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UNOPAR

SISTEMA DE ENSINO A DISTÂNCIA


PEDAGOGIA

ELÍSIA SANDYELLE SANTOS DA SILVA

PROJETO DE ENSINO
EM ARTE DE BRINCAR: RESGATANDO AS
BRINCADEIRAS ANTIGAS

Cidade
2020
Cidade
2020
Cidade

PALMEIRA
2021
ELÍSIA SANDYELLE SANTOS DA SILVA

PROJETO DE ENSINO
EM [INSERIR NOME DO CURSO]

Projeto de Ensino apresentado Unopar, como


requisito parcial à conclusão do Curso de
[inserir nome do Curso].

Docente supervisor: Prof. [Inserir nome do


coordenador do curso]

Cidade
2021
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO..............................................................................................................3
1 TEMA.....................................................................................................................4
2 JUSTIFICATIVA.....................................................................................................5
3 PARTICIPANTES...................................................................................................7
4 OBJETIVOS...........................................................................................................8
5 PROBLEMATIZAÇÃO............................................................................................9
6 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................10
7 METODOLOGIA..................................................................................................11
8 CRONOGRAMA...................................................................................................12
9 RECURSOS.........................................................................................................13
10 AVALIAÇÃO.........................................................................................................14
CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................15
REFERÊNCIAS...........................................................................................................16

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3

INTRODUÇÃO
O presente trabalho monográfico enfatiza o impacto das tecnologias
no processo de ensino aprendizagem e o desenvolvimento do aluno, perante estes
novos meios de comunicação, entretenimento e etc. Tento como referência o novo
normal do atual século XXI, além de pesquisas realizadas durante todo o processo
de construção do projeto de ensino, colocando em pauta “o resgate de Jogos e
Brincadeiras Tradicionais no contexto Escolar”, onde o mesmo é o
de promover esse resgate dos jogos e brincadeiras que eram muito difundidos até o
surgimento da tecnologia e demais adventos que fizeram com que essas atividades
caíssem no esquecimento. E a dinâmica almejada a realizar o estudo é acerca da
forma como jogos e brincadeiras tradicionais tem sido reconhecido no ambiente
escolar identificando e refletindo sobre as possibilidades de atuação em sala de
aula, considerando os seus desafios diante das temáticas pertinentes da atualidade.
Busquei com este trabalho, pensar e refletir sobre o procedimento
metodológico e teorias que possibilitem uma proposta dinâmica, interativa e
instrutiva que dessa conta das experiências de brincadeiras tradicionais, as
pesquisas foram realizadas com crianças entre 06 a 09 anos em uma Unidade
Escolar pública, localizada no Conjunto Água viva no interior de Alagoas na cidade
de Tanque d’Arca. As atividades integraram o projeto “Brincar, aprender e
transformar” nos anos inicias do ensino fundamental: uma experiência com as
brincadeiras tradicionais, proposto durante o período de volta as aulas presenciais
durante a pandemia no ano de 2021.
Para Vygotsky, a brincadeira pode ter papel fundamental no
desenvolvimento da criança. Seguindo a idéia de que o aprendizado se dá por
interações, o jogo lúdico e o jogo de papéis, como brincar de “mamãe e filhinha”
permite que haja uma atuação na zona de desenvolvimento proximal do indivíduo,
ou seja, cria-se condições para que determinados conhecimentos e/ou valores
sejam consolidados ao exercitar no plano imaginativo capacidades de imaginar
situações, representar papéis, seguir regras de conduta de sua cultura (só a mamãe
que pode colocar a filhinha de castigo), etc.
1 TEMA
“O resgate das brincadeiras tradicionais”
Dentre algumas observações feitas se viu que a falta de socialização tem
sido gritante, os alunos mudaram seu comportamento e já não se socializam
facilmente, até então em razão a pandemia/covid-19 que se início no ano de
2020 porventura do ocorrido a convivência em sala de aula já não é a mesma
levando em conta que os mesmo tem dificuldades de se relacionarem e
brincadeiras que naturalmente faziam parte do cotidiano escolar já não são
permitidas a serem realizadas da forma natural, umas vez que o contato é
proibido.
Sabe-se da fundamental importância da inserção de atividades lúdicas
que proporcionem o movimento, expressão e socialização, em razão do
desenvolvimento biopsicossocial. Winnicott (1989) ainda nos diz que a criança
que não brinca já pode nos dar indícios de que algo não vai bem em sua
estruturação psíquica. Desta forma o resgate das brincadeiras tradicionais busca
manter vivo o repertório cultural da criança, em tempos modernos em que a
tecnologia tomou espaço das brincadeiras tradicionais, mesmo com as
restrições estabelecidas pelo Ministério da Saúde no âmbito escolar, o projeto se
iniciou de forma que a socialização ocorresse tanto na sala quanto em casa.
Segundo Friedman (1995), o jogo tradicional é um patrimônio lúdico que é
importante para o desenvolvimento das capacidades físicas, cognitivas, sociais,
afetivas e linguísticas. Sendo assim, o brincar se caracteriza, segundo Oliveira
(2000), como condição de todo processo evolutivo da criança, tornando-se um
momento de liberdade criadora, de afetividade, de significar e organizar sua
realidade e seu mundo. É a oportunidade de socialização, de encontrar desafios,
lidar com suas limitações e conflitos e de compreender e traçar regras comuns.
É papel da escola proporcionar um ambiente no qual o brincar faça parte, sendo
que ele não deve e nem pode ficar restrito somente ao recreio ou a fins já pré-
determinados.
2 JUSTIFICATIVA

