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OS ATALHOS DO PROCESSO CIVIL E O JULGAMENTO DE MÉRITO.

Carlos Augusto de Assis


Mestre e doutor em Direito Processual Civil pela Faculdade de Direito da USP
Professor de Direito Processual Civil da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie
Advogado em São Paulo

I – INTRODUÇÃO

Novidade alguma constitui falar, a essa altura, em tensão segurança X celeridade. O


processo civil atual está dominado por esse dilema. Aliás, em verdade, essa tensão sempre existiu1.
Ocorre apenas que as circunstâncias de hoje em dia, a velocidade com que tudo acontece e a
necessidade de respostas rápidas tornaram esse conflito mais evidente.

Entre “fare bene” e “fare presto” o juiz está sempre oscilando. Ora precisa pender
para um lado, ora para o outro. Se formos imaginar o processo como uma balança em que pendem
esses dois pratos (a segurança – o “fare bene”, de um lado, e a celeridade – o “fare presto”, de
outro), deveremos observar que o equilíbrio entre eles está sempre sendo ajustado. Às vezes há
necessidade de se dar um peso maior para a segurança, às vezes a exigência de celeridade
prepondera. Isso é por demais evidente se compararmos o processo (ou melhor, a atividade) de
conhecimento e o cautelar, por exemplo. Mas, não é a essa evidência que estamos nos referindo.
Estamos falando nos ajustes que um mesmo tipo de atividade processual recebe ao longo do tempo.
Referimo-nos
Changed with the DEMO mais especificamente
VERSION aos mecanismos
of CAD-KAS aceleratórios
PDF-Editor criados pelo legislador.
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É natural que se procurem criar tais mecanismos e, assim, alterar o ajuste da balança.
Quando falamos em devido processo legal, estamos falando em harmonização de princípios e de
valores, para obtermos o melhor em termos de justiça. O modo de se efetivar essa harmonização
necessariamente varia com as próprias circunstâncias da sociedade em que vivemos. Não é à toa
que se resolveu inserir expressamente na Constituição Federal, através da Emenda 45, a advertência
que já constava da doutrina e mesmo do direito positivo2: o processo não deve durar mais do que o
tempo razoável.

Essa busca de atalhos existe, de fato, e não é de hoje. O exemplo perfeito e acabado é
o julgamento antecipado da lide, existente desde a redação original do CPC de 1973. Sobre esse
instrumento, de inegável utilidade e virtuosidade, falaremos um pouco mais tarde.

Agora, queremos lembrar uma das mudanças trazidas pela reforma processual, que
criaram ou alargaram mecanismos aceleratórios relacionados ao julgamento de mérito (ou, mais
amplamente, resolução do mérito). A ampla dimensão do tema envolveria a possibilidade de
julgamento do mérito pelo relator, nos tribunais, o indeferimento da apelação por força do § 1.º, do
art. 518 e até mesmo a nova disciplina dada à prescrição. O foco desse trabalho será, no caso, o art.
285-A, CPC.

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II - PRINCÍPIOS - ECONOMIA PROCESSUAL

Uma das bases principiológicas para a existência desses atalhos é, sem dúvida, a
economia processual. Esse princípio, como diz Ruy Portanova, significa que “ o processo
procura obter o maior resultado com com o mínimo de esforço.”3 Assim, sempre que pudermos
vislumbrar uma via para chegarmos ao mesmo resultado de forma mais célere, com menor
dispêndio de dinheiro e de atos processuais, devemos trilhar esse caminho.

Nesse sentido, a economia processual é de uma racionalidade à toda prova. A sua


aplicabilidade se revela em inúmeras situações no processo civil, como na reunião de processos por
conexão ou continência, ou em certas figuras de intervenção de terceiros, como a denunciação da
lide, por exemplo.

O detalhe desse princípio é que ele não apenas significa chegar mais rápido, mas,
também, chegar ao mesmo lugar, o que, em outros termos, quer dizer rapidez sem perda de
qualidade. Em alguns casos, já clássicos em nosso sistema processual, fica evidente que o
mecanismo adotado pelo legislador efetivamente alcança o mesmo resultado, sem perda alguma. É
o caso do julgamento antecipado da lide, a respeito do qual comentaremos adiante. Outros, mais
novos, ainda devem passar pelo teste da manutenção ou não do mesmo resultado qualitativo.
Acreditamos que só o tempo nos trará certeza a esse respeito.

O teste, ou o exame quanto à perda ou não de qualidade em virtude do mecanismo


aceleratório passa, naturalmente, pela preservação do contraditório, elemento essencial para que
tenhamos um processo justo, um devido processo legal, na melhor acepção de tal expressão.

