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Técnicas

Manuais
Professora Esp. Flávia Lugokinski Garcia de Morais
2021 by Editora Edufatecie
Copyright do Texto C 2021 Os autores
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP

M827t Morais, Flávia Lugokinski Garcia


Técnicas manuais / Flávia Lugokinski Garcia de Morais
Paranavaí: EduFatecie, 2021.
81 p. : il. Color.

1. Massagem terapêutica. 2. Massagem. I. Centro


Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância.
III. Título.

CDD : 23 ed. 615.822


Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577

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AUTORA

Professora Esp. Flávia Lugokinski Garcia de Morais

● Especialista em Estética Avançada e Terapia Bioortomolecular pela UNIPAR


(Universidade Paranaense).
● Tecnóloga em Estética e Cosmética (UNIPAR).
● Docente do curso Superior de Tecnologia em Estética e Cosmética da UniFatecie.

Link para acesso à Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/7702095384203406


APRESENTAÇÃO DO MATERIAL

Seja muito bem-vindo(a)!

Prezado(a) estudante, vamos trilhar juntos(as) a partir de agora um caminho de


conhecimentos sobre o melhor recurso da estética! Nossas MÃOS! Elas são instrumentos
poderosos que têm a capacidade de proporcionar, através do toque terapêutico, diversas
reações sensoriais e inúmeros benefícios ao indivíduo.
Esta apostila de estudos está dividida em quatro unidades, ela irá fornecer subsí-
dios para construirmos nosso conhecimento acerca dos fundamentos principais da mas-
soterapia, o que ela pode proporcionar, quais as suas finalidades e aplicações. Além de
aprendermos a respeito das boas condições para a execução das técnicas, vamos explorar
também recursos manuais alternativos e a ergonomia do profissional.
Na unidade I vamos aprender o conceito de massoterapia, conhecer a história da
massagem e as suas transformações ao longo dos anos, os diversos benefícios da mas-
sagem para o bem-estar físico e mental das pessoas, bem como os efeitos terapêuticos
e fisiológicos, como eles atuam nos processos funcionais do corpo humano. Esta noção é
necessária para que possamos trabalhar a segunda unidade da apostila, que irá abordar a
sua aplicabilidade.
Na unidade II vamos ampliar nossos conhecimentos a respeito de cada componente
da massagem, quais as manobras e técnicas utilizadas. Para depois, tratar do contato com
o cliente, como obter uma visão global sobre o organismo a ser trabalhado, como realizar
uma boa avaliação, identificar a queixa principal e adequar as técnicas a cada necessidade
do indivíduo, de acordo com as indicações e contra indicações da massoterapia.
Depois, na unidade III trataremos especificamente de cada tipo de massagem,
como a relaxante por exemplo, a modeladora e a drenagem linfática manual. Além disso,
vamos entender também como preparar o ambiente para um atendimento de qualidade e
quais as posições ergonômicas adequadas ao terapeuta a fim de evitar distúrbios muscu-
loesqueléticos relacionados ao trabalho.
E por fim, na unidade lV veremos alguns recursos manuais complementares, como
a quick massage, a shantala e a massagem epicrania.
Todo este material será um companheiro indispensável durante sua preparação e
desenvolvimento para a vida profissional. Cuide dele com carinho e aproveite ao máximo!

Muito obrigada e bons estudos!


SUMÁRIO

UNIDADE I....................................................................................................... 3
Introdução e História da Massoterapia

UNIDADE II.................................................................................................... 19
Requisitos Importantes para a Realização da Massoterapia

UNIDADE III................................................................................................... 41
Diferentes Tipos de Massagem

UNIDADE IV................................................................................................... 64
Recursos Manuais Complementares
UNIDADE I
Introdução e História da Massoterapia
Professora Esp. Flávia Lugokinski Garcia de Morais

Plano de Estudo:
1. Conceito e história da massagem;
2. Fisiologia do toque;
3. Efeitos fisiológicos e benefícios no organismo.

Objetivos da Aprendizagem:
● Definição do histórico e dos fundamentos da massagem;
● Compreensão dos efeitos fisiológicos gerados no organismo;
● Estabelecimento e percepção dos seus benefícios.

3
INTRODUÇÃO

Você está prestes a conhecer um pouco da história da massagem pelo mundo,


prática que já é desenvolvida há milênios, e há séculos é referida na história, sendo assim,
uma das formas mais antigas no tratamento de doenças humanas.
O intuito dessa unidade é fornecer informações para a compreensão dos efeitos
fisiológicos no organismo através do toque terapêutico e os diversos benefícios gerados
pela aplicação da técnica. Todo esse conhecimento é de extrema importância para qualquer
estudante da área estética. Vamos começar?

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 4


1. CONCEITO E HISTÓRIA DA MASSAGEM

A massagem é mencionada na literatura há muito tempo, por inúmeros autores que


conceituaram ao longo dos anos esse termo. Vejamos alguns deles:
William Murrell (1853-1912) citado por Wood e Becker (1984), definiu a massagem
como uma forma de tratar doenças, através da manipulação sistêmica do indivíduo.
Wood e Becker (1984) também citam Douglas Graham (1848-1928), este caracte-
rizou a massagem como um novo termo aceito pelos médicos,o qual se utiliza de manobras
realizadas com as mãos, como por exemplo o amassamento, nos tecidos externos do
organismo, tendo vários objetivos, entre eles: higiênicos, paliativos e curativos.
Gertrude Bear (1887-1971) citada também por Wood e Becker (1984) relatou que
a massagem tem como característica manipulações manuais de tecido mole do corpo, com
o intuito de promover efeitos sobre os sistemas: circulatório, sanguíneo, nervoso, muscular,
respiratório e linfático.
Em 1988, Austregésilo relata que um conjunto de toques realizados sobre o corpo
juntamente com a linguagem do tato proporcionam ao organismo benefícios terapêuticos,
emocionais, estéticos, desportivos e lúdicos.
Segundo o Dicionário Aurélio (2010), massagem é definida como: “compressão
metódica do corpo, ou de parte dele, para melhorar a circulação ou para que se obtenham
outras vantagens terapêuticas”

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 5


No geral, podemos dizer que a massagem representa um conjunto de manobras e
manipulações compostas por movimentos de pressões variadas, de acordo com o objetivo
e necessidade almejados.
Após definir seus conceitos iremos conhecer um pouco da sua perspectiva histó-
rica. Faremos uma viagem agora às civilizações antigas, para entender a interpretação da
massagem em cada uma delas.
Ao longo dos anos, foram encontradas ao redor do mundo numerosas referências
históricas, transmitidas através de culturas distintas (PEREZ; LEVIN; 2014).
Os nativos em cada região utilizavam termos locais para referirem-se às técnicas
de massagem, o que indica a existência de diferenças significativas entre as culturas.
Na Tabela 1, logo abaixo, você poderá observar a origem do termo “massagem” em
alguns lugares do mundo.

TABELA 1 – ORIGEM DO TERMO “MASSAGEM”

ORIGEM SIGNIFICADO CULTURA


Anma Acalmar, pressionando, friccionando Chinesa
Anatripsis Friccionar Grega
Kampo “O caminho chinês Japonesa
Mass Pressionar levemente Árabe
Massa Tocar, manipular, apertar Latina
Masser Massagear com as mãos Francesa
Mordan/Samvahana Friccionar Indiana

Fonte: BRAUN; SIMONSON, 2007.

Na maioria das civilizações primitivas, a medicina era aplicada por meio de rituais
misteriosos e práticas permanentes de massagens que abrangiam gerações, pois acredita-
va-se que muitas doenças eram ocasionadas devido à presença de pecados e a presença
de espíritos impuros ou energias espirituais do mal.
Além disso, geralmente as massagens eram associadas à terapia de purificação
com água, em fontes termais, saunas e banhos. Ainda hoje, essa cultura está em prática.
Os primeiros e mais antigos relatos encontrados na história têm ascendência chine-
sa, a técnica de massagem era denominada como Anma ou Tui-na. De acordo com alguns
escritos o método Anmo consiste no diagnóstico e tratamento, composto de manobras com
o intuito de relaxar, sendo realizados com as mãos no corpo inteiro, aplicando uma leve
pressão e tração (FRITZ, 2002).

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 6


Esse mesmo método foi visto como uma completa abordagem de tratamento do
corpo humano, era muito conhecido e indicado pelos médicos e curandeiros, por ser sim-
ples e seguro (LIDELL; THOMAS, 2002).
Os registros do manuscrito mais antigo encontram-se na China, é conhecido como
“O Livro de Medicina do Imperador Amarelo”. Alguns autores afirmam que o período que
ele foi escrito foi por volta de 475 a 220 a.C., já outros autores relatam que foi por volta de
1500 a 2600 a.C. (CASSAR, 2001). Seu autor chamava-se Nei Ching, além de ter estabe-
lecido os fundamentos da medicina chinesa tradicional, descreveu também a teoria das
cinco fases ou cinco elementos (madeira, fogo, terra, metal, água), e a teoria do Yin e Yang
(equilíbrio entre os dois pólos da energia vital). (BRAUN; SIMONSON, 2007).
Por conta do comércio, os chineses viajaram para Índia, local onde surgem os en-
sinamentos da medicina ayurvédica, suas técnicas de massagem tinham como finalidade
a prevenção do aparecimento de doenças, ou seu tratamento, buscando o equilíbrio entre
o corpo e a mente e procurando manter um estilo de vida saudável (BRAUN; SIMONSON,
2007). Foi lá também que se deu origem a massagem para bebês, chamada de “shantala’’,
criada no século XX, pelo Dr. Fréderick Leboyer (DONATELLI, 2015).
Alguns anos depois, na Grécia, além de serem comuns os cuidados com a saúde,
principalmente a realização de exercícios e banhos, era costume realizar massagem nos
atletas que participavam dos Jogos Olímpicos, ela servia como tratamento para evitar a
fadiga e a exaustão. Era realizada com unção, areia e movimentos de fricção. É na Grécia
que surge o termo “ginástica” (FRITZ, 2002).
O médico grego Cláudio Galeno (129–199 d.C.), utilizava as técnicas de manipu-
lação em lesões de gladiadores, usava fricções, amassamentos e uma técnica de tração
que ficou conhecida como aphoterapia, que mais tarde tornou-se massoterapia. Galeno foi
responsável por escrever mais de dez livros referentes à prática da massagem, classificou
e descreveu com detalhes várias técnicas e seus respectivos efeitos (FRITZ, 2002).
A massagem chegou até Roma através dos gregos. O imperador romano, Júlio
César, acometido de epilepsia era beliscado diariamente com o intuito de aliviar suas dores
de cabeça, nevralgia e para prevenir ataques epiléticos (FRITZ, 2002).
Mais tarde, no século XIX, Peter Henrik Ling através da associação dos seus
conhecimentos das técnicas tanto Ocidentais quanto Orientais, desenvolveu um sistema
de massagem por meio do aprimoramento dos movimentos, técnica conhecida como mas-
sagem sueca, utilizada até os dias atuais. A técnica mostrou-se capaz de tratar tensão
muscular, melhorar desempenho atlético, melhorar problemas em órgãos, como o intestino,
e tratar distúrbios psicológicos. A primeira faculdade a oferecer massagem como parte de
sua grade curricular foi em Estocolmo, na Suécia (KAVANAGH, 2006; BRAUN; SIMON-
SON, 2007). Logo depois, devido a disseminação da técnica, foram sendo criados outros
institutos por toda a Europa (FRITZ, 2002).
Johann Mezger também teve participação especial na história da massagem, ele
foi o primeiro médico a levar a massagem para a comunidade científica, expondo a outros
médicos como forma de tratamento, o doutor holandês denominou também alguns termos

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 7


para os toques da massagem, como o deslizamento, amassamento e percussão, utilizados
até hoje (FRITZ, 2002; BRAUN; SIMONSON, 2007).
Já nos Estados Unidos, doutor Jorge e seu irmão Charles Taylor trazem por volta
de 1850, a técnica da Suécia um pouco mais aprimorada, na qual durante a sessão a
pessoa deveria ficar deitada sobre uma mesa, espaço equivalente à sessão de massagem
realizada nos dias atuais. Publicaram vários artigos sobre as técnicas utilizadas (BRAUN;
SIMONSON, 2007).
O médico John Harvey Kellogg (figura 1), também contribuiu escrevendo inúmeros
artigos e dois livros didáticos sobre massagem e sobre hidroterapia, um deles chamado “A
Arte da Massagem”, além de colaborar analisando e definindo efeitos reflexos, mecânicos
e metabólicos da massagem (FRITZ, 2002; BRAUN; SIMONSON, 2007).
Por volta do início do século XX a massagem foi trazida ao Brasil pelos orientais e
o termo “massagem” passou a ser substituído por massoterapia (DONATELLI, 2015).
Existem, atualmente, em vários países, escolas para formar massagistas,
além de universidades que incluíram em seu currículo a massagem, como,
por exemplo, a medicina, a enfermagem, a fisioterapia, a psicologia, a educa-
ção física e a estética. Muitos periódicos específicos, livros, artigos, entre ou-
tros materiais, passaram a ser editados e muitas reportagens sobre a prática
da massagem foram realizadas pela mídia. A massoterapia foi popularizada,
passando a ser ofertada por clínicas, hospitais, escolas, clubes desportivos,
centros comerciais e até em praças públicas. Com a expansão da Internet,
também foram criados sites com informações, discussões e comércio de pro-
dutos da massagem. (SIMÃO, D. et al., 2019, p.16)

Dados os fatos, compreende-se que a massagem conquistou grande espaço em


várias partes do mundo e até os dias de hoje é uma das técnicas mais procuradas e am-
plamente difundidas no mundo, visando o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas.

FIGURA 2 – DR. JOHN HARVEY KELLOGG

Fonte: Braun; Simonson, 2007.

