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2º MÓDULO – BIOSSEGURANÇA PARA TATUADORES

CONCEITO DE BIOSSEGURANÇA
Biossegurança é um conjunto de ações voltadas para prevenção, minimização e
eliminação de riscos para a saúde, ajuda na proteção do meio ambiente contra
resíduos e na conscientização do profissional da saúde, especificamente àqueles que
trabalham em áreas insalubres, com risco variável.

Esses riscos dependem do tipo de atendimento realizado e do ambiente de


trabalho do profissional, uma vez que estão mais suscetíveis a contrair doenças
advindas de acidentes de trabalho, por meio de procedimentos que apresentam riscos.

Os ricos biológicos são decorrentes da exposição a agentes dos reinos animal e


vegetal e de micro-organismos e de seus subprodutos. Entre os agentes de risco
biológicos podemos citar como mais importantes: bactérias, fungos, rickétsias, vírus,
protozoários e metazoários.

Tais agentes podem estar veiculados sob diversas formas que oferecem risco
biológico, como aerossóis, poeiras, alimentos, instrumentais, água, cultura, amostras
biológicas (sangue, urina, escarro, secreções), entre outros.

O risco biológico é um dos principais entre os profissionais de saúde. Ele


aumentou principalmente após o aparecimento da AIDS e do crescimento do número
de pessoas infectadas pelos vírus da hepatite B e C.

Mas todas as medidas possíveis devem ser consideradas para que os acidentes
se torne uma exceção. A equipe deve receber treinamentos constantes e apropriados
sobre os riscos potenciais associados aos trabalhos desenvolvidos, inclusive os
profissionais de condutas inadequadas para que se conscientizem.

Na opinião de especialistas que discutem a biossegurança, o grande problema


não está nas tecnologias disponíveis para eliminar ou minimizar os riscos e, sim, no
comportamento dos profissionais.

Como afirma a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Ana Beatriz


Moraes, não basta ter bons equipamentos. "De nada adianta usar luvas de boa
qualidade e atender ao telefone ou abrir a porta usando as mesmas luvas, pois outras
pessoas tocarão nesses objetos sem proteção alguma", explica. Para ela, é
fundamental que todos os trabalhadores envolvidos em atividades que representem

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algum tipo de ameaça química ou biológica estejam preparados e dispostos a enxergar
e apontar os problemas.

O consultor de biossegurança da Organização Mundial de Saúde (OMS),


Jonathan Richmond, lembra que a maior responsabilidade sobre o controle de agentes
perigosos é do profissional, que entende o risco e conhece os mecanismos de controle.

Os profissionais, além de estarem expostos aos riscos ocupacionais


ergonômicos, físicos e químicos, trabalham com agentes infecciosos e com materiais
potencialmente contaminados, que são os riscos biológicos. Esses profissionais devem
ser conscientizados sobre os riscos potenciais, e treinados a estarem aptos para
exercerem as técnicas e práticas necessárias para o manuseio seguro dos materiais e
fluidos biológicos (Anvisa, 2005).

TIPOS DE RISCOS

(Portaria do Ministério do Trabalho, MT no. 3214, de 08/06/1978)

Risco é a probabilidade de ocorrer um dano, ferimento ou doença. Os riscos são


divididos em 5 categorias:

RISCOS DE ACIDENTES

Considera-se risco de acidente qualquer fator que coloque o trabalhador em


situação de perigo e possa afetar a sua integridade. Caracteriza-se por toda ação não
programada, estranha ao andamento normal do trabalho.

Exemplos: Máquinas e equipamentos sem proteção, equipamentos de vidro,


equipamentos e instrumentos perfurocortantes, armazenamento inadequado,
cilindros de gases, animais peçonhentos entre outros.

RISCOS ERGONÔMICOS

Considera-se risco ergonômico qualquer fator que possa interferir nas


características psicofisiológicas do trabalhador causando desconforto ou afetando a
sua saúde.

Exemplos: Movimentos repetitivos, postura inadequada, levantamento e


transporte de peso excessivo, monotonia, mobiliário mal projetado, ambiente de

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trabalho desconfortável (ex.: muito seco, muito frio, muito quente, pouco iluminado,
barulhento), problemas de relações interpessoais no trabalho etc.

RISCOS FÍSICOS

Consideram-se riscos físicos qualquer forma de energia a que os profissionais


possam estar expostos.

Exemplos: ruídos, vibrações, pressão, radiações ionizantes (Raio-X, Iodo 125,


Carbono 14) e não ionizantes (luz ultravioleta, luz infravermelha, laser, micro-ondas),
temperatura extrema etc.