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III –the DEMO VERSION
PRINCÍPIOS of CAD-KAS PDF-Editor (http://www.cadkas.com).
– CONTRADITÓRIO

Realmente, o contraditório, envolvendo a idéia de se ouvir ambos os lados é da


própria essência do processo, a ponto de Elio Fazzallari definir processo como “procedimento em
contraditório”.

É justamente por isso que, desde há muito, a doutrina corretamente insiste na


presença de dois elementos para caracterizarmos o contraditório: ciência (bilateral e necessária ao
longo de todo o processo) e possibilidade de reação (concepção de uma estrutura que permita à
parte que foi cientificada de um ato, a ele se opor)4.

Ocorre que o contraditório tem abrangência efetivamente mais ampla. A doutrina


contemporânea tem enfatizado que o contraditório deve envolver verdadeiro diálogo entre as partes
e o juiz. Significa que as partes devem ter efetiva possibilidade de participar da decisão da causa.

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Assim, as partes devem ter o direito de manifestar-se mesmo sobre aquelas matérias que podem ser
conhecidas de ofício pelo magistrado.

Essa dimensão do princípio do contraditório, inclusive, é expressamente consagrada


no direito positivo da França e da Alemanha, como bem observou Carlos Alberto Alvaro de
Oliveira5. Ainda que o aforisma “jura novit curia” continue a ter incidência no processo civil, os
litigantes devem saber qual o direcionamento que o juiz pretende imprimir ao feito e desse modo ter
a possibilidade de manifestar sua eventual discordância.

Imagine, por exemplo, que o magistrado pretenda indeferir a petição inicial por
decadência. O recomendável, embora não conste do texto legal, é que o juiz, antes de indeferi-la, dê
oportunidade para o autor se manifestar sobre a possível ocorrência de caducidade. Isso é promover
diálogo entre as partes e o magistrado. Essa é a verdadeira dimensão, inclusive política
(participação no ato de poder que é a jurisdição) do contraditório6.

Tal recomendação é feita expressamente por Cândido Dinamarco:

“O dilema colocado ao juiz, na fase inicial do processo, seria representado pelo


deferir ou indeferir, devendo ele, à falta de algum pressuposto, indeferir desde logo a
petição inicial. A lei chega inclusive a dar a impressão de que, faltando algum desses
pressupostos, o pronto indeferimento seria a regra geral; as ofertas de oportunidade para o
autor se manifestar seriam exceções a essa regra ( só duas disposições mandam o juiz dar
oportunidade para que o autor evite o indeferimento da petição inicial)
......................................................................
Essa interpretação equivaleria contudo a aceitar as bases de um processo civil
anacrônico e sem a consciência da verdadeira dimensão e significado do princípio do
Changed with thecontraditório,
DEMO VERSION em sua of leitura
CAD-KAS PDF-Editor
moderna. Sabe-se(http://www.cadkas.com).
hoje que essa garantia não se endereça
somente às partes mas também ao próprio juiz, atribuindo-lhe o dever de dialogar com elas
e proibindo-o de extinguir o processo abruptamente, sem prévia discussão sobre os motivos
da extinção – e tal posicionamento está presente em escritos e profundas reflexões dos mais
abalizados estudiosos do processo civil da atualidade ...”7

Podemos vislumbrar, então, uma série de situações em que a prévia oitiva da parte,
mesmo não decorrendo de literal disposição de lei, é imperativo decorrente do contraditório,
constitucionalmente garantido. Ilustremos. Autor narra determinados fatos, alega que tal situação
configura erro e pede anulação de um contrato feito nessas circunstâncias. É sabido que nada
impede que o juiz, desde que se atenha aos fatos narrados, dê diferente qualificação jurídica a eles.
Suponha que ele entenda que tais fatos implicam ocorrência de dolo e, dessa maneira, acolha o
pedido do autor e anule o contrato. Isso é perfeitamente possível, dada a adoção, entre nós, da teoria
da substanciação8. Ocorre apenas que, para observar o contraditório na sua correta dimensão, o juiz
deve dar oportunidade para que as partes se manifestem a respeito daquele possível novo
enquadramento.9