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 8


2. FISIOLOGIA DO TOQUE

Utilizamos a todo momento nosso sentido do tato, ao pegar objetos, sentir o peso e
a textura de um material, sentir a temperatura da água, etc. Entretanto é comum que passe
despercebido o quão importante ele é e quantos benefícios pode nos transmitir. Por isso, va-
mos conhecer agora um pouco sobre a fisiologia da pele, para assim podermos compreender
a ação do toque em nosso organismo e as diversas reações ocasionadas por ele.
A pele faz parte do Sistema Tegumentar, esse sistema pode ser definido como um
conjunto de estruturas que formam o revestimento dos seres vivos, juntamente com seus
anexos: unhas, cabelos, pelos, glândulas e receptores sensoriais (GRAAFF, K. M. V; 2003)
Ela é a estrutura responsável pela ligação tato-expressão, servindo de proteção e
comunicação dos meios externo e interno. É considerada o maior órgão do corpo humano,
equivalente a aproximadamente 15% do seu peso total. Constitui-se de duas principais
camadas, a epiderme e a derme, fundamentais para nossa saúde e bem-estar (GRAAFF,
K.M.V; 2003). A pele exerce inúmeras funções, vamos conhecer as principais logo abaixo.
A função protetora é primordial, tem o objetivo de proteger o organismo do ser
humano contra agressões mecânicas/traumatismos, por conta da sua textura e compo-
sição, sendo bastante resistente, densa e elástica, capaz de permitir que a água penetre
lentamente por meio da epiderme evitando a desidratação. Protege também contra a pe-
netração de substâncias indesejadas, como as substâncias químicas por exemplo, agentes
invasores bacterianos e fungos, tudo isso por conta da camada mais externa da epiderme,
que se chama extrato córneo, ela forma um manto protetor, servindo como barreira. (AZU-
LAY, 2017)

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 9


Porém, mesmo com toda esta proteção, a pele não deixa de ser permeável, têm
a capacidade de absorver substâncias, por esse motivo que as técnicas de massoterapia
podem ser realizadas com auxílio de cosméticos específicos, ricos em princípios ativos.
Outra função básica é a excretora, serve basicamente para excretar as toxinas e os
resíduos do metabolismo através de secreções sebáceas e sudoríparas. A função termor-
reguladora permite estabilizar a temperatura do corpo, que gira em torno dos 37ºC, ou seja,
assegura a luta contra o frio ou o calor. Por exemplo: Se a temperatura do corpo aumenta,
ocorre um processo que chamamos de vasodilatação, ativando o suor. Se a temperatura
do corpo diminui é porque ocorreu o processo de vasoconstrição, ativando o mecanismo da
termogênese, gerando calor. (AZULAY, 2017)
Podemos citar também a função metabólica, a qual realiza a síntese de vitamina D
e a reserva de energia, através da hipoderme (camada de gordura) (AZULAY, 2017).
E por fim, temos a função de relação, ela nos permite captar e gerar sensações do
meio externo, através dos estímulos nervosos dos receptores sensoriais (AZULAY, 2017).
Como por exemplo uma massagem, essas estruturas transmitem informações diretamente
ao sistema nervoso, permitindo que o corpo interprete os estímulos.
Na tabela abaixo estão citados os receptores sensoriais presentes em nossa pele
e as funções exercidas por cada um, podendo compreender que são fundamentais para a
interpretação das técnicas de massoterapia. Vejamos:

TABELA 2 – RECEPTORES CUTÂNEOS E SUAS FUNÇÕES

Receptores Cutâneos O que interpreta


Terminações nervosas Dor e alteração da temperatura
Corpúsculos de Paccini Pressão, toque e vibração
Corpúsculos de Ruffini e dis- Pressão e deslocamento da pele
cos de Merkel
Mecanorreceptores da pele Toque, movimento, vibração e cócegas
Termorreceptores Calor e frio
Nociceptores Dor e qualquer estímulo que possa causar danos aos
tecidos

Fonte: SIMÃO et al., 2019, p. 37.

Até aqui pudemos conhecer um pouco da história da massagem, seu conceito e


informações milenares, compreendemos que o toque é instintivo e essencial para receber
e transmitir sensações e informações, tudo isso devido às diversas funções da nossa pele.

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 10


Sendo assim, ao tocar a pele do paciente promovemos vários efeitos e benefícios.
Falaremos sobre eles logo em seguida.

SAIBA MAIS

Devemos estar sempre atentos(as) e observando a sensibilidade de cada pessoa na


hora de aplicar a massagem, pois é relativa em cada indivíduo. A análise da tolerância
da pressão de um toque em cada cliente é fundamental para um bom resultado .

(O autor).

REFLITA

A pele de um idoso e de uma criança têm maior capacidade de absorção. Fique aten-
to(a) na hora de aplicar um cosmético de massagem! Se for necessária a utilização, ele
deve ser específico para cada caso

(O autor).

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 11


3. EFEITOS FISIOLÓGICOS E BENEFÍCIOS NO ORGANISMO

3.1 Efeitos da massagem na circulação sanguínea e linfática


Segundo Fritz (2002), a melhora da circulação sanguínea e linfática são os maiores
efeitos fisiológicos ocasionados na terapia da massagem.
Gonçalves (2006) relata que devido ao estímulo do fluxo sanguíneo a massagem
também ocasiona por consequência a hiperemia dos tecidos, e algumas manobras, como
a de deslizamento, por exemplo, facilita a troca de líquidos teciduais, aumentando assim a
nutrição tecidual.

3.2 Efeitos da massagem no sistema nervoso


Já vimos que em nossa pele há inúmeros receptores sensoriais, por meio da
massagem eles são estimulados, desencadeando sensações, devido a ação do sistema
nervoso. O alívio da dor e a melhora do humor são benefícios ocasionados pela liberação
de substâncias, como a endorfina, a serotonina e a dopamina, por exemplo (FRITZ, 2002).
Cassar (2001) também relata que a massagem atua nas terminações nervosas
sensitivas, gerando a diminuição da hipersensibilidade e alívio da dor.
A massagem também promove a diminuição do cortisol na corrente sanguínea, o
cortisol é considerado o hormônio do estresse e um dos hormônios causadores da insônia,
consequentemente um indivíduo que sofre com a mesma e é exposto a uma massagem,
terá como benefício a melhora da qualidade do sono, além do relaxamento e do bem-estar
(FRITZ, 2002).

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 12


3.3 Efeitos da massagem no tecido muscular
De acordo com Gonçalves (2006), a massagem auxilia na diminuição da fibrose
presente em músculos lesados ou imobilizados e busca manter os músculos funcionando
da melhor forma possível, bem nutridos e flexíveis.
Kavanagh, (2010) também relata que a massagem auxilia na melhora da nutrição,
da vitalidade e flexibilidade do tecido muscular, além de promover seu desenvolvimento e
ajudar a melhorar diversos problemas musculares, como atrofias, espasmos, distensões e
fibromialgia. (KAVANAGH, 2010).

3.4 Efeitos da massagem na dor


A massagem proporciona o que chamamos de efeitos bioquímicos, gerando alívio
de dores e melhora do humor, através da liberação de endorfinas e outras substâncias me-
diadoras, como a serotonina, gerando sensação de prazer, e a oxitocina, proporcionando
sensação de bem-estar e relaxamento (KAVANAGH, 2010).
Segundo Gonçalves (2006) vários médicos valorizaram a massagem e as técnicas
manuais, por conta da prática utilizada em consultório, onde o massagista realizava técni-
cas de pressão em locais de dor, identificando o local específico, provocando relaxamento
e melhorando a função do membro. Por isso se faz tão importante o conhecimento acerca
da massagem e da sua execução para redução da dor.

3.5 Efeitos da massagem no sangue


A massagem auxilia na eliminação de toxinas, redução da pressão sanguínea,
melhora da circulação e aumento da contagem de células no sangue. (KAVANAGH, 2010).
De acordo com Gonçalves (2006, p. 131): “Tanto em estados saudáveis como em casos de
anemia, a massagem aumenta indiscutivelmente a hemoglobina e os glóbulos vermelhos
em circulação, proporcionando um melhor transporte de oxigênio aos tecidos”.

3.6 Efeitos da massagem na pele


Como visto anteriormente, a epiderme é a primeira camada da pele, Cassar (2001)
afirma que a massagem apresenta capacidade de aumento da permeabilidade cutânea,
pois potencializa a microcirculação, melhora da resposta fisiológica das glândulas sudorí-
paras (responsáveis por secretar suor) e das glândulas sebáceas (responsáveis por secre-
tar sebo), melhora a hidratação da pele e favorece também a mobilização de aderências
cicatriciais, com a aplicação de técnicas específicas.

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 13


Confira na tabela abaixo os efeitos fisiológicos gerais provocados no organismo
através de determinadas manobras:

TABELA 3 – EFEITOS FISIOLÓGICOS DA MASSAGEM

Efeito Descrição Exemplo


Os tecidos do cliente
permanecem passivos enquanto
Toques em direção ao co-
o terapeuta aplica pressão ou
Mecânico ração estimulam o fluxo
manipulação para alterar a forma
sanguíneo venoso.
física ou a condição dos tecidos
do cliente.

O terapeuta estimula os Toques leves na sola do pé


neurônios sensitivos do cliente, provocam uma contração
Reflexo que mobilizam o sistema nervoso reflexa do reto femoral,
para alterar a forma em ambas flexionando o quadril e
as áreas abordadas e em outras retirando o pé da fonte de
áreas relacionadas. estimulo.

Sustentação do toque de
massagem ativa a resposta
Metabólico Combinação de efeitos mecânicos do sistema nervoso pa-
e respostas reflexas, em que o rassimpático, que reduz a
corpo todo é afetado. frequência cardíaca e esti-
mula a digestão.

Fonte: Braun; Simonson, 2007.

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 14


SAIBA MAIS

“Nos últimos anos, vem crescendo a taxa de prematuridade no Brasil, assim como pes-
quisas com o intuito de traçar melhores condutas, aumentar a sobrevida, diminuir co-
morbidades, favorecer o desenvolvimento mais adequado desses bebês e, sobretudo,
proporcionar melhor qualidade de vida para essa população. A estimulação tátil-cinesté-
sica parece favorecer o ganho de peso de bebês prematuros estáveis, sem causar pre-
juízos, e, sobretudo, pode ser um instrumento de humanização nos centros de terapia
intensiva neonatal e de fortalecimento de vínculo dos pais com o bebê.”

(FIGUEIREDO, A. C; MüLLER, A.B. Estimulação tátil-cinestésica em bebês prematuros. Temas sobre

Desenvolvimento, 2011; 18(103):139-42).

REFLITA

A importância do toque nunca foi tão relevante como nesses tempos de pandemia. O
toque corporal é fundamental para a saúde, bem-estar e o conforto do ser humano em
todas as fases da existência, desde o seu nascimento até a velhice

(O autor).

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 15


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nessa primeira unidade, conhecemos um pouco sobre a história da massagem,


desde sua origem, seus primeiros registros na China, até chegar aos dias atuais.
Pudemos compreender que ela corresponde à manobras e técnicas empregadas
com finalidades terapêuticas, como por exemplo, a promoção do relaxamento, atuando
sobre diversos processos orgânicos funcionais do corpo humano. Uma técnica milenar que
foi difundida em vários países, utilizada por vários povos com culturas diferentes, para
alcançar diversos benefícios.
Mesmo com o passar do tempo, outros profissionais continuam estudando, aprofun-
dando e aprimorando os conhecimentos acerca da massagem e de seus efeitos, por isso,
ainda hoje, devido aos seus inúmeros benefícios no organismo, é amplamente utilizada
para tratamentos de variadas disfunções.

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 16


LEITURA COMPLEMENTAR

ARTIGO:

OS EFEITOS DA MASSAGEM RELAXANTE ASSOCIADA A AROMATERAPIA


NO TRATAMENTO DA DEPRESSÃO

Dabiani Carolini do Amaral


Ellen Maira da Silva
Profª Ma. Luciana Marcatto Fernandes Lhamas

RESUMO: A depressão é considerada a doença do século XXI, pode-se chamá-la


de ‘doença da alma’, pois ela causa o sofrimento humano, destruindo toda vontade de viver.
O presente estudo tem como objetivo verificar a eficácia da associação das técnicas, Mas-
sagem Relaxante e Aromaterapia para o tratamento de depressão grau leve em mulheres.
Trata-se de uma pesquisa experimental de caráter exploratório e abordagem qualitativa,
onde foram necessárias quatro voluntárias diagnosticadas com quadro clínico de depres-
são grau leve. As voluntárias formaram um único grupo onde foi realizada uma anamnese
corporal, conseguinte aplicação do protocolo. Tal protocolo foi realizado duas vezes por
semana, com duração de uma hora, durante quatro semanas totalizando oito sessões.
Os benefícios do tratamento foram avaliados através de uma entrevista semiestruturada
feita com as voluntárias, onde os dados qualitativos obtidos através das entrevistas foram
transcritos e submetidos à técnica de análise de conteúdo de Bardin, onde se pode concluir
que a associação das técnicas de Massagem Relaxante e Aromaterapia foram eficaz e
benéfica no tratamento da depressão grau leve em mulheres.

Fonte: Revista Científica do Unisalesiano – Lins – SP, ano 6, n.13, jul-dez de 2015.
pg 209 à 224.

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 17


MATERIAL COMPLEMENTAR

LIVRO
Título: A linguagem do toque – Massoterapia Oriental e Ocidental
Autor: Sidney Donatelli.
Editora: Roca, 2015.
Sinopse: “Este livro é o resultado do estudo e da prática do autor
desde 1980, é um compêndio (compilação de informações) da mas-
soterapia que resgata e valoriza o toque como elemento essencial
aos cuidados terapêuticos e linguagem inerente à interpessoalida-
de. Aborda desde o histórico e os fundamentos da massoterapia
até o perfil do profissional, com conteúdo focado na prática das
primícias da massagem: a sensibilidade, o toque e a linguagem
tátil. Também descreve as técnicas de massagem nas camadas do
corpo, com detalhes e fotos dos movimentos, da mecânica corporal
e das sequências de manobras, além de apresentar as estruturas
do sistema musculoesquelético e sua funcionalidade. Apresenta,
inclusive, os conceitos da visão energética do Oriente, por meio da
Medicina Tradicional Chinesa e dos chakras.”

