo
valor que o grau Celsius, e a passagem de uma escala para a outra se
faz escrevendo:

Exemplo: Ouais sio as temperaturas absolutas correspondentes às


temperaturas Celsius de +25 ºCede· 10 °C7
Devemos ter:
T = 25° + 273° = 298° K
e T = (- 100) + 273° = 263° K.
Calor senslvel e calor latente (Fig. 41
Um corpo (ou uma substância) pode receber ou ceder calor sob
duas formas diferentes:
1l sob forma sensível: a absorçio de calor sob esta forma se
manifesta por uma elevaçio de temperatura do corpo receptor; se,
pelo contrário, o corpo cede calor, a sua temperatura diminui.
Absorção ou cessio de calor nio provocam modificaçio no es-
tado físico do corpo, e a variaçio da temperatura é funçio da quan-
tidade de calor trocado e de uma característica física própria de
cada corpo; o seu calor npecffico;
2) sob forma latente: a absorçio de calor por um corpo sob esta
forma - ou a cessio de calor por este corpo - se caracteriza por
uma temperatura constante do corpo e por sua mudança de estado
físico.
Calor específico de um corpo
e a quantidade de calor que é necessário ceder a um quilograma
deste corpo para elevar a sua temperatura de 1 ºC, sem modificar o
seu estado físico.
Por definiçio, o calor específico da água é a pressio normal
(1013 mbar) de 4185 joules por quilograma e por grau, a 15 ºC
(1 quilocaloria por quilograma-grau).
Calor latente de solidificação
e a quantidade de calor a que é necessário elevar 1 quilograma
de um corpo, para fad-lo passar do estado líquido ao sólido, sem
baixar a sua temperatura.
15
Calor latente de fusão
~ a quantidade de calor que é necessário ceder a 1 quilograma de
um corpo, para fazê-lo passar do estado sólido ao líquido, sem elevar
a sua temperatura.

CALOR LATENTE DE FUSÃO

Calor latente absorvido durante a fusão de t kg de gelo


CALOR LA TENTE E SENS{VEL

+{
25,1131i:j}·
6tcal

/mportlncia do calor latente em relaç6o ao calor sensível


+{83.71Ukj}
2D..., •
-
CALOR LATENTE DE VAPORIZAÇÃO
,Ji ·í7f~{';'i:)
+{2·:~:~'1}.. . ::~e

Calor latente necessário para transformar t kg de tigua em vapor


CALOR SENS{VEL E CALOR LATENTE DE VAPORIZAÇÃO

+{334,IMOki}•
BOlfmt

Fig. 4. - Calor latente de fusão

16
Calor latente de vaporização
e a quantidade de calor que é necessário ceder a 1 quilograma de
um corpo para fazê-lo passar do estado líquido ao estado gasoso,
sem elevar a sua temperatura. A quantidade de calor varia segundo
a natureza e a temperatura do líquido.
Calor latente de liquefação
e a quantidade de calor a que é necessário elevar 1 quilograma
de um corpo para fazê-lo passar do estado gasoso ao estado líquido,
sem baixar a sua temperatura.
Medida das quantidades de calor
Unidades de quantidades de calor:
O sistema SI admite como unidade de calor o Joule (J). O uso
das unidades térmicas antigas: a caloria, a quilocaloria e a frigoria
estão caindo em desuso. No entanto, como ainda estão sendo uti-
lizadas, lembramos abaixo a sua definição:
Quilocaloria (kcall: é a quantidade de calor· necessária para ele-
var de 1 ºC a temperatura de um quilograma de um corpo, cujo calor
específico é igual ao da água pura a 15 ºC.
Frigoria (fg): é uma quilocaloria negativa; representa a quantida-
de de ealor ·a subtrair a um quilograma de um corpo que tem o
mesmo calor específico que a água a 15 ºC, para diminuir a sua tem·
peratura de 1 ºC.
1fg=1 kcal = -4,1855 kJ.
Nos países que utilizam o sistema de madidas anglo-saxão, a
unidade de quantidade de calor é diferente, e depende das unidades
e
de base deste sistema. o B.T.U. (Unidade Térmica Britdnica).
e
B. T.U.: a quantidade de calor que é necessário ceder a 1 litro
de água (1 1b = 0.453 kg), para elevar a. sua temperatura de 1 ºF.

Então, 1 B.T.U. = 4,185 X 0,453 X~:= 1,053 kJ, ou seja 0,252


kcal, sendo ~:a relação entre os dois pontos fixos das duas escalas
termométricas, Celsius e Fahrenheit.
A quantidade de calor a ceder ou a subtrair a um corpo é propor-
cional: ·
à massa do corpo;
à elevação de temperatura que ele sofreu; ou
à diminuição de temperatura sofrida;
ao seu calor especifico.

17
Donde a fórmula gerei que dá em quilocalorias a quantidade de
calor trocada:
Q=C X m X ât
Exemplo: Qual é a quantidade de calor que é necessário subtrair
a 1 1500 kg de carne de calor específico C = 2,93 kJ/kg (0,70 kcal/
kgl para baixar a sua temperatura de 30 ºC a + 2 ºCl'
~ necessário:
Q = N m X B ât
= 2,93 X 1500X(30-2)=123060
Q 123 060 kJ ou seja 29 400 kcal.
Mudança de estado ffsico (Tabela 1)
Fusão e solidificação
A fusão é a passagem de um corpo do estado sólido para o estado
líquido sob a açio do calor.
A solidificação é a transformaçio inversa, por esfriamento.

Fusão Vaporização

Sólido Líquido Gás


Solidificaçio (__ Condensaçio t
Sublimação
L-~~~--~~~

Tabela 1. - Mudanças de estado físico.


Leis da fusão a da solidificação
11 Sob a mesma preSSlio, as temperaturas de fusão a da solidifi-
caçio de. um corpo puro sio idênticas.
Bt=Brt
~ uma característica física do corpo.
21 Sob a mesma presslo, esta temperatura permanece constante
durante toda a mudança de estado.
Observação. - Durante a mudança de estado, há variaçfo de vo-
lume.
Dissolução
Se ela se forma com absorçfo de calor, a mistura é refrigerante;
mas a dissoluçio nlo se efetua em ponto fixo.

18
Exemplo: pode-se atingir - 21 ºC com uma mistura de gelo e sal;
donde, aqui, nã'o existe temperatura fixa de dissoluçio.
Vaporização
~ a passagem de um corpo do estado líquido para o estado ga-
soso. Pode-te fazer por evaporaçã'o ou por ebuliçio.
Evaporação
~ a formaçio de vapor na superfície livre de um líquido. Ela 6
tanto mais rápida quanto mais:
a temperatura for elevada;
a superfíc:ie livre do líquido for maior;
a atmosfera estiver seca e renovada;
a pressio for baixa;
a tensã'o do vapor saturante do líquido for elevada.
Ebulição
~ a vaporizaçio rápida de um 1fquido com formação de bolhas
de vapor no meio do 1fquido.
Leis da ebulição
11 Sob a mesma pressio, um líquido começa a ferver sempre à
mesma temperatura.
21 Durante todo o período da ebulição, a temperatura perma-
nece constante se a pressã'o se mantiver constante.
3) A tensio de vapor saturante do vapor emitido 6 igual à pres-
sã'o suportada pelo líquido.
Ponto normal de ebulição
~ a temperatura de ebulição sob pressio atmosférica normal.
Exemplos. - Água: 100 ºC; R12 - 30 ºC; NH 3 - 33,5 ºC;
R22 - 40,8 ºC; R502 -45 ºC.
Se se quiser diminuir a temperatura de ebulição, 6 necess6rio
baixar a pressã'o suportada pelo líquido em ebulição. Inversamente,
se se quiser elevar a temperatura de ebulição, 6 necess6rio aumentar
esta pressã'o.
Condensação
~ a passagem do estado gasoso ao estado líquido.
Obtém-te a condensação de um vapor por dois meios:
ai Por compressã'o até atingir a pressio correspondente à ten-
sã'o da vapor saturante do fluido, à temperatura considerada.
bl Por esfriamento, até atingir a temperatura correspondente ã
tensã'o de vapor saturante do fluido considerado.

19
Sublimação
~ a passagem do estado sólido ao estado gasoso, sem passar pelo
estado líquido. Só certos corpos possuem esta propriedade. Este
fenômeno produz-se a pressão constante, a uma temperatura bem
determinada.
Exemplos: neve carbônica, iodo, cânfora, gelo.

Temperatura crítica
A liquefação por compressão de um gás ou de um vapor deixa
de ser possível além de uma temperatura-limite, qualquer que seja
a pressão exercida sobre o gás ou o vapor: esta temperatura-limite
recebe o nome de temperatura critica.
R 13 : 28,8°C.
C02 : 31 ºC.
R 12 : 112 ºC.
R22 :96°C.
R 502: 90,1 ºC.

Noções sobre as pressões


Definição geral da pressão
-+
Dada uma força F aplicada sobre a superfície A de um corpo,
-+
diz-se que esta força exerce uma pressão p = _F_
A
Unidada da pressão
~ a pressão exercida pela unidade de força sobre a unidade de
superfície do sistema de unidades considerado.
Unidada legal
O pascal: - ~ a pressão exercida pela força de 1 newton agindo
uniformemente sobre uma superfície de 1 m2 • A unidade usual é o
bar que equivale a 10 5 pascal.
Utilizam-se ainda as unidades usuais dos antigos sistemas (sis-
temas MKPS e MTS), que eram o quilograma-força por centímetro
quadrado (kgf/cm2 ) e o hectopieso (hpz) e, mais raramente, a
atmosfera (atm). A equivalência entre estas diferentes unidades é
dada a seguir:

1 bar= 10 5 pascal= 1,02 kgf/cm• = 1 hpz = 0,986 atm.

20
Unidade inglesa
~ a libra por polegada quadrada (psi).
~ a pressão exercida por unidade de peso: a libra (0,453 kg),
sobre a unidade de superfície: a polegada quadrada (1 polegada =
2,54cm).

1 psi = &~~. = 0,070307 kgf/cm•,

psi = ~!~'.0307 = 0,0687 bar.


1,02
ou seja
Pressão atmosférica
~ a pressão exercida sobre a superfície de todos os corpos, pela
camada gasosa que constitui a atmosfera. Esta pressão, ao nível do
mar, é igual a de uma coluna de mercúrio de 760 mm de altura.
Se, em vez de mercúrio, se utilizar um outro líquido, a altura
que equilibra a pressão atmosférica é inversamente proporcional ao
peso específico do líquido utilizado.
Para a água, esta altura é de 10,33 m.
A pressão atmosférica diminui quando a altitude aumenta.
Pressão relativa
~ medida a partir da pressão atmosférica.
Pressão absoluta
~ medida a partir do vácuo absoluto.
Pressão absoluta= pressão relativa + pressão atmosférica.
Quando se têm pressões inferiores à pressão atmosférica, diz-se
que se está no domínio do vácuo.
O vácuo relativo é medido a partir da pressão atmosférica; ela
varia, segundo os sistemas de unidades utilizados, de:
O a 76 cm de Hg de vácuo absoluto;
- O a 36 polegadas de Hg de vácuo absoluto;
- O a 1,013 bar de vácuo absoluto.
Aparelhos de medida das pressões e do vãcuo
Para a medida da pressão atmosférica utilizam-se barômetros.
ai Barômetro a mercúrio, no qual se mede a altura da coluna
barométrica.
b) Barômetro aner6ide - aparelho inventado por Vidi e aperfei-
çoado por Bourdon. ~ composto por um tubo de cobre formando

21
um círculo quase completo. Este tubo, no qual se faz o vácuo, é fi.
xo em uma de suas extremidades; a outra é acoplada a uma pequena
alavanca, a qual põe em movimento um setor dentado que engrena
com um pinhlfo, portando uma agulha indicadora. A curvatura do
tubo aumenta quando a presslfo atmosférica aumenta. A agulha
indica a variação sobre um mostrador.

Correspondlincia
B,ars e libras por polegada quadrada

Bars Libras por polegada quadrada


1 14,556
2 29,112
3 43,668
4 58,224
5 72,780
6 87,336
7 101,892
8 116,448
9 131,004
10 145,560
15 218,336
20 291,120
25 363,892
30 436,680
40 582,240
50 727,800
100 1455,600

Tabela 2

Medição de pressões em geral


Utilizam-se manômetros metálicos baseados no sistema de Bour-
don. Uma extremidade do tubo em espiral é fechada, a outra está
em ligação com a presslfo a medir. A extremidade fechada aciona a
agulha indicadora das variações, pelo mesmo processo da alavanca e
do setor dentado.
Em refrigeração utilizam-se manômetros cujo mostrador é gra-
duado de O a 25 bars para medir a pressão de compresslfo, e manô-
metros chamados de "baixa presslfo", cujo mostrador á graduado em
76 cm Hg - 0-6 bars, para a medição das pressões de aspiração.
Faz-se a leitura das depressões na escala 0-76 (isto é, de zero ao

22
Tabela de conversio de pressões
Libras por polegada quadrada em bars e vice-versa
Libras
por
Bars
1
Libras
por
j
Bars
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polegada polegad polegada! !polegada
q uadrada jquadradl! 'quadrada; .quadrada
-1- --- 0,0687 ~ 1 -à,022-
---·------ - - -
87 5,976 129 8,862
2 0,1374 45 3,\191 88 6,044 130 8,931
3 0,2061 46 3,160 89 6,114 131 9,000
4 0,2748 47 3,228 90 6,183 132 9,068
5 0,3435 48 3,297 91 6.251 133 9,137
6 0,4122 49 3,366 92 6 320 134 9,205
7 0,4809 50 3,435 93 6,389 135 9,274
8 0,5496 51 3,503 94 6,456 136 9,343
9 0,6183 52 3,572 95 6,526 137 9,411
10 0,6870 53 3,641 96 6,594 138 9,480
11 0,7557 54 3,709 97 6,663 139 9,549
12 0,8244 55 3,778 98 6,732 140 9,618
13 0,8931 56 3,847 99 6,801 141 9,686
14 0,9618 57 3,915 100 6,870 142 9,755
15 1,0305 58 3,984 101 6,938 143 9,824
16 1,1292 59 4053 102 7,006 144 9,892
17 1,1679 60 4,122 103 7,076 145 9,961
18 1,2366 61 4,190 104 7,144 146 10,030
19 1,3053 62 4,258 105 7,213 147 10,098
20 1,3740 63 4,328 106 7,282 148 10,167
21 1,4427 64 4,396 107 7,351 149 10,236
22 1,5114 65 4,465 108 7,418 150 10,305
23 1,5801 66 4,534 109 7,488 155 10,648
24 1,6488 67 4,602 110 7,557 160 11,292
25 1,7175 68 4,670 111 7,625 165 11,335
26 1,7862 69 4,740 112 7,694 170 11,679
27 1,8549 70 4,809 113 7,763 175 12,022
28 1,9236 71 4,877 114 7,830 180 12,366
29 1,9923 72 4,946 115 7,900 185 12,709
30 2,061 73 5,015 116 7,968 190 13,053
31 2,129 74 5,082 117 8,037 195 13,396
32 2,198 75 5,152 118 8,106 200 13,740
33 2,267 76 5,220 119 8,175 210 14,427
34 2,335 77 5,289 120 8,244 220 15,114
35 2,404 78 5,358 121 8,312 230 15,801
36 2,473 79 5,427 122 8,338 240 16,488
37 2,541 80 5,496 123 8,450 250 17,175
38 2,610 81 5,564 124 8,516 260 17,862
39 2,679 82 5,632 125 8,587 270 18,549
40 2,748 83 5,702 126 8,656 280 19,236
41 2,816 84 5,770 127 8,724 290 19,923
42 2,885 85 5,839 128 8,792 300 20,610
43 2,954 86 5,908

Tabela 3
Como a precis§'o dos manômetros utilizados é superior a 2%,
podemos admitir nesta tabela que:
1 bar* 1 kgf/cm 2 •

23
Conversio de polegadas de ricuo
em mllfmetros de merc(ario

---
Polegadas Milímetros ' Polegadas Milímetros
1
de vácuo de mercúrio de vácuo de mercúrio.
---
1 25,4 16 406,4
2 50,8 17 431,8
3 76,2 18 457,2
4 101,6 19 482,6
5 127,0 20 508,0
6 152.4 21 533,4
7 177,8 22 558,8
8 203,2 23 584,2
9 228,6 24 609,6
10 254,0 25 635,0
11 279,4 26 660,4
12 304,8 27 6!15,8
13 330,2 28 711,2
14 355,6 29 736,6
15 381,0 29,92 760

Tabela 4

vácuo absoluto) e a leitura das pressões relativas de O a 6 bars.


Mas, em refrigeraç!o comercial e doméstica, utilizam-se igual-
mente manômetro tendo os mostradores graduados em libras por
polegadas quadradas, para a mediçio das pressões de compressão;
em polegadas e libras por polegada quadrada, para a mediçio e vá-
cuos e pressões de aspiraçã'o.
Praticamente, a transformaçã'o de libras por polegada quadrada
em bar, é fei feita rapidamente, adotando a equivalência:
1 bar= 14,6 psi e 1 psi= 0,069 bar
As manipulaç6es freqüentes expõem estes aparelhos a oscilações
bruscas, as quais podem prejudicar a precisão das suas indicações.
Os montadores devem, de vez em quando, aferi-los na oficina, com-
parando as suas indicações com aquelas fornecidas pelos manôme-
tros-padrão.
Para medir pressões muito baixas, utilizam-se os seguintes apa-
relhos, existentes sobretudo em laboratórios:
a) O manômetro truncado a mercúrio - no qual se utiliza a
diferença de nível entre os dois ramos de um tubo de vidro em for-
ma de U (leitura entre 760 e 0,5 mm Hg).
24
b) O manômetro de braÇo inclinado - análogo ao precedente,
mas cuja precisão é maior (leitura entre 20 mm e 0,1 mm Hg).
c) O medidor de Mac Leod - no qual se utilizam os desnivela-
mentos do mercúrio em um tubo capilar.
d) O micromanômetro de ionização, que Utiliza as variações de
condutividade elétrica de gases ionizados com a pressão. Podem-5e,
assim, medir press6es da ordem de 1 /1 000 a 1/10 000 mm de mer-
cório.

Propriedades gerais dos gases


19 Os gases são elásticos, isto é, expansíveis e compressíveis.
29 Os gases transmitem, integralmente, e em todos os sentidos,
as pressões a que são submetidos.
39 Os gases têm peso.
49 Lei de Mariotte. - A temperatura constante, o volume ocu-
pado por uma massa gasosa ê inversamente proporcional à pressão
que ela suporta.
Densidade
~ a relação entre o peso específico da um corpo e o de um outro
corpo tomado como referência. Exemplo: densidade de um sólido
ou de um líquido em relação à água. Para os corpos gasosos, o corpo
de referência é o ar.

Higrometria
A umidade atmosférica
Pode-5e descobrir a existência de vapor de água na atmosfera
quando se vê este vapor, por exemplo, sobre uma garrafa de água
gelada.
O ar úmido é mais leve que o seco, o que explica o ligeiro abaixa-
mento do barômetro quando o tempo está chuvoso.
Umidade absoluta
A uma dada temperatura, a quantidade de vapor de água que
pode conter 1 m3 de ar é limitada; ela é função da tensão máxima
do vapor de água a esta temperatura.
O ar correspondente chama-se ar saturado. ·
O ar seco é aquele onde a tensão de vapor de água li nula, isto li,
não tem vapor de água.
Entre a tensão nula e a máxima, a uma dada temperatura, o ar pode
passar por uma infinidade de estados intermediários de umidade.
25
A quantidade de vapor de água que pode absorver um metro
cúbico de ar aumenta rapidamente com a temperatura.

Umidade Relativa (grau higrométrico)


Para definir o estado de umidade de um dado volume de ar, refe-
rimo-nos ao ar saturado à mesma temperatura. Chamar-se-á umidade
relativa (1.l a relação:
Massa de vapor de água em 1 m 3 de ar considerado
e=
Massa de vapor de água em 1 m 3 de ar saturado
à mesma temperatura ·
~ ainda a relação entre as tensc5es de vapor de água correspon-
dentes.
Após esta definiçáO, teremos:
Para o ar seco e = O. Com efeito, seja qual for a temperatura, o
numerador da refação é zero.
Para o ar saturado, e = 1, porque, seja qual for a temperatura, o
numerador é igual ao denominador.
Exemplo: na tabela higrométrica (2), verifica-se que, a 20 ºC,
o ar saturado contém 17 ,3g de vapor de água por metro cúbico.
Dizer que, à mesma temperatura, um volume de ar tem uma umi-
dade relativa de 0,75, significa que este ar contém 75% da massa
deste vapor de água, isto é, 17 ,3 x 75/100 = 12,975g, ou seja, cerca
de 13 g por metro cúbico.
Para caracterizar um ar úmido é, portanto, indispensável conhe-
cer simultaneamente a sua temperatura e a sua umidade relativa;
então, a massa de vapor de água por metro cúbico é dada pelas ta-
belas higrométricas.

Medição de graus higrométricos. - Higr&metros e psicr6metros


(fig. 51
Só os higrômetros absolutos permitem medir diretamente a
massa de vapor de água contida em um volume de ar considerado.
19 HigrlJmetro de absorção - faz-se passar lentamente 1 m 3 do
ar considerado (medido com contador) no aparelho contendo um
agente desidratante.

A massa de vapor de água absorvida determina-se pela diferença


entre os pesos do aparelho, antes e depois da experiência.

(1) Popularmente chamada: grau higrométrico.


(2) Ver página 28_. ·
26
HIGRÔMETRO ABSOLUTO
Pesa-seant®-:ee ªd
depois da' - 1. m e ar
passagem . : , medido por
do ar '·. . . · .. .· um contador
. . . Desse~~~·te (CaCl 2 , p. ex.)
HIGRÔMETRO DE PONTO DE OR,VALHO

HIGRÔMETRO DE CABELO

C•b•l:f
CWh:J
Termômetro~ th
seco'-.-
tl
,;,;
Os 2 termômetros
são colocados numa
ligeira corrente de ar
Termômetro ·
úmido _ ·
Algodao Agua
Fig. S. - Higrômetro e psicrômetro.
'J9 HigriJmetro de ponto de orvalho - O ponto de orvalho é a
temperatura a partir da qual aparece a condensaçio. Ele nos dá, en-
tio, a temperatura para a qual o ar considerado tem uma umidade
relativa e = 1, uma vez que, além da saturaçãO, existe condensaçio.
A tabela higrométrica (1) fornece, com estes dados, a quantidade
de água contida em 1 m 3 do ar considerado.
Exemplo: se temos: ponto de orvalho + 8 ºC, o ar considerado
contendo 8,24 g de vapor d'água por metro cúbico, seja qual for a
temperatura ambiente.

(1). Ver página 28.


Higrômetros relativos
19 Higr6metro de cabelo - Aparelho baseado na propriedade
que possuem os cabelos de se alongarem quando a umidade da
atmosfera aumenta.
'19 Psicr6metro - ·O aparelho é composto por dois termômetros
a mercúrio ou álcool. O reservatório de um está ao ar-livre e o do
segundo é mantido permanentemente em algodão umedecido, estan-
do os dois bulbos sujeitos a uma corrente de ar contínua.
A temperatura indicada pelo termômetro úmido é inferior a do
termômetro seco, e a diferença é tanto maior quanto mais seco for
o ar ambiente.
Tabela higrométrica
=====-=...-------=-·=-.- ···-
Tempe- Tensâ'o Otde. de água, em gramas, em 1 m 3 de ar
ratura máxima
em do vapor· Ar 1 Umidade relativa
ºC em mmde saturado
mercúrio 80% 75% 70%
-
+ 50 6,534 6,79 5,43 5,09 4,75
+ 6º 6,999 7,25 5,80 5,44 5,08
+ 70 7,492 7,73 6,18 5,80 5,41
+ 8º
+ go
8,019
8,521
8,24
8,73
6,59
6,98
6,18
6,55
5,77
6, 11
+ 100 9,165 9,36 7,49 7,02 6,55
+ 11 9,790 9,96 7,97 7,47 6,97
+ 120 10,315 10,60 8,48 7,95 7,42
+ 130 11,184 11,56 9,25 8,67 8,09
+ 14° 11,907 11,98 9,58 8,99 8,39
+ 15° 12,699 12,74 10,19 9,56 8,92
+ 16° 13,533 13,53 10,82 10,15 9,47
+ 170 14,414 14,36 11,49 10,77 10,05
+ 1So 15,353 15,24 12,19 11,43 10,67
+ 1go 16,342 16,15 12,92 12, 11 11,30
+ 200 17,591 17,34 1 13,87 13,01 12,14
+ 21° 18,489 18,16 14,53 13,62 12,71
+ 220 19,652 19,24 15,39 14,43 13,47
+ 23° 20,883 20,38 16,30 15,29 14,27
+24° 22,177 21,57 17,26 16,18 15,10
+25° 23,550 22,82 18,26 17,12 15,97

Tabela 5
Para um ar saturado, a diferença é nula. O conhecimento desta
diferença e também a temperatura do termômetro seco permitem
determinar, nas tabelas psicrométricas, a umidade relativa do ar con-
siderado.
28
Tabela psicromêtrica

Temperaturas lidas no termômetro seco


..
·-........11g
o
00 +005 + 1º + 1"5 +2" + 2"5 +ao + 3"5 + 40 + 4"5 + 50
-- --- -- -- -- -- -- -- -- --
(ij'"
0,1 98 98 98 98 98 98 98 98 98 98 98
0,2 98 98 98 98,5 98,5 98,5 98,5 98,5 98,5 98,5 98,5
0,3 94. 94 94 94 94,5 94,5 94,5 94,5 95 95 95
0,4 91,5 92 92· 92 92 92,5 92,5 92,5 92,5 93 93
0,5 90 90 90 90 S0,5 90,5 90,5 91 91 91 91
0,6 88 ' 88 88,5 88,5 87 89 89 87,5 87,5 89.5 89,5
0,7 86 86 86,5 86,5 87 87 87,5 87,5 87,5 88 88
0,8 84 84,5 84,5 85 85 85,5 85,5 86 86 86 86,5
0,9 82 82,5 83 83 83,5 83,5 84 84 84,5 84,5 85
1,0 80,5 81 81 81,5 82 82 82,5 82,5 83 83 83,5
1,1 78,5 79 79,5 80 80 80,5 81 81 81,5 81,5 82
1,2 77 77,5 78 78,5 78,5 79 79,5 80 80 80,5 81.
1,3 75,5 75,5 76 76,5 77 77,5 78 78,5 78,5 79 79,5
1,4 73,5 74 74,5 75 75,5 75,5 76 76,5 77 77 77,5
1,5 171,5 72 72,5173 73,5 74 74,5 75 75,5 76 76,5
1,6 70 70,5 71 71,5 72 72,5 73 73,5 74 74,5 75
1,7 68,5 69,5 70 70,5 71 71,5 72 72,5 72,5 73 73,5
1,8 67 67,5168,5 69 69,5 70 70,1 71 72 72,5
1,9 168,5
64,5 65,5 66 66,5 67,5 68 . 68,5 69 69,5 70 71
2,0 63 63,5 64 65,5 66 66,5 j 67 67,5 68 68,5 69

111 % de umidade.
Tabela 6
Exemplo - Para uma temperatura ambiente de + 4 ºC uma e
diferença da 0,8 ºC, o ar considerado tem como umidade relativa
e= 0,86.

29
CAPÍTULO li

MEIOS DE PRODUÇÃO DE FRIO

Existem três processos principais de produção de frio:


19 Misturas refrigerantes.
"19 Expansão de um gás comprimido.
:P. Evaporação de um líquido puro.
Este terceiro processo é o único utilizado para objetivos indus-
triais de refrigeração, congelamento e ar condicionado.
Misturas refrigerantes
A dissolução de certos sais em certos líquidos necessita de
absorver calor e, portanto, a dissolução será geradora de frio.
Exemplos da misturas refrigerantes
Água 1 parte em peso diminui de+ 10°Ca-15°C
Nitrato de amônia 1 - -
Água 1 parta em peso
Nitrado de amônia 1 - - diminui de+ 10°C a - 22 "C
Carbonato de soda 1 - -
Neve 2 partes em peso diminui de O a - 25 ºC
Cloreto de sódio 1 parte -
Neve 5 partes em peso
Cloreto de sódio 2 - - diminui de O a -25°C
Solução amoniacal 1 parte -
Neve 3 partes em peso
Ácido sulfúrico diminui de O a -30ºC
expandido
2 - -
Neve 12 partes em peso
Cloreto de sódio 5 - - diminui de O a -32°C
Nitrato de amônia 5 - -
Neve 8 partes em peso
Ácido clorídrico diminui de O a -32°C
expandido
5 - -
Neve 7 partes em peso diminui de O a -35°C
Ácido nítrico 4 - -
Tabela 7

31
Exemplos de misturas refrigerantes (continuaçá"o)
Neve 4 partes em peso diminui de O a -40ºC.
Cloreto de cálcio 5 - -
Neve 3 partes em peso diminui de O a -46°C
Potassa 4 - -
Fosfato de soda 9 partes em peso
Acido nítrico
expandido
4 - - diminui de+ 10 a -25°C

Sulfato de soda 6 partes em peso


Nitrato de amônia 5 - - diminui de+ 10 a -40°C
Acido n ltrico
expandido
4 - -
Gelo seco com:
Cloreto- de etilo pode baixar até -60°C
Cloreto de metilo - -60°C

Expansão de um gás comprimido


Assim como a compressã'o de um gás eleva a sua temperatura, a
expando de um gás comprimido diminuirá a sua temperatura; e é
segundo este princípio que estio baseadas as máquinas que permi·
tem a liquefaçã'o dos componentes do ar (nitrogênio, oxigênio,
néon, etc.).
Evaporaçio de um líquido puro
A aplicaçá"o deste fenômeno origina três tipos de máquinas fri·
goríficas.
19 Mãquinas de evaporaçllo e compressão de um gãs liqüidific6vel.
Sã'o praticamente as únicas utilizadas em refrigeraçlo doméstica
e comercial. A evaporação de um· 1lquido chamado fluido refrigeran·
te produz o frio. Praticamente recupera-11t o vapor do fluido evapo·
rado, e por compr&sslfo e esfriamento torna-se a levá-lo ao estado 1í·
quido para que possa se evaporar novamente.
29 Mãquinas de absorção .
Sã'o baseadas no princípio que diz que a solubilidade de um gás
em um líquido diminui quando a temperatura aumenta, desde que
o primeiro nlio exerça açlio química sobre o segundo. Assim, a água
a O ºC absorve cerca de 1 000 vezes o seu volume de gás amoníaco
e desprende a maior parte do gás absorvido, se a mistura for aqueci-
da a 120/130 ºC.
32
O gás desprendido é liquefeito, em seguida se evapora produzin-
do frio e retorna ao absorvedor, onde se dissolve de novo na água.
~ .Mãquinas de evaporação de égua
Como a água possui um grande calor de vaporização, é normal
utilizar, nas máquinas frigoríficas, o frio produzido pela evaporação
da água.
Perto de O ºC, a vaporização da água absorve cerca de 2 511 kJ
(600 quilocalorias) (1 > , isto é, produz 2 511 kJ (600 frigoriasl
enquanto que, à mesma temperatura, a vaporização de 1 kg de
amoníaco só produz 1 322,5 kJ (316 frigorias). A dificuldade çta
utilização da água como fluido refrigerante resulta do grande volume
ocupado pelo vapor de água nas condições em que se produz a vapo-
rização. Para uma igual produção de frio em uma máquina de com-
pressão o volume é cerca de 1 000 vezes maior que aquele dos va-
pores de amoníaco.
Para conduzir os vapores provenientes da evaporação da água em
uma tal máquina seria necessário um compressor de dimensões
inaceitáveis.
O problema foi resolvido pelo emprego de ejetores (Fig. 6).
No seu conjunto, a máquina de evaporação de água é complica-
da, mas apresenta certas vantagens. O fluido refrigerante (a água) não
é tóxico nem caro. Além disso, a alimentação dos ejetores pode ser
assegurada pelo vapor de água expandido, proveniente do escape de
outras máquinas (turbinas a vapor).
A máquina de evaporação de água foi amplamente utilizada
na marinha, para o esfriamento de paióis de munições, e refrigeração
de câmaras frigoríficas.
A refrigeração automática
Tudo o que foi dito anteriormente. tem como objetivo fazer
compreender melhor o funcionamento de uma instalação frigorífica.
Sistema simples de refrigeração (Fig. 7)
Na Figura 7 está representado um sistema muito simples de re-
frigeração. Em um refrigerador, constituído por uma caixa de pa-
redes isoladas, coloquemos um grande reservatório contendo o flui-
do refrigerante (R12, por exemplo). Uma chaminé munida de uma

(1) Segundo a fórmula de Regnault:


Calor de vaporização à temperatura
8 : ly = 2538,202 - 2,908 8 kJ (606,5 - 0,605 e kcal).

33
válvula de estrangulamento permite a ligação entre o reservatório e
a atmosfera.

3'
Fig. 6. Ejetor de ar de 2 estágios para máquina de evaporação
de água.
1. Entrada de vapor nas tubulações.
2. Aspiração de ar.
3. Para o recuperador de calorias.
4. Entrada de água de esfriamento dos difusores.
5. Saída de água de esfriamento dos difusores.

34
O ponto normal de ebulição do R12 é - 29,8 ºC, temperatura
para a qual a tensão do vapor deste fluido é igual à press~o atmosfé-
rica.
No refrigerador, o ar em contato com o reservatório do fluido
refrigerante provoca a ebulição do Uquido que se evapora, o calor
necessário à sua vaporização é fornecido sob forma sensível pelos
gêneros armazenados; o ar esfriado pelo contato com o reservatório
de R12, circulando no refrigerador, provoca o esfriamento dos gê-
neros.
Este sistema assegurará a refrige-
ração, desde que exista líquido no re-
servatório, e esta refrigeração será
mais ou menos acentuada, conforme
a abertura da válwla da chaminé de
evacuação. Mas, este fluido evapora-
do ao ar-livre perde-se e, dado o seu
preço elevado, é indispensável recu-
perá-lo e condensá-lo de novo, para
o utilizar novamente no circuito. Este
resultado é obtido com a refrigeração 4
mecãnica.
Sistema de refrigeração de ciclo
contínuo
~=mmm~s
O problema a resolver é o seguin-
Fig. 7. - Sistema simplifi-
te: regularizar a ebulição do fluido
cado de refrigeração de ci-
refrigerante a fim de obter e manter a
clo intermitente.
temperatura desejada no refrigerador,
e recuperar o fluido frigorífico vapo- 1. Fluido refrigerante em
rizado. ebulição.
Um sistema de refrigeração comer- 2. Reservatório do fluido.
cial compreende quatro partes prin- 3. Clúcana de circulação
cipais: de ar.
19 o refrigerador, normalmente 4. AI em circulação.
chamado congelador ou câmara fria. 5. Paredes isolantes.
i; o espaço isolado no qual é mantida
a baixa temperatura.
29 o evaporador, no qual o fluido frigorífico se evapora, absor -
vendo no refrigerador o calor fornecido pelos gêneros a esfriar.
:P. o grupo compres10r, que é a máquina encarregada de compri-
mir os vapores do fluido refrigerante vindos do evaporador e, por
esta compressãO, permitir a condensação do fluido comprimido;
35
49 um órglo de expansão, que regula a quantidade de fluido
refrigerante a ser admitido no evaporador.

Ciclo de refrigeração continuo (Fig. 81


19 Evaporaç6o. O calor entra no refrigerador como já foi indi· .
cado:
ai por radiação, sobre as paredes externas do refrigerador;
b) por condução, através do isolamento;
c) por convecçâ'o, conduzido pelo ar ao interior do refrigerador,
e fornecido pelos gêneros a esfriar.
Este fornecimento de calor é feito sob a forma de calor sensível,
e provoca a ebulição do líquido refrigerante no evaporador; ele é
absorvido pelo fluido refrigerante por desprendimento do seu calor
latente de vaporização.
29 Compressio. Os vapores formados durante a evaporação sã'o
aspirados pelo compressão, o qual os recalca para o condensador.
A quantidade de calor contida neste vapor aumenta, bem como a
sua temperatura, devido a esta compressão.
A pressão aumenta simultaneamente com a temperatura.
:P. Condensaçio. A temperatura de condensação é superior à
do agente de esfriamento (ar ou água).
O vapor comprimido desprende o seu calor (que flui sempre do
corpo mais quente para o mais frio) e ele se condensa no condensa-
dor.
O líquido passa para o reservatório, de onde torna a sair para um
novo ciclo (termo que caracteriza uma série de operações que se
repetem).
Quando da condensação do fluido refrigerante, o agente de con-
densaçãb deve absorver (sob a fonna sensível) o calor latente de
condensação correspondente â temperatura de condensação do flui-
do refrigerante.
Não há refrigeração durante os períodos de parada do grupo
compressor.
O sistema é equilibrado de maneira a manter, durante o funcio-
namento, uma pressãb constante sobre o fluido refrigerante no eva-
porador.
Isso é obtido pela ação do compressor que aspira os vapores,
desde que eles se formem.
Mas logo que o compressor pára, como os vapores já não sã'o
aspirados, a pressão sobe no evaporador simultaneamente com a
temperatura~ o que atrasa ou pára a ebulição do fluido refrigerante.

36
=:> .s•

~= <=

L
~·cf t•4' .
=:> 'Z___ l +2•c
_y 1l
~

C2] Vapor de alta


·' pressã"o l=·-~4 Líquido de baixa pressio
~ Líquido de alta
i=i pressifo ~ Vapor de baixa pressio
~ Escoamento do fluido. =:>fluido calorífico
•· condensado ,.,... exterior
Fig. 8. - Sistema de refrigeração de ciclo contínuo.
O fluido refrigerante ferve sob baixa pressfo. Por outro lado, os
vapores desprendidos pelo fluido, quando da sua ebulição, s6 podem
ser liquefeitos se for mantida uma pressão elevada no condensador.
Teremos, então, duas pressões bem distintas no circuito frigorífico
(fig. 9):
19 A parte de baixa pressão, compreendendo a parte do sistema
após a saída do elemento de expansão, o evaporador, a linha de as-
piração e o compressor, até à válwla de aspiração do compressor.
29 A parte de alta pressão, após a válwla de compressão, o con-
densador, o reservatório e a tubulação de l(quido, até a entrada do
elemento de expansão.
O cilindro do compressor e o elemento de expans6o s6o os dois
elementos que separam as partes de alta e baixa pressão de um cir-
cuito frigorífico.
2

baixa pressfo

4
Fig. 9 - Circuito frigorífico ..
Distribuição das zonas de "alta" e "baixa" pressão
1 - Compressor.
2 - Condensador.
3 - Válvula de expansão.
4 - Evaporador.

38
CAPÍTULO Ili

OS FLUIDOS REFRIGERANTES

Um sistema de refrigeraçlfo constituído por evaporador, válwla


de expansão, compressor, condensador, motor, etc., é, simplesmen-
te, uma unidade mecânica cuja função é facilitar a mudança de esta-
do do fluido frefrigerante, o que se traduz na absorção do calor no
evaporador e no desprendimento no condensador.
~ o fluido refrigerante que realiza a transferência.
O estudo das características físicas dos fluidos refrigerantes utili-
zados atualmente em refrigeração comercial e domdstica, ajudará a
compreenEler melhor a própria refrigeração.
Um fluido refrigerante perfeito deveria apresentar as seguintes
qualidades:
19 Calor latente de vaporização muito elevado.
29 Ponto de ebulição, sob pressão atmosférica, suficientemente
baixo, tendo em conta as condições desejadas de funcionamento
(temperatura de evaporação).
:1" Baixa relação de compressão, isto é, baixa relação entre as
pressões de recalque e de aspiração.
49 Baixo volume específico do vapor saturado, possibilitando a
utilização de um compressor e de tubulações de dimensões reduzi-
das.
59 Temperatura crítica muito elevada.
fF. Ser inerte em relação ao lubrificante utilizado.
79 Composição química estável nas condições de funcionamento
da máquina frigorífica.
89 Não ter ação sobre os metais componentes do circuito (assim,
por exemplo, o amoníaco ataca o cobre - o cloreto de metilo ataca
o alumínio). Nlfo ter açafo sobre as juntas.
99 Não ser inflamável nem explosivo misturado com o ar."
10? Não ser prejudicial à saúde do pessoal.
119 Não ser prejudicial aos gêneros a conservar.
129 Inodoro ou tendo apenas um leve cheiro nlfo desagradável.
139 Emanações fáceis de detectar e de localizar p9r método visual.
149 Não ter afinidades com os constituintes da atmosfera.
159 Ser barato e de abastecimento fácil.

39
Nenhum dos fluidos empregados possui a totalidade destas qua-
lidades.
O refrigerante 12 (R 12) é o que possui o maior número das quali-
dades requeridas para o fluido refrigerante ideal.
Fluidos refrigerantes empregados nas instalaç6es
de pequenas a médias potências
O diclorodifluorometano ou R12 (CCl 2 F2 ).
O monoclorodifluorometano ou R22 (CHCIF 2 ).
A mistura azeotróplca de R22 a da R115 (pantafluoromonoclo-
roatano). C2 CI F5 conhecido sob a referência R502.
O monoclorotrifluoromatano ou R13 (CCIF 3 ).
O tricloromonofluorometano ou R11 (CCl 3 FI (1 ).
O tetrafluorodicloroetano ou R114 (C 2 Cl 2 F4 ).
Se bem que já nio seja utilizado em refrigeraçio comercial nas
instalações atuais, existem ainda algumas que funcionam com clo-
reto de metilo (CH 3 Cll e, assim, também daremos as suas caracte-
rísticas a título informativo.
~poca em que foram conhecidos ou utilizados os principais fluidos:
Desde a antigüidade: a água
1717: clorato de etilo.
1856: éter et mco.
1864: éter metílico (Tellier).
1874: anidrido sulfuroso (Pictet).
1876: amoníaco (Linda).
1878: clorato de metilo (Vincentl.
1878: anidrido carbônico (Linda).
Depois de 1930:
Derivados clorofluorados do metano e do etano e, principalmente:
1930: R12 - R114.
1932: R11 - R113.
1935: R22.
1963: na França: R502.
· 1967: R503.
F6rmulas qufmicas dos diferentes fluidos refrigerantes:
Amoníaco ••.••••••••••.•.••.•.•..• NH 3
Diclorodifluorometano • • • • . • • • • • • • • • . • • CCl 2 F2

(1) Utilizado nos compressores centrifugas como fluido refri-


gerante e como solvente e agente dilatador na fabricação de es-
pumas rígidas de poliuretano.

40
Acido carbônico . . . . . . . . . . . . C02
Monoclorodifluorometano . . . . . . CHCIF 2
Tricloromonofluoroetano . CCl 3 F
Monoclorotrifluorometano . . . . . . CCIF 3

O R12
e o fluido refrigerante mais utilizado na categoria dos Fluoroclo-
rometanos e Fluorocloroetanos.
e incolor e tem um odor quase nulo, nã'o desagradável.
A sua temperatura de ebulição (à pressão atmosférica) é de
- 29,8 ºC.
e extraordinariamente estável; não ataca nem lubrificantes nem
matérias plásticas empregadas como juntas.
e miscível em todas as proporções com os óleos minerais.
Nã'o é inflamável. Os seus vapores, mais pesados que o ar, têm,
mesmo sobre o fogo, um efeito de extinção do tipo de ação quí-
mica.
Os vapores de R12 até 20% de concentração, podem ser supor-
tados durante várias horas, sem outros inconvenientes além de li-
geiros sintomas temporariamente desfavoráveis. Aliás, este gás,
sendo cerca de quatro vezes mais pesado que o ar, permanece rente
ao solo.
Não tem reação química com a água; conseqüentemente, em um
circuito contendo umidade, não existe o perigo de gripagem. O úni-
co inconveniente possível é a formação de gelo na válvula de ex-
pansã'o.
Até uma temperatura de vaporizaçã'o de - 30 eC, a sua tensão
de vapor é superior à pressão atmosférica.
A detecção das emanações é fácil com a lâmpada halóide.
Não reage com os metais que constituem os sistemas frigorí-
ficos.
Este fluido não é tóxico, nem inflamável. No entanto, se vapores
concentrados de R 12 forem expostos a uma chama viva, resultará
daí uma decomposição, formando um gás perigoso: o fosgênio.
OR22
i: um liquido incolor, com odor muito levemente etéreo, inodoro
quando misturado com o ar, não é inflamável nem explosivo. Muito
estável às temperaturas normais de utilização, não é tóxico nem
corrosivo. Só provoca perturbações graves após uma permanência
de 2 horas em atmosfera poluída com 10% de concentração em

41
volume. É neutro em relação aos metais normalmente· utilizados na
indústria frigorffica, mio reage com o perbunan e ataca, a longo
prazo, a klingerita que não é aconselhável empregar na fabricação de
juntas. O R 22 dissolve, à temperatura de estado líquido, 10 a 12
vezes mais água que o R 12, e os riscos de formação de tampões de
gelo, nas válvulas de expansão, Slio praticamente inexistentes.

A temperatura dos vapores comprimidos é, para condições de


funcionamento idênticas, superior à do R 12; é preciso evitar a
carbonização dos óleos, esfriando os vapores por injeção de líquido.
Em relação aos óleos minerais, apresenta a particularidade de ser
muito solúvel a alta temperatura e parcialmente só a baixa tempera-
tura; a temperatura de separação dos dois 1íquidos depende da con-
centração em óleo da mistura e das características dos óleos. A mis-
cibilidade do R 22 é mais elevada com os óleos de síntese.
As emanações podem ser detectadas com a lâmpada halõide.

OR502
O refrigerante 502 é um fluido refrigerante constituído por uma
mistura azeotrópica de refrigerante R 22 e de refrigerante R 115, na
proporção em massa de 48,8% de R 22 e 51,2% de R 115.
É um líquido incolor de odor muito levemente etéreo, inodoro
quando misturado com o ar, não é inflamável nem explosivo. Muito
estável ao calor e análogo, por isto, ao R 22.
Neutro em relação a todos os metais normalmente utilizados nas
instalações frigoríficas, assim como em relação aos materiais das jun-
tas; no entanto, tem uma ação muito ligeira sobre o neoprene.
Dissolve menos água que o R 22, mas cerca de 5 vezes mais que
o R 12; pelo contrário, é menos miscível que o R 22 com os óleos
de lubrificação. A temperaturas que dependem da concentração
em óleo da mistura, há separação em duas camadas dos dois líqui-
dos. Permite obter uma produção frigor(fica superior à do R 22,
conservando as temperaturas de fim de compressão do R 12. Com-
pleta a gama dos fluidos clorofluorados e a sua expansão, atual-
mente limitada pelo seu custo, dever-se-á fazer em detrimento do
R22.
A detecção das emanações se faz com a lâmpada halõide.

O R 13
Líquido incolor de odor ligeiramente etéreo, não inflamável,
nem explosivo, muito estável a temperaturas de utilização. Pode-se

42
decompor em presença dos elementos componentes de uma insta-
lação a cerca de 160 ºC.
Só provoca perturbações graves após uma permanência de 2 ho-
ras em uma atmosfera que contenha, pelo menos, 20% em volume
de R 13. É neutro em relação aos metais utilizados normalmente nas
instalações, contudo deve-se evitar o magnésio e as ligas leves que
contenham mais de 2%
É muito pouco miscível com a água e nlfo-miscível com os óleos
de lubrificação. As emanaçõ'es podem ser detectadas com uma lâm-
pada halóide; é utilizado para obter temperaturas baixas (- 80 a
-100 ºCI em compressores de êmbolo funcionando em cascata,
com máquinas utilizando no último estágio da cascata, como fluido,
o R 12, o R 22 ou o R 502.

O R 11
É um líquido incolor de odor muito fracamente etéreo, estável
às temperaturas de utilização, mas libera, por decomposição ao ru-
bro, o fosgênio, gás muito perigoso.
É neutro em relação aos metais usuais, mas o magnésio e as ligas
com mais de 2% devem ser evitados.
Neutro em relação ao amianto e ao perbunan, tem um teor li-
mitado com a klingerita; praticamente neutro com o polietileno e o
náilon, e dissolve, pelo contrário, o poliestireno.
Utilizado nos compressores centrífugos de ar-condicionado. Apli-
cado como solvente, para desengordurar peças mecânicas ou peque-
nos aparelhos frigoríficos, assim como "lavar com barrela" evapora-
dores, condensadores ou corpos de compressores.
Pode substituir o tricloroetileno, cujos vapores são nocivos aos
seres humanos, utilizados igualmente na fabricaçlfo de espumas de
resinas sintéticas (espumas de poliuretano).
O cloreto de metilo
Era, antes da generalização do R 12, o fluido refrigerante mais
comumente utilizado em refrigeração doméstica e comercial.
É incolor e tem um fraco odor etéreo, que não se transmite aos
gêneros expostos, acidentalmente, aos seus vapores.
A uma temperatura inferior a 100 ºC, não ataca os metais
utilizados em refrigeração, mas ataca o zinco, o alumínio e as ligas
leves.
É inflamável em certas condiçõ'es. A mistura de vapor de clore-
to de metilo e de ar pode-se tornar explosiva, quando a concentra-
ção atingir de 9 a 15% e em presença de uma fonte muito quente.

43
Em caso de emanação significativa do fluido refrigerante em uma
instalação, é prudente ventilá-la antes de procurar a emanação com
a lâmpada detectora, chamada lâmpada halóide.
Os óleos minerais são miscíveis em todas as proporções com o
cloreto de metilo. Se, em um sistema, óleo e cloreto de metilo forem
conduzidos em solução ao evaporador, o ponto de ebulição do flui·
do refrigerante ficará ligeiramente elevado.
O· retorno do óleo ao cárter do .compressor faz-511 normalmente,
já que os vapores de óleo, formando uma película em torno das
bolhas de vapor, são aspirados sob a forma de nevoeiro.
O cloreto de metilo não é tóxico, e a absorção de vapores não
apresenta, geralmente, gravidade. No entanto, a permanência prolon-
gada em uma atmosfera contendo grande concentração de vapores
pode ocasionar doenças muito graves.
O vapor de cloreto de metilo não tem efeito sobre as mucosas e
os olhos. O cloreto de metilo líquido, como a maior parte dos
fluidos refrigerantes, pode causar lesc5es por congelamento.
Com a umidade, há formação de hidratos sólidos que podem pro·
vocar tampões na válvula de expansão; as entradas de ar llmido
podem igualmente provocar engomagens por polimerização dos
óleos de lubrificação.

Detecção das emanações com lâmpadas hal6ide


A presença de vapores de fluidos refrigerantes clorofluorados no
ar, pode ser colocada em evidência graças à ldmpada halóide; esta
presença reveladora de emanações de fluido pode, então, permitir a
detecção.
O funcionamento destas ldmpadas é baseado no fato de os vapo-
res dos fluidos clorofluorados (halogênios) se dissociarem ao passa-
rem sobre cobre incandescente. O gás proveniente desta dissociação,
reagindo com o cobre incandescente. O gás proveniente desta
dissociação, reagindo como o cobre ao rubro, provoca a coloração
verde da chama.
Estas lâmpadas, que podem ser alimentadas a álcool, butano,
propano ou acetileno, são construídas de tal maneira que uma
parte do ar de combustão é aspirada por um tubo flexível de borra-
cha ou metálico (Fig. 10). O bico de aspiração passa sobre a parte
suspeita, e a absorção da chama indica se há ou não fuga.
Em caso de fuga, a chama, que é normalmente azul clara, toma
imediatamente uma coloração esverdeada. Se a fuga for significativa,
a chama tomará a cor azul turqueza, se os vapores forem em grande
44
quantidade, então a lãmpada desprenderá uma fumaça acre e tóxica,
e no limite, apagar-se-á.
Em caso de emanações significativa, é necessano arejar o local
. antes de prosseguir as pesquisas, porque a grande sensibilidade da
lâmpada não permitiria localizar a emanação com precisão.

Fig. 10 - Lâmpada detectora de fuga (lâmpada haloide).

Relação temperatura - pressão (Fig. 11)


Cluando um fluido frefrigerante está contido em um reservatório
fechado (garrafa de carga, reservatório de líquido ou evaporador), a
sua pressão é função da sua natureza e da sua temperatura.
A qualquer variação de temperatura corresponde uma variação
de pressão; as variações são, aliás, sempre no mesmo sentido.
À mesma temperatura, fluidos refrigerantes diferentes contidos
em reservatórios fechados não estão sujeitos à mesma pressão, por-
que a pressão que cada fluido suporta é uma das suas características
físicas; as tabelas das constantes físicas dos fluidos refrigerantes,
páginas 36 e 37, indicam claramente que a temperatura de ebulição
à pressão atmosférica é diferente.
Exemplo: três garrafas de carga são carregadas de maneira idênti-
tica com R 11, R 12 e R 22.

45
Pressão: 0,256 bar abs. Pressâ"o: 1,060 bar abs.

Pressão: 2,191 bars abs. Pressão: 6 ,500 bars abs.

Pressão: 3,550 bars abs. Pressâ'o: 10,520 bars abs.


Fig. 11 - Tensão de vapor saturante.
Relação temperatura-pressão.
Se colocarmos uma garrafa em uma mesma ciimara, em uma
determinada temperatura (p. ex., 25 ªCI, registraremos as seguintes
pressões (pressões absolutas): · ·

para o R 11 . . . . . . . 1,060 bar abs.


para o R 12 . . . . . . . 6,500 bars abs
para o R 22 . . . . . . . 1O,520 bars abs
Se colocarmos uma garrafa em uma mesma cilmara, em uma de-
terminada temperatura (p. ex., 25 ªCI, registraremos as seguintes
pressões (pressões absolutas):
46
para o R 11 1 ,060 bar abs.
para o R 12 6,500 bars abs.
para o R 22 1O,520 bars abs.
Em ambiente de 40 ºC, as pressões seriam:
paraoR11 1,748 bar abs.
para o R 12 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 ,582 bars abs.
para o R 22 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 .480 bars abs.
Para obter" uma pressão idêntica, em cada uma das garrafas, a
1,013 bar absoluto, ou seja, ã pressão atmosférica, seria preciso que
as garrafas fossem colocadas, respectivamente, em câmaras cujas
temperaturas seriam:
+ 23,65 ºC . . para o R 11
29,8 ºC. . . . . . . .para o R 12
40,8 ºC . . . . . . . para o R 22
A Figura 12 mostra a evolução das temperaturas e das pressê'os
em di'ferentes pontos de um circuito frigorífico.

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!L-1.++++++++++l+++++H++Hi+" J ".
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P• 1.450b
izs•c
Fig. 12. - Pressões
em diferentes pontos
de um circuito
frigorífico de R 12 e
temperaturas ·
correspondentes.

47
Tabela de correspondência dos Fluoroclorometanos
e dos Fluorocloroetanos

França
Ref.
Fórmula ASRHAE Denominaçlo
Ugine Pêchiney

CC1 3 F R 11 Monofluorotri-
cloro metano Forano 11 Flugênio 11
CCl 2F2 R 12 Difluorodiclo-
rometano Forano 12 Flugênio 12
CCIF 3 R 13 Trifluoromono-
cloro metano Forano 13
CF 3 8r R 13 81 Trifluoro- Forano
brometano 1381
CF 4 R 14 Tetrafluoro-
metano Forano 14
CHCl 2F R 21 Monofluorodi-
cloro metano Forano 21
CHCIF 2 R22 Difluorocloro-
metano Forano 22 Flugênio 22
CHF 3 R 23 Trifluoro-
mono metano Forano 23
C2C>4F2 R 112 Difluorotetra-
cloroetano Forano 112
C2F 3 Cl 3 R 113 Trifluorotri-
cloroetano Forano 113
C2F4Cl 2 R 114 Tetrafluoro-
dlcloroetano Forano 114 Flugênio 114
C2F5 CI R 115 Pentafluoro-
cloroetano Forano 115
C2F 6 R 116 Hexafluoro-
etano
- R502 Azeotrópico de
R22eR115 Forano 502 Flugênio 502
- R 503 Azeotrópico de
R 23 e R 13
(40% R 23
60% R 13
em massa)
Tabela 8
48
U.S.A.
Grã-
Alemanha Itália
Hoescht Bretanha Montedison
l.C.I. Dupont de General
Nemours chemical

Frigênio 11- Arcton 11 Algofrênio 11 Freon 11 Genetron 11

Frigênio 1T Arcton 12 Algofrênio 12 Freon 12 Genetron 12

Frigênio 13- Arcton 13 Freon 13 Genetron 13

Frigen Freon
13 B1 13 81
Frigênio 21- Arcton 21 Algofrênio 21 Freon 14 Genetron 21

Frigênio 2T Arcton 22 Algofrênio 22 Freon 22 Genetron 22

Frigênio 23- Freon 23 Genetron23

Freon 112 Genetron 112

Frigênio 11r Arcton 113 Freon 113 Genetron 113

Frigênio 114- Arcton 114 Freon 114 Genetron 114

Frigênio 115- Freon 115 Genetron 115

Freon 116

Frigenso2- Freon 502

Freon 503

49
Constantes frsicas dos compostos

Denominação R 11 R12 R18 R18B1


Fórmula quimice CCl1 F CCl1F1 CCIF8
---
CF Br 1

Temperatura de ebulição
--- ---
(a 1 atml ºC + 28,8 - 29,8 -81,4 - 57,8
Ponto de fusâ'o ºC -111
---
-155 -181
---
-188
Pressâ'o critica
--- ---
bars absolutos 48,7 40 38,80 39,10
--- ---
Temperatura critica ºC 198 112 28,9 67
Relaçio entre calores --- ---
especlficos: 'Y = ~ 1,136 1,137 1,145 1,135
--- 1,298
Peso espec(fico a a ~OºC 1,487 1,329
à-30°C 1,602
kJ/kg
--- ---
0,858 0,983 1,034 0,824
Calor espec (fico
do liquido a 0,247
él20ºC kcal/kg 0,205 0,235 à-ao•c 0,197
kJ/kõ --- ---
0,502 0,418 0,766 0,167
Calor espec (fico do
vapor sob pressão
constante a + 20 ºC 0,183
kcal/kg 0,120 0,100 à-30°C O,D4
kJ/kg
---
182,04 165,18 148,44
---
118,77
Calor de vaporizaçio à
temperatura de ebuli-
ção normal /ceai/kg 43,5 39,47 35,47 28,38
Grupo de toxicidade 5 6
---
8 6
8 . .,, ---- - - -
UJ UJ
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..
111 E
i..E ...
à·=·~ ..E

Tabela9

50
l grupo dorofluoretos

R14 R21 R22 R113 R 114 R 115 R602


C1CIF1

- 128 + 8,9 - 40,8 + 47,6 + 3,6 - 38,7 - 45,6


---11---- - - - -
- 191 - 135 - 160 - 36,5 - 94 -108
- - - ----1--- -
38,15 51,80 49,30 34,10 32,50 30,9 42,53
---1-----1---- ----
+ 178,4 + 96 + 214 + 145,7 + 80 90,1
45,5
1----1--- - - - - - -
1,220 1,080
à-80 °C 1,175 1,184 à 60 •e 1,088 1,133
----
1,316
---- ---- ---- ----
à -80 •e 1,378 1,213 1,575 1,472 1,430 1,264
1,230 1,071 1,406 0,912 0,996 1,193 1,243
0,294
à - 80 •e o,256 0,336 0,218 0,238 0,285 0,297
--- --- ---- - - - - ----
0,649
0,552 0,469 0,293 0,778 0,686 0,360

0,132
à-80°C 0,112 0,07 0,186 0,155 0,164 0,086
---- ---- ---- - - - - ----
136 242,14 234 146,77 137,27 126 177,80

32,49 57,86 55,92 35,07 32,8 30,1 42,48


----
8
---- ----
5
----
4/5
4/5
-----·----
6 6
---
5

51
Tomemos o exemplo de um sistema funcionando a R 12: se a
pressão de aspiração for de 2,190 bars absolutos (valor lido no ma-
nômetro de aspiração: 1, 18 bar relativo), verificar-se-á que a tempe-
ratura de evaporação será de -10 ºC.
Se a temperatura no evaporador se elevar a O ºC, a pressão subirá
igualmente até 3,085 bars absolutos (ou seja, 2,072 bar relativos).
Pressão de vapor saturante
O vapor saturado (ou saturante) é o vapor que está em contato
com o líquido que lhe deu origem.
Em um reservatório fechado, o nível do líquido não tem efeito
sobre pressão.
Se pegarmos dois reservatórios, um cheio até três quartos e o
outro até um quarto, e os colocarmos em cctmaras de temperaturas
ambiente iguais, as pressões registradas nos dois reservatórios serão
idênticas (ver Fig. 11 ).
Desde que haja líquido nos reservatórios, o nível deste líquido
não influirá na pressão; mas, se em um destes reservatórios só houver
temperatura mais elevada, a pressã'o no reservatório que contém
liquido será superior à daquele que contém só vapor.
Curvas de tensão de vapor
As curvas da Figura 13 estã'o estabelecidas em coordenadas arit-
méticas. Os fabricantes de fluidos refrigerantes fornecem, atual-
mente, diagramas cujos eixos foram graduados:
As curvas da figura 13 estão estabelecidas em coordenadas arit-
méticas. Os fabricantes de fluidos frigorfficos fornecem, atualmente,
diagramas cujos eixos foram graduados:

1) O eixo das abscissas: em inversos das temperaturas absolutas:

T
2) O eixo das ordenadas: em logaritmos das pressões absolutas:
log p.
Pensamos ser mais sensato fazer esta nova representação depois
da antiga (Fig. 14).
O interesse desta representação é de permitir, por um lado, ter
no mesmo gráfico as curvas de tensão de vapor de fluido refrigerante
que abrangem, sob o ponto de vista de características físicas, desde .
o R 113 ao R 13 e, para cada um, fazer figurar o ponto crítico e,
por outro lado, transformar em retas as curvas de tensão de vapor
da figura anterior.
52
Principais constantes tisicas dos fluidos refrigerantes usuaiL

R 12 R 22 R 602 NH1

Calor específico do líquido a 30 ºCem kJ/kg 1,004 1,400 1,080


kcal/kg 0,240 O,S35 0,260
Calor específico do vapor 0,481 0,418 0,481 1,255
kJ/kg
a -10 ºC a pressfo constante Cp, em 0,115 0,100 0,115 o,so
kJ/~al/kg 159,32 214,30 156,70 1295,85
Calor de vaporizaçfo a - 1O ºC, em 38,07 51,20 37,44 309,64
kcal/lcg
Peso específico do 1íquido em kg/dm 3 a + 25 ºC 1,311 1,194 1,242 0,8028
Peso específico do líquido em kg/dm 3 a - 10 ºC 1,425 1,318 1,380 0,8520
Ponto de ebuliç6o à pressá"o atmosférica ' -
29,8 - 40,8 - 45,6 - 33,3
Ponto de fuslo em ºC -155
40
-160
49,30
-
42,53
- 77,9
113
Presslo crítica 1111'1 bars absolutos
Temperatura crítica em ºC 112 96 90,1 132,4

Relaçlo entre calores específicos 'Y = Cp 1,137 1,184 1,133 1,312


Tenslo de vapor (bars absolutos) a -1'6"0 c 2,191 3,610 4,147 2,910
Volume específico do Hq. em dm 3 /kg a - 1O ºC 0,7018 0,7582 0,7248 1,5338
Volume específico do vapor em m 3 /kg a -10 ºC 0,078 0,065 0,044 0,418

Tabela 10
Escala de toxicidade dos gases
do "National Board of fira Underwriters" (EUA)
Exemplo de
Características do Teste Produtos

Gás ou vapor que, em uma concentraçâ'o da


ordem de 1/2 a 1% em volume, para períodos Anidrido
1 de permanência da ordem de 5 minutos, apre- sulfuroso.
senta perigos mortais, ou produz perturbações
muito graves com seqüelas.
Gás ou vapor que, em uma concentraçã'o da
ordQm de 1 /2 a 1% em volume, para períodos Amoníaco.
2 de permanência da ordem de 1/2 hora, apre- Brometo
senta perigos mortais, ou produz perturbações de metilo.
muito graves com seqüelas.
Gás ou vapor que, em uma concentraçã'o da Formiato
ordem de 2 a 2 1/2% em volume, para perfo- de metilo.
dos de permanência da ordem de uma hora, Clorofórmio.
3 apresenta perigos mortais ou produz perturba- Tetracloreto
ções muito graves com seqüelas. de carbono.
Gás ou vapor que, em uma concentração da Dicloroetileno
ordem de 2 a 2 1 /2% em volume, para perlo- Cloreto
dos de permanência da ordem de 2 horas, de metilo.
4 apresentam perigos mortais, ou produz pertur- Brometo
bações graves com seqüelas. de etilo.
Cloreto de
metileno.
Cloreto
4/5 Toxicidade intermédia entre 4 e 5. de etilo.
R 112, R 113,
R 21.
R11, R22,
R502.
Gases ou vapores, menos tóxicos que os do a) Gás
5 Grupo 4, mas mais tóxicos que os gases do carbônico.
Grupo 6. b) Butano,
etano,
propano.
Gás ou vapor que, em uma concentraçâ'o da
ordem de 20% em volume, para períodos de R12, R13,
6 permanência de pelo menos 2 horas, não apre- R13, B1, R23,
R114, R503.
sentam perigos graves.
Tabela 11
54
R13
f 22 R502
m
.e 20 / , IJH3
E R22
: 18 / //
fl
.a 16 / //
.g!il 14 J //
t 12
V / V RlZ