RISCOS QUÍMICOS

Consideram-se riscos químicos a exposição a agentes ou substâncias químicas


que possam penetrar no organismo através da pele, serem inalados ou ingeridos.

Exemplos: substâncias irritantes, oxidantes, corrosivas, inflamáveis, partículas


de poeira, gases, fumo, névoa etc.

RISCOS BIOLÓGICOS

Consideram-se riscos biológicos as bactérias, fungos, vírus, parasitas entre


outros.

Os agentes de riscos biológicos podem ser distribuídos em 4 classes, de acordo


com a patogenicidade para o homem, virulência, modos de transmissão,
disponibilidade de medidas profiláticas eficazes e disponibilidade de tratamento eficaz
e endemicidade.

Os riscos biológicos se subdividem em classes: CLASSE DE RISCO 1, CLASSE DE


RISCO 2, CLASSE DE RISCO 3 e CLASSE DE RISCO 4.

RECOMENDAÇÕES GERAIS
Para permitir um melhor desempenho das atividades profissionais, é
recomendável aos responsáveis por estúdios de tatuagem verificar itens como:

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• Iluminação natural e artificial adequada que permita a realização de
procedimentos com segurança e boa condição visual;

• Instalação elétrica suficiente para o número de equipamentos. Não utilize


extensões ou benjamins para evitar sobrecarga. É proibido ter fiação exposta, para
evitar curto circuito;

• Ventilação natural ou artificial adequada que garanta um ambiente arejado;

• Pisos e paredes com revestimentos que sejam lisos, sem rugosidades ou


porosidades, laváveis, ou seja, resistentes à limpeza com água e sabão;

• Ralos devem ter condições de fechamento;

• Água encanada potável;

• Ligação na rede de esgoto;

• Mobiliários devem ter superfície resistentes, lisa, não porosa e higienizáveis;

• Vestiário com armários para profissionais;

• Banheiro para os funcionários, com pia, água corrente, sabão líquido e papel
toalha;

• Pia exclusiva para limpeza de material como: biqueiras, hastes, porta-


batoques, borrifadores, etc.;

• Equipamentos adequados para a esterilização de material de aço cirúrgico,


metal e outros;

• Tanques para lavar os panos de limpeza e higienização;

• Banheiro para os clientes, com pia, água corrente, sabão líquido e papel
toalha. Quando em centros comerciais, pode ser utilizado o sanitário destinado ao
público, desde que esteja localizado nas proximidades;

• Organizar o lixo comum em saco plástico, separando-o do lixo de material


reciclável. Os resíduos contaminantes devem seguir as regras dispostas nas legislações
em vigência RDC 306/04.

O lixo infectante (papel toalha, plástico filme, luvas etc.) e perfuro-cortante


(agulhas e lâminas) devem ser armazenados separadamente do lixo comum. Agulhas e
lâminas devem ser descartados em caixas coletoras como o Descarpack. O
estabelecimento deve obter o Cadastro de Gerador de Resíduos de Saúde ou algum
outro cadastro municipal para participar da coleta de lixo hospitalar.

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ELABORANDO O MANUAL DE ROTINAS E PROCEDIMENTOS
Todo estabelecimento deve possuir um Manual de Rotinas e Procedimentos
(MRP), que é um roteiro descritivo de cada serviço prestado, mostrando o passo a
passo e as recomendações sobre as atividades executadas.

É preciso constar também no Manual todos os cuidados com os instrumentos


de trabalho como toalhas, esterilização de instrumentos e orientações relativas à
higienização do ambiente de trabalho.

Na elaboração do Manual, é necessário enfocar procedimentos quanto a:

A) Higienização do ambiente - pisos e paredes, mobiliários e banheiros.

B) Produtos em geral e equipamentos.

C) Processos de esterilização - método utilizado, tipos de materiais e utensílios


e equipamentos utilizados.

D) Serviços - especificando qual serviço executa.

PRODUTOS EM GERAL E EQUIPAMENTOS

PRODUTOS EM GERAL

Os produtos utilizados para tatuar devem ser regulamentados pela ANVISA -


Agência Nacional de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde.

Verifique nos rótulos as seguintes informações:

Nome do produto;

Marca;

Lote;

Prazo de validade;

Conteúdo;

País de origem;

Fabricante/importador;

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Composição do produto;

Finalidade de uso do produto;

Número de registro no Ministério da Saúde / ANVISA, conforme determina a


Resolução ANVISA n. 79, de 28 de agosto de 2000.