Vivemos em uma sociedade que passa por constantes mudanças,


estimuladas, principalmente, pela evolução tecnológica. “Hoje temos acesso
com mais facilidade à televisão, rádio, telefone, computador, internet dentre
outras Tecnologias de Informação e Comunicação que fazem com que as
informações cheguem até nós com mais rapidez, nos possibilitando gerar novos
conhecimentos e aprendizagens a todo o instante (SANTOS, 2015, p. 36).
Porém aos poucos, brincadeiras como pular corda, peão, pega-pega,
brincar de casinha e etc. Brincadeiras de rua estão sendo esquecidas pela
garotada. "Antigamente, os pequenos se divertiam em espaços públicos e em
convivência com várias crianças. Mas com as transformações observadas na
sociedade esses locais foram sumindo e os meninos e meninas passaram a ficar
mais com os brinquedos tecnológicos do que com os amiguinhos. Até para
comida, o negócio é teclar no celular, pedir e nem precisa falar com ninguém",
analisa a socióloga Selma Maria Carvalho.
As metodologias de ensino utilizadas no processo de ensino-aprendizagem
escolar têm sofrido modificações nos últimos anos, de modo que a valorização
do desenvolvimento de habilidades sociais nos alunos se tornou um objetivo a
ser alcançado pelos educadores. Alguns estudos apontam que dentre as
diversas formas de estimular a sociabilidade nas crianças, as brincadeiras são
apontadas como recursos didáticos efetivos, de modo que, quando empregadas
adequadamente, tornam a aprendizagem menos mecânica, mais significativa e
prazerosa, estimulando a criação e o fortalecimento dos laços sociais. O
presente artigo procura demostrar que com os avanços tecnológicos o impacto
entre as antigas brincadeiras de infância e as novas estão se distanciado cada
vez mais, uma vez que é preciso ter equilíbrio, até porque o brincar é essencial
para o desenvolvimento das crianças.
Do ponto de vista metodológico trata-se de um estudo descritivo-
exploratório, de natureza qualitativa, Vários autores tais como Vygotsky (1984,
cit. por Dallabona & Mendes, 2004); Moyles (2002) & Mauriras – Bousquet
(1986, cit. por Silva, 2003) sublinham que o momento de brincar ou jogar é
fundamental, tanto para o desenvolvimento integral como para a aprendizagem
das crianças. Uma criança que tem oportunidade de brincar desenvolve se
cognitivamente, socialmente, afetivamente e fisicamente e desta forma, o
brincar, as brincadeiras e os jogos contribuem positivamente para o
desenvolvimento do mesmo. Com base no exposto, este artigo tenta responder
o porquê deve ser feito o resgate das brincadeiras tradicionais, uma vez que
devido às transformações do ambiente urbano, à influência da mídia e à invasão
dos jogos eletrônicos no contexto lúdico da vida moderna, nota-se que algumas
habilidades sociais deixam de ser desenvolvidas dentre as que partem dos jogos
e brincadeiras tradicionais do cotidiano de várias gerações de crianças.
Os jogos são meios naturais que permitem à criança se expressar, libertar
os sentimentos e descontentamentos. As brincadeiras servem como instrumento
de estruturação do indivíduo e não trabalham apenas uma capacidade, mas
várias, como percepção motora, equilíbrio e orientação espacial, explica a
pedagoga Mônica Costa, do Maristinha Pio XII. Para Kishimoto (1999), o brincar
tem a prioridade das crianças que possuem flexibilidade para ensaiar novas
combinações de ideias e de comportamentos. Alves (2001) afirma que a
brincadeira é qualquer desafio que é aceito pelo simples prazer do desafio, ou
seja, confirma a teoria de que o brincar não possui um objetivo próprio e tem um
fim em si mesmo.
Vygotsky (1991) afirma que a brincadeira é uma representação que a criança faz
das relações sociais que vivencia cotidianamente. Tal atividade é importante, pois
possibilita que a criança avance em sua aprendizagem pelo exercício social que a
brincadeira promove. Por exemplo, a criança na brincadeira brinca de ser mãe, mas
ela ainda não é mãe. Brinca de ser professora quando ainda é aluna. Ou seja, a
vivência de um futuro que ainda não está posto no presente possibilita o avançar na
aprendizagem e o desenvolvimento.
A principal motivação para escrever este trabalho está relacionada aos
desafios que o professor tem em contrapartida a importância de oportunizar
experiências com brincadeiras tradicionais, observando seus limites e possibilidades
como prática lúdica, mas, principalmente, para o desenvolvimento das habilidades
sociais. É preciso esclarecer que a descoberta dos autores e conceitos em torno das
habilidades sociais (comunicação, empatia, civilidade etc.) ocorreu após o término
de observação dos alunos da escola Ulisses Botelho, durante a elaboração deste
Trabalho de Conclusão de Curso.
Logo, relatar as brincadeiras tradicionais utilizadas permitiu compreender
o quanto são capazes de estimular a formação de habilidades sociais nas
crianças, e ressaltar a importância da ludicidade para a construção desse
processo, no contexto da educação escolar.
3 PARTICIPANTES
O público direcionado a este projeto de ensino é para indivíduos entre 6 à 10
anos de idade dos anos iniciais do ensino fundamental da educação básica, que
passam mais tempo com jogos eletrônicos, dentre este problema o projeto esta
direcionando ao resgates de brincareis com mais interação em sala.
4 OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL:
 Resgatar as brincadeiras tradicionais, reconhecendo-as como elemento do
desenvolvimento infantil;

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
 Levantar as brincadeiras antigas junto aos familiares e pesquisar suas regras;
 Caracterizar as principais dificuldades de adaptação dos alunos no processo
de aprendizagem;
 Exemplificar as principais características da evasão escolar na idade de
ensino regular;
 Usar essas atividades para promover o enriquecimento cultural;
 Trabalhar o conceito e a importância das tradições;
 Aprimorar a coordenação motora fina por meio da confecção de trabalhos
manuais;
 Incentivar a interação afetiva e a socialização entre criança e família;
 Desenvolver a consciência corporal.
5 PROBLEMATIZAÇÃO
Pular corda, amarelinha, esconde-esconde, passa anel, pular elástico e
stop são algumas das brincadeiras que fizeram a alegria das crianças de todo o
Brasil durante décadas, mas com os avanços tecnológicos a crianças tem
deixado de lado brincadeiras com bastante interação, dando lugar a jogos
eletrônicos, vídeos do Youtube e etc.
Já algumas desvantagens são: “a dependência com o celular,
a televisão e o computador; a substituição da mão de obra através de
máquinas; os golpes na internet com cartões invasão de pessoas para
o roubo de informações sigilosas; vícios em jogos eletrônicos; as
redes sociais e internet também podem prejudicar pessoas com falsas
informações” (BRASIL, 2015, p. 1).