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Assim também, todas as hipóteses do art. 295 devem ser examinadas pelo juiz com
cautela e prudência, reservando o indeferimento liminar apenas para os casos mais flagrantes. É
como se deve interpretar a hipótese da falta de condição da ação, que autorizaria o indeferimento
seja no caso do parágrafo único do art. 295 (inépcia por impossibilidade jurídica), no da
ilegitimidade de parte (art. 295, II) ou no da falta de interesse de agir (art. 295, III). O indeferimento
liminar, sem prévia oitiva do autor, só para situações evidentes. Aliás, o próprio inciso II do art. 295
fala em “manifesta” (i.e., evidente) ilegitimidade. Essa orientação, na verdade, deve ser adotada em
todas hipóteses do mencionado dispositivo legal, como bem observa Dinamarco.10

Se atentarmos bem, essa interpretação, além de respeitar a correta dimensão do


contraditório, conforme apontada acima, é mais consonante com a própria sistemática do Código de
Processo Civil. É só lembrarmos o caso do art. 327. Ali se menciona que se o réu alegar em
contestação qualquer das preliminares do art. 301, o juiz deverá, como providência preliminar
obrigatória11, dar oportunidade para que o réu se pronuncie a respeito. Note-se que várias das
hipóteses arroladas no art. 301 poderiam, em tese, ter sido conhecidas pelo juiz já mesmo no exame
de admissibilidade da inicial. Por que o juiz, nessa oportunidade, mesmo se estiver pessoalmente
convencido do acerto da alegação do réu, deve ouvir previamente o autor? A resposta é uma só:
respeito ao contraditório12. Afinal, o autor não teve oportunidade de se manifestar anteriormente a
respeito do tema. Ora, se esse diálogo deve ocorrer na hipótese da carência aventada na contestação,
para se possibilitar a manifestação do autor, por que não haveria de sê-lo, pelas mesmas razões, no
caso do exame de admissibilidade da inicial?

Essa concepção de contraditório deverá estar presente em toda e qualquer análise que
fizermos a respeito de atalhos no processo.
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IV – JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE

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Expostos assim, esses dois princípios relevantes para a análise do nosso tema,
podemos passar, agora, para a verificação de um atalho que se pode dizer tradicional, vez que existe
em nosso sistema desde o advento do Código de 1973.

Trata-se do julgamento antecipado da lide, conforme a letra do art. 33013, ou


julgamento antecipado do mérito, certo de que a palavra lide, em tal dispositivo legal, está
empregada no sentido de mérito.

As situações que possibilitam o julgamento antecipado estão contempladas nos


incisos I e II, do art. 330, e, resumidamente, significam que não há necessidade de instrução. Basta
uma breve análise dos seus termos. No primeiro caso, a atividade instrutória é desnecessária, visto
que não há prova oral e nem pericial14 a ser produzida. No segundo, que prevê a ocorrência de
revelia (com os efeitos do art. 31915) a idéia continua a mesma: já que o réu não contestou, os únicos
fatos alegados na causa (ou seja, os fatos que estão descritos na inicial) consideram-se
incontroversos. Se os fatos são incontroversos, não há necessidade de produção de prova a respeito
deles (art. 334, III).

Há que se considerar, inclusive, que o julgamento antecipado é obrigatório, ou seja,


desde que presentes os requisitos legais16, o magistrado deve proferir a sentença de mérito, não

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podendo optar por não fazê-lo. É esse o entendimento predominante, como se pode observar da
doutrina e da jurisprudência.17 Aliás, no nosso entender, especialmente hoje em dia, em que o inciso
LXXVIII do art. 5.º, da CF, deixa absolutamente claro18 que todos têm o direito a um processo
célere, que não dure mais do que o razoável, não é admissível que o processo se alongue
desnecessariamente, caminhando para uma dilação probatória que se sabe inútil.

Não há dúvida de que se trata de um atalho legítimo. Visa à economia processual e


não prejudica o contraditório, uma vez que a ambas as partes teria sido dado oportunidade de
participar da formação da decisão do magistrado fazendo as considerações de direito que
entenderam conveniente e as provas cabíveis. Aqui pode-se dizer que praticamente não há
necessidade de se ponderar valores em jogo, pois a celeridade e a segurança não estariam em
contraposição. A dúvida que pode surgir diz respeito, na prática, à sua configuração. Assim, se as
próprias partes se manifestam no sentido de que não têm interesse de produzir prova em audiência,
a decisão de proferir julgamento antecipado pode ser tomada com mais tranqüilidade. Mas se, por
exemplo, a parte requer a produção de prova em audiência o juiz, convencido de que ela é
irrelevante ou impertinente, pode perfeitamente julgar antecipadamente a lide. Só que, nesse caso, a
avaliação de irrelevância ou impertinência eventualmente será submetida ao crivo do Judiciário, que
deverá examinar se não houve equívoco do magistrado, provocando cerceamento de defesa.