J: 10 / V~ // CH30
8
,.v Ih" ,,,.".'.'. /
6 V h V ~V
4 V ~V L...-:::: V
~~~
---
~ R113
t ~
~

o
-50" -40• -30• -zo• -io• o• •to• •ZO' •3o' •4o' •So"
Temperatura em ºC
Fig. 13. - Curvas das tensões de vapor saturado dos principais
fluidos refrigerantes. (Representação p - t).
Produção volumétrica especrtica
R 12: CF 2 Cl 2

·o
Q. Q.
Od°C
Em
.. > kJ/kg kcalfkg
F m
"ti
a.•c 15 20 25 30 15 20 25 30
-- --- --- - - - --- -- -- -- - -
-50 301,32 288,76 275,80 262,82 72 69 65,9 62,8
-45 389,20 372,90 356,60 340,24 93 89,1 85,2 81,3
-40 496,34 476,25 455,75 435,24 118,6 113,8 108,9 104
-35 626,50 601,40 576,70 551,16 149,7 143,7 137,8 131,7
-30 781,34 751,21 720,66 689,27 186,7 179,5 172,2 164,7
-25 965,48 928,65 891,82 854,16 230,7 221,9 213,1 204,1
-20 1183,10 1138,74 1 093,96 1 048,76 282,7 272,1 261,4 250,6
-15 1 439,22 1 386,07 1 332,92 1 278,94 343,9 331,2 318,5 305,6
-10 1 738,03 1 675,68 1 612,48 1 548,03 415,3 400,4 385,3 369,9
-5 2 082,03
o 2 479,20
2 008,38
2 932,56
1 933,89
2 305,50
1 858,14
2 216,80
497,5
592,4
479,9
571,7
462,1
550,9
444
529,7
+ 5 2 936,20 2 835,75 2 734,06 2 630,70 701,6 677,6 653,3 628,6

Tabela 12

55
Produção volumétrica especifica
R 22: CHF 2 CI

. ...
o ed •e
a. a.
E"'
CD> kJ/kg kcalfkg
F CD
"C
e. •C 15 20 25 30 15 20 25 so
-- --- --- --- - - - - - -- -- - -
-50 510,57 489,65 468,72 447,80 122 117 112 107
-45: 657,05 627,75 477,10 573,35 157 150 114 137
-40 828,63 795,15 761,67 728,20 188 190 182 174
-35 1 042,07 1 004,40 962,55 920,70 249 240 230 220
-30 1 293,17 1 242,95 1192,73; 1142,50 309 297 285 273
-25° 1 577,75 1 519,15 1 456,40 1 397,80 377 363 348 334
-20 1 929,30 1 858,14 1 782,80 1 707,48 461 444 426 408
-15 2 326,86 2243,16 2155,27 2 067,40 556 536 515 494
-10 2808,14 2 707,70 2598,88 2494,26 671 647 621 596
- 5 3352,19
o 3 988,30
3235
3846
3105,27
3699,50
2 983,90 801
3 553,07 953
773
919
742
884
713
849
+ 5 4 708,13 4544,90 4373,33 4201,74 1125 1086 1045 1004

Tabela 13

Produção frigorlfica específica


R502
8d •C
8.
ó.
E"'
CD> kJ/kg kcal/kg
1- .g
e0 °c 15 20 25 30 15 20 25 so
-- --- --- --- --- -- -- -- --
-50 531,50 498,01 468,72 435,24 127 119 112 104
-45 677,98 640,30 602,64 560,79 162 153 144 134
-40 857,93 807,70 761,70 715,64 205 193 182 171
-35 1 075,55 1 016,95 958,37 899,78 257 243 229 215
-30 1 335,00 1 268,05 1 209,47 1104,85 319 SOS 289 264
-25 1 640,50 1 556,80 1 468,94 1 385,24 392 372 351 331
-20 2 004,61 1 900 1 799,50 1 657,26 479 454 430 396
-15 2 427,30 2 314,30 2176,2 2059 580 553 520 492
-10 2 916,95 2 774,70 2 632,37 2 485,90 697 663 629 694
- 5
o
3494,48
4134,78
3327,08
3954,83
3151,30
3 762,30
2 992,28
3 561,44
836
988
796
946
153
899
715
861
+ 5 4888,10 4666,28 4 431,92 4210,11 1168 1116 1069 1006

Tabela 14

56
•-••""'"'..-v "9U' •atnlt V l.Vlllf'DtGl.UlG:t 'rlUIUU:i n 11. 1 n .e,..e,., ft ::JU.e.., l"M3J

Temp, R 12 R 22 R 502 NHa


•e
bars pslg (1) bara palg (1) bars pslg (1) bars pslg (1)

-50 465(2} 18,50(3) 210(2) 10,50(3) 141!(2) 5,50(3} 450(2) 18,00(3}


-45,8 o o
-45 380 14,95 130 6,00 0,025 0,40 350 13,60
- 40,8 o o
-40 276 11,00 O,G40 0,80 0,300 4,35 220 8,70
-35 150 6,00 0,810 4,50 0,610 8,90 60 2,40
- 33,3 o o
-30 0,635 7,60 0,975 14,30 0,160 2,65
- 29,8 o o
-25 0,225 3,30 0,950 13,90 1,400 20,50 0,495 7,20
-24
-20 0,500 7,30 1,445 21,10 1,830 26,50 0,890 13,00
~ -15
-10
0,815
1,175
11,70
17,00
1,950
2,540
28,00
37,00
2,470
3,140
36,50
46,00
1,350
1,900
19,50
28,00
- 5 1,590 23,20 3,210 47,00 3,870 57,00 2,510 37,00
o 2,070 30,00 4,000 58,20 4,700 88,00 3,280 47,00
+ 5
+ 10
2,610
3,220
37,50
48,00
4,870
5,840
70,50
85,00
5,640
6,670
82,00
97,00
4,150
5,140
60,00
74,00
+ 15 3,900 56,00 6,930 101,00 7,840 114,00 6,260 91,00
+ 20 4,650 67,00 8,150 118,00 9,120 133,00 7,550 110,00
+ 25 5,500 60,00 9,510 188,50 10,500 153,00 9,000 131,00
+ 30 6,350 92,50 11,010 161,00 12,090 177,00 10,670 156,00
+ 35 7,450 109,00 12,730 186,00 13,800 202,00 12,490 182,00
+ 40 8,800 125,00 14,470 211,00 15,610 228,00 14,520 212,00
+ 45 9,800 143,00 16,530 242,00 17,600 264,00 16,800 245,00
+ 50 11,130 165,00 18,610 273,00 20,410 297,00 19,290 279,50
(11 psig - pound per square inch gauge
Libras por polegada quadrada (pressões relativas lidas nos manômetros).
(2) Vácuo em mm de Hg.
(3) Vácuo em polegadas (pol) de Hg.
Tabela 15
Tabela da vapor para o R 12

Volume
t~
tb m Peso espec: !fico Calor da
CI. .. especifico vaporlzaçlo
E ::s
i! ! e!
o.. m liquido vapor liquido vapor
kJ/kg kcal/ko
•e bars dmª/kg m'/kg ,ko/dm' kli/mª
-- --- ---
-50 0,392
--- ---
0,8488 0,3854 1,548
--- --
2,595 174,05 41,69
-40 0,642 0,6592 0,2441 1,517 4,097 170,80 40,81
-30 1,0046 0,8725 0,1813 1,487 6,200 167,28 89,97
-20 1,5098 0,6868 0,1107 1,456 9,034 163,47 39,(16
-10 2,1910 0,7018 0,07813 1,425 12,80 159,32 31.07
o 3,0856 0,7173 0,05667 1,394 17,65 154,80 36,99
+ 10 4,2301 0,7312 0,04204 1,382 23,79 149,90 35,112
+ 20 5,6688 0,7524 0,03175 1,329 31,50 144,50 U,61
+ 30 7,4344 0,7734 0,02433 1,293 41,11 138,66 31,11
+ 40 9,5818 0,7988 0,01882 1,255 53,13 181,95 31 ,61
+ 50 12,1465 0,8244 0,01459 1,213 68,86 124,68 19,79

Tabela 16

Tabela da ~por para o R 22

Calor da
t~
cli m Voluma Peso aspec:lfico•
CI. .. especifico vaporizaçio
E ::s
I! lil
i! ! o..i liquido va~r· ll~ido vapor

--
oC dril"/kg m/kg kg/dm" kg/cm" kJ/kg kcat/ko
-- --- --- --- --- --- --
bars

-50 0,647 0,6950 0,323 1,438 3,096 239,40 fil,fO


-40
. -30
-20
1,055
1,646
2,460
0,7086
0,7235
0,7405
0,205
0,135
0,0929
1,411
1,382
1,350
4,878
7,407
10,76
233,74
227,45
220,84
::==
61,77
-10 3,550 0,7582 0,0654 1,318 15,29 214,27 61,fO
o 5,00 0,7785 0,0471 1,285 21,23 208,88 49,43
+ 10 6,85 0,8004 0,0346 1,249 28,90 198,20 47,36
+ 20 9,16 0,8244 0,0258 1,213 38,76 188,32 46.00
+ 30 12,02. 0,8501 0,0194 1,176 51,55 177,19. 42,!U
+ 40 15,48 0,8830 0,0148 1,132 67,57 164,68 39,35
+ 50 19,61 0,9214 0,0113 1,085 88,50 151,07 36,10

Tabela 17

58
Tabela de vapor para o R 502

d> ..
a. "' .g; Volume Peso específico Calor de
E :::i
~!
=s
I!! .e
específico
líquido vapor líquido vapo~
vaporização

·e Q. "'
bars dmª/ko. mª/kg kg/dmª kg/mª kJ/kg kcal/kg
-- --- -
-50 0,821 0,6617
---
0,2012
- - - --- --- - - -
1,511 4,971 179,87 42,98
-40 1,310 0,6755 0,1303 1,4802 7,6752 174,55 41,71
-30 1,990 0,6904 o,oan 1,4482 11,3934 169 40,38
-20 2,920 0,7067 0,0611 1,4149 16,3724 163,04 38,96
-10 4,150 0,7248 0,0436 1,3800 22,9102 156,69 37,44
o 5,720 0,7447 0,0319 1,3433 31,372 149,78 35,79
+ 10 7,700 0,7666 0,0237 1,3046 42,232 142,25 33,99
+ 20 10,130 0,7916 0,0178 1,2636 56,139 133,92 32,00
+ 30 13,100 0,8203 0,0135 1,2196 74,022 124,54 29,76
+ 40 16,840 0,8540 0,0103 1,1711 97,307 113,87 27,21
+ 50 20,850 0,8958 0,0078 1,1163 128,328 101,44 24,24

Tabela 18

Tabela de vapor para o amoniaco (NH 3 )

d>
Q. CD ri;"' Volume
específico
Peso específico Calor de
vaporização
.,E~... :: "ã
~ I!!
•e
.til
bara
líquido vapor· líquido vapor
dmª/ko m1/kg kg/dmª kg/m• kJ/kg kcal/kg
-- --- --- - - - --- - --- ---
-50 0,408 1,4245 2,623 0,7020 0,3812 1413,70 337,8
-40 0,718 1,4493 1,550 0,6900 0,845 1386,50 331,3
-30 1,198 1,4757 0,9630 o,6m 1,038 1358 324,49
-20 1,900 1,5037 0,6236 0,6650 1,604 1327,85 317,29
-10 2,910 1,5338 0,4184 0,6520 2,390 1295,85 309,64
o 4,300 1,5660 0,2897 0,6386 3,452 1261,86 301,52
+ 10 6,150 1,6008 0,2058 0,6247 4,859 1225,54 292,84
+ 20 8,550 1,6386 0,1494 0,6103 6,694 1186,66 283,55
+ 30 11,690 1,6800 0,1107 0,5952 9,034 1144,97 273,59
+ 40 15,540 1,7257 0,0833 0,5795 12,005 1100,0'2 262,85
+ 50 20,300 1,n15 0,0635 0,5628 15,75 1051,85 251,34

Tabela 19

59
.,
~
.o ~00
N H3
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~ 50
_.,/ I /
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V
C:H'Cl~5 ,,V
./
0.02
0.001
·70 -60 ·50 ·40 -30 -20 -10 o •10 •20 •30 "'°"'°"60 75 100 125 150
Temperatura em ºC
Fig. 14. - Curvas das tensões de vapor saturado dos principais

fluidos refrigerantes {representação - log p -4)

60
CAPÍTULO IV

OS COMPRESSORES

O modo como o fluido refrigerante é comprimido nos compres-


sores permite classificá-los em duas grandes categorias:
11 Os compressores volumétricos: compressores nos quais o
fluido é comprimido pela variaçã'o do volume de uma capacidade,
para a qual ele foi posteriormente aspirado.
21 Os compressores centrífugos: compressores nos quais a com-
pressão do fluido é devida aos efeitos da força centrífuga.
Os compressores volumétricos são os únicos que nos interessam
nesta obra, pelo q'ue examinaremos como pode ser obtida a com-
pressão neste tipo de compressor.
Nos compressores volumétricos, a compressão pode ser feita com
o auxílio de um (ou vários) êmbolo (s), deslocando-te em uma capa-
cidade de volume dado, chamados de compressores alternados;
ou pelo deslocamento no interior de um corpo cilíndrico oco (es-
tator), de uma massa cilíndrica excêntrica (rotor), atuando sobre
uma palheta móvel, que sâ'o os compressores rotativos.
Estes dois tipos de máquinas são, atualmente, construídos sob a
forma de "motocompressores" herméticos ou herméticos acessí-
veis; estes compressores serio o assunto de um capítulo especial.
Neste capítulo só examinaremos os compressores de pequena
potllncia, nos quais o virabrequim pode ser substituído por um ex·
cêntrico, e a velocidade linear dos êmbolos é menor.
Como em todos os conjuntos êmbolo - cilindro, os fins de curso
têm o nome de:
ponto morto inferior: volume máximo do cilindro;
ponto morto superior: volume mínimo do cilindro.
Teoricamente, este volume mínimo é nulo; na prática, existe no
fim de curso um espaço mio aproveitado de 0,2 a 0,3 mm, para evi·
tar os acidentes mecânicos devidos à dilataçã'o. ·
Diafragmas recortados cuidadosamente em uma h!lmina de aço
especial (aço sueco), desempenham o papel de válvulas.
Eles sã'o livres e comandados unicamente pelas diferenças de
pressão a que estio submetidos.
Assim, o diafragma de aspiraçio se abre quando a pressão dos
gases na caixa de aspiraçio é superior à existente no cilindro,
durante o curso de aspiraçã'o do llmbolo. Ele assegura, assim, o en-
chimento do cilindro com ar novo.
61
Ao contrário, é mantido no seu lugar pela pressfo superior dos
gases comprimidos, quando o êmbolo sobe.
O diafragma de compressão é mantido no seu lugar durante o
curso de aspiração, pela pressão existente no condensador; mas se
abre quando a pressão dos gases no cilindro se torna superior à
pressão do condensador.
Eles são montados sobre uma placa - chamada placa de diafrag·
mas - com juntas entre cilindros .e cabeças de cilindro.
Nos antigos compressores de aspiração pelo cárter, o diafragma
de aspiração era montado sobre o fundo do êmbolo e mantido no
seu alojamento por um freio, deixando-lhe uma tolerância de 0,3 a
0,4 mm; a admissão do ges era feita pelo interior do êmbolo.
Em certos compressores, o diafragma de aspiração é substituído
por "aberturas" ou "orifícios" de aspiração, colocados de tal modo
na camisa do cilindro que, quando o êmbolo está no ponto morto
inferior do seu curso, estes orifícios ficam descobertos em um déci·
mo de milímetro para permitir a admissll'o do gás; e obstruídos
quando o êmbolo sobe em direção ao ponto morto superior.
O diafragma de compressão é auxiliado, no seu fechamento
rápido, por uml! pequena mola, a qual assegura, por outro lado, um
bom ajustamento do diafragma no seu assento.
Um dispositivo de segurança, baseado na compressão de uma
mola mais potente, limita a elevação normal do diafragma; mas, no
caso de compressão, de fluido refrigerante líquido ou de 61eo, esta
mola cede ã pressão da mistura incompressfvel comprimida, e a
seção de passagem, aumentada deste modo, impéde a deformação
do diafragma.
Em certos compressores, este dispositivo é substituído por um
batente que limita a elevação máxima do diafragma, elevaçll'o esta
suficiente para evitar os inconvenientes dos golpes de líquido.

Vedação do compressor
O movimento do compressor faz-se por virabrequim ou por
manivelas e árvore de excêntrico.
A vedaçll'o do corpo, no ponto de saída da árvore do cárter, é
assegurada por um dispositivo chamado gaxeta de estopa; o termo,
aliás, é impróprio, porque a vedaçã'o na árvore por compressll'o de
juntas de estopa ou de metal anti·fricção é muito dificilmente obti·
da com os fluidos utilizados e, como impossibilita todo o funciona·
manto automático, o seu emprego em refrigeraçã'o foi abandonado
há muito tempo, já que aqui a importância de uma amanaçã'o, mas-

62
mo pequena, pode originar incidentes graves no funcionamento. Foi
constru Ido um outro dispositivo de vedação, segundo as duas varian-
tes seguintes:
- as caixas de vedaçã'o de fole.
- as gaxetas rotativas.
1? Caixa da vedação de fole (Fig. 15)
O conjunto é composto por uma membrana pregueada em
fole, (4) feita de metal tombaqua (cobre e zinco). Em uma extremi-
dade é soldada uma copela de latã'o (3) e, na outra, um rebordo de
fricçã'o em bronze especial (com chumbo, silício, etc.) (6).

1
2

5--
1
1

-~·t-
1 :
--·----'---·
• 1

1 '

6 7

Fig. 15 - Caixa de vedação de fole


1. Tampa 2. Junta de Lingerita
3. Copela de latão 4. Membrana pregueada (tombaque)
5. Mola de pressão 6. Rebordo em bronze
7. Suporte em aço nitrurado 8. Junta de neoprene.

63
Uma mola filetada, calculada com precisão (5), assegura a união
deste rebordo ao suporte (7), com uma força bem determinada. r:
colocada no interior ou no exterior do fole, conforme a preferência
do construtor.
O movimento do rebordo se faz sobre um suporte em aço ce-
mentado ou nitrurado e depois retificado. Este suporte apóia-se
contra um ressalto da árvore e suporta a fricção do rebordo da caixa
de vedação.
Este suporte móvel que veda a árvore, graças a uma gaxeta de
borracha (81 resistente à ação dos hidrocarboretos, pode ser substi-
tuído rapidamente quando gasto.

2 4 5 6
Fig. 16 - Gaxeta rotativa.

1. Ressalto esmerilhado 2. Anel de carbono


3. Junta de vedação 4. Anel de acoplamento
5. Anel de aperto 6. Mola de pressão
7. Copela de apoio e de 8. tampa
centragem da mola 9. Junta de lingerita.

64
A grande dificuldade lt impedir qu~Aº gás do cárter se infiltre
entre os munh6es anulares do anel de Yrlcção e da árvore ou do su-
porte móvel.
Só pode ser obtido um bom resultado se houver um contato
íntimo entre estas peças, cujas superfícies devem ser perfeitamente
esmerilhadas e isentas de qualquer defeito.
A lubrificação entre as duas peças friccionantes lt assegurada pelo
arrastamento do 61eo.

"P. Gaxeta rotativa (Fig. 16)


As gaxetas rotativas, ao contrário das gaxetas de fole, possuem
muitos modelos diferentes, mas examinaremos apenas uma, porque,
se a montagem difere conforme os construtores, o princípio man-
têm•.
Neste caso, a parte fixa é um ressalto (1 l usinado com precisão,
retificado e calibrado com o flange de fecho (8). Neste ressalto vem
se encaixar um anel de carbono (2), que tem um movimento de ro-
tação solidário com a árvore, devido ao seu acoplamento - co.m o
auxílio do anel (4) - com a junta de vedação (3), que assegura a
vedaçlo ao longo da árvore, por ser apertada sobre este pelo anel (5).
A fricção do anel de carbono sobre o seu suporte faz-58 sobre
pressão constante, graças à mola de pressão (6) centrada com a
copela (7), estando esta apoiada em um ressalto da árvore, à saíd~
do mancai dianteiro. A vedação entre o corpo do compressor e o
flange de fecho (8) lt assegurada por uma junta (9).

A lubrificaçio (Fig. 17)


Na maioria dos casos, a lubrificação se faz por lavagem do gás.
A quantidade de 61eo determinada paio construtor deve, teorica-
mente, assegurar a lubrificaçlo de modo contínuo das partes mecã-
nicas. Mas os gases aspirados se misturam, em maior ou menor quan-
tidade, com o óleo do cárter, e a emulsão produzida pela vaporiza-
çlo dos gases dissolvidos favorece o arrastamento do ltleo.
Este 61eo arrastado, alltm das anomalias que provoca no funcio-
namento (dificuldades 11a troca térmica no evaporador), faz falta
no cárter para assegurar a lubrificação.
Os processos para evitar este inconveniente do os seguintes:
19 Separaçlo entre o óleo e os gases aspirados, por intermltdio
de uma chicana colocada à entrada do compressor (aspiração pela
cabeça do compressor substituindo os dispositivos antigos de aspi-
ração direta pelo cárter).

65
29 Colocação de um separador de óleo entre o compressor e o
condensador. Este aparelho, que estudaremos em um capítulo pos·
terior, contém um dispositivo de bóia que facilita o retorno ao cár·
ter do óleo arrastado pelos gases comprimidos.
Para os compressores de alta velocidade (1 400 rpm), a lubrifi·
cação - a partir de uma portência variável, conforme os constru·
tores - é efetuada sob pressão, por intermédio de uma pequena
bomba de engrenagens ou palhetas, montada na extremidade da
árvore. Este processo assegura uma lubrificação normal, mesmo com
uma quantidade de óleo reduzida; mas, para evitar as obstruções
da tubulação, devido às impurezas contidas no óleo, é necessário
colocar, à entrada do circuito de aspiração da bomba, um coador
de óleo com rede de malha muito fina.

Fig. 17 - Compressor de aspiração com cabe~a de culatra e de


lubrificação por lavagem de gas.
(Doe. C.O.M.E.F.)

66
Fig. 18 - Grupo compressor em V.
Condensador com radiador.
(Doe. C. O. M. E. F.)

Características dos óleos


A escolha dos óleos de lubrificação para compressores frigorífi-
cos é um problema delicado que não nos pertence resolver no plano
deste formulário.
Vamos definir, no entanto, as qualidades que deve apresentar um
óleo para a lubrificação de máquinas frigoríficas.
Óleos minerais normais
Estes óleos derivam da destilação do petróleo, e devem apresen-
tar as seguintes qualidades:
1) Baixo ponto de coagulação (< -40 º C).
2) Acidez mineral nula.
3) Teor em água nulo.

67
41 Não-higroscópico.
51 Viscosidade apreciável a alta temperatura.
61 Teor em parafina nulo (ou muito fraco).
71 Ponto de ruptura superior a 140 ºC.
SI Ponto de combustão: cerca de 200 ºC.
As exigências enumeradas implicam que apenas os óleos deriva-
dos de petróleo podem ser utilizados em refrigeração. De acordo
com as suas qualidades, estes óleos podem ser aplicados com deter-
minados fluidos e nâ"o podem ser misturados entre si.
Ôleos minerais de síntese
Mais recentes que os óleos minerais normais, os óleos minerais
de síntese, cujos componentes derivam do petróleo, podem ser utili·
zados na lubrificaçâ"o dos compressores. Resistem especialmente à
açâ'o dos fluidos refrigerantes usuais.
O poder lubrificante destes óleos é idêntico àquele dos derivados
diretamente do petróleo. As suas qualidades permitem que alguns
deles sejam comuns a todos os fluidos clorofluorados e, em certas
condições, ao amoníaco; slio aplicáveis entre - 100 ºC e + 140 ºC e
são muito miscíveis, em todas as proporções, com os óleos derivados
do petróleo utilizados atualmente. Podem ser testados nas instala-
ções em funcionamento, sem necessidade de escoamento e lava-
gem das mesmas. São miscíveis com o R 22 e e R 502 até - 70 ºC
e - 60 ºC, respectivamente.

As juntas
Devem ser fabricadas com materiais suficientemente plásticos,
mas resistentes ao esmagamento e inalteráveis pela ação combinada
do óleo e do fluido refrigerante utilizados nas instalações. O seu
corte deve ser regular e devem ser ligeiramente menores que as par-
tes acopladas, para evitar que o fluido frigorífico lamine os seus
rebordos e arraste partículas para o circuito.
Devem ser rigorosamente calibradas quanto a espessura, princi-
palmente as que asseguram a vedação entre cilindros e válvulas, de
modo a manter um espaço neutro correto.
Materiais recomendados:
- a "Klingerita" (não confundir com o amianto comprimido
comum);
o Neoprene (à base de borracha sintética comprimida);
- o chumbo antimonioso;
- e certos papéis de composiçlio especial impregnados de gli-
cerina.
68
Como é evidente, o material de que saõ fabricadas as juntas deve
ser compatível com o fluido refrigerante utilizado na instalação.

Os segmentos
Estes pequenos anéis de ferro fundido, extensíveis, cujo objetivo
é assegurar a vedação constante entre o êmbolo e o cilindro, são
indispensáveis desde que o diâmetro dos êmbolos se aproxime dos
50 mm. São menos importantes nos êmbolos pequenos. Neste caso
são, muitas vezes, suprimidos e substituídos por pequenas anilhas
circulares, que se enchem de óleo durante o funcionamento. Assim,
a ajustagem do êmbolo no cilindro deve ser feita com muita pre-
cisão. O mínimo desgaste implica mau rendimento do aparelho.

Refrigeração da cabeça do compressor


Quando o êmbolo comprime os valores do fluido refrigerante, o
aumento rápido da pressão provoca a elevação da temperatura dos
vapores, cuja elevação está localizada na culatra do compressor e
nos pontos elevados do cilindro. Conforme os fluidos, a temperatura
pode atingir, e até ultrapassar, 100 ºC (NH 3 ).
A estas temperaturas, o óleo arrastado pelos gases pode sofrer
alteração com formação de carbono, podendo originar a obstrução
das tubulações ou dos filtros.
A refrigeração da cabeça do compressor permite baixar atempe-
ratura dos vapores comprimidos e melhorar, assim, o rendimento
deste: Por isso, ela é aplicada na maior parte dos compressores de
grand~ capacidade.
Se o condensador do grupo for refrigerado com água, ela será
utilizada na refrigeração da cabeça do compressor, antes de ser
evacuada (compressores a amoníaco).
Os fluidos clorofluorados aquecem menos que o amoníaco e,
como são os únicos utilizados em refrigeração comercial, os pontos
elevados do cilindro e a culatra são simplesmente munidos de
aletas, mesmo que a condensação seja assegurada por água.
No caso de condensação por ar, o ar contribui para o esfriamento
dos pontos elevados do cilindro e da culatra.

Válvulas de serviço
Válvulas de aspiração e de compressão (Fig, 19)
As válvulas de aspiração e de compressão montadas no com-
pressor são de um tipo específico e de duplo efeito. A agulha é
um bicone, e as válvulas são de duplo assento.

69
As três posições possfveis da agulha permitem estabelecer os se-
guintes circuitos:
Posição 1: Agulha fechada sobre o assento traseiro (7) - (quadro
de manobra totalmente aberto, sentido anti-horário).
Nesta posição, o oriffcio de tomada de pressão (3) está obstruí-
do e, então, 1§ possfvel retirar-se a rolha (9) que o veda e acoplar um
manômetro, uma tubulação de carga ou uma tomada de pressão.
Pelo contrário, existe ligação entre o compressor (11 e a tubu·
lação (2), correspondente à válvula de aspiração ou de compressão.

Fig. 19 - Válvula de compressor.


1. Orifício de ligação com o compressor.
2. Orifício de ligação com a tubulação.
3. Orifício de tomada de pressão.
4. Válvula e haste da válvula.
5. Quadro de manobra da haste da válvula.
6. Assento posterior da válvula.
7. Assento anterior da válvula.
8. Calota de proteção.
9. Rolha obturadora da tomada de pressão.
Posição li: Agulha fechada sobre o assento posterior (6) - (qua-
dro de manobra totalmente fechado, sentido horário).
Nesta posiç§o, a tubulação correspondente (2) está obstru Ida;
existe ligação entre o compressor (1) e o orifício (3) de tomada de
pressão.
Posição 111: Agulha entre as suas posições extremas, dianteira e
traseira.
Nesta posição, existe ligação entre o compressor (1 ), a tubulação
(2) e o orifício (3) de tomada de pressão.

70
Vãlvulas de circuito líquido
Sio do tipo de efeito simples. Em funcionamento normal, as
vãlwlas devem estar ligadas ao seu assento traseiro lposiçlo 1),
gaxetas de vedação apoiadas e calotas de proteçio IS) apertadas.
Por vezes, quando uma agulha fica fortemente bloqueada, o es-
forço brutal sobre a chave de manobra pode fazer com que o quadro
da haste da agulha corra o risco de fissurar ou mesmo quebrar. Neste
caso, basta dar uma leve martelada na parte superior do quadro,
para facilitar o desbloqueamento.

Acionamento dos compressores


e produzido, na maioria dos casos, por correias de seçio trape-
zoidal, sendo utilizado o acionamento direto apenas nos compres-
sores rotativos Ouva de acoplamento) e nos motocompressores
herméticos e herméticos acessíveis lárvore comum ao motor e ao
compressor).
As correias trapezoidais superaram as planas, porque o seu coe-
ficiente de aderência é três vezes maior que o destas, devido a seu
acunhamento na garganta da polia, o qual suprime o deslizamento
IFig.20).
Uma correia, ao ser montada, nio deve ficar muito esticada para
evitar uma grande traçio sobre a árvore e um desgaste prematuro.
No entanto, nio deve ficar "frouxa" para evitar a patinagem no ar-
ranque.
e indispensável haver um alinhamento correto entre o volante
e a polia, para evitar "fissuramento" de correia, o que, por deforma-
çá'o do entrançado que forma a armadura, provocaria um desgaste
prematura destas. Este alinhamento pode, aliás, ser facilmente verifi-
cado com uma régua ou, â falta desta, com um fio fino.
A própria natureza destas correias !armadura em fios de algodio
ou náilon e borracha armada com tela) implica diâmetros mínimos
de enrolamento, para evitar a ruptura das cordoagens ou dos fios
que formam a armadura da correia.
Estes diâmetros mínimos de enrolamento dependem da seçlo da
correia utilizada, e estio indicados na tabela 20, abaixo.
Recordemos que estas correias sio designadas por dois n(lmeros,
o primeiro indicando a base maior do trapézio, e o segundo a altu-
e
ra, sio expressos em milímetros. Em refrigeraçio comercial, as
s~ mais utilizadas sio as seguintes:
L10x6 13x8 17x11]

71
Estas seções são igualmente designadas por uma "letra de refe·
rincia" que, para as seções indicadas acima, são:
Z A B

Seção da correia Diâmetro primitivo

Referência 1N h Normal M(nimo

z 19 X 6 60 50
A 13X 8 80 70
B 17 X11 128 108

Tabela20

Para determinar o comprimento de uma correia li preciso calcu·


lar, em primeiro lugar, os "dilmatros primitivos" da polia do motor
e do vo.lante do compressor,
Conhecendo os dilmetros externos, os diâmetros primitivos
terão, então, os seguintes valores:

Tipo de correia 13 X 8 17 X 11

Diâmetro primitivo: D De -10 De- 13

Calculados esses diâmetros, e conhecendo a distância E entre os


dois eixos das polias, o comprimento teórico primitivo da correia
terá por valor:
L' = 2E + 1,57 (D + d) + (D - d) 2
2 4E
E 4oº

N 2 tr/mn 1 2 3
Fig. 20 - Secção de uma correia trapezoidal e elementos detenni·
nantes de uma transmissão.
1. Cordoagens ou fios da armadura
2. Corpo da correia (borracha)
3. Tela de revestimento.

72
Calculado este valor, d necessário escolher entre os comprimen·
tos padronizados, a correia tendo comprimento L mais aproximado
de L'.
Uma vez. feita esta escolha, a distdncia real entre os eixos motor-
compressores terá como valor:
E = L- 1,57 ID +d) _ _ _.........
ID--..-....-d.._)2_ __
2 4[;L-1,57 ID +d)]
A distância real entre os eixos pode ser ajustada fazendo-te des·
locar o motor da comando nas suas corrediças, as quais nos perrni·
tinio assegurar uma tensão correta da correia. Este resultado será
obtido se, am ambas as extremidades do afastamento real E, tiver·
mos uma variaçio poss(vel de:
[E - 0,015L] ê [E + 0,030L].
Finalmente, para se obter um arco da contato a m(nimo da
150 ° sobra a polia menor, a disutncia real E entra eixos terá da
ser:
E >2(0-d].
Na prática, como o motor poda se deslocar sobre o chassi supor·
tanto as corrediças, basta apenas madir o comprimento aproximado
da correia, por interrnddio de um fio ou da um metro da fita. Re-
sultados satisfatórios obtêm-te por este processo muito rudimentar
se se tiver um pouco da experiência. O poss(val erro da 3 a 4 cm
poda ser corrigido com o auxmo de corrediças mõwls.

Determinação do dilmetro de uma polia


Recordemos que todos os cálculos devem ser efetuados ten-
do em conta os diâmetros primitivos da polia e do volante, fa-
zendo-se as correções com o auxilio da tabela da página ante·
rior. Geralmente, é conhecido:
a) O dllimetro externo do volante do compressor De.
b) O nómaro da rotaçflas a obter no compressor N2 rpm.
c) A valocldada da rotaçio am carga do motor N1 rpm - igual
ê da polia - a qua, para motores da corrente alternada, oscila entra
1 425 a 1 450 rpm.
O diâmetro primitivo da polia motriz terá o valor:

d=
D X N2
N1
O diâmetro externo será obtido em função do quadro da pá-
gina anterior.
73
Exemplo: Consideremos um compressor cuja velocidada preten-
dida é da 600 rpm.
O diâmetro externo do volante é da 370 mm.
A velocidada de rotaçfo do motor é da 1 425 rpm,
As correias têm uma seção de 13 X 8.
Entii> teremos:
Diâmetro primitivo do volante:
=
D= De-10 = 370 -10 360 mm
donde, o diâmetro primitivo da polia:
d = 600 X 360
1425
= 151
mm
ou seja, um diâmetro externo de: 151 + 10 = 161 mm.
Escolheremos, então, uma polia de 160 mm que nos dará, apro-
ximadamente, a velocidade desejada do compressor.

74
CAPÍTULO V

OS MOTOCOMPRESSORES
HERMÉTICOS E
HERMÉTICOS ACESSÍVEIS
A tentativa de reduzir ao m(nimo indisperisável as fontes de fu-
gas que sio as juntas e, principalmente, a eliminaçã'o da gaxeta de
vedaçã'o~ conduziu ao fabrico dos motocompressores herméticos e
herméticos acess(veis. A gaxeta de vedaçã'o foi, durante muitas
dezenas de anos, a principal fonte de defeitos na refrigeraçã'o.
Desde o início do sáculo que foram elaborados estudos e fabri-
cados materiais. O mérito da primeira realizaçã'o pertence ao padre
francds Audiffren, que, em 1906, tornou realidade a sua invençã'o
por intermddio da firma Sungrün D'Epinal, com a marca comercial
O Frigorlfico Audiffren.Singrün. Alguns anos mais tarde, a firma
Escher-Wyss lançava no mercado o monobloco Escher Wyss-Auto-
frigor.
A generalizaçã'o da corrente alternada, a "descoberta" e a colo-
caçã'o no mercado dos fluidos clorofluorados, principalmente os
"Freons 12 e 114", permitiram a fabricaçã'o na forma atual dos mo-
tocompressores herméticos e herméticos acessíveis. A título mera-
mente informativo vamos descrever os precursores dos motocom-
pressores herméticos atuais.

Grupo frigorífico A. S. Audiffren-Singrün


i: composto por dois reservatórios esféricos interligados por
uma árvore oca. Um deles desempenha o papel de evaporador, e o
outro de condensador. Neste ídtimo, encontra-se o compressor co-
mandado por uma polia externa.
O compressor colocado em um cárter é composto por um ci-
lindro oscilante sobre dois pinos e munido de um ilmbolo maciço
acionado por um virabrequim, funcionando imerso em óleo. O ilm-·
bolo aspira os vapores do fluido refrigerante e os recalca para o con-
densador, na periferia do qual se et.tua a liquefaçã'o.
O líquido, separado do óleo por diferença de densidade, é con-
duzido ao evaporador por diferença de pressio.
O fluido utilizado nestas máquinas era o anidrido sulfuroso.
O grupo Escher-Wyss-Autofrigor
i: monobloco: o grupo motor, compressoreevaporadorformam
um conjunto totalmente hemultico, sem nenhuma tubulaçã'o de li-
gaçã'o.
75
O compressor move-se por comando direto do motor, cujo rotor,
em gaiola de esquilo, está colocado na parte hermética, graças a
uma fina camp§nula de metal antimagnético que, cobrindo o rotor,
se intercala no entreferro entre o rotor e o estator. Esta campânula
é cuidadosamente soldada ao corpo do compressor.
Assim, o estator é facilmente substituído e é o único a ser reti-
rado, no caso de avaria do motor.
O frio produzido é utilizado por circulação de salmoura, se o
evaporador for imerso em um tanque de salmoura, e se ele for de
expansão diÍeta por ventilação nas camisas de distribuição de ar
frio. O fluido utilizado era o éter metílico.

Motocompressores herméticos de êmbolos


Os motocompressores herméticos domésticos são do tipo "alter-
nado" de êmbolo ou do tipo "rotativo".
Os motocompressores de êmbolo têm o aspecto de um cárter
em aço, não possuindo, salvo raras exceções, nem válvulas nem
conexões (Fig. 21 ).
O motor e o mecanismo estão mergulhados no vapor do fluido.
O motor elétrico é do tipo de induçã'o, de fraca potência (geralmen-
te de 75 a 60 watts, 1110 a 112cavalo1 e o arranque é obtido por
fase auxiliar.
O estator é embutido no cárter; o rotor, em gaiola de esquilo, é
chavetado na árvore de comando do compressor, cuja árvore possui
um moente excêntrico que, pela articulação de uma pequena biela,
transforma o movimento de rotação deste em movimento alternado
do êmbolo. Um painel de válvulas permite a aspiração e a compres-
são dos valores do fluido.
A lubrificação é assegurada, na maioria dos motocompressores,
por um casquilho oco em forma de ogiva, imerso no óleo, e cujo
eixo coincide com o da árvore. Quando o conjunto gira, o óleo
arrastado pelo movimento da ogiva toma, por si próprio, um movi-
mento de rotação, cujas velocidades periféricas vão aumentando
gradualmente no interior do cone da ogiva. Estas diferenças de ve-
locidade provocam um movimento ascensional do óleo no interior
da árvore, em seguida é distribuído aos pontos particulares a lubri-
ficar, por orifícios efetuados na árvore para este efeito, e o exce-
dente de óleo é expulso pela parte superior da árvore, sendo pulve-
rizado à saída e caindo novamente no fundo do reservatório.
O condensador utilizado é de grande superfície e a refrigeração
se faz por convecção natural. Para os motocompressores herméticos
de potência mais elevada, utilizados em refrigeração comercial ou

76
3 2 1

Fig. 21 - Corte de um motocompressor hermético.

1. Êmbolo 2. Biela
3. Excêntrico 4. Silenciador de aspiração
5. Tubulação de aspiração 6. Silenciador de recalque
7. Amortecedor de vibrações 8. Corpo do compressor
9. Mancai superior 10. Ogiva de lubrificação
77
em conjuntos monoblocos de climatização, a condensação do fluido
é obtida com o auxílio de condensadores ventilados a ar ou conden-
sadores a água (ver Capitulo VI).
O arranque do motor é facilitado por um relê que constitui, ao
mesmo tempo, uma segurança térmica, permitindo a proteção do
motor no caso de uma superintensidade ocasional.
O esquema do princípio destes relês, a sua montagem e a sua
descrição serão dados no Capítulo XXI.
Os motores que equipam os motocompressores herméticos
domésticos ou comerciais de baixa potência têm um fraco torque
de arranque, onde se utilizam um tubo capilar como órgão de ex-
pansão, permitindo o equilfurio das pressões na parada.
Os fios que transportam a corrente elétrica para o estator são
fixados em terminais vedados, nos quais se faz a ligação entre o
compressor e os relês.
A título informativo, damos em seguida as características de um
motocompressor hermético muito comum.
Motocompressor tipo AE5ZA9 (Unidade Hermética)
Diâmetro interno: 21,99 mm 21,99 mm
Curso: 14,90 mm 14,90 mm
Cilindrada: 5,67 cm 3 5,67 cm 3
Velocidade de rotação: 3 000 rpm 3 000 rpm
Tensão: 115V 220V 115V 220 V
Tolerância sobre a tensão:± 15% ± 15 % + 10 %
-15%
Intensidade no arranque: 23 A 23A 10,4 A
Intensidade no funcionamento: 2,9 A 2,9A 1,4 A

Carga em óleo: 0,500 kg


Fluido: R 12
Potência: 148 W (1/5 cvl

Potência frigorífica - consensação a ar, ambiente+ 32 ºC.


15 ºC : 175 fg/h.
10 ºC : 220 fg/h.
5 ºC : 275 fg/h.
O ºC : 340 fg/h.
+ 5 ºC : 410 fg/h.
+ 10 ºC : 500 fg/h.
Entre os motocompressores herméticos de êmbolo de grande
difusão citamos: Prestcold, Tecumseh (Unidade Hermética) e Thom-
son (Fig. 22).

78
Fig. 22 - Corte de um motocompressor hermético Thomson.

Motocompressores herméticos rotativos


A característica principal dos compressores rotativos, que al-
guns confundem muitas vezes com os compressores centrífugos, é
que o movimento do órgão compressor não sofre alterações de
sentido. As forças de inércia, às quais estão sujeitos os órgãos de
movimento alternado, nã'o existem neste caso e, por isso, pode-se
aumentar, desde há muito tempo , a velocidade de rotação até ao
acoplamento direto.
Os rotativos são classificados em monocelulares, bicelulares e
multicelulares, sendo o número de células determinado pelo número
de palhetas.
Os motocompressores herméticos, normalmente usados em re-
frigeração doméstica, são do tipo monocelular e utilizam um fluido

79
refrigerante de baixa pressão: o tetrafluorodicloroetano ou R 114
(CCl 2 F4 ).
O volume de gãs, no espaço em forma de meia-lua compreendi-
do entre o êmbolo e o cilindro, é aspirado e recalcado uma vez e
em cada rotação.
O êmbolo cilíndrico é chavetado excentricamente â árvore e
embutido no cilindro, ao qual é tangente na zona do seu maior
diâmetro.
Uma palheta, deslizando no cilindro fixo que ela atravessa, é
comprimida, sob a ação de uma mola de pressão, contra o êmbolo,
separando, assim, a câmara de aspiração da de recalque.
O movimento do êmboló consiste em um rolamento sobre a face
interna do cilindro, acompanhada por um deslizamento tanto menor
quanto menor for o excêntrico.
Um dos mais conhecidos é o motocompressor hermético Frigi-
daire (Fig. 23).

1. Estator do motor 11. Bóia de madei-


2. Rotor do motor ra para equilí-
3. Árvore brio
4. Cilindro 12. 6 orifícios no
5. É'.mbulo rotativo rotor para a
6. Palheta passagem dos
7. Mola vapores.
8. Óleo de lubri- 13. Cárter ou cha-
ficação pa embutida
9. Aspiração 14. Afetas de refri-
10. Terminal vedado CORTE A-B geração
Fig. 23 - Corte do motocompressor rotativo hermético "Frigidaire'.
80
Motor e compressor estão encerrados em um cárter de chapa
embutida em aço, cujo fundo é embutido e soldado. Este cárter
tem, na sua periferia, aletas de refrigeração. O êmbolo excêntrico
e o rotor do motor estão chavetados em uma árvore vertical comum.
Esta árvore é oca; e gira sobre um eixo fixo, concêntrico com o
cilindro que também é fixo.
O estator é encaixado "fortemente" no cárter em aço. A palheta
desliza, sem folga, em uma ranhura radial do cilindro e encosta no
êmbolo sob a ação de sua mola. Uma perfuração longitudinal
no eixo fixo serve de canal de recalque para os vai:iores compri-
midos.
O motor é monofásico, com fase auxiliar, ou trifásico. Funciona
com uma llnica tensão: 110, 220 ou 380 volts. Os fluidos refrige-
rantes utilizados são o R 12, R 22, R 114 e R 502.
Conexões elétricas
As conexões elétricas internas e externas fazem-se em placas
de terminais especiais do tipo "Fusite" (Fig. 24), ou semelhantes.
A vedação do fluido refrigerante é assegurada por solda elétrica da
base em aço sobre a caixa do motocompressor, e o isolamento elé-
trico é obtido por contas de vidro que tornam totalmente indepen-
dentes os terminais de ligação da base em aço soldado à caixa.
As conexões elétricas fazem-se, interna e externamente, com o auxí-
lio de terminais ou braçadeiras tipo Faston ou AMP.
3 1

5 "'-2

1. Terminais de entrada da corrente.


2. Plaquetas de conexão aos enrola-
mentos do motor
3. Contas de vidro isolantes
4. Cárter do motocompressor
5. Capela em aço da placa de termi-
nais.
Fig. 24 - Placa de terminais tipo "Fusite''.

81
Motocompressores herméticos acessíveis
Mais recentes no mercado que os motocompressores herméticos,
a sua faixa de potências varia de 500 a 500 000 fg/h.
A construção dos motocompressores herméticos não permite
intervenção no próprio motocompressor, e qualquer incidente com
os órgãos elétricos ou mecânicos exige a sua reparação na fábrica.
De modo a evitar tais reparações, como, por exemplo, por uma sim-
ples ruptura de válvula, e a conseqüente parada da instalação, tor-
nou-se possível o acesso, no canteiro, aos diversos elementos do
mecanismo sujeitos a verificação ou substituição.
Os elementos assim acessíveis podem ser desmontados, verifi-
cados e, eventualmente, substitufdos, conservando-se totalmente as
vantagens do motocompressor hermético, isto é:
acoplamento direto motor-compressor por árvore comum ;
- supressão da caixa de vedação;
- supressão dos ruídos de transmissão.
As partes acessíveis são: válvulas, êmbolos, bielas, árvore edis-
positivo de lubrificação.
Tecnologicamente, encontramos em um motocompressor hermé-
tico acessfvel (Fig. 25) todos os elementos mecânicos de um com-
pressor clássico: bielas, êmbolos, válvulas, etc.

(Doe. C.O.M.E.F.)
Fig. 25 - Motocompressor hermético acessível.

82
Do mesmo modo que nos motocompressores herméticos, o
motor está reduzido aos seus principais elementos - estator e rotor;
o estator é montado sob pressão no corpo de fundição do moto-
compressor, e o rotor é chavetado na árvore comum ao motor e ao
compressor. O esfriamento dos enrolamentos do estator é obtido
por aletas, colocadas na fábrica no corpo onde está colocado o esta-
tor, e sujeitas ao fluxo do ar que atravessa o condensador, se a con-
densação se fizer por ar (Fig. 26). Se o condensador funcionar a
água, o esfriamento será obtido através de urna serpentina em cobre
enrolada entre as aletas, e onde circula a água de condensação.

Fig. 26 - Grupo motocompressor hermético acessível


de condensação a ar.
(Doe. C.O.M.E.F.)
Esta disposição só é válida para os rnotocornpressores cuja po-
tência elétrica não ultrapassa 3 kW, ou seja, aproximadamente
7 600 W ( 6 600 fg/h), com R 12 a - 10 ºCem um ambiente a
+ 25 ºC. Para potências superiores, o esfriamento dos enrolamentos
é assegurado pelo próprio fluido, e a válvula de aspiração é colocada
sobre o flange posterior do rnotocompressor (Fig. 27). Em ambos os
casos, a culatra é separada a fim de assegurar a aspiração pelas ca-
beças dos cilindros.
A lubrificação de todos estes compressores é, de certo modo,
forçada, mas, por outro lado, todos os dispositivos de lubrificação

83
utilizados devem ser reversíveis porque, a priori, não é possível
impor à máqu ina um sentido de rotação determinado.
Salvo raras exceções (motocompressores de 180 watts), todos os
motocompressores herméticos acessíveis são de motor trifásico de
gaiola, e a inversão da conexão originará a inversão do sentido de
rotação.
Se o motocompressor não possuir bomba mecânica, a lubrifi-
cação será obtida por intermédio de uma turbina em forma de disco,
imersa no óleo (Fig. 25). Quando em funcionamento, a turbina pro-
jeta o óleo por centrifugação, para a partê superior interna do flange
posterior. Este óleo desliza sobre a face convexa deste flange e junta-
se em um copo que vem da fábrica acoplado ao flange. Este cc.po
está em ligação com o orifício perfurado no eixo da árvore excên-
trica e devido aos efeitos centrífugos originados pela rotação da ár-
vore, o óleo circula no interior do mesmo, e é distribuído a todos os
pontos de lubrificação por orifícios abertos na árvore para este fim.

Fig. 27 - Motocompressor hermético acessível de êmbolos.


Esfriamento do estator pelos vapores do fluido refrigerante
e lubrificação forçada por bomba.
(Doe. C. O. M. E. F.)

84
O sentido de rotação pode ser qualquer um, porque a turbina é
um corpo de revolução. Um pino de guia e uma seta indicam a parte
superior do flange, evitando, assim, qualquer montagem defeituosa.
Quando o motocompressor possui uma bomba mecanica, esta
deve ser reversível, para assegurar a lubrificação correta dos órgãos
mecanicos, qualquer que seja o sentido de rotação do compressor.
Como não podemos descrever aqui todos os tipos de bombas
existente, estudaremos apenes a que equipa os motocompressores
COMEF construídos na França sob licença da Copeland.
Esta bomba (Fig. 28), montada na extremidade da árvore do mo-
tocompressor e acionada pelo virabrequim, é composta por: uma

\
10
Bomba de óleo reversível.
1. Árvore de acionamento da bomba
2. Rotor de quatro lóbulos
3. Estator de cinco lóbulos
4. Distribuidor
5. Pino de bloqueio na posição do
distribuidor

~: recalque
~~~::oi:iU:J:fuio de
8. Corpo da bomba
9. Válvula calibrada de esferas
(j
12 7

O
"
8

10. Mola de apoio do distribuidor ~


11. Flange de fecho
12. Junta tórica 5

85
árvore (1) que aciona um rotor de quatro lóbulos (2), engrenada em
um estator de cinco lóbulos (3), livre no corpo da bomba e que rece-
be, conforme o sentido de rotação do rotor, um movimento de rota-
çã'o relativo no mesmo sentido que o rotor. Conjuntamente com o
rotor, a árvore da bomba aciona, por intermédio de uma saliência
que se aloja em um rebaixo ovóide, um distribuidor (4) que, solici-
tado pela rotaçâ'o do rotor e do estator, é limitado, no seu movi-
mento de rotaçã'o, por um pino (5) solidário com o corpo da bomba
permitindo a canalização do óleo aspirado pelo orifício (6) para a
capacidade máxima da aspiraçã'o da bomba, tendo em conta o sen-
tido de rotação do rotor (Fig, 29); e em seguida encaminha o óleo
para o oriffcio de compressâ'o (7), onde uma válvula calibrada de
esferas (9) evita todas as sobrepressões prejudiciais ao bom funcio-
namento da bomba.
Assim, qualquer que seja o sentido de rotação do rotor da bom-
ba, a circulação do óleo no interior do corpo da bomba é feita nas
melhores condições. A Figura 29 indica o trajeto do óleo no corpo
da bomba, em função do sentido de rotação.

7 7

6 6

Fig. 29 - Circuito do óleo em uma bomba reversível [o óleo con-


duzido pelo orifício de aspiração (6) até ao lóbulo A, formando a
cavidade de aspiração, circula e é comprimido seguindo o caminho
indicado e, em seguida, após a compressão, é dirigido pelo distribui-
dor até ao orifício de compressão (7) ].

86
Fig. 30 - Compressor de membrana "Corblin".
1, 2. Placas 9. Válvula de recalque
3. Passagens do Óleo 10. Válvula de aspiração
4. Membrana 11. Válvula limitadora de pressão
S. Êmbolo 12. Retorno do óleo ao cárter
6. Mancai de esferas (cabeça
da biela) 13. Excêntrico do compensador
7. Recalque do óleo 14. Êmbolo do compensador
8. Válvula de recalque do
compensador 15. Cilindro
16. Válvula de aspiração do com-
pensador.
87
Compressores especiais
Os compressores para aplicações especiais, tais como os de mem-
brana, de labirinto e de êmbolos secos, são utilizados, fundamental-
mente, quando se pretende que o fluido comprimido seja totalmente
puro e não poluído pelo óleo de lubrificação, Os compressores de
membrana já não sfo utilizados atualmente como compressores
frigoríficos, mas sim para comprimir gases tais como: nitrogênio,
oxigênio, argônio, etc. Contudo, ainda se pode encontrar como auxi-
liares de depósitos de vagões ou de reservatórios de fluidos refrige-
rantes; é por esta razão que vamos descrever o compressor Corblin.
Os compressores de êmbolos secos e de labirinto, como só são
fabricados para potências industriais, saem do ;!lmbito desta obra.

Compressor de membrana Corblin (Fig. 30)


O fluido não penetra nem no cárter nem no cilindro.
Uma membrana metálica deformável, apertada entre duas pla-
cas abauladas, sofre uma pressão por intermédio do óleo comprimi-
do pelo êmbolo. Assim, ela se aplica alternadamente sobre as placas
superior e inferior, aspirando e comprimindo o fluido gasoso. Estas
pulsações são comparáveis aos movimentos de aspiração e de recal-
que de um êmbolo de pequeno curso e de grande di;!lmetro.
Uma bomba auxiliar movida pela árvore envia o óleo necessário
para o êmbolo. Um limitador de pressão regulável permite o retorno
ao cárter do óleo em excesso.
O ponto delicado é a escolha do metal da menbrana.

88
CAPÍTULO VI

OS CONDENSADORES
O condensador serve para transmitir ao ar ou à água de esfria-
mento o calor contido nos vapores recalcados pelo compressor.
A quantidade de calor a ser retirada inclui:
ai O calor sensível dos vapores sobreaquecidos.
b) O calor latente.de liquefação.
c) O calor sensível do 1íquido até que a sua temperatura se
aproxime o mais possível da do ar e da água.

Condensadores a ar
Na sua construção, é preciso considerar:
19 A superfície de troca, que compreende:
a) A superfície interna do tubo em serpentina ou superfície
primária.
b) A superfície das aletas ou superfície secundária. O número
de afetas só é limitado pela necessidade de deixar entre elas um es-
paço suficiente para a passagem do ar à maior velocidade possível.
É indispensável haver um contato íntimo entre as superfícies
primárias e secundárias. Este contato é feito por embutimento.
29 A natureza do metal que constitui as superfícies primária
e secundária do condensador. Geralmente, é tubo de cobre para a
superfície primária, afetas em folha de alumínio para a superfície
secundária e, para utilizações específicas, tubo de cobre e afetas em
latão ou em cobre.
Estes metais foram adotados, principalmente, devido à sua boa
condutividade térmica.
39 O coeficiente de transmissã'o global do condensador que é
função da velocidade do ar sobre o sistema de condensação.
A circulação do ar é obtida, quer por ventilador independente
(grupos motocompressores herméticos e herméticos acessíveis),
quer por uma hélice fixada na extremidade da árvore do motor,
sobre o flange da polia motriz.
A hélice pode aspirar o ar no condensador e lançá-lo sobre o
motor de acionamento ou, pelo contrário, recalcar o ar para o con-
densador.
A primeira solução tem a vantagem de auxiliar o esfriamento do
motor de acionamento. É a única utilizada nos grupos motocom-
89
pressores herméticos e herméticos acessíveis. Implica uma "calan-
dra" de aspiração na parte posterior do condensador. Em um sis-
tema insuflador, não tem nenhum interesse a.introdução da hélice
no interior de uma canalização , já que o efeito da hélice diminui
pelo fato de a passagem de ar nas bordas da aresta final das pás se
fazer no sentido radial.

(Doe. PR I GA)

F ig. 31 - Condensador a ar de dois ventiladores.

A eficiência de um condensador depende:


a) Da construção do aparelho (forma, dimensões, número de
pás, diâmetro do tubo; número, forma e afastamento das aletas,
contato com o tubo, natureza dos metais usados para a fabricação).
b) Da temperatura ambiente.
c) Da venti lação (perfil da hélice , passo, diâmetro, velocidade
e localização sobre a superfície a ventilar).
d) Do estado de limpeza do aparelho.
e) Das condições de funcionamento do grupo frigorífico.
A superfície de um condensador a ar (1) deve ser calculada não
só em função da potência frigorífica da máquina, mas também em
função das suas condições de utilização. A quantidade de calor a
retirar do condensador pode ser expressa pela fórmula :

~~~~~~~~-
<l>k = <1> 0 = k kcal/h.
( 1) Ou de um cond ensador de águ a.

90
Valores do coeficiente k = :: em função das condições
de funcionamento da máquina frigorífica

~ --45
k
-40 - 35 -30 - 25 - 20 - 15 - 10
- -- -- -- -- -- -- -- -- -- --
-5 o +5 + 10
--
+ 25 1,507 1,444 1,386 1,336 1,292 1,250 1,208 1,175 1,143 1,112 1,084 1,057
- - - - -- - - - - - - -- -- -- -- -- --
...
co + 30 1,512 1,450 1,394 1,346 1,300 1,260 1,225
-- -- -- -- -- -- -- -- -- -- --
1,188 t1,157 1,126 1,101 1,077
--
+ 35 1,514 1,455 1,400 1,350 1,306 1,269 1,232 1,200 1,168 1,141 1,114 1,091
-- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- --
+ 40 1,518 1,460 1,407 1,358 1,314 1,275 1,240 1,205 1,177 1,152 1,126 1,106
- --
Ex.: Pera 00 =- 10 Ok = + 35 se $º = 1oooow (8600 fg/h) iteremos:
<l>k = 1,2 ll'>o ou seja 12 000 W (10 320 kcal/hl

Tabela21
na qual 4> 0 representa a quantidade de frigorias produzidas no eva-
porador, e
k representa, tendo em consideração as condições de funciona-
mento, o equivalente do trabalho de compressão, expresso em fun-
ção de cl>o.
A Tabela 21 fornece os valores de k, tendo em consideração as
condições de funionamento.
O valor do coeficiente global de transmissão de um condensador
a ar está compreendido entre 22 e 30 W/m 2 - ºC - h (20 a 25
kca//h - m 2 - ºC). A temperatura de condensação do fluido é de
12 a 15 graus superior à temperatura ambiente.
Condensadores domésticos
Para os refrigeradores domésticos, equipados com grupos moto-
compressores herméticos, foram abolidos os condensadores de tubo
com aletas. Foram adotadas diversas soluções que permitiam obter
uma melhor condensação dos vapores comprimidos, suprimindo o
inconveniente apresentado pelos condensadores com aletas, cujo
rendimento era muitas vezes prejudicado pela retenção de poeira
nas aletas.
1!I solução: consiste em um tubo em forma de serpentina aplica-
do sobre uma simples chapa, com a qual está em contato (ntimo;
2í' solução: o mesmo dispositivo que o anterior, mas a chapa é
perfurada para eliminar qualquer ressonância dos ruídos e vibra-
ções;
3!1 solução: com o mesmo objetivo de evitar a ressonância, o
tubo em serpentina é fixado a uma rede em arame.
Todos esses condensadores são colocados paralelamente ã pa-
rede traseira da caixa, e a 5 ou 6 cm desta.
N.B. Seja qual for o tipo de condensador, este deve ser suficien-
temente grande para contar toda a carga de fluido no caso de uma
obstrução do tubo capilar, já que neste tipo de equipamento não
existe reservatório para líquido.

Condensadores a ãgua
São utilizados três tipos de condensadores nas máquinas frigo-
r(ficas do tipo comercial.
1 ) Os condensadores de imersão
São conjuntos condensador-reservatório reunidos em um s6
aparelho. No reservatório externo, que serve de reservatório ao fluido

92
refrigerante condensado, é colocado o feixe tubular em forma de
serpentina, no qual se faz circular a água de esfriamento (Fig. 32).
Ao contato com o tubo no qual passa a água, o vapor compri·
mido desprende o seu calor e se condensa.
O consumo de água de circulação é, portanto, função da quan-
tidade de calor a desprender e da diferença de temperatura entre o
vapor a condensar e a água de esfriamento.
Para um funcionamento normal, admite-se um aquecimento de
8 ºC a 10 ºC de água de circulação, obtido pela regulagem da tor-
neira automática de admissão de água, cujo débito é função da pres-
são do vapor recalcado e, conseqüentemente, da temperatura de
condensação do fluido refrigerante.
São utilizados em máquinas de 1 200 a 3 500 W (1000a3 000
fg/hl, no máximo.

Fig. 32 - Condensador de imersão.

21 Os.condensadores de tubo duplo (Fig. 33)


Tão utilizados como os condensadores de imersão, são de po-
tência igual ou superior a 8 000 W (7 000 fg/hl e são constitui'dos
por dois tubos concêntricos, nos quais o fluido refrigerante e a água
utilizada na sua condensação, circulam em contrac:Orrente; os tubos
utilizados são em cobre vermelho de 8 x10, 10 x 12, 12x14,etc.,
no sistema métrico, ou de 3/8", 1/2", 5/8", etc., em polegadas.
Estes condensadores são constituídos por dois tubos colocados
um dentro do outro e dobrados, em seguida, com uma ferramenta
especial, não tendo nenhum cotovelo de contato.
O comprimento desenvolvido dos. tubos é limitado ao compri-
mento comum das coroas de tubos existentes no mercado, o que im-
põe um limite para cada par de tubos adotado - à superfície do
condensador e, portanto, à potência calorífica liberada. Estes con-
densadores exigem uma garrafa-reservatório para o líquido conden-
sado.
Neste tipos de condensadores, o vapor é recalcado no espaço
anular compreendido entre os dois tubos concêntricos; mas, ainda
quanto a isto, não existe unanimidade entre os construtores, e ai-
93
guns utilizam o espaço anular para a circulação da água, passando o
fluido refrigerante no tubo interior.

(Doe . BRANOIER)

Fig. 33 - Condensador de contracorrente.


3) Os condensadores multitubulares (Fig. 34)
Dado seu custo, são utilizados quase somente em máquinas com
urna potência igual ou superior a 12 000 W (10 000 fg/h ), ou para
potências inferiores, desde que a instalação justifique o seu emprego.

(D oe. PR IGA)

Fig. 34 - Condensadores multitubulares


São constituídos por um casquilho de aço fechado nas suas extremi-
dades por duas placas tubulares, sobre as quais foi alargado um feixe
de tubos por meio de um mandril , os quais constituem a superfície
de troca térmica. Estes tubos são, geralmente, de cobre vermelho
com aletas laminadas no interior; o casquilho é feito de tubo de aço

94
estirado sem solda, e as placas tubulares são em aço. As tampas
ou "chapéus" são em ferro fundido, à prova de água, e o seu siste-
ma de chicanas permite, tendo em consideração o débito de água
necessário para a condensação do fluido refrigerante, assegurar, em
cada tubo do feixe, uma velocidade da água compreendida entre
1 e 2 m/s. Além disso, são facilmente desmontáveis, e permitem uma
fácil limpeza do circuito da água.
Como a condensação do fluido se faz no espaço livre er;itre o
casquilho e o feixe tubular, o volume situado entre o feixe de con-
densação e a parte inferior do casquilho serve de reservatório ao lí-
quido condensado. Este tipo de condensador pode ser perfeitamente
adaptado em instalações marítimas e, neste caso, os materiais usados
no seu fabrico são, geralmente, ligas de Cobre/Níquel que resistem
particularmente bem à corrosão devida à água do mar e aos vapores
salinos.
Os condensadores a água, seja qual for o tipo, são utilizados
em todos os casos em que a transferência, ao ar ambiente, da energia
calorífica proveniente da condensação do fluido refrigerante, é in-
conveniente para o usuário. Exemplo: local pouco espaçoso ou que
contenha gêneros que suportem mal uma temperatura, ainda que
pouco elevada, ou local que não tenha ventilação suficiente, cor-
rendo-se o risco de levar a temperatura do ar admitido no conden-
sador acima dos 25 ou 30 ºC. A temperatura da água sofre, durante
o verão, menos variações do que a do ar, e o rendimento de um
grupo compressor de condensador resfriado a água é melhor. Quan-
do se montam as máquinas de condensação a água em um determi-
nado local, é necessário verificar se a temperatura durante o inverno
não baixa além dos O ºC, o que provocaria o congelamento da água
nos tubos de circulação quando as máquinas parassem.
O consumo da água de condensação aumenta os custos de explo-
ração, mas, em muitos casos, ela pode ser recuperada para as necessi-
dades industriais dos usuários.

Condensadores denominados "mistos"


i:, com efeito, um conjunto de dois condensadores montados em
série, sendo um a ar e o outro de imersão a água, servindo de reser-
vatório ao líquido. O seu emprego justifica-se quando o grupà
frigorífico for colocado em um local cuja temperatura ambiente
em períodos quentes - ou por qualquer outra circunstância fortuita
- não permitir assegurar uma condensação do fluido refrigerante em
condições normais. Quando se verificam estas circunstâncias, o con-
densador a água entra automaticamente em funcionamento graças

95
a uma válvula eletromagnética (p. ex.), colocada no circuito da água.
OJando a temperatura é baixa, o condensador a ar deve, por si só,
assegurar um funcionamento normal da instalação.

96
CAPÍTULO VII

EVAPORADORES

O evaporador, tal como o condensador, é um trocador térmico


cujo objetivo é absorver o fluxo térmico proveniente do meio a
esfriar.
A passagem do fluxo térmico do fluido refrigerante ao meio
externo é regida, aliás, pelas mesmas leis físicas, seja qual for o tipo
de aparelho considerado - condensador ou evaporador - e depende:
a) do coeficiente global de transmissão de calor do evaporador;
b) da superfície do evaporador;
c) da diferença existente entre a temperatura do evaporador e
aquela do meio a esfriar.
A classificação dos evaporadores pode ser feita tendo como
critérios discriminativos a função reservada ao evaporador, resfria-
mento de ar, resfriamento de líquidos, congelamento de um líquido;
mas, por vezes, a sua função é múltipla - resfriamento de ar e con-
gelamento de líquido-, como é o caso dos evaporadores das gela-
deiras domésticas. Também poderemos adotar a classificação se-
guinte:
1) Evaporadores domésticos.
2) Evaporadores refrigeradores de ar.
3) Evaporadores refrigeradores de líquido.
4) Evaporadores congeladores: para
a) Fabricação de gelo. máquinas
bl Evaporadores especiais. "comerciais
c) Placas eutéticas.

Evaporadores domésticos
Após quinze anos de evolução, a forma dos evaporadores domés-
ticos destinados aos refrigeradores de uma única temperatura
parece ter estabilizado finalmente.
O mesmo não se passa com os utilizados nos refrigeradores de
duas temperaturas, dos quais .falaremos adiante.
Os evaporadores domésticos estão em constante evolução, acom-
panhando a dos refrigeradores já citados; encontramos as formas em
U e fechadas, mas o evaporador, menos alto e mais largo, ocupa
quase toda a largura do compartimento a refrigerar.
t fechado na parte dianteira por uma pequena porta plástica
que abre ou que é basculante. Por outro lado, a capacidade é um
97
pouco mais elevada e o número de tabuleiros de gelo é reduzido.
Esta nova disposição permite um espaço maior para os gêneros
congelados e, assim, o evaporador é denominado impropriamente
pelos construtores de "Freezer", já que a temperatura média do eva-
porador, garantindo uma temperatura normal no congelador, não
é suficientemente baixa para permitir um congelamento eficaz.
Esta concepção do evaporador também tem os seus inconven ien-
tes, entre os quais podemos citar uma pior distribuição das tempera-
turas, e uma atividade menor dos movimentos de convecção que são
prejudicados pelo dreno.

Evaporadores para geladeiras de uma temperatura


São quase todos de circuito integrado e fabricados segundo o
processo "Rali Bond", que consiste em depositar, com o auxílio de
um tela especial, sobre uma chapa previamente preparada, uma pasta
anti-aderente, segundo um traçado estabelecido em função das di-
mensões definitivas do circuito frigorífico . Em seguida, coloca-se
por cima uma chapa idêntica à primeira, e o traçado fica compri-
mido entre as duas chapas. O conjunto é laminado a quente e a frio
até se obter uma soldagem molecular das duas chapas - salvo sobre
o traçado da pasta anti-aderente.
Depois de limpo, o circuito é dilatado hidraulicamente entre os
pratos de uma prensa hidráulica, destinada a limitar a expansão. O
conjunto é, em seguida, cortado às medidas definitivas, dobrado,
limpo, desidratado e oxidado anodicamente com o objetivo de pro-
teção e apresentação. A Figura 35 mostra este tipo de evaporador
já acabado.

(Doe. RUHJ. NOX)

Fig. JS - Evaporador em alumínio de circuitos tubulares integrados


Modelo "freezer" para geladeira de 1 temperatura.

98
Evaporadores para geladeiras de duas temperaturas
O evaporador do compartimento "congelamento" é um "evapo-
rador-cuba" aberto na parte dianteira, e o circuito do fluido refrige-
rante pode ser integrado, ou constituído por uma serpentina aper-
tada contra a superfície externa da cuba.
O evaporador do compartimento "refrigeração", colocado na
parede do fundo do compartimento, é em forma de placa, e o cir-
cuito do fluido refrigerante é igualmente integrado ou em serpen-
tina. A Figura 36 mostra um conjunto de evaporadores de circuito
integrado.

Fig. 36 - Conjunto de
evaporador em alumínio
de circuitos tubulares
integrados, para geladeiras
de duas temperaturas.

Evaporadores comerciais
Os evaporadores utilizados em instalações chamadas "comer-
ciais", e cuja potência nominal não exceda 11 600 W (10 000 fg/h),
podem ser:
evaporadores refrigeradores de ar
evaporadores refrigeradores de líquido
l
evaporadores congeladores de fabricação de gelo
de solução eutética

Evaporadores refrigeradores de ar
São, entre os três grupos citados, os mais comumente utilizados
em instalações comerciais.
99
Qualquer que seja a sua concepção, são constituídos por um
feixe nervurado de tubo de cobre com aletas em alumínio. Este
feixe é constituído por um tubo em serpentina, que permite a cir·
culação do fluido refrigerante (R 121 a uma velocidade suficiente
para assegurar o retorno do óleo arrastado para o compressor.
No entanto, se a relação entre o comprimento do tubo nervura-
do necessário para se obter a superfície desejada e o seu diâmetro
interno for tal que o seu valor seja superior a 2 000 para o R 12 e a
3 000 para o CH 3 CI, a superfície deverá ser dividida em tantas su-
perfícies primárias quantas forem necessárias, de modo que, em cada
superfície primária assim constituída, a relação~ seja inferior aos
valores citados anteriormente.
Exemplo: Consideremos um evaporador de 40 m 2 com um tubo
nervurado cuja superfície por metro seja de 0,8 m2 e cujo tubo de
cobre que constitui a superfície primária do tubo nervurado seja de
14/16. Em quantas superfícies primárias será necessário dividir este
evaporador?
Será necessário um comprimento total do tubo de:
1= 40 50m
0,8
o que conduz a uma relação:
_1_
d
= 50 000
14
=3 571
Como a relaçlfo ~ nio deve ser superior a 2 000, serio necessá-
rias duas superfícies primárias, tendo cada uma delas um valor ~
igual a:
- 1
d
=~=F2
1780
Esta divisão do evaporador em superfícies primárias levar-nos-á,
por um lado, a adotar um sistema especial de alimentação do evapo-
rador e, por outro lado, a escolher um sentido preferencial para a
circulação do ar sobre o feixe nervurado; estes problemas serio tra-
tados posteriormente.

Fabricação de evaporadores de aletas


A utilização do tubo nervurado constituído por tubo de cobre e
aletas em alumínio está, atualmente, generalizada. ~ possível cons-
100
truir os feixes nervurados destinados aos evaporadores pelos seguin-
tes métodos:
a) Fabricaçlo de tubo nervurado
Os tubos são fabricados com comprimentos equivalentes aos
comprimentos dos tubos comerciais em cobre (tubos calibrados e
recozidos) e as aletas sã'o colocadas nos tubos com o afastamento
desejado, quer por interml!dio de "anéis separadores", quer com o
auxílio de um pente separador. Depois de colocadas, as aletas sio
embutidas no tubo por dilatação deste, obtida pela passagem de uma
forma oval retificada, em aço temperado; o tubo assim fabricado
é cortado seguidamente em extensões retas com as dimensões exigi-
das para a fabricação dos evaporadores.
b) Construçlo em linha de montagem
O tubo recozido e calibrado é previamente cortado em compri-
mentos determinados. São moldados com um cotovelo ao meio.
Evita-se deste modo um cotovelo com solda.
As aletas sã'o dispostas na sua posição definitiva em um encaixe
de espaçamentos reguláveis.
Fazem-se deslizar nas aletas os dois braços de cada um dos "alfi-
netes" que devem constituir o circuito.
A conexão, entre si, dos alfinetes é feita por cotovelos amoví-
veis de soldadura forte.
O circuito fica completo quando se soldam as conexões de entra-
da e de saída. ·
Em seguida, o tubo de cobre é submetido a uma pressão hidráu-
lica de 160 a 200 bars conforme o diâmetro do tubo (a pressã'o mais
forte sendo utilizada para os diãmetros menores). A dilatação que
resulta desta pressão assegura o embutimento das aletas do tubo.
Assim, a fabricaçio e o teste sob pressio sio feitos em uma
única operaçio.
Depois de se esvaziar o circuito, este é insuflado com ar desidra-
tado durante um período variando de 15 a 30 minutos, conforme o
diãmetro do tubo e o número de camadas que constituem o apare-
1ho.
Em seguida, o evaporador é seco em estufa, desidratado sob vá-
cuo, e cheio com ar desidratado ou nitrogênio, antes de ser obturado
com uniões capsuladas.
Os evaporadores refrigeradores de ar podem ser de circulação
natural de ar ou de circulaçio forçada. No primeiro caso, o ar cir-
cula no evaporador e na cãmara fria graças aso movimentos de
convecçio originados pelas diferenças da densidade do ar; defletores

101
e chicanas permitem melhorar a circulação do ar. No segundo caso,
que ê utilizado nas câmaras frias, os movimentos do ar sio origina-
dos por um ventilador (ou vários) colocado (s) na proximidade
imediata do feixe nervurado.

Evaporadores de circulação natural de ar


Nestas avaporadoras, utilizados quase exclusivamente para a
refrigeração de vitrinas, os flangas das extremidadas sio limitados
pala altura das alatas, e os seus retornos sio utilizados na fixaçio do
avaporador e, eventualmente, do anteparo guia da circulação do ar
(Fig, 37).
São ainda utilizados na refrigeração de câmaras frigoríficas onde
os movimentos do ar devam ser muito lentos, e sob a forma de ava-
poradores mistos, "refrigeradoras de ar - fabricaçio de galo", para a
refrigaraçio da geladeiras, cuja capacidade possa atingir 3 m3 , ou
para a refrigeração de balci5as frigormcos; o seu emprego exige,
para uma circulação de ar racional, o respeito palas seguintes regras:

Fig. 37 - Evaporador de circulação natural de ar para vitrina


refrigerada.

Circulação do ar (Fig. 38)


Nestas avaporadoras, o ar circula por convecção (circulaçio na-
tural). Ele deve ser dirigido por chicanas para que o seu movimento
ascensional na câmara (0,25 a 0,30 m/s), não seja parturbado pelo
fluxo de ar frio que sai do avaporador por gravidade.

102
Quando a câmara é de grandes dimensões, há necessidade de
colocar dois ou mais evaporadores no teto para facilitar o fenô-
meno de convecção e movimentar, assim, a maior parte do ar da
câmara.
Da circulação racional do ar, tanto no evaporador como na
câmara a resfriar (vitrina, geladeira ou câmara frigorífica), depende
não só a obtenção de uma temperatura sensivelmente constante na
cãmara, como também a obtenção de uma umidade relativa regular
no espaço resfriado e, portanto, uma boa conservação dos gêneros
armazenados.
Consideremos o caso particular da conservação de carnes.
Se a circulação do ar for muito fraca, a umidade relativa será
muito elevada e as carnes "ficarão viscosas".
Se a circulação do ar for muito rápida, a umidade relativa será
muito baixa, e as carnes "secarão". ·
Estes dois exemplos põem bem em evidência o cuidado que se
deve ter na obtenção de uma circulação racional do ar.
O aquecimento do ar resulta, de fato, da sua passagem pelos gê-
neros e pelas paredes do refrigerador, e o seu resfriamento, do seu
contato com o evaporador, no qual ele abandona, além de uma parte
do seu calor, uma certa quantidade de vapor de água que se con-
densa sob a forma de geada.
O ar quente é canaiizado para o evaporador pelas paredes do
refrigerador, por uma chicana e por um sumidouro.
A chicana e o sumidouro devem ser construídos com materiais
isolantes e revestidos de zinco ou chapa galvanizada, para evitar a
penetração da água ou da umidade.
As dimensões das passagens de ar regulam a velocidade da cir-
culação.
Se a abertura para a passagem do ar quente for maior do que
aquela da passagem do ar frio, originam-se redemoinhos que pertur-
bam a circulação do ar.
Uma passagem de ar frio muito estreita provoca redemoinhos na
subida do ar quente.
Uma passagem de ar frio muito grande produz um inconveniente
análogo na descida do ar frio.
Se as duas passagens forem muito estreitas, a circulação será
lenta.
Se as duas passagens forem muito grandes, a circulação será
muito rápida. ~. portanto, necessário relacionar as dimensões das
passagens de ar frio e de ar quente com aquelas da câmara a res-
friar.

103
Na prática, se L for a dimensão da câmara a resfriar (tomada
no sentido da circulação do ar), teremos de respeitar as seguintes
proporções, para se obter uma circulação racional do ar:
E, dimensão de passagem do ar quente: __!::
7

S, dimensão da passagem do ar frio: ~

e, passagem entre o evaporador e as divisórias: 50 <e< 100mm


(50 mm sendo um mínimo).
~ obrigatório verificar a inexistência de qualquer suporte, em-
pilhamento ou qualquer outro elemento que venha a interferir com
a circulação do ar quente, por cima da chicana defletora.
Inclinação a dar aos sumidouros: 8 cm por metro .

.
l
!.
··~

Fig. 38 - Anteparos e chicanas de circulação de ar.

Evaporador de circulação forçada de ar


Os evaporadores de circulação forçada de ar são utilizados, de-
vido ao pouco espaço que ocupam, em todas as instalações frigorí-
ficas, exceto naquelas em que a natureza dos gêneros a conservar
exige uma circulação natural do ar.
São aplicados, cada vez mais freqüentemente, no teto, deixando,
assim, as paredes das câmaras livres; no entanto, continuam sendo
utilizados os evaporadores de parede, quando a altura destas não
permite a colocação do evaporador no teto. A distinção entre os
evaporadores de teto e de parede é feita, por vezes, em se denomi-
nando:
Evaporadores de circulação ativada, os evaporadores de pa-
rede.

104
- Evaporadores de circulação forçada, os evaporadores de teto.
Esta distinção não é totalmente verdadeira, pois em ambos
· os casos, o ar é posto a circular forçadamente por um ou vários ven-
tiladores .
Evaporadores de parede {Fig. 39)
O feixe nervurado é montado no interior de um chassi metálico
fechado e formando sumidouro na sua parte inferior. Na parte su-
perior da chapa da fachada está colocado o{s) ventilador{es). No
caso de existirem vários ventiladores, esta fachada é , geralmente,
dividida em duas partes.
Como a fachada é menos alta do que o chassi, aparece, na parte
inferior deste, uma abertura pela qual o ar é aspirado.

(Doe. FRIGA)

Fig. 39 - Evaporador ventilado de parede e sua caixa metálica.

Evaporadores de teto
São constituídos por um feixe nervurado igualmente encerrado
em um chassi metálico formando uma caixa, a chapa inferior servin-
do de sumidouro. O ou os ventiladores são colocados quer sobre a
chapa da fachada {Fig. 40), quer sobre uma placa inclinada, ou ainda
por baixo do evaporador {Fig. 41 ). Estas três disposições permitem a
construção de evaporadores de alturas diferentes para superfícies

105
idênticas, podendo, assim, ocupar o m ínimo de altura no teto das
câmaras frias.
Quando estes evaporadores se destinam a câmaras frias de tem-
peraturas negativas, devem ser montados dispositivos que derretam
periodicamente o gelo formado , a fim de evitar a acumulação deste
no feixe nervurado.

( Doe. F1rn.iERST)
Fig. 40 - Evaporador de teto com ventiladores frontais.

Geralmente os evaporadores insuflam o ar sobre o feixe nervura-


do, mas, no entanto, este sentido da circulação não é imperativo, e
é possível fazer circular o ar em sentido contrário; se for adotado
este sistema, é indispensável colocar o evaporador como indicado
na Figura 42, a fim de desimpedir a sua superfície frontal, por onde

Fig. 41 - Evaporador de teto extraplano.

106
se faz a aspiração do ar. Geralmente a ventilalação deve fazer-se no
sentido do comprimento da câmara, se esta tiver partes de dimen-
sões diferentes. Se o evaporador possuir um defletor de ar, este de-
verá ser inclinado, de modo a dirigir o ar insuflado para o teto.

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Fig. 42 - Disposição de um evaporador de teto com ventilador de


aspiração.
A posição de um evaporador de teto numa câmara fria não pode
ser fixada a priori, porque ela depende não s6 da natureza dos gêne-
rosa resfriar, mas também do tipo da instalação. Dever-se-á procurar
sempre a posição que permita obter a melhor circulação do ar na
câmara a resfriar.
Alimentação
Em um evaporador de expansão direta e de tubo contínuo, é pre-
ferível fazer-se a sua alimentação pela base, se a sua construção fa-
vorecer o escoamento muito rápido do fluido por gravidade natural
em direção ao compressor. Uma velocidade de escoamento muito
elevada impede a vaporização completa.
Neste caso, o fluido não vaporizado influencia o bulbo regulador
antes que o evaporador baixe para uma temperatura suficiente: é
o funcionamento em ciclos curtos.
Pelo contrário, a alimentação pela base não tem nenhuma uti-
lidade nos evaporadores de grandes dimensões, ou naqueles que,
pela sua construção, são suscetíveis de criar uma perda de carga,
podendo diminuir anormalmente a velocidade de escoamento do
fluido refrigerante.

Evaporadores refrigeradores de líquido


São utilizados para a refrigeração de líquidos. Podem ser cons-
truídos por uma simples serpentina em t~bo liso que acompanha a

107
forma da cuba onde está colocada; servem para resfriar água, sal-
moura, ou qualquer outra solução incongelável, como as soluções
de água-etileno glicol, a uma determinada temperatura.
No caso de refrigeração da salmoura, esta pode servir, no próprio
tabuleiro, para a fabricação de certos produtos (p. ex. sorvetes),
ou ser utilizada para refrigeração de câmaras. Neste caso, a sua
circulação nas serpentinas e o seu retorno ao tabuleiro são assegura-
dos por uma bomba.
Este processo tem a vantagem de garantir uma grande circulação
de frio no caso de parada acidental do grupo compressor, mas neces-
sita de uma instalação complicada (tabuleiro de solução incongelá-
vel, bomba de circulaç<fo, agitador) que ocupa muito espaço .

EVAPORADORESCONGELADORES
Evaporadores produtores de gelo (Fig. 43)
São utilizados principalmente nas geladeiras de restaurantes e
nas instalações de balcão para a produção de gelo em cubos.

Fig. 43 - Evaporador produtor de gelo com aletas laterais.

108
A forma mais corrente é a do evaporador de tubo em serpentina
envolvendo os alvéolos onde são colocados os tabuleiros de descon-
gelamento; mas existem tantos modelos quantos os construtores.
Como estes evaporadores são também destinados a refrigerar a
própria geladeira na qual estão colocados, foi aumentada a sua su-
perf fcie de troca com a adição de aletas soldadas aos alvéolos.
São necessárias, em média , de 4 a 6 horas para haver o congela-
mento da água nos tabuleiros, considerando - 7 ºC a temperatura
média de evaporação (início - 1 ºC e parada a - 13 ºC).
No entanto, é necessário ter em consideração a temperatura da
água, as aberturas da porta para o serviço e a refrigeração simultâ-
nea dos diversos gêneros colocados no interior da geladeira.

Oichê: Pierre Chouffet

Fig. 44 - Conservador vertical para exposição de produtos conge-


lados e detalhe do evaporador formando grelhas.

109
Na prática, considera-se que são necessários 586 kJ (140 frigo·
rias) para transformar 1 kg de água a 20°C em 1 kg de gelo a -12°C
devido ãs diversas perdas existentes durante o congelamento (cerca
de25%).
A regulagem destes evaporadores para temperaturas inferiores
a O ºC (- 1 ºC, - 13 ºC) obriga o usuário a descongelar periodi·
camente o evaporador, por parada da máquina.
Evaporadores especiais
Entre estes, devemos evi-
denciar os de prateleiras re-
frigerantes (freezer - shel-
ves) (Fig. 44). As prateleiras
são constitu idas por serpen-
tinas soldadas revestidas por
folha de chapa, ou por fios
metálicos formando grelhas.
Os gêneros são colocados di·
retamente sobre as pratelei-
ras. Estes evaporadores são
utilizados principalmente
no congelamento rápido, e
equipam as geladeiras de
baixa temperatura (congela-
dores).
As placas eutêticas (Fig.
45). São constituídas por
serpentinas colocadas em
caixas de pequena espessura
feitas em chapa de aço. O
espaço entre os tubos e a
caixa é preenchido com
uma solução eutética que
solidifica a baixa tempera-
tura.
Uma soluçil'o eutética é
uma solução em proporções
Fig. 45 - Placa eutética· rigorosamente definidas de
vista exterior e corte parcial. certos sais na água, que tem
a propriedade de, depois de
ter sido congelada a uma temperatura dependente da sua composi-
ção, se descongelar a essa mesma temperatura desprendendo o frio
acumulado.
110
Estes evaporadores permitem obter um gradiente de frio apreciá-
vel pelo fato de se utilizar o calor latente de fusio da solução.
São utilizados em locais onde é necessária uma reserva móvel
de frio (reservatórios de transporte, caminhões de venda e distribui-
ção, geladeiras de venda ambulante), a sua recuperação de tempera-
tura, após um certo período de serviço, se fazendo com qualquer
grupo adaptável à refrigeração destes evaporadores.
A temperatura de descongelamento da solução utilizada depende
da temperatura que se deseja obter; ela pode variar de - 10 ºC a
-25°C.
Podem ser propostas placas preenchidas com misturas que se
descongelam a:
- 11 ºC para o equipamento de geladeiras isotérmicas de con-
servação de produtos frescos, vitrinas de venda ambulante e para o
equipamento de veículos refrigerantes de distribuiçlo de produtos
frescos (1).
- 26 ºC e - 34 ºe para equipamento de veículos refrigerantes
de distribuição de produtos congelados (1 ).

QESCONGELAMENTO DOS EVAPORADORES


Formação de gelo - Necessidade de descongelamento
O ar atmosfdrico 6 uma mistura de gases que contém vapor de
água em suspensão. Este vapor tem tendência a se depositar na su-
perfície fria do evaporador e, como esta está a uma temperatura
inferior a O ºC, o vapor de água depositado transforma-se em gelo.
Este depósito 6 praticamente ilimitado no tempo, porque as paredes
e as portas das câmaras frigoríficas não slo perfeitamente à prova
de vapor de água; as aberturas das portas necessárias para a utiliza-
çio provocam a entrada de ar quente e úmido e, finalmente, os gê-
neros introduzidos, pela umidade que desprendem, contribuem
também para a formação do gelo sobre os elementos evaporadores.
A camada de gelo assim formada, pelo seu efeito isolante, provo-
ca um abaixamento da temperatura de evaporação e, portanto, uma
diminuição da produçlo frigorífica da máquina, o que, entre outros
inconvenientes, origina o aumento do tempo de funcionamento;
a fim de diminuir estes inconvenientes, deve-se proceder a um des-
congelamento periódico do evaporador. O modo como se pode
obter este descongelamento depende:

(1) Ver, para a definição deste tipo de veículo, o Capítulo


XVII: "Veículos de transporte de gêneros perecíveis".
111
1) da temperatura da câmara frigorífica;
2) do tipo de evaporador utilizado.

Descongelamento de câmaras a temperaturas positivas


Para obter o descongelamento automático em cada ciclo, é indis-
pensável regular as temperaturas da câmara a + 3 a + 5 ºC, no mí-
nimo. Ora, a temperatura à qual se conservam melhor os gêneros é a
+2 ºC a + 4 ºC (e por vezes inferior), o que nem sempre permite
o descongelamento automático do evaporador.
Considerando então o caso anterior, dever-se-á fazer o descon-
gelamento periódico parando o compressor e deixando o ventilador
em funcionamento até à fusão completa do gelo.
Pode-se, no entanto, obter o descongelamento em cada ciclo,
mantendo a câmara a uma temperatura suficientemente baixa,
empregando um termostato ou um pressostato de descongelamento.

Termostato de descongelamento
O grupo é posto em funcionamento por um termostato princi-
pal (termostato de grupo) que regula as temperaturas da câmara
+
(+ 2 ºC, 4 ºCl.
O termostato de descongelamento, independente, aciona o ven-
tilador, desde que a temperatura do evaporador baixe até um valor
fixado, e só o desligue quando terminar o descongelamento.
A insuflação sobre o evaporador começa logo que a sua tempe-
ratura baixa, e cessa quando a temperatura do evaporador atinge
uma temperatura tal que há garantia de descongelamento.
O papel do pressostato de descongelamento é, evidentemente,
idêntico.

Descongelamento de câmaras a temperaturas negativas


Quando a câmara tem de ser mantida a temperaturas inferiores a
O ºC, o descongelamento nfo pode ser obtido por circulação do ar
da câmara a esta temperatura; é indispensável que o descongelamen-
to do evaporador não provoque, na câmara, uma subida da tempe-
ratura prejudicial à boa conservação dos gêneros introduzidos.
Para este efeito existem vários processos que podem ser utiliza-
dos. Podemos citar, entre os mais o corrente:
19 Insuflação de ar quente sobre o evaporador.
29 Aquecimento direto do evaporador por resistências elétricas.
39 Descongelamento por gases quentes ou por inversão de ciclo.

112
Descongelamento por insuflação de ar quente
Neste caso, o evaporador está colocado em uma caixa com vigias
de fechamento.
O descongelamento do evaporador é, então, obtido pela circu-
lação de ar aquecido por intermédio de resistências elétricas coloca·
das na caixa do evaporador e sob o seu sumidouro, para evitar que
a água de descongelamento torne a congelar. Um cordão aquecedor
enrolado no tubo de escoamento da água tem o mesmo efeito.
Deve ser alimentado por corrente de baixa tensão (24 V) para evitar
qualquer acidente devido a ligação à terra do cordã'o. Estas resistên-
cias devem ser cuidadosamente feitas à prova de água.
Durante o aquecimento, as vigias de circulação devem estar
fechadas para não fazer elevar a temperatura da câmara. O tempo
de descongelamento é função da potência das resistências elétricas.
Um tal sistema de descongelamento é de difícil automatização
nos evaporadores de parede. A manobra das vigias de circulação do
ar implica a intervenção manual mas, no entanto, as resistêncais de
aquecimento do ar podem ser desligadas automaticamente por meio
de um pressostato.
Descongelamento por aquecimento do evaporador
Resistfncias elétricas colocadas nas aletas do evaporador e sob o
seu sumidouro, provocam a fusão do gelo e evitam que a água de
descongelamento torne a congelar.
Este sistema de descongelamento pode ser facilmente automa-
tizado. Um relógio de motor síncrono determina o período de des-
congelamento parando o compressor e o(s) ventiladorlesl, e provoca
o fornecimento de tensão ãs resistências elétricas.
A parada do descongelamento é obtida por intermédio de um
tesmostato que, colocado nas aletas do evaporador, assegura, ap6s
o descongelamento completo do mesmo, a parada do período de
aquecimento e, simultaneamente, o arranque do compressor. Um
segundo termostato provoca o arranque retardado dos ventiladores,
evitando, assim, o envio de ar quente e úmido para a câmara fria.
Descongelamento por gases quentes
Este dispositivo permite recalcar os gases comprimidos pelo
compressor diretamente para o evaporador, a jusante da válvula
de expansão, graças a uma tubulação de derivação. Devem ser colo·
cados dispositivos de obturação e de proteção para evitar, por um
lado, qualquer alimentação intempestiva em líquido do evaporador
no período de descongelamento e, por outro lado, deve ser interca·

113
lado na tubulação de aspiração um dispositivo de reevaporação do
líquido formado no evaporador durante o descongelamento, para
evitar o afluxo de líquido ao compressor. Este processo pode ser
automatizado e, se funcionar com um relógio de motor síncrono, o
descongelamento será cíclico.

Dêscongelamento por inversão de ciclo


~ uma aplicação particular do princípio da bomba de calor,
que permite utilizar totalmente as capacidades termodinâmicas do
condensador como fonte calorífica, para o ciclo de descongela-
mento.

c:::::::J Gases quentes A.P.


llliIBil'il Vapores frios B.P.
Hllll LlquidoA.P.
Fig. 46 - Descongelamento por inversão de ciclo - Posição marcha
normal.
As setas indicam o sentido normal de passagem das vdlvulas
de retenção
114
Tal como no dispositivo de descongelamento por gases quentes,
o compressor funciona obrigatoriamente durante o ciclo de descon-
gelamento. A inversão do ciclo é obtida, durante este período, por
intermédio de um distribuidor de gaveta comandado por uma vál-
vula magnética piloto. Em período de refrigeraçâ'o, como a bobina
da válvula nâ'o é excitada, a posiçâ'o da gaveta é tal que o circuito do
fluido segue o sentido normal: compressor -condensador - válvula
de expansâ'o - evaporador - compressor (Fig. 46). Sob impulso

-
do órgâ'o que indica o descongelamento, a válvula-piloto provoca

c:=J Gases quentes A.P.


CTi2llllll Vapores frios B.P.
- UquidoA.P.

Fig. 4 7 - Descongelamento por inversão de ciclo - Posição de


descongelamento.
As setas indicam o sentido normal de passagem das válvulas
de retenção

115
um deslocamento da gaveta do distribuidor, que tem por efeito
alimentar o evaporador em gases quentes que nele se vão condensar,
e transformar o condensador em evaporador, alimentado pelo lí-
quido formado no evaporador e expandido no condensador por
intermêdio de uma válvula de expansio termostátlca (ou automáti·
ca). Este lfquido é vaporizado quer pela circulação do ar ambiente,
no caso de condensador a ar, quer pela circulaçio da água, no caso
de condensador a água.
Os vapores formados sá'o, entlio, aspirados pelo compressor (fig.
47). O fim do período de descongelamento e o retorno às condiç6es
normais de funcionamento sá'o obtidos graças a um termostato de
fim de descongelamento.
Válvulas de retençio evitam que existam alimentaç6es intem-
pestivas de líquido ou gás, durante um ou outro ciclo.
A freqüência dos descongelamentos, determinada em função das
condiç6es locais, permite trabalhar com o evaporador praticamente
sem gelo, e o acionamento retardado dos ventiladores, após o des·
congelamento, evita insuflar ar quente e llmido na câmara.

Observações
11 Apesar de serem utilizados muitos outros processos de des·
congelamento, citaremos apenas a título informativo o que emprega
a pulverização da água sobre o evaporador e, freqüentemente, uti·
lizado nas geladeiras de bocas.
21 Esquemas elétricos relacionados com os processos de descon-
gelamento citados são representados no Capítulo XXV.

116
CAPÍTULO VIII

DISPOSITIVOS ANEXOS
DO CIRCUITO
Separador de 61eo
Se, por um lado, a lubrificaçio dos órgios de um compressor só
pode ser feita com superambunddncia de óelos, por outro, a miscibi·
lidada dos fluidos clorofluorados com o óleo, o que pode provocar
emulslles deste no arranque do compressor, torna inevitáveis movi·
mantos mecanicos do óleo.
Este óleo, movimentado pelo compressor para os outros órgios
da instalação, li particularmente prejudicial nos trocadores ürmicos
(condensador e, sobretudo, avaporador), diminuindo a eficiência
destes, e se acumulando neles, principalmente se o fluido refrige·
rante for pouco miscfvel com o óleo a baixa temperatura, o que li o
caso do R 22 e do R 502.
Hã, portanto, interesse em separar o óleo do fluido refrigerante
desde a saída dos vapores comprimidos do compressor e fazê-lo
retornar ao cárter do compressor o mais rapidamente possível, a fim
de o manter a um nível com a lubrificaçio correta dos órgios em
movimento. A separação entre o óleo a os vapores do fluido li obtida
conjugando uma queda brusca da velocidada dos vapores comprimi·
dos; isto pode ser obtido quer por chicanas, quer pela colocaçã'o
da uma rede de palha metálica no circuito dos vapores. O óleo se-
parado é novamente enviado para o cárter por uma tubulaçio da
retorno, cuja entrada li comandada paio punçio de um mecanismo
ligado a um flutuador colocado no corpo do separador.
A fim de facilitar ao mllximo a desgaseificaçio do óleo de re-
torno ao compressor, aquece-se o reservatório de recuperaçio do
óleo, fazendo, por exemplo, incidir os vapores quentes vindos do
compressor sobre este reservatório, como está representado na Figu-
ra 48.
Logo que o óleo tenha atingido um certo nível no fundo do se-
parador, o flutuador levanta o punçã'o do seu assento, a o óleo
retorna ao cárter do compressor por uma tubulaçio de pequeno
didmetro.
Após o retorno do óleo em excesso, o punçio, comandado paio
flutuador, volta à sua posiçio inicial a torna a obstruir a passagem
do óleo.
O separador de óleo deva ter dimenslles relativamente conve-
nientes à pott!ncia do compressor, da modo que a velocidade dos
117
gases comprimidos seja tal que permita uma separação fácil do óleo
(w < 0,5 m/s).
As dimensões do separador de 61eo a colocar em uma instalação
dependem da potência frigorífica desta e da natureza do fluido
refrigerante utilizado.

11

12

13

Fig. 48 - Separador de Óleo.

1. Flutuador 8. Tubulação de retomo


2. Reservatório de óleo do óleo
9. Assento
3. Válvula de.punção 10. Tubulações de conexão
4. Mola 11. Dispositivos de separa-
5. Junta entre a tubulação e a caixa ção do óleo
12. Diafragma
6. Junta do orifício 13. Braçadeira de fixação
7. Orifício
A título informativo, damos, em seguida, as faixas de capacidada
de dois separadores de óleo DANFOSS para uma temperatura de
evaporaç§o de - 15 ºC e para os fluidos R 12, R 22 e R 502.
Quando se instala um separador, não se deve esquecer de intro-
duzir previamente a quantidade de óleo incongelável suficiente, para
que o flutuador fique em posiçlo de funcionamento. Evidentemente
que o 61eo deve ser da mesma qualidade do utilizado na lubrificação
do compressor.

118
Faixa de utilizac;io dos separadores de 61eo Danfoss do tipo OUB

Diâmetro do Watts (térmicos) ~o: frigorias por hora


Tipo recalque
em polegadas R 12 R 22 R 502 R 12 R 22 R 5fJ2
-- - - - - -- - - - -
3/8" 870 1160 1 275 750 1000 1100
1 1/2" 1 510 2030 2205 1300 1 750 1900
5/8" 2320 3130 3480 2000 2 700 3000
-- - - - - - - - - - -
5/8" 2 725 3710 4060 2350 3 200 3500
3/4" 3886 5220 5800 3 35() 4500 5000
4 7/8" 5800 8005 8815 5000 6900 7600
1" 6 S60 9510 10440 6000 8 200 9000
1"1/8 8815 11 600 12 760 7600 10000 11000

Tabela22

Reservat6rios de líquido
Os reservatórios (ou garrafas) de l(quido recebem o fluido li-
quefeito vindo do condensador. Estes reservatórios, em chapa de
aço, têm dimensões qua lhes permitem conter a maior parte da carga
am fluido da instalaçfo.
Slo montados na posiçio vertical ou horizontal e possuem sem-
pre uma wlwla de saída do l(quido com um tubo de imersâ"o, que
assegura a alimentaçio am líquido, mesmo quando o nível desta na
garrafa é muito baixo.
Nos grupos domésticos herméticos funcionando com tubo
capilar, é suprimido o reservatório. O fluido liquefeito vai direta-
mente do condensador para o evaporador. Neste caso particular, o
condensador deve ter uma capacidade suficiente para conter a carga
em fluido e evitar, assim, as sobrepress6es que poderiam resultar de
uma obstruçio do tubo capilar.

Reservat6rios-tampões
Se bem que praticamente caldo em desuso, a instalaçio de um
reservat6rio-tampio (Fig. 49) em uma instalação é, no entanto,
muito recomendada se as condições de funcionamento fizerem pre-
ver um movimento em ciclos curtos cujos piores inconvenientes sfo:

119
a) Desgaste prematuro dos elementos de regulagem devido aos
freqüentes deslocamentos dos seus elementos em movimento.
b) Deterioração rápida dos contatos elétricos originada pelas
numerosas aberturas e fechamentos do circuito e à grande intensida-
de de corrente que os atravessa.

Fig. 49 - Montagem de um reservatório-tampão em uma instalação


múltipla.

1. "T" de junção dos evaporadores 4. Válvulas magnéticas


2. Saída para o compressor 5. Válvula de pressão
constante
3. Reservatório-tampão 6. Filtro
7. Válvulas manuais

São reservatórios cilíndricos de fundo abaulado, em chapa de


aço ou em tubo de aço estirado sem soldadura. São montados no
circuito de baixa pressão, mas como contêm o fluido sobre pressão,
devem obedecer às normas de segurança.
120
São testados com uma pressão de 15 bars (para o R 12) e devem
ser protegidos externamente contra a corrosão.
Podem ser montados vertical ou horizontalmente em derivação
no circuito de baixa pressão, entre os evaporadores e o compressor.
Deve-se colocar sempre um filtro de malha muito fina na co-
nexão e uma válvula manual para desligar o circuito.
Para evitar acúmulos de óleo, o reservatório-tampão deve estar
sempre em carga sobre o cárter do compressor, o que não dispensa
a colocação de uma válvula na sua parte inferior para a descarga e
um bujão de inspeção para a limpeza eventual.
Um reservatório-tampão é um recipiente que contém fluido
gasoso e que, durante a parada do compressor, fica em equilíbrio de
pressão com aquele que está contido nos evaporadores e no cárter do
compressor. Este volume de gás suplementar, que constitui o con-
teúdo do reservatório-tampão, provoca o prolongamento dos ciclos.
Teremos, assim, uma boa relação entre a capacidade de aspiração
do compressor e o volume total dos vapores vindos dos evaporadores
e do reservatório-tampão. O seu volume interno é função, por um
lado, da potência frigorífica desenvolvida pelo compressor e, por
outro lado, do volume interno dos evaporadores.
A 'título de exemplo, podemos prever a sua utilização nas se-
guintes instalações múltiplas:
19 Uma câmara fria (a + 2 ºC, + 4 ºC) e uma
pequena geladeira (a+ 4 ºC +6 ºC);
29 Uma câmara de armazenamento de quei-
jos (a + 3 ºC, + 5 ºC) e um refrigerador de água
de funcionamento intermitente (uma tal insta-
lação, sem a adição de uril reservatório-tampão,
necessitaria ser equipada com dois compressores);
39 Uma instalação de bar que compreende,
geral mente:
- uma cuba de cerveja (a + 5 ºC + 7 ºCl;
- uma enchedora de cerveja de refrigeração
acelerada (a +6 ºC + 8 ºC);
uma geladeira para gêneros (a +4 ºC + 6 ºC);
um produtor de gelo para o balcão (a -13°C)
uma vitrine (a+ 6 ºC + 8 ºCl;
Fig. 50 - Garrafa - um pulverizador para refrigeração de garrafas
de aspiração (a + 8 ºC + 9 ºCl.
(antigolpes de
líquido).

121
... Garrafas de aspiração
.. Tambénr chamada$ "garrafas antigolpes de 1íquido" são colo-
cadas na tubulação de aspiraçã'.o na proximidade imediata do com-
pressor, e· têni i)or· objetiv0 impj,dir a aspiração eventual do fluido
líquido pelo compressor. São montadas verticalmente. No caso de
haver enchimento de fluido refrigerante do evaporador, no estado
l<quido, durante a paragem do grupo, o "golpe de líquido" é evi-
tado, à partida, porque o fluido líquido cai no fundo da garrafa.
O orifício da tubulação de aspiração colocado na parte superior da
garrafa permite ao compressor aspirar este fluido sob a forma de
vapor, o que evita qualquer acidente mecãnico (Fig. 50).
Na parte inferior da tubulação de aspiraçã'o é colocado um pe-
queno orifício, que permite aspirar o líquido (por vaporização) e o
óleo existente no fundo da garrafa.

filtros
Os fluidos clorofluorados são detergentes e, apesar de todas as
precauções tomadas durante a usinagem das peças mecãnicas e du-
rante a montagem da instalação, estes fluidos podem arrastar lima-
lha, partículas de metal, ou pequenas quantidades de impurezas.
e. portanto, necessário duplicar
os filtros incluídos no compres-
sor e os dispositivos automáti-
cos, e, onde a superfície filtran-
te é pequena, devem-5e utilizar 1
filtros mais resistentes e que
são colocados na tubulação do
líquido ou na tubulação de as-
piração. Os filtros colocados na
tubulação do líquido são consti-
tuídos por uma peneira filtra- 3
dora em bronze ou em chapa
niquelada, cuja superfície fil-
trante é função da potência
frigorífica da máquina. A co-
nexã'o ã tubulação faz-5e ou por Fig. 51 - Filtro de líquido
colares cônicos, ou por flanges, 1. Corpo do filtro
conforme as dimensões destas 2. Cartucho filtrante
tubulações (Fig. 51 l. 3. Junta
Uma seta gravada na mol- 4. Bujão de fechamento
dagem, ou na fundição, indica o

122
JOATAN SÓCRATES

fojj~e~q~icfbl~-Cir8Jl tJ'ãoPfil f;l IJ


sentido da passagem do 1íquido, rn~~e flm: Re ~rei-,RAeRQS), q ,
das impurezas no interior do r. e iltrant ev1tancl'e 8'1'sih.\J S
arrastamento posterior no circu
bujão na base fundida permite a"'des~e a substiwicijo do
cartucho filtrante, rn:> caso de este ficar colmatado.
Os filtros de aspiração têm a forma de um corpo cilíndrico,
contendo, em uma das suas extremidades, um flange desmontável
solidário ao cartucho filtrante.

Registros de inspeção de líquido


Servem para indicar o estado físico do fluido refr~gerante em cir-
culação em uma instalação, ou para controlar o nível do 1íquido
em um reservatório. Certos registros de inspeção colocados em tubu-
lação de líquido possuem uma pastilha impregnada de um sal quí-
mico e permitem verificar o estado da secura do fluido refrigerante
e, conseqüentemente, deduzir qual a eficiência do desidratador (Fig.
52). A mudança de cor é reversível e, se a cor verde, que indica a
secura do líquido, se tornar amarela, indicando uma quan t idade
anormal de água no fluido, após a colocação de um novo desidra -
tador, a cor amarela tornar-se-á verde, desde que a quantidade de
água contida no fluido seja menor que a quantidade máxima admis-
sível. A tabela a seguir indica para que quantidades de água, expres-
sas em " partes por milhão" (p.p.m.), há mudança de cor da pastilha.

Fig. 52 - Registro de inspeção de líquido indicador de umidade


(Doe. Danfoss) .

Vãlvulas de retenção
As válvulas de retenção (Fig. 53) são constituídas por uma pe-
quena chapeleta aplicada contra o seu assento por uma mola muito
fraca, estando as duas peças montadas em um conjunto formando
conexão dupla.

123
Teor em água p.p.m. (mg H2 O/kg de fluido)

Fluido
refrigerante Verde (seco) Cor intermédia Amar. (úmido)
R 12 máx. 15 15- 35 mín. 35
R 22 máx. 60 60 -125 mín. 125

Tabela 23
São aplicados na linha de aspiração dos evaporadores que funcio-
nam a baixa temperatura, em instalações de evaporadores múltiplos.
O seu objetivo é impedir, quando a máquina pára, a passagem
dos gases vindos dos evaporadores mais quentes para os evaporado-
res mais frios, nos quais eles se condensariam, criando assim as
condições favoráveis a um "golpe líquido" no arranque da máquina.
São indispensáveis nas instalações múltiplas com evaporadores
a temperaturas diferentes.

-·-
Fig. 53 - Válvula de retenção.

Trocador de calor
1

O trocador de calor (Fig. 54) permite melhorar o rendimento


de uma instalaçio frigorífica, sub-resfriando, por um lado, o líqui-
do admitido na válvula de expansio e, por outro lado, permitindo a
utilizaçio máxima da superfície do evaporador. Em contrapartida,
verifica-se que o aquecimento dos vapores admitidos no compressor
pode ser, por vezes, um pouco superior.
O trocador de calor deve ser montado na câmara fria imediata-
mente após o bulbo da válvula de expansão. Os vapores frios que
saem do evaporador podem circular no espaço anular do trocador e
o líquido no interior do tubo central ou inversamente: líquido no
espaço anular e vapores frios no tubo central, mas qualquer que seja
a solução adotada, os dois fluxos de fluido devem circulJr sempre
em contracorrente. Pode ser montado em qualquer posiçio com a
condição:
124
6 3 4 5 2

Fig. 54 - Trocador de calor.

1. Entrada de vapores de calor 2. Aspiração do compressor


3. Tubo de aletas radiais 4. Espaço anular
5. Entrada do líquido 6. Saída do líquido

1l de respeitar a circulação em contracorrente dos dois fluxos


de fluido;
2) de nlo oferecer obstáculo ao óleo.

1 1

Fig. 55 - Montagens correta e incorreta de um trocador de calor.

A Figura 55 mostra uma montagem correta e uma incorreta.


Em sistemas herméticos de geladeiras domésticas, o trocador é
125
construído soldando, na maior extensão possível, o tubo capilar que
serve de válvula de expansão a tubulação de aspiração. O emprego
de um trocador de calor não é apenas feito à saída do evaporador;
ele pode ser utilizado nos casos em que se queira trocar calor entre
dois fluidos, ou entre fases diferentes de um mesmo fluido.

Os desidratadores
O objetivo dos desidratadores (Fig. 56) é manter a quantidade
da água contida no fluido abaixo de um valor máximo, o que de-
pende da própria natureza do fluido; para o R 12 é de 15 p.p.m. e
para o R 22 de 60 p.p.m. (mg H2 O/kg de fluido). A eficiência de um
desidratador depende, em primeiro lugar, da natureza do produto
desidratante utilizado e, igualmente, da velocidade com que o fluido
atravessa este produto; o seu diâmetro é sempre relativamente gran-
de, o que, entre outras vantagens, permite obter pequenas perdas
de carga. O desidratador é composto por um filtro colocado ã entra-
da do fluido; um anel, sob a ação de uma mola, comprime o material
desidratante, a fim de evitar que os gnios do desidratador, rolando
uns sobre os outros, se desgastem e formem poeira que poderia ser
arrastada para fora do desidratador. O sentido da circulação do flui-
do serve igualmente para comprimir o desidratante. 'A salda do desi-
dratador, existe uma chapa de malha muito fina, fabricada ou em
latéio niquelado, ou em Monel.
O corpo do desidratador é em cobre ou em aço, e nas bases
embutidas das extremidades estão colocados os pontos de ligação.
4 5 6

F.?===a'~~~~~~---,.;olia
\I ;
.·~
Fig. 56 - Desidratador.

1. Entrada 4. Anel de aperto


2. Mola S. Chapa de latão + chapa de monel
3. Filtro encaixado 6. Placa perfurada

126
Materiais desidratantes
Os materiais desidratantes mais utilizados são:
o alumínio ativado (pode permanecer definitivamente);
- a smca-gel (pode permanecer definitivamente);
- a Drierita (sulfato de cálcio) - (pode permanecer definitiva-
mente);
- o crivo (ou peneira molecular) - ("molecular sieve").

Alumínio ativado
Absorve cerca de 10% do seu próprio peso em umidade. ~ um
absorvente de qualidade e não se transforma nem em p6 nem em
salmoura, mas, no entanto, pode formar um ligeiro lodo com a
umidade. ~ preciso, portanto, prever um bom filtro no desidratador.
O alumínio ativado, quando saturado de óleo, fica com o seu poder
de absorção reduzido.
A sflica:gel e a Drierita
Têm as mesmas propriedades do alumínio ativado. A sua eficiên-
cia é maior nos líquidos do que nos gases. O seu poder de absorção
é menor que o do alumínio ativado.
O crivo molecular
A substância ativa é composta de cristais de alumino-silicatos
que apresentam, graças a um tratamento apropriado, uma porosi-
dade molecular uniforme e, por este fato, um poder de absorção
muito seletivo. Uma das variedades mais correntes é calibrada para
uma porosidade 4 angstroms (1 A = 10·• µ., ou seja, 10· 7 mm). ,
Assim, o produto apresenta uma afinidade excepcional em relação
às finas moléculas de água, enquanto que deixa passar, sem as reter,
as moléculas de refrigerante e de óleo, cujo tamanho é bastante
superior.
Desidratadores de funçlJes múltiplas
Há alguns anos ·apareceram no mercado os desidratadores de
funções múltiplas. A matéria ativa tem forma de um corpo sólido
de aspecto análogo ao das matérias sinterizadas; não há abrasll'o das
partículas,_porque os grãos não podem se mover por ação da cor·
rente do fluido. Estes cartuchos permitem nfo s6 desidratar o cir-
cuito, como também reter lodos, partículas provenientes dos ele-
mentos de construção do circuito, bem como produtos de decom-
posiçfo dos óleos. Além disto, fixa possíveis ácidos que podem se
formar no seio do fluido. Estes desidratadores são utilizados em cir-
cuitos de fluidos clorofluorados.

127
Montagem dos desidratadores
De preferdncia, coloca-se o desidratador na câmara fria. Os absor-
ventes retêm melhor a umidade em baixa temperatura do que em
ambientes de alta temperatura, como é, geralmente, no verão a
zona próxima do grupo compressor; neste caso, o poder de absor-
ção seria menor, e poderia mesmo acontecer de uma parte da umi-
dade retida na estação fria ser devolvida ao circuito. Este fenômeno
produz-se principalmente quando o desidratador está carregado com
um absorvente (tal como a sflica-gel ou o alumínio ativado), no qual
a umidade é fixada por efeito capilar à superfície nos poros do grlo.
Ao contrário dos desidratadores qu (micos normais, o poder absor-
vente dos crivos moleculares nlo é afetado pelas variações de tempe-
ratura.
Um desidratador deve ser sempre totalmente carregado e ser
montado na posição vertical para que o fluido atravesse completa-
mente o agente desidratante. i: igualmente necessário manter o
aparelho cuidadosamente fechado até a sua montagem.
O tempo de utilizaçlo de um desidratador em um circuito é
variável. Depende, principalmente, da capacidade do agente desi-
dratante e da quantidade de água presente na instalação.
Em princípio, dois dias slo suficientes, mas, se após este inter-
valo de tempo se renovarem os incidentes de funcionamento, é
necessário substituir o desidratador e continuar a operação.

Observação
Durante muito tempo, o cloreto de cálcio foi usado como agente
desidratante; infelizmente, quando fortemente hidratado, origina
uma salmoura que, arrastada no circuito, pode corroer as peças
metálicas. Este risco de formação de salmoura originou a eliminação
do cloreto de cálcio como agente desidratante em todas as instala-
ções que possuem motocompressores herméticos ou herméticos
acessíveis e, por extenslo, as que possuem compressores conven-
cionais.
Regeneração do agente desidratante
56 os desidratadores carregados de s flica-gel podem ser rege-
nerados por aquecimento; para isto, é necessário insuflar, no sen-
tido normal da passagem do fluido, ar seco aquecido de 140 ºC a
160 ºC, durante 3 ou 4 horas.
Capacidada da um desidratador
Para dimensões de conexlo idênticas, os desidratadores podem
conter uma maior ou menor carga de desidratante. Para determinar
128
o tipo de desidratador a montar em uma instalaçã'o é necessário
ter em conta a carga em fluido refrigerante da instalação e não da
potência frigorífica do compressor. Os catálogos dos fornecedores
dão todos esses esclarecimentos.
Desidratação em usina
O processo de colocar um cartucho desidratante no circuito de
uma instalação s6 é viável em um canteiro. Para todos os conjuntos
herméticos vedados que não possuem desidratadores no seu circuito
e todos os aparelhos da instalação, incluindo os compressores, moto-
compressores, evaporadores e condensadores, passando por todos
os dispositivos anexos descritos, a desidratação é obtida em usina
após a construçio, utilizando um processo físico que consiste em
estufar, durante dez horas, compressores, circuitos, anexos, etc.,
a temperaturas variáveis - conforme os materiais - de 120 ºC a
150 ºC, mantendo os mesmos aparelhos sob vácuo de 150 a 250
mlcrons; a circulação de ar quente e seco permite acelerar a eleva-
ção da temperatura dos elementos internos.

129
CAPÍTULO IX

TUBULAÇÕES E VÁLVULAS

Tubulações
Atualmente todas as tubulações das máquinas frigoríficas comer-
ciais sã'o feitas em cobre com dimensões na "série polegada". A tí-
tulo informativo daremos a seguir a designaçã'o de alguns tipos da
"série métrica" e, tambám, a correspondência entre mil (metros e
frações de polegada.
As dimensões e espessuras dos tubos da série métrica estio pa-
dronizadas; os tubos sã'o designados pelos seus diâmetros interno e
externo. A tabela a seguir indica as dimensões destes tubos:

4X 6 6X8 SX 10 10 X 12 12 X 14 14 X 16
18 X 20 20 X 22 26 X 28: 34 X 36 etc.

Correspondincias entre milímetros e frações de polegada de cerca


de0,3mm
Milimetros 1 1 2 6
Polegadas.. J 3/64 5/64 ~3 1 5/32
4 5
13/64 7 1 5/16
15/64 9/32 8 9
23/64
Milímetros 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Polegadas.. 25/64 7/18 15/32133/64 35/64 19/32 5/8143/64 45/64
Mil ímetros 19 20 21 22 23 24 25 25,4
Polegadas.. 3/4 25/32 53/64 55/64 29/32 15/16 63/64 1 64tô4
Tabela 24
Frações de polegadas expreuas em milímetros
1 /32" = 0"03125 = 0,79 mm 5/16" = 0"3125 = 7,94 mm
1/16" = 0"0625 = 1,58 mm 3/8" = 0"375 = 9,525 mm
3/3'1!' = 0"09375 = 2,38 mm 7/16" ~ 0"4375= 11,11 mm
1/8" -0"125 -3,17mm 1/'J!' = 0"5 = 12,7 mm
5/3'1!' - 0"15625 - 3,97 mm 5/8" = 0"625 = 15,875 mm
1/4" - 0"250 .- 6,35 mm 3/4" ~ 0'75 ~ 19,05 mm

Tabela 25

131
As dimensões dos tubos ds "série polegada" aio dadas pelo seu
diâmetro externo (O.O.) expresso em frações de polegada, empole-
gadas ou em polegadas e frações de polegada. São os tubos de:
~;~;~;~;%;~;1~;1~;et~

Diâm. ext. Diâm. int. e ext. Massa por metro


em pol em mm em kg/m

1/4 11 5,08 X 6,35 0,101

3/8" 8,00 X 9,525 0,187

1/2" 10,92 X 12,700 0,295

5/8'' 13,84 X 15,875 0,424

3/4" 16,92 X 19,05 0,538


---
7/8" 19,94 X 22,225 0,677

1 1/8" 26,03 X 28,575 0,975

1 3/8" 32,13 X 34,925 1,315

Tabela 26

Até a dimensio de 7/8 de polegada para as dimensões inglesas


e 18/20 para os tubos em cotas métricas, os tubos sã'o recozidos,
polidos em espelho, desidratados e fechados, e sã'o fornecidos em
coroas de 15 a 30 m enroladas com o diâmetro de 0,75 m.
Acima destas dimensões, os tubos sâ'o fornecidos em extensões
estiradas retas comerciais de 3 a 4 metros.
As conexões que permitem unir as tubulações sã'o ou em latã'o
moldado, e neste caso a junçio se efetua com o auxílio de porcas
e de colares cônicos, ou por roscas cônicas "Briggs", ou em cobre
extrudado, e neste caso a junçã'o se faz por soldadura capilar.

132
As conexões em latão moldado estio padronizadas e a sua de·
nominação está relacionada com as dimensões dos tubos a unir.
Nas ligações em "T" e em cruz, a ordem pela qual deve ser re-
ferenciada a dimensão de cada ramo está indicada a seguir (Fig. 57).
i: fundamental respeitar esta convenção sob pena de nio se obter
a conexão desejada, se um dos ramos tiver uma dimensã'o diferente
das outras. A recomendação anterior também é válida para as liga-
ções em cobre. Estas ligações para tubos da "série métrica" sã'o re-
ferenciadas pela natureza da ligação, seguida pela dimensã'o externa
dos tubos a ligar e da indicação M ou F, conforme se trata de uma
ligação de remates macho ou fêmea.
Ex.: T28-22-28F
ou seja, um "T" reduzido para tubo de 28, com derivação para tubo
de 22, sendo os três remates fêmeas.

tE~ 2
:_ Ramificação

1 1

Fig 57 - Ordem de designação das tubulações.

Para as ligações em latão moldado destinadas aos tubos da "série


polegada", estas ligações são designadas pelos diâmetros dos tubos a
ligar, seguidos pela indicação da natureza dos remates. As ligações
em cobre extrudado sá'o designadas de maneira idêntica, mas a
dimensá'o dos diâmetros dos tubos é a nominal; o diâmetro nominal
é sempre 1/8 de polegada inferior ao diâmetro externo (0. D.).
Assim, um cotovelo reverenciado por: cotovelo 5/8 F, corres-
ponde a um tubo de 3/4 de diâmetro externo.

Juntas c6nicas
São também chamadas tubos dilatados, colares ou tubos alarga-
dos. Os tubos estirados que servem para fazer os colares sã'o de di-
ferentes modelos e constitu(dos por um molde provido de uma bra-
çadeira, na qual se parafusa o cone de alargamento (ou tupia).

133
Para fazer um colar cônico:
1~ Selecionar o tubo no sentido do comprimento com um apare-
lho especial de serrilha (corta-tubos). Colocar corretamente o tubo
sobre as serrilhas guias do aparelho, e nunca apertar muito, para evi-
tar a quebra da serrilha de corte.
29 Se o corte tiver de ser limitado, manter o tubo inclinado para
o solo, evitando a entrada de limalha para o interior.
~ Retirar as rebarbas de corte (interna a externamente).
49 Rosquear o tubo.
59 Apertar com precisã'o o tubo no molde (a prática torna este
trabalho fácil), para que o colar nã'o fique nem muito grande - flan-
gearia na rosca - nem muito pequeno - a junta seria insuficiente.
69 Lubrificar ligeiramente o cone de alargamento e fazer o colar
sem apertar muito fortemente, para nio adelgaçá-lo muito.
Um bom colar cônico não deve apresentar fendas nem fissuras.
Deve ser liso. Se houver a m1'nima dúvida sobre a qualidade de um
colar cônico, é necessário recomeçar a operação, porque eles são
muito importantes. As fugas e as entradas de ar sã'o conseqüências
da sua falta de vedação.

Juntas de passo Briggs


Estas ligações são utilizadas para a vedaçã'o de bujões de tornei-
ras, de tampas de calibre de cárter de ligações em torneiras, de
válvulas de expansã'o, etc.
Esta vedaçio é assegurada por parafusamento forçado do bujã'o
ou da uniã'o.
Para fluidos refrigerantes, guarnecer a parte macho do filete da
rosca com pasta especial para juntas.
Esta pasta para juntas, que demora a secar e que é, depois de
seca, difícil de eliminar dos filetes onde se alojou, pode ser substi-
tuída por fita teflon enrolada em torno da uniã'o macho, à razão de
uma volta até um diâmetro de 1O mm e mais uma volta suplementar
para cada fração ou para cada 10 mm de aumento.

Determinação do diâmetro das tubulações


A determinação do diâmetro das tubulações é primordial para o
bom rendimento de uma instalação. Esta determinaçio pode ser
feita com o auxílio de ábacos ou de tabelas.
134
Para determinar as dimensaes, proceder do seguinte modo
(ex. do ábaco):
1) Marcar no ábaco superior a produçlo frigorífica da máquina.
(1,5 X 1 000 fg/h).
2) Traçar por este ponto uma paralela ao eixo das abscissas até
encontrar a linha oblíqua correspondente à temperatura de evapo·
ração (-10 ºC).
3) Baixar sobre o ábaco inferior as interseç6es desta reta com as
oblíquas "conduto de líquido", "conduto de insuflaçlo", "conduto
de aspiraçlo".
4) Verificar que, para as tubulações assim determinadas, as
perdas de carga estio compreendidas entre 0,100 e 0,150 bar para
1O m de tubulaÇlo.
Válvulas
As válwlas de serviço slo montadas em equipamentos ou tubula·
ç6es a fim de isolar um equipamento (garrfa de líquido, p. ex.) ou
uma parte da tubulação.
Como já foram estudadas as válw las montadas no corpo do com·
pressor, apenas examinaremos as citadas em primeiro lugar.
São constituídas por um corpo em latlo moldado, no qual slo
usinados os remates de ligação e o assento da chapeleta. Esta é geral·
mente em Teflon, e a vadaçlo entre o corpo da vãlwla e o chapéu
de fechamento é assegurada quer por uma membrana metálica pia·
na, quer por uma membrana dobrada em fole.
As vãlwlas podem ser direitas, de duas ou três vies ou da passa·
gem de esquadria. Nas válwlas da três vias, só o ramal pode ser iso·
lado pela manobra do volante, ficando a via direta sempre em ser-
viço. Estas válvulas slo utilizadas como vãlwles de carga.
As vãlwlas de esquadria, que possuem sempre um remate
filetado Briggs, slo utilizadas como vãlwlas de salda de líquido. Os
remates podem permitir a unilo por roscas e colares cônicos, ou por
soldadura, a fim de que a chapeleta em Teflon e o seu assento nfo
fiquem deteriorados pelo calor transmitido pelo corpo da vãlwla du·
rante a soldadura; se a peça for espessa, é prudente arrefecer o corpo
da vãlwla com um pano l'.lmido, durante a soldadura.

135
CAPÍTULO X

DISPOSITIVOS PRINCIPAIS
DE AUTOMATISMO
Todas as instalações frigoríficas domésticas, comerciais e, cada
vez ·mais, as indústrias funcionam sem a intervenção humana. A ali-
mentação de fluido refrigerante aos evaporadores, de água aos con-
densadores, se ocorrer, a verificação da temperatura e do grau de
umidade das câmaras, e a sua manutenção entre limites prefixados
para uma boa conservação dos gêneros colocados no seu interior,
sã'o confiadas a dispositivos automdticos.
O mesmo acontece com a segurança de funcionamento da insta-
lação, restabelecimento e registro das temperaturas, pressões, dé-
bitos, etc.
Dizemos que "a instalação é automática", apoiando-se, para isto,
no AUTOMATISMO, que é a TéCNICA QUE ABRANGE OS SIS-
TEMAS QUE TeM COMO OBJETIVO REGULAR O FUNCIONA-
MENTO DE UMA MAQUINA, SEM A INTERVENÇÃO HUMANA.
As funções que confiaremos aos dispositivos automáticos, no que
diz respeito a uma instalação frigorífica, serão as seguintes:
Funcionamento
Função de condução { Alimentação
Regulagem

Função de proteção f Segurança


l Precisã'o
Função de controle-sinalização 1SÔptica
onora

ÔRGÃOS DE CONDUÇÃO
Os primeiros órgãos que pertencem a esta categoria são os de
função de funcionamento. São os descontatores, contatores e relês
que não interessam ao circuito do fluido refrigerante e que estudare-
mos no Capítulo XXI - DISPOSITIVOS EL~TRICOS.

ÔRGÃOS DE ALIMENTAÇÃO
A alimentação em fluido refrigerante deverá ser assegurada por
um órgão cujo débito, regulado automaticamente, deve responder,
em cada instante, às necessidades do evaporador; estas necessidades
dependem unicamente das exigências caloríficas exteriores a ele.
137
Dispomos para este fim:
a) de válvulas de expansão capilares (ou tubos capilares);
bl de válvulas de expansão automáticas;
c) de válvulas de expansão termostáticas.

Válvulas de expansfo capilares


A válvula de expansã'o capilar, ou tubo capilar, ê utilizada em
todos os refrigeradores domdsticos e em certas geladeiras comerciais,
tais como os conservadores.
e constitu(da por um tubo de cobre de diâmetro interno entre
0,6 e 1 mm e de comprimento predeterminado para criar uma parda
de carga (isto ê, uma quebra de presslJo do fluido admitido no eva-
poradorl, suficiente para equilibrar a diferença das pressões entre a
compressão e a aspiração.
O débito do capilar é função desta diferença. Quando esta au-
menta, aumenta igualmente a capacidade do capilar; se a temperatu-
ra ambiente for pouco elevada, a temperatura a que se dá a conden-
sação é baixa e o débito do capilar diminui.
As condições ideais de funcionamento seriam que o equilfurio
entre as capacidades do capilar e do condensador fosse constante.
Obter~e-ia uma junta l(quida à entrada do capilar e o sistema fun-
cionaria com um rendimento máximo. Isto não é sempre assim,
portanto deve-se estabelecer um capilar que garanta uma alimen-
tação satisfatória com uma margem de segurança que abranja
condições de funcionamento diferentes.
Na montagem de sistemas em série, como todos os capilares sã'o
pré-fabricados, é importante que a mistura óleo-refrigerante seja
constante, porque o óleo modifica a viscosidade da mistura. D~e.
portanto, introduzir nos motocompressores a quantidade exata
de fluido refrigerante e de óleo necessário à lubrificação do meca-
nismo; a diferença de 20% a mais ou a menos em relaçâ'o à carga
correta torna o débito do capilar superabundante ou insuficiente.
e importante sub-resfriar o fluido lfquido vindo do condensador
pela ação dos vapores aspirados vindos do evaporador. O capilar
deve estar em bom contato térmico com a tubulação de aspiração,
ao longo do seu maior comprimento passivei, e o restante do com-
. primento deve ser enrolado e introduzido, se possível, no isolamen·
to, mas não no evaporador.
O enrolamento do capilar aumenta um pouco a perda de carga. O
diâmetro do enrolamento não deve ser inferior a 25 mm.
Não existe nenhuma fórmula válida que permita determinar
exatamente o comprimento do capilar a utilizar; é preciso contar

138
sempre com o controle experimental.
O débito é função de muitos fatores:
ai do diâmetro interno do tubo capilar;
bl do seu comprimento;
cl do acabamento das paredes internas;
d) do seu contato térmico com a tubulação de aspiração;
el da natureza do fluido refrigerante;
f) da viscosidade da mistura fluido-óleo;
g) da diferença das pressões de aspiração e de compressão;
h) do volume deslocado pelo compressor.
Fabricação de capilares em série
A fabricação de capilares em série consiste em medir o valor
da perda de carga por comparação com a de um capilar-padrão com
a mesma seção e sob as mesmas condições de trabalho. Os disposi-
tivos utilizados são numerosos. Consideremos um dispositivo fácil
de executar e que fornece resultados precisos (Fig. 581:
;t

Fig. 58 - Dispositivos de padronização de tubos


capilares.

A partir de uma garrafa de nitrogênio provida de uma válvula


de expansão regulada para obter uma pressão constante, por exem-
plos 14 bars, monta-se entre dois manômetros de precisão M, e M2
um tubo capilar Cr com dimensões aproximadas das daquele que se
quer padronizar e que servirá de capilar de referência. O tubo
capilar Cr, que serve de referência para a fabricação, é montado
à saída do manômetro M2 • Após ter regulado a válvula de expansão,
registram-se as pressõas indicadas, ou seja, por exemplo:
Manômetro M, = 14 bars.
Manômetro M2 = 6,8 bars.
Estas duas pressões constituirão as pressões de referência.
Substitui-se, então, o capilar de referência pelo capilar a padro-
nizar C2 , que foi feito propositadamente mais comprido que o de
referência, e conserva-se a regulagem da válwla de expansão, de

139
modo que a pressio lida no manômetro M1 seja sempre 14 bars;
a pressio lida no manõmetro M2 será, entã'o, superior a 6.S bars,
já que o capilar a padronizar é mais resistente que o de referência.
Diminuindo progressivamente o seu comprimento, poder-se-á obter
novamente no manômetro M2 a pressã'o inicial de 6,8 bars. Os dois
capilares apresentam, entã'o, as mesmas perdas de carga e podem ser
utilizados em aplicações idênticas.

Vantagens do capilar na fabricação em s6rie


Baixo custo.
Ausência de avarias, se tiverem sido observadas todas as condi-
ções de bom funcionamento, isto é:
a) perda de carga controlada;
b) sistema limpo e perfeitamente anidro;
c) filtro eficaz;
d) cargas de fluido e óleo rigorosamente corretas;
e) arranque do motor facilitado pelo equilíbrio das pressões
de aspiraçã'o e de compressio quando da parada do grupo;
f) supressã'o do reservatório de líquido e, conseqüentemente,
uma reduçlo da carga de refrigerante.
N.8. - Nlo esquecer que o condensador deve poder conter toda
a carga de fluido refrigerante, para o caso da haver uma obstrução
do capilar.

Vãlvulas de expansão autométicas


A sua funçã'o é igualmente a dosagem da entrada do 1(quido no
evaporador, nas mesmas condições descritas anteriormente.
i: uma válvula de punçã'o automático que, pela sua açlo, mantém
a prassã'o constante no evaporador.
A válvula de expansã'o automática (Fig. 59) funciona segundo o
princípio de um redutor de pressã'o. Mantém a presslo de evapo-
ração praticamente constante no valor fixado, durante todo o
tempo de funcionamento da máquina. O 6rgã'o (1) de comando do
punção é um somador metálico ou uma membrana, que é submetido
externamente à pressã'o atm~férica e internamente à pressã'o de
evaporação. As variações da pressã'o de evaporaçlo provocam
deformações no 6rglo de comando.
Estas deformações dão origem aos movimentos do punçlo, que
abre ou fecha o orif(clo (3) de passagem do fluido líquido alimen-
tando o evaporador. Duas molas antagônicas (4). e (5) atuam igual-
mente sobre o punçlo (2). A mola (6) tende a apoiá-lo no seu
140
assento para o fechamento, e a outra (4), pressionando o soprador,
que por sua vez está ligado ao punção, tende a afastá-lo. Esta segun·
da mola é a de regulagem, cuja ténsfo, podendo ser variada, regula
a quantidade de fluido admitido no evaporador e determine, pela
sua ação, o valor da pressão de evaporação. O punção é assim menti·
do entre duas forças em equilíbrio.
As deformações do órgão
de comando são funções das
variações da pressâ'o de evapo·
ração e, como o punção é
solidário com o 6rgio de 4
comando por intermédio das 1
hastes de ligação, qualquer
deslocamento de um origina
o deslocamento do outro.
Em princípio, e tendo em 2
conta a potência das molas
antagônicas, qualquer variação
da pressão da ordem de 20 a 5
25 g/cm 2 (20 a 25 milibars)
na câmara de compressão, a·
baixo ou acima da regulagem
inicial, provoca o deslocamen-
to do punção, no sentido de 9
restabelecer a pressão de regu-
lagem.
Fig. 59 - Válvula de expansão automática.
1. Soprador 5. Mola de punção
2. Punção 6. Parafuso de regulagem
3. Assento 7. União de entrada
4. Mola de regulagem 8. Filtro do üquido
9. União de saída
Estas válvulas de expansão são principalmente eficazes em cir-
cuitos que s6 possuem um evaporador de fraca capacidade e de pro·
dução frigorífica praticamente constante, como, por exemplo,
evaporadores produtores de gelo e conservadores.
Na válvula de expansão de membrana, o soprador é substituído
por uma membrana-diafragma cujas pulsações, originadas pelas va-
riações da pressão no evaporador, são transmitidas ao punção que
corrige as variações desta pressão, aumentando ou diminuindo o
débito.
141
O seu funcionamento á, portanto, idêntico ao da 6 válvula de
expansâ'o de soprador. i:, talvez, menos precisa, e este defeito tende
a aumentar com o uso, devido às modificações alotrópicas do metal
do diafragma.

Vãlvulas de expansão termostãticas


Como o funcionamento das válwlas de expansâ'o termostáticas á
baseado no sobreaquecimento dos vapores do fluido refrigerante que
saem do evaporador, á fundamental definir esta noção de sobrea-
quecimento.
Consideremos um evaporador (Fig. 60) alimentado com R 12
por uma válvula de expansãQ manual, o que nos torna possível
alterar a regulagem; admitamos, por hipótese, que as perdas de carga
no evaporador sejam desprezíveis e que o líquido, chegando à vál-
vula a+ 25 ºC, seja expandido atá atingir - 10 ºC.
No ponto 4 temos líquido a + 25 ºC a a uma pressão lida no
manômetro da 5,500 bars. No ponto 5, à entrada do evaporador,
teremos a - 1O º C e à pressão de 1, 175 bar, uma mistura 1íquido/
vapor contendo cerca de 20% de vapor e 80% de 1íquido. Sob a
influência ·das condições caloríficas exteriores, o líquido vapori-
za-se e, à medida que a mistura 1íquido/vapor progride no evapora-
dor, vai aumentando a quantidade de vapor e diminuindo a de lí-
quido; como os vapores emitidos pelo fluido são saturantes, a
pressâ'o e a temperatura da mistura permanecem constantes. Em de-
terminado ponto F do evaporador, a última gota de líquido vapo-
riza-se e os vapores saturantes ficam secos; neste ponto, a pressão
e a temperatura têm ainda o mesmo valor que no ponto 5. Entre F
e a saída da cilmara fria C, os vapores recebem sempre as condições
caloríficas externas provenientes da cilmara fria, e a temperatura dos
vapores em C eleva-se para 9' = O ~c (p. ex.), mantendo a pressã"o
no mesmo valor de 1, 175 bar. Os vapores foram sobreaquecidos.
Se fecharmos a válvula de expansão manual, constataremos que
o ponto F se aproxima do ponto 5 atá a posição F1 , e que o fim da
vaporização se produz antes do ponto de saída do evaporador S,
nlo tendo sido utilizada integralmente a superfície desta.
Pelo contrário, se abrirmos a válvula de expansâ'o, o ponto F
ultrapassa o S e fica em F2 , e há o risco de o líquido ser arrastado
para o compressor. Só existe uma regulagem possível - para condi-
ções caloríficas constantes - em que os pontos F e S coincidem.
Neste caso, utilizamos integralmente a superfície do evaporador, e
temos a garantia de aspirar vapores secos no compressor. Para haver,
142
simultaneamente, uma alimentação ótima .do evaporador e a ine-
xistência de golpes de líquido no compressor, é necessário limitar
os deslocamentos do ponto F aquém e além de S. Se tornarmos
solidários o sobreaquecimento dos vapores em Se o débito da vál-
vula de expansão, obteremos, assim, um "SOBREAQUECIMENTO
CONSTANTE" em função das condições calor(ficas externas. ~
este tipo de alimentação que nos assegura a válvula de expansã'o
termostática.

s.soob 1 175 b
+25 -10

Fig. 60 - Exemplo do sobreaquecimento.


Vâlvula de expansão term~ãtica de balanceamento da pressão
interna
A sua função é assegurar a alimentação automática de fluido
refrigerante ao evaporador, a fim de se obter um enchimento máxi-
mo deste em função das condições calorlficas externas.
Encontramos na válwla de expansão termostática (Fig. 61) os
mesmos elementos da válvula de expansão automática, com a dife-
rença de que o órgão de comando (1) (soprador ou diafragma) é,
neste caso, influenciado externamente pela pressã'o de um fluido
volátil contido em um bulbo (2) de um termoelemento ligado ao
soprador por um tubo capilar; a pressão do fluido refrigerante no
evaporador continua a agir sob o órgã'o de comando.
Este órgão de comando, solicitado pela ação da pressão do fluido
no bulbo, tende a afastar do seu assento (3) o punção (5) ou a cha-
peleta (4), com os quais é solidário por intermédio das hastes de
ligação (6). A mola (7) de tensão regulável tende, pelo contrário, a
comprimir o punção contra o seu assento.
Como o bulbo do termoelemento está fixado à safda do evapo-
rador, a sua temperatura será a dos vapores que saem do evaporador
e ele transmiti.ré ao órgão de comando uma pressã'o que é função
desta temperatura.
143
A tensio da mola de regulagem deve ser calibrada, de modo a
que o punção feche a alimentação de fluido, quando a temperatura
do termoelemento for igual à que existe à entrada do evaporador.

e .
5
.
'

7
Fig. 61 - Válvula de expansão tennostática de soprador.

1. Fole S. Punção
2. Bulbo 6. Hastes de ligação
3. Assento do punção (ou da chapeleta) 7. Mola de regulagem
4. Chapeleta

A válvula de expansio fica fechada quando o vapor, na parte


reta do termoelemento, está saturado.
Se houver sobreaquecimento proveniente do afluxo de calor ao
evaporador, o elemento termostático sob a pressio crescente do ter-
moelemento abre a válwla de expansio, e o líquido admitido nova-
mente no evaporador provoca um abaixamento do sobreaqueci-
mento até ao fechamento do punção.
A válvula de expanslio termostática é, portanto, uma válvula de
expansio que regula o sobreaquecimento no evaporador, o que a
leva a ser designada, por alguns autores, de "válwla de expanslio de
sobreaquecimento constante".
144
O sobreaquecimento, definido anteriormente, tem uma grande
importância no funcionamento da válvula de expansã'o. Ela é colo-
cada entre a entrada e a salda do evaporador e deve ser regulada para
se obter um afastamento de cerca de 7 graus.
~ preciso nã'o esquecer que os principais fabricantes de válvulas
de expansão fornecem-nas reguladas para estes valores.
Um sobreaquecimento mais baixo nã'o garante a vaporização
total do fluido e o compressor pode aspirar líquido.
Um sobreaquecimento mais elevado tem como resultado a utili-
zaçã'o incompleta da superfície do evaporador e, conseqüentemente,
a diminuiçã'o da sua capacidade.

Vãlvula de expansão termostática de diafragma (Fig. 62)


O funcionamento e o princípio da válvula de expansão de dia-
fragma são os mesmos que aqueles da válvula de fole.

Fig. 62 - Válvula
de expansão
tennostática
de diafragma

(Doe. Flica)

1. Diafragma 2. Bulbo 3. Assento


4. Chapeleta 5. Haste de 6. Mola de
ligação regulagem

145
A tampa do diafragma (1) é soldada ao corpo da válvula, e nesta
tampa é fixado o capilar do termoelemento.
A pressão de evaporação age sobre a superfície inferior do dia~
fragma, enquanto que a sua superfície superior está sujeita à pressão
do bulbo termostático (2).
A chapeleta (4) é solidária com o diafragma pela ação de uma
mola regulável (7) permitindo o ajustamento correto do débito.
Todas as pulsações do diafragma, resultantes das variações da
pressão no evaporador (e no bulbo termostático), se traduzem
no deslocamento do punção no sentido de abertura ou de fecha-
mento, conforme as necessidades da instalação.

Válwla de expansão termostática de balanceamento externo da


pressão
lnfluiJncia das perdas de carga no evaporador
Quanto maior for a superfície e, conseqüentemente, o compri·
mento dos tubos de um evaporador, maior será a sua resistência à
passagem do fluido refrigerante. Esta resistência chamada "perda de
carga" não afeta apenas a passagem do fluido refrigerante, mas influi
igualmente no funcionamento da válvula de expansão termostática.
Na válvula de expansão termostática (Fig. 63), a ação da mola de
regulagem (7) e a ação da pressão à entrada do evaporador agem sob
o órgão de comando, e se opõem à ação da pressão do fluido conti·
do no bulbo, que tende a abrir a válvula de expansão.
Quanto maiores forem as perdas de carga no evaporador, maior
será a diferença de pressão entre a entrada e a saída do evaporador.
Na válwla de expansão de balanceamento interno da pressão, é a
pressão do fluido que existe à entrada do evaporador que age no
sentido do fechamento do punção. Para se obter a abertura da
válvula, idêntica à que se obteria em condições de funcionamento
semelhantes, se esta alimentasse um evaporador sem perdas de carga,
seria necessário que a pressão do fluido contido no bulbo
compensasse as perdas de carga do evaporador, o que se traduziria
em um aumento da temperatura no bulbo, isto é, em um maior
sobreaquecimento do fluido refrigerante à salda do evaporador.
Uma grande parte da superffcie do evaporador deverá, como
conseqüência destas perdas de carga, ser utilizada para se obter
o sobreaquecimento necessário à abertura da válvula de expansão,
