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FACULDADE SUCESSO

GRADUAÇÃO EM LICENCIATURA PLENA EM PEDAGOGIA

ANDRÉ CAMPELO DA SILVA

OS DESAFIOS DA ALFABETIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS


(EJA) NAS ESCOLAS DA ZONA RURAL DO MUNICÍPIO DE PLÁCIDO DE
CASTRO

SENADOR GUIOMARD
2021
ANDRÉ CAMPELO DA SILVA

OS DESAFIOS DA ALFABETIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS


(EJA) NAS ESCOLAS DA ZONA RURAL DO MUNICÍPIO DE PLÁCIDO DE
CASTRO

Trabalho monográfico apresentado como


requisito final para obtenção da nota na
disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso
II do curso de Licenciatura Plena em
Pedagogia da Faculdade Sucesso.
Orientador (a): Professor Especialista Marcelo
da Silva Ribeiro

SENADOR GUIOMARD
2021
RESUMO

Diante dos grandes desafios educacionais brasileiros, esta pesquisa tem como tema
justamente os desafios da alfabetização de Jovens e adultos (EJA) no interior do
município de Plácido de Castro dando ênfase nas principais dificuldades enfrentadas
por aqueles que buscam aprender o mínimo possível em termos de alfabetização. O
principal objetivo é, portanto, fazer uma mostra da realidade educacional das
escolas da zona rural do Brasil que ofertam a modalidade de Educação de Jovens e
Adultos, considerando que nessas localidades é muito comum esse tipo de ensino
ser procurado devido a grande defasagem escolar na idade certa. A pesquisa
justifica-se pela necessidade de o sistema de ensino estar reforçando e apoiando
essas escolas que trabalham com essa modalidade, pois seu público alvo
geralmente são alunos que trabalham durante o dia, e/ou que não tiveram a
dificuldades de concluir o ensino regular, e que agora buscam uma formação mais
compatível com seu nível de ensino e de rotina. O trabalho teve como método de
pesquisa um estudo bibliográfico (análise documental), de alguns autores que
evidenciam as dificuldades da educação na zona rural brasileira, em especial na
modalidade EJA, quando muitos não conseguem concluir os estudos diante de
tantas dificuldades identificáveis nessas áreas, e que serão mostradas ao longo da
pesquisa.

Palavras-chave: EJA. Ensino. Desafios. Escolas. Zona Rural.


ABSTRACT

In view of the great Brazilian educational challenges, this research has as its theme
precisely the challenges of youth and adult literacy (EJA) in the interior of the
municipality of Plácido de Castro, emphasizing the main difficulties faced by those
who seek to learn as little as possible in terms of literacy. The main objective is,
therefore, to show the educational reality of schools in rural Brazil that offer the
modality of Youth and Adult Education, considering that in these locations it is very
common for this type of education to be sought after due to the large school gap in
right age. The research is justified by the need for the education system to be
strengthening and supporting these schools that work with this modality, as its target
audience is usually students who work during the day, and/or who did not have the
difficulty of completing regular education. , and who are now seeking training that is
more compatible with their level of education and routine. The research method of
the work was a bibliographic study (document analysis), by some authors who
highlight the difficulties of education in rural Brazil, especially in the EJA modality,
when many cannot complete their studies in view of so many identifiable difficulties in
these areas, and that will be shown throughout the search.

Keywords: EJA. Teaching. Challenges. Schools. Countryside.


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO........................................................................................................06

1.1 PROBLEMATIZAÇÃO.................................................................................. 07

1.2 JUSTIFICATIVA 07

1.3 OBJETIVOS 08

1.3.1 Objetivo Geral 08

1.3.2 Objetivos Específicos 08

1.4 HIPÓTESE....................................................................................................08

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 09

2.1. A educação de jovens e adultos. 09

2.2. A educação de adultos analfabetos no Brasil. 11

2.3. Os desafios para a alfabetização de jovens e adultos na zona rural no


Brasil. 15

2.4. A importância da EJA. 19

3. METODOLOGIA. 21

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS ...............................................................22

CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 27

REFERÊNCIAS..........................................................................................................28

ANEXOS ...................................................................................................................30
1. INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, o Brasil vem implementando novas propostas


educacionais com o objetivo de alfabetizar a população a qualquer custo,
considerando o grande número de analfabetos. Uma dessas alternativas será
abordada nesse trabalho, com ênfase nos grandes desafios de alcançar os objetivos
relacionados à alfabetização em especial no interior no país.
A temática desse trabalho apresenta os principais desafios da Educação de
Jovens e Adultos quando ofertado nas escolas públicas da zona rural do Brasil,
considerando que o público alvo dessas localidades são alunos que não
conseguiram concluir o ensino regular na idade certa, e diante dessa modalidade
considerada compatível a sua realidade cotidiana ainda existem muitas barreiras
para alcançarem a alfabetização básica.
Considerando que estamos falando do processo de alfabetização de jovens
e adultos em áreas inóspitas, a pesquisa tem por objetivos fazer alguns
apontamentos sobre as dificuldades enfrentadas pelas escolas da zona rural que
ofertam a Educação de Jovens e Adultos com o propósito de alfabetizar indivíduos
que buscam se preparar para o competitivo mercado de trabalho, e também, a
formação escolar.
A justificativa para a abordagem desse tema fundamenta-se na importância
de conhecermos a realidade das escolas do interior do Brasil que trabalham com a
alfabetização, no caso aqui mostrado, a Educação e Jovens e Adultos (EJA).
Importante mencionar que essa modalidade de ensino, é marcada pela diversidade:
de perfis dos alunos, de idades, de histórias de vida, dificuldades do cotidiano, etc..
Trata-se, portanto, de uma pesquisa de cunho bibliográfico (análise
documental) onde os autores e demais referenciais teóricos, apontam dentre outros
fatores, a formação acadêmica dos professores para o trabalho com essa
modalidade na zona rural, segundo eles, praticamente inexistente, considerando que
os cursos de Pedagogia nem sempre trabalham com disciplinas que contemplam o
ensino aprendizagem de alunos jovens e adultos. Assim, esse trabalho terá como
base teórica o autor Paulo Freire, um dos precursores da modalidade EJA no Brasil,
dentre outros autores.

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1.1 PROBLEMATIZAÇÃO

Quais os principais desafios da alfabetização de jovens e adultos nas


escolas da zona rural do Brasil?

