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Anthony Giddens - Capítulo 1: O que é Sociologia

Giddens faz uma breve introdução sobre do que se trata a Sociologia,


sublinhando que seus principais objetos de estudo são a vida social humana, grupos
e sociedade, com esferas de ações muito abrangentes. O estudo sociológico nos
permite ter uma ampla perspectiva do modo como vivemos e das razões pelas quais
agimos, assim como também esses eventos sofrem influências de forças históricas e
sociais; o que fazemos tanto estrutura o meio social em que vivemos, como é
simultaneamente estruturado por esse mesmo meio social.

Para estudar Sociologia, é essencial que se tenha a imaginação sociológica


denominada por Mills. A Sociologia implica em uma série de benefícios em nossas
vidas, destaca-se a consciência de diferenças culturais, a avaliação dos efeitos das
políticas e, a auto consciencialização. Para o estudo sociológico, entretanto, é
essencial que se tenha a imaginação sociológico, conceito criado por Mills, citado no
texto pelo autor.

A curiosidade a respeito das razões de nosso próprio comportamento sempre


esteve presente entre os seres humanos, antes mesmo do desenvolvimento da
ciência para se compreender o mundo, as ideias e formas de pensar eram
transmitidas através de mitos, superstições e crenças. No final do século XVIII,
porém, a emergência de uma abordagem científica levou a mudanças radicais nas
formas de se ver e entender o mundo. As origens da Sociologia encontram-se no
contexto das grandes revoluções ocorridas na Europa nos séculos XVIII e XIX, que
transformaram profundamente a sociedade. Destaca-se a Revolução Francesa de
1789, que difundiu ideias e valores de igualdade e liberdade e, a Revolução
Industrial, conjunto de grandes mudanças econômicas e sociais causadas pelo
surgimento de novos avanços tecnológicos. Diante desses cenários, os pensadores,
pioneiros da Sociologia, procuram compreender as motivações e as consequências
de tais revoluções.

Nos tópicos posteriores, Giddens aponta os primeiros e principais teóricos da


disciplina, dando ênfase à Auguste Comte, que apesar de não ter fundado o novo
campo de estudos sozinho, contribuiu primordialmente para a unificação e
sistematização da ciência da sociedade, e foi inclusive o autor do termo “Sociologia”.
Comte possui uma abordagem positivista da Sociologia, a qual acredita na produção
de conhecimento acerca da sociedade com base em provas empíricas obtidas
através da observação, comparação e experimentação. O filósofo foi responsável
por propor a lei dos três estádios: teleológico, metafísico e positivo; para ele, os
humanos passaram pelos três, respectivamente, para alcançar a compreensão o
mundo.

Émile Durkheim é o segundo teórico citado no capítulo, como autor de um


impacto ainda mais duradouro na sociologia moderna. Seu famoso princípio era o de
“estudar os fatos sociais como coisas”, ou seja, a vida social deveria ser analisada
do mesmo modo como são analisados os objetos e fenômenos da natureza.
Defendia que os sociólogos, antes de aplicar métodos sociológicos no estudo de
indivíduos, deveriam investigar os fatos sociais, aspectos que determinam nossas
ações enquanto indivíduos. Além disso, foi responsável pelo estudo famoso a
respeito do suicídio, o qual procura explicar sociologicamente.

Sucessivamente temos a menção de Karl Marx, cujas ideias contrastam


radicalmente com as de Comte e Durkheim. Com seu grande interesse pelo
movimento operário, a maior parte de suas obras concentra-se em questões
econômicas juntamente com reflexões sociológicas. Para ele, as mudanças mais
importantes na sociedade estavam ligadas ao desenvolvimento do capitalismo; as
distinções entre classes emergentes a partir desse sistema e as suas relações, eram
marcadas por conflitos. Marx acreditava na inevitabilidade de uma revolução da
classe trabalhadora que derrubaria o sistema capitalista.

Já Max Weber defendia que a Sociologia deveria focar no estudo das ações
sociais, não nas estruturas, pois as ideias e motivações humanas tinham o poder de
originar as transformações. Para ele, as estruturas não existiam externamente aos
indivíduos, mas eram uma complexa rede de ações recíprocas. Enfatiza também
que o desenvolvimento da sociedade moderna é marcado pela racionalização das
áreas.

Giddens menciona ainda, Harriet Martineau, considerada como a primeira


mulher socióloga, foi uma figura ativa tanto na defesa dos direitos das mulheres
como na luta pela emancipação dos escravos.

Apesar dos primeiros teóricos terem o objetivo de compreender e explicar as


mudanças ocorridas na sociedade em que viviam, utilizavam-se de abordagens
diferentes entre si, diferenças encontradas até hoje no campo da Sociologia. Três
entre as mais importantes correntes teóricas recentes – funcionalismo, perspectiva
de conflito e interacionismo simbólico - são expostas no capítulo.

A primeira corrente denominada funcionalismo, defende que a sociedade é


um sistema complexo no qual as partes se unem para garantir estabilidade. De
acordo com essa perspectiva, o estudo sociológico deve centrar-se nessas relações
das partes entre si e com a sociedade, ou seja, há uma análise das funções de um
item social, e no seu papel para a perpetuação e prosperidade de uma sociedade.
Ressalta-se a importância do consenso moral na manutenção da ordem e da
estabilidade entre os indivíduos. Comte e Durkheim fazem parte dessa corrente
teórica.

As teorias da perspectiva de conflito, ao contrário dos funcionalistas,


sublinham a importância das divisões da sociedade, que surge do fato de os
indivíduos e grupos terem interesses distintos. A existência dessa diferença significa
que o potencial para o conflito é constante e que determinados grupos tiram mais
benefícios que outros. Os pontos de vista de muitos teóricos do conflito remontam às
obras de Marx.

Diferentemente do funcionalismo e da perspectiva de conflito, a perspectiva


da ação social dá importância ao papel desempenhado pela ação e pela interação
dos indivíduos de uma sociedade na formação de suas estruturas. Weber é
apontado como um dos primeiros defensores dessa perspectiva e influenciou de
forma indireta no desenvolvimento do interacionismo simbólico, uma forma mais
sistemática desse pensamento. No interacionismo simbólico há um interesse pela
linguagem e o sentido, defende-se que os seres humanos dependem de símbolos
partilhados e entendimentos comuns nas suas interações uns com os outros e dá
relevância ao papel dessas interações na criação da sociedade e das suas
instituições.

Em suma, o capítulo nos mostra que a Sociologia engloba diversas


perspectivas teóricas, o que confere força e vitalidade para a disciplina. É através do
estudo sociológico que aprendemos a colocar de lado nossa própria visão de
mundo, a fim de analisar as influências que dão forma às nossas vidas e às dos
outros, estudo que pode ter implicações práticas importantes na vida das pessoas.

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