em vez de ser utilizada na vaporização do fluido refrigerante.
A neutralização do efeito nocivo das perdas de carga, na abertura
da válvula de expansão, s6 pode ser obtida com a utilização de uma
válwla de expansão de balanceamento externo da pressão.
146
. Válvula de expansão de balanceamento externo da pressão (Fig. 63)
A válvula de expansão de balanceamento externo da pressão tem
um funcionamento idêntico àquele da válwla de expansão termos-
tática de balanceamento interno, mas para neutralizar a influência
das perdas de carga no evaporador, as passagens das hastes, que
ligam o soprador ao punção,são vedadas com o auxílio da gaxeta de
vedação, e a pressão que age sobre o soprador é agora a pressão que
existe à salda do evaporador, graças a um balanceamento da pressão
obtida por uma porosidade efetuada após o bulbo e ligada à união
de balanceamento feita no corpo da válwla. O esquema da monta-
gem é o da Figura 64.
Observações:
11 As porosidades da tomada de pressão devem ser feitas de tal
modo que não haja possibilidade de existirem arrastamentos de lí-
quido refrigerante ou de óleo para a cabeça da válvula de expansão.
2) Se uma válvula de expansão possuir uma união de balancea-
mento externo de pressão, é obrigatória a sua ligação.

Injeção múltipla - distribuidor de lfquido


A utilização de válvulas de expansão de balanceamento externo
da pressão permite a alimentação normal dos evaporadores que têm
perdas de carga elevadas, mas não pode nem diminuir estas, nem
eliminar as suas influências prejudiciais ao rendimento geral do com-
pressor.
A fim de reduzir o efeito destas perdas, os evaporadores são divi-
didos em um certo número de seções alimentadas por uma válvula
de expansão única, que possui na saída um repartidor chamado
distribuidor de lfquido (Fig. 65). Este distribuidor tem tantos orifí-
cios de saída quantas as seções a alimentar no evaporador.
A utilização de um distribuidor implica, para uma boa alimenta-
ção das diferentes seções do evaporador, o respeito de certas regras.
i: necessário, principalmente:
11 Utilizar obrigatoriamente uma válvula de expansão de balan-
ceamento externo da pressão.
2) Que todas as seções do evaporador tenham a mesma perda
de carga, o que implica que não só o comprimento desenvolvido
das seções seja igual, a fim de apresentar uma resistência idêntica,
mas ainda que a seção e o comprimento dos tubos que ligam os
orifícios de distribuição às entradas das seções sejam também
idênticos.

147
31 Que a carga calorífica de cada seção seja idêntica, a fim de
se obter uma ebulição uniforme em cada uma delas, o que implica
um sentido específico de ventilação, em função do tipo de alimenta·
ção do evaporador. A Figura 66 especifica o sentido de ventilação
a adotar.

16

4
5
8
3
7
4
9
6
10
11

-Fig. 63 - Válvula de expansão termostática de balanceamento ex-


terno da pressão.
1. Fole 9. Ligação de saída.
2. Bulbo 10. Gaxeta de vedação da haste
3. Assento do punção de regulagem
4. Punção 11. Haste de regulagem
S. Hastes de ligação 12. Bujão de fechamento
6. Mola de regulagem 13. Capilar
7. União de balanceamento 14. Ligação de entrada
de pressão externa 15. Filtro
8. Gaxeta de vedação das 1te 16. Caixa de pressão
hastes de ligação

Capacidade das válvulas de expansã'o


Para limitar as enormes diferenças de débito em fluido, devido às
posições do punção determinadas pelos movimentos dos sopradores

148
e das membranas nas válvulas de expansão automáticas e termostá -
ticas, calcula-se o orifício de passagem no assento do punção de tal
modo que, à máxima abertura do punção, corresponda um débito
ligeiramente superior ao necessário.
Em outras palavras, o orifício no assento do punção está rela-
cionado com a capacidade do evaporador que ele alimenta.
Estas capacidades indicadas em watts térmicos ou frigorias, são
fornecidas pelo fabricante. i: preciso, no entanto, não esquecer que
as capacidades indicadas foram estabelecidas considerando uma
queda de pressão determinada através da válvula de expansão. Estas
capacidades são afetadas :
a) pela natureza do fluido refrigerante utilizado;
b) pelo emprego de um distribuidor de líquido.
Portanto, em casos de dúvida na escolha de uma válvula de
expansão destinada a uma determinada isntalação, deve-se consultar
as tabelas ou ábacos de capacidade próprios de cada fornecedor de
válvulas de expansão .

.,. ...r-'l

~~
Fig. 64 - Esquema de montagem de uma válvula de expansão ter-
mostática de balanceamento externo da pressão.__

Fig. 65 - Distribuidor de líquido

149
1 1

11-l--1--1-+--1 t
i 1
Mau
Medíocre

I Bom
---
Medíocre

Fig. 66 - Alimentação por distribuidor de líquido:


sentido racional da circulação do ar.

Posiçio e fixação do bulbo


De deve ser colocado à saída do evaporador na tubulaçã'o de as-
piração e em contato perfeito com esta. Para proteger o bulbo de

12 C9
eventuais correntes de ar quente, deve-se envolê-lo, por exemplo,
com um revestimento de borracha celular.

_ ·'.,. _
4
Quando o diâmetro do tubo de
aspiração for superior a 18 mm
(ou seja, 3/4 de polegada), o bulbo
deverá ser colocado na posição

$'
, 1 "4 horas" e nã'o na geratriz su-
1 perior do tubo (Fig. 67). O bul-
~· bo deve ser fixado ao tubo por
intermédio de uma braçadeira me-
. '-i--- tálica em cobre, latã'o ou alumí-
!'-.., nio, para garantir uma boa condu-
r+. /.
-:i;-~·1 a
çã'o térmica. Evitar qualquer liga-
.. çã'o por meio de fio metálico,
q>).1s , chatterton ou corda pois, se bem
Fig. 67 - Posição recomendada
para o bulbo de válvula de
expansão sobre o tubo.

150
que sejam meios de "conserto momentiineo do montador", são tão
prejudiciais como, por exemplo, a fixação do bulbo em um cotovelo
ou parte curva. Os maus contatos entre o bulbo e o tubo provocam
um atraso prejudicial nas reações da válvula de expansio.
Se o comprimento da tubulação de aspiração entre o bulbo e a
parede da ciimara fria for pequeno, poder-se-á produzir, durante a
parada do grupo, o reaquecimento do bulbo por condução. Como
este reaquecimento faz abrir a válvula de expansão, corre-se o risco
de haver um arrastamento de líquido quando do arranque do com·
pressor. Fazer um arco (Fig. 681 para aumentar o comprimento do
tubo entre o bulbo e a saída ou, o que é melhor, colocar um tubo
secador de comprimento conveniente, como é recomendado a
seguir.

med (ocre bom


Figs. - 68-69-70 - Posições corretas e erradas dos bulbos de vál-
vulas de expansão termostáticas em diferentes tipos de elementos
evaporadores.
151
No caso em que o evaporador for alimentado por cima, se o tubo
de aspiração subir verticalmente para sair da câmara fria, será preciso
evitar a fixação do bulbo na parte inferior deste tubo vertical por-
que, se houver sobrealimentação, as turbulências da mistura vapor
e llquido originarão perturbações no funcionamento da válvula de
expansão, devido às variações rápidas de temperatura transmitidas
ao bulbo.
Para resolver este problema, pode-se alimentar o evaporador pela
base com um tubo secador ou, se houver impossibilidade de mudar
o modo de alimentação, construir um alçapão para o líquido na par-
te inferior do evaporador, e colocar o bulbo ap6s este alçapão, ou
bastante mais alto, utilizando um tubo secador (Fig. 69).
Quando a válwla de expansão alimenta um evaporador imerso, o
bulbo deve ser fixado à salda do mesmo imerso no llquido ou na
zona fria entre a superfície livre do líquido resfriado e a cobertura
do tabuleiro, para evitar o reaquecimento do bulbo quando o grupo
pára, o que provoca a abertura da válwla de expansão e, conseqüen-
temente, golpes de líquido no arranque (Fig. 70).

Tubo secador
e colocado à saída dos evaporadores, quer eles sejam de circu-
lação natural, forçada, ou produtores de gelo.
Faz parte da tubulação de aspiração, tem forma de pinça e é
colocado por cima do evaporador no circuito de ar quente.
O comprimento deste tubo é de 1 a 3 m, conforme a capacidade
do evaporador.
O objetivo do tubo secador é facilitar a regulagem da válvula
de expansão com o menor sobreaquecimento possível, ou seja, per-
mitir o descongelamento total do evaporador.
e assim obtida a eficiência total do fluido refrigerante na calmara
fria sem congelamento exterior da linha de aspiração. Todo o exces-
so de líquido que passa para além do bulbo termo5tático (colocado
ap6s o secador) é vaporizado no tubo secador.
Por outro lado, o tubo secador evita os golpes de líquido quando
o grupo entra em funcionamento e mantém um determinado nível
de líquido no evaporador. O tubo secador não deve estar em contato
com o evaporador.

Carga dos conjuntos termostáticos


São utilizados três métodos para carregar os elementos termos-
táticos:

152
a) carga em vapor saturado/líquido;
b) carga em vapor (carga limitada);
cl carga de adsorçio,
Carga am vapor saturado/lfquido
O bulbo do termoelemento é cheio com uma quantidade de 1(.
quido tal que, mesmo à temperatura elevada (parada prolongada
da máquina), esta quantidade não pode ser totalmente vaporizada.
O soprador (ou a membrana) da válwla de expansâ'o está submetido
à tensão de vapor saturante do fluido contido no bulbo e pode pro-
vocar, quando entra em funcionamento, uma sobrecarga do motor
de comando ao entrar em funcionamento (Fig. 71 ).

1
V
V
~
~
.... 2
~
'i/,; ~
~0
-- 4' ~ ~ ~-
~ ~ ~. I~
'v' \(/\ k/I w~ .X t
Tempo de funcionamento
Fig. 71 - Comparação do comportamento de duas válvulas de ex-
pansão termostáticas quando a câmara entra em funcionamento
(bulbos carregados com vapor saturado/líquido e com vapor).
1. Pressão no evaporador após uma parada prolongada.
2. Válvula de expansão de bulbo carregada com vapor saturado/
líquido.
3. Válvula de expansão de bulbo carregado com vapor.
4. Zona de sobrecarga do motor.
Carga com vapor (carga limitada)
A carga em líquido do bulbo é calculada para que, a uma tempe-
ratura ligeiramente superior à faixa de utilizaçio da válvula de ex-
pansão, todo o líquido esteja vaporizado; a partir deste temperatura
153
(geralmente + 10 ºCl, o aumento da pressão sobre o soprador (ou
membrana) só corresponde àquela provocada pela dilatação de um
gás a volume constante, e que é fraca.
Quando entra em funcionamento, a válvula de expansão fica
fechada até que a temperatura do bulbo corresponda à temperatura
de condensação do vapor sobreaquecido deste. Deste modo, a vál-
vula de expansão funciona de novo termostaticamente.
Este tipo de carga evita as sobrecargas no motor quando este
entra em funcionamento (ver Fig. 71 ), mas tem o inconveniente de
poder originar condensações do líquido na cabeça da válvula de ex-
pansâ'o se esta estiver a uma temperatura inferior à do bulbo.

Carga de adsorção

Neste processo, o bulbo é preenchido com um corpo adsorvente


que desprende ou adsorve um gás sobre a forma de vapor sobreaque-
cido (em geral, anidrido carbônico), conforme a temperatura a que
está submetido o bulbo. A pressfo do gás.sobre o soprador só depen-
de, portanto, da quantidade de gás desprendida pelo corpo adsor-
vente. As temperaturas relativas da cabeça da válvula de expansão
e do bulbo não têm nenhuma influência no comportamento da vál-
vula de expansão.

Natureza dos fluidos de carga


No caso de carga dos- bulbos em vapor saturado ou em vapor
(carga limitada), o fluido utilizado é, geralmente, idêntico ao da ins-
talação. No entanto, para que a pressio no bulbo evolua quase
linearmente com a temperatura, os éonstrutores carregam os conjun-
tos termostáticos com um "cocktail" re5ultante de uma mistura em
proporções perfeitamente definidas, de vários fluidos.
Uma cor convencional pintada na extremidade do bulbo, na
parte superior do corpo da válwla de expansão, indica o tipo de
fluido a ser utilizado.

Amarelo : R 12
Verde : R 22
Lilás/Malva : R502
Preto : NH 3

154
DISPOSITIVOS DE REGULAGEM

Termostatos, pressostatos, higrostatos


A parada de uma máquina frigorífica, quando é atingida a tem-
peratura desejada na câmara refrigerada, e a sua entrada em funcio-
namento, quando esta temperatura se eleva a um valor prefixado,
devem ser automáticas. Os dispositivos· que permitem este tipo de
funcionamento sâ'o os termostatos e os pressostatos.

Termostatos
Aparelhos destinados a ligar ou desligar um circuito elétrico, sob
a ação de uma variação de temperatura.
O mais simples é o termômetro de contatos que utiliza o mercú-
rio como condutor. i: sensível e preciso, mas a sua capacidade de
corte é muito pequena.
No entanto, é utilizado em instalações especiais que funcionam
por diferenças de temperatura muito pequenas (menos de· 1 ºCI.
Os termostatos utilizados em instalações comerciais têm uma
capacidade de corte que varia de 5 a 10 ampêres, devido ao emprego
de sistemas interruptores de ação brusca.
A faixa das temperaturas a regular para estas instações varia entre
-60 ºC a+ 30 ºC, mas sabe-se que a sensibilidade de 1.1'1' ter~ostato
é inversamente proporcional â faixa de temperatura ~lle ele pode
regular. Há, portanto, vantagem em dispor de uma série de apare-
lhos, em que cada um assegure, em boas condições, a regulagem de
uma parte dessa faixa de temperaturas.
A regulagem é caracterizada pelo intervalo entre as temperaturas
de engate a desengate do termostato. A sensibilidade traduz-se pelo
intervalo mínimo que se pode obter. Na prãtica, este intervalo é de
2 ºC, mas certos fabricantes reduziram este intervalo por meios
artificiais, tais como maior leveza das peças de transmissão, ali-
mentação em corrente de baixa tensão permitindo a aproximaçfo
dos contatos sem liberação de faíscas e a aceleração da regulagem
por aquecimento elétrico do elemento sensível.
Os termostatos podem ser classificados em três categorias princi-
pais:
19 Os termostatos para ambientes gasosos.
19 Os termostatos de evaporadores.
':F. Os termostatos para ambientes líquidos.
A. sua construção difere pelo tipo de elemento motor utilizado:
ai a deformação de um elemento bimetálico;

155
b) a tensão de vapor de um fluido;
c) a dilatação de um líquido;
d) a pressl'o de um gás desprendido por um adsorvente.
O mecanismo interruptor que permite desligar e ligar rapida-
mente os contatos - condição essencial para a sua duração - varia
conforme os fabricante$, Pode ser construído segundo os seguintes
processos:
a) emprego de um ímã permanente que faz atuar a extremidade
de um contato móvel;
b) emprego de um dispositivo de joelheira ou de cama;
c) emprego de uma ampola de mercúrio que bascula sob o peso
deste metal e que se desloca pela ação de um mecanismo comandado
pelo elemento motor.
Termostatos para ambientes gasosos
São colocados na câmara fria.
Podem ser bilaminados ou de
1 tenslo de vapor. Neste último
caso, o elemento sensível pode ser
2 apenas o soprador que contém
a carga de fluido ou um conjunto
3 soprador-bulbo, em que o bulbo é
4
Fig. 72 - Termostato de bulbo
5 capilar (Doe. Danfoss).

6 1. Botão de regulag~ll1. (tempe-


ratura de para\\J),
7 2. Terminal de relê,
3. Entrada do cabo.
8 4. Terminais de ligação.
S. Contatos.
9 6. Placa em ferro-doce.
10 7. lÍnã permanente.
8. Parafuso de regulagem do in-
tervalo (temperatura de reen-
trada em funcionamento).
9. Caixa do soprador.
10. Bulbo capilar.
constituído por um tubo capilar enrolado em espiral e colocado na
parte inferior do aparelho, ou ainda um conjunto separador, capilar
e bulbo separado.

156
Seja qual for o tipo de aparelho, o elemento sensível deve ser
sempre colocado em corrente de ar (convecção).
Não colocar este elemento perto da porta da câmara, porque
corre-se o risco dele ser influenciado pelas correntes de ar quente,
originadas pelas aberturas da mesma.
Não fixar o bulbo diretamente numa parede de câmara. i: neces-
sário deixar um espaço suficiente para que a temperatura da parede
não o possa influenciar por radiação.
Finalmente, exceto para condições específicas de regulagern, é
prejudicial a colocação do elemento sensível na corrente de ar frio
do evaporador.
A Figura 72 representa um termostato, cujo elemento sensível é
um bulbo-capilar e cujo sistema de corte rápido é do tipo de ímã
permanente.

2 3 4

Fig. 73 - Termostato de evaporador (Doe. Danfoss).


1. Terminal de terra 5. Haste de regulagem
2. Terminal de contato 6. Braço de regulagem
3. Braço basculante 7. Parafuso de parada
4. Barra de pressão para 8. Mola de parada
descongelamento 9. Fole do conjunto termostático

157
Termostatos dà evaporadores
Os termostatos de evaporadores (Fig. 73) sio .utilizados prin-
cipalmente na regulagem de geladeiras domdsticas, de evaporadores
comerciais produtores de gelo e de conservadores de creme de sorvete.
São de bulbo e este deve ser fixado sobre o evaporador, em um
local onde o fluido refrigerante ainda esteja sob a forma de vapor
6mido.
Alguns sio de corte unipolar e outros estio munidos de uma
proteÇio t4rmica contra as sobrecargas do motor.
Existe, praticamente em todos os termostatos que equipam os
refrigeradores domdsticos, um d·ispositivo para o descongelamento
com retorno automdtico à regulagem normal.
S. Botão de regula-
gem.
9. Escala de tempe-
raturas.
10. Terminal de ter-
ra.
11. Entrada do cabo.
12. Mola de regula-
gem.
14. Terminais de li-
gaçio.
15. Haste de regula-
gem da tempera-
tura.
16. Contatos fixo e
em6vel.
17. Extremidade de
acionamento su-
perior.
18. Placa em ferro-
doce.
19. Parafuso de regu-
lagem de afasta-
mento.
23. Soprador.
26. Porta-bulbo
ambiente gasoso)
28. Capilar de liga-
29. ~º .
Fig. 74 - Termostato de bulbo e capilar.
31. Gaxeta de veda-
çio para tubo ca-
Utilização em termostato de regulagem de pilar (para-banho
ambiente gasoso ou de ambiente líquido. líquido).

158
Termostatos para ambientes lfquidos
Os termostatos utilizados para a regulagem da temperatura de
banhos lfquidos sio de construção similar aos termostatos de am-
biente do tipo com bulbo e capilar. i: igualmente possível regular a
temperatura de banhos líquidos com termostatos, cujo elemento
sensível, funcionando por dilatação de líquido (geralmente álcool),
é imerso e tem a forma de uma bengala.
Certos modelos especialmente concebidos para passar o bulbo
sensível através das paredes das cubas abaixo do nível do líquido,
sâ'o equipados com caixa ou gaxeta de vedação (Fig. 74).
Em instalações comerciais mdltiplas, isto é, incluindo dois ou
mais postos de frio, utilizam-se termostatos do tipo de três fios
(uma entrada e duas saídas).
As duas saídas são comuns quando o circuito está fechado, e
independentes quando ele se abre.
Encontramos, nos termostatos de bulbo, o conjunto termostá-
tico - bulbo, capilar, separador-· jã estudado no capitulo das válvu-
las de expansio.
O princípio funcional é idêntico. Quando a temperatura do bul-
bo termostático se eleva, a pressão no elemento termostático disten-
de o soprador e este movimento transmitido pelo mecanismo de
ligação provoca o fechamento dos contatos do termostato a uma
temperatura determinada. Quando a temperatura baixa de novo,
a reação do bulbo termostático provoca, entã'o, a abertura dos con-
tatos.
i:, portanto, a temperatura do bulbo que aciona o termostato e,
assim, a caixa que contém o mecanismo pode perfeitamente ficar
colocada no exterior da câmara resfriada.
A carga do elemento termostático pode ser feita da mesma
maneira que a dos bulbos das válvulas de expansio termostática.
O fluido utilizado é função das temperaturas que devem ser re-
guladas pelo termostato e é necessário ter em consideração o ponto
de condensação deste fluido.
. Uti 1izam-11t1:
- para baixas temperaturas, o propano (C 3 H8 1 e o difluorodi-
clorometano (CCl 2 F2 1;
- para temperaturas m4dias, o cloreto de meti lo (CH 3 CI);
- para temperaturas próximas de 9 ºC, o isobutano (CH 3 ) 3 CH
eo 502 •
i: no bulbo que se deve cóndensar o fluido de carga. Ele deve
ser, portanto, o ponto mais frio do elemento motor. Se, em casos
159
particulares, o bulbo estiver a uma temperatura mais elevada que o
elemento motor, á necessário utilizar, neste caso, um termostato de
carga adsorvente.

Regulagem de um termostato
Devido ao grande número de termostatos diferentes utilizados
em refrigeraçâ'o, nâ'o á possível tratar do problema da regulagem
com todos os detalhes.
Apenas podemos fornecer indicaç6es de caráter geral que ajudem
a esclarecer esta operaçâ'o.
Em primeiro lugar, á preciso saber-se que a regulagem do inter-
valo entre os pontos de fechamento e de abertura pode modificar
um destes pontos já regulados.
Conforme a regulagem do intervalo, modificando o primeiro ou
o segundo desses dois pontos, teremos termostatos de:
- parada constante;
- arraque constante.
A primeira regulagem consiste, portanto, em determinar ci ponto
constante. Suponhamos que temos um termostato de parada cons-
tante que á, aliás, o mais utilizado. Procederemos do seguinte
modo:
Por a instalaçâ'o em funionamento e colocar o botão de regula-
gem no fim do curso.
Este botão de regulagem faz variar a tensâ'o da mola antagônica
do elemento motor ( se se tratar de um termostato de tensão de
vapor), ou desloca o eixo de suporte da bilâmina (se o termostato
for deste tipo).
Em seguida, colocar um termômetro perto do elemento sensível
que, por sua vez, estará colocado no ambiente ou sobre a superfície
dos quais se quer regular a temperatura, isto á, na corrente de ar,
sobre o evaporador ou no 1íquido, conforme se tratar de um termos-
tato para ambiente gasoso, de evaporador ou para ambiente líquido.
Quando a temperatura atinge o ponto desejado, abre-se o cir-
cuito elétrico girando muito lentamente o botão de regulagem para
trás (isto á, em direção ao seu princípio de curso).
O ponto de corte fica assim fixado de acordo com a temperatura.
i: preciso regular em seguida o intervalo que determinará o ponto
de fechamento.
Esta regulagem á obtida por processos diferentes, conforme o
tipo dos aparelhos:

160
- quer por intermédio de um batente que faz variar a posição
da extremidade dos contatos móveis;
- quer por intermédio de um batente regulável por uma pe-
quena mola, adicional ã mola antagônica do elemento motor, etc.
Quando o aparelho está regulado para os dois pontos, é necessá-
rio fazer-se o controle durante alguns ciclos, porque é possível que
o abaixamento da temperatura do conjunto do aparelho origine
uma pequena modificação na primeira regulagem feita "a quente".
Os termostatos são aparelhos frágeis devido ã precisão que é
exigida ao seu funcionamento. No entanto, quando corretamente
instalados, podem funcionar sem falhas durante muitos anos.
A avaria comum em todos os modelos de termostatos é ficarem
com os contatos queimados, devido aos arcos de ruptura que se ori-
ginam quando se desliga o circuito.
Nos termostatos de ambiente existe o risco de haver diminuição
da sensibilidade da bilâmina, devido às modificações alotrópicas dos
metais que a constituem; enquanto, nos termostatos de bulbo, a
avaria mais freqüente é a perda de carga.
Nestes casos impõe-se a substituição do elemento motor por·
que a recarga de um elemento defeituoso, além de ser de resultado
incerto, é cara e delicada.
i: que, com efeito, a perda do fluido é resultante de uma poro-
sidade microscópica na soldagem, ou mesmo no próprio metal da
membrana nervurada, que é impossível descobrir. Nestas condições,
a falha é certa, mesmo para um especialista.
Se, por um lado, a regulagem por termostato tem a vantagem de
garantir a parada e o arranque da instalação a temperaturas deter·
minadas, por outro, tem o inconveniente de não assegurar nem o
descongelamento do evaporador, nem a manutenção de uma umida-
de relativa constante.
Em uma instalação múltipla de várias temperaturas, são os ter-
mostatos, em combinação com as válwlas magnéticas (montagem
ein série no circuito elétrico), que regulam a circulação do fluido
refrigerante nos evaporadores, como veremos no capítulo seguinte.

Pressostatos

Estes aparelhos podem ser classificados do seguinte modo:


a l pressostatos de regu lagem;
b) pressostatos de segurança.

161
Pressoatatos de ragulagem (Pressoatatos de baixa preuiol (Fig. 75).
Nestes aparelhos encontramos o mesmo mecanismo que nos
termostatos de tenslo de vapor, mas o bulbo e a carga em fluido sfo
suprimidos.

1
3
4 7
5 11
1 12
8--1-~H!HH
13

Fig. 75 - Pressostato de baixa pressfo.

1. Botão amovível de regulagem S. Parafuso de regulagem


3. Braçadeira de limitação da 7. Fixação
regulagem 8. Soprador pressostático
4. Parafuso de regulagem do 11. Bloco de contato
intervalo. 12. Terminal à terra
13. Entrada do cabo

A pressio que atua sobre o soprador é a baixa pressio que existe


no evaporador e no cárter do compressor.
Durante o ciclo de funcionamento há diminuição progressiva da
temperatura e da pressio no evaporador e, durante o tempo de pa.
rada, há uma elevaçã"o correspondente desta pressio.
Como o pressostato está ligado a esta parte do circuito, ele res-
ponde a todas as variações desta pressfo.

162
Os pontos de corte e de fechamento são determinados pelas pres-
sões correspondentes às temperaturas mínima e máxima pretendidas
no lado da baixa pressio do sistema.
As durações dos ciclos de funcionamento ou parada dependem,
portanto, de diferentes fatores, entre os quais:
- a diferença de temperaturas entre o interior e o exterior da
câmara fria;
o isolamento desta câmara;
a natureza do serviço;
o estado mecânico do compressor;
a carga em fluido, a regulagem da instalação,. etc.

Todos estes fatores têm uma influência direta nas pressões re-
feridas.
Os pressostatos de baixa pressão podem ser igualmente utiliza-
dos para segurança, evitando, por exemplo, entradas intempestivas
de ar.

Regulagem de sistemas m61tiplos


Há instalações comerciais nas quais são ligados ao mesmo grupo
compressor dois ou mais postos de frio.
Se todos estes postos de frio funcionarem à mesma temperatura,
a instalação é chamada m61tipla de uma temperatura.
Se todos os postos de frio funcionarem com diferentes tempera-
turas, a instalação é chamada m61tipla de várias temperaturas.
Uma instalação múltipla de uma temperatura pode ser regulada
por um pressostato ligado à baixa pressão (o mais perto possível
do compressor) que é a pressão média nos vários evaporadores,
mas não se pode garantir o funcionamento correto por este sistema.
Se o serviço estiver equilibrado em todos os postos de frio, as
temperaturas permanecerio normais; mas se um posto estiver mais
carregado, o compressor funcionará mais tempo para baixar a tem-
peratura deste posto. Isto originará uma temperatura muito baixa
nos outros postos menos carregados.
Do mesmo modo, se um posto estiver mal isolado, os ciclos de
funcionamento serão longos, os ciclos de parada serão curtos e,
como resultado, haverá uma temperatura muito baixa nos outros
postos.
Neste caso, se não se puder solucionar o defeito do isolamento
do posto em questão, é necessário fazer a instalaçio como se ela
fosse múltipla de várias temperaturas.
163
Anomalias de funcionamento
Notamos que, como o pressostato age em função da baixa pres-
são do sistema, é necessário que ela se mantenha normal. Entre
as·causas que provocam uma baixa pressão anormal, podemos citar:
a) Uma fuga no punção de uma válvula de expansão porque ela
facilita, durante a parada, a passagem do fluido refrigerante de alta
pressão para o lado da baixa pressão e origina o fechamento prema-
turo do pressostato.
Se a fuga for pequena, o compressor funcionará mais tempo para
reduzir a pressão ao ponto de corte, e a temperatura da câmara
fria poderá baixar para além do ponto desejado.
Se a fuga for grande, o compressor funcionará continuamente
sem poder baixar a pressão de aspiração, até um valor suficiente que
provoque o corte do pressostato.
b) Se as válvulas de compressão forem defeituosas, haverá re-
torno dos vapores comprimidos no cilindro e, como já referimos,
haverá impossibilidade de obter a pressão correspondente ao ponto
de corte do pressostato.
Não se deve utilizar um pressostato em uma instalação que
funcione com uma válvula de expansão automática pressostática.
Como o objetivo desta última é manter uma pressão constante
no evaporador durante o funcionamento, o ponto de corte nunca
poderá ser obtido.
Regulagem do pressostato
Existe uma relação entre o funcionamento da válvula de expan-
são termostática e a regulagem pressostática.
Se o evaporador for alimentado deficientemente, o compressor
reduzirá a pressão no evaporador até ao ponto de corte, muito antes
de ser atingida a temperatura pretendida na câmara fria.
O montador pode ser tentado a baixar o ponto de corte. Neste
caso, o compressor funcionará mais tempo e a temperatura da câ-
mara fria poderá ser diminuída, mas o funcionamento nestas condi-
ções originará o congelamento excessivo do evaporador e um abaixa-
mento da umidade relativa.
Para regular o pressostato de regulagem de acordo com a regu-
lagem da válvula de expansão termostática, é necessário proceder
como segue:
ai Calçar ou derivar os contatos do pressostato para manter a
instalação em funcionamento;
b) Regular a válvula de expansão de modo a obter o desconge-
lamento total do evaporador;
164
c) Colocar um termômetro na câmara fria;
d) Ligar o manômetro de aspiração;
e) Quando é obtida a temperatura na câmara, regular o ponto
de corte.
Para regular o ponto de fechamento:
a) Aguardar o descongelamento completo do evaporador;
b) Regular o ponto de fechamento agindo na regulagem do
afastamento.
Pode-se anular este método, no caso de a temperatura subir
além do ponto desejado durante o período de descongelamento.
O pressostato poderá, então, ser regulado para fechar antes de
se obter o descongelamento completo quando é atingida a tempera-
tura normal de fechamento, mas esta regulagem necessitará de um
descongelamento manual periódico.
Este tipo de funcionamento pode ser aplicado a um evaporador
muito pequeno ou de isolamento insuficiente.
Pressostatos de segurança (Pressostatos de alta pressão)
A sua construção é a mesma que a dos pressostatos de baixa
pressão, mas as suas molas de regulagem são mais potentes para
contrabalançar a ação de pressões muito mais elevadas.
Eles param o grupo quando há uma elevação da pressão de com-
pressão acima da normal, e tornam a pô-lo em funcionamento quan-
do esta pressão baixa até atingir um valor determinado.
A sua aplicação é recomendada em todos os circuitos, nos quais
esta elevada pressão anormal poderia ser prejudicial ao compressor
ou ao motor.
São indispensáveis nos grupos de condensaçã'o a água porque, no
caso de insuficiência ou ausência total de água no condensador, é
inevitável sobrepressão no recalque. Esta circulação de água nos
evaporadores pode ser diminuída se existirem filtros de água ou
evaporadores obstruídos.
Estes pressostatos também são necessários nas instalações que
funcionam a pressões de aspiração inferiores à pressão atmosférica,
para evitar a sobrepressão devida a uma entrada de ar pela gaxeta
de vedação.
As pressões de corte para estes aparelhos podem ser aproxima-
damente:
R 12 190 psig = 13,300 bars
R 22 280 psig = 19,230 bars
R 502 300 psig = 20,610 bars.

165
O pressostato de alta pressio nio deve ser ligado à válwla de
recalque, porque qualquer manobra da válvula pode avariar o pres-
sotato.

Pressostatos mistos (alta e baixa pressão)

Os dois dispositivos sio reunidos na mesma caixa. As suas re-


gulagens respectivas sio totalmente diferentes e independentes.
-Agam sobre um dispositivo de cone comum, um para a regulagem e
o outro para a segurança.
O sistema de baixa pressio é ligado ao cárter do compressor.
O sistema de alta pressâ'o é ligado â cabeça do cilindro.

Pressostatos diferenciais
Estes pressostatos sio também chamados "pressostatos de óleo"
porque sio geralmente utilizados - como pressostatos de segurança
- para assegurar a parada dos compressores, no caso da pressâ'o do
óleo de lubrificaçâ'o permanecer (no arranque) ou baixar (em funcio-
namento) abaixo de um valor mínimo predeterminado.
A sua utilizaçã'o nio se limita ao uso referido e pode assegurar
qualquer outra funçio de segurança, para a qual é mantida, acima
de um valor-limite, uma pressio diferencial. A fim de eliminar a
influência do valor absoluto de uma ou de outra pressio em causa,
o mecanismo do aparelho possui dois sopradores com superfícies
idênticas (fig. 76). O mecanismo de inversio do contato do pressos-
tato é atuado pela tensio da mola de regulagam (4), para assegurar
a passagem deste contato da posiçio de funcionamento normal
para a posiçio de irregularidade, ou vice-versa.
Muitas vezes é incorporado, na caixa do pressostato, um dispo-
sitivo termoelétrico temporizado de bilâmina, fixado na posiçio do
contato do pressostato correspondente a irregularidade e que per-
mite para o compressor se, ao fim de um cano intervalo de tempo,
a pressfo do óleo nâ'o atingir (ou cair abaixo) o valor regulado pre-
viamente.
Se o dispositivo temporizado nio for incorporado no aparelho,
pode ficar colocado exteriormente em contato.
As press6es diferenciais obtidas podem variar em cerca de 0,3
·a 4,5 bars e os tempos de temporização, de 60 a 120 segundos.

166
Fig. 76- Pressostato diferencial (Doe. Danfoss).

1. Tomada de pressão (recalque por bomba de óleo)


2. Tomada de pressão (aspiração por bomba de óleo)
3.Parafuso dentado de regulagem da pressão diferencial
4.Mola de regulagem
5.Ligação mecânica
6.Contato inversor - Pressão de óleo normal - Segurança de óleo
7. Botão de rearmamento
8. Resistência de queda.
9.Elemento térmico de bilâmina de contato a - b
10.Painel de ligação
Fio de curto-circuito + Fio de curto-circuito
+ (alimentação 220 V) + (alimentação 110 V).
Higrostatos
Higrostato de elemento 11111slvel daformival (Fig. 77)
As condições de umidade nas câmaras frias são originadas pelas
entradas de ar quente e pala desidratação dos gêneros armazenados.
167
Fig. 77 - Higrostato de cabelos J. Richard (esquema do princípio
de funcionamento)

1. Feixe de cabelos 6. Porta-<:ontato móvel


2. Botão de regulagem 7. Molas de ruptura rápida
3. Balança de regulagem 8. Mola tensora dos feixes
4. Contatos fixos de cabelos
S. Contato móvel 9. Biela de comando do
contato móvel
10. Biela de inversão do
contato móvel

O grau higromlltrico normal varia entre 75% e 90%, conforme


a natureza dos gêneros depositados.
A regulagem do estado higrométrico obtêm-se agindo no ponto
de orvalho, de modo a condensar mais ou menos a água.
Mas, como a quantidade de água introduzida na câmara fria varia
constantemente segundo o estado do ar exterior e a quantidade,
temperatura e natureza dos gêneros armazenados, a regulagem está
sempre a variar. Empregam~e. para isto, aparelhos chamados "hi·
grostatos" ou "umidostatos", cujo funcionamento ê baseado no
alongamento de um feixe de cabelos previamente tratados, ou na
168
deformação de uma lamela de película celulósica que determina a
abertura ou o fechamento de um circuito elétrico.
Estes aparelhos robustos e sensíveis comandam as válvulas
magnéticas montadas na tubulação de líquido.
Em certas instalações especiais existem também higrostatos cha-
mados "moduladores", que comandam progressivamente a válvula
de regulagem.
No que diz respeito à montagem de termostatos, pressostatos e
higrostatos com ampola basculante de mercúrio, é necessário colocar
o aparelho em perfeito estado de equilíbrio.
Na montagem de todos os aparelhos em geral, é preciso ter muito
cuidado nas ligações elétricas e no isolamento dos fios.

Higrostatos de resistência
O elemento sensível é constitu ido por dois eletrodos de prata
em forma de dentes de pente imbricados e montados sobre uma base
isolante. A superfície do elemento sensível é impregnada de uma
película de material plástico higroscópico contendo um sal metálico
que faz o papel de condutor entre os dois eletrodos.
O elemento sensível se comporta como uma resistência elétrica,
e o valor desta resistência varia com a umidade relativa do ar a regu-
lar. A variação da resistência se traduz por uma variação proporcio-
nal da intensidade da corrente que alimenta o amplificador de
transistor, assegurando este, à salda, a alimentação de um relê de
potência.

169
CAPÍTULO XI

DISPOSITIVOS SECUNDÁRIOS
DE AUTOMATISMO
Uma instalaçâ'o que s6 possua um evaporador tem os seguintes
órgãos de regulagem e proteção (apenas circuito frigorífico):
ai Se o grupo compressor for de resfriamento por ar:
- uma válvula de expansâ'o termostática;
- um pressostato de baixa pressão ou um termostato de
ambiente.
b) Se um grupo compressor for de resfriamento por água:
- uma válvula de expansâ'o termostática;
- um pressostato. de baixa pressão e um pressostato de alta
pressâ'o; ou
- um pressostato combinado de alta e baixa pressâ'o.
- uma válwla de água.
O pressostato combinado pode ser substituído por um pressos-
tato de segurança de alta pressâ'o e um termostato de ambiente.
Em uma instalação que possua dois evaporadores funcionando à
mesma temperatura na mesma câmara fria, se a carga calorífica
estiver equilibrada nos dois evaporadores, esta instalaçâ'o compor-
tar-se-á como se só existisse um evaporador. Neste caso utilizam-se:
- duas válwlas de expansâ'o termostáticas;
- um pressostato de baixa pressão ou um termostato de am-
biente.
Se os evaporadores que funcionam à mesma temperatura esti-
verem instalados em cãmaras frias distintas, uma carga superior em
uma delas poderá originar um desequilfurio na instalação.
Pode ser obtido um bom funcionamento colocando uma válvula
de pressâ'o constante ã saída de cada um dos evaporadores.
O mesmo resultado seria obtido com o emprego de válvulas
magnéticas em combinação com termostatos de ambiente colocados
em cada cãmara fria.
Se a instalação for múltipla de diferentes temperaturas, utili-
zar-se-â'o, além de válwlas de expansão termostáticas, os seguintes
dispositivos, conforme os postos a regular:
válvulas de ação brusca;
válvulas de pressâ'o constante;
válwlas de estrangulamento termostáticas;
válvulas magnéticas;
válvulas de retenção.
171
Válvula de pressão constante (Fig. 78)
Esta válvula, como o seu nome indica, deve manter uma pressão
mínima pré-regulada no evaporador que ela regula, qualquer que seja
a pressão de aspiração do compressor. Ela elimina, deste modo, os
inconvenientes devidos ao abaixamento excessivo da pressão e da
temperatura neste evaporador.
Estes inconvenientes são muitos importantes quando se trata,
por exemplo, de resfriadores de líquidos ou outros gêneros que não
devam ser expostos a temperaturas muito baixas.
A válvula é montada na linha de aspiração, à saída do evapora·
dor. Ela é regulada para fechar a uma pressã'o determinada, corres·
pondente à temperatura mínima do evaporador, e abre suavemente
quando a pressã'o no evaporad9r ultrapassa aquela para a qual ela
foi regulada.

Fig. 78 - Válvula de pressão constante.


1. Calota em baquelita S. Mola amortecedora
2. Parafuso de regulagem 6. Ligação de saída
3. Assento da válvula 7. Tomada manométrica
4. Ligação de entrada 8. Válvula de tomada ma-
nométrica.

172
Regulagem de uma vãlvula de pressão constante em uma instalação
Para se obter a queda de pressâ"o através da válvula, que é fun-
damentalmente uma vãlvula de queda de pressão, proceder como
segue:
montar o manômetro na união reservada para este efeito;
- abrir totalmente a válvula;
- regular em seguida a válvula de expansão termostática do eva-
porador, de modo a que o descongelamento atinja o ponto de liga-
ção do bulbo;
- fechar em seguida a válvula de pressão constante, até à
obtenção da pressão desejada no evaporador.
Esta pressão é lida no manômetro já referido.
Por vezes, há a tendência de fechar ligeiramente a válvula de
expansão termostática.
Se bem que a pressão no evaporador reaja muito rapidamente
à regulagem da válvula de pressão constante, é preciso que esta
regulagem seja estável para podermos considerá-la definitiva.
Podemos então ficar certos de que a pressão no evaporador não
descerá abaixo do ponto fixado, enquanto que o compressor conti-
nuará a funcioriar para o posto que possui a menor temperatura,
regulada pelo pressostato de baixa pressão.
Por vezes, acontece que, sob. a influência de diversos fatores
combinados, tais como a pressão da mola e do soprador na válvula,
o volume de gás que passa através da válvula e o m'.lmero de rotações
do compressor, desenvolvem-se vibrações sincronizadas cuja resso-
nância é bastante desagradável.
Pode-se eliminar esta ressonância introduzindo óleo frigorífico
isento de umidade e de ácido no alojamento da mola de regulagem,
após ter retirado o bujão obturador ou o parafuso de regulagem,
conforme o tipo de dispositivo.

Válvula de ação brusca


Também chamada "válvula de duas temperaturas", é do tipo de
ação brusca. Como a anterior, ele regula as temperaturas de parada
e de arranque do evaporador, em funçâ'o da pressá'o interior deste.
i: montada igualmente à saída do evaporador mas, enquanto que
na válvula de pressá'o constante as operações de abertura ou fecha-
mento são progressivas, nesta válvula de ação brusca essas operações
são bruscas e totais. Não há posição intermédia; é o funcionamento
por "tudo ou nada".
O dispositivo de ação varia conforme os fabricantes. O elemento

173
deformável é uma membrana dobrada ou um diafragma. No pri-
meiro caso, as posições extremas de abertura e de fechamento são
obtidas pela pessagem de um "ponto morto" por uma mola, cujas
extremidades sll'o solidárias com pequenas alavancas que só podem
tomar duas posiç6es angulares simétricas de equilíbrio, relativa-
mente ao seu eixo horizontal de articulação.
Em um outro tipo de válvula, estas posições extremas são obtidas
por um bloqueio da haste de comando do punçll'o de abertura e de
fechamento, por esferas embutidas em colares circulares apertados
sobre a haste de comando,
Todos os sistemas apresentam uma grande analogia.
Certas válvulas possuem um dispositivo de abertura forçada da
chapeleta.

Diferença entre a vãlvula de pressão constante e a vãlvula de ação


brusca
Na válvula de pressão constante, a elevaçll'o da chapeleta é
progressiva e é funçll'o da pressão interna do evaporador. A válvula
está regulada para uma determinada pressão no evaporador; esta
pressão mantém-se constante, a menos que haja, subitamente, uma
grande sobrecarga calorífica no evaporador. Neste caso, a válvula
abre totalmente e a pressão mantém-se no evaporador, até que o
excesso de carga calorífica seja eliminado e a pressão de evaporação
baixe até ao valor de regulagem da válwla.
Tomemos como exemplo uma instalação mClltipla composta,
entre outros postos. de frio, por um refrigerador produtor de gelo
e um conservador de sorvetes; o fluido utilizado é o R 12.
São montadas válvulas de pressão constante nas linhas de aspi-
ração.
A regulagem da válwla de pressll'o constante da aspiração do pro-
dutor de gelo é de 10 psig.
Suponhamos agora que o usuário, tendo necessidade de uma
grande quantidade de gelo, retira todo o gelo das gavetas e coloca
no seu interior água relativamente quente (15 a 16 ºC). A carga
calorífica aumenta imediatamente. A válvula de expansão automá-
tica reage e abastece o evaporador abundantemente em líquido.
A pressão deste sob, então, acima do valor da reliulagem 0,690 bar,
10 psig e atinge 1,380 bar, 20 psig ou mais.
Dada a quantidade de líquido admitida no evaporador, a pressão
deste permanece elevada durante um intervalo de tempo relativa-
mente longo,. e o fechamento progressivo da válvula de pressão cons-
tante bloqueará o retorno à pressão normal de funcionamento.
174
Conseqüentemente, uma temperatura correspondente à elevada
pressão existente no evaporador tem por efeito atrasar o congela-
mento.
Vejamos agora como se comporta a válvula de ação brusca nas
mesmas circunstâncias.
A sua regulagem em um produtor de gelo que tenha como fluido
o R 12 é a seguinte:
Ponto de fechamento: 1, 17 bar, 17 psig.
Ponto de corte: 0,21 bar, 3 psig.
Quando as gavetas cheias de água a 15 ou 16 ºC sâ'o colocadas
nos seus alvéolos, a válvula de expansão termostática reage como
no caso anterior.

1
:2
3

Fig. 79 - Válvula de ação brusca.

1. Calota de borracha 6. Chapeleta


2. Parafuso de regulagem 7. Dispositivo de abertura
(fechamento) forçada
4. Contraporca 8. Tomada manométrica
5. Mola de ação brusca 9. Válvula de tomada
manométrica

175
A pressão sobe imediatamente no evaporador e a válvula de ação
brusca abre totalmente, permitindo a aspiração dos gases sem queda
de pressão, até atingir a pressão normal de regulagem no evaporador
e, portanto, sem atrasar a produção de gelo.
Em um tal caso é, portanto, preferível a utilização da válvula
de ação brusca.

Regulagem de uma válvula de açio brusca -Tipo Danfoss (Fig. 79)

1 l Montar um manômetro na ligação de controle de pressão.


2) Retirar a calota de borracha e desapertar a contraporca (4).
3) Deixar funcionar a instalação até que se obtenha a tempera-
tura desejada na câmara fria.
4) Regular o parafuso sextavado (2) para se obter o bloqueio da
válwla.
5) Deixar subir a temperatura da câmara até à temperatura pre-
tendida - ou a pressão do evaporador até se obter o descongelamen.
to total.
6) Com o auxílio do parafuso de regulagem do intervalo (3),
obter a abertura da válvula para a pressão pretendida.
71 Terminada a regulagem, apertar novamente a contraporca (4)
e colocar a calota de borracha.

Válvula de estrangulamento termostática (Fig. 80)


As válvulas de estrangulamento termostáticas (também chamadas
"reguladores de temperatura") são montadas à salda do evaporador
e permitem a regulagem das temperaturas em instalações com vários
postos de frio.
Estes aparelhos permitem regular, até a um limite inferior, a tem-
peratura das câmaras frias ou banhos de 1lquido.
O bulbo da válvula de estrangulamento termostática, colocada no
ambiente a resfriar, faz abrir progressivamente a válvula para tempe-
raturas crescentes a partir de determinado valor, e faz fechar
progressivamente estas válvulas quando a temperatura do ambiente
resfriado tende a atingir o valor predeterminado.
Quando é atingida a temperatura predeterminada, como o es-
trangulamento da tubulação de aspiração não é total, o fluxo de
vapor aspirado pelo compressor permite uma tal alimentaçã'o do eva-
porador que a temperatura do ambiente resfriado é regulada para
cerca de± 0,75 ºC.

176
Fig. 80 - Vlflwla de estran-
gulamento termostática.

1. Parafuso de regulagêm
2. Porca da gaxeta de veda-
çio
3. Elemento tennostático
4. Tubo capilar
S. Bulbo
6. Porta-bulbo
7. Ligaçio de entrada
8. Assento da válwla
9. Ligaçio de saída

Ragulagam da uma vãlwla de ~rangulamento tarmosdtica

1 l Deixar funcionar a instalação até que seja atingida, na câmara


a resfriar, a temperatura desejada.
2) Estrangular a válwla agindo no parafuso da ragulagem.
3) Verificar se a temperatura do ambiente resfriado permanece
praticamente constante durante vários ciclos de funcionamento;
se tal não se ver.ificar, retif!car de novo a regulagem.

Regulador de arranque 1.Fig. 81)


Os reguladores (ou válvulas) de arranque permitem proteger o
motor de comando do compressor, das sobrecargas devidas às tem-
peraturas de evaporação elevadas, que se verificam quando sio pos-
tas em funcionamento as instalações de baixa temperatura, ou após
um descongelamento. Eles agem diretamente sobre a pressão de as-
piração do compressor, independentemente da pressão de evapor-
ração do fluido refrigerante limitando, no arranque, a pressão de as-
piração a um valor máximo, determinado pela regulagem do regula-
dor.
Devem ser colocados o mais perto passivei do compressor e a sua
regulagem é feita de maneira semelhante à de uma válvula de pressão
constante, verificando no manômetro de asplraçâ'o a pressâO de aber·
tura do regulador e controlando, se necessário, a intensidade absor-
vida pelo motor que acione o compressor.
177
Regulador de capacidade
O regulador de capacidade tem por objetivo diminuir a produção
frigorífica do cómpressor, servindo como uma derivação automática
entre a tubulação de compressão e a de aspiração, limitando, assim,
a pressão de aspiração do compressor a um valor determinado.
O seu funcionamento e sua
regulagem são semelhantes aos
da válvula de expansão automá- 5
tica pressostática.
e utilizado em instalações
múltiplas, nas quais a parada
simultânea de vários postos de
frio pode provocar um abaixa-
mento anormal da pressão de as-
piração do compressor.

Fig. 81 - Regulador (válvula)


de arranque.

1. Ligação de entrada
2. Ligação de saída
3. Assento da válvula
4. Chapeleta
5. Parafuso de regulagem
6. Mola de regulagem
Vãlvula magnética
A válvula magnética, também chamada válvula solenóide, fun-
ciona, como o seu nome indica, de acordo com o principio magné-
tico.
Uma bobina de excitação, montada sobre um tubo vedado não-
magnético, no qual se move livremente um punção ligado a um
núcleo de ferro-doce, assegura o funcionamento da válvula.
Quando a bobina é excitada, o núcleo de ferro-doce é atraido
pelo campo magnético e eleva o punção; a válvula está aberta.
Quando a corrente é desligada, o núcleo torna a cair, apoiando o
punção no seu assento.
Para orifícios superiores a 4 mm, não é conveniente utilizar
válvulas de atração direta como a descrita anteriormente (Fig. 821 e,
neste caso, aplicam-se válvulas de membrana e chapeleta-piloto (Fig.
83), cujo funcionamento é diferente do anterior.

178
Fig. 82 - Vál.wla magnética de atração direta.
Em repouso, a chapeleta-piloto descansa sobre o orifício-piloto,
e a chapeleta principal descansa igualmente sobre o· assento da
válwla. Existem dois orifícios balanceadores de pressio na chapeleta
principal, que permitem o balanceamento da pressio da montante
da válwla na parte superior e na parte inferior da chapeleta princi-
pal.
Quando a bobina da válwla está sob tensio, o induzido eleva
a chapeleta, desobstruindo o oriflcio-piloto. A chapeleta principal
permanece sobre o seu assento, e a c:imara existente na parte supe-
rior desta chapeleta esvazia-se, porque a seçio total dos orifícios
balanceadores é inferior à seçio do orlflcio-piloto; a pressfo existen-
te na parte superior da chapeleta principal diminui.
Sob a influência do impulso do fluido, devido à sobrepressã'o
da montante exercida sobre a parte anular da chapeleta principal,
esta deforma-se e a psssagem principal, atravás do assento da v61wla,
fica aberta. Quando se liga o interruptor automático de comando
(termostato), a chapalet•piloto fecha.o orifício-piloto, a pressio se
eleva na parte superior da chapeleta principal e fica balanceada com
a pressio da montante. O peso da chapelet•piloto, apoiado· sobre a
chapeleta principal, obriga-se a permanecer no seu assento.
O funcionamento de vélwla exige uma pressio diferencial míni-
ma de abertura, e o seu valor é cerca de 0,050 bar.
179
As válvulas magnéticas são colocadas na linha do líquido ou na
linha de aspiração do evaporador a regular, mas a montagem na linha
do líquido é mais usual: tem a vantagem de utilizar válvulas de di-
mensões menores, e a vedação é mais fãcil de obter com o líquido,
diminuindo a superfície do orifício.

Fig. 83 - Válvula magnética de membrana e chapeleta-piloto.

Quando se emprega uma válvula magnética é preciso ter em


consideração a natureza da corrente, da tensão e da freqüência.
No caso de corrente contínua, é necessário colocar um conden-
sador nos terminais da bobina para absorver a corrente extra de
ruptura. Este condensador é, aliás, fornecido pelo fabricante com a
válvula.
Convém notar que a força de atração é menor nas válvulas para
corrente contínua do que nas válvulas para corrente alternada.
Deve ser montado um filtro. antes da válvula para reter os corpos
estranhos que poderiam danificar a vedação desta, colocando-o
entre o punção e o seu assento, ou que poderiam perturbar o funcio-
namento do dispositivo do servocomando.
Se se instalar uma válvula magnética na linha de aspiração, não
se deve fazer esta montagem muito perto do evaporador ou em
qualquer outro ponto do circuito onde ela seria suscetível de gelar,
a não ser que a cobertura da válvula não seja à prova de umidade e
180
que a entrada dos fios de alimentaçio da bobina nio se faça através
de uma gaxeta de vedaçio.
Finalmente, a válwla magnética deve ser sempre montada na
posiçio horizontal, de modo que o núcleo de ferro-doce caia verti·
calmante no caso do fechamento da válwla.
Como já vimos, a válvula magnética é comandada por um termos-
tato de ambiente ou de evaporador montado em série na linha
elétrica que alimenta a válwla. Quando é atingida a temperatura
desejada, este termostato desliga o circuito e a válwla fecha. A cir·
culaçio do fluido refrigerante fica parada até que o termostato enga·
te da novo e abra a válwla.
As válvulas da origem americana sio referenciadas, conforme a
natureza da corrente de alimentaçio das suas bobinas, pelas letras:
AC (alternatif currentl - corrente alternada;
DC (direct currentl - corrente contínua.
As tabelas mais adiante indicam a comparação entre as capacida·
das das válwlas magnéticas "Danfoss", colocadas na linha de 1íquido
ou na de aspiraçio, em funçio do orifício de passagem e da quada
de pressio ao longo das válwlas.

Vãlvulas de ãgua
Estas válwlas, colocadas na tubulaçio de entrada de água do
condensador, regulam automaticamente o débito de água em funçio
da pressio dos vapores a condensar (válvulas pressostáticas), ou em
funçio da sua temperatura (válwlas termostáticasl - (Fig. 84).
A válwla pressostática é a mais utilizada. Examinemos o seu
funcionamento:
A chapeleta em borracha, apoiada no seu assento por uma mola
calibrada, é sujeita à força de um elemento deformável (soprador ou
membrana) sobre o qual se exerce a prassio dos vapores comprimi·
dos pelo compressor.
Uma mola regulável op6e a sua açio à do elemento deformável.
A válwla é regulada na posiçio de fechamento quando o grupo
compressor está parado.
Quando entra em funcionamento, a prassio de compressio au-
menta e atua sobre a chapeleta, que se afasta do seu assento.
O débito de água é funçio do orifício de passagem e da pressio
na tubulaçlo de transporte de água; um dispositivo de regulagem
atuando sobre a mola regulável permite o seu ajustamento para o
valor desejado.
Na prática, é considerado normal um aquecimento de água de
circulaçio de 10 a 12 ºC.

181
Um débito insuficiente origina uma maior diferença de tempera·
turas entre a entrada e a saída da água. A alta pressio eleva-se acima
do valor normal e origina, deste modo, uma sobrecarga no motor;
a condensaçlo é difícil e o fluido l(quido, ao chegar à válvula de
expansio, está muito quente. O rendimento da máquina é menor.
Um débito muito grande provoca um desperdício inl'.ltil de água
de esfriamento. ·
Um ou dois minutos ap6s a perada do grupo, a válwla de água
deve estar totalmente fechada. Se tal nA'o acontecer, verificar a regu·
lagem e, se for necessário, o estado da chapeleta de borracha.

Fig. 84 - Válwla de água pressostática

1. Ligaçio de tomada de pressio 10. Haste de regulagem


2. Placa de pressio 11. Chapeleta
3. Porca de mola 12. Anelem T
4. Mola de bloqueio 13. Parafuso de fechamento
S. Mola de regulagem 14~ Anel de bloqueio
6. Sapata da mola 15. Disco de aperto
7. Junta 16. Luva de guia superior
8. Junta tórica 17. Luva de guia inferior
9. Placa de fundo

~ possível empregar válwlas magnéticas em circuitos de água.


Neste caso, a bobina da válvula é montada em paralelo com a ali·
mentaçio do motor do compressor. Durante o tempo de funciona-
mento a válwla está aberta. e fecha quando a máquina pára. O

182
débito destas válwlas é máximo, seja qual for a pressfo de recalque
do compressor.
As vibrações e golpes de aríetP, que se produzem com bastante
freqüência nas tubulações de transporte de água à válvula automá-
tica, podem ser eliminados instalando nesta tubulação o dispositivo
seguinte (Fig. 851.
do compressor

5
Fig. 85 - Dispositivo anti-QI(ete

1. Entrada de água 2. Tubo cego "anti-9Iíete"


3. Mangueira em tubo de borracha 'J,. Válvula de água
S. Condensador 6. Saída de água

Sobre um "T", ligar verticalmente um pedaço de tubo de 1/2


ou 5/8 de polegada e de 20 cm de comprimento, cuja extremidade
é fechada hermeticamente por compressão e soldagem.
Este tubo cego atua como amortecedor.
O "T" deve ser ligado à válvula por intermédio de um tubo em
borracha.
Fazer um corte na tubulação de evacuação para evitar o fenô-
meno do sifonamento da água e para poder controlar o débito.

183
Tabela de capacidades das válvulas magnéticas.
Válvulas montadas sobre tubulação com líquido a + 25 ºC.
1
Capacidade em watts térmicos (fg/h) para uma queda
Temperatura
Orifício Fluido de de pressão em bar de:
de
em mm refrigeração evaporação 0,07 0,14 0,20 0,28 0,35

1 500 2 205 2 610 3190 3 595


R 12 1300 1 900 2250 2 750 3100
3 - 10
... R 22
1 775
1 530
2 670
2300
3130
2 700
3 830
3300
4290
3 700
i
9 280 13 920 17 400 20 880 23200
R 12 8000 12000 15000 18000 20000
6 - 10
11 140 16 705 20880 23060 27 840
R 22 9 600 14 400 21600 24000
18000
··-
R 12 12 760 18 560 23 200 27 840 31 320
11 000 16000 20 000 24000 27000
10 - 10
R 22 16 240 22 270 27 840 33 410 37 585
14 000 19 200 24 000 28800 32400

Tabela28
Tabela de capacidades das válvulas magnéticas.
Válwlas montadas sobre tubulação de aspiração (liquido a + 25 ºC).
Queda de Capacidade em watts térmicos (fg/h)
Orifício Fluido de para uma temperatura de evaporação de:
emmm efrigeraçãc pressão
em bar - 30°C - 20°C - 10°C 0°C + 5°C
------ ---- ---- ----
1 015
0,07 560 715 870 1 075
500 615 750 875 925
R 12
810 1 000 1 220 1 450 1 565
0,14 700 860 1 O!iO 1 250 1350
6
695
- -855
-- 1 045 1305 1 390
0,07 600 735 900 1125 1200
R 22 ----- -----
1 045 1 275 1 565 1 800 2030
0,14 r;oo 1100 1350 1550 1 750
--- ---- ------
930
-- --
11:J5 1 390 1 625 1 740
0,07 8ao !JBO 1 200 1400 1 500
R 12 ---- ----·
1325 1 G2S 1 970 2:ó20
-----
2 550
0,14 1140 1400 1 700 20CO 2200
10 ----- -----
1 240 1 520 1 8G5 2 030 2 205
0,07 1070 1 310 1600 1 coo 1 900
R 22 -- --
1 705 2 090 2 550 2 960 3190
0,14 1470 1800 2200 2550 2 750

Tabela29
CAPÍTULO XII

OS ISOLANTES
Como o frio é difícil de produzir, há necessidade de isolar bem
as paredes das câmaras.
A eficiência isolante de um material varia na razão inversa do
seu peso específico.
Devem-se empregar materiais de baixa densidade, com muito
pouca condutividade térmica, não-higroscópicos. imputrescíveis,
com grande poder de reflexão, estáveis entre certos limites de tem-
peratura, não inflamáveis e inertes em relação à madeira ou ao ferro,
quando em contato com eles.
Devem ter uma textura que evite os roedores ou os insetos; en-
fim, devem conservar constantes no tempo as suas qualidade de iso-
lamento, ser baratos e de fácil aprovisionamento.
Um material é isolante térmico se contiver uma grande quantida-
de de ar, porque este é um dos melhores isolantes, desde que esteja
seco e em repouso - À= 0,020 W/m 2 (0,017 kcal/m.h.ºC).
A qualidade de um material isolante pode ser melhorada substi-
tuindo o ar por um outro gás. O anidrido carbônico (COz), por e-
xemplo, tem um coeficiente de condutividade-À = 0,014 W/m 2
(0, 12 kcal/m.h. ºC) e é ainda melhor o triclorofluorometano, que
tem um coeficiente À= 0,008 W/m 2 (0,007 kcal/m.h.ºC), ou seja,
2,5 vezes menos que o ar; é o que se utiliza na fabricação de espu-
mas sintéticas expandidas.
Os principais materiais isolantes utilizados na indústria frigorí-
fica são:

A cortiça

A cortiça é utilizada sob a forma de placas de 1m X 0,50 m, com


espessura de 2 a 16 cm.
A cortiça expandidll (submetida a uma temperatura de 300 ºC, o
que origina a dilatação e a multiplicação das células, além de uma
desgaseificação completa) é, apesar do seu custo elevado, um iso-
lante dos melhores.

Peso específico: 11 O a 130 kg/m 3


Coeficiente de condutividade: 0,044 W/m 2 (0,038 kcal/m.h.ºC).
187
A fibra de vidro
i: fornecida em painéis e, quando fabricada, é impregnada com
resinas fen61icas destinadas a aumentar a sua resistência ao desagre-
gamento; é muito utilizada em isolamento, especialmente em câ-
maras de frutas.
Peso específico: 22 kg/m 3
Coeficiente de condutividade: 0,030 W/m 2 (0,026 kcal/m.h.ºC).

Poliestireno expandido
i: um elemento de consistência rígida com células vedadas.
O material de base é o poliestireno em grânulos.
Estes grânulos, emulsionados, são submetidos à ação do calor,
o que resulta num grande aumento do seu volume primitivo e numa
ligação homogênea entre eles.
i: um isolante de qualidade que permite obter, com uma redução
de 30% em espessura, os mesmos resultados que com a cortiça ex-
pandida, o que significa que podemos conseguir uma diminuição
do peso e da espessura em benefício da capacidade útil de um mó-
vel. Este isolante muito leve é refratário à água e resiste aos ácidos
e bolores. Por outro lado, é facilmente usinável e a sua relativa
resistência aos choques faz dele um isolante de escolha para a in-
dústria frigorífica.
Peso específico: 20 a 30 kg/m 3
Coeficiente de condutividade: 0,029 W/m 2 (0,025 kcal/m.h. ºC).

O styrofoam
i: um poliestireno auto-extinguível que resiste melhor à com-
pressão que os poliestirenos expandidos; é obtido por extrusão
a partir de uma pasta quente que contém o agente dilatador e é a
queda brusca de pressão, à saída da prensa de extrudir, que provoca
a expansão.
Peso específico: 30 kg/m 3
Coeficiente de condutividade: 0,032 W/m 2 (0,028 kcal/m.h.ºC).

As espumas de poliuretano
Estas espumas rígidas são fabricadas a partir de misturas de
poli-isocianatos e de poliésteres que, em presença de agentes dila-
tadores (R11, R12 ou R 1131. dão origem a uma espuma de matéria
plástica alveolar. Os produtos precedentes dos moldes de fabricação
são cortados em painéis e utilizados como os painéis de cortiça ou
de poliestireno.

188
Peso específico médio: 30 a 40 kg/IT) 3
Coeficiente de condutividade:0,025 W/m 2 (0,022 kcsl/m.h.ºC).

A lã mineral
A lã mineral, fabricada com a escória dos altos fornos, contém
muito ar incorporado, mas tem o inconveniente de se reduzir a pó
sob a ação do frio; não é inflamável.
Peso específico: 150 kg/m 3 •

A borracha celular
A borracha celular é boa para os revestimentos (válvulas da
expansão, tubulações) a é pouco resistente à compressão.
Peso específico: 60 kg/m 3 •

A abonita celular
A abonita celular é mais resistente a impermeável à água.

O lsoral
O lsoral é fibra da madeira comprimida. A esta fibra juntam-se
aglomerantes cuja composição permita obter propriedades diferentes
da dureza. E: utilizado principalmente no isolamento dos sumidouros
das geladeiras.
A qual idade "isolante" faz-se em painéis da 3,5 m x 1,50 cm,
com espessura de 4 a 15 mm.
Peso específico: 250 kg/m 3
Coeficiente de condutividade: 0,040 W/m 2 (0,035 kcsl/m.h.ºC).

A lã da rocha
A lã de rocha é um material à base de silício. Esta matéria de
base, após fusão a 1 500 ºC, é transformada por centrifugação em
fibras da estrutura homogênea, tratadas em seguidà para a fabrica-
ção de placas, rolos, conchas, etc.
Peso espec (fico: 55 kg/m 3 para as placas, 11 O kg/m 3 para as
conchas a rolas.
Coeficiente de condutividada: 0,093 W/m' (0,08 kcal/m.h. ºC).

Klagacall
E: um cloreto de polivinil expandido. E: de estrutura celular ve-
dada, não·higrosc6pico e insensível aos agentes químicos.

189
O seu peso específico varia de 40 a 100 kg/m 3 , de acordo com
as qualidades: macia, semidura e dura. i: muito utilizado no fabrico
da painéil~sandufche, para construção dos forros das carroçarias dos
caminh6es frigorfficos.
Coeficiente de condutividade: 0,031 W/m 2 (0,027 kcal/m.h.ºC).

A espuma de vidro
i: obtida por expansão do vidro em fusão. i: inorgânica e, por-
tanto, imputrescfvel, e não é atacada pelos roedores; a sua resistên-
cia à compressão de 8 daN/cm 2 (7 kg/cm 2 ) faz dela não só um mate-
rial isolante, mas também um material de construção-isolação.
Peso específico: 144 kg/m 3 •
Coeficiente de condutividade: 0,054 W/m 2 (0,046 kcal/m.h. ºC).
Todos estes materiais requerem uma técnica própria de fabrica·
ção.
As espumas de poliuretano podem ser expandidas "in situ", isto
é, no próprio local onde se quer fazer o isolamento, o que é muito
prático para isolar, por exemplo, armários domésticos, conserva-
dores e congeladores.
O isolamento de uma câmara fria tem uma enorme importância
no funcionamento geral da instalação. Se for muito fraco, facilita
a entrada do calor pelas paredes e o tempo de funcionamento do
compressor é acima do normal. Se for muito forte, pode ser origem
da existência de umidade na câmara, porque, como as entradas de
calor pelas paredes são pequenas, o tempo de funcionamento do
compressor será insuficiente para manter o grau higrométrico a um
valor compatível com a boa conservação dos gêneros armazenados;
a atmosfera será muito ~mida, e as carnes correm o risco de ficarem
''viscosas".

190
CAPÍTULO XIII

CÂMARAS FRIAS
E CLIMATIZAÇÃO
CÂMARAS FRIAS
Construção
As paredes de supqrte (exterio-r) siÕ em tijolos ou em aglomera-
dos de cimento. O isolamento é feito cada vez mais em poliestlreno
expandido para as paredes verticais e tetos, e em styrofoam ou cor-
tiça para os pisos.
O custo elevado da cortiça implica a limitação do seu emprego
apenas para as câmaras de temperaturas negativas. As juntas sio fei·
tas com breu de petróleo desodorizado, fervente, misturado com p6
de cortiça, ou com mástique isolante à base de emulsio betuminosa
(Flinkote), conforme o isolante utilizado.
Espessuras de isolamento: 6 a 8 cm para câmaras até 3 m 3 •
-Para ás câmaras frias, a espessura deve ser calculada de maneira
a limitar as entradas de calor a 9,3 W/m 2 • ºC (8 kcal/m 2• h}. Este
número pode ser aumentado até 11,6 W/m 2 • ºC (10 kcal/m 2• h}
nas câmaras de pequeno volume(.;;; 15 m3 ).
Estes resultados sio obtidos considerando uma espessura e = cm,
tal que:
9a-9f
e=-- 2-cm.
9a sendo a temperâtura ambiente externa;
9f sendo a temperatura de câmara fria.
Piso -
e revestido com concreto magro em declive; o declive deve ser
de 1 cm por metro, ou atingir 2 cm por mei:ro no caso de cãmaras
de peixe, de carne ou de flores; sobre este concreto é aplicada uma
placa de pára-vapor constituída por duas camadas de emulsão
betuminosa. O isolante é colocado, em seguida, com os painéis que
compõem as diferentes camadas colados entre si e com as juntas cru-
zadas. Sobre o isolante é colocada uma laje de concreto com casca-
lho com uma espessura mínima, no ponto mais baixo, de 60 mm.
Esta laje deve ser reforçada com um gradeamento soldado no caso
de abranger uma grande superfície, de haver movimento de carros,
ou do isolamento ter de poliestireno.
O acabamento da laje é em chapa ou ladrilho.
191
No caso de câmaras a temperaturas negativas, devem ser tomadas
precauções contra a formação de gelo no piso. Podem-se evitar estes
casos construindo um vão sanitário ou aquecendo a laje por intermé-
dio de cabos aquecedores embutidos na laje e alimentados a baixa
tensão.
Em qualquer caso, coloca-se um sumidouro ligado ao esgoto
para permitir o escoamento das águas de lavagem e de descongela-
mento. Este sumidouro deve ser colocado no exterior da câmara
fria, se a temperatura desta for inferior a O ºC.
Paredes verticais
As paredes de suporte sã'o em tijolos ou em aglomerado de ci-
mento. O isolamento é colocado em duas camadas com as juntas
cruzadas, sendo a primeira camada colada e mantida contra a parede
com o auxílio de amarras fixadas na parede, e a segunda camada é
coloda e pregada à primeira por intermédio de cavilhas de madeira
dura cravada obliquamente à superfície do isolante.
O revestimento interior pode ser feito em:
ladrilhos de porcelana para câmaras a temperatura positiva;
- ladrilhos de arenito vidrado para câmaras a temperatura nega-
tiva.
Os ladrilhamentos podem ser substituídos por uma pintura per-
meável ao vapor de água ou por um reboco de cimento simplesmen-
te alisado ou aplainado.
reto
O isolamento é colocado de maneira semelhante à descrita para
as paredes verticais, mas, no entanto, como a segunda camada de
isolanete nã'o pode ser cavilhada à primeira, é indispensável apertar
esta segunda camada contra a primeira, por intermédio de amarras
mais compridas e especialmente concebidas para este efeito. Se o
teto for executado sob vigamento, então as amarras circundarão
as vigas.
O revestimento é constituído por um reboco de cimento de
20 mm reforçado com um gradeamento de malha larga. Este gradea-
mento é cravado solidariamente na cortiça ou mantido por barras
de aperto, no caso do poliestireno.
Este reboco pode ser alisado ou aplainado.

Balanço de frio
Os diferentes fatores a considerar sio os seguintes:
1? Natureza do isolante.

192
79 Espessura do isolante.
39 Temperatura ambiente máxima.
49 Temperatura média do interior da câmara fria.
fP. Dimensões externas da câmara fria.
69 Natureza dos gêneros a armazenar.
79 Temperaturas antes e depois da refrigeração.
89 Peso de gêneros a refrigerar em 24 h.
99 Quantidade de calor devida ao serviço no mesmo tempo.
109 Tempo de funcionamento diário do compressor em 24 h.
Para calcular a quantidade de calor que entra pelas paredes em
24 h, aplicar a fórmula:
QP = K X S X DO X 24
na qual:
Op = quantidade de calor em quilocalorias por 24 h.
S = superfície total da câmara em metros quadrados (exterior).
K = coeficiente global de transmissão térmica das paredes em
quilocalorias por metro quadrado, por hora e por grau Celsius de
variação.
DO = diferença de temperatura em graus Celsius entre atempe-
ratura ambiente e a temperatura a obter no interior da câmara.
A superfície total exterior da câmara é o dobro da soma dos três
produtos seguintes:
Largura X altura;
Largura X profundidade.
Altura X profundidade.
A quantidade de calor devida às entradas das mercadorias em
24 h é dada pela fórmula:
Om= mX CpX DO
na qual:
Om = quantidade de calor em quilocalorias por 24 h.
m = peso dos gêneros em quilogramas.
Cp = calor específico dos gêneros.
DO = diferença da temperatura em graus Celsius entre a tempe-
ratura dos gêneros que entram na câmara fria e a temperatura a
obter no interior da câmara.
A quantidade de calor devida ao serviço é função da freqüência
das aberturas das portas.
i: necessário di sti ngu ir:
ai Muito serviço: aberturas freqüentes. Adicionar 25% à quanti-
dade de calor Op que entra pelas paredes;
b) Serviço normal: aberturas a certas horas do dia. Adicionar
15% à quantidade de calor Op que entra pelas paredes.

193
O tempo de funcionamento do compressor deve estar compreen-
dido entre 14 e 16 horas em cada 24 horas. 86 ultrapassar excepcio-
nalmente as 16 horas de funcionamento no caso de determinação
da potência da máquina•

.... .. .. .....e
CD
=.!!!i Balanço diário kcal/24 h
Eo
CD CD
10 IO CD 't:l't:I ·-
e>º-
~·&::::
... 't:I :e ~º~ Carnes Perdas 1 .
+28 a +4 de paredes Totais
-o ...
CD IO 'G)
uE E e e. E
> .:
--- --- <{
- - --
w e serviço
---
m• kg kg
3 400 + 25 3 220 5 120
+ 30 100 1 900 4 000 5 900
+ 35 4 800 6 700
4 550 + 25 100 1 900 3 900 5 800
200 3 800 7 700
+ 30 100 1 900 4 830 6 730
200 3 800 8 630
+ 35 100 1 900 5 816 7 716
200 3 800 9 616
5 1 700 + 25 100 1 900 4 900 6 800
200 3 800 8 700
+ 30 100 1 900 6 100 8 000
1 200 3 800 9 900
+ 35 100 1 900 7 320 9 220
200 3 800 11 120
1
6 !JOO 1 + 25 100 1 900 5 380 7 280
200 3 800 9 180
+ 30 100 1 900 6 680 8 580
200 3 800 10 480
+ 35 100 1 900 8 024 9 924
200 3 800 11 824
8 1 200 + 25 200 3 800 6 700 10 500
300 5 700 12 400
+ 30 200 3 800 8 340 12 140
300 5 700 14 040
+ 35 200 3 800 10 032 13 832
300 5 700 15 732
10 1 600 + 25 200 3 800 7 330 11 130
300 5 700 13 030
+ 30 200 3 800 9 100 12 900
300 5 700 14 800
+ 35 200 3
5
800
700
10 960 14 760
300 16 660
Tabela30
194
Quando as câmaras frias possuem registros de inspeção com vi-
sor, calculam-se as perdas utilizando os seguintes números:
2 visores: 75 quilocalorias; 3 visores: 45 quilocalorias por metro
quadrado, por grau de diferença entre a temperatura ambiente e a da
câmara fria, em cada 24 horas.

.,, .,, .,, .,, ;! .,, "' -;;; Balanço diário kcal/24 h
CD CD
o ~ ~:C.!!!
-
E
=- ·~CD
o ..
"'"'
ci·-
.... "C
"''CD
UE
:eE ~e oa. :gE Carnes
·+28 a +4
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Perdas 1
e paredes, Totais
.
>.!:
m•
___ ___ - - -
kg
,
1
<
1
w
kg
-
--~-- ---·---
e serviço

12 1 900 1 + 25 1 200 3 800 8 020 11 820


300 5 700 13 720
400 7 600 15 620
200 3 800 9 960 13 760
+ 30 300 5 700 15 660
400 7 600 17 560
+ 35 200 3 800 11 998 15 798
300 5. 700 17 698
400 7 600 19 598
15 2 400 + 25 200 3 800 9 160 12 960
300 5 700 14 860
400 7 600 16 760
500 9 500 18 860
+ 30 200 3 800 11 400 15 200
300 5 700 17 100
.;oo 1 600 19 ooo
500 9 500 20 900
1 +35 200 3 800 13 760 17 560
300 5 700 19 460
400 7 600 21 360
500 9 500 23 260
20 3 200 + 25 200 3 800 11 000 14 800
300 5 700 16 700
400 7 600 18 600
500 9 500 20 500
600 11 400 22 400
+ 30 200 3 800 13 600 17 400
300 5 700 19 300
400 7 600 21 200
500 9 500 23 100
600 11 400 25 000
+ 35 200 3 800 16 480 20 280
300 5 700 22 180
400 7 600 24 080
500 9 500 25 980
600 11 400 27 880
Tabela30
195
Exemplos numéricos
Exemplo rP. 1 - Câmara fria em alvenaria para açougue.
Dimensões da câmara: Externas Internas
Largura .. . m 4 3,6
Altura . . . . . . . 2,5 2,1
Profundidade .. . 2 1,6
lfolamento equivalente a uma espessura de cortiça expandida
pura de 12 cm. Tendo em conta que os muros de suporte são em
tijolos, a espessura das paredes será de 20 cm; na prática, estes mu-
ros são negligenciados nos cálculos.
Temperatura ambiente máxima:+ 25 ºC.
Temperatura interna da câmara:+ 2 ºC.
Umidade relativa normal : e = 75%.
Temperatura da carne introduzida:+ 25 ºC.
Superfície total externa:
4 m X 2,5 10 m2 }
4 mX2 . . . . . . . 8 m2 X 2 = 46 m2
2,5m X 2 . . . . . . . 5 m2
Volume interno = 12,09 m 3 • Volume útil, cerca de 10 m3. Em
uma câmara frigorífica, a carga-padrã'o é de 150 kg/m 3. O movimen-
to diário corresponde a um quarto da carga total. No nosso balanço,
o movimento diário será, portanto, de 375 kg.
Calor específico Cp = 0,75 kcal/kg. Serviço: normal.
Para uma diferença das temperaturas de 23 ºC, a quantidade de
calor que entra pelas paredes é de 240 quilocalorias (ver Tabela 31 ).
Entradas de calor:
Pelas paredes: 0p = 46 X 240 . . . . .11 040 kcal
Pelas mercadorias: Om =375 X 0,75 X 23, 6 470 kcal
. 11040X15
Pelo serviço: a 100 . 1 656 kcal
Total das entradas de calor por 24 horas . . . .19 166 kcal
As perdas diversas, ventilador, trabalho do pessoal, energia, etc.,
estã'o compreendidas nas perdas por serviço.
Como estas 19 166 quilocalorias devem ser evacuadas pelo com-
pressor em 14 horas de funcionamento, a sua potência frigorífica
horária será de:
19 166 = 1 369 fg/h
14
Escolha do material. - Escolher um grupo que se aproxima o
mais possível desta potência, tendo em conta as condições de utili·
zação do material.
196
Entradas de calor horárias e diárias em quilocalorias/hora e quilocalorias/dia
em relação ao m 2 da parede
Serviço normal.

Isolamento equivalente a uma espessura de:

A& 4 cm 6 cm 8 cm 10 cm 12 cm 16 cm 20 cm
..
(1)

fg/h fg/24 h fg/h fg/24 h fg/h fg/24 h fg/h fg/24 h fg/h fg/24 h fg/h fg/24 h fg/h fg/24 h
- - - - - - -- - - - - - - -- -- - - - - -- -- - -
10 13 312 9 216 7 168 5 120 4,5 108 3,5 114 3 72
12 16 384 11 264 8 192 7 168 5,5 132 4 96 3,5 84
14 19 456 12 288 10 240 8 192 6 144 5 120 4 96
16 21 504 14 336 11 264 9 216 7 168 5,5 132 4,5 108
18 24 576 16 384 12 288 10 240 8 192 6 144 5 120
20 26 624 18 432 13 312 11 264 9 216 6,5 156 5,5 132
22 29 696 19 456 15 360 12 288 9,5 228 7,5 180 6 144
24 31 744 21 504 16 384 13 312 10,5 252 8 192 6,5 156
26 34 816 23 552 17 408 14 336 11,5 276 8,5 204 7 168
28 37 888 24 576 19 456 15 360 12 288 9,5 228 7,5 180
30 39 936 26 624 20 480 16 384 13 312 10 240 8 192
32 42 1 008 28 672 21 504 17 408 14 336 10,5 252 8,5 204
34 45 1080 30 720 23 552 18 432 15 360 11,5 276 9 216
36 47 1128 31 744 24 576 19 456 15,5 372 12 288 9,5 228

(1) .:10: Diferença entre a temperatura ambiente externa 10al e a temperatura da câmara fri-
gorífica (0f) • .:10 = 0a - 0f. ·
Tabela31
Será necessário, no caso presente, que esta potência possa ser
obtida por uma máquina colocada em um ambiente de + 25 ºC e
evaporando a - 10 ºC.
Segundo a gama oferecida pelo fabricante, adquirir de preferên-
cia, um grupo de potência ligeiramente superior à desejada. Ele
desenvolverá, assim, esta potência em um tempo de funcionamento
ligeiramente reduzido.
Como a duração de funcionamento do compressor tem influên-
cia na capacidade do evaporador, é necessário prever, para este úl-
timo, uma reserva de capacidade de 5 a 10%.
Enfim, como se pretende obter um grau higrométrico de 75%,
a diferença a manter entre a temperatura de evaporação e a da
cãmara deverá ser de 12 ºC.
No balanço, para o cálculo das entradas de calor pelas paredes,
adotamos o valor de 240 kcal/24 h (valor obtido por interpolação
entre os valores de 228 kcal para l!.8 = 22 ºC e de 252 kcal para
l!.8 = 24 ºC). Lembramos que este valor só depende da natureza
e da espessura das paredes e da diferença de temperatura.
Exemplo nQ 2 - Clmaras de alvenaria para conservação de manteiga
(curta duração).
As mesmas dimensões do exemplo anterior.
O mesmo isolamento.
Temperatura ambiente máxima:+ 25 ºC.
Temperatura interna da câmara: + 2 ºC.
Umidade relativa normal: e= 75%.
Carga-padrão: 600 kg/m 3 útil, tendo em conta a circulação do ar.
Movimento diário fraco: 200 kg.
Calor específico Cp = 0,55 kcal/kg.
Pouco serviço: considerar 10% das perdas pelas paredes.
A manteiga entra, geralmente, a uma temperatura igual ou infe-
rior a + 15 ºC (temperatura das câmaras de preparação). Para o
nosso cálculo, consideramos o número + 15 ºC; a diferença da tem-
peratura será, portanto, de 13 ºC.
Entradas de calor:
Pelas paredes: Q,p •••.• = 46 X 240 •.•.. 11 040 kcal
=
Pelas mercadorias: Om . . 200X 0,55X 13. 1 650 kcal
11 040
Pelo servi~o: Os .•..•• 1 104 kcal
10
Total das entradas de calor por 24 horas 13 7941<cal

198
Como o compressor deve trabalhar 14 horas por dia, a sua potên-
cia deverá ser de:
13794
14
= 986fg/h
nas condiç6as semelhantes lls indicadas no exemplo anterior.
Para se obter um grau higrométrico de 75%, manter-se-á uma
diferença de 12 ºCentre a temperatura de evaporaçfo e a da câmara.
Frigorias necesúrias para a refrigeraçlo dos principais gineros
lpara m = 1 kg)

Carnes Lfquidos Latic(nios 1 Gêneros


calor diversos
9 1 calor calor
calor
(1) especf- especffico especifico
fico especifico
(0,75) .no.soil (0,87) (0,871
10 7,5 9,0 8,75 8,75
12 9,0 10,8 10,5 10,5
14 10,5 12,6 12",25 12,25
18 12,0 14,5 14,0 14,0
18 13,5 16,0 15,75 15,75
20 15,0 18,0 17,5 17,5
22 16,5 20,0 19,25 19,25
24 18,0 21,6 21,0 21,0
26 19,5 23,5 22,75 22,75
28 21,0 25,0 24,50 24,50
30 22,5 26,7 26,25 26,25
32 24,0 28,5 28,0 28,0
34 25,5 30,3 29,75 29,75
36 27,0 32,0 31,5 31,50

1. Diferença de temperatura entre a temperatura de introduçio


dos gineros e a da cêmara fria.
2. Os números desta coluna s6 sio válidos para os gêneros di-
versos que se armazenam habitualmente nas cêmaras frias ou nas ge-
ladeiras dos restaurantes.
Quando se trata do armazenamento de um s6 produto, 6 necessá-
rio calcular exatamente este valor, tendo em conta o calor especifico
do produto considerado.

Tabela32

199
Para um serviço muito sobrecarregado, por exemplo, cozinha de
grande restaurante, adicionar 25%.
Para balcões vidrados, ..;alcular os desperdícios utilizando os se-
guintes números: 2 vidros, 75 quilocalorias; 3 vidros, 45 quilocalo-
rias por metro quadrado, por grau de diferença entre a temperatura
ambiente e a do baleio, em cada 24 horas.
Um homem, durante um trabalho ligeiro, liberta cerca de 120
kcal/h.
As lâmpadas elétricas de 100 e 150 W libertam, respectivamente,
90 e 135 kcal/h.
Motores (Ventiladores, bombas, etc.) 1 kWh = 860 kcal/h.

Exemplo rP. 3
As câmaras de congelamento são, geralmente, do domínio "indus-
trial" e, portanto, as mercadorias a tratar são em grande quantida-
de; mas encontram-te, freqüentemente, instalações comerciais para o
congelamento da manteiga (-8 ºC - 10 ºC) ou de outros gêneros e
para a sua conservação a longo prazo (6 a 8 meses).
Dimensões da câmara Externas Internas
Largura . • . m 4,5 4
Altura . • . . 3 2,5
Profundidade 2,5 2

Isolamento: equivalente a uma espessura de cortiça expandida


pura de 16 cm.
Temperatura ambiente máxima: +25 ºC.
Temperatura interna da câmara: - 10 ºC (08 = 35 ºC).
Umidade relativa: e= 80%.
Movimento diário: 200 kg (pouco serviço).
Carga-padrâ"o da câmara: 600 kg por metro cúbico útil.
Admite-se que a manteiga entre à temperatura de+ 15 ºC.
Calor específico:
0,55 antes do congelamento;
0,35 após o congelamento.
Calor latente de congelamento: 15 kcal/kg.
Superfície total externa da câmara: 64,50 m2 •
Volume interno da câmara: 20 m3 •
Volume útil: 18 m3 •

200
Entradas de calor:
=
Pelas paredes: Qp 64,50 X 282 • . . . • . . • . 18 189 kcal
Pelas mercadorias: Om • • . • • . • • . • • • • • • ,
Antes do congelamento: 200 X O,55 X 15 • • • . 1 650 kcal
Calor latente de congelamento: 200 X 15 . 3 000 kcal
Após congelamento: 200 X 0,35 X 10 ..•• 700 kcal
18189
Pelo serviço: Os = 10
1 820 kcal
Total de entradas de calor por 24 horas ... 25 359 kcal
Dado que para um grau higrométrico de 80% é necessária uma
diferença de temperatura de 9 ºCentre a temperatura de evaporação
e·a da câmara, o grupo escolhido deverá ter uma potência de:
25359
14 = 1 811 fg/h
à temperatura de evaporação que terá o valor de:
- (10 + 91 = -19 ºC.
Pode-se admitir que o grupo funcionará 18 horas em 24 horas,
durante o primeiro período da entrada da mercadoria, mas após a
entrada em regime, o funcionamento normal será de 14 horas por
dia.
Para o nosso cálculo, só consideramos o período de regime. No
cálculo das perdas pelas paredes, obtemos o valor de 282 quilocalo-
rias por interpolação entre os valores 276 e 288 da coluna e =
16 cm da Tabela 31 e que correspondem, respectivamente, às di·
ferenças de temperatura 34° e 36 ºC.

201
CONSERVAÇÃO DOS ALIMENTOS

~ ~'" ca e o... Temperaturas


especifico § ::s E os!
.!!! ~e
recomendadas Duração
Natureza dos alimentos 1.!!
• '
!! 1 g fl ~ .. para conservação de máxima Observações
de
ntespepol~ .2 C> ~ ~ 3!1~ .g Curta 1 Longa estocagem
do dol'" :e 1-.. 811 :I!
~
duração duração
congelamento u ou varejo ou atacado
1 1---
A\:OU9U8
Peças de carne . . • • . . . . 0,8 0,4 55 90 A M 01+2" -12"/-18°
Carneiro (congelamento) , . . G -12° -18°/-20°
Carneiro fresco . . . . , , .. 0,87 82 B +2"/+3• 00/+2°
Boi (congelamento) , . . , . . G V -20º/-25º
~ Boi congelado (conservação) .
Boi - fresco . • • • • . . . . . 0,77 0,41 57
60/70
83
G
B
M
V
--5•
+2"/+4•
-5°/-7°
00/+2"
Boi - salgado . . . • . • . . . 70 E +4• 00/+1°
Cavalo • • . . . . . . . . • • 0,79 +2"/+4• +1•/+3°
Fígado fresco . . . . , • . . . 0,79 0,43 58 5 83 B +2"/+4º +00/+1°
Carne molda . . . ·. . . . . . F +4•/+8" +2"/+4•
Cabrito (congelamento) . . • . G -12" -12"/-18"
Cabrito fresco . . • . . • . . . 0,67 82 B +1°/+5° 00/+2"
Tripas congeladas • . • . . , e +7" +100/-12"
Tripas frescas . • . . . . . .• . 0,83 0,41 61 90 +1•/+2"
Vitela (congelamento) . , , . . -12" -12°/-18"
Vitela fresca . . . . . . . • .
Conserva de carne . • . . . .
0,7010,39 50 82
1~1 1 +2"/+4° +1°/+3•
+4º
1
1
Cirnara de carnes
Antecãmara: carne fresca , , · 1
Câmara para congelamento 1· 85/90 1
1M1 1 +7º/+ 8• 1
de carne . . . . • . . • . . 1 1 1M J -180/-20" 1

/.'
Câmara para conservação
de carne congelada • • 60/70 M -4"/-8•
Câmara para conservação
de carne fresca • • • • • 83 V fY'/+2"
Câmara para conservação
de carne salgada ••• , +ao/+ao

Ombro de porco congelado • • ,


Carne gorda • • • • • • • • •
, •
Salsicharia ·
0,55 ·0,30 i 20 · 80
. F
'e
--6º
-8°/-120
--6•/-9" li
Presunto congelado ••••• e -8• ~13°
Presunto fresco , • • • • , • 80 E +2°/+4° fY'/+1•
Presunto defumado •••••• 65 B +7•/+10° 001+4°
Presunto salgado ••••••• 82 e +2°/+4° ººf+4º
Toucinho fresco • • • • • • • • 80 E +~(+4• 00-1°
Toucinho defumado •••••• 70 B +7°/+100 +4•/+8°
Toucinho salgado • • • • • • • 0,55 0,31 17 85 G V +5"(+7• 00/+3°
Carne de porco (congelamento) M -12° -12"/-18"
e
1 11 Porco congelado (conservação)
Carne de porco fresca • • • , ,
Gordura .......... 0,60 0,30 31
0,55 0,31 17
60/70
82
80
e
V
+2º/+4°
+4"/+7°
-5•/-7•
00/+1°
º"J+3•
Salga (conservação) • • • • e M 00 +2°
Salslcha fresca • • • • • • • 80 E +2(+6° O"{+~
Salsicha defumada • • ... 70 +1° +100 00/+1°
Cama de CBt:B e aves
Carne de caça (congelamento) • 85/90 V -100/-15°
Carne de caça congelada
(conservação) • • • • • • • • 85 M -4•/--6•
Carne de caça fresca ....
Pombo • • • • • • • • • • • •
0,80 0,45 60
0,77 0,42 58 E
+2°/+4° 00[+2"
0°/-1° -1ºJ-2º
Frango • • • • • • • • • • • O, 79 0,42 59 F +1°/+4° -1° -2°
Aves (congelamento) • • • • 1 1 85/90 F V --6° -10°
Aves congeladas
(conservação) • • • • • • • • 85 V -4•/-6•
Aves preparadas • • • ', • • • O, 79 0,42 59 70 E M fY'/-1• -1°/-2°
Tabela33
~ ~I
Calor og Temperaturas
especffico .!! 8 '"e
e
.!! .....
:J-
·e IO CD
"ü ~
.§ ~
recomendadas
para conservação da
Duração
méxlma
~ 1-~og-i;,o 1 .2
Natureza dos alimentos .!!
& o
1 e,,
~E
ei e 1l.ii !li~ iS" Curta 1 Longa
de
Observações
D> :::i; estocagem
< e 1 ~ :e CD CD
1- ~ duração duração
congelamento ou varejo ou atacado