Dentro desta nova realidade não há como negar a importância da internet.


Por causa dela, temos acesso à informação, educação, comércio, lazer,
entretenimento e, principalmente, comunicação, a sociedade e a escola já
passaram por inúmeras mudanças. Nesse contexto desta nova realidade hoje
vemos meninas e meninos de 7 á 12 anos que estão substituído brincadeiras
consideradas sadias e entrado no mundo virtual, o destaque são as redes
sociais, lembrando é claro que não é 100% segura, ela também é considerada a
face mais perigosa do universo virtual. Isso porque as crianças são colocadas
diante de uma tela cheia de possibilidades e informações quando ainda estão
desenvolvendo a capacidade de discernir o que é verdadeiro ou falso e bom ou
mau. Assim, a rede vira uma porta aberta para diferentes perigos. Hoje vemos
meninas e meninos de 7 á 12 ano que já utilizando redes sociais, uma vez que
para eles é “moda”,
Algumas vantagens do avanço tecnológico são: “Uma comunicação
simples e rápida para as negociações no mundo todo; a compra de produtos
pelo e-commerce e a velocidade nas informações” (BRASIL, 2015, p. 1).

Atualmente, com a economia e o mundo globalizado, as empresas


buscam cada vez mais obter vantagem competitiva, em tempos modernos, em
que o computador com acesso à internet, o vídeo game e a televisão, no mundo
globalizado, tem ganhado cada vez mais espaço, o brincar foi substituído, as
brincadeiras tradicionais estão sendo “deixadas de lado” pelas crianças em favor
das novas tecnologias. Assim, muitas dessas brincadeiras típicas das crianças
ou de algumas regiões do país acabam sendo esquecidas ou não “aprendidas”
pelas novas gerações.

Assim para se obter um resgate de brincadeiras tradicionais a escola


precisa trabalhar como espaço possibilitador a valorização de brincadeiras
tradicionais que vêm se perdendo com o tempo, brincadeiras que são de grande
importância para construção de conhecimentos e habilidades que, muitas vezes,
não são possíveis de se alcançar com as brincadeiras atuais que muitas vezes
não exigem muito das crianças ou de brinquedos que fazem praticamente tudo
por elas.

O momento da brincadeira é de grande importância no período da infância, pois,


ela contribui de forma significativa para o desenvolvimento integral da criança.
Segundo Piaget (1976), o brincar é a expressão corporal e do
desenvolvimento na fase infantil, onde se promove a interação, a socialização
e a troca de experiência.

Segundo Friedmann (1995), o jogo tradicional é um patrimônio lúdico que


é importante para o desenvolvimento das capacidades físicas, cognitivas,
sociais, afetivas e linguísticas. Sendo assim, o brincar se caracteriza, segundo
Oliveira (2000), como condição de todo processo evolutivo da criança, tornando-
se um momento de liberdade criadora, de afetividade, de significar e organizar
sua realidade e seu mundo. É a oportunidade de socialização, de encontrar
desafios, lidar com suas limitações e conflitos e de compreender e traçar regras
comuns. É papel da escola proporcionar um ambiente no qual o brincar faça
parte, sendo que ele não deve e nem pode ficar restrito somente ao recreio ou a
fins já pré-determinados.

Negar o universo simbólico lúdico, sob o argumento de que esse não


é o papel da instituição escolar, é negar o trajeto do desenvolvimento humano
e sua inserção cultural. É desviar a função da escola do processo de
construção de valores e de um sujeito crítico, autônomo e democrático. É
negar, principalmente, as possibilidades da criatividade humana
(VASCONCELOS, 2006, p.72).
As brincadeiras antigas funcionam como pontes para o passado, pois
quando as crianças brincam, elas se defrontam o tempo todo com vestígios que
as gerações mais velhas deixaram. Por isso a escola deve estar antena em
fazer esta ponte entre passado e presente.
6 REFERENCIAL TEÓRICO

De acordo com Colhante et al. (2012), a urbanização e a industrialização


têm diminuído os espaços apropriados para se brincar, o que seria também uma
das razões para o desaparecimento das brincadeiras tradicionais, já que sem
um espaço para serem postas em prática, estas acabam caindo no
esquecimento, fazendo com que algumas delas não façam mais parte do
repertório cultural das crianças.

As brincadeiras antigas funcionam como pontes para o passado, pois


quando as crianças brincam, elas se defrontam o tempo todo com vestígios que
as gerações mais velhas deixaram. Por isso,
Resgatar a história de jogos tradicionais infantis como a expressão da
história e da cultura, pode nos mostrar estilos de vida, maneiras de pensar,
sentir e falar e, sobretudo, maneiras de brincar e interagir. Configurando-se em
presença viva de um passado no presente (FANTIN, 2000, p. 22).
Kishimoto (1997) descreve as brincadeiras tradicionais infantis como
folclóricas, uma parte da cultura popular, e esta cultura vem sofrendo algumas
mudanças devido às transformações sociais e tecnológicas, sendo que a escola
está incluída nessas transformações.
Por estes motivos e por observar que muitas vezes as brincadeiras não
têm estado presente ou não lhe é dada a devida importância nas atividades
escolares para o desenvolvimento integral e cultural da criança, é que propomos
buscar o resgate das brincadeiras/jogos tradicionais no interior das escolas.
CONCEITOS FUNDAMENTAIS
Cultura Lúdica: brincar não é apenas uma atividade natural da criança, é
também uma aprendizagem social.
A escola é um ambiente mediador: a escola é um ambiente privilegiado
que aprofunda o processo de cognição da criança. Uma aula criativa é uma aula
lúdica: os recursos utilizados não impedem o caráter recreativo.
A formação lúdica interdisciplinar: se assenta em propostas que valorizam
a criatividade, o cultivo da sensibilidade, a busca da afetividade proporcionando
às crianças e aos educadores vivências lúdicas, experiências que se utilizam da
ação do pensamento e da linguagem.
Como contribuir para a ludicidade: o fazer lúdico requer técnica,
sensibilidade e prática constante.

