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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO


NORTE
Gabinete do Desembargador Juíza Francimar Dias (convocada)

Mandado de Segurança Com Liminar N° 2010.001084-4


Impetrante: Sandro Reges Souza Soares
Advogado: Breno Soares Paula
Impetrado: Secretário da Segurança Público e Defesa Social do
Estado do Rio Grande do Norte
Relatora: Juíza Francimar Dias (Convocada)

Decisão

Trata-se de mandado de segurança impetrado por


Sandro Reges Souza Soares, nos autos qualificado, por advogado
regularmente habilitado, em face de ato supostamente ilegal praticado pelo
Secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Rio Grande do
Norte.

Lastreia-se a impetração, em síntese, nas seguintes


razões fáticas e jurídicas: a) o Impetrante se submeteu a concurso público
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para provimento de vagas no Cargo de Delegado de Polícia Civil do Estado


do Rio Grande do Norte, tendo alcançado aprovação na 33ª Posição; b) após
as fases iniciais do concurso, foi considerado não recomendado no resultado
de avaliação psicológica (4ª Etapa), na forma do Edital n.º 15 – PCRN, de 17
de novembro de 2009; c) não lhe foram entregues as necessárias justificativas
que ensejaram a sua eliminação, sendo fornecido simples laudo-síntese com a
demonstração superficial dos motivos determinantes da não recomendação;
d) restou caracterizada ofensa ao seu direito de defesa, tendo em vista não ser
possível conhecer o fundamento determinante de sua eliminação; e)
submetido a exame semelhante, em concurso para provimento de Vagas no
Cargo de Delegado de Polícia Civil do Estado da Paraíba, obteve sua
recomendação pela comissão responsável por sua avaliação psicológica; f)
inexiste previsão legal e editalícia quanto ao perfil profissiográfico utilizado
como parâmetro na avaliação realizada.

Requereu, liminarmente, a decretação da nulidade


da 04ª Etapa do Concurso Público para o provimento de vagas no cargo de
Delegado de Polícia Civil Substituto do Estado do Rio Grande do Norte,
assegurando seu direito de participar das fases subsequentes.
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Colacionou aos autos os documentos de fls. 20 a


261.

É o que importa relatar. Decido.

Defiro o pedido de justiça gratuita.

Passo a analisar a presença do fumus boni iuris e


do periculum in mora, elementos indispensáveis para o deferimento das
medidas de natureza liminar.

O Impetrante sustenta seu direito de permanecer


nas demais fases do certame, tendo em vista que, apesar de considerado 'não
recomendado' na 4ª etapa – Exame de Psicotécnico, não foram demonstrados
pela autoridade apontada como coatora os motivos que fundamentaram tal
decisão.

Compulsando os autos, em uma exame inicial,


entendo que as razões aduzidas pelo impetrante em confronto com os
documentos acostados conferem plausibilidade ao direito vindicado na
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presente via.

Percebe-se, em uma primeira análise, que, no caso


concreto, ao considerar o Impetrante não recomendado no exame
psicotécnico, não se procedeu, de forma devida, a motivação do ato,
cerceando, desta forma, o direito de defesa, na medida em que deixou-se de
apontar, de modo inequívoco e objetivo, as razões de sua não recomendação.
.
Em caso semelhante este Tribunal decidiu:

EMENTA: CONSTITUCIONAL,
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL.
REMESSA NECESSÁRIA E APELAÇÃO
CÍVEL. PRELIMINAR DE NÃO SUBMISSÃO
DA SENTENÇA AO REEXAME
OBRIGATÓRIO, SUSCITADA PELA
PROCURADORIA DE JUSTIÇA.
ACOLHIMENTO. PRELIMINARES DE
INÉPCIA DA PETIÇÃO INICIAL, DE
INEFICÁCIA DA SENTENÇA E DE
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JULGAMENTO EXTRA PETITA, ARGÜIDAS


PELO APELANTE. REJEIÇÃO. MÉRITO.
CONCURSO PÚBLICO PARA INGRESSO NA
CARREIRA DE POLICIAL MILITAR.
CANDIDATO CONSIDERADO INAPTO EM
EXAME PSICOTÉCNICO. AVALIAÇÃO
PAUTADA EM CRITÉRIOS SUBJETIVOS E
SEM RIGOR TÉCNICO-CIENTÍFICO.
AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO CLARA E
PRECISA DA SUPOSTA ENFERMIDADE
ATRIBUÍDA AO EXAMINANDO. PREJUÍZO
AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA.
CONFIGURAÇÃO. CONHECIMENTO E
IMPROVIMENTO DA APELAÇÃO CÍVEL.
(Apelação Cível nº 2008.006182-0, da 2ª Câmara
Cível do TJRN, rel. Dr. José Herval Sampaio
Junior – Juiz convocado-, j. 10.03.2009)

Quanto ao periculum in mora, entendo


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que está o mesmo evidenciado na medida em que a manutenção dos efeitos


do ato apontado importam na exclusão indevida do Impetrante do concurso
em debate.

Ante o exposto, defiro o pedido liminar requerida,


a fim de que seja reservada a vaga do Impetrante, possibilitando, de forma
precária, sua participação nas demais fases do referido certame, quando
convocado pela Administração Pública, até julgamento de mérito do presente
mandamus.
Notifique-se a autoridade apontada como coatora,
para que, no prazo legal, preste as informações de estilo.

Dê-se ciência do feito ao órgão de representação


judicial da pessoa jurídica interessada.

Publique-se. Intimem-se.

Natal, 8 de fevereiro de 2010.


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Juíza Francimar Dias (convocada)


Relatora