Esses produtos devem ser guardados e protegidos da luz, calor e umidade,


totalmente separados de alimentos e produtos de limpeza.

Antes de aplicar qualquer produto sobre a pele, faça o Questionário de


Anamnese para saber se seu cliente tem algum tipo de alergia aos componentes
químicos do produto e se ele se encontra em perfeitas condições de saúde.

EQUIPAMENTOS

Devem apresentar:

• número de registro no Ministério da Saúde / ANVISA;

• manual técnico do equipamento em português;

• manutenção preventiva realizada conforme orientação do fabricante.

SERVIÇOS
O profissional deve:

• Lavar as mãos antes de atender cada cliente;

• Esterilizar os outros instrumentos a cada uso;

• Abrir a embalagem dos instrumentos esterilizados na frente do cliente;

• Manter o material de trabalho como espátulas, gel, vaselina, tintas,


organizados em maletas ou gavetas;

• Manter as espátulas em pote com tampa;

• Fazer a Ficha de Anamnese antes de executar qualquer procedimento;

• Jogar no lixo os materiais descartáveis ou de uso único, como lâminas de


barbear para retirada de pelos, espátulas para gel ou vaselina, batoques, papel toalha,
etc.

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Recomenda-se colocar luvas descartáveis e só retirá-las quando concluir o
serviço.

Concluído o serviço, deve-se:

• Lavar as mãos após o atendimento de cada cliente.

• Colocar os instrumentos utilizados em caixas plásticos laváveis sinalizados:


“Instrumentos Contaminados”; e prepará-los para o processo de esterilização.

As agulhas e lâminas utilizadas nos procedimentos devem ser descartadas em


recipiente rígido para produtos perfuro-cortantes, como as caixas coletoras
Descarpack.

Se identificar alguma alteração na pele do cliente, orientar para que procure


um médico.

Fonte: Adaptado de: Biossegurança para Salões de Beleza – Vigilância Sanitária de Indaiatuba – SP

NORMAS DA ANVISA

Se você é proprietário ou funcionário de um estúdio de tatuagem, salão de


beleza ou de estabelecimentos similares, deve ficar ligado às normas estabelecidas
pela ANVISA. O não cumprimento destas normas poderá acarretar multas ao seu
estabelecimento e em alguns casos até mesmo a prisão.

O estabelecimento deve:

– Ser independente de residência.

– Possuir local próprio para lavagem de material.

– Apresentar-se limpo, organizado e possuir ventilação e circulação de ar.

– Manter rotina de limpeza do ambiente. Esta limpeza deve ser realizada a cada
cliente.

– Utilizar apenas produtos com registro na Anvisa.

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– Manter cadeiras e macas revestidas de material impermeável e em bom
estado de conservação (sua maca não deve ter furos e avarias).

– Possuir alvará de funcionamento e licença sanitária.

Os serviços deverão:

– Possuir profissionais capacitados.

– Manter rotina de esterilização dos materiais utilizados em procedimentos


invasivos.

– Possuir local exclusivo para a realização dos procedimentos.

É importante também que:

– Lâminas e agulhas sejam descartadas após o uso, não podendo ser


reutilizadas.

– Os materiais estéreis devem estar embalados individualmente e armazenados


em local próprio e exclusivo, atentando-se para o controle da data de validade da
esterilização.

– O tatuador utilize equipamentos de proteção individual, como luvas, avental,


óculos de proteção etc..

– Realizar a higienização e antissepsia da pele do cliente, antes de iniciar o


procedimento.

Lembrete: É proibido ao tatuador prescrever ou indicar qualquer medicamento


ou substância para uso sistêmico ou tópico. Estes procedimento apenas pode ser
realizado por um profissional médico.

Antes de submeter-se a um procedimento estético, o cliente costuma verificar:

– Se todos os equipamentos e produtos utilizados nestes procedimentos


possuem registro na Anvisa. O registro é a única garantia de que os produtos utilizados
atingem a finalidade a que se propõem, sem expor o usuário aos riscos à saúde.

– Se o profissional é capacitado para a realização do procedimento.

– Se o local está limpo, organizado e possui licença sanitária.

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FONTE: Portal Anvisa
Fonte: adaptado de https://www.superagendador.com/normas-da-anvisa-para-saloes-de-beleza-e-
similares/

CONTAMINAÇÃO CRUZADA

Dentro do estúdio temos superfícies estéreis (com contagem de micro-


organismos zero ou perto disso) e superfícies contaminadas (com aglomeração de
micro-organismos em número perigoso). E vamos entender corretamente: 90% do seu
estúdio está contaminado. Sim, é desse tanto.