FILME/VÍDEO
Título: Sistema Tegumentar
Ano: 2019.
Sinopse: Playlist composta por 4 vídeo aulas sobre Sistema Tegu-
mentar. Canal do You Tube: Anatomia e etc. com Natalia Reinecke.
Na primeira aula, Natalia Reinecke aborda as funções do sistema e
organização nas camadas Epiderme e Derme. A segunda aula da
playlist trata sobre a camada mais superficial da Pele: a Epiderme,
suas células e suas camadas. Na terceira aula o assunto é a Der-
me, suas camadas, fibras, células e receptores de sensibilidade.
Por fim, na quarta aula da playlist é possível conhecer as estruturas
anexas da pele: os pêlos, as glândulas e as unhas.
“Natália Reinecke é Fisioterapeuta, especialista em Fisiologia do
Exercício (UNIFESP), mestre em Ciências da Saúde (UNIFESP)
e atualmente cursa Doutorado em Ciências da Saúde (UNIFESP).
Atua como Docente em Anatomia e Fisiologia do corpo humano.”
Link da Playlist: https://youtube.com/playlist?list=PLEA6hux-
1DeW0BKgsB-NaBA-B669FH4zcd

UNIDADE I Introdução e História da Massoterapia 18


UNIDADE II
Requisitos Importantes para a
Realização da Massoterapia
Professora Esp. Flávia Lugokinski Garcia de Morais

Plano de Estudo:
1. Anamnese;
2. Indicações e contraindicações;
3. Técnicas e manobras empregadas na massoterapia;
4. Componentes da massagem.

Objetivos da Aprendizagem:
● Apropriar-se do conhecimento sobre a avaliação prévia
antes da realização prática das técnicas;
● Reconhecer as indicações e contraindicações da massoterapia;
● Compreender as diferentes técnicas, manobras e componentes
da massagem

19
INTRODUÇÃO

Após compreendermos os fundamentos da massoterapia, viajarmos pela sua his-


tória e compreendermos seus efeitos fisiológicos no organismo, vamos agora aprofundar
nossos estudos, abrangendo outros requisitos importantes que devemos conhecer para
aplicação da massoterapia.
Daremos início a essa unidade falando a respeito da anamnese, vamos compreender
o que é essa ferramenta, qual sua importância, o que a compõe e o porquê se faz necessário
a realização de uma boa avaliação antes da aplicação prática das massagens no cliente.
Na sequência, trataremos sobre as indicações e contra indicações da massagem, e
por fim quais são as manobras empregadas e os seus componentes principais.

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Introdução Importantes
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Massoterapia
a Realização da Massoterapia 20
1. ANAMNESE

Antes de efetuarmos qualquer procedimento, se faz necessário coletar algumas


informações cruciais a respeito do histórico e dos hábitos de vida do indivíduo a ser aten-
dido, isso serve para qualquer área de atuação estética, pois estaremos interferindo no
funcionamento do seu organismo, com o propósito de promover conforto e bem-estar.
Para tanto, é necessário que o profissional utilize o recurso da anamnese, palavra
que deriva do grego e significa trazer à memória, recordação, através dela é que se pode
ter um conhecimento detalhado do cliente, buscar entender sua insatisfação, seu histórico
de doenças, se faz uso de algum medicamento, possíveis alergias, alterações de pressão,
e muito mais, possibilitando dessa forma, realizar seu trabalho com a devida responsabili-
dade que ele requer. Deve ser sempre o ponto inicial para o tratamento pretendido.
É por meio dessa etapa que será definido o procedimento mais adequado a ser
realizado, tendo em vista que cada indivíduo tem suas particularidades, que podem ser
ou não um empecilho à determinado tratamento, devido ao fato de que existem contra
indicações para realização das técnicas. Falaremos sobre elas em breve.
Simão et al., (2018, p. 174) sugere que:
Para a realização da entrevista e da avaliação, primeiramente se sugere que
o paciente, enquanto espera na recepção, já preencha o formulário de anam-
nese com seus dados de apresentação, permitindo que o terapeuta tenha
um resumo dos dados do paciente, bem como o estado geral de saúde, para
saber como será a abordagem da avaliação e se a procura é por motivos
terapêuticos ou estéticos.

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Introdução Importantes
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Massoterapia
a Realização da Massoterapia 21
Clay e Pounds (2008) orientam que a coleta dos dados deve ser feita de maneira
sucinta e proveitosa, sem parecer tediosa e irrelevante, deve haver todas as informações
necessárias ao profissional. Acrescentam ainda que é por esse motivo que a abordagem
com o paciente deve ocorrer de forma confortável e acolhedora, e não de forma mecânica
ou com descaso. Manter um diálogo que transmita conforto e segurança é de suma impor-
tância para ter um ambiente descontraído e relaxado, fazendo com que o cliente sinta-se
bem e à vontade.
É fundamental que o profissional escolha um local que seja adequado para
o procedimento. Necessita-se que ele seja privado — naturalmente, na sala
onde ocorrem os atendimentos convencionais que exigem mais privacidade
—, além de pedir a outros colaboradores da clínica que não interrompam a
conversa.

Antes de iniciar as etapas da ficha, explique detalhadamente para aquela


pessoa o motivo de fazer a ficha de anamnese, qual é a sua importância e
como será a elaboração daquele material. Explique, também, que é necessá-
rio que ele seja sincero em suas respostas para que o sucesso do tratamento
e a garantia de que tudo ocorrerá bem para a sua saúde. (Blog Gestão de
Estética, 2019).

Durante a avaliação o profissional poderá passar orientações e instruções ao clien-


te de acordo com sua atividade ocupacional. Como por exemplo, alertar sobre movimentos
repetitivos em seu ambiente de trabalho, posição ergonômica correta ao atender o telefone,
caso ele tenha costume de apoiar o telefone entre o ombro e o pescoço enquanto atende
uma ligação, alertar também sobre a realização de exercícios físicos sem supervisão de
um profissional, trabalhar em uma mesa de computador com postura mal adequada, ficar
sentado muitas horas do dia, tudo isso a fim de preservar seu sistema muscular e evitar dis-
túrbios no organismo como um todo, relacionados a esses hábitos e práticas inadequadas
(Simão et al., 2018).
Simão et al., (2018, p. 173 - 174) orienta que para aplicar as técnicas de massoterapia
é fundamental o conhecimento e domínio a respeito da anatomia e da fisiologia dos tecidos
moles, dos ossos e das articulações. Podendo dessa maneira reconhecer as indicações e
contraindicações para cada caso e evitar lesões ou dores indevidas. Sendo importante tam-
bém, relacionar o organismo como um todo, pensando em como tudo está interligado.
Os questionamentos presentes na ficha de avaliação devem ser sempre realizados
preferencialmente de maneira focada e/ou aberta, e nunca dirigida ou composta, pois, não
devemos induzir a pessoa a concordar conosco, precisamos da real transparência dos
fatos, e nem podemos correr o risco de fazer uma pergunta muito longa, que aborda vários
questionamentos, pois podemos acabar não obtendo todas as respostas do cliente.
Abaixo podemos observar uma lista de questões, proposta por Simão et al., (2018,
p. 174 e 175), que o profissional pode abordar em sua avaliação:

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a Realização da Massoterapia 22
O que o motivou a procurar os recursos da massoterapia?
Em que região, especificamente, sente desconforto?
Há quanto tempo começaram os sintomas?
Realizou automedicação?
Esses eventos já ocorreram anteriormente?
Como é sua saúde em geral?
Sofreu alguma lesão ou passou por alguma cirurgia recentemente?
Tem histórico de problemas cardíacos ou neurológicos?
Está em tratamento médico para alguma doença e usa medicação?
Qual doença?
Pratica atividade física?
Tem alguma atividade recreativa?
Como está sua alimentação atualmente?
Qual é a quantidade média de água ingerida diariamente?
Quais são suas principais fontes de estresse?
Qual profissão exerce?
Quanto tempo do dia permanece sentado ou em pé?
Exerce movimentos repetitivos?
Já sofreu alguma doença ocupacional?

Além dessas sugestões podem ser incluídas inúmeras outras, inclusive, no mo-
mento da conversa com o cliente podem estar surgindo novos questionamentos por parte
do profissional ou do cliente, e também relatos do mesmo, diferentes daqueles que você
programou em sua ficha para perguntar, sendo assim, não hesite em incluir todas as in-
formações fornecidas, a ficha de avaliação serve justamente para isso, anotar todas as
informações necessárias e relevantes do seu paciente.
Braun e Simonson (2007) esclarecem que antes de efetuar qualquer tipo de massagem
ou iniciar um tratamento, o profissional precisa observar na hora da avaliação se há a neces-
sidade de requerer um diagnóstico médico ou um exame mais detalhado de outro profissional.
Para cada tipo de massagem, que iremos conhecer na próxima unidade, se faz
necessária uma avaliação por palpação. Dessa forma o profissional será capaz de perceber
a temperatura do local, o estado geral da pele, sua coloração, presença de alterações
circulatórias, entre outros sinais e sintomas. (FRITZ, 2002). Iremos tratar especificamente
dos métodos palpatórios aplicados à cada massagem, na unidade lll.
Finalizado todo o processo da anamnese deverá ser tomada uma decisão acerca
de qual tipo de massagem será realizada conforme a queixa e a necessidade, ou qual o
plano de tratamento que será elaborado para o cliente. Esse plano servirá como um guia,
caso haja necessidade poderá ser modificado ao longo das sessões. Para traçá-lo deve
ser levado em consideração alguns aspectos, como por exemplo: duração do tratamento;
frequência das sessões; técnicas que serão empregadas; recomendações e orientações.
Kavanagh (2010) frisa a importância de sempre realizar reavaliações no decorrer
dos atendimentos, com o intuito de atualizar as queixas e observar possíveis alterações que
podem ocorrer naquele organismo com o tempo, para assim poder proporcionar melhores
resultados.

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Massoterapia
a Realização da Massoterapia 23
Sugere-se que o questionário da entrevista de anamnese seja anexado a
uma ficha de avaliação física e a um Termo de Consentimento Livre e Es-
clarecido (TCLE), com espaçamento para assinatura do paciente e a data
de avaliação, assim ficará claro que o paciente é responsável pelos dados
pessoais que forneceu e que conhece e está de acordo com o tratamento
proposto. (SIMÃO et al., 2018, p. 176).

Lembrando também que realizar uma documentação fotográfica é indispensável


para acompanhar a evolução do tratamento. A autorização da mesma também deve ser
anexada à ficha de avaliação. Não deixe de assistir a playlist de vídeo aulas, sugerida no
final desse material para aprender mais sobre a fotodocumentação!

SAIBA MAIS

“Ainda é possível incluir no questionário perguntas sobre seus hábitos diários, como,
por exemplo, qual é a modelagem das roupas que ela/ele usa regularmente, se utiliza
cosméticos drenantes ou lipolíticos diariamente, como funciona o trânsito intestinal e, se
já realizou algum procedimento estético anteriormente, que resultados obteve”

(SIMÃO et al., 2018, p. 175).

REFLITA

É interessante questionar como o cliente ficou sabendo da sua clínica ou dos seus
serviços e quais motivos ou queixas o levaram a procurar os seus serviços, a fim de
direcionar melhor seu marketing e poder cumprir as expectativas desejadas pelo cliente

(O autor).

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Massoterapia
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2. INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES

As massagens são benéficas para quase todas as pessoas, entretanto, existem


ressalvas que devem ser observadas, as quais a realização da massagem é inadequada.
Muitas vezes o cliente espera que o profissional realize a massagem, mas não tem
o entendimento de que seu problema é extenso e contraindicado à receber o procedimento
naquele momento, pois mesmo a massagem sendo benéfica, apresenta contraindicações.
Dessa forma, cabe ao profissional, ter pleno conhecimento das técnicas e estar bem prepa-
rado para identificar as necessidades do paciente e solicitar auxílio médico para diagnóstico
de alguma patologia, quando julgar necessário.
As massagens atuam proporcionando aos indivíduos diversos benefícios, como por
exemplo, alívio da dor, correções do sistema músculo-esquelético, diminuição da retenção
de líquidos, melhora das funções orgânicas, promoção da homeostase, entre muitas outras.
Devido ao fato da terapia manual englobar várias técnicas, as indicações e contra indicações
variam de acordo com a escolha delas e com o quadro clínico do cliente. (SALGADO, 2010).
Fritz (2002) afirma que as indicações baseiam-se nos efeitos fisiológicos gerados
pelas técnicas e seus benefícios.
Existem contraindicações sistêmicas e locais. As locais, como o próprio nome se
refere, ocorrem quando o cliente tem alguma alteração na área específica de massagem,
como uma ferida aberta ou hematoma, não podendo assim ser realizada. As sistêmicas
estão relacionadas com o organismo como um todo, como por exemplo, febre e resfriados,
impossibilitando o profissional de aplicar a massagem, por correr o risco de agravar o qua-
dro. (BRAUN; SIMONSON, 2007).

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a Realização da Massoterapia 25
Fritz (2002, p. 631) cita algumas contraindicações sistêmicas e locais:

Sistêmicas: Pneumonia aguda; Insuficiência renal avançada. Insuficiência


respiratória avançada; Diabetes com complicações (gangrena, doença renal
ou cardíaca, hipertensão); Eclâmpsia-toxemia na gravidez; Hemofilia; Hemor-
ragia; Insuficiência hepática; Pós-acidente cerebrovascular (AVC, derrame
não estabilizado); Pós-infarto do miocárdio (não estabilizado); Aterosclerose
grave; Hipertensão instável; Choque; Febre superior a 38°; Síncope (des-
maios); Determinados cânceres altamente metastáticos não julgados como
terminais; Condição sistêmica contagiosa e/ou infecciosa.
Locais: Artrite inflamatória aguda (em alguns casos pode ser considerada
contra indicação geral); Neurite aguda. Aneurisma (por exemplo, da aorta
abdominal); Gravidez ectópica; Varizes esofágicas; Congelamento; Condi-
ção contagiosa local; Condição local da pele irritável; Malignidade; Ferida ou
ferimento aberto; Flebite, flebotrombose, artrite (em alguns casos pode ser
considerada contra indicação geral); Queimadura recente; Sépsis (organis-
mos patogênicos na corrente sanguínea); Artrite temporal; Diarreia crônica;
Fratura e/ou contusão; De 24 a 48 horas depois de tratamento com anti-infla-
matório; Caroço não diagnosticado.

De acordo com Cassar (2001), algumas medidas de precaução devem ser conside-
radas para que o profissional consiga adequar a massagem ao tratamento e as finalidades
desejadas. Sendo elas:

- A condição é aguda, subaguda ou crônica?


- Qual é a finalidade da massagem - por exemplo, a melhora na circulação, o
relaxamento ou a remoção de toxinas?
- Que regiões do corpo precisam ser trabalhadas? A massagem deve ser
aplicada em determinada área ou deve ser sistêmica?
- Que função orgânica ou sistema corporal a massagem deve influenciar?
- Que técnicas de massagem podem ser aplicadas com segurança?” (CAS-
SAR, 2001, p. 161 - 162).