A aprendizagem lúdica na educação infantil como diferencial para o


desenvolvimento da criança.
Uma criança que em sua infância é privada do brincar futuramente
poderá se tornar um adulto com dificuldades para pensar.
Jean Chateau
 

Music-in-action. Disponível
em: http://www.freeimages.com/photo/1439015.Acesso 25 de
mai de 2014.
 
A Cultura Lúdica
 
As crianças constroem a cultura lúdica brincando, ela só
acontece a partir da interação sociocultural. A cultura lúdica é
um conjunto vivo, diversificado conforme os indivíduos e os
grupos. As regras da cultura lúdica são bastante singulares:
esquemas de brincadeiras, ou seja, a criança desenvolve uma
habilidade que se torna hábito, quando brinca, acumula
experiências que vão constituindo uma cultura lúdica.
Essa experiência vai se enriquecendo na medida em que a
criança participa de brincadeiras com amigos. A brincadeira é
um processo de relações/interações da criança com o
brinquedo, mas é também uma interação com outras crianças,
bem como, com adultos.
Brougère um pesquisador da infância referenda que a cultura
lúdica é composta de esquemas que possibilitam iniciar a
brincadeira e distanciá-la da realidade cotidiana. Todos estes
procedimentos, referências e esquemas de regras que o
indivíduo conhece, ou seja, suas experiências são
individualizadas e particularizadas. Desse modo, concebe-se a
cultura lúdica não como um bloco monótono e sim um conjunto
vivo e diversificado em constante mudança e sempre com novos
significados em função dos hábitos lúdicos. (BROUGÈRE, 2000 p.
52).

 
Pedro e Lívia – Arquivo pessoal – 10/02/2010
Toda interação pressupõe uma interpretação, e toda
interpretação tem um significado. A criança age em função da
significação que dá aos objetos da interação, adaptando-se à
reação dos outros sujeitos da interação, para produzir
significações que se transformam em conhecimento.
Quando brinca, a criança entra num mundo de comunicações:
comunicação com o amigo, com o professor, com brinquedos e
com seu mundo particular e imaginário. Essa comunicação
aparentemente complexa pode ser utilizada no contexto, como
forma de compreender o universo da criança e também para
ensinar. Brincar não é apenas uma atividade natural da criança,
é também uma aprendizagem social.
As brincadeiras dos adultos com crianças bem pequenas são
essenciais para a aprendizagem. A infância em tempos
modernos foi “inventada” ou “recriada”. O reconhecimento da
infância como fase específica da vida, com suas características e
necessidades, foi o que possibilitou identificar o brinquedo
como objeto infantil. Esse novo olhar para a criança e para o
brinquedo é resultado de um longo processo histórico que não
pode ser esquecido.
A infância é necessária para todos, e, além de casa, comida,
carinho, saúde e educação, é necessário que haja tempo e
espaço para brincar. É bom lembrar ao professor que, para
trabalhar de forma lúdica, também precisa considerar esse fazer
prazeroso para desenvolver a: brincadeira, atividade ou jogo.
 
A cultura lúdica é, então, composta de certo número de
esquemas que permitem iniciar a brincadeira, já que se trata de
produzir uma realidade diferente daquela da vida quotidiana: os
verbos no imperfeito, as quadrinhas, os gestos estereotipados
do início das brincadeiras compõem assim aquele vocabulário
cuja aquisição é indispensável ao jogo. (BROUGÈRE, 2000, p. 5).
 
Brincar é uma característica humana! A infância integra os
adultos que somos hoje, não é coisa do passado. Valorizar a
brincadeira não é apenas permití-la, é também, suscitá-la. As
crianças vivem em um mundo de fantasia, de encantamento, de
alegria, de sonhos onde a realidade e, o faz-de-conta acontece
independente de época, cultura, condição social, pois, os jogos e
as brincadeiras fazem parte da vida delas. A importância do
brincar está em enfrentar os desafios da infância.
As brincadeiras são atividades fundamentais para que se
desenvolva na criança: a autonomia, a identidade e o imaginário.
E muito embora, a história nos mostra que o brincar já foi tido
apenas como mera diversão, sem cunho pedagógico. Estudos
apontam o contrário em que brincadeiras evidenciam-se como
fontes promotoras de desenvolvimento e da aprendizagem.
De acordo com Áries (1981, p. 278), Até o final da Idade Média, a
sociedade não reconhecia a infância enquanto um período de
vida inerente aos homens, pois a criança era considerada como
um “adulto em miniatura”. Dessa forma, os modos de vestir, as
conversas, os jogos e as brincadeiras e até o trabalho realizado
pelas crianças não as distinguiam do “mundo” dos adultos.
No Brasil foi só a partir das idéias escolanovistas de: Anísio
Teixeira, Lourenço Filho e Mário de Andrade, que acreditavam
que os jogos e brincadeiras infantis eram atividades livres e, por
meio delas, as crianças manifestavam uma força criadora. Mario
de Andrade foi um idealizador dos parques infantis na cidade de
São Paulo, em que se efetivou a valorização das brincadeiras
infantis na educação das crianças brasileiras é o que assevera
Kuhlman (2000 p. 55).
Segundo Kishimoto (1997 p. 27), as atividades lúdicas, mais
especificamente, o jogo imaginativo, teve seu início apenas no
século XIX, antes este jogo já existia de maneira simples, mas
passava despercebido para o mundo adulto nas experiências da
infância.
Sobre o brincar acredita-se que o lúdico é uma necessidade
básica da personalidade do ser humano, pois, faz parte das
atividades essenciais da dinâmica, não só das crianças. O
elemento lúdico pode ser uma ligação no sentido de facilitar a
aprendizagem, daí a necessidade de relacionar a utilização dele
como um agente motivacional também nas escolas.

 
colorfull-ballons-2-1385006-m Disponível
em: http://www.arthritis.org/washington/publications/afamilies/
afamilies-archived-issues/afamilies-winter-2014 . Acesso 9 de jun
de 2014
 