,-----:-,--· - -- ------·----
1
-----
Peixes
Antecâmara para peixes • . M 00/+4º
Câmara para congelamento
de peixes ao ar • • • • 95 V 1 .JY'/-22!'
!
1 Câmara para conservação

i
1· Câmara
...... .,,,.......
para peixe
salgado . . . . . . . .
1

1
1-100/-12"
-fl'/-100
Peixes e frutos do mar
'j Anchova •••• 75/85 M
M
00/-2" 1
Enguia • • • • • +3°/+4º alguns dias 1
1 Arenque fresco • 80 E V -fl'/-15
Arenque salgado 95 E M 00/-4° Conservação
1 em tonéis.
1 Lagosta cozida . 0,81 10,42 58 90 A +2"/+4º 00/+1° 3 semanas Em gelo pi·
cado.
Lagosta viva . 0,81 0,42 58 95/100 A M +ao/+4° alguns dias Câmara es-
cura.
Lagosta viva 10 ·e Água do mar
aerada e fil.
Irada.
Ostras na concha • • • . • • • 0,44 64 95/100 E M 00/+1º 00/+1º 10/15 dias
Lagostim cozido . 0,42 A +2"/+4º 00/+1º 3 semanas Em gelo pi·
r·81 581 90
cado •
Lagostim vivo . . • 0,81 0,42 58 ·95/100 A M +So/+4° alguns dias. Câmara es-
cura.
Peixe congelado -1°eten
dessous
Peixe fresco 0,82 0,43 61 90 B V 00/+1°
Peixe defumado . 85 E V -fl'/-80
Peixe salgado +2"/+4º
Peixe seco . . . 70/75 F V +2"/+4º
Peixe no gelo • . 0,82 0,43 61 90 B 00/+2" 00/+1°
Salmão congelado 80 -ao -100/-14º
Salmão fresco . . e -2"

Frutas
Abricõs (congelamento) 0,9210,46 68 E M -12" -18"
Abricõs frescos 0,92 e M 00/+2" 2/3 sem.
Ananás . D M
~
0,90 72 75 +100 00/+4° 3 semanas
Bananas ... 0,85 0,46 85 A M +11º/+22"
Café M +2"/-2" 2/3 meses
Papaia . . . . 0,90 80 e M +4º/+60 +1º/+2"
Ribes . . . . • . . . • 85/90 M 00/-1°
Cerejas (congelamento) 0,90 E M -12" -180
Cerejas frescas . . . 0,92 65 90 D M +4º 00/+1° 2/3 sem.
Castanhas . . . . . . 90 M +1º
Limão (curta duração) . 0,90 72 85 B M +100 +6º 8 dias Uma câmara
com cítricos
não deve re-
ceber outras
Limão
Marmelo
0,90 72 85
85
e M
M
00/+2"
00
2 meses
3 meses
1 frutas.
Tâmara • . . 0,36 0,26 16 85/90 D M +12" +6º/+ao 2 meses
Figos frescos 0,90 85 D M +6"/+So 00/-1° 1 mês
Figos secos . . • • . . M +2•/-2" 2/3 meses
Morango (congelamento) F M -12" -1S°
Tabela33
1

~i os Temperaturas
especlf.lco ~
....
"'e s recomendadas Duração

il
•••. 1
Natureza dos alimentos co .!! âi ~.;; i~ para conservação de máxima Observações
J!!ol 8.º-;:: !!e .5 o de
g .... i>"'
'
C"Cll CD"Cll oCJO
Curta 1 Longa estocagem
< e ~1 :E duração 1 duração 1

rngelamen - __: 1- ~
ou varejo ! ou atacado
-- l 1
1 Frutas (segue)
Morangos frescos . . . . • B M +4°/+6• 00+1° 8/10 dias
Framboeses (congelamento) F M -100 -18°
Framboesas frescas • . 0,90 B M o• 1 semana
Frutas em engradados . e M +4•+/6" +2°/+4• 1
Frutas em conservas M +4•
Frutas secas 0,47 0,32 24 F M +4•/+6° +2•/+4• 2/3 meses
Groselhas frescas • • 0,90 90 E M o• 6/8 dias
Tangerinas ..... M 00/+2" 2 meses A cimara
não deve re-
1 ceber outras:
Melão .......
Nozes e avelãs • . .
0,92 0,47 64 85/90 E M +4•/+6 00/+2° frutas. 1
M +2º/+4º 2 meses
Azeitona ......
Laranja (antecimara) 0,92
M o 2 meses Uma cimara
.com cltrlcos 1
G M +10°
não deve re- ;
Laranja (conservação) 0,92 68 e M +2°/+4° 0°/-1-2° 2 meses ceber outras!
frutas.
Pêssegos (congelamento) E M -12° -18°
Pêssegos frescos 0,92 0,47 72 80 e M +100 00/+2° 1 mês
Pêras .•• 0,92 0,45 66 82 B M +4• +2• 2/4 meses
Maçãs .•• 0,92 66 80/85 G M +4• 00/+1° 6 meses
Ameixa seca 0,88 64 80 e M +4• o• 2 meses
Ameixa • . . 0,91 66,5 85 e M +4•/+6° 00/+2"
Uvas frescas •
Uvas passas
Ruibarbo •••
Tomate maduro

. 92 1
. 0,90
82
123
. 0,92 0,48 75
85190 F M
1 90
80 1 C
75
B 1M

Legumes
E
+4º 70 1+4º/+6"
M 1+4•/+
M
0•/+4º
0°/+1°
+1°1+100 +1°/+4º
r 2/3 meses

Alcachofra 0.9010,48167 82 B +6"/+So +1º/+ao 3 meses


Aspargo 0,92 0,48 80 e M 00/+2" 1 mês
Beringela • 0,90 75 D +6º/+100 00/+2" 3 meses
Cenoura 0,86 0,45 80 e +4°/+6º +1º/+3º 2/3 meses
Cogumelos' f;e~s· 0,90 0,47 72 90 e M +6•/+So +1º/+2" 8/10 dias
Couve
Chucrute
.. 0,92 0,48
0,91 0,46
85/90 e M
60 e
+6"/+So
+20/+ao
00/+2"
+1•/+ao
4/6 meses
Couve-flor 0,90 80/85 e M +4°/+7º 00/-"1º 3/4 meses
Almeirão 0,90 80 e +7"/+100 +1º 3/4 sem. 1 Em câmara.
Espinafre • 0,92 80 e +6•/+8° 0•1+1• · 2/3 sem. obs.
Feijão seco • • • • 0,30 0,24 65 G +4•/+7° +4º
N 11 Feijão verde • • • • 0,88 85 B +4•/+7" 00/+2" 2/3 sem.
S:I Alface (antecâmara) • 0,90 80 e +4º
Alface (conservação) 0,90 85/90 e +6°/+So 00/+1° 2/3 sem.
lentilhas secas • 00/+2"
Legumes diversos 0,90 85 A + 8 + 10• +2°/+4°
Nabo . . . . 0,90 80 e 00/+1° 1 3 meses
Cebola • . • • • 0,90 0,46 70 e V +2"/+3• 0°/+1º 6/8 meses
Pastinaca • • • •
Batata doce • • •
0,85 - - 80
0,75 0,41 55 70 F
e 00/+2" 00/+2º
+12º/+15° +10º/+13°
Salsa • • • • • • • • - - - - - 0°/+1º 2 meses
Salsa (congelamento) - - -- 80 e -18° 1 ano
Pimenta verde
Ervilhas na vagem
- -
0,88 0,42 56,6 85/90
+4°/+6° +1º
00/+ 1°
1 mês
1/3 sem.
Ervilhas verdes 0,85 0,43 59 80 e +4•/+6" 00/ +1º 2/3 sem.
Batatas • • • •
Rabanete •••
Verduras •••
0,85 0,42 69
0,90
0,90
-- -- 80
85/90
D
e
e
M +4º/+6º
M +4°/+ 7º
+6º/+8"
I
+ao/+5º
00/+1°
00/+1• 1 2/3 sem.
Batata-carvalha 00/+ 1° 4/5 meses
Tabela33
Gs~~~l;c~ ~ 1 .g 1!il ~ g 1· ~':~~~~~~~~ Duração
Natureza dos alimentos " ' - , .!!! ~ ~ ~ ~ f6 ~ m para conservação de mâxima Observações
!! o
e""
8.
~ 1 Cl o , ... u ·-o
o
CD -o .e, -o ~ ~""
o Curta 1 Longa
de
. estocagem
1
< e 1~ :e 1 i g: 1::;
1 duração duração ~
congelamento - 1- ~ ou varejo ou atacado 1 1
---------1---1-,--.------ 1------
0vos
Ovos .(congelamento) • • • . .1 O, 76 10,40 1 56 GIM -200 O congela·
mento exige
Ovos congelados (conservação) 0,40 G M -{)º/~ 36 h.
Ovos frescos 1
(antecâmara) 0,76 75/85 A M +11"/+So

~
Ovos frescos
(conservação) • • • 0,76 7%851~1M +2"/+4º 00/+1º \ 618 meses
()O
Ovos em pó. ou secos
Laticlnios
Manteiga (curto 1 V
período) • 0,5510,35115 74 e +li"/+&º +2"/+4º 2/3 sem.
Manteiga (longo V
período) •••••••. 0,55,0,35 15 80 D --w-100 618 meses
Manteiga {local de trabalho) +12"/+150
Coalhada magra • 0,82 M l-3°/+l!O l-110/-13°
Creme (cãmada de
maturação) +12"/+14°
Creme (curto
período) : 10,90,0,381" 47 1+4º/+8º +1°/-1º
Creme (longo
período)
Creme gelado
• . 1º·90,0,38 47 :1 +1º/-1°
(conservação) .1 -15"
Laticínios (segue)
Creme gelado • • • • • -15"
.....,,_1()0
Creme gelado
endurecimento ~/-e!P -25"/-30"
Queijo (câmara) • : : : 80/85 +5"/+8"
Queijo (conservação
- pasta mole) • • . 0,65 80/85 M +2"/+4º
Queijo Chester • • . 0,65 80/90 M +1f1'/+12"
Queijo fresco 0,90 90 M +2"/+4º
(leite desnatado)
Queijo fresco (leite 0,90 90 M
..
não desnatado)
Queijo Gruyêre •
Queijo Roquefort
... 0,65
0,65
80/90
80/85
M
M
+So/+12"
fY"/+1º fY"/+1º
+4º/+6"
Leite em garrafas M +2"/+6"
Leite (câmara) • 0,94 0,47 70,5 M +4º/+6" fY"/+2"
Leite em pó ••• G -1º
ã Margarina ... 0,75 0,35 3 M -1º/--fP
Padaria e Pastelaria
Manteiga •••
Chocolate
Creme gelado •
0,5510,351151 75 lglv 1+15"/+18"
+6"/+8" 1
Ver laticínios.
Farinhas 0,26 0,38 G '+4°/+8°
Levedura, fermento D +70/+100 +4°/+70
Mel • • • • • • • • 0,34 0,25 14 +70/+100 +70/+100
Pão (conservação) 0,60 0,43 27 ao A +8"/+1()0
Pão (retardo do
envelhecimento) • -200
Patê ....... +8"/+100
Produtos finos de padaria
e pastelaria +8"/+8" -18"/-2()0
Gordura 0,55 0,3 50 e +4°/+70 00/+1*'
Açúcar•• : : : : : : : : 1 +2"/+5"
Tabela33
--
Natureza dos alimentos r·-00. Calor

I"' · ~ =·· -
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Tamperaturas

para conservação de
Curta
duração
ou varejo 1
Longa .
duração
ou atacado
·
Duração
méxima
de
estocagem
Observações ·

1
Confeitaria

+1:~;18º
Clmara para conservação 1
do chocolate • • • • • • • •
Cimara para embalagam 1: 1: 1 I +100/+1501
do chocolate • • • • • • • • 1 1 1 70 1
Bebidas - Cerveja- Lfquidos- Vinhos
...
~
CI
Cervejas em tonéis • • • • • • 1 0,901
Carveja am embalagem •••• J 0,90
1
1 85
1 1
M
M
+6•/+eo
+6"/+ 70
Adega de cerveja. Fermentação 1
baixa principal • • • • • • • 1 0,90 1 i 1 1
V +3°/+6°
Adega de cerveja. Fermentação '
baixa secundérla • • • • • • 1 0,90 1 1 90 M +1º/+2"
1
Adega de cerveja. Fennent. alta 0,90 1 M +So/+11"
Sidra • • • • • • . • • • • • • 1
1
1
1
+7"/+100 00/+1°
Suco de uva • • • • • ·1 1 110 i
1 75
M 00/+1º
Lôpulo • • • • • • • • M 00/-2"
Levedura baixa (mie) • i 1 +2"/+4º
Levedura alta • • • • V +12"/+16°
Malte • • • • • • • • 85 1 M +9"/+100
Xarope de fruta • • • • • • 1 1 +7"
Vinho (Bordõ, Borgonha)- • 0,90 +14°
Vinhos (Champagne) • 0,90 +4°/+6°
Vinho pesado • • • • • • • 0,90 +18"
Vinho (Mosela e Reno) • • 0,90 1 1 +ao
flores
Bulbos 85/90 +2" +2"/-S•
Folhagens 85/90 -1º/-'l" 416 meses
Flores cortadas 95/80 A M +ao/+100 +1•/+3" 15/25 dias
Llrlo (rizomas) • -3º/-8" 619 meses
Hortêncla • • • • • 90 -2"/-3"
Roseiras em vasos 90 e -1º/-3"
Diversos
Café verde 80 e +2"
Câmara frigorífica
para restaurante +3º/+5°
Charutos ........
Casulos de bichos da seda
A M +2•/-j-4°
vivos ..........
Peles (conservação) • • • • 40/60 F
00/+4º
+2"/-2"
Peles (destruição de larvas
e insetos) • • • • • • • • -8º -8"/-12"
....
N Gelo alimentar ...... : 1,00 0,50 80
G
-'l"/-4º -2"/-Sº
+2"/+5"
.... Lês • , • · • • • • • • • • •
Necrotério (congelamento) • -200
Necrotério (conservação) -5"
Rlngues de patinação -5"
Peleterlas +1•/+2"
Peças anatõmicas • • 0°/-5°
Salas de patinação • +15"
Tabacos ......
Vacinas e soros •••
D +7º/+15°
+2"/+5º
00/+5°
-------·--
A umidade relativa é dada em porcentagens. Assim, 75/85 indica a faixa de 75% a 85%.
Tendência ao ressecamento: dada uma escala de "A" a "G", "A" indica a tendência mais
forte ao ressecamento, e "G" a mais fraca.
Movimento do ar: "A" indica um movimento de ar moderado e "V" um movimento de ar
for-te.
(Dados de documentação da "Frigidaire" e "1.1.F.")
Tabela33
Pesos mddios das carnes de açougue:

Boi •••••.•..••••••••....• 350 a400 kg


Vaca ••.••••.•••••.••...•• 280a 300 kg
Quarto de boi • • • • • . • • • • . • • . , , 80 kg
Quarto de vaca . • • . • • • • • . • . • • • · 60 kg
Porco . . . . • • • . . • • • • • . • . . • • 80 a 120 kg
Bezerro ...••••. , .•..•.••.• 45a 60kg
Carneiro . • . . . • • . , , .. , . . • . . , 25a 35kg

Tabela 34
Estes pesos sio aproximadamente metade do peso do animal vivo.

Orçamento Tipo
Orçamento estabelecido: (Nome e endereço do instalador).
Para a conta de ( do cliente).
Em . . . . . . . . . . (lugar e datal.

Condições de estabelecimento do projeto


Objetivo da proposta: (câmara fria, armários, baleio, móvel es·
peciall.
Utilização da instalaçio (armazenagem, congelamento, trata·
mentol.
Natureza dos gêneros armazenados . . . . . . • . • , , , , . . . . .
Quantidade máxima de gêneros ou produtos armazenados ...•
Introdução diária de mercadorias . . . . . . . . . , . . . • em kg.
Introdução semanal . . . . . . • . . . . . . . . . . • . , . em kg.
Carga máxima simultânea . . • • . • . . • , . , . , . , . . em kg.
Temperatura interna em regime especial·. . . . . . . . . . indicar
a diferença (praticamente 2 ºCI.
Temperatura mxima das mercadorias quando de sua introduçio •
Temperatura mddia do ambiente (do mês mais quente):
ai no local do grupo;
b) no local de utilização.
Temperatura da água de condensação (do mês mais quente).

Especificação
A. Construç6o do isolamento (se houver). - Dimensões externas
totais do espaço ocupado pela construção.
Largura . . . . . . Profundidade . . • • . . Altura , ••• , , •

212
Dimensões internas
Largura •....• Profundidade . . . . . • Altura . . . . . . .
Volume interno total .•..•••• Volume útil . . . . . . . . .
Isolante: Natureza . Qualidade . Número e espessura das cama·
das • . . . . . • . . . • . • . • . • .
Assentamento (em juntas opostas se houver várias camadas)
Revestimentos: Interno e externo (se houver). Natureza ...
Espessura . . . . . . . . . .
Portas e postigos: Número ... Dimensões .•• Natureza
Isolante • . . • . . . . . .
Acabamento interno: Descrição (especificar a proteçio anti·
ferrugem, se houver).

B. Equipamento frigorífico. - Grupo compressor. Natureza do


fluido (em linguagem clara).
Compressor: (tipo . . . . . . Número de cilindros).
Velocidade em rotações por minuto nas condições de utilização.
Condensador • • • . • • • • • • • • • • Ar ou água.
Motor eltltrico. Natureza da corrente . . . (tensâ'o, freqüência).
PotlJncia nominal . . . • • . . kW. . . . . . . a r.p.m . . . . . . .
Acessórios solidtlrios ao grupo (enumerá-los).
Potência frigorífica: no regime de utilizaçã'o.
No regime nominal (- 10 ºC na evaporaçio, + 30 ºC na conden·
saçio).
Evaporador (Descrição).
Produtor de gelo. (Se houver) quantidade por ciclo . . • . . . . .
Número de ciclos por 24 horas . . . . . . . . . . . . . .
Dispositivos de regulagem. Válvulas de expansio (automáticas,
tesmostáticas).
Especificar os outros dispositivos.
Ficam a cargo do cliente:
a) As ligações de entrada e de saída de água, do descongela·
mento, da lavagem.
b) A proximidade de fiaçio elétrica dos aparelhos, salvo indi·
caçio contrária.
c) Os acessórios e motores de manutenção necessários.
Em casos de fornecimento, pelo cliente, de armários e câmaras,
é preciso que ele indique as especificações destes móveis e câmaras.
213
Terminologia específica para o balanço
Capacidade útil de uma climara fria. - Volume interno do espaço
calorifugado, deduzindo o frigorífico, revestimento e outros acessó-
rios.
Este volume é definido pelas três dimensões seguintes:
Altura: Distância entre o piso e o teto.
Largura: Distância entre as paredes verticais perpendiculares
à fachada.
Profundidade: Distância entre a placa interior da porta fechada
e o fundo da câmara.
Volume útil - e e
diferente da capacidade útil. o espaço reser-
vado exclusivamente aos produtos. Define-se multiplicando a su-
perfície na qual se podem dispor os produtos pela altura de estoca-
gem.
Carga di4ria. Peso dos gêneros introduzidos regularmente em
cada dia na câmara fria. (Tolerância 20%.)
Se as entradas ao longo da semana forem irregulares, a carga
diária média será calculada da seguinte maneira:
a) Se a carga ocorrer só em um dia por semana, dividir-se-á
esta carga total por 2;
b) Se a entrada dos gêneros se fizer só dois dias por semana,
dividir-se-á a carga total por 3;
c) Se a entrada dos gêneros for em 3 ou 4 dias por semana, e
o peso total de duas entradas sucessivas ultrapassar a metade da
carga semanal, dividir-se-á a carga semanal por 4;
d) Se a entrada dos gêneros for em 4 dias por semana, e o peso
total de duas entradas sucessivas for inferior à metade da carga
semanal, dividir-se-á esta carga por 6.
Carga mllxima - e o peso máximo de gêneros que se podem
colocar no volume útil de um refrigerador. A carga máxima é função
da densidade da carga por metro cúbico de volume útil ou por metro
quadrado de superfície útil.
Refrigeraçio - Aplicação do frio para baixar a temperatura dos
produtos ou gêneros acima do limite de congelamento e em condi·
ções higrométricas apropriadas.
Congelamento - Aplicação do frio para baixar a temperatura
dos produtos ou gêneros abaixo do pontada solidificação por mu-
dança de estado. Na generalidade: abaixamento da temperatura até
um ponto inferior a O ºC.
214
Sobrecongelamento - Congelamento rápido de produtos frescos
por intermédio de dispositivos congeladores, que podem ser: de
contato: produtos a congelar prensados entre placas frias; de
imersão: produtos imersos num banho líquido incongelável; de ven-
tilação: produtos congelados em um túnel percorrido por uma vio-
lenta corrente de ar de 4 a 5 m/s a - 35· 0 c; de fluidização: os pro-
dutos estlio em suspensão, sem se tocarem, no meio de uma corrente
de ar muito violenta.
Temperatura interior de uma câmara fria (6 mi - i; a média arit-
mética dos seguintes quatro valores, medidos em regime de funcio-
namento da instalaçlio:
6p0 : temperatura máxima existente a 0,30 m do teto no fim de
um período de parada do compressor.
IJsa: temperatura máxima existente a 0,30 m do piso no fim de
um período de parada do compressor.,
6Pm: temperatura mínima existente a 0,30 m do teto no fim de
um período de funcionamento do compressor.
6 8 m: temperatura mínima existente a 0,30 m do piso no fim de
um período de funcionamento do compressor.
Temperatura mtJdia de evaporação - Para se obter esta tempe-
ratura, procede-se como segue. Medem-se as temperaturas do fluido
refrigerante à entrada do evaporador:
19 no fim do per lodo de paragem do compressor 6 1 ;
29 no fim do per iodo de funcionamento do compressor 6 2 ,
e determina-se uma primeira média aritmética que é a temperatura
média ao nfvel da válvula de expansão 63 •
Simultaneamente, medem-se as temperaturas do fluido refrige-
rante à salda do evaporador próximo do bulbo termostático da vál-
vula de expansão:
19 no fim do per iodo de paregem do compressor 6 4 ;
29 no fim do período de funcionamento do compressor 6 5 , e
determina-se uma segunda média aritmética que é a temperatura
média ao nfvel do bulbo 66 •
A média aritmética de 63 e de 66 é a temperatura média de eva-
poração.
Sobrecongelamento
O congelamento rápido dos gêneros consiste em submetê-los à
açlio de um frio de baixa temperatura, de modo a provocar rapida-
mente a cristalização da água do gênero, e diminuir a temperatura
até um valor suficientemente baixo para que a proporçlio da água

215
não gelada seja muito pequena; em geral, a temperatura utilizada é
da ordem de - 18 ºC a - 20 ºC.
Este processo é chamado, na França: Surgélation; nos Estados
Unidos: "Ouick Freezing", isto é, congelamento vivo; e na Alema·
nha: "Tiefkuhl" (frio profundo).
Os gêneros sobrecongelados obedecem a um conjunto de condi·
ções que podem ser resumidas como segue:
Produtos em muito bom estado de frescura e de higiene.
Prazo antes do congelamento tão reduzido quanto possível.
- Congelamento rápido até -18 ºC.
- Estocagem e distribuição a uma temperatura não superior a
-18 ºC.
- Venda dos gêneros ao consumidor no estado congelado.
Os processos do congelamento rápido são baseados nos seguintes
princípios:
Túnel de congelamento: este processo, que consiste em dispor
o gênero em uma corrente de ar mantida a cerca de - 40 a - 55 ºC
e com uma velocidade da ordem de 3 m/s, é o mais utilizado para
tratar certas espécies de gêneros, notadamente carnes em carcaça.
Congelamento por contato: esta técnica é baseada em dois tipos
de aparelhos: os congeladores de placas horizontais e os de placas
verticais. Os primeiros são essencialmente reservados ao congela-
mento de embalagens paralelepipédicas de gêneros tais como filés
de peixe ..A vantagem principal é de assegurar o congelamento rá-
pido em embalagens de forma muito regular.
Os congeladores de placas verticais são, geralmente, utilizados
em barcos de pesca para o congelamento a bordo de peixes inteiros
ou em filés, assim como na indústria para tratar produtos vegetais
tendo em vista a sua transformação posterior: congelamento de pol-
pas de frutas destinadas à doçaria.
Congelamento em leito fluidizado: esta técnica é relativamente
recente, e consiste em colocar produtos de pequenas dimensões, ta:s
como ervilhas, feijões, pequenos frutos, etc., em uma corrente
ascendente de ar frio, com uma velocidade suficiente para provocar
a elevação destes produtos. Cada um deles é submetido individual-
mente à corrente de ar frio, o que permite obter coeficientes muito
bons de transferência de calor superficial. Esta técnica é utilizada
exclusivamente para os produtos de pequenas dimensões.
Recentemente, foi inventado, por um industrial francês, um con-
gelador de leito fluidizado denso. O produto nio é elevado pela
corrente de ar ascendente, mas por uma poeira agitada por corrente
216
de ar. A presença da poeira permite aumentar consideravelmente a
transferência de calor. Este sistema aproxima-se do processo de con-
gelamento por imersão em 1íquido frio, evitando totalmente a trans-
missão de sabor anormal (tal como o sabor salgado)~ e se se esco-
lher convenientemente a natureza da poeira que constitui o leito
flu idizado.
Congelamento por imersão: esta técnica antiga consiste em in-
troduzir o produto a congelar em uma salmoura de cloreto de só-
dio com uma concentração próxima da concentração eutética. O
banho está a uma temperatura de cerca de - 20 ºC. Este processo
é praticamente exclusivo do congelamento de peixe.
O inconveniente do processo é que o produto, assim congelado,
adquire um paladar salgado mais ou menos acentuado. Uma variante
consiste em imergir os produtos embalados de maneira vedada em
um banho de água e glicol.
Por este processo, podem-se manter temperaturas mais baixas
que as do banho de salmoura de cloreto de sódio; pelo contrário,
é preciso que as embalagens sejam rigorosamente vedadas, para evi-
tar que o produto entre em contato com a solução de glicol.
Congelamento por fluido criogênico e por.fluido refrigerante: po-
de-se proceder ao congelamento dos gêneros colocando-os em um
fluxo de nitrogênio evaporado a partir de nitrogênio líquido.
A evaporação do nitrogênio ocorre a - 196 ºC.
Esta técnica, apesar de eficaz, apresenta o inconveniente de ser
muito cara. Uma variante do processo consiste em colocar o gênero
em um fluxo de C0 2 expandido, que produz gás e neve carbônica
a cerca de - SOºC.
O processo mais recente consiste na imersão ou aspersão do pro-
duto por um fluido frigorífico halogenado: o R 12.
A sua temperatura de ebulição, à pressão atmosféricas, é de
-30°C.
Duração do congelamento
Depende de muitos e variados fatores, tais como o calor espec{fi-
co e o calor latente de congelamento dos gêneros, da sua forma, das
suas dimensões, de seu coeficiente de condutividade, da natureza
da embalagem, do coeficiente de transmissão superficial do produto,
da sua colocação no congelador, da temperatura à qual são submeti·
dos, do processo utilizado, etc.
O professor Plank estabeleceu uma fórmula que permite calcular
o tempo de congelamento de um produto, tendo em consideração
os fatores que influenciam a velocidade de congelamento.
217
A fórmula é a seguinte:
t =t.h X p
M
Nesta fórmula:
ô.h: é a quantidade de calor a extrair do produto, entre a tempera·
tura de início de congelamento e a temperatura final, em Kcal/kg.
p : peso específico em kg/m 3 •
t:..8: diferença de temperatura entre a de congelamento e a do meio
de refrigeraçâ'o em ºC ou ºK.
D: espessura do produto a congelar em metros.
>.: coeficiente de condutividade térmica do produto em kcal/h m ºC
a : coeficiente superficial de troca entre o meio e a superflcie do
produto (tendo em conta a embalagem, se houver), em kcal/h m 2 °C.
N: é um coeficiente que depende da forma do produto a congelar
(N = 2 para uma placa, 4 para um cilindro, 6 para uma esfera).
Nesta fórmula, t é expresso em horas.
O valor de a depende das condições em que o produto será con-
*
gelado. No ar e sem embalagem, pode-se admitir a 20 kcal/h m 2 °C
e, nos casos de congelamento por contato, por imersão ou por leito
fluidizado, a atinge cerca de 200 kcal/h m 2 °C.
O valor de >.depende da natureza do produto a congelar.
No que concerne às carnes, certos especialistas admitem como
satisfatória, para congelamento em ar neutro de quartos de carne
depois de ressudados, a relaç40 seguinte:
Duração do congelamento _ 2 vezes a espessura da peça a congelar
(em dias) - temperatu_ra do congelador ·
Considera-se como espessura da peça a congelar, a espessura má-
xima, em centímetros, do quarto de carne submetido ã penetraçâ'o
do frio. Desta maneira, um quarto de boi ressudado com cerca de
35 cm de espessura, introduzido a+ 20 ºC no congelador, cuja tem-
peratura média é de -30 ºC, necessita, para ser totalmente conge-
2 X 35
lado, de~ = 2,33 dias, isto é, 2,33 X 24 = 56 horas.

Se a carne for pré-fabricada até cerca de O ºCantes de ser intro-


duzida no congelador, multiplica-se a espessura da peça apenas por
1,5.
Se o congelamento for em túnel, em uma corrente de ar ativa
(p.ex., 4 m/s), divide-se pela raiz quadrada desta velocidade.

218
Um quarto de boi com cerca de 35 cm de espessura, resfriado
a O ºC e introduzido em um túnel de congelamento, cuja tempe-
ratura do ar insuflado é de - 30 ºC com a velocidade de 4 m/s
·1,5X35
exige, para ser congelado, = 0,87 dias, ou seja, 21 horas.
30 X 2

Vantagem do congelamento répido


O antigo método de congelamento era aplicado quase exclusi-
vamente às carnes. Consistia em submeter estes gêneros a uma tem-
peratura de - 12 ºC durante 2, 3 ou 4 dias, conforme o volume das
peças a congelar, mas os resultados nem sempre eram satisfatórios
porque este congelamento lento desorganizava os tecidos. Com este
novo método tratam-se em condições perfeitas não só as carnes, mas
também os frutos, legumes, peixes e pratos já cozidos.
No que concerne à carne, quanto mais rápido for o congelamen-
to, menor será quantidade de água que sairá das células, e menores
serão os cristais de gelo que se formarão no exterior das células. A
desorganização dos tecidos é, portanto, menor do que no congela-
mento lento. Por este fato, obtém-se menos amolecimento e uma
exsudação m(nima no descongelamento.
Para todos os produtos, em geral, o congelamento rápido con-
serva as qualidades iniciais: aparência, paladar, odor, vitaminas e
valor nutritivo.

Utilização dos produtos congelados


Após o congelamento, os produtos destinados a serem vendidos
são armazenados em câmaras ou conservadores à temperatura de
-18 ºC.
Quando são retirados destes conservadores, os produtos perdem
rapidamente as suas qualidades, pelo que, se mro houver um refri-
gerador, devem ser imediatamente utilizados.
Os legumes devem ser imersos em água fervente, mas ficam co-
zidos mais rapidamente do que se fossem frescos.
Para as carnes, aves de caça e peixes, se não se dispuser de uma
geladeira que assegure o descongelamento lento em boas condições,
é preferível cozinhá-los sem descongelar, como se faz com os pratos
já cozidos.
Para os frutos que se consomem crus, é necessário fazer o seu
descongelamento com precaução e em local fresco, no caso de não

219
se possuir uma geladeira. i: recomendável mantê-los envolvidos em
papel celofane para evitar a condensação sobre os frutos frios e a
ação oxidante do ar. Devem ser consumidos logo após o desconge-
lamento.
O preço dos produtos congelados ou sobrecongelados é mais
elevado do que o dos frescos. Este fato é devido à qualidade dos
produtos, à grande despesa exigida pelo congelamento, à conserva-
ção (as frigorias a baixas temperaturas são muito caras) e ao trans-
porte que deve ser feito a baixa temperatura (- 18 ºC).
No entanto, se se tiver em conta o valor alimentar destes produ·
tos que são utilizados na sua totalidade, o tempo economizado na
sua preparação e o fato de que alguns deles podem ser consumidos
frescos fora da sua época, podemos concluir que, no futuro, haverá
ainda um maior desenvolvimento do sobrecongelamento.

Conservação dos gêneros


Para satisfazer o consumo diário, é obrigatório armazenar os gê-
neros em uma quantidade tal que permita ter sempre uma boa
reserva, e isto com um prejuízo mínimo da quantidade e qualidade.
Um gênero, como por exemplo a carne para ser conservada, deve
ser colocado em um ambiente entre O ºC e + 4 ºC.
Ora, esta temperatura só é natural em carca de 20 dias por ano.
i:, portanto, inevitável a produção de frio.
Este frio é produzido em depósitos e em certos transportes es-
peciais (navios, vagões, caminhões frigoríficos).
Distinguem-se três tipos de produtos alimentares:
19 As matérias hidrocarbonadas (glucídios), amido e açúcar.
29 As matérias gordas (protldios) como as carnes, peixes e ovos.
Neles se encontra a energia calorífica, vitaminas, hormônios e
enzimas, respeitados pelo frio, mas não pela esterilização.
O valor nutritivo de um gênero é expresso pelos nutricionistas
em quilocalorias.

Vitaminas
São substâncias químicas cuja função é importante no mecanis·
mo da nutrição.
19 Vitamina A - Encontra-se nas gorduras animais e vegetais.
i: a vitamina do crescimento.
29 Vitamina B - Encontra-se no pão, nas farinhas, nas massas,
na gema de ovo e nos miolos.. i: a vitamina antinevrítica.
220
39 Vitamina C - Encontra-se nos legumes frescos. i: a vitamina
antiescorbútica.
49 Vitamina D - Encontra-se no fígado dos peixes, nos ovos e
na manteiga. E: a vitamina anti-raquitismo, muito importante para
as crianças. E: mais comum nos órgãos vegetais do que nos animais.
E: destruída a + 60 ºC, mas é respeitada pelo frio.
Hormônios
São substâncias elaboradas pelas glândulas de secreção interna.
Ex.: o fígado segrega um hormônio para a formaç6o de glóbulos ver-
melhos. Os hormônios resistem igualmente ao frio.
Enzimas
Permitem a assimilação dos alimentos. São biocatalizadores, isto
é, produtos que facilitam apenas as reações químicas. (A sua quanti-
dade, no início e no fim das reações, é igual.) São destruídas entre
60 ºe e 90 ºe, mas resitem ao frio.
Utilização do frio artificial
O frio artificial tem numerosas aplicações nas indústrias de
cerveja, laticínios, queijaria, indústrias químicas, criação de bichos
da seda, indústrias de peles, no tratamento de vacinas, nas indústrias
de trabalhos públicos, construção de túneis, etc.
Regras para a boa produção do frio
O frio não melhora os gêneros, conserva-os no estado em que
estão, quando colocados em uma geladeira ou câmara frigorífica. E:,
portanto, necessário armazenar os gêneros em bom estado.
A câmara frigorífica de conservação deve estar a uma temperatu-
ra e a uma umidade relativa ótimas.
Estas condições variam com o produto e com a duração da con-
servação.

CLIMATIZAÇÃO

A climatização de um recinto consiste em modificar e manter


constantes a temperatura do ar, a sua umidade e o seu movimento
de circulação, em função (ou apesar) das variações das condições
do ar externo.
Convém distinguir:
19 A climatização industrial.
29 A climatização de conforto para os locais de habitação.
221
A climatizaçio industrial deve, sobretudo, responder às exigên~
cias de operação (produçio, manipulaçio, conservaçio) de produtos
diversos, para as quais sio indispensáveis certas condições de tempe-
ratura e de umidade relativa bem determinadas.
Cit8mos,-por exemplo:
Fabricaçlo: Produtos laboratoriais (vacinas).
Mecanismos de alta precisio.
Elaboração de constituintes pare a eletrônica.
Fotografia.
Tipografia Uitografia, fotograwra, estereotipia).
Certas massas alimentícias.
Manutençlo: Embalagem de chOCÕlates e confeitaria.
Conssrvaçla: Produtos químicos.
Livros de bibliotecas.
Gêneros alimentícios, chocolate, salame, etc.
A climatizaçio de conforto pare os locais habitados tem por
objetivo tomar confortável, mantendo a higiene, a atmosfera dos lo-
cais de habitaçio, lojas, salas de espetáculo, restaurantes, locais
de trabalho, etc. Este conforto é obtido pela combinaçio correta
entre a temperatura do ar do local, a sua umidade relativa e o seu
deslocamento.
Pode-se limitar a zona de conforto que vai desde 30 ºC com 35%
de umidade relativa, até 20 ºC com 70% de umidade relativa. i:
entre 25 ºC - 40% de umidade relativa e 24 ºC - e 60% de umidade

4Õ"1""-+--t--t--1----lt---t--+--+---t--+-

cP i~::::::::::=11===
!!
~ ···----+--
:::J 2.õ°-1--J---4--4--+----1-"'=
G>

~
e.
E
~ ~oº+-....1---+-+--+---t--+-+----1---t--+-
Zona de
conforto
oº+-~i---+~-+-~+---t~-+-~+-~i---1!~-+-i....
o 10 20 30 40 50 60 70 8o 90 100
Umidade relativa em %
Velocidade de circulaçio do ar: 6 a 8 mm/min,
Fig. 86- Zona de conforto em função da temperatura e da umidade
relativa.
222
relativa que a maioria das pessoas sentirá a atmosfera ideal, sendo
a velocidade do ar inferior a 0,15 m/s (Fig. 86).
Seja qual for o tipo de climatizaçâ'o, o equilíbrio térmico deve
ser estabelecido tendo em conta os seguintes fatores:
Calor penetrando pelas pllrfldes do local.
Esta penetração varia bastante com a espessura das paredes, a
natureza dos materiais, a orientação da exposição das paredes em
relação aos pontos cardeais, o seu tempo de exposição ao sol, a
quantidade de superfícies envidraçadas, etc. Cada parede é calcula-
da separadamente em função destas condições. O piso e o teto de-
vem igualmente ser considerados.
Números de renovações por hora do ar no local.
A este ponto convém somar as entradas de ar acidentais (infil·
trações, abertura de portas) tendo em consideração as condições
de temperatura e de umidade deste ar vindo do exterior.
Estas renovações são necessárias para combater a ação dos gases
nocivos desprendidos por uma fonte industrial ou gás carbônico,
rujo desprendimento é conseqüência da presença de pessoas no
local. i: necessário cerca de 25 a 30 m 3 por pessoa e por hora.
Calor sensfvel e latente.
i: emitido pelas pessoas que ocupam o local. Consideram-5e 55
kcal/h para uma pessoa em repouso e 120 a 160 kcal/h para uma
pessoa em atividade.
Calor emitido tamMm pela iluminação ou aparelhos eltltricos.
Ventiladores, mesas quentes, chaleiras, etc., durante o seu fun·
cionamento, e qualquer outra fonte de calor sensível interna.
Fumar ou outras circunstâncias que necessitem de uma ventila-
ção especial.
i: preciso considerar as condições externas do ar: temperatura
e umidade relativa e as condições a obter no local.
A instalação de um condicionamento de grande volume implica:
- um dispositivo de grelhas ou registro (de aletas reguláveis)
que permite a aspiração e a mistura do ar novo (renovação) e do ar
aspirado. Assegura igualmente a difusão da mistura no local, à
velocidades e nas direções convenientes;
- um filtro eficaz sobre o qual se depositam as impurezas só-
lidas ou líquidas em suspensão no ar em movimento. A superfície
deste filtro deve ser suficientemente grande para evitar uma colma-
tagem rápida;
- um evaporador (bateria fria), geralmente constituído por dois
elementos em tubo de cobre com aletas, alimentados em paralelo,
sobre o qual o ar é esfriado e perde a sua umidade;

223
- uma bateria de aquecimento, cujo objetivo é transmitir ao
ar frio, e praticamente saturado, depois de ter passado no evapora-
dor, o calor necessário para atingir simultaneamente a temperatura
e a umidade relativa desejadas no local. Este aquecimento pode ser
feito eletricamente, por água quente ou por vapor;
- um ventilador centrífugo que aspira o ar tratado à saída da
bateria quente e o insufla na rede de distribuiçâ"o;
- um grupo frigorífico, cuja potência é determinada pela quan-
tidade de calor a evacuar, completa a instalação.

Fig. 87 - Perspectiva de um climatizador de escritório (montagem


na parede) - (Doe. Technibel).
1. Motocompressor 9. Aleta de evacuação dos cheiros
hermético e fumaças da sala
2. Condensador 10. Comando da aleta de evacua-
3. Tubo capilar ção
4. Evaporador 11. Aleta de admissão de ar fresco
5. Motor de comando dos 12. Comando de admissão de ar
ventiladores fresco
6. Turbina centrífuga 13. Ventilador do condensador
7. Filtro de ar 14. Arruela de recuperação da água
8. Defletores distribuidores condensada no evaporador e da
de ar pulverização no condensador

224
e bem evidente que o cálculo da climatização de um local,
mesmo que seja pouco importante, é bastante complexo e só pode
ser perfeitamente resolvido por engenheiros especializados, porque,
além do estabelecimento do equil fbrio térmico, é preciso determinar
a quantidade de ar a difundir, a sua velocidade de circulação, calcu-
lar as perdas de carga que diminuem a circulação do ar através dos
filtros das baterias fria e quente, das redes de distribuição, etc.
Além das instalações que podem ser classificadas como comer-
ciais ou industriais, existem pequenos climatizadores especialmente
construídos para escritórios ou apartamentos. Têm a forma de um
conjunto monobloco colocado na própria janela do local a climati-
zar.
Uma parte do aparelho, o condensador de ar e o seu ventilador,
encontra-se no exterior, enquanto que o evaporador, o ventilador de
circulação e a grelha de distribuição do ar estão no interior do local
(Fig.88).
A capacidade destes aparelhos varia entre 1 500 e 5 000 fg/h.

4 6 7

Fig. 88 Montagem de um climatizador em uma parede ou ta-


bique (Doe. Technibel).

1. Motocompressor hermético 5. Motor de comando dos


2. Condensador ventiladores
3. Tubo capilar 6. Ventilador do evaporador
4. Evaporador 7. Carcaça do climatizador
8. Tomada de ar interno

225
Estes aparelhos nfo sfo propriamente condicionadores. A sua
funçfo consiste, principalmente, durante a estaçfo quente em res·
triar o ar do recinto onde estio colocados, baixando-o de 6 a 7 ºC
em relàçio à temperatura exterior, e manter no recinto uma circula·
çio suave e regular deste ar resfriado.
Certos aparelhos possuem uma bateria de aquecimento que per-
mite, durante a meia-estaçfo, levar o ar que vem do exterior a uma
temperatura compreendida na "zona de conforto". O ar aspirado é
filtrado antes do aquecimento.
i: dado agora, a título informativo, o estabelecimento do equilí·
brio térmico para resfriar o ar em um escritório com condicionador
individual.
Como a umidade relativa não é considerada, o cálculo é muito
simplificado.

Dimensões do local:
Comprimento: 9 m; largura 4m; altura abaixo do teto: 3m
Volume da sala: 72 m 3

Paredes: ..!!f_
A) Face NORTE, espessura de 30 an. Superfície total 18
Natureza da construção: cimento armado. Superfície envidraçada 5

B) Face LESTE, espessura 15 an. Superfície total 12


Natureza da construção: alvenaria. Superfície das portas 2

C) Face SUL, espessura 15 an. Superfície total 18


Natureza da cons1rução: alvenaria. Superflcle das portas 2

D) Face OESTE, espessura sb an. Superflcle total 12


Natureza da construção: cimento armado. Superfície envidraçada 3

E) Teto, espessura 1Ó cm. Superflcie total 24


Natureza da cons1rução: concreto armado

F) Piso - sobre o solo.

No que diz respeito aos ocupantes e~ renovações do ar, estão


compreendidos, no cálculo, o calor sensível e o calor latente.
Para os aparelhos elétricos: contar 0.86 kcal por Wh.
Para o ar de renovaçio: 1m 3 de ar transmite 0,3 kcal por grau
Celsius de aquecimento ou resfriamento.

226
Insolação: transmissão de calor devido â ação solar sobre as
paredes a ela expostas.
K: coeficiente global de transmissâ'o térmica de parede.

Calor sensível - paredes - sem incluir a Insolação

L 1 Diferença
PAREDES Sup~lcié K de kcal/h
·· 1 temperatura

1
- Norte

Vidros
___,__
_1_3_

5
1,5

14 J


----
i
117

490
\ Leste-1-10- ----U-i 6° j 132

l
i
Porta
su-1
Porta
-19 ----a,5
1-2-
2:2
7° 1
-1'-2----a,51--7-0--1--49-
'I


49
211

i Oeste--1- 9 1,5 6° 1 81
1 Vidros 1 3 14 \ 70 1 392
--T-;;;;--1_
1 24 1,8 1 60 1 260
1 Vidros 1 1 j '1-- - - l i
J 1-----p;;--L Sem transml&slo

parede oeste: 9X1,5 X 6 81


Insolação { vidraças oeste: 3X14 X6 252
Ocupantes: 3 pessoas 3X130 390
Ventilador: 1123 kW 32
Renovação de ar: 1,5 vezes o volume kcaVh
do local por hora 72 x 1.5 x 0,3 x 6 195 total 2.731
CAPÍTULO XIV

REFRIGERAÇÃO DOS LÍQUIDOS


GELO HÍDRICO
Refrigeração dos líquidos
Tiragem de cerveja
A refrigeração da cerveja tem um lugar importante nas cerve-
jarias.
A cerveja é feita com cevada, lúpulo e outros grãos submeti-
dos a operações de fermentação.
Quando esta fermentação termina, a cerveja deve ser conser-
vada em câmara fria até a sua colocação em barris.
Esta conservação em câmara fria, a uma temperatura deter-
minada, é indispensável para evitar a alteração da cerveja, que é
um produto tão sensível ao azedamento como o leite.
Os fabricantes de cerveja estipulam que a temperatura mais
propícia para conservar a cerveja com todas as suas qualidades
até a partida da fábrica é de + 4 ºC.
A cerveja é fornecida aos varejistas em barris de madeira
muito espessa ou em barris metálicos de parede dupla, com o
objetivo de evitar a subida rápida da temperatura durante o
transporte.
Certos varejistas contentam-se em refrigerar a cerveja antes
da tiragem, fazendo-a circular em serpentinas imersas em uma
cuba de refrigeração, cujo banho é, geralmente, de água doce
mantida a + 2 ºC a + 4 ºC. O grande inconveniente é que a cer-
veja, armazenada em cave não refrigerada, sofre alterações va-
riáveis com a velocidade do débito.
Outros varejistas asseguram a refrigeração em câmaras de
conservação a + 4 ºC a + 7 ºC. Este processo é igualmente insu-
ficiente, porque a cerveja aquece durante o percurso entre os
barris e a torneira de tiragem.
Muitas instalações têm a cave refrigerada a + 5 ºC a + 8 ºC e
o refrigerador sob o balcão a + 3 ºC a + 5 ºC.
A solução é satisfatória, mas não pode ser considerada per-
feita, porque a tubulação entre a cave e o refrigerador não é re-
frigerada.
Uma instalação só é perfeita se a refrigeração for até as tor-
neiras de tiragem. Considerando esta instalação, ela deve estar
equipada com (Fig. 89):
1!! A cave refrigerada onde são armazenados os barris. Ela é
refrigerada por um evaporador de ar forçado.

229
'J9 AJ tubulaç6es de estanho vio diretamente dos barris às
torneiras de tiragem. Devem estar colocadas no interior de um tubo
de 70 a 75 mm de diâmetro e isolado externamente. Este tubo ter·
mina em uma caixa isolada colocada sob o balcão, no interior da
qual existem as ligaçC5es das tubulaç6es de estanho às torneiras de
tiragem.

QZ?????????????? ?????fZ?t

~k,~~.ç~
Fig. 89 - Instalaçfo de uma cave de cerveja e de uma tiragem
sob um balcão.

A instaleçio assim descrita pode ser completa por um segundo


tubo de mesmo diâmetro e igualmente isolado, ligando a caixa
a um aspirador de ar que o recalca para a cave de cerveja.
AJsim, o ar frio da cave circula em torno das tubulaç6es liga·
das às torneiras e retorna â cave pela açio do pequeno aspirador.
Por vezes, a instalação é simplificada; um (mico tubo largo e
fechado assegura a circulaçio de ida e volta do ar frio ventilado.
A elevação da cerveja atê às torneiras de tiragem é obtida pela
pressio natural do gás carbônico que se desprende no barril, adicio-
nada à pressio do gás em tubos.
A pressão sobre o líquido é regulada por válvulas de expansio.
Deve ser cerca de 1,200 bar, pressio à qual se adicionam 300 a 320
milibars por metro de tubuleçlo vertical, desde o barril até à tor·
neira, para compensar as perdas de carga devidas li circulaçâ'o da
cerveja.
Se se utilizar um refrigerador sob o baleio, será necessário que
as serpentinas de estanho imersas no banho tenham um compri-

230
de ar. A presença da poeira permite aumentar consideravelmente a
transferêncja de calor. Este sistema aproxima-se do processo de con-
gelamento por imersão em 1íquido frio, evitando totalmente a trans-
missão de sabor anormal (tal como o sabor salgado); e se se esco-
lher convenientemente a natureza da poeira que constitui o leito
fluidizado.
Congelamento por imersão: esta técnica antiga consiste em in·
troduzir o produto a congelar em uma salmoura de cloreto de só-
dio com uma concentração próxima da concentração eutética. O
banho está a uma temperatura de cerca de - 20 ºC. Este processo
é praticamente exclusivo do congelamento de peixe.
O inconveniente do processo é que o produto, assim congelado,
adquire um paladar salgado mais ou menos acentuado. Uma variante
consiste em imergir os produtos embalados de maneira vedada em
um banho de água e glicol.
Por este processo, podem-se manter temperaturas mais baixas
que as do banho de salmoura de cloreto de sódio; pelo contrário,
é preciso que as embalagens sejam rigorosamente vedadas, para evi-
tar que o produto entre em contato com a solução de glicol.
Congelamento por fluido criogénico e por .fluido refrigerante: po-
de-se proceder ao congelamento dos gêneros colocando-os em um
fluxo de nitrogênio evaporado a partir de nitrogênio líquido.
A evaporação do nitrogênio ocorre a -196 ºC.
Esta técnica, apesar de eficaz, apresenta o inconveniente de ser
muito cara. Uma variante do processo consiste em colocar o gênero
em um fluxo de C0 2 expandido, que produz gás e neve carbônica
a cerca de - 80°C.
O processo mais recente consiste na imersão ou aspersão do pro-
duto por um fluido frigorífico halogenado: o R 12.
A sua temperatura de ebulição, à pressão atmosféricas, é de
-30°C.
Duração do congelamento
Depende de muitos e variados fatores, tais como o calor específi·
co e o calor latente de congelamento dos gêneros, da sua forma, das
suas dimensões, de seu coeficiente de condutividade, da natureza
da embalagem, do coeficiente de transmissão superficial do produto,
da sua colocação no congelador, da temperatura à qual são submeti-
dos, do processo utilizado, etc.
O professor Plank estabeleceu uma fórmula que permite calcular
o tempo de congelamento de um produto, tendo em consideração
os fatores que influenciam a velocidade de congelamento.

217
A fórmula é a seguinte:
t =b.h X P X j_X D ( 4À +l )
M N D a
Nesta fórmula:
Ah: é a quantidade de calor a extrair do produto, entre a tempera·
tura de início de congelamento e a temperatura final, em Kcal/kg.
p : peso específico em kg/m 3 •
ti.6: diferença de temperatura entre a de congelamento e a do meio
de refrigeração em ºC ou ºK.
D: espessura do produto a congelar em metros.
À: coeficiente de condutividade térmica do produto em kcal/h m ºC
a: coeficiente superficial de troca entre o meio e a superfície do
produto (tendo em conta a embalagem, se houver), em kcal/h m 2 °C.
N: é um coeficiente que depende da forma do produto a congelar
(N = 2 para uma placa, 4 para um cilindro, 6 para uma esfera).
Nesta fórmula, t é expresso em horas.
O valor de a depende das condições em que o produto será con-
gelado. No ar e sem embalagem, pode-se admitir a* 20 kcal/h m 2 °C
e, nos casos de congelamento por contato, por imersão ou por leito
fluidizado, a atinge cerca de 200 kcal/h m 2 ºC.
O valor de À depende da natureza do produto a congelar.
No que concerne às carnes, certos especialistas admitem como
satisfatória, para congelamento em ar neutro de quartos de carne
depois de ressudados, a relaçâ'o seguinte:
Duração do congelamento _ 2 vezes a espessura da peça a congelar
(em dias) - temperatu_ra do congelador ·
Considera-se como espessura da peça a congelar, a espessura má-
xima, em centímetros, do quarto de carne submetido à penetração
do frio. Desta maneira, um quarto de boi ressudado com cerca de
35 cm de espessura, introduzido a+ 20 ºC no congelador, cuja tem·
peratura média é de -30 ºC, necessita, para ser totalmente conge-
2 X 35
lado, de~ = 2,33 dias, isto é, 2,33 X 24 = 56 horas.

Se a carne for pré-fabricada até cerca de O ºCantes de ser intro-


duzida no congelador, multiplica-se a espessura da peça apenas por
1,5.
Se o congelamento for em túnel, em uma corrente de ar ativa
(p.ex .• 4 m/s), divide-se pela raiz quadrada desta velocidade.

218
Um quarto de boi com cerca de 35 cm de espessura, resfriado
a O ºC e introduzido em um túnel de congelamento, cuja tempe-
ratura do ar insuflado é de - 30 ºC com a velocidade de 4 m/s
·1,5X35
exige, para ser congelado,
30 X 2
= 0,87 dias, ou seja, 21 horas.

Vantagem do congelamento rãpido


O antigo método de congelamento era aplicado quase exclusi-
vamente âs carnes. Consistia em submeter estes gêneros a uma tem-
peratura de - 12 ºC durante 2, 3 ou 4 dias, conforme o volume das
peças a congelar, mas os resultados nem sempre eram satisfatórios
porque este congelamento lento desorganizava os tecidos. Com este
novo método tratam-5e em condições perfeitas não s6 as carnes, mas
também os frutos, legumes, peixes e pratos já cozidos.
No que concerne à carne, quanto mais rápido for o congelamen-
to, menor será quantidade de água que sairá das células, e menores
serão os cristais de gelo que se formarão no exterior das células. A
desorganização dos tecidos é, portanto, menor do que no congela-
mento lento. Por este fato, obtém-58 menos.amolecimento e uma
exsudação m(nima no descongelamento.
Para todos os produtos, em geral, o congelamento rápido con-
serva as qualidades iniciais: aparência, paladar, odor, vitaminas e
valor nutritivo.

Utilização dos produtos congelados


Após o congelamento, os produtos destinados a serem vendidos
são armazenados em câmaras ou conservadores à temperatura de
-18 ºC.
Quando são retirados destes conservadores, os produtos perdem
rapidamente as suas qualidades, pelo que, se não houver um refri-
gerador, devem ser imediatamente utilizados.
Os legumes devem ser imersos em água fervente, mas ficam co-
zidos mais rapidamente do que se fossem frescos.
Para as carnes, aves de caça e peixes, se nã'o se dispuser de uma
geladeira que assegure o descongelamento lento em boas condições,
é preferível cozinhá-los sem descongelar, como se faz com os pratos
já cozidos.
Para os frutos que se consomem crus, é necessário fazer o seu
descongelamento com precauçã'o e em local fresco, no caso de não

219
e
se possuir uma geladeira. recomendável mantê-los envolvidos em
papel celofane para evitar a condensação sobre os frutos frios e a
ação oxidante do ar. Devem ser consumidos logo após o desconge-
lamento.
O preço dos produtos congelados ou sobrecongelados é mais
elevado do que o dos frescos. Este fato é devido à qualidade dos
produtos, à grande despesa exigida pelo congelamento, à conserva-
çã'o (as frigorias a baixas temperaturas sã'o muito caras) e ao trans-
porte que deve ser feito a baixa temperatura (-18 ºC).
No entanto, se se tiver em conta o valor alimentar destes produ-
tos que são utilizados na sua totalidade, o tempo economizado na
sua preparaçã'o e o fato de que alguns deles podem ser consumidos
frescos f~ra da sua época, podemos concluir que, no futuro, haverá
ainda um maior desenvolvimento do sobrecongelamento.

Conservação dos gêneros


Para satisfazer o consumo diário, é obrigatório armazenar os gê-
neros em uma quantidade tal que permita ter sempre uma boa
reserva, e isto com um prejuízo mínimo da quantidade e qualidade.
Um gênero, como por exemplo a carne para ser conservada, deve
ser colocado em um ambiente entre O ºC e + 4 ºC.
Ora, esta temperatura só é natural em carca de 20 dias por ano.
e. portanto, inevitável a produção de frio.
Este frio é produzido em depósitos e em certos transportes es-
peciais (navios, vagões, caminhões frigoríficos).
Distinguem-se três tipos de produtos alimentares:
19 As matérias hidrocarbonadas (glucídios), amido e açúcar.
'19 As matérias gordas (protídios) como as carnes, peixes e ovos.
Neles se encontra a energia calorífica, vitaminas, hormônios e
enzimas, respeitados pelo frio, mas não pela esterilização.
O valor nutritivo de um gênero é expresso pelos nutricionistas
em quilocalorias.

Vitaminas
São substâncias químicas cuja função é importante no mecanis-
mo da nutrição.
19 Vitamina A - Encontra-se nas gorduras animais e vegetais.
e a vitamina do crescimento.
'19 Vitamina B - Encontra-se no pâ'o, nas farinhas, nas massas,
e
na gema de ovo e nos miolos .. a vitamina antinevrítica.
220
39 Vitamina C - Encontra-se nos legumes frescos. i: a vitamina
antiescorbútica.
49 Vitamina D - Encontra-se no fígado dos peixes, nos ovos e
na manteiga. i: a vitamina anti-raquitismo, muito importante para
as crianças. i: mais comum nos órgãos vegetais do que nos animais.
i: destruída a + 60 ºC, mas é respeitada pelo frio.
Horm&nios
São substâncias elaboradas pelas glândulas de secreção interna.
Ex.: o fígado segrega um hormônio para a formaç6o de glóbulos ver-
melhos. Os hormônios resistem igualmente ao frio.
Enzimas
Permitem a assimilação dos alimentos. São biocatalizadores, isto
é, produtos que facilitam apenas as reações químicas. (A sua quanti-
dade, no início e no fim das reações, é igual.) São destruídas entre
60 ºC e 90 ºC, mas resitem ao frio.
Utilização do frio artificial
O frio artificial tem numerosas aplicações nas indústrias de
cerveja, laticínios, queijaria, indústrias químicas, criação de bichos
da seda, indústrias de peles, no tratamento de vacinas, nas indústrias
de trabalhos públicos, construção de túneis, etc.
'- Regras para a boa produção do frio
O frio não melhora os gêneros, conserva-os no estado em que
estão, quando colocados em uma geladeira ou câmara frigorífica. e,
portanto, necessário armazenar os gêneros em bom estado.
A câmara frigorífica de conservação deve estar a uma temperatu-
ra e a uma umidade relativa ótimas.
Estas condições variam com o produto e com a duração da con-
servação.

CLIMATIZAÇÃO
A climatização de um recinto consiste em modificar e manter
constantes a temperatura do ar, a sua umidade e o seu movimento
de circulação, em função (ou apesar) das variações das condições
do ar externo.
Convém distinguir:
19 A climatização industrial.
'19 A climatização de conforto para os locais de habitação.
221
A climatizaçio industrial deve, sobretudo, responder às exigên~
cias de operaçio (produçio, manipulaçio, conservaçio) de produtos
diversos, para as quais sio indispensáveis certas condlç6es de tempe-
ratura e de umidade relativa bem determinadas.
Citemos,· por exemplo:
Fabricaçlo: Produtos laboratoriais (vacinas).
Mecanismos de alta pracisio.
Elaboraçio de constituintes para a eletrônica.
Fotografia.
Tipografia (litografia, fotogravura, estereotipia).
Certas massas alimentícias.
Manutençlo: Embalagem de chOCÕlates e confeitaria.
Cansarvaçlo: Produtos químicos.
Livros de bibliotecas.
Gêneros alimentícios, chocolate, salame, etc.
A cllmatizaçio de conforto para os locais habitados tem por
objetivo tomar confortável, mantendo a higiene, a atmosfera dos lo-
cais de habitaçio, lojas, salas de espetáculo, restaurantes, locais
de trabalho, etc. Este conforto ê obtido pela combinaçio correta
entre a temperatura do ar do local, a sua umidade relativa e o seu
deslocamento.
Pode-se limitar a zona de conforto que vai desde 30 ºC com 35%
de umidade relativa, atê 20 ºC com 70% de umidade relativa. e
entre 25 ºC - 40% de umidade relativa e 24 ºC - e 60% de umidade
4d'-t--t---+--+--+---tt---+--+--t----t--+-

(.) 3d-t----t--T--
o
l!
2a·----+--
! 12·----+--

-
:::1
20°+--l---+--+-+-......,t---'
CD
e.
E
~ ~oº-1---11---+-.+--1----1--+-+---<1---+--+-
Z ona de
conforto
oº..,....__,i---+~......~t---t~-+-~+-~i---t~-+-~
o 10 20 30 40 so ao 10 aoeo 100
Úmidade relativa em %
Velocidade de circulação do ar: 6 a 8 mmlmin.
Fig. 86- Zona de conforto em funçio da temperatura e da umidade
relativa.
222
relativa que a maioria das pessoas sentirá a atmosfera ideal, sendo
a velocidade do ar inferior a 0,15 m/s (Fig. 86).
Seja qual for o tipo da climatizaçio, o equilíbrio térmico deve
ser estabelecido tendo em conta os seguintes fatores:
Calor penetrando pelas ptlredas do local.
Esta penetração varia bastante com a espessura das paredes, a
natureza dos materiais, a orientação da exposiçio das paredes em
relação aos pontos cardeais, o seu tempo de exposição ao sol, a
quantidade de superfícies envidraçadas, etc. Cada parede é calcula-
da separadamente em função destas condições. O piso e o teto de-
vem igualmente ser considerados.
Números de renovações por hora do ar no local.
A este ponto convém somar as entradas de ar acidentais (infil-
trações, abertura de portas) tendo em consideração as condições
de temperatura e de umidade deste ar vindo do exterior.
Estas renovações são necessárias para combater a ação dos gases
nocivos desprendidos por uma fonte industrial ou gás carbônico,
cujo desprendimento é conseqüência da presença de pessoas no
e
local. necessário cerca de 25 a 30 m 3 por pessoa e por hora.
Calor sensfvel e latente.
e emitido pelas pessoas que ocupam o local. Consideram-5e 55
kcal/h para uma pessoa em repouso e 120 a 160 kcal/h para uma
pessoa em atividade.
Calor emitido tambtlm pela iluminação ou aparelhos eltltricos.
Ventiladores, mesas quentes, chaleiras, etc., durante o seu fun-
cionamento, e qualquer outra fonte de calor sensível interna.
Fumar ou outras circunstâncias que necessitem de uma ventila-
ção especial.
e preciso considerar as condições externas do ar: temperatura
e umidade relativa e as condições a obter no local.
A instalação de um condicionamento de grande volume implica:
- um dispositivo de grelhas ou registro (de aletas reguláveis)
que permite a aspiração e a mistura do ar novo (renovação) e do ar
aspirado. Assegura igualmente a difusão da mistura no local, à
velocidades e nas direções convenientes;
- um filtro eficaz sobre o qual se depositam as impurezas só-
lidas ou líquidas em suspensão no ar em movimento. A superfície
deste filtro deve ser suficientemente grande para evitar uma colma-
tagem rápida;
- um evaporador (bateria fria), geralmente constituído por dois
elementos em tubo de cobre com aletas, alimentados em paralelo,
sobre o qual o ar é esfriado e perde a sua umidade; .

223
- uma bateria de aquecimento, cujo objetivo é transmitir ao
ar frio, e praticamente saturado, depois de ter passado no evapora-
dor, o calor necessário para atingir simultaneamente a temperatura
e a umidade relativa desejadas no local. Este aquecimento pode ser
feito eletricamente, por água quente ou por vapor;
- um ventilador centrífugo que aspira o ar tratado à saída da
bateria quente e o insufla na rede de distribuiçâ'o;
- um grupo frigorífico, cuja potência é determinada pela quan-
tidade de calor a evacuar, completa a instalação.

Fig. 87 - Perspectiva de um clirnatizador de escritório (montagem


na parede) - (Doe. Technibel).
1. Motocompressor 9. Aleta de evacuação dos cheiros
hermético e fumaças da sala
2. Condensador 10. Comando da aleta de evacua-
3. Tubo capilar ção
4. Evaporador 11. Aleta de admissão de ar fresco
5. Motor de comando dos 12. Comando de admissão de ar
ventiladores fresco
6. Turbina centrífuga 13. Ventilador do condensador
7. Filtro de ar 14. Arruela de recuperação da água
8. Defletores distribuidores condensada no evaporador e da
de ar pulverização no condensador

224
i: bem evidente que o cálculo da climatização de um local,
mesmo que seja pouco importante, é bastante complexo e só pode
ser perfeitamente resolvido por engenheiros especializados, porque,
além do estabelecimento do equil(brio térmico, é preciso determinar
a quantidade de ar a difundir, a sua velocidade de circulação, calcu·
lar as perdas de carga que diminuem a circulação do ar através dos
filtros das baterias fria e quente, das redes de distribuição, etc.
Além das instalações que podem ser classificadas como comer-
ciais ou industriais, existem pequenos climatizadores especialmente
construídos para escritórios ou apartamentos. Têm a forma de um
conjunto monobloco colocado na própria janela do local a climati·
zar.
Uma parte do aparelho, o condensador de ar e o seu ventilador,
encontra-se no exterior, enquanto que o evaporador, o ventilador de
circulação e a grelha de distribuição do ar estão no interior do local
(Fig.88).
A capacidade destes aparelhos varia entre 1 500 e 5 000 fg/h.

4 6 7

Fig. 88 Montagem de um climatizador em uma parede ou ta·


bique (Doe. Technibel).

1. Motocompressor hermético 5. Motor de comando dos


2. Condensador ventiladores
3. Tubo capilar 6. Ventilador do evaporador
4. Evaporador 7. Carcaça do climatizador
8. Tomada de ar interno

225
Estes aparelhos n6o sfo propriamente condicionadoras. A sua
funçi'o consista, principalmente, durante a estaçlfo quente em res-
friar o ar do recinto onde estio colocados, baixando-o de 6 a 7 ºC
em relaçio é temperatura exterior, e manter no recinto uma circula·
çio suave e regular deste ar resfriado.
Certos aparelhos possuem uma bateria de aquecimento que per-
mite, durante a meia-estaçlfo, levar o ar que vem do exterior a uma
temperatura compreendida na "zona da conforto". O ar aspirado'
filtrado antes do aquecimento.
~ dado agora, a t(tulo informativo, o estabelecimento do aquil(·
brio drmico para resfriar o ar em um escritório com condicionador
individual.
Como a umidade relativa nio ' considarada, o cálculo ' muito
simplificado. ·

Dirnans6es do local:
Comprimento: 9 m; largura 4rn; altura abaixo do teto: 3m
Volume da sala: 72 m3

Paredes:
A) Face NORTE, espessura de 30 an.
.!!L
Superffcie total 18
Natureza da construção: cimento armado. Superfície envidraçada 5

B) Face LESTE, espessura 15 an. Superfície total 12


Natureza da construção: alvenaria. Superllcie das portas 2

C) Face SUL, espessura 15 an. Superllcle total 18


Natureza da construção: alvenaria. Superllcle das portas 2

D) Face OESTE, espessura 30 an. Superffcle total 12


Natureza da construção: cimento armado. Superllcie envidraçada 3

E) Teto, espessura 16 an. Superfície total 24


Natureza da construção: concreto armado

F) Piso - sobre o solo.

No que diz respeito aos ocupantes e~ ranovaç&ls do ar, estio


compreendidos, no cálculo, o calor sensível e o calor latente.
Para os aparelhos ellkricos: contar 0,86 kcal por Wh.
Para o ar da renovaçio: 1m3 da ar transmite 0,3 kcal por grau
Celsius da aquecimento ou resfriamento.

226
Insolação: transmissão de calor devido à ação solar sobre as
paredes a ela expostas.
K: coeficiente global de transmissão térmica de parede.

Calor sensível - paredes - sem incluir a Insolação

L 1 Diferença
PAREDES Sup~lcie K de kcal/h
·· 1 temperatura
- Norte

_v_i_dr_o~
___,__
-ra--1-;s-
__s_·_1_4_
~--6º---i---11_7__
··- ----

----
!__490___ ,,
Leste 10 2,2 1 6° 1 132
1~~ ,_-=2==-3-,5-1 1
7º 1_ _4_9__ ,,
j Sul ~~ 2,2 60 211
' Porta 2 3,5 1 7° 1--49--
i Oeste -- - - 9 - ~ 6° \ 81

1-~r~~--I_ 2: 1.:
1 Vidros 1 1
1

1
: ,--::_:_,

ll---I
11~-1= Sem transmissão

{ parede oeste: 9 x 1 ,5 x 6 81
Insolação vidraças oeste: 3 x 14 x 6 252
Ocupantes: 3 pessoas 3 x 130 390
Ventilador: 1123 kW 32
Renovação de ar: 1.5 vezes o volume kcallh
do local por hora 72 x 1,5 x 0,3 x 6 195 total 2.731
CAPÍTULO XIV

REFRIGERAÇÃO DOS LÍQUIDOS


GELO HÍDRICO
Refrigeração dos líquidos
Tiragem de cerveja
A refrigeração da cerveja tem um lugar importante nas cerve-
jarias.
A cerveja é feita com cevada, lúpulo e outros grãos submeti-
dos a operações de fermentação.
Quando esta fermentação termina, a cerveja deve ser conser-
vada em câmara fria até a sua colocação em barris.
Esta conservação em câmara fria, a uma temperatura deter-
minada, é indispensável para evitar a alteração da cerveja, que é
um produto tão sensível ao azedamento como o leite.
Os fabricantes de cerveja estipulam que a temperatura mais
propícia para conservar a cerveja com todas as suas qualidades
até a partida da fábrica é de + 4 ºC.
A cerveja é fornecida aos varejistas em barris de madeira
muito espessa ou em barris metálicos de parede dupla, com o
objetivo de evitar a subida rápida da temperatura durante o
transporte.
Certos varejistas contentam-se em refrigerar a cerveja antes
da tiragem, fazendo-a circular em serpentinas imersas em uma
cuba de refrigeração, cujo banho é, geralmente, de água doce
mantida a + 2 ºC a + 4 °c. O grande inconveniente é que a cer-
veja, armazenada em cave não refrigerada, sofre alterações va-
riáveis com a velocidade do débito.
Outros varejistas asseguram a refrigeração em câmaras de
conservação a + 4 ºC a + 7 °C. Este processo é igualmente insu-
ficiente, porque a cerveja aquece durante o percurso entre os
barris e a torneira de tiragem.
Muitas instalações têm a cave refrigerada a + 5 °C a + 8 ºC e
o refrigerador sob o balcão a + 3 ºC a + 5 ºC.
A solução é satisfatória, mas não pode ser considerada per-
feita, porque a tubulação entre a cave e o refrigerador não é re-
frigerada.
Uma instalação só é perfeita se a refrigeração for até as tor-
neiras de tiragem. Considerando esta instalação, ela deve estar
equipada com (Fig. 89):
1~ A cave refrigerada onde são armazenados os barris. Ela é
refrigerada por um evaporador de ar forçado.

229
'J9 As tubulações de estanho vio diretamente dos barris às
torneiras de tiragem. Devam estar colocadas no interior de um tubo
de 70 a 75 mm de diâmetro e isolado externamente. Este tubo ter·
mina em uma caixa isolada colocada sob o baleio, no interior da
qual existem as ligações das tubulações de estanho às torneiras de
tiragem.

?2222222,

Fig. 89 - Instalação de uma cave de cerveja e de uma tiragem


sob um baleio.

A instalação assim descrita pode ser completa por um segundo


tubo de mesmo diâmetro e igualmente isolado, ligando a caixa
a um aspirador de ar que o recalca para a cave de cerveja.
Assim, o ar frio da cave circula em torno das tubulaç6es liga·
das às torneiras e retorna à cave pela ação do pequeno aspirador.
Por vezes, a instalação é simplificada; um único tubo largo e
fechado assegura a circulação de ida e volta do ar frio ventilado.
A elevação da cerveja até às torneiras de tiragem é obtida pela
pressio natural do gás carbônico que se desprende no barril, adicio-
nada à pressio do gás em tubos.
A pressão sobre o l(quido é regulada por válvulas de expansão.
Deve ser cerca de 1,200 bar, pressão à qual se adicionam 300 a 320
milibars por metro de tubulação vertical, desde o barril até à tor·
neira, para compensar as perdas de carga devidas à circulação da
cerveja.
Se se utilizar um refrigerador sob o balcão, será necessário que
as serpentinas de estanho imersas no banho tenham um compri-
230
mento suficiente (15 a 18 metros por serpentina), para que a cerveja
adquira a temperatura ideal, ou seja, + 7 ºC a + 8 ºC.
Por outro lado, a coluna de tiragem deve possuir, pelo menos,
duas torneiras, para dar à cerveja o tempo de resfriar e para permitir
a troca dos barris sem interromper o serviço.
No caso de uma refrlgeraçio total por circulaçio de ar frio; este
deve ser mantido na cave de cerveja a + 5 ºC a + 7 ºC.
Um temperatura muito baixa quebra a cerveja e ela perde o pala-
dar. Alêm disso, fica turva e pouco espumosa.
Uma temperatura muito elevada torna-a muito espumosa pro·
vocando perdas na tiragem, e ela fica sem paladar.
O estabalecimanto de uma cave de cerveja ê calculado como o
de uma câmara fria normal. O equilíbrio térmico ê funçio da quan-
tidade de calor que entra na cave através das paredas, da mercadoria ·
armazenada e do tipo de trabalho que se executa no seu interior
(manutençio dos barris, troca dos barris, limpeza da cave, etc.l.
O calor específico da cerveja ê de 3.766,59 W/kg l/J,90 kcal/
kg).

Cuba de refrigeraçio (Fig. 90)


~ de chapa galvanizada, isolada com poliestireno expandidó ou
material similar.·
O evaporador ê em tubo de cobre de 1/2" ou 5/8". Ele contorna
as paredes internas da cuba, enquanto que as serpentinas em tubo
de estanho, nas quais circula a cerveja, estio colocadas no centro.
O banho ê por vezes uma soluçio incongelêvel, mas o mais co-
mum ê ser água pura; a temperatura do banho nio deve ser infe-
rior a+ 2 ºC.
Alêm disso, o emprego da água pura tem a vantagem de evitar
o congelamento da cerveja, no caso de mau funcionamento de
qualquer 6rgio de regulagem.
De fato, o gelo formado sobre o evaporador constitui um isolan-
te que atrasa a refrigeraçio do banho.
Utiliza-se uma válvula de axpansio termostática cujo bulbo
deve estar fixado à saída do evaporador, mas abaixo do nível de lí-
quido.
Se o bulbo estivesse colocado fora do banho, ele aqueceria com
a parada do grupo e permitiria que o evaporador se enchesse.
A regulagem da temperatura pode ser assegurada de uma maneira
precisa, pela combinaçio termostato - válvula magnética. O termos-
tato deve ser do tipo de parada constante, o que s6 permite ao
usuário, se éle modificar a regulagem do termostato, a possibilidade
231
de modificar a temperatura do banho para a qual o grupo torna a
entrar em serviço, mas não a temperatura mínima deste.
O bulbo do termostato deve mergulhar no banho, mas é preciso
evitar que ele fique muito próximo do evaporador ou das super·
fícies da cerveja.
Pode-se igualmente regular a temperatura do banho com regu·
lador de pressão de evaporação (1 ), mas a regulagem é menos
precisa do que com o termostato.
A temperatura de evaporação é aproximadamente de - 4°C,
o que corresponde a uma pressão de evaporação de 1 ,65 bar (24
psig) para o R 12.
1
• 1 ! t

Fig. 90 - Cuba de refri-


geração para tiragem de
cerveja (o isolamento da
cuba (6) e a tampa não
estão representados).
1. Para as torneiras de
tiragem.
2. Serpentinas de esta·
nho.
3. Cuba externa em cha-
pa galvanizada
4. Serpentina refrigeran-
te em cobre.
5. Tela de chapa galva-
nizada (circulação de
água).

Tiragens com refrigeração acelerada (Fig. 91)


Estes refrigeradores apresentam um certo progresso técnico sobre
os precedentes. Baixam a temperatura do líquido até ao ponto
desejado, em um intervalo de tempo muito curto.
São de vários tipos e utilizam quer a circulação de líquido in·
congelável, quer a expansão direta do fluido refrigerante, para obter
a refrigeração da cerveja.

(1) Válvula a pressão constante .

232
No primeiro caso, o f8frigerador é composto por dois comparti-
mentos; em um deles é colocado o evaporador que resfria o 1íquido
incongelável, e no outro as serpentinas para a cerveja resfriar.

7
6 _ Circu/açlo
- de./ fquido incongelivel

Fig. 91 - Tiragem com refrigeração acelerada para cerveja e bebidas


(tipo Coltrol}.

1. Motor do agitador S. Serpentina de tiragem de


2. Compressor cerveja
3. Tennostato 6. Hélice do agitador
4. Serpentina refrigeradora de água 7. Serpentina evaporadora

A transmissio de calor é obtida por circulaçfo do líquido incon-


gelável entre o compartimento do evaporador e o das serpentinas,
por intermédio de um pequeno agitador cujo motor é comandado
pelos termostatos de regulagem.
A refrigeraçfo é quase in~antãnea.
Estes aparelhos têm uma "reserva de frio" suficiente para refres-
car uma dezena de litros de líquido, antes de solicitar o funciona-
mento do compressor.
No segundo caso, expansio direta, as serpentinas de tiragem
estio imersas no fluido refrigerante, cuja temperatura de evaporação
deve ser cuidadosamente regulada.

233
A admissã'o do fluido é feita por uma válwla de expansão ter-
mostática. Uma válwla de pressão constante mantém uma pressã'o
no evaporador de 0,275 a 0,310 bar (43 a 45 p1ig). (R 12) corres-
pondente a uma temperatura de 7,5 ºC. ·
Seja qual for o tipo de aparelho, o princípio de funcionamento
é idêntico. Toda a entrada de calor no evaporador, resultante da
entrada do líquido a refrigerar, provoca a evaporação do fluido
refrigerante e, daí, o restabelecimento da temperatura de regulagem.
Estes refrigeradores são especialmente bons para a cerveja, mas
podem ser utilizados para a refrigeração de qualquer outro líquido.
Em alguns deles está prevista uma tiragem de água fria.

Resfriadores de água
Estes aparelhos, especialmente concebidos para refrescar a água
para beber, são geralmente apresentados sob a forma de móveis
metálicos semelhantes âs geladeiras domésticas de pequena capa-
cidade.
O aparelho forma um monobloco com o grupo frigorífico colo-
cado no interior do móvel.
A serpentina refrigeradora da água é, geralmente, de cobre esta-
nhada interna e externamente, e a serpentina refrigerante é em cobre
estanhada externamente.
Estas duas serpentinas são soldadas uma â outra e esta refrigera-
ção direta de metal para metal é muito eficaz.
O conjunto é envolvido por um bom isolamento. Por vezes, a
refrigeração indireta da serpentina refrigeradora é obtida por inter-
médio de um !(quico incongelável, no qual estio imersas as serpen-
tinas refrigerante e refrigeradora.
O pré-refrigerador é de contracorrente; é constituído por um
trocador de calor de dois tubos concêntricos: a água de escoamento
da fonte refrescando a água de alimentação.
A regulagem do débito do fluido refrigerame é assegurada por
uma válwla de expansão automática ou por um limitador de débito.
A regulagem da temperatura da água é feita por termostato.
A tiragem é feita com jato inclinado, com.fecho automático de
pressão ou com torneira de bico com bota'o de pressão.
Conforme a capacidade do refrigerador, obtêm-R resfriamentos
de + 27 ºC a + 1O ·e, de 15 a 80 litros de água por hora.
A reserva de água do aparelho é de cerca de 2 litros a + 10 ºC.

234
Refrigeração de líquidos

Cálculo de uma serpentina para refrigeraçio de água


Resfriar 300 litros de água por hora de + 30 ºC para + 13 ºC,
por intermédio de uma serpentina de 12 X 14, em aço inoxidável
ou cobre. Esta serpentina está imersa em um líquido a O ºC ou a
-10 ºC, agitado em sentido inverso ao da circulação de água.
Diferença de temperatura entre a entrada e a saída da água:
+ 30 - 13 = 17 ºC.
Necessidade de frio: 300 X 17 = 5 100 fg/h.
. 30+13
2- = 22 ºC.
Temperatura mécha da água: - -

Tubo 12 X 14. Superfície média por metro 3,14 X 0,014 =


= 0,044m2 •
Coeficiente de transmissio K = 250.
Primeiro caso - líquido a O ºC:
Diferença entre I! temperatura média da água e a temperatura
do líquido: 22 ºC.
Transmissio por metro quadrado da serpentina: 250 X 22 =
= 5 500fg/h.
Superfície da serpentina: ::~ = 0,928 m2 •
0,928
Comprimento da serpentina: - - = 22 m.
0,044
Segundo caso - líquido a -10 ºC:
Diferença entre a temperatura média da água e a temperatura
do líquido: 22° - (-10) = 32 ºC.
Transmissio por metro quadrado de serpentina: 250 X 32 =
= 8000fg/h.
Superfície da serpentin.1: : : = 0,638 m 2 •

Comprimento da serpentina: ~.o: = 14,50 m.


Refrigeração de água para beber
Faz-se. geralmente, em um banho de água doce mantido à tem-
peratura de + 2 ºC a + 3 ºC.
235
A temperatura de evaporação ti de - 8 ºC e - 1O ºC, o que per-
mite manter, sobre o evaporador, uma fina camada de gelo. Este
gelo nâ'o deve ultrapassar de 0,5 cm a 1 cm de espessura porque,
acima deste valor, formaria uma camada isolante tt!rmica.
Nestas condições, a serpentina de água para beber deve ser cal-
culada com um coeficiente de troca térmica de 60 a 70 W/m 2 .°C
150a 60 kcal/m 2 .h.ºC).

Cálculo rlipido e aproximado de uma pequena instalaçio


Refrigerar 50 litros de água para beber de + 21 ºC a + 7 ºC, em
um banho de água doce a + 2 ºC, em que a temperatura de evapora-
ção do fluido refrigerante é de -5 ºC.
Dimens6es do recipiente de água doce: 70 cm X 60 cm X 50 cm.
Isolamento normal protegido externamente. Dado o volume do
recipiente e o seu isolamento, pode-se determinar que as perdas
pelas paredes sâ'o de 50 kcal/h.
a) Calcular o comprimento da serpentina da água para beber.
b) Calcular o comprimento da serpentina evaporadora.
c) Calcular a potência aproximada do grupo compressor.

Quantidade de calor a retirar da ligua pa~ beber


Q = m X Cp X (9e - 9s) kcal/h.
O: quantidade de calor a retirar da água em kcal.
m: massa de água a refrigerar em kg.
Cp:calor especffico da água.
9e: temperatura de entrada da água no refrigerador.
9s: temperatura de saída da água do refrigerador.
Q = 50 X 1 X (21 - 7) = 700 kcal/h.

Clilculo da serpentina da água para beber


Tendo em conta a diferença entre a temperatura da água de refri-
geração e a temperatura de evaporaçâ'o do fluido refrigerante, pode-
sa utilizar um coeficiente de transmissão K = 76 W/m 2 • ºC (66 quilo-
·calorias m 2 • h. ºCl (ver Tabela 36).
Por outro lado, a água para beber tem uma temperatura média de:

9m= 21 ; 7 =14°C.

A diferença média em relação â água de refrigeraçâ'o a 9 = + 2 ºC


é, portanto, de 12 ºC.
236
Q
Segundo a fórmula A= teremos:
K (8e- Os)

Superfície da serpentina da água para beber= ~ = 0,8~3


66X12 m.

Se utilizarmos um tubo liso com diâmetro externo de 14 mm e


com área de 0,044 m 2 por metro, o comprimento da serpentina será:
0,883 = 20 68
0,044 ·' m.
O compressor deve permitir:
a) baixar a temperatura dos 50 litros de água de 21 para 7 ºC,
ou seja, 700 kcal/h;
b) compensar as perdas pelas paredes, ou seja, 50 kcal/h. Deverá,
portanto, ter uma potência de 750 fg/h em seu regime de
utilizaçã'o.
Cãlculo da serpentina evaporadora
Para refrigerar a água do recipiente de refrigeraçio até â tempera-
tura de + 2 ºC, teremos, admitida a temperatura de evaporaçio de
- 5 ºC, a diferença térmica de - 5 ºC a + 2 ºC = 7 ºC.
Podemos admitir um coeficiente K = 70 W/m 2 .°C (60 kcal/
m 2 .h.ºCI.
Q
Teremos igualmente A =: ou seja
K (8 - 8 0 )

Superfície da serpentina evaporadora = 750 = 1,78 m.


60X 7
8: temperatura do banho de água.
8 0 : temperatura de evaporação.
Se utilizarmos o mesmo tubo que para a água potável, o compri-
mento da serpentina evaporadora será:

L = 0,044
1 •78 = 40 50 m

Compressor
No que diz respeito â potência do compressor, sabemos que ele
deve fornecer 750 fg/h. Como o cálculo não é rigoroso, podemos
considerar uma margem de segurança de 10%.
Será, portanto, necessário um grupo compressor com a potência
de:
750 + 750 X 10
100
= 825 f g /h
à temperatura de evaporação de - 5 ºC para o ambiente no qual será
colocado o grupo compressor.

Refrigeração de líquidos
Número de metros de tubo de cobre ou de aço
galvanizado necessários para transmitir 116 watts
(100 frigorias por hora)
(Líquidos agitados mecanicamente- Velocidade
de circulação: V = 0,01 m/s)

Dimensões em polegadas
u e ~m milfmetros
mU o
""º f! o Coeficiente
~o :::> ,.,
........ Ide transmissão 1 Tubo de cobre
"' "C
""·-:::>
li) ......
"' "'o
Tubo
de aç o
- -
li)
Q. O'
E=o E "' Q. Q. "'
.. "~ - .,; E
"?.
li) > li)
~X ~X ~X
- "' oE
-~X"' 1"
26/34
"'"',.: -.,,~ "'-
1- "C 1- li)
li)
"C W/m•.•c kcal/h
~t:: "'
;;; mm
.m'. •e 'i C\I

-- - - - - - - - -- -- -- -- · -
3 209 180 1,22 0,89 0,76 0,61 0,41
--
0,35
18
15 3 200 173 1,55 1,16 0,90 OH 0,48 0,45
12 3 193 166 2,08 1,54 1,25 1,05 0,67 0,61
10 2 185 159 2,65 2,00 1,60 1,32 0,87 0,77
7 o 178 153 2,95 2,25
2,52
1,75 1,46 0,94
1,68 1,10
0,87
0,96
4 2 170 147 3,35 2,04
2 5 162 140 4,15 3,10 2,46 2,06 1,32 1,18
2 7 151 130 2,65 2,00 1,60 1,32 0,87 0,77
- 1 - 9 151 130 3,10 2,32 1,8ll 1,55 1,02 0,91
-- 4
7
12
- 14
140
132
121
114
3,52
4,00
2,64
3,02
2;12
2,42
1,80 1,15
2,03 1,28
1,03
1,15
- 9
- 12
- 16
- 18
129
124
111
107
4,42
5,00
3,30
3,76
2,68
3,05
2,25 1,42
2,50 1,90
1,26
1,42
- 15 - 21 117 101 5,80 4,40 3,52 2,90 2,04 1,68
-18 -23 110 95 6,SO 5,22 4,20 3,51 2,26 2,00
- 21 -25 102 88 9,60 7,22 5,74 4,80 3,10 2,76
-23 - 27 94 81 12,20 9,14 7,25 6,10 3,92 3,48

Tabela35
238
Refrigeração de líquidos
Número de metros de tubo - cobre ou aço
galvanizado - necessários para transmitir 116 watts
(100 frigorias por hora)
(Líquidos não agitados mecanicamente e sem
acumulação de gelo, no caso de refrigeração da água)

Dimensões em polegadas
u
o e em milímetros
.. u
z""ºo -....
~o
:::J ...

... ·-:::J ........,.


.. "t:I
Coeficiente
de
transmissão K
Tubo de cobre
....
Tubo
de aç o
o
-
Q)

.. "'~ - "'
Q)
e. O" e. e. "l ci E
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...,_X 3!_x 26/34
i. - "' """',.: -.,,g
1- Q) <'),._
l;iJ
Q) W/m' kcal/h in mm
•e "t:I .m•.•c
-- -- --- --- -- -- - - - - --
18 3 90
--77 2,G3 2,20 1,78 1,47 0,90 0,84
15 3 88 76 3,64 2,73 2,20 1,83 1,10 1,02
12 3 86 74 4,75 3,54 2,85 2,38 1,45 1,35
10 2 85 73 5,84 4,40 3,55 2,93 1,77 1,67
7 o 82 71 6,60 5,00 3,95 3,30 2,00 1,88
4
2
--2
5
79
77
69
66
7,43 5,40
8,40 7,20
4,45
5,05
3,72
4,20
2,25
2,55
2,12
2,40
2 - 7 77 66 5,72 4,27 3,42 2,86 1,73 1,63
- 1 - 9
-12
74
71
64
61
6,34 4,75
7,16 5,38
3,78
4,27
3,17
3,54
1,92
2,15
1,82
2,05
- 4
- 7 -14 68 59 7,92 6,00 4,75 3,95 2,40 2,27
- 9 -16 64 55 9,30 6,95 5,50 4,64 2,80 2,65
-12 -18 60 51 10,75 8,20 6,45 5,38 3,24 3,08
-15 -21 56 48 12,70 9,50 7,50 6,35 3,86 3,65
-18 -23 51 44 15,40 11,60 9,30 7,70 4,64 4,40
-21 -25 46 40 21,70 16,20 13,10 10,90 6,50 6,20
-23 -27 42 36 27,50 20,75 16,30 13,80 8,30 7,85
--
Tabela36

NOTA: No caso de haver acúmulo de gelo nos tubos do eva1>9ra-


dor, o coeficiente global de transmiss!To do evaporador tomará os
seguintes valores:
Espessura do acúmulo da o <e <12,5 12,s <e <25 25 <e 50
gelo formado (em mm). 7 71 61
Temperatura de evapora- 9 61 53
çfo do fluido refrigerantef'C) - 12 57 49
- 14 51 44
W/m•. •C e kcal/h. m•. •C
239
Refrigeração do leite
Geralmente são utilizados dois métodos para a refrigeração do
leite.
O primeiro é a refrigeração direta na fazenda; o leite é refrige-
rado desde a ordenha pela imersão de vasilhas em uma cuba de água
refrigerada ou, solução tecnicamente mais perfeita, refrigerado "a
granel" em tanques que, na realidade, são cubas refrigeradas.
O segundo método , utilizado sobretudo quando são tratadas
grandes quantidades de leite ou quando este leite está contido em
garrafas, consiste em armazenar em câmara fria, quer em vasilhas,
quer após o engarrafamento, o leite previamente refrigerado por
jato, em um refrigerador especialmente concebido para este efeito.
Refrigeração na fazenda
Para se obter um bom leite para consumo ou para outros fins
é necessá rio, em primeiro lugar , um leite de boa qualidade obtido
por um tratamento perfeitamente higiênico .
Para co nservar esta qualidade, é indispensável pode obter uma
refrigeração rápida logo após a ordenha, e uma conservação contí-
nua a baixa temperatura.
Esta refrigeração e esta conservação podem ser obtidas por inter-
médio de Refrigeradores de leite em vasilhas ou de Refrigeradores
de leite a granel (Fig. 92) .

."'--·-=-. r" . "Tii!ll1.i"'•~~~~-~~~. . .

Fig. 92 - Refrigerador de leite a granel, capacidade de 1 200 litros.

240
As exigências tlirmica e mednica impostas sio as que mais inte·
ressam aos montadores e mednicos de refrigeradores e, portanto,
só examinaremos estas.
Para serem aceitos oficialmente, os refrigeradores de leite devem
ser capazes de:
- baixar a temperatura do leite de uma ordenha de + 35 ºC
para + 5 ºC, no máximo em duas horas para um aparelho de quatro
ordenhas 111 e no máximo em três horas para um aparelho de duas
ordenhas (2);
- conservar o leite entre duas ordenhas a uma temperatura
mlidia compreendida entre 0° e + 4 ºC sem formação de gelo e sem
nenhum ponto quente superior a + 6 ºC. Os ensaios sio realizados a
temperaturas ambiente de + 5 ºC a + 20 ºC ou + 32 ºC (esta última
temperatura li a pedido dos construtores);
- ter uma isotermla (coeficiente de transmlssio de calor)
inferior a 1,2 W/m 2 (1,03 kcal/h.m 2 • ºCI;
- permitir a homogeneizaç4'o das temperaturas e do teor em
matliria gorda no máximo em cinco minutos, após 5 horas de repou-
so entre O ºC e 4 ºC;
- ter um consumo ellitrico em um ambiente de + 20 ºC e nas
condiç6es de troca completa entre duas colheitas, inferior a:
Refrigeradores de leite em vasilhas:
60 Wh por litro de leite.
Refrigeradores de leite a granel:
30 Wh por litro de leite, para um refrigerador de expansio
direta.
45 Wh por litro de leite, para um refrigerador de acúmulo
degelo.
Refrigeradores de leite em vasilhas
Os refrigeradores de leite em vasilhas podem ser do tipo de imer-
sio ou de aspersio.
Em um refrigerador de imersio as vasilhas metálicas de 20 litros
sio refrigeradas e conservadas em um recipiente isolado cheio de
água gelada; a circulação da água sobre as vasilhas e sobre o evapora-
dor é assegurada por uma bomba, a fim de melhorar a troca térmica
água/leite. · .
O refrigerador de aspersio é um refrigerador no qúal as vasilhas
sio refrigeradas por jato de água. A água é distribuída sobre as vasi-

(1) Colheita do leite para dois dias.


(2) Colheita diária do leite.
241
lhas por intermddio de rampas de distribuiçio, alimentadas pela
bomba de circulação. O evaporador, colocado na parte inferior da
cuba, pode ser de expando direta ou de acl'.lmulo de gelo. A regula-
gem da refrigeraçio e da conservaçio do leite, nas condições normais
de serviço, sio asseguradas por um termostato.
Nos refrigeradores de imers6o s6o utilizadas as mesmas disposi-
ções em relaçio ao evaporador e ao termostato.
A capacidade destes aparelhos oscila, geralmente, entre 4 e 14
vasilhas de 20 litros.
Refrigeradores de leite a granel (Fig. 93)
Os refrigeradores de leite a granel são constituídos essencial-
mente por uma cuba isolada destinada a receber o leite após cada
ordenha; a sua capacidade deve ser tal que o leite de duas ordenhas
(colheita diária) ou de quatro ordenhas (colheita de dois em dois
dias) possa ser recebido no seu interior, e deverá possuir um equipa-
mento de refrigeraçio mecânica, cuja potência frigorífica permita
refrigerar, nas condições definidas no parágrafo anterior, o leite de
uma ordenha.
A cuba de leite é em aço inoxidável austenítico (18/10) e deve
ser suficientemente rígida para nio se deformar nas condições nor-
mais de exploração; a sua limpeza e a evacuaçio das águas de lava-
gem deverão ser fáceis e, por isso, é preciso que as paredes internas
sejam perfeitamente polidas, de arestas arredondadas e com as solda-
duras desbastadas e polidas e. além disso, todas as partes da cuba
em contato com o leite devem ser visíveis e facilmente acessíveis ou
desmontáveis, para se poder fazer a limpeza manual. A tampa deve
articular com a cuba ou estar ligada a um sistema que a faça erguer,
de maneira a que ela nunca possa ser colocada no chio.
Geralmente a sua capacidade varia de 140 litros a 5 000/6 000
litros, o que implica potências frigoríficas da ordem de 580 a 17 400
watts (500 a 15 000 fg/hl, ou seja, em potência elétrica, máquinas
equipadas com motores de 0,20 kW a 7,5 kW, aproximadamente.
Os grupos frigoríficos podem ser, conforme a sua potência; de
tipo hermético - hermético acessíver - aberto. Seja qual for o seu
tipo, o refrigerador e o grupo formam um conjunto que permite a
utilizaçio de cubas cuja capacidade varia entre 1 200 e 1 600 litros.
Acima desta capacidade, a cuba e o grupo frigorífico ficam separa-
dos, mas a ligação pode ser feita por tubulações flexíveis munidas
de uniões de fechamento automático, em caso de desmontagem,
o que permite, em caso de necessidade, o deslocamento mais fácil
do conjunto.

242
Fig. 93 - Refrigerador de leite a granel.

1. Nível de bolha. 14. Capô amovível.


2. Espuma de poliuretano. 15. Grupo compressor.
3. Calibre em aço inoxidável. 16. Cabo de alimentação.
4. Cuba em aço inoxidável 17. Agitador amovível.
18/10. 18. Fundo de aço flangeado de
5. Orifício de enclúmento. purga total.
6. Tampa em polietileno. 19. Chassi em perfilado galva-