A massagem pode ser administrada juntamente com outras abordagens médicas e


complementares, quando houver indicação, tendo em vista que ela é benéfica para inúme-
ras condições patológicas, entretanto, em muitos casos deve ser executada somente com
autorização médica.
Por isso, é importante levar em conta os diferentes tipos de condição para escolha
e aplicação da massagem, de acordo com suas indicações.
- Nos distúrbios constitucionais mais generalizados, o papel da massagem
é estimular a eliminação de toxinas e resíduos - substâncias oriundas de
infecções, inflamações, espasmos musculares e alterações similares. A mas-
sagem atinge seus objetivos pela influência sobre a circulação, em particular
a do retorno venoso e linfático. Benefícios adicionais ocorrem com o relaxa-
mento dos músculos e, igualmente significativo, com o relaxamento do pa-
ciente. Um efeito indireto mas relevante é a estimulação do sistema nervoso
autônomo, que, por sua vez, melhora a produção de secreções glandulares e
o funcionamento orgânico.
- Todos os movimentos de massagem têm um efeito de normalização sobre
as zonas reflexas, quer sejam áreas de dor referida direta, relacionada a uma
disfunção orgânica, quer seja uma mudança tecidual indireta. Além disso,
algumas técnicas de massagem (como a técnica neuromuscular) podem ser
aplicadas a zonas específicas, relacionadas com determinado distúrbio ou
órgão.
- Nas condições mais específicas, como alterações patológicas, a massagem
é aplicada para ajudar a aliviar alguns dos sintomas associados ao problema.
(CASSAR, 2001, p. 162).

UNIDADE II
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a Realização da Massoterapia 26
É importante salientar que deve-se manter sempre o diálogo e a transparência não só
com o cliente, mas com seu médico responsável também, pois em caso de dúvidas é acon-
selhável uma conversa prévia com o mesmo, evitando assim qualquer tipo de intercorrência.

SAIBA MAIS

“No momento do atendimento ao público, deve ser considerada, além dos requisitos de
saúde e segurança, a idade legal. Pessoas com idade abaixo de 18 anos poderão reali-
zar o tratamento apenas com a autorização dos pais ou responsáveis.”

Fonte: Métodos e técnicas de avaliação estética, ANDRADE, G. et al., 2018, p. 14.

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3. TÉCNICAS E MANOBRAS EMPREGADAS NA MASSOTERAPIA

São diversos os movimentos e técnicas disponíveis, sendo classificadas em dois gru-

pos principais: as estimulantes e as relaxantes, e se diferem quanto a sua forma de aplicação.

É essencial compreendermos que independente dessas duas funções principais, todas as

técnicas têm ação terapêutica no tecido, facilitando permeação de ativos e agindo de forma a

prevenir disfunções ou tratar e promover o bem-estar. (KAMIZATO; BRITO, 2014).

Abordaremos a seguir alguns movimentos básicos gerais da massoterapia. Na

próxima unidade falaremos da sua aplicação em cada tipo de massagem.

Deslizamento: Pode ser empregado de maneira superficial ou profunda, ou uma

em seguida da outra, com as mãos e os dedos em contato com grandes superfícies da pele.

As mãos podem deslizar de forma alternada ou juntas na mesma direção. Geralmente é a

manobra de primeiro contato do profissional com o cliente. Esse movimento gera aumento da

temperatura da pele e favorece o retorno venoso. Observe a Figura 4 (SIMÃO et al., 2019).

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FIGURA 4 – DESLIZAMENTO

Fonte: SIMÃO et al., 2019, p. 26.

Amassamento: Essa técnica é realizada de forma alternada e constante, mo-


vendo o tecido de maneira profunda, entre os dedos de uma mão e o polegar da outra.
O amassamento favorece o incremento da circulação sanguínea, oxigenação da pele e
dos músculos, além do relaxamento muscular e mobilização do tecido adiposo (gordura),
conforme a pressão e ritmo aplicados. Observe a Figura 5 (SIMÃO et al., 2019).

FIGURA 5 – AMASSAMENTO

Fonte: SIMÃO et al., 2019, p. 27.

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Fricção: Realizada com as mãos ou com os polegares, com movimentos de
deslizamento e também movimentos circulares, com pressão suficiente para mobilizar
apenas o tecido superficial ou pressão mais profunda para estimular a liberação de tensões
musculares por exemplo, além de outras estruturas profundas, como os tendões. O atrito
ocasionado pelo movimento provoca hiperemia (vermelhidão) e aquecimento tecidual na
área massageada. Observe a Figura 6 (SIMÃO et al., 2019).

FIGURA 6 - FRICÇÃO

Fonte: SIMÃO et al., 2019, p. 27.

Vibração: Movimento executado com as mãos abertas e os dedos relaxados,


exercendo um tremor rápido, também chamado de impulso vibratório, sobre toda a super-
fície. A vibração atinge as terminações nervosas presentes na pele, contribuindo para o
relaxamento. Observe a figura 7 (SIMÃO et al., 2019).

FIGURA 7 – VIBRAÇÃO

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Percussão: Normalmente esse movimento é empregado no final de uma massa-
gem, deve ser aplicado de maneira leve e com os punhos relaxados, o tecido é submetido
a pequenos golpes chamados de tapotagem, realizado com as mãos fechadas em formato
de concha, ou abertas com suas laterais. Também pode ser executada com as pontas dos
dedos realizando pinçamentos rápidos. Essa técnica ocasiona um maior fluxo nos capila-
res sanguíneos, melhorando a oxigenação do tecido e relaxando a musculatura. Também
provoca um efeito sonoro devido aos movimentos, mas não deve causar dor ou desconforto
ao paciente. A frequência deve ser rítmica e constante. Observar Figuras 8 e 9 (BORGES;
SCORZA, 2016).

FIGURA 8 – PERCUSSÃO – MÃOS EM FORMATO DE CONCHA

Fonte: SIMÃO et al., 2019, p. 132.

FIGURA 9 – PERCUSSÃO – COM AS LATERAIS DAS MÃOS

Fonte: SIMÃO et al., 2019, p. 28.

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Rolamento ou pinçamento: Nessa manobra segura-se o músculo realizando o
rolamento com a ponta dos dedos. Se aplicado em um ritmo rápido produz um efeito revigo-
rante, já em ritmo lento há um efeito relaxante. Pode ser associada também a manobra do
pinçamento, segurando firme o músculo por alguns segundos, mas sem pressão excessiva
para não provocar dor ou lesionar o tecido. Essa técnica é eficaz para realizar a mobilização
de fibroses e melhorar a circulação. Observar Figura 10 (BORGES; SCORZA, 2016).

FIGURA 10 – ROLAMENTO

Fonte: SIMÃO et al., 2019, p. 125.

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4. COMPONENTES DA MASSAGEM

Antes ainda de abordarmos sobre os tipos de massagem na próxima unidade,


precisamos levar em conta alguns fatores que são fundamentais e necessitam ser conside-
rados na hora de realizar a massagem, independente da técnica escolhida.
O primeiro deles é a DIREÇÃO do movimento. Ela pode ser centrífuga, quando o mo-
vimento se afasta do coração, ou seja, do centro do corpo para “fora”, ou centrípeta, quando
os movimentos ocorrem das extremidades do corpo em direção ao coração (FRITZ, 2002).
Outro é a PRESSÃO, que pode ser leve, moderada, profunda ou variável. (FRITZ,
2002). Conforme a técnica utilizada e a finalidade pretendida. A pressão leve normalmente
é aplicada sobre tecidos finos ou em regiões com proeminências (saliências) ósseas. Já o
movimento aplicado com intensidade profunda é geralmente utilizado em áreas com maio-
res proporções musculares ou maior densidade de gordura (GONÇALVES, 2006).
No entanto, deve-se ter muita cautela na hora de realizar maior pressão, devido
à tolerância individual de cada cliente, deve-se preferencialmente iniciar com movimentos
leves e ir aumentando a pressão aos poucos.
Temos também o RITMO, ele se refere à harmonia da massagem, deve se adequar
ao seu objetivo, por exemplo, se a intenção é provocar um estímulo na região o ritmo das
manobras deve ser rápido, porém, se a intenção é proporcionar relaxamento, os ritmos
devem ser lentos (KAVANAGH, 2010).

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A DURAÇÃO da massagem é outro fator muito importante, ela pode se referir ao
tempo de duração da sessão, 30 ou 60 minutos por exemplo, ou ao tempo completo do
tratamento, 1 mês, 2 meses, etc (BRAUN; SIMONSON, 2007).
A FREQUÊNCIA é um fator que também deve ser levado em consideração, ela se
reporta ao número de vezes que o método se repete em um determinado período de tempo,
podendo ser duas vezes por semana por exemplo, isso irá depender do tipo de massagem,
dos efeitos e resultados desejados (FRITZ, 2002).
Podemos citar também o MEIO, que indica os produtos cosméticos que podem ser
utilizados para facilitar o deslizamento das mãos do profissional na pele do cliente, mas
nem sempre devem ser utilizados. Há manobras que necessitam do contato direto. Os
meios mais utilizados são os óleos e os cremes.
De acordo com Fritz (2002, p. 292), “os óleos e cremes podem ser vegetais, mi-
nerais ou à base de petróleo (…) dê preferência aos produtos que sejam mais naturais e
evite usar substâncias petroquímicas e talco, porque muitas pessoas são alérgicas a essas
substâncias”.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Aprendemos no início da unidade a importância da avaliação prévia do cliente, com


o intuito de prevenir o risco de intercorrências, como uma lesão por exemplo, e reduzir a
possibilidade de agravamento de alguma patologia. Também se pôde compreender que a
realização de uma criteriosa anamnese norteará a escolha das ações a serem seguidas, vi-
sando oferecer um tratamento de qualidade e eficácia ao cliente. Além de percebermos que
ela é um documento extremamente indispensável para registro de todas as informações e
dados pertinentes ao caso, sendo composta também pelo plano de tratamento e pelo termo
de consentimento.
Depois reconhecemos que há diversas indicações para massagem e elas variam
conforme os benefícios desejados, entretanto, também observamos que existem contra
indicações, as quais devem ser consideradas na hora de avaliar, por isso a relevância
do conhecimento técnico-científico do profissional, sendo fundamental para que o mesmo
tenha a capacidade de avaliar o paciente e identificar suas necessidades, podendo assim,
definir sua conduta profissional adequadamente.
Em seguida, compreendemos as principais técnicas e movimentos empregados
na massoterapia de forma geral, bem como a maneira de aplicação e a finalidade de cada
um(a), levando em conta os cinco componentes principais da massagem, que são: direção,
pressão, ritmo, duração e frequência. Através desses fatores é possível aplicar as técnicas
com precisão, conforme o caso.

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LEITURA COMPLEMENTAR

Quando falamos de anamnese corporal é importante que se tenha conhecimento


também sobre o recurso da consciência da autoimagem. Realize a leitura do artigo sugerido
e conheça mais sobre esse instrumento, isso lhe ajudará na hora de elaborar e colocar em
prática uma avaliação.

Introdução
A autoimagem corporal diz respeito à percepção da imagem que uma pessoa
tem do seu próprio corpo e dos sentimentos gerados por esta percepção 1. Trata-se de
um constructo que envolve crenças, representações, sentimentos, sensações, atitudes e
comportamentos relativos ao corpo. É fortemente condicionada por padrões sociais e esta
influência se prolonga por toda a vida, interferindo no comportamento, particularmente nas
relações interpessoais 1,2,3.
Nas últimas décadas, o expressivo aumento dos valores do índice de massa cor-
poral (IMC) parece ter contribuído para a insatisfação com a percepção do peso ou forma
corporal 1,3. Os resultados de um estudo realizado entre mulheres brasileiras sugerem
que a percepção do peso corporal influencia fortemente o comportamento alimentar, sobre-
pondo-se ao efeito do IMC medido 4. A imagem corporal também está relacionada com a
adoção de práticas de autocuidado, controle de peso, atividade física e com os transtornos
alimentares 1,3,4.
A escala de figuras de silhuetas 1,2,5 é uma das técnicas de avaliação da imagem
corporal, e é considerada bastante eficaz para avaliar o grau de satisfação com o próprio
corpo, definido a partir da diferença entre a percepção da forma e peso corporal atual, e
daquele que a pessoa gostaria de ter idealmente 2. Tem como vantagens adicionais o baixo
custo, a facilidade, rapidez no manuseio e a boa aceitação 1,5.
Trabalhos que avaliem adequadamente as qualidades psicométricas da escala de
silhuetas têm sido defendidos 6. A confiabilidade é etapa importante dessa avaliação, reflete
a qualidade da mensuração e a variabilidade do evento investigado, e deve ser medida de
acordo com a dinâmica ocorrida no processo de coleta dos dados de cada estudo 7. Quan-
do um mesmo instrumento utilizado em diferentes situações apresenta consistentemente
boa confiabilidade, tem sua “imanente qualidade” atestada 7.
A confiabilidade da escala de silhuetas foi medida em amostra de voluntários de
18 a 59 anos, da região de Ribeirão Preto e Mococa, interior do Estado de São Paulo, e

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apresentou resultados apenas de acordo com o sexo e estado nutricional em suas análises
1,5. A avaliação psicométrica, considerando pessoas com mais de 60 anos de idade e de
acordo com estratos de idade e níveis de escolaridade, um dos indicadores mais importantes
de posição socioeconômica, não foi avaliada anteriormente. Assim, o objetivo deste artigo é
apresentar as estimativas de confiabilidade teste-reteste da escala de silhuetas de avaliação
da autoimagem corporal segundo sexo, idade e escolaridade em uma subamostra dos parti-
cipantes do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) em seis capitais do país.