1.2 JUSTIFICATIVA

Diante de tantas dificuldades nos dias atuais, os jovens e adultos buscam


uma instituição de ensino para poderem aprender de novo ou aprender coisas que
não sabem na intenção de mudar de emprego ou para os sonhos "simples" de
aprender a ler e escrever, para ajudar os filhos a aprender a sua lição de casa.
No Brasil, o analfabetismo cresce cada vez mais, os aspectos que tornam
esses indicadores de alarme são: a necessidade de trabalhar para contribuir com a
renda familiar, dificuldades enfrentadas na família, impedindo-os de estudar,
violência doméstica ou até falta de interesse em estudos (muitas vezes o caso de
jovens que se envolvem cedo na marginalidade em busca de condições financeiras
rápidas). Pessoas que têm interesse em estudar, mas encontram dificuldade em
deslocamento, falta de incentivo e etc.
Essas pessoas são caracterizadas como camponesas, ou seja, aquelas que
vivem e trabalham em áreas rurais e percebem rendimentos mais baixos para o seu
trabalho. Para esses sujeitos, quando há uma escola na área em que moram, é
oferecida uma educação da mesma modalidade oferecida às populações que
moram e trabalham em áreas urbanas, e não há, segundo esses autores, tentativa
de adaptação da escola rural às características das camponesas ou seus filhos.
Esse tipo de escola (rural) foi projetado para fornecer conhecimentos
básicos de leitura, escrita e operações matemáticas simples, incluindo escola rural
com vários graus em uma classe não cumpre esta função, explicado pelos altos
índices de analfabetismo e os baixos níveis de escolaridade nas áreas rurais.

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1.3 OBJETIVOS

1.3.1 Objetivo Geral

Pesquisar sobre a realidade da educação no campo na modalidade EJA no


município de Plácido de Castro, com ênfase nos grandes desafios dessa modalidade
de ensino para que tenha mais respaldo e visão.

1.3.2 Objetivos Específicos

 Conhecer os principais desafios e dificuldades na modalidade EJA em


promover um ensino de qualidade aos alunos;
 Analisar os métodos utilizados pelos professores que atuam na EJA para
superar as barreiras e as dificuldades encontradas.
 Levantar alguns questionamentos em relação aos pontos positivos e
negativos da Educação de Jovens e Adultos nas escolas da zona rural.

1.4 HIPÓTESE

O campo possui uma realidade social diferente da que existe na cidade,


sendo assim, os conteúdos aplicados na escola do campo precisam ser condizentes
com essa realidade, tendo uma relação direta com o cotidiano daquela região. Isso
representa um desafio para o docente, uma vez que se exige consciência do seu
papel de mediador na sociedade, mostrando a importância do homem do campo e
sua contribuição para a transformação da realidade social.
Nesse aspecto, indo ao encontro de nosso problema de pesquisa, temos por
objetivo conhecer os desafios e possibilidades das práticas docentes da Educação
de Jovens de Adultos (EJA) em uma Escola do Campo no munícipio de Plácido de
Castro situado no interior do Acre. Para tal, buscamos realizar estudos bibliográficos
sobre a Educação do Campo, bem como, conhecer as práticas docentes de uma
escola de Educação do campo e identificar os principais desafios e possibilidades da
prática docente campesina na referida modalidade de Ensino.

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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. A educação de jovens e adultos.

O momento em que se vive, em relação ao trabalho educativo com Jovens e


Adultos, está passando por um intenso processo de avaliação e reavaliação. Muito
se avançou. Muito se tem questionado sobre nossas práticas educativas, avaliativas,
pedagógicas, didáticas. Enfim, nossas diretrizes curriculares, formativas, iniciais e
continuadas de professores (as), estão em discussão.
A Educação de Jovens e Adultos, por ter em sua origem a ideia generosa de
que se aprende por toda a vida e de que a alfabetização é um passo fundamental na
construção da autonomia de homens e mulheres no mundo, tem o compromisso de
estar permanentemente atenta às mudanças que acontecem na sociedade. Na
opinião de Alencar (2004. p 11) a EJA ganha força e pertinência como educação
continuada, entre outras questões, em função de ser um processo que se constitui a
partir do entendimento de que,

Os processos de intervenção pedagógica realizados com sujeitos jovens e


adultos, de qualquer nível de escolaridade, originados para fins diversos,
partem da concepção de que a aprendizagem é a base de estar no mundo
de sujeitos, que por esses processos educativos respondam melhor às
exigências de: produzir a existência (pelo trabalho); produzir suas
identidades (de gênero, de classe, de categoria profissional, etária, etc.
tanto individuais quanto coletivas); exercer a democracia, constituindo
práticas cotidianas de participação e de resistência como formas de viver a
cidadania; participar das redes culturais e sociais que envolvem o código
escrito e que definem, em suas sociedades grafocêntricas, o ser cidadão e o
exercer a cidadania.

No Brasil e em outras áreas da América Latina, a Educação de Adultos viveu


um processo de amadurecimento que veio transformando a compreensão que dela
tínhamos poucos anos atrás. A Educação de Jovens e Adultos é melhor percebida
quando a situamos hoje como Educação Popular. Muitas vezes define-se a
Educação de Adultos por aquilo que ela não é. “Por isso falamos em educação
assistemática, não-formal e extraescolar” (BRASIL, 2000).
A educação não formal, assim entendida, seria menos do que a educação
formal, posto que a primeira seja concebida como “complementar de”, “supletiva de”,
que não tem valor em si mesma. Os termos educação de adultos, educação popular,
educação não-formal e educação comunitária são usados muitas vezes como
9
sinônimos, mas não são. Os termos educação de adultos e educação não-formal
referem-se à mesma área disciplinar, teórica e prática da educação. No entanto, o
termo educação de adultos tem sido popularizada especialmente por organizações
internacionais como s UNESCO, para referir-se a uma área especializada.
Carvalho (2010, p. 22) classifica a EJA em três fases importantes,

1ª afirma que a educação de classe, é entendida como os processos não-


formais de reprodução dos diferentes modos de saber das classes
populares, a educação popular;
2ª como processo sistemático de participação na formação, fortalecimento e
instrumentalização das práticas e dos movimentos populares, com o
objetivo de apoiar a passagem do saber popular ao saber orgânico, ou seja,
do saber da comunidade ao saber de classe na comunidade; e
3º a educação do sistema (oficial), isto é, são programas de capacitação de
pessoas e grupos populares, sob o controle externo, visando produzir a
passagem dos modos populares de saber tradicional para modelos de saber
modernizado, segundo os valores dos pólos dominantes da sociedade.