7. Tampa flangeada em aço nizado.
inox. 20. Circuito frigorífico.
8. Quadro de comando. 21. Barra de regulagem.
9. Comando automático. 22. Fundo duplo flangeado.
10. Termostato. 23. 4 pés reguláveis.
11. Moto-redutor 4e árvore 24. Válvula de purga.
lenta. 25. Cobe Pui:ga ff) 2 polegadas.
12. Capô em poliéster. 26. Cobertura em aço inoxi-
13. Charneira em tubo qua- dável.
drado. 27. Bqjão antipoeira.

A agitaçã'o do leite, cujo objetivo tS tomá-lo homogêneo, tS feita


por um agitador que gira a cerca de 20 a 30 rotaç6es por minuto,
para evitar o efeito de batedeira, e pode funcionar automaticamente,
de acordo com o ·funcionamento do grupo frigor(fico, ou manual·
mente.
243
lnstalaçio dos refrigeradores da leite
O refrigerador deva ser colocado em local bem ventilado e que
proporcione a livre circulação das pessoas em seu redor e facilite
a limpeza do condensador. O local deva ser limpo, arejado e seco
porque, se o ambiente for poeirento, poderá provocar sujeira no
condensador.
Evidentemente que o acesso do caminhio de carga e descarga
do leite tambdm deverá ser fácil, e as paredes ou tabiques do local
devam proteger o conjunto refrigerador de leite - grupo frigorí-
fico das grandes variações de temperatura entre o verão e o inverno.
A limpeza da cuba, dos dispositivos de purga e de agitação, assim
como da haste termostática, deva ser feita após cada purga da cuba.
Esta limpeza pode ser feita a frio, com produtos iodados, ou a
quente, por intermlidio de produtos alcalinos, seguida de lavagem
a frio com soluções ácidas.
Esta limpeza é, geralmente, efetuada manualmente ou por um
processo semi-automático (lavagem com bomba e purga manuall.
Deva ser inteiramente automática se a refrigeração for efetuada em
cubas fachadas cujo interior só seja acessível por um postigo (a capa-
cidade destas cubas fachadas é, geralmente, superior a 1 500 litros).

Refrigaraçio por injeçio a clmara fria


A instalação frigorífica deva, neste caso, poder assegurar a refri-
geração do leite e a manutençâ'o da temperatura da câmara de arma-
zenamento, ou apenas uma destas funções.
O processo funcional deve ser, entâ'o, o seguinte:
O leite proveniente da colheita, e após a sua pasteurização, é
refrigerado por injeção sobre um refrigerador chamado de "duas
águas" porque a sua refrigeraçâ'o é obtida em dois tempos. Na pri-
meira parte do aparelho a circulação da água de poços, fontes ou
encanada, permite baixar a temperatura do leite até + 15 ºC a + 20
ºC, conforme a temperatura da água utilizada. A refrigeração com-
plementar do leite até + 5 ºC é obtida, na segunda parte do refri-
gerador, quer pela circulaçio de água gelada, quer por axpansio
direta de fluido refrigerante (Fig. 941. O leite refrigerado pode,
entâ'o, ser envasilhado ou engarrafado, tendo em vista o seu armaze-
namento na câmara fria.
Como a refrigeração do leite é efetuada após cada ordenha, isto
é, duas vezes por dia, o compressor só fornece a sua potência máxi-
ma durante o tempo necessário para esta operação. No intervalo
entre estas operações da refrigeração, o compressor apenas mantém

244
1
\(
Leite

Fig. 94 - Refrigeração do leite por injeção e armazenamento em


câmara fria.
1. Entrada do leite a refrigerar.
2. Circuito de água encanada (ou de poço).
3. Válvula de pressão constante.
4. Válvulas de serviço.
a temperatura dà câmara e baixa, eventualmente, a temperatura da
água destinada à refrigeraçio do leite.
Estabelece-se a carga calorífica do refrigerador tendo em conta:
a quantidade de leite a tratar;
- a diferença de temperatura a obter;
- o tempo necessário para a refrigeraçio.
Calcula-se o equil lbrio térmico da câmara, como para os casos
jáestudados, tendo em conta:
o calor que entra pelas paredes;
- as perdas devidas ao serviço;
- o calor transportado pelas vasilhas de leite ou pelas grades de
garrafas.
O compressor deve ter uma potência frigorífica suficiente para
absorver a carga total do refrigerador e a carga da câmara.
Como a potência frigorífica a fornecer para a refrigeraçio do
leite é sempre superior à necessária para a manutençio da tempera-
245
tura da câmara de armazenamento, é possível fazer funcionar o com-
pressor com um motor de duas velocidades: a velocidade superior,
para o aparelho de injeção e para a câmara, e a velocidade inferior,
quando o compressor alimenta só a câmara.

A refrigeração por gelo puro


Se bem que a refrigeração por gelo hídrico não entre no âmbito
desta obra, não é supérfluo, pensamos dar algumas indicações sobre
a utilização do gelo como agente frigorífico para a conservação de
gêneros alimentícios, porque este processo é ainda utilizado em
alguns locais.
Seja qual for o refrigerador considerado e as necessidades exigi-
das por um açougue, por uma salsicharia, por um comércio de laticí-
nios ou de aves de caça, esta refrigeração deve, para satisfazer o seu
objetivo, preencher as seguintes condições:
ai Manter uma temperatura interna de + 3 ºC a + 5 ºC com uma
umidade relativa de 80%.
bl Não transmitir cheiro aos alimentos.
cl Os alimentos não devem sofrer alteração durante o período
de conservação.
Este resultado é obtido por:
um isolamento suficiente;
- uma boa circulação de ar;
- uma reserva suficiente de gelo.
Se o isolamento for de boa qualidade e de boa espessura, as
perdas pelas paredes serão pequenas.
Calcula-se que estas sejam de cerca de 120 W (100 frigorias por
hora) em um ambiente' de 20 ºC, para uma câmara bem construída
de 6 m 3 •
Como a fusão de um quilograma de gelo libera 335 kJ (80 frigo-
rias), é preciso considerar, no nosso exemplo, 30 kg por 24 h para
compensar as perdas pelas paredes.
O consumo suplementar de gelo depende da natureza, da quanti-
dade e da temperatura dos gêneros introduzidos, assim como da
freqüência e da duração das aberturas das portas.
Lembremos que, se em uma câmara à temperatura de + 4 ºC se
introduzir 150 kg de carne (calor específico: 0,8) à temperatura de
+ 30 ºC, o número de frigorias necessárias para baixar a temperatura
desta carne para + 4 ºC será de
150 X 0,8 X 26 = 3 120 frigorias
246
. 3120
Portanto, serio necessários -SO- = 39 kg de gelo para obter esta
refrigeração.
Como o gelo funciona como agente frigorífico, é um acumulador
de frigorias; verifica-se, entfo, a importância do isolamento. A exe-
cução do isolamento deve ser particularmente cuidada, se se quiser
evitar o aparecimento de bolores no interior do próprio material
empregado. Estes bolores sio, muitas vezes, a causa de cheiros desa-
gradáveis nos refrigeradores de gelo hídrico.
Deve ser assegurada a circulação constante do ar, pela boa colo-
cação da bandeja de gelo por cima do compartimento dos gêneros.
Esta circulação obtém..a apenas pela diferença de densidades
entre o ar quente e o ar refrigerado. Ora, como a diferença de tem-
peratura entre o ar que sai da bandeja de gelo (OºCl e o ar da cãmara
de conservação (+ 4 ºCI é pequena, esta diferença de densidade é
inferior a 20 g por m 3 • Donde, se houver uma seção insuficiente para
a passagem do ar, uma má disposição das chicanas, grades mal cons-
tru ídas ou rml disposição dos gêneros, esta circulação poderá dimi-
nuir ou até mesmo ser interrompida.
Em princípio, a velocidade do ar em movimento é função da
quantidade de calor a absorver. Ela aumenta, portanto, com a intro-
dução dos gêneros a refrigerar e em funçfo das aberturas das portas.
Como o ar aquecido sobe em direção à bandeja de gelo, e se refri-
gera sobre as paredes desta, daqui resulta, igualmente, uma purifica-
ção permanente deste ar, já que os odores sfo absorvidos pela água
de fusio e eliminados com a evacuação deste.
~. portanto, um ar refrigerado e purificado que retorna para
refrigerar os gêneros.
Para se obter uma temperatura constante e suficientemente baixa
na cãmara, é indispensável reabastecer a bandeja de gelo sempre que
o conteõdo desta atingir cerc1Pde metade da carga inicial.
Esta bandeja deve ser grande, pera necessitar recarga apenas uma
vez por semana. Desta maneira, os reabastecimentos e o custo
inerente a estas operações serio reduzidos.
O reabastecimento semanal pode exigir de 200 a 500 kg de gelo,
conforme a capacidade da cãmara e o volume de entradas de merca-
dorias.
A entrega de gelo aos consumidores é, geralmente, assegurada,
nos grandes centros, por distribuidores ligados por contrato aos pro-
dutores.
A construçio dos refrigeradores deve ser cuidadosa. A bandeja
de gelo deve ser constituída por chapas onduladas e galvanizadas.
A evacuação da água de fusfo deve ser feita por siffo.
247
Se todas estas condições forem cumpridas, a refrigeração por
gelo puro, sem atingir as qualidades da refrigeração mecânica, tanto
sob o ponto de vista de temperatura como de umidade relativa,
permitirá, no entanto, uma boa conservação.
Se bem que esta refrigeração tenda a desaparecer, ela ainda satis-
faz aqueles que, por necessidade, ainda a utilizam.

Fabricação de gelo hídrico

O gelo deve ser fabricado com água potável, quimicamente pura


e contendo, no máximo, 0,60 g de substâncias minerais por litro.
Esta água é primeiramente purificada com cal e carbonato de
soda, e depois filtrada com areia e decantada.
O gelo, geralmente fabricado em cubos, pode ser igualmente
fornecido em placas, em bocados, em palhetas ou em neve. Esta
última forma serve, sobretudo, para envolver produtos frágeis (p. ex.,
peixes). Os cubos têm um peso variável conforme as dimensões dos
moldes utilizados: 12,5 - 25 - 40 kg.
O gelo hídrico pode ser fabricado opaco ou transparente, sem
que haja nenhuma diferença sob o ponto de vista higiênico, já que,
em ambos os casos, é utilizada água potável.

Gelo opaco
i: obtido por congelamento de água potável contendo ar em
dissoluçã'o e outras substâncias solúveis e insolúveis mio nocivas.
O gelo é tanto mais opaco quanto mais rápido for o congelamento.

Gelo transparente
i: obtido igualmente com água potável, tratada previamente
antes do congelamento, como já foi mencionado; além disso, o con-
gelamento é lento e, nestas condições, o bloco de gelo que sai do
molde apeasenta apenas um núcleo central opaco, no qual estfo con-
centradas as substâncias solúveis e insolúveis, este núcleo resultante
do movimento em turbilhã"o da água, durante o congelamento.

Acumulador de frio
Se o gelo se destinar apenas à refrigeração de gêneros, ele poderá
ser fabricado em recipientes metálicos ct>amados acumuladores de
frio.
Para refrigerações acima de O ºC, o acumulador é de gelo h ldrico.
Para refrigerações abaixo de O ºC, utiliza-se uma mistura eutética.

248
2 3 3 2

1 1

Fig. 95 - Vagão refrigerante de gelo hídrico. 1. Bandeja de gelo.


2. Ventiladores produtores de corrente de ar.
3. Divisória - chicana.
O acumulador é, então, de gelo eutético. Este gelo é obtido subme-
tendo a soluçâ'o aquosa contida no acumulador a uma temperatura
·mais baixa que o seu ponto de eutexia. Este ponto designa atempe-
ratura de solidificaçâ'o e de fusio da mistura, e é determinado pela
natureza e concentração do sal dissolvido lwr placas eutéticas, pági·
na 110).
Desta forma, o acumulador carrega-se e descarrega-se a tempera·
tura constante, permitindo a utilizaçâ'o do calor latente de fusão do
gelo eutético acumulado.
O gelo h(drico é bastante uitlizado no transporte de gêneros
facilmente deterioráveis em vagões refrigerantes bem isolados. O
gelo é alojado em bandejas, e o frio é distribuído sobre os gêneros
por uma ventilaçâ'o dirigida por aletas, com passagem do ar sobre as
bandejas de gelo (Fig. 95).
Desta maneira, sob uma temperatura oscilante entre + 4 ºC e
+ 8 ºC, pode-se, no vario, transportar carnes, leite, queijos, ovos,
aves, legumes, frutas, flores, etc.
Em certos tipos de vagão, podem-se obter até temperaturas infe-
riores a O ºC utilizando, para a refrigeraçâ'o, uma mistura de gelo e
sal ou de neve carbônica.
O gelo mio é apenas utilizado na conservação de gêneros alimen·
tícios e facilmente deterioráveis. Ele tem um vasto campo de apli·
caçâ'o em numerosas indClstrias, na preparação, e conservaç6'o de
diversas bebidas, etc.
~ igualmente utilizado em medicina para combater hemorragias
pulmonares ou no tratamento de certas doenças; em cirurgia, contra
as hemorragias; em farmácia, na preparação e conservação de vaci·
nas, soros, conservação de sangue, etc.
A extenslo dos serviços que podem ser obtidos a partir do gelo
hídrico não deve ser ignorada pelos técnicos do frio.

250
CAPÍTULO XV

PANIFICAÇÃO - PASTELARIA
CREME GELADO
Congeladores

Desde há vinte anos que o frio tem tido um importante desenvol-


vimento ao nível de fabricação em panificaçâ'o - pastelaria. Este fato
tem várias razões: como a clientela deseja encontrar pela manhã
produtos frescos para o café, isto exige que a panificação seja uma
das indústrias alimentares que requer mais trabalho noturno. Ora,
por um lado, existem leis que regulam o trabalho notumo em panifi-
caçâ'o e, por outro, os padeiros desejam cada vez menos este tipo de
trabalho (depois das 4 horas da manhã' o trabalho já não é conside-
rado notumo).
Estes dois elementos contribuíram para o desenvolvimento das
"câmaras de desenvolvimento", também chamadas de câmaras de
fermentaçâ'o dirigida (ou retardada).
Mas não param aqui as aplicaç6es do frio eni panificaçâ'o - paste-
laria, porque a evoluçâ'o das técnicas de panificaçâ'o desenvolveu
bastante as regularizações das fornadas de pão amassado. O congela-
mento permitiu reduzir bastante o número de produtos mro vendi-
dos, beneficiando a clientela que rejeitava o pão duro.
Citemos, para recordaçio, as manobras que se faziam em paste-
laria anteriormente ao desenvolvimento do frio, que acabamos de
descrewr.

A panificação
A fim de evidenciar melhor estas aplicações e os materiais utili-
zados, examinemos o processo de fabricaçãO do pão e de todos os
produtos em cuja composiçâ'o entre o leite 1 • O pão, tal como o
conhecemos, é o produto resultante da cozedura de uma massa,
na composiçâ'o da qual entram farinha, água, sal e fermento ou
levedura. Todas estas substâncias sâ'o amassadas em conjunto até
â formaçâ'o de um produto homogêneo: a massa. Esta massa, após
"crescer" pela fermentação, é submetida a um cozimento em um
forno suficientemente aquecido (230 a 240 ºC). Lembremos que
251
só os produtos obtidos exclusivamente com farinha de trigo podem
ser chamados "pio". Se for utilizada uma farinha proveniente de
outro cereal, o nome deste cereal deve seguir a designação do pro·
duto obtido; exemplo: pio de centeio.
A massa quando é amassada se aquece em virtude dos respectivos
choques que sofre por parte do misturador de farinha com o fermen·
to; calcula-se esta relação de energia em cerca de 63 kJ (15 quilo·
calorias) por quilograma de massa. Esta relação de calor justifica,
por si mesma, a refrigeração da água de amassamento, da qual falare·
mos mais adiante.
Após o amassamento, a massa quente, pegajosa, branca e bri·
lhante é abandonada a si mesma durante um tempo relativamente
curto que, conforme a estação do ano, a qualidade da massa, o pio
a produzir, etc., oscila entre 30 e 60 minutos.
Este intervalo de tempo é.chamado "tempo de levedar".
Após este lapso de tempo, a massa adquire plasticidade e torna-se
menos pegajosa. Ela "encorpa". i; então dividida em porções de
peso exato, quer manualmente, quer por máquina.
As porções assim obtidas são "moldadas", consistindo esta ope·
ração em dar às referidas porções a forma definitiva do produto que
se quer obter. Esta operação pode ser manual ou por intermédio de
uma moldadora.
Os pães assim moldados ficam em repouso, quer em tabuleiros
de vime, quer sobre panos, para o "tempo de tempero";que é um
período de segunda fermentação. A duração desta operação depende
de numerosos fatores, fundamentalmente da temperatura do forno
e da quantidade de levedura utilizada; ela demora cerca de duas a
três horas.
Feitas todas estas operações, inicia-se o enfornamento e o cozi-
mento que duram cerca de 45 minutos.
Pelo exposto, verifica-se que o tempo total de preparação de uma
fornada, desde a mistura dos ingredientes até â apresentação ao com-
prador, requer cerca de 4 h e 30 min.
Se desejarmos ter pão fresco para as 7 horas da manhã, tendo em
consideração o tempo de arrefecimento após a saída do forno, será
necessário começar a preparação da primeira fornada por volta de
1 hora da manhã.
Por um lado, a câmara de fermentação controlada e, por outro,
o congelamento do pão, permitem-nos obter o resultado pretendido
sem necessitar do trabalho noturno.
Damos em seguida um resumo das aplicações do frio e dos dispo-
sitivos utilizados em panificação:
252
Aplicação: Operação: Dispositivos:
Resfriamento Amassamento Refrigerador
da massa de água
Fermentação Tempero Cdmaras de
retardada fermentação
Congelamento Produtos semi-acabados Armários de
Produtos acabados congelamento
Amassamento
O estudo das fermentações provocadas mostra que, para limitar
estas à fermentação alcoólica e evitar as fermentações secundárias
lática e butfrica, é indispensável que a massa, à saída do tabuleiro,
esteja a uma temperatura de cerca de 22 ºC a 25 ºC.
Estas temperaturas foram determinadas empiricamente para se
obterem as condições ótimas de fermentação da massa.
Do mesmo modo, determinou-se um "número.guia" que repre-
senta o valor ótimo que deve corresponder à soma das temperaturas
da água de circulação, da farinha e da atmosfera· da sala do forno,
para se obter uma massa entre + 22 ºC a + 25 ºC no fim do amassa-
mento.
O valor deste número.guia deve ser de:
60 em amassamento normal (velocidade do tabuleiro, 35 a 40
rpm);
58 em amassamento melhorado (velocidade do tabuleiro, 80
rpm durante 18 minutos);
54 em amassamento intensivo (velocidade do tabuleiro, 80 rpm
durante 20 minutos).
Teoricamente para manter este número.guia (também chamado
base de temperatural no valor escolhido, é possível agir sobre a
temperatura dos três elementos citados anteriormente.
Praticamente, isto nos conduz a condicionar a temperatura da
sala do forno a um valor inferior ao normal, ou seja, cerca de+ 15
ºC a + 35 ºC, conforme a estação do ano, e a manter a farinha a
+ 15 ºC em uma cdmara igualmente resfriada, se quisermos utilizar
a água à sua temperatura de distribuição na sala do forno. Tais insta-
lações existem, e a experiência mostra que a refrigeração do ar da
sala do forno é um meio muito eficaz para manter a temperatura da
massa entre os limites fixados para o fim de amassamento.
Com efeito, quando se dá o amassamento, há uma grande quanti-
dade de ar à temperatura da sala do forno que fica incorporada na
massa, e a experiência mostra que:
Em um ambiente de + 35 ºC, com a água muito fria, obtém-se,
253
no fim do amassamento, uma massa a+ 30 ºC.
Em um ambiente de + 25 ºC, com a água â temperatura mtklia,
a temperatura da massa baixa para + 25 ºC.
Em um ambiente frio, com a água quente, obtém-se uma massa
a + 20 ºC no fim do amassamento.
Evidentemente que, nos trt1s casos, foi respeitado o valor do
número-guia. Como o condicionamento da sala do forno e o esfria-
mento da câmara da farinha exigem maiores investimentos que o
esfriamento da água de circulaçio, é sobre estas temperaturas que
atuam a maior parte das panificações.
Este resfriamento é obtido graças a resfriadores de água seme-
lhantes aos resfriadores de água para beber descritos na página 234,
Capítulo XIV; no entanto, no cálculo destes aparelhos é preciso ter
ein conta que a quantidade de água necessária para um amassamento
deve poder ser enchida muito rapidamente, o que implica a neces-
sidade de se dispor quer de uma reserva de água cujo volume depen-
de das condições de trabalho, quer de um dispositivo de acumula-
çio. Estes resfriadores de água podem ser construídos tanto sob a
forma de resfriadores sob pressão, o que permite regular a tempera-
tura da água de escoamento por intermédio de uma torneira regula-
dora, como sob a forma de resfriadores â pressão atmosférica, o que
obriga, portanto, a serem instalados em carga por cima do tabuleiro.
Para determinar a quantidade de água exigida pelas necessidades
da sala do forno, podem-u adotar os seguintes valores:
Para 1 kg de massa é necessário 0,375 litro de água.
1 litro de água permite obter 2,7 kg de massa.

Cimara de massas
A utilizaçio de uma câmara de massas permite prolongar a dura-
çio da fermentaçio de algumas hora~ de 10-12 horas, por vezes
18 horas e até mesmo mais em fins de semana, se se desejar. A tem-
peratura deve ser adaptada a cada caso; os melhores resultados sâ'o
obtidos com as duraç6es de armazenamento menores, ou seja, 10-
12 horas.
Devem ser respeitados dois pontos primordiais: temperatura e
higrometria.

Temperatura
A temperatura da c!imara de fermentaçio controlada depende da
duração desejada para esta fermentaçio e também da quantidade de
levedura contida na massa. '
254
Por exemplo, para uma duração de armazenamento de 12 a 16
horas de uma massa obtida por amassamento rápido, com uma dose
de levedura de 25 g por litro de água de circulação e após levedar
durante uma hora, a temperatura ótima da câmara é de 1O ºC.
Para a panificação de uma massa com fermento e reforçada com
levedura (300 g de fermento e 10 g de levedura por litro de água de
circulação), amassamento rápido e 10 minutos a levedar, a tempera-
tura deverá ser de + 12 ºC a + 14 ºC.
Se se desejar ultrapassar 15 ou mesmo 20 horas de armazena-
mento, é necessário reduzir as doses de fermento e de levedura e
baixar ligeiramente a temperatura da câmara.

Higrometria
A experiência mostra que, na fermentação controlada, é bem
mais fácil baixar a temperatura da câmara ou retardar a atividade
fermentadora das massas, do que evitar a formação de côdeas nos
pães, isto é, uma dessecação superficial.
Para evitar esta formação de côdeas, a higrometria deverá ser
muito elevada:
75 a 80% com evaporadores de circulação de ar natural.
85 a 90% com evaporadores de circulaçlio de ar forçada.
Estes resultados podem ser atingidos se se levar em consideração,
na construção da câmara e na escolha do material, os seguintes ele-
mentos:
- lsolam1W1to reforçado: equivalente a 12-14 cm de cortiça
(estando a câmara geralmente ligada à sala do forno).
- Diferença entre a temperatura da câmara e a temperatura
de evaporaçlio tão reduzida quanto possrvel: cerca de 8 ºC para os
evaporadores de circulação natural, 4 ºC a 5 ºC para os evaporadores
de circulação forçada.
- Tempo de funcionamento do grupo compressor reduzido.
- Velocidade de circulaçâ'o do ar sobre os pães, tio reduzida
quanto possrvel.

Importância da câmara
Evidentemente que o volume da câmara é função do número de
pães, ou do número de carrinhos de pães a armazenar; é preciso ter
em conta o fato de que uma câmara insuficientemente ocupada terá
tendência· à formaçâ'o de côdeas e, portanto, será preferível prever
paredes amovíveis.

255
Exemplo de cálculo de uma cimara de massas
Consideremos que se deseja determinar a potência frigorífica
necessária para o equipamento de uma câmara de massas, conside-
rando um movimento diário de 300 kg, a esfriar de + 25 ºC para
+ 10 ºCem 4 horas.
Duração da permanência das massas: 10 horas.
Calor específico da massa: 0,65 kcal/kg/ .ºC.
Calor de fermentação: 0,2 kcal/kg/. h. ·
As dimens6es da câmara de massas (função da forma de armaze-
namento dos pães) conduziram-nos a um equilíbrio térmico (perdas
pelas paredes, iluminação, ventilação e diversos) de 7 200 kcal/
dia. Cálculo semelhante aos indicados no Capítulo XIII,

Nestas condições, o equilíbrio frigorífico estabelecer-se-é como


segue:
diário horário
em kcal
- Equilíbrio térmico
(paredes, etc.) 7 200 300
- Resfriamento das massas:
=
300 X 0,65 X 15 2 925, ou seja: 3000
. 3000
ou saia, por hora: - 4- = 750

- Calor de fermentação:
0,2 X 300 = 60
ou seja, para 10 horas:
0,2 X 300 X 10 =

Será, pois, necessário escolher uma máquina capaz de produzir


cerca de 1 200 fg/h para compensar as necessidades de demanda
máxima e que funcionará (tendo em consideração os imponderáveis)
°
1 :~ 9 h/dia para assegurar o serviço que lhe é exigido.
1 =
Congelamento do pio
O pão é um gênero facilmente deteriorável que evolui rapidamen·
te após a saída do forno. Uma sárie de transformações que modifi·
cam o aspecto e o gosto do produto transformam o pão "fresco"
em pão "duro".
O tempo de endurecimento é difícil de definir porque o fenô·
256
meno depende de numerosos fatores internos e externos ao produto.
No entanto, é possível afirmar que o pão já não está "fresco" quan-
do a côdea perde o seu estalar. e o miolo a sua elasticidade e o seu
gosto.
Quando atinge este estado, é dificilmente comerciável.
Ora, o pão existe sob duas formas estáveis a temperaturas dife-
rentes:
- pão mole se 9 <-8 ºC ou 9 > 50 ºC;
- pão duro de -6 ºC a+ 50 ºC.
As duas modificações são parcialmente reversíveis, e é do senso
comum que aquecendo o pão duro ele se torna mole mas, em com-
pensaçã'o, endurecerá mais rapidamente.
Existem, portanto, duas soluções para conservar o pão no estado
"fresco":
- ou mantê-lo a uma temperatura superior a + 50 ºC;
- ou congelá-lo e mantê-lo abaixo de - 8 ºC.
A primeira soluçã'o é impossível de considerar porque durante a
cozedura a temperatura do miolo não ultrapassa os 100 ºC e o pro-
duto não fica esterilizado, assim um grande número de bactérias não
é destruído provocando rapidamente a alteraçã'o do produto. 56 a
segunda soluçã'o é industrialmente aceitável.
O estudo da velocidade de endurecimento mostra que esta é
máxima entre + 1 ºC e -5 ºC, e nula acima de + 60 ºC e abaixo de
-7°C.
Portanto, é necessário ultrapassar o mais rapidamente possível
o intervalo de temperaturas entre + 1 ºC a -5 ºC, o que explica as
baixas temperaturas dos recipientes de congelamento (- 20 ºC a
-25 ºC).
Admite-se que é preciso passar de + 30 ºC e + 40 ºC para uma
temperatura inferior a - 8 ºC, em menos de quatro horas. Obtém-se
este resultado para pequenos pães, varas, pães de leite e pies sem
côdea, se a temperatura da câmara de congelamento for de - 22 ºC
e - 23 ºC. Quanto maior for a massa unitária dos pães, menor terá
de ser a temperatura da câmara de congelamento.
Após o congelamento, o pão pode ser conservado durante vários
dias e, por vezes, durante várias semanas a temperaturas da ordem
de - 15 ºC e - 18 ºC. No entanto, no caso de conservação de longa
duraçã'o é necessário embrulhar os produtos, e esta embalagem tem
por objetivo o abaixamento da velocidade de congelamento.
Este congelamento deve ser feito em armários ou câmaras frias
especialmente projetadas para este fim; se esta operaçã'o for realiza-
2fil
da ·em congeladores-cofres, tais como os descritos na página 266,
o pio ficaré com mau gosto se o seu espaço interior for totalmente
ocupado.
Por um lado, as diferenças normais de temperatura entre a parte
inferior e a parte superior do cofre e, por outro, a potência frigorí-
fica disponível, nio permitem que todos os produtos atinjam o
prazo concedido ãs temperaturas críticas.

Descongelamento
O descongelamento, tal como o congelamento, deve ser feito o
mais rapidamente possível. Podem ser utilizados três processos:
- A passagem pelo forno
Logo que saem do congelador, os pies sio introduzidos no forno
durante 2 a 3 minutos. ·
- 01SÇOngelamento normal
Deixa-se o pio descongelar na sala do forno; esta operaçã'o pode
demorar várias horas.
- Descongelamento acelerado
Os pies sio colocados em um compartimento cuja temperatura
é mantida a 70-80 ºC. O descongelamento superficial é obtido em
uns dez minutos, o que é suficiente para os apresentar a consumidor.
- Conservação dos produtos congelados
Os produtos congelados de pastelaria podem ser conservados em
vitrinas verticais envidraçadas, ventiladas ou não, tais como a repre-
sentada na figura 44, pégina 109.

Creme gelado
A importância da fabricação do creme gelado é cada vez maior;
antes de descrever o material frigorífico utilizado, parece-nos útil -
no próprio interesse dos mecânicos do frio - dar algumas explica-
ções sobre esta fabricação.
Os produtos constituintes de uma mistura a gelar são escolhidos
entre os seguintes:
a) Matérias gordas (creme, manteiga sem sal, leite natural, leite
condensado).
b) Extratos sem gordura de leite (pó de leite desnatado).
c) Açúcar (de cana, de beterraba, glicose, sacarina). ·
d) Gemas de ovo (frescas, congeladas, em pó).
e) Estabilizantes (gelatina).
f) Essência (baunilha, framboesa, sucos de frutas, etc.).
258
Não existe uma dosagem bem definida para a formação de cada
mistura. A escolha dos produtos depende, sobretudo, da sua quali-
dade, do seu preço, das necessidades impostas pela concorrência, do
gosto do consumidor, da maior ou menor dificuldade de se encon-
.trarem estes produtos, etc.
Feita a mistura, ela é submetida a operações sucessivas de agita-
ção, de pasteurização, de homogeneização, de pré-refrigeração e de
maturação, antes de se proceder ao seu congelamento.
e evidente que, tanto o processo de fabricação como o material
utilizado, diferem conforme se trate de uma grande fábrica ou de
uma indústria artesanal.

Fabricação industrial
Agitação e pasteurizaçio: os produtos são misturados e batidos
mecanicamente em um recipiente aquecido a 70-72 ºC (durante 20
minutos) ou a 60 ºC (durante 35 minutos). Este tratamento é neces-
sário para se obter a destruição das bactérias.
Em seguida, a mistura é peneirada para se extraírem as partículas
sólidas.
Homogeneização: a mistura peneirada é vazada em uma máquina
de homogeneização e insuflada, sob uma pressão muito forte, atra-
vés de orifícios circulares calibrados de diâmetro muito pequeno.
Esta operação tem por finalidade manter o creme em suspensão no
leite e cindir as moléculas de gordura.
Pré-refrigeração: o produto homogeneizado é dirigido para a
parte superior de um refrigerador (de placa e de injeção), cuja seção
inferior é refrigerada pela circulação de líquidos incongelável ou por
expansão direta de um fluido refrigerante. À saída deste refrigera-
dor, a temperatura do produto refrigerado d cerca de+ 5 ºC.
Maturação: Esta operação é tambdm chamada de envelheci-
mento. Consiste em manter o produto rigorosamente à temperatura
de + 5 ºC, durante cerca de 15 horas. Ela se efetua, geralmente, em
um recipiente refrigerado a + 4 ºC e + 6 ºC por um 1íquido incon-
gelável.
Congelamento: trata-se de agitar novamente a mistura incorpo-
rando ar de maneira a obter o aumento de volume e, simultanea-
. mente, baixar a temperatura desta mistura, transformando-a em
creme gelado.
O aparelho utilizado é um congelador. A fonte de frio pode ser
uma circulação de 1íquido incongelável refrigerado a - 16 ºC e - 18
ºC ou a expansão direta de um fluido refrigerante.
259
O creme sai do aparelho à temperatura de - 5 ºC a - 6 ºC.
Existem dois tipos de congeladores:
a) de produção por operações sucessivas (descontínuo);
b) de produção contínua.
Os congeladores têm a forma de dois cilindros concêntricos. No
interior realiza-se o congelamento do produto e a refrigeração se faz
no espaço circular existente entre os dois cilindros.
A parte externa é cuidadosamente isolada.
Produção descontinua: após ter sido estabelecido o circuito refri-
gerante, introduz-se, no tubo de congelamento, a quantidade preten-
dida do produto a congelar, ao qual se adiciona a essência escolhida.
Um dispositivo de remexer, movido por um eixo central, assegura a
agitação da mistura e a raspagem das paredes por um funcionamento
semelhante ao do parafuso de Arquimedes. Em certos tipos de con-
geladores, são dois elementos móveis que, rodando em sentido con-
trário, asseguram a agitação. A velocidade de rotação é cerca de 200
rpm. A admissão de ar é regulável. Quando se obtém a textura do
creme e o aumento de volume pretendidos, ele é retirado e colocado
no endurecimento.
Produção continua: nos aparelhos de produção contínua o diâ-
metro do tubo de congelamento é, geralmente, menor, mas o funcio-
namento é quase idêntico, tendo em consideração que a chegada do
creme a este tubo de congelamento é ininterrupta.
A mistura e o ar são insuflados para o tubo central à velocidade
requerida para se obter o congelamento desejado. A saída do creme
é igualmente regulável. A temperatura de saída é de - 5 ºC e -6 ºC.
É preciso não esquecer que o tubo de congelamento e o dispositivo
de agitação são em metal inoxidável.
A incorporação do ar na mistura tem uma grande importância.
Ela determina o aumento de volume, o qual dá ao creme o aspecto
e a textura desejados.
Por outro lado, o aumento de volume tem influência no rendi-
mento, pois, na maioria das vezes, o creme é vendido em volume.
Ele caracteriza o aumento de volume inicial da mistura. É expres-
so em função do volume inicial.
Aumento de volume:

F% = Volume do creme gelado - volume da mistura X 100.


Volume da mistura
Na prática, deve ser de 70 a 80%, isto é, com 10 litros de mistura
devem-se obter 17 a 18 litros de creme gelado.

260
Endurecimento: o endurecimento deve ser efetuado logo após a
fabricação, a fim de evitar a formação de cristais de gelo.
Ele é feito em uma câmara fria à temperatura de - 25 ºC e
- 26 ºC. Pode-se obter um resultado mais rápido fazendo passar
previamente o creme por um túnel onde circula ar frio a - 35 ºC
e - 40 ºC; uma hora é suficiente para baixar a temperatura do creme
até cerca de - 15 ºC. O creme é, em seguida, armazenado em uma
câmara a - 25 ºC, como já foi referenciado. A sua permanência nesta
câmara pode ser de alguns dias, aguardando a entrega, em veículos
frigoríficos (-18 ºC), nos diferentes locais de venda.

Fabricação artesanal
Os produtos que entram na fabricação são os mesmos que os
indicados para a fabricação industrial: creme, leite natural, leite con-
centrado, leite desnatado, leite em pó, gemas de ovo, gelatina, etc.
Em fabricação artesanal, a pasteurização - cuja finalidade é a
destruição das bactérias - resume-se, geralmente, à seguinte opera·
ção: o leite destinado à mistura é submetido à ferwra durante 4 a
5 minutos, ou a uma temperatura de 60 ºC durante 1/2 hora. Se o
leite não for utilizado imediatamente, deverá ser armazenado em
câmara fria ou armário à temperatura de + 4 ºC, antes de passar ao
congelamento.
Após a dosagem, os produtos constituintes - incluindo a essência
- são vazados no recipiente de aperto do recipiente de sorvete.
O dispositivo de aperto compreende:
a) a turbina (conjunto motor e acionador·redutorl;
b) recipiente com batedores e raspadores.
Conforme as características de construção e de funcionamento
do conjunto, dá-se às turbinas designações diferentes:
1!1) Turbina denominada americana. O recipiente é ciHndrico
com movimento de rotação simples. Os raspadores imóveis apli·
cam-se - sob a pressão da mistura a apertar - contra as paredes do
recipiente formando. um ângulo que obriga a massa da mistura a
dirigir-se para o centro do recipiente. Esta agitação é, por vezes,
completada pela ação de um batedor, cujo movimento de rotação
é concêntrico, mas em sentido contrário ao do recipiente. A ação
de misturar é, assim, mais rápida e mais completa.
2!1) Turbina denominada italiana. O recipiente é igualmente
cilíndrico. Um agitador raspador de forma helicoidal gira paralela·
mente ao eixo do recipiente, sendo tangente às paredes deste. Em

261
certas fabricações o raspador é animado de um movimento alternado
de subida e descida (Fig. 94).
3!1) Turbina denominada vienense. O corpo do recipiente á cil fn·
drico, mas o fundo é abaulado em forma de meia-esfera. Uma espá-
tula raspadora em madeira mergulhando na mistura assegura a agita-
çã'o. Ela pode deslocar-1ie verticalmente ao longo das paredes do
recipiente por intermédio de manobras manuais.
Quando a operação de aperto é feita em uma sorveteira de líqui-
do incongelável resfriada por evaporador-serpentina, o recipiente
deve estar imerso atá 4/5 da sua altura.
A operaçã'o de aperto consiste em efetuar, simultaneamente, a
mistura e o congelamento. Se o leite ainda estiver morno quando se
estabelecer a mistura, dever-1ie-á esfriar este último até à temperatura
de + 10 ºC e + 12 ºC, antes de se proceder ao aperto, quer mergu-
lhando o recipiente da turbina em água fria, quer colocando-o
4

Fig. 96 - Recipiente de aperto "Carpigiani".


1. 2. 3. Recipiente de contato da espátUla com o recipiente.
4. Espátula helicoidal.
5. Eixo de acionamento do recipiente.
6. Suporte do eixo.
7. Extremidade do eixo.

262
durante um certo tempo em uma câmara fria. Obtém-se, assim,
economia no tempo da operação.

Sorveteira de líquido incongelável


Diz-5e que o móvel é de "uma temperatura" quando só comporta
uma serpentina de refrigeração para a fabricação e conservação do
creme, necessitando os.dois postos de uma temperatura comum de
-16ºC.
O móvel é de "duas temperaturas" quando, além da serpentina já
citada, possuir uma outra de refrigeração para a cuba de endureci-
mento (- 23 ºC).
Neste último caso, o funcionamento frigorífico é assegurado por
uma válvula de expansão termostática, duas válvulas manuais e uma
válvula magnética, em cada um dos circuitos.
O circuito elétrico compreende: um termostato para a regulagem
de cada uma das temperaturas, um contator e um interruptor
manual para cada um dos motores (grupo frigorrtico e turbina).
Finalmente, se o grupo frigorrtico for de refrigeração por água,
será necessário um pressostato de segurança de alta pressão.
Certos montadores preconizam um grupo frigorífico para cada
evaporador. Este só é, talvez, indicado se se desejar utilizar, por
razões profissionais, um só posto, pois, deste modo, realiza-se o tra-
balho com material de menor potência.
Sorveteira de expansão direta
Existem igualmente sorveteiras que funcionam a seco, sendo a
refrigeração por expansão direta. As serpentinas evaporadoras estão
em contato íntimo com os alvéolos a refrigerar (fabricação, conser-
vação, endurecimento).
O isolamento do móvel e de cada um dos compartimentos deve
ser particularmente cuidadoso, pois as temperaturas a manter são
diferentes. A alimentação em fluido de cada um dos evaporadores
faz-se pela parte inferior destes, com o auxílio de uma válvula de
expansão termostática, cujo bulbo de controle está fixado na saída,
fora de contato com o alvéolo;
Antes de cada válvula de expansão, na entrada do fluido líquido,
monta-5e uma válvula magnética comandada por um termostato,
cujo bulbo termostático está fixado à serpentina, em um local onde
o fluido está em estado de vapor saturante. Ela interrompe a alimen-
tação da válvula de expansão quando é atingida a temperatura dese-
jada neste posto.

263
As tubulações de alimentação em fluido das serpentinas evapora-
doras, assim como as de asplraçâ'o, sio ligadas a coletores munidos
de válvulas de acionamento. As uniões com o grupo frigorífico
devem ser feitas com tubo de grande diâmetro.
Finalmente, se o grupo frigorífico for de refrigeração por água,
deve-se prever a instalação de um pressostato de segurança de alta
pressio.
Se a sorveteira só possuir um tabuleiro de congelamento, tam-
bém só terá um de aperto. O endurecimento e a conservaçâ'o far-
se-â'o em instalações separadas.
As sorveteiras podem ser fixas (em madeira ou metálicas) ou
móveis .(metálicas e sobre rodas). O isolamento é feito em cortiça
expandida ligada com breu ou com outro isolante de qualidade equi-
valente (espumas de poliuretano). Deve-se ter o maior cuidado neste
domínio e a espessura deste isolamento é funçio da temperatura a
manter.
Podemos, finalmente, referir que certos fabricantes preferem
usar pequenas ~maras frigoríficas para endurecimento e conser-
vaçâ'o.
Uma operação de aperto dura de 20 a 25 minutos.
Temperatura do líquido incongelável
do compartimento de fabricação: -16°C
Temperatura do líquido incongelável
do compartimento de endurecimento: -22°C a -25°C
Concentração da salmoura 1 : 28°C Baumé
Temperatura do creme à saída do aperto: - 5ºC a - 6°C
Temperatura de conservação: -15°C
Temperatura de endurecimento: - 20 ºC a - 23 ºC
Temperatura de degustaçfo: - 11 ºC a - 12 ºC
Se o congelamento for muito lento, haverá formação de cristais
de gelo. Se for muito rápido, o aumento de volume ficará incom-
pleto e nâ'o haverá ar suficiente Incorporado no creme; diz-se que
este está "pesado",

As m6quinas da "Soft Ice"


Também chamadas máquinas de "gelo expresso" ou "gelo mole",
elas têm uma distribuição certa e podem ser ligadas a um distribui-
dor automático acionado por receptáculo de moedas.
A fabricaçâ'o do "soft ice" é feita por uma máquina cujo prin-

(1) No caso de salmoura de cloreto de cálcio.

264
cípio de funcionamento é o de um congelador, e que contém um
circuito fechando todos os elementos mecânicos e frigorrficos neces-
sários à realização de estados sucessivos do congelamento e da distri-
buição.
A mistura de base ou '.'mix" é liquefeita em uma cuba refrigerada
a temperaturas compreendidas entre O ºC e 6 ºC. A partir desta cuba
ela é introduzida ao mesmo tempo que o ar pressurizado ou não, em
um cilindro horizontal de parede dupla. A temperatura do fluido
frigorífico evaporado no intervalo entre as duas paredes é da ordem
de - 25 ºC. Sob a ação de um agitador, a mistura é homogeneizada
e congelada, e a temperatura de saída do creme gelado ou do sorvete
é de - 5 ºC e - 6 ºC.
Este produto deve ser consumido imediatamente.

Conservadores
São móveis destinados ou a armazenar os cremes gelados que
aguardam a venda, ou destinados à venda destes.
O conservador é, essencialmente, constituído por uma cuba em
aço galvanizado, na qual é fixada externamente a serpentina refri-
gerante. A tendência atual é de construir estas cubas em alumínio
oxidado e de integrar o circuito de refrigeração na espessura do
metal por dilatação hidráulica (ver evaporadores baseados no princí-
pio Roll Bond). A cuba cuidadosamente isolada é colocada em uma
carroçaria metálica móvel sobre rodas. O acesso à cuba é feito pela
parte inferior, graças a tampas de material plástico.
São refrigerados com o auxrno de um grupo hermético alojado
na parte inferior da carroçaria, por baixo da cuba, e estão equipados
quer com válvulas de expansão capilares, quer com válvulas de
expansão automáticas. A temperatura de -18 ºC é regulada por
termostato.
É preciso não esquecer que, se na origem eles tinham por obje-
tivo a conservação dos cremes gelados, atualmente podem ser utili-
zados para a conservação e distribuição de qualquer produto sobre-
gelado.

Congeladores domésticos
É um meio simples de conservação a longo prazo dos gêneros
facilmente deterioráveis recolhidos em grandes quantidades durante
a safra.
Os produtos a congelar devem estar em excelente estado e sufi-
cientemente maduros.

265
- As porções preparadas devem poder ser consumidas de uma
só vez.
- ~ indispensável uma embalagem de qualidade "alimentar"
á prova de ar e água.
- As embalagens devem ser tão finas quanto possível, para que
o congelamento seja rápido e se atinja, em um curto espaço de
tempo, a temperatura de - 18 ºC no interior dos produtos.
Se estas condições forem respeitadas, será possível conservar os
gêneros congelados durante os tempos indicados a seguir:

Carne (boi, bezerro, carneiro) 8 a 12 meses


Porco 6 a 8 meses
Salsicharia 4 a 6 meses
Peixes magros 4 a 6 meses
Peixes gordos 1 a 3 meses
Aves 8 a 10 meses
Frutas, legumes 8 a 12 meses
Pão, pastelaria 2 a 3 meses
Concentrados, sucos de frutas 8 a 12 meses
Pratos cozidos 1 a 2 meses
Cremes congelados 1 a 2 meses

Tabela 37

Os congeladores individuais têm capacidades variáveis de 150 a


800 litros (é necessário contar com cerca de 500 litros para 6 a 8
pessoas, e 100 litros para armazenar 60 kg de produtos).

Congeladores-cofres (Fig. 971


Os congeladores-cofres têm a mesma forma que os conserva-
dores. A cuba é em aço protegida contra a oxidação, e a serpentina
refrigeradora está fixada nas paredes internas da cuba para acelerar
o congelamento dos produtos.
Os produtos a congelar são colocados em cestos de fio plastifi- ·
cado de modo a permitir uma manutenção fácil.
Os grupos utilizados por estes congeladores são herméticos, o
fluido usado é, geralmente, o R 12, a regulagem termostática per-
mite a manutenção de uma temperatura entre - 18 ºC e - 20 ºC, e
um registro de inspeção de alarme assinala qualquer elevação anor-
mal da temperatura.
266
Fig. 97 - Congelador-cofre (Doe. F .S.N .).

Congeladores verticais
Os congeladores domésticos podem igualmente ser fabricados na
forma vertical. Externamente são parecidos com as geladeiras domés-
ticas, mas o isolamento térmico é maior, e cada prateleira é refrigera-
da por circulação de fluido refrigerante. Estas prateleiras são planas
para assegurar um bom contato térmico com os gêneros a congelar.
Estes congeladores têm a vantagem de uma grande comodidade de
emprego, mas são menos apropriados para as funções de congela-
mento que os congeladores-cofres, porque as aberturas da porta pro-
vocam uma perda de frio importante, o que não se verifica com os
congeladores-cofres.

Critérios de seleção
Quando se fazem os ensaios para determinar o poder de congela-
mento de um congelador, exige-se, em primeiro lugar, que o apare-
lho possa, em funcionamento contínuo, descer abaixo de - 23 ºC

2fi1
e em seguida - cláusula essencial - que ele possa congelar em 24
horas, até - 18 ºC, 4 kg de água por 100 litros de volume bruto.
Como a água tem um calor específico mais elevado que os gêne-
ros alimentícios, pode-se, em uma primeira aproximação, considerar
que estes 4 kg de água equivalem a 7 kg de gêneros.

268
CAPÍTULO XVI

MÓVEIS FRIGORÍFICOS ABERTOS


Estes móveis são destinados ao equipamento da distribuiçâ'o dos
produtos frescos ou dos produtos sobregelados. A evolução dos
métodos de venda dos produtos alimentícios revolucionou o pro-
jeto dos móveis refrigerados. Estes devem nâ'o só conservar no frio
os produtos destinados à venda, como apresentá-los de tal forma que
permitam a livre-escolha. A refrigeração destes móveis pode ser asse-
gurada por circulação de ar natural ou por circulaçâ'o de ar forçada.
- A refrigeraçâ'o por circulação de ar natural é ainda usada em
balcões e nas vitrinas que nâ'o possuem uma grande profundidade,
e que nâ'o contêm uma grande quantidade de produtos.
- A refrigeraçâ'o por circulaçâ'o de ar forçada é utilizada quando
a profundidade, portanto a superfície de exposiçâ'o, e o volume
refrigerado são grandes.

Móveis de produtos
frescos
O seu projeto varia con-
forme a sua função: leiteria,
frutas e legumes, carnes, ali-
mentaçâ'o geral, etc.
A refrigeração é assegura-
da quer pela circulaçâ'o natu-
ral do ar, quer. pela circula-
ção forçada.
Quando a refrigeração é
assegurada pela circulação
natural, os móveis têm sem-
pre, na parte frontal, um
vidro que serve de defletor à
Fig. 98 - Vitrina de circulação circulaçâ'o do ar e que evita
natural de ar (corte). perdas importantes de ar
frio. A altura destes vidros é variável e eles servem muitas vezes de
vidro "anti-roubo".
O serviço destes móvl\is-vitrinas pode ser efetuado pelos empre-
gados ou deixado à clientela (vitrina de serviço livre). Neste caso,
devem possuir vidros de pequena altura que permitam o serviço.
A Figura 98 representa um corte de um destes móveis, e indica
269
Fig. 99 - Vitrina de evaporador estático
e grupo incorporado.
-

Fig. 100 - Vitrina de cinco níveis


refrigerados (corte) .

270
o modo como circula o ar tanto na parte de exposição como na de
reserva refri~rada.
- Nas lojas ou supermercados, os móveis de produtos frescos
têm, muitas vezes, a forma de móveis de serviço livre de 2-3-4 ou
mesmo 5 nfveis de exposiç6o. A refrigeraç6o é, nestes casos, assegu-
rada por circulação forçada de ar. O evaporador é colocado, geral-
mente, na parte inferior mas, no entanto, aparecem no mercado
móveis deste tipo com o evaporador colocado na parte superior (Fig.
100). Este-tipo de móvel nã'o possui reserva refrigerada.

Móveis de produtos sobregelados


Sã'o especialmente projetados para a conservaçã'o, a exposiç6o e
a venda de produtos sobregelados. Por tal fato, o seu isolamento é
mais importante do que nos móveis jé citados.
A refrigeraç6o é obtida graças a um evaporador colocado por
baixo da reserva dos produtos sobregelados, e o ar frio é insuflado
por baixo dos produtos por um ventilador colocado também na
parte inferior (Fig. 991.

Fig. 101 - Móvel-vitrina de produtos sobregelados (corte).

O serviço pode fazer-se pelos dois lados do móvel, o que os levou


a serem denominados de móveis "ilhotas". O descongelamento auto·
mático é assegurado por resistências aquecedoras incorporadas no
evaporador, o que o torna rápido e permite evitar a elevaçã'o sensfvel
da temperatura dos gêneros armazenados.
A temperatura interna destes móveis é regulada para -18 ºC,
no caso de produtos sobregelados, e de - 25 ºC, no caso de cremes
gelados.
271
Fig. 102 - Móvel-vitrina "ilhota" para produtos sobregelados (Doe.
F.S.N.).

Fig. 103 - Linha de vitrinas de níveis refrigerados em um


supermerdado (Doe. F.S.N.).

272
Construçio

Todos estes móveis são constituídos por elementos metálicos


com tratamento anti-ferrugem para os componentes internos, e
exteriormente esmaltados em cores claras, com preocupação
estética.
Seu isolamento recorre largamente às espumas de poliureta-
no. São em geral modulares, para permitir a formação de "gale-
rias" de grande comprimento, para exposição dos produtos (Fig.
103).
Quando da colocação destes móveis, é preciso não esquecer que
os escoamentos das águas de descongelamento devem poder fazer-
se facilmente e sobretudo quando postos em funcionamento; a cir-
culação do ar foi estudada em laboratório de ensaio e as alturas-
limite das cargas impostas pelos construtores devem ser escrupulosa-
mente respeitadas, sob pena de perturbar esta circulação e, conse-
qüentemente, de não se poder atingir os resultados desejados.
Os métodos de ensaio dos móveis frigoríficos comerciais estão
padronizados e fazem parte da norma internacional ISO 1992.

273
CAPÍTULO XVII

VEÍCULOS DE TRANSPORTE
DE GÊNEROS
FACILMENTE DETERIORÁVEIS
Existem normas relacionadas com o transporte de gêneros facil-.
mente deterioráveis, as quais modificam profundamente as normas
dos "engenhos especiais para o transporte dos gêneros perecíveis,
bem como as regras relativas ãs temperaturas máximas de trans-
porte a respeitar, em funçio da natureza dos gêneros transportados
(frescos, congelados, ou sobragelados). Essas novas normas precisam,
igualmente, as disposiçc5es relativas à instalação e ã utilização dos
engenhos de transporte e a nova classificaçio destes engenhos.
Estas normas indicam, igualmente, qual deve ser o valor do coefi-
ciente global de transmissfo IKI e definem os métodos de ensaio que
permitem determinar este coeficiente.
A conformidade dos veículos com as normas é verificada por
uma sárie de ensaios, em uma estaçio de ensaios aprovada. Todos os
novos veículos devem ser submetidos a estes testes de qualificaçio
antes de serem postos em serviço. No entanto, se se tratar de uma
fabricaçio em sárie de um determinado tipo, os ensaios incidirão,
pelo menos, sobre 1 % dos engenhos da sárie.

Coeficiente de transmissão de calor (K)


Definiçio: o coeficiente de transmissio de calor em um engenho
isotérmico é igual à quantidade de calor expressa em quilocalorias,
trocada entre o interior e o exterior da caixa do engenho, por metro
quadrado da média geométrica entre as superfícies interna e externa,
por hora e por grau Celsius entre o interior e o exterior da caixa do
engenho.
Ele determina, na prática, as espessuras do isolamento. Esta_
medida do coeficiente de transmissão de calor através das paredes
dos veículos isolados termicamente, pode ser efetuada quer por
refrigeraçfo, quer por aquecimento do interior da caixa do veículo.
Os valores determinados variam um pouco conforme o método utili·
zado. Este fato parece resultar de uma ligeira variaçio da condutivi-
dade térmica dos isolantes em funçio da temperatura.
O método de mediçfo por refrigeraçio da caixa do veículo
parece ser o mais lógico, já que é o que se aproxima mais das condi-
. ç6es de utilização da maior parte dos veículos .
. 275
Quando se utiliza o método de mediçã'o do coeficiente K por
aquecimento do interior da caixa do veículo, o túnel é mantido a
uma temperatura uniforme e constante de aproximadamente 0,5 ºC
em relaçã'o a um nível em que a diferença de temperatura existente
entre o interior do veículo e o túnel seja, pelo menos, de 20 ºC,
estando as paredes da caixa do veículo mantidas a uma temperatura
média de cerca de + 20 ºC.
Logo que o regime permanente for estabelecido, o ensaio será
prolongado durante o tempo necessário, até que fique assegurada a
permanência deste regime (12 horas no mínimo).
Se a determinação do coeficiente global de transmissã'o térmica
(coeficiente Kl for efetuada por refrigeraçã'o do interior do veí·
culo, a temperatura de orvalho do ar do túnel deverá ser mantida
a + 25 ºC com uma oscilaçã'o de mais ou menos 2 ºC.
Damos em seguida algumas indicações resumidas sobre a consti·
tuiçã'o de um túnel de ensaio.
Ele é isolado com cortiça e sâ'o tomadas todas as precauções para
evitar as infiltrações de água no seu interior; as espessuras deste
isolamento sâ'o as seguintes: 14 cm no teto, 10 cm nas paredes e
8 cm no piso. Quanto a este último, é colocado sobre a cortiça uma
camada de concreto. A insuflaçã'o é efetuada por 2 ventiladores de
velocidade variável (débito unitário de 25 a 35 m 3 /minuto).
Instalação frigorlfica. O frio necessário para a refrigeração do
túnel ou da caixa do veículo é fornecido por uma soluçã'o aquosa
de etileno-glicol contida em um tabuleiro com a capacidade de 8 m 3 •
Refrigerada por quatro grupos compressores funcionando com R 12
de 6 000 fg/hora nominais, a soluçã'o é mantida a temperatura cons-
tante por regulagem termostática (oscilação da temperatura 0,2 ºC)
e agitada por um potente agitador.
O termostato assegura o arranque sucessivo dos compressores,
do agitador, da bomba de circulaçã'o da água dos condensadores e
do ventilador do economizador de água.
A soluçã'o etileno-glicol pode ser enviada por bomba e, conforme
o método de ensaio escolhido, quer para o trocador térmico do
túnel, quer para o trocador móvel colocado no veículo em ensaio.
O aquecimento do túnel é assegurado por circulaçã'o de água
quente. Uma caixa móvel compreendendo um trocador térmico,
uma bateria de resistências elétricas e um ventilador para assegurar
a agitaçã'o do ar, é colocada no veículo para manter a temperatura
da caixa do veículo com uma diferença determinada em relaçã'o ã
temperatura do túnel. O funcionamento da instalaçã'o do túnel é
automaticamente regulado por termostatos de pequeno diferencial.

276
As temperaturas sfo conhecidas por intermddio de pares termo·
elétricos e de um potenciõmetro eletrônico registrador.
As principais temperaturas marcadas sfo as seguintes:
ai Temperatura média do túnel.
bl Temperatura mddia da caixa do veículo.
c) Diferença mddia de temperaturas entre o túnel e a caixa do
veículo.
d) Temperaturas da soluçio fria ã entrada e ã saída do trocador
colocado na caixa.
e) Diferença de temperaturas entre a entrada e a saída da solu·
çâ'o fria do trocador móvel.
Se se tratar de um ensaio por aquecimento da caixa do veículo,
a relação de calor será feita por resistlncias elétricas de modo que,
a temperatura do túnel sendo constante, se estabeleça um regime
permanente através do isolamento do veículo.
A energia dispendida pelas resistências e pelo vQntilador da agita·
çio é medida em contador. Para o ensaio por refrigeraçio estabe-
lece-se a circulaçio da soluçio de etileno-glicol no trocador móvel
colocado na caixa do veículo. Trata-se de estabelecer um regime
térmico permanente com diferença determinada e constante de tem·
peratura.
O erro relativo total da mediçio do coeficiente K de transmissfo
térmica é, no máximo, de± 3%.

K: é definido pela seguinte relaçio: K = ( W . • sendo:


A lle-111 1
W: a potência térmica trocada em regime permanente;
A: a superfície mddia do veículo (A= .J Ai X Ael; onde
Aí: é a superfície interna;
Ae: a superfície externa; e
(lle -llil: a diferença de temperaturas, externa e interna.
A perda horária teórica pelas paredes é dada por:
O= KA (lle- llil watts ou kcal/h.
Considerando que existem vários fatores que sfo suscetíveis de
modificar, até ao dobro, as perdas pelas paredes quando o veículo
está em serviço, admite-se que as perdas horárias reais sejam dadas
por:
a= 2 KA (lle - 11i1.
m
CARACTERl~TICAS DOS VElê:ULOS
Existem quatro classificações principais de categorias de veículos
de transporte:
o veículo isotérmico
o veículo refrigerante
o veículo frigorífico
o veículo calorífico

Definição de um veículo
Veículo isotérmico
i: um veículo cuja caixa é construída com paredes isolantes,
incluindo as portas, o piso e a cobertura, permitindo limitar as
trocas de calor entre o interior e o exterior da caixa sem utilizar uma
fonte de frio ou de calor.

Veículo refrigerante
Veículo isotérmico que, com o auxílio de uma fonte de frio, não
mecânica nem de absorção, permite baixar a temperatura no interior
da caixa vazia e mantê-la de acordo com as condições impostas.

Veículo frigorífico
Veículo isotérmico munido de um dispositivo de produção de
frio (equipamento mecânico ou de absorção), individual ou coletivo
para vários veículos de transporte, que permite baixar a temperatura
rio interior da caixa vazia e mantê-la de acordo com as condições
impostas.

Veículo calorífico
Veículo isotérmico munido de um dispositivo produtor de calor,
que permite elevar a temperatura no interior da caixa vazia e mantê-
la de acordo com as condições impostas.

Classe de um veículo
Em cada categoria são definidas - em função das suas caracterís-
ticas próprias - várias classes de veículos. Assim, teremos:
Duas classes de veículos para os isotérmicos e os caloríficos
Ae B.
278
Três classes para os refrigerantes: A, B e C.
Seis classes para os frigoríficos: A, B, C, D, E e F.
As classes correspondem aos seguintes critérios:

Veículo isotérmico
Isotérmico normal
Veículo cujo coeficiente global de transmissão, medido como já
foi indicado,é inferior ou no máximo igual a 0,7 W/m 2 .°C (0,6 kcal/
h.m 2 • ºC).

Isotérmico reforçado
Veículo cujo coeficiente global de transmissâ'o é inferior ou no
máximo igual a 0,4 W/m 2 .ºC (0,35 kcal/h.m 2.°CI.

Veículo refrigerante
Veículo isotérmico cuja fonte de frio deve permitir baixar a tem-
peratura da caixa vazia, e mantê-la em seguida para uma temperatura
externa de+ 30 ºC:
a + 7 ºC, no máximo, para a classe A;
a -1 O ºC, no máximo, para a classe B;
a - 20 ºC, no máximo, para a classe C.
O coeficiente global de transmissão térmica (K) dos veículos
das classes B e C deve, obrigatoriamente, ser igual ou inferior a
0,4 W/m 2 • ºC (0,35 kcal/h.m 2 • ºC).
Veículo frigorífico
Veículo isotérmico cujo equipamento frigorífico permite baixar
a temperatura e, em .seguida, manter, de maneira permanente no
interior da caixa vazia, temperaturas praticamente constantes como
as definidas em seguida, para uma temperatura média externa de
+30ºC.
Classe A: qualquer temperatura entre+ 12 ºC a O ºC;
Classe B: qualquer temperatura entre + 12 ºC a -1 O ºC;
Classe C: qualquer temperatura entre + 12 ºC a -20 ºC;
Classe D: temperaturas compreendidas entre O ºC e+ 2 ºC;
Classe E: temperatura igual ou inferior a -1 O ºC;
Classe F: temperatura igual ou inferior a - 20 ºC.
O coeficiente K dos veículos das classes B-C-E-F deve ser obri-
gatoriamente igual ou inferior a 0,4 W/m 2 • ºC (0,35 kcal/h.m 2 • ºCI.
279
Veículo calorífico
O dispositivo de produção de calor deve permitir a elevação da
temperatura no interior da caixa vazia e mantê-la, seguidamente,
em um valor escolhido praticamente constante e não inferior a
+ 12 ºC, a temperatura média externa da caixa sendo aquela indi-
cada em seguida para as duas classes.
Classe A - Veículo calorífico para uma temperatura média
externa de -1 O ºC.
Classe B - Veículo calorífico para uma temperatura média
externa de - 20 ºC.
O coeficiente K dos veículos da classe B deve ser obrigatoria-
mente igual ou inferior a 0,4 W/m 2 • ºC (0,35 kcal/h.m 2 • ºC).

ACORDO EUROPEU DE 19 DE JUNHO DE 1957

Transfrigoroute - Europa
Tem interesse em assinalar a ação da TRANSFRIGOROUTE no
domínio da construção e da utilização dos veículos de transporte
rodoviário dos gêneros facilmente deterioráveis.
Os construtores das carroçarias, membros desta organização que
agrupa os especialistas de 10 países europeus, impuseram-se a si mes-
mos normas de fabricação rigorosas que justificam os processos reali-
zados no decorrer dos últimos anos.
Trata-se, com efeito, de um acordo profissional internacional que
entrou em vigor em 1 ÇI de junho de 1957.
Em fichas técnicas editadas pelo seu comitê técnico consultivo,
este organismo definiu as regras de padronização referentes às carro-
çarias, grupos frigoríficos, dispositivos de refrigeração, de ventilação,
de aquecimento, etc. e estabeleceu os critérios aos quais devem cor-
responder os diferentes veículos para se obterem os melhores ser-
viços. Por outro lado, deu indicações sobre o método a aplicar para
o cálculo da potência necessária à manutenção da temperatura
interna, e forneceu dados sobre a potência dos dispositivos de refri-
geração, de aquecimento, de ventilação, etc.
Os critérios do acordo são semelhantes aos dos definidos pelo
ATP de Genebra e retomados no decreto de 19 de fevereiro de 1974.
Eles estão consignados nas fichas técnicas CCT de 1 a 10, cuja últi-
ma edição data de 1 9 de janeiro de 1974.
Assinalemos, no entanto, que a TRANSFRIGOROUTE previu
o "arejamento" dos veículos isotérmicos quando a temperatura

280
externa apresentasse um valor semelhante ao da temperatura de
transporte dos gêneros.
Neste caso, o débito de ar horário admitido no veículo deve ser
superior ou, no mínimo, igual a 60 vezes o volume interno da caixa
do ve(culo, e isto para uma velocidade de 50 km/h. Isso implica que
a superfície das aberturas de entrada e de sa(da do ar tenham os
valores m(nimos seguintes:
. · 13X60XJ 2
Aberturas livres: AE 1 = AS, ;;.,
'
50000
m

. 2X60XJ
Aberturas protegidas: AE 2 = AS 2 ;;., 50000 m 2

onde AE: superfície de entrada;


AS: superf(cie de saída;
J: volume interno da caixa do veículo.
Para os veículos refrigerantes ou frigoríficos a ventilação deve
representar, no m(nimo, 60 vezes o volume interno da caixa do
veículo.

Constituição das carroçarias


A técnica de construçio dos ve(culos de transporte com tempe-
ratura controlada evoluiu bastante após as primeiras realizações,
em virtude da transformação dos métodos demasiadamente empí-
ricos utilizados durante muitos anos e da qualidade de novos mate-
riais postos él disposição dos construtores. Podem-se fixar, como
segue, as etapas desta evoluçio:
ai Na origem a carroçaria era em caixa de madeira isolada inter-
namente com cortiça.
b) A caixa era constitu (da por uma armaçio em madeira de lar-
gura igual ao isolamento previsto. Este isolamento era embutido nos
componentes. As superfícies interna e externa da caixa eram reves-
tidas com chapa galvanizada. Em uma tal construçâ'o os "pontos
transmissores de calor" eram numerosos.
c) A carroçaria era composta por duas caixas independentes.
A cai.xa interna, considerada como portadora e sofrendo, por isso,
as pancadas da carga quando o ve(culo freava ou nas curvas, era
constru (da em perfilados metálicos leves com revestimento de
chapas do mesmo metal.
A armação externa, como só tinha por objetivo a manutençio
do isolamento e a sua proteçio contra as intempéries, era de cons-
281
truçfo leve com revestimento externo.
Nã'o havia ligaçã'o entre as duas caixas.
Esta última técnica marcava um progresso efetivo que se acen-
tuaria com a apariçá'o, no mercado, de novos materiais isolantes
que possuíam as melhores qualidades possíveis exigidas para o isola·
mento de caminh6es frigoríficos: pequena densidade, fraca condu-
tividade térmica, nfo higroscópicos, boa resistência mecânica, boa
resistência às vibrações e incombustfveis.
A cortiça, que foi durante muito tempo o único material isolante
utilizado nos caminh6es frigor(ficos, foi completamente abando·
nada. O seu peso especffico e o seu coeficiente de condutividade
sio elevados em comparaçá'o com os dos isolantes utilizados atual·
mente. Tivemos o Alfol (delgadas folhas de alum fnio comprimidas),
o lsoflex <acetato de celulose impregnado de pó de alumínio) e a
li de vidro (impregnada de breu ou de baquelite); sio materiais de
qualidade, mas que nlo têm resistência mecânica, o que nfo corres-
ponde à exigência da técnica atual que tende, cada vez mais, a tomar
mais leve a armaçfo externa.
O problema parece resolvido com os materiais plásticos expandi·
dos: o cloreto de polivinilo expandido endurecido, o poliestireno
expandido e as espUmas de poliuretano.
O primeiro apareceu há alguns anos com o nome de Klegecell.
Sob a forma de placas fixas por colagem entre dois revestimen·
tos,. é utilizado como painéis-sandu fches (cola especial à base de
matérias plásticas). Esta colagem exige certas precauç6es. ~feita sob
pressfo a 700 g/cm 2 e mantida durante 12 horas. O painel é utilizá-
vel alguns dias após a colagem.
Os revestimentos podem ser metálicos (em durai da 10/10 para
o exterior da caixa e 15/10 para o interior) ou em durai de 10/10
para o exterior e em poliéster de 20/10 para o imarior.
Os diversos painéis-sandufches que constituem a caixa do veículo
são de uma só peça; a reunifo é feita por chavetas transversais cola-
das em Klegacell. Os revestimentos das juntas sfo feitos por solda-
dura ou rebitagam para os revestimentos metálicos, a por colagem
para os revestimentos em poliéster ou em madeira compensada.
A resistfncia mecânica dos painéiwandufches a a rigidez do seu
conjumo são tais que foram eliminados os componentes metálicos
internos.
Certos construtores suprimiram até os suportes metálico! dos
barrotes transversais de ancoragem das carnes. Estes barrotes sio
fixados diretamente ao poliéster por imarrnédio da parafusos am
urna comraplaca colada entre o poliéster a o Klegecell. A fixaçfo da
282
caixa ao seu caixilho é assegurada por bloqueio, graças a uma canto-
neira angular assentada no Klegecell (Fig. 104).

Fig.104 - Carroçaria sem


armação.
1. Chaveta transversal
de união e colagens.
2. Revestimento exter-
no em liga leve.
3. Cobrejunta. 5
4. Isolamento (Klege-
cell).
5 . Juntas coladas.
6. Placa de reforço em
aço para a fixação
dos arrotes de anco-
ragem.
7. Ancoragem desli-
zante.
8. Revestimento exter- 8
no.
9. Revestimento interno
em poliester.
10. Isolamento.
11. Chaveta transversal
colada.
12. Porca de união soli-
dária com a canto-
neira de íixação.
13. Pino de ligação.

As espumas rígidas de poliuretano são também utilizadas.


O seu peso espec(fico e o seu coeficiente de condutividade pouco
elevados e a sua boa resisténcia mecânica, fazem delas bons materiais
para o isolamento dos veículos frigoríficos.
A sua colocaçâ'o é semelhante à do Klegecell, isto é, em painéis-
sandu íches por colagem entre dois revestimentos da mesma natureza
do que sâ'o utilizados com o Klegecell. O isolamento pode igual-
mente ser feito "in situ", com os revestimentos internos e externos
da caixa obtidos conjuntamente em moldes metálicos. !: a técnica
que permite pensar na supressão da armação .interna.

283
A utilização dos novos materiais isolantes e o grande melhora-
mento da técnica de montagem permitiram reduzir bastante o peso
morto relativamente à construção da "armação dupla"; por outro
lado, obtém-5e o mesmo coeficiente de transmissão de calor com o
isolamento reduzido à metade.
Em resumo, a carroçaria de dupla armação desapareceu, mas a
de armação interna aplicada tem ainda os seus adeptos; a carroçaria
de elementos-sandu fches, sem armação, parece ser a forma mais
capaz de levar os veículos frigorfficos ao valor mfnimo da relação
peso total/carga útil, nas melhores condições de utilização.

Natureza dos g§neros


São definidos como segue:

Refrigerados - Congelados - Sobregelados


Refrigerados - Gêneros cuja temperatura de transporte deve ser
mantida entre O ºC e + 10 ºC.
Congelados - Gêneros cuja temperatura no interior foi diminuf-
da abaixo do ponto de congelamento.
A temperatura de transporte varia segundo os gêneros.
Sobregelados - Gêneros cuja temperatura no interior foi dimi-
nu fda para -18 ºC. A temperatura de transporte não deve ser supe-
rior a - 15 ºC.
Regra geral: Os gêneros já devem estar à temperatura, antes da
sua introdução nos caminhões de transporte.

Refrigeração por gelo hídrico


Na generalização dos casos, ela permite obter uma temperatura
compreendida entre + 5 ºC e + 1O ºC.
Dispõe-se o gelo em uma caixa especial com clarabóias que con-
têm um recipiente para recolher a água de fusão.
A evacuação desta é feita em um sifão, por tubo plástico. A velo-
cidade de fusão do gelo é função:
ai da diferença de temperatura entre este e o ar a refrigerar;
b) da velocidade de circulação do ar;
c) da grandeza das superffcies de contato entre o ar e o gelo;
d) do teor de umidade do ar.
O fluxo do ar é dirigido mecanicamente sobre os painéis e insu-
flado na massa dos produtos transportados.
284
Para um caminhão bem isolado, o consumo horário de gelo é de
12 a 15 kg por tonelada de gêneros a refrigerar.
O gelo hídrico é o meio mais simples de refrigeração, mas ele
constitui uma sobrecarga apreciável para o veículo.
Refrigeração por gelo carbônico
A temperatura muito baixa de sublimação do gelo carbônico
(-80 ºCI permite obter a manutenção, a temperaturas negativas,
de caixas de veículos e, pelo mesmo motivo, assegurar o transporte
de gêneros congelados ou sobregelados, o que é impossível com o
gelo hídrico.
O princípio de funcionamento dos aparelhos geradores de frio
é o seguinte: (1) o gelo carbônico é colocado em uma caixa metálica
cujo fundo é varrido externamente pelo ar pulsado por UIT) eletro-
ventilador de agitação, e um dreno que recebe as águas de condensa-
ção forma a segunda face de um conduto de ar que obriga estes a
"tocar de leve" a tela sobre a qual repousa o gelo carbônico.
O ar assim refrigerado circula sobre os gêneros e é aspirado pelo
eletroventilador. O funcionamento do dispositivo pode ser facil-
mente automatizado com o auxmo de um termostato que corte a
corrente de alimentação do eletroventilador ligado ao terminal posi-
tivo da bateria; para evitar um grande consumo de gás carbônico,
pode-se utilizar um interruptor de entalhe que pare o eletroventila-
dor quando se abrem as portas.
O anidrido carbônico, proveniente da sublimação do gelo carbô-
nico, pode ser rejeitado quer no veículo, quer no exterior.
Misturas refrigerantes
A temperatura obtida com .as misturas gelo h ldrico-sal marinho
é função da porcentagem de sal.
Ela baixa de 0,5 ºC por proporção de 1% de sal em relação à
mistura.
Podem-5e igualmente fazer misturas de gelo hídrico e de g~lo
seco.
Elementos aJtéticos - Estes elementos apresentam-se sob a
forma de caixas delgadas que contêm a solução refrigerante.
No interior da caixa é colocada uma serpentina munida de uniões
à entrada e à saída, servindo para a recarga destes acumuladores de
frio, por ligação com um circuito frigormco. .
Estes elementos eutéticos podem ser fixos ou amovíveis.
São "recarregados" de noite por um grupo frigorffico de coman-
do elétrico fixo montado sobre o caminhão e ligado ao quadro

285
elétrico da garagem, ou por circulaç4'o de líquido incongelável pro-
duzida por uma central instalada com posto fixo na garagem do
depósito. Na primeira soluçã'o, o caminhã'o pode recarregar as suas
placas eutdticas em qualquer garagem e, na segunda, deve obriga-
toriamente retornar ao depósito.
Estes elementos, cujas dimensões sã'o variáveis conforme as cons-
truç6es, podem atingir até 1,40 m X 0,60 m· X 0,07 me podem ser
colocados verticalmente ao longo das paredes, ou serem suspensos
horizontalmente no teto.

Refrigeraçio por nitrogênio líquido


Trata-se de um sistema Cryogaf1 que permite obter todas a\
baixas temperaturas de transporte utilizando o calor latente de vapo-
rizaçã'o do nitrogênio líquido; mas, como à pressã'o atmosférica ele
ferve a -196 ºC, a troca térmica é muito acelerada, graças à dife-
rença de temperaturas existente entre o nitrogênio lfquido e os pro-
dutos.
Para pôr em funcionamento este processo, é montado no interior
do veículo um recipiente de armazenamento de nitrogênio lfquido,
isolado sob vácuo. Uma rampa formada por um tubo de cobre perfu-
rado é ligada a este recipiente, cujo enchimento em nitrogênio lfqui-
do pode ser feito do mesmo modo que a do depósito do carburante.
A alimentaçã'o desta rampa é comandada por uma válvula mag-
nética. Um termostato regulado para a temperatura desejada asse-
gura, por intermédio da válvula magnética, a admissio do nitrogênio
líquido na rampa de pulverizaçã'o e interrompe esta alimentaÇã'o
em tempo oportuno. O nitrogênio é vaporizado à presslo de-0,7
a 1.5 bar, sendo a válvula de segurança do recipiente regulada para
1.5 bar.
Um interruptor de segurança colocado perto da porta de acesso
ao espaço refrigerado e um interruptor de entalhe l>ermitem parar
o dispositivo de pulverizaçã'o em caso de permanência prolongada
no interior do veículo ou em caso de abertura da porta. Nos semi-
reboques, os dispositivos utilizados, semelhantes no seu princípio
ao descrito anteriormente, sã'o de regulagem pneumática.

Refrigeraçio mecânica autônoma


~o processo mais regular de refrigeraçã'o.
O material deve poder manter a temperatura e o grau higromé-

(1) Patente de "Air Liquide".


286
trico desejados no recinto, tendo em consideraçio o seu volume, o
coeficiente de transmissio e a temperatura externa.
Ele é praticamente sempre projetado e executado sob a forma
de monoblocos facilmente amovíveis e colocados na parte superior
e frontal dos veículos.

Grupos monoblocos amovíveis


Esta forma de equipamento tem, entre outras, a vantagem de
não exigir nenhum trabalho de montagem frigorífica no veículo;
o conjunto montado na usina é fixado sobre o caminhio, na parte
superior frontal, por cima da cabina do condutor. Esta fixação é
feita por bloqueio rápido e fácil. ~ de assinalar, igualmente, que o
peso e o espaço ocupado por um "monobloco amovível" sio redu-
zidos. Entre estes aparelhos, o grupo THERMO-KING (fabricação
americana) e o seu derivado, o THERMOBIL (fabricação france-
sa), são os mais conhecidos (1).
Os grupos monoblocos têm numerosos modelos diferentes que
permitem a refrigeraçio, desde pequenos caminhões de distribuição
até à de reboques e de semi-reboques, constituindo verdadeiras
câmaras frias móveis. Certos modelos permitem não só a refrigeração
da caixa do veículo, mas também o seu aquecimento no inverno.
O funcionamento do compressor é assegurado por um motor a gaso-
lina, ao qual está anexo, por vezes, um motor elétrico, para o funcio-
namento como posto fixo. Para o funcionamento dos grupos de
maior potência é utilizado um motor Diesel.

Automatismo
O funcionamento automático pode ser obtido de duas maneiras
diferentes.
Em certos modelos, o automatismo é total: o arranque e a para-
da do compressor estão dependentes do fecho ou da abertura de
um termostato e, neste caso, é necessário utilizar uma aparelhagem
complexa e delicada.
Em outros modelos a temperatura é igualmente mantida automa-
ticamente por termostato, mas o funcionamento é assegurado de
modo diferente.
No arranque, o motor gira em pleno regime, até ser atingida a
temperatura desejada. O motor fica então funcionando em marcha

(1) Existem, evidentemente, outros fabricantes de materiais


semelhantes.
287
reduzida e o compressor pára, graças à ação de uma embreagem
centrífuga. Quando a temperatura no veículo se eleva até um valor
previsto, o motor retorna ao seu regime normal e o compressor entra
igualmente em funcionamento sob a ação da embreagem centrífuga.
O funcionamento do grupo é automático; o arranque e a para-
da são comandados por um termostato cujo elemento sensível está
colocado no interior do veículo.
O arranque do motor é assegurado por um dinamotor acoplado
por correia ao motor. Quando o motor atinge a sua velocidade nor-
mal, o dinamotor assume o papel de dínamo e recarrega as baterias,
cuja função é alimentar o motor elétrico de 12 volts, assegurando
a circulação do ar no interior da caixa refrigerada.
Fluido refrigerante: R 12.
A Figura 150 da página 447· representa o esquema elétrico de um
grupo monobloco THERMO-KING.

Vagões de transporte de temperatura controlada


Descrevemos, na página 248, um vagão refrigerante de gelo hídri-
co; a Figura 95 representa um corte longitudinal deste vagão. Se bem
que os vagões refrigerantes sejam os mais numerosos, como demons-
tram os números citados em seguida, existem igualmente vagões iso-
térmicos e vagões frigor(ficos. Estes últimos aumentam constante-
mente e de 22 em fin's de 1970, passaram para 62 em 1973. Eles
permitem transportar gêneros frescos, congelados ou sobregelados,
conforme o equipamento frigorífico de que dispõem. Os vagões
refrigerantes podem, igualmente, satisfazer esta necessidade mas,
neste caso, é preciso substituir o gelo hídrico pelo gelo carbônico,
ou por um dispositivo "Cryogal" de vaporização ê:le nitrogênio líqui-
do, semelhante, quanto ao seu princípio funcional, ao descrito na
página 286; a regulagem, neste caso, é também pneumática.

Importância dos materiais utilizados


Depois de ter visto a quais características devem atender os veí-
culos de transporte de gêneros perecíveis e os meios utilizados para
manter o interior do veículo à temperatura necessária para o trans-
porte, é preciso situar o problema do transporte desses gêneros
examinando o que representa a frota de veículos equipados para
esse fim conforme a legislação relativa a transporte rodoviário e/ou
ferroviário.

288
Transporte rodoviário
Em 1973 a frota francesa, p. ex., contava com cerca de 24 000
veículos de transporte com temperatura interna controlada. Adis-
tribuição entre os três tipos principais era_ aproximadamente a
seguinte:
Frigoríficos: 11 000
Refrigerantes: 5 000
Isotérmicos: 8000

Transporte ferroviário
Para o mesmo ano a frota ferroviária francesa (nâO se conside-
rando os vagões lnterfrigo explorados na França) elevava-se a cerca
de 3 100 vagões. A distribuição entre os três tipos era aproximada-
mente a seguinte:
Frigoríficos: 62
Refrigerantes: 2900
Isotérmicos: 100

289
CAPÍTULO XVIII

MÁQUINAS DE ABSORÇÃO
REFRIGERAÇÃO TERMELÉTRICA
GELO CARBÔNICO

Nestas máquinas, o frio é produzido por evaporação de um líqui-


do volátil que é, geralmente, o amonfaco.
O vapor de amonfaco, proveniente da evaporaçã"o a baixa pressá"o
do amonfaco líquido, deve ser submetido a uma pressão superior
para poder ser novamente condensado.
Este resultado é obtido utilizando a propriedade apresentada
pela água de absorver, a frio, uma grande quantidade de gás amo-
n faco, e de restituir este gás quando se aquece a solução rica assim
formada.
A O ºC, a água absorve, de fato, cerca de 1 000 vezes o seu volu-
me em gás amoníaco e ainda 700 vezes o seu volume a + 15 ºC.
Ela restitui a quase-totalidade deste gás se se aquecer a solução a
100 ºC.
A solução água-amoníaco não é o único sistema binário (solven-
te/fluido refrigerante) utilizado nas máquinas de absorção. Existem
sistemas nos quais a água é substituída por um absorvente sólido e
outras combinações: glic6is-frt!ons ou água-brometo de lítio, etc.
Estas combinaçéies nio entram no domínio das pequenas máquinas
domésticas.
Foi F. Carré que, em 1859, construiu a primeira máquina que
utilizava a mistura água-amoníaco, cujo princípio de funcionamen-
to era o seguinte: uma solução amoniacal contida em uma caldeira
era aquecida sob pressão. O vapor de amoníaco que se desprendia
passava em um retificador onde se libertava do vapor de água arras-
tado e o gás de amoníaco anidro entrava em um condensador refri-
gerado por água onde se condensava, cedendo o seu calor ã água de
circulação.
O amoníaco líquido passava em seguida através de uma válwla
de expansão e era admitido em um evaporador, onde se vaporizava,
produzindo frio a baixa pressá"o e a baixa temperatura. Estas mes-
mas condiçc5es de vaporização a baixa pressão e a baixa temperatura
deviam ser mantidas para permitir a recuperação da solução que
vinha da caldeira empobrecida em amoníaco. Era a finalidade do
absorvedor, no qual o vapor de amonfaco se dissolvia na água amo-
niacal proveniente da caldeira. O calor de absorção era transmitido
à água de refrigeraçio.
291
Portanto, tínhamos no absorvedor uma solução rica, isto é, de
forte concentração que, aspirada por uma bomba, era insuflada
primeiramente em um trocador de calor onde era aquecida circulan-
do em contracorrente com a solução pobre, e em seguida na caldeira
onde era aquecida, empobrecida em amoníaco, reenviada ao traca-
dor, voltando ao absorvedor através de uma válvula de regulagem.

Máquina de difusão
No sistema que acabamos de descrever, é necessário uma bomba
de comando mecânico, para insuflar na caldeira a solução rica for-
mada no absorvedor, pelo fato de existirem diferenças de pressão
entre estes dois órgãos. Pela mesma razão, são necessárias duas vál-
vulas de regulagem no circuito. Em 1899, o físico Gepper tentou
introduzir no sistema um gás inerte (não sujeito à absorção), para
obter uma pressão igual em todas as partes. Ele fracassou, mas a
idéia foi retomada com sucesso por Platen e Munters e depois por
Maiuri, que realizaram, assim, uma máquina de "difusão" e não "de
absorção" como é chamada normalmente, porque nesta máquina
de gás inerte a evaporação do amoníaco a baixa temperatura não
é produzida por absorção, mas pela difusão do amoníaco no gás
inerte, previamente separado do amoníaco no absorvedor. O fenô-
meno fundamental reside, portanto, na circulação do gás inerte; a
produção de frio é proporcional ao peso específico do vapor prove-
niente da ebulição do 1íquido e ao volume do gás inerte em circula-
ção, por unidade de tempo.
A potência frigorífica da máquina de difusão varia com atempe-
ratuni de evaporação, na mesma proporção que em um compressor.
Mas, em uma máquina de gás inerte, se a circulação deste gás decres-
cer quando a temperatura diminuir, a quebra de produção poderá
ser muito grande, emquanto que, em uma máquina de absorção,
a potência frigor{fica será independente da variação do peso especí-
fico do vapor de amoníaco. Existe, portanto, uma diferença signifi-
cativa entre estes dois tipos de máquinas.
No domínio das geladeiras domésticas, a mais conhecida das
máquinas de difusão de gás inerte é a Electro-Lux, concebida por
dois engenheiros suecos: MM. Platen e Munters. O hidrogênio foi
o gás escolhido para equilibrar a pressão em todos os órgãos. Para
enviar a solução rica para a caldeira, substituiu-se a bomba mecâ-
nica por um dispositivo muito simples, com bastante êxito; con-
siste no aquecimento forçado da solução rica se escoando em um
tubo de pequeno diâmetro (8 mm) enrolado em espiral na base do
tubo em chaminé da caldeira. ~ um termoemulsor. Sob a ação do

292
calor, desprendem-se bolhas de gás amoníaco da solução, provocan-
do, assim, a subida desta solução no tubo, alimentando a caldeira
pelo descarregamento da coluna líquida. Eis aqui, aliás, o funciona-
mento do aparelho Eletro-Lux {Fig. 105).

3 6

C-.J NH 3 Llquído n Solução rica


D NH 3 Gasoso E solução pobre
D Hídrog6nío O NH 3 e hídrog6nío

Fig. l 05 - Esquema da máquina de difusão Electro-Lux.


1. Condensador.
2. Retificador separador de água.
3. Caldeira.
4. Solução pobre deixando a caldeira.
5. Absorvedor.
6. Tubo de chegada do amoníaco ao evaporador.
7. Evaporador.
8. Trocador de calor (hidrogênio amoníaco hidrogenado).
9. Trocador de calor (solução pobre - solução rica).
10. Torneira de carga.
11 . Chaminé.
12. Termoemulsor.
Uma solução de água-amoníaco está contida na caldeira formada
por dois tubos concêntricos. O tubo central serve de chaminé para
o aquecimento cuja fonte pode ser uma resistência elétrica, um

293
aquecedor a gás, ou um aquecedor a petróleo. Quando a tempera-
tura da solução se eleva, o amoníaco gasoso se desprende; este passa
por um separador, onde se livra de uma pequena quantidade de
água, pequenas gotas, ou vapor, que ele arrastou. Esta água, conden-
sada, retorna para a caldeira. Deixando o separador, o amoníaco
gasoso e purificado chega ao condensador, constitu(do por um tubo
com aletas, onde ele é refrigerado. Os vapores de amoníaco se con-
densam, o amoníaco líquido se escoa então por gravidade para o
evaporador que está ligeiramente mais embaixo que o condensador.
Chegando à parte superior do evaporador, ele cai sobre uma série
de discos perfurados e sobrepostos em chicana. Ele jorra formando
uma película de líquido sobre cada um dos discos, espaçados de
cerca de 1 cm, o que tem por objetivo facilitar a evaporação e se
misturar com o hidrogênio.
A evaporação faz-se com absorção de calor, portanto produção
de frio, no evaporador e a temperatura obtida será tanto mais baixa
quanto mais baixa for a pressão do gás amoníaco.