Métodos
O ELSA-Brasil 8 (aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa; CONEP
nº 13065) é um estudo multicêntrico envolvendo seis instituições de pesquisa, e tem como
objetivos principais determinar a incidência de doenças cardiovasculares e seus determinantes
biológicos e sociais. Fizeram parte da linha de base (2008-2010) 15.105 funcionários públicos
de 35 a 74 anos, que deverão ter o estado de saúde acompanhado por cerca de 15 anos.
O estudo de confiabilidade teste-reteste foi realizado em subamostra de participan-
tes do ELSA-Brasil que eram convidados a responder novamente ao questionário, aplicado
pelo mesmo entrevistador, no período de 7 a 14 dias após ter respondido pela primeira vez.
Foram estimados tamanhos amostrais que variaram entre 224 e 287 participantes (para o
conjunto dos Centros de Investigação), considerando-se cotas previamente estabelecidas
segundo sexo, idade e categoria profissional, definidas no ELSA-Brasil. A amostra final do
trabalho foi constituída por 281 participantes dos seis centros ELSA-Brasil.
A escala de silhuetas incluída no ELSA-Brasil, desenvolvida e validada por Kakeshi-
ta 1,5, é composta por duas perguntas: (1) Qual a figura que melhor representa o seu corpo
hoje?, e (2) Qual a figura que melhor representa o corpo que gostaria de ter? As respostas
eram fornecidas pela escolha de uma entre 15 silhuetas apresentadas em cartões indivi-
duais, dispostas em série ascendente, com variação progressiva na escala de medida da
figura mais delgada à mais larga, às quais correspondiam o IMC médio variando entre 17,5
e 47,5kg/m 1,5.
Consideraram-se valores médios de IMC correspondentes a cada figura proposta
1,5, cujas diferenças no teste e reteste foram testadas por meio de análise de variância
(ANOVA). Para as análises da confiabilidade dos escores das perguntas foi utilizado o
coeficiente de correlação intraclasse (CCI) estratificado por sexo, idade e escolaridade, e
respectivos intervalos de 95% de confiança. Os critérios de Landis & Koch 9 foram consi-
derados na avaliação dos níveis de estabilidade temporal: pobre < 0; fraca, de 0 a 0,20;
provável, de 0,21 a 0,40; moderada, de 0,41 a 0,60; substancial, de 0,61 a 0,80; e quase
perfeita, de 0,81 a 1,00).

UNIDADE II
I Requisitos
Introdução Importantes
e História dapara
Massoterapia
a Realização da Massoterapia 37
Os dados foram digitados de forma dupla e independente no programa Epi Info
(Centers for Disease Control and Prevention, Atlanta, Estados Unidos) e após a correção
de inconsistências as análises foram realizadas no programa SPSS, versão 18 (SPSS Inc.,
Chicago, Brasil).

Resultados
A amostra abrangeu proporção semelhante de homens e mulheres: 15,3% tinham
entre 35 e 44 anos; 37,4% entre 45 e 54; 35,2% entre 55 e 64; e 12,1% entre 65 e 74 anos.
Mais da metade deles tinham nível superior completo ou mais (54,4%); 31,3% tinham nível
médio completo e 13,5% dos participantes tinham nível fundamental.
As médias de IMC correspondentes às figuras em cada pergunta foram semelhan-
tes no teste e no reteste, tanto no cômputo geral quanto nos estratos de sexo, idade e
escolaridade (Tabela 1). No entanto, em cada estrato, as médias foram mais baixas na
pergunta relativa à representação do corpo que gostariam de ter quando comparadas às
médias de IMC do corpo atual, tanto no teste quanto no reteste (p < 0,001).
Todos os CCI ficaram acima de 0,80 (corpo atual e corpo que gostariam de ter). De
maneira geral, os valores foram mais baixos para a escala das figuras da representação
do corpo que gostariam de ter do que para o corpo atual. Não foram observadas variações
consistentes da confiabilidade segundo os estratos de escolaridade. Por outro lado, a con-
fiabilidade da informação fornecida pelas mulheres foi maior do que a dos homens. No item
“corpo atual”, a confiabilidade diminuiu na medida em que a idade aumentou. Além disso,
no item “corpo que gostaria de ter” identificou-se confiabilidade mais baixa entre os mais
velhos (65 a 74 anos de idade) e entre aqueles com idades entre 45 e 54 anos.

Discussão
Neste estudo, as informações a respeito da representação da autoimagem corporal
apresentaram níveis de confiabilidade quase perfeitos. Resultados semelhantes, utilizando
o mesmo instrumento, foram estimados em população do interior do Estado de São Pau-
lo 5, assim como, de forma semelhante aos nossos resultados, os autores identificaram
confiabilidade mais elevada entre as mulheres, refletindo entre elas maior regularidade na
preocupação com o próprio corpo, conforme já relatado em trabalhos anteriores 6.
Para ambos os sexos foram identificadas médias de IMC mais baixas no item que
se refere à representação do corpo desejado, comparado ao corpo atual. Esse resultado
confirma a extensa literatura da área 6 sobre o componente atitudinal da imagem corporal
que reflete a insatisfação corporal generalizada.

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I Requisitos
Introdução Importantes
e História dapara
Massoterapia
a Realização da Massoterapia 38
Entre os idosos a confiabilidade foi mais baixa, no entanto, o instrumento não foi
delineado especificamente para esta faixa etária, cuja morfologia corporal pode ser diferen-
te. Assim, estudos adicionais sobre a confiabilidade da escala nesse grupo são desejáveis.
Análises que considerem diferentes estratos de gênero e cada centro de pesquisa
poderiam enriquecer os resultados. No entanto, não puderam ser realizadas em função
de limitações do tamanho amostral. Estudos em andamento complementarão a avaliação
psicométrica no que se refere aos aspectos da validade das informações sobre a imagem
corporal dos participantes.
Considerando-se a magnitude e amplitude do ELSA-Brasil e a importância dos coe-
ficientes de confiabilidade dos instrumentos utilizados, este trabalho contribui para a avalia-
ção da qualidade dos dados coletados. Além disso, apresenta pela primeira vez resultados
da confiabilidade da imagem corporal de acordo com estrato de idade e de escolaridade,
inclui população entre 60 e 74 anos de idade de seis cidades diferentes do país. Portanto,
amplia a avaliação da qualidade do instrumento, tanto geograficamente quanto em relação
à faixa etária e posição socioeconômica, tendo a escolaridade como seu indicador. Nesse
sentido, os resultados deste trabalho preenchem lacunas importantes na validação inicial
de um instrumento novo, dando mais garantia a outros pesquisadores brasileiros para que
possam utilizá-lo.
As mudanças ambientais e socioculturais das últimas décadas influenciaram o
quadro atual de prevalência da obesidade. Investigar o universo simbólico e os aspectos
subjetivos que ajudam a condicionar hábitos de vida, com destaque para os comportamen-
tos alimentares, é essencial para entender o complexo fenômeno da obesidade 1. Do ponto
de vista da confiabilidade, os altos coeficientes identificados no presente estudo sugerem
que a escala de figuras de silhuetas é um bom instrumento para essas investigações.
Assim, a incorporação desse instrumento em um estudo longitudinal como o ELSA-Brasil
representa um grande potencial de produção de conhecimentos em âmbito nacional para o
controle da obesidade, o que é particularmente relevante em um contexto de aumento da
sua prevalência.

Fonte: GRIEP, R. H, et al. Confiabilidade teste-reteste de escalas de silhuetas de


autoimagem corporal no Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto. Cadernos de Saúde
Pública, v. 28, n. 9, p. 1790-1794, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-
311X2012000900017. Acesso em: 15 Jul 2021.

UNIDADE II
I Requisitos
Introdução Importantes
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Massoterapia
a Realização da Massoterapia 39
MATERIAL COMPLEMENTAR

LIVRO
Título: O corpo fala, a linguagem silenciosa da comunicação não
verbal
Autor: Pierre Weil e Roland Tompakow.
Editora: Editora Vozes; 74ª edição, 2015.
Sinopse: O livro tenta desvendar a comunicação não-verbal do
corpo humano, primeiramente analisando os princípios subterrâ-
neos que regem e conduzem o corpo. A partir desses princípios
aparecem as expressões, gestos e atos corporais que, de modos
característicos estilizados ou inovadores, expressam sentimentos,
concepções, ou posicionamentos internos. Acompanham 314
ilustrações.

FILME/VÍDEO
Título: Tutoriais em Estética
Ano: 2020.
Sinopse: Playlist composta por 3 videoaulas sobre FOTODOCU-
MENTAÇÃO. Canal do Youtube: Instituto Ricco Porto. Na primeira
aula Ricco Porto explica o que é fotodocumentação, quais são as
finalidades e os requisitos para a realização. A segunda aula da
playlist trás orientações e sugestões de como montar e organizar
o ambiente para a realização da documentação fotográfica, além
de dicas práticas sobre: Iluminação, posicionamento do cliente e
da câmera, enquadramento da foto, ângulo, elementos de distra-
ção, montagem, termo de uso da imagem e armazenamento. Na
terceira aula o professor sugere um programa para a montagem
da fotodocumentação e ensina como utilizá-lo. “Ricco Porto é
Esteticista e Cosmetólogo. Pós Graduado em Estética Facial e
Corporal, Gestão e Docência em estética, Educador, Pós gradua-
do em Docência do Ensino Superior. Mestrando em Educação.
Membro representante da Federação Mundial de Massoterapia
(World Massage Federation) desde 2014. Sendo a primeira es-
cola Brasileira com esse título. Docente em cursos de Estética e
Massoterapia, atuando como profissional dessas áreas há mais
de 17 anos. Palestrante Internacional em Workshops, Simpósios e
cursos. Diretor do Instituto Ricco Porto desde 2007.”
Link da Playlist: https://youtube.com/playlist?list=PLpxxx7R1N-
zpZ6h164IlVOAJkmY-sjVwhr
https://youtube.com/playlist?list=PLpxxx7R1NzpZ6h164IlVOA-
JkmY-sjVwhr

UNIDADE II
I Requisitos
Introdução Importantes
e História dapara
Massoterapia
a Realização da Massoterapia 40
UNIDADE III
Diferentes Tipos de Massagem
Professora Esp. Flávia Lugokinski Garcia de Morais

Plano de Estudo:
1. Massagem Relaxante;
2. Massagem Modeladora;
3. Drenagem Linfática Manual;
4. Ambientação;
5. Ergonomia.

Objetivos da Aprendizagem:
● Identificar tipos de massagem que podem ser realizadas com a
associação das técnicas, manobras e componentes;
● Compreender a organização do ambiente adequado para
realização de cada massagem;
● Reconhecer as posições ergonômicas
específicas do terapeuta.

41
INTRODUÇÃO

Agora que sabemos o que é anamnese, e como realizar uma boa avaliação, vamos
estudar especificamente sobre os tipos mais comuns de massagens utilizadas na área da
massoterapia.
Depois, iremos aprender o que é necessário para um atendimento de qualidade,
como preparar o ambiente para receber o cliente e conseguir pôr em prática as técnicas
aprendidas. Além de entendermos sobre as posições ergonômicas adequadas ao profissional.

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 42


1. MASSAGEM RELAXANTE

A massagem relaxante possui como objetivos principais o alívio de dores, dimi-


nuição da tensão, diminuição do stress e relaxamento de forma geral. O relaxamento se
inicia pelo corpo e logo em seguida é possível relaxar a mente. Já sabemos que através
do toque, toda a superfície do corpo recebe estímulos e através das terminações nervosas
proporcionam reações de relaxamento a quem recebe.
Essa técnica vem sendo buscada há muito tempo e cada vez mais, como um meio
de auxílio para o equilíbrio físico e psicológico, pois ajuda o indivíduo a resgatar sua autoes-
tima através do autocuidado (BRAUN; SIMONSON, 2007).
Lessa et al. (2016) afirmam que a massagem relaxante ameniza tensões de mús-
culos sobrecarregados ou rígidos e provoca também um estado benéfico para o sono, por
isso recomenda-se fazer antes de dormir, trazendo benefícios para quem sofre de insônia.
De acordo com Kavanagh (2006) os movimentos são realizados de forma coorde-
nada e rítmica, podendo ser profundos ou superficiais, aliviam tensões ocasionadas pela
má postura e sedentarismo por exemplo e promovem a melhora da circulação, bem-estar
e qualidade de vida.
Esse estilo de massagem através de algumas manobras é capaz de reduzir e até
eliminar contraturas musculares, como os nódulos de tensão e os pontos gatilhos, que
podem ser decorrentes da má postura ou muito esforço físico (KAVANAGH, 2006).
No sistema circulatório a massagem relaxante favorece o retorno do sangue ao
coração, facilitando a oxigenação tecidual (KAVANAGH, 2006).

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 43


Recomenda-se que a prática seja iniciada com movimentos lentos e superficiais
e de forma gradativa se acrescenta maior pressão e velocidade. A harmonia entre uma
manobra e outra é fundamental para obter os resultados (KAVANAGH, 2006).
O profissional deve deixar o cliente o mais confortável possível, induzindo o mesmo
ao silêncio, para que o momento seja de profunda calma e tranquilidade. Geralmente a dura-
ção da sessão pode variar entre quarenta minutos à uma hora e meia. (LESSA et al., 2016).
Logo abaixo você encontrará uma sugestão de sequência para aplicação da técnica
de massagem relaxante, descrita pela própria autora.
O cliente pode ser posicionado em decúbito dorsal (barriga para cima), iniciando a mas-
sagem pelos pés, um de cada vez. Indica-se manter o cliente coberto com lençol durante o tempo
da sessão, descobrindo aos poucos, somente as regiões que serão trabalhadas no momento.
O primeiro movimento é o de deslizamento suave, depois, com uma mão ligeira-
mente fechada fazer movimentos para cima e para baixo na planta do pé, deixando a outra
mão no dorso do mesmo, como apoio.
Outro movimento sugerido é o de “abertura”, segurando o centro dos pés com as
duas mãos, com os polegares localizados na parte superior, deslizando em lados opostos,
para as laterais.
No terceiro passo pode ser feito um alongamento, empurrando o pé para frente,
segurando por alguns segundos e depois empurrando para baixo, também por alguns se-
gundos, depois pode-se realizar o movimento de rotação com o pé, para um lado e para o
outro, finalizar com deslizamento superficial novamente.

REFLITA

Há casos de pessoas que têm muita sensibilidade e cócegas na planta dos pés, tenha
sutileza e firmeza ao mesmo tempo para realizar os movimentos, eles podem ser reduzi-
dos até o cliente ir se acostumando no decorrer das sessões, pois deve-se priorizar um
toque agradável e relaxante

(O autor).