Para a autora, “a educação do sistema conduz à reprodução do poder


dominante”. Contudo, depois das análises, a teoria que considerava o Estado como
um comitê de direção da burguesia tem sido contestada. O Estado é contraditório: é
força e consenso. Lamentavelmente, a função educativa do Estado tem sido
entendida, quase exclusivamente, como escolarização, deixando de lado as
possibilidades da educação diferenciada, especialmente na educação básica (que
inclui a alfabetização) de jovens e adultos.
Nas palavras de Fávero e Rivero (2009, p. 16), no trabalho educativo com
jovens e adultos há que se levar em consideração as questões históricas, políticas,
econômicas.
Enfim, culturais. Ou faz-se essa escuta ou teremos muitas dificuldades em
reconhecer que o envolvimento dos (as) educandos (as) – tantos jovens
como adultos – se dará com mais facilidade se o processo de alfabetização a
partir de situações familiares dos mesmos (as). Algo na perspectiva freireana
onde tem-se que “as crianças e adultos se envolvem em processos
educativos de alfabetização com palavras pertencentes à sua experiência
existencial, palavras grávidas de mundo. Palavras e temas”.

A Educação de Jovens e Adultos contempla com mais facilidade não só o


processo de aquisição da leitura e da escrita como age como facilitadora “da
compreensão científica que grupos e movimentos podem e devem ter acerca de
suas experiências” (FREIRE, 2014, p. 29). Como se vê, os saberes da experiência
são pontos importantes de partida para a construção do conhecimento em diferentes
situações.
Um exemplo “é o fato destes saberes ligados à vida vivida serem tomados
tanto na formação profissional docente” (VENTURA, 2000) “quanto no caso visto
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acima, da inclusão de jovens e adultos no mundo mágico das letras” (FREIRE,
2014). Pensar a Educação de Jovens e Adultos sem levar em conta os processos de
silenciamento pelo qual passaram boa parte daqueles e daquelas que hoje, já em
idade avançada, tentam retornar à escola é um grande equívoco.

2.2 A educação de adultos analfabetos no Brasil.

Muitas vezes não se consegue definir e conceituar adequadamente a


Educação de Jovens e Adultos - EJA, por isso, é essencial um maior
aprofundamento sobre essa modalidade de ensino. Para tanto, faz-se necessário,
uma retrospectiva acerca das ações dirigidas à educação popular no Brasil, buscar
evidenciar as intenções e interesses políticos é ideológicos, econômicos e sociais,
subjacentes a essas ações, analisar o espaço e o contexto que determinaram
historicamente o processo do pensar e fazer a educação de jovens e adultos, no
País (SOUZA, 2007).
É lamentável saber que no Brasil, nem todas as crianças e jovens, apesar de
acreditarem na educação para a provável solução de alguns dos seus problemas
sociais e 36 financeiros, não chegam nem ao menos ingressar na escola, e aqueles
que conseguem, por inúmeras razões, muitas ainda ocultas, não chegam a atingir o
grau exigido pelo sistema educacional, contribuindo com isso para o aumento do
índice de evasão. “O minguado percentual estatístico da população brasileira que
tem acesso à escola, torna-se menor ainda quando nos colocamos diante de dados
de evasão e repetência escolar” (PEREIRA, 2007, p. 61).
Sobre essa realidade, o autor reforça ainda que:

Os dados educacionais nacionais revelam que entre 1.000 (mil) crianças


que ingressam anualmente na primeira série do primeiro grau, 560 não são,
ao final do ano aprovados para a segunda série. Ou evadiram ou foram
reprovados na escolaridade, isso quer dizer que 50% da população escolar,
que anualmente ingressam na primeira série do primeiro grau, não chegam
ao patamar da série seguinte. Dessas mil crianças, somente 180 chegam ao
final do primeiro grau e, aproximadamente, sete ingressam na Universidade
(2007, p. 63).

Com o surgimento das classes noturnas, as referências à educação como


forte aliada do sucesso profissional tomaram força e credibilidade principalmente por
parte daqueles que pelo trabalho ou pela idade são impossibilitados de frequentar os
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cursos diurnos (SOUZA, 2006). Junto ao surgimento das classes noturnas agrava-se
o problema ou cria-se outro, que é a grande carga horária para esses estudantes
trabalhadores de ideais semelhantes.

É sabido que as primeiras classes datam o tempo do Império e sabe-se


também que muitas reformas foram criadas desde então com o objetivo de
atrair a clientela, mas pouco foi feito para que aconteça a sua permanência
nela, portanto, não se pode afirmar que, falando nesse sentido, houve um
excepcional sucesso nessas reformas, visto que outro grande problema do
ensino noturno é a evasão muitas vezes ocasionada pelo cansaço, pois a
maioria da clientela está concentrada em jovens trabalhadores que após
uma grande jornada de trabalho, se depara com o esgotamento de um dia
desgastante, impossibilitando a sua ida à escola e dificultando a sua
permanência nela (SOUZA, 2006, p. 18).

Ao analisar essa situação, o aluno matriculado no período noturno, na sua


grande maioria já está engajado num trabalho assalariado durante todo o dia, quase
sempre em turno de oito horas. O estudo à noite pode representar um
prolongamento da jornada de trabalho, por mais quatro a cinco horas, tanto para o
aluno, como muitas vezes para o professor.
Soares (2010, p. 26) indica possíveis caminhos ou mecanismos de solução,
assume um papel de difícil realização, visto que o problema ou os problemas se
estendem ao longo do tempo, e uma eventual mudança não pode ser feita em curto
prazo, mas se sabe que os problemas existem e que somente a partir dessa certeza
é possível iniciar a busca para a mudança. Para o autor, “considerar como normais
determinados aspectos só irão agravar a situação, pois avaliar como natural é
desistir do desafio de superar os problemas que agravam a cada dia a situação
social a que estamos inseridos”.

[...] Ao contrário do que muitos imaginam esse problema não é um fato


novo, visto que a própria Educação de Jovens e Adultos também não pode
ser considerado como um novo acontecimento ou uma evolução da
educação nos tempos modernos, pois o seu surgimento aconteceu
juntamente com a educação ministrada pelos jesuítas, onde na época o
adulto era alvo indireto através das crianças (MAMED, 2004, p. 16).

É interessante ressaltar que a educação muda de época para época e de


lugar para lugar. Portanto, a necessidade da alfabetização, na época, não se
limitava em tão somente instruir ou educar, mas também, como maneira
fundamental de incutir o idioma português, partindo daí para a cristianização e
aculturação daqueles que aqui habitavam.