Vimos que a pressão é a mesma no evaporador e no absorvedor,
mas a mistura de gás amoníaco-hidrogênio no evaporador tem uma
densidade mais forte que aquela do hidrogênio no absorvedor onde
o gás amoníaco é absorvido pela solução pobre. Daí resulta um dese-
quilíbrio que determina o movimento dos gases amoníaco-hidrogê-
nio do evaporador para o absorvedor, tanto mais que este último
está colocado em um plano inferior ao evaporador. Deixando o eva-
porador, a mistura gás amoníaco-hidrogênio vai para o absorvedor.
Apenas o gás amoníaco é absorvido enquanto que o hidrogênio
retorna para o evaporador passando pelo trocador de calor. Ao
absorvedor chega a solução pobre que provém da parte inferior da
caldeira: ela resulta do aquecimento da solução rica (água-amo-
níaco) e a sua densidade é aumentada pela saída do gás amoníaco.
Ela entra por gravidade na parte superior do absorvedor e cai sobre
discos perfurados e sobrepostos em chicanas semelhantes àquelas
que estão colocadas no evaporador. Como o seu poder de absorção
é elevado, ela dissolve os vapores de amoníaco que chegam ao absor-
vedor, e este contém aletas de radiação para evacuar o calor resul-
tante deste fenômeno de absorção.
Temos então, novamente, na parte baixa do absorvedor, uma
solução rica e fria, a qual passa em contracorrente no tubo concên-
trico de chegada da solução pobre, formando trocador de calor, e
retorna à parte superior da caldeira pelo tubo de pequena seção,
cujo enrolamento em torno da fonte de aquecimento constitui o
termoemulsor, o qual, como vimos anteriormente, assegura o envio

294
da solução rica à parte superior da caldeira.
O circuito está assim completo, e a soluçá'o serve indefinida-
mente para um funcionamento contínuo.
Nas pequenas máquinas de gás inerte, a corrosão e a decompo-
sição do amoníaco sâ"o insignificantes e não poderiam mudar o equi-
líbrio do sistema. No entanto, incorpora-se na soluçá'o uma pequena
quantidade de bicromato de amônia ou de cromato de sódio para
evitar uma possível corrosão.
A fonte de aquecimento para a caldeira pode ser, indiferente-
mente, eletricidade, gás, petróleo ou gasolina.
O emprego da eletricidade predomina. Este modo de aqueci-
mento apresenta, evidentemente, vantagens de segurança, de lim-
peza e conforto; é mesmo possível, com resistências combinadas,
permitindo dois estágios de aquecimento, obter um melhor rendi-
mento do aparelho, mas o aquecimento elétrico é menos econômico
do que o aquecimento por meio de gás.
O aquecimento por gás (quer seja por gás comum ou gás lique-
feito) é igualmente muito utilizado. Os contratos, feitos segundo
um preço fixado previamente, conferem-lhe uma vantagem apreciá-
vel e, se a instalação for bem feita, o uso do gás ná'o apresentará
qualquer perigo. O aquecimento por gasolina ou petróleo convém
para os usuários que ná'o possam dispor das outras fontes de calor
citadas anteriormente. Quanto ao petróleo, tS indispensável um quei-
mador bem regulado.
Quando se utiliza a eletricidade, o automatismo é obtido por um
termostato de evaporador, o qual liga ou desliga uma resistência de
aquecimento. Com o gás, a regulagem do aquecimento é assegurada
de diversos modos, segundo os construtores. Para certas máquinas,
o aquecimento é contínuo com regulagem de duas ou três marchas,
por meio de um aparelho controlador. Para outras, um dispositivo
especial em ligaçá'o com um termostato comanda a admissá'o do gás
para o queimador. O acendimento é feito por uma chama perma-
nentemente acesa. Essa chama, proveniente de uma lamparina,
devido a sua temperatura, atua sobre um sistema de segurança de
bilâmina. No caso de extinçá'o acidental da lamparina, a deformaçá'o
da bilâmina esfriada impede a abertura do dispositivo de admissá'o
do gás.
Para os outros modos de aquecimento, gasolina ou petróleo, a
regulagem é, geralmente, manual.
O conjunto completo do sistema de refrigeraçá'o de um armá-
rio domtSstico é chamado agregado. Assinalemos, a tCtulo apenas
indicativo, que a carga, em massa, de um agregado de uma pequena
295
-
Consumos máximos

Temperaturas ambientes
Volume
bruto Tipo temperado + 32 ºC Tipo tropical + 43 ºC
emdm 3
Eletricidade Gás comum Eletricidade Gás comum
em em em em
watt-hora militermias watt-hora militermias
----
25 1 370 2 440 1 970 3120
50 1 640 2120 2360 4320
70 1 840 3 670 2640 5000
90 2 040 4150 2 940 5600
120 2380 4 700 3480 6 400
150 2 700 5150 3 840 6920
200 3200 5 780 4 600 7 750

Tabela 38

máquina de gás inerte é aproximadamente composta por 32% de


amoníaco, 67% de água e 1% de hidrogênio; mas é evidente que a
dosagem varia conforme os tipos de aparelhos, cuja carga foi rigoro-
samente determinada pelos construtores.
O consumo diário de uma geladeira domfitica de absorção deve
ser inferior aos consumos máximos citados abaixo, para que a gela-
deira possa obter a marca NF Froid.
A temperatura interna é de + 5 ºC para o tipo temperado, e
+ 7 ºC para o tipo tropical.
Os números, muito aproximativos, são considerados sem produ·
ção de gelo.
O gás comum utilizado é considerado como liberando 16 740
kJ/m 3 (4 000 kcal/m 3 ).

Vantagens das máquif1ilS de absorçio


Elas são absolutamente silenciosas e, como não possuem nenhum
órgão mecânico em movimento, praticamente não apresentam des-
gaste. Elas não levantam nenhum problema de vedaçfo ou de lubri-
ficação.
As possibilidades de avaria são quase nulas. Se se produzir um
desequilíbrio no sistema devido ao arrastamento de água resultante
296
de um aquecimento muito forte, ou se houver obstrução em uma
tubulação de pequeno diâmetro por incrustação do produto utili-
zado contra a corrosão interna, basta, por vezes, inverter o aparelho
durante alguns minutos para obter novamente um bom funciona-
mento. Mas estes incidentes são extremamente raros e não devem ser
levados em consideração.
Enfim, esta máquina pode oferecer grandes préstimos em um
local onde não se possa dispor de corrente elétrica.
Devido a tudo isto, pode-se admitir que os refrigeradores equipa-
dos com máquinas de compressão têm uma maior flexibilidade de
funcionamento e oferecem uma possibilidade de obter, no evapora-
dor, uma temperatura mais baixa.

1nconvenientes das máquinas de absorção


Com um rendimento funcional igual, o consumo de energia é
mais elevado nestas máquinas do que nas máquinas de compressão.
Isto é importante para as máquinas de "frio doméstico". Quanto
às máquinas de grande potência, é, freqüentemente, possível utilizar
fontes de calor econômicas, como o vapor de escape de baixa pres-
são proveniente, por exemplo, de turbinas a vapor.

Utilização das geladeiras de absorção


Tal como já assinalamos, as pequenas máquinas de absorção refri-
geradas por ar funcionam dentro de estreitos limites de concentra-
ção e, mesmo em climas temperados, a sua potência frigorífica é
reduzida.
Com um volume útil igual dos refrigeradores, a potência frigorí-
fica de uma geladeira de absorção é, aproximadamente, 50% mais
fraca que aquela de uma geladeira de compressão mecânica. Por-
tanto, é evidente que uma geladeira de absorção só pode funcionar
convenientemente'se tiverem sido tomados todos os cuidados desejá-
veis na construção, na montagem e na instalação do móvel isotér-
mico e do agregado cujo conjunto forma o refrigerador.
Os pontos a considerar são os seguintes:
19 - Construção da geladeira. Corpo externo: em chapa de aço.
A cuba interna (chapa de aço esmaltada ou material plástico) não
deve ter nenhum contato metálico com a carcaça externa para evitar
as perdas por condução. O isolamento deve ser perfeito, no aspecto
da execução. A sua espessura deve ser, no mínimo, de 6 ou 8 cm.
Assegurar a vedação da porta por uma borda flexível ou, melhor
ainda, por um perfilado de borracha que possa ser comprimido fácil

297
e perfeitamente em todo o seu contorno. Verificar esta vedação pelo
meio clássico de uma folha de papel presa - com a porta fechada -
entre a junta e a fachada. Em qualquer ponto do contorno onde ela
for colocada, deve oferecer a mesma resistência ao deslizamento.
Se esta resistência for desigual, fazer a correçio colocando cunhas
sob as dobradiças ou regulando o trinco. Se houver necessidade,
trocar a junta de vedaçio.

29 - Aparelho de aquecimento. Ele deve ser adaptado ao agrega-


do e a sua potência de aquecimento deve ser igualmente definida.
a) Aquecimento elétrico - Verificar a tensio e o valor da resis-
tência de aquecimento. (A tensão de utilizaçio está, geralmente,
indicada na extremidade do ·invólucro da resistência.) A linha de
alimentaçio deve ser em fios de seção suficiente e conter disposi-
tivos térmicos ou fusíveis de proteção calibrados.
b) Aquecimento por gás comum - Estabelece-se, geralmente,
e
uma canalizaçio de aduçio de gás para o refrigerador. necessário
dar-lhe um diâmetro suficiente (10 a 12 mm para um aparelho de
90 a 150 dm 3 de volume útil). Prever, nesta canalização, um sifão
de purga para evacuaçio de água ou parafina que possa estar contida
no gás. Evitar colocar esta canalizaçio de aduçio sobre uma tubula-
çio de grande débito variável (forno, aquecedor de água, p. ex.).
Instalar sobre a canalizaçio, perto do refrigerador, um regulador de
pressio, de modo a ter sempre, mesmo nas horas de rush, isto é,
de forte consumo generalizado, uma pressão de regulagem constante
no queimador.
Esta pressão de regulagem deve, portanto, ser ligeiramente infe-
rior ao valor mais fraco da pressão em frente ao regulador.
Em princípio, a regulagem do regulador é feita na fábrica para
um queimador de orifício determinado. O montador nio deve inter-
ferir neste ponto, a nio ser quando o funcionam~nto do refrigerador
deixar algo a desejar ou quando da primeira colocaçio em funciona-
mento.
Nesta ocasiio, devem ser efetuados testes de alimentaçio no
queimador, tendo em conta variações de pressão em frente ao regu-
lador, colocando em funcionamento, e simultaneamente, os outros
aparelhos domésticos do usuário.
Não esquecer que a potência calorífica do gás utilizado pode,
igualmente, necessitar uma troca de pressão de regulagem para a
utilizaçio'.
c) Aquecimento por gás butano ou gás propano - Mesmas con-
siderações acima em relaçio ao regulador de pressão (válvula de
298
expansão). Regulá-lo para uma pressão de alimentação conveniente
para o queimador.
d) Aquecimento por petróleo - O reservatório de carburante
deve ser perfeitamente vedado. Assegurar-se igualmente do bom
estado das juntas da tubulação de alimentação. Escolher um queima-
dor bem adaptado à potência do agregado. Utilizar um carburante
que não exale vapores quando da combustão e, se possível, de uma
qualidade constante.
39 - Colocação da geladeira. Pela razão já assinalada (fraca
potência frigorífica) uma geladeira de absorção deve ser colocada
em um local arejado e não muito perto de um aparelho aquecedor:
fogão, ou radiador, por exemplo. i: necessária uma ventilação deste
local, sobretudo se se utilizar gás. De fato, é preciso prever a renova-
ção do ar.
O agregado, montado sobre a parte traseira do móvel, não deve
tocar a parede. Deixar 7 a 8 cm livres para não prejudicar a subida
do ar reaquecido pelo condensador.
Não esquecer que o funcionamento normal do agregado depen-
de, essencialmente, da circulação das soluções rica e pobre e do gás
inerte.
Portanto, é preciso colocar o móvel perfeitamente nivelado e
assegurar-se da boa posição do agregado sobre este, considerando
as "inclinações" normais de certas tubulações, inclinações estas que
é necessário respeitar rigorosamente quando o escoamento se fizer
por gravidade.
i: preciso considerar o deslocamento do móvel para limpeza
periódica do agregado e, muito particularmente, do condensador;
portanto, é indicada a marcação da localização do móvel e dos
calços eventuais respectivos, para colocar o conjunto total em posi-
ção exata após a limpeza.
Apesar das geladeiras terem sido testadas, reguladas na usina e
vendidas segundo condições bem determinadas de utilização, é acon-
selhável ensinar ao cliente o modo como se deve servir de seu refri-
gerador, e dar-lhe todos os ensinamentos para obter dele um bom
funcionamento. -
Chamar a sua atenção para a disposição dos gêneros dentro da
geladeira, a quantidade máxima a armazenar, o deslocamento do
evaporador, pontos que têm uma importância primordial em uma
geladeira de absorção.
Primeira colocação em funcionamento: supomos que o controle
preliminar da instalação e do refrigerador tenha sido feito pelo mon-
tador. Este pode fazer a ligação.
299
Se o aquecimento for elétrico, liga-se a tomada da corrente sobre
a linha, colocando-se depois o termostato em posição de funciona-
mento. Não se recomenda o enchimento com água das gavetas de
fabricação de gelo antes de se assegurar do bom funcionamento da
máquina.
Se o aquecimento se efetuar por gás: abrir a válvula de alimenta-
ção, acender a lamparina, colocar o termostato em posição de fun-
cionamento máximo. O gás deve, entio, se acender no queimador.
Se tudo parecer normal, deixa~e funcionar durante 2 h, de
modo a ter uma indicação sobre a produção de frio. Se o evaporador
gelar bem, procede-se então aos testes indispensáveis dos pequenos
aparelhos:

Lamparina de acendimento - Retornar o botão do termostato


da geladeira para a posição de "parada"; o fornecimento do gás é,
então, interrompido no queimador, mas a lamparina deve continuar
acesa. Se se recolocar sobre a posição de "funcionamento", o quei-
mador deverá funcionar novamente.
Se a lamparina for apagada (soprando por cima como pode ser
feito, acidentalmente, por uma corrente de ar), o dispositivo de
fechamento do gás acionado pela bilâmina de segurança deve fun-
cionar conjuntamente com a refrigeração desta.
Termostato de geladeira - Este acessório pode ser facilmente
controlado durante o funcionamento por meio de um termômetro
colocado sobre uma chaveta. Ele deve desligar quando a temperatura
interna do refrigerador for de + 2 ºC.
Verificar a temperatura no evaporador com a interrupção e o
reengatamento do termostato.
Ou ando da interrupção, esta temperatura deve estar entre -1 O ºC
e -12 ºC. No reengatamento, ela deve ser de -1 ºC a -2 ºC.
Nas geladeiras de absorção, as avarias de ordem frigorífica, como
já dissemos, são muito raras. Elas resultam, geralmente, de uma
obstruçio das tubulações de pequeno diâmetro por um depósito
de bicromato de amônia, corpo introduzido no sistema como inibi-
dor de corrosão. Mas o fato é pouco freqüente e só se produz se a
máquina tiver estado parada durante muito tempo. Aliás, pode-se
regularizar tudo se se inverter a geladeira sobre o solo, depois de
ter colocado uma cobertura especial para este fim. Depois de alguns
minutos, coloca-se novamente o móvel em posição normal, e reco-
meça-se o aquecimento. Se o resultado nio for satisfatório, aque-
cem-se ligeiramente as tubulações de pequeno diâmetro no local
onde se supõe que haja uma obstruçio.

300
Em uma máquina de aquecimento elétrico, a falta de produção
de frio pode ter as seguintes causas:
- Resistência de aquecimento deteriorada. Procurar a causa
disso (curto-circuito ou sobretensão).
- Falta de corrente na resistência (mau contato na tomada de
corrente ou no termostato, fusíveis saltados sobre a linha, etc.).
- Mau estado do termostato (bulbo descarregado).
Se for um termostato de bilámina, pode acontecer que esta esteja
defeituosa. Nos dois casos, trocar o termostato.
- Se a máquina produzir frio, mas sem parar de aquecer, verifi-
car se o termostato está defeituoso, se ele não está derivado por uma
bifurcação defeituosa.
Em uma máquina de aquecimento por gás, a falta de frio pode
resultar das seguintes causas:
- Uma má regulagem do regulador de pressão.
- Um mau estado do queimador. Se este estiver obstruído, ter
o maior cuidado no seu conserto, e nunca se servir de um fio metá-
lico para a desobstrução, mas sim de uma crina metálica especial.
- Uma deficiente chegada de gás ao queimador. Verificar a
tubulaçã'o de ai imentaçã'o.
- Uma má refrigeração do condensador. Se este estiver sujo,
limpá-lo e assegurar-se de que a subida de ar quente se faz livre-
mente.
- Um evaporador com muito gelo. Parar a máquina até o des-
congelamento completo e depois recolocá-la em funcionamento.
- Um termostato de geladeira mal regulado. Se possível, refazer
a regulagem ou entã'o trocar o termostato.
Em uma máquina de aquecimento por petróleo, se houver uma
falha de frio, é preciso verificar se o carburante chega conveniente-
mente ao queimador e se este está bem limpo. Verificar o estado de
limpeza do condensador e, por outro lado, assegurar-se de que a
chaminé da caldeira não está obstruída por fuligem; de fato, esta
pode ser abundante, conforme a qualidade do petróleo e a regula-
gem do queimador.
Finalmente, é possível que tenha havido fuga de amoníaco por
uma porosidade sobre uma soldagem das tubulações. Neste caso,
não há nada a fazer senão remover o agregado para verificação na
oficina. Isto I! válido, aliás, para todos os tipos de geladeiras de
absorção, mas o fato é bastante raro porque os testes sob forte pres-
301
são sã'o feitos quando da construç§o. Uma fuga quase só é possível,
por corrosão, após vários anos de funcionamento.

O gelo carbônico
O gelo carbônico resulta do congelamento do anidrido carbônico
liquefeito, refrigerado e dilatado. Por compresslo muito forte
obtt!m-se um produto aglomerado de 1,4 de densidade que se trans-
forma em gás carbônico por sublimaçã'o.
Este gás é, aliás, mau condutor.
O gelo carbônico entra no âmbito da refrigeraçã'o automática
pela ajuda que pode lhe trazer e pelos serviços que, em certos casos,
pode proporcionar.
Serve, de fato, para a refrigeraçã'o rápida quando da colocaçã'o
em temperatura de conservaçã'o dos vagões ou aviões que transpor-
tam gêneros refrigerados.
e utilizado para a refrigeraçã'o de câmaras frigoríficas e de con-
servadores de creme gelado, para preservar a mercadoria em caso de
avaria do sistema frigorífico, e durante o período em que se regula-
riza essa avaria.
e utilizado para a refrigeraçã'o de veículos de transporte refrige-
rantes.
Pode ainda ser usado para a produçlo passageira de frio de baixa
temperatura.•
A sua temperatura de sublimaçlo é de - 70,8 ºC.
Com peso igual, absorve 2 vezes mais calor que o gelo hídrico.
O gelo carbônico manipula-se manualmente sem perigo com
interposiçlo de um isolante que pode ser uma simples folha de papel
ou um pedaço de tecido. Apenas um contato prolongado pode pro-
vocar queimaduras leves.
Encontra-se no mercado em cubos de 5 ou 10 kg embalados em
cartlo ondulado, constituindo, com o gás desprendido, um isolante
satisfatório para um transporte de curta duraçlo.

Refrigeração termelêtrica
Apesar da refrigeraçã'o termelétrica - sobre o plano comercial -
ser ainda praticamente inexistente, as pesquisas e trabalhos empreen-
didos em um certo nOmero de países e os resultados prometidos
obtidos até hoje deixam prever que aparelhos desta categoria sur-
e
girã'o dentro de pouco tempo no mercado. a razio pela qual acre-
ditamos ser Otil dedicar algumas linhas a este assunto.
O efeito termelétrico foi descoberto em 1822 por Seebeck.

302
Efeito Seebeck: se se mantiver a temperaturas diferentes as solda·
gens de um circuito fechado, de dois corpos de naturezas diferentes,
cria-se no circuito uma força eletromotriz.
Desta constataçli'o nasceu o termopar de medida ou pirômetro
termelétrico, de uso comum para a medição de temperaturas.
Em 1834, J. e. Peltier enunciou o recíproco do "efeito Seebeck"
quando de uma experiência que leva o seu nome, e cuja exposiçli'o é
a seguinte:
Experkfncia de Peltier: Fazemos uma pilha termelétrica ser atra·
vessada por uma corrente (pilha de bismuto-antimônio) tal como
sã'o encontradas nos laboratórios. Se suprimirmos bruscamente a
corrente e intercalarmos a pilha no circuito de um galvanômetro,
constataremos, no galvanômetro, uma corrente devida a uma força
eletromotriz de sentido tal que se opõe d passagem da corrente pri·
mitiva. Portanto, esta corrente aquece um dos grupos de soldagens
e refrigera o outro. Mais exatamente, um dos grupos foi mais aque-
cido do que deveria ter sido.
Mas as diferenças de temperaturas produzidas por "efeito Peltier"
entre as soldagens quente e fria de um par termelétrico foram, na
origem, muito fracas para que se pudesse considerar uma aplica-
çli'o prática porque, se o "efeito Peltier" é um fenômeno reversível,
dois outros fenômenos irreversíveis vt!m a ele se sobrepor e redu-
zem a diferença das temperaturas entre soldagem quente e soldagem
fria. Sli'o eles:
a) o calor desprendido por efeito Joule pela corrente elétrica em
funçli'o da resistência do circuito;
b) a conduçli'o do calor da soldagem quente para a soldagem fria
nos materiais que formam o termopar.
Altenkirch, em 1911, foi o primeiro a divisar uma aplicaçli'o prá-
tica do "efeito Peltier" para a produçli'o de frio.
Ele deu uma explicação teórica do problema a resolver, e definiu
as propriedades físicas que devem possuir os materiais utilizados
como termopares:
ai potência termelétrica elevada;
bl resistividade elétrica tão fraca quanto possível;
c) conduçli'o térmica pouco elevada.
Estes três fatores determinam, no final das contas, o abaixa·
mento de temperatura e permitem divisar a rentabilidade de um tal
sistema.
Os metais puros não se prestam a uma utilizaçli'o como termo-
pares porque têm um poder termelétrico fraco e a relaçli'o entre as
303
suas condutividades térmica e elétrica é constante.
Mas entre os metais que são bons condutores e os isolantes, maus
condutores, dispOe-se de materiais semicondutores cujas condutivi-
dades - térmica e elétrica - se situam entre os metais e os isolantes,
e são estes materiais que formam o assunto de pesquisas contínuas.
Aliás, a física dos semicondutores tem-se desenvolvido grandemente
e tem melhorado continuamente.
Diferentes corpos, entre os quais bismuto, germânio, telúrio,
antimônio, chumbo, estanho, etc., foram experimentados em combi-
nações diversas, de modo a obter semicondutores possuindo, no
máximo, as propriedades termelétricas.
Durante vários anos, pensou-se que a presença de impurezas nos
semicondutores melhorava a sua qualidade; a técnica atual consiste
em fornecer combinações puras ou com fraco teor de impurezas.
Examinemos agora os estágios sucessivos cumpridos pelos pesqui-
sadores.
1949- Justi recomendou a utilização dos semicondutores.
1950 - Começaram pesquisas neste sentido na Academia de
ciências de Leningrado.
1953 - Esta Academia construiu o seu primeiro modelo de gela-
deira com compartimento frio de 10 litros. O calor desprendido nas
soldagens quentes era dissipado com a ajuda de água fria.
1954 - A General Electric Co. em Wembley projetou um dispo-
sitivo termopar utilizando bismuto puro como terminal e telurato de
bismuto como terminal negativo. ·
Para uma temperatura de + 12 ºC na fonte quente, obtém-se
-14 ºC na fonte fria.
O calor desprendido na fonte quente era evacuado pela água.
1954- A Radio Corporation of America projetava uma gela-
deira cujo compartimento a refrigerar tinha uma capacidade de
8 litros e comportava um pequeno recipiente de 6 cm 3 para con-
gelar água.
1955- A Academia de Cilfncias de Leningrado construía uma
geladeira de 55 litros. As termobaterias eram constituídas por
termopares de 2 estágios. Cada uma das 4 baterias compreendia
24 termopares no estágio baixo de temperatura e 60 termopares
no estágio de alta temperatura.
O radiador, no interior da geladeira, tinha uma superfície de
1,44 m 2 ; era de alum lnio.
O radiador (em cobre) no exterior, tinha uma superfície de 3,8
m 2 • - Não se tem indicação dos resultados obtidos.
304
1956- Foi construido um terceiro modelo com uma capacidade
de 40 litros, equipado com termopares do mesmo tipo de dois
estágios.
Temperaturas marcadas - 5 ºC na base do radiador frio - 2 ºC
na base da cuba e O ºC no meio da cuba. A temperatura externa era
de +22°C.
O consumo de corrente continua era de 75 watts, quando da
colocação em funcionamento, e 55 watts em regime permanente.
No caso de utilização de corrente alternada da rede por intermédio
de retificadores de germânio, o consumo era de 70 watts.
A composição dos termopares não foi marcada.
Na França, e mais ou menos ao mesmo tempo, o departamento
de pesquisas tisico-químicas da Cia. Générala da T.S.F., em Puteaux,
começava a fabricação de um pequeno gerador de frio por "efeito
Peltier", destinado ao condicionamento de ar nos automóveis. Não
foi nada publicado quanto aos resultados obtidos.
Finalmente, no início de 1960, a General Elec:tric Co., em
Wembley, anunciava o acabamento de um cofre refrigerante com
uma capacidade útil de 28 dm 3 , funcionando por termopares e
podendo ser considerado como uma das primeiras aplicações comer-
ciais da refrigeração termoelétrica. O abaixamento da temperatura
nos limites· calorifugados é da ordem de 30 ºC. Os termopares de
semicondutor foram postos em condições de funcionamento por
esta firma; cada elemento consome cerca de 1/4 de watt e absorve
entre 5 e 10 ampêres sob alguns centésimos de volt.
Da América é anunciada igualmente a construção de pequenos
condicionadores de ar. Se opusermos estes dois fatos aos relatórios
apresentados em agosto de 1959 ao Congresso Internacional do Frio
em Copenhaguem, nos quais se afirmava que a técnica de refrigera-
ção por efeito Beltier só estava se iniciando, pode-se dizer que a
idéia seguiu em frente.
A obstinação demonstrada por certos pesquisadores, e a reputa·
ção ligada a seu nome, fazem pensar que o êxito não esteja muito
longe. Sem pretender que os aparelhos deste tipo substituam as
nossas unidades herméticas, há utilização para eles em aplicações
especiais: por exemplo, condicionamento de ar de fraca potência.

305
CAPÍTULO XIX

FABRICAÇÃO DAS GELADEIRAS


DOMÉSTICAS
As concentrações de fabricação , os reagrupamentos que ocorre-
ram nestes últimos anos e a entrada de materiais estranhos no seio
do mercado não permitem que se defina, em poucas palavras, de
um modo preciso, um processo rigoroso de fabricação por parte dos
fabricantes de geladeiras domésticas.

Fig. 106
Refrigerador
doméstico.

Seja o que for que esteja reservado para o futuro, atualmente o


processo de fabricação das geladeiras domésticas é o seguinte.
Carroçarias. Para as carroçarias, as chapas são de qualidades espe-
ciais. Devem ser perfeitamente lisas e prestar-se, nas melhores condi-
ções, às operações de corte, embutimento, flexão, etc. , as quais são
executadas com uma gama de prensas cujas potências se escalonam
entre 400 a 20 toneladas.
Antes de sofrerem estas operações, elas são cuidadosamente pol i·
das e enxutas.
Os diferentes elementos que constituem a carroçaria são seguida-
mente colocados no lugar para serem ligados por soldagem elétrica
por pontos.
307
Fi g . 107 - Refri gerador doméstico de dois compartimentos.

Depois da montagem e controle, sofrem um polimento e uma


limpeza, seguidos de um tratamento químico de proteção que con-
siste de:
1) decapagem passivadora;
2) lavagem com água corrente;
3) fosfatação, de modo a garantir uma proteção contra a ferru-
gem, e cromagem das superfícies por lavagem fosfocrômica ;
4) lavagem com água desmineralizada;
5) secagem a 120 º Cem estufa ventilada.
Todas estas operações são efetuadas, aliás, em um túnel, por
aspersões sucessivas.
As carroçarias recebem, seguidamente, um produto polimerizável
a quente, assegurando a sua vedação absoluta.
As caixas passam em seguida por pintura . Uma primeira ap lic a-
ção principal é efetuada por um sistema eletrostático sob tensão de
90 000 volts , em uma cabina onde os armários são conduzidos por
um a esteira transportadora.
Após retoques eventuais, secagem normal ou em estufa, a laca de
acaba mento é aplicada em uma cabina condicionada, sempre pelo
mesmo processo eletrostático.

308
Depois das caixas estarem pintadas, a laca é seguidamente cozida
em estufa a 170 ºC.
Cubas e contraportas
As cubas são ou em material plástico extrudado (poliestireno
choque), ou em chapas revestidas com resinas epóxidas.
As contraportas são sempre em material plástico.

Cubas e contraportas em poliestireno choque


Se a fabricação das cubas e contrapartas em material plástico
depende do mesmo processo, já as máquinas para fabricá-las são
diferentes.
O processo de fabricação é o seguinte:
1) colocação das partes laterais em material plástico (poliesti·
reno choque) sobre molde;
2) aquecimento a 200 ºC, para amolecimento do poliestireno;
3) moldagem a vácuo:
4) acabamento das peças extrudadas terminadas.
Cuba· metal· resinas epóxidas
Este tipo de cuba, cujo modo de fabricação é bastante diferente
do processo de fabricação das cubas de chapa em esmalte vitrificado
- apesar de similar sob certos aspectos-, tende a substituir as cubas
esmaltadas, porque apresenta as seguintes vantagens sobre estas
últimas:
1) resistência superior aos choques;
2) resistência química aos alimentos idênticos;
3) possibilidade de flexão após depósito da camada de resinas;
4) montagem simplificada.
As operações que devem ser feitas nas chapas destinadas a cons-
tituir as cubas consistem, em primeiro lugar, em uma decapagem
das chapas seguida de uma aplicação de um pÓ epóxido pelo siste-
ma eletrostático já assinalado, seguida de uma secagem em estufa a
180 ºC e, após este tratamento térmico, na moldagem da chapa para
obtenção da cuba.
Isolamento
Os materiais isolantes utilizados são a lã de vidro e as espumas
de poliuretano; a lã de vidro, que era a mais utilizada para o isola·

309
mento das geladeiras de uma única temperatura, corre o risco de
ser rapidamente superada pelas espumas de poliuretano que, até o
momento, eram reservadas para o isolamento das geladeiras de duas
temperaturas.
~ efetuado um controle rigoroso em todos os estágios de fabri-
cação, de modo a eliminar as peças defeituosas e enviar estas para
retoque.
Motocompressores herméticos. Certas firmas constroem os seus
próprios motocompressores. Isto é do domlnio da mecânica de
precisão. De fato, as tolerâncias de fabricação para as peças de mecâ-
nica são da ordem de 2,5 mlcrons, isto é, 2,5 milésimos de milí-
metro. Isso pode dar uma idéia da perfeição das máquinas-ferra-
mentas necessárias para um tal trabalho.
Se a fabricação exige muita precisão, a montagem exige muito
mais precauções para evitar os preju lzos que podem ser provocados
por poeira e umidade nas unidades herméticas. O trabalho deve ser
realizado em locais com ar condicionado, cujas temperatura e umi-
dade relativa sejam rigorosamente controladas.
Condensadores. São feitos de tubo especial com aço revestido de
cobre. Há dois modos de assegurar a superfície de troca necessária:
ai por soldagem da serpentina sobre uma fina folha de chapa;
b) sobre uma estrutura de fios metálicos, por soldagem da ser-
pentina.
Após a fabricação, a serpentina é limpa por uma insuflação de ar
desidratado e depois obturada, esperando a montagem.
Evap0radores. São fabricados como indicado no Capítulo VI 1,
Evaporadores, no parágrafo dedicado aos evaporadores domésticos.
Contudo, deve ser dada atenção especial a um ponto, a junção entre
os tubos de alum lnio permitindo a ligação do ev8porador às tubula-
ções de ligação em cobre. A soldagem entre os elementos de alimen-
tação e de salda do evaporador e as juntas em tubo com revesti-
mento de cobre, permitindo, ulteriormente, uma ligação por solda-
gem forte com prata, pode ser obtida por faisca elétrica, laminagem
ou embutimento eletrostático seguido de soldagem.
Os elementos constituintes da unidade - motocompressor, con-
densador, evaporador, aos quais conwm juntar o capilar de alimen-
taÇão e um filtro - são montados em cadela sobre um chassi servin-
do de base e de fixação na carroçaria da geladeira. Todas as junções
de tubulações são feitas por soldagem de prata.
No decorrer desta montagem, é necessário um cuidado meticu-
loso de modo a evitar a entrada de corpos estranhos e de umidade
310
na unidade. Antes da secagem em estufa, é efetuado um controle
de vedaçio sob uma presslio de ar desidratado (16 a 18 bars).
Secagem em estufa. As estufas do equipadas com um sistema
de aquecimento regulável e bombas· a vácuo que permitem atingir
uma presdo residual inferior a 1/10 mm de Hg. A temperatura de
secagem em estufa (110 a 115 ºCl é rigorosamente controlada de
modo a nlo danificar os enrolamentos. Estes últimos podem, aliás,
ser aquecidos eletricamente durante a secagem em estufa, para facili·
tara saída da umidade que podem conter.
Carga em 61ao a fluido refrigerante. Após a secagem em estufas,
as unidades passam para a estaçio da carga.
Sob um vácuo máximo, é introduzida uma carga perfeitamente
dosada de óleo anidro.
Em uma segunda operação, introduz-se a carga de fluido refri·
gerante.
Testas. Faz-a seguidamente a montagem do relê de arranque
sobre as unidades que sofrem um teste preliminar de bom funciona-
mento para se assegurar de que a carga está correta. Seguem-se, em
seguida, diferentes testes: arranques sucessivos, isolamento â terra
do motor SQb tendo elevada (1 500 Vl. A detecçio das fugas even-
tuais é feita sobre os sistemas com um detector eletrônico em um
local especialmente preparado para este efeito.
Montagem nas geladeiras. Faz-se sobre cadeias de rolos ou sobre
qualquer outro dispositivo similar, e pela seguinte ordem:
Calorifugagem das caixas e da porta.
Colocaçá'o da cuba interna.
Colocaçio da unidade e fixaçio do evaporador e do condensador.
Montagem do circuito elétrico.
Montagem da porta sobre a caixa.
Um· último teste de funcionamento é entio efetuado, depois as
geladeiras passam em câmaras quentes insonorizadas e sio testadas
â temperatura de + 32 ºC ou + 43 ºC, conforme o tipo de geladeira:
"temperada" ou "tropical".
A temperatura dos compartimentos de gêneros frescos, quando
dos testes, deve ser de + 5 ºC ou + 7 ºC, conforme a geladeira seja
testada a + 32 ºC ou a + 43 ºC.
O controle terminal no final da cadeia se relaciona com:
ai o ruído;
b) o consumo de energia, bem como a intensidade, tomadas no
arranque e em funcionamento normal;
311
c) a freqüência dos ciclos (regulagem do desvio do termostato);
d) a temperatura interna da geladeira.
Os gráficos registrados são classificados. O grupo é bloqueado
sobre a geladeira. Esta é limp<! e equipada com todos os acessórios
e, seguidamente, é embalada. Nesta embalagem são anotadas todas
as indicações necessárias (n9 de matrícula - tipo de geladeira - tipo
de corrente).

Marca nacional N F Froid


A marca nacional N F Froid (Normas Francesas) tem por obje-
tivo oferecer ao público o material de refrigeração estabelecido de
acordo com as normas francesas homologadas, isto é, apresentando
um conjunto de qualidades de funcionamento, de rendimento, de
durabilidade, de segurança, de comodidade e de aspecto.
A marca é materializada por um selo metálico fixado sobre o
móvel aprovado e contendo o monograma NF Froid em branco
sobre fundo azul para os climas temperados, e sobre fundo verme-
lho para os climas tropicais (Fig. 108).
Esta marca é fornecida aos aparelhos que tenham passado, em
um laboratório aprovado para este fim, pelos testes indicados a
seguir.

Fig. 108 - Monogramas NF Froid para


climas temperados e climas tropicais.

Refrigeradores de urna temperatura


Teste de vedação das juntas da porta
Em um ambiente compreendido entre + 16 ºC e + 32 ºC e o
refrigerador estando parado, uma tira de papel de 50 mm de largura,
de 0,08 mm de espessura e de comprimento apropriado, colocada
em qualquer local da junta da porta fechada, não deve poder deslizar
livremente.

312
Teste de resistência mecânica de chavetas
e elementos análogos
Verificou-se que, nas condições de temperatura já indicadas, as
chavetas e prateleiras da contraparta carregadas nas condições defi-
nidas pela norma de testes, não apresentam deformação permanente
após o teste,
Testes térmicos prévios
Estes testes tém por objetivo verificar que, para uma das posições
do termostato, é possível obter as temperaturas indicadas a seguir.
- á temperatura ambiente de + 16 ºC (classe temperada) e de
+ 18 ºC (classe tropical):
três temperaturas lidas entre as partes superior e inferior da gela-
deira são inferiores ou iguais a O ºC;
- à temperatura ambiente de + 32 ºC (classe temperada) e de
+ 43 ºC (classe tropical):
uma temperatura média inferior ou igual a:
+ 5 ºC classe temperada;
+ 7 ºC classe tropical.
Teste de funcionamento em vazio
Este teste tem por objetivo medir, nas condições máximas de
funcionamento (temperatura ambiente + 32 ou + 43 ºC), o consu-
mo diário de energia elétrica ou de combust fvel necessário para
manter, no interior da geladeira, uma temperatura de + 5 ºC ou
+ 7 ºC, conforme a classe.
Teste de descida de temperatura em carga
Após ter deixado a porta do refrigerador aberta durante 24 horas
em um ambiente. a + 32 ºC ou + 43 ºC, introduz-se no interior da
geladeira uma quantidade de água a + 32 ºC ou + 43 ºC propor-
cional ao volume da geladeira (3 litros de água para 100 litros de
volume).
O termostato é regulado para obter + 5 ºC ou + 7 ºC no interior
da geladeira, o refrigerador é posto em funcionamento, e verifica-se,
após dez horas de funcionamento automático, a temperatura da
água.
Teste de produção de gelo
Esta produção deve ser, pelo menos, igual àquela fixada pelas
normas dos testes, e que é de 3 kg ou de 2,5 kg para 100 litros de

313
volume bruto, conforme se trate da classe temperacja ou da classe
tropical.

Teste de ausência de cheiros


,Após 48 horas de permanência no refrigerador regulado nas con·
dições gerais de teste, a água e a manteiga na'o devem apresentar
modificações de odor e de sabor, com relação a amostras de prova.

Refrigeradores de duas temperaturas


Os refrigeradores de duas temperaturas séio compostos, na sua
parte superior, por· um compartimento de baixa temperatura no qual
é possfvel conservar os produtos gelados ou sobregelados.
Conforme a temperatura à qual é mantido este compartimento,
séio colocadas "estrelas" na porta que ele possui, sendo que elas indi·
camas seguintes temperaturas:
* - 6 ºC (armazenagem de curta duração).
** - 12 ºC (armazenagem de duraça'o média).
*** - 18 ºC (conservação de gl!ineros sobregeladosl.
Há alguns anos apareceram no mercado refrigeradores de duas
temperaturas nos quais é possível congelar gêneros no comparti·
mento de baixa temperatura. Em funcionamento normal, a tempera-
tura do compartimento é mantida a -18 ºC; quando da fase de con·
gelamente, o termostato sendo curto-circuitado por um inversor, o
grupo figorffico é colocado em funcionamento continuo e a tem-
peratura do compartimento baixa a um nível inferior a -18 ºC, até
uma temperatura que depende da potência frigorffica do compressor
e da temperatura ambiente na qual é colocado o refrigerador. Eles
séio marcados pela sigla "quatro estrelas".
*!* (congelador)
Evidentemente, todos os refrigeradores de duas temperaturas
passam por testes idênticos àqueles de uma temperatura e, além
desses, pelos seguintes testes.
Teste de conservação de baixa temperatura
Um certo número de embalagens de produtos congelados ( * ou
**) ou sobregelados ( ***) é introduzido no compartimento de
baixa temperatura. Depois de 24 horas, a temperatura destes pro·
dutos deve ser aquela indicada para o tipo de aparelho.
314
Teste de congelamento: Refrigeradores *t*
Após o teste de conservaçlfo, um certo número de embalagens -
funçlfo da capacidade do compartimento - é substituído por emba-
lagens quentes a + 32 ºC e dispostas conforme as diretrizes do fabri·
cante.
Após 24 horas, a temperatura média destas embalagens deve ser
de - 18 ºC, e a temperatura da embalagem mais quente entre aque-
las previamente conservadas não deve ultrapassar - 15 ºC.
Conjuntamente, durante o congelamento a temperatura do com-
partimento de gêneros frescos deve permanecer pelo menos igual ou
superior a O ºC, de modo a evitar um principio de congelamento
destes gêneros.

Laboratórios de testes
Todos estes testes são efetuados pelo Laboratório Central das
Indústrias Elétricas.
Os leitores que desejem obter maiores informaçd'es sobre estes
diferentes testes e os métodos utilizados para os realizar, poderlfo
recorrer às normas que os regulamentam, segundo a AFNOR.

315
CAPÍTULO XX

OS MATERIAIS PLÁSTICOS
NA INDÚSTRIA FRIGORÍFICA
O resumo sobre uma cadeia de fabricação de geladeiras domés-
ticas dado no capítulo anterior mostra a importância dos materiais
plásticos neste tipo de fabricação; mas a utilização dos materiais
. plásticos não se limita ã fabricação das cubas e contraportas, nem
mesmo àquela dos refrigeradores domésticos. Ela ultrapassa muito
este plano, e encontramos estes materiais em outras atividades frigo-
ríficas e, especialmente, nas técnicas ligadas ao isolamento.
Os materiais plásticos são produtos de misturas, ã base de resinas
sintéticas ãs quais se juntam - em quantidades cuidadosamente
dosadas - corpos plastificantes, estabilizantes e corantes, conforme
a utilização ulterior do produto acabado.
Segundo a sua natureza e a sua composição, os "plásticos" são
classificados em duas categorias:
a) os termoplásticos,
b) os termoendurecedores.

Os termoplásticos
Por moldagem, obtêm-se os produtos em folhas, em tubo, ou em
peças de formas diversas. As folhas prestam-se, em seguida, para a
formação ou o embutimento.
Os termoplásticos apresentam características diversas e, confor-
me a sua composição, a sua resistência ao calor é variável. Isso pode
traduzir-se por um amolecimento até ã deformação da peça, quando
a temperatura ultrapassa 60 ºC. Entre os termoplásticos utilizados
na indústria frigorífica, o polietileno e o poliestireno ocupam o lugar
mais importante.
O polietileno resiste bem ã corrosão e mantém a sua flexibilidade
a baixa temperatura. Com ele, fazem-se emolduramentos de fachada,
recipientes de descongelamento e outros recipientes, e outras peque-
nas peças de refrigeradores, tais como suportes de chavetas, peças
para enfeite, etc.
O poliestireno, apreciavelmente estável às baixas temperaturas,
oferece uma gama de diferentes qualidades para o equipamento de
geladeiras domésticas:
19 O poliestireno-cristal, cuja apresentação justifica a denomina-
ção. ~ bastante frágil; serve para a fabricação de pequenos recipien-
tes para gêneros, reservatórios, mantegueiras, etc.

317
29 O poliestireno-c:hoque. muito mais resistente que o preceden-
te, responde melhor às exigências da fabricação dos refrigeradores.
Dele se fazem cubas internas, contrapartas, prateleiras de balcões
frigoríficos, recipientes para legumes, etc.
Comporta-se bem a baixa temperatura, sendo que as qualidades
de resistência à tração, à flexão e aos choques não são de modo
algum diminuídas pelo frio.
Citemos igualmente o poliestireno celular expandido, já assinala-
do no capítulo dos isolantes. Ele reúne todas as qualidades para esta
utilização: com fraco coeficiente de transmissão térmica, é imputres-
cível; resistente à compressão, é inodoro e não absorve água.
A fraca densidade (15 a 40 kg/m 3 , conforme as fabricações) faz
com que seja utilizado para o isolamento de móveis frigoríficos e
também para a fabricação de painéis pré-fabricados, os quais servem
para a construção de câmaras frigoríficas.

Os termoendurecedores
Estes produtos não são, de modo algum, afetados pela tempera·
tura, e conservam indefinidamente as suas formas adquiridas na mol·
dagem.
Sem ser considerado como frágil, o material pode rachar sob o
efeito de um choque violento, tendo em conta, evidentemente, a
espessura da peça no local do impacto.
No domínio da fabricação dos refrigeradores domésticos, a qual
nos interessa particularmente, é dado especial interesse às 1'8sinas
poliésteres, as quais, por reforço de cargas de fibras ou tecidos de
vidro, têxteis, etc., dão os estratificados-poliésteres de uma apreciá-
vel resistência.
Já foram fabricadas peças de dimensões médias com os estrati·
ficados e planeja-se, em um futuro próximo, a fabricação de corpos
e de portas de refrigeradores domésticos.
Aos "plásticos" citados pode-se ainda acrescentar o poliamido,
bastante semelhante ao poliestireno-choque; as espumas de polivi-
nilo, da acetato de celulose e as espumas rígidas de poliuretano,
materiais celulares, cujo poder isolante e leveza os colocam no pri-
meiro escalão para uso "frigorífico".
Aliás, seria inútil fazer uma enumeração completa dos termo-
plãsticos e termoendurecedores, porque todos os dias se vêm juntar
novos produtos de síntese aos precedentes. S6 nos podemos regozi-
jar com isso. Assim, a fabricação encontrará uma evidente vantagem.
Como as peças saem dos moldes completamente acabadas, não
há seguidamente nenhum tratamento superficial a efetuar, e as
318
dimensões das peças de uma mesma série são rigorosamente constan·
tes, o que é primordial para a montagem "em cadeia" dos refrigera-
dores domésticos.
Por outro lado, há a possibilidade de incluir nas peças, quando
da moldagem, pequenos acessórios, tais como suportes, porcas, etc.
A dificuldade reside na fabricaçâ'o dos moldes, a qual necessita
de máquinas-ferramenta apropriadas, e exige uma técnica especia·
lizada com uma mâ'o-de-obra muito qualificada.

319
CAPÍTULO XXI

APARELHAGENS ELÉTRICAS
Motores - Disjuntores - Relês
Unidades utilizadas em medidas elétricas
Ampére (A): unidade de intensidade
Volt (V): unidade de diferença de potencial (tensão)
ou força eletromotriz
Ohm (!l): unidade de resistência
Coulomb (C): unidade de quantidade de eletricidade
Farad (F): unidade de capacidade
Watt (W): unidade de potência
Joule (J) 1
Watt-hora (W/h) unidades de energia.

Motores para corrente alternada


Motor de indução monofãsico
Estes motores contêm um indutor fixo denominado "estator" e
um induzido móvel denominado "rotor".
A corrente que atravessa o estator produz um campo magnético
alternado que leva o rotor ao repouso, tanto em um sentido como
no outro.
Nestas condições, ele nã'o pode arrancar, mas se o colocarmos em
andamento, ele continua a girar nesse mesmo sentido.
Para que o motor possa arrancar sozinho intercalam-se, entre os
pólos principais do estator, pólos auxiliares nas bobinas, das quais
se faz passar uma corrente defasada em relação ã corrente principal.
Este conjunto produz um campo magnético giratório, que aciona o
rotor, em um sentido ou no outro, conforme o sentido da corrente
que passa nas bobinas auxiliares.
A defasagem é obtida com a ajuda de uma auto-indução (bobina
automática) ou de uma capacidade (condensador), as quais são
eliminadas após o arranque. Seu desligamento é obtido por acopla-
dores acionados por força centrífuga ou, para pequenas potências,
por relês de desengate térmico ou magnético.
A corrente magnetizante de um dispositivo automático tem por
efeito defasar a intensidade em atraso em relação à diferença de
potencial, e a corrente de carga de um condensador tem por efeito
defasá-la para a frente.
321
Tabela de conversão das unidades de energia

quilograma quilo- 1 quilowatt- cavalo-


Joule metro caloria hora Pé libra
J hora B.T.U.
kgm kcal kW/h cv/h pé/lb
--- 1

J 1 0,102 0,000 239 27,77 X 10-s 37,75 10-• 0,737 0,000 947
--- ----
kgm 9,81 0,002 35 0,272x 10-• 0,37 X 10-• 7,231 92,94 X 10-•
---
kcal 4185 426,7 1 0,001161 0,001 578 3081,25 3,959
---
kW/h 3 600X 10-a 367 210 860 (1) 1 1,359 2 2,65510' 3 142,8
--- -
cv/h 2648 700 270 000 633,69 0,736 1 1952855 2 509
-- -
pé/lb 1 356,7 0,138 26 0,000 325 3 768 X 10-1 5,121 X 10 7 1 1,28510-•

B.T.U. 1 053 107,56 0,252 0,293X 10- 1 0,398X 10-a 776,44 1

(1 l Quilowatt-hora internacional.
Tabela 39
Tabela de conversão das unidades de potência
' quilogra ma-
cavalo- Cavalo-
watt quilowatt vapor força metro por
w kW CV HP segundo
----
watt 1 0,001 0,00136 0,0134 0,102

quilowatt 1 000 1 1,359 1,341 101,97

cavalo-vapor 736 0,736 1 0,986 75


-----
Cavalo-força 746 0,746 0,760 1 76
1
kgm/s 9,81 0,00 981
1 º·º 133 0,0131 1

Tabela 40

Nos motores automáticos, o enrolamento auxiliar constitui a


bobina automática mas, em conseqüência da fraca resistência dos
dois enrolamentos em paralelo ao arranque, a intensidade absorvida
é elevada e estes motores não podem ser utilizados senão para fracas
potências (aproximadamente 100 WI. Seu torque de arranque é três
vezes o torque normal.
Os motores de condensador têm um torque de arranque de 3,5
a 4 vezes superior' ao torque normal com uma demanda de corrente
não ultrapassando 4 ve:i:es a intensidade normal de funcionamento.
São utilizados para potências indo até cerca de 500 W. Para além
desta potência, as capacidades são muito elevadas e corre-se o risco
de um desgaste muito rápido dos contatos do acoplador, até ã rup-
tura. Então, são utilizados motores de repulsão.
Os condensadores são compostos por duas tiras de alumínio de
pequena espessura, recobertas por eletrólise, de uma camada muito
fina de alumina, a qual forma o dielétrico. Entre estas folhas de alu-
mínio, é colocada uma tira de papel impregnada de uma solução
eletrolítica. O conjunto é enrolado e colocado em um recipiente
vedado.
Dois fios ligados ãs tiras de alumínio constituem os terminais
do condensador. Estes condensadores, que nã'o devem permanecer

323
Potências padronizadas dos motores
Equivalência kW/cv

kW CV

0,37 0,5

0,55 0,75
-
0,75 1

1,1 1,5
-
1,5 2

2,2 3

3 4

4 5,5

5,5 7,5

7,50 10

10 13,5

11 15

15 20

18,5 25

Tabela 41

324
sob tensão durante mais do que alguns segundos, são constru Idos
para suportar apenas um nllmero restrito de arranques por hora.
Este nllmero é, geralmente, indicado na caixa do condensador.
Os motores de indução são, por vezes, bobinados para uma llnica
tensão. Contudo, a maioria tem um enrolamento de serviço que per·
mite a ligaçâ'o em série ou em paralelo.
O sentido de rotação pode, igualmente, ser invertido.
As placas de terminais e a ligação destes motores são indicadas
na Figura 109.

Motor de repulsão
Este motor compreende um estator de enrolamento monofásico
e um rotor de motor de corrente contínua, cujas escovas são ligadas
entre si.
Se se enviar corrente para o estator, como as escovas são chaveta-
das sobre uma linha neutra, formam-se no rotor, em frente aos pólos
do estator, pólos de sinal igual que tendem a se repelir. Esta repulsão
faz-se assim radialmente, sem produzir torque motor.
Mas, se as escovas se defasarem em relação à linha neutra, os
pólos não estarão mais exatamente em frente uns dos outros, e a sua
repulsão produzirá um torque que acionará o rotor no sentido da
defasagem das escovas. A posição das escovas para a qual o torque é
máximo é, geralmente, anotada sobre o porta-escovas e o flange do
motor, para os dois sentidos de rotação.
O estator contém dois enrolamentos permitindo a ligação em
série ou em paralelo: geralmente 220 ou 11 O V.
Os quatro fios que saem da armação são facilmente assinalados,
quer por suas cores diferentes, quer por um nllmero inscrito sobre
um pequeno anel metálico embutido em cada fio, ou ainda por sua
ordem de saída de uma placa isolante colocada no pequeno cárter
de ligações.
Em caso de dllvida, proceder à sua identificação com uma lâm-
pada.
Nestes motores, o dispositivo destinado a curto-circuitar o cole-
tor e a elevar as escovas provoca, por vezes, alguns aborrecimentos;.
neste caso, o motor nâ'o toma a sua velocidade normal e aquece ou
não arranca.
De vez em quando, é preciso verificar se os carvões deslizam
facilmente em seu guia, se as molas de aplicação sobre o coletor
estão devidamente sobre seu assento, e se o estado do coletor per-
mite um bom contato dos carvões. Se o coletor estiver em mau
estado, é necessário refazer a superfície externa no tomo e retirar
325
Motores monofásicos de condensador

a;~~m
Rot1 ..f10vdls Rot2. Rot1 220volls Rot2.

~w
Motores
monofásicos
de fase
auxiliar
Ror 1 Rot2.
Monofásicos de condensador com proteção térmica

IL.I ~=-~
-"1::.- Rot1 _.,,,,. Rot2. Rot1 Rotz

1• fase ..,.,_ ~ 2flase

rn4J
Motores bifásicos

u V W Motores trifásicos
w
Ligação Ligeça
em em
-"'l::r estrela triângulo ""°c:r
Fig. 109 - Placas de terminais e ligação de motores monofásicos,
difásicas e trifásicos.
326
a mica que se apresentar entre as lâminas, antes da recolocação em
funcionamento.

Motor de repulsio-indução
Este motor 11 constru (do como o precedente e arranca da mesma
forma, mas para evitar as faíscas entre escovas e coletores e seu des·
gaste, um dispositivo de força centrífuga curto-circuita o coletor
bimina por lâmina e, geralmente, levanta as escovas logo que o
motor está perto de sua velocidade de regime. Entá'o, o motor con-
tinua a girar como um motor a induçio.

Sistemas polifãsicos
Um sistema de várias correntes alternadas de freqüência igual,
mas defasadas uma em relaçio à outra por uma mesma fraçio de
período, constitui um sistema de correntes alternadas pollfásicas.
Os sistemas polifásicos mais comumente utilizados sã"o os siste-
mas trifásicos e ainda, por vezes, os sistemas difésicos.

Motores trifásicos
Slo, na maioria dos casos, do tipo de gaiola. Esta construçio dos
rotores em gaiola de esquilo, para alllm de suprimir os inconvenien·
tes devidos âs escovas, anéis, acopladores, etc., permite obter um
melhor rendimento, sendo o conjunto menos dispendioso que uma
bobinagem rotórica, a qual exige cuidados demasiados.
Estes motores podem ser de gaiol11 1'.inica ou de gaiola dupla.
As potências máximas toleradas pela E.D.F. sio, para este tipo
de motor: 2,5 kW se o usuário receber corrente de baixa tensio
(U < 500.V).
O motor arranca com um forte torque, superior a duas vezes o
torque normal, para uma demanda de corrente que nio ultrapasse
quatro vezes a corrente normal.
Os estatores dos motores trifásicos contdm trds enrolamentos
que permitem a utilização destes motores para duas tens6es que
estio, entre si, em uma relação igual a ./3. isto ê, 1,732.
Todos os enrolamentos de estator destes motores sã"o ligados
sobre placas de terminais (ver página 326), para poderem ser alimen·
tados sob uma das tens6es fornecidas pela rede e que sio:
220/380 380/660
A ligaçio do motor ê efetuada "em triângulo" para a tensio mais
fraca e "em estrela" para a tensã"o mais elevada. A inversio do sen-
tido de rotação é obtida invertendo a ligação sobre a placa de termi-
nais de dois fios de alimentação.

Motores difãsicos
A distribuição é quase sempre feita por fases independentes: o
motor de quatro terminais.
Uma distribuição difásica compreende dois circuitos monofá-
sicos. Se a tensão entre fios de uma mesma fase for, por exemplo,
220 V, a tensão entre dois fios de fases diferentes não será superior
a~= 155V.
Portanto, convém identificar convenientemente os fios antes de
fazer a ligação sobre o motor, e identificar igualmente os enrola-
mentos sobre o motor. O sentido de rotação é invertido por inversão
dos dois fios de uma mesma fase.
Características dos motores elétricos
Velocidade de sincronismo
A velocidade de rotação de um motor elétrico alternado é dada
em rotações por segundo pela relação entre a freqüência da corrente
de alimentação e o número de pares de pólos (N), o que leva às velo-
cidades seguintes (freqüência 50 Hz).
n rot/min = ~ X 60
~ X 60 = 3 000 rot/min;

ou 50 X 60 = 1 500 rot/min;
2
~ X 60 = 1 000 rot/min;

50 X 60
4
= 750 rot/min.

Velocidade real
A velocidade de sincronismo corresponde à velocidade de rota-
ção do campo giratório criado nos enrolamentos do estator. A velo-
cidade do rotor (aquela marcada com a ajuda de um taquímetro na
extremidade do eixo) é ligeiramente· inferior à velocidade de sincro-
nismo. A diferença entre estas duas velocidades é denominada "des-
lizamento" do motor. O valor do deslizamento representa 3 a 5% da
velocidade de sincronismo.
328
Deslizamento - e
a diferença entre a velocidade angular do
campo e a velocidade angular do motor.
Rendimento - e a relação entre a potência utilizável e a potên-
cia fornecida.
Potência utilizável
TI =
Potência fornecida
Cos <P (co-seno fi) - e
o fator de potência. o seu valor resulta da
diferença (ou defasagem) entre a intensidade e a tensão devida à
auto-indução do motor. O produto das indicações lidas no amperí-
metro e no voltímetro só dá a potência aparente; para obter a potên-
cia efetiva, é necessário um wattfmetro.
O cos cp é igual a 1 quando a defasagem é nula; diminui quando
a defasagem aumenta, isto é, quando a auto-indução é mais impor-
tante.
A maior defasagem que pode ser atingida é de 1/4 de per lodo e
corresponde a um circuito puramente automático.
o valor do cos cp é determinado para os motores monofásicos
pelas indicações de um voltímetro e de um amperímetro que dão a
potência aparente UI e de um wattlmetro que dá a potência real.
W = UI cos cp
W watts (potência real)
donde cos <P = -UI = volts X amperes (potência aparente)
.
Para um motor difásico, determina-se do mesmo modo para cada
uma das fases.
Para um motor trifásico, o método dos dois wattlmetros é sufi-
ciente.
Potência de um motor
Potência l'.ítil
A potência útil desenvolvida por um motor é dada pelas seguin-
tes fórmulas:
Corrente monofásica:
Pu = U.I. X TI X COSI{).
Corrente trifásica:
Pu = U.I. X .j3 X 7J X COSI{).
Corrente difásica:
Pu = U. I. X .J2 X 71 X cos .p.

329
Potlincia abso1Yida
Seja qual for a natureza da corrente de alimentação, teremos:
Pu
Pa=-
Tl
com, em cada uma destas fórmulas:
Pu - P8 : Watts;
U Volts;
Amperes;
11 em%;
cos.p O, ...
Intensidade de partida
Ouando da ligação direta sobre a rede de um motor elétrico de
rotor em curto-circuito, observa-se uma intensidade apreciavelmente
superior à intensidade absorvida em funcionamento normal. A rela-
ção entre lp e ln (intensidade de partida/intensidade normal) pode
atingir de 4 a 6.
Esta grande demanda· de corrente sobre a linha de alimentação
fez com que se limitasse a potência máxima dos motores de rotor
em curto-circuito, pela E".D.F., para as potências abaixo:
Corrente monofásica:0,75 kW,
Corrente trifásica: 2,5 kW,
quando ao usuário é fornecida corrente de baixa tensão (U < 500 VI.
Torque de partida
Os compressores frigoríficos são máquinas que são sempre (em
potências que nos interessam) acionadas "em carga". Portanto, é
necessário que os motores de acionamento possam vencer, no arran-
que, a inércia da máquina e, por outro lado, eventualmente, o traba-
lho devido a uma fase de compressão.
O valor da relação: TplTn (torque de partida/torque normal l
deve ser, no mínimo, de 1,8 a 2 e, por vezes, de 2,5 a 3 para os
motores pequenos.
O valor desta relação só depende das características dos motores
e seus fabricantes podem fornecer todas as informações úteis sobre
este assunto.

Medição da pott1ncia absorvida por uin motor


A potência absorvida por um motor alimentado por corrente
alternada só pode ser medida com a ajuda de um wattímetro.
330
Em motor monofásico, esta potência é igual àquela lida direta-
mente sobre o mostrador do wattímetro.
Em motores trifásicos, a potência absorvida pode ser lida direta-
mente no mostrador do wattímetro, se ele for projetado para esta
leitura.
Cóntudo, o método mais exato consiste em utilizar dois wattí·
metros, cada um deles montado sobre uma fase da alimentaç4'o do
motor, sendo os enrolamentos "tensão" dos dois wattímetros liga·
dos ao terceiro fio de fase. Entâi:>, a potência absorvida tem por
valor a soma dos valores lidos em cada um dos wattímetros, ou seja,
sendo P1 a potência lida no primeiro wattímetro e P2 a potência lida
no segundo wattímetro, a potência total absorvida será:
P = P1 + P2.

Restrição feita à instalação dos motores elétricos


A instalaçá'o dos seguintes motores está subordinada a um acordo
prévio do fornecedor de energia (norma e 15- 100).
H> • Motores monofásicos de potência nominal superior a:
O, 75 kW, se forem alimentados por rede monofásica;
0.4 kW, nos outros casos.
29 • Motores polifásicos de potência nominal suparior a:
0,75 kW, se forem alimentados por intermédio de uma fiação
coletiva do edifício;
1,5 kW, se forem alimentados por uma longa linha aérea;
2,5 kW, nos outros casos.
39 · Motores de arranques repetidos e freqüentes, especialmente
quando devem funcionar durante horas de iluminação.
49 • Os motores polifásicos de rotor em curto-circuito de potên-
cias nominais superiores ãquelas indicadas acima podem ser admi·
tidos se estiverem munidos de um dispositivo de partida, o qual
reduza a potência absorvida a valores inferiores ou iguais ãqueles
da Tabela 42 da página 334. Nestas condições, os motores polifási·
cos de rotor em curto-circuito podem ser aceitos até uma potência
nominal de:
2,5 kW, se forem alimentados por fiaç6es coletivas de edifícios;
5 kW, se forem alimentados por uma longa linha aérea;
8 kW, nos outros casos.
Mudança de sentido de rotaçã'o dos motores
Motores monofAsicos:
331
Motores de fase auxiliar - Pode-se obter a mudança do sentido
de rotaçio:
ai intermudando-se as extremidades da fase principal;
bl intermudando-se as extremidades da fase auxiliar.
Motor de repulsão e de repulsão-induçio (de coletor) - A inver-
sfo do sentido de rotaçlio é obtida por regulagem das escovas.
Motores trifêsicos:
1nverter dois dos três fios.
Motores biftsicoi:
Inverter as ligaç6es de uma das fases.

Utilização de motores trifásicos em monofãsicos


Reh!s S.l.F.E.R.
e possível fazer funcionar um motor trifásico em motor mono-
fásico em certas condiç6es bem determinadas.
Alimentam-se duas fases do motor trifásico com uma rede mono-
fásica de tensfo apropriada, e utiliza-se 11 terceira fase como auxiliar
para a partida. Esta fase auxiliar deve ser ligada à rede, quer por
intermédio de um interruptor de três posiç6es, "partida", "funcio-
nando", "parada", quer por intermédio de um reostato contendo
um dispositivo de resistência automático, quer inserindo, nesta ter-
ceira fase, condensadores de partida. Neste último caso, o acopla-
mento e o desacoplamento se fazem igualmente com um interruptor
de três posiç6es.
Mas, apesar destes artifícios, o motor mio pode ser utilizado em
condiç6es normais porque o torque de partida, nos dois primeiros
casos, é muito inferior ao torque normal e, para além disso, para
evitar a deterioraçlio do motor quando de uma interrupçã'o acidental
de corrente, o acoplamento e desacoplamento devem ser efetuados
automaticamente.
Um resultado satisfatório é obtido pelo emprego de um relê
especialmente projetado para esta funçã'o. Trata-se do bloco-relê
S.l.F.E.R. que permite automaticamente, por disjuntor, a partida
fácil de um motor trifásico em monofâsico, obtendo totalmente
um torque de partida igual, ou mesmo superior, ao torque normal
do motor utilizado.
O bloco-relê apresenta-se sob a forma de uma caixa contendo os
condensadores conforme a potência do motor utilizado e o torque
de arranque desejado. Para além disso, ele contêm um relê de acopla-
mento e desacoplamento.

332
MONOFASE

~ J
>
gf g
....
> >
o> NI >
g
;:

DIFASE

~ Fase 1 ;:JIN ::i t ::::1~..t


=>IN
::I<'!

~ Fase li

Ex: ~:'M5v u:230v u"J- =155v


::JINi ::i
~
::::IN !

TRIFASE

::i

secundário do transfonnador
Ex: u:127v tN3= 220v
U= 220v iN'J =380v

Fig. 110 - Distribuição de energia elétrica de BT,


conentes alternadas.

333
Condições de arranque de motores elétricos
Instalação não subordinada
ao acordo do fornecedor de energia

Potlincia Potlinc ia absor·


Tipos de motores nominal vida quando
(kWI do arranque (kV AI

a) monoláslcos
- alimentados por uma insta- 0,75 10
lação monoláslca
- alimentados por uma Insta- 0,4 4
ação pol ilásica

b) polllásicos
- alimentados por uma fiação
coletiva de edlflclo 0,75 6,75

- alimentados por uma longa 1,5 13,5


linha aérea
- alimentados de outro modo 2,5 22,5
-
Nota: por linha aérea longa entende-se uma linha de mais de 600
metros nas redes de 220/380 volts, ou de mais de 150 m nas redes
de 127/220 volts.
Tabela42
O funcionamento deste relli (relli de tensão) está baseado no fato
de que, em fim de curso, a tensão induzida pela fase principal na
fase auxiliar aumenta sensivelmente, e este aumento é utilizado para
o deslocamento de um induzido porta-contatos, os quais, em posi·
çã"o de repouso, fecham o circuito "condensadorelt-fase auxiliar" na
rede. O bloco-relê tem terminais marcados pará a ligaçã"o dos 2 fios
da rede e dos 3 fios do motor.

Escolha do motor trifâsico a utilizar em monofásico com


S.l.F.E.R.
Quando, em um motor trifásico funcionando em carga normal, se
corta uma fase de alimentaçã"o, o motor continua a girar em mono·
fásico.
A diferença entre a velocidade angular do campo e a velocidade
angular do motor aumenta. Se o torque resistente for o torque nor·
mal, o motor deixará de funcionar rapidamente. ·
Sabemos que a potlincia absorvida por um motor trifásico é:
334
Intensidade de corrente média 1absorvida por um motor (em amperes).

Corrente Corrente
Potências padronizadas 1 Corrente trifásica d ifásica monofá sica

kW CV 220 V 380 V 500 V 220 V 220 V

0,37 0,5 1,8 1,03 0,8 1,56 3,12


0,55 0,75 2,75 1,54 1,21 2,38 4,76
0,75 1 3,5 2 1,5 3 6,21
1,1 1,5 4,4 2,6 2 3,8
1,5 2 6 3,5 2,6 5,2 1 ,4c:: :z
2,2 3 8,7 5 3,8 7,5 1 ;,1_ e:: e....
3
4
4
5,5
11,5
14,5
6,6
8,5
5
6,5
10
12,5
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5,5 7,5 20 11,5 9 17,5 3 ,6 o (/")
7,5 10 27 15,5 12 23,5 4 ,8z r-- f-3
10 13,5 35 20 15 30 6 )> ãi
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P = UI ..,/3 cos ip
e por um motor monofásico, esta fórmula torna-se:
P' =UI cosip.

Vê-se que a relaçá'o P' = u_:;;s"' = 0,6, aproximadamente.


P UI 3 cos ip
Um motor trifásico alimentado em monofásico só dará, entre-
tanto, 0,6 de sua potência para um aquecimento equivalente, e o
aquecimento condiciona a escolha do motor trifásico que se quer
fazer funcionar em monofásico. Se à intensidade, neste último caso,
não for superior àquela que ê absorvida pelo motor funcionando
como trifásico nas mesmas condições de carga, o motor funcionará
normalmente.
Se se quiser obter, em sistema monofásico, uma potência de
0,6 kW, convêm, então, montar na instalaçá'o um motor trifásico
de 1,1 kW.
Esta utilização de motores trifásicos em monofásicos apresenta
uma certa vantagem pelo fato de que, por vezes, ê diffcil encontrar
motores monofásicos com uma potência superior a 0,5 kW.
Por outro lado, o preço de um motor trifásico acompanhado do
bloco-relê S.1.F.E.R. ê ainda inferior àquele de um motor monofá-
sico de igual potência, e isto condiciona o seu emprego.

Causas de mau funcionamento dos motores em gaiola


19 · O motor nio arranca - ~ preciso verificar a ligação dos
fusíveis, as conexões e os aparelhos de arranque e de controle. Pode-
se cortar uma fase no estator (bifásico ou trifásico). Para monofá·
sico: corte em fase auxiliar, condensador ou acoplador defeituosos.
~ · O motor não arranca, mas gira quando é feito andar - Há
corte de uma fase (em bifásico ou trifásico) e o motor gira em mono-
fásico. ~ preciso verificar os fusíveis. Verificar também a tensão da
rede, a ligação do motor e o acoplador.
39 · O motor aquece - Verificar a tensão e a ligação. Verificar
a pressão de recalque do compressor acionado.
Verificar o estado do acoplador e a lubrificação dos eixos.
49 • O motor faz barulho - Os rolamentos ou os mancais estão
gastos. Neste último.caso, o rotor atrita contra o estator.
Muitas avarias de motores são devidas ao fato de que a instalação
é efetuada em fim de linha, muito longe do transformador. Convêm,

336
portanto, se assegurar, por meio de um voltímetro, da tensão exis-
tente nos terminais. Esta tensão pode ser de 10a15% inferior àquela
existente no transformador.
Esta queda pode, igualmente, ser intermitente se na proximidade
houver uma usina ou qualquer outro grande consumidor de energia
elétrica.
Finalmente, é preciso prever que os fios de adução ao motor
tenham uma seçã'o suficiente. A densidade da corrente não deve
ultrapassar 5 ampêres por milímetro quadrado para os condutores
em cobre.
DISJUNTORES
O arranque dos motores acima de uma certa potência necessita
do emprego de contatores ou disjuntores.
Estes aparelhos são necessários em instalações que funcionam
com corrente trifásica ou bifásica; a sua utilidade não se impõe para
corrente monofásica, a não ser quando a intensidade absorvida pelo
motor ultrapassa o limite admissível para o comando direto por
aparelhos automáticos de regulagem (pressostatos, termostatos.
etc.). Este limite, variável conforme a fabricação e seguindo indica-
ções dos construtores, é, geralmente, de 0,5 kW em corrente mono-
fásica, para uma tensão máxima de 250 V.
Um contator - ou um disjuntor - é um interruptor eletromag-
nético destinado a ligar ou desligar um circuito elétrico. O elemento
de regulagem - ou de proteçã'o - que comanda a ligaçã'o ou des-
conexã'o dos contatos principais só liga ou desliga a alimentação da
bobina do contator e, por isso, só tem que se estabelecer ou inter-
romper um circuito de fraca intensidade.
Como a intensidade absorvida pelo motor de um compressor
varia com as condições de funcionamento da máquina, só pode ser
obtida uma proteção eficaz dos enrolamentos do motor pela adição
de relês térmicos sobre a alimentação do motor. Estes relês têm por
objetivo proteger os motores contra sobrecargas, ainda que fracas,
cuja duração possa ser perigosa para estes motores, ou para obter a
desconexão instantânea no caso de acunhamento do rotor, ou de
curto-circuito.
Os contatores completados com este dispositivo de proteção
tomam o nome de disjuntores.
O conjunto do disjuntor é fixado em uma caixa metálica ou em
material moldado. Comporta três ou quatro contatos fixos, aos
quais são ligados fios de entrada de corrente. Os contatos móveis,
montados sobre um bloco em material moldado, deslizando ou osci-
lando conforme a fabricação, são ligados aos terminais do motor.
337
lnstalaçio - O disjuntor deve ser instalado contra uma parede,
em principio sobre uma placa, e em uma posiçlo rigorosamente
vertical.
Verificar se o bloco que contém os contatos m6veis tim folga
suficiente, sem nenhuma fricçio.
Verificar a natureza da corrente, porque os disjuntores para cor·
rente alternada nio podem ser utilizados em corrente continua e
vice-versa.
O aparelho deve ser usado para a tensio indicada na caixa; as
variações de ± 10% admitidas sio em condiç8es extremas. Se o dis-
juntor construído para 220 volts for ligado em 200 volts, a proteçlo
não será mais assegurada, no caso de uma quada acidental para
190 V, por exemplo.
Verificar convenientemente a tensio da linha por meio de voltf·
metro, e as indicações contidas na bobina do disjuntor.
Verificar as ligações e os contatos móveis que devem estar colo-
cados perfeita e simultaneamente sobre os contatos fixos.
Relas térmicos - Os relfs térmicos são de tipos diferentes, con-
forme os fabricantes. Contudo, sio baseados na açio de pequenas
resistências, cujo aquecimento aumenta com a intensidade. Um
modelo comum é composto por pequenas tiras bimetélicas (com a
forma de espirais ou pontas de cabelos) aquecidas por resistências.
A deformação das tiras bimetálicas sob influência do aqueci-
mento transmite-se, por intermédio de uma barra de guia, ao dispo-
sitivo de desengate de açio instant4nea, quando a intensidade prove-
niente de uma sobrecarga pode ser perigosa para o motor. Por vezes,
uma quarta tira bimetálica, idêntica às primeiras, serve para com-
pensar a influência da temperatura ambiente, de modo a tomar a
açfo dos relês térmicos independente desta temperatura.
Os relês térmicos nfo protegem eficazmente um motor senio
quando sio regulados para disparar a uma intensidade 30% superior
à intensidade nominal do motor. Deve-se, entfo, verificar esta inten-
sidade com um amperlmetro. Não considerar a corrente absorvida
no arranque. Nfo fazer um acionamento senão depois de ter efetua-
do as verificaç8es especificadas.
Se o aparelho disparar após um certo momento de funciona-
mento, fazer uma leitura no amperfmetro para correção; se houver
necessidade, a regulagem permanece totalmente nos limites de pro-
teçio.
Quando o motor tiver atingido a sua temperatura de regime,
podem-se fazer os testes de desengate como segue:
Motor monof6sico: criar uma sobrecarga no motor de aproxima-

338
damente 20%, frenando ou afogando a válvula de recalque do com-
pressor. O desengate deve-se efetuar entre 45 s e 1 min., caso con-
trário, corrigir a regulagem e refazer o teste.
Motor trifêsico e difésico: retirar um fusível; o aparelho deve
desligar em menos de 3 minutos.
Ligação em difãsico:
Na ligaçio em difásico, é preciso verificar cuidadosamente a
ligaçio da bobina, a qual deve ser feita sobre uma fase. A ligaçio
entre fases provoca uma rápida avaria da bobina, sendo a tensio,
neste caso, apenas igual a:
u . 220
.J2' ou seia, para 220 V: 1.4 14 = 155 V.

Neste caso, o bloco dos contatos móveis é insuficientemente


utilizado, a colagem magnética é imperfeita, o aparelho faz um
ruído semelhante a grunhido e, geralmente, a bobina queima após
um curto tempo de funcionamento.
Os fusíveis calibrados mio podem substituir o disjuntor. De fato,
eles sio calibrados para "funcionar" na partida do motor, poden-
do protegê-lo apenas contra acunhamentos, curto-circuitos, ou con-
tra sobrecargas de valor igual a três ou quatro vezes a intensidade
nominal.
Contra as sobrecargas fracas, mas duradouras, provocadas, por
exemplo, por uma pressâ'o de recalque aumentada, eles sio inefi·
cazes.
Manutençã'o dos disjuntores
A maioria destes aparelhos é composta por contatos funcionando
a seco, e alguns sio compostos por contatos funcionando em óleo.
Neste õltimo caso, o óleo, que é de qualidade especial e denominado
de "óleo. de transformador", deve ser trocado mais ou menos todos
os anos.
Seja qual for o tipo de aparelho, convém verificar, de vez em
quando, o estado dos contatos. Logo que a sua superfície de apoio
estiver defeituosa, deve-se alisá-la com uma lima e passar uma tela
de esmeril fina.

Anomalias de funcionamento
Elas se traduzem assim:
ai o disjuntor mio engata;
b) o disjuntor não fica engatado;
339
c) o disjuntor não desengata.
ai Assegurar-se de que a corrente chega ao aparelho, que o ter·
mostato ou pressostato, conforme o caso, está ligado e que a ligação
está feita corretamente sobre o disjuntor.
Verificar o funcionamento do botão de reengate.
Verificar a ligação do disjuntor, da bobina eletromagnética e
o aperto das conexões.
b) Nunca fazer funcionar com engate forçado.
Verificar a intensidade absorvida pelo motor, verificar se esta
intensidade corresponde à regulagem do relê.
Verificar a ligação do disjuntor. Se um ventilador estiver ligado
sobre o disjuntor, verificar se esta ligação está feita antes dos relês
térmicos.
Verificar o acoplamento do motor elétrico (um motor trifásico,
p. ex., pode ser acoplado em triângulo em vez de ser acoplado em
estrela).
Verificar as indicações contidas na bobina.
Verificar o estado dos contatos.
Verificar a tensão ã entrada do setor sobre o aparelho.
Verificar a ligação do aparelho de regulagem ou de proteção
(pressostato ou termostato).
c) Quando o bloco dos contatos móveis fica colado, trata-se
quase sempre de um erro de ligação.
Assegurar-se de que o bloco de contatos móveis caia livremente
logo que a corrente é interrompida na linha.
Se um ventilador estiver ligado ao aparelho, assegurar-se de que a
bobina eletromagnética nã'o é alimentada pelo retorno da corrente
do ventilador.
Esquemas de execuc;io e de ligaçio de diversos disjuntores
Os esquemas IFigs. 111 a 1161 das páginas seguintes representam
os esquemas de ligação de diferentes disjuntores, considerando os
seguintes elementos:
11 alimentaçã'o em corrente trifásica;
21 comando por dispositivo automático externo ã caixa;
31 alimentaçã'o direta da bobina.
Devem-se ter em consideração as instruções de montagem e de
ligação dadas pelos diferentes construtores para as seguintes uti·
lizações:
11 alimentação da bobina por fonte separada

340
' ' '
L1 L2 L3

Reengate

U V
t t
Fig. 111 - Disjuntor ND 1-CB
L3 L2 L1 Télémécanique.

L3 L1

Fig. 112 - Disjuntor DT 101 e


T1 T2 T3 DT 20 310 Rsn (Doe. Pesas).

341
21 alimentação em corrente monofãsica;
31 aliment!!Ção em corrente difásica.

L1 L2 L3

·------
\
i
-n
1 1
1
1
1
1

1
Reg. i
1
Seg. 1
-+-
1 1
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u V w

Fig. 113 - Disjuntor CDS 8 SIAEA'.

Quanto a esta última alimentação, sendo certos disjuntores tetra-


polares, os quatro fios de fase são ligados ao disjuntor. No caso em
que a execução do disjuntor li apenas tetrapolar, o quarto fio passa
"direto". Este corte em três fios de fase li admitido pela E.D.F. para
um regime de funcionamento automêtico sob reserva expressa de
que um 6rgio de corte manual tetrapolar montado antes do disjun-
tor permite cortar a alimentação geral da instalação, possibilitando,
assim, intervir sobre uma linha sem tensão, as intervenções manuais
sobre uma linha sob tensão sendo formalmente proibidas pelos
regulamentos de segurança.

342
,,,,.----------.......
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Reg.
Seg.
Fig. 114 - Disjuntor CDS 16 SIAEA.
L1 L2 L3

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Reg. i
Seg. E
"'oe:
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e:
:::J
LI..

U V W
Fig. 115 - Disjuntor Petercem de bobina de bitensão.

343
L1 L2 L3

A B

o
0,___~---~---1

o

Reg.

U-+-- Seg.

U V W
Fig. 116 - Disjuntor ROC 12 Cu e 20 U (Doe. Unelec).
Condutores elétricos
Densidade de corrente - i: o número de ampêres que passa por
um mil !metro quadrado de seção. A U.S.E. indica as densidades de
corrente seguintes, em regime normal (1 ).
Seção Densidade de corrente
de 1,5a 5mm 2 5Apormm 2
6 a 15 - 4
- 16 a 50 - 3
A corrente admissível é a corrente que uma fiação pode suportar
em serviço continuo sem comprometer a sua conservação ou o seu
isolamento; os números dados na tabela ao lado - extraída da tabela
3 S da norma C 15-100 - são válidos para temperaturas ambiente
inferiores a 30 ºC. Se a temperatura ambiente se mantiver, de modo
permannte, acima de 30 ºC, as correntes admissíveis deverão ser

1) Estas cifras representam valores médios.


344
Características dos fios fusíveis
a) Fios fusíveis em liga de 60% de chumbo e 40% de estanho:

Diâmetro Intensidade Intensidade


de utilização Diâmetro de utilização
dos fios em ampêres dos fios em ampêres
2/10 0,5 12/10 7,5
4/10 1 13/10 &
5/10 1,5 14/10 10
6/10 2 15/10 11
7/10 3 16/10 12
8/10 3,5 17/10 14
9/10 4,5 18/10 15
10/10 5,5 19/10 17
11/10 6,5 20/10 18
1
bl Fios de alumínio:
.. -
Intensidade Diâmetro 1ntensidade
Diâmetro de utilização
dos fios de utilização dos fios
em ampêres 1 em ampêres
2/10 2 8/10 20
3/10 6 9/10 25
4/10 10 10/10 32
5/10 14 12/10 40
6/10 16 14/10 50
7/10 18 15/10 55

Em princípio, os fusíveis fundem a uma intensidade dupla


daquela que acabamos de indicar.
Tabela44
·--------·--------·-----
Corrente admissível nos condutores
Condutor em cobre Intensidade máxima 1 Densidade de corrente
seção em mm 2
--------
! em ampêres A/mm 2
1,5 14 9,4
2,5 19 7,6
4 ~ 6~
6 32 5~
10 « 4,4
16 58 3A
25 76 3,04

Tabela45

345
reduzidas aplicando os fatores de correçã'o indicados na norma cita·
da anteriormente, e cujo valor depende da natureza do isolamento
do condutor. ·
Os valores médios destes coeficientes s§o de 0,84, para uma tem-
peratura ambiente de 40 ºC no máximo, e de 0,68 para 50 ºC.
As composições dos condutores acima sã'o aquelas dos condu·
tores definidos pela norma C 32-012 como:
"condutores rígidos da classe I";
"condutores flexíveis da classe IV".

Seçã'o nominal e composição dos condutores

Condutores rígidos de cobre Condutores flexíveis de cobre


-· -
Seção 1 Número Seçâ'o Número Diâmetro
nominal de Diâmetro nominal de doscordõ es
mm 2 cordões mm mm 2 cordões mm

1 1 1,13 1 14 0,30
1,5 1 1,38 1,5 12 0,40
2,5 1 1,78 2,5 20 0,40
4 1 2,25 4 20 0,50
6 1 2,76 6 30 0,50
10 1 3,57 10 49 (1) 0,50
16 1 4,50 16 56 (1) 0,60
25 1 5,65 25 84 (1) 0,60

(1) Os cordões são divididos em 7 entrançados, cada um


comportando respee1ivamente 7, 8 e 12 cordões.

Tabela46

REL~S
Na realidade sã'o pequenos contatores de fraco poder de corte e
que permitem, a partir de um aparelho de regulagem de corte uni·
polar, comandar vários outros aparelhos diretamente, ou por inter·
médio de contatores, ou disjuntores. Podem ser de 3-4-5-6 direções,
de abertura ou fechamento instantâneos· quando sua bobina é colo·
cada sob tens§o, ou mesmo temporizados. Os relês temporizados,
geralmente, s6 o s§o para um único sentido de funcionamento.
Exemplo: relê temporizado de fechamento, abertura instantânea,
fechamento retardado.
São utilizados nas instalações múltiplas.

346
Relis de proteção e de partida
Estes relês - que não devem ser confundidos com aqueles
descritos precedentemente, os quais, de fato, não passam de
transmissores de ordem - servem para o arranque e proteção
térmica dos motores monofásicos dos motocompressores
herméticos.
Os estatores dos motores de motocompressores são bobina-
dos em duas seções: um enrolamento de funcionamento normal
e um enrolamento de partida (fase auxiliar). o qual é alimentado
momentaneamente em ligação com o enrolamento de arranque
do motor, e desligado, logo que este último tiver atingido, ou
quase, a sua velocidade de funcionamento.
A qualquer fechamento do termostato solicitando o funciona-
mento do motocompressor, corresponde o fechamento, por relê, do
circuito de partida.
Relê magnético - Logo que o termostato engata, a corrente de
chamada passa na bobina do relê, e devido a sua forte intensidade
cria um campo magnético que atrai uma cabeça contendo o ponto
de contato móvel do contato de arranque. O circuito do enrola-
mento é, entifo, fechado e o motor parte sobre os 2 enrolamentos
(partida e marcha). Em 3 ou 4 segundos é atingida a velocidade de
marcha e a intensidade da corrente, que era cerca de 8 vezes aquela
de funcionamento normal, aproxima-se desta última. Isto tem por

Fig. 11 7 - Esquema de
princípio de um relê
magnético.
TERMOSTATO
Q
.::...n.__s-
'~,=-r-1'I b ascendente

l 1
1
1
1

cabo de
alimentação
MOTOR

- - Preto
-=Branco
-- """' Vermelho

Fig. 118 - Relê de partida e de proteção de geladeira doméstica


(Doe. Thomson).
Nota: os terminais 2-5-6 são terminais do relê

efeito diminuir o efeito magnético da bobina, o que provoca a libe-


ração da cabeça porta-contato. O enrolamento de partida é desligado
e o motor continua a girar sobre o enrolamento de marcha (1 ).
A corrente que alimenta este enrolamento de marcha passa no
elemento de corte de bilâmina. Este elemento é regulado pelo cons-
trutor para garantir corretamente a partida e o funcionamento nor-
mal do motor, mas deve interromper o circuito em caso de sobre·
intensidade sob a influência do calor produzido pela corrente que
passa na resistência aquecedora.

348
O relê que acabamos de descrever permite a partida e a proteção
térmica dos motocompressores de geladeiras domésticas. Para a par-
tida e a proteçá'o de motocompressores de potência mais elevada,
recorre-se a dois elementos separados, um para assegurar o arranque
do motor, o outro para assegurar a sua proteção térmica.
Para o arranque, encontraremos dois tipos de relês diferentes:
1l os relês de intensidade,
2) os relíis de tensá'o.
Para a proteçâ'o térmica, um "klixon", que é um elemento de
corte de bilâmina, ligado termicamente ao enrolamento de marcha
do motocompressor.
Rellfs de intensidade (Fig. 119)
O relê de intensidade atua da mesma forma que aquele prece-
dentemente descrito; a palheta de ferro doce é aqui substituída por
um núcleo mergulhador porta-contato (1 ), o qual, atraído pela bobi-
na (2) quando da colocação sob tensá'o do enrolamento principal P,
na partida do motor, é seguidamente levado novamente para a posi-

' 2
1

: 1 Cd
J__o.-'.--1
Fig. 119 - Relê de intensidade e protetor térmico separador (segun-
do doe. Unité Hermétique).
ção inferior por uma mola (ou por seu próprio peso) quando a inten-
sidade absorvida pelo motor (funcionamento normal) é insuficiente
para mantê-lo em posição elevada; assim, a alimentação do enrola-
mento de partida encontra-se interrompida.

349
Relê de tensão (Fig, 1201
O poder máximo de corte do relê de intensidade é limitado acima
de uma potência de 0,75 kW; assim, é preciso recorrer ao relê de
tensão para o arranque dos motocompressores.
O funcionamento deste relê se baseia no fato de que a tensão nos
terminais do enrolamento auxiliar aumenta em função da velocidade
de rotaçâ'o do motor.
A bobina deste relê é ligada, por um lado, ao ponto comum C
dos dois enrolamentos do motor e, por outro lado, entre o enrola-
mento auxiliar e o condensador de arranque. Portanto, ela encontra-
se em paralelo com o enrolamento auxiliar, sendo o contato móvel,
dependente desta bobina, ligado em série com o condensador de
partida,

1
1
Cp
,,
'-------11 1---
I

Fig. 120 - Relê de tensão e protetor separado (segundo Doe. Unité


Hermétique).
Funcionamento: Na parada do motor o contato móvel A 1 da
bobina (11 estâ fechado. Quando o enrolamento de funcionamento
é colocado sob tensão, a tensão nos terminais do enrolamento auxi-
liar é insuficiente para permitir que a bobina (11 abra o seu contato
móvel. A tensão nos terminais do enrolamento auxiliar aumenta