V – IMPROCEDÊNCIA LIMINAR – JULGAMENTO ANTECIPADÍSSIMO DO MÉRITO


(DE OFÍCIO?)

Bem mais polêmica é a hipótese criada pela Reforma Processual, permitindo o


julgamento do mérito antes mesmo da citação, conforme art. 285-A. É o que alguns autores têm
chamado, expressivamente, de julgamento antecipadíssimo do mérito19.
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Registre-se, desde logo, que não é novidade absoluta no nosso sistema a extinção do
processo com resolução do mérito antes da citação. Desde a sua origem, o CPC de 73 contempla a
hipótese no art. 269, IV, com relação à decadência e à prescrição. De início, de acordo com o art.
219, § 5.º, era possível a decretação de ofício no caso de decadência ou de prescrição relativa a
direitos não-patrimoniais. Porém, como parte da doutrina então ponderava, não existia caso de
prescrição que não fosse relativa a direitos patrimoniais. Assim, na prática, limitava-se aos casos de
decadência. Com o advento do Código Civil de 2002, porém, houve uma ampliação destinada a
permitir a decretação de ofício no caso de beneficiar absolutamente incapaz. 20 Finalmente, com o

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advento da Lei 11.280/2006, a lei aparentemente teria admitido a decretação de ofício da


prescrição21 (cf. Art. 219, § 5.º: “o juiz pronunciará, de ofício, a prescrição”).

Ocorre que nesses casos não se trataria de julgar propriamente o mérito (que é
“acolher ou rejeitar o pedido do autor” - art. 269, I, CPC). O processo estaria sendo extinto com
resolução do mérito (para empregar a linguagem atual do art. 269), mas sem que se apreciasse,
sentisse, valorasse e definisse se o autor tem ou não razão.

Assim, ficaria o art. 285-A, CPC, como praticamente o único22 caso de julgamento
liminar de improcedência.

Como foi dito, esse caso vem causando polêmica, tendo alguns autores se
pronunciado no sentido de haver inconstitucionalidade no dispositivo em pauta23. Está tramitando
pelo Supremo Tribunal, inclusive, Ação Declaratória de Inconstitucionalidade. A ADIN, proposta
pelo Conselho Federal OAB, de n.º 3.695, alegando violação à isonomia, segurança jurídica,
contraditório, direito de ação, e devido processo legal. Em defesa da norma interveio o Instituto
Brasileiro de Direito Processual, na qualidade de “amicus curiae”, em peça da lavra de Cássio
Scarpinella Bueno. A leitura dessas petições é de grande interesse do ponto de vista de doutrina
processual, pois estão em debate a interpretação de alguns dos mais caros princípios dessa
disciplina.

A discussão envolvida é relevante e pode ser encontrada não só nas peças do citado
processo, mas, também, em vários artigos doutrinários24. Além das questões constitucionais, é de se
perguntar se realmente é útil e conveniente para o sistema processual, tendo em vista que o
julgamento antecipado da lide acaba por gerar menos discussões, com economia de tempo próxima
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da gerada pelo art. 285-A25. Considerando, porém, que não foi concedida a liminar requerida na
ADIN, a perspectiva, a se manter a tradição do STF, é de que o dispositivo provavelmente irá se
manter em vigor.

Dentro dessa premissa, cabe, pelo menos, buscar uma interpretação que se afeiçoe o
máximo possível à Constituição Federal. Essa tarefa é ingente, principalmente se considerarmos que
a mera interpretação literal do art. 285-A efetivamente se choca, a nosso ver, com princípios
maiores encartados na Constituição.

VI – INTERPRETAÇÃO EQUILIBRADA DO DISPOSITIVO LEGAL

Vamos, assim, tentar descobrir o significado e alcance da norma em questão.


Comecemos reproduzindo seus termos:

Art. 285-A – Quando a matéria controvertida for unicamente de direito e no juízo já houver
sido proferida sentença de total improcedência em outros casos idênticos, poderá ser
dispensada a citação e proferida sentença, reproduzindo-se o teor da anteriormente
prolatada.
§ 1.º – Se o autor apelar, é facultado ao juiz decidir, no prazo de 5 (cinco) dias, não manter a
sentença e determinar o prosseguimento da ação.
§ 2.º – Caso seja mantida a sentença, será ordenada a citação do réu para responder ao
recurso.