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 44


Depois disso, seguir com a massagem para as pernas, podendo iniciar com desli-
zamento superficial do tornozelo até a coxa, subindo com as mãos no centro e descendo
com as mãos nas laterais, depois, posicionar as mãos em formato de C, subir de forma
alternada, realizando uma pressão suave, até a coxa, e descer deslizando com as mãos
nas laterais do membro. Outra sugestão é realizar movimentos circulares grandes com as
mãos, na perna inteira.
Na coxa pode ser realizado o movimento de amassamento, com pressão leve a
moderada e movimentos suaves para relaxamento. Depois repetir todos os movimentos na
outra perna.
Após finalizar a massagem nos membros inferiores em decúbito dorsal, a próxima área
é do abdômen. Com as duas mãos, de forma alternada, promover grandes círculos em toda a
região, depois, posicionar uma mão sobre a outra e realizar movimentos de pequenos círculos
em volta do umbigo, sempre em sentido horário, acompanhando o funcionamento do intestino.
Finalizar com movimentos suaves de deslizamento em toda a extensão do abdômen, iniciando
abaixo do umbigo, subindo até o início do esterno (osso localizado no centro do peito), descendo
pelas laterais do abdômen, passando pela cintura e finalizando no ponto inicial.
A próxima região a ser massageada é dos membros superiores (braços), iniciando
pela mão, depois antebraço e braço, até chegar ao ombro, os movimentos podem ser de
deslizamento, circulares e amassamento.
Na região do pescoço deve-se ter atenção especial, movimentos de alongamento
são importantes, mas sempre com cuidado, deve-se posicionar a cabeça do cliente lateral-
mente, apoiar uma mão na face e outra no ombro, empurrando-o para baixo, respeitando
o limiar de dor do indivíduo. Repetir o passo do outro lado. Logo em seguida, massagear
a região do pescoço e uma parte do trapézio, finalizando na face, com deslizamentos por
todo o rosto em sentido ascendente. O couro cabeludo também pode ser massageado com
movimentos circulares.
Após finalizar a primeira etapa, deve-se massagear a região posterior do corpo,
decúbito ventral (costas para cima), iniciando nos membros inferiores, pode-se massagear
novamente os pés e subir para o tornozelo realizando movimentos circulares e desliza-
mento até a coxa, podem ser empregados também os movimentos de amassamento e
percussão. Na área do glúteo, caso deseje, uma sugestão de movimento é realizar uma
pressão moderada com a mão fechada, seguida de pequenos círculos por toda a área.

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 45


Por fim, massageia-se as costas, normalmente é a região com mais queixa de dor,
devido ao maior acúmulo de tensão muscular. Deve ser muito bem trabalhada, assim como
as outras áreas. Iniciar com deslizamento da lombar até os ombros; com os polegares
realizar movimentos circulares de fricção, por toda a extensão das laterais da coluna, com
pressão leve. Também pode ser empregado o movimento de rolamento nessa área. Depois,
massagear toda a região das costas com movimentos circulares; contornar as escápulas
massageando suavemente com movimentos ascendentes. No trapézio e nos ombros pro-
mover amassamento e tapotagem. Finalizar com movimento de vibração.
O estímulo na região do trapézio é fundamental para o relaxamento, normalmente
onde se acumulam maiores cargas de tensão (LESSA et al., 2016).
Cada manobra pode ser repetida em torno de cinco vezes, conforme observar a
necessidade. Quando houver uma área mais tensa, como as costas por exemplo, ou outra
área de queixa do paciente, dar mais atenção.
Lembrando que essa sequência é apenas uma sugestão, caso achar necessário
podem ser retirados ou incluídos outros movimentos. Vale salientar que para realizar essa
técnica deve-se utilizar algum creme ou óleo de massagem específico, em quantidade
certa, para facilitar o contato e a realização adequada de cada movimento.

SAIBA MAIS

Antes de iniciar a sequência da massagem, lembre-se da avaliação prévia e da pré-


-massagem: momento da explicação das etapas do procedimento e instruções gerais,
como por exemplo, a maneira como cliente deve subir na maca. É importante para que
o paciente se sinta seguro e confiante. Lembre-se também de deixar exposta apenas a
área que será trabalhada no momento, e o restante coberta

(O autor).

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 46


2. MASSAGEM MODELADORA

Na unidade l aprendemos que nossa pele é dividida em duas camadas principais,


a epiderme e a derme. Há uma camada adjacente à elas, chamada de hipoderme, camada
adiposa, ou tela subcutânea. É nessa camada que se encontram as células de gordura, co-
nhecidas como adipócitos (figura 3), eles têm a função de armazenar energia, proporcionar
amortecimento e funcionam como isolantes térmicos (BORGES; SCORZA, 2016).
A hipoderme é altamente vascularizada e a quantidade de células adiposas em seu
interior depende da região do corpo. Há uma atividade constante nessa camada. Quando
ocorre a transformação dessas células de gordura em moléculas menores, pela ação de
hormônios, chamamos esse processo de lipólise, ou seja, a metabolização da gordura, ou
a sua “quebra” (GRAAFF, 2003).

FIGURA 3 – ADIPÓCITO (CÉLULA DE GORDURA)

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 47


Entretanto, esse mecanismo não é possível de ser alcançado apenas com o recurso
da massagem modeladora, embora seja comum ouvirmos falar desse efeito que a massa-
gem supostamente promoveria, ela não realiza a “quebra” de gordura e sim o aumento da
circulação sanguínea e a acomodação de adipócitos de maneira reorganizada, levando o
cliente a ter um contorno remodelado de sua silhueta (BORGES; SCORZA, 2016).
Através de seus movimentos vigorosos e rápidos ocorre o processo chamado de
hiperemia (vermelhidão), pois eles estimulam os capilares, as artérias e os vasos sanguí-
neos aumentando a circulação (velocidade, volume e fluxo) e a oxigenação tecidual. Esse
efeito pode ser chamado de ação mecânica, tendo como benefício o favorecimento da
permeação de ativos cosméticos (PEREZ, E; VASCONCELOS, M. G; 2014).
Cassar (2001) também afirma que essa pressão mecânica exercida pela massa-
gem, principalmente no tecido adiposo, ocasiona além da hiperemia, aumento do calor e
maior gasto energético.
De acordo com Borges e Scorza (2016) a massagem também promove estímulo
da circulação linfática, além de atuar na melhora dos movimentos peristálticos do intestino,
isso devido a algumas manobras da técnica.
Tacani et al. (2010), relatam que a massagem modeladora torna a aparência da
pele mais saudável e hidratada, devido a sua capacidade de atuar na desobstrução dos
poros, eliminando as células mortas da superfície da pele.
As áreas de foco para realização dessa técnica são as coxas, glúteos, abdômen e
braços, as quais geralmente apresentam concentração de gordura localizada e fibroede-
mageloide (FEG), conhecida também como celulite. A massagem atua melhorando essas
afecções e consequentemente a textura e aparência da pele (BORGES; SCORZA, 2016).
Podem ser citadas como manobras de destaque, as mais usuais da técnica, o
deslizamento, amassamento e percussão, podendo ser empregados também a fricção, o
pinçamento e a vibração. Todas elas tendo maior pressão, ritmo e velocidade mais intensos,
comparados a massagem relaxante (PEREIRA, 2013).
Todavia, esses movimentos não devem causar danos ao tecido. Se houver presen-
ça de hematomas, por exemplo, é sinal de que houve rompimento de um vaso sanguíneo e
consequente extravasamento de sangue para os tecidos superficiais. Veja na figura abaixo
a representação da lesão que pode ser ocasionada caso a pressão seja aplicada de forma
inadequada.

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 48


FIGURA 4 - DANO NA PAREDE DO VASO SANGUÍNEO

Fonte: PEREZ; VASCONCELOS; 2014, p. 83.

Ou seja, a massagem modeladora é de fato uma ótima opção para ser utilizada
como coadjuvante nos tratamentos de FEG e gordura localizada, produzindo efeitos em di-
versos sistemas do organismo. Devendo ser empregada de forma correta para se alcançar
os inúmeros benefícios.
Para realizar a técnica deve-se utilizar um meio de contato, geralmente um creme
com princípios ativos, de acordo com a finalidade do tratamento (cânfora, mentol, nicotinato
de metila, cafeína, hera, etc). Pode ser utilizado apenas um creme neutro, mas a associação
de ativos e óleos essenciais intensificam os efeitos da massagem (RIBEIRO, 2010).
Lembrando sempre de ficar atento as contraindicações, por exemplo, se a pessoa
relatar queixa de edema (inchaço) e apresentar varizes em membros inferiores significa
que a circulação sanguínea está comprometida, nesses casos as manobras devem ser
suaves e superficiais, e de preferência optar pela técnica de drenagem linfática, e ainda,
antes de realizar consultar o médico responsável ou encaminhar a cliente para um médico
e verificar se a mesma pode ser submetida às massagens.

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 49


SAIBA MAIS

Dica importante: Sempre manter contato com o cliente durante a realização da massa-
gem. Por exemplo: se você está finalizando as manobras com deslizamento em uma
perna, já estabeleça contato com a outra sem perder a suavidade do toque e poder dar
início a sequência de manobras escolhidas

(O autor).

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 50


3. DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL

A drenagem linfática manual é uma técnica diferente das outras massagens que
abordamos até aqui. É um procedimento que requer um aprimorado conhecimento do sis-
tema linfático, tendo em vista que seu objetivo é imitar a fisiologia deste sistema.
As manobras devem ser realizadas de maneira leve (suficiente apenas para deslo-
car a linfa), superficial (pois a grande maioria dos nossos capilares linfáticos encontram-se
superficialmente) e sempre na mesma direção (para acompanhar o fluxo linfático). Ou seja,
observando os seguintes componentes principais: a pressão, o ritmo e a direção.
A drenagem linfática pode ajudar em muitos casos, além do combate ao edema
(inchaço), como por exemplo a acne e a rosácea, alterações estéticas comuns no cotidiano
do profissional da estética. Além de poder ser empregada também em casos de hematoma,
queimaduras, pós-cirúrgico, eritema solar, linfedema, sinusite, entre outros (SANCHES;
ELWING; 2014).
Entretanto, apesar de haverem inúmeras indicações, o profissional deve sempre
ficar atento na hora de avaliar previamente para compreender a real indicação da drena-
gem linfática, pois há casos que se faz necessário pedir autorização médica para poder
realizar a técnica.
Vasconcelos (2015, p. 91) destaca que: “para a aplicação da drenagem linfática
manual não se recomenda a utilização de cremes ou óleos. O ideal é que a técnica seja
realizada sobre a pele totalmente limpa. As mãos do terapeuta devem estar muito limpas e
secas a fim de realizar as manobras com precisão”.

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 51


Há três métodos principais de drenagem linfática manual (DLM), a técnica de Le-
duc, Godoy e Vodder, cada um com suas particularidades, especialmente em relação à
execução das manobras, porém, fisiologicamente com os mesmos objetivos.
Agora você irá conhecer as principais manobras utilizadas e a direção correta que
a linfa deve seguir. Mas antes, observe na figura abaixo as divisões e o trajeto que a linfa
percorre, na face e no corpo, sendo que esse é o mesmo caminho que os movimentos da
drenagem devem percorrer.

FIGURA 6 – DIREÇÃO DA DRENAGEM LINFÁTICA

Círculos fixos: Os movimentos são realizados de forma circular, com as mãos in-
teiramente estendidas sobre a pele do cliente, ou então, em áreas que isso não é possível,
posiciona-se apenas os dedos estendidos. A pele deve ser movimentada, deslocada, ou
seja, os dedos não deslizam sobre a pele. A pressão deve ser leve e intermitente. Pode ser
feita no rosto, cabeça, pescoço, mãos, pés, etc. E nas regiões de maiores concentrações
de linfonodos, para estimulação (LEDUC, A.; LEDUC, O., 2008).
Bombeamento: Para executar essa manobra deve-se tocar suavemente a pele do
cliente com toda a mão, nunca apenas com a ponta dos dedos, não deve ser exercida
pressão. O movimento deve empurrar delicadamente a pele para baixo e em seguida retirar
a pressão, bombeando assim, a linfa dentro dos linfonodos. O movimento deve ser repetido
de maneira gradual e lenta, várias vezes (FONSECA, 2010).

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 52


Bracelete: Utilizado geralmente em grandes áreas. Pode ser feito com uma ou
as duas mãos, envolvendo a pele do cliente e realizando pressão leve e intermitente, ou
seja, pressionar e soltar várias vezes, em torno de dois segundos cada fase (LEDUC, A.;
LEDUC, O., 2008).
Oliveira (2018, p. 61) destaca algumas informações importantes para a realização
da drenagem linfática manual:

- Todo movimento começa com pressão zero na pele, o aumento e diminuição


da pressão ocorrem lentamente.
- Você sempre inicia na região proximal ao linfonodo; todas as manobras
são de proximal a distal, ou seja, você vai iniciar as manobras sempre da re-
gião mais próxima dos linfonodos (proximal) e vai se deslocando para as re-
giões mais distantes (distais), sempre direcionando a linfa até os linfonodos.
- As manobras da DLM não devem causar vermelhidão na pele.
- A DLM não deve ser dolorosa.
- As manobras precisam ser rítmicas e uniformes.

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 53


4. AMBIENTAÇÃO

A qualidade do serviço será determinada pelo cliente não somente através da técni-
ca de massagem recebida, mas também pelo ambiente no qual será destinado à prática das
massagens. Ele deve transmitir uma sensação aconchegante, agradável e de bem-estar,
independente de qual técnica de massagem for utilizar.
Antes de chamar seu cliente e iniciar o atendimento certifique-se que está tudo
em ordem e não falta nenhum item em sua sala, travesseiro, almofada, lençóis, produtos
cosméticos, música, altura da maca, entre outros detalhes importantes, que serão utiliza-
dos e essenciais durante a sessão. A organização é crucial para a criação de conforto e
relaxamento do cliente (KAVANAGH, 2010).
Segundo Lidell e Thomas (2002), quanto mais acolhedor e confortável for o am-
biente da massagem, mais eficaz ela será. Veja abaixo alguns exemplos de ambientes:

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 54


FIGURA 8 – AMBIENTE 01

FIGURA 9 – AMBIENTE 02

FIGURA 10 – AMBIENTE 03

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 55


FIGURA 11 – AMBIENTE 04

A organização demonstra compromisso do profissional para com seu cliente. Deve-


-se ter cuidado com excesso de enfeites e objetos que possam porventura tirar a atenção
do cliente e atrapalhar seu relaxamento. O espaço deve ter uma temperatura agradável,
mantendo o ar em circulação, mas sem corrente de ar diretamente no cliente (BRAUN;
SIMONSON, 2007).
Outro fator importante que deve ser levado em conta é a iluminação. Pode ser uma
luz natural, uma lâmpada amarela, abajur, ou velas, criam um ambiente propício para a
massagem (KAVANAGH, 2006).
O aroma do ambiente também faz toda a diferença, procure conhecer o seu cliente
e adequar melhor as opções de acordo com a preferência dele, há disponíveis no mercado
inúmeras opções, como por exemplo os sprays, difusores, aromatizadores e incensos.
Deve haver cuidado com sons e barulhos, para que não causem distração ou in-
cômodo ao cliente (relógio, alarme, televisão, celular, ruído de quaisquer outros objetos),
para isso ter uma música tranquila e relaxante, completa de forma agradável e auxilia a
induzir o relaxamento, como por exemplo sons da natureza e barulho de água (BRAUN;
SIMONSON, 2007).
Além dos fatores citados não podemos esquecer dos cuidados básicos com a
higiene e a biossegurança (LIDELL; THOMAS, 2002).