regularmente â medida que a velocidade de rotação do motor vai
aumentando, e de igual modo aumenta aquela alimentando a bobina

350
(1 l do relê. Perto da velocidada de rotação normal, esta tensio é
suficiente para provocar a abertura do contato móvel e interromper,
assim, a alimentaçâ'o do enrolamento auxiliar.
Logo que o motor gira sobre seu enrolamento de marcha, a ten-
sio induzida no enrolamento auxiliar e na bobina do rell diminui,
mas o seu valor permanece suficiente para manter o contato móvel
aberto.
Se o motor do motocompressor for um motor de condensador
permanente (Cp), este é ligado, como indicado na Figure 120, pela
parte tracejada.

....

351
CAPÍTULO XXII

MONTAGEM E CONSERTO
(O montador-reparador no canteiro)

A MONTAGEM
Ferramentas de montadores e reparadores
Comparada com aquela de outros profissionais, a ferramenta do
montador frigorista é complexa porque deve comportar, para além
da ferramenta própria da sua profissão, a maioria das ferramentas do
eletricista e do encanador.
Não se pode pretender definir uma ferramenta-padrão do monta·
dor frigorista em instalações comerciais.
De fato, certos materiais necessitam, por vezes, de uma ferra-
menta especial conforme as marcas (chave de manobra de válvula,
saca-anéis, dispositivo de ajuste de anéis, saca-volante, etc.). Con-
forme os trabalhos efetuados, montagem ou conserto, as ferramen-
tas poderão diferir e se, para a montagem, são indispensáveis ferra-
mentas especiais para perfurações, chumbagem, ligações elétricas,
contrariamente, quando de um conserto, estas ferramentas serão
substituídas por ferramentas especializadas que permitam consertar
e regular os aparelhos das instalações que o montador-reparador será
levado a consertar.
Os montadores dispõem de veículos que lhes asseguram desloca-
mentos· rápidos e, sobretudo, lhes permitem o transporte das ferra·
mentas indispensáveis a qualquer intervenção especial.

Ferramentas próprias de um montador-reparador


1 dilatador de tubos de 1/4" a 5/8" ou 3/4"
1 corta-tubos
1 manômetro de baixa pressão de 76 cm Hg- 4,200 bars (30"- 60
psig)
manômetro de alta pressão O - 25 bars (O - 350 psig)
ou
jogo de conexões para tomadas manométricas
tubo de carga flexível
chave de catraca para quadrado de 6 mm
chave de catraca para quadrado de 8 mm
Pode bastar uma única chave se se utilizar um "adaptador"
macho·fêmea para a outra dimensão.
353
1 lâmpada halóide
1 jogo de chaves chatas ao vanádio 6 X 8, 8 X 1O, 10 X 13, 13 X 15,
14 X 16, 17 X 19, 18 X 20, 21 X 23, 22 X 24, 25 X 28
1 jogo de chaves de tubo de 1O a 22
1 pequeno martelo de ajustador
3 chaves de parafusos: fina, média e grossa
1 pinça universal
1 chave inglesa de 15
1 chave inglesa de 25
1 jogo de chaves "Bonney" para porcas 1/4" - 3/8" - 1/2" - 5/8"
1 serra de metal de modelo pequeno
1 pinça de extremidades redondas
1 pinça de extremidades chatas
1 1ima chata 1/2 doce
1 lima redonda de 6 mm
1 raspador
1 lâmpada de aviso de 220 V protegida
1 lâmpada elétrica de bolso
1 garrafa de carga portátil com ligação ou um "Fryopack"
1 tubo de carga flexível
1 alicate vazador' de 6 mm
1 ai icate vazador de 8 mm
1 saca-polias
1 jogo de brocas de concreto de 4 a 13 mm
1 balanceiro
1 jogo de brocas mecânicas
1 caixa de controle (voltímetro-amperímetro)
1 ohmímetro
1 pincel "cauda de bacalhau"
panos limpos
1 maçarico de propano (ou butano), solda forte de prata a baixa
temperatura e fluxo, tinta para soldar a 40% de estanho e fio de
solda de igual qualidade
diyersos: almotolia, fusíveis de 6-8-10 A, 10 m de fio elétrico flexí-
vel 2 X 1,5 mm 2 ou 2 X 2,5 mm 2 com revestimento de borracha,
1 rolo de chatterton e parafusos, braçadeiras e cavilhas para a fixa-
ção das tubulações. Estes últimos acessórios são, aliás, fornecidos
com o material comprado por atacado.

Ferramentas do montador
Se o montador efetuar uma instalação nova, será preciso juntar à
lista acima:
354
caixa que se fecha à chave (volume: aproximadamente 200 dm 3 )
pua elétrica de tampar
espátula
tina
cordel para marcações
nlvel de bolha
virabrequim
brocas dilatáveis de madeira
1 pistola de vedação (eventualmente)

Peças soltas
O reparador deve sempre ter com ele uma certa quantidade de
peças soltas utilizáveis. A lista abaixo não pode ser limitativa.
Apenas a experiência pode permitir determinar a nomenclatura
exata adaptada a uma dada clientela.
tubo 1/4" - 3/8" - 1 /2" - 5/8" - 3/4"
desidratadores 1 /4" - 3/8" - 1 /2"
filtros 1 /4" - 3/8" - 1 /2"
válwlas de expansão
termostatos
válwlas magnéticas 1 /4" - 3/8" - 1 /2"
válwlas de água 3/8" - 1 /2" (gás)
porcas 1/4" - 3/8" - 1 /2" - 5/8"
junções macho e cotovelos 1/4" - 3/8" - 1 /2" - 5/8"
porcas diversas e juntas reduzidas
peças de troca para compressores (juntas, válvulas de aspiração e de
recalque)
caixas de vedação, placas intermediárias, correias, etc.
disjuntores
relês térmicos de diferentes calibres
bobinas de disjuntores.

MONTAGEM NO CANTEIRO

Inicialmente, controlar e verificar o material e prever um local


para a armazenagem do pequeno material e dos acessórios. ·

Colocação do compressor
Deve ser instalado em um local de volume suficiente, não úmido
e bem ventilado.
355
Nunca colocar um compressor com condensador de água em um
local onde a temperatura possa, no inverno, descer abaixo de O ºC.
Se o compressor for de condensador a ar, será indispensável um
espaço de 20 a 30 cm entre o condensador e a parede.
Não instalar um grupo perto deºuma fonte de calor (aquecimento
central, p. ex.).
Para os grupos de fraca potência, colocar a base sobre amortece-
dores de borracha. Os grupos mais pesados devem ser colocados
sobre maciços de cimento, de preferência antivibratórios.
Um grupo compressor deve ser sobrelevado em relação ao piso,
para evitar os ataques da umidade e facilitar a limpeza e o trabalho
eventual de reparação.
Se se montar um grupo hidráulico e se s6 se dispuser de uma
fraca pressão para a água de circulação, s6 se deverá considerar um
recalque vertical importante, para que a evacuação possa influenciar
o rendimento do grupo.
Evaporador
Colocá-lo convenientemente na câmara fria, conforme os planos
de montagem, e fixá-lo bem a prumo. Se se tratar de um evaporador
de parede, a suspensão far-se-á com o auxílio de olhais de expansão
ou similares. S~ o evaporador for do tipo de teto, serão previstos
suportes ligados ãs vigas e embutidos no dispositivo de isolamento,
sua colocação tendo· sido marcada pelo isolador no momento da
feitura dos rebocos de teto, para evitar qualquer sondagem, a fixa-
ção se fazendo por tirafundos ou qualquer outro elemento de fixa·
ção similar.
Se não tiver sido previsto nenhum suporte, será necéssário o
evaporador por meio de hastes rosqueadas, mas é obrigatório evitar
que as hastes filetadas saiam para fora do teto da câmara. Haveria
perda de frio por condução. Portanto, é preciso que as porcas de
aperto sejam emburidas no teto. Revesti-las com cimento.
Quanto ã circulação de ar, comentamos, em um parágrafo prece-
dente, toda a sua importância.

Tubulações
Alinhá-las convenientemente com uma pequena inclinação em
direção ao compressor. Elas devem ser fixadas ãs paredes por braça·
deiras tipo Atlas ou Standex afastadas entre si por 1 m aproximada-
mente. Revestir o tubo, na sua passagem nas braçadeiras, com alguns
centímetros de massa de chatterton para evitar as trepidações e o
ruído.
356
Quando atravessam paredes, divisórias e pisos, as tubulações
devem ser protegidas por tubos envolvedores, os quais, ao atravessar
os pisos, devem ter uma saliência de 10 a 15 cm acima deste.
Acunhar as tubulações no interior dos tubos de revestimento
com espuma de borracha para evitar ruído e trepidações.
Evitar colocar as tubulações perto de uma fonte de calor (tubos
de aquecimento central ou tubulações de água quente).
Como, de vez em quando, se faz brasagem das tubulações e das
uniões, é importante, no momento de tal operação, tomar todas as
precauções óteis para evitar futuros dissabores.
De fato, aquecendo o cobre ã temperatura requerida para a fusão
do metal eletrolítico, o cobre é oxidado em presença do ar e forma-
se, no interior do tubo, um depósito de óxido de cobre, o qual,
"lavado" quando da entrada em funcionamento pelo fluido refrige-
rante (todos os fluidos clorofluorados sâ'o excelentes detergentes),
se desprenderá e poderá vir a entupir os filtros ou pôr em risco a
vedação de certos elementos. Em certos casos, e especialmente quan-
do as temperaturas ·de recalque são elevadas, este óxido de cobre
pode provocar uma decomposição do óleo e do fluido frigorífico.
Para evitar esta formação de óxido, é preciso fazer circular um gás
inerte desde o início e até quase ao fim do aquecimento. Para isso,
basta fazer passar uma quantidade de nitrogênio seco (nitrogênio
"R") de cerca de cinqüenta litros por minuto na tubulação a soldar,
unindo esta por um tubo flexível à saída da válvula de expansão
que funciona como fluxímetro da garrafa de nitrogênio.
Após soldagem e refrigeração desta, eliminar o excesso de pro-
dutos de decapagam com o auxílio de uma escova ou de um pano
ómido.
Acessórios
As válvulas manuais para interrupção, as válvulas magnéticas e
o disjuntor devem ser montados sobre um painel de madeira (car-
valho ou ripa) ou em chapa pintada fixada sobre a parede e ligeira-
mente afastada desta.
Válvulas magnéticas e disjuntores devem estar ao abrigo de qual-
quer condensação das tubulações.
Termostatos e pressostatos devem ser solidamente fixados e não
ser influenciados por possíveis trepidações.
Filtros e desidratadores devem igualmente ser preservados de
trepidações que possam causar, para além de ruído, a ruptura dos
colares cônicos.
Recomenda-se a previsão, na tubulação de alimentação da vál-
vula de expansão, de uma "buzina de caça" que dê flexibilidade a
357
esta tubulaçio e, se necessário, que permita refazer um colar cônico,
tomando o comprimento do tubo sobre a "buzina de caça".
Eventualmente, colocar sobre a tubulaçâ'o de espiraçâ'o, perto do
compressor, um t1.1bo "amortecedor de vibrações" (tubo dobrado
protegido externamente por uma gaxeta de bronze). ·
Os cotovelos terâ"o uma melhor apresentação se forem feitos com
uma prensa de curvar ou com a ajuda de molas especiais. Devem-se
utilizar estas ferramentas quando, em uma instalaçio, cotovelos e
tubulações forem visíveis.
Prever revestimentos flexíveis ou rígidos para a proteçio das
tubulações contra os choques (nas caves de cerveja, p. ex.).
Ligações elétricas
O montador-reparador frigorista, por princípio, não é um monta-
dor eletricista mas, freqüentemente, pode acontecer que ele seja
obrigado a proceder a ligaç6es elétricas da instalação que acabou de
montar. A qualidade dos materiais a utilizar, e o modo de os utilizar,
devem estar conforme as prescrições regulamentares em vigor. Não
podemos enumerar todas estas prescrições, mas é preciso lembrar
que:
11 Logo que os condutores são colocados em tubos, é proibido o
emprego de ganchos denominados "ganchos de gás" para fixar estes
tubos. Usar flanges, gaxetas ou braçadeiras de vedação.
21 Os tubos devem ter um afastamento de 5 a 10 mm das pare-
des úmidas. Eles devem estar colocedos de modo a evitar a entrada
ou acúmulo de égua.
31 Ao atravessar paredes, divisórias ou pisos, prever tubulações
de revestimento como para as tubulações frigoríficas.
41 Nos locais onde passam tubulações de égua, vapor ou gás,
devem ser tomadas todas as precauções para evitar os efeitos do
calor e das condensações de égua.
51 Em uma tubulaçâ"o de revestimento de fiaçio elétrica, é proi-
bido fazer passar qualquer outra tubulaçio.
Finalmente, o montador deve respeitar rigorosamente o esquema
elétrico relacionado com a instalação que está efetuando.
Os símbolos padronizados utilizados na representação dos esque-
mas elétricos, bem como alguns esquemas típicos, sâ'o dados no
Capítulo XXV "Esquemas Flu fdicos e Esquemas Elétricos".

PRECAUÇÕES A TOMAR ANTES DE PÔR EM


FUNCIONAMENTO UMA INSTALAÇÃO FRIGORÍFICA

358
19 ·Grupo compressor
Assegurar-se de que:
ai está bem a prumo sobre os amortecedores;
b) o compressor gira facilmente ã mio (no caso de compressores
convencionais);
c) está assegurada a renovação de ar do local onde está insta-
lado;
d) a vantilaçã'o é correta (se o condensador for pneumático).
Verificar o passo da hélice e o sentido de rotação;
e) a entrada e a saída de água no condensador (se este for a
água) sâ'o em tubo flexível, borracha ou material plástico (aproxima-
damente 0,50 mi para eliminar as vibraç6es, e que a pressio da água
é, no m(nimo, de 1,5 bar; que é colocado um funil de vazamento
sobre a tubulaçio de evacuaçã'o para o controle da circulação de
água, eventualmente a madida do fluxo e a marcação da sua tempe-
ratura de saída.

29 · Evaporador
Assegurar-se de que:
a) está convenientemente nivelado. Se se tratar de um evapora-
dor de circulaçio de ar natural, que a sua parte superior é ligeira-
mente inferior ã parte superior da chicana de entrada de ar quente;
b) a distância entre a parte inferior do elemento e o sumidouro é
suficiente (10 a 12 cm nas instalações comerciais);
c) este sumidouro tem uma inclinação suficiente para a evacua-
ção da água de descongelamento;
d) o bulbo termostático da válwla de expansâ'o está bem fixado
sobre a saída do evaporador.

39 · Tubulações
Assegurar-se de que:
a) a linha de aspiraçã'o segue uma inclinaçâ'o regular do evapora·
dor ao compressor;
b) todas as tubulações estão corretamente fixadas;
c) as uniões e válwlas sâ'o acessíveis e todas as porcas estão
perfeitamente bloqueadas.
359
Equivallincias de perda de carga nas tubulações:
1 - Ligações em sárie.
Para Numéro de metros de tubo de cada dimensã'o
1 metro de representando a mesma perda de carga
tubo de 3/8" 1/2" 3/4"
- -5/8"
---
3/8" 1,0 2,0 3,3 5,0
112" 0,5 1,0 1,67 2,5
5/8" » 0,6 1,0 1,5
314" li 0,4 0,67 1,0

li - Ligações em paralelo.
Número de metros de tubo
Para 1 de cada dimensã'o representando
1 metro de comprimento a mesma perda de carga
Número 1 Diâmetro 1 /2 5/8" 3/4"
de tubos dos tubos 1i
1
2 1 /2" 0,5 0,83 1,25
3 1 /2" 0,33 0,55 0,83
2 5/8" 0,30 0,50 0,75
2 1 3/4" 1 0,20 0,33 0,50

Tabela47

Ligações elétricas
Assegurar-se de que:
a) o contador e a ligaç§'o sã'o - em potência e seçâ"o - suficien-
tes para alimentar o motor da instalaç§'o, tendo em conta o equipa-
mento já existente (iluminaçá'o, aquecimento, energia, etc.);
b) a linha que alimenta o motor está reservada só para ele e que
é de seç§'o suficiente;
c) ná'o há perda à terra na instalaçio;
d) a tensã'o indicada no contador, a freqüência e o número de
fases correspondem perfeitamente ao motor;
e) o motor é protegido por um corta-circuito (disjuntor) e fusí-
veis calibrados;

360
f) a ligação do motor está conforme ao esquema e todas as liga-
ções estão bem apertadas;
g) o motor está lubrificado, gira facilmente à mão e a sua polia
está bem alinhada com o volante do compressor (eventualmente);
h) o disjuntor corresponde bem em tensão, freqü6ncia e natu-
reza da corrente às indicações do motor e do contador;
li a sua ligação está correta conforme o esquema;
Ji o rei~ térmico ou magnetotérmico está regulado para obter o
disparo à intensidade determinada no caso de sobrecarga;
kl a aplicação do bloco móvel de contatos sobre os pontos fixos
se faz livremente e sem folga.
Se tudo estiver correto, pode-se fazer um teste em vazio do
motor após ter retirado a correia (ou as correias}.
Se este teste for satisfatório, substitui-se a(s) correia (s), assegu-
rando-se de sua boa tensão e, então, coloca-se o circuito sob vácuo
para garantir a vedação do conjunto.
Colocação do circuito sob vácuo
Caso de um grupo frigorífico convencional
Suponhamos que o grupo tenha sido corretamente carregado de
fluido na usina e que todas as válvulas estio fechadas.
Colocar um manômetro na válwla de aspiração.
Retirar a tampa do orifício de serviço da válvula de recalque.
Abrir a válwla de aspiração.
Colocar o compressor em funcionamento. O ar contido na insta-
lação é evacuado pelo orifício de serviço da válwla de recalque.
Durante esta operação, vigiar todas as possíveis subidas de óleo.
Após alguns minutos de funcionamento, o manômetro de baixa
pressão deve indicar um vácuo próximo de 68 a 70 cm de Hg.
Ligar um pedaço de tubo de 1/4" sobre o orifício de serviço da
válwla de recalque, cuja extremidade mergulha em um pequeno
recipiente contendo óleo frigorífico.
Se, após quinze minutos de funcionamento, ainda houver saída
regular de bolhas de ar, pode-se deduzir que há entrada de ar no cir-
cuito e deve-se efetuar um aperto intensivo de todas as porcas das
juntas.
Apertar, igualmente, a gaxeta de vedação das válwlas.
Se a entrada de ar persistir, verificar o circuito por partes, colo-
cando uma junta maciça (cápsula de obturação) sobre uma união e
eliminando, assim, uma parte do circuito. Se a fuga desaparecer,
361
colocar a Junta maciça num local mais afastado do circuito e fazer
um novo teste. Procedendo assim, par frações, consegue-se encon-
trar o ponto da entrada do ar.
Muito freqüantemente, esta é provocada par um cone de junçio
corroído ou por uma braçadeira mal apertada devido a um rosquea-
mento defeituoso, que um exame antes da montagem padaria ter
revelado.
Logo que mio saírem mais bolhas, pode-se considerar que o cir-
cuito está vedado. Coloca-se entio o manômetro de alta pressio
. sobre a válvula de recalque e pára-se o motor, se ao fim de 20 minu-
tos a agulha ainda nio se tiver deslocado.
Em princípio, deve-se deixar a instalação sob vácuo durante 24
horas. Se a agulha do manômetro de baixa pressão não acusar nenhu-
ma variação, pode-se proceder ao seu acionamento.
Um outro método para retirar o ar de uma instalação, antes de
esta ser colocada em funcionamento, consiste em admitir o refri-
gerante no circuito.
Desaperta-se ligeiramente a parca da uniio da tubulaçãO sobre a
válvula de aspiração; o ar é expulso pelo gás refrigerante; logo que
o gás refrigerante chegue ã válvula, aperta-se novamente a porca.

Caso de um grupo hermético ou hermético acessível


Colocaçio do circuito sob vácuo
Em nenhum caso um motocompressor hermético ou hermético
acessível que tenha sido seco em estufa e desidratado sob vácuo
forte deve servir para originar vácuo em uma instalação.
e preciso utilizar uma bomba de vácuo que se liga ao orifício
de serviço da válvula de aspiração.
Após ter evacuado, por meio da tomada manomêtrica de aspira-
ção, o fluido gasoso que se encontra no corpo do motocompressor:
- ligar sobre esta tomada manomêtrica a aspiração da bomba
a vácuo e interpar entre o circuito frigorífico e a bomba a vácuo
dois tês: um contendo um manômetro, e o outro sendo ligado a uma
garrafa de nitrogênio par uma tubulação flexível munida de uma
torneira de parada (Fig. 121 ).
O manômetro dá uma indicação sobre o vácuo obtido, mas não
nos pade indicar o momento em que é. atingido o vácuo-limite. Os
aparelhos comuns de medição do vácuo são demasiadamente frágeis
para serem utilizados no canteiro de obras; portanto, é através do
som que podemos nos aperceber se a bomba atingiu o seu vácuo-
limite. Quando ela ainda aspira ar, ouve-se o ruido feito pelo ar se

362
Fig. 121 - Colocação sob vácuo de um circuito
frigorífico de_grupo he~ético acessível.

misturando com o óleo da bomba; quando esta não aspira mais, o


ruído muda totalmente. Para se saber, isolar a aspiração da bomba:
- se o ruído mudar, o vácuo-limite não foi atingido;
- se o ruído não mudar, foi atingido o vácuo-limite e a bomba
deixa de aspirar.
A titulo indicativo, é preciso cerca de 30 a 40 minutos para fazer
o vácuo de uma instalação comum.
Logo que este resultado seja atingido, isolar o compressor e a
bomba fechando as válwlas correspondentes, e encher o circuito de
nitrogênio dilatado.
Recomeçar a colocação sob vácuo, de modo a se ter a certeza de
ter eliminado não s6 o ar do circuito frigorífico, mas igualmente o
vapor de água que, se dele ainda restavam alguns vestígios após a
primeira colocação sob vácuo, se difundiu no nitrogênio e foi elimi-
nado quando da segunda operação.
Indispensável para circuitos contendo grupos herméticos e he-
méticos acessíveis, este método de colocação sob vácuo é muito
recomendado para os circuitos usando compressores convencionais.
Detecção de emanações
A detecção de emanações pode ser feita, após a colocação sob
vácuo, admitindo no circuito o fluido frigorífico proveniente da
garrafa de líquido.
A detecção se faz, então, com a ajuda da lâmpada "halóide" ou,
por vezes, com a ajuda do detector eletrônico; aliás, voltaremos a
falar sobre estes dois detectores de emanções.
363
Este método tem por inconveniente - em caso de desmontagem
de uma parte da instalação - provocar uma apreciável perda de
fluido refrigerante; igualmente, emprega-se cada vez mais um outro
método, muito mais racional, sobretudo se se tratar de um circuito
abastecido por um grupo hermético ou hermético acessível: trata-se
da colocação sob vácuo do circuito com uma garrafa de nitrogênio.
Para o bom êxito deste método, são necessárias algumas precau-
ções e o seguinte material:
- uma garrafa de nitrogênio seco (Nitrogênio "R") eqúipada
com uma válvula de expansão manual;
uma garrafa de fluido refrigerante;
um coletor que permita diferentes manobras e comportando:
uma válvula de retenção à entrada do fluido refrigerante;
uma válvula de segurança;
uma válvula de purga;
uma válvula de obturação;
um manômetro de controle.
O conjunto do dispositivo é aquele representado na Figura 122.

\ '5
2 "6
Fig. 122 - Dispositivo de testes de vedação
ao nitrogênio.
1. Válvula de expansão manual
2. Válvula de retenção
3. Válvula de segurança
4. Válvula de purga
5. Válvula de obturação
6. Manômetro
A título de segurança, é preciso regular a válvula de segurança de
modo a que ela abra para uma pressão superior ao máximo de 10%
à pressão de teste; o bom funcionamento da válvula deve ser verifi·
cado antes de cada teste.
Depois de ter feito esta verificação, proceder como segue:
1) efetuar, primeiramente, a injeção do fluido refrigerante e,
seguidamente, aquela do nitrogênio, até que o manômetro do cole-

364
tor de teste (6) indique que foi obtida a pressão adotada para o
teste.
A quantidade de fluido refrigerante a injetar é difícil de determi-
nar, para se ter a certeza de ter na mistura hidrogl!nio/fluido refrige-
rante uma porcentagem de fluido refrigerante suficiente para que os
elementos detectores reajam; assim, é prudente injetar o fluido refri·
gerante até que o manômetro de controle indique uma pressão de
1,00 bar (sensivelmente 14 psig). Seguidamente, fazer subir a pres·
são total da mistura, lida no manômetro (6), até um valor de 6 ou 7
bars, pressão esta suficiente para a detecção das emanações.
Antes de proceder à detecção das emanações, é preciso deixar
que os dois gases tenham tempo de se difundir e só proceder ao teste
das tubulações depois desta difusão. t fácil verificar que esta foi efe-
tuada, colocando o respiradouro do detector à saída da válvula de
purga (4) do dispositivo da Figura 122 e levantando, muito ligeira-
mente, o ponteiro de seu assento. Se a reação for positiva, a difusão
estará efetuada, e poder·se·á proceder aos testes. O tempo da difusão
é, geralmente, de 7 a 8 horas. Dentro da medida do possível, é então
recomendado colocar a instalação sob pressão no fim do dia, de
modo a poder, sem perda de tempo, devido à espera da difusão dos
gases, proceder aos testes de emanação na manhã seguinte.
Meio de detecção das emanações
Tendo feito isto, proceder à detecção sistemática das emanações
eventuais utilizando:
- a lâmpada halóide;
- o detector eletrônico.
A lâmpada hal6ida
Não daremos novamente a descrição deste detector, a qual já
foi feita quando do estudo dos fluidos refrigerantes. Lembremos,
contudo, que a sensibilidade da lâmpada halóide é fortemente influ·
enciada pelo estado da peça de reação, a qual deve ser verificada
periodicamente e, conforme seu estado, limpa ou trocada. Uma
chama muito viva prejudica a detecção das emanações mínimas, e
provoca uma deterioração rápida da peça de reação; seguidamente,
a prática da detecção só requer, da ·parte do montador, perfeição de
trabalho e consciência profissional.
O detector eletrônico
Este detector de emanações tem o seu maior emprego na detec-
ção de emanações provenientes de sistemas herméticos destinados
365
aos refrigeradores domésticos. Não é muito utilizado porque, devido
a sua grande sensibilidade (detecta fugas da ordem de 300 mg por
ano), não lhe é permitido funcionar em atmosferas poluídas sem
risco de saturação.
Descriç6o
O princípio fundamental baseia-se na emissão maciça de íons
positivos por um anodo em platina levado à incandescência em
presença de um gás halógeno.
A Figura 123 mostra, esquematicamente, os elementos essenciais
e a ação de cada um deles.

Fig. 123 - Detetor eletrônico


de emanações - esquema
de princípio.
1. Anodo quente
2. Tubo detector
3. Catodo frio
4. Amplificador
5. Miliamperímetro
6. Gerador de impulsos
6 7 7. Sinal acústico

O halogênio, cloro ou flúor proveniente de uma fuga de fluido


refrigerante, misturado ao ar, penetra no detector (2) e provoca a
emissão, pelo anodo incandescente (1 ), de uma corrente de íons que
se dirige para o catodo frio (3). Esta corrente de fons é seguida·
mente amplificada pelo amplificador (4) e, finalmente, é medida
por um indicador (5) que é um sinal visual. Esta corrente de íons
pode ser utilizada para acionar quer um gerador de impulsos (6),
quer um alto-falante (7) (sinal acústico).
Na parte separável da caixa, chamada "válvula de aspiração"
(Figura 124), encontra-se: o orifício de aspiração (4), o conjunto
detector de anodo de platina já citado (3), um ventilador (21 aspi-
rando eventualmente o ar carregado de gás halógeno, um motor
elétrico (11, assim como um cabo transversal (5) que contém o cabo
de ligação aos dispositivos auxiliares.
Da rápida descrição acima, destaca-se que a presença de gás haló·
gano no ar que entra no orifício de aspiração da válvula de aspiração
é marcada pelo sinal visual ou acústico.

366
4

Fig. 124 - Detector eletrônico de


emanações. Válvula de
aspiração.
1. Motor
2. Ventilador
3. Tubo detector
4. Orifício de aspiração
5. Parte curva com cabo de ligação aos dispositivos elétricos

Este detector eletrônico tem um ponto comum com a lâmpada


halóide: devido à presença da chama na lâmpada, e do ânodo incan·
descente no detector, nenhum destes detectores pode ser utilizado
em um ambiente contendo gases inflamáveis ou explosivos.

Utilizaçá"o
Para a utilização, depois de ter posto o interruptor na posição
"funcionamento", esperar o tempo indicado pelo construtor para
que o aparelho adquira a sua temperatura de funcionamento; fazer
um teste preliminar no ar puro, depois no ar contendo vapores de
fluido halogenado. O aparelho está, então, pronto a ser utilizado.
Para a detecçâ'o de fugas, o deslocamento da ponta de prospecção
deve ser bastante lento: cerca de 2 cm por segundo para apresentar
total garantia de localizaçâ'o. A velocidade de resposta é pratica-
mente instantânea.
Durante a utilização, recomenda-se reduzir ao mlnimo o tempo
de contato dos vapores halogenados com o detector, de modo a nâ'o
alterar a sensibilidade deste. Não esquecer que o aparelho é cons-
truído para detectar as fugas, e nâ'o para fu.ncionar em ambiente
polu Ido. Neste último caso, o elemento detector saturar-se-ia rapida-
mente, o que poderia provocar um bloqueio da agulha do miliampe-
rlmetro e fazer com que o aparelho deixasse de funcionar.
O detector eletrônico deve ser alimentado por uma tensâ'o
estável; prever, se necessário, o emprego de um estabilizador de
corrente.
Teste sob vácuo
Após ter procedido ao teste sob pressão, esvaziar o sistema atá ã
obtenção de uma pressã'o absoluta muito fraca.
Verificar, seguidamente, durante um período cuja duração pode
variar de 8 a 24 horas, se se produz qualquer aumento da pressão
no sistema. Fechar entifo as válwlas de serviço do compressor, de
modo a evitar que a desgaseificaçifo do óleo provoque uma subida
de pressão.
Se esta manobra mio for possível, não á anormal uma elevaçifo
de pressão da ordem de 35 mbar (2,5 cm de mercdrio).
Após algumas horas, se tiver ocorrido uma subida de pressão
muito fraca (apenas perceptível), pode-se admitir que o sistema não
apresenta emanação nem entrada de ar.
Colocação em funcionamento
Verificar se todas as válvulas de serviço estão abertas.
Retirar o papel intercalado como segurança entre os contatos
do aparelho de regulagem (colocado pelo montador após a coloca-
çifo sob vácuo).
Fazer funcionar o compressor, e regular a válwla de expansão
para que não exista uma forte alimentaçifo neste inicio de funciona-
mento; isto de modo a evitar os cortes de líquido para o compressor
ou mesmo o enchimento do evaporador.
O manômetro de B.P. não deve indicar uma pressão superior a:
1,75 bar (25 psig) para o R 12.
Seguidamente, pode-se fazer a regulagem da válwla de expansão.
Se, durante o funcionamento, o gelo chegar ao ponto onde está
fixado o bulbo termostático, ou se ultrapassar este ponto, isso signi-
fica que a válwla de expansão está muito aberta. Se, no ponto de
fixaçifo do bulbo, a tubulação permanecer perfeitamente seca e
morna, isso significa que a alimentaçifo á insuficiente.
Fazer as corraç6es tendo em conta, igualmente, indicaç6es do
manômetro de baixa pressã'o e da temperatura na câmara fria.
Fazer igualmente a regulagem do pressostato de grupo, segundo
as indicaç6es dadas no capítulo reservado a este aparelho.
::•a instalação deva ser verific~da no dia seguinte ã sua coloca-
çifo' ém funcionamento; entifo, acamara está em regime, e á possível
• que se seja levado a efetuar um aperfeiçoamento das regulagens.

Substituição de um aparelho defeituoso em


um circuito frigorífico
368
Para trocar um aparelho defeituoso (filtro, desidratador, válwla
de retençfo, válwla de expansfo, torneiras, ou mesmo evaporadorl,
o processo é sempre o mesmo:
ai fechar a válwla de salda de liquido do reservatório;
bl ligar um manômetro na válwla de aspiraçfo;
cl fazer girar o compressor até que a pressão de aspiração seja
ligeiramente inferior ao zero manométrico (pressio atmosférica);
d) parar o compressor e esperar que esta pressio suba, por re-
aquecimento dos gases, ligeiramente acima do zero. Durante este
período, preparar o aparelho de substituiçfo;
e) fechar a válwla de aspiração;
f) trabalhar rapidamente para trocar o aparelho, após verifica-
ção dos colares cônicos;
g) seguidamente, abrir a válvula de salda de liquido e desaper-
tar, ligeiramente, a porca de união da válvula de aspiraçaõ. Se tiver
entrado um pouco de ar no circuito, durante a troca do aparelho,
ele é eliminado pelo fluido e sai pela fuga originada pela porca desa-
pertada;
h) após a entrada do fluido, apertar a· porca novamente;
il abrir a válwla de aspiração e recolocar em funcionamento.
Fazer, se houver necessidade, a regulagem do novo aparelho.
Se nâ"o se puder fazer imediatamente a substituiçâ'o do aparelho
defeituoso, obturar as tubulações com bujões apropriados ou, à
falta destes, com uniões-macho duplas encapsuladas.
Substituiçio de um condensador de ar - Se houver uma válvula
sobre a tubulaçfo de ligaçâ'o condensador-reservatório, fechar esta
válvula, bem como a válwla de recalque na parte superior do com-
pressor. Na desmontagem, perde-se somente o fluido gasoso contido
no condensador.
Se não houver válwla na ligação condensador-reservatório, des-
ligar a linha liquida, após ter recalcado o fluido para o reservatório;
sobre a válwla de salda de líquido, ligar uma garrafa de serviço.
Colocando esta em um n lvel inferior àquele do reservatório e
fazendo, de vez em quando, "eliminações" para reduzir a pressiona
garrafa, d passivei recuperar a quase-totalidade da carga. Pode-se
entã'o desmontar o reservatório.
Substituição de um condensador a água - Recuperar a carga em
uma garrafa de serviço, como indicado anteriormente. Desmontar o
aparelho deixando, se passivei, as válvulas nas tubulações, para evitar
entradas de ar no circuito.
369
Para proceder ã recarga do circuito, ligar a garrafa de serviço no
lado de premio alta. Terminar a carga ligando sobre a aspiração, e
colocar o compressor em funcionamento. A carga faz-se, então,
"em gás".
Purgar sempre, para eliminar o ar contido no condensador assim
colocado no circuito.

Verificações de ordem elétrica


(Refrigeradores domésticos)
Ligação ã terra
A Comimio Internacional de Regulamentação do Equipamento
Elétrico prescreve a ligação ã terra de móveis frigoríficos e refrigera-
dores domésticos.
Um defeito de isolamento pode ter por conseqüência a colocação
sob tensão das estruturas metálicas, e apresentar um perigo real para
o usuário, na medida em que o solo do local é condutor, ou pode vir
a sê-lo, sob o efeito de umidade.
Nas cozinhas e lojas, onde estão geralmente colocados os balcões
frigoríficos e refrigeradores, o piso é, na maioria dos casos, revestido
com ladrilhos ou materiais plásticos. Estes materiais podem ser con-
dutores, e uma ligação ã terra constitui uma medida de precaução
coerente.
O cabo de alimentação .deve comportar um fio-terra, marcado
pelas cores convencionais (amarelo e verde), e de secção igual aos
condutores principais.
Tomada de terra
As tomadas de corrente regulamentares são compostas por 3
furos, sendo que um é especial para ligação ã terra.
Este furo é mais longo, de modo a estabelecer o contato com a
terra antes de colocar sob tensáO fios de linha e não deve ser supri·
mido senão após desligar a tensão.
A tomada de corrente completa (elementos macho e fêmea) é
fornecida com o balcão.
a) Assegurar uma boa fixação do fio-terra sobre o soquete da
tomada de corrente.
b) Se uma fiação de terra particular apresentar defeito, é então
possível efetuar a ligação ã terra do refrigerador, ligando a outra
extremidade do fio a uma tubulação de distribuição de água sobre
uma parte da qual se retirou previamente tinta ou qualquer outro
revestimento que possa ser isolante.
370
Esta ligaçio deve ser feita por aperto sob braçadeira.
O próprio contador de água deve ser derivado, se houver neces-
sidade, com um condutor de grande saçio (28 mm 2 ), para assegurar
a continuidade da ligaçio à terra, em caso de parada momentânea
do contador.
e formalmente proibido ligar uma tomada de terra a uma tubula-
çio de aquecimento central, de gás, ou de evacuação de águas usa-
das, e em todos os outros casos em que há risco de comprometer a
segurança das pessoas que ocupam os locais.
Lembremos ainda que a instalaçâ'o eldtrica do baleio frigorífico
deve ser protegida por disjuntor ou por corta-circuito de fusíveis
perfeitamente calibrados.
Finalmente, no grupo frigorífico, todos os elementos metálicos
devem ser ligados ao terminal de ligação à terra.
Mo1Dres elátricos
Massa aparente e corrente de fuga
Acontece, muito freqüentemente, que um motor dito "à tem1"
por um instalador ou um reparador, retorna para o construtor, o
qual, quando da verificaçio, constata que o isolamento do enrola-
mento é, pelo menos, igual à resistência de isolamento exigida pelas
condiçBes da U. T.E. (1 O megaohms).
De fato, a desagradével impressâ'o de picotamento produzido
nfo prowm de um isolamento defeituoso, mas da passagem de uma
corrente de fuga, produzida pela capacidade do enrolamento com a
terra.
Enrolamento e circuito magnético se comportam, um em relação
ao outro, como os dois induzidos de um condensador.
O enrolamento constitui o primeiro induzido.
As chapas do estator constituem o segundo induzido.
O cartão isolante faz papel de dielétrico de condensador. Quando
se coloca uma m4'o sob a carcaça do motor, toca-se o segundo indu-
zido de um condensador sob tenslio e é por isso, se se fizer contato
com o piso, que se sente a passagem de uma corrente elétrica.
Convdm observar que, em marcha normal, os potenciais se equi-
libr8111., e nio se apercebe mais a sensaçio de terra.
Pod~ medir a corrente de fuga se se dispuser de um miliampe-
rímetro muito sensível. Para efetuar a leitura, ele é ligado sucessiva-
mente entre a terra e cada um dos terminais do motor.
Antes de mais nada, é preciso garantir a ligaç4'o à terra de todos
os elementos metálicos da instalação.
Se a instalaçio for regulada por termostato unipolar, este deve
371
ser colocado sobre o fio de fase e não sobre o neutro ou o fio da
rede à terra.
Quando a alimentação se faz por intermédio de uma tomada de
corrente, basta inverter a posição dos fios na tomada.

A REPARAÇÃO
Nd'o há regras exatas em reparação.-Esta é baseada no trabalho e
na reflexão.
Inicialmente, refletir. Saber o que é necessário fazer. Seguida-
mente, agir conscientemente, e com método.
Finalmente, só deixar a instalação em perfeito estado de funcio-
namento.
Inicialmente, colocar os manômetros sobre o compressor e um
termômetro na câmara fria ou no recinto refrigerado. Analisar,
seguidamente, as causas possíveis da perturbação.
Em primeiro lugar, e considerando as reclamaçõ'es do usuário,
fazer um exame rápido da instalação.
Se o motor gira
ai Tocar a tubulação de recalque para o condensador. Atempe-
ratura normal deve ser de, aproximadamente, 60-70 ºC. Se a tubula-
ção estiver fria, isso significa que o compressor não está funcionan-
do. Se estiver muito quente, a condensaçá'o é má.
bl A tubulação de aspiração deve estar a uma temperatura igual,
ou ligeiramente inferior, à temperatura ambiente.
Se estiver muito fria, significa que a válwla de expansão está
muito aberta.
Se estiver muito quente, há um sobreaquecimento exagerado.
cl A tubulaçá'o de líquido deve estar a uma temperatura ligeira-
mente superior à temperatura ambiente. Se estiver fria, significa que
há uma restriçá'o na válwla de saída de l lquido, ou no filtro.
Se estiver muito quente, há má condensação ou falta de refrige-
rante. Desapertar uma ligação sobre a linha para verificar se o fluido
que passa na tubulação é 1íquido, ou parcialmente gasoso.
d) Indicações do manômetro de baixa pressão: uma pressã"o
demasiado fraca indica falta de alimentação.
Uma pressão acima da normal significa que a válw la de expansão
está muito aberta, ou que o compressor não aspira a totalidade dos
vapores produzidos no evaporador.
Pulsaçc5es da agulha do manômetro de baixa pressão indicam
deficil!ncia nas válvulas de aspiração.
372
e) Indicações do manômetro de alta pressâ'o. Se a pressã'o for
muito elevada, significa que a condensaçfo se faz mal, que a alimen·
taçfo é exagerada, ou que há ar no sistema.
Uma pressfo acima da pressfo normal e se a agulha do manôme-
tro apresentar pulsações, são o indicio de que as válwlas de recalque
estio em mau estado.
Em caso de dllvida quanto ao bom estado do compressor, fazer
um teste de colocaçfo sob vácuo, após ter fechado a válwla de aspi·
raçfo e, segundo as constatações, a recolocaçfo no estado normal
será feita ou no local, ou na oficina.
Causas principais de mau funcionamento
O motor nio gira:
- Nfo há corrente no motor (verificar com uma lâmpada).
- Interruptor aberto. Fusfveis saltados (detectar a causa). i: de
anotar que, se o motor do refrigerador estiver montado em 220 volts
sobre os 2 fios de fase de uma distribuiçio monofâsica de 3 fios (2
pontes de 110 volts entre fios de fase e neutro) e se o fusfvel de um
fio de fase funde, as lâmpadas ligadas sobre a ponte onde isso ocor·
reu, podem ainda ser alimentadas por intermédio do motor, o qual,
encontrando-se assim em série com as lâmpadas sobre uma ponte de
11 O volts, está insuficientemente alimentado e nã'o pode arrancar.
- No caso de um motor monofâsico de capacidade de arranque,
se este arrancar quando - com correias retiradas - é acionado
manualmente, é provável que o condensador esteja defeituoso.
- O disjuntor nfo engata. Neste caso, fazer um teste colando
o bloco m6vel sobre os contatos fixos; se o motor arrancar, significa
que a bobina está defeituosa ou que o aparelho de regulagem do
grupo nfo funciona.
- Motor queimado. Carv6es usados, ou mal colocados sobre o
coletor. Carv6es colados nos guias do porta-escovas por 61eo e p6.
- Coletor defeituoso ou sujo.
- Ligaç6es mal apertadas. Contatos em mau estado sobre o
disjuntor ou o aparelho de regulagem do grupo.
- Motor muito fraco. Pressio alta muito elevada (corte do pres- ·
sostato de segurança, detectar a sua causa: má condensaçfo, falta de
égua no condensador, ar no circuito, carga exagerada).
- Perda de fluido frigorffico (o pressostato de baixa pressfo
nã'o reengata l.
- Compressor colocado em um ambiente muito frio (o pressos·
tato de baixa pressã'o nfo reengata, porque a pressão no cárter do
compressor permanece muito fraca).
373
- O pressostato de baixa pressão pode ainda ser posto em causa
se ele estiver ligado sobre o oriflcio de serviço de uma válwla; neste
caso, o fechamento sobre o assento atrás da agulha desliga o pres-
sostato.
- Tubulação de ligação do pressostato obstru Ida.
- Finalmente, motor muito fraco (o relê térmico do disjuntor
desliga a cada partida).

O motor não adquire a sua velocidade:


- Verificar o dispositivo de levantamento das escovas e de
curto-circuitagem do coletor (indução-repulsão). Verificar o acopla-
dor (monofásico).
Fase cortada (trifásico ou difásico).
Coletor sujo. Carvões funcionando mal (repulsão-induçãO).
lncrustaçã"o nos mancais. Ôleo muito espesso no inverno.
Compressor diflcil de acionar, retirar as correias e verificar
manualmente por que é difícil de acionar.
(As três primeiras causas podem igualmente impedir a partida do
motor.)
O motor gira, o compressor não gira:
Correias fora do lugar ou patinando.
- Volante ou polia frouxo.
- Compressor bloqueado (gripado, colado, ou pressão alta
muito elevada).
- Cavilha ou chaveta de acionamento do excêntrico quebrada.
O compressor funciona em ciclos curtos:
- Diferencial do termostato ou pressostato de grupo regulado
com um afastamento muito pequeno.
Regulagem muito elevada destes aparelhos.
Vâlwlas de recalque não vedadas (controle por pressostato).
A válvula de expansão não fecha (controle por pressostato).
Compressor muito potente ou girando muito depressa (redu-
zir o diâmetro da polia do motor).
- Pressostato de alta pressãO corta pouco após a entrada em
funcionamento (ver as causas jâ enumeradas).
- Falta de fluido refrigerante (controle por pressostato).
- Bulbo do termostato de evaporador colocado muito perto da
válwla de expansão.
Ciclos muito longos:

374
Falta de carga (regulagem por termostato).
Compressor muito fraco ou girando muito lentamente.
Termostato mal colocado, ou mau contato do bulbo com o
evaporador. (Caso de um termostato de evaporador.I
- Diferencial do termostato ou pressostato regulado com afas-
tamento muito grande.
- Má condensação, quer por falta de água de circulação (con-
densador a água), quer devido a um condensador sujo ou mal venti-
lado (condensador a ar).
- Evaporador muito fraco. Evaporador com gelo em excesso.
- Má circulação de ar (termostato de ambiente pouco influ-
enciado).
- Isolamento defeituoso da geladeira.
- Entrada de ar pelas portas (gaxetas não-herméticas, ou aber-
turas freqüentes 1.
- Entrada de gt§neros muito quentes (deixar esfriar no ambiente
antes da introdução).
- Válwla de expansão mal regulada (pressão de aspiração
muito fraca ou muito forte).
- Compressor em mau estado mecânico.

Temperatura muito elevada na câmara fria


(ou no recinto refrigerado):
Pressostato ou termostato com regulagem muito elevada.
Isolamento insuficiente. Entrada de ar pelas portas.
Evaporador com muito gelo. Válwla de expansão mal regu-
lada.
Falta de fluido refrigerante (silvo no elemento de expansãol.
Filtro parcialmente obstruído (linha líquida fria).
Má circulação de ar no refrigerador.
Compressor muito fraco ou evaporador muito pequeno.
Compressor em mau estado mecânico.
Temperatura muito baixa na câmara fria
(ou no recinto refrigerado 1:
- Pressostato ou termostato com regulagem muito baixa.
- Pressostato ou termostato em curto-circuito.
A mãquina niio péra:
Pressostato ou termostato em curto-circuito.
Bulbo de termostato vazio ou mal fixado sobre o evaporador.
Falta de fluido refrigerante (regulagem por termostato).
375
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para 3
Fig. 125 - Utilização de um manômetro.
I. Purga de ar (ou de gás) no li. Carga em óleo por aspira-
recalque. ção.
Válvulas: Válvulas:
1. Ligeiramente aberta. 1. Fechada.
2. Fechada. 2. Ligeiramente aberta.
3. Aberta sem tocar o assento 3. Aberta.
traseiro. 4. Aberta sem tocar o assen-
4. Aberta. to traseiro.
Ili. Carga em gás do lado da IV. Carga em líquido por
aspiração. recalque.
Válvulas: Válvulas:
1. Fechada. 1. Ligeiramente aberta.
2. Ligeiramente aberta. 2. Fechada.
3. Aberta. 3. Aberta.
4. Aberta sem tocar o assen- 4. Aberta.
to traseiro.
376
- O fluido refrigerante mio chega à válvula de expansâ'o (ou a
qualquer outro órgâ'o de expansâ'o - regulagem por termostato).
- Pedaços de gelo no elemento de expansâ'o (regulagem por ter-
mostato).
- Dispositivo de expansâ'o acunhado em posiçâ'o de fechamento
(regulagem por termostato).
Falta de água de refrigeraçâ'o (condensador a água).
Condensador sujo ou mal ventilado (condensador a ar).
Compressor muito fraco ou em mau estado.
Evaporador muito pequeno ou com gelo excessivo.
Isolamento insuficiente. Entrada de ar pelas portas.
Refrigerador (câmara fria) muito carregado com gêneros, ou
serviço muito intenso.
Pressão alta muito elevada:
- Válvula de expansâ'o muito aberta.
- Carga excessiva. Condensador de água parcialmente obstrui-
do, ou falta de suprimento da válvula de água.
Ar no circuito.
- Condensador de ar sujo ou insuficientemente ventilado.
- Condensador muito fraco, ou colocado muito perto da
parede.
- Condensador colocado em um local muito quente ou muito
pequeno. (Verificar convenientemente o passo e o sentido de rota-
çâ'o da hélice.)
Pressão elevada abaixo da normal:
Falta de carga em fluido.
- Compressor em mau estado (ver as válvulas) .
.- Alimentaçâ'o insuficiente (detectar a causa: pedaços de gelo
na válvula de expansã'o ou obstruçâ'o na linha de liquido).
- Válvula de expansâ'o insuficientemente aberta.
- O separador de óleo está em comunicaçâ'o com o cárter do
compressor e funciona como derivaçâ'o.
Baixa pressão muito elevada:
- Compressor sem aspirar (válvulas defeituosas).
- Válvula de expansâ'o muito aberta (bulbo descarregado ou
agulha e seu assento em mau estado).
Baixa pressio abaixo da normal:
Válvula de expansâ'o demasiado fechada, pedaços de gelo ou

3T/
má regulagem.
- Filtro ou desidratador obstruídos. Vâlvula de salda de llqui·
do insuficientemente aberta.
- Tubo mergulhador da válvula de salda de liquido obstruído
ou dessoldado (neste l'.lltimo caso, é fluido gasoso o que chega à vál-
vula de expansão).
- Falta de carga em fluido. Linha 1íquida demasiado fraca.
- Tubulaçâ'o de aspiraçã'o esmagada pelo gelo na braçadeira de
uma ligaçâ'o de porca.
Anomalias de funcionamento dos 6rgãos de expansio
Generalidades
Para todos os 6rgfos de expansão, a causa mais freqüente de mau
funcionamento é a umidade nos circuitos.
Esta umidade traduz-se pela formaçfo de pedaços de gelo loca-
lizados no ponto de expansão, pelas seguintes raz6es:
- é a menor secçã'o de passagem do fluido;
- é o ponto em que a temperatura é mais baixa.
Esta umidade penetra em um circuito, quer com o óleo, quer
com o fluido mal desidratado mas, mais freqüentemente, por falta
de precauções no decorrer da montagem. ~ a grande "doença" da
refrigeraçfo.
Mas, à umidade se juntam outras causas de mau funcionamento
comuns ou particulares a cada um dos diferentes 6rgfos de expan-
são. Vamos estudar rapidamente essas causas.
Anomalias de funcionamento de vêlvula da mcpansio tennost6tica
de fole.
As vêlvulas de expansfo termost6ticas são aquelas que dâ'o mais
preocupações aos montadores, a sua açâ'o sendo regulada por fenô-
menos pressostãticos e termostãticos agindo simultaneamente.
Para além disso, devido a sua construçâ'o, estio sujeitas a falhas
por raz6es que iremos salientar.
O mínimo traço de umidade no fluido refrigerante pode provo-
car, como vimos, a obstruçã'o do orifício do assento da agulha, se se
formar gelo. Aliás, a montagem de um desidratador nio basta pera
considerar o sistema isento de umidade.
Se esta umidade se congelar no evaporador, a instalaçã'o pode
funcionar corretamente durante um período bastante longo sem
problema, e depois avariar bruscamente.
Logo que se tenha a certeza de que se trata de um "tampfo" de
gelo (a aplicaçâ'o de um pano embebido em água muito quente sobre
378
o corpo da válvula de expansão é o melhor método para nos poder-
mos assegurar disso, mas nunca se deve aquecer uma válvula de
expansão com uma chama viva), deve-se secar o sistema, colocando
um ou vários desidratadores (de preferéncia, de alumina ativada).
e possível que se seja levado a trocar o 61eo do compressor.
Por vezes, a umidade entra na caixa que serve de alojamento
ao fole termostático. Ela entra, quer pela gaxeta de vedação da haste
de regulagem, quer pela gaxeta entre a caixa e o corpo da válvula de
expansão.
Uma outra causa de mau funcionamento é a perda do fluido con·
tido no bulbo termostático.
Se esta perda for parcial, observa-se uma diminuição na pressão
de aspiração devida à falta de carga e, conseqüentemente, de pressão
no bulbo. Se a perda for total, como o elemento termostático deixa
de ter qualquer ação sobre a agulha, a válvula de expansão funciona
como uma válvula de expansão automática insuficientemente aberta.
Esta perda de fluido do elemento termostático pode ser espon-
tânea por ruptura do fole, ou ínfima mas contínua no caso de uma
alteração das soldas ou brasagens que ligam as partes do elemento
termostático.

Anomalias da funcionamento da vãlvula da expansão tannostática


de membrana
A válvula de expansão termostática de membrana, tal como a
precedente, está sujeita aos preju(zos da umidade, se esta estiver no
circuito: acunhamentos, obstrução por gelo, etc.
Ao contrário, a membrana estando colocada entre duas peças
metálicas soldadas, a entrada de umidade sobre a face superior é
eliminada.
Os defeitos constatados foram atribuídos ao fato de que, neste
tipo de válvula de expansão, a membrana, em contato com o fluido
em evaporação, está a uma temperatura inferior àquela do bulbo.
A carga deste corre o risco de vir a se condensar sobre esta parede
fria, e o bulbo deixa de funcionar. Neste caso, a válvula de expansão
funciona como uma válvula de expansão automática mal regulada.
Para obter um resultado satisfatório, é preciso que o volume da
carga em líquido do bulbo seja superior ao volume do espaço exis-
tente acima da membrana. Assim, há sempre fluido no bulbo.
Aliás, é preciso notar, quanto a isto, que uma válvula de expan-
são termostática deve ser sempre mamada em uma parte da instala-
ção mais quente que o local onde se encontra o bulbo.
Freqüentemente, os aborrecimentos de funcionamento resultam

379
da utilização de uma válvula de expansão não apropriada à potência
da instalação. Um aparelho criteriosamente escolhido, montado
convenientemente sobre um circuito apropriado e bem projetado,
funciona com êxito, na maioria dos casos.
A sua regulagem pode ser tornada difícil, ou mesmo impossível,
por um defeito ao qual é estranho.
Consideremos, por exemplo, um evaporador no qual uma perda
de carga se traduz por uma queda de pressão bastante sensível entre
a entrada e a saída. Se esta queda de pressão for superior a 0,280
bar (4 psi), o funcionamento da válwla de expansão será defeituoso.
Para que a válvula de expansão possa abrir é preciso, neste caso,
obter, à saída do evaporador - onde está fixado o bulbo termos-
tático - uma temperatura de sobreaquecimento gerando neste bulbo
uma pressão superior àquela encontrada na válwla de expansão,
aumentada pela força de aplicação da mola de agulha, mantendo
esta sobre o seu assento. Um tal sobreaquecimento tem por resul-
tado uma forte redução da capacidade do evaporador.
O montador é, então, levado a diminuir este sobreaquecimento,
aumentando o rendimento da válwla de expansão mas, então, esta
não fecha mais à parada, o que só pode causar aborrecimentos quan- \
do a regulagem é assegurada por pressostato.

Ruídos anormais
Ruídos no compressor:
ver os amortecedores (grupos comerciais);
ver as suspensões (grupos domésticos);
tubulações mal fixadas, vibrando e se entrechocando;
parafusos mal parafusados. Falta de óleo no cárter;
folga nos eixos de êmbolos (ruído de choque seco);
folga nos excêntricos ou bielas (ruído de choque mais seco);
estalidos nas válvulas provocados, geralmente, por uma eleva-
ção muito grande;
- silvo na caixa de vedação (inverter o sentido de marcha do
compressor durante alguns minutos, e verificar o nível do' óleo no
cárter);
- interrupções de líquido ou óleo. Estes ru Idos prolluzem-se,
principalmente, no arranque. As duas causas podem existir simulta-
neamente, quando o cárter contém fluido refrigerante. Então, hã
emulsão com o óleo e subida deste. Detectar a causa do retorno de
fluido líquido para o cárter (válwlas ou válvula de expansão não
vedadas);
380
- volante frouxo, polia do motor desbloqueada (deslizando
então sobre sua chaveta);
- dispositivo de tensão das correias;
- tinta ou aderência de borracha nas gargantas do volante.
Correias em mau estado;
- hélice de ventilação toca no condensador ou nas correias.
Em um sistema hermético, retirar as porca~ de fixação; o compressor
deve "flutuar" sobre as suas molas de suspensão;
- correias barulhentas: umidificar ligeiramente as faces de fixa-
ção das correias com azeite;
Se o ruído de silvo persistir, mudar o sentido de enrolamento,
isto é, virá-las, para que as suas faces não fiquem em contato com
as mesmas da polia e do volante.
A mudança do sentido de enrolamento é igualmente eficaz quan-
do as correias têm tendência a torcer (movimento de torção) nas
gargantas do volante e da polia. ·
Ru Idos diversos:
- a válvula de água vibra (mudar ligeiramente a regulagem);
- a válvula de pressão constante vibra. Esta ressonância é bas-
tante freqüente. Colocar óleo frigorífico no alojamento da mola de
regulagem; mudar, muito levemente, se houver necessidade, a posi-
ção da mola;
- o disjuntor faz ressonância: este ruído provém de uma má
fixação do bloco porta-contatos móveis sobre o induzido fixo. Veri-
ficar a tensão da bobina de atração e a sua ligação (em difásico, uma
ligação entre fases só dá 155 volts, em vez de 220);
- válvula magnética vibra. Verificar a tensão, a fixação e a posi-
ção da válvula;
- válvula de retenção. Este fato pode produzir-se quando a vál-
vula estiver colocada em posição vertical. Por vezes, basta incliná-la
a 30 ou 45°.
Ru Ido no motor:
- folga nos mancais. Se o desgaste for pronunciado, o rotor
pode friccionar sobre o estator;
- folga nos enrolamentos de esferas, quando existem no motor;
- folga lateral, a qual pode ser reduzida por arruelas de aço ou
de fibra;
- parafusos de aperto mal parafusados;
- fricção das escovas sobre as lâminas do coletor.
Ruídos no refrigerador (ou na câmara fria) :

381
- evaporador mal fixado. Tubulações vibram ou tocam no
evaporador;
- chavetas vibram sobre os seus suportes (intercalar, nos pontos
de fixaçlo, uma pequena camada de borracha, ou bloqueá-las sobre
os seus suportes por enganchamento em fio de aço estanhado).

Odores no refrigerador (ou câmara fria):


- má circulação de ar. ~ preciso ensinar o cliente a dispor
convenientemente os gêneros em seu reft'igerador ou em sua câmara
fria, e a colocar em recipientes fechados os gêneros que possam
causar esses odores;
- breu de calorifugagem do orifício de saída das tubulações na
parede do móvel (cheiro de petróleo);
- pintura celulósica.

Odores no exterior do refrigerador (ou da câmara fria)


- cheiro de borracha queimada (verificar as correias);
- aquecimento do verniz no enrolamento do motor.
Quanto aos cheiros no interior do refrigerador, ou da câmara fria,
pode-se, conforme a natureza, obter a sua eliminação, colocando no
refrigerador ou na câmara fria um pequeno saco contendo pó de
carvão-vegetal.
Quando se faz uma intervenção sobre um circuito: verificação,
carga em fluido ou em óleo, purga, etc., recomenda-se utilizar uma
derivaçã'o, como indicado na Figura 125.
Nunca fazer um parregamento ou uma purga sem colocar os
manômetros e considerar as suas indicações.
Eventualmente, uma balança graduada, muito fãcil de construir
e de calibrar, permite controlar a quantidade de fluido introduzido
em um circuito.

Reparação das unidades herméticas


O funcionamento em um circuito frigorífico de um motocom-
pressor hermético não apresenta nenhum fenômeno particular; con-
tudo, em certos grupos-;- principalmente aqueles de fraca potência
- a ausência de válvulas de serviço provoca algumas dificuldades
quando se deve intervir sobre um circuito. Estas unidades compor·
tam, geralmente, no circuito, no cárter, ou no receptor, um excên-
trico filetado permitindo a colocação de uma válvula especial de
serviço denominada, comumente, "válvula chave de parafusos". Esta
válvula, cuja haste de manobra tem a forma de chave de parafusos,
382
permite o desbloqueio de um parafuso de fechamento embutido no
excêntrico. A comunicação é, ent6o, estabelecida com o manômetro
e a garrafa de carga ligada sobre a válwla (Fig. 126).

para o mancSmetro

linha de aspiração

Fig. 126 - Válvula "chave de parafusos".


O excéntrico de ligação difere para cada tipo de compressor; por-
tanto, convém ter ã sua disposição uma série de uni6es secundárias
especiais denominadas "adaptadores" que permitam a montagem da
válwla amovível.
Em certas unidades herméticas, só existem, no cárter do com-
pressor, pequenos trechos de tubo de 8 a 10 cm de comprimento
obturados após carga e regulagem feitas na usina. ·
i: possível ligar uma válvula sobre estes trechos da tubulação para
efetuar a reparaçã'o do grupo; depois disso, obturam-se novamente
os tubos ou deixa-se a válwla fixada.
Pode-se igualmente seccionar uma tubulaçã'o e intercalar uni6es
em "T". permitindo efetuar convenientemente a reparação.
Um tal trabalho só pode ser feito na oficina.
Se o próprio motocompressor estiver defeituoso, s6 um bom

383
especialista pode julgar se d, ou nâ'o, oportuno efetuar a reparaçâ'o,
esta sendo, por vezes, mais dispendiosa do que a substituição da uni·
dade, se esta reparaçâ'o for efetuada em uma oficina onde nio se
dispõe de todas as ferramentas necessárias para este fim.

Reparaçio das geladeiras domésticas e dos equipamentos de


unidades herméticas
Os motocompressores herméticos desempenham um papel cada
vez mais importante no equipamento de diversas fabricaçc5es frigorí·
ficas.
Os refrigeradores domdsticos, os pequenos balcc5es comerciais ou
vitrinas refrigeradas, os conservadores de cremes gelados, os refrige-
radores de água, os pequenos condicionadores de ar, sâ'o atualmente
equipados com motocompressores herméticos.
A fabricaçio deste material dá, aliás, satisfaçio total e as venta·
gens de sua utilizaçâ'o sâ'o evidentes: ausência de ruído, consumo de
energia inferior, de potfncia igual à dos compressores abertos, des-
gaste fraco, manutençâ'o nula, etc.
Estas unidades, se forem construídas e montadas com todos os
cuidados necessários, estio pouco sujeitas a avarias. Contudo, é pos·
sível que um montador venha a ser chamado para intervir em uma
instalaçâ'o equipada com um grupo hermético. ~ preciso uma grande
experifncia com estes aparelhos para descobrir rapidamente a causa
de um incidente, e julgar, com certeza, se a reparaçâ'o necessita, ou
nio, de retorno do móvel para a oficina.
As reclamações dos clientes podem-se resumir nestas duas frases:
ai o grupo nio arranca;
bl o grupo funciona, mas a refrigeração nio está correta.
Estas causas podem provir de defeitos nos seguintes pontos:
cl circuito elétrico;
dl sistema hermético propriamente dito.
Ouanto ao circuito elétrico, pode-se culpar a corrente de alimen-
taçio, os fusíveis de segurança e os acessórios, tais como relês, ter~
mostato, transformador e capacidade de arranque, se o circuito os .
possuir, e, finalmente, o pr6prio motor. O sistema hermético pode
avariar depois da emanaçio do fluido refrigerante, obstrução do
capilar por umidade ou corpos estranhos, filtro obstruído, depósito
de óleo no evaporador, tubulação esmagada, etc.
1~ ·O grupo não arranca
Verificar se a corrente chega à tomada do cabo de serviço e
384
depois aos terminais do motor, assegurar-se de que a tensão é normal
(uma tensão 10% inferior àquela que está prevista para a alimenta-
ção do motor pode impedir a partida). Verificar o aperto de todas as
ligações.
Se a corrente não chegar ao motor, curto-circuitar os dois termi-
nais do termostato; se o grupo arrancar assim, isso significa que o
termostato está defeituoso.
Em caso de insucesso, examinar o relê (contatos e resistência
térmica).
Fazer um teste com um relê novo, de mesmo tipo, tendo as mes-
mas características de potência e de tensão.
Se a substituição do relê não alterar em nada, poder-se-á então
admitir que o motor está com defeito, ou que existe um "duro"
mecânico bloqueando o conjunto motocompressor. A unidade com-
pleta deve ser substitu Ida.
Quando o circuito comporta um transformador ou uma capaci-
dade de partida, estes acessórios podem ser suspeitos.
Para o transformador, verificar a tensão à salda.
Para o condensador, trocá-lo para teste, por um outro cuja quali-
dade seja boa.

2<? - O grupo funciona, mas a refrigeração não estã correta


Inicialmente, examinar o evaporador.
Se ele não fizer gelo algum, a causa pode ser:
falta de carga (fuga considerável no sistema);
- capilar obstruído por umidade ou corpos estranhos;
- filtro obstru Ido.
Se ele fizer gelo incompletamente, pode-se considerar como
causa:
carga insuficiente (fuga provável);
capilar ou filtro parcialmente obstruídos;
óleo em excesso no evaporador;
rendimento do compressor diminuído (válvulas ou assentos
em mau estado, junta de recalque defeituosa).
Em todos os casos, impõe-se a troca do sistema.
Um termostato defeituoso, mal regulado ou colocado em más
condições, pode ser causa de uma refrigeração incorreta.
Urna temperatura muito elevada no móvel pode ser devida a uma
má posição do botá"o de regulagem, próximo do descongelamento.
Uma temperatura muito baixa pode ter uma causa similar mas, neste
caso, o botá"o tendo sido deixado na posição de "frio máximo" após
385
regulagem para fabricar, por exemplo, sorvetes.
Uma reclamaç6o mais fundada pode ser motivada por um funcio·
namento defeituoso do termostato, ou seja, que o termoelemento
esteja inoperante por estar vazio ou mal fixado no evaporador, ou
ainda, colocado em uma posição desfavorável ou em ponto de sobre-
aquecimento.
Neste caso, a transmissão de calor do evaporador não correspon-
de à temperatura real do fluido refrigerante e a temperatura no
móvel mio pode ser assegurada corretamente.
O próprio termostato pode ser suspeito; um funcionamento con-
tínuo resulta, por vezes, de uma solda dos contatos resultante de
uma sobreintensidade momentânea. Verificar, então, porque este
fato se pode produzir sem que a proteção do relê tenha funcionado.
A marcha é ainda continua se os fios pouco revestidos se toca-
rem à entrada do termostato, curto-circuitando este.
Este funcionamento contínuo provoca um congelamento exées-
sivo do evaporador, e uma temperatura muito baixa do mówl.
Contrariamente, um funcionamento em ciclos curtos provocado
por um valor muito pequeno do afastamento do termostato, afeta a
temperatura no móvel. Esta temperatura permanece elevada.
Se o funcionamento se traduzir por um curto período de funcio-
namento e um longo período de parada, o ar circulará mal sobre o
evaporador e a temperatura no móvel não descerá.
Uma diferença menor entre engate e desengate pode provocar
dificuldades de arranque.
Sabemos que estas pequenas máquinas, cujo evaporador é
alimentado por capilar, não podem arrancar facilmente, a não ser
que as pressões de aspiração e de recalque estejam equilibradas, ou
apresentem pouca diferença.
Se a partida do grupo for solicitada menos de 4 a 5 minutos após
a parada normal, a diferença das pressões poderá impedir a partida.
A demanda de corrente para este é muito elevada, e o relê, sob
o efeito da sobreintensidade, engata e desliga alternadamente, até
o momento em que, estando o equilíbrio das pressões no circuito
quase efetuado, o grupo pode arrancar.
Se este fato se produzir após cada parada da máquina, a des·
conexão do relê é rápida.
Para solucionar esta anomalia, regular o afastamento do termos-
tato, de modo que ele não engate a não ser após 5 ou 6 minutos,
no mínimo, da parada da máquina.
Regulagem do termostato: para obter uma temperatura média de
+ 3 ºC na geladeira, é preciso regular o termostato como segue:
386
Engate - 5 ºC desengate - 15 ºC, no evaporador.
Estes números são, aliãs, puramente indicativos, porque eles
variam conforme o evaporador, o isolamento do móvel, a disposição
dos gêneros, etc.
e igualmente possível que o grupo funcione durante muito
tempo pata atingir a temperatura de desengate do termostato devido
a deficiências de material: isolamento insuficiente, mã vedação da
gaxeta de fixação, condensador sujo.
Assegurar-se, igualmente, de que os movimentos de convecção
do ar no móvel não são frenados por uma má posiçã'o do evaporador
ou do sumidouro, ou uma má colocação dos gêneros (pano ou papel
nas prateleiras).
Estes defeitos podem ser, na maioria dos casos, corrigidos no
local pelo reparador.
CAPÍTULO XXlll

O MONTADOR-REPARADOR
NA OFICINA
O montador é chamado, freqüentemente, a fazer um estágio na
oficina. Ele deve poder efetuar a revisão completa de um material
frigorífico.

Grupo compressor
Desmontagem
Recuperar, se houver, o fluido contido no reservatório do grupo.
Este fluido é aspirado, sob forma de gás, através de um desidrata-
dor e recalcado para um reservatório, após liquefaçâ'o em um con-
densador.
Para ativar a operaçá"o, colocar o grupo a esvaziar em uma estufa
aquecida a 40 ºC, aproximadamente.
Antes da desmontagem, marcar as peças e a posição das válvulas.
Para retirar uma junta, evitar utilizar chave de parafusos ou buril,
mas, sim, usar cunhas especiais muito afíadas, em aço, as quais se
encaixam sem dificuldade entre as peças a desunir, sem perigo de
as deteriorar. ·

Reparação
Fazer a lista das peças defeituosas. Qualquer peça, apresentando
vestígio de desgaste, deve ser substituída.
Fazer uma lavagem completa com R11 do compressor, do con-
densador e do reservatório, e fazer, seguidamente, uma insuflaçá"o
a ar comprimido, ou melhor, com nitrogênio "R".
A placa de válwlas deve estar perfeitamente plana; os assentos
das válwlas nlo devem ter nenhum defeito. Passar a placa, se neces-
sário, sobre um mármore, com BQrasivo muito fino. As válvulas
devem ser trocadas. Fazer seguidamente um teste de vedação sobre
as montagens especiais, e garantir que estão perfeitas, tanto quanto
a vácuo como quanto a pressão.
A caixa de vedaçá"o deve ser cuidadosamente examinada: se o
grlo for acentuado, substitu(-la.
Se a protaçâ'o metálica (isto é, o cordão de fricção) estiver usado,
trocar o conjunto da caixa de vedação.
Antes de montar novamente as peças, limpá-las com um pano
sem pdlos, e lubrificá-las com óleo frigorífico virgem.
389
Se a parte dos mancais de biela foi reajustada, considerar, e veri-
ficar, o espaço neutro. Utilizar uma junta de espessura requerida
para que este espaço neutro fique normal.

As juntas
Assim como vimos no capítulo "Compressores", é a clingerita
que dá os melhores resultados. (Rever este capítulo.)

Amaciamento e testes
Fazer a troca do óleo; o nível deve atingir a parte inferior do
eixo ou, se o compressor for equipado com um nível visível, seguir
as indicaçc5es dadas pelo cQnstrutor, relativas ao nível ótimo de óleo.
Seguidamente, colocar o compressor sobre o banco de amacia-
mento, e fazê-lo funcionar durante 4 a 5 horas. Ligando por meio de
uma tubuiaçio as válvulas de aspiraçá'o e de recalque, acelera-se o
amaciamento das válvulas sobre o seu assento, a passagem da ar em
circuito fechado acentuando o batimento destas.
Após o amaciamento, verificar se é necessário trocar o óleo e,·
seguidamente, assegurar-se da vedaçio do compressor, do seguinte
modo:
Fechar a válvula de aspiraçio.
Colocar o compressor em funcionamento para estabelecer o
vazio no cárter.
Fechar a válvula de recalque e ligar, sobre o orifício de serviço
desta válvula, um tubo de 1/4" mergulhando em um pequeno reci-
piente contendo óleo frigorífico.
O pouco ar contido· no compressor deve ser evacuado em três
ou quatro minutos; após este lapso de tempo, qualquer saída de
bolhas deve cessar. Se de outro modo acontecer, e se as bolhas
aparecerem com regularidade no óleo do recipiente, é provável que
haja entrada de ar.
Apertar as juntas, as gaxetas de vedação, as hastes das válvu-
las, etc.
Se a entrada de ar persistir, isso significa que a gaxeta de vedação
do compressor está defeituosa. ~ preciso verificar a causa disso.
Testar, se houver necessidade, a gaxeta de vedação ã pressio (2 a 3
bars) para verificar o estado das soldas e da membrana dobrada que
pode estar porosa.
Quando for obtida a vedação, fazer a montagem do grupo (com-
pressor, condensador e reservatório sobre o chassil tendo o cuidado
de reparar sobre as tubulaçc5es todas as braçadeiras cônicas que pos-
390
sam ter defeitos. Fazer um teste de vedação do conjunto e, seguida-
mente, secar em estufa.
Secagem em estufa
A válvula de aspiração está fechada, bem como a válvula de salda
de 1lquido; todas as outras estio abertas.
Ligar a bomba de vácuo sobre o oriflcio de serviço da válwla de
recalque e se assegurar de que o ponteiro está em uma posiçio inter-
média permitindo a aspiração do grupo,
A estufa deve estar ã temperatura de 100 ºC; o tempo de seca-
gem á de 10 horas. A bomba de vácuo nio deve deixar de funcionar.
Após secagem, pode-se proceder ã carga em fluido; a operação á
facilitada quando se possui uma unidade·de .carga.
Unidade de carga
~fácil efetuar uma unidade de carga reportando-se ã Figura 127.

ó
Fig. 127 - Unidade de carga em
fluido refrigerante.
Colocar em A uma tubulação de purga no exterior do local.
Ligar em B a grande garrafa alimentadora, colocada de tal modo
a que a carga se faça em 1lquido: posição normal se a garrafa com-
portar um tubo mergulhador, posiçio Invertida se ela não comportar
tubo mergulhador, para a carga em líquido. ~ indispensável um
391
filtro na tubulação de junção.
Ligar a bomba de vácuo em D.
Colocar uma porca com obturador em G.
Abrir as válvulas B, C e D. Deixar A fechada.
Colocar a bomba de vácuo em funcionamento durante cerca de
30 minutos; o vácuo registrado não deve ser inferior a 27 polegadas.
Fechar B, C e D e parar a bomba de vácuo.
Abrir a válvula da garrafa alimentadora F.
Seguidamente, abrir B para o enchimento da unidade e anotar
o nível de liquido na escala graduada.
Para obter um enchimento mais rápido, retirar a válvula A.
Quando for introduzida a quantidade de fluido refrigerante dese-
jada, fechar A.

Carga do grupo compressor


Retirar a junta em G e ligar o grupo a carregar.
Abrir a válvula de serviço no grupo a carregar.
Colocar a bomba de vácuo em funcionamento e abrir D para
estabelecer o vácuo no conjunto.
Quando o vácuo for estabelecido, fechar D.
Após ter determinado a massa de líquido a introduzir no grupo,
abrir e.
Controlar a diminuiçãO de nível na escala graduada.
Quando o grupo estiver carregado, fechar e.
Aquecer a linha para vaporizar o fluido que ela contiver.
Fechar a válvula de serviço do compressor.
A unidade de carregamento pode ser cheia de novo para uma
segunda operação.
Podem-se carregar assim as garrafas de serviço, ate.
A unidade de carga deve ser munida de uma válvula de segurança
regulada para abrir a uma pressão correspondente à tensão de vapor
do fluido refrigerante a 40 ou 50 ºC, ou seja, a 10 a 12 bars absolu-
tos, válvula esta que pode ser substituída por um disco de ruptura
metálica ou em grafita, e cuja ruptura é prevista a 15 ou 20 bars.

Testes de aparelhagens
Válwla de expansão termostática
19 - Ligar a válvula de expansão como indicado na Figura 128.
Deixar uma ligeira fuga na porca de ligação do manômetro de baixa
pressão.
392
29 • Mergulhar o bulbo da válvula de expansã'o em um recipiente
contendo gelo em pedaços. Não utilizar uma mistura de água e gelo.
39 • Abrir a válwla da garrafa contendo o fluido refrigerante e
aquecê-la, se houver necessidade, para obter uma pressão pelo menos
igual a 5,5 a 6 bars (80 a 99 psig) à entrada da válvula de expansã'o;
49 • Regular a válvula de expansã'o para obter, à saída, a pressão
normal para o fluido utilizado na instalação. Exemplo:
CCl 2 F 2 • • • • • • • • • • • • • • • 1,50bar (22psig).
Ter o cuidado de conservar sempre uma ligeira fuga na saída da
válvula de expansã'o.
59 · Dar ligeiros choques no corpo da válvula de expansã'o para
se assegurar de que este é flexível em sua ação. O manômetro de
baixa pressão não deve variar de mais de 0,069 bar (1 psig).
69 · Verificar a vedação do ponteiro suprimindo a fuga à saída.
A pressão deve subir de alguns "psi" e se estabilizar. Se a pressã'o
continuar a subir, a vedação é má.
79 · O teste de carga termostática é feito aquecendo-se o bulbo
com a mão. O manômetro de baixa pressã'o deve indicar um aumen·
to rápido da pressã'o à saída da válwla de expansã'o.

R12

Fig. 128 - Teste de uma válvula de expansão tennostática.


1. Válvula de expansão em teste
2. Manômetro de baixa pressão
3. Manômetro de alta pressã'o
4. Recipiente de Dewar com gelo moído
393
Se esta pressio não subir, isso significa que o elemento motor
perdeu a sua carga.
Outro método - Há sempre interesse em fazer, na oficina, um
teste rápido da válvula de expansão termostética saindo do estoque
de material para ser montada em uma instalaçafo. Este teste permite
verificar se, após uma armazenagem bastante longa, o elemento
termostático não perdeu a sua carga.
Ligar a entrada da válvula da expansão a uma garrafa da fluido.
A alimentação deve ser feita em 1lquido.
Colocar o bulbo em frente à salda da válvula de expansio.
Abrir a garrafa de refrigerante; esta, à salda da válvula de expan-
sio, atomiza o bulbo, o qual, devido à vaporização do fluido, se
refrigera.
A válvula de expansio deve fechar.
Após alguns minutos, o bulbo é reaquecido, e a válvula de expan-
são abre novamente.
Aliás, pode-se diminuir este tempo aquecendo-11e o bulbo manual-
mente.
Manobrando a porca do parafuso de regulagem, pode-se verificar
o funcionamento do aparelho.
Estando o bulbo quente, se o líquido nio passar na válvula de
expansio, ou se a refrigeração do bulbo não parar a passagem do
líquido, pode-11e deduzir que o conjunto termostático está inope-
rante. Perdeu a sua carga.
e igualmente prudente verificar a vedação do ta•npão de fecha-
mento ou das ligaç6es, por imersio após colocaçafo sob pressio da
válvula de expansio.

Testes permitindo determinar a capacidade de uma válwla


de expansio termostática com diferentes refrigerantes
(Fig. 129)
Material necessário na ordem de montagem de teste:
uma balança;
uma garrafa de fluido;
uma linha flexível para nio influenciar a pesagem;
um filtro, um manômetro de alta pressio, uma válvula de
corte;
- um segundo manômetro de alta pressio, a válvula de expan-
são termostética cujo bulbo está imerso em uma mistura de gelo fun-
dente (a O ºC) mantendo um sobreaquecimento constante no bulbo
394
Fig. 129 - Determinação da capacidade de uma válvula de expansão
termostática.

a esta temperatura; depois, um terceiro manômetro colocado após a


válvula de expansão, uma válvula de corte, e, finalmente, uma tubu-
lação de descarga para o exterior.
A válvula da garrafa de fluido está completamente aberta. Aque-
ce-se a garrafa com um maçarico, de modo a manter constante a
pressão de entrada do fluido 1íquido na válvula de expansão.
A balança é regulada por um dado débito de massa de fluido
refrigerante, por exemplo em quilogramas. e quando esta quantidade
exata é passada através da válvula de expansão, observa-se imediata-
mente o tempo de duração do teste.
A pressão a jusante é mantida rigorosamente constante durante
o teste para a manobra da válvula (2).
Assim, temos:

uma pressão constante à entrada da válvula de expansão;


uma pressão constante à saída;
uma temperatura de sobreaquecimento constante no bulbo.
As indicações são marcadas com a válvula de expansão total-
mente aberta. e preciso garantir este ponto que tem uma grande
importância.
Pressões de testes, tomadas antes da válvula de expansão:
Para o R12: um teste a 5,5 bars (80 psigl e um teste a 8,5 bars
(125psigl.
A pressão a jusante é regulada para estar de acordo com as pres-
sões de aspiração sob as quais a válvula de expansão deve funcionar
em utilizaçá"o. ·

395
Termostatos
Termostato de bulbo - Se o termostato for para baixa tempera-
tura (-15 a -35 ºC), por exemplo, mergulhar o bulbo em um vaso
de Dewar contendo R12. Após alguns minutos, manobrar muito
lentamente o botâ'o de regulagem até ao desengate do aparelho.
Obtém-se, assim, um primeiro ponto de marcaçá'o. Podem-se obter
outros pontos utilizando salmoura refrigerada a diferentes tempera·
turas (em vários recipientes), o que é fácil de efetuar em uma
oficina. Uma montagem de lâmpada em série com o termostato
testado, é útil para controlar com precisão os engates e desengates
em relaçá'o às temperaturas. Controlar estas últimas com os termô-
metros perfeitamente calibrados.
Para os termostatos próximos a O ºC (termostatos, por exemplo:
O a -15 ºC), opera-se do mesmo modo, mergulhando o bulbo em
um recipiente contendo gelo britado fundente. Obtém-se, assim, o
zero como primeira marca. Com os diferentes banhos de salmoura,
pode-se regular o desengate à temperatura desejada.
A regulagem da diferença é delicada. Ela é obtida quer pelo
deslocamento do botâ'o de manobra, quer por imersâ'o do bulbo
em banhos de temperaturas diferentes.
Logo que se tiver a certeza de que o conjunto termostático está
em bom estado, pode-se admitir que o aparelho funcionará com
lfxito, se o bulbo estiver colocado como é recomendado no capítulo
"Termostatos".
Termostato de ambiente - Para testar ou regular estes aparelhos,
é preciso dispor de um pequeno refrigerador de temperatura sufi·
cientemente baixa.
As causas de mau funcionamento, como já vimos, resultam do
mau estado dos contatos ou da falta de sensibilidade do elemento
detector. Neste último caso, não há reparo possível em oficina, e
o aparelho deve retornar para o fornecedor. A reparação dos con-
tatos é um trabalho delicado, mas é possível de efetuar.
Após reparação, fazer testes e a regulagem, como indicado
abaixo, fazendo a colocação nas mesmas condições que aquelas
da instalaçâ'o que o aparelho deve regular.

Pressostatos
i: fácil, na oficina, instalar uma unidade de verificação e de regu-
lagem dos aparelhos funcionando pressostaticamente, utilizando
dois reservatórios de pequena capacidade, um dos quais, R 1 , é
alimentado com ar comprimido por um compressor de serviço,

396
enquanto que o outro, R2 , ligado sobre a aspiração do compressor,
está sob vácuo (Fig. 130).

"'

Fig. 130 - Unidade de testes de pressostatos e


aparelhos pressostáticos.

A pressão máxima no reservatório de ar comprimido é de 1O


bars; ela é limitada por um interruptor de sobrepressão controlando
o motor do compressor e pode, aliás, ser inferior àquele mlmero,
conforme os testes a efetuar. Para além disso, a instalação comporta:
Duas válvulas de corte A e B.
Duas válvulas de três vias C e D, servindo para purga e entrada
de ar.
Um manômetro de vácuo M2 •
Um manômetro de alta pressão M,.
Um manômetro composto (indicando as pressões inferiores e
superiores à pressão atmosférica) M3 •
Uma válvula de purga E.
Uma tubulaçã'o com uma ligaçã'o em cruz.
A manobra das válvulas de corte permite obter, sobre o apare-
lho em teste, todas as pressões de regulagem desejáveis para engates
e desengates. ·
Assim, fechando B e abrindo A, estabelece-se o vácuo sobre o
aparelho em teste.
Fechando A e abrindo B, estabelece-se a pressão sobre este mes- .
mo aparelho. A válvula E serve para purgar ou fazer entrar o ar.
Uma manobra inteligente das válvulas permite obter todas as
pressões intermédias. Esta manobra é delicada, e as aberturas devem
ser feitas com muita delicadeza.
Uma lâmpada, montada em série sobre o pressostato, permite
controlar, com precisão, as pressões de corte e de engate.
Se, para uma mesma regulagem, e no decorrer de testes repeti·
dos, os pontos de corte ou de engate se fizerem a pressões diferen·
397
tes, significa que há, no aparelho, um defeito mecânico que convém
eliminar.
Um segundo método consiste em montar o pressostato em teste
ligando-o sobre os orifícios de serviço das válvulas de um com-
pressor.
Por estrangulamento destas válvulas de aspiração e de recalque,
podem-se obter, no cárter ou na cabeça dos cilindros, as pressões
necessárias à regulagem dos aparelhos (alta e baixa pressões).
O resultado, obtido nestas condiç6es, é menos preciso.

Válvula de água pressostãtica


Para a regulagem de uma válvula de água, utiliza-se o reservatório
de ar comprimido do dispositivo precedentemente descrito.
A ligação do fole (ou da membrana) da válvula de água é ligada
ao reservatório.
Intercalar um manômetro de controle e uma válvula de três
vias para purgar. A válvula de água é ligada por um tubo de borra-·
cha a uma tubulação de alimentação sob pressão de 2,500 bars, no
mínimo.
O escoamento de saída deve ser livre para fazer um controle pre-
ciso. O sentido de escoamento da água é, geralmente, indicado por
uma seta que já vem da fundição, ou da estampagem, sobre o corpo;
as uniões podem também estar marcadas com "ln", ou "lnlet"
(Entrada); "Out" ou "Outlet" (Saída).
Se se abrir a circulação de água sem colocar a pressão sobre
o fole, o débito será nulo e a válvula deverá estar perfeitamente
vedada.
Se se admitir, muito levemente, pressão sobre o fole, a abertura
da válvula de água dever-se-á fazer logo que esta pressão tiver atin-
gido 3,500 bars (50 psig). Conseqüentemente, é preciso regular por
meio da porca de regulagem que atua sobre uma mola que, segundo
o tipo de válvula, é contrária ao impulso do fole, ou aplica a válvula
sobre o seu assento.
O débito cresce proporcionalmente com a pressão, e atinge um
débito máximo para uma pressão sobre o fole que varia com o tipo
de válvula testado (em geral a variação de pressão necessária para
passar da abertura máxima à abertura mínima é de cerca de 1,5 bar,
ou seja, 22 psig).
Fechar então a válvula de corte sobre o reservatório de ar com-
primido.
Deslocar, muito ligeiramente, a agulha da válvula de três vias
para purgar a tubulação de ar; a pressão baixa levemente no fole,

398
e o fechamento da válvula deve ser efetuado quando a pressfo não
for superior a 3, 160 bars (45psig1.
Bloquear, fechando, a válvula de três vias; assegurar-se de que
não há fuga no fole (o que seria indicado por uma diminuição de
pressão).
Este teste de débito deve ser feito várias vezes, de modo a con-
trolar que as aberturas e os fechamentos se façam sempre às pres-
sões de regulagem.
Aliás, uma regulagem complementar deve ser efetuada sobre
toda a instalação, antes da entrada em funcionamento, porque a
pressão atuante varia conforme o fluido utilizado nesta instalação.
Regra geral: quando da parada do grupo, a válvula deve fechar
completamente.
Em funcionamento, o reaquecimento da água de refrigeração
deve ser de 10 a 12 ºC.
Se se tratar de uma válvula a reparar, é bom verificar o estado
do assento e da chapeleta .. Uma falta de vedação origina, freqüente-
mente, depósitos calcários ou corpos estranhos incrustados na bor-
racha ou no assento da válvula.
Quanto a este assunto, lembremos que, em uma instalação, con-
forme a natureza e a proveniência da água, é freqüentemente neces-
sária a colocação de um filtro a montante da válvula de água.

Vâlwlas de pressão constante e válwlas de ação brusca


Estas aparelhagens não podem se testadas com eficiência, senão
sobre os circuitos sobre os quais devem ser montadas. Contudo, com
o dispositivo dos dois reservatórios, do qual já falamos, pode-se
efetuar uma pré-regulagem das pressões de abertura e de fechamen-
to, e verificar a vedação das válvulas em posição de fechamento.
Vãlwlas magnéticas (válvulas 5olenóides) - Inicialmente, testá-
las sob o ponto de vista elétrico, alimentando a bobina com a cor-
rente nominal da válvula (natureza, tensão e freqüência).
Seguidamente, se possível, alimentar a bobina com uma corrente
cuja tensão seja 20 a 25% inferior àquela da corrente de utilização.
Verificar se a subida da agulha se faz normalmente em ambos os
casos.
Seguidamente, ligar a válvula ao reservatório de ar comprimido
(colocando um desidratador sobre a tubulação), ou melhor, a uma
garrafa de nitrogênio perfeitamente anidro (Nitrogt1nio RI. Regular
então a válvula de expansão manual para a pressão deseja