Froebel, Maria Montessori, entre outros pedagogos, estudaram
as crianças durante anos e chegaram à conclusão de que o jogo
educativo tem a intenção de distrair e instruir ao mesmo tempo.
Sendo assim, o jogo educativo tem duas funções: uma função
lúdica, na qual a criança encontra prazer ao jogar, e outra
educativa, que colabora para aprimorar o conhecimento da
criança e a sua apreensão de mundo.
Ao buscar sinônimos ou definições para o Lúdico foram
encontradas as seguintes palavras: forma de desenvolver a
criatividade, os conhecimentos, através de jogos, música e
dança. O lúdico é um aspecto do brincar, do jogar, do entreter,
de forma definida. A ludicidade se apresenta como fonte
colaboradora que desenvolve saberes para vida pessoal, além
de, levar a criança e o adulto a interagirem com o meio de forma
prazerosa, significativa e contextualizada.
A palavra lúdico vem do latim ludus: e quer dizer: jogo,
divertimento, distração, como adjetivo é relativo a jogo ou
divertimento, ou seja, recreativo que serve para divertir ou dar
prazer. Quando pensamos em lúdico na maioria das vezes
pensa-se no jogo, seria interessante também enfatizar o
divertimento, a recreação e mais que isso – a aprendizagem.
O lúdico tem levado contribuições para todas as faixas etárias, já
que proporcionam novas aquisições culturais, sociais,
linguísticas e emocionais, durante toda a vida é o que assevera
Kishimoto em sua obra: Jogo, brinquedo, brincadeira e a
educação:
 
Na educação infantil, o brincar estará sempre presente, pois é
brincando que a criança entende o seu mundo. É brincando que
ela aprende. Por meio da brincadeira a criança interage com o
meio (objeto, pessoas). A brincadeira pode ou não ter regras. Ela
oportuniza a imaginação e suas regras são “abertas” e sugere
participação mais livre e descontraída, bem dentro do espírito
da atividade lúdica. É a ação que a criança desempenha ao
concretizar as possíveis regras, ao mergulhar na ação lúdica.
Pode-se dizer que é o lúdico em ação. Dessa forma brinquedo e
brincadeira relacionam-se com a criança e não se confunde com
jogo (KISHIMOTO, 2010 p.36).
 
Para as crianças, brincar é coisa séria, as brincadeiras são
dotadas de sentido além de colaborar para o desenvolvimento
mental, físico e social.  É também uma forma de autoterapia
para a criança, alem de servir como linguagem - um simbolismo
que muitas vezes, substitui as palavras. Nem sempre as crianças
são capazes de se expressar verbalmente - por isso, utilizam a
brincadeira para se comunicarem e também para formular e
assimilar aquilo que experienciam.
“O jogo é para a criança um fim em si mesmo, ele deve ser para
nós um meio de educar, de onde seu nome jogo educativo que
toma cada vez mais lugar na linguagem da pedagogia maternal”
(GIRARD, 1908 p. 199).
 

 
Castelo. http://www.downloadswallpapers.com/papel-de-
parede/castelo-infantil-12176.htm. Acesso 25 de mai de 2014.
 
Vimos que as crianças constroem a Cultura Lúdica por meio de
interações sociais. As brincadeiras são atividades fundamentais
para que se desenvolva na criança: a autonomia, a identidade e
o imaginário.
O lúdico tem trazido contribuições para todas as faixas etárias,
já que proporcionam novas aquisições culturais, sociais,
linguísticas e emocionais. A criança não é um adulto em
miniatura, portanto, o brinquedo e o jogo são fundamentais aos
pequenos aprendizes e estão muito além do divertimento. A
fantasia do brincar na educação determina o espaço para o
lúdico e tal ação é essencial para a atividade criadora.
A cultura lúdica é produzida pelo homem-criança e é interativa,
dinâmica e repleta de significados. É um conjunto de
procedimentos que fazem o brincar – acontecer.
 
 
Lúdico: uma proposta interdisciplinar
 
Realizar um trabalho sobre interdisciplinaridade no ensino tornou-
se particularmente necessário, na medida em que é um tema
bastante atual e, no Brasil, é admitido como possibilidade para
uma sistematização da educação. Tal situação suscita a
necessidade de uma investigação mais acurada e de uma análise
mais atenta do significado desta interdisciplinaridade.
Delacir Poloni
 
A interdisciplinaridade vem sendo tratada como uma das
soluções para que haja o restabelecimento de uma nova ordem
na educação e no ensino, no país. Na área pedagógica –
interdisciplinaridade é quando uma ou mais disciplinas
relacionam seus conteúdos com a finalidade de aprofundar
conhecimentos.
Por isso, um grupo interdisciplinar compõe-se de pessoas que
receberam uma formação em diferentes domínios do
conhecimento. A interdisciplinaridade pode ser considerada o
ponto de encontro que estabelece uma articulação entre o
universo epistemológico e o universo pedagógico.
A formação lúdica interdisciplinar se assenta em propostas que
valorizam a criatividade, o cultivo da sensibilidade, a busca da
afetividade proporcionando aos educadores vivências lúdicas,
experiências que se utilizam da ação do pensamento e da
linguagem.
Quanto mais o educador vivenciar a ludicidade, maior será a
chance desse profissional trabalhar com uma criança de forma
prazerosa, enquanto atitude de abertura às práticas inovadoras.
Tal formação permite ao educador saber de suas possibilidades
e limitações, desbloquear resistências e ter uma visão clara
sobre a importância do jogo e do brinquedo para a vida da
criança.
Essa proposta de trabalho propõe uma prática de ensino com
possibilidades de aproveitamento do lúdico na metodologia, do
fazer docente, com ênfase à formação lúdica da criança.