A primeira expressão a encabeçar o artigo, dando uma das condições para sua
aplicabilidade, é “matéria controvertida”. Não deixa de ser um pouco curioso falar em
Changed with the DEMOuma
controvertida, VERSION
vez que,ofsem
CAD-KAS PDF-Editor
angularização (http://www.cadkas.com).
da relação processual, não se pode dizer que a
26
controvérsia tenha se instaurado . Essa possível incongruência não oferece, porém, dificuldades
interpretativas. É só considerarmos a discussão que, em abstrato, o tema gera, levando em conta os
interesses contrapostos e o fato de que, como é sabido, fora daquele específico processo, a matéria
já foi objeto de controvérsia.

Quanto a ser “unicamente de direito”, parece-nos claro que, a partir de uma


interpretação sistemática, devemos concluir que o legislador “dixit minus quam voluit”, isso é, o
seu significado é mais abrangente do que aquilo que literalmente consta. Basta, por primeiro,
atentarmos para o raciocínio subjacente à norma. Pretende-se que seja unicamente de direito, pois,
se houvesse necessidade de prova, naturalmente seria uma flagrante violação ao princípio do
contraditório e ampla defesa julgar desde logo, cerceando o direito à sua produção. O mesmo
raciocínio encontramos no dispositivo, e é aí que se apresenta o método sistemático27, pertinente ao
julgamento antecipado da lide. Por que, nas situações figuradas no art. 330, se permite julgar o

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mérito antes do momento em que normalmente se considera adequado? Porque não é necessária
mais a dilação probatória. Na hipótese do art. 285-A, igualmente, quando o legislador se refere a
matéria unicamente de direito, está pretendendo dizer, na realidade, sempre que não houver
necessidade de dilação probatória28. A causa, na realidade, estaria ponta para ser julgada. Em outras
palavras, mesmo admitindo que todos os fatos alegados na inicial estão devidamente comprovados,
ainda assim, não lhe assistiria razão, tendo em vista os aspectos jurídicos envolvidos. É Fernando da
Fonseca Gajardoni29 quem faz, com toda correção, a nosso ver, esse paralelo entre o art. 285-A e o
art. 330, I, afirmando que ambos teriam “... a mesma razão de ser30 (o julgamento da demanda sem
a necessidade de outras provas)”, fazendo com que esse julgamento liminar também possa ocorrer
“... quando, preenchidas as demais condições do art. 285-A do CPC, a matéria controvertida
depender de questão de fato que só se prove por documento já apresentado na petição inicial ou
cuja apresentação possa ser determinada (ao autor da ação ou terceiro)”.

Diz a lei, ainda, que deve ter sido proferida sentença “no mesmo juízo”. Há quem
proponha a indagação: no mesmo juízo ou pelo mesmo juiz? Parece-nos que não há razão, no caso,
para se interpretar de modo diverso ao que exprime a literalidade da expressão. Principalmente
porque em se tratando de decisão, interessa mais propriamente o órgão que a prolatou (juízo), e não
a pessoa física que o fez. Talvez alguém ache estranho o magistrado se valer da repetição de
sentença proferida por outro31. Não nos parece. Mormente para quem, como nós, considera que para
melhor adequação aos postulados de segurança e isonomia, a decisão deverá ser fruto de
entendimento dominante nos tribunais e não de simples posição isolada do juízo. O juiz pessoa
física pode nunca ter julgado causa daquele tipo, mas, atendendo à jurisprudência dominante, como
é a tônica do nosso sistema atual (veja-se, por exemplo, art. 518, § 1.º e art. 557 do CPC, entre
outros) pode reproduzir sentença dada por outro juiz, no mesmo juízo.

Fernando da Fonseca Gajardoni32 também aborda outros aspectos referentes a essa


Changed with the DEMO VERSION
parte do dispositivo, of CAD-KAS
asseverando PDF-Editor
que o substituto pode(http://www.cadkas.com).
usar como modelo a sentença do titular da
Vara em que naquele momento atua, mas não pode se valer de precedente de outro juízo no qual
atuou. Tal conduta tiraria a previsibilidade que o legislador pretendeu dar, ao estabelecer como
condição mais de uma sentença do mesmo juízo, permitindo que as partes saibam de antemão qual
seria o resultado da demanda. Concordamos inteiramente com as conclusões do que seria ou não
permitido, analisando a norma, mas entendemos que a previsibilidade nos moldes referidos pelo
autor é insuficiente. Pensando em uma comarca com vários juízos, e imaginando-se que se saiba
que a segunda e a terceira vara têm um entendimento e a primeira e a quarta posicionam-se em
outro sentido (abstraindo-se o fato de que nem sempre o advogado tem condições de obter tal
informação previamente), qual a real utilidade em termos de previsibilidade? Sim, porque o que é
útil em termos de segurança jurídica é a previsibilidade anterior à propositura da ação. É poder dizer
para o cliente que aquela tese tem acolhida na jurisprudência dominante, portanto a perspectiva é
boa, ou que não tem acolhida, e, aí, não se recomenda a propositura da ação porque o risco é muito

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grande, ou, ainda, que não existe entendimento formado pelos Tribunais, e, então, a decisão de
propor ou não a demanda estaria muito ligada ao posicionamento do profissional a respeito daquele
problema. Poder-se-ia dizer que o risco é inerente a qualquer demanda, e que a álea não pode ser
simplesmente suprimida. Isso é correto, sem dúvida. Ocorre que não nos parece racional que o
entendimento particular de um determinado juízo, ainda que reiterado, seja suficiente para implicar
tão radical mudança no padrão comum para o julgamento do mérito das demandas. Estamos falando
em “atalho” para o julgamento do mérito, e, considerando o equilíbrio entre princípios inerente ao
devido processo legal, essa ênfase maior à celeridade, em detrimento de outros valores
normalmente refletidos no procedimento comum, tem que ter justificativa razoável.

Novamente voltamos ao ponto de que estamos falando em sistema processual e que


ele precisa ter racionalidade e harmonia. É por demais sabido que nosso sistema, através de
sucessivas reformas, tem se inclinado pela valorização da jurisprudência dos tribunais, sobretudo
dos Superiores. Não é apenas à súmula vinculante que estamos nos referindo, obviamente, mas,
também, a dispositivos como art. 557 e o § 1.º, do art. 518.

Há forte entendimento doutrinário no sentido de que o juiz não poderia se valer do


art. 285-A quando seu posicionamento particular diferir do entendimento jurisprudencial
dominante.

Luiz Guilherme Marinoni33 tratando desse aspecto, defende que “a razão de ser do
art. 285-A é completamente incompatível com a idéia de se permitir ao juiz, em confronto com
súmula do seu tribunal ou do Superior Tribunal de Justiça, rejeitar liminarmente uma ação
idêntica”.

Igualmente incisiva é a manifestação de Luiz Rodrigues Wambier, Teresa Arruda


Changed with theWambier
Alvim DEMO VERSION of CAD-KAS
e José Miguel PDF-Editor
Garcia Medina34
: (http://www.cadkas.com).

“A coincidência entre a orientação adotada pelo juízo de primeiro grau e o entendimento


manifestado por tribunal que lhe seja hierarquicamente superior é, assim, pressuposto
fundamental para a incidência do art. 285-A.”

É por essas e outras manifestações de diversos autores35 que Fernando da Fonseca


36
Gajardoni afirma que, embora não esteja escrito no art. 285-A, conforme o entendimento
doutrinário, que a sentença tomada como modelo deve estar “... em consonância com o julgamento
dos tribunais, em especial do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal.”

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Podemos tomar como premissa, portanto, que o entendimento exarado na sentença


paradigma não pode estar em confronto com a orientação do tribunal. Mas, e se não houver ainda
uma orientação do tribunal? É possível aplicar-se o art. 285-A? Pelas razões sistemáticas antes
expostas e levando em conta o princípio da segurança jurídica, entendemos que não. O padrão
básico do processo envolve discussão entre as partes antes da decisão de mérito. O atalho só se
justifica na medida em que se sabe que aquela rejeição será provavelmente mantida pelo Tribunal. É
essa a racionalidade pretendida pelo nosso sistema, aquela fundada na valorização da decisão dos
tribunais. É daí que vem a legitimidade para o juiz de primeiro grau utilizar desse atalho.

Cremos ser esse o entendimento perfilhado por Cássio Scarpinella Bueno37, quando
assevera:

“Uma melhor interpretação para o dispositivo, assim, é a de que, sistematicamente, a


'sentença do juízo' nele referida é que ela seja a sentença que aplique, em cada caso
concreto, o entendimento consolidado dos Tribunais Superiores ou quando menos, dos
Tribunais recursais respectivos. Trata-se de uma forma segura (e objetivamente constatável)
de assegurar o amplo e prévio contraditório a que fez referência o n. 3.2, supra.”

Por outro lado, o emprego a palavra “juízo” (sobretudo reforçado pela palavra
“sentença”, também utilizada no texto legal) poderia fazer crer que o dispositivo só se aplicaria a
decisões por órgãos de primeiro grau. Tal interpretação não é a melhor, conforme a doutrina já teve
ensejo de afirmar, por não haver qualquer razão sistemática que levasse a excluir sua aplicabilidade
nos casos de competência originária do tribunal. Já tivemos pronunciamento do Judiciário
confirmando essa exegese mais ampla38.

Prosseguindo na análise do dispositivo, outro requisito ali encontrado é o fato de já


Changed with the DEMO
ter sido proferidaVERSION of total
sentença de CAD-KAS PDF-Editor
improcedência, cujo(http://www.cadkas.com).
teor será, então reproduzido. O motivo de
se falar em total improcedência é evidente. Afinal, se a norma pretende, observadas certas
condições, permitir o julgamento do mérito da causa sem que o réu tenha sido ouvido, é claro que
só poderia ser no sentido da total improcedência, caso contrário o princípio do contraditório estaria
sendo flagrantemente violado.

Mas, embora a razão de ser desse requisito seja evidente, algumas nuances dele
derivadas merecem ser abordadas. Imagine que a sentença tomada como paradigma seja referente
aos pedidos cumulados “A” e “B”, sendo que em relação a “A” houve total improcedência. Não
vemos óbice para que, observados os demais requisitos, aquela sentença sirva de modelo para um
caso em que o pedido feito se limite a “A”39. A razão de ser do requisito “total improcedência”, qual

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seja, não prejudicar o réu que não foi ouvido, estaria sendo plenamente atendida. O que se pode
dizer, na hipótese aventada, é que na sentença paradigma o pedido repetido teria sido julgado
totalmente improcedente.

Essa total improcedência da sentença paradigma tem relação direta, portanto, com a
necessidade de respeitar o contraditório. Aliás, um dos argumentos que se levanta a favor da
constitucionalidade do art. 285-A é o fato de que não há violação do contraditório porque o réu é
favorecido in totum. Isso, sem dúvida, é correto. Resta apenas a questão do contraditório da parte do
autor. Para alguns, o problema não se colocaria, uma vez que se lhe reserva o direito de apelar da
decisão, com possibilidade de obter a retratação do juiz (§ 1.º).

Com amparo nos argumentos expendidos acima (item III) acerca da dimensão do
princípio do contraditório, temos que o disposto no § 1.º é insuficiente para atender às exigências do
contraditório em relação ao autor. A postergação do contraditório não é novidade no nosso sistema,
mas se justifica apenas em razão da urgência. No caso, não vislumbramos tamanha urgência que
impeça de ouvir o autor a respeito dos argumentos que o magistrado entende relevantes para decidir
a causa.

Assim, poderíamos perguntar, como poderíamos aplicar o art. 285-A sem qualquer
prejuízo ao contraditório do autor? Em parte, esse problema estará amenizado se for adotada aquela
interpretação, defendida acima, no sentido de condicionar a aplicabilidade do art. 285-A à
existência de orientação do tribunal. Assim, o autor, sabendo de antemão a posição contrária à sua
tese, poderia, já na inicial, apresentar os argumentos pelos quais entende que está equivocada a tese
acolhida pelo tribunal. Uma outra possibilidade, que, a nosso ver, completaria a primeira e afastaria
de vez qualquer alegação de violação ao contraditório, seria o juiz, antes de julgar improcedente dar
conhecimento ao autor de que aquele juízo tem posição contrária à sua tese, por tais motivos,
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É, mutatis (http://www.cadkas.com).
mutandis, o que boa doutrina tem defendido em
relação ao indeferimento liminar da inicial por decadência, por exemplo, conforme explicado no
item III, acima.

Quanto à exigência de se tratarem de “casos idênticos”, é claro que não se trata de


identidade de todos os elementos da demanda, caso contrário estaríamos diante de litispendência ou
coisa julgada, a implicar extinção do processo (art. 267, V).

O que a doutrina em geral tem defendido é que deve haver identidade de


circunstâncias fáticas e jurídicas. Cássio Scarpinella Bueno40 fala em casos em que “... se discute a
mesma tese jurídica aplicada a uma mesma situação fática ...”.

Nesse ponto, porém, há uma certa divergência na doutrina. Luiz Rodrigues Wambier,
Teresa Arruda Alvim Wambier e José Miguel Garcia Medina, por exemplo, entendem que deverá
haver identidade de causa de pedir (não só em relação às circunstâncias fáticas, que são as
vinculantes, segundo a teoria da substanciação, mas também aos fundamentos jurídicos) e pedido.

Com relação à exigência de que a identidade se refira também aos fundamentos


jurídicos, somos de mesmo parecer. Realmente, como bem destacam os mencionados autores, essa
identidade completa em termos de fatos e fundamentos jurídicos é necessária tendo em vista que a
fundamentação da sentença liminar de improcedência será justamente a fundamentação da sentença
paradigma outrora exarada. Ora, a ausência de algum dos fundamentos (fáticos ou jurídicos)

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ofenderia ao princípio da motivação garantido constitucionalmente (art. 93, IX, CF). Significaria,
em termos práticos, que a sentença liminar de improcedência seria omissa, incidindo em nulidade.

Com relação à identidade de pedido, os argumentos de Fernando da Fonseca


Gajardoni são mais convincentes. Não se pode exigir identidade absoluta de pedido, caso contrário
uma pequena alteração no pedido inviabilizaria a aplicação do dispositivo legal41. O que é
importante, obedecendo à lógica do dispositivo, é que o mesmo raciocínio e fundamentação dada na
sentença paradigma conduza inelutavelmente à total improcedência da nova demanda.

Note-se, também, ainda tratando da expressão “casos idênticos”, que o emprego do


plural, desacompanhado de qualquer indicação numérica, faz concluir pela existência mínima de
duas decisões de total improcedência, no mesmo juízo.

Indica também a norma que o teor da sentença modelo deverá ser reproduzido.
Entendemos que essa exigência deve ser cumprida de forma tal que se permita não apenas saber o
exato teor da sentença paradigma, mas, também, confirmar que efetivamente foi proferida por
aquele juízo e, mais, que existe outra, ainda, de mesmo conteúdo. A sugestão de Fernando da
Fonseca Gajardoni42 de reproduzir os fundamentos da sentença paradigma e fazer a referência
numérica a dois casos, bem como a de Fernanda Guedes Pinto 43 (transcrição da sentença modelo
mais referência numérica aos casos idênticos) satisfazem o requisito legal.

Finalmente, quanto à possibilidade de retratação da sentença de improcedência


liminar, temos que a norma se apresenta coerente com a sistemática atual, inaugurada pela nova
redação do art. 296. Realmente, há toda vantagem, em termos de economia processual, permitir que
o juiz, percebendo o equívoco ao liminar encerrar o processo, retratar-se, ao invés de remeter a
apelação ao tribunal, para que, às vezes depois de anos, se corrija o equívoco e se dê andamento
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caso de nãoPDF-Editor (http://www.cadkas.com).
haver retratação é que os autos subirão à apreciação do
Tribunal. A peculiaridade é que, aqui, ao contrário do que ocorre no caso do art. 296, como se trata
de decisão de mérito, o réu é citado para apresentar contra-razões à apelação.

VII - CONCLUSÃO

Como se pode perceber, as exigências de celeridade estão impondo mudanças muito


sensíveis em nosso sistema processual. Há que se reconhecer que todos os esforços nesse sentido
devem ser empreendidos, inclusive para que o inciso LXXVIII, do art. 5.º, CF, não se torne mero
desejo utópico.

Evidente que essa é uma tarefa extremamente delicada, e a avaliação de como


equilibrar celeridade e segurança, considerando as necessidades hodiernas, envolve alto grau de
subjetivismo. Natural que as opiniões divirjam a cada alteração que venha a ser proposta ou levada
a efeito.

Antes de ser implementada, o juízo de conveniência sobre a alteração proposta

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assume grande importância. É útil para atingir os efeitos desejados? Há dados objetivos
(estatísticos, por exemplo) que permitam antever esse resultado? Os sacrifícios envolvidos não
serão maiores? É possível chegar ao mesmo resultado (ou, pelo menos, semelhante) com menor
sacrifício para outros valores importantes?

Diante da mudança já levada a efeito, embora não se descarte a avaliação da


conveniência, parece oportuno avaliar, depois de algum tempo, como está funcionando na prática.
A experiência demonstra que às vezes mudanças que pareciam muito boas redundam em fracasso, o
mesmo ocorrendo no sentido inverso.

Assim, diante da alteração efetivada, tornada lei, as tarefas mais urgentes parecem
ser a verificação da constitucionalidade e a avaliação de como melhor interpretar o dispositivo
legal. Essas tarefas, inclusive, podem estar interligadas, como entendemos que ocorre com o art.
285-A. De fato, a atenta análise do dispositivo legal em questão sugere que as dúvidas quanto à sua
constitucionalidade podem ser perfeitamente resolvidas mediante interpretação sistemática, que leve
em conta os princípios constitucionais pertinentes, muito particularmente o do contraditório, na sua
dimensão mais ampla.

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