Sua luminária, superfície de trabalho, maca, fios e clip cords, sua máquina. Em
níveis diferentes de contaminação e micro-organismos diferentes, mas tudo está
contaminado.

Tipos de Contaminantes

a) Contaminantes físicos: vidros, metais, madeira, poluição ou qualquer outro


material que possa trazer problemas ao seu cliente

b) Contaminantes químicos: toxinas naturais (toxinas paralisantes,


neurotóxicas, amnésicas e diarreicas, ciguatoxinas), toxinas microbianas (toxinas e
micotoxinas), metabólitos tóxicos de origem microbiana (histaminas e tetrodotoxinas),
contaminantes inorgânicos tóxicos, anabolizantes, antibióticos, herbicidas, pesticidas,
aditivos e coadjuvantes alimentares tóxicos, tintas, lubrificantes, desinfetantes e
produtos químicos de limpeza, desinfetantes, etc.

c) Contaminantes biológicos: bactérias, vírus, parasitas patogênicos e


protozoários.

Estúdio

Com uma grande rotação de pessoas entrando e saindo, seu estúdio é um


grande foco de contaminação. Por isso o acesso limitado de pessoas à área de
tatuagem. Menos pessoas transitando = menos contaminação externa. O que faz seu
trabalho de limpar tudo depois bem mais simples!

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Mas vamos por partes:

Entrada – Local aonde seus clientes e parceiros vão passar sempre (afinal, você
vai entrar pela janela?). Nível de Contaminação: ALTO. Tipo de Contaminantes : Físico,
Químico e Biológico. Locais críticos: chão, maçaneta da porta, sofás e assentos, balcão,
livros e revistas, bebedouro e porta copos.

Ação de controle: Higienizar as superfícies constantemente com solução


clorada (para piso e locais que não estraguem com cloro) e produto anti-bacteriano
(alcool 70 ou produto com ação similar), instalar dispositivo para vedar a porta de
entrada (aquelas borrachinhas ou vassourinhas, para evitar insetos), instalar tela de
proteção nas janelas se necessário.

Sala de Esterilização – Nível de Contaminação: Alto. Tipo de Contaminantes:


Biológico, Físico e Químico. Alguns possuem este cômodo, outros não. Se possuir, é um
foco intenso de contaminação biológica (por micro-organismos). Ação de controle:
sempre use luvas para manusear o lixo e dispor dele. Use luvas novas ao manusear a
autoclave e sempre higienize as superfícies dele para mantê-lo estéril. Use luvas para
descartar as agulhas e biqueiras e jogue-as fora junto.

Banheiro – Nivel de Contaminação: Moderado. Tipo de Contaminantes:


Biológico, Físico e Químico. Aqui temos um local que acredita-se MUITO sujo, mas por
acreditarmos nisso, mantemos muito limpo. Então o nível de contaminação é
moderado. Porém existem alguns pontos críticos no banheiro, assento do toilette,
tampa do lixo (sempre use lixeiras de acionamento por pedal), descarga e torneiras (se
puder instalar automáticos, ótimo!), ralos (sempre use ralos que possam ser fechados)
e a famigerada maçaneta. Ação de Controle – Limpe TODAS as superfícies com
substância clorada. Troque constantemente o pano de limpeza (por que toda a sujeira
vai pra ele né? E você vai acabar limpando um local e contaminando outro). Sempre
use toalhas descartáveis de papel e se possível deixe um frasquinho de álcool gel para
o cliente higienizar as mãos antes de sair.

Sala de Tatuagem – Aqui é onde deve ser mais limpo, mais impecável. Mas
falhamos em diversos locais. Limpe o chão com substância clorada, higienize todas as
superfícies diariamente. Vamos ver por partes

1 - Máquina, Agulhas e Biqueiras – Parece estranho, mas sua máquina de


bobina PODE e DEVE ser lavada. Uma aplicação para esterilizá-la e um leve banho de
WD40 (leve mesmo, só uma camadinha de nada). Se for rotativa, por favor, não a lave!
Mas passe um álcool 70 por fora, para evitar qualquer colônia de se instalar ali.

As agulhas já vêm esterilizadas de fábrica, em blisters individuais e prontas para


uso imediato. Mesma coisa com as biqueiras, é só abrir e usar… Correto? Sim e Não.
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Explico: a parte INTERNA do blister (aquele plástico em volta da agulha) é estéril. A
parte externa não. Ela está em contato com o ar e veio de navio, direto da Chinaland.
Contaminada com certeza! Para evitar de contaminar a agulha ou a biqueira, abra-as
somente no momento de utilizar. Não coloque-as sobre a área de trabalho (que
também é estéril) pois pode ocorrer a contaminação desta área. Agora a parte
complicada: Você terá que trocar de luvas após abrir a embalagem para poder tocar na
agulha e não contaminá-la.