 
Lápis - Disponível em http://pt.dreamstime.com/fotografia-de-
stock-arco-%C3%ADris-colorido-do-desenho-de-l%C3%A1pis-
image10775472
 
Dentro de um projeto interdisciplinar a proposta do lúdico se
assenta sobre a exploração de novas práticas no ambiente
escolar que se utilizam o brincar para a construção da
aprendizagem. Com isso, é possível perceber que se o professor
tiver conhecimento e prazer pelo exercício da função, maior será
a probabilidade de uma criança usufruir desse modelo de aula.
O lúdico, a imagem, os jogos e as brincadeiras dentro do
universo escolar não possuem apenas o objetivo de
proporcionar ao educando momentos de recreação, mas sim, o
de praticar pedagogicamente a interdisciplinaridade se
considerarmos que o aprendiz é sujeito de suas ações: alguém
que aprende criando e vivenciando saberes dentro de uma
perspectiva plural de um currículo escolar.
A utilização de diferentes recursos como: trabalhar com a
realidade das crianças e com conhecimentos prévios delas,
acabam tornando-se mecanismos pouco utilizados pelos
professores que na maioria das vezes aderem aos métodos
tradicionais. No ensino interdisciplinar busca-se desfragmentar
o ensino do conhecimento científico através da articulação entre
os conteúdos didáticos.
[...] o entreter, o brincar, faz parte também da nossa vida. Mas,
normalmente estamos tão envolvidos com nossas questões
sérias do mundo real, que ficamos desatentos a essas
particularidades tão preciosas. – Silvia Segatto (Citação livre)
Conforme as considerações de Gontijo (2010 p. 87) “As crianças
são sujeitos que organizam e produzem formas lúdicas de
entendimento em relação ao mundo, procurando entendê-lo e
transformá-lo”. Desde os primeiros meses de vida a criança
brinca e, logo começam a desenvolver, num processo continuo e
complexo: a aprendizagem de habilidades motoras, cognitivas,
afetivas e sociais, tendo a linguagem como sua principal
dimensão. Isso significa que, a relação das crianças com os
ambientes que participam possibilita a estruturação da sua
capacidade de pensar e construir conhecimentos,
caracterizando sua humanização.
 Ser criança pressupõe processos de desenvolvimento de
potencialidades. A escola é um ambiente mediador privilegiado
do processo de humanização das crianças. Dentro de uma
abordagem interdisciplinar pode-se interligar as diversas áreas
do saber para que não haja fragmentação do conhecimento.
 
A formação lúdica interdisciplinar se assenta em propostas que
valorizam a criatividade, o cultivo da sensibilidade, a busca da
afetividade proporcionando aos educadores vivências lúdicas,
experiências que se utilizam da ação do pensamento e da
linguagem, tendo no jogo sua fonte dinamizadora. MARQUES
(2013 p. 34)
 
A visão de interdisciplinaridade foi pesquisada e sugerida por
Piaget que tinha na concepção construtivista “que o sujeito não
é alguém que espera que o conhecimento seja transmitido a ele
por um ato de benevolência” (PIAGET, 1971 p, 53). A criança
aprende por meio de suas próprias ações sobre o objeto de
estudo, enquanto sujeito autônomo, que constrói suas próprias
categorias de pensamento. Edgar Morin ao formular a “Teoria da
Complexidade” sugere a interdisciplinaridade e a
transdisciplinaridade como estratégias cognitivas para analisar e
compreender a realidade do mundo. O conceito de
complexidade é definido pelo autor como “aquilo que está
tecido junto, aquilo que está ligado”, ou seja, são interações que
caracterizam os fenômenos bio-físico-culturais, mas também
têm suas incertezas, pois nada é absoluto na ciência. Segundo
Morin (1999 p. 59), “conhecer e pensar não é chegar a uma
verdade absolutamente certa, mas dialogar com a incerteza”.
Esses princípios de incerteza é o que leva o aprendiz a ação-
reflexão, do disciplinar ao interdisciplinar.
Acerca disso Severino Antônio em sua obra (Uma nova escuta
poética da Educação e do Conhecimento) relata que uma das
crises mais graves de nosso tempo é a extrema fragmentação
do conhecimento, que dissocia sujeito e objeto. E dissocia no
sujeito a inteligência assim como dissocia o objeto de seu
contexto e de suas interações e interdependências [...]
“Precisamos de uma ética de religação”. (ANTONIO, 2009 p. 89)
A interdisciplinaridade substitui a concepção fragmentária,
momento em que ocorre um diálogo possível entre as diversas
áreas do conhecimento. Dentro da questão lúdica existem
inúmeras atividades que podem ser desenvolvidas com duas ou
mais disciplinas. As brincadeiras, para as crianças estão repletas
de experimentos que trazem consigo a vivência de uma situação
anterior, a descoberta de novas possibilidades, ou a resolução
de uma dificuldade nova.
 
[...] o lúdico pode estar presente em sala de aula, como uma
importante metodologia na prática docente, favorecendo o
processo de ensino e de aprendizagem. No entanto, em algumas
escolas o lúdico se restringe somente às aulas de Recreação e de
Educação Física, sendo tratado como forma de entretenimento,
divertimento e lazer. O lúdico não é explorado de forma
adequada e nem utilizado quando se observam necessidades
educacionais específicas.
Contudo, todo professor interessado em promover mudanças
na sua prática em sala de aula deveria encontrar na proposta do
uso do lúdico uma importante metodologia, a qual tem
condições de contribuir para a melhoria das ações realizadas no
ambiente escolar no que se refere à promoção de ações
inclusivas. (MARQUES, 2013)
 
 
Brincar na infância é um meio pela qual a criança organiza suas
experiências, descobrindo e recriando seu olhar sobre o mundo:
das pessoas e das coisas com as quais convive. Pode parecer
contraditório, mas os jogos e as brincadeiras fazem com que as
crianças procedam com seriedade frente aos conteúdos
escolares, pois, o ensino quando utilizado por meios lúdicos, cria
um ambiente gratificante e atraente, servindo como estímulo
para o desenvolvimento integral da criança.
 
A brincadeira cria para as crianças uma “zona de
desenvolvimento proximal” que não é outra coisa senão a
distância entre o nível atual de desenvolvimento, determinado
pela capacidade de resolver independentemente um problema,
e o nível atual de desenvolvimento potencial, determinado
através da resolução de um problema sob a orientação de um
adulto ou com a colaboração de um companheiro mais capaz.
(VIGOTSKI, 1984, p.97)
 
Como referenda Vygotsky o desenvolvimento de uma criança
está alicerçado sobre o plano das interações. Quando uma
criança pede para um adulto um brinquedo o foco está na
relação/interação com o outro e não com o objeto.
A utilização de dos instrumentos/recursos auxiliam o
desenvolvimento das atividades educacionais: a
interdisciplinaridade proporciona o intercâmbio de informações
e estimula à consciência crítica: de forma mais ágil, concreta e
agradável para o aluno, em que o conhecimento vem de várias
direções.
 