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De acordo com Mamed (2004) “problematizar a educação é perceber a
incoerência de alguns aspectos ainda vistos como verdades absolutas”. Dentre eles
é se acreditar na capacidade e responsabilidade da escola como único agente
esclarecedor de dúvidas, dificuldades e caminhos para realizações, pois se sabe
que a escolarização jamais pode ser considerada como caminho único, mas sim,
como parceiro e instrumento de uma sociedade que procura alcançar o mais alto
grau de realização desejado por um indivíduo.
Sobre isso Klein (2003, p. 61) cita que:
[...] não será certamente a escolarização sozinha que possibilitará aos
cidadãos esses níveis de clareza e entendimento. Porém, ela é um
instrumento necessário para se chegar a esse patamar de compreensão e
ação”. É preciso um olhar mais crítico e audacioso sobre esta questão, pois
acredita-se que ver a escola como única instituição capaz de transmitir
conhecimento e reproduzir trabalhadores, pode também ser considerado
como um forte agravante para o seu fracasso, visto que o insucesso de
alguns após anos de estudos vem a cada dia refletindo negativamente na
procura pela escola e na credibilidade da mesma, o que contribui ainda mais
com a divisão social e intelectual.

Carvalho (2000, p. 45), complementa afirmando que, “a escola é quase


exclusivamente um aparelho de distribuição de indivíduos em categorias sociais pré-
determinadas. Favorece os já favorecidos, excluem, repele e desvaloriza os já
desfavorecidos”. Percebe-se então que a realidade da escola se contradiz a tudo o
que ela prega, deixando perceber a distância existente entre o que ela deveria ser e
o que ela na verdade é.
É bem positiva no seu pensamento quando afirma que: A realidade da
escola desmente suas promessas de acesso igual para todos. As estatísticas sobre
os resultados escolares contradizem a esperança de que a escola possa servir de
escada para que todos consigam melhorar de vida. Todo mundo espera que a
escola cumpra o seu papel que é o de fornecer instrução, qualificação e diploma a
todos (LEAL, 2005).
Na verdade, a escola produz muito mais fracasso do que sucessos, trata uns
melhor do que outros e convencem os que fracassam de que fracassam porque são
inferiores. Para Giubilei (2005) ela só educa e instrui uma minoria. A grande maioria
é excluída e marginalizada. Nesse sentido, o capitalismo impera e contribui para que
a escola continue reproduzindo a sociedade tal como está organizada, desmentindo
os discursos de muitas autoridades competentes de que a escola é e continuará

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sendo o ponto de partida para se alcançar o sucesso sócio-econômico-cultural dos
indivíduos que por ela passa.
Seguindo essa linha, Gadotti (2011, p. 20), ressalta que, “os jovens e adultos
idealizam sonhos e vão em busca de realizá-los a partir de sua formação e
qualificação, acreditando veemente na sua realização profissional, social e
financeira”.
No entanto, muitas vezes são frustrados em seus objetivos. Precisamos
destacar que por outro lado, a escola não apenas reproduz a ideologia
dominante; pois o reconhecimento da mesma como formadora de cidadãos
críticos, responsáveis e capazes de progredir a partir do seu conhecimento
e da sua capacidade de desenvolver competências e habilidades é real e
notório e jamais deve ser visto como uma inverdade (GADOTTI, 2011, p.
20).

Com base em conceitos de professores, o educando que pertencente à EJA


na contemporaneidade geralmente é aquele que trabalha oito horas por dia e
considera a escola como uma extensão desta carga horária, e nela constrói muitas
vezes seu ambiente de convivência social. Ou seja, é aquele sujeito que no
ambiente escolar faz amizades e estrutura sua vida emocional através do
estabelecimento de romances e até mesmos laços de família (FREIRE, 2014).
Para muitos essa modalidade de ensino bem como a escola em geral é o
local que representa o único meio de mudança do seu padrão de vida. Pode-se dizer
que essa clientela configura-se como um grupo cultural bastante heterogêneo,
dentro da própria diversidade cultural que estes se encontram.

Esta heterogeneidade está explicita nos cursos noturnos, quando


encontramos também uma grande parcela de adolescentes, que deveriam
estar em classes regulares de ensino, porém motivados pela curta duração
do curso, ou pela necessidade de inserção no mercado de trabalho, juntam-
se com pessoas de mais idade, que têm outras aspirações e ideais de vida
completamente diferentes. o aluno da EJA “não é o estudante universitário,
o profissional qualificado que frequenta cursos de formação continuada ou
de especialização (CARVALHO, 2010, p.01).

Na maioria das vezes, integra o ensino noturno por necessidade de


trabalhar, retirando algumas horas do trabalho, do descanso ou do sono, para
frequentar a sala de aula; por ter sido reprovado várias vezes no curso regular, ou
ainda, devido a sua desistência dos estudos em anos anteriores.

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2.3. Os desafios para a alfabetização de jovens e adultos na zona rural no
Brasil.

Desde a formação do estado brasileiro, um dos maiores desafios tem


sido alfabetizar a população na idade certa, visando colocar o país em nível de
igualdade com as demais nações em termos de desenvolvimento econômico, social
e cultural. No entanto, as muitas desigualdades e falta de investimentos em muitas
áreas (incluindo a educação) impede que muitos brasileiros consigam terminar os
estudos, contribuindo para o auto índice de analfabetos existentes.
Para Fernandes (2005, p. 11), alfabetizar não é uma missão fácil. No Brasil,
esse desafio é ainda maior, considerando os muitos fatores (políticos, regionais,
culturais, sociais, econômicos, e educacionais). Em se tratando de indivíduos que já
passaram da idade padrão de alfabetização (geralmente na infância), houve no país,
a necessidade de implementar uma modalidade que atende-se esses indivíduos
compatível com sua realidade social e cotidiana, segundo a ideia do autor Paulo
Freire.
Diante deste triste quadro educacional, Carvalho (2010, p. 9), vem mostrar
que a Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino criada e
voltada para alunos que não tiveram, por algum motivo, acesso ao ensino regular na
idade apropriada, ou seja, proporciona uma chance, ou mesmo uma opção aqueles
que não podem frequentar a escola regular.
No entanto, a autora aponta que, mesmo que essa modalidade possa
oferecer algumas vantagens, ela passa por grandes desafios de sucesso no Brasil,
principalmente quando falamos de das regiões mais carentes do país, onde as
escolas possuem pouca ou nenhuma estrutura para trabalhar com uma
alfabetização de qualidade.

A proposta de alfabetização da modalidade EJA como forma de ajudar


milhões de brasileiros que não possuía a escolaridade básica, foi uma ideia
do educador Paulo Freire na década de 60. O projeto de alfabetização que
ele implementou nessa época atendeu 380 trabalhadores em Angico-RN,
repercutindo por todo o país, mas sendo sufocado pelo golpe militar de
1964. A proposta era eliminar o analfabetismo entre a população adulta
economicamente ativa, diminuindo também o desemprego (FÁVERO e
RIVERO, p. 19).