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 56


5. ERGONOMIA

Manter uma boa postura durante os atendimentos e saber utilizar os músculos de


maneira correta é essencial para evitar lesões.
De acordo com Cassar (2001), um posicionamento adequado é aquele em que o
profissional mantém os pés bem apoiados no chão e ao mesmo tempo tem liberdade para
execução dos movimentos.
Independente do local de realização da massagem, seja em uma maca, cadeira
de massagem ou colchonete, o profissional deve manter uma posição adequada, caso
contrário o excesso de esforço poderá resultar em dor e lesão (KAVANAGH, 2006).
A regra geral para regulagem da altura da maca é que ela fique na altura do dedo
indicador do profissional, ou na metade de sua coxa. As vezes é necessário reajustar, caso
mais de um profissional utilize a mesma maca. Outro fator importante é o espaço ao redor
da maca, a recomendação é de pelo menos um metro de cada lado, para que dessa manei-
ra o profissional consiga permanecer com a postura correta (BRAUN; SIMONSON, 2007).
O massoterapeuta, ainda hoje, acaba realizando posições e manobras que,
em sua grande maioria, são incorretas, resultando em sobrecarga física, des-
respeito postural a angulações, sobrecarga biomecânica estática, dinâmica e
repetitiva. Fritz (2002) argumenta essa afirmação, relatando que a mecânica
corporal do profissional envolve: uma boa postura, equilíbrio e o uso dos
músculos mais fortes e maiores para realizar o trabalho. Fadiga, distensão
muscular e ferimento, inclusive síndromes de uso excessivo, podem ser o re-
sultado de posicionamento e uso impróprio do corpo do profissional enquanto
aplica uma massagem (PUERARI; CIAPPINA, 2011, p. 16).

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 57


De acordo com Braun e Simonson (2007), há dois componentes principais para
se obter uma boa mecânica corporal, o princípio da alavanca e o alinhamento estrutural
favorável, aplicando os dois consegue-se reduzir a fadiga e prevenir lesões.
Kavanagh (2010) salienta três posturas principais, as quais veremos a seguir:

Postura Ereta (figura 8): As costas permanecem eretas e os pés ligeiramente


separados, distribuindo o peso igualmente em cada perna. Essa posição permite que o
profissional consiga inclinar seu corpo levemente para frente para executar as manobras,
sem forçar os músculos das costas desnecessariamente (KAVANAGH, 2010).
Postura do Guerreiro (figura 9): Pernas paralelas, pés separados na largura do
ombro, um à frente do outro. Alguns autores denominam essa postura como esgrimista.
Ideal para realizar movimentos amplos que requerem maior pressão no toque, pois essa
posição proporciona uma alavanca para o profissional (KAVANAGH, 2010).
Postura do Macaco: Também conhecida como postura de cavaleiro. Os pés são
posicionados paralelos ao ombro, joelhos ligeiramente flexionados, costas reta, distribuindo
igualmente o peso do corpo em ambas as pernas. Postura recomendada para movimentos
em que os pés fiquem fixos. (KAVANAGH, 2010).

REFLITA

É importante realizar alongamento antes e após atendimento de massagem, para evitar


dor, desconforto, tensão mecânica e manter a flexibilidade dos tecidos

(O autor).

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 58


FIGURA 13 – POSTURA ERETA

Fonte: Kavanagh, 2010, p. 108.

FIGURA 14 – POSTURA DO GUERREIRO

Fonte: Kavanagh, 2010, p. 109.

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 59


FIGURA 15 – POSTURA DO MACACO

Fonte: Kavanagh, 2010, p. 109.

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 60


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Chegamos ao final da terceira unidade da disciplina de Técnicas Manuais. Esta


unidade foi primordial para a percepção das técnicas mais comuns de massagens.
Na primeira parte pudemos compreender os benefícios que a massagem relaxante
pode proporcionar. Eles vão além do relaxamento, promovem alívio de dores, tensões,
equilíbrio psicológico, melhora na qualidade do sono e melhora na qualidade de vida.
Logo em seguida aprendemos sobre a massagem modeladora, seu propósito é
auxiliar na modelagem corpórea, promovendo nutrição e oxigenação dos tecidos que rece-
bem as manobras, facilitando a eliminação de toxinas e a permeação de princípios ativos, já
que essa técnica promove hiperemia local. E apesar dos movimentos necessitarem maior
intensidade, velocidade e ritmo diferentes da massagem relaxante não devem de maneira
alguma ocasionar danos ao tecido.
Na terceira parte estudamos sobre a técnica de drenagem linfática corporal, esta já
é realizada com movimentos leves e muito suaves, pois visa imitar o próprio sistema linfáti-
co do organismo. Conhecemos os seus benefícios e as principais manobras empregadas,
que podem ser escolhidas conforme o profissional se identificar e observar a necessidade
na hora da aplicação, podendo inclusive personalizar o procedimento, pois apesar de terem
o mesmo objetivo as manobras variam conforme o autor.
Depois foi abordado sobre a importância da ambientação, como ter um ambiente
organizado, limpo e aconchegante influencia no relaxamento, conforto e qualidade da mas-
sagem que será realizada.
Na última parte compreendemos sobre a ergonomia, vimos que o posiciona-
mento adequado na hora do atendimento é fundamental para evitar dores e sequelas
ao profissional.

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 61


LEITURA COMPLEMENTAR

EFICÁCIA DA TÉCNICA DE MASSAGEM MODELADORA PARA REDUÇÃO DE


ADIPOSIDADES E DO FIBRO EDEMA GELÓIDE

Ilka Cavalcante França; Eliane Worona Akatsuka; Carolina Palma Leal; Marta Regina Figueiredo;

Lisley Alves de Oliveira; Natalie Souza de Andrade

RESUMO: O fibro edema gelóide (FEG), conhecido popularmente como celulite,


é uma patologia que atinge a estrutura dermo-hipodérmica, caracterizada por nódulos de
variado tamanho e localização, espessamento sub-epidérmico, podendo apresentar um
quadro álgico evoluindo para um déficit funcional no membro inferior acometido. A pa-
tologia está relacionada a um processo reativo da matriz extracelular com consequente
hiperpolimerização das glicosaminoglicanas, retenção hídrica, aumento da viscosidade
da substância fundamental, irritação das fibras teciduais com formação de tecido fibroso.
Muitas mulheres procuram tratamentos estéticos para tentar se encaixar nos padrões de
beleza, estabelecidos nos dias atuais. Dentre os principais tratamentos, temos a massa-
gem modeladora, que tem como principal objetivo trabalhar de forma localizada a parte
onde se deseja uma redução de medidas e uma melhora da aparência do FEG, ativando
a circulação sanguínea, com os movimentos firmes, rápidos e repetitivos. Verificamos que
através de artigos pesquisados sobre o FEG, a massagem modeladora, tem uma eficácia
significativa na melhora do tratamento da FEG, cabe ao profissional da saúde fazer uma
avaliação detalhada para obter um bom resultado. Palavras-chave: emagrecimento; esté-
tica; gordura localizada; massagem modeladora; celulite; fibro edema gelóide.

Fonte: Atas de Ciências da Saúde, São Paulo, Vol.4, N°.2, pág. 23-30, ABR-JUN 2016.

Disponível em: 1150-4064-1-PB.pdf. Acesso em: 10 ago .2021).

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 62


MATERIAL COMPLEMENTAR

LIVRO
Título: Princípios da drenagem linfática
Autor: Michael Földi Roman H. K. Strößenreuther.
Editora: Editora Manole; 4ª edição, 2012.
Sinopse: Com inúmeros benefícios comprovados tanto no
campo estético quanto no terapêutico, a drenagem linfática
constitui uma técnica de massagem indicada para a pre-
venção e o tratamento de uma série de condições clínicas.
Este livro descreve como e por que as manobras de drenagem
linfática manual funcionam. Explicações claras, diversas ilustra-
ções e um projeto gráfico didático ajudam o leitor a compreender a
técnica e os fundamentos anatômicos e fisiológicos envolvidos em
todo o sistema linfático.

FILME/VÍDEO
Título: Massagem Relaxante nas costas
Ano: 2018
Sinopse: Vídeo aula demonstrando o passo a passo de uma
massagem relaxante nas costas. Canal do You Tube: Tratando de
Estética com Gabi Tuller.
“Com mais de 15 anos de carreira não somente como Profissional
da Estética mas como Professora Universitária, de Cursos Livres
e também de Pós-Graduação, sendo esta última atuando também
como Coordenadora, Gabriela Tuller, ou Gabi Tuller como é co-
nhecida, já lecionou para mais de 7 mil alunos”
Link do vídeo: https://youtu.be/nayXKqtYCpA

UNIDADE III Diferentes Tipos de Massagem 63


UNIDADE IV
Recursos Manuais Complementares
Professora Esp. Flávia Lugokinski Garcia de Morais

Plano de Estudo:
1. Gomagem e Esfoliação corporal;
2. Shantala;
3. Quick Massage;
4. Massagem Epicrânia.

Objetivos da Aprendizagem:
● Conhecer técnicas e recursos manuais complementares, seus benefícios e de que
maneira podem ser aplicados, em associação ou isoladamente;

64
INTRODUÇÃO

Chegamos na última unidade da nossa apostila, até aqui obtivemos um amplo


entendimento da massoterapia, como avaliar o cliente adequadamente, como escolher
e aplicar as técnicas de acordo com cada necessidade e também quando não devemos
realizar, além de muitas outras informações indispensáveis para que o atendimento seja
efetuado da melhor maneira possível.
Agora vamos conhecer recursos e técnicas manuais que podem servir de com-
plemento às técnicas de massoterapia já aprendidas ou também podem ser aplicados
isoladamente.

UNIDADE IV Recursos Manuais Complementares 65


1. GOMAGEM E ESFOLIAÇÃO CORPORAL

O processo de esfoliação é considerado o primeiro passo a ser feito antes do procedi-


mento estético, tendo em vista que suas funções principais são: a remoção de células mortas
da superfície da pele, a facilitação da penetração de ativos e o estímulo à renovação celular.
A camada mais superficial de nossa pele é chamada de estrato córneo ou capa cór-
nea, composta por células chamadas de corneócitos ou queratinócitos, são achatadas com
aspecto de escamas. A função da camada córnea é formar uma barreira de proteção física,
contra agentes agressores, como os microrganismos, e também evitar a perda de umidade,
devido a presença de lipídeos, deixando sua estrutura impermeável. (GRAAFF, 2003).

FIGURA 2 - CAMADAS DA EPIDERME

Fonte: PEREZ; VASCONCELOS; 2014, p. 43.

UNIDADE IV Recursos Manuais Complementares 66


Há vários mecanismos de esfoliação, eles podem ser classificados como: esfolia-
ção química, física, mecânica e enzimática.
Perez e Vasconcelos (2014, pág 45), explicam que: “No processo de esfoliação
física e mecânica há a presença de grânulos na formulação dos agentes esfoliantes, que,
quando submetidos aos movimentos circulares e à leve pressão do contato manual, retiram
parte do estrato córneo e agrupam a oleosidade e células queratinizadas, conferindo um
aspecto mais fino à pele.”
Ou seja, a ação física depende da presença de partículas, como por exemplo esfe-
ras de polietileno ou sementes trituradas, presentes na formulação cosmética utilizada e a
ação mecânica envolve movimentos, como o exemplo da técnica de gomagem.
Gomagem é de origem francesa (gommage) e significa “raspagem”. Para a reali-
zação da técnica aplica-se sobre a pele uma fina camada de goma vegetal devendo ser
removida posteriormente com movimentos de fricção. Sua composição é rica em ativos que
irão proporcionar emoliência e maciez ao tecido (PEREZ, E; VASCONCELOS, M. G, 2014).
A esfoliação química é realizada através da aplicação de substâncias ácidas na
pele com o intuito de desprender as células de sua superfície. Exemplos: ácido glicólico,
retinóico, mandélico, salicílico, etc.
Já a esfoliação enzimática é realizada com ativos de base natural, enzimas bioló-
gicas, como por exemplo: papaína (extraída do mamão) e bromelina (extraída do abacaxi).
Proporcionando a renovação celular, reduzindo a espessura da camada córnea e melho-
rando a sua textura (PEREZ, E; VASCONCELOS, M. G, 2014).
Entretanto, quando se trata de esfoliação corporal pré massagem é mais usual a
técnica da gomagem ou cosméticos a base de géis com agentes esfoliantes, como grãos,
esferas e sementes. A aplicação do produto é feita na pele e em seguida realiza-se movi-
mentos de deslizamento, circulares e de fricção, com ênfase nas áreas a serem tratadas.

UNIDADE IV Recursos Manuais Complementares 67


2. SHANTALA

O médico Fréderick Leboyer em uma de suas viagens à Índia, viu uma mulher
massageando no chão da rua o seu bebê, ela se chamava Shantala, por isso o nome da
técnica. Fréderick descobriu que era uma prática cultural, fazia parte do dia a dia e da rotina
das mães, assim como a amamentação (GONÇALVES, 2006).
Hoje a shantala é ensinada para as mamães e os papais em cursos preparatórios
durante a gestação. Ela tem o intuito de promover a aproximação e o fortalecimento do
vínculo dos pais com o recém nascido. A técnica também proporciona alívio de cólicas,
tensões, auxilia na melhora do sono, respiração, e proporciona equilíbrio físico e emocional
para o bebê e a mãe (BERNSMULLER, 2012).
A hora mais indicada para aplicar a técnica é antes do bebê dormir. O banho de
imersão também pode ser feito logo após, isso proporciona ainda mais o seu relaxamento
(BERNSMULLER, 2012).
Gonçalves (2006) também destaca os benefícios da shantala e salienta em relação
aos cuidados que devem ser tomados, devido a anatomia ser menor e estar em constante
desenvolvimento. O toque deve ser delicado, a pressão suave, e as manobras lentas. O
ambiente escolhido para a massagem deve ser bem aquecido, pois os bebês sentem mais
frio que um adulto.