O lúdico como diferencial para a educação infantil
 
Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver
meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados
em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a
formação do homem.
 
Carlos Drummond de Andrade
 
Professores e educadores têm buscado metodologias para o
“ensinar e aprender” em sala de aula. Porém, sabe-se que são
poucos os professores que fazem o uso de atividades lúdicas em
sala de aula como diferencial na educação. Na maioria das vezes
a proposta do professor é tentar “passar um conteúdo”, um
ensinamento e uma informação.
As vezes a teoria é cansativa para as crianças, mesmo as escolas
mais renomadas são bastante voltadas para o conteudismo,
tentando preparar a criança para o futuro, o que faz com que a
maioria dos métodos ou procedimentos adotados sejam mais
tradicionais.
 

Winter Holiday Disponível


em: http://www.nscece.ca/2014/01/Acesso 25 de mai de 2014.
 
A ludicidade pode e deve ser trabalhada com todas as áreas do
saber. Não há nada de mais prazeroso juntar dois professores
de diferentes áreas e trabalhar com pesquisa, interação e a
ligação dos saberes.
Porém, o uso do brincar, utilização de jogos e a criatividade para
se ter o lúdico em sala de aula não possui fórmula mágica. O
fazer lúdico requer técnica, sensibilidade e muitas vezes –
prática – nunca o improviso.
Muitas vezes um jogo ou atividade lúdica precisam ser
planejados e pensados de modo a atingir o objetivo da aula,
porque no fundo o objetivo é ensinar de forma divertida. Não
existem fórmulas, este ensino requer técnica, sensibilidade e
prática. Lembrando que as crianças não são iguais: o que
funciona para um, muitas vezes não funciona para outro.
Isso me faz lembrar os meus “momentos lúdicos” com as
crianças em uma oficina de leitura. Eu levava um pré-projeto
achando que o seguiria passo a passo, então sempre ocorria
uma situação inusitada, isso quer dizer que o professor deve ter
consigo o plano “B”, considerando que existem crianças não
sociáveis, ou muito tímidas, ou muito sentimentais, em um jogo,
por exemplo, existem muitas crianças que não sabem perder.
Os pais ensinam que o filho é o maior, o grande campeão, mas
ao jogar, perder faz parte. As crianças que não aprendem a
perder mergulham no mar das frustrações e às vezes tornam-se
até violentas. Os jogos são artefatos lúdicos muito eficazes para
ensinar que a vida não é um campo de batalha. Pela brincadeira,
pelos jogos, as crianças assimilam valores, crenças, regras e
hábitos, por isso, trabalhar ludicamente é uma estratégia tão
poderosa.

 
Puzzle-time-2-1186820-m. http://www.freeimages.com/photo/11
86820
 
Cabe ressaltar que já foi comprovado cientificamente que por
meio de atividades lúdicas ocorre o desenvolvimento da
motricidade, autoestima, raciocínio lógico, para que a criança se
organize, aprenda a respeitar, sensibilizar e principalmente
divertir-se.
Negrine afirma que:
As contribuições das atividades lúdicas no desenvolvimento
integral da criança indicam que elas contribuem poderosamente
no desenvolvimento global e que todas as dimensões estão
ligadas intrinsecamente vinculadas. (NEGRINE, 1994 p. 19).
 
A qualquer momento durante a aula podem ocorrer atividades
ou momentos lúdicos, muitos podem ser planejados e outros
podem espontaneamente ser suscitados pelas crianças, é um
bom momento para ensinar.
Ruzzi, Haydet (1987 p. 5) asseveram que “uma criança que se
entrega a uma brincadeira não tem como não aprender algo,
não desenvolver alguma habilidade ou conhecimento. ”
Oliveira (2000, p 26) afirma que, o brincar não significa apenas
recrear, pois o desenvolvimento acontece por meio de trocas e
reciprocidade”.
De acordo com o Referencial Curricular Nacional da Educação
Infantil:
 
O principal indicador da brincadeira, entre as crianças, é o papel
que assumem enquanto brincam. Ao adotar outros papéis na
brincadeira, as crianças agem frente à realidade de maneira
não-literal, transferindo e substituindo suas ações cotidianas
pelas ações e características do papel assumido, utilizando-se de
objetos substitutos. (BRASIL, 1998, p. 27, v.01)
 
“O ser que brinca é o ser que joga, o ser que age, pensa,
aprende e se desenvolve”. (Teixeira 1995, pg. 23)
Não existe fórmula mágica para dar uma boa aula lúdica, mas,
existe planejamento, interdisciplinaridade e sensibilização. Não
há como mudar certas situações e a personalidade de uma
criança, mas, existe a interação, o brincar e a inclusão. Esses
procedimentos colaboram para a autoestima, segurança e
empatia.
Existem ambientes estimulantes como as brinquedotecas,
videotecas, salas de leitura, mas a válvula que impulsiona o
estímulo são os sentimentos de ensinar recriando e recreando.
A felicidade de uma criança não pode ser inventada, mas pode
ser estimulada, motivada e suscitada.
Para lugares que não existem brinquedotecas, existem os
pátios, as quadras, campinhos de futebol. Onde não há
brinquedo utilize a criatividade para “criar brincadeiras”: aquelas
que brincávamos na nossa infância: amarelinha, cantigas de
roda, roda de leitura, contação de estórias.
A aprendizagem em si deve ser prazerosa Vigotski (1984, p. 97)
considera que o ato de brincar é essencial na constituição do
pensamento infantil. Ou seja, uma criança brinca demonstra
alegria em aprender, pois acontece a oportunidade de lidar com
suas energias em busca da satisfação de seus desejos.
Dessa forma é interessante que o educador concilie a alegria da
brincadeira com a aprendizagem escolar uma vez que o aspecto
afetivo se encontra implícito no ato de jogar.
 