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No entanto, essa modalidade de alfabetização e formação também
apresenta seus contratempos, dificuldades e desafios a serem superados na
atualidade. Estes fatores referem-se principalmente à região, as condições
estruturais da escola, a formação acadêmica dos professores, aos conteúdos
trabalhados e a realidade social dos alunos (FERNANDES, 2005). Com isso, a
alfabetização dos jovens e adultos é vista com certo “desprezo”, se comparada às
demais modalidades de ensino.
As dificuldades da alfabetização em localidades precárias de recursos não é
um problema apenas na modalidade EJA. As escolas da zona rural brasileira em
geral são pouco assistidas pelo poder governo, e o ensino se torna muito escasso,
precário e atrasado em relação aos grandes centros urbanos do país. Sobre os
fundamentos da alfabetização, o autor Freire (2014, p. 67), cita que,

“Compreendemos então que o ato de alfabetizar vai muito além do ensinar


a ler e escrever, do codificar e decodificar. A alfabetização perpassa a
perspectiva do conhecimento físico para o conhecimento intelectual, quero
dizer, que vai além do indivíduo ler, escrever. O ato de alfabetizar considera
todo o aprendizado adquirido pelo educando indo além das paredes da sala
de aula, em busca de um status quo  capaz de torná-lo liberto de um sistema
educativo falho que não enxerga a sua riqueza intelectual”.

Em outras palavras, a alfabetização de Jovens e Adultos na visão do autor,


não pode resumir-se somente em ensinar o aluno a ler e escrever, mas que
consigam despertar o senso crítico para as questões para além da sala de aula. De
fato o autor defende que estar alfabetizado não é apenas dominar a gramática
normativa ou as operações matemáticas, desenvolver nossas outras capacidades,
principalmente intelectual para os problemas da sociedade.
Contudo, Ventura (2002, p. 11) comenta que, para que a alfabetização
realmente aconteça de forma objetiva e satisfatória, a escola deve estar preparada e
adaptada à realidade do aluno e não unicamente aos interesses governamentais e
capitalistas. Nesse aspecto, sabemos da realidade de grande parte das instituições
públicas do interior do país, as quais não possuem a menor condição de
proporcionar uma alfabetização de qualidade.
Para Mamed (2004), os alunos da EJA, são aqueles que não tiveram a
possibilidade de concluir os seus estudos no seu tempo regular. Ele vem agora
buscar sua inserção nesta sociedade, que na maioria das vezes é entendida como
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falsa educação, onde o mercado capitalista busca cada vez mais pessoas letradas e
preparadas para a mecanização do campo. “Com isso, esses educandos agora
buscam uma nova chance de conclusão dos estudos, que um dia receberam uma
educação bancária, que não respeitava uma transferência mútua de conhecimentos,
fazendo que conteúdos fossem depositados em cada um” (FREIRE, 2014).
De acordo com o art. 37 da LDB (Lei N° 9394/1996) “a educação de jovens e
adultos deverá articular-se, preferencialmente, com a educação profissional, na
forma do regulamento”. Dessa forma, e se realmente acontecesse o que está
previsto em lei, teríamos muito mais jovens dentro das escolas. O jovem quer
trabalhar, mas faltam qualificação e oportunidades, principalmente a de concluir a
Educação Básica e ter parcial domínio das novas tecnologias.
No entanto, essa realidade está longe de acontecer, segundo o que mostra o
autor Pereira (2007, p. 11). Para o autor,

São muitas as demandas educacionais das escolas públicas do interior do


país em ofertar uma educação de qualidade. Com isso, muitos alunos
enxergam a modalidade EJA, como uma forma “mais fácil” e “rápida” de
concluir a educação básica (Ensino Fundamental e Médio), ainda que
aprendam só o ato de ler e escrever. A falta de estrutura, de recursos
didáticos, de profissionais qualificados, de uma metodologia voltada para a
realidade social dos educandos, além da falta de credibilidade por parte da
sociedade em relação a esta modalidade de ensino no interior tem colocado
a EJA numa situação de extrema inferioridade e desprezo para com os
alunos alfabetizando.

A citação reforça as palavras da autora Magda Soares, (2010), onde a


mesma afirma que a Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino
que, historicamente, sempre foi vista como uma prática fragmentada no Brasil. Esse
fato (dentre outros) deve-se a falta de formação específica dos docentes que atuam
nas escolas da zona rural brasileira e seus docentes, ficando a cargo do próprio
educador a busca por sua formação. Assim, qualquer professor com formação para
atuar no Ensino Fundamental e Médio atuam na EJA, mesmo os que não cursaram
disciplinas especificas para a EJA na sua graduação ou discutiram internamente no
âmbito de outras disciplinas sua especificidade (SOARES, 2010).
Tendo em vista toda essa problemática relacionada à escola da zona
rural brasileira em trabalhar com a alfabetização na modalidade EJA, uma das
alternativas encontradas e muito utilizadas é a organização das salas em uma só,
chamada de classe multisseriadas, considerada por muitos um grande problema
17
para a alfabetização, tendo em vista a dificuldade de trabalho pedagógico com
várias séries simultaneamente e pela possibilidade destas condições acarretarem
aprendizagens insuficientes. Como afirma a autora Leal (2005), como as classes
multisseriadas são típicas do meio rural brasileiro, acredita-se que a educação do
campo esteja sempre colocada em segundo plano, restringindo-se ao ensino das
primeiras letras.
Apesar de tudo, e mesmo com tantas carências, as salas multisseriadas são
consideradas um meio de manter os alunos das áreas rurais na escola,
considerando que as instituições de ensino do interior nem sempre dispõe de
espaço físico suficiente para que haja essa divisão por serie, nível, idade e outros
(GIUBILEI, 2005). Isso significa que, na EJA, muitos alunos já trazem muitos
conhecimentos de mundo, ainda que não saibam transcrever (leitura e escrita).

Na EJA, este conceito deve ser reforçado, pois o jovem e o adulto que
procuram esta modalidade de ensino já trazem consigo experiências de vida
e conhecimentos informais acumulados historicamente. Esta bagagem
cultural deve serem aproveitada pelo professor, uma vez que e necessário
fazer uma ponte entre o interesse de seus educandos e suas experiências
com o conhecimento cientifico, formal, para que haja uma educação que
esteja a serviço desse perfil de aluno (CADERNO SECAD 2, 2007, p. 16).