Use também um protetor de máquina, para evitar que respingos caiam na


máquina e você tenha que lavá-la com frequência.

2 – Transfer – Aqui não tem muito segredo. Apenas faça uso de transfer em
loção ou spray, pois o uso é único. Você aplica determinada quantidade no cliente e
não retorna com o produto para a embalagem, como acontece nos transfer em bastão.

Limpe a pele com sabão antibacteriano e alcool 70 antes de aplicar o transfer.

3 - Tintas e Batoques – Suas tintas são estéreis mas o potinho está sujeito a
contaminação, afinal ele está exposto ao ambiente. Antes de cada uso e depois
também, higienize os bicos com alcool 70. Jamais encoste o bico na tinta do batoque,
quando já estiver tatuando. Você vai contaminar sua tinta todinha! Pingue de uma
distância e seja feliz.

Os batoques são um caso à parte. Eles vêm em milhares e não são esterilizados.
Você vai, pinga sua tinta estéril em um compartimento contaminado e contamina a
tinta toda!

Existem dois caminhos aqui: um é guardar seus batoques em alcool 70,


trocando este alcool de tempos em tempos (pouco tempo viu? não é pra deixar dois
meses ele lá) OU usar os batoques que já vêm esterilizados. Daí tem que ter com eles o
mesmo cuidado que com as agulhas, mão que pega na parte de fora, não toca na parte
de dentro.

4 - Fonte, Cabos, Bancada e Maca – Sua bancada é o seu santuário. Onde você
coloca suas ferramentas. E onde você não quer nenhum tipo de contaminante.

Ao iniciar seu trabalho, higienize a superfície com uma solução adequada e


aplique o filme plástico ou isolante cirúrgico de bancada (este é bacana e geralmente
vem esterilizado).

Agora coloque seus batoques esterilizados e sua máquina já isolada com


protetor de máquina e clipcord. Finalmente coloque a tinta e deslizante que vá utilizar.

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Sua fonte é um ponto crítico também. Limpe-a com alcool 70 (ou outro produto
que não estrague a superfície) e isole-a com filme plástico.

Isole TODOS os seus cabos, protetor de clip-cord é de extrema importância.

Tome cuidado com o manuseio, sempre utilizando uma luva “virgem” para cada
superfície. E nunca pegando em algo estéril com uma luva que tenha tocado em algo
contaminado.

5 - Luvas e Máscaras – Luvas exercem um papel vital para evitar a


contaminação cruzada. Por serem descartáveis, você pode e DEVE trocar de luvas toda
vez que for pegar em uma coisa diferente.

A luva não torna sua mão numa superfície anti-bacteriana e anti-sujeira, ela só
isola sua mão de contaminantes e te faz lavar menos vezes ao dia suas mãos. SÓ ISSO.

A máscara é uma proteção de duas vias, ela protege VOCÊ de eventuais


respingos da tatuagem caírem na sua boca. E seu cliente pode ter algo e não saber
ainda. Sempre bom se precaver.

E protege o CLIENTE da sua saliva e respiração. Quando você fala, milhares de


gotículas de saliva são expelidas e acabam caindo ali, na tattoo. Se você tiver algum
problema bucal, pode contaminar o local. E sua respiração também, você solta pelo
nariz, além de ar, partículas de agua, saliva e tudo mais que seu pulmão resolver soltar
por ali. O que também não é o mais indicado para entrar em contato com uma ferida
aberta.

Considere também fazer uso de mangotes descartáveis (deixando seus braços


isolados também e evitando contaminar a área) e avental cirúrgico (para evitar
contaminação das roupas ou contaminantes das roupas de alcançarem a tatuagem)

E POR FAVOR NÃO TOQUE NA CAIXA DE LUVAS COM A LUVA CONTAMINADA.

Sempre, SEMPRE lave suas mãos com sabão antibacteriano, aplique álcool gel e
aí sim vista as luvas. Suas lindas mãozinhas ficarão limpinhas dentro da luva. Toda vez
que trocar as luvas, lave as mãos novamente. Sei que é chato, mas você é responsável
por garantir a segurança do seu cliente.

Fonte: http://blog.lojadatatuagem.com.br/tattoo/contaminacao-cruzada-saiba-evitar/

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