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VIGOTSKI, L. S. A formação Social da mente: O desenvolvimento
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Colorfull-ballons-2-1385006-m Disponível em:
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Pedro e Lívia – Arquivo pessoal – 10/02/2010
 
Puzzle-time-2-1186820-m. Disponível
em: http://www.freeimages.com/photo/1186820. Acesso 9 de
jun de 2014.
 
Winter Holiday Disponível
em: http://www.nscece.ca/2014/01/Acesso 25 de mai de 2014.

Neste item, você deve apresentar o referencial teórico que sustenta a


elaboração do seu Projeto de Ensino.
Leia, atentamente, as orientações apresentadas no Manual do Projeto de
Ensino, conforme as especificidades do seu Curso.
Esta parte do Projeto deverá conter, no mínimo, cinco (5) e, no máximo,
sete (7) laudas.
Apague essas informações após incluir o seu texto.
7 METODOLOGIA

Visando atender ao objetivo proposto, percorreremos uma montagem de


projeto que acontecerá mediante o desenvolvimento de aluas do ensino
fundamental com turmas de 06 a 13 crianças na escola pública. Durante as
aluas as atividades referente ao projeto devem ter duração de 60 minutos, onde
serão desenvolvidas atividades de roda de conversa, leituras, pesquisa,
construção de cartazes, oficinas de confecção de brinquedos, desenho,
produções escritas, vivência das brincadeiras, lembrando que as atividades
proporcionadas durante a semana da criança.
Será proposta a construção de jogos que serão produzidos ao longo do projeto, para
isso, será realizada pesquisa junto aos familiares das crianças, buscando fazer um
levantamento das brincadeiras que eles mais brincavam na infância, seguida de
pesquisa das regras dessas brincadeiras. Faremos, também, uma oficina de
brinquedos de materiais recicláveis de preferência.
Brincadeiras como amarelinha, pula corda, peão, bolinha de godê e etc. É um
dos exemplos que o docente deve seguir, o mesmo deve deixar a criança bem à-
vontade onde o aluno consiga interagir com os colegas. Para a conclusão do projeto,
os alunos serão convidados a participar da confecção de cartazes onde serão
expostos os trabalhos realizados pelas crianças, o professor pode usar fotos que
foram tiradas durante o projeto.
Os instrumentos para registro dos dados serão um caderno de campo
onde serão anotadas todas as atividades realizadas, bem como o registro em
fotos e vídeos.
Para a culminância do projeto, será realizada na escola uma exposição
das fotos dos encontros durante o projeto, dos brinquedos construídos pelas
crianças, juntamente com uma exposição do livro criado pela turma, como uma
“tarde de autógrafo”, buscando socializar todo o trabalho desenvolvido.
8 CRONOGRAMA

ETAPAS DO AGO SET OUT NOV DEZ


PROJETO
PLANEJAME X
NTO
EXECUÇÃO X

AVALIAÇÃO X
9 RECURSOS

Os recursos utilizados para o desenvolvimento do projeto será folhas A4,


microfone, Datashow, cartazes, panfletos, caixa de som, pendrive, cadeiras,
mesas, toalhas, cortina blecaute.
10 AVALIAÇÃO

Neste item, você deve descrever o modo como prevê a avaliação no


decorrer do Projeto de Ensino.
Leia, atentamente, as orientações apresentadas no Manual do Projeto de
Ensino, conforme as especificidades do seu Curso.
Esta parte do Projeto deverá conter, no mínimo, meia (0,5) e, no máximo,
uma (1) lauda.
Apague essas informações após incluir o seu texto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste item, você deve apresentar as suas considerações finais, com


comentários decorrentes de reflexões acerca da elaboração do Projeto de Ensino.
Você deve relatar as dificuldades encontradas para a elaboração deste trabalho,
bem como apresentar as possíveis contribuições que este Projeto pode proporcionar
para o ensino na sua área de atuação, conforme especificidades do seu Curso.
Esta parte do Projeto deverá conter, no mínimo, meia (0,5) e, no máximo,
uma (1) lauda.
Apague essas informações após incluir o seu texto.
REFERÊNCIAS

Mariana Araguaia, IMPORTÂNCIA DOS JOGOS SEGUNDO VYGOTSKY. Equipe


Brasil Escola. Disponível em:
https://educador.brasilescola.uol.com.br/comportamento/a-importancia-dos-jogos-
segundo-vygotsky.htm.

Escrito por Lêda Gonçalves - Repórter. Brincadeiras antigas disputam espaços


com as tecnologias. Disponível em:
https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/metro/brincadeiras-antigas-disputam-
espacos-com-as-tecnologias-1.1385423: 00:00 / 13 de Setembro de 2015.

SOBRENOME, Nome. Título do livro. Local de edição: Editora, ano da publicação.

SOBRENOME, Nome (do autor do capítulo). Título do capítulo. In: SOBRENOME,


Nome (Org.). Título do livro. Local de edição: Editora, ano de publicação. p. (página
inicial) - (página final do capítulo).

SOBRENOME, Nome. Título do Artigo. Nome da revista, Local de edição, v. 1, n.


10, p. (página inicial) - (página final), ano da publicação.

SOBRENOME, Nome. Título do texto da internet. Disponível em: https://www.


Acesso em: 24 jul. 2020.

FRIEDMANN, Adriana. Jogos tradicionais. Série Ideias, São Paulo: FDE, n.7,


p.54-61. 1995.

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. (Org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a


educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1997.
COLHANTE, Carolina Cardoso et al. Resgatar o brincar tradicional: uma
contribuição à formação de professores. Disponível em:
<http://doceinfancia2.blogspot.com.br/2013/03/ola-pessoal-estamos-
disponibilizando.html.pdf>. Acesso em: 21.02.2017.

VYGOTSKY, Lev S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1989. Disponível
em: https://pibid.ufms.br/o-resgate-das-brincadeiras-tradicionais-no-ambiente-escolar-
2/Acesso em: 14.03.2017

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