O problema maior fundamenta-se na visão pejorativa de como a sociedade


capitalista enxerga a Educação de Jovens e Adultos. “As escolas do interior são
colocadas no esquecimento justamente por não prepararem profissionais para o
mercado de trabalho” (ALENCAR, 2013). O mesmo autor afirma ainda que, se as
escolas da zona rural do Brasil já oferecem as mínimas condições de ensino, esse
problema se agrava ainda mais para a alfabetização de jovens e adultos na EJA.
Para Carvalho (2010), é importante enfatizar que, os alunos que procuram a
EJA para retomar seus estudos são pessoas de classe trabalhadora, vivendo grande
parte delas de subemprego ou desempregados, e não estão ali de mero favor ou
simplesmente como passa tempo. Além do objetivo de aprender a ler escrever,
visam também melhores possibilidades de emprego, sendo a EJA uma oportunidade
para isso.
No entanto, as dificuldades de alfabetização na zona rural, se expandem
para além dos problemas da escola. Como mostra Fernandes e Molina (2005), este
público é marcado por uma história de entradas e saídas de cursos anteriores, por

18
motivos que variam desde os de ordem pessoal, como cansaço apos a jornada de
trabalho, desestimulo, alimentação deficiente, ate os que dizem respeito ao sistema
educacional, como metodologias e recursos pedagógicos inadequados.

2.4. A importância da EJA

A EJA tem uma importância muito grande na vida dos jovens e adultos, pois
aqueles que não tiveram a oportunidade de terminar seus estudos quando mais
novos, agora os mesmos tem a chance de voltar aos bancos da escola. Mesmo
sabendo que encontrarão desafios e dificuldades com o passar dos anos.
Nos dias de hoje é possível perceber a fragilidade da clientela dessa
modalidade de ensino quando se trata de discutir “os porquês e o para quê”, ou seja,
o verdadeiro objetivo de buscar ou se manter na escola. A preocupação criada por
essa realidade social que decorre em nossos dias é uma problemática pouco
discutida e, por muitos, não considerada como um problema, o que infelizmente só
vem agravar a situação (VENTURA, 2000).
Se nos basearmos na questão da busca pelo trabalho ainda na infância e,
consequentemente o abandono da escola, ou nem mesmo a procura por ela, é fácil
perceber que o problema é mais amplo e complexo do que se imagina. “O trabalho
precoce desses alunos decorre da necessidade de sobrevivência dos familiares das
classes trabalhadoras no momento social que atravessamos” (CARVALHO, 2000, p.
12).
Santos (2003, p. 29) pesquisou sobre a Educação de Jovens e Adultos e
constatou entre outras questões que,

[...] a passagem dos jovens e adultos por essa modalidade de ensino foi e é
um fator importante no processo de conquista e ampliação dos espaços de
participação social e política dos alunos da EJA. Muitas vezes, mesmo o
cotidiano doméstico e familiar passava incólume pelas transformações
desencadeadas pela decisão de voltar a estudar, pois quando esses jovens
e adultos resolvem voltar para a sala de aula, mesmo com tantas
dificuldades é porque realmente pretendem terminar seus estudos.

Sabe-se que o jovem e o adulto quando voltam para a sala de aula, são
cientes que dificuldades enfrentarão e, esse conjunto de dificuldade, decorrentes,

19
em boa parte, da especificidade do trabalho, está colocando para a escola uma
tarefa da maior envergadura. Tal cenário está a exigir de nós, educadores (as) e
gestores (as) dos sistemas de ensino, um permanente e radical repensar de nossas
representações e conceitos sobre educação, bem como de uma profunda mudança
em certas atitudes e práticas pedagógicas. Este cenário que hoje vivemos na escola
em geral, e na escola de jovens e adultos em particular, está a demonstrar, a
denunciar, a falência de um certo modelo de ensino e de escola (SOUZA, 2007).

Sabemos que a modalidade EJA – Educação de Jovens e Adultos é


destinada aos alunos que não tiveram, em idade específica, acesso ao
ensino fundamental e médio ou continuidade de estudos nesses níveis de
ensino. A LDB n. 9.394/96 estimula o acesso e a permanência do
trabalhador aos bancos da escola. Em seu texto é citado que os sistemas
de ensino são responsáveis para garantia da gratuidade de ensino nessa
modalidade, embora, diferentemente dos documentos originais dessa lei,
que definia como isso ocorreria (BRASIL, 2000, p.55).

Não há melhor detalhamento na versão final do documento, ficando pouco


definido quais ações devem ser desenvolvidas, com vistas a garantir o ingresso e
permanência de jovens e adultos na escola. Ser um adulto não escolarizado
evidencia necessidades muitas vezes diferentes ao de uma criança, uma vez que o
adulto normalmente é agente trabalhador e já foi membro de inúmeras experiências
durante sua vida, o que distancia da realidade do aprendiz infantil.

Assim devemos, como educadores, estar buscando em cada experiência


trazida por este aluno, levantar aspectos matemáticos que propiciem a construção
de novos conhecimentos. Na escola onde foi realizado o estudo de campo no
município de Plácido de Castro, os alunos da EJA são aqueles que, a maioria são
trabalhadores, pais de família, que buscam a modalidade de ensino para trazer para
si e também para a sociedade, melhores conhecimentos quanto ao seu aprendizado,
mesmo sabendo que hoje, as dificuldades encontradas pelo caminho são várias,
mas, mesmo assim, procuram estudar para melhorar de vida e, pensar num futuro
promissor.
Seguindo essa linha, os jovens e adultos idealizam sonhos e vão em busca
de realizá-los a partir de sua formação e qualificação, acreditando veemente na sua
realização profissional, social e financeira. No entanto, muitas vezes são frustrados
em seus objetivos. Precisamos destacar que por outro lado, a escola não apenas

20
reproduz a ideologia dominante; pois o reconhecimento da mesma como formadora
de cidadãos críticos, responsáveis e capazes de progredir a partir do seu
conhecimento e da sua capacidade de desenvolver competências e habilidades é
real e notório e jamais deve ser visto como uma inverdade.

21
3. METODOLOGIA

A coleta dos dados foi realizada em uma pesquisa de campo onde foram
visitada 02 escolas da zona rural do município de Plácido de Castro onde é ofertada
a modalidade EJA (I e II seguimento) entre os dias 10 de Maio a 30 de Junho de
2021. Tais visitas foram feitas com o intuito de conhecer as características das
comunidades, dos alunos e dos docentes que fazem parte destas escolas. Na
construção desse estudo optou-se por uma pesquisa de natureza qualitativa por
entender que este tipo de pesquisa ocupa-se dos aspectos da realidade que não
podem ser quantificados, centrando-se na compreensão e explicação da dinâmica
das relações sociais (CÓRDOVA, p.32, 2009).
Foi desenvolvido um roteiro de entrevistas, as perguntas foram elaboradas
de forma semiestruturadas, este tipo de pergunta “combinam perguntas fechadas e
abertas, em que o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em
questão sem se prender a indagação formulada”. (MINAYO, 2012, p. 64). De acordo
com isto, as questões iam sendo colocadas aos profissionais de forma livre, à
medida que as indagações estavam sendo feitas outras perguntadas poderiam ir
sendo colocadas obedecendo o tema proposto.
No total foram entrevistados 02 profissionais (professores) e foram visitadas
02 escolas da zona rural do município. Os questionamentos realizados aos
educadores estão relacionados à sua formação profissional e expectativas de
formação continuada. As respostas estão dispostas no texto através de tabelas onde
são colocadas em evidência: formação inicial, tempo de atuação na Educação e
tempo de atuação na EJA, dificuldades em atuar na EJA, expectativas para o curso
de formação de professores.

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4. ANÁLISE E DISCURSÃO DOS DADOS.

Ao expormos as discussões sobre os dados levantados da temática em


questão, e, sendo a educação no campo uma modalidade de ensino direcionada aos
estudantes dos espaços denominados rurais, seja floresta, agropecuária, das minas
e da agricultura, pesqueiros, a populações ribeirinhas, caiçaras e extrativistas, a
EJA, é uma dessas modalidades que veio para somar junto aos outros programas
de alfabetização visando ofertar educação aqueles que não tiveram acesso na idade
certa.
Com relação à estrutura física a maioria das salas de aula são
climatizadas, possuem ar condicionado; as mesas e cadeiras estão em ótimo estado
de conservação, a escola conta com um ambiente acolhedor e asseado. As salas
são 8 decoradas com cartazes confeccionados pelas próprias crianças com o auxílio
dos professores, além disso, os educadores produzem alguns dos materiais
didáticos utilizados em sala de aula. A escola tem um pavimento e possui uma boa
estrutura física.
Conta com seis salas de aulas, uma secretaria, uma sala para os
docentes, uma cozinha, três banheiros, uma sala de assessoramento pedagógico,
uma sala para a coordenação, um parque com brinquedos, um pátio interno e uma
quadra em construção. Utilizamos também a entrevista que se refere a um método
de coleta de dados em que a interação ocorre por meio de uma conversação face a
face que possibilita ao entrevistador a obtenção de informação necessária para a
pesquisa. Tem como finalidade a obtenção de informações sobre determinado
assunto.
A entrevista transcorreu de forma espontânea e todos se prontificam a
colaborar. Chegamos à instituição de ensino e fomos encaminhadas para a sala da
diretora onde se encontravam a diretora e dois pedagogos nos aguardando.
Tivemos uma conversa bem espontânea e logo após iniciamos a entrevista com os
três profissionais.
Através desta pesquisa, pode-se afirmar que, o Brasil tem um grande
desafio para organizar seu sistema educacional para que os alunos possam ter uma
escola de qualidade, independentemente da região do país. Como evidencia
Carvalho (2010), na modalidade EJA esse desafio é ainda maior, considerando o

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fato de que estamos abordando uma situação geográfica que muito contribui para os
dados negativos da educação no país.
Os desafios da alfabetização e educação elementar dos jovens e adultos no
Brasil ainda são imensos. Dados da UNESCO (2008-2012) em 2006 mais de 65
milhões de jovens e adultos brasileiros tinham escolaridade inferior ao ensino
fundamental, e o país possuía, ainda, 14,3 milhões de analfabetos absolutos, a
maior parte dos quais pertencentes aos grupos com idades mais avançadas. A falta
de escolas, de transporte escolar, acessibilidade e dificuldades pessoais, são os
fatores que mais influenciaram para esses dados alarmantes (BRASIL, 2012).
Nesse caso, a maior parte dos desafios encontrados na alfabetização dos
Jovens e adultos nas escolas do interior do Brasil está relacionada à distância entre
a residência do local onde vivem e a escola. Assim, os aspectos geográficos
influenciam, pois as estradas são vicinais e em muitos períodos do ano encontram-
se esburacadas, muitos alunos andam quilômetros a pé para chegar até o ponto
onde chega o transporte escolar (IBGE, 2012).
Para Leal (2005, p. 12), os jovens e adultos pouco escolarizados trazem
consigo um sentimento de inferioridade, marcas de fracasso escolar, como resultado
de reprovações, do não aprender. Afirma também que, a não-aprendizagem, em
muitos casos, decorreu de um ato de violência, porque o aluno não atendeu às
expectativas da escola. Muitos foram excluídos da escola pela evasão.
O resultado disso reflete nos índices de analfabetismo entre jovens e adultos
no Brasil, bastante elevados. Segundo estudos do IBGE (2012), na área rural 69,8%
da população adulta são analfabetos, enquanto na zona urbana essa taxa é de
apenas 10,3%. É importante ressaltar que a taxa de analfabetismo aqui considerada
não inclui os analfabetos funcionais, ou seja, aquela população com menos que as
quatro séries do ensino fundamental.
Outros fatores são apontados por Alencar (2013), e incluem as
desigualdades socioeconômicas e territoriais, a falta de escolas equipadas, e a baixa
formação dos educadores. A estrutura das escolas na zona rural é algo penoso.
Dentre as piores escolas do interior do Brasil 43,6% estão nas regiões Norte e
Nordeste, justamente onde a Educação de Jovens e adultos tem um alto índice de
defasagem, reprovação, desistência e baixo nível de aprendizagem (BRASIL, 2012).

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Diante dos fatos, Fávero e Rivero (2009), também vem mostrar que as taxas
de analfabetismo continuam a ser bem mais elevadas nas zonas rurais do que nas
áreas urbanas, nas regiões Nordeste e Norte do que no centro-sul do país, e afetam
principalmente as populações mais pobres e os afrodescendentes. [...] A
alfabetização de jovens e adultos que estão retornando às salas de aula nessas
regiões tornam-se extremamente fragilizadas, pois muitos deles não querem apenas
aprender a ler e escrever [...].
Como vimos nas citações de Brasil (2012), a realidade estrutural das
instituições da zona rural do Brasil é um dos desafios para a que alfabetização de
jovens e adultos. A falta de investimentos e o descaso com a população do interior
colocam essas instituições entre as piores do país. Nesse mesmo cenário, estão
atuando o maior número de profissionais sem nível superior, ou seja, apenas com o
ensino médio (CADERNO SECAD 2, 2007). O documento mostra ainda que, nas
regiões Norte e Nordeste, 79% dos profissionais que trabalham com a modalidade
EJA tem apenas o Ensino Médio Completo, e 21% o Ensino Superior incompleto ou
cursando a distância.
Ao analisar a questão da alfabetização e do letramento na EJA, Fernandes
(2005) considera que, é preciso considerar o comportamento da escola no que se
refere às distinções sociais, no caso desta pesquisa, as escolas do interior. Para o
autor, a escola moderna trabalha com a língua escrita culta, e não valoriza a língua
oral espontânea ou popular. Este comportamento por parte da escola na visão de
Fernandes (2005, p. 20), torna-se um agravante para os alunos da EJA que vivem
em outra realidade diferente da sua, principalmente para alunos muitos deles
totalmente analfabetos, como ocorre nas escolas da zona rural no Brasil.
Nas palavras de Giubilei (2005, p. 19),

[...] atualmente a metodologia implementada para a EJA em 60%das


escolas na zona rural fundamentam-se basicamente no exercício de ensinar
a ler e escrever. Muitos jovens e adultos se encontram em estado de
carência econômica, sendo significativos os índices de desemprego,
alcoolismo entre eles, o que implica no aprendizado e concretização do
objetivo da alfabetização. Souza (2007) ressalta que, muitas vezes os
alunos vem para a escola com problemas, oprimido, baixa autoestima, por
vezes pela condição de excluído, de retardatário, que chega à escola
cansado, e diante de uma nova situação, sente-se oprimido e
desestimulados a acreditar que são capazes.

25
Como consequência, a educação de jovens e adultos vem se adaptando
lentamente e as dificuldades são inúmeras, seja pela carência de material de apoio,
pedagógico, seja pelas condições física e mental dos educandos, ainda pelo fato
econômico, social, e principalmente pela falta de estímulo por parte dos
administradores, da equipe pedagógica, e etc (GIUBILEI, 2005).
Apesar de tantos desafios, Pereira (2007) argumenta que, é importante para
o educador ao iniciar sua prática pedagógica, não se sinta diante de meros
expectadores, que querem aprender, mas de gente que sobrevivem em momentos e
situações de dificuldades, desânimos e acima de tudo, buscam melhoria e qualidade
de vida.
Por meio das referências bibliográficas analisadas para a composição desta
pesquisa, constatamos previamente que o processo de alfabetização na modalidade
EJA para as regiões do interior do Brasil limitam-se ao domínio de ler e de escrever,
e mesmo assim, as escolas não possuem condições de proporcionar uma
alfabetização satisfatória para boa parte dos alunos que ingressam.
Iniciamos nossa entrevista em forma de um diálogo sobre o recebimento de
material didático enviado pelo governo. A diretora relatou que recebe material
didático e ainda um benefício chamado PROAFE que se trata de um recurso por
aluno. No entanto, para que esse recurso de fato chegue às escolas é realizado um
levantamento no final do ano letivo para verificar a quantidade de alunos. A diretora
ainda explicou que o PROAFE e o PDDE tem um plano de ação, porém, a instituição
de ensino utiliza mais o recurso do PROAFE, que se trata de um recurso do
município de Serra.
Em relação ao material didático estar de acordo com a realidade campesina,
os profissionais relataram que geralmente o material recebido está condizente com a
realidade do aluno do campo. No entanto, no ano de 2017 foi enviado um projeto
específico denominado “Girassol” com duração de 3 anos e algumas turmas ainda
estão utilizando esse material. Além disso, existem outras obras enviadas pelo
Ministério da Educação (MEC) que não estão de acordo com a realidade da escola
do campo.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Através desta pesquisa, percebe-se que alfabetização direcionada ao alunado


das regiões rurais do Brasil ainda não ocorre de forma eficaz, sejam nas práticas
pedagógicas, na forma de transporte que é oferecido, ou nas diversas outras
dificuldades enfrentadas pelos alunos que residem no campo e estudam na cidade.
Essas dificuldades não favorecem ou incentivam o aluno a desenvolver maior
esforço no sentido de buscar alternativas que possam o inserir no ensino superior.
Importante lembrar que, independentemente da localidade onde esteja sendo
ofertada, a Educação de Jovens e Adultos visa atender prioritariamente, a classe
trabalhadora, e, portanto, a EJA não pode ser pensada de forma desarticulada do
mundo do trabalho. Assim, é preciso compreender que as escolas da EJA precisam
estar adaptadas oferecendo condições dignas de aprendizagem.
Sobre a alfabetização na EJA, os dados esclarecem que educar, é muito mais
que reunir pessoas numa sala de aula e transmitir-lhes um conteúdo pronto. O papel
do professor, especialmente do professor que atua na EJA, exige-lhe compreender
melhor o aluno e sua realidade diária, e acreditar nas possibilidades neste indivíduo
que está buscando seu crescimento pessoal e profissional. Deste modo, o professor
estará auxiliando de maneira mais efetiva o processo de reingresso dos alunos as
turmas de EJA.
Infelizmente o poder público ainda não deu à devida atenção as necessidades
educacionais a zona rural do Brasil, considerando os muitos que esperam por uma
escola ao menos com as mínimas condições. Em geral, essas instituições
apresentam características próprias em função da dispersão da população
residente. O problema encontrado nas escolas, lócus da pesquisa, foram os desafios
e as dificuldades que os alunos da EJA enfrentam para voltar a sala de aula e as
diferenças que encontram quando lá chegam, em busca de aprendizagem e ao
depararem-se com a realidade, estes discentes veem que cada vez mais as
dificuldades aumentam e, os conhecimentos prévios por eles acumulados e
construídos ao longo de suas vidas, muitas vezes não estão sendo levados em
conta nos planejamentos e nas avaliações.

27
REFERÊNCIAS

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KLEIN, Lígia Regina. Alfabetização de Jovens e Adultos: questões e propostas


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http://www.mec.gv.br> Acesso em 28 de Jul, 2021..

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Guanicuns. Rev. da FECHA/FEA - Goiás, 01: 159-170, nov. 2004.

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<http://www.uff.br/ejatrabalhadores> Acesso em 28 de Jul, 2021.

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ANEXO I

PERGUNTAS QUE NORTEARAM A REALIZAÇÃO DA ENTREVISTA COM OS


PROFESSORES DAS DUAS ESCOLAS DA ZONA RURAL DE PLÁCIDO DE
CASTRO

1. Recebem o material didático enviado pelo governo?

2. Em relação ao material didático é possível aplicar conteúdos condizentes a


realidade campesina?

3. Acontece algum tipo de preconceito com os personagens que estão envolvidos


com a educação do campo? Você já percebeu algo?

4. Qual a sua perspectiva enquanto educador no combate ao preconceito em


relação à população do campo?

5. Há participação das famílias camponesas nas escolas? Elas contribuem de que


maneira para a autoestima dos alunos?

6. Como é elaborado e trabalhado o currículo?

7. Existe algum transporte cedido ou mantido pela Prefeitura de Serra para garantir a
chegada das crianças na escola?

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