UNIDADE IV Recursos Manuais Complementares 68


a massagem proporciona uma abordagem lógica e organizada à estimulação
sensória, o que é importante para os bebês, porque parte de seu crescimento
é aprender a classificar e organizar a estimulação sensória. (FRITZ, 2002, p.
534).

Normalmente a duração da massagem é em torno de quinze minutos, de acordo


com a disposição do bebê, durante a sessão deve-se observar seu comportamento, rea-
ções e expressões, isso irá determinar e controlar o andamento da massagem (BRAUN;
SIMONSON, 2007).
Antes de iniciar a técnica deve-se pegar o bebê no colo, tocar nele para somente
depois iniciar os movimentos da massagem. Sugere-se começar na região do peito fazen-
do uma leve pressão com as mãos para ajudar a relaxá-lo e depois realizar movimentos
circulares, depois braços, mãos, abdômen, pernas, costas e cabeça (CRUZ; CAROMANO,
2005; BERNSMULLER, 2012).
A shantala pode ser feita a partir de um mês de vida até os nove anos. No entanto,
deve-se observar algumas contra indicações: gripe, febre, estômago vazio (irá dificultar a
concentração), logo após a refeição (pois o bebê pode ter refluxo), alguma doença de pele,
diarreia, etc (BERNSMULLER, 2012).

REFLITA

Independentemente de quem for aplicar a técnica da shantala, seja o profissional ou os


pais, é recomendado conversar com o médico pediatra e solicitar seu consentimento

(O autor).

UNIDADE IV Recursos Manuais Complementares 69


3. QUICK MASSAGE

Conhecida também como massagem rápida, massagem na cadeira ou ainda mas-


sagem sentada, suas características principais são a praticidade, o conforto, a rapidez e o
baixo custo. Auxilia na promoção do bem-estar, do relaxamento e da melhora na postura
das regiões do pescoço e costas. Ótima para ambientes de trabalho, por exemplo.
A cadeira é especialmente desenvolvida para essa finalidade, o massagista realiza
todas as manobras em pé, em contato direto com a pele ou por cima da roupa do cliente,
que é o mais usual. Aplica-se às pressões com a palma das mãos, ponta dos dedos e
também cotovelos (STEPHENS, 2008).
A quick massage pode ser considerada uma técnica “jovem” se comparada a outros
tipos de massagens mais antigas. Porém, há registros históricos de que a realização de
massagem com a pessoa sentada já é praticada há milênios. Desenhos encontrados no
antigo Egito e no Japão, por exemplo, mostram pessoas recebendo massagem nas costas,
mãos e pés sentadas no chão e em pequenos banquinhos (STEPHENS, 2008).
Atualmente empresas quando têm o desejo de atrair clientes ou até mesmo propor-
cionar um benefício aos funcionários procuram pela técnica, tendo em vista a possibilidade
de transportar a cadeira de massagem para qualquer lugar e assim o profissional poder
aplicar a massagem. Mesmo sendo rápida, em torno de 15 minutos é muito eficaz e atende
a maior parte das queixas, pois através da posição que o cliente fica o profissional consegue
ter excelente acesso a região da lombar, dorsal, pescoço, cabeça, ombros, braços e mãos,
sendo essas as regiões normalmente com maior índice de relatos de dor e tensão.

UNIDADE IV Recursos Manuais Complementares 70


SAIBA MAIS

“Os movimentos de massagem aplicados durante a quick massage foram inspirados em


duas técnicas milenares:
- Shiatsu: originária dos princípios da Medicina Tradicional Chinesa e das palavras
de origem japonesa Shi (dedos) e Atsu (pressão). Emprega a pressão com os dedos
polegares em pontos específicos, os meridianos, reconhecidos como canais energéti-
cos do corpo e também muito utilizados nos tratamentos de Acupuntura, com agulhas.
- Anma: embora utilizada e divulgada pelos japoneses, originou-se há 3.000 na China
Antiga. Emprega manobras de amassamento, pressão, percussão e deslizamentos, não
somente com os dedos, mas também com os antebraços e mãos”

(SIMÃO, pág 214, 2018).

UNIDADE IV Recursos Manuais Complementares 71


4. MASSAGEM EPICRÂNIA

Conhecida também como massagem craniana, tem como objetivo promover o alívio
de tensões e o relaxamento da musculatura. Pode ser realizada sozinha ou em associação
com outras técnicas de massagem. É muito recomendado para alívio de dores de cabeça,
enxaqueca, tensão e estresse.
Nessi (2015) relata que por meio do desbloqueio da tensão nas áreas da cabeça,
pescoço, ombro e braços há redução da ansiedade, melhora da insônia, alívio do estresse,
melhora da circulação sanguínea e promoção do relaxamento.
De maneira geral, podemos dizer que a massagem auxilia na oxigenação e nutrição
dos tecidos e das células, através do estímulo da circulação sanguínea.
A massagem epicrânia tem movimentos simples, derivados da massagem rela-
xante clássica, envolvendo principalmente as manobras de deslizamento, alongamento e
fricção no pescoço e nos músculos da região. Com enfoque também nas áreas auriculares
e temporais (PEREIRA, 2013).
A pressão comprime os tecidos moles e estimula as redes de receptores ner-
vosos. O estiramento aplica tensão sobre os tecidos moles e também estimu-
la as terminações nervosas receptoras. O uso dessas duas forças pode, por
meio da mudança dos vasos linfáticos e sanguíneos, afetar as circulações
capilar, venosa, arterial e linfática. Seus efeitos sobre a dor melhoram o siste-
ma nervoso, ocasionando efeito sedativo e relaxante, aumentando a circula-
ção sanguínea, estimulando a circulação linfática, melhorando a nutrição dos
tecidos musculares, aumentando a hemoglobina e os glóbulos vermelhos do
sangue e aumentando até 3 °C na temperatura, o que proporciona a melhora
da textura e da aparência da pele. (SIMÃO, 2018, p. 157 e 158)

UNIDADE IV Recursos Manuais Complementares 72


Para a prática da massagem não há necessidade do uso de produtos cosméticos
como meio de contato. Sendo assim priorizado o atrito das mãos e dos dedos sobre a área
a ser aplicada. Tem duração média de quarenta a sessenta minutos. Os resultados são
imediatos, o relaxamento e o bem estar perduram de médio a longo prazo.
Existem vários métodos de aplicação da técnica, não há restrição de um passo a
passo absoluto, porém frisa-se a importância de aplicar os movimentos sempre recordando
da massagem relaxante (GUIRRO, E.; GUIRRO, R., 2010; NESSI, 2015).
No final da unidade você encontrará uma indicação de vídeo demonstrando uma
sugestão de aplicação da massagem craniana.

UNIDADE IV Recursos Manuais Complementares 73


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Finalizamos nossa última unidade da disciplina de Técnicas Manuais. Aprendemos


inicialmente sobre o processo de esfoliação, identificamos seus objetivos, os diferentes
mecanismos e o mais usual para a pré massagem.
Depois conhecemos a técnica da shantala, o que ela proporciona para o bebê
e para os pais, de que maneira realizar e quais os cuidados importantes que devem ser
tomados para a realização da técnica.
Em seguida exploramos uma técnica de massagem rápida, conhecida também
como massagem na cadeira ou quick massage, excelente para quem tem pouco tempo
para uma sessão; e seus benefícios, que são voltados principalmente para o relaxamento,
melhora da postura e alívio de tensões do dia a dia.
Enfim, a última técnica que pudemos compreender nessa unidade foi a massagem
craniana, recomendada para alívio de dores de cabeça, tensão e estresse, proporcionando
resultados imediatos.

UNIDADE IV Recursos Manuais Complementares 74


LEITURA COMPLEMENTAR

VERIFICAR EFEITOS FISIOLÓGICOS E PSICOLÓGICOS DA QUICK MASSAGE


E MASSAGEM PODAL EM VOLUNTÁRIOS ESPONTÂNEOS ATENDIDOS POR
ESTETICISTAS

Aline Vianna de Souza Lima; Bárbara Rondon Cherutte; Sara Oliveira Moura; Tatiane de
Freitas Pinheiro; André Leonardo da Silva Nessi

RESUMO: O estresse físico e psicológico da vida moderna tem se tornado um


problema de saúde pública. Observa-se que a maioria das pessoas apresentam queixas de
dores musculares e cansaço físico. Observa-se que a população está à procura de métodos,
tais como, as massagens terapêuticas para a melhora da qualidade de vida e sensação de
bem estar. Devido à falta de tempo da vida moderna, técnicas que promovem o bem estar
físico e psicológico e que possam ser executadas em um curto espaço de tempo como
a Quick Massage e a Massagem Podal estão tendo cada vez mais procuradas. Sendo
assim, este estudo procura investigar a melhora do bem estar e diminuição do estresse com
base nos resultados dos efeitos fisiológicos e psicológicos da Quick Massage e da Mas-
sagem Podal realizadas em conjunto. Nesta investigação foram aferidas a pressão arterial
e batimentos cardíacos antes e após a realização das massagens por esteticistas em 30
voluntários espontâneos. Verificou-se que houve redução tanto da pressão arterial como
da frequência cardíaca, pois, o toque da massagem e as manobras como, por exemplo, o
deslizamento, promoveu relaxamento generalizado. Os voluntários também preencheram
um questionário que indicava seus níveis de estresse antes e após as massagens e verifi-
cou-se que 97% desses tiveram a sensação relaxamento ou muito relaxamento.
Palavras-chave: Efeitos Fisiológicos; Quick Massage; Massagem Podal.

Fonte: LIMA, A. V. de S; et al. “VERIFICAR EFEITOS FISIOLÓGICOS E PSICO-


LÓGICOS DA QUICK MASSAGE E MASSAGEM PODAL EM VOLUNTÁRIOS ESPONTÂ-
NEOS ATENDIDOS POR ESTETICISTAS.”  FIEP Bulletin On-line  86 (2017): 1530-1563.
http://www.fiepbulletin.net/index.php/fiepbulletin/article/viewFile/5749/12268. Acesso em:
16 ago, 2021.

UNIDADE IV Recursos Manuais Complementares 75


MATERIAL COMPLEMENTAR

LIVRO
Título: Como e por que Massagear o Bebê: do Carinho às Técni-
cas e Fundamentos
Autor: Cláudia Marchetti Vieira da Cruz e Fátima Aparecida Caro-
mano.
Editora: Editora Manole, 2011.
Sinopse: Como e por que Massagear o Bebê apresenta os fun-
damentos e as técnicas dos diferentes métodos de massagem,
permitindo ao terapeuta aplicá-las e ensinar aqueles que lidam
diretamente com bebês e crianças. Mostra também o contexto
histórico e social em que as massagens foram criadas e são utili-
zadas e discute os efeitos fisiológicos e comportamentais produ-
zidos pela massagem.As autoras compartilham suas experiências
sobre a utilização deste recurso terapêutico de baixo custo, mas
de benefícios significativos para a saúde. Além disso, estimulam
os profissionais a desenvolver pesquisas voltadas ao ensino da
massagem. Nesse sentido, elaboraram um capítulo descrevendo
uma rotina de metodologia que utilizam.Com texto repleto de curio-
sidades científicas e descrições técnicas detalhadas e ilustradas,
este livro torna-se referência aos interessados pelo tema.

FILME/VÍDEO
Título: Massagem Epicrânia
Ano: 2013.
Sinopse: Vídeo aula demonstrando uma sugestão de aplicação
da massagem craniana.
Link do vídeo: https://youtu.be/d-Cj0k-Fzcc

UNIDADE IV Recursos Manuais Complementares 76


MATERIAL COMPLEMENTAR

AMARAL, D. C. do; SILVA, E. M. da; LHAMAS, L. M. F. Os efeitos da massagem relaxante


associada a aromaterapia no tratamento da depressão. Revista Científica do Unisale-
siano. Lins - SP, ano 6, n.13, jul-dez de 2015. pg 209 à 224. Disponível em: http://www.
salesianolins.br/universitaria/artigos/no13/artigo7.pdf. Acesso em: 22 Jun 2021.

ANDRADE, G. et al. Métodos e técnicas de avaliação estética. Porto Alegre: Grupo


A, 2018. 9788595023192. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/
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AUSTREGÉSILO, A. S. B. Curso de massagem oriental: linguagem do tato. Rio de Janei-


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AZULAY, R. D. Dermatologia, 7ª edição. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2017.


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CONCLUSÃO GERAL

Prezado(a) aluno(a),

Busquei apresentar a você neste material um panorama detalhado sobre as técni-


cas manuais, abordando desde o histórico da massagem, sua evolução, seus benefícios e
sua considerável relevância em todo o mundo, nas diversas culturas, até os dias de hoje.
Na primeira unidade, além de abordarmos o conceito da massagem, aprendemos
de que maneira as várias técnicas atuam no organismo, para proporcionar os efeitos fisio-
lógicos, terapêuticos e os inúmeros benefícios ao indivíduo.
Na unidade ll destacamos a importância da realização de uma criteriosa anamnese
antes do atendimento, tendo em vista que cada massagem tem suas indicações e também
suas contraindicações e somente após a coleta e registro de todas as informações perti-
nentes ao caso é que poderá ser definida a conduta profissional mais adequada.
Em seguida, estudamos os tipos mais comuns de massagens, onde cada um atua
e as principais diferenças entre eles, incluindo sugestões individuais de passo a passo,
para melhor entendimento. Além de aprendermos como realizar a preparação do ambiente
para que a aplicação das técnicas seja de ótima qualidade. Depois compreendemos que
o posicionamento adequado do profissional na hora do atendimento é fundamental para
prevenção de dores, sequelas e distúrbios relacionados ao trabalho, ao longo do tempo.
Por fim, conhecemos outros recursos manuais e o que eles proporcionam. Esse
conhecimento é de suma importância ao profissional, para que possa olhar de forma in-
dividual cada cliente, com um olhar clínico e conseguir associar as técnicas que julgar
importantes e necessárias naquele momento.
Espero que todas as informações apresentadas no material tenham contribuído
significativamente em sua formação. Agora resta aplicar os conhecimentos adquiridos!
Mas lembre-se: a busca pelo conhecimento nunca deve cessar, se quiser tornar-se um(a)
profissional de excelência.

Lhe desejo sucesso. Muito Obrigada! Grande abraço.

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+55 (44) 3045 9898
Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